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Prova - Métodos Matemáticos na Eng. Mecânica - 1o.P/2010

Prof. Renato Machado Cotta Eng. Mecânica, POLI/UFRJ

1a. Questão (6 pontos): Tubos de Pitot são dispositivos de uso corrente na indústria aeronáutica para medição de velocidades em vôo. Para evitar congelamento em grandes altitudes é comum empregar-se tubos de Pitot aquecidos eletricamente. Para tanto, é necessário projetar termicamente o instrumento, estabelecendo conservativamente a potência a ser dissipada no tubo para evitar o crescimento de gelo sobre sua superficie e o

perigoso bloqueio na região de estagnação. Seja portanto o tubo de Pitot mostrado na figura, de raio externo r e , e raio interno r i , feito de material com condutividade térmica k, massa especifica ρ, e calor especifico c p , todos constantes. O comprimento horizontal é L 1 e

o comprimento vertical é L 2 . As seções horizontal e vertical do tubo serão aquecidas por

efeito Joule, com geração volumétrica variável g(x) em W/m 3 . O tubo troca calor com o ar exterior à temperatura T que escoa sobre o sensor, conhecendo-se o coeficiente de

transferência de calor h(x) no tubo horizontal e no tubo vertical. A extremidade do tubo que

é normal ao escoamento (x=0) troca calor por convecção com um coeficiente constante h e ,

enquanto a extremidade em x=L=L 1 +L 2 está termicamente isolada da estrutura do avião. Considerando que a parede do tubo de Pitot é termicamente fina na direção radial, pode-se formular o problema de condução de calor unidimensional transiente ao longo do comprimento do tubo, supondo que os dois segmentos L 1 e L 2 encontram-se alinhados com comprimento L=L 1 +L 2 , a partir da condição inicial que todo o tubo se encontra à temperatura do ar externo T , e desprezando-se a troca térmica para o ar estagnado no

interior do tubo. A equação de condução correspondente, com suas respectivas condições de contorno e inicial, é dada por:

L 1 T ∞ 2r e 2r i g(x), W/m 3
L
1
T
2r e
2r i
g(x), W/m 3

L 2

,

=

2 2 −ℎ

2

,

+

,

0 < < ,

T(x, 0) =

0,

=

( (0, )), = 0

T(L, t)

x

= 0,

x = L

> 0

Pede-se, empregando o método implicito de Crank-Nicholson, discretizar o problema parabólico acima utilizando uma malha de cinco nós, x 0 a x 5 , com espaçamento uniforme Δx e intervalo de tempo Δt. Escreva a equação discretizada para cada nó e monte em forma matricial o sistema linear algébrico correspondente.

2a. Questão (4 pontos):

Seja um tecido humano formado por diferentes camadas com condutividade térmica variável k(x) conhecida, com a parede externa da epiderme em x=0 e a parede do tecido subcutâneo em contato com o tecido interno em x=L.O tecido interno mantém sua temperatura uniforme do sangue arterial T a graças à perfusão sanguínea. Já as camadas mais externas, estão sujeitas às variações das temperaturas e fluxos de calor impostos pelo ambiente externo, embora sejam também resfriados pela perfusão sanguinea ω(x) conhecida. Sabendo que temperaturas maiores que 42 ºC levam à morte celular, deseja-se saber se um tratamento de hipertermia em regime permanente, com um fluxo de calor imposto de q 0 , aplicado na superficie x=0, pode levar a dano celular nas camadas desse tecido, sabendo-se que a epiderme troca calor com o meio externo a T e um coeficiente de transferência de calor de h . A formulação do problema diferencial ordinário para a temperatura no tecido, T(x), é dada abaixo, com as respectivas condições de contorno:

dT x ( ) k x ( ) dx d    dx dT
dT x
(
)
k x
(
)
dx d   
dx
dT x
(
)
 k (0)
dx
x  0

 

(

x

)

b

c T x

b

(

(

)

q

0

h T T

[

(0)],

T

a

)

(

q x

m

)

0,

T L T

)

(

a

0

 

x L

onde q m (x) é o calor gerado pelo metabolismo, que é dado. Pede-se discretizar o problema acima pelo método de diferenças finitas com ordem Δx 2 , em uma malha com cinco nós (x 0 a x 5 ) e espaçamento uniforme Δx. Escreva a equação discretizada para cada um dos nós e monte em forma matricial o sistema linear algébrico correspondente. Dica: O primeiro termo da EDO pode ser expandido pela regra da cadeia.