Universidade Federal de São João del-Rei – UFSJ Departamento de Ciências da Educação – DECED Pedagogia – 2° período História da Educação

II Profa. Cida Arruda
GRUPO: Andrezza Grazioti, Amber, Elizângela Dâmaso, Heloisa, Jéssica Mariane, Júlia Vasconcelos e Renata Serpa.

EDUCAÇÃO PATRIMONIAL
SALVADORI, Maria Ângela Borges. História, Ensino e Patrimônio. Araraquara, SP: Junqueira&Marin, 2008. A finalidade deste livro é direcionar o leitor no entendimento do conceito e das práticas de preservação do patrimônio histórico. Sendo assim, a própria origem latina da palavra patrimônio, “patrimoniu, ou seja, “herança paterna, bens de família” (p.11, grifos do autor)”, ajuda a construir o conceito que permeia a ideia de patrimônio histórico, como sendo a representação de um passado a ser lembrado. Mas, o que faz este passado se tornar relevante? Quais os valores que levam um bem ou um personagem a se tornarem notórios ou não? Estes questionamentos orientarão a analise do tema. Na Grécia e na Roma, as estátuas e as grandes obras e edificações públicas, respectivamente, já se faziam presentes. Porém, foi na França, século XVIII, que a ideia de patrimônio histórico se consolidou. Os elementos que compunham o patrimônio eram bens materiais, palpáveis, que tinham como objetivo construir a imagem da unidade nacional, além de diminuir os conflitos sociais pós Revolução Francesa. No Brasil, durante o Império, a cultura e o patrimônio eram vistos como apropriação dos grupos aristocráticos. As primeiras propostas, referentes a patrimônio, surgem no inicio do século XX, da necessidade de construir símbolos de identidade e controle do Estado. A cidade de Ouro Preto, MG, foi o primeiro patrimônio reconhecido oficialmente. O reconhecimento da cidade e da figura de Tiradentes, pelo governo Vargas, veio ao encontro das necessidades políticas do momento, ou seja, recupera-se a “história construída”, minimizando conflitos e fortalecendo a unidade nacional. Em 1930, foi criado o IPHAN (Instituto Nacional de Preservação do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). O instituto, durante o governo militar, restringiu e submeteu sua avaliação técnica aos interesses do Estado Novo, trabalhando como uma

tombar um bem é uma lei que implica na inclusão de determinado bem em um livro. rememorado por todos e/ou para todos no passado. para que assim não fosse permitida qualquer alteração. Portanto. sendo responsabilidade dos governos federais. chegando a monumento histórico. monumento é tudo aquilo que deve ser lembrado. o tombamento ainda é visto negativamente. mas tombam-se também bens de natureza móvel como obras de arte. juntamente a essas políticas de preservação de patrimônios históricos e culturais. Mas essa mudança gerou conflitos. Atualmente. que pregavam estilos arquitetônicos (técnicos) que parte da população não obtinha conhecimento. também. “monumento vem do latim monere. sendo chamado de patrimônio histórico-cultural. ou seja. também. Patrimônio histórico e arquitetura possuem uma grande relação que chegam até a gerar questionamentos. foi sendo transformado. com a desapropriação do mesmo. É mais conhecido o tombamento de bens imóveis. até a forma de pronunciar se modificou. dificultando e proibindo atitudes que pudessem destruí-lo ou modificá-lo. adotando medidas que definissem determinados bens a serem preservados. mobilizando outros setores sociais. que garantiriam sua conquista e . e bens de natureza imaterial. pois confundem os limites impostos para o bem. e no Brasil isso aconteceu em meados do século XX. que veio sendo modificado com o tempo.espécie de “DIP” (Departamento de Imprensa e Propaganda). Monumento. como a educação patrimonial. até mesmo nos dicionários. foram sendo criadas. O conceito de patrimônio histórico. por exemplo. As políticas de preservação do patrimônio histórico foram se instalando. coleções documentos e acervos fotográficos. deixando de preservar apenas bens materiais e começando a preservar também aqueles chamados imateriais que tinham características exclusivamente arquitetônicas. presente e futuro. que significa advertir”. A diferença dos conceitos entre “monumento” e “monumento histórico” ajuda a entender a importância da lei de preservação de patrimônio histórico. legais ou não. estaduais e municipais. No Brasil. e especificamente tombados. O conceito de patrimônio histórico está aparentemente ligado à sua forma de monumento histórico. ou seja. Assim. como dito é de origem antiga. fazendo com que a escolha do que realmente seria um patrimônio histórico ficasse nas mãos de arquitetos. Esses dizem respeito à sua particularidade. o tombamento não é a única forma de assegurar o cumprimento da lei. O tombamento. outras medidas e ações. Assim veio perdendo sua significância para um sentido mais singular.

Os gregos antigos tinham a memória como deusa que “protegia a história e imortalizava o passado. bens individuais. Aprender era memorizar. médicos e psicólogos utilizam a anamnese para que pacientes “lembrem-se” das razões que os levaram a possuir determinada doença. Todo o estudo do patrimônio histórico-cultural envolve tanto conceitos de memória. de histórias ligadas a um povo. dentre outros que podem estar divididos em bens imóveis e bens móveis.preservação. e também aqueles denominados bens de natureza imaterial que são divididos em quatro categorias: saberes. São patrimônios histórico-brasileiros: núcleos urbanos. Walter Benjamim. Já em Roma. abandonados ou silenciados. formas de expressão e lugares. acervos em geral. que não poderia perder sua significação de estar relacionado a conceitos também mais amplos e de todos. significados e valores do objeto. os registros esquecidos. Sentido esse que envolve muito além do valor físico daquilo que se preserva. Isso se dá em virtude da memória ser capaz de conservar ou descartar aquilo que é preciso ser lembrado ou não. de toda uma comunidade.” A preservação do patrimônio histórico não é apenas a simples conservação de algo que continua existindo. conceituou a memória afirmando que “nela podem ser encontradas várias dimensões do tempo” relacionando esse conceito com a . uma vez que as lembranças do passado podem se transformar em “sinônimo da verdade sobre o passado.” Hoje em dia. Agostinho mostra a relação feita por ele no que diz respeito à memória e identidade. a memória atrelava-se ao exercício da política: discursos e retórica. as atitudes. filósofo. também merecem notoriedade. Santo Agostinho também foi um estudioso da memória. Na passagem do texto destacada pela autora. A cura é revelada pelo “resgate do passado”. Segundo o historiador Jacques Le Goff. Perguntas como essas envolvem o tema preservação do patrimônio histórico-cultural no que diz respeito às discussões acerca do tema. A definição do que é ou não patrimônio era conferido àqueles que testemunhavam sua vivência na história do objeto ou àqueles que possuíam os “saberes técnicos” para defini-lo. Questionamentos como: O que? Por que? e Como? envolvem a questão da preservação do patrimônio histórico-cultural. celebrações. Também conflituoso foi o sentido de cultura (atrelado). identidade e cidadania quanto o conhecimento dos bens oficialmente existentes. Discussões essas que foram relevantes à execução de ações ligadas ao patrimônio histórico-cultural. e sim o sentido que se concentra nele. São questões que envolvem as práticas. sítios arqueológicos. destruídos.

que a memória não é algo permanente e imutável e relaciona-se mais com o presente que com o passado. Por outro lado. no que diz respeito ao “o que” se dever preservar. o ensino de história. esse significado muda o seu sentido como sendo algo relativo à mudança. à diferença. A partir desse conceito de Benjamim. voltou-se a uma revisão crítica de seus conteúdos e métodos. a autora aponta que em uma análise histórica. imposta de maneira sutil na perspectiva das políticas que envolvem a preservação do patrimônio histórico-cultural. A autora afirma que “a preservação é social e dinâmica”. no que concerne às camadas do solo e o que se encontra no fim de uma escavação. igualmente nos levam ao esquecimento. A memória pressupõe um “deslocamento temporal”. Aquilo que se mantém é dotado de significados que lhe são atribuídos ao longo do tempo e sua permanência será prolongada quanto mais facilmente esses significados possam ser (re)definidos ou (re)trabalhados. inacabado”. No entanto. a autora conclui que a memória é algo “mutante. nas últimas décadas. Assim. No Brasil. O significado da palavra “identidade” está inserido no campo do “idêntico”. O direito ao passado deve ser tratado como um direito de cidadania. Recordar não significa reconstruir. Pierre Nora conceituou a memória e suas diferenças em relação à história. sendo possível sua compreensão e interpretação historicamente. Salvadori. percebe-se a relação entre memória. Sendo assim. essa concepção de memória é tender para “medidas preservacionistas”. identidade e cidadania. baseada no questionamento de Lemos. assim o patrimônio histórico-cultural “produz identidades sociais que são determinantes nos modos como os homens se apropriam da realidade que os cerca”. ou seja. mas por de volta. afirma que a preservação de bens histórico-culturais é uma garantia de que todos possam ter acesso ao significado que às eles é atribuído. afirma ainda que a memória não é objetiva.arqueologia. A autora assegura. implica um processo perigoso de apagar . ela mostra que não se tem uma verdade absoluta sobre o passado. assim. Esse significado pode ter uma leitura “crítica. segundo dicionários. a identidade moldou-se de forma singular. No caso do patrimônio histórico-cultural. e abrindo a possibilidade de construção de outras memórias que se contrapõem a um caráter mais oficial. Há um luta constante contra a mudança. também. própria e autônoma”. É uma constante reconstrução através de diferentes interpretações. O presente e o futuro sobre o qual se pensa é que fazem com que o recordar aconteça e que. provisório. esquecer.

principalmente aos alunos. a pesquisa e a apropriação. a fotografia ocupou um lugar ilustrativo de um texto. No Brasil. Para que o professor possa mostrar ao aluno qual o significado desta „leitura‟. Preservar dá a possibilidade de acesso ao passado que reconhece mudanças e permanências. a educação patrimonial se dá a partir de quatro procedimentos: observação. Uma imagem pode representar muitas vezes mais do que um texto escrito e ao mesmo tempo ela prepara o leitor que por sua vez é um sujeito produtor do . Hoje. quando se fala em patrimônio histórico. álbuns familiares ou até mesmo livros didáticos. hoje a percepção muda de conceito. em que sua percepção depende dos conhecimentos tanto do fotógrafo quanto do fotografado. o termo “educação patrimonial” passou a ser usado na década de 1980. A educação patrimonial trata de um processo de resgate do passado social. o “por quê” preservar traz sempre junto de si a sua outra face. Por muito tempo na história. Assim. pois já se lê uma imagem com a mesma visão de um texto escrito. Oferece informações. facilitando a compreensão dos alunos. desenvolver nos alunos uma postura de defesa efetiva da preservação das diferentes fontes históricas. entende-se os esforços. A escola deve incentivar ações práticas em relação ao patrimônio histórico. e assim formar sua cidadania. à discordância e à busca de outras explicações e sentidos. As aulas de história podem proporcionar aos alunos reconhecer o esforço pela preservação das diferentes fontes históricas e suas interpretações. o “por quê” destruir. é um direito político ao entendimento.registros históricos cuja preservação poderia servir à reflexão. Segundo Patrícia Laczynski. constrói identidades. o registro. na construção da realidade em que estão inseridos. da releitura do que permaneceu e da compreensão dos processos desta seleção. A educação patrimonial deve envolver visitas dos alunos aos museus e o reconhecimento dos bens tombados pelo país e pelo mundo. A fotografia é um modo de sua representação. pois permite perceber a importância do passado na formação de sua identidade individual e coletiva. tanto pela preservação quanto à produção de outra memórias e sua análise. ele pode recorrer a fotos jornalísticas.

há também outros tipos de monumentos. é importante observar que nem sempre os monumentos permanecem intactos.conhecimento. como cita no texto. A maior parte das cidades existentes tem um tipo de monumento histórico. Eles explicam a história da cidade. Para além dessas esculturas de caráter mais oficial. a exemplo de um túmulo. Os monumentos são obras que geralmente se constituem em um patrimônio público. a exemplo de um museu. geralmente essas obras são patrimônios públicos. -Identificação do fotógrafo. homenageando muitas vezes o heroísmo de pessoas que tiveram algum destaque social ou político em determinada época. -Elaboração das fichas de identificação. tomando um outro destino. usados como um símbolo político ou de resistência durante alguma luta social. Sendo elas: -Estabelecimento de um período a ser investigado. do professor e do aluno que é construída pelas fotografias. -Datação das imagens. a exemplo de praças e avenidas. Em seguida é essencial que o professor promova uma discussão com os alunos sobre o papel da escola. que são comandados pelos governos municipais. assim são deslocados daquele local. Ordenação das fotos. Colocando questionamentos que levaria os alunos a perceberem que a construção da memória se relaciona com o presente e que despertem a atenção para a preservação desses bens. podendo com o tempo já não serem considerados mais tão importantes e. Tendo isso. Entretanto. São construídos em locais de destaque nas cidades. usado por grevistas vinculados à . sendo que simbolizam pessoas em um tempo e espaço específicos. o livro propõe que se organize um „acervo fotográfico da escola‟ com várias etapas. Em anexo a autora mostra um formulário de identificação formulado pelo departamento do patrimônio histórico da secretaria de cultura do município de são Paulo. -Levantamento de imagens.

Portanto. procedidos de uma análise histórica e problematizando-os de acordo com a sua localização. assim relacionando aquela imagem com a reconstrução do país. é preciso registrar através de fotografias. quanto aqueles que não são oficialmente reconhecidos. O espaço em que vivemos constitui a nossa identidade social e. Essa pesquisa pode ser feita através de uma ficha completa de identificação do espaço. permitindo assim reconhecer a função desses monumentos na construção do espaço urbano. São Paulo. tanto aqueles de caráter oficial. é preciso fazer um levantamento junto à Prefeitura e realizar uma pesquisa dos bens móveis e imóveis considerados monumentos. observando também a importância dos binômios de preservação e destruição. valorizando o passado de um povo e. comparando as imagens atuais com as imagens antigas da cidade. É nesse espaço urbano coletivo que se configuram e se compartilham os elementos culturais de cada povo. Para isso. fotografando-os ou desenhando-os.Liga Operária durante um confronto com a polícia marcado pela morte de dois ferroviários em uma greve no ano de 1906 em Jundiaí. pois registram um pouco do passado e mostram a ação de sujeitos de diferentes épocas sobre aquele passado. a exemplo da modernização que está diretamente relacionada com o conceito de memória e identidade social. O texto propõe pensar em um trabalho sobre os monumentos históricos de alguma cidade. Assim. relacionado com as mudanças do espaço. mas também como uma localização social de acordo com as suas formas e o sentido que ela vai tomando ao longo do tempo. analisando e classificando os edifícios a partir da conservação ou abandono. Para realizar esse trabalho de análise do patrimônio histórico-cultural de natureza edificada. permitindo a compreensão da cidade a partir das relações sociais e da . a cidade em geral não se constitui apenas como uma localização geográfica. Portanto para se compreender o patrimônio histórico-cultural urbano é preciso buscar esse coletivo. Algumas ruínas também se constituem em um monumento educativo. elementos da paisagem urbana considerados historicamente significativos. é possível observar as mudanças ocorridas ao longo do tempo. conferindo aos moradores suas recordações e identificações ou não com aquele local. também nos possibilita ter uma visão do mundo ao nosso redor. Mantê-las intactas ajudam a manter a lembrança de algum acontecimento.

aos submissos. Atualmente. é importante entrevistar outras pessoas sobre o mesmo assunto para comparações futuras. É preciso preparar a entrevista: selecionar um tema e estudar sobre ele.materialidade que apresenta. A oralidade. A lembrança do passado. uma vez que este é a reconstrução de uma vivência. é um processo de reelaboração a qual se remete a rememoração. Arquivar as entrevistas identificadas e datadas. As relações entre patrimônio histórico-cultural e memória social se dão numa série de obstáculos e paradoxos. Essa memória contada oralmente se constitui num patrimônio e este se faz presente nas comunidades onde a oralidade é fundamental para a transmissão da cultura. Embora esses recursos sejam utilizados para “gravar a memória” não se pode dizer que ela é real. O trabalho com a pesquisa oral dispõe de alguns procedimentos: a escolha da pessoa (com certa idade). . porém. A preservação do patrimônio se dá em processos de valorização e desvalorização ao mesmo tempo. além de manter-se ouvinte silencioso e ficar atento as variáveis que podem influenciar o depoente. Além disso. que normalmente se vêem excluídos em outras formas de registros. sabe-se que um relato oral apresenta os mesmos problemas que outros documentos no campo da história. Faz-se necessário também a escolha do local para que a pessoa sinta-se a vontade para falar. Durante a entrevista é de suma importância transcrever as falas o mais rápido possível para uma melhor compreensão. relatada oralmente. a história política. A história oral. respeitar seus lapsos assim como seu ritmo procurando não interromper. pode dar voz aos analfabetos. os sistemas de valores entre outros. Comparar as entrevistas realizadas sobre o mesmo assunto nos permite ver diferentes versões. uma vez que o mundo contemporâneo se encontra cheio de artefatos que vinculam a memória. Os depoimentos auxiliam na compreensão de uma série de questões: as relações nos diversos setores econômicos. os elementos cotidianos. além de preservar a memória se torna um documento quando há o trabalho de um historiador. mas que é uma representação e. A partir da década de 70 os relatos orais ganharam crédito e passaram a ser considerados autênticos. transmite uma emoção própria devido a sua condição capaz de atingir e dar voz aos sujeitos. consequentemente. por sua vez. as transformações urbanas. ao contrário da escrita. muitas vezes é esquecida pelo sujeito.

em que esta relação dá sentido ao passado relacionado com o presente e também com o futuro na possibilidade de “vir a ser”.devido às mudanças repentinas que ocorrem no mundo. porém essa preservação se deu com fins lucrativos. Atualmente o patrimônio se tornou atração turística. o patrimônio histórico. . o tempo. os quais envolvem uma cultura e a relação com a memória. uma educação política. a destruição do mesmo por causa do crescimento das cidades. A educação patrimonial é. pois está ligada aos projetos sociais. portanto. há defesas para preservação dos bens patrimoniais e. Às vezes. às vezes. para dar lugar ao “novo”. a história.