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FACULDADE DE TECNOLOGIA DE OURINHOS – FATEC

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas

Alessandro D‟Osvaldo Amelio Edidelson Aparecido Lucien Paulo Roberto Sella Junior

2100153-7 2100103-0 2100136-7

Análise de Requisitos: Prototipação não Funcional

Sistemas de Informação II

Ourinhos – SP 2º sem/2013

análise de requisitos. Abstract This article is premised on making a study and analysis on the use of prototypes nonfunctional requirements analysis applied in reducing wastage of time and cost and improving the quality of the processes of Software Engineering. Keywords: prototipação.Análise de Requisitos: Prototipação não funcional Alessandro Amelio Edidelson Aparecido Lucien Paulo Roberto Sella Junior Resumo Este artigo tem como premissa fazer um estudo e análise sobre o uso de protótipos não funcionais aplicados na análise de requisitos reduzindo desperdícios de tempo e custos e melhorando a qualidade dos processos da Engenharia de Software. .

. prazos. justamente como um ponto crítico. esforços. estão problemas com o prazo e custo.Introdução Em Engenharia de Software. na etapa de verificação e validação do projeto. que segundo Sommerville (2007): “O objetivo principal do processo de verificação e validação é estabelecer confiança de que o sistema de software está „adequado a seu propósito‟“. custo e esforço da equipe de desenvolvimento. onde se determina se o que foi ou está sendo produzido é realmente o exigido. ou se o projeto terá de ser modificado ou até mesmo refeito. recursos. Neste artigo. exige muita experiência por parte da equipe de desenvolvimento. Nos casos frequentes. sem imprevistos. O objetivo deste artigo é proporcionar uma visão sobre a utilização da prototipação não funcional e o que isso acarreta de benefícios ao projeto em relação principalmente a custos. dependendo de sua complexidade. causando o aumento de prazo. que ao fim do projeto. acabam excedendo o planejamento. que muitas vezes não está preparada ainda para concluir um projeto. a qualidade está diretamente ligada a produzir exatamente o que é necessário para solucionar um determinado problema. Para atingir tal objetivo. pretendemos apresentar o conceito e analisar o uso da Prototipação não funcional. porém. Demonstraremos como integrar este item na produção de um software e analisaremos os resultados proporcionados.

mas precisamente prototipação não funcional. A pesquisa revela que: (i) apenas 40% dos profissionais da área de informática dos Estados Unidos possuem formação nessa área. A prototipagem nos permite a uma in teração continua de aprendizado e avalição em relação a outras ideias. arquitetura. podemos propor a prototipação no inicio do projeto de desenvolvimento de softwares. Essa carência. mas com o que o psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi apud BROWN (2010) chama de “transações entre pessoas e coisas”. sendo assim podemos pensar que um protótipo é um modelo feito prestes a ser desenvolvido. ou até mesmo melhorá-las. eles não devem ser algo que funcionam por completo. prazos e qualidade são causados por carência de profissionais habilitados nessa área. ou pressuposições do analista de requisitos. tais como: requisitos. acredita-se que a realidade dos profissionais de ES neste país não deve ser diferente. podendo ser comprovada pela pesquisa feita por Sargent (2004) e citada pelo mesmo autor. são resultados de uma educação inadequada. com suas funcionalidades e objetivos concretizados. pois tem que fazer algo que . que segundo BROWN(2010) define protótipo como “Qualquer coisa tangível que nos permita explorar uma ideia. Partindo desse principio. avalia-la e leva-la adiante é um protótipo”. Além dos protótipos nos fornecerem visões diferentes e talvez até insights importantes para o projeto. ultrapassam o orçamento. testes. Apesar de não terem sido encontrados dados estatísticos a respeito no Brasil. fatores humanos e gestão de projetos. desde uma experiência virtual até um sistema organizacional segundo BROWN (2010) que afirma também.FUNDAMENTAÇÃO TEORICA O que é Protótipo? Em desenvolvimento de softwares há muitos projetos que atrasam. e (iv) existe uma parcela considerável de profissionais que não tem consciência do que não sabem. Seja por uma análise de requisitos mal elaborada. por sua vez. que protótipos eleva a interação do desenvolvimento. segundo Lethbridge (2007) parte desses problemas de orçamentos. etc. (ii) 40% desses conhecem os principais campos da ES. acabam não produzindo um software de qualidade e nem atendem às necessidades do cliente. Assim empresas acabam gastando muito desenvolvendo projetos baseados em suposições de mercado. O protótipo pode ser aplicado a qualquer tipo de produto ou serviço. (iii) a maior parte é qualificada em programação e/ou são especialistas em determinados tipos de produtos como ferramentas para gerenciamento de dados e desenvolvimento web.

“. mas a prototipagem eleva a criação de novas ideias e ao desenvolvimento adiante. algo para ser evoluído e não concretizado. após o recolhimento dos feedbacks dos clientes. mas que nos ensina algo”. Além da imaginação.. Para BROWN(2010). Proporcionando também uma abertura a experimentação a um baixo custo. que é apresentado nesse exemplo: . proporcionando segundo BROWN (2010). mas que fomenta a ideia é o caso de BROWN(2010): “Douglas Dayton e Jim Yurchenco colaram a esfera de uma embalagem de desodorante roll-on na base de uma manteigueira de plástico. Um exemplo de prototipagem não funcional. a melhor disposição para testar uma hipótese é construindo o objeto e testando com os usuários. Ele afirma que cada uma tem seu valor e cada qual tem sua melhor aplicação. Não demorou muito para a Apple Computer entregar seu primeiro mouse”. mas um simples protótipo. assim realizando novos protótipos mais detalhados e lapidados.. podemos “emular” a experiência e até mesmo.protótipo de sucesso não é algo que funciona de forma impecável. assim conhecendo os pontos fortes e fracos. como um meio mais fácil de visualização. assim formando uma essência a ser concebida no inicio do projeto. Prototipação e experimentação Protótipos além de ser algo como “pensar com as mãos” segundo David Kelley apud BROWN (2010).servirá de modelo para um produto final ou acabado.. Prototipação não funcional A prototipagem tem como função fazer a imersão ao problema do cliente. com a intenção de identificar e ratificar novos direcionamentos para a próxima análise. que os compara com o pensamento abstrato definido por especificações e planejamento.

Deve ser realizada no inicio da vida de um projeto.“Quando as comunicações Wi-Fi ainda estavam engatinhando. Protótipo x Custo Para BROWN (2010). utilizando-se ferramentas de baixo custo como papel e caneta. Defendo a ideia. Os protótipos podem ser feitos através de ferramentas para auxiliar o desenvolvimento da ideia ou problema. O fluxo das informações podem ser . assim criando wireframes ou mockups do sistema. ou seja para os usuários finais(focus groups ou workshops). e até mesmo mais próximos do produto final. seja incrementais ou evolucionarias. Em segundo lugar. uma ideia pode se aproximar demais da concretização – ou até. O curta-metragem percorreu a via crucis de uma equipe de suporte de TI fictícia e foi muito mais eficaz para explicar o conceito a investidores potenciais do que briefing técnico ou uma serie de slides de PowerPoint”. Há o caso de protótipos serem disponibilizados em campo. Nesse nível de baixa resolução. no sentido de gerar novas ideias. BROWN (2010) disserta que a prototipagem tem que ser sempre inspiracional. na pior das hipóteses. é recomendado que os protótipos sejam realizados pela própria equipe e não seja terceirizada por outras. para a geração de feedbacks. serem numerosas e rapidamente executáveis e sendo rudimentares. a Vocera desenvolveu um cenário em vídeo para demonstrar como empregados poderiam utilizar um “crachá de comunicações” controlado por voz para se manter conectados com os colegas em qualquer lugar dentro da área de cobertura da rede da empresa. assim gerando protótipos mais caros. mas com isso deve-se preocupar-se com acabamentos. ser levada até o fim. e até mesmo uma metáfora de layouts de um sistema. o próprio processo de prototipagem cria a oportunidade de descobrir novas e melhores ideias a custo mínimo”. Ainda entretanto se complicam no caso de serviços prestados. ainda mais se forem baseados em complexas interações sociais. a relação entre protótipo e custo pode desencadear: “O investimento excessivo em um protótipo refinado tem duas consequências indesejáveis: em primeiro lugar.

eles demonstram “. especialmente em relação à concepção e análise da ideia ou problema do cliente. Justamente impor limite quanto ao tempo. Uma vez que expressões tangíveis começam a surgir. e externo.” Protótipo x Tempo Os protótipos podem demorar muito para serem formados. até mesmo pode ser utilizado papel cartolina. fica fácil experimenta-las e solicitar feedback interno. tornando-o complexo). O risco de o protótipo ficar com o custo muito elevado. seja por detalhes de design. Eles provavelmente serão caros e complexos e podem ser iguais ao produto ou ao serviço final.decidir se uma ideia tem ou não valor funcional”. da administração. é investindo demais nele (fisicamente. e obter feedbacks de pessoas de vários locais. ajudando a tomadas de marketing e decisões de mercado. assim BROWN (2010) estabelece: “Uma forma de motivar a prototipagem nos primeiros estagio é estabelecer uma meta: ter um protótipo pronto ao final da primeira semana ou ate mesmo no primeiro dia. jogos betas e até mesmo jogos de simulação como o (Second Life).desenhadas em um white board. o fim do projeto acontece com a justificativa de BROWN (2010) que explica o fim dos protótipos: “À medida que o projeto se aproxima da conclusão.. porém BROWN(2010) afirma que: . Em se tratando de ideia os protótipos iniciais de acordo com BROWN (2010).. os protótipos tendem a ser mais completos. as empresas podem atingir rapidamente clientes em potenciais. Realizando prototipagem virtualmente. de clientes potenciais”. ou perdendo muito tempo para formá-las (ideia inicial sem avanço da análise). e não se prolongando o projeto em infinitos protótipos. funções.. a prototipação tem um valor muito baixo e um valor muito alto. como websites. Tornando assim um baixo custo para realizar suposições de mercado. Assim a prototipagem virtualmente permite recolher uma gama de dados referentes aos produtos.

que “Da mesma forma que pode acelerar um projeto. tanto como da ideia. lapidá-las e identificar a melhor solução”. rudimentares e baratos. Dentro desse pensamento ele também justifica. Ao alocarmos tempo para criar protótipos de nossas ideias. evitamos erros custosos. o empenho e o investimento necessários para gerar feedbacks úteis e levar uma ideia adiante. “Apesar de parecer que desperdiçar tempo valioso em esboços. repensadas e alteradas com muito mais eficiência e agilidade se comparando com a criação de um software protótipo para este propósito. como permitir complexidade demais cedo demais e agarrar a uma ideia fraca por tempo demais. a prototipagem gera resultados com mais rapidez”. defende o uso de protótipos pela seguinte pensamento. pelo menos enquanto a ideia e o projeto não estiverem bem concretizados. Por meio disso.“Existem muitas abordagens à prototipação. . modelos e simulações que atrasará o trabalho. ideias podem ser validadas. do problema a ser resolvido os protótipos tem como vida o tempo. não há necessidade de grande riqueza de detalhes. mais cedo poderemos avalia-las. que “Quanto mais rapidamente tornamos nossas ideias tangíveis.” Em contrapartida BROWN(2010). E também afirma em relação a tangibilização de novas ideias. Os protótipos iniciais devem ser rápidos. Quanto maior for o investimento em uma ideia. mas elas compartilham um aspecto inigualável e paradoxal: eles nos desaceleram para nos acelerar. justamente para não correr riscos e economizar recursos. ou seja. Agrupando os eixos da organização. a prototipagem permite a exploração de muitas ideias paralelamente. Protótipo x Código A prototipação não funcional de um software não envolve codificação. mais as pessoas se apegam a ela”. Um protótipo de software pode ser criado a partir de ferramentas como Microsoft Visio e Axure RP. não possui o comportamento “ideal” do produto ainda.

consequentemente ocasionando atrasos e excesso de gastos). Com sua vasta experiência em projetos para a Apple. Resultados Através desta pesquisa. sem isso acarretar atrasos e gastos. até mesmo. Ou seja. codificada. mas principalmente primando pela qualidade. antes de uma ideia começar a ser construída. que BROWN(2010). diminuindo assim os riscos de chegar ao fim do projeto e se deparar com uma reestruturação da ideia. . no caso. e tendo que retornar o projeto para a fase de planejamento (isso demandaria mais tempo e recursos. Considerações Finais Utilizando a prototipação não funcional na concepção do projeto. ela precisar ser validada. discutida. a ideia chega para o desenvolvimento já sólida. como a contribuição no desenvolvimento do design de interação do primeiro mouse. pronta para ser construída. podemos constatar o quanto a prototipação pode auxiliar na Engenharia de Software. por fazer um produto que realmente atenda a todas as necessidades do cliente. e a prototipação não funcional é um dos meios mais eficientes para se alcançar isso. até não restar dúvidas. pelo contrario. mas precisamente em criatividade e inovação de produtos e serviços. quando empregada na qualificação e validação de ideias. se usa a prototipação para o desenvolvimento de soluções em Design. que em seu livro Design Thinking: uma metodologia poderosa para decretar o fim das ideias. apesar de levar mais tempo nesta etapa. poderemos nos beneficiar de uma economia ao longo do processo. auxiliando no racionamento de recursos. demonstrada.Metodologia Na realização deste artigo foi utilizada a pesquisa bibliográfica como referencial teórico.

LETHBRIDGE. 2007. R. FOSE apos.. Volume . Future of Software Engineering.C. BROWN. (2007).Referências SOMMERVILLE. SARGENT.. 21. (2004) “An Overview of Past and Projected Employment Changes in the Professional IT Occupations”. – Rio de Janeiro: Elsevier. “Improving software practice through education: Challenges and future trends”. J. Computing Research News. 2007. 23-25 May. J. pp. Design Thinking: uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias/ Tim BROWN com Barry Katz. J. Diaz-Herrera. May.B. . ed. tradução Cristina Yamagami.. São Paulo: Pearson Addison Wesley. 16. Tim.. LeBlanc. Page(s):12 – 28. Issue . 2010 – 11ª reimpressão. 1. T.. Ian. 3. Thompson.07. “Engenharia de Software”. 8.J.