Você está na página 1de 5

EXCELENTÍSSIMO SENHOR MINISTRO-RELATOR DA PRIMEIRA SEÇÃO DO EGRÉGIO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA

Mandado de Segurança nº 20.169 - DF Impetrante: YERON DE ARAÚJO CARTAXO Impetrado: MINISTRO DE ESTADO DA EDUCAÇÃO

YERON DE ARAÚJO CARTAXO, já qualificado nos autos do Mandado

conduto de seu advogado e

procurador que a esta subscreve, inconformado com a decisão

monocrática que indeferiu pedido

respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, interpor o

presente AGRAVO REGIMENTAL na forma do art. 16, parágrafo

de Segurança em epígrafe, por

de

liminar,

vem,

único, da Lei 12.016/2009 c/c artigo 258, do Regimento Interno desta Corte Especial.

Caso não haja a reconsideração da decisão agravada, requer a submissão do presente ao colegiado da Primeira Seção do STJ.

Nestes termos pede e aguarda deferimento.

João Pessoa-PB, 15 de abril de 2013.

Allison Haley dos Santos OAB/PB 16.872

RAZÕES DO AGRAVO REGIMENTAL

Mandado de Segurança nº 20.169 - DF Agravante: YERON DE ARAÚJO CARTAXO Agravado: MINISTRO DE ESTADO DA EDUCAÇÃO

Colenda Primeira Seção

Ínclitos Julgadores

1. DA TEMPESTIVIDADE.

Conforme certidão de publicação acostada aos autos, a decisão agravada foi publicada no DJe em 29/09/2013, portanto, o presente recurso foi interposo dentro do quinquídio legal, sendo tempestivo.

2. DA SÍNTESE DA DECISÃO MONOCRÁTICA AGRAVADA.

O agravante impetrou mandado de segurança, com pedido de liminar, no sentido de ser permitido ao mesmo realizar sua inscrição do Programa de Financiamento Estudantil de que trata a Lei 10.260/2001 (FIES).

O

Nobre

Relator

seguintes fundamentos:

indeferiu

o

pedido liminar sob

os

Em juízo de cognição sumária, as razões postas na inicial e os documentos a ela juntados não me convenceram da existência do fumus boni iuris e do periculum in mora que possam justificar a concessão

de

urgência sem a oitiva da parte

tutela de

contrária.

No tocante ao primeiro dos requisitos, observo que o FIES, por se tratar de um fundo de natureza contábil, encontra-se sujeito a inerentes limitações de ordem financeira, associadas a outras condições previstas na Lei 10.260/2001 e em seu regulamento.

demora, apesar das

afirmações veiculadas, não foram demonstrados elementos, ainda que superficiais, no sentido de que, durante o trâmite deste mandamus , o impetrante não tenha patrimônio suficiente para suportar os ônus das

mensalidades.

Quanto

ao

perigo

da

Cumpre destacar que, conforme descrito

na

inicial,

o

autor

já concluiu

curso superior

de

Enfermagem, com auxílio do PROUNI e do próprio FIES, o que leva a crer no seu ingresso, ao menos em potencial, no mercado de trabalho, muito embora tal informação não tenha sido trazida aos autos.

– financiamento estudantil – confunde-se com o próprio mérito da impetração, o que caracteriza sua natureza nitidamente satisfativa.”.

ao

Ademais, o pedido

liminar

de acesso

o

conspícuo Ministro Relator ao indeferir a liminar, causa enorme prejuízo ao direito do agravante, tendo em vista que as

razões da decisão interlocutória careceram de melhor observação da matéria posta no mandamus.

Com

esteio nos argumentos acima,

entendemos que

3. DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS PARA REFORMA DA DECISÃO E CONCESSÃO DA MEDIDA LIMINAR.

Data máxima vênia, mas o D. Relator, em que pesem suas r. argumentações, laborou em gritante equívoco ao despachar indeferindo o pleito liminar, permitindo ao agravante que realiasse inscrição no FIES.

Ao contrário do entendimento do Ministro Relator, estão presentes os requisitos autorizadores da concessão da medida liminar, senão vejamos.

Do Fumus Boni Iuris.

Com relação a esse requisito a fundamentação pelo seu não preenchimento foi que o FIES é um fundo de natureza contábil, tendo limitações financeiras, além de outras disposições previstas, ainda conforme regulamento.

Ora Ínclitos Ministros, o fundamento acima não é claro o suficiente para afastar a presunção legal do direito

constitucional do agravante

especialmente a formação de nível superior, conforme previsão contida nos arts. 6º, 205 e 208, V, da Carta Magna.

de

ter

acesso

a

educação,

Além do mais, o deferimento da medida liminar não irá trazer a obrigação imediata de concessão do financiamento estudantil, apenas requer-se o direito de o impetrante de realizar a inscrição no FIES, ou seja, não haverá desequilíbrio financeiro ao fundo.

Dessa forma, o deferimento da medida liminar que permitir ao impetrante SE INCREVER NO FIES não o dará o direito de automaticamente obter o financiamento, conforme o disposto na Portaria Normativa do MEC nº 10/2010, verbis:

Art. 2º (

)

§ 3º A concessão de financiamento de que trata esta

Portaria é condicionada à existência de limite de recurso disponível da mantenedora no momento da inscrição do estudante, no caso de adesão com limite prevista no art. 26 da Portaria Normativa MEC nº 1,

de 2010, bem como à disponibilidade orçamentária e

financeira do FIES.

Art. 3º Para a conclusão da inscrição do estudante no FIES será verificado o limite de recurso eventualmente estabelecido pela mantenedora da IES e a disponibilidade orçamentária e financeira do Fundo, conforme disposto no § 3° do art. 2°.

§ 1º Havendo recursos no limite eventualmente

estabelecido pela mantenedora da IES e disponibilidade orçamentária e financeira no FIES, o valor será reservado para o estudante a partir da conclusão da sua inscrição no SisFIES, observadas as demais normas que regulamentam o Fundo.

§ 2º A reserva dos valores referida no parágrafo

anterior será cancelada e retornará ao FIES e ao limite de recurso da mantenedora nos seguintes casos:

I - não comparecimento do estudante na CPSA ou no

agente financeiro nos prazos previstos no art. 4°;

II - não validação da inscrição do estudante pela

CPSA, nos termos do art. 5°; III - não aprovação da proposta de financiamento pelo agente financeiro de acordo com as normas que regulamentam o FIES.

Como se vê, a inscrição do impetrante não o dará o direito a imediata concessão do financiamento, sendo observados outros requisitos, como o limite financeiro do fundo e o art. 6º da própria portaria.

Ademais, é imperioso reconhecer que a fundamentação do

poder fazer sua

INSCRIÇÃO

financiamento – tem com base legal a própria Constituição

Federal.

direito líquido e certo do impetrante

o

de

NO

FIES

e

não

obter

automaticamente

Do Periculum In mora

No que pertine a este requisito, está suficientemente comprovado nos autos que a condição econômica do impetrante não é suficiente para o cumprimento do alto encargo das mensalidades do curso de medicina.

Ora, se o impetrante já fez o curso superior de Enfermagem

em universidade privada com o auxílio do FIES, e inclusive era

bolsista do PROUNI, sendo que a mensalidade era bem inferior a

do Curso de Medicina, imagine-se se o mesmo terá condições de

continuar cursando medicina sem o auxílio do FIES!

Repita-se, está cabalmente demonstrado, conforme documentos acostados a inicial, que o impetrante não detém meios para continuar arcando com os ônus das mensalidades do curso de medicina sem ter o auxílio do FIES, pois o impetrante não tem emprego, sua mãe é aposentada e não existe outra finte

de renda que suporte o encargo assumido.

Neste sentido, indeferir a liminar de forma monocrática, negando o direito do impetrante de se inscrever no FIES, o que

o levará a deixar o curso pela falta de pagamento das

mensalidades, gera manifesto e incomensurável prejuízo ao autor, que já fez o mais difícil, se dedicou arduamente para obter êxito e conseguir entrar em um curso tão disputado e tão carente de profissionais em nosso País.

Por fim, frise-se que o impetrante está em atraso com a instituição de ensino superior onde cursa medicina, conforme comprovantes em anexo. Além do mais, sua genitora não tem condições de arcar com o ônus, pois mesma é aposentada e sua renda e bastante insuficiente, conforme contracheque em anexo.

No mais, deixemos claro que o mérito da impetração não é A OBTENÇÃO DO FINANCIAMENTO ESTUDANTIL, mas sim, o direito de se inscrever no FIES, com a declaração de ilegalidade e inconstitucionalidade do inciso II, do art. 9º, da Portaria Normativa expedida pela autoridade impetrada, por isso o pedido liminar não se confunde com o mérito, não tendo caráter satisfativo.

3. DOS PEDIDOS.

Por todo o exposto requer:

a) A reforma da decisão monocrática lançada nos autos do mandamus, nos termos da fundamentação expendida acima, no sentido de ser deferida a liminar para que o impetrante possa SE INSCREVER NO FIES, por ser medida da mais salutar JUSTIÇA!

Nesses termos pede e aguarda deferimento.

Pombal–PB, 30 de maio de 2013.

Allison Haley dos SANTOS OAB/PB 16.872