1.

INTRODUÇÃO

De noite, lâmpadas em casa usam a energia a partir de hidrelétricas para iluminar. O carro que nos leva para o trabalho ou para a escola usa a energia a partir de um derivado do petróleo. Até mesmo os alimentos que comemos são convertidos em energia para escrever, brincar, andar. Tudo o que acontece, desde as atividades mais simples e cotidianas até as mais complexas no desenvolvimento de uma cidade, é provocado pela energia. E ela pode vir do sol, do vento, da mamona. São as chamadas energias alternativas, renováveis e limpas. Assim, é fundamental a ação estratégica e coordenada nos campos das energias renováveis e das mudanças climáticas de uma forma prática em termos de políticas governamentais, em termos de políticas corporativas e principalmente de forma regulatória através da construção de uma moldura jurídica capaz de assegurar e dar a força e eficácia necessária ao cumprimento das medidas a curto prazo.

rompendo os padrões climáticos. Quais seriam os modelos energéticos mais apropriados para um padrão sustentável? Esta questão é potencialmente relevante ainda mais quando se estima que a demanda de energia em 2030 será algo em torno de 60 % maior do que é hoje. em sua grande maioria. de risco à saúde pública. adoção dos Objetivos do Milênio (Millennium Development Goals . desde 1992. Apesar dos encontros mundiais. O estado alarmante em que nos encontramos em termos ambientais e de sustentabilidade não é devido à falta de iniciativas internacionais. social e ambiental do desenvolvimento sustentável. as emissões de CO2 também estarão em patamares igualmente elevados.MDGs) e organizações internacionais oferecendo recursos financeiros. tem-se como consenso que a gestão energética é essencial para se concretizar os pilares da sustentabilidade. danificando seriamente os ecossistemas e os benefícios que eles proporcionam e destruindo a camada de ozônio. compromissos e acordos internacionais. a perda da biodiversidade. concretizar os aspectos econômico. devido às mudanças climáticas. quatro convenções internacionais. isto é. As disparidades entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento continuam a crescer e o contingente populacional a aumentar no mundo. mas assevera a tendência de ruptura de usufruto dos recursos com a elevação do comércio internacional. têm se dirigido a comportamentos ameaçadores de degradação do ambiente. pouco progresso foi registrado em termos de desenvolver as questões ambientais em face dos paradigmas do desenvolvimento sustentável. Sendo certo que as decisões políticas tomadas no momento atual serão decisivas para a transição na direção de um futuro energeticamente . Parece-nos bastante claro que continuar na progressão vivida atualmente não somente é incompatível com os objetivos do desenvolvimento sustentável. quatro conferências interministeriais. e que. provocando a alteração dos habitats naturais. segundo o modelo do "tripple bottom line". Desde a Rio 92. conseqüentemente. tivemos quatro grandes encontros mundiais. enquanto que a mobilização política e a conseqüente elaboração de políticas não acompanham a velocidade dos acontecimentos. dois protocolos. definitivamente.2. A tendência mundial em termos ambientais continua sendo sombria e negativa e as promessas de oferta de recursos financeiros não se concretizaram. Esta é uma questão para reflexão. não satisfazem os paradigmas econômico. A IMPORTÂNCIA DO DESENVOLVIMENTO DAS ENERGIAS RENOVÁVEIS A busca por um futuro sustentável consiste mais em uma questão de consciência do que de recursos financeiros. de perigo. visto que. E também é pacífico que os tipos de modelo energético são fundamentais para determinar o grau de sustentabilidade que se pretende alcançar e os modelos atuais. social e ambiental. As ações humanas.

mas porque tanto os custos quanto os riscos relacionados a esta modalidade energética continuarão se elevando comparativamente aos custos e riscos relacionados às energias renováveis. uma medida de fundo no sentido de se atingir a sustentabilidade seria então a expansão dos modelos de energia renovável como uma proposta onde todos ganham. o primeiro deles. É importante enfatizar que nenhuma política isolada poderá assegurar soluções viáveis para todos os setores. estabelecer marcos regulatórios e a moldura legislativa nos países em desenvolvimento a fim de reduzir as incertezas no campo regulatório. tanto os países desenvolvidos quanto os em desenvolvimento. atender aos requisitos do desenvolvimento sustentável.sustentável. Em outros termos. Somente um conjunto de medidas como políticas ambientais coordenadas poderá ser efetiva para viabilizar esta mudança de paradigma. políticas para a distribuição e acesso às comunidades aos benefícios e serviços das energias renováveis. políticas que possibilitem a remoção de barreiras e o nivelamento do campo de aplicação pela internalização dos custos externos e pela retirada dos subsídios que distorcem o mercado. e para promover níveis de maior equidade. para as comunidades carentes como meio de reduzir a pobreza e. contingências sócio-políticas ou nações. Este conjunto coordenado de políticas ambientais incluiria medidas como o desenvolvimento de políticas adequadas ao desenvolvimento de mercados para tecnologias de energias renováveis. políticas para fortalecer a capacidade institucional necessária ao processo de transformação dos mercados de energia nos países em desenvolvimento e criar condições favoráveis ao investimento privado no campo das energias renováveis. conferindo maior segurança e incentivo ao investimento estrangeiro. em escala global. desse modo. sociais e ambientais tão diversos. Essa seria uma forma viável de harmonizar políticas de redução de emissões de CO2 e redução do impacto das mudanças climáticas entre nações com paradigmas econômicos. Podemos afirmar também que os custos relacionados às energias fósseis se elevarão no futuro devido a dois fatores básicos. a instabilidade política presente nas regiões em que as principais fontes se encontram. a incorporação dos custos ambientais no preço dos combustíveis fósseis e o segundo fator. políticas que estabeleçam objetivos claros acerca dos planos de desenvolvimento de energias renováveis frente aos órgãos de financiamento internacionais. Podemos afirmar ser inevitável a transição para as tecnologias de energias renováveis e isto não somente por que as fontes de energias fósseis se esgotarão. O incentivo à elaboração de políticas de transição para o desenvolvimento e utilização de energias limpas é na verdade a solução para se atingir também as Metas do Milênio para erradicação da pobreza e da fome. . saúde e assegurar a sustentabilidade ambiental na medida em que além de proporcionar novas fontes ambientalmente corretas esta nova sistemática amplie o acesso aos benefícios das fontes limpas de energia. os líderes do encontro de Joannesburg para o Desenvolvimento Sustentável concluíram ser imprescindível a distribuição de energia renovável.

É fundamental agirmos de modo estratégico e coordenado nos campos das energias renováveis e das mudanças climáticas de uma forma prática em termos de políticas governamentais. a China e a Índia. Nessa esteira de idéias. principalmente as . Acreditamos ser importantíssima a participação conjunta nessa estratégia dos países desenvolvidos e em desenvolvimento de forma cooperativa e conjunta ressaltando dentre estes os USA. a atividade de extração para o agronegócio e a produção de commodities. a utilização massiva de energias renováveis combinada a ações de maior eficiência energética bem como o desenvolvimento de tecnologias de seqüestro de carbono podem conduzir-nos a um padrão global de sustentabilidade energética ou de energia sustentável. a única solução para a satisfação das necessidades humanas será o desenvolvimento e a disseminação das energias renováveis. 3. principalmente. Nas últimas décadas. O Protocolo de Kyoto foi apenas um primeiro passo e por si só não tem o condão de alterar ou minimizar o aquecimento global. energias renováveis e mudanças climáticas. tecnologia e sustentabilidade são desenvolvidas no que tange ao seqüestro de carbono. O texto chama a atenção para algumas conseqüências inesperadas e inconvenientes que colocam os biomas brasileiros.Apesar de as energias fósseis ainda serem o centro das atenções não podemos deixar de sublinhar que as energias renováveis dominarão o cenário energético nas próximas duas décadas tornando-se o desafio do novo paradigma de energia sustentável. em termos de políticas corporativas e principalmente de forma regulatória através da construção de uma moldura jurídica capaz de assegurar e dar a força e eficácia necessária ao cumprimento das medidas a curto prazo. investimentos direcionados e cooperação eficaz em nível nacional e internacional entre as potências desenvolvidas e os países em desenvolvimento. É preciso efetivamente cortar as emissões em curto espaço de tempo enquanto novas estratégias de pesquisa. Em séculos passados. borracha. sem dúvida. a Amazônia em um amplo cenário de discussões nacional e internacional com vistas às próximas décadas e com ênfase nos impactos do progresso tecnológico. castanhas e madeira. o Brasil. Por fim. Se pensarmos que esse novo paradigma consiste em um modelo energético de emissões de carbono reduzidas. a energia sustentável traduzida através das novas técnicas de energias renováveis. podemos concluir que o principal vetor de uma estratégia de sustentabilidade para o efetivo desenvolvimento econômico sustentável é. E para atingir-se um futuro energeticamente sustentável serão necessárias políticas substanciais. a Revolução Industrial favoreceu a extração dos recursos naturais da Amazônia sempre com finalidades muito específicas como fármacos. O IMPACTO DO DESENVOLVIMENTO RENOVÁVEIS NAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS DAS ENERGIAS Este artigo também examina os efeitos e implicações para o clima de políticas e investimentos no setor energético e os impactos das mudanças climáticas.

poluição da água e do ar. A principal preocupação mundial é a perda da biodiversidade. o biocombustível oferece um reduzido benefício. 20 anos depois. este processo pernicioso de desmatamento atraiu a atenção do mundo e desencadeou o surgimento de inúmeras políticas novas. bem como pela insegurança nos países produtores de petróleo.pastagens de gado e agora mais recentemente o cultivo de soja. em seu processo de produção. É este o segundo ponto a ser discutido neste artigo. e as emissões das clareiras e provenientes da queima da cana anterior ao corte. Após 1988. Efeitos ambientais diretos incluem a destruição da biodiversidade. Além dos efeitos diretos e indiretos da expansão dos cultivos de soja e cana. ao preço baixo da mão-deobra no campo. O biocombustível é produzido a partir de etanol e biodiesel e a produção em larga escala que requer o cultivo cada vez maior de monoculturas tende a eliminar a diversidade biológica e social das regiões nativas. Atualmente. Nesta esteira a contrapartida ao meio ambiente no que se refere à questão das mudanças climáticas seria em certa ordem limitada à produção e uso de biodiesel da soja ou etanol da cana e do milho. Devido ao fato de necessitar. consideráveis fontes de combustíveis fósseis. Há também o risco crescente de intervenção política por parte dos países consumidores que se tornaram dependentes desta nova fonte de energia que é socialmente impactante e envolve altos investimentos. o hemisfério Norte encontra-se a procura de fontes alternativas de energia. a criação de gado força um movimento contínuo para as fronteiras . em face do aquecimento global causado em grande parte pelo consumo de combustíveis fósseis. ao clima favorável. o desmatamento na Amazônia é considerado como uma fonte significativa de emissões de carbono. gerando massivo desmatamento na Amazônia. o que gera impactos indesejados e negativos a vários biomas inclusive à Amazônia. esgotamento dos solos. Uma outra ordem de impactos são os sociais que incluem a concentração da posse de terras e renda. A produção de biocombustível traz associada uma série de questões fundamentais. O biocombustível é considerado atualmente a melhor opção e ele confere ao Brasil um novo papel como produtor de biomassa. erosão. degradação das formas de trabalho no campo e a desconstituição da agricultura familiar e desestruturação de comunidades locais. o que poderá ocasionar uma vasta e irreversível desertificação caso não se dê a atenção necessária à questão. Neste momento. Outro fator que contribui para este cenário favorável é a inovação tecnológica e os sítios de avançados estudos e pesquisas científicas que tornaram possíveis a utilização de novas formas de materiais e energias. e às condições políticas e mercadológicas que viabilizam a produção. no que tange às emissões de carbono na atmosfera. devido às vastas áreas. em termos concretos. facilitaram os investimentos em infra-estrutura de transporte e energia.

A cooperação internacional deveria assegurar as áreas protegidas e as espécies em risco. São criados por setores de atividade. 23. e isto requer ação conjunta de políticas governamentais e a atuação dos cientistas sociais e juristas para a alteração da estrutura legal de modo a fortalecer a coercitividade jurídica das normas ambientais. ou seja. ONGs. É certo que controle social requer fortalecimento do tecido social. fabricantes particulares. dependendo para isso de políticas sérias e investimento. Manual empresarial de responsabilidade social e sustentabilidade. p. ou pelos . É prioritária a mudança nos padrões de consumo. a reação às mudanças climáticas não deveria apenas limitar-se à substituição da matriz energética de combustíveis fósseis para biocombustíveis pura e simplesmente. 2 Outro parâmetro de RSE.2 1 Gisele Ferreira de Araújo e Célia Regina Macedo. os mercados devem ser trabalhados. os avanços técnicos propiciarem que os biocombustíveis sejam produzidos a partir de celulose. poderá haver uma reconcentração de cultivos próximos aos mercados consumidores e um aumento na quantidade de etanol produzido com menor custo ambiental e conseqüências menos severas conforme dito linhas acima. As políticas governamentais. A chave é estabelecer critérios socioeconômico-ambientais para os consumidores. o que acaba sendo limitado em face das sociedades mais desprovidas. O que queremos evitar é uma corrida para a produção de álcool que poderia gerar um cenário de terra degradada com um parque industrial abandonado e mão-de-obra ociosa e desempregada.1 Além de se pensar em cooperação ao desenvolvimento. se num futuro relativamente próximo. deixando de consumir produtos provenientes da floresta e biomas em risco. desenvolver e empreender a coercibilidade de medidas sociais e jurídicas e inviabilizar o desmatamento. porém dirigido aos consumidores. A abordagem não deve se limitar apenas à certificação e comércio mais justo. Acrescente-se a isso. o investimento internacional e algumas ONGs favorecem este cenário. Isto requer o desenvolvimento de tecnologias para a diminuição de custos de recuperação de áreas degradadas e ações de mitigação de impactos de erosão e poluição. A começar pela forma de produção dos biocombustíveis que deveria ser feita em áreas sustentáveis como áreas de antigas pastagens de baixa produtividade. Isso nos leva à conclusão de que para políticas mais habilidosas e sustentáveis a curto e longo prazo.contribuindo ainda mais para o desmatamento e conseqüentemente para a desertificação. Inviabilizar os impactos desastrosos da produção de biocombustíveis também significa fortalecer meios alternativos de sobrevivência para as comunidades locais através de reforma agrária ecologicamente estudada e uso sustentável da biodiversidade. visando a influenciar as decisões de compra dos consumidores mediante o fornecimento de uma garantia quanto ao impacto ético e social de um processo comercial sobre outras partes interessadas. são os chamados "rótulos sociais" que consistem em palavras e símbolos apostos aos produtos. programas de cooperação tecnológica e financeira e maior controle social dos investimentos. adotando uma abordagem ecológica protecionista mais sistemática. biomassa comum. Os países desenvolvidos podem abrir seus mercados aos produtos sustentáveis. Isto requer políticas para intensificar o uso da terra. porém.

Holanda. países tão diversos quanto o Brasil. 2001. mas.org/Depts/los/index.3 A legislação para repelir e remover os subsídios na produção e uso de combustíveis fósseis é a medida mais direta para a promoção de energias renováveis. residências. plantas industriais que constam nas várias legislações para padrões legislativos novos e eficazmente sustentáveis. A IMPORTÂNCIA DOS MARCOS REGULATÓRIOS EFICIÊNCIA ENERGÉTICA E SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL NA São amplamente conhecidos os efeitos da utilização dos combustíveis fósseis tradicionais no que tange à poluição e ao aquecimento global. é uma medida de aumento de receita. Disponível em: <http://www. Perverse subsidies: how tar dollars can undercut the environment and the economy 76. Juarez de Oliveira. veículos. Porém. A eficiência energética com a mudança de padrões de produção de energia é uma das opções economicamente e tecnologicamente viáveis para um futuro energeticamente sustentável. Em muitos países os subsídios aos combustíveis fósseis somam dezenas de bilhões de dólares ou mais. Doc. Os juristas têm um papel fundamental nesta nova ordem de idéias. a República Checa. 2006). na sua cadeia de produção. devendo-se cuidar para que haja a remoção dos padrões e modelos ineficazes do mercado e das legislações. por exemplo. Norman. 62/122. alterar substancialmente os padrões de eficiência de equipamentos. A/CONF. . o respeito aos direitos humanos e minimizam os impactos ambientais em escala global. Mais de 175 países aprovaram legislações recentes de impacto ambiental e vários tratados internacionais sobre matéria ambiental também requerem legalização. (A Responsabilidade Social Empresarial RES e o desenvolvimento sustentável no contexto do moderno direito regulatório . KENT.Iminência de um Instituto Jurídico? In: Direito e responsabilidade social das empresas. China. Polônia e Reino Unido e Rússia governos e certificam que os produtos advêm de empresas que. reprinted in 21 LLM 1261 (1982). defendem a saúde e a segurança dos seus trabalhadores. Jennifer.un. 3 U. na medida em que deverão estar preparados para atuar ativamente em âmbito federal. estadual e municipal a fim de remover estas barreiras e promover medidas efetivas de regulamentação que estimulem investimentos nacionais e internacionais em eficiência energética. por definição. É certo que levará muitos anos ainda e muito investimento será necessário para que este patamar regulatório seja alcançado de modo que as formas combustíveis tradicionais sejam substituídas por novas formas ambientalmente seguras e renováveis. Entretanto. Será necessário.htm> 4 MEYERS.4. A remoção do subsídio não somente é uma medida menos custosa.4 As dificuldades políticas para eliminação de subsídios e os problemas transitórios para as economias locais nos países produtores de combustíveis fósseis são difíceis de serem minimizados. São Paulo. Entretanto são úteis e eficazes se os consumidores apresentarem uma postura de sensibilidade quanto à escolha e preferência por produtos socialmente responsáveis que ostentem um rótulo social.N. Índia. há desafios a serem vencidos para a consecução desta eficiência energética que passam pela superação de barreiras legais e não legais.

at 8. Tais alterações legislativas bem como a elaboração de novos marcos regulatórios surtirão importantes efeitos em tratamentos mais favoráveis no que concerne aos aspectos tributários. adotando-se este paradigma como critério de negociação em novos projetos. IHLE.html>. DUNN. porém. brief n. gathering winds: policies to stabilize the climate and strengthen economies 28.. É desse modo que os marcos regulatórios atuariam efetivamente nas questões ambientais de modo a viabilizar patamares de energia sustentável (um futuro energeticamente sustentável).6 Um fundo internacional para a tributação sobre combustíveis fósseis e emissões de dióxido de carbono poderia eficientemente financiar a transferência de tecnologia e aquisição de recursos energéticos sustentáveis nos países em desenvolvimento. a institucionalização da comercialização de produtos ambientalmente corretos (veículos limpos e alta eficiência energética. permite às forças de mercado estimular a adoção de recursos renováveis. Christopher. O aumento do preço dos produtos que implicam altas emissões de CO2 na atmosfera associado a lucros reduzidos quanto ao uso de combustíveis fósseis. Disponível em: <http://www. Washington. 7 MOORE. que. que taxar a poluição e as emissões provenientes dos combustíveis fósseis promove os recursos renováveis. Outro dispositivo que seria altamente eficaz seria a taxação dos poluidores ou dos combustíveis poluentes que poderia efetivamente promover a redução de emissões. Note 65 at 4. Rising sun. somados aos altos custos e tributações a sua utilização. que deverá contar com a participação ativa dos juristas da área ambiental.worldenergy. Jack. Renewable energy policy outside the United States. devido ao fato de que os poluidores arcam com os custos externos de danos à sociedade por sua poluição numa aplicação direta do princípio constitucional do poluidor-pagador. Outra implicação desta reformulação será a inclusão de cláusulas de redução de poluição e de especificações de eficiência energética em contratos e negociações. 14. Renewable energy policy project issue. Além disso. D. Oct. É certo.5 Eliminar subsídios é condição sine qua non para a promoção das energias renováveis. Curtis. Vários países como Japão.reduziram eficientemente ou eliminaram subsídios aos combustíveis fósseis. de padrões de auditoria energética bem como dos padrões de tratamentos de resíduos recicláveis de energia. Será necessária uma reformulação legal de todos os códigos de edificações e utilização de energia. Seth. Estados Unidos e países europeus estão adotando medidas nesse sentido. .plx?File=archives/techpapers/other_tech_papers/WECco2rpt97. 1999. 1997. por exemplo) também serão amplamente incentivados. Normas contendo novos padrões de eficiência mínima de produtos e equipamentos deverão ser desenvolvidos assim como inovações legislativas quanto aos padrões de poluição relativos aos recursos energéticos renováveis. e a remoção de barreiras também implicará em economia energética contribuindo assim diretamente para a meta de eficiência energética que se busca atingir como forma de obter padrões mais sustentáveis.7 Será necessária uma reformulação em grande escala dos padrões legislativos em todos os níveis. 6 World energy council J. 5 FLAVIN. July 1997. incentivarão largamente a utilização de energias alternativas renováveis.org/wecgeis/publications/open. C.

Principalmente para os países em desenvolvimento as metas para a consecução de energias renováveis requerem compromisso com a eliminação de barreiras à sustentabilidade energética bem como a criação de um ambiente político e jurídico que estimule o investimento privado nestas iniciativas. Na medida em que os juristas e advogados ambientais atuem na identificação de barreiras regulatórias e deficiências legislativas e no processo de adequação da moldura legal. estadual e local podem promover decisões e incentivos a investimentos orientados à eficiência energética.Todas as medidas descritas neste artigo e muitas outras disponíveis visam a atingir patamares de economia e eficiência energética a curto. os resultados serão no sentido de maior segurança. . maior economia. a medidas ambientalmente corretas. médio e longo prazos. Os marcos regulatórios em âmbito federal. maior eficiência e cumprimento de objetivos coordenados com as políticas ambientais de que tanto precisamos para um futuro sustentável em todos os sentidos.

a fim de torná-lo uma opção competitiva. do qual o Brasil é signatário. regulatórios. à energia eólica e solar. E não poderia ser diferente. transformar esse potencial natural em capacidade efetiva requer superar uma série de gargalos. internacionalmente temos defendido a intenção de aprimorar e diversificar as nossas fontes de geração de energia. os compromissos assumidos por alguns países para a redução da emissão dos gases do efeito estufa. valorizando as potencialidades locais. é imprescindível estabelecer um marco regulatório para o setor. e até mesmo o próprio Protocolo de Kyoto. As recentes catástrofes no Japão e a crise nos países árabes acrescentam novos argumentos ao debate da importância do desenvolvimento de matrizes energéticas renováveis. Tais preocupações demandam uma análise de qual rumo o Brasil deverá adotar em relação à sua matriz energética.5. apontam para esse caminho. principalmente. Além disso. em função da preocupação crescente com o esgotamento dos recursos fossilizados. principalmente em relação à biomassa. estimulando a geração de emprego e a formação profissional e tecnológica. Para tanto. logísticos e. tecnológicos. pelos prejuízos ambientais decorrentes do seu uso e pelo aumento da ocorrência de fenômenos climáticos. sustentável e inclusiva socialmente. Embora o país tenha como principal fonte de energia renovável a hidráulica. . sejam econômicos. No entanto.CONCLUSÃO O debate sobre o uso de energias renováveis vem ocupando progressivamente espaço na agenda política internacional.

2006. Proceedings of the clean energy 2000 conference.REFERÊNCIAS . DUNN. Célia Regina. R. national.MEYERS. Seth.. Jennifer. global. 1997. Curtis. Gisele Ferreira de.undp.ROBINSON.YOUNG. and scale. New York: Oxford University Press. .ARAÚJO. José Goldemberg. The institutional dimensions of environmental change: fit. Disponível em: <http://www. . . 14. Manual de responsabilidade social e sustentabilidade. Perverse subsidies: how tar dollars can undercut the environment and the economy 76. KENT.United nations development program. Jan. F. G. Rising sun. C. São Paulo: Plêiade.MOORE. Renewable energy policy outside the United States. 1998. O. 1974.FLAVIN. Environmental law systems for sustainable energy. 2001. . Disponível em: <http://www. IHLE. D. Christopher.org/wecgeis/publications/open. Jack.html>. gathering winds: policies to stabilize the climate and strengthen economies 28. Washington. Renewable energy policy project issue. . 2002. MACEDO. Note 65 at 4. Oct. Geneva. Switzerland.html>. interplay. Norman. at 8.worldenergy. Natural hazards: local.plx?File=archives/techpapers/other_tech_papers/WECco2rpt9 7. . the clean development mechanism: issues and options. 2000. brief n. 1999.org/seed/eap/Publications/1998/1998a. Nicholas.WHITE. July 1997. Cambridge: MIT Press. -World energy council J. . .6.

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