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AJES - Faculdades do Vale do Juruena Curso de Pós-Graduação em Linguística Aplicada ao Ensino

AJES - Faculdades do Vale do Juruena Curso de Pós-Graduação em Linguística Aplicada ao Ensino de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira

Disciplina: sociolinguística Carga horária: 26 horas

Professor(a): Dirley Aparecida Zolletti Zanerato

07/11/2009

09/11/2009

A Variação Linguística

Zanerato 07/11/2009 09/11/2009 A Variação Linguística 1 VARIABILIDADE LINGUÍSTICA Dizer que o todas

1 VARIABILIDADE LINGUÍSTICA

A Variação Linguística 1 VARIABILIDADE LINGUÍSTICA Dizer que o todas as línguas do sardo,

Dizer

que

o

todas

as

línguas

do

sardo, o rético, o

português (o espanhol, o

mundo

é

que

elas

não

provençal, o catalão, o

francês,

etc.)

é

uma

são

unas,

não

são

franco-provençal e o

língua

constitui

uma

u

n i f o r m e s ,

m a s

dalmático) provêm de

a

b s t r a c ã o ,

u m a

apresentam variedades,

uma variedade do latim,

generalização. O que, de fato, existem são tantos

ou seja, não são faladas

da mesma

maneira por

o chamado latim vulgar

( p o p u l a r ) , m u i t o

f

a l a r e s

q u a n t a s

todos os seus usuários.

diferente do latim culto.

c

o m u n i d a d e s

 

o u

Muitas

pessoas

dizem

A

variação linguística é

t

( u n i f i c a d a s

c o

i d

l e

i v

a

d p o r

e

s

que isso ocorre na nossa

"os

língua,

porque

inerente ao fenômeno linguístico.

c

a r a c t e r

í s t

i c a s

brasileiros não

sabem

As línguas têm formas

geográficas ou sociais).

 

direito o português". Não

variáveis porque as

 

Em sentido estrito há

é verdade,

todas

as

sociedades são divididas

t a nt a s

v a r ie d a d e s

línguas

apresentam

em grupos: há os mais

lingüísticas

quanto

variações: o

inglês,

o

jovens e os mais velhos,

indivíduos.

Mais

ainda,

francês, o italiano

etc.

os que habitam uma

em

cada

indivíduo

Também

as

línguas

região ou , outra, os

coexistem

ou

podem

a

n t i g a s

t i n h a m

que têm esta ou aquela

coexistir

diferentes

variações. O português e

profissão, os que são

modalidades ou registros

as

outras

línguas

de uma ou outra social

ou estilos linguísticos

românticas (o francês, o

e assim por diante.

Uma característica de

italiano, o

espanhol,

o

1.1 Níveis de variações

1.1 Níveis de variações

Os dois aspectos mais facilmente perceptíveis da variação lingüística são a pronúncia e o vocabulário. No entanto, a variação ocorre em todos os níveis da língua.

1.1.1 No nível dos sons: o

é

o

e

l

p r o n u n c i a d o c

c o m o n

final

n

s

de

sílaba

a

t

o

pelos gaúchos, enquanto em quase todo o restante do Brasil é vocalizado (pronunciado como um u); o r final de sílaba é pronunciado de maneira bem distinta por um carioca e por uma pessoa do interior de São Paulo; em certos segmentos sociais, troca-se o l pelo r (diz-se arto e não alto).

1.1.2

morfologia: conjugam-se muitas vezes, por analogia,

os verbos irregulares como regulares (ansio em lugar de anseio, se eu repor em

lugar

às

manteu

vezes se usa a forma do

em

presente

repuser,

d a

No

n ív e l

de

se

eu

por

do

manteve);

subjuntivo

vez do equivalente do presente do indicativo (nós

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Níveis de variações

fiquemos em vez de nós ficamos).

1.1.3 No nível da sintaxe: em certos segmentos sociais e em certas situações

não se realiza a concordância verbal ou a nominal (eles bebeu muito naquela noite; os home); em algumas regiões do país, usam-se formas próprias da sintaxe do italiano (somos em seis, passo da sua casa); muitas vezes, o pronome relativo, principalmente cujo, é substituído por um que, sem valor pronominal, e a função sintática que deveria ser expressa por ele é manifestada por outro termo (diz-se "A moça que os olhos dela são verdes veio aqui ontem" em lugar de "A moça cujos olhos são verdes veio aqui ontem).

uma

linguagem muito culta; cassaco é um termo utilizado no Nordeste para trabalhador de estrada ou de

1.1.4 No

engenho; em Portugal, diz-se comboio em lugar de trem, e miúdo em vez de criança.

nível

do

léxico:

diáfano

é

empregado

em

situações

de

uso

de

1.2 Tipos de Variações

1.2.1 Diatópicas—são as variações que ocorrem de uma região para outra. Ex.:

Dicionário lnternacional da Língua Mineira

Fala de minerim é assim mézz, estes são alguns mandamentos da língua portuguesa dos mineirin de Belzonte, Berlândia, Beraba, Brazópis, Vairginha. Guvinadoir Valadairs, Mons Clares, Patinga, Paris(Parizópis), Piranguim, Tajubá, Tabira, etc

UAI é indispensável: O que significa UAI ? UAI é UAI, UAI Usar sempre "i" no lugar de e: (Ex.: MININO, ISPECIAL EU I ELA VISTIDO).

Dizer ÉMÊZZ? quando quiser uma confirmação. Se quiser chamar atenção diga simplesmente Ôl QUIÓ. Se estiver com fome coma PÃO DJI QUEJJ. Ex.: dois PÃO DJI QUEJJ e duas CÊIRVEJJ Na falta de vocabulário especifico utilizar a palavra TREM que serve prá tudo, exceto como meio de transpor-te ferroviário. Neste caso, é TROÇO.

ONZZ é o meio de transporte coletivo rodoviário. Ex.: Lá vem o ONZZ. Se aprovar alguma coisa solte um sonoro MAIS QUI BELÊZZ!

Prá fazer café, primeiro pergunte PÓPÕPÓ? Achou pouco ficou ralo? Pergunte: PÓPÔ MAPOQUIM DIPÓ?

simplesmente:

ONCOTÓ? PRONCOVÓ? PRONÓISVAI. Se não estiver certo de comparecer, diga simplesmente CONFÓFÓ EU VÔ, que quer dizer: conforme for, eu vou.

Se o motivo da dúvida for algo que você tem que fazer, explique, :"Vou fazer um NIGUCIM e volto logo".

Se

você

não

sabe

onde

está

e

nem

para

onde

vai,

pergunte

Ao procurar alguém que concorde com você, dispare um NÉMÉZZ? Use a expresão aumentativa DIMÁI DA CONTA. Ex ISSÉ BÃO DIMÁI DA CONTA, CÉÉ BOBO DIMÁI DA CONTA.

AJES - Faculdades do Vale do Tipos de Variações Página 3 pra iniciar uma exclamação.

AJES - Faculdades do Vale do

Tipos de Variações

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pra iniciar uma exclamação. Nem sem-pre é necessário complemento Ex.: RAPAAAI REDÁ:

Mesma coisa de RASTÁ. Ex.: JUDA REDÁ ESS TREM AQUI Ó Ao terminar uma frase, con-clua com a palavra SÓ. Se tiver falando com uma mulher, en-tão diga SÁ. Se alguém der cinco, supere e diga, DOSSÉIS ou I quandocê fica impressionado com alguma coisa océ isclama: NÓ!!

1.2.2 Diastráticas—são as variações decorrentes de um grupo social para outro. Ex.:

O FAX Um gerente recebeu o seguinte fax de um dos vendedores:

-"Seo Gomis, o criente de belzonte pidiu mais cuatrocentas pessa. Faz favor toma as providenssa. Abrasso, Nilso" Aproximadamente uma hora depois recebeu

- "Seo Gomis, os relatório de: venda vai xega atrazado proque to fexando umas venda. Temo que manda treiz miu pessa. Amanha to xegando. Abrasso, Nilso O gerente ficou muito preocupado, e levou ao presidente da empresa as mensagens que recebeu do vendedor. O presidente, um homem muito preocupado com o desenvolvimento da empresa e

gerente. Disse que sabia o que fazer. E logo depois

redigiu uma carta de próprio punho que afixou no mural da empresa juntamente com o fax do vendedor. -"Daki pra dianti nóis vamo faze feito o Nilso. Si preocupa menos em iscrevê serto e vende maiz. Acinado, O Presidenti.

dos funcionários, escutou atentamente o

1.2.3 Diafásicas—são as variações que ocorrem de uma situação de comunicação para outra. Ex.:

Um homem magro, de bigodinho e cabelo glostorado, apareceu:

“Ah, comissário Pádua

“Não quero papo—furado, Almeidinha. Quero falar com Dona Laura.” “Ela no momento está ocupada. Não pode ser comigo? “Não, não pode ser com você. Dá o fora e chama logo a Laura.” Vou mandar servir um uisquinho.” Não queremos nenhum uisquinho. Chama a dona.”

Que prazer! Que alegria!”

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Tipos de Variações

Diacrônicas— são as variações de uma época para outra. Ex.:

- Ai flores, ai flores do verde pino, se sabedes novas do meu amigo? Ai, Deus, e u é?

Ai flores, ai flores do verde ramo,

se sabedes novas do meu amado?

Ai, Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amigo,

aquele que mentiu do que pôs comigo?

Ai, Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amado,

aquele que mentiu do que m'á jurado?

Ai, Deus, e u é?

1.3 As diferenças entre a fala e a escrita.

Deus, e u é? 1.3 As diferenças entre a fala e a escrita. ∑ Cada uma

Cada uma das variedades lingüísticas pode apresentar-se na modalidade escrita ou na falada.

Pode-se pensar que a escrita seja a transcrição da fala. Não, a relação entre elas é mais complexa.

São duas modalidades distintas de linguagem. No processo de comunicação, produz-se uma

mensagem, para que seja recebida (lida ou ouvida) por alguém. Na fala, o texto é recebido pelo

outro, enquanto vai sendo produzido; na escrita, a recepção ocorre depois da produção. Naquela, o

interlocutor vai ouvindo o texto, à medida que ele é composto. Nesta, o texto é lido depois que

está pronto. Dai decorrem as seguintes distinções na organização dos textos falados e escritos: A

fala se dá dentro de uma dada situação de interlocução; a escrita ocorre fora dela.

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As diferenças entre a fala e a escrita.

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Um ato de comunicação ocorre entre dois participantes, num dado lugar e num determinado tempo. Isso é chamado cena enunciativa. Na fala, quando se diz eu, aqui, agora, por exemplo, o ouvinte sabe quem está falando, que lugar é aqui ou quando é agora. Além disso, entende as frases que se referem à situação. Se alguém está jantando e diz que a cozinheira está sem paladar, seu interlocutor compreende que ele quer dizer que falta tempero ou que há tempero em excesso na comida. Na escrita, preciso recriar a cena enunciativa e a situação de interlocução, para que o leitor saiba, por exemplo, quem está falando, que dia é, quando alguém diz hoje, e para que compreenda os sentidos relacionados à situação (assim, no caso da frase acima é preciso explicar que os interlocutores estavam jantando e que um, quando pôs uma colher de sopa na boca, disse que a cozinheira estava sem paladar).

Na fala o planejamento e a execução do texto são simultâneos. Por isso, o texto falado é cheio de pausas, frases truncadas, repetições, correções, períodos começados e abandonados para começar um outro, desvios e voltas, acelerações. O texto escrito não contém marcas de planejamento e de execução. Elas são retiradas dele. Apresenta-se o produto pronto e não em elaboração como na fala.

Na fala alternam-se os papéis do falante e do ouvinte. Por isso, o ouvinte pode interromper o falante e tomar a palavra, o falante pode usar estratégias para segurar a palavra, precisa buscar a anuência do ouvinte (dizendo, por exemplo, né?, certo?, cê não acha?), solicitar sua colaboração (dizendo, por exemplo, como é mesmo que se diz?). Na escrita não há essa possibilidade de alternância, pois, mesmo que se crie um diálogo, ele será uma simulação de conversa e não um diálogo real, com interrupções, tentativas de não deixar o outro tomar a palavra etc.

Na fala os períodos são mais curtos e simples. Na escrita, mais longos e complexos. Usam-se mais orações subordinadas. O texto escrito divide-se em parágrafos, capítulos etc., que contêm unidades de sentido. O texto falado é recortado em turnos, isto é, cada intervenção de cada interlocutor, e em tópicos, ou seja, assuntos de que se fala.

Na modalidade falada há um envolvimento maior de um interlocutor no texto do outro. Eles colaboram, envolvem-se no processo de elaboração do texto, dizem que compreenderam, concordam com a continuação da fala etc. Usamos certos marcadores conversacionais para isso (por exemplo, hum, hum; certo; é claro; ah, sim). O falante, por sua vez, monitora nosso acompanhamento (por exemplo, você tá me entendendo?). Se numa conversa telefônica ficamos só ouvindo, sem manifestar nenhum acordo, o outro logo nos pergunta: você está ouvindo? Faz isso, porque é da natureza da fala a participação, o envolvimento. Na escrita, isso não ocorre.

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EXERCÍCIOS

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1 O texto da tirinha abaixo pretende representar uma situação de interação bastante comum entre mãe e criança em um determinado momento da aquisição da linguagem oral:

em um determinado momento da aquisição da linguagem oral: Das afirmativas a seguir, a única INCORRETA

Das afirmativas a seguir, a única INCORRETA é:

(A) A maneira como o diálogo foi redigido não é a mais adequada, porque nessa situação

especifica de interação a primeira fala da mãe normalmente seria "desenhei", e não "você".

(B) A resposta da criança, no último quadrinho. faz supor que ela já consegue distinguir

adequadamente as pes-soas do discurso.

(C) Nesse momento da aquisição da linguagem a criança está mais voltada para a marcação

das pessoas do discurso do que para a correlação entre os pronomes pes-soais e a flexão

verbal.

(D) O autor da tirinha supôs que a criança tem mais problemas com a escolha dos pronomes

pessoais do que com a flexão de pessoa nos verbos.

(E) As crianças, durante a aquisição da linguagem, não costumam dizer “eu desenhou”, pois

guiam-se exclusivamente pelo que ouvem na fala dos adultos com quem interagem.

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EXERCÍCIOS

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2. A formação de um profissional de Letras deve capacitá-lo a abordar o texto em diferentes níveis e a partir de diferentes perspectivas. Por isso, as questões desta prova remelem a textos que se caracterizam por explorar aspectos diversos, relacionados a forma e ao uso que a linguagem adquire em diferentes gêneros e situações.

Instruções: Para responder as questões de números 1, 2. 3 e 4, considere a carta abaixo, de autoria de um estudante de segundo grau enviada a um especialista em língua portuguesa que assina uma coluna em um órgão da imprensa.

Belo Aprazível. 26 de outubro de 1999. Ilimo. Senhor,

ASSUNTO: Uso de "a gente" como pronome do caso reto eu e nós.

Muito timidamente, algumas figuras no cenário da gramática normativa tem se expressado desfavorável ao uso do "a gente" como pronome do caso reto. Os professores concordam que dentro do diálogo entre pessoas é possivel exprimir-se sem maiores complicações. No entanto, são visceralmente contra grafar, na redação, estes dois vócábulos. Segundo eles, constitui-se erro mesmo. Assistindo ao Bom Dia São Paulo, 25/10/99, perdi a conta de tantos "gente" pronunciados no trabalho da repórter. Salvo engano, ela falou umas vinte vezes. ( ) Como estudante, estou preocupado. Se os expoentes máximos deixaram-se levar por esta onda antigramatical, não estaríamos caminhando para a deterioração da gramática normativa? Estaríamos vivendo uma nova contra revelia? Foi através das primeiras aulas de gramática do vestibulando bem como das aulas de gramática do Telecurso 2000, que a inoidéncia tornou-se aparente (os professores comportam-se como verdadeiros gramáticos. Logo após, desandam a destruir o que propuseram).

Sua manifestação será uma enorme chance para eu conhecer mais sobre a mobilidade do nosso idioma.

(

)

Atenciosamente.

O.F.

Em relação ao fato, mencionado na carta, de professores ensinarem a forma "nós" e usarem a forma "a gente", é correio afirmar, de uma perspectiva sociolinguistica, que eles:

distinguem adequadamente os graus de formalidade sociados a diferentes contextos de uso da oralidade e da escrita.

desconhecem as regras de uso dos pronomes pessoais em português.

Apresentam um comportamento linguistico incoerente, variando aleatoriamente no uso de "nós" e de "a gente".

insistem no ensino de formas em desuso na língua, embora usem eles mesmos, formas inovadoras.

têm dúvidas quanto à maneira correia de se expressar diante de seus alunos, pois não tiveram uma boa formação pedagógica.

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EXERCÍCIOS

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3 A praia de frente pra casa da vó

[1] Eu queria surfar. Então vamo nessa: a praia Ideal que eu realizo no caso particularizado de minha pessoa, em primeiramente, seria de frente para a casa da vó, com vista para o meu quarto. Lá terá uma plantaçãozinha de água de coco e, invés de chão ser de areia, eu botava uns gramadão presidente. Assim eu, o Zé e os cara não fica grudando

quando vai dar os rolé de Corcel II lá na minha praia dos meus sonhos, ia rolar vááàrías vós e uma pá de tia Anastácia fazendo umas merenda nervosa! Uns sorvetão sarado! Uns mingauzão federal! Umas vitaminas servida! X-tudo! X-calabresa Cebola Frita! Xister Mc Tony’s e gemada à vontade prós brother e pras neneca, Tudo de grátis! As mina, exclusive, ia idrolatar surfistas chamados Peterson Ronaldo Foca conhecidentemente como no caso da figura particularizada da minha pessoa, por exemplo). Pra ganhar as

deusa, o xaveco campeão seria

já teve catapora? E teu tio? E tua avó? Uhu!! Já ganhe!! E se ela falasse: "Vai procurar a tua

turma, minha turma estaria bem do meu lado, pra eu não ficar procurando muito! [2] Exclusive, eu queria surfar, mas na praia ideal dos meus sonho (aquela que eu desacreditei, rachei o bico e falei "nooossa!) Não haveriam tubarâes. (Haveriam porque ó vários tubarães!). A Eu, o Zé e os Cara, Paneleiros and Friends Association" ia encarregar o colocamento de placas aleatórias com os dizeres: 'Sai fora. tubarão: Cé num sabe quem cé é. E os bicho ia dar área rapidinho! Cé acha, jovem?! Nóis num quer ficar que nem um calega meu, O Cachorrão, da Associação dos Surfistas de Pernambuco, umas entidade sem pé nem cabeça! Então vamo nessa: na praia dos sonhos que eu falei “Éo sooonhor, teria menas água salgada! (Menas porque água é feminina!) Eu ia conseguir içar em pé na minha triquilha tigrada, sair do back side, subir no lip, trabalhar a

o meu: 'E ais, Nina (feminina)? Qual teu C.E.P.? Tua tia

espuma, iiihaa!! Meus pés ia grudar na parafina e eu ia ficar só lá: dropando os tubo e fazendo pose pras tiete, dando umas piscada de rabo de olho e rasgando umas onda de 30 metros

(tudo bem, vai! Um metro e meio

e os repórter ia me focalizar com néon, luz estetoscópica robotizada e uns show de raio

lazer!!. De 18 concorrentes, eu ia sagrar décimo sétimo, porque um esqueceu a prancha. (Tamém, o cara marcou!) E as mina só lâ: "Uhu!! Foca é animal!! Focaliza o Foca!! O cara é o

própio galã de Óliud! [3] Exclusivamente, eu queria surfar, dai os carinha da República me pediram pra falar na revista, a vó tirou um pelo de mim: “Cê nunca vai falar na revista, Peterson Ronaldo! Dai eu

Mesmo sem abrir a boca, eu ia ser o centro das atençães

).

falei: “Artigo?? Eu? E comigo! Tá limpo. Eu já apareço no rádio! Por que eu não posso falar na revista?! Então vamo nessa de novo: eu queria pensar, mas eu nem to ligado nesses

lance de utopia

Supermetropia! Esses lançe aí quem pensa é o Zé! Eu

queria escrever! Em súmula: eu parei de pensar, agora eu só surfo! Consequentemente, Peterson Foca.

Dormir na pia

3.1 Com relação és formas vàáárias. nooosa e sooonho, observa-se que:

I. Os autores do texto procuram suprir a falta de símbolos específicos, na escrita, para representar fenômenos prosódicos como contornos entonacionais ascendentes acoplados ao alongamento vocálico.

II. A repetição de vogais constitui uma tentativa, por parte autores de representar na escrita, diferenças

da pronúncia relativas à qualidade das vogais tônicas dessas palavras.

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EXERCÍCIOS

É correto o que se afirma APENAS em

(A)

I

(B)

II

(C)

III

(D)

I e II

(E)

I e III

3.2 Sobre as explicações entre parênteses Haveriam porque é vários tubarâes e Menas porque água é feminina, é correto afirmar que os autores do texto.

(A) embora procurem representar um jargão de

surfistas, preocupam-se em fazer uso correto das regras de concordância verbal e nominal da

língua portuguesa.

(B) ao produzirem erros de concordância, caracterizam a personagem Peterson Foca como falante de uma variedade do português associada somente a surfistas.

(C) ao proporem tais explicações, fornecem os

motivos que levam muitas pessoas a flexionar,

nesses contextos, o verbo haver e o advérbio menor

(D)ao atribuírem erros de concordância a um suposto surfista, procuram associar aos surfistas em geral a imagem de não escolarizados.

as formas haveriam e

(E) ao

menas, os autores do texto evidenciam seu desconhecimento das regras de concordância

verbal e nominal da língua portuguesa.

empregarem

3.3 Analisando construções como:

Na minha praia dos meus sonhos [1] e Na praia ideal dos meus sonho [2] Uns mingauzâo federal! [1] e Umas vitaminas servida! [1]

Meus pés ia grudar na parafina [2] e Os carinha da República me pediram pra falar na revista [3]

e considerando que os estudos de sociolinguística demonstram que há variação no uso de regras de

concordância verbal e nominal, observa-se que:

I. Os autores do texto são inconsistentes na maneira de representar o funcionamento das regras de concordância nominal e verbal no jargão que eles associam aos surfistas.

II. Os autores do texto variam intencionalmente a maneira de representar o funcionamento das regras de concordância nominal e verbal, porque assim falariam os surtistes.

III. Os autores do texto propõem uma regra consistente de marcação da variação de número, flexionando apenas um elemento do sintegma.

É correto o que se afirma em

(A)

I, apenas

(B)

II, apenas

(C)

III, apenas

(D)

I e III, apenas

(E)

I, II e III.

4 Você poderá ser solicitado(a), algum dia, a explicar a ocorrência de dados como os destacados no texto, ocorrentes nas primeiras escritas infantis:

Eu tenho um jardim com

uma roza chamada

vera Prima umtla eu fui pega arroza

eantro umlspim nomeupe

(T., 1'série)

Observe os dados em destaque no texto e considere as se-guintes afirmações:

I. A criança comete erros ortográficos porque náo perce-beu, ainda, que as letras devem sempre representar a pronúncia das palavras.

II. A criança troca as letras porque ainda não

aprendeu

língua

que

a

cada

fonema

da

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EXERCÍCIOS

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III. A criança ainda não domina, na escrita, o critério morfológico de colocação dos espaços em branco en-tre as palavras

A correta explicação para a ocorrência dos dados destacados está em:

(A)

I, apenas

(B)

III, apenas

(C)

I e II apenas

(D)

I e III apenas

(E)

I, II, III

5

L1 Nâo é bem comunicação, é transporte.

L2 Prá mim é. Ainda

L1 Transporte, não. acho comunicação

L2 Você comunica diferentes pontos da cidade quando

você

acesso ou mais difícil, ou não teriam para outro

L1 Não

L2 Ahn ahn.

L1 Isso ai seria um

L2 é mercúrio, (n)

L1

L2 Mas em suma, acho que

um contexto de

L1 Tira tira tira o contexto do humano essa comunicação Comunicação de transporte é comunicação não humana. né? em guerra o im-portante é você acabar com as comunicações

sabe? faz com que pessoas que antes teriam

de um ponto

Mas vem dai conotação de comunicação, hein?

É

diferente

certo?

que

sabe, está ligado a todo

Por exemplo você está né?

Então

você destrói uma ponte e fica isolado assim

da

(Projeto NURC/SP)

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EXERCÍCIOS

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O texto reproduz um trecho da conversação entre dois locutores. L1 e L2. A afirmação correta a respeito dele é:

(A) Nâo ocorre comunicação entre os interlocutores porque as falas estão fragmentadas e

não há desenvolvimento de um tópico.

(B) Há comunicação entre os interlocutores porque ambos estão situados num mesmo

contexto e partilham de conhecimentos comuns, o que permite os truncamentos e as

omissões.

(C) Não há comunicação entre os interlocutores por causa dos truncamentos e das frases

que não obedecem ao padrão estabelecido pela gramática da norma culta.

(D) Ocorre comunicação entre os Interlocutores porque há muita repetição de termos, há

frases que se completam umas ás outras, e não há digressão em relação ao tópico.

(E) Nâo há comunicação entre os interlocutores devido à presença de frases incompletas e

de digressão tópica.