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Introdução ao Direito Aula 2

Ementa:

– Noções gerais de Norma Jurídica

– Diferenças entre Direito, Moral, Regras de Trato Social e Religião

Noção geral de Norma Jurídica

“O estudo da norma jurídica é de fundamental importância, porque se refere à substância


própria do Direito objetivo.

Conhecer o Direito é conhecer as normas jurídicas em seu encadeamento lógico e


sistemático. As normas ou regras jurídicas estão para o Direito de um povo, assim como
as células para um organismo vivo.

Para promover a ordem social, o Direito objetivo deve ser prático, ou seja, relevar-se
mediante normas orientadoras das condutas interindividuais.

Não é suficiente, para se alcançar o equilíbrio da sociedade, que os homens estejam


dispostos à prática da justiça; é necessário que se indique a fórmula da justiça que
satisfaça a sociedade em determinado momento histórico.

A norma jurídica exerce justamente esse papel de ser o instrumento de definição da


conduta exigida pelo Estado.” (Paulo Nader, p.83)

– diferença entre norma jurídica, regra e lei:

“As expressões norma e regra jurídicas são sinônimas, apesar de alguns autores
reservarem a denominaçâo regra para o setor da técnica e, outros para o mundo natural”.
(Paulo Nader, p. 83)
“Distinção há entre norma jurídica e lei.

LEI: é apenas uma das formas de expressão das normas, que se manifestam também pelo
Direito costumeiro e, em alguns países pela jurisprudência”. (Paulo Nader, p.83)

A norma pode ser : uma lei

Instrução normativa

Portaria

Decreto

A lei é espécie de norma (gênero).

– conceito de norma jurídica:

“As normas jurídicas são esquemas que fornecem modelo de condutas, tendo em vista os
valores da coletividade”. (Miguel Reale)

“ A norma contém um comando geral e abstrato, isto é, vale para uma

pluralidade de casos indeterminados”. (Ronaldo Poletti)

NORMA Jurídica É A CONDUTA EXIGIDA OU O MODELO IMPOSTO DE


ORGANIZACÃO SOCIAL. (Paulo Nader, p.83)

– conceito de lei:

“A lei é a forma moderna de produção do Direito Positivo. É ato do Poder Legislativo,


que estabelece normas de acordo com os interesses sociais. As vantagens que a lei
oferece do ponto de vista da segurança jurídica fazem tolerável um coeficiente mínimo de
distorções na elaboração do Direito objetivo”. (Paulo Nader, p.146)
Lei em sentido amplo: “é uma referência genérica que atinge a lei propriamente, à
medida provisória' e ao decreto¿”.

Lei em sentido estrito: “ lei é o preceito comum e obrigatório, emanado do Poder


Legislativo, no âmbito de sua competência”.

___________________

' Criada pela Constituição Federal de 1988, a medida provisória é ato de competência do
Presidente da

República, que poderá editá-la na hipótese de relevância e urgéncia, excluída a


permissão constitucional

sobre matéria afeta à nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos,


Direito Eleitoral,

Penal, Processual Penal e Processual Civil, entre outros assuntos, conforme prevê o art.
62 da Emenda Constitucional nº 32, de 11 de setembro de 2001. Caso não logre a
conversão em lei dentro do prazo de

60 dias da publicação, a medida provisória perderá seu caráter obrigatório, com efeitos
retroativos ao

início de sua vigência. Ocorrendo essa hipótese, o Congresso Nacional deverá disciplinar
as relações sociais afetadas pelas medidas provisórias rejeitadas.

‘ Os atas normais de competência do Chefe do Executivo – Presidente da República,


Governador de

Estado, Prefeito Municipal – são baixados mediante simples decreto. A validade destes
não exige o referendo do Poder Legislativo.

Diferença entre Direito, Moral, Regras de Trato Social e Religião

O Direito não é o único instrumento responsável pela harmonia da vida social, além dele
temos:

MORAL

REGRAS DE TRATO SOCIAL

RELIGIÃO
A importância de conhecer essa diferenciação está no fato de que devemos demarcar o
território do Direito, para não passarmos a legislar sobre todas as condutas, pois

“Toda norma jurídica é uma limitação à liberdade individual e por isso o legislador deve
regulamentar o agir humano dentro da estrita necessidade de realizar os fins que estâo
reservados ao Direito: SEGURANÇA ATRAVÉS DOS PRINCÍPIOS DE JUSTIÇA”.
(Paulo Nader)

– Direito e Religião

Por muito tempo, a Religião exerceu domínio absoluto sobre as coisas humanas. A falta
de conhecimento era suprida pela fé.

As crenças religiosas formulavam as explicações necessárias a tudo que acontecia. O


Direito era considerado expressão da vontade divina.

Nos oráculos os sacerdotes recebiam de Deus as leis e os códigos. Ex: Código de


Hamurabi, 2000 a.C – legislação mesopotâmica.

Quem possuía o domínio sobre o conhecimento jurídico era a classe sacerdotaL Durante
a Idade Média, existiam os “juízos de Deus” que se fundavam na crença de que Deus
acompanhava os julgamentos e interferia na justiça. Ex: a as decisões ou ordálias eram
um jogo de sorte ou azar.’

(Santa Inquisição)

Foi apenas no século XVIII que ocorreu a separaçâo entre o Direito e a Religião, na
França pré- Revolucão Francesa.

Dto x Religião = a causa final de ambos integra a idéia do BEM, que no Dto é a justiça.
Um exemplo de ordália é a prova da cruz – por ela, quando alguém fosse morto em rixa,
escolhiam-se sete rixadores, que eram levados à frente de um altar. Sobre este punham-se
duas varinhas, uma das quais marcada com uma cruz, e ambas envolvidas em pano. Em
seguida tirava-se uma delas: se saía a que não tinha marca, era sinal de que o assassino
não estava entre os sete. Se, ao contrário, saía a assinalada, concluía-se que o homicida
era um dos presentes. Repetia-se a experiência em relação a cada um deles, até sair a vara
com a cruz, que se supunha apontar o criminoso”.

“A norma religiosa é dada unilateralmente pela divindade e tem o poder de coerção


interna pela força conferida à crença”. soão Batista Nunes Coelho)

“Vivemos num ESTADO LEIGO-LAICO (sem religião), totalmente separado da Igreja


Católica Romana, que foi nossa religião oficial à época do Império, mas nem por isso
podem as leis e demais manifestações do Dto DEIXAR DE CONSIDERAR O
SENTIMENTO RELIGIOSO do povo, e não apenas o Cristianismo, mas também outras
religiões. Por outro lado, o Dto não pode deixar de considerar os ATEUS E AQUELES
DESINTERESSADOS PELO VALOR DA SANTIDADE”. (Ronaldo Poletti, p.102)

Direito e Moral
Trata-se de uma diíerenciação muito interessante que vem sendo discutida desde a
Antiguidade pelos grandes filósofos.

Sua importância é tal, que há no curso de Direito uma disciplina apenas voltada a essa
discussão, a Filosofia do Direito.

Dto e Moral são instrumentos de controle social que se complementam e influenciam. O


Dto é fortemente influenciado pela moral, de quem recebe valiosa substancia.

O Dto é diferente da moral porque se contenta com a legalidade, enquanto a moral exige
não somente o comportamento externo, mas uma moralidade, isto é, um agir derivado da
obrigação. O que há é uma diversidade de motivos.
O mundo do Direito – Mundo da Cultura

Enquanto as leis naturais são universais, imutáveis, invioláveis e se manifestam com o


caráter de absoluta isonomia, as leis jurídicas revestem-se de outros predicados:
a O Direito Positivo não é universal, pois varia no tempo e no espaço, a fim de
expressar a experiência de um povo, manifesta em seus costumes, cultura e
desenvolvimento em geral

b O Direito não é imutável, pois é um processo de adaptação social. À medida que se


operam mudanças sociais, o Direito deve apresentar-se sob novas formas e
conteúdos.

c Apesar de o Direito ser obrigatório e possuir coercibilidade, não dispõe de meios


para impedir a violação de seus preceitos. Os mecanismos sociais de segurança por
mais aperfeiçoados que sejam, revelam-se impotentes para impedir as diversas
praticas de ilícito.
d
No Direito, o princípio da isonomia, segundo o qual todos são iguais perante a lei,
não possui a eficácia absoluta que existe no mundo da natureza. Se, do ponto de vista
teórico, a isonomia da lei é princípio de validade absoluta, no campo das aplicações
e práticas o absoluto se transforma em relativo, por força de múltiplos fatores de
distorçôes.

Enquanto as leis da natureza são regidas pelo princípio da causalidade, o Direito é


f regido pelo princípio da finalidade, segundo o qual a idéia de fim a ser alcancado é
responsável pelo fenômeno jurídico.

A ordem natural das coisas é obra do Criador, enquanto o Direito Positivo é obra
humana.

Os objetos naturais são neutros em relação aos valores, enquanto que o Direito é um
processo que visa a realizaçâo dos valores.