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Resumo do texto “O que é dialética”

Konder, Leandro. O que é dialética. São Paulo: Brasiliense, 2008. (Coleção Primeiros Passos: 23). 6ª reimpr. da 28. ed. de 1981.

Dialética era para os gregos antigos a arte do diálogo, depois passou a ser a arte de dialogar usando argumentos para definir com clareza a discussão. No entanto, a filosofia estava sendo questionada sobre a sua função, então Sócrates desafiou dois generais a definirem o que era bravura e um político a definir o que era política. Queria Sócrates mostrar a eles através da dialética a essência do trabalho que exerciam, mas historicamente a dialética foi reprimida e lançada em posições secundárias, exercendo influência limitada. Teve que se conciliar com a metafísica para manter espaço nas ideias de importantes filósofos, mas é a Aristóteles que se deve boa parte da sobrevivência da dialética.

Na idade média a dialética caiu no obscurantismo; as pessoas nasciam e morriam na mesma classe social, as regras e leis eram monopolizadas pela Igreja e os clérigos levavam uma vida parada de reclusão, sendo a teologia o pensamento dominante; mesmo assim, alguns filósofos como o árabe Averróes e o francês Abelardo procuraram, por caminhos muito diferentes, defender o espaço da filosofia sem desafiar a teologia.

A Partir do século XVI, na era do Renascimento, houve uma grande mudança na humanidade em termos filosóficos e o homem se descobriu muito mais livre do que imaginava. O movimento renascentista fez com que o debate e a reflexão se tornassem um tema fundamental. Alguns nomes como Pico de Ia Mirandola (1463- 1494), Giordano Bruno (1548-1600), Pascal (1623-1654) e Giambattista Vico (1680- 1744) ajudaram a dialética a se fortalecer.

No século XVIII, os filósofos do movimento chamado Iluminismo observaram as mudanças que estavam ocorrendo nas diferentes camadas da sociedade e defendiam que o novo mundo que estava surgindo fosse um mundo racional. Os filósofos iluministas não trouxeram grande contribuição para o avanço da dialética porque não refletiam profundamente nas contradições internas que as transformações sociais das quais eram testemunhas e apoiadores. Houve uma exceção: o filósofo Denis Diderot (1713-1784), autor de uma obra rica em observações de grande interesse para a concepção dialética do mundo onde diz:

"Sou como sou" - escreveu ele - "porque foi preciso que eu me tornasse assim. Se mudarem o todo, necessariamente eu também serei modificado." E acrescentou: "O todo está sempre mudando". Na segunda metade do século XVIII a maior contribuição para a dialética foi dada por Jean-Jacques Rousseau.

Houve entre o final do século XVIII e início do século XIX uma mudança nos conflitos políticos, que já não eram exclusividade de uma elite e podiam ser vistos nas ruas. Isso teve uma contribuição direta das lutas que precederam e desencadearam a Revolução Francesa, que mobilizou as massas e fez o homem comum refletir sobre a realidade política que o cercava.

Ainda no século XIX, Hegel aparece com o conceito de superação dialética, que era a negação de uma realidade, a conservação da essência dessa realidade negada e a sua elevação a um nível superior, afirmava ainda que o trabalho é a mola que impulsiona o desenvolvimento. Karl Marx acabou superando Hegel dialeticamente através de sua concepção de alienação, no qual o homem em vez de realizar-se no trabalho acaba se alienando nele e se sente ameaçado pelas suas próprias criações, em vez de libertar-se acaba se enrolando cada vez mais em opressões. O conhecimento, segundo Marx, é totalizante, ou seja, toda ação humana é interligada com outra e ambas fazem parte de um todo, e para que haja uma modificação na realidade é necessário que haja um acumulo de mudanças nas partes que compõem esse todo. Entre outras contribuições de Marx para a dialética estão os princípios da contradição e mediação e a fluidificação dos conceitos. Friedrich Engels deu continuidade à obra de Marx. Engels se baseou nas obras de Hegel e elaborou as três leis da dialética que foram muito bem aceitas pelos operários da época. Após a morte de Engels a dialética seguiu, mas muitos filósofos que se consideravam dialéticos não a compreendia em sua totalidade, consequentemente houve uma grande deformação na concepção dialética. Quem conseguiu valorizar novamente a dialética foi Rosa Luxemburgo e Vladimir Lenin.

No final do livro o autor expõe que uma das características essenciais da dialética é o espírito crítico e autocrítico, dizendo que os dialéticos devem estar sempre dispostos a rever as interpretações em que se baseiam para atuar. A dialética, de acordo com o filósofo brasileiro Gerd Bornheim, “é fundamentalmente contestadora". Ninguém conseguirá jamais domesticá-la.