CAPACIDADES DE GESTÃO PARA ESCRAVIZAÇÃO

:
UM ESTUDO SOBRE PRÁTICAS INSUSTENTÁVEIS

André Ofenhejm Mascarenhas
1
; Rodrigo Martins Baptista
2
; Lucas Lossacco
3

1
Centro Universitário da FEI; amascarenhas@fei.edu.br
2
Centro Universitário da FEI; rodrigo2w2@hotmail.com
3
Centro Universitário da FEI; lucaslossacco@gmail.com
Resumo: Nas relações de mercado entre organizações
globais e seus fornecedores, o trabalho escravo
contemporâneo abrange práticas de gestão de pessoas
que ferem os direitos humanos e a dignidade dos
trabalhadores, como o cerceamento da liberdade, as
condições degradantes de trabalho e a jornada exaustiva.
Busca-se avançar a compreensão do fenômeno da
escravidão contemporânea pelo ângulo da gestão
(in)sustentável de pessoas.
1. I ntrodução
A escravidão contemporânea é um dos problemas de
extensão global, manifestando-se como exploração
sexual e/ou econômica. Apesar de a definição de
escravidão nos acordos internacionais trazer confusão e
ambiguidade, Bales e Robbins (2001) propõem três
elementos centrais à definição: o controle de um
indivíduo sobre outro, apropriação de força de trabalho
e a imposição destas condições pela violência ou
ameaça.
Formas contemporâneas de trabalho escravo incluem
o trabalho forçado, a escravidão por posse, por dívida e
o contrato de escravidão (BALES, TRODD E
WILLIAMSON, 2009). No Brasil, este crime se
concentra em regiões rurais, especialmente em áreas de
expansão agropecuária da Amazônia e do Cerrado.
Porém, existem muitos casos nos centros urbanos de
diversos estados e setores da economia, em cadeias
como a construção civil e têxtil, entre outras.

2. Metodologia
Propõe uma descrição exploratória sobre práticas e
capacidades organizacionais das empresas que cometem
o crime do trabalho escravo dentro de cadeias
produtivas no Brasil. Busca-se dar sustentação empírica
à teoria de Crane (2013) e contempla a investigação das
capacidades no micro contexto de gestão necessárias a
empresa prosperar nas condições de exploração do
trabalho escravo, a partir de fontes primárias e
secundárias.
3. Resultados
A pesquisa dá sustentação às 2 hipóteses de Crane
(2013), sobre a incidência da escravidão
contemporânea, que se concentra em setores com mão-
de-obra intensiva e não especializada, capturam pouco
valor na cadeia produtiva e enfrentam problemas de
legitimidade, como o extrativismo e a agropecuária nos
casos das fazendas que grilam, desmatam e queimam a
floresta para utilizar a área para a produção pecuária.
Para MTE (2011), os resultados publicados por meio de
relatórios da OIT, evidenciam que a integração público-
privado (Compromisso Nacional para Aperfeiçoar as
Condições de Trabalho na Cana-de-açúcar) pode gerar
um processo de integração e articulação entre empresas,
Governo e trabalhador. Neste sentido, promove-se
práticas de gestão sustentável de pessoas dentro das
cadeias produtivas de empresas brasileiras por meio de
monitoramento da cadeia.
4. Conclusões
A escravidão é a forma mais precária de trabalho. A
problemática e o ambiente político em torno do trabalho
escravo contemporâneo trazem à tona aspectos nefastos
da globalização da produção e do consumo, entretanto o
problema tem recebido pouca atenção entre
pesquisadores de gestão (BALES, 2004, CRANE,
2013). A contribuição desta pesquisa ao campo da
administração apresenta as ações de organizações em
torno do trabalho escravo moderno como capacidades
organizacionais que protegem e sustentam a prática
entre escravistas, trabalhadores e atores reguladores.
O resultado da análise indica que cada uma das
proposições ocorre entre organizações com forte
representatividade econômica dentro de suas cadeias
produtivas, uma vez que capacidades de articulações em
ambientes institucionais podem ser mais efetivas.

5. Referências
[1] BALES, K., TRODD, Z., WILLIAMSON, A., K..
Modern slavery: the secret world of 27 million
people. England: Modern Slavery, 2009.
[2] BALES, K.; ROBBINS, P.T. No One Shall Be Held
in Slavery or Servitude: A critical analysis of
international slavery conventions. Human Rights
Review, 2(2), pp. 18–45, 2001.
[3] CRANE, A. Modern slavery as a management
practice: exploring the conditions and capabilities
for human exploitation. Academy of Management
Review, 38:1, p. 49 – 69, 2013.
[4] MTE. Ministério do Trabalho e Emprego.
Erradicação do Trabalho Escravo é discutida em
seminário, em Brasília. 'IV Seminário Internacional
do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho
Escravo', Brasilia, maio 2011.

Agradecimentos
Agradeço ao CNPq e o Centro Universitário da FEI
pela oportunidade. Aos meus orientadores Prof
o
Dr
o

André Ofenhejm Mascarenhas e Prof
o
Dr
o
Rodrigo
Martins Baptista por guiar todo o caminho de pesquisa e
contribuírem para o projeto.

Lucas Silva Lossacco aluno de IC do Centro
Universitário da FEI (CNPQ).

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