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Fuga da Cristandade

Alegoria de Robert E. Brunell

A Viagem

No meu sonho vejo a figura solitária de um homem seguindo por uma


estrada. À medida que o sol se põe sob as colinas, uma cidade surge à vista.
Aproximando-se dela, o viajante vê o que parece ser um grupo de igrejas. Torres
e cruzes rasgam o horizonte. Seu passo se acelera. É esse o seu destino? Ele
passa por uma estrutura imponente, com um anúncio em neon indicando a
“Catedral do Futuro”. Mais ao longe, em um estádio brilhantemente iluminado, um
painel se gaba por causa da multidão de cinqüenta mil pessoas presentes nas
reuniões evangelísticas, três noites por semana. Além disso, capelas modestas
do “Novo Testamento” e sinagogas judias cristãs se juntam na rua.
- “Esta é a Cidade de Deus?”, ouço o viajante perguntar a uma mulher no
guichê de informação na praça central.
- “Não, esta é a Cidade Cristã”, ela responde.
- “Mas eu pensei que essa estrada levasse à Cidade de Deus!”, ele
exclama com grande desapontamento.
- “Foi o que nós pensamos quando chegamos”, ela responde, com tom
simpático
- “Esta estrada continua até uma montanha, não é?, ele pergunta.
- “Eu realmente não saberia dizer”
Observo o homem se afastar dela e subir com dificuldade a montanha, na
escuridão que se acumula. Alcançando o topo, ele contempla a escuridão. Parece
não existir nada além, absolutamente nada. Com tremor, ele segue a pegada dos
seus passos de volta à Cidade Cristã e pega um quarto em um hotel.
Estranhamente não revigorado, no alvorecer ele se levanta e segue
novamente a estrada da montanha. Com a luz brilhante do sol ele descobre que
aquilo que pareceu um vácuo na noite anterior era na realidade um deserto –
seco, quente, com areia em movimento até onde a vista consegue alcançar. A
estrada se estreita num caminho que sobe acima de uma duna e desaparece.
“Será que essa trilha pode me levar até a Cidade de Deus?”. Ele se pergunta em
voz alta. Parece bastante deserta e raramente percorrida por viajantes.
Com a indecisão refreando seus passos, ele volta novamente para a
Cidade Cristã e almoça num restaurante cristão. Com uma música gospel ao
fundo, ouço-o perguntar a um homem na mesa vizinha: “O caminho lá para a
montanha, onde começa o deserto, leva para a Cidade de Deus?”

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“Não seja tolo!”, responde rapidamente seu vizinho. “Todos que já tomaram
aquele caminho se perderam... engolidos pelo deserto! Se você quiser Deus,
existem inúmeras igrejas nesta cidade. Você deve escolher uma e ficar”.
Depois de deixar o restaurante, parecendo estranho e confuso, o viajante
encontra um lugar embaixo de uma árvore e se senta. Um ancião se aproxima e
começa a implorar-lhe com tom urgente: “Se você ficar na Cidade Cristã, vai se
enfraquecer. Você precisa tomar aquele caminho. Eu pertenço ao deserto que
você viu antes. Fui enviado aqui para encorajá-lo a continuar. Você viajará por
muitos quilômetros. Ficará com calor e terá sede. Mas os anjos andarão com
você, e haverá fontes de água ao longo do caminho. E no final da sua jornada
você alcançará a Cidade de Deus! E você nunca viu tamanha beleza! Quando
chegar, os portões se abrirão para você, porque você é esperado”.
“O que você diz soa maravilhoso”, responde o viajante. “Mas tenho medo
de que eu não sobreviva naquele deserto. Provavelmente estou melhor aqui na
Cidade Cristã”.
O ancião sorri. “A Cidade Cristã é o lugar para aqueles que querem
religião, mas não querem perder suas vidas. O deserto é o território daqueles
cujos corações são tão sedentos por Deus que querem se perder nEle. Meu
amigo, quando Pedro trouxe seu barco para a terra, deixou tudo e seguiu a Jesus,
ele estava sendo engolido pelo deserto. Quando Mateus deixou de coletar
impostos e Paulo deixou seu farisaísmo, eles também estavam deixando uma
cidade muito parecida com esta, para alcançar Jesus sobre as dunas e se perder
em Deus. Então não tema. Muitos foram antes de você”.
Então eu vejo o viajante olhar para a movimentação da Cidade Cristã e se
afastar dos olhos ardentes do velho. Ele vê pessoas atarefadas correndo para lá e
para cá com suas bíblias de capas brilhantes, com a aparência de homens e
mulheres que conhecem seu destino. Mas está claro que falta alguma coisa, que
o ancião com olhos de profeta possui.
No meu sonho, imagino o viajante com as coisas se revirando na sua
mente. “Se eu sair, como posso ter certeza de que realmente vou me perder em
Deus? Na Idade Média, os cristãos tentaram se perder em Deus colocando o
mundo atrás deles e entrando num monastério. E como muitos deles se
desapontaram ao descobrir que o mundo ainda estava lá! E as pessoas aqui na
Cidade Cristã que estão se preparando para ir a alguma floresta ou favela
negligenciada, tal vez elas esteja se aproximando do que significa se perder em
Deus. Mas uma pessoa pode viajar aos confins da terra e não se perder”.
O viajante vira-se novamente para ver o ancião subindo a estrada até o
caminho estreito no limite do deserto. Subitamente, sua decisão o mobiliza e ele
salta atrás dele. Quando o alcança, eles não trocam palavras. O ancião dá uma
volta abrupta para a direita e o guia para cima até uma outra elevação que se
torna escarpada, porque se levanta na direção de um pico envolto numa nuvem
luminosa. A subida é muito difícil. O viajante parece ter tontura e começa a
cambalear. Seu guia faz uma pausa e oferece-lhe uma bebida de um frasco
dependurado nos seus ombros. Ofegante, ele toma grandes goles. “Nenhuma
água tem um sabor mais doce que esta”, ele diz com sentimento real. “Obrigado”.
“Agora olhe para lá”. O ancião mostra uma paisagem além deles, nem
perto de ser tão monótona e desoladora quanto tinha parecido anteriormente. O

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deserto abaixo toma muitas cores e matizes. Ao longe uma luz brilhante, está
pulsando e se mexendo na superfície do horizonte como uma coisa viva. “Lá está
a Cidade de Deus! Mas antes de você alcançá-la, terá que passar por quatro
desertos que você vê. Diretamente abaixo de nós está o Deserto do Perdão”. O
viajante observa umas figuras pequenas, difusas, abrindo caminho lentamente na
direção da cidade, separadas umas das outras por muitos quilômetros.
“Como elas sobrevivem à solidão?”, pergunta o viajante. “Não se
beneficiariam viajando juntas?”
“Bem, elas não estão realmente sozinhas, Cada uma delas está
acompanhada pelo perdão de Deus. Estão sendo engolidas pelo deserto da vasta
misericórdia do Senhor Deus. O Espírito Santo está lhes dizendo enquanto elas
viajam: ‘Eis o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo!’ Elas são curadas
enquanto viajam”.
Bem além dali há um espaço azul. “É o mar?”, pergunta o viajante.
“Parece água, mas é um mar de areia. É o deserto da Adoração. Aqui, olhe
através destes óculos e você verá que aquelas pessoas estão andando lá,
também. Estão tendo o seu primeiro gosto pela alegria da Cidade – a adoração.
Estão descobrindo como elas foram feitas para adorar a Deus. Está se tornando a
vida delas, a fonte incandescente de tudo o que elas fazem”.
“Mas as pessoas também não adoram lá na Cidade Cristã? O que existe
de tão especial naquele deserto?”
“A adoração, isto é, a verdadeira adoração, pode começar apenas quando
uma vida se entregou definitivamente ao deserto da presença de Deus. Lá o
coração começa a adorar ao Pai em espírito e em verdade”.
Olhando além da vastidão azul para onde o deserto se eleva em
montanhas vermelhas e ardentes, o ancião explica ao viajante que entre aquelas
montanhas avermelhadas está o Deserto da Oração.
“Passando por aquele deserto, os viajantes descobrem que é necessário
afastar-se de toda a distração e se concentrar na oração. Eles aprendem
rapidamente que não existe caminho possível de sobrevivência a não ser
clamando a Deus continuamente. Quando atingem os limites externos daquele
deserto, a oração é a sua paixão consumidora e sua alegria suprema. Parece à
primeira vista que a Cidade de Deus está um pouco além do Deserto da Oração.
Porém, existe mais um deserto escondido naquelas montanhas, por onde você
passará antes de alcançar o seu destino. É chamado simplesmente de Colheita.
Você saberá quando o alcançar. E além da Colheita está a própria cidade. Seu
nome é conhecido lá. Sua chegada está sendo aguardada com expectativa.
Venha, vamos começar a nossa jornada”.
“A chegada da noite não parece um momento particularmente propício para
se começar uma viagem como esta”, diz ele.
“Não volte para a Cidade Cristã”, exorta o ancião, olhando para ele com
seriedade.
“Nem a essa hora? Desse jeito eu poderia ter uma boa noite de sono e a
primeira coisa da manhã será começar”, o viajante acrescenta, esperançoso.

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“Mas o seu descanso está lá, ele insta. “Caminhe agora para o deserto. O
Espírito Santo o ajudará. Não tema se perder em Deus. Você não encontrará a
sua vida em nenhum outro lugar”.

O Deserto do Perdão

O ancião deixa o viajante em pé sozinho à beira do deserto quando vem a


escuridão. As luzes da Cidade Cristã acenam atrás dele. Eu posso imaginá-lo
pensando no calor de uma conversação amiga, em uma refeição, e em dormir
numa cama confortável. Mas, então, sua expressão se torna decidida e ele
sussurra: “Esta é sem dúvida a estrada que eu tenho que tomar. Encontrarei
minha vida apenas ao perdê-la. Esta é uma certeza. Mas como posso SABER
que, se eu tomar esse caminho do deserto, eu me perderei com certeza em Deus
e não ficarei perdido simplesmente? Posso me lembrar de muitas pessoas que
adotaram uma caminhada solitária que não apenas não as levou à Cidade de
Deus, mas também para pensamentos irreais e experiências espúrias até que
suas mentes e vidas foram destruídas. Certamente o perigo de se fixar em
alguma coisa menor do que a vida, na Cidade Cristã, tem que ser pesado contra a
possibilidade de perdê-la em um deserto de engano espiritual. Estou certo de que
a escuridão logo além contem não apenas o caminho para a Cidade de Deus,
mas também incontáveis armadilhas para o inferno, onde a pessoa pode se
perder em vaidade solitária. Como posso ter certeza de distinguir o caminho
verdadeiro?”
O que eu pensei no começo dos meus sonhos que fosse uma estrela no
horizonte agora tem a forma de uma cruz diretamente sobre o caminho em frente
do viajante. Ele olha para cima e repara nela, seu rosto demonstrando
reconhecimento. Ele sussurra calmamente: “Perdão”. E com profunda reverência
cita: “Assim Jesus também sofreu fora da porta a fim de santificar as pessoas
através do seu próprio sangue. Por isso, vamos em frente na direção dele fora do
campo e suportemos o abuso que Ele suportou. Porque aqui não temos uma
cidade duradoura, mas buscamos a cidade que está para vir...’Sim eu irei!”, diz o
viajante exultando, dando seus primeiros passos para entrar no deserto.
No amanhecer, ele não vê nada além de areia, céu e um caminho distinto
de todos os outros pela cruz que paira onde a trilha encontra o horizonte. À
medida que o dia passa, é obvio que o viajante está cansado, sedento, exausto
com o calor. Bem quando parece que ele não consegue dar mais um outro passo,
uma estranha aparece ao seu lado.
“Na próxima colina você encontrará uma fonte! Ela diz. “Continue, você
está quase lá”, ela o encoraja.
Ele logo está deitado perto da fonte, bebendo água e comendo o que a
estranha ajudadora fornece.
“Este é o Deserto do Perdão”, ela explica ao viajante. “As pessoas
freqüentemente esperam que o perdão de Deus seja como um lindo parque com
fontes, rios e grama verde. Elas não conseguem entender porque deveria ser um
deserto. Contudo, tem-se que aprender que o perdão de Deus é tudo – tudo! E
isso só é possível em um deserto, aonde um cristão vem para não ver nada,

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apreciar nada, esperar em nada, a não ser na cruz de Jesus”. Ela cita várias
passagens de Gálatas ao viajante:
Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso
Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para
mim, e eu, para o mundo. Pois nem a circuncisão é coisa
alguma, nem a incircuncisão, mas o ser nova criatura. E, a
todos quantos andarem de conformidade com esta regra, paz
e misericórdia sejam sobre eles e sobre o Israel de Deus...
Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive,
mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na
carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si
mesmo se entregou por mim. Não anulo a graça de Deus;
pois, se a justiça é mediante a lei, segue-se que morreu Cristo
em vão.

“Você acha que o apóstolo Paulo viajou por esse deserto?”, pergunta o
viajante.
“Sim, ele viajou. Durante anos, Paulo trabalhou muito na Cidade da
Religião, para ser um homem religioso. Mesmo assim ele não encontrou paz no
seu espírito. Então Paulo encontrou Jesus. E desde o princípio, Jesus quis dizer
uma coisa para Paulo: perdão. Foi tomado por ele. O perdão da cruz foi o tema da
sua vida a partir de então. Mas a primeira experiência de Paulo quanto ao reino
de Deus como uma realidade na sua vida foi bem neste deserto”.
“Então estou andando por onde os apóstolos andaram!”. A voz do viajante
está cheia de espanto.
“Lembra quando Paulo lançou a rede sob o comando de Jesus e a trouxe
cheia de peixes? Sua resposta imediata foi: ‘Deixa-me, Senhor, sou pecador!’
Jesus Respondeu: ‘Não tenhas medo, de agora em diante tu estarás pescando
homens’. Implícito na resposta de Jesus estava: ‘Eu cuido do teu pecado’. E
quando eles trouxeram seus barcos para a terra, deixaram tudo e seguiram a
Jesus – seguiram – nO neste Deserto do Perdão em busca da cruz. Depois que
Jesus morreu por causa dos pecados de Pedro, ressuscitou para sua justificação
e estava a ponto de encher Pedro com o Espírito Santo, Ele disse a esse homem
que o negara três vezes: ‘Simão, filho de João, tu me amas?... Apascenta as
minhas ovelhas’. E com essa pergunta e o comando repetidos três vezes, a vida
de Pedro foi curada com o perdão do seu Senhor”.
“Durante anos”, o viajante lhe conta, “tenho tentado ultrapassar o perdão
teórico, doutrinário, que é muito provavelmente ensinado na Cidade Cristã, para
conhecer o próprio perdão. Tenho ansiado por ser imerso, batizado, PERDIDO
nele. Tenho desejado ouvir Jesus me dizer pessoalmente: ‘Anima-te, irmão, teus
pecados estão perdoados’. Tenho desejado que o sangue da cruz flua no meu
coração e o purifique”.
“Você veio para o lugar certo. Antes de alcançar o outro lado do Deserto,
você experimentará o alívio de ter afastado aquele fardo de culpa que, de fato,
pesa sobre você como uma pedra. Começará a andar diante de Deus sem se
envergonhar. Assim como você ficou obcecado pela necessidade de se edificar,
logo ficará obcecado com o perdão de Deus”.
“Obcecado com o perdão de Deus?”

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“Você ficará tão obcecado com a misericórdia de Deus que estará livre,
pela primeira vez na vida, das opiniões de outras pessoas”.
“Ah! Não eu”. Sua resposta é imediata.
“A mulher que lavou os pés de Jesus com suas lágrimas estava obcecada
com o Seu perdão a ponto de não mais prestar atenção nas chacotas e opiniões
dos outros. Ou o leproso curado – ele alegremente caiu aos pés de Jesus dando
graças por algo mais do que a cura do seu corpo. Ele tinha recebido a cura
interna de perdão. Quando Zaqueu subiu na árvore para ver Jesus, ele estava
observando seu próprio perdão andando na direção dele na estrada. Tão
obcecado ele ficou com o perdão que visitou a sua vida naquele dia, que as
cadeias da cobiça se quebraram no seu coração. Você veio para um lugar onde
vai acontecer com você”.
O Viajante retoma sua jornada, com sua misteriosa companheira
silenciosamente lado a lado por uma hora ou duas e, então subitamente,
desaparecendo.
“Que alegria eu sinto!”, exclamou o viajante em voz alta. “Deve ser o que
os discípulos sentiram quando voltaram para Jerusalém depois da ascensão de
Jesus”.
Na luz em forma de cruz, o viajante viu a figura de uma outra mulher se
levantando no topo da próxima duna e descendo vagarosamente na sua direção.
Ele parece reconhecê-la. Da sua expressão deduzo que essa pessoa o havia
ofendido. Os olhos dela estão fixos no viajante à medida que ela se aproxima
dele.
“Você me perdoa?”, ela pergunta.
O viajante pára. A mulher se aproxima, perguntando uma segunda vez:
“Você me perdoa?” Estão face a face quando ela pergunta pela terceira vez:
“Você me perdoa?” A misteriosa companheira do viajante está novamente ao lado
dele, instruindo-o calmamente. “Este Deserto do Perdão não é só um lugar para
receber perdão, mas também para dá-lo. Esta mulher é apenas a primeira de uma
fila de pessoas do seu passado a quem você nunca perdoou realmente. O
domínio próprio sobrenatural que tem inundado o seu ser o dia inteiro está sendo
desafiado pela amargura enterrada na sua alma durante todos esses anos. Você
tem que fazer uma escolha. O perdão estéril, superficial, só de boca, da sua vida
passada, é incapaz até de deixá-lo ser gentil com esta mulher. Mas o perdão de
Deus que flui a ponto de se tornar uma obsessão pode fluir agora se você
permitir”.
O viajante estende a mão, toma a mulher pela mão, olha nos seus olhos
e responde: “Claro que eu a perdôo!”
Ela chora. E logo que ela forma as palavras: “Obrigada”, ela se vai.
Então o homem que chamara o viajante de tolo no restaurante da
Cidade Cristã vem correndo ofegante na sua direção. Enxugando o rosto com
seu lenço, o homem atormentado começa a pedir perdão.
“Claro, claro”, responde o viajante com sinceridade. “Não é nada. Nem
pense mais nisso”.

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“Por favor, não desconsidere esse assunto. Eu PRECISO do seu
perdão. Você REALMENTE me perdoa, do fundo do seu coração?”
“Mas já perdoei”, devolve o viajante.
Sua companheira lhe esclarece a situação: “Ele precisa do seu
PERDÃO. Não perdão de cortesia, mas um perdão ativo, genuíno. Ele precisa
do seu AMOR”.
“Meu amigo, você está perdoado”, o viajante lhe diz com sinceridade e
respeito na voz.
Com alívio visível, o homem suspira: “Obrigado!”, e desaparece no ar do
deserto. Sua companheira lhe recorda os versículos de Mateus 18:
Então Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até
quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe
perdoe? Até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo
que até sete vezes, mas até setenta vezes sete.

O Deserto da Adoração

“Água! Quem diria que no meio do deserto haveria um mar!”, está


exclamando o viajante para si mesmo, quando o vejo em seguida no meu sonho.
Do alto de uma duna gigante ele olha para baixo, para um espaço azul que se
alonga no horizonte. “Mas não, não é água”, ele se lembra. “O ancião na
montanha mostrou isto como o começo de um novo deserto”. À medida que ele
descia a colina, o estranho mar de areia não é tão plano como parecia de cima.
Há ondas de azul se estendendo na distância como um oceano congelado.
“Talvez haja uma relação entre este e ‘o mar de vidro’ diante do trono de Deus.
Talvez as ondas se aplainem quando eu me aproximar da Cidade de Deus”.
Subitamente, uma pessoa de beleza não terrena está em pé a poucos
metros do viajante. “Saudações!, diz o ser. “É um caminho comprido para
atravessar. Muitos perecem tentando fazê-lo a pé. Eu lhe ofereço um caminho
melhor”.
“Um caminho melhor?”, pergunta o viajante.
“Sim, eu tenho o poder de cruzar este deserto em um segundo. E se
você me permitir, posso levar você comigo. Posso levá-lo diretamente a salvo
para o outro lado”.
“O que eu tenho que fazer?”
“Tudo que eu exijo é um ato simbólico. Se você simplesmente se
ajoelhar para me prestar homenagem, eu o levantarei e o farei atravessar este
deserto com a velocidade da luz”.
“Mas isso seria adorar você, não seria?”
“Por que você acha isso estranho? As pessoas fazem isso todos os dias.
Você mesmo fez isso antes de vir a este deserto. Os cidadãos freqüentemente
me adoram na Cidade Cristã. Alguns lá adoram dinheiro – servem a ele como

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escravos. Os olhos deles se acendem só de pensar nele. Mas o amor ao
dinheiro é só um símbolo da minha realidade”.
“Você não está me alcançando com esse papo de dinheiro. Ele nunca
foi um problema na MINHA vida”, revida o viajante.
“Que tal o romance? O que pode ser mais lindo ou inocente do que estar
amando? Mas quando o estado de ter um amor começa a ser um alvo e
domina a mente, existe idolatria envolvida. E é verdadeiramente ‘seu problema’
andar atrás daquele ídolo”, ele diz triunfante. “Porém a adoração mais
satisfatória que eu recebo pessoalmente vem de homens e mulheres que estão
buscando sucesso religioso”.
“Bem”, o viajante encurta o papo, “se eu tiver que adorar você em troca
de uma viagem rápida através deste deserto, eu vou caminhar com alegria,
mesmo que leve uma eternidade!”
Diante disso, a criatura feiticeira desaparece em derrota.
Eu logo ouço o viajante raciocinando novamente: “Na Cidade Cristã, é
possível passar por todos os movimentos de fé em Deus apenas de modo
superficial, enquanto a adoração real, a coisa que deixa a mente obcecada dia
e noite, é idolatria. Agora que eu saí de lá, somente posso sobreviver se eu
estiver perdido na adoração a Deus. Disse em Isaías 43:
Eis que faço coisa nova, que está saindo à luz; porventura,
não o percebeis? Eis que porei um caminho no deserto e rios
no ermo. Os animais do campo me glorificarão, os chacais e
os filhotes de avestruzes; porque porei águas no deserto e
rios, no ermo, para dar de beber ao meu povo, ao meu
escolhido, ao povo que formei para mim, para celebrar o meu
louvor.

Talvez tal adoração possa ser formada somente neste deserto, com sua
secura e calor esmagador, luz abrasadora e silêncio misterioso.
Essas reflexões são interrompidas por um crescendo de uma música
indescritível, um cântico de beleza não terrena. As vozes parecem estar em
todos os lugares. Contudo, ninguém é visível. Do topo de uma onda azul, o
viajante avista sete pessoas em pé em um vale com suas mãos levantadas
para o céu, dando louvores a Deus. Mas o cântico tem plenitude como uma
canção de milhões de vozes! Então o viajante abre sua boca e dela sai
apressadamente uma torrente de louvor a Deus. Em meio a essa música, sua
companheira misteriosa retorna. Cheio de alegria, o viajante lhe diz: “Você nota
como os sete adoradores estão realmente circuncidados de uma multidão de
seres magníficos cujas vozes misturam com as deles? Eu sinto que aqui no
deserto, em mistério, já entrei na periferia da Cidade de Deus”.
Sua companheira responde com uma passagem de Hebreus:
Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a
Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à
universal assembléia e igreja dos primogênitos arrolados nos
céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos
aperfeiçoados, e a Jesus, o Mediador da nova aliança, e ao
sangue da aspersão que fala coisas superiores ao que fala o
próprio Abel. Por isso, recebendo nós um reino inabalável,

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retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo
agradável, com reverência e santo temor;porque o nosso
Deus é fogo consumidor.

Depois de algum tempo, a música cessa. Tudo fica em silêncio. Não se


avista ninguém além dos sete adoradores, que desejam ao viajante a paz de
Deus e marcham sobre a duna, deixando-o só com sua companheira. Ela o
conduz a uma corrente de água e serve-lhe mais outra refeição
“Então este é o Deserto da Adoração!”, exclama o viajante, ainda
maravilhado com sua experiência.
“Sim, aqui os cristãos aprendem a adorar a Deus Pai em espírito e
verdade. Você pode chamar de átrio exterior da Cidade de Deus, pois como
você viu, os habitantes daquela cidade estão todos ao redor de você. Lá atrás
nos Deserto do Perdão, você começou a experimentar o poder do sangue de
Jesus limpar o seu coração interiormente. Aqui no Deserto da Adoração você
recebe o Seu Espírito Santo. Deus o batiza com poder do alto a fim de que
você O adore com uma adoração que, nos desertos seguintes, tomará a forma
de atos. Joel 2 nos diz:
E acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre
toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão,
vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões; até
sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito
naqueles dias.

“Nunca experimentei uma adoração semelhante a essa. Mas ela vai


durar?”, pergunta o viajante. “Eu vou ser capaz de adorar ao Deus vivo com
tanta graça nos desertos seguintes?”
“Estão ocorrendo em você transformações que, se você deixar, durarão
para sempre. Seu coração está sendo aberto pelo Espírito derramado. Sua
boca está sendo aberta para falar conforme Deus lhe concede: ‘Vossos filhos e
vossas filhas profetizarão’. Você está recebendo olhos para ver a Deus.
“Mas essas mesmas coisas não acontecem lá na Cidade Cristã?
Disseram-me que essa espécie de coisa acontece na Igreja Apostólica do
Futuro todo domingo à noite”.
“A diferença, irmão, é que aqui você não prova simplesmente a
adoração ou fica interessado na adoração. Aqui no deserto você está perdido
na adoração a Deus de tal forma que todo o seu louvor e ações de graças vão
para Ele. Tudo o que você fizer é feito para Ele”.
“Mas não existe o perigo do fanatismo?”
“Os fanáticos adoram princípios, idéias, personalidades humanas e até
demônios, mas nunca a Deus. A adoração consumidora a Deus é a porta de
entrada, não para o fanatismo, mas para a liberdade como você nunca
conheceu. Quando você se perde na adoração a Deus, não adora mais coisas
tais como o dinheiro, o sexo ou o sucesso. Você encontrou o único objeto
verdadeiro de adoração, e quando você O adora, fica realizado”.
Com estas palavras, sua companheira parte. Mais uma vez, o viajante
está só em um mar de areia azul, perdido na adoração a Deus.

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O Deserto da Oração

Agora o mar de areia chega a um fim abrupto no sopé de uma cadeia de


montanhas brilhantes. Não existe vegetação, apenas paredes de pedra seca,
dura e ardente. Ossos espalhados na areia na base de uma barreira rochosa
são um testemunho mudo dos perigos desta terra desoladora. O viajante fixa
seu olhar na estrela em forma de cruz enquanto ele caminha, e recita para si
mesmo:
Entrai pela porta estreita (larga é a porta , e espaçoso, o
caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que
entram por ela), porque estreita é a porta, e apertado, o
caminho que conduz para a vida, e são poucos os que
acertam com ela.

Ouvindo as vozes à distância, o viajante segue o caminho ao pé da


montanha na sua direção. Lá, o caminho abruptamente se transforma em uma
fenda na montanha. Entrando pela abertura, ele ouve quando uma voz ecoa e
ressoa com tamanha intensidade que as palavras não podem ser entendidas.
Movendo-se na profundidade dessa trilha rochosa, o viajante aproxima-se de um
enorme arco de ferro debaixo da qual um homem está se dirigindo a uma
assembléia de homens e mulheres.
“Este é o caminho, creiam em mim”, pede o homem, sendo agora suas
palavras distintas. “Esta porta estreita à minha esquerda está tão enferrujada que
dificilmente se move. Quem no seu juízo perfeito vai querer seguir aquele
caminho escarpado, quando este caminho bem pavimentado, bem preparado
para a viagem está aberto e pronto? Venham por esta porta e vocês estarão fora
do deserto antes do anoitecer. Boa comida e uma cama limpa aguardam vocês do
outro lado. Há reuniões de oração arranjadas nos pontos de descanso a toda hora
ao longo do caminho”.
Sem hesitação, o viajante passa debaixo do arco feito de ferro e prossegue
no caminho. Outros se ajuntam a ele. A rota na qual ele anda agora é suave e
agradável, em contraste com a areia azul que ele acaba de atravessar com
sacrifício. Uma placa repete a informação de que há paradas de descanso a cada
hora, consistindo de uma reunião de oração e um lanche leve.
Na primeira parada, ele conversa com uma recepcionista agradável: “Eu
venho de longe. Por favor, diga-me onde este caminho está nos levando”.
Ela sorri e responde: “Você tem um alojamento lindo e está sendo bem
cuidado. Sua jornada terminará ao anoitecer”.
O viajante caminha, cada vez mais perplexo. Quando a noite começa,
depois de uma jornada com lindo cenário através de pedras e árvores, ele se
encontra no alto de uma colina vendo abaixo uma cidade.
“Bem-vindo!”, exclama um homem em pé, abaixo de um arco de ferro
idêntico ao arco abaixo do qual ele passara antes.
“Obrigado”, responde o viajante. “Mas onde estou?”
“Esta é a Cidade Cristã!”

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Sem mais palavras, o viajante dá meia volta e corre para o caminho de
onde viera. Com a Cidade Cristã fora da vista, ele retarda seu passo, mas não
pára até alcançar o outro arco, o final do caminho falso. Ele clama: “Só tenho um
desejo: encontrar a porta estreita e entrar por ela antes de descansar. Como pude
ser tão cego? Naturalmente que a porta larga levaria à Cidade Cristã, o lugar
onde se pode ter paz – nunca negando-se a si mesmo, nunca assumindo riscos,
nunca sofrendo alguma dor ou perdendo o sono”, ele acrescenta amargamente.
Finalmente, o viajante descobre a porta velha enferrujada. Tão estreita que
ele mal pode se espremer, a porta tinha sido quase que fechada por ervas
daninhas e videiras.
O amanhecer o encontra numa curva do caminho estreito entre pedras
escarlates. Há um sussurro no ar como de vento através das árvores, mas nem
vento nem as árvores se encontram ali. O sussurro fica mais alto e finalmente
pode ser distinguido como um canto de muitas vozes. Agora o viajante vê as
pessoas no caminho em frente. Torna-se parte de um cortejo de pessoas todas se
movendo na direção da Cidade de Deus. Enquanto caminham, cada uma está
conversando seriamente com alguém invisível. Algumas delas estão chorando.
Algumas parecem cheias de vida. Algumas estão mencionando os nomes de
pessoas e pedindo coisas boas para elas. Pedem ajuda aos seus vizinhos da
frente ou detrás, mas sua preocupação principal é com seu ouvinte invisível.
A misteriosa companheira do viajante retorna agora e dirige-se a ele: “Aqui
no Deserto da Oração o contraste com a Cidade Cristã é extremo, você sabe. Lá,
eles têm mesmo reuniões de oração e as pessoas oram antes de ir para a cama.
Quando a vida se torna difícil, sua oração torna-se intensa, até que a crise passe.
Mas no Deserto da Oração, a oração se torna um modo de vida – a fonte da
existência inteira de alguém. Chegou a hora de VOCÊ se perder numa vida de
oração. Medite nestas passagens do Evangelho de Lucas”, ela acrescenta,
passando às mãos dele uma folha de papel em que estava escrito:
E aconteceu que, ao ser todo o povo batizado, também o foi
Jesus; e, estando ele a ORAR, o céu se abriu. E o espírito
Santo desceu sobre ele em forma corpórea como pomba; e
ouviu-se uma voz do céu: Tu és o meu Filho amado, em ti me
comprazo. Lc.3:21-22

Porém o que se dizia a seu respeito cada vez mais se


divulgava, e grandes multidões afluíam para o ouvirem e
serem curadas de suas enfermidades. Ele, porém, se retirava
para lugares solitários e ORAVA. Lc.5:15-16

Naqueles dias,retirou-se para o monte, a fim de ORAR, e


passou a noite ORANDO A DEUS. E, quando amanheceu,
chamou a si os seus discípulos, e escolheu doze dentre eles,
aos quais deu também o nome de apóstolos.... Lc.6:12-13

Cerca de oito dias depois de proferidas estas palavras,


tomando- consigo a Pedro, João e Tiago, subiu ao monte com
o propósito de ORAR. E aconteceu que, enquanto ORAVA, a
aparência do seu rosto se transfigurou e suas vestes
resplandeceram de brancura. Lc.9:28-29

De uma feita, estava Jesus ORANDO em certo lugar; quando


terminou, um dos seus discípulos lhe pediu: Senhor, ensina-

- 11 -
nos a ORAR como também João ensinou aos seus discípulos.
Lc.11:1

E, saindo, foi, como de costume, para o monte das Oliveiras;


e os discípulos o acompanharam. Chegando ao lugar
escolhido, Jesus lhes disse: ORAI, para que não entreis em
tentação. Ele, por sua vez, se afastou, cerca de um tiro de
pedra, e, de joelhos, ORAVA... Lc. 22:39-41

Quando chegaram ao lugar chamado de Calvário, ali o


crucificaram, bem como aos malfeitores, um à direita, outro à
esquerda. Contudo, Jesus dizia: PAI, PERDOA-LHES,
PORQUE NÃO SABEM O QUE FAZEM. Lc.23:33-34

“Uma vida de oração é algo em que nos engajamos sozinhos. Contudo, ela
nos leva à comunhão com Deus e com o homem de uma maneira que nada mais
consegue”, conta-lhe sua companheira, quando ele termina de ler. “A oração está
indo para Deus, para a porta do Pai, e nela você pede pão para que possa dar ao
irmão necessitado. Quando você bate na porta e continua a bater, ele sempre
abre. Sempre. Daquela comunhão com Deus sai algo para compartilhar com os
outros. E quando você compartilha o que Deus lhe dá, tem comunhão com eles.
Uma pessoa terá esta comunhão mesmo que seja tímida ou desajeitada. Porque
esta vida de oração liberta a pessoa do medo das opiniões dos outros e do medo
das suas próprias tolices”.
“Mas precisamos dessas montanhas assustadoras, desses penhascos,
desse perigo contínuo, para aprendermos a orar?”, pergunta o viajante.
“Bem, no passado você clamou a Deus em suas emergências ocasionais.
Aqui você está aprendendo a ver sua vida como uma crise contínua, que o impele
a clamar a Ele dia e noite. Oramos sem cessar, porque a crise na vida terrena
nunca termina”.
“Então é isso! Continuar. Estou ficando tão cansado”.
“É porque suas orações estão se tornando engajadas na Batalha Real. A
oração é o terreno no qual vencemos o mal com o bem. Nestas montanhas você
aprenderá a orar por seus inimigos. A vida de vencer o mal com o bem começa
pedindo que o bem venha para aqueles que nos prejudicaram”.
O caminho estreito leva a um ponto de vigia no qual o viajante e sua
companheira compartilham uma refeição. Depois eles caminham para o lado do
ponto de vigia onde ela aponta para um caminho sinuoso pelas montanhas, que
diminui de tamanho até findar no horizonte.
“Veja, lá começa a Colheita”, diz a companheira do viajante, apontando
para uma paisagem além. “Lembre-se das palavras que Jesus falou:
Não dizeis vós que ainda há quatro meses até a ceifa? Eu,
porém, vos digo: erguei os olhos e vede os campos, pois já
branquearam para a ceifa. O ceifeiro recebe desde já a
recompensa a entesoura o seu fruto para a vida eterna; e ,
dessarte, se alegram tanto o semeador como o ceifeiro. Pois,
no caso, é verdadeiro o ditado: um é o semeador, e o outro é
o ceifeiro. Eu vos enviei para ceifar o que não semeastes;
outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho.

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O viajante olha à distância enquanto sua companheira explica mais: “Na
Cidade Cristã, lembre-se, existe uma rua linda, larga, chamada Boulevard
Missionário, alinhada com edifícios bem conservados e adornados com fontes,
gramas e arbustos atraentes. Aqueles prédios abrigam todos os
empreendimentos missionários do mundo cristão. Há sedes para a área da
literatura, editoras para publicar revistas missionárias e instalações menores que
fornecem um serviço de oração por carta para obreiros menos conhecidos. Há
estúdios que produzem as maratonas mundiais de literatura pela TV, e vídeos
para apelos missionários. Existem instituições que oferecem cursos de
aperfeiçoamento para missionários que estejam em licença e em um serviço de
itinerário computadorizado para os missionários que precisarem ampliar sua base
financeira. Há centros de recrutamento, casas de repouso para missionários
aposentados e até uma gravadora de música que está florescendo. Mas
ultimamente o Boulevard Missionário entrou em pânico por causa de algumas
notícias perturbadoras. Receberam uma palavra de que grandes números de
missionários cometeram uma quebra imperdoável do protocolo missionário: “ao
invés de assumir como seu campo de missões o território aprovado do mundo
conhecido, os missionários se lançaram no deserto na direção da Cidade de
Deus”.
“Mas que espécie de campo missionário é este deserto?” pergunta o
viajante. Que alma você pode salvar no Deserto do Perdão exceto a sua própria?
E quando se chega ao Deserto da Adoração, todos lá já vivem com a glória de
Deus. No Deserto da Oração existe uma comunhão maravilhosa com os outros
viajantes, e eu estou aprendendo a interceder. Mas não existem almas
perdidas...”

A Colheita

Atingindo a extremidade mais externa do Deserto da Oração, o viajante no


meu sonho está tendo a sua primeira vista clara do seu destino. Na distância,
radiante com um esplendor santo, está a Cidade de Deus. Visivelmente tomado
de emoção, seu passo se acelera. De repente, ele encontra um cheiro terrível de
fumaça e de corpos em putrefação. Agora existem cadáveres em toda parte.
Formas deixadas com vida estão implorando por ajuda.
Uma mulher arqueada pela dor implora ao viajante. “Por favor, por favor,
faça algo! Não posso tolerar mais esta dor!”
“Eu não tenho poder”, ele diz. “O que você pensa que posso fazer por
você?”
“Um pouquinho de água é tudo o que eu preciso. Por favor, traga-me
alguma água!”
“Onde vou encontrar água no deserto?”
“Quanto tempo você pensa que VOCÊ vai durar”, ela responde, “se não
encontrar água para você mesmo? Por favor, encontre alguém e a traga para
mim”.
Quando o viajante rastreia o deserto perplexo, sua companheira misteriosa
retorna e o guia a uma fonte rodeada por milhares de garrafas vazias.
“Beba você”, ela sugere, “e então encha uma garrafa para a mulher”.

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Depois de beber essa água, o viajante fica imediatamente fortalecido e leva
alguma água para a mulher. Quando ela termina de beber, sua saúde é
restaurada. Imediatamente ela pega a garrafa, corre para a fonte e começa
ajudar os seus vizinhos. Há homens com ferimentos profundos, crianças deitadas
com uma respiração débil, rápida, e pessoas idosas com ataduras sujas ao redor
dos seus rostos desgastados. Algumas vítimas estão gritando de dor e outras
choram silenciosamente para si mesmas. Algumas revivem com uma única
garrafa de água. Outras precisam de muito mais. Vejo outros viajantes engajados
nesse mesmo esforço. À medida que as vítimas são curadas, elas também
participam do trabalho de levantar outras pessoas. Enquanto carregam água da
fonte, o viajante compartilha essa passagem do Evangelho de João com outro
homem:
Nesse ínterim, os discípulos lhe rogavam, dizendo: Mestre,
come! Mas ele lhes disse: Uma comida tenho para comer, que
vós conheceis. Diziam então os discípulos uns aos outros:
ter-lhe-ia, por ventura, alguém trazido o que comer? Disse-
lhes Jesus: “A Minha comida consiste em fazer a vontade
daquele que me enviou a realizar a sua obra”.

“Acho que nós estamos aprendendo o que isso significa”, acrescentou o


viajante.
Ele passa muitos dias naquele lugar envolvido na obra do avivamento.
Uma noite, enquanto ele descansa perto da fonte, sua companheira volta e se
senta ao seu lado.
“Suponho que nós não sejamos capazes de continuar até a Cidade de
Deus enquanto não acabarmos aqui, certo?”, pergunta-lhe o viajante.
“É verdade”, ela responde.
“Mas eles vão esperar por nós?”
“Não se preocupe. Apenas continue a reviver essas pessoas até que
estejam todas em pé. Então as portas da Cidade de Deus se abrirão, e os
visitantes sairão e guiarão vocês até lá dentro. Tenha isso em mente:
Não dizeis vós que há quatro meses até a ceifa? Eu, porém
vos digo: erguei os olhos e vede os campos, pois já
branquearam para a ceifa. O ceifeiro recebe desde já a
recompensa e entesoura o seu fruto para a vida eterna; e
dessarte, se alegram tanto o semeador como o ceifeiro. Pois,
no caso, é verdadeiro o ditado: um é o semeador, e o outro é
o ceifeiro. Eu vos enviei para ceifar o que não semeastes;
outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho.

“Mas essas necessidades são tão incríveis que estou começando a me


sentir vencido. A alegria de ver a restauração acontecer diante dos meus olhos é
contrabalanceada até certo grau pela vastidão desse mar de desespero. Existe
um fim para isso?”
“Irmão”, responde sua companheira, “assim como você teve que se perder
no perdão de Deus, na adoração e na oração, você agora está se perdendo na
colheita. Uma coisa é se envolver superficialmente com a colheita. Outra coisa é
estar perdido nela”.

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“Mas eu vou ter força para continuar a trabalhar entre pessoas com
necessidades tão grandes?”
“Não foi o que Jesus fez?”
E sucedeu que, estando ele em casa, à mesa, muitos
publicanos e pecadores vieram e tomaram lugares com Jesus
e seus discípulos. Ora, vendo isto, os fariseus perguntavam
aos discípulos: por que come o vosso Mestre com os
publicanos e pecadores? Mas Jesus, ouvindo disse: Os sãos
não precisam de médico, e sim os doentes. Ide, porém, e
aprendei o que significa: Misericórdia quero e não
holocaustos; pois não vim a chamar justos, e sim pecadores
(ao arrependimento).

“Deve ter sido desencorajador par Ele, de qualquer forma”.


“Jesus chorou por causa da Jerusalém religiosa, por sua dureza de
coração. Obviamente Seus maiores encorajamentos do lado humano vieram
desses pecadores arrependidos. Desses Ele nunca se cansou. Você pode
entregar-se com confiança a esta colheita sem correr perigo de ser engolfado por
ela, contanto que você mantenha a visão da Cidade, e que trabalhe aqui com um
coração íntegro. O Espírito do Senhor o sustentará se você tiver cuidado de ouvir
essas pessoas com Jesus ouviu a mulher no poço, os leprosos, o paralítico, o
cego, o pai de um menino endemoninhado. Não tenha pressa. Invista tempo para
ouvir e fazer as perguntas certas. Descubra onde as pessoas estão feridas, o que
elas realmente necessitam.
Também, você deve lhes falar de Jesus enquanto cuida delas com a sua
garrafa. A água da garrafa e essa sua mensagem são idênticas. Essas pessoas
agonizantes estão sedentas por Jesus, não por teorias sobre Jesus, mas pelo
próprio Jesus. A mensagem de Jesus é água refrescante que as leva de volta à
vida. Lembre-se do versículo: ‘Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os
leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça dai’. Não fique
satisfeito até que a misericórdia de Deus os tenha levantado”.
“Até que a misericórdia de Deus tenha levantado a TODOS?”
“Sim. Pense nesta passagem de Apocalipse:
Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do
CÉU, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para
seu esposo. Então ouvi grande voz vinda do trono, dizendo:
Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará
com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará
com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte
não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque
as primeiras coisas passaram”.

Quando você experimenta pela primeira vez o trabalho da colheita e


descobre que você realmente é capaz de levantar esses agonizantes dando-lhes
água viva da fonte divina, Jesus, você tem uma alegria tremenda. As experiências
no deserto do perdão, da adoração a Deus e da oração liberam o poder para
curar os doentes no nome de Jesus.

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“Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará
também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do
Pai”. O desafio é permanecer.

A Visão

Quando vejo a seguir o viajante no meu sonho, ele começou a reclamar:


“Quanto tempo isso vai durar? Eu pensei que agora a obra estivesse acabada e
nós continuaríamos. Sinto muito, estou cansado. Eu vou perto daquela pedra
descansar na sombra por uns dias”.
Mais tarde, um outro viajante passa pela pedra e o encontra deitado lá
quase morto. Correndo para a fonte, ele enche duas garrafas, volta e derrama a
água preciosa pela sua garganta.
“Beba, irmão, beba!”
“Obrigado! Oh, obrigado! Eu estava quase morto”, diz o viajante no meio
dos goles. “Mas como cheguei a isso? O que deu errado?”
Sua companheira misteriosa junta-se a ele novamente. “Irmão, ela diz,
“você perdeu sua força porque perdeu a sua visão. A Cidade de Deus ainda é o
seu destino. É o seu lar, a habitação de nosso Deus. Enquanto você trabalha,
assegure-se de tirar um tempo diariamente, uma hora, para fazer uma pausa e
contemplar a Cidade de Deus em meio às suas tarefas, se deixar de parar e ouvir
a sua música, se negligenciar em respirar a atmosfera que ela lhe envia, se deixar
de beber daquela corrente de águas que flui de debaixo dos seis portões, você
ficará exausto. Você deve se lembrar de que o poder que sustenta vem da
Cidade”.
O viajante continua seu trabalho na Colheita com vigor renovado. À noite
ele é tomado pela exaustão. Vai para a fonte. Aproximando-se dela, está uma
mulher que parece ser muito idosa. Contudo, não parece nem um pouco cansada.
“Qual é o seu segredo?”, pergunta o viajante. “A senhora se comporta de
modo jovial e forte, enquanto eu não tenho força”.
“Peguei a dica de Daniel”, ela lhe diz. “Daniel deve ter sido um homem
ocupado. Entretanto, em meio às pressões diárias, ele continuou a voltar para o
seu quarto, onde as janelas se abriam para o lado ocidental. Lá olhando na
direção de Jerusalém, centenas de quilômetros ele orava e dava graças a Deus.
Embora isso significasse ter que enfrentar a cova dos leões, Daniel recusou-se a
negligenciar as suas orações. Ele manteve viva a visão, fazendo da Cidade de
Deus o seu foco. E é o que eu faço. Quanto mais problemas eu tenho que
enfrentar aqui na Colheita, mais o tempo parece me pressionar, mais firmemente
fixo meus olhos na Cidade de Deus. Eu me certifico de continuar a olhar para o
alto. Todas as vezes que eu como pão e bebo vinho, faço isso pela antecipação,
bem como pela memória. Esse é o alimento da Cidade, você sabe. Isso mantém
os meus olhos e o meu coração lá”.
Quando o viajante deixou a anciã, ela parecia estar continuamente
tentando manter a sua visão diante dele. Com voz baixa, ele estava cantando as
palavras de Apocalipse:

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Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do
CÉU, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para
seu esposo. Então ouvi grande voz vinda do trono, dizendo:
Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará
com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará
com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte
não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque
as primeiras coisas passaram”.

Quando vi o viajante pela última vez, sua companheira misteriosa voltou


com uma admoestação final para ele: “CONTINUE a olhar para aquela Cidade e
lembre-se do que o espera lá. Ele preparou um lugar para você e logo estará
vindo para você. Nesse meio tempo, quando olhar para a Cidade, Ele renovará a
sua força a fim de que você suba com asas como as águias, correrá e não se
fatigará, caminhará e não desfalecerá”.

Dois Avivamentos

Neste ponto fui transportado da paisagem da jornada do viajante para o


topo de um alto penhasco. Encontrei lá uma inscrição em pedra com estas
palavras de Apocalipse 19:
Vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O seu cavaleiro se
chama Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça. Os seus
olhos são chama de fogo; na sua cabeça, há muitos
diademas; tem um nome escrito que ninguém conhece, senão
ele mesmo. Está vestido com um manto tinto de sangue, e o
seu nome se chama o verbo de Deus; e seguiam-no os
exércitos que há no céu, montando cavalos brancos, com
vestiduras de linho finíssimo, branco e puro. Sai da sua boca
uma espada afiada, para com ele ferir as nações; e ele mesmo
as regerá com cetro de ferro e, pessoalmente, pisa no lagar
do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso. Tem no seu
manto e na sua coxa um nome inscrito: REI DOS REIS E
SENHOR DOS SENHORES.

Olhando para cima da inscrição, vi abaixo de mim dois avivamentos


simultaneamente em curso. A Cidade Cristã estava experimentando um
avivamento que se manifestava em crescimento colossal e rápido. Em muito
pouco tempo a população havia dobrado. A construção estava em todos os
lugares. Casa novas se espalhavam nas colinas circundantes. Porém, o aspecto
mais dramático desse crescimento na Cidade Cristã era a aparência magnífica
das novas torres das igrejas no campo. Uma catedral estava sendo terminada
com uma torre espiral de setenta andares de altura, abrigando o transmissor mais
poderoso do mundo. Uma outra igreja estava tomando forma como uma cúpula
de vidro gigante, com plataforma giratória e um envoltório ao redor dos sistemas
de som. A mais inusitada parecia uma cruz para cima, com quinze elevadores que
levavam as pessoas para cima até um santuário no braço sul, e um restaurante
cristão ficava no braço norte. Havia instalações educacionais cristãs para todos os
grupos de idade desde o pré até a universidade. Esse grupo patrocinava centros
de lazer panorâmicos no estilo de chalés suíços, com salas amplas para
seminários.
Havia um sentimento na Cidade Cristã de que esse crescimento era um
sinal dos últimos dias do mundo. Livros sobre a consumação dos séculos

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estavam quase no topo das listas dos cristãos mais vendidos, apenas em
segundo lugar com relação aos manuais de sexo cristão. Repórteres vinham de
todas as partes do mundo para preparar artigos sobre as condições florescentes
ali. Os habitantes da Cidade Cristã estavam alegando que, quando viesse o Fim,
eles seriam arrebatados para a Cidade de Deus antes que irrompesse o caos.
Ao mesmo tempo, vi através do deserto muito distante da Cidade Cristã
acontecer um avivamento bastante diferente, com nenhum dos equipamentos da
religião bem sucedida. Homens e mulheres agonizantes estavam sendo
levantados como os ossos secos que Ezequiel viu. Estavam sendo libertos da
suas doenças, seus pecados e suas prisões espirituais, meramente bebendo da
água viva de uma fonte sagrada. Aqueles que experimentavam a água doadora
de vida, compartilhavam com outros, levando-lhes a cura, como por um fogo que
se espalha ou uma enchente que se insurge, os doentes estavam sendo
arrastados. Obreiros lá, que tinham passado anos vendo resultados limitados,
descobriram que agora bastava uma única gota de água em uma língua seca
para ressuscitar os mortos. E a cada dia o processo estava se acelerando.
Finalmente, vi o último corpo deitado se levantar para a vida. O que antes
pareceu como um campo de batalha de derrota, tinha-se tornado o campo de um
exército poderoso. Subitamente, um terremoto abalou o chão embaixo dos meus
pés. O céu escureceu e um som de guerra se agitou do leste.
Então vi a Cidade Cristã sendo invadida e destruída. As magníficas
catedrais, a maior cruz do mundo, os centros de lazer e salas de seminário foram
despedaçados e aplainados por explosões ensurdecedoras. Os corpos mortos
dos habitantes que tinham pensado que escapariam desse holocausto enchiam
as ruas. Os exércitos da destruição agora pressionavam na direção do deserto,
para o cenário do segundo avivamento. Logo essa horda aparentemente
indestrutível estava engolfando o Deserto do Perdão, o Deserto da Adoração e o
Deserto da Oração. Quando a Cidade de Deus apareceu, um rugido único, como
de uma besta ferida, encheu o ar. A horda se dirigiu para esse alvo, parecendo
estar a ponto de fulminar a Cidade de Deus.
Mas, próximo das muralhas da Cidade, o exército de revividos esperava,
equilibrado e pronto. Quando o inimigo entrou na área, os portões da Cidade
explodiram se abrindo. Para fora marchou o Exército da Luz, conduzido por um
Rei de tamanho esplendor que a horda inimiga tinha que proteger os olhos. Os
revividos emergiram com o exército de luz e se ajuntaram à batalha contra o
inimigo. Três dias e meio mais tarde, a guerra terminou. O inimigo foi destruído, e
os triunfantes entraram na Cidade de Deus para o qual tinham sido escolhidos
desde a fundação do mundo.
Novamente fui transportado para ler uma outra inscrição gravada com as
seguintes palavras de Apocalipse:
Então, vi um anjo posto em pé no sol, e clamou com grande
voz, falando a todas as aves que voam pelo meio do céu:
Vinde, reuni-vos para a grande ceia de Deus, para que comais
carnes de reis, carnes de comandantes, carnes de poderosos,
carnes de cavalos e seus cavaleiros, carnes de todos, quer
livres, quer escravos, tanto pequenos como grandes.

E vi a besta e os reis da terra, com sues exércitos,


congregados para pelejarem contra aquele que estava

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montado no cavalo e contra o seu exército. Mas a besta foi
aprisionada, e com ela o falso profeta, que, com os sinais
feitos diante dela, seduziu aqueles que receberam a marca da
besta e eram os adoradores da sua imagem. Os dois foram
lançados vivos dentro do lago de fogo que arde com enxofre.
Os restantes foram mortos com a espada que saía da boca
daquele que estava montado no cavalo. E todas as aves se
fartaram das suas carnes. Então, vi descer do céu um anjo;
tinha na mão a chave do abismo e uma grande corrente. Ele
segurou o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás, e
o prendeu por mil anos; lançou-o no abismo, fechou-o e pôs
selo sobre ele, para que não mais enganasse as nações até se
completarem os mil anos.

Depois disto, é necessário que ele seja solto pouco tempo.

Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quais foi


dada a autoridade de julgar. Vi ainda as almas dos
decapitados por causa do testemunho de Jesus, bem como
por causa da palavra de Deus, tantos quantos não adoraram a
besta, nem tampouco a sua imagem, e não receberam a marca
na fronte e na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante
mil anos. Ap.19:17 – 20:4

Quando terminei de ler isso, de modo tão abrupto quanto meu sonho me
tinha vindo ele terminou, deixando-me com uma sensação de espanto, com uma
nova consciência dos processos ocultos da minha própria vida, e com um desejo
renovado de procurar conhecer a Deus em espírito e em verdade.
Nunca foi tão claro para mim que os dois avivamentos estão em curso na
terra. Um, é o avivamento do Espírito de Deus, pelo qual os homens e mulheres
mortos são libertos dos seus pecados pelo sangue do Cordeiro e levados à vida
que é a vida dos filhos de Deus, uma vida que traz a natureza de Deus, que
manifesta a misericórdia de Deus. O outro avivamento, é o avivamento da carne
religiosa, um avivamento que é tão atraente e reúne multidões e exerce tanto
poder neste mundo porque ele oferece todo o conforto da religião, enquanto deixa
que você mantenha o seu EU e todos os direitos sobre você mesmo.
Certamente cada um de nós tem que decidir qual avivamento vai abraçar.
Vou investir a minha vida em algum empreendimento da Cidade Cristã
florescente? Ou vou perder a minha vida na procura da vontade de Deus por
misericórdia? Vou me concentrar em edificar alguma coisa que faça com que os
cidadãos da Cidade Cristã se surpreendam e prestem atenção? Ou vou passar a
minha vida trazendo os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos até a mesa do
Mestre?

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