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FORMAÇÃO DO ANALISTA: A GARANTIA (17/06/15)

Conselho da EBP-SP: Sandra Grostein, Luiz Fernando Carrijo, Maria Bernadette Pitteri, Patricia Badari, Leny Mrech, Maria CeciliaFerretti.

Para conversar sobre

o

antes

e

o

depois da

FORMAÇÃO DO ANALISTA: A GARANTIA (17/06/15) Conselho da EBP-SP: Sandra Grostein, Luiz Fernando Carrijo, Maria Bernadette

garantia na EBP, Sandra Grostein, além de apresentar as respostas dos AME da Escola brasileira às perguntas que lhes foram enviadas, faz um breve relato sobre a situação da garantia no Brasil. Data

de 2014, quando a escola tinha 19 anos, a fundação da Comissão de Garantia na EBP. Até então, a

Comissão da Garantia

América,

através

de

um

dispositivo de cartel, era responsável pela nomeação dos AME no Brasil. Desde então, a EBP tem uma modalidade de nomeação que ainda passa pela AMP FAPOL, ou seja, uma proposta é apresentada e quem realmente nomeia é esta última instância.

O que afinal é a Comissão da Garantia? Trata-se de um órgão da Escola responsável pela garantia da prática analítica. Se esse órgão tem a responsabilidade de outorgar o título de AME aos membros da

Escola cuja prática é garantida e reconhecida pela Escola,

como

explicar a garantia e o reconhecimento dessa prática? Uma prática é reconhecida através da comunicação pública e também através da

supervisão, garantia mais séria da formação dos que

praticam a

psicanálise. Quando Lacan fundou a Escola Freudiana de Paris, ele

pensou numa outra forma de controle da prática, diferente

da

supervisão standard que seria um cartel no qual se discutiria, visando

FORMAÇÃO DO ANALISTA: A GARANTIA (17/06/15) Conselho da EBP-SP: Sandra Grostein, Luiz Fernando Carrijo, Maria Bernadette

a nomear aqueles que pudessem dar provas de sua prática. Endereçadas aos AME, as perguntas de Sandra Grostein abrangem diversos aspectos

relacionados à garantia: se

a

Escola

garante a

formação do analista e a que garantia refere-se o título de AME; se é válido pensar em separar a hierarquia do gradus na EBP hoje; sobre a principal diferença entre o gradus de AE e AME para o analista; se uma vez nomeado AME esse gradus acrescenta algo à formação do analista; se o gradus de AME, na EBP, faz alguma diferença, e para quem.

Vejamos, então, a diversidade das respostas instigantes cujo amplo panorama levou os presentes à animada discussão e a mais perguntas objetivando esclarecimento: o analista membro da Escola

deu suas provas, e consequentemente a Escola o reconheceu; “ter

provado” não é suficiente para que critérios rígidos não sejam

estabelecidos pela Escola; a EBP tem se mostrado inquietantemente à altura da tarefa da ironia socrática dessa sigla (cf. Opção Lacaniana

n°37, “A Formação do analista”); se não mais houvesse diferença

entre hierarquia e gradus, ter-se-ia a volta do funcionamento de grupo orientado narcisicamente, o que seria grave, porque não é a lógica da Escola.

Em determinado momento, a enfatuação de certa casta de analistas levou Lacan a dissolver sua Escola; a nomeação de AE resulta de uma demanda que leva o analista à experiência inédita de falar de sua análise, tendo a AMP como S-S-S, fora da transferência propriamente dita; a sigla irônica AME mais inquieta do que causa orgulho, levando o

provado” nã o é suficiente para que critérios rígidos não sejam estabelecidos pela Escola; a EBP

analista a sentir-se mais politicamente responsável pela interpretação da Escola e até a propor avanços políticos na EBP. Ser nomeado AME pela AMP é uma nomeação de membro pela Comissão de Garantia, que responde à necessidade institucional

diante do mundo

exterior, à Escola

e

à psicanálise, portanto, a

nomeação de AME não está ligada

nem

a

uma experiência

de

demanda subjetiva, própria de um “objeto desejável, brilhante”, nem

a

uma

transmissão

sistêmica

...

Apenas

 

um

semblante, essa

nomeação de

AME

(alma,

em

francês),

mais

apresenta

uma

potencialidade pragmática disponível à Escola.

 
 

Antes

de

passar

às

analistas

conselheiras,

Sandra

Grostein

enfatizou que os membros da Comissão da Garantia brasileira estão, neste momento, debruçados sobre a tarefa de definir quais os critérios para essa nomeação na EBP e a verificação das diferenças que uma nomeação de AME pode gerar para a Escola.

Luiz

Fernando Carrijo

a nomeação

como uma

forma não

burocrática, inventada por Lacan, de “tratar o real, dentro da própria Escola, real que existe, porque o analista não existe”. Isto faz

diferença tanto para a Escola, como para o nomeado, assim como para o analista em relação à Escola. A nomeação do AME seria uma tentativa de Lacan de interpretar não só o analista nomeado, mas a própria comunidade analítica.

Patrícia Badari cita Miller, no Seminário “O Banquete dos analistas”:

“a Escola não garantirá que haja aí um analista, mas, o analista que se autoriza de si mesmo foi formado por ela”. Uma Escola que pode

garantir a formação de analistas e que, no Brasil, marca o antes e o depois da Escola com a recém-formada Comissão de Garantia da EBP. Maria Cecília Ferreti, por sua vez, sublinha a expressão de Lacan

na “Proposição

...

”,

“interpretar a própria experiência”, para supor a

experiência ligada à Escola. “Interpretar a própria Escola”, tanto em

relação às nomeações de AE como de AME. Maria Bernadette Pitteri faz analogia entre o momento de fundação da Escola e o momento atual da Comissão da Garantia da EBP: ao fundar a Escola, Lacan se norteava pelo dever de reconduzir a práxis da psicanálise aos princípios freudianos e pela determinação de que os que viessem para esta Escola se comprometessem com tarefas, além de se submeterem a um controle externo e interno, recebendo uma garantia para o que fosse feito de válido e que tivesse repercussão, para além dos muros da Escola. A Comissão de Garantia na EBP tem que velar pela formação dos que procuram a Escola. Leny Mrech questiona se a Comissão de Garantia hoje tem a mesma estrutura e o mesmo olhar que no passado. Considera-a o eixo de funcionamento da Escola, e diretamente ligada às nomeações de AE e AME.

relação às nomeações de AE como de AME. Maria Bernadette Pitteri faz analogia entre o momento

Foram

cinquenta

minutos

intensos,

dominados

por

algumas

palavras-chave: “garantia, nomeação, o antes e o depois, responsabilidade, hierarquia, gradus, Escola, formação, prática

analítica”, que geraram um debate não menos intenso, instigante e,

ao mesmo tempo, esclarecedor.

Cláudia Aldigueri

Correspondente da EBP-SP