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1 Operações Unitárias I Fluidização Em 1942, o cracking catalítico do petróleo nos U.S.A., apresentava
1 Operações Unitárias I
Fluidização
Em 1942, o cracking catalítico do petróleo
nos U.S.A., apresentava uma capacidade
de produção de 40.000 barris, essa
produção no fim desta década (1948),
apresentou uma produção de 100.000
barris e a aceitação por parte da indústria
da operação unitária, denominada de
fluidização ficou evidenciada,
apresentando características favoráveis, e
tornando esta operação como sendo de
aplicação prática em diversos ramos
industriais. [Enciclopédia: Manual do
Engenheiro – Volume 3]
2 Fluidização O uso extensivo da fluidização começou na indústria de petróleo com as reações
2 Fluidização
O uso extensivo da fluidização começou na indústria de
petróleo com as reações catalíticas. Hoje, muitas outras
reações catalíticas utilizam leito fluidizado, e também:
• Secagem
• Mistura
• Revestimento de
partículas
• Aglomeração de pós
• Aquecimento e
resfriamento de sólidos
• Congelamento
• Torrefação de café
• Pirólise
Exemplo da aplicação de fluidização em secagem de sólidos 3
Exemplo da aplicação de fluidização em secagem de sólidos
3
Exemplo da aplicação de fluidização em resfriamento de sólidos 4 Saída de ar Entrada de
Exemplo da aplicação de fluidização em resfriamento de sólidos
4
Saída de ar
Entrada de sólidos quentes
Água quente
Leito
Água fria
fluidizado
Entrada
Entrada
distribuidor
de ar
Saída de
sólidos frios
de ar
Exemplo da aplicação de fluidização em recobrimento e granulação de sólidos 5
Exemplo da aplicação de fluidização em recobrimento e granulação de
sólidos
5
Fluidização 6 Vantagens: 1. Área superficial elevada, favorecendo a transferência de calor e massa. Assegura
Fluidização
6
Vantagens:
1. Área superficial elevada, favorecendo a transferência de calor e
massa. Assegura um contato global fluido-sólido
2. Velocidades de reação elevadas , quando comparada com leito
fixo devido a ausência de gradiente (Uniformidade do leito).
Minimiza variações de temperatura, umidade, etc no leito (devido a
agitação vigorosa)
3. Aumento dos coeficientes de transferência de calor e massa,
devido a condutância e uniformidade da temperatura.
4. Facilidade de escoamento em dutos devido o sólido apresentar
comportamento semelhante ao fluido
5. Favorecimento de transporte de energia devido a fluidez.
Fluidização 7 Desvantagens: 1. Perda de carga maior quando comparada com o leito fixo, necessitando
Fluidização
7
Desvantagens:
1. Perda de carga maior quando comparada com o leito fixo,
necessitando de elevada velocidade do fluido (aumentando o
consumo de energia.)
2. Impossibilita manter um gradiente axial de temperatura e
concentração, impossibilitando o favorecimento de uma reação
específica no caso de reações múltiplas.
3. Atrito severo, resultando na quebra de partículas com produção
de pós, havendo necessidade de reposição constante, além da
necessidade de equipamentos de limpeza de gases na saída do leito,
encarecendo o processo.
4. Erosão do equipamento devido ao atrito.
5. Dificuldade de controle do regime fluidodinâmico
Mecanismo da fluidização 8 Suponhamos um tubo vertical parcialmente cheio com material granular (por ex.
Mecanismo da fluidização
8 Suponhamos um tubo vertical parcialmente cheio com material granular
(por ex. Areia
O→→→→A: Aumento da velocidade e da queda de pressão do fluído;
A→→→→B: O leito está iniciando a fluidização;
B→→→→C: Com o aumento da velocidade, há uma queda leve da pressão devido à
mudança repentina da porosidade do leito;
C→→→→D: O log(-∆P) varia linearmente com log(v) até o ponto D.
D→→→→∞: Após o ponto D, as partículas começam a ser carregadas pelo fluído e perde-se
a funcionalidade do sistema.
Transporte
pneumático
Leito fluidizado
v mf = velocidade
mínima de
fluidização
Leito fixo
v a = velocidade
de arraste
Características gerais da fluidização: 9 • À velocidade muito baixa o fluido percorre pequenos e
Características gerais da fluidização:
9
• À velocidade muito baixa o fluido percorre pequenos e
tortuosos canais, perdendo energia e pressão. Esta
perda de carga (∆P) é função da permeabilidade,
rugosidade das partículas, densidade, viscosidade e
velocidade superficial.
• Com aumento da velocidade atinge-se um valor que a
ação dinâmica do fluido permite a reordenação das
partículas, de modo a oferecer menor resistência à
passagem.
• Em maiores velocidades as partículas deixam de estar
em contato e parecem como líquido em ebulição.
Modos de fluidização 10 a) Fluidização particulada ou Homogênea Na fluidização particulada, as partículas
Modos de fluidização
10 a) Fluidização particulada ou Homogênea
Na fluidização particulada, as partículas movimentam-se
individualmente e aleatoriamente através do leito sem formação
de vazios. Este comportamento é encontrado especialmente
em sistemas líquido-sólido, embora alguns sistemas gás-sólido
podem exibir fluidização particulada numa faixa limitada de
velocidades. Existe uma expansão suave do leito quando se
aumenta a velocidade acima de Umf. O aumento da velocidade
aumenta a altura do leito de forma previsível e para velocidades
excessivamente elevadas ocorre o transporte hidráulico.
b) Fluidização agregativa ou Heterogênea
Os sistemas gás - sólido exibem basicamente fluidização
agregativa a qual é completamente diferente da fluidização
particulada. Na fluidização agregativa distinguem-se vários
regimes de operação.
Curva fluidodinâmica: Transições de regime 11 fluidodinâmicos
Curva fluidodinâmica: Transições de regime
11 fluidodinâmicos
12 Líquido q < q mf Leito fixo q = q mf Fluidização incipiente ou
12
Líquido
q < q mf
Leito fixo
q = q mf
Fluidização incipiente
ou mínima fluidização
q > q mf
Fluidização homogênea
Expansão uniforme com ↑ d
↑ε , L ↑
13 a) Pistão simétrico (partículas finas) b) Pistão assimétrico (leito estreito e alta velocidade) c)
13
a) Pistão simétrico (partículas finas)
b) Pistão assimétrico (leito estreito e
alta velocidade)
c) Pistão completo (parts. grandes)
q
> q mf
Fluidização heterogênea
↑ε , L ↑
14 q > q mf Fluidização turbulenta ↑ε , L ↑ - sem bolhas q
14
q > q mf
Fluidização turbulenta
↑ε , L ↑ - sem bolhas
q >>>> q mf e > q crítico
Transporte de partículas
Com líquido hidráulico
Com gás pneumático
http://www.youtube.com/watch?v=NXJhjhQFBNk&NR=1
Transições de regime via monitoramento de sinais de flutuação de pressão 15
Transições de regime via monitoramento de sinais de flutuação de pressão
15
16 Transições de regime via monitoramento de sinais de flutuação de pressão E análises espectral
16
Transições de regime via monitoramento
de sinais de flutuação de pressão
E análises espectral
Ensaios de Umedecimento Transições de regime de fluidização Fluidização com água. t = 30 min.
Ensaios de Umedecimento
Transições de regime de fluidização
Fluidização com água. t = 30 min.
Defluidização e aglomeração. t = 67 min.
Aglomeração total do leito. t = 126 min.
TransiçõesTransições dede RegimeRegime LeitoLeito ÚmidoÚmido 4,0 min 33 min 42 min 37 min
TransiçõesTransições dede RegimeRegime LeitoLeito ÚmidoÚmido
4,0 min
33 min
42 min
37 min
Ensaios de Recobrimento de Sólidos Transições de regime de fluidização 19
Ensaios de Recobrimento de Sólidos
Transições de regime de fluidização
19
20
20
Comparações Comparações fluidodinâmicas fluidodinâmicas D p,50v : 414 mL sem controle ≈≈≈≈ 500 µm ;
Comparações
Comparações
fluidodinâmicas
fluidodinâmicas
D p,50v : 414 mL sem controle ≈≈≈≈ 500 µm ; 414 mL controle + aglomerc. ≈≈≈≈ 440 µm;
607 mL controle + aglomerc. > 500 µm;
22
22
23 https://www.youtube.com/watch?v=baqO577x5EYhttps://www.youtube.com/watch?v=baqO577x5EY
23
https://www.youtube.com/watch?v=baqO577x5EYhttps://www.youtube.com/watch?v=baqO577x5EY
24 CURVA FLUIDODINÂMICA EXPERIMENTAL
24 CURVA FLUIDODINÂMICA EXPERIMENTAL
Altura do leito poroso 25 q > q mf L ε Seja S a área
Altura do leito poroso
25
q > q mf
L
ε
Seja S a área da seção transversal do leito
Se S for constante:
ε = ε (L)
Chamando L o a altura que o leito teria se ε → 0,
ou seja, os sólidos ocupariam todo leito V s = L o S
L – altura do leito fluidizado
V
V
L S
vazios
S
o
ε =
=
1
=
1
V
V
LS
Total
T
L o 26 ε =1− Para uma dada condição 1 do leito: 1 L 1
L
o
26
ε =1−
Para uma dada condição 1 do leito:
1
L
1
L
o
ε
=1−
Para uma dada condição 2 do leito:
2
L
2
Ou:
L
=
L (1
− ε
)
L
=
L
(1
− ε
)
o
1
1
o
2
2
Quando inicia-se a fluidização, há um
aumento da
porosidade e da altura do leito. Essa relação é dada pela
seguinte expressão:
L (1
−ε
)
=
L
(1
−ε
)
1
1
2
2
S L
(1
−ε
)
= SL
(1
−ε
)
1
1
2
2
volume de sólidos
no leito fixo
volume de sólidos
no leito fluidizado
Porosidade mínima de fluidização 27 Para determiná-la, usam-se as seguintes relações: V V − V
Porosidade mínima de fluidização
27
Para determiná-la, usam-se as seguintes relações:
V
V
V
vazios mf
leito mf
total de partículas sólidas
ε
=
=
mf
V
V
leito mf
leito mf
1
3
Experimentalmente:
Φ
.
ε
p
mf
14
A porosidade mínima de fluidização pode ser obtida de vários gráficos elaborados por McCabe and
A porosidade mínima de fluidização pode ser obtida de vários
gráficos elaborados por McCabe and Smith, 1968. Entretanto,
quando não temos dados disponíveis, podemos usar a seguinte
relação:
= 1− 0,356(log dp −1)
= ε )
(ε mf
ε mf
Nessa equação, entrar com dp em microns (µm) (10 -6 m);
É válida para dp entre 50 a 500µm.
Início do
aumento da
porosidade
do leito
Queda de pressão na mf 29 Quando a fluidização começa, a queda de pressão no
Queda de pressão na mf
29 Quando a fluidização começa, a queda de pressão no leito
contrabalança a força da gravidade nos sólidos.
Em primeira aproximação vamos equacionar a queda de pressão na mínima
fluidização, (∆p) mf , pela força exercida pelo gás no leito e a força da gravidade
menos empuxo. Desprezamos assim o atrito entre as partículas, forças
eletrostáticas, etc.
Queda de pressão na mf 30 O leito somente fluidizará a partir de um certo
Queda de pressão na mf
30
O leito somente fluidizará a partir de um certo
valor de velocidade do fluido ascendente. Essa
velocidade é definida como a velocidade
mínima de fluidização (v mf ).
Fe
Quando atinge-se v mf , a força da
pressão (F p ) e a de empuxo (Fe) se
igualam a força do peso das
partículas do leito (F g ).
Logo,
Fp + Fe = Fg
http://www.youtube.com/watch?v=nGovDPNvSDI&feature=relate
d
Fp = ∆P. S 31 Sabe-se que Fg m g = ρ SL (1− ε
Fp =
∆P. S
31
Sabe-se que
Fg
m
g
= ρ
SL
(1− ε )
= sólidos
p
Fe
m
g
= ρ
SL
g
(1− ε )
g
= fluido deslocado
f
Fe
L
Fazendo
Fp + Fe = Fg
tem-se:
(
p)
=
(1
−ε
)(
ρ
−ρ
)g
S
F
L
gm
gm
s
s
(
p
)
=
=
mf
2
Area
D
π
Para fluidiz. Homogênea
verificado experimentalmente.
4
Velocidade de mínima fluidização: q mf 32 Extrapolando a equação de Ergun para a mínima
Velocidade de mínima fluidização: q mf
32
Extrapolando a equação de Ergun para a mínima fluidização:
(
p)
mf
=
(1
ε
)(ρ
ρ
)g
mf
S
F
L
mf
Ergun na mínima fluidização
2
(
p
)
150(1
ε
)
µ
(1
ε
)
ρ
mf
mf
2
mf
=
q
+ 1,75
q
mf
mf
3
2
3
L
ε
(
ϕ
d
)
ε
(
ϕ
d
)
µ
mf
mf
p
mf
p
3
1,75 Re
150(1
ε
)
(
ρ
ρ gρd
)
ρd q
2
mf
s
p
p
mf
+
Re
=
Re
=
p mf
,
3
p , mf
2
3
p , mf
2
ϕε
ϕ ε
µ
µ
mf
mf
3
(
ρ
ρ gρd
)
2
K1Re
+
K2Re
=
Ar
s
p
Ar =
p mf
,
p mf
,
2
µ
33 Casos limites: Re < 20 1 o é desprezível p,mf O têrmo correspondente ao
33
Casos limites:
Re
<
20
1 o é desprezível
p,mf
O têrmo correspondente ao fluxo turbilhonar é desprezível
2
3
(
ϕ
d
)
(
ρ
ρ
) g
ε
p
mf
s
q
=
mf
150
µ
(1
ε
)
mf
 
Re
>
1000
1 o é preponderante
p mf
,
O têrmo correspondente ao fluxo laminar é desprezível
(
ϕ
d
)(
ρ
− ρ
)
g
2
p
s
3
q
=
ε
mf
ρ mf
1,75
Correlações da Literatura para 34 Velocidade de mínima fluidização: q mf
Correlações da Literatura para
34 Velocidade de mínima fluidização: q mf
Fluidização Heterogênea (Gás-Sólido) 35 (fluidizáveis) (aeráveis) (jorráveis) Classificação de Geldart
Fluidização Heterogênea (Gás-Sólido)
35
(fluidizáveis)
(aeráveis)
(jorráveis)
Classificação
de
Geldart (1986)
(coesivas)
Grupo C - partículas coesivas ou muito finas. A fluidização dessas 36 partículas é extremamente
Grupo C - partículas coesivas ou
muito finas. A fluidização dessas
36 partículas é extremamente difícil,
devido ao fato das forças
interpartículas serem maiores que
as forças resultantes da ação do
gás. No entanto, ela é possível ou
melhorada através da utilização de
agitadores mecânicos ou
vibradores para evitar a formação
de canais preferenciais. A
fluidização com este tipo de
partículas caracteriza-se por uma
intensidade de mistura muito
baixa. Como exemplo de materiais
sólidos pertencentes a esse grupo
citam-se a farinha de trigo, amido
e pó facial.
https://www.youtube.com/watch?v=qWH4MHR4lQohttps://www.youtube.com/watch?v=qWH4MHR4lQo
37 Grupo A - partículas com diâmetro médio pequeno e/ou densidade baixa (menor que 1400
37
Grupo A - partículas com diâmetro médio pequeno
e/ou densidade baixa (menor que 1400 kg/m 3 ).
Quando esses sólidos são fluidizados, o leito expande
consideravelmente antes do aparecimento de bolhas.
Em u o > u mb , as bolhas de gás elevam-se mais rápido
que o fluxo de gás e percolam pela emulsão. Esse
grupo é representado pelo FCC catalítico (Fluid
Catalytic Cracking).
https://www.youtube.com/watch?v=waohqAsKCxUhttps://www.youtube.com/watch?v=waohqAsKCxU
38 Grupo B – as partículas apresentam diâmetro médio na faixa de 40 a 500
38 Grupo B – as partículas apresentam diâmetro médio na faixa
de 40 a 500 µm, e densidade entre 1400 e 4000 kg/m3. As
forças interpartículas são desprezíveis, e a formação das
bolhas é iniciada logo acima da velocidade de mínima
fluidização (umf), desse modo, u mb /u mf = 1. O tamanho das
bolhas aumenta com a altura do leito e com a velocidade do
gás em excesso (u o -u mf ). A expansão do leito é pequena e seu
colapso ocorre rapidamente quando se interrompe o
fornecimento de gás fluidizante. A fluidização dessas
partículas é denominada fluidização borbulhante. O sólido
típico desse grupo é a areia.
39 Grupo D – partículas jorráveis, ou grandes (geralmente maiores que 1 mm) e/ou densas.
39 Grupo D – partículas jorráveis, ou grandes (geralmente
maiores que 1 mm) e/ou densas. A fluidização é difícil se
o leito dessas partículas for profundo. Apresenta pequena
expansão do leito, baixa mistura das partículas. As forças
coesivas interpartículas são menores comparadas com a
força de arraste. Neste grupo encontram-se a ervilha e os
grãos de café.
https://www.youtube.com/watch?v=06O9R-IpTaYhttps://www.youtube.com/watch?v=06O9R-IpTaY