MUITO BARULHO POR NADA

(William Shakespeare)
Nove personagens femininos: Hero (Filha recatada de Leonato); Beatriz (prima espevitada de Hero); Mãe de
Hero; Dona Joana (princesa de Aragão, meio-irmã de D. Pedro); Úrsula (amiga das primas) e Margarida (amiga
falsa das primas); Lavadeira; filha da lavadeira; criada de D. Joana.
Seis personagens masculinos: Cláudio (apaixonado por Hero); Benedito (apaixonado por Beatriz); Leonato (pai
de Hero); D. Pedro (príncipe de Aragão) e Borrachio (bêbado amigo de Dona Joana) e Padre.
Cena 1 (lavadeira com roupas e passa sua filha)
Lavadeira- Onde ocê pensa que vai com esta carta, filha?
Filha – Tenho que levar pro governador Leonato. O príncipe Dom Pedro de Aragão chega hoje a Messina. Está a
menos de três léguas daqui.
Lavadeira – Como ocê sabe disso?
Filha –Li a carta, mãe.
Lavadeira – Filha! Que feio! Mas o que diz a carta?
Filha – Depois das grande bataia, estão vortando pra descansar por aqui. Um mensageiro muito simpático disse
que os sordado vão percurá moça pra casar.
Lavadeira – Tava na hora. Não tem um santo home por aqui. É só guerra, guerra e mais guerra e nóis fica aqui,
chupando no dedo.
Filha – Papai num foi pra guerra, né, mãe?
Lavadeira – Tu não tem pai, menina. Aquele traste fugiu daqui e escapou do exército. E agora chega de papo
furado. O que mais ocê sabe?
Filha – Bão, os sordado vem pra cá. Ouvi falar que os dois mió: o Craudio e o Benedito vão ficar no palácio pra
mode se ajuntar com a Hero, fia do governador e a Beatriz, sobrinha dele.
Lavadeira – Ah, quem dera ocê conseguisse um sordado dos bão pra ti...
Filha – Ah, mãe. Eu quero um arto, moreno...
(Chega a mãe de Hero)
Mãe – O que é que está acontecendo aqui?
Lavadeira – Bas tarde, senhora Leoonato. Mia fia trouxe uma carta pro seu marido.
Filha – Tá aqui.
Mãe – Passa pra cá. E agora, vocês duas, tratem de voltar ao serviço. Suspeito que vamos ter muito trabalho e
barulho pela frente.
(Saem as três)
Cena 2 (Moças conversam sobre os rapazes que voltam da guerra, depois a Mãe).
Úrsula – Queridas amigas, temos que arrumar os quartos.
Margarida – Por quê? O Palácio de Messina não está bem arrumado?
Hero – Você sempre com essas manias de limpeza.
Beatriz – Arrumem vocês, só por que sou mulher não vou me sujeitar a trabalhar mais por hoje.
Úrsula – Os rapazes!!! Os rapazes estão voltando!
Margarida – Ah, Cláudio. Quero te abraçar, quero beijar...
Hero – Úrsula, Margarida! Parem com esses ataques. Afinal de contas, somos moças de família.
Beatriz – Cala a boca você, Hero. Só por que é a filha do dono deste Palácio se faz de santinha. Estou doida pra
me encontrar com Benedito.
Úrsula – Mas você só faz brincadeiras com o coitado.
Margarida – Pra mim isso é amor recolhido.
Hero – Beatriz, por favor... quando eles chegarem, te comporta um pouquinho.
Beatriz – Pode deixar, vou me comportar.
Úrsula – Acreditamos...
Margarida – Ih, aí vem a tua mãe!
Hero – O que foi, querida mãe

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Cláudio – Graças aos céus. caro Benedito. com licença. Pedro – Vamos fazer o seguinte: nós. D. deve se casar com Beatriz. Mãe – Meninas. (Saem Benedito e Cláudio). por que pela espada. prazer em vê-lo. Nesses tempos de paz. depois Beatriz e as moças) Leonato – Bem vindos ao nosso Palácio de Messina.. Mãe – Um instante que vou chamá-la. Cena 3 (Chegam os rapazes. este castelo nas montanhas vai revigorar nossas forças. vão tomar um banho que tenho algo a tratar com meu amigo D. querida mãe. Pedro.. certo? Leonato e Padre – Certo. Pedro – Então vamos casá-los. os velhos. Cláudio – Sua filha está encantadora! Não havia reparado nela antes de partirmos para a guerra. querida tia.Mãe – (chegando) Hero. Benedito – Não esqueça de dizer a Beatriz que seu amigo Benedito está aqui para conversar com ela. Se eles se casassem todos acabariam loucos em uma semana. Lavadeira e filha ficam escutando) D.Os tempos estão passando e preciso dar um jeito nestes rapazes..com . Úrsula – Só vem estes? Mãe – Amanhã chegam Dona Joana.. Pedro – Esta sua sobrinha Beatriz precisa de uma lição. senhores. gente ruim. Pedro propõe o casamento dos rapazes diante do Padre e Leonato. nós e o príncipe precisamos de descanso. irmã do príncipe e seu lacaios. (Chegam as moças com a mãe. e a Cláudio e Benedito. pra dentro. Leonato – Vamos parar com estas brincadeiras. Margarida – Cláudio. estes dois aí. Pedro.. querido príncipe de Aragão. Benedito – D. Queria muito conversar com vossa filha. A nossa vila já está em polvorosa por causa da chegada dos soldados.teatronaescola. Príncipe de Aragão.. assim eles se acalmam. 2 http://www. Veja Cláudio. D. de tão velha que deves estar. Mas quem com quem? D. Mãe – E agora fora daqui vocês. Beatriz – Senhor Benedito. Beatriz – Oba! Mãe – E tu trata de te comportar. tu e as meninas precisam preparar os quartos para os nossos bravos soldados. não zombes de nossos valorosos soldados. ficou ofendido. Deves ter pisado em algum animal. Beatriz – Me chama de velha! Mas sou capaz de jurar que comeria em peso tudo que mataste durante a guerra.. Pedro. Vamos ter que receber bem a D. Padre – O senhor esteja com vocês. (As mulheres saem). Hero – Está bem. Margarida e Hero vão logo para o lado de Cláudio). que bom vê-lo! Conseguiste matar muitos durante a batalha? Benedito – Muitos.. vencemos a guerra e agora. Úrsula – Não fiques bravo. Faremos uma bela cerimônia! Leonato – Boa idéia. Esperamos que vossa estada aqui seja muito boa... Padre – Compreendo. quero ver todo mundo trabalhando. vi que se gostam. Beatriz – Está bem. Leonato e a mulher os recebem. A batalha demorou tanto que eu esperava encontrá-la casada ou num convento. mandamos nos jovens. D. Leonato – Aí é que a porca torce o rabo. cara senhora. Margarida e Úrsula – Está bem! (Saem todas). Mãe – D.. a juventude precisa ser acalmada. Voltamos cansados da guerra e temos que nos ajeitar com elas? Leonato – Rapazes. Pedro – Estamos cansados da guerra. Pedro . Pedro. Quanto a Benedito. Vim assim que pude para falar com os senhores. Pedro – Sua filha Hero com Cláudio. Leonato – E eu nas minhas moças. o senhor tem que tomar alguma atitude com relação a estas meninas. D. D. Pedro – Senhor Padre. Hero – Prima. Padre – Mas que boa idéia. a bênção. Cena 4 (D. Margarida – Ih. Beatriz..

Cláudio – É! As flechas do cupido. Benedito – Encantadora Beatriz. Beatriz – Não sei por que me fazem fazer as coisas que não gosto! 3 http://www. aí vem minha “amada”. Quero ver só o seu Benedito se enrabichar pela Beatriz.com .D. Cena 5 (Lavadeira e filha) Filha – Ocê ouviu só. Leonato – Pois é. Pedro – Ele logo por ele que sempre desprezou. É meu amigo. Hero. D. desde pequeninho os dois não se bica. Leonato – Vou dar folga as outras moças para que procurem um rapaz dentre os outros soldados que estão na cidade. deixe que ele mesmo descubra.. Hoje nóis vamo arranjar um noivo pra ti. D. Benedito fica curioso). D. Leonato – Não. Pedro – Quase morreu chorando ontem. Leonato – Quer casar com minha filha ou não? D.. me mandaram convidar o senhor para o jantar. a paixão. e logo por ele!!! Benedito – (pensando) Ah. Vai tomar um banho tu também e trata de passar uma arfazema.. minha sobrinha apaixonada por Benedito Benedito – O quê???!!! D. o que faço? Ah. Pedro – Cláudio. Cláudio – Ih! Vai ser difícil. (saem) Cena 6 (Leonato. Todos – Até mais. vamos chegar perto e fazer de conta que estamos conversando sem ele perceber. Talvez assim não apronte nada para a pobre moça. seu frouxo. filha. mãe... D. Pedro – Está vendo o Benedito naquele caramanchão de flores. Leonato – Coitadinha dela. Padre – E eu vou me aprontando. Cláudio e D.. Leonato – Coitada de Beatriz. (Saem). Cláudio – Quem diria que estaria apaixonada. venha cá. Cláudio – Então vamos. Cláudio – Sim.. Pedro – Pois é. Cláudio – Vou falar com ele. agradeço o incômodo. D. Tô louca de vontade de me encontrar com arguém. Beatriz – (entrando) Contra a minha vontade.. Pedro – Mas precisas nos ajudar em algo. Leonato – Tomara que eles se acertem. lendo aquele livrinho... Filha – Tá bão.. Cláudio – Está bem. Os velho acha que manda nos jovem. depois Benedito no caramanchão).teatronaescola. Cláudio – É mesmo! Leonato – E queremos que seja com minha filha. Pedro. Filha – O Cráudio é tão bonitinho! Lavadeira – Não é pro teu bico. confessando todo mundo e deixando tudo pronto para os enlaces. (Saem conversando) Cena 7 (Benedito e Beatriz) Benedito – E agora. D.. quando descobrir vou aprontar uma boa pra ela. deixei-a chorando no quarto. mãe? Lavaderia – Ouvi. logo depois que os dois se encontraram. Decerto vem me contar de seu amor. D. (Chegam perto de Benedito e fazem de conta que estão conversando em segredo para que o moço não perceba. Cláudio – Sua filha? Com prazer! Mas o que preciso fazer? Leonato – Deves nos ajudar a convencer Benedito a casar com Beatriz. meu caro Cláudio. Pedro – Vamos lá. Pedro – Aí dizemos que Beatriz está apaixonada por ele. por enquanto vamos ao primeiro: Hero e Cláudio. Pedro – Bom. estou louco de fome. Estás na idade de te casar. Pedro – Parece que estou ouvindo o chamado de vossa esposa para o almoço.

Preciso de algo. onde será que se meteu? Úrsula – Beatriz. Estou aqui para recebê-los.Temos que manter segredo. Hero – Veja! Beatriz está lendo próximo ao caramanchão. Beatriz – Que palavras “bonitas”! Agora. Joana – Onde está meu irmão. quem sabe lhe traga bons modos. Hero – Venha cá. tenho que me sujeitar a acompanhá-lo a estes fins de mundo. Joana – Veja. vai ser uma boa aprontar pros dois. E você Beatriz. lendo no escuro. pois pra ti não trouxe. foi se apaixonar por Beatriz. 4 http://www. Beatriz – Quem me chama? (Aparece a mãe de Hero) Mãe – Meninas. (Todas saem de cena e apaga-se a luz) Cena 9 (Chegada de D. Beatriz!!! Olha. te arranca daqui e vai te lavar. (Sai Benedito e Beatriz fica lendo) Cena 8 (Hero e Úrsula inventam uma história para Beatriz. acho que veio nos receber. senão aí é que ela o pega de vez pra chacota. sua mãe está nos chamando. Úrsula – Que queres agora? Hero – Tem um plano para juntar Beatriz e Benedito. mais uma incomodação para a senhora. Úrsula – Pois é. Meu irmão disse que era pra vir com urgência. (Chegam perto do caramanchão.com . Beatriz – Vou aproveitar pra ler mesmo. Pedro. É bom que seja urgente mesmo. Borrachio – Deixei as malas na carruagem. Úrsula – E não pode confessar. Vamos. a criada e Borrachio) D. Úrsula – O casal B. Desgraça! A filha do governador vai se casar com o meu amado Cláudio. Joana. Hero – E logo por quem! Úrsula – Dá vontade de chorar. Úrsula – Também acho. Hero – Coitado do Benedito. Será que contamos pra Beatriz? Hero – Por falar em Beatriz.Benedito – Talvez por que estejas sempre com cara de não gosto. cara Beatriz. Olhe. Benedito – Leia meu livro. D. Joana – Já não basta ter um meio irmão metido a besta. D. vou estragar. mesma situação anterior). D. Vai viver infeliz pra sempre! Beatriz – O quê???!!! Hero – Temos que ir.. Joana – Por falar em soldado. Os governadores estão preparando o casamento de Cláudio com Hero. Joana.Isso. tomando sereno!!! Vamos pra dentro. D. Beatriz – (pensando)Vou me esconder pra ouvir melhor. entrem. Onde fica a estalagem? D. D.. A mim pode ser que traga. mas está tão bêbado que caiu e deixei lá perto da carruagem. apaixonado que nem uma porta. Precisamos conversar depois do jantar sobre o casamento de sua prima. Sou Margarida. Faz mal pra vista. isso!!! Vamos. onde estão? Margarida – Seu irmão está dormindo. e os donos do Palácio? Borrachio – Sim. serva do Palácio do governador Leonato. Criada – Pelo visto. Ótimo. seu porco.teatronaescola. Joana – Que lugarzinho ruim. Úrsula. está vindo aí. ela está ali. Margarida – Bom dia. Úrsula – Vamos dizer que Benedito a ama e não pode contar.B. tentei trazer o Borrachio. estão planejando alguns casamentos entre as mulheres desta cidadezinha com os soldados. como sou infeliz. cadê o Borrachio? Criada – D. ter um lacaio bêbado! Se tiver alguma coisa de boa acontecendo pro meu irmão. Borrachio – Aí vem uma donzela. Criada – Disseram que era importante. Só por que sou meia irmã de D. Depois a mãe). Joana. Vai que Beatriz descobre. Joana. Hero – Dentre tantas mulheres. Pois é.

Pedro – Hei. sabe? D. todos se ajuntam. cara irmã? D. Carregue minhas malas. Joana. Joana? Margarida – Idéia de quê. nóis tava pensando no jeito de arrumar o pátio por casório. Joana – Hoje é lua cheia.. Aí . Pedro. vai usar uma roupa de Hero e ficar naquele caramanchão ali conversando com Borrachio.. Borrachio! Borrachio –Eu também te amo! .. há um casal de namorados no caramanchão! D. Sobre o quê? Margarida – Ah. Só digam que se amam. D. Cláudio – Veja. (Saem) Cena 10 (Lavadeira e Filha.. espere aí. parece que conheço aquela moça! D. Esta moça está apaixonada pelo melhor soldado de D. Joana (voltando-se para Margarida) – Ah. As duas – Pode deixar.teatronaescola. Lavadeira – Amanhã. Vamo drumi. Borrachio – Eu te amo! Margarida – “Ótimo.... menos nóis. seu Padre. depois o Padre) Lavadeira – Fia mia. seu Padre! (Saem todos e chegam Cláudio. Joana – Estou tendo uma idéia. Carregue as malas.. meu amor! Criada – Não se preocupe. então Cláudio pensará que Hero o está traindo. vou já acabar com isso. Filha – Pois é mãe.. Borrachio – Isso. e a minha mesa com a toalha branca aqui. Pedro e Dona Joana num canto do palco e Margarida e Borrachio no caramanchã). D. no casamento do seu Cráudio com a dona Hero. Criada – Estou aqui para ajudá-la. você.. Margarida – Não sei em que fui me meter. Ele vai pensar que eu sou Hero e você é o outro. D. D. Joana – Isso. ocê bota seu mió vestido e nóis vai no casamento e acha arguem pra ocê. Cláudio – Espere. D. virada pro lado de lá. Cláudio – D. Eu te ajudo com as malas. Amanhã vai ter muito trabalho.. quando eu chamar meu irmão D. princesa? D. Margarida. Pedro – O que tem de diferente ao luar de hoje. seu burro.com . veja como está lindo este vale! .. D Pedro e Dona Joana). os pobre. Joana – E com meu lacaio. Lavadeira – A vida é assim. Ainda temo que agüentar as cara feia deles. Margarida – Como eu te amo. Parecia que eu só tava lá pra ser garçonete. eu também te amo”! Agora vamos entrando. Filha – A bênça. o Ricardão.. Filha – Brigado.Criada (chamando D. já estou acostumada com esse aí. Joana – Não explica muito. meu irmão ficará feliz com o casamento de seu amigo com a filha do governador. Tava todos bêbado e quando eu chegava perto só me pediam vinho ou cerveja. que bom que veio para o meu casamento. mas não achei nenhum. percurei. D. Noite. Isso me dá uma idéia.. uma idéia! Idéia de quê. 5 http://www. Quero bastante flores.. mãe. Joana – Hoje à noite. Espero que o casamento de amanhã não se realize. Você está apaixonada por Cláudio.. Borrachio – A mim? Nem conheço esta moça e já estou com um par de chifres? Margarida – Não. deixe-me ouvir mais.. Pedro e Cláudio para olhar o luar sobre a planície. Borrachio –Aí eu converso com ela.. Lá no palácio tá todo mundo com cara feia. eu percurei. parece que temos alguma coisa a fazer por aqui. D. Joana) – Veja. Padre – (chegando) Posso saber o que as senhoras estão a fazer numa hora dessas aqui no sereno? Lavadeira – A bênça. Borrachio – Isso. Padre – Ah.. Joana. Cena 11 (Cláudio. por que ocê tá chorando? Filha – Mãe. bom! Acordem cedo e decorem direitinho.

Joana. Confiamos em ti. Não. acho que ela morreu.. não estrague o casamento.. apenas está desmaiada.. Pedro está indo embora com a criadagem. todos os personagens ao fundo do palco. Cláudio – Vou tomar uma atitude amanhã. Beatriz – Que mulher mais escandalosa. minha filha.. O que você acha. Borrachio. Mas eu te amo.. Mas ele. Mãe – Minha filha.. Hero – Oh. Lavadeira – Hei. Benedito – Deixe-me acordá-la com este limão. a mãe de Hero e o Padre). D. Joana? Estão fugindo. tens que tomar uma atitude! D.D.. onde estou. Todos – Oh! Hero – Querido. Joana – É claro. Ontem ele tava abraçando um outro cara. meu Deus. como você é inteligente! Hero – Está bem. Garanto tem dedo de mais alguém. Benedito – Esperem! Este bêbado de que falaram. Joana – Mas é claro. Ela estava a namorar com um bêbado. minha filhinha morreu. aquele Borrachio foi melhor que eu esperava. deixando Cláudio coçando a testa). Criada – E então. meu chuchuzinho. Joana.. Leonato – Maldição. veja. Socorro. amanhã casarei com Cláudio. Beatriz – Pois sim. os desgraçados. Pedro – Cláudio. tome uma atitude! Mas vamos ouvir mais. Beatriz – Espere aí. Leonato. Joana que arquitetou tudo. Rico é tão estranho. a meia irmã de D.teatronaescola. Criada – Parabéns. o plano deu certo? D. o noivo tá chegando e parece que vai falar. o Cláudio está até agora coçando a cabeça. (Saem Leonato e a mulheri avisando a todos). querido Benedito? Benedito – Beatriz. (Levam Cláudio chorando para dentro). ontem à noite. Borrachio – Serei teu Ricardo. Padre – Hei. 6 http://www. menos Beatriz.. namoradeira! (Hero desmaia e Cláudio sai com todos atrás dele.com . pensava que estava casando com Cláudio. aquele não serve? Filha – Não sei.. não me casarei com esta moça. o que fizeram com minha filhinha. Vamos fingir que Hero morreu mesmo e fazer Cláudio pagar pelo que fez. Margarida – Sabe.. vamos ao plano. parece que ouço vozes! Fuja. meu amor. Cena 12 (No casamento. que horror! Cláudio – Deixo-a no altar.. Filha – Por que será? Lavadeira – Sei lá. sua messalina. Joana – Vamos para dentro e deixemos isto para amanhã. Hero – Isso deve ser armação da Margarida. só pode ser o Borrachio. vejam ao longe: não é a carruagem de D.. Cláudio – Senhoras e senhores aqui presentes. então. Mãe – Marido. Filha – Quieta mãe.. Joana – Isso. então estamos diante de uma trama. D. . D. Ela não morreu. Acredito que não é muito santo. Então foi D. (Saem os dois. Joana. Benedito. Borrachio – Venha comigo. filhina. D. Margarida – Hei. Margarida – Vamos. Pedro – Não podes te casar com ela. Lavadeira – Olha lá. Criada – E a Margarida. isso não é verdade! Padre – Rapaz. coração de leão. é verdade! Padre – Calma. no casamento. tenho um plano. fez tudo como o combinado? D. D. .. entram os noivos). .

pois ouvi dizer que estava a morrer de amor por mim. Coitada de nossa amada Hero. Todos – Oh. minha irmã sofreu um acidente ao despencar de um penhasco com a carruagem. Mas vamos fazer de conta que está. Droga!!! Lavadeira – Vamos. Todos – Oh!!! (de paixão). morta no dia do casamento. foi só um desmaio. Todos – Oh!!! (de admiração). (Festa com música animada). o pobre coitado está aos prantos. Papai. (A mãe sai para avisar). mas por piedade. por minha honra. Hero. Beatriz – E eu também aceito. A adaptação e improvisação ficam por conta dos atores. vossa filha não está morta. Pedro – Que manhã triste..teatronaescola. Mas temos aqui mais casais. com faixas e curativos). Hero – É pra já. Mãe – Como? Agora já até avisei a Cláudio. finja-se de morta. Leonato – E vocês. (Chegam os quatro brabos. Fiquei morta enquanto a calúnia existia.. filha. deves casar com minha filha. me sujeito a isto! Padre – Tu. Cláudio – Você está viva! Hero – Sim. Prof. Julguei mal sua filha e mereço uma punição. (Todos voltam chorando) Cena 13(Cena final do casamento) D. pois está a definhar de amores por mim. Primeiro pra não fazer este pobre coitado passar vergonha e segundo para também salvar-lhe a vida. nem a criada. case-os. Todos (que não sabem) – Mas que loucura!!! Cláudio – Está bem. Mãe – Isso mesmo. Padre – E você. case Benedito e Beatriz. nem aquela falsa da Margarida e nem aquele bêbado Borrachio. Benedito – Vamos preparar o corpo aqui mesmo. aceita casar-se com Cláudio de Florença? Hero – (levantando) – Aceito.com . (Leonato interrompe a todos e dá um ultimato a Cláudio) Leonato – Isso não fica assim. Úrsula – Por sorte não morreu.(Voltam Leonato e esposa. FIM Obs – Este texto foi baseado no texto do grande poeta inglês e na tradução de Mario Quintana do original de Charles e Mary Lamb. morrendo de amores um pelo outro!!! Padre – Eu vou declaro maridos e mulheres até que a morte os separe. Cláudio de Florença aceita casar-se com Hero de Messina? Cláudio – Aceito. chorando) Leonato – Minha filhinha!!! Padre –Calma. senhor Leonato. Leonato – De pé. Hero de Messina. vamos procurar um noivo pra ti. Margarida e Borrachio vieram para a festa. sua criada. Cláudio – Farei o que o governador me mandar. deves limpar a honra de minha filha. rapaz. Nos ajude. Contos de Shakespeare. Mãe – Hei. O senhor Cláudio humilhou minha família. aceitam se casar? Benedito – Eu aceito. nem ela. Exijo uma retratação. vejam!!! Dona Joana. chame-o. Beatriz– Melhor assim. março de 2005 7 http://www. Jarbas Griebeler São Leopoldo. morta. Os quatro– Vamos ter assistir a felicidade dos outros. Padre. Cláudio – Mas ela está.

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