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03 Maio 2008 - 00h24


Lisboa: Ministério Público acusa em 19 dias

Pais agridem professora


Um rapaz de 11 anos distraía-se com o colega do lado e a professora chamou-o à atenção. Só à
segunda vez pegou na caderneta do aluno e, "de forma simbólica, tocou-lhe ligeiramente na cabeça",
apurou a PSP junto de quatro colegas. O pai do aluno passava junto à Escola Básica Arquitecto Ribeiro
Telles, no Bairro da Boavista, em Lisboa, e, depois de avisado, irrompeu pela sala de aula. A professora
foi insultada de "filha da p..." e "vaca" e logo atingida por um dossiê em cheio junto à cabeça na tarde
de 4 de Abril.

‘Maria’ (nome fictício), de 35 anos, 'entrou em pânico' com a agressividade do pai do aluno – a quem
ainda tentou explicar com calma e 'exemplificar o gesto inofensivo' – e saiu disparada pelo corredor 'a Ilustração de Ricardo Cabral
pedir socorro'. Aí cruzou-se com a mãe do aluno de 11 anos, que a 'agarrou num ombro e lhe deu uns
abanões', descreveu ao CM a subcomissária Jesuína Correia, da Divisão de Investigação Criminal da PSP de Lisboa. Valeu à vítima a
intervenção do director da escola, que separou as mulheres, sendo logo chamada uma equipa da Escola Segura da PSP.

A mãe do aluno, de 24 anos, correu à esquadra mais próxima a apresentar queixa contra a professora, por uma suposta agressão ao filho.
Mas as conclusões da PSP são outras: 'Foi feito um balanço de toda a situação e concluímos que não houve qualquer agressão da
professora ao aluno. Existiu, sim, uma chamada de atenção que se enquadra no dever de correcção e é socialmente aceite.' O gesto
simbólico na cabeça do aluno 'foi com um documento idêntico a um boletim de vacinas. Só tem sete a oito folhas...'

Quanto aos pais do rapaz, a situação é diferente. Em apenas 19 dias, com uma rapidez recorde em Portugal, a PSP concluiu a
investigação, remeteu-a para o Departamento de Investigação e Acção Penal e, a 23 de Abril, já tinha saído o despacho de acusação do
Ministério Público (MP) contra o casal agressor.

Ele, de 30 anos, responde por injúrias e ofensa à integridade física qualificada; a mulher por ofensa à integridade física qualificada.
Arriscam, cada um, até quatro anos de cadeia. 'A rapidez de investigação, em articulação com o MP, enquadra-se na Lei de Política
Criminal. A violência contra professores foi definida como uma das prioridades.'

Conclusões da PSP e MP, ouvidos a vítima, agressores e quatro entre cerca de vinte alunos do 3.º ano do 1.º Ciclo da escola, além de um
relatório do Hospital de Santa Maria, onde a docente foi assistida: o aluno manteve-se sentado junto à janela depois do gesto da
professora e, ao ver passar a irmã no corredor, mandou-a ir chamar o pai. Este entrou pela sala, interrompendo a aula, e insultou a
docente. Esta exemplificou o gesto com a caderneta e foi atingida entre a cabeça e o ombro 'com um dossiê carregado de manual escolar
e livros'. À porta da sala estava a mãe.

PGR DENUNCIA VIOLÊNCIA

As denúncias do procurador-geral da República (PGR), Pinto Monteiro, para as situações de violência nas escolas, foram recebidas com
apreensão por professores e pais. A afirmação de que há alunos menores que levam armas para as escolas deixou o País em alerta. Em
dois dias seguidos, em Abril, representantes da Plataforma Sindical de Professores e da Confederação Nacional das Associações de Pais
(Confap) foram recebidos pelo PGR, onde conheceram algumas das situações denunciadas por Pinto Monteiro.

Da parte dos professores ficou o compromisso de lançar uma campanha de sensibilização contra a violência e indisciplina junto das
escolas. 'Calar as situações não protege. Têm de denunciar os casos', afirmou na altura o porta-voz da Plataforma, Mário Nogueira.
Também o presidente da Confap, Albino Almeida, anunciou a realização de acções de sensibilização junto dos encarregados de educação
para combater a violência em torno do meio escolar. Pinto Monteiro mostrou disponibilidade para participar nessas acções.

VÍDEO VISTO POR TODO O PAÍS

Não fosse a divulgação das imagens na internet e provavelmente o caso da Escola Carolina Michaelis, no Porto, seria um entre tantos
outros que, diariamente, pautam a relação professor-aluno nas escolas. O País abriu a boca de espanto em Março com a divulgação do
vídeo que mostra uma aluna a empurrar uma professora, que minutos antes lhe tinha apreendido o telemóvel. Ocaso originou a
transferência da aluna e do colega que filmou a cena para outra escola. E, pelo menos, serviu para os alunos e pais reflectirem so
comportamentos de indisciplina e violência. 'Desde os incidentes, a atitude dos pais mudou, estão muito mais preocupados', disse há dua
semanas a presidente do conselho executivo da escola, Carla Duarte.

MAIS VIOLÊNCIA

MURRO NA COZINHA

Na semana passada um aluno de 16 anos agrediu com um murro na cara uma cozinheira, na Escola Secundária Ruy Luís Gomes,
Laranjeiro (Almada). A funcionária apresentou queixa na PSP do Laranjeiro.

PONTAPÉ NO BARREIRO

Uma professora de Matemática foi agredida a pontapé por uma aluna de 11 anos, na EB 2/3 Padre Abílio Mendes, no Barreiro. A
professora foi assistida no hospital e apresentou queixa na PSP daquela cidade.

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FAMILIARES BATEM

Em 2006, um casal familiar de um aluno da EB1 de São Gonçalo, no Lumiar (Lisboa), entrou na escola e agrediu uma professora, que teve de
assistência do INEM. A escola esteve encerrada alguns dias por decisão dos professores. OMinistério da Educação acabou por reforçar a s
estabelecimento de ensino.

Henrique Machado
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