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PROFESSORES

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Álvaro Veras – Coordenador do Curso e Professor de Direito Constitucional e Direito Administrativo.

Foi aprovado nos concursos de Procurador do Estado do Rio Grande Norte (2015 – 2º
Foi aprovado nos concursos de Procurador do Estado do Rio Grande Norte (2015 – 2º lugar, antes
dos títulos), Procurador do Estado da Bahia (2014 – 12º lugar), Procurador do Estado do Piauí,
Procurador do Estado do Paraná, Defensor Público do Estado do Ceará (2015 – 5º lugar, antes dos
títulos) e Defensor Público Federal (2015 – 17º lugar).
Natalia Maia – Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho. Procuradora do Estado de
Natalia Maia – Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho.
Procuradora do Estado de Goiás. Aprovada no concursos da PGE-BA e da PGE-RN. Pós-graduanda
em Direito Processual pela PUC-MG. Bacharel em Direito pela UFC.
Frederico Martins – Direito Tributário e Direito Ambiental. Procurador Federal em Brasília (Concurso de 2013
Frederico Martins – Direito Tributário e Direito Ambiental.
Procurador Federal em Brasília (Concurso de 2013 – aprovado em 4º lugar). Aprovado no concurso
da PGE-RN (2015, 3° lugar, antes dos títulos). Ex-Assessor da Vice-Procuradora-Geral da República.
Especialista em Direito Constitucional pela Universidade Anhanguera. Bacharel em Direito pela UFC.

Kaoye Guazina Oshiro – Direito Civil, Direito Processual Civil e Direito Empresarial.

Procurador do Estado do Mato Grosso do Sul. Ex-Analista Judiciário do TJ-MS. Aprovado no concurso de Procurador do Estado do Piauí (2014 – 42º lugar), Procurador do Estado do Paraná, além de ter outras aprovações como Analista Judiciário – Oficial de Justiça Avaliador do TRF 3ª Região (2013 – 7º lugar), Técnico Orçamentário do MPU (2010 – 10º lugar) e Técnico Judiciário do TRT 24ª Região (2010 – 54ª lugar), do STM (2010 – 13º lugar) e do TJ-MS (2009 – 1º lugar). Realiza acompanhamentos personalizados para concursos no curso Ouse Saber. Bacharel em Direito pela UFMS.

no curso Ouse Saber. Bacharel em Direito pela UFMS. Lucas Oliveira – Direito Penal e Direito

Lucas Oliveira – Direito Penal e Direito Processual Penal.

Procurador Municipal em exercício. Aprovado no concurso de Procurador do Município de São Paulo. Aprovado no concurso de Procurador do Estado do Paraná. Aprovado no concurso de Procurador do Estado do Rio Grande do Norte. Aprovado nos concursos de Oficial de Justiça Avaliador Federal do Trabalho (TRT-SC, 11º lugar, TRT-GO, 8º lugar). Aprovado no concurso de Delegado da Policia Civil do Estado do Espirito Santo (não fez curso de formação). Especialista em Ciencias Criminais pela Universidade Anhanguera.

Santo (não fez curso de formação). Especialista em Ciencias Criminais pela Universidade Anhanguera. Página - 2

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Jorge Maffra Ottoni

Procurador Autárquico. Aprovado nos seguintes concursos públicos: Procurador da Assembleia Legislativa de Goiás (1º colocado). Procurador do Município de São Paulo. Procurador do Banco Central. Procurador Federal (AGU). Procurador do Município de Niterói. Procurador da Câmara do Município de São Paulo. Procurador do Município de Atibaia (2º colocado). Procurador do Município de Limeira (1º colocado – empate). Procurador do Município de Jundiaí. Procurador do Município de Taboão da Serra (1º colocado antes dos títulos). Procurador do Município de Araras (2º colocado). Advogado da Companhia Paulista de Obras e Serviços. Advogado SP Urbanismo (3º colocado). Procurador Instituto de Previdência de Ilhabela (1º colocado). Advogado Dataprev. Procurador Geral da Câmara de Caieiras. Bacharel em Direito pela USP.

(1º colocado). Advogado Dataprev. Procurador Geral da Câmara de Caieiras. Bacharel em Direito pela USP. Página

SUMÁRIO

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QUESTÕES OBJETIVAS SEM O GABARITO COMENTADO 5 DIREITO PENAL 5 DIREITO PROCESSUAL PENAL 6 DIREITO DO TRABALHO 6 DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 7 DIREITO TRIBUTÁRIO 8 DIREITO AMBIENTAL 9 DIREITO EMPRESARIAL 10 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 10 DIREITO CIVIL 11 DIREITO URBANÍSTICO 12 DIREITO PREVIDENCIÁRIO 12 DIREITO FINANCEIRO 14 DIREITO CONSTITUCIONAL 14 DIREITO ADMINISTRATIVO 16

GABARITO DAS QUESTÕES OBJETIVAS 18

QUESTÕES OBJETIVAS COM O GABARITO COMENTADO 19 DIREITO PENAL 19 DIREITO PROCESSUAL PENAL 25 DIREITO DO TRABALHO 29 DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 36 DIREITO TRIBUTÁRIO 39 DIREITO AMBIENTAL 49 DIREITO EMPRESARIAL 51 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 55 DIREITO CIVIL 58 DIREITO URBANÍSTICO 60 DIREITO PREVIDENCIÁRIO 64 DIREITO FINANCEIRO 71 DIREITO CONSTITUCIONAL 74 DIREITO ADMINISTRATIVO 89

QUESTÕES DISSERTATIVAS 99 DIREITO DO TRIBUTÁRIO 99 DIREITO ADMINISTRATIVO 99

PEÇA PROFISSIONAL

101

DIREITO DO TRABALHO

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QUESTÕES OBJETIVAS SEM O GABARITO COMENTADO

ORIENTAÇÃO: procure responder todas as questões com agilidade, sem consulta a nenhum material, a fim de simular a situação encontrada em prova.

DIREITO PENAL

1. Acerca do direito penal aplicado à Administração Pública, assinale a alternativa correta:

a) Recentemente, o STF (Supremo Tribunal Federal) julgou incompatível com a Constituição

Federal o disposto no art. 33, parágrafo 4º, do Código Penal (CP), verbis, “ O condenado por crime contra a administração pública terá a progressão de regime do cumprimento da pena condicionada à reparação do dano que causou, ou à devolução do produto do ilícito praticado, com os acréscimos legais.”, visto que o enunciado fere o direito fundamental à

liberdade do condenado

b) No direito penal brasileiro, porquanto verificada a possibilidade de atingir a liberdade

do indivíduo, o conceito de “funcionário público” tem interpretação restrita, o que não ocorre na seara administrativa.

c) Algumas funções dotadas de relevância jurídica, exemplo de múnus público, tal qual o

defensor dativo, são consideradas pela jurisprudência dos Tribunais Superiores como sendo funcionários públicos para fins penais.

d) Suponha que o Estado do Mato Grosso contrate uma empresa de manobristas para

estacionar os carros dos convidados em uma festa pública. Um dos empregados subtrai, para si, um automóvel da frota pública. Nesse caso, por estar investido de função pública transitória, responderá pelo crime do art. 312 (peculato-furto).

e) Segundo o STJ, o estagiário de autarquia pode ser considerado funcionário público tanto

como sujeito ativo como passivo do delito.

2. Acerca do crime de peculato (art. 312), assinale a alternativa correta.

a) Segundo a jurisprudência majoritária, além de caracterizar improbidade administrativa,

a utilização de mão de obra pública, originária do trabalho de um funcionário público subalterno em proveito do superior hierárquico, pode ser enquadrado no crime de peculato.

b) Embora aplicado em situações excepcionais, o STJ já aceitou a incidência do Princípio da

Insignificância ao crime de peculato.

c) Responderá por furto o funcionário público que, durante a madrugada, escala a parede

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da repartição pública e arromba uma janela para subtrair um computador que se encontrava na sala do seu superior hierárquico.

d) Segundo a doutrina, o peculato furto não se configura como hipótese de peculato

impróprio.

e) Segundo o STF, como regra, diferentemente do crime de furto, é típica a conduta do

chamado “peculato de uso”.

DIREITO PROCESSUAL PENAL

3. Acerca do direito processual penal, assinale a alterna correta:

a) O assistente de acusação pode impetrar habeas corpus visando à anulação do processo

que resultou em absolvição do acusado.

b) O Superior Tribunal de Justiça já admitiu como lícita a interceptação telefônica conduzida

por outro órgão da administração pública que não a autoridade policial.

c) Segundo o STF, é imprescindível que haja a presença de pedido expresso para a perda do

cargo público na denúncia nos casos de crimes cometidos contra a Administração pública, decorrendo tal necessidade de possível violação ao princípio da congruência.

d) Em relação a recurso interposto pela defesa no processo penal, considera-se possível a

desistência do recurso, condicionada a que não haja oposição do advogado e do próprio réu.

e) Ao contrário do que ocorre no direito processual civil, não há que se falar em reexame

necessário no processo penal.

DIREITO DO TRABALHO

4. Acerca da equiparação salarial, assinale a alternativa correta:

a) O pleito pela equiparação salarial de trabalho intelectual é juridicamente impossível, por

não ser passível de avaliação objetiva quanto à produtividade e à perfeição técnica.

b) A diferença de tempo de serviço entre o empregado que pleiteia a equiparação e o

paradigma não pode ser superior a 2 (dois) anos; nesse caso, importa o tempo de serviço no emprego, independentemente da função exercida.

c) A existência de plano de cargos e salários que, referendado por norma coletiva, preveja

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critérios de promoção apenas por merecimento constitui óbice à equiparação salarial.

d) A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de

emprego com o ente da Administração Pública. Não obstante, uma vez presente a igualdade de funções, os empregados terceirizados terão direito às mesmas verbas trabalhistas legais e normativas asseguradas àqueles contratados diretamente pelo tomador público de serviços.

e) Em razão da vedação à equiparação de qualquer natureza para efeito de remuneração do

pessoal do serviço público, instituída pelo art. 37, XIII da CF/88, é juridicamente impossível a aplicação do art. 461 da CLT quando se pleiteia a equiparação salarial entre empregados celetistas de sociedade de economia mista.

5. Quanto à sucessão trabalhista, assinale a alternativa correta:

a) No contrato de concessão de serviço público em que uma empresa concessionária

outorga a uma outra, no todo ou em parte, mediante arrendamento, ou qualquer outra forma contratual, a título transitório, bens de sua propriedade, a segunda concessionária responde, na condição de sucessora, pelos direitos decorrentes do contrato de trabalho; nesse caso, a primeira concessionária será responsável subsidiariamente pelos débitos trabalhistas relativos a todo o período.

b) No contrato de concessão de serviço público em que uma empresa concessionária

outorga a uma outra, no todo ou em parte, mediante arrendamento, ou qualquer outra forma contratual, a título transitório, bens de sua propriedade, a segunda concessionária responderá inclusive pelos direitos dos trabalhadores derivados de contrato de trabalho extinto antes da vigência da concessão.

c) A responsabilidade do sucessor alcança não apenas os débitos provenientes dos contratos de trabalho em vigor à época da venda do fundo de comércio, mas também aqueles oriundos dos contratos extintos antes da sucessão de empresas.

d) O sucessor responde solidariamente por débitos trabalhistas de empresa não adquirida

que integra o mesmo grupo econômico da empresa sucedida, ainda que, à época da sucessão, a empresa devedora direta fosse solvente ou idônea economicamente.

e) O sucessor não responde solidariamente por débitos trabalhistas de empresa não

adquirida que integra o mesmo grupo econômico da empresa sucedida, mesmo que haja fraude na sucessão.

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6. Quanto ao recurso de embargos do art. 894 da CLT, assinale a alternativa que comporta uma

afirmativa errada:

a) Da decisão denegatória dos embargos caberá agravo, no prazo de 8 (oito dias).

b) As decisões de Turmas contrárias a orientação jurisprudencial do Tribunal Superior do

Trabalho não são atacáveis por meio de embargos.

c) Não se considera divergência apta a ensejar os embargos aquela já ultrapassada por

súmula do Supremo Tribunal Federal, ainda que não vinculante.

d) O Ministro Relator denegará seguimento aos embargos se a decisão recorrida estiver em

consonância com súmula de jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho; o mesmo será feito se for constatada irregularidade de representação no recurso;

e) Cabem embargos para a Seção de Dissídios Individuais de decisão de Turma proferida

em agravo em recurso de revista, nos termos do art. 894, II, da CLT.

DIREITO TRIBUTÁRIO

7. Acerca do ICMS, assinale a alternativa incorreta:

a) Segundo o STJ, não incide ICMS na saída de equipamento do estabelecimento a título

de comodato, assim como não é fato gerador do imposto a saída de mercadoria de um estabelecimento para outro do mesmo contribuinte, ainda que os estabelecimentos sejam situados em Estados distintos.

b) Conforme entendimento sumulado do STF, inexistindo lei estadual instituidora, é ilegítima

a cobrança de ICMS sobre o fornecimento de alimentação e bebidas em restaurante ou estabelecimento similar.

c) É inconstitucional a cobrança de ICMS sobre o transporte aéreo interestadual de

passageiros.

d) De acordo com a Lei Complementar n. 87/96,incide ICMS sobre a prestação de serviços de

transporte interestadual e intermunicipal, por qualquer via, de pessoas, bens, mercadorias ou valores.

e) Na hipótese em que determinada Igreja Católica adquira computador de empresa como

consumidora final, não haverá incidência do ICMS na operação, em virtude da imunidade religiosa prevista na Constituição Federal.

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8. Acerca dos impostos sobre a propriedade, julgue os itens a seguir e assinale a alternativa

correta:

I. Com base no princípio da isonomia, é inconstitucional norma que conceda isenção de

IPVA a oficiais de justiça do Estado que utilizem veículos próprios para o desempenho de suas funções.

II. Sob a perspectiva estática, o IPTU é imposto que não possui caráter confiscatório.

III. O imposto sobre a propriedade territorial rural – ITR, não obstante seja de competência

da União, pode ser fiscalizado e cobrado por Município. Trata-se de hipótese de delegação da capacidade tributária ativa a ser firmada por meio de convênio.

a)

Apenas I e II estão corretas.

b)

Apenas I e III estão corretas.

c)

Apenas II e III estão corretas.

d)

Apenas I está correta.

e)

Apenas II está correta.

DIREITO AMBIENTAL

9. Acerca dos objetivos das Unidades de Conservação de Proteção Integral, assinale a alternativa

correta:

a)

A Reserva Biológica tem como objetivo proteger ambientes naturais onde se asseguram

condições para a existência ou reprodução de espécies ou comunidades da flora local e da

fauna residente ou migratória.

b) O Parque Nacional tem como objetivo básico preservar sítios naturais raros, singulares

ou de grande beleza cênica.

c) O Monumento Natural tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais

de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas

científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico.

d) A Estação Ecológica tem como objetivo a realização de pesquisas científicas e a

preservação da natureza.

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e) O Refúgio de Vida Silvestre tem como objetivo a preservação integral da biota e

demais atributos naturais existentes em seus limites, sem interferência humana direta ou modificações ambientais, excetuando-se as medidas de recuperação de seus ecossistemas

alterados e as ações de manejo necessárias para recuperar e preservar o equilíbrio natural,

a diversidade biológica e os processos ecológicos naturais.

DIREITO EMPRESARIAL

10. A respeito do direito cambiário, sua evolução história, princípios, características e classificação,

assinale a alternativa CORRETA:

a) A doutrina costuma dividir a evolução do direito cambiário em três períodos históricos

distintos, a começar pelo italiano, cuja origem ocorreu durante a idade média nas cidades marítimas italianas, seguido pelo francês, cujo destaque foi o surgimento da cláusula à

ordem e a criação do instituto do endosso, até chegar no atual período denominado de alemão, que se iniciou com a edição, em 1848, da Ordenação Geral do Direito Cambiário.

b) A aplicação do subprincípio da abstração independe da circulação do título de crédito,

razão pela qual não é possível se discutir a causa que lhe deu origem ainda que a relação jurídica seja travada entre os próprios sujeitos que participaram da relação originária.

c) Segundo a classificação moderna, os títulos de crédito nominais são aqueles em que se

identifica expressamente seu titular e cuja transferência da titularidade somente pode ser feita por meio de endosso.

d) De acordo com entendimento jurisprudencial dominante, o título de crédito emitido ou

aceito com omissões ou, ainda, em branco, deve ser considerado nulo por possibilitar ao credor, ainda que de boa-fé, o seu preenchimento de maneira unilateral, em prejuízo do devedor.

e) Ainda que prescrita a pretensão executiva de uma nota promissória ou de um cheque,

é cabível o ajuizamento de ação monitória em face do seu emitente no prazo de 5 (cinco)

anos, a contar do dia seguinte ao vencimento do título (caso da nota promissória) e do dia seguinte à data de emissão estampada na cártula (no caso do cheque).

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

11. Analise as afirmações abaixo, referentes ao sistema recursal no âmbito do processo civil:

I. Segundo entendimento jurisprudencial dominante, a Fazenda Pública não dispõe de

prazo em dobro para interpor recurso sob a forma adesiva, uma vez que a sua interposição

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deve ocorrer no prazo que a parte dispõe para apresentar contrarrazões, o qual é computado de forma simples.

II. Por força do princípio da unirrecorribilidade, é vedada a interposição de um único

recurso para impugnar mais de uma decisão, assim como é vedada, em regra, a interposição de mais de um recurso para impugnar a mesma decisão.

III. De acordo com a jurisprudência do STF, os embargos de declaração opostos objetivando

reforma da decisão do relator, com caráter infringente, devem ser convertidos em agravo regimental, que é o recurso cabível, por força do princípio da fungibilidade.

IV. Não é possível a aplicação do princípio da fungibilidade para o conhecimento, como

agravo de instrumento, de apelação interposta em face de decisão que, antes da prolatação da sentença, reconhece a ilegitimidade de alguma das partes.

Está CORRETO apenas o que se afirma em:

a)

II, III e IV.

b)

I e II.

c)

III e IV.

d)

II e III.

e)

IV.

DIREITO CIVIL

12. De acordo com o entendimento jurisprudencial dominante dos Tribunais Superiores, assinale a alternativa INCORRETA:

a) Consoante autorização expressa do Código Civil de 2002, os credores de indenização

por morte fixada na forma de pensão mensal têm o direito de exigir que o causador do ilícito pague de uma só vez todo o valor correspondente.

b) É possível a cumulação de benefício previdenciário de pensão por morte com pensão

civil ex delicto, não havendo que se falar em bis in idem.

c) É nula, por configurar julgamento extra petita, a decisão que condena a parte ré, de

ofício, em ação individual, ao pagamento de indenização a título de danos sociais em favor de terceiro estranho à lide.

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d) As taxas de manutenção criadas por associações de moradores não obrigam os não

associados ou que a elas não anuíram.

e) É inexigível o consentimento de pessoa biografada relativamente a obras biográficas

literárias ou audiovisuais, sendo por igual desnecessária a autorização de pessoas retratadas como coadjuvantes ou de familiares, em caso de pessoas falecidas ou ausentes.

DIREITO URBANÍSTICO

13. Acerca da outorga onerosa do direito de construir assinale a alternativa INCORRETA:

a) A outorga onerosa é uma exceção que o Poder Público permite a um particular de construir

acima do coeficiente de aproveitamento previsto na área em que se situa o imóvel desde que este particular, em contrapartida, faça uma prestação em prol do desenvolvimento das funções sociais da cidade e do bem-estar de seus habitantes.

b) A doutrina não é pacífica acerca da natureza da contrapartida, contudo o STF já decidiu

que a cobrança não tem natureza tributária.

c) Muito embora a outorga onerosa seja usada primordialmente pelos Municípios, nada impede que o Estado Membro, excepcionalmente, venha a instituir a cobrança mediante previsão em planos regionais de ordenação do território, desde que esses se amoldem à sua competência legal.

d) A lei municipal pode prever hipóteses de isenção da outorga onerosa, independentemente

da necessidade de se observar os requisitos de renúncia de receita da Lei de Responsabilidade Fiscal, ainda que a isenção seja específica.

e) Em razão da taxatividade do art. 26 do Estatuto da Cidade, o administrador público que

aplicar os recursos auferidos com a outorga onerosa em outras finalidades de interesse social ou de utilidade pública não previstas no Estatuto comete ato de improbidade administrativa, ainda que tais finalidades estejam definidas no plano diretor.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO

14. Assinale a alternativa que reflita corretamente o entendimento do STF e do STJ sobre o tema

do acesso à justiça em matéria previdenciária:

a) Como regra, na hipótese de pretensão de restabelecimento de benefício previdenciário

anteriormente concedido o pedido poderá ser formulado diretamente em juízo, independentemente de solicitação prévia à autoridade administrativa responsável pela administração dos benefícios.

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b) Como corolário do requisito processual do interesse de agir, exige-se o prévio exaurimento

da instância administrativa para a concessão de benefício previdenciário judicialmente.

c) A concessão de benefício previdenciário prescinde do prévio requerimento administrativo,

uma vez que viola a garantia do acesso à justiça condicionar a ação à análise prévia do administrador, mormente considerando que a única hipótese de curso administrativo forçado no ordenamento brasileiro se dá na justiça desportiva.

d) Segundo o STJ, o excesso de prazo na análise do requerimento administrativo, com

violação do princípio da razoável duração do processo administrativo, autoriza o acesso à via judicial antes mesmo da decisão administrativa. Por outro lado, a mera resistência da autarquia à tese jurídica esposada acerca da concessão do benefício, ainda que notória e sistemática, não viabiliza o acesso à via judicial sem o prévio requerimento administrativo.

e) Conforme o STJ, a recusa da autarquia previdenciária em receber o requerimento

administrativo de concessão de benefício previdenciário autoriza a impetração de mandado de segurança com a finalidade de obrigar o recebimento do requerimento, mas não a discussão direta do mérito da concessão na via judicial.

15. Acerca do regime próprio da previdência social (RPPS) assinale a alternativa correta:

a) Em razão do caráter contributivo do sistema previdenciário, o RPPS exige contribuição

previdenciária tanto dos servidores ativos quanto dos inativos, em porcentual idêntico aos servidores titulares de cargos efetivos da ativa, o qual incidirá sobre todos os proventos de aposentadoria recebidos.

b) A contribuição dos inativos do RPPS prevista na EC 41/03 não atinge os aposentados

previamente à emenda constitucional, uma vez que, segundo o STF, a aposentadoria é ato jurídico perfeito, gerando direito adquirido na manutenção das condições existentes quando da concessão da aposentadoria.

c) O princípio da capacidade contributiva não legitima a instituição de bases de cálculo

diferenciadas para o recolhimento de contribuições previdenciárias entre servidores públicos estatutários inativos da União e dos Estados.

d) O regime de previdência complementar dos servidores públicos será instituído por lei

federal por intermédio de entidades fechadas de previdência complementar, de natureza pública, que oferecerão aos respectivos participantes planos de benefícios somente na modalidade de benefício definido.

e) A instituição do regime de previdência complementar dos servidores públicos foi

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concebida pelo constituinte derivado (EC 20/98) com o intuito de aproximar o tratamento jurídico do regime geral e do regime próprio, de forma a possibilitar a redução dos proventos da aposentadoria do servidor ao teto do regime geral. Em razão do tratamento jurídico mais gravoso, o constituinte limitou o novo regime unicamente aos servidores ingressos após a EC 20/98.

DIREITO FINANCEIRO

16. Acerca da execução das decisões condenatórias proferidas pelos Tribunais de Contas, assinale

a alternativa correta:

a) Compete aos Tribunais de Contas a execução judicial de suas condenações com eficácia

de título executivo.

b) Compete ao ente público beneficiário da condenação, concorrentemente com o

Ministério Público Estadual, a execução das condenações proferidas pelos Tribunais de Contas Estaduais com eficácia de título executivo.

c) As condenações do tribunal de contas, por gozarem de eficácia de título executivo judicial, não reclamam a prévia inscrição do débito em dívida ativa, aplicando-se, como regra, o rito do CPC.

d) As execuções dos títulos executivos decorrentes de condenações impostas pelo Tribunal

de Contas somente podem ser propostas pelo ente público beneficiário da condenação, aplicando-se o rito processual do CPC, salvo se o ente optar discricionariamente por inscrever o título executivo em dívida ativa, hipótese em que será possível a aplicação da Lei de Execuções Fiscais.

e) A legitimidade para ajuizar execuções dos títulos executivos decorrentes de condenações

impostas pelo Tribunal de Contas é, em princípio, do ente público beneficiário. Contudo, no caso de o ente quedar-se inerte, instaurar-se-á a competência subsidiária do Ministério Público Estadual.

DIREITO CONSTITUCIONAL

17. Em consulta pública realizada em dezembro de 2011, foi realizado plebiscito referente à divisão

territorial do Pará em três: o próprio Estado do Pará e os novos estados do Carajás e Tapajós. Sobre o tema - incorporação, divisão e desmembramento - de Estados e de Municípios, e o federalismo no Brasil, assinale a alternativa correta:

a) Consoante entendimento do STF, o termo população diretamente interessada que será

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consultada por meio do plebiscito abrange apenas a população da área do território a ser desmembramento, não podendo se falar em violação aos princípios da soberania popular e da cidadania.

b) Consoante jurisprudência do STF, atualmente, em face da inexistência de lei complementar

federal para regular o período de criação de Municípios, instaura-se a competência legislativa plena dos Estados-membros, podendo então ocorrer a edição de lei estadual suprir tal falta.

c) Consoante entendimento doutrinário, o parecer das Assembléias Legislativa dos Estados,

no caso da criação de um novo Estado, é considerado vinculativo, necessitando da aprovação para que o procedimento continue.

d) Consoante entendimento doutrinário, não se necessita da aprovação no plebiscito

realizado para a criação de um novo Estado.

e) Considera-se que no Brasil adotou-se um modelo de federalismo por segregação e

cooperativo.

18. Alvo de estudo de muitos especialistas, é inegável que hodiernamente existe sim uma hierarquia entre as diversas normas postas em nosso ordenamento jurídico. Uma das formas de fazer valer tal hierarquia é a existência do denominado controle de constitucionalidade. Tal tema vem sendo, nos últimos tempos, alvo de muitas decisões por parte do STF. Sobre controle de constitucionalidade e a jurisprudência da Corte Constitucional, assinale a alternativa incorreta:

a) Consoante entendimento do STF, não devem respeitar a cláusula de reserva de plenário

as Turmas Recursais dos Juizados Especiais.

b) Torna-se impossível, de acordo com entendimento dos Tribunais Superiores, por violação

ao principio da adstrição, cumular-se pedido típico de ADI com pedido típico de ADC em uma mesma ação de controle concentrado.

c) De acordo com entendimento reiterado do STF, não possui a Associação Nacional dos

Magistrados Estaduais legitimidade para ingressar com ADI.

d) Para fins de definição do conceito de subsidiariedade, essencial para o cabimento da

ADPF, apenas aceita-se, como regra geral, as ações de controle concentrado, e não ações civis públicas, ações populares e demais ações constitucionais.

e) Não se confere legitimidade recursal ao ente político na decisão do STF a respeito de

ações de controle concentrado, mesmo que tenha sido o Governador o autor da referida ação.

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DIREITO ADMINISTRATIVO

19. Nos tempos atuais, em face de neoconstitucionalismo, os princípios vêm ganhando muita

força no ordenamento jurídico em todas as disciplinas. Tal acontecimento não é diferente no âmbito do Direito Administrativo. Sobre princípios administrativos e a jurisprudência dos Tribunais Superiores relacionada, assinale a opção incorreta:

a) A doutrina moderna vem entendendo que a atuação da Administração Pública não deve

obediência tão somente a lei, devendo também respeitar outros instrumentos normativos previstos no ordenamento jurídico, tal como a Constituição. Tal princípio vem sendo chamado de jurisdicidade.

b) Correlacionada ao princípio da boa-fé, a segurança jurídica deve ser vista por duas facetas:

a objetiva e a subjetiva. Enquanto a primeira significa a inafastabilidade da estabilização jurídica, a segunda sublinha o sentimento do indivíduo em relação aos atos, inclusive e principalmente do Estado, dotados de presunção de legitimidade e aparência de legalidade.

c) De acordo com o princípio da autotutela, tem a Administração o poder-dever de anular

os seus próprios atos quando forem ilegais. No entanto, quando dessa anulação decorrer repercussão no campo dos direitos individuais, torna-se necessária a instauração de procedimento administrativo com a garantia do contraditório e ampla defesa, consoante a jurisprudência dos Tribunais Superiores.

d) Consoante entendimento do STJ, a Administração Publica, notadamente pelo

supraprincípio da preponderância do interesse publico perante o interesse privado, não se submete a teoria dos atos próprios, que veda o venire contra factum proprium.

e) É despicienda a criação de lei para que ocorra a vedação do nepotismo, seja ele direto

ou cruzado. Além disso, consoante entendimento do STF, é inconstitucional a criação de lei estadual que excepcione a prática da vedação ao nepotismo.

20. A respeito de atos administrativos, assine a alternativa correta:

a) No direito público, tal qual no Direito Civil, o silêncio deve ser tido como comportamento

tácito, considerando-se os usos e costumes normais, aplicando-se por analogia o disposto no art.111 do Código Civil.

b) Consoante entendimento doutrinário prevalecente, não se pode considerar os atos

expedidos pelas concessionárias e permissionárias como sendo ato administrativo.

c) Os efeitos atípicos dos atos administrativos são aqueles inesperados, secundários, não

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desejados. Dividem-se em prodrômicos, quando atingem terceiros estranhos à prática do ato, e em reflexos, configurado pelo dever de uma segunda autoridade se manifestar quando a primeira já o fez.

d) Consoante entendimento clássico de Hely Lopes Meireles, consideram-se atos administrativos ordinatórios as instruções e as portarias.

e) Dentre as modalidades de extinção do ato administrativo, encontra-se a cassação, que ocorre quando a situação no ato contemplada não é mais tolerada por uma legislação superveniente.

GABARITO DAS QUESTÕES OBJETIVAS

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QUESTÃO 1

LETRA E

QUESTÃO 2

LETRA C

QUESTÃO 3

LETRA B

QUESTÃO 4

LETRA D

QUESTÃO 5

LETRA C

QUESTÃO 6

LETRA B

QUESTÃO 7

LETRA E

QUESTÃO 8

LETRA B

QUESTÃO 9

LETRA D

QUESTÃO 10

LETRA E

QUESTÃO 11

LETRA C

QUESTÃO 12

LETRA A

QUESTÃO 13

LETRA C

QUESTÃO 14

LETRA A

QUESTÃO 15

LETRA C

QUESTÃO 16

LETRA D

QUESTÃO 17

LETRA E

QUESTÃO 18

LETRA B

QUESTÃO 19

LETRA D

QUESTÃO 20

LETRA D

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QUESTÕES OBJETIVAS COM O GABARITO COMENTADO

PROFESSOR: LUCAS OLIVEIRA E-mail: será adicionado na 1ª rodada do curso
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DIREITO PENAL

1. Acerca do direito penal aplicado à Administração Pública, assinale a alternativa correta:

a) Recentemente, o STF (Supremo Tribunal Federal) julgou incompatível com a Constituição

Federal o disposto no art. 33, parágrafo 4º, do Código Penal (CP), verbis, “ O condenado por crime contra a administração pública terá a progressão de regime do cumprimento da pena condicionada à reparação do dano que causou, ou à devolução do produto do ilícito praticado, com os acréscimos legais.”, visto que o enunciado fere o direito fundamental à liberdade do condenado

b) No direito penal brasileiro, porquanto verificada a possibilidade de atingir a liberdade

do indivíduo, o conceito de “funcionário público” tem interpretação restrita, o que não ocorre na seara administrativa.

c) Algumas funções dotadas de relevância jurídica, exemplo de múnus público, tal qual o defensor dativo, são consideradas pela jurisprudência dos Tribunais Superiores como sendo funcionários públicos para fins penais.

d) Suponha que o Estado do Mato Grosso contrate uma empresa de manobristas para

estacionar os carros dos convidados em uma festa pública. Um dos empregados subtrai, para si, um automóvel da frota pública. Nesse caso, por estar investido de função pública transitória, responderá pelo crime do art. 312 (peculato-furto).

e) Segundo o STJ, o estagiário de autarquia pode ser considerado funcionário público tanto

como sujeito ativo como passivo do delito.

COMENTÁRIO

Item a) errado.

O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, reconheceu a constitucionalidade do §4º do art. 33 do Código Penal. O referido dispositivo prevê que “o condenado por crime contra a administração pública terá a progressão de regime do cumprimento da pena condicionada à reparação do dano que causou, ou à devolução do produto do ilícito praticado, com os acréscimos legais”. Fica facultado o parcelamento da dívida.

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O entendimento foi exarado no agravo regimental interposto em face de decisão que indeferiu pedido

de progressão de regime a condenado pelos crimes de peculato e corrupção passiva nos autos da AP 470, que ficou conhecida como “Mensalão”. A decisão foi tomada na Execução Penal 22, Relator. Min. Luis Barroso.

O que tange à aventada inconstitucionalidade do dispositivo em questão, acertadamente a Corte destacou

que “em matéria de crimes contra a administração pública — como também nos crimes de colarinho branco em geral —, a parte verdadeiramente severa da pena, a ser executada com rigor, haveria de

ser a de natureza pecuniária. Esta, sim, teria o poder de funcionar como real fator de prevenção, capaz

a imposição da

de inibir a prática de crimes que envolvessem apropriação de recursos públicos. (

devolução do produto do crime não constituiria sanção adicional, mas, apenas a devolução daquilo que fora indevidamente apropriado ou desviado”.

)

Os ministros ressaltaram que tal entendimento não fere o direito fundamental à liberdade do condenado, visto que esse não estaria em questão, mas sim se a pena privativa de liberdade deveria ser cumprida em regime mais ou menos favorável. Diante disso, afastada resta a alegação de suposta ocorrência de prisão por dívida.

Ademais, “a norma em comento não seria a única, prevista na legislação penal, a ter na reparação do dano uma importante medida de política criminal. Ao contrário, bastaria uma rápida leitura dos principais diplomas penais brasileiros para constatar que a falta de reparação do dano: a) pode ser causa de revogação obrigatória do “sursis”; b) impede a extinção da punibilidade ou mesmo a redução da pena, em determinadas hipóteses; c) pode acarretar o indeferimento do livramento condicional e do indulto; d) afasta a atenuante genérica do art. 65, III, b, do CP, entre outros”, afirmaram os ministros.

Item b) errado.

O art. 327, caput, do Código Penal apresenta o conceito de funcionário público para fins penais:

“Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública”.

Masson explica bem essa diferenciação. Segundo o doutrinador:

“No Direito Administrativo utiliza-se um critério restritivo: funcionário público é uma espécie de agente administrativo, e este, por sua vez, pertence ao gênero dos agentes públicos. No Direito Penal, por sua vez, valeu-se o legislador de um critério ampliativo: a expressão “funcionário público” equivale a “agente público”, na forma elencada pelo art. 327, caput, do Código Penal. Engloba, portanto, os funcionários públicos em sentido estrito, os empregados públicos, os servidores públicos ocupantes de cargos em comissão, os servidores temporários, os particulares em colaboração com o Poder Público e qualquer outra modalidade de agente público passível de se apresentar.” (MASSON, Cleber. Direito Penal Esquematizado. 4ª Ed. Editora Método. p. 1420, formato digital).

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O STF também afirma que o conceito de funcionário público para fins penais abrange os agentes políticos. Neste compasso, HC 72.465/SP, rel. Min. Celso de Mello, 1.ª Turma, j. 05.09.1995. No mesmo sentido: “Por força do art. 327 do Código Penal, para efeitos penais, os agentes políticos são considerados funcionários públicos” (STF: Apn 335/ES, rel. Min. Carlos Alberto Menezes Direito, Corte Especial, j. 1.º.06.2005)

Item c) errado.

Segundo a jurisprudência majoritária, não há que se confundir função pública com encargo público (ou múnus público). Isso porque o encargo é desempenhado apenas em determinadas situações legais (inventariante, curador, etc), exercendo uma atividade transitória de auxílio ao aparato estatal. O defensor dativo também é considerado um portador de múnus público, não podendo ser visto como funcionário público (por não exercer típica função pública). Em precedente sobre o tema, o STJ assim se manifestou:

“O defensor dativo, ao contrário do integrante da Defensoria Pública (art. 5.º, inciso LXXIV c/c art. 134 da CF), não exerce função pública, mas somente munus publicum, razão pela qual a sua conduta, referente à cobrança indevida de honorários, não pode ser enquadrada como ato de funcionário público, refugindo ao âmbito do Direito Penal. “. (RHC 8.856/RS, rel. Min. Fernando Gonçalves, 6.ª Turma, j. 16.12.1999 .

Em outro precedente, ainda mais detalhado:

Funcionário Público – Conceito jurídico-penal – Advogado remunerado por convênio público – Exclusão do conceito- Inteligência do art. 327 do CP – “O Código Penal reelaborou o conceito de funcionário público (art. 327). Compreende quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública. Cargo é lugar e conjunto de atribuições confiadas pela Administração a uma pessoa física, que atua em nome do Estado. Emprego é vínculo de alguém com o Estado, regido pelas leis trabalhistas. Função Pública, por seu turno, é atividade de órgão público que realiza fim de interesse do Estado. A advocacia não é atividade do Estado. Ao contrário, privada. Livre é o seu exercício, nos termos do Estatuto do Advogado. A advocacia não se confunde com a Defensoria Pública. Esta é instituição essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-se da orientação jurídica e defesa, em todos os graus, dos necessitados, na forma do art. 5º, LXXXIV [sic] (Const, art. 134). O defensor Público, ao contrário do advogado exerce função pública. O advogado, designado para exercer a defesa de alguém, exerce munus publicum (Lei 8.906, 14.07.1994, [sic], art. 2º, § 2º). Assim, não exercendo função pública, não é funcionário público para os efeitos penais” (STJ – HC – Rel. Luiz Vicente Cernicchiaro – DJU 03.04.1995 – RT 728/460).

Item d) errado.

O art. 327, § 1.º, do Código Penal assim dispõe:

“Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública”. (grifos nossos).

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Perceba que a figura do funcionário público equiparado somente pode ocorrer caso haja prestação de serviços típicos da Administração Pública. Exemplos de serviços típicos seriam os de limpeza urbana, transporte coletivo. Todavia, o erro da assertiva foi mencionar uma atividade contratada (manobristas) sem qualquer relação com atividades tipicamente administrativas. Neste caso, o manobrista responderá pelo crime de furto (art. 155 do CP) ou estelionato (art. 171), a depender do contexto fático, contudo jamais responderá pelo art. 312 (peculato).

Item e) correto.

Segundo o art. 327, parág. 1º, do CP, verbis:

§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública.

O art. 327, § 1.º, do Código Penal, que trata do funcionário público equiparado é interpretada pela jurisprudência dos Tribunais superiores de maneira extensiva (tanto se aplicando ao sujeito ativo do delito como ao sujeito passivo). Todavia, para a doutrina majoritária, a equiparação deve se limitar quanto ao sujeito ativo. Tal restrição, consoante a doutrina, se explicaria porque o dispositivo legal atinente à equiparação está localizado no do Título XI da Parte Especial do Código Penal, responsável pela definição dos crimes praticados por funcionário público contra a Administração em geral. Entretanto, como destacado, esta não é a posição do STF/STF. Em precedente antigo:

“A teor do disposto no art. 327 do Código Penal, considera-se, para fins penais, o estagiário de autarquia funcionário público, seja como sujeito ativo ou passivo do crime (Precedente do Pretório Excelso)”. HC 52.989/AC, rel. Min. Félix Fischer, 5.ª Turma, j. 23.05.2006.

GABARITO: ALTERNATIVA (E)

2. Acerca do crime de peculato (art. 312), assinale a alternativa correta.

a) Segundo a jurisprudência majoritária, além de caracterizar improbidade administrativa,

a utilização de mão de obra pública, originária do trabalho de um funcionário público subalterno em proveito do superior hierárquico, pode ser enquadrado no crime de peculato.

b) Embora aplicado em situações excepcionais, o STJ já aceitou a incidência do Princípio da

Insignificância ao crime de peculato.

c) Responderá por furto o funcionário público que, durante a madrugada, escala a parede

da repartição pública e arromba uma janela para subtrair um computador que se encontrava na sala do seu superior hierárquico.

d) Segundo a doutrina, o peculato furto não se configura como hipótese de peculato

impróprio.

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e) Segundo o STF, como regra, diferentemente do crime de furto, é típica a conduta do chamado “peculato de uso”.

COMENTÁRIO

Item a) errado.

Segundo a redação do art. 312 do CP (“Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio”) não consta a identificação da apropriação de serviços. Assim, conquanto possa caracterizar um ilícito administrativo e uma conduta ímproba, não há que se falar em peculato. Esta é a interpretação da doutrina (MASSON, op. Cit. p. 1454).

Ademais, a prestação de serviços não se adequa ao conceito de bem móvel. No exemplo da assertiva, faltaria uma elementar típica para a caracterização do crime previsto no art. 312 do Código Penal. No entanto, se o autor da ordem ou beneficiário dos serviços prestador for Prefeito, estará configurado o crime tipificado pelo art. 1.º, inc. II, do Decreto-lei 201/1967.

Item b) errado.

Segundo o STJ, é impossível a aplicação do Princípio da insignificância aos crimes contra a Administração Pública (incluindo por óbvio o peculato). Segundo a Corte:

“É inaplicável o princípio da insignificância nos crimes contra a Administração Pública, ainda

que o valor da lesão possa ser considerado ínfimo, porque a norma busca resguardar não somente o aspecto patrimonial, mas a moral administrativa, o que torna inviável afirmação do desinteresse estatal à sua repressão” (REsp 655.946/DF, rel. Min. Laurita Vaz, 5.ª Turma, DJ

26.03.2007).

Todavia, o aluno deve lembrar que o STF já aceitou a aplicação do referido Princípio ao crime de peculato. Logo, é necessário observar o comando da questão. Caso mencione STJ, inviável a insignificância. Lado outro, caso seja mencionado o STF, deverá ser assinalada a aplicação. Segue a decisão da corte constitucional:

“A 2ª Turma, por maioria, concedeu habeas corpus para reconhecer a aplicação do princípio

da insignificância e absolver o paciente ante a atipicidade da conduta. Na situação dos autos, ele fora denunciado pela suposta prática do crime de peculato, em virtude da subtração de 2 luminárias de alumínio e fios de cobre. Aduzia a impetração, ao alegar a atipicidade da conduta, que as luminárias: a) estariam em desuso, em situação precária, tendo como destino o lixão; b)

seriam de valor irrisório; e c) teriam sido devolvidas. Considerou-se plausível a tese sustentada pela defesa. Ressaltou-se que, em casos análogos, o STF teria verificado, por inúmeras vezes,

a

possibilidade de aplicação do referido postulado. Enfatizou-se que esta Corte já tivera

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oportunidade de reconhecer a admissibilidade de sua incidência no âmbito de crimes contra a

Administração Pública.” (grifos nossos). HC 107.370/SP, rel. Min. Gilmar Mendes, 2.ª Turma, j.

26.04.2011.

Item c) correto.

Segundo o art. 312 do CP, “Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio”.

Assim, resta evidente que o dispositivo exige que a posse deva ser em razão do cargo: é imprescindível a relação de causa e efeito entre ela (posse) e este (cargo). Não é pelo fato de ser funcionário público que o sujeito deve automaticamente responder pelo crime de peculato. A finalidade da lei é outra. Somente estará caracterizado o crime de peculato quando o sujeito comete a apropriação, o desvio ou a subtração em razão das facilidades proporcionadas pelo seu cargo. Lembre-se: o fator “cargo” é decisivo. Desta feita, se o funcionário público pratica a conduta de uma forma que poderia ser concretizada por qualquer outra pessoa, existirá crime diverso do peculato. O exemplo da questão é trazido por Masson em sua obra (MASSON, Op. Cit. p. 1455).

Item d) incorreto.

Ao contrário do enunciado da assertiva, a doutrina costuma chamar o peculato-furto (parágrafo 1º do art. 312 do CP) de peculato impróprio. Segundo o parágrafo 1º do art. 312, do CP, verbis:

§ 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário.

Nesta situação, o servidor público não tem a posse, mas se vale da facilidade que a condição de funcionário lhe proporciona, subtrai ou concorre para que seja subtraída coisa do ente público ou de particular sob responsabilidade da Administração.

Item e) errado.

Segundo o STF, ao contrário do que mencionado na assertiva, é atípica a conduta no chamado “peculato de uso”. Embora ainda haja certa divergência doutrinária, a corte constitucional decidiu pela atipicidade do “peculato de uso”. O “peculato de uso” ocorre quando o funcionário público se apropria-se, desvia, subtrai bem móvel, público ou particular que se encontra sob a custódia da Administração Pública, para posteriormente restituí-lo. Segundo o Supremo, a conduta para ser enquadrada como de “uso” exige o uso temporário de coisa infungível, ausente a busca pela incorporação ao patrimônio próprio ou de terceiros, seguido de sua integral restituição.

Colacionamos os seguintes julgados:

É atípica a conduta de peculato de uso. Com base nesse entendimento, a 1.ª Turma deu

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provimento a agravo regimental para conceder a ordem de ofício. Observou-se que tramitaria no Parlamento projeto de lei para criminalizar essa conduta”. (HC 108.433 AgR/MG, rel. Min. Luiz Fux, 1.ª Turma, j. 25.06.2013)

É também a posição adotada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça:

“Analogamente ao furto de uso, o peculato de uso também não configura ilícito penal, tão somente administrativo” (HC 94.168/MG, rel. Min. Jane Silva (Desembargadora convocada do TJMG), 6.ª Turma, j. 1.º.04.2008).

Por derradeiro, importante mencionar que se o sujeito ativo for Prefeito, e somente para esta pessoa, o uso de bens, rendas ou serviços públicos configura o crime delineado pelo art. 1.º, inc. II, do Decreto-lei

201/1967.

GABARITO: ALTERNATIVA (C)

DIREITO PROCESSUAL PENAL

3. Acerca do direito processual penal, assinale a alterna correta:

a) O assistente de acusação pode impetrar habeas corpus visando à anulação do processo

que resultou em absolvição do acusado.

b) O Superior Tribunal de Justiça já admitiu como lícita a interceptação telefônica conduzida

por outro órgão da administração pública que não a autoridade policial.

c) Segundo o STF, é imprescindível que haja a presença de pedido expresso para a perda do

cargo público na denúncia nos casos de crimes cometidos contra a Administração pública, decorrendo tal necessidade de possível violação ao princípio da congruência.

d) Em relação a recurso interposto pela defesa no processo penal, considera-se possível a

desistência do recurso, condicionada a que não haja oposição do advogado e do próprio réu.

e) Ao contrário do que ocorre no direito processual civil, não há que se falar em reexame

necessário no processo penal.

COMENTÁRIO

Item a) errado.

O habeas corpus deverá ser utilizado apenas como o fito de melhorar a situação do réu, nunca para piorá-la, ainda que seja para buscar uma anulação do processo. Segundo precedente do STJ:

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“Não se presta o writ para amparar pretensão contrária aos interesses do réu, manejada pela assistente de acusação, no sentido de que seja restabelecida condenação que restou afastada pelo e. Tribunal a quo”. (STJ, HC 46.080/PA, 5.ª Turma, DJ 01.08.2006).

Segundo voto do Ministro Felix Fischer:

“Com efeito, é ressabido que o remédio heróico do habeas corpus , de assento constitucional, volta-se à tutela da liberdade ambulatória , donde se conclui pela sua inadmissibilidade se não houver atentado à liberdade de locomoção do indivíduo .

In casu , trata-se de pretensão da assistente de acusação, buscando a reforma do v. acórdão proferido pelo e. Tribunal a quo em que restou absolvido o réu, para restabelecer a condenação imposta pelo Juízo de primeiro grau.

Não se vislumbra, portanto, hipótese em que seria admissível a impetração do presente remédio constitucional, ex vi do art. 5º, inciso LXVIII, da Lex Fundamentalis , e do art. 647 do Código de Processo Penal. “

Item b) correto.

A 5ª Turma do STJ, ao denegar, por maioria, o HC 131.836/RJ, orientou-se no sentido de que

interceptações telefônicas amparadas em ordem judicial podem ser conduzidas por outro órgão da administração pública que não seja a autoridade policial. Na hipótese, pretendia a impetrante a cassação do despacho de recebimento da denúncia, sustentando a ilegalidade das

interceptações telefônicas realizadas pela Coordenadoria de Inteligência do Sistema Penitenciário (Cispen), órgão da Secretaria de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro. De acordo com

o Relator, Min. Jorge Mussi, o art. 6.º da Lei 9.296/1996 não deve ser interpretado de maneira

muito restritiva, pena de restarem inviabilizadas as interceptações telefônicas nas unidades da federação que não dispõem da estrutura necessária à efetivação da medida. Salientou, ainda, que o art. 7.º da referida lei autoriza a realização dos procedimentos de interceptação telefônica por concessionárias de telefonia, não havendo motivos para proibir atuação equivalente por parte dos órgãos da própria administração pública. STJ, HC 141.062/RS, DJ 03.11.2011; RHC 25.263/SP, DJ 05.12.2011

O STF também possui entendimento de que não há necessidade que a interceptação telefônica seja realizada apenas pela polícia civil.

A 2ª Turma indeferiu habeas corpus em que se alegava nulidade de interceptação telefônica realizada pela polícia militar em suposta ofensa ao art. 6º da Lei 9.296/96 (“Deferido o pedido,

a autoridade policial conduzirá os procedimentos de interceptação, dando ciência ao Ministério Público, que poderá acompanhar a sua realização”). Na espécie, diante de ofício da polícia militar, dando conta de suposta prática dos crimes de rufianismo, manutenção de casa de prostituição e submissão de menor à exploração sexual, a promotoria de justiça requerera autorização para interceptação telefônica e filmagens da área externa do estabelecimento da

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paciente, o que fora deferida pelo juízo.

Asseverou-se que o texto constitucional autorizaria

interceptação telefônica para fins de investigação criminal ou de instrução processual penal, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma da lei (CF, art. 5º, XII). Sublinhou-se que seria típica reserva legal qualificada, na qual a autorização para intervenção legal estaria submetida à condição de destinar-se à investigação criminal ou à instrução processual penal. Reconheceu-se

a

possibilidade excepcional de a polícia militar, mediante autorização judicial, sob supervisão do

parquet, efetuar a mera execução das interceptações, na circunstância de haver singularidades que justificassem esse deslocamento, especialmente quando, como no caso, houvesse suspeita de envolvimento de autoridades policias da delegacia local. Consignou-se não haver ilicitude, já

que a execução da medida não seria exclusiva de autoridade policial, pois a própria lei autorizaria

o uso de serviços e técnicos das concessionárias (Lei 9.296/96, art. 7º) e que, além de sujeitar-se

a ao controle judicial durante a execução, tratar-se-ia apenas de meio de obtenção da prova (instrumento), com ela não se confundindo.(HC 96986/MG, rel. Min. Gilmar Mendes, 15.5.2012.)

Item c) incorreto.

O art. 92 do CP trata das hipótese de efeitos penais da condenação.

Art. 92 - São também efeitos da condenação:

I - a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo:

a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, nos

crimes praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a Administração Pública;

b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo superior a 4 (quatro) anos nos

demais casos.

Entre tais efeitos encontra-se a perda do cargo, função pública ou mandato eletivo (incisos I e II). Todavia, tal consequência não é obrigatória, devendo ser motivada pelo Juiz no momento de sentenciar. Além de não ser consequência obrigatória da pena, a perda do cargo/função/ mandato, segundo o Supremo não precisa estar descrita na queixa/denúncia, já que “sendo a perda do cargo público, conforme disposto no artigo 92 do Código Penal, consequência da condenação, mostra-se dispensável a veiculação, na denúncia ou queixa, de pedido visando à implementação” (STF, HC 93.515/PR, DJ 01.07.2009).

Item d) errado.

No processo penal, a interposição de um recurso visa a melhorar a situação do réu. Destarte, havendo divergência entre a vontade do réu e do seu defensor em recorrer, dar-se-á prevalência à interposição recursal. Noberto Avena comentando esse entendimento assim dispõe:

“Se o advogado, mesmo que lhe tenha sido outorgada procuração com poderes especiais neste sentido, desistir do recurso interposto ou renunciar ao direito de recorrer, deverá o magistrado determinar a intimação pessoal do réu, fixando-lhe prazo para que se manifeste caso não

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concorde com o procedimento do defensor. Por outro lado, efetivada a desistência ou a renúncia pelo próprio réu, seu advogado deverá ser intimado quanto a esta atitude do acusado. Na oposição de um ou outro, prevalecerá a vontade de quem deseja prosseguir ou intentar o recurso, até mesmo porque o tribunal, vedada a reformatio in pejus, não poderá agravar a situação do condenado diante de recurso exclusivo da defesa.” (AVENA, Norberto. Processo Penal Esquematizado. 6ª edição. Editora Método, p. 3597, Formato digital).

Outro não é o entendimento da jurisprudência, por todos:

PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. ROUBO TENTADO. APELAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE RÉU E DEFENSOR.

I - Havendo conflito entre o réu, que renunciou ao direito de recorrer da sentença condenatória,

e o seu defensor, que interpôs apelação, deve prevalecer a manifestação deste, tendo em vista que, por ter conhecimentos técnicos, em tese, está em melhores condições para avaliar a necessidade da impugnação (Precedentes).

II - “A renúncia do réu ao direito de apelação, manifestada sem a assistência do defensor,

não impede o conhecimento da apelação por este interposta” (Súmula n.º 705 - STF). Writ concedido. (HC 69792 SP, 5ª Turma do STJ, Rel. Felix Fischer, julgado em 03.04.2007).

Item e) errado.

Tal qual no direito processual civil, há que se falar em reexame necessário ou recurso ex officio no processo penal. O reexame necessário ocorre nas hipóteses em que ainda que não haja o recurso voluntário, obrigatoriamente deverá a decisão ser encaminhada pelo juiz prolator ao tribunal competente para a reanálise. Embora haja algumas vozes destacando sua possível inconstitucionalidade, o entendimento prevalente é pela sua admissão (inclusive no STF/STJ). Vejam:

“PROCESSUAL PENAL. RECURSO ESPECIAL. DECISÃO CONCESSIVA DE HABEAS CORPUS. REMESSA DE OFÍCIO (ART. 574, INCISO I, DO CPP). DISPOSITIVO NÃO REVOGADO PELO ART. 129, INCISO I, DA CF/88.

Na linha de precedentes do Pretório Excelso, o reexame necessário previsto no art. 574 do CPP não foi tacitamente revogado pelo art. 129, inciso I, da Constituição Federal, devendo o juiz de primeiro grau remeter a decisão que conceder habeas corpus àapreciação da instância superior. Recurso provido.”

(STJ, 5ª Turma, REsp 760.221/PA, Rel. Min. FELIX FISCHER, j. 15.12.2005, DJ27.03.2006)

HABEAS CORPUS. CRIME DE HOMICÍDIO QUALIFICADO. RECURSO

EX OFFICIO: ALEGAÇÃO DE QUE NÃO MAIS EXISTE NO ORDENAMENTO JURÍDICO, PREVISTO PARA A DECISÃO QUE ABSOLVE SUMARIAMENTE O RÉU (CPP, ARTS. 411 E 574, II), POR TER SIDO REVOGADO PELO ART. 129, I, DA CONSTITUIÇÃO.

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1. O impropriamente denominado recurso ex ofício não foi revogado pelo art. 129, I, da Constituição, que atribui ao Ministério Público a função de promover, privativamente, a ação penal, e, por extensão, a de recorrer nas mesmas ações.

2. A pesquisa da natureza jurídica do que se contém sob a expressão recurso

ex ofício revela que se trata, na verdade, de decisão que o legislador submete a duplo grau de jurisdição, e não de recurso no sentido próprio e técnico.

3. Habeas corpus conhecido, mas indeferido.” (STF, 2ª Turma, HC 74.714/PI, Rel. Min. MAURÍCIO

CORRÊA, j. 24.06.1993, DJ22.08.1997)

O reexame necessário tem previsão no art. 574 (decisão concessiva de habeas corpus e absolvição sumária) e 746, do CPP (decisão que defere reabilitação criminal), bem como em leis especiais.

Além das previsões existentes no âmbito do Código de Processo Penal (concessão do habeas corpus, absolvição sumária e deferimento de reabilitação criminal), o reexame necessário também está contemplado na legislação especial, nas seguintes hipóteses:

Decisão judicial que ordena, a pedido do Ministério Público, o arquivamento de inquérito policial que tenha investigado crimes contra economia popular ou saúde pública (art. 7.º da Lei 1.521/1951).

Sentença absolutória em processo criminal que tenha apurado crimes contra economia popular ou saúde pública (art. 7.º da Lei 1.521/1951).

Sentença que conceder a segurança (art. 14, § 1.º, da Lei 12.016/2009): Trata-se de hipótese prevista na Lei 12.016/2009, reproduzindo a regra existente no art. 12, parágrafo único, da revogada Lei 1.533/1951.

GABARITO: ALTERNATIVA (B)

PROFESSOR: NATALIA MAIA E-mail: será adicionado na 1ª rodada do curso
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DIREITO DO TRABALHO

4. Acerca da equiparação salarial, assinale a alternativa correta:

a) O pleito pela equiparação salarial de trabalho intelectual é juridicamente impossível, por

não ser passível de avaliação objetiva quanto à produtividade e à perfeição técnica.

b) A diferença de tempo de serviço entre o empregado que pleiteia a equiparação e o

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paradigma não pode ser superior a 2 (dois) anos; nesse caso, importa o tempo de serviço no emprego, independentemente da função exercida.

c) A existência de plano de cargos e salários que, referendado por norma coletiva, preveja

critérios de promoção apenas por merecimento constitui óbice à equiparação salarial.

d) A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de

emprego com o ente da Administração Pública. Não obstante, uma vez presente a igualdade de funções, os empregados terceirizados terão direito às mesmas verbas trabalhistas legais e normativas asseguradas àqueles contratados diretamente pelo tomador público de serviços.

e) Em razão da vedação à equiparação de qualquer natureza para efeito de remuneração do

pessoal do serviço público, instituída pelo art. 37, XIII da CF/88, é juridicamente impossível a aplicação do art. 461 da CLT quando se pleiteia a equiparação salarial entre empregados celetistas de sociedade de economia mista.

COMENTÁRIO

A questão trata da equiparação salarial, disciplinada pelo art. 461 da CLT. Segundo o dispositivo, sendo

idêntica a função, a todo trabalho de igual valor, prestado ao mesmo empregador, na mesma localidade, corresponderá igual salário, sem distinção de sexo, nacionalidade ou idade.

Trabalho de igual valor é aquele feito com igual produtividade e com a mesma perfeição técnica (art. 461, §1º, CLT). Para o TST, no entanto, mesmo os trabalhos intelectuais podem ser avaliados por sua perfeição técnica, a ser aferida por critérios objetivos. Veja o teor da Súmula 6 do TST:

Súmula 6 do TST: VII Desde que atendidos os requisitos do art. 461 da CLT, é possível a equiparação salarial de trabalho intelectual, que pode ser avaliado por sua perfeição técnica, cuja aferição terá critérios objetivos.

O item “a” da questão, portanto, deve ser descartado.

Ainda segundo a redação do §1º do art. 461, a diferença de tempo de serviço entre aquele que pretende a equiparação e o paradigma não pode ser superior a dois anos. Como, para efeitos de equiparação, o empregado e o paradigma devem exercer a mesma função e desempenhar as mesmas tarefas (ainda que os cargos por eles ocupados tenham denominações diferentes), deve-se contar o tempo de serviço na função e não no emprego:

Súmula 6 do TST:

II - Para efeito de equiparação de salários em caso de trabalho igual, conta-se o tempo de serviço na função e não no emprego.

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III - A equiparação salarial só é possível se o empregado e o paradigma exercerem a mesma

função, desempenhando as mesmas tarefas, não importando se os cargos têm, ou não, a mesma denominação.

Observe que o pedido de equiparação pode versar sobre situação pretérita, não sendo necessário que o reclamante e o paradigma estejam a serviço do estabelecimento no momento da reclamação:

IV - É desnecessário que, ao tempo da reclamação sobre equiparação salarial, reclamante e paradigma estejam a serviço do estabelecimento, desde que o pedido se relacione com situação pretérita.

O

item “b”, portanto, está igualmente errado.

O

§2º do mesmo artigo dispõe que não prevalecerão os seus dispositivos quando o empregador tiver

pessoal organizado em quadro de carreira, sendo que, nessa hipótese, as promoções deverão obedecer aos critérios de antiguidade e merecimento.

Para esse fim, o quadro de pessoal organizado em carreira deverá ser homologado pelo Ministério do Trabalho. A exigência de homologação, no entanto, não se aplica ao quadro de carreira das entidades de direito público da administração direta, autárquica e fundacional aprovado por ato administrativo da autoridade competente. Nesse sentido, o item I da Súmula 6 do TST:

I - Para os fins previstos no § 2º do art. 461 da CLT, só é válido o quadro de pessoal organizado em carreira quando homologado pelo Ministério do Trabalho, excluindo-se, apenas, dessa exigência

o quadro de carreira das entidades de direito público da administração direta, autárquica e fundacional aprovado por ato administrativo da autoridade competente.

Note que o artigo fala em critérios de antiguidade e merecimento. Questionava-se, portanto, se as promoções poderiam ser definidas com base exclusivamente em um ou outro critério ou se teria que abarcar ambos. A controvérsia foi solucionada com a edição da OJ 418 da SDI-I do TST, que determinou que o plano de cargos e salários deve compreender os dois critérios, de maneira alternada. A adoção de apenas um deles, portanto, não impede a equiparação:

EQUIPARAÇÃO SALARIAL. PLANO DE CARGOS E SALÁRIOS. APROVAÇÃO POR INSTRUMENTO COLETIVO. AUSÊNCIA DE ALTERNÂNCIA DE CRITÉRIOS DE PROMOÇÃO POR ANTIGUIDADE

E MERECIMENTO. Não constitui óbice à equiparação salarial a existência de plano de cargos

e salários que, referendado por norma coletiva, prevê critério de promoção apenas por

merecimento ou antiguidade, não atendendo, portanto, o requisito de alternância dos critérios, previsto no art. 461, § 2º, da CLT.

Esse quadro, vale dizer, embora exclua a hipótese de equiparação salarial, não obsta reclamação fundada em preterição, enquadramento ou reclassificação. (S. 127, TST).

O item “c”, portanto, erra ao indicar que a adoção apenas do critério de merecimento seria suficiente para

afastar a equiparação.

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O art. 37, XIII da CF/88 veda expressamente a vinculação ou a equiparação de quaisquer espécies

remuneratórias para efeito de remuneração de pessoal do serviço público. Nesta senda, a equiparação salarial entre servidores públicos baseada no art. 461 da CLT, ainda que contratados sob o regime da CLT, é juridicamente impossível. É o que dispõe a OJ 297 da SDI-I do TST:

EQUIPARAÇÃO SALARIAL. SERVIDOR PÚBLICO DA ADMINISTRAÇÃO DIRETA, AUTÁRQUICA E FUNDACIONAL. ART. 37, XIII, DA CF/1988. O art. 37, inciso XIII, da CF/1988, veda a equiparação de qualquer natureza para o efeito de remuneração do pessoal do serviço público, sendo juridicamente impossível a aplicação da norma infraconstitucional prevista no art. 461 da CLT quando se pleiteia equiparação salarial entre servidores públicos, independentemente de terem sido contratados pela CLT.

Ocorre que as sociedades de economia mista, ao contratarem empregados sob o regime celetista, equiparam-se a empregador privado, por força do art. 173, §1º, II da CF/88 (“A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre: a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais e trabalhistas”).

Sendo assim, a elas não se aplica a vedação à equiparação de que trata o art. 37, XIII da CF/88. Sobre o assunto, veja a súmula 455 do TST:

SÚMULA 455 TST. EQUIPARAÇÃO SALARIAL. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. ART. 37, XIII, DA CF/1988. POSSIBILIDADE. À sociedade de economia mista não se aplica a vedação à equiparação prevista no art. 37, XIII, da CF/1988, pois, ao admitir empregados sob o regime da CLT, equipara-se a empregador privado, conforme disposto no art. 173, § 1º, II, da CF/1988.

Como se sabe, a partir da vigência da CF/88, a investidura em cargo ou emprego público na Administração direta e indireta passou a depender de prévia aprovação em concurso público de provas ou de provas e títulos, ressalvadas as exceções mencionadas ao longo do texto constitucional (art. 37, II, CF/88).

Dessa forma, embora a contratação de trabalhadores por empresa interposta ainda seja ilegal, e, como regra, implique na formação de vínculo diretamente com o tomador dos serviços, essa situação não pode gerar vínculo de emprego com os órgãos da Administração Pública direta, indireta ou fundacional, sob pena de burla à regra dos concursos públicos. (S. 331, I e II do TST).

Só que isso não significa dizer que pode ser desrespeitado o princípio da isonomia nas relações firmadas

com a Administração Pública. Assim, embora a contratação irregular não gere vínculo de emprego com ente público, há de se assegurar aos empregados terceirizados que exerçam as mesmas funções daqueles contratados diretamente pela Administração o direito às mesmas verbas trabalhistas legais e normativas atribuídas a estes. É o que diz a OJ nº. 383 da SDI-I do TST:

383. TERCEIRIZAÇÃO. EMPREGADOS DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS E DA TOMADORA. ISONOMIA. ART. 12, “A”, DA LEI Nº 6.019, DE 03.01.1974. (mantida) - Res. 175/2011,

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DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011. A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com ente da Administração Pública, não afastando, contudo, pelo princípio da isonomia, o direito dos empregados terceirizados às mesmas verbas trabalhistas legais e normativas asseguradas àqueles contratados pelo tomador dos serviços, desde que presente a igualdade de funções. Aplicação analógica do art. 12, “a”, da Lei nº 6.019, de 03.01.1974.

Do exposto, vê-se que o item “d” é compatível com o teor da OJ 383 da SDI-1 e que o item “e” incorre na exceção à regra da impossibilidade de equiparação na administração pública, estando, portanto, incorreto.

A súmula 6 do TST teve um de seus itens alterados na sessão do Tribunal Pleno realizada em 09.06.2015, o que leva a crer que será cobrada nas próximas provas de concursos que abordem o tema.

GABARITO: ALTERNATIVA (D)

5. Quanto à sucessão trabalhista, assinale a alternativa correta:

a) No contrato de concessão de serviço público em que uma empresa concessionária

outorga a uma outra, no todo ou em parte, mediante arrendamento, ou qualquer outra forma contratual, a título transitório, bens de sua propriedade, a segunda concessionária responde, na condição de sucessora, pelos direitos decorrentes do contrato de trabalho; nesse caso, a primeira concessionária será responsável subsidiariamente pelos débitos trabalhistas relativos a todo o período.

b) No contrato de concessão de serviço público em que uma empresa concessionária

outorga a uma outra, no todo ou em parte, mediante arrendamento, ou qualquer outra forma contratual, a título transitório, bens de sua propriedade, a segunda concessionária responderá inclusive pelos direitos dos trabalhadores derivados de contrato de trabalho extinto antes da vigência da concessão.

c) A responsabilidade do sucessor alcança não apenas os débitos provenientes dos contratos de trabalho em vigor à época da venda do fundo de comércio, mas também aqueles oriundos dos contratos extintos antes da sucessão de empresas.

d) O sucessor responde solidariamente por débitos trabalhistas de empresa não adquirida

que integra o mesmo grupo econômico da empresa sucedida, ainda que, à época da sucessão, a empresa devedora direta fosse solvente ou idônea economicamente.

e) O sucessor não responde solidariamente por débitos trabalhistas de empresa não

adquirida que integra o mesmo grupo econômico da empresa sucedida, mesmo que haja fraude na sucessão.

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COMENTÁRIO

A questão envolve aspectos polêmicos da sucessão trabalhista, que consiste na alteração subjetiva do

contrato de trabalho, com a transferência da titularidade do negócio de um titular para outro. Como, no direito laboral, vigora o princípio da despersonalização do empregador, ele poderá ser substituído, ao longo da relação empregatícia, sem que isso gere a ruptura do vínculo.

A sucessão do empregador gera, em regra, dois efeitos principais: a transferência de débitos para o

sucessor e inalterabilidade dos contratos de trabalho.

A CLT rege o assunto por meio dos seguintes dispositivos:

Art. 10 - Qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os direitos adquiridos por seus empregados.

Art. 448 - A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados.

Uma observação importante: diferentemente da sucessão civil, a responsabilidade do sucessor alcança, em regra, não apenas os débitos provenientes dos contratos de trabalho em vigor à época da venda do fundo de comércio, mas também aqueles oriundos de contratos extintos antes da sucessão (TST-E- RR-93400-11.2001.5.02.0048, SBDI-I, Rel. Min Brito Pereira, dj 4.4.2013).

Algumas das especificidades da sucessão trabalhista foram abordadas na questão. Vamos analisá-las:

Sucessão em concessão de serviço público. É possível, nos contratos de concessão de serviço público, que a empresa concessionária outorgue a outra, no todo ou em parte, a título transitório, bens de sua propriedade. Isso pode ser feito mediante arrendamento ou por qualquer outra forma contratual. Nesse caso, haverá sucessão trabalhista, e a primeira concessionária será sucedida pela segunda concessionária (sucessora). Quando essa sucessão se opera, duas situações podem ocorrer:

1) APÓS a entrada em vigor da concessão, ocorre a rescisão do contrato de trabalho de um empregado:

nesse caso, como já se operou a sucessão, caberá à sucessora (segunda concessionária) responder pelos direitos decorrentes do contrato de trabalho.

Acontece que, como a primeira concessionária (sucedida) ainda subsiste, e a transferência dos bens se dá apenas transitoriamente, o Tribunal Superior do Trabalho entende que ela permanecerá responsável, subsidiariamente, pelos direitos trabalhistas de seus ex-empregados contraídos até a data da concessão.

2) A rescisão do contrato de trabalho se deu ANTES da vigência da concessão: como, no momento da extinção do contrato de trabalho, ainda não havia sido pactuada a concessão (ou seja, a segunda concessionária ainda não havia sucedido a primeira), a responsabilidade pelos direitos dos trabalhadores será exclusiva da primeira concessionária.

Perceba que essa hipótese excepciona a regra geral de que a sucessora responde inclusive pelos débitos

de contratos de trabalho extintos antes da sucessão.

Tudo isso está previsto na OJ 225 da SDI-1 do TST:

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CONTRATO DE CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE TRABALHISTA. Celebrado contrato de concessão de serviço público em que uma empresa (primeira concessionária) outorga a outra (segunda concessionária), no todo ou em parte, mediante arrendamento, ou qualquer outra forma contratual, a título transitório, bens de sua propriedade:

I - em caso de rescisão do contrato de trabalho após a entrada em vigor da concessão, a segunda concessionária, na condição de sucessora, responde pelos direitos decorrentes do contrato de trabalho, sem prejuízo da responsabilidade subsidiária da primeira concessionária pelos débitos trabalhistas contraídos até a concessão;

II - no tocante ao contrato de trabalho extinto antes da vigência da concessão, a responsabilidade pelos direitos dos trabalhadores será exclusivamente da antecessora.

Sucessão trabalhista e grupo econômico. Nos grupos econômicos (que se configuram quando duas ou mais empresas estão sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica), a responsabilidade entre as empresas que o compõem será solidária quanto ao adimplemento das obrigações trabalhistas (art. 2º, §2º, CLT).

Diante disso, surge a dúvida: como fica a responsabilidade do sucessor de empresa que integra grupo econômico? Ela abrange os débitos trabalhistas apenas da empresa efetivamente adquirida, ou também das demais empresas que, embora não adquiridas, compõem o mesmo grupo?

O TST pacificou a questão por meio da OJ nº. 411 da SDI-1, no sentido de que, em regra, o sucessor responderá apenas pelos débitos trabalhistas da empresa que efetivamente adquiriu. Para evitar fraudes, entretanto, exige que a empresa devedora direta (sucedida) seja solvente e idônea economicamente na época da sucessão.

Em contrapartida, o sucessor responderá solidariamente pelos débitos também de empresa não adquirida, integrante do mesmo grupo econômico da sucedida, nas seguintes hipóteses: 1) se, à época da sucessão, a empresa sucedida era inidônea economicamente ou insolvente; 2) se houver má-fé; 3) se houver fraude na sucessão. Veja o teor da OJ:

411. SUCESSÃO TRABALHISTA. AQUISIÇÃO DE EMPRESA PERTENCENTE A GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SUCESSOR POR DÉBITOS TRABALHISTAS DE EMPRESA NÃO ADQUIRIDA. INEXISTÊNCIA. O sucessor não responde solidariamente por débitos trabalhistas de empresa não adquirida, integrante do mesmo grupo econômico da empresa sucedida, quando, à época, a empresa devedora direta era solvente ou idônea economicamente, ressalvada a hipótese de má-fé ou fraude na sucessão.

Com essas informações, podemos resolver a questão. Vamos aos itens:

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Alternativa a. Errada. Como explicado, embora a primeira concessionária realmente permaneça subsidiariamente responsável pelos débitos trabalhistas de seus ex-empregados, essa responsabilidade se limita apenas aos débitos contraídos até a concessão, e não a todo o período.

Alternativa b. Errada. Excepcionando a regra, a responsabilidade pelos contratos de trabalho extintos antes da concessão, nesse caso, será exclusiva da primeira concessionária.

Alternativa c. Correta, vide julgado.

Alternativa d. Errada. Nesse caso, o sucessor só responde pelos débitos da empresa que, de fato, adquiriu.

Alternativa e. Errada. A fraude, como visto, é uma das hipóteses de exceção à regra geral, fazendo que o sucessor responda solidariamente também pelos débitos trabalhistas de empresa que não adquiriu, integrante do mesmo grupo econômico da sucedida.

GABARITO: ALTERNATIVA (C)

DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO

6. Quanto ao recurso de embargos do art. 894 da CLT, assinale a alternativa que comporta uma afirmativa errada:

a) Da decisão denegatória dos embargos caberá agravo, no prazo de 8 (oito dias).

b) As decisões de Turmas contrárias a orientação jurisprudencial do Tribunal Superior do

Trabalho não são atacáveis por meio de embargos.

c) Não se considera divergência apta a ensejar os embargos aquela já ultrapassada por súmula do Supremo Tribunal Federal, ainda que não vinculante.

d) O Ministro Relator denegará seguimento aos embargos se a decisão recorrida estiver em

consonância com súmula de jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho; o mesmo será feito se for constatada irregularidade de representação no recurso;

e) Cabem embargos para a Seção de Dissídios Individuais de decisão de Turma proferida

em agravo em recurso de revista, nos termos do art. 894, II, da CLT.

COMENTÁRIO

Com a edição da lei nº. 13.015 de 2014, foram implementadas algumas modificações na CLT, alterando parte da sistemática dos recursos na justiça do trabalho. Como a mudança é recente, é muito provável que seja abordada nas próximas provas, tornando imprescindível a sua leitura integral (várias vezes).

Essa questão foi elaborada para familiarizar o candidato com algumas dessas mudanças. Vejamos.

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O art. 894 da CLT dispõe que cabem embargos no Tribunal Superior do Trabalho, no prazo de 8 (oito)

dias, nas seguintes hipóteses:

a) de decisão não unânime de julgamento que conciliar, julgar ou homologar conciliação em dissídios

coletivos que excedam a competência territorial dos Tribunais Regionais do Trabalho e estender ou rever

as

sentenças normativas do Tribunal Superior do Trabalho, nos casos previstos em lei; e

b)

das decisões das Turmas que divergirem entre si ou das decisões proferidas pela Seção de Dissídios

Individuais, ou contrárias a súmula ou orientação jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho ou súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal.

Na sistemática da lei anterior (L. 11.496 de 2007), somente eram atacáveis por meio de embargos as decisões das Turmas que divergissem entre si ou das decisões proferidas pela Seção de Dissídios Individuais. Com a edição da Lei nº. 13.015 de 2014, no entanto, as hipóteses foram ampliadas, passando a abranger também decisões de Turmas contrárias a:

- súmula do Tribunal Superior do Trabalho;

- orientação jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho ou;

- súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal.

Veja o quadro comparativo:

Lei 11.496/2007

Lei nº 13.015, de 2014

II - das decisões das Turmas que divergirem en-tre si, ou das decisões proferidas pela Seção de Dissídios Individuais, salvo se a decisão recorrida estiver em consonância com súmula ou orienta-ção jurisprudencial do Tribunal Superior do Tra- balho ou do Supremo Tribunal Federal.

II - das decisões das Turmas que divergirem entre si ou das decisões proferidas pela Seção de Dissídios Individuais, ou contrárias a súmula ou orientação jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho ou súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal.

Embora a possibilidade de se embargar decisão de Turma contrária à orientação jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho seja novidade legislativa, a hipótese já era admitida pela jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho. É o que diz a OJ 219 da SDI-I do TST:

219. RECURSO DE REVISTA OU DE EMBARGOS FUNDAMENTADO EM ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL DO TST É válida, para efeito de conhecimento do recurso de revista ou de embargos, a invocação de Orientação Jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho, desde que, das razões recursais, conste o seu número ou conteúdo.

O §2º do artigo dispõe que não se considera como divergência apta a desafiar os embargos aquela já ultrapassada por:

- súmula do Tribunal Superior do Trabalho;

- súmula do Supremo Tribunal Federal ou;

- superada por iterativa e notória jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho (Na sistemática

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anterior, não havia menção à “iterativa e notória jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho” como restrição ao recurso. Repare que a súmula do STF que descaracteriza a divergência não precisa ser vinculante, diferentemente daquela cuja contrariedade enseja o recurso de embargos.)

Essa divergência, vale dizer, deverá ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal, embora idênticos os fatos que as ensejaram (Súmula 296, I do TST). Ademais, acórdãos oriundos da mesma Turma, embora divergentes, não fundamentam a divergência jurisprudencial para embargos à SDI-I (OJ nº 95 da SDI-I do TST).

Em algumas hipóteses, o Ministro Relator poderá denegar seguimento aos embargos monocraticamente. Vejamos o que diz o §3º do dispositivo:

§ 3º O Ministro Relator denegará seguimento

aos embargos: I - se a decisão recorrida estiver em consonância com súmula da jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho ou do Supremo Tribunal Federal, ou com iterativa, notória e atual jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho, cumprindo-lhe indicá-la; (Incluído pela Lei nº 13.015, de 2014)

II - nas hipóteses de intempestividade, deserção, irregularidade de representação ou de ausência de qualquer outro pressuposto extrínseco de admissibilidade (Incluído pela Lei nº 13.015, de

2014).

Lembre que o Tribunal Superior do Trabalho não admite a regularização da representação processual na fase recursal, restringindo a aplicabilidade do art. 13 do CPC (“verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para ser sanado o defeito”) ao Juízo de primeiro grau. Nesse caso, o recurso será reputado inexistente, exceto na hipótese de mandato tácito. A propósito, confira o teor das súmulas 164 e 383 do TST:

Súmula nº 164 do TST

PROCURAÇÃO. JUNTADA O não-cumprimento das determinações dos §§ 1º e 2º do art. 5º da Lei nº 8.906, de 04.07.1994 e do art. 37, parágrafo único, do Código de Processo Civil importa o não-conhecimento de recurso, por inexistente, exceto na hipótese de mandato tácito.

Súmula nº 383 do TST.

MANDATO. ARTS. 13 E 37 DO CPC. FASE RECURSAL. INAPLICABILIDADE

I - É inadmissível, em instância recursal, o oferecimento tardio de procuração, nos termos do art.

37 do CPC, ainda que mediante protesto por posterior juntada, já que a interposição de recurso

não pode ser reputada ato urgente.

II - Inadmissível na fase recursal a regularização da representação processual, na forma do art.

13 do CPC, cuja aplicação se restringe ao Juízo de 1º grau.

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Dessa decisão denegatória dos embargos caberá agravo, no prazo de 8 (oito) dias. (art. 894, §4º).

Como regra, é incabível o recurso de embargos no TST em face de decisão de Turma do TST em agravo de instrumento, agravo e agravo regimental. A Súmula 383 do TST, entretanto, elenca as hipóteses que a excepcionam. São elas:

Súmula nº 353 do TST

EMBARGOS. AGRAVO. CABIMENTO (nova redação da letra “f” em decorrência do julgamento

do processo TST-IUJ-28000-95.2007.5.02.0062) – Res. 189/2013, DEJT divulgado em 13, 14 e

15.03.2013

Não cabem embargos para a Seção de Dissídios Individuais de decisão de Turma proferida em agravo, salvo:

a) da decisão que não conhece de agravo de instrumento ou de agravo pela ausência de

pressupostos extrínsecos;

b) da decisão que nega provimento a agravo contra decisão monocrática do Relator, em que se

proclamou a ausência de pressupostos extrínsecos de agravo de instrumento;

c) para revisão dos pressupostos extrínsecos de admissibilidade do recurso de revista, cuja

ausência haja sido declarada originariamente pela Turma no julgamento do agravo;

d) para impugnar o conhecimento de agravo de instrumento;

e) para impugnar a imposição de multas previstas no art. 538, parágrafo único, do CPC, ou no

art. 557, § 2º, do CPC.

f) contra decisão de Turma proferida em agravo em recurso de revista, nos termos do art. 894, II, da CLT.

Dadas as explicações necessárias, tente novamente fazer a questão antes de conferir o gabarito.

Como as decisões de Turmas contrárias a orientação jurisprudencial do TST são atacáveis por meio de embargos, a afirmativa “b” está errada, devendo ser assinalada.

GABARITO: ALTERNATIVA (B)

PROFESSOR: FREDERICO MARTINS E-mail: será adicionado na 1ª rodada do curso
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a) Segundo o STJ, não incide ICMS na saída de equipamento do estabelecimento a título

de comodato, assim como não é fato gerador do imposto a saída de mercadoria de um estabelecimento para outro do mesmo contribuinte, ainda que os estabelecimentos sejam situados em Estados distintos.

b) Conforme entendimento sumulado do STF, inexistindo lei estadual instituidora, é ilegítima

a cobrança de ICMS sobre o fornecimento de alimentação e bebidas em restaurante ou estabelecimento similar.

c) É inconstitucional a cobrança de ICMS sobre o transporte aéreo interestadual de passageiros.

d) De acordo com a Lei Complementar n. 87/96,incide ICMS sobre a prestação de serviços de

transporte interestadual e intermunicipal, por qualquer via, de pessoas, bens, mercadorias ou valores.

e) Na hipótese em que determinada Igreja Católica adquira computador de empresa como

consumidora final, não haverá incidência do ICMS na operação, em virtude da imunidade religiosa prevista na Constituição Federal.

COMENTÁRIO

Antes de analisarmos cada uma das alternativas separadamente, convém relembrar resumidamente o fato gerador do ICMS.

Conforme ensina Sabagg, o ICMS tem os seguintes fatos geradores (SABAGG, Eduardo. Manual de Direito Tributário, Editora Saraiva, 4ª Ed., 2012, p. 1061):

• Circulação de mercadorias;

• Prestação de serviços de transporte intermunicipal;

• Prestação de serviços de transporte interestadual;

• Prestação de serviços de comunicação.

Em relação à circulação da mercadoria, o STJ entende que só é fato gerador do imposto a circulação jurídica da mercadoria (com transferência de posse ou propriedade), e não a mera circulação física (transferência do bem de um local para outro, sem mudança de propriedade).

Em consonância com o STJ, o STF já decidiu que “o simples deslocamento da mercadoria de um estabelecimento para outro da mesma empresa, sem a transferência de propriedade, não caracteriza hipótese de incidência do ICMS” (RE 596.983-AgR, 2ª Turma, j. em 12/5/09).

A partir desse conceito, verifica-se que a assertiva A está correta, uma vez que em nenhuma das duas

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situações nela descritas há circulação jurídica da mercadoria. Com efeito, no comodato, que é um empréstimo gratuito de bem infungível (CC, art. 579), a propriedade do objeto não é transferida, de modo que não ocorre o fato gerador do ICMS. Nesse sentido vejamos decisão do STJ:

TRIBUTÁRIO. ICMS. BENS IMPORTADOS. ATIVO PERMANENTE. DIREITO AO CREDITAMENTO. CESSÃO EM COMODATO A TERCEIROS. CIRCULAÇÃO DE MERCADORIA. NÃO OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DO DEVER DE ESTORNAR. AUTUAÇÃO FISCAL IMPROCEDENTE.

1. Hipótese em que se discute se existe o dever de o contribuinte estornar crédito

de ICMS apurado na importação de bem para o ativo permanente, cedido em comodato a terceiro.

2. Os arts. 20, § 3°, I, e 21, I, da LC 87/1996 se complementam. O primeiro autoriza o

creditamento do imposto cobrado na operação que tenha resultado a entrada de mercadoria

no estabelecimento, mesmo a destinada ao ativo permanente (caso dos autos), mas excepciona

a hipótese em que a saída subsequente não for tributada ou estiver isenta. O segundo impõe

ao contribuinte o dever de estornar o ICMS creditado, se incidir essa regra excepcional, isto é, quando o próprio creditamento for vedado.

3. Se os equipamentos são cedidos em comodato, não se pode falar em “saída”, sob a perspectiva da legislação do ICMS, entendida como circulação de mercadoria com transferência de propriedade. Nesse caso, os bens não deixam de integrar o patrimônio do contribuinte.

4. Portanto, a hipótese dos autos não se subsume aos arts. 20, § 3°, I, e 21, I, da LC 87/1996, o

que permite a conclusão pela possibilidade de manutenção do crédito de ICMS. Se não havia

o dever de estornar, afigura-se indevida a autuação. No mesmo sentido: RMS 24.911/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 6/8/2012.

5. Recurso Especial provido. (STJ, 2ª turma, Resp 1.307.876-SP, Rel. Min. Herman Benjamin,

julgado em 05/2/2013).

Ainda em relação à saída de bens a título de comodato, vale destacar o teor da Súmula n. 573 do STF, segundo a qual “não constitui fato gerador do imposto de circulação de mercadorias a saída física de máquinas, utensílios e implementos a título de comodato”.

Da mesma forma, na segunda situação narrada no item A, nota-se que também não houve circulação jurídica da mercadoria, visto que o bem apenas passa de um local físico para outro, mas a propriedade não é transferida, pois ambos os locais são do mesmo contribuinte.

Pacificando essa questão, o STJ editou a súmula n. 166, com o seguinte teor: não constitui fato gerador do ICMS o simples deslocamento de mercadoria de um para outro estabelecimento do mesmo contribuinte.

O que a questão traz de novo além do teor da súmula é o fato de os estabelecimentos estarem situados

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em Estados distintos. No entanto, ao analisar o Resp. n. 772891-RJ, o STJ decidiu que é indiferente o fato de a mercadoria ser deslocada por mais de um Estado, uma vez que, se os estabelecimentos de origem e destino forem do mesmo contribuinte, não há circulação jurídica da mercadoria a justificar a incidência do ICMS. Veja-se:

TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ICMS. TRANSFERÊNCIA DE BENS DO ATIVO FIXO ENTRE ESTABELECIMENTOS DO MESMO TITULAR (FILIAL E MATRIZ). NÃO-CONSTITUIÇÃO DO FATO GERADOR. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ARTIGO 166, DO CTN. PROVA DA NÃO REPERCUSSÃO DO ENCARGO FINANCEIRO. INEXISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO NA ESCRITA FISCAL REGULADA POR LEGISLAÇÃO LOCAL. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS. INEXISTÊNCIA DE ÓBICE DA FAZENDA ESTADUAL AO CREDITAMENTO EFETUADO PELO CONTRIBUINTE. ACÓRDÃO CALCADO EM INTERPRETAÇÃO DE DIREITO LOCAL. SÚMULA 280/STF. APLICAÇÃO.

1. A configuração da hipótese de incidência do ICMS sobre realização de operações

relativas à circulação de mercadorias, reclama a ocorrência de ato de mercancia, vale dizer, a venda da mercadoria (Precedentes: AgRg no Resp 601140/MG, Primeira Turma, DJ de 10.04.2006; AgRg no Ag 642229/MG, desta relatoria, Primeira Turma, DJ de 26.09.2005; e REsp 659569/RS, Relator Ministro

Castro Meira, Segunda Turma, DJ de 09.05.2005).

2. Deveras, consoante abalizada doutrina, “tal circulação só pode ser jurídica (e, não,

meramente física)” , a qual pressupõe “a transferência (de uma pessoa para outra) da posse ou da propriedade da mercadoria” (Roque Antônio Carraza, in ICMS, 9ª Ed., Malheiros Editores, 2003, São Paulo, pág. 36). Desta sorte, inexistindo mudança da titularidade da mercadoria, a tributação pelo ICMS inocorre.

3. A jurisprudência cristalizada no âmbito do STJ é no sentido de que “não constitui

fato gerador de ICMS o simples deslocamento de mercadoria de um para outro estabelecimento do mesmo contribuinte” (Súmula 166), restando assente, em diversos julgados, a irrelevância dos estabelecimentos situarem-se em Estados distintos (Precedentes do STJ: AgRg no REsp 601140/MG, Primeira Turma, publicado no DJ de 10.04.2006; REsp 659569/ RS, Segunda Turma, publicado no DJ de 09.05.2005; AgRg no Ag 287132/MG, Primeira Turma, publicado no DJ de 18.12.2000; e REsp 121738/RJ, Primeira Turma, publicado no DJ de 01.09.1997).

4. In casu, os autos retratam hipótese de transferência interestadual de bens do ativo

fixo e de materiais de uso e consumo da filial da empresa, situada no Estado do Rio de Janeiro, para sua sede localizada na Zona Franca de Manaus (saída da filial e entrada na matriz), fato que refoge à regra-matriz de incidência do ICMS, razão pela qual não merece prosperar a pretensão recursal fazendária, no particular. […] (STJ, 1ª turma, Resp 772.891-RJ, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 15/3/2007).

Portanto, considerando que nenhuma das situações narradas no item A é fato gerador do ICMS, tendo em vista a inocorrência de circulação jurídica de mercadoria, conclui-se que o item está correto.

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O item B cobra conhecimento sobre o imposto incidente sobre a atividade de bares e restaurantes, em

que há, ao mesmo tempo, prestação de serviço e fornecimento de mercadorias (comidas e bebidas).

Nesse ponto, sabe-se que, em regra, incide ISSQN sobre a prestação de serviços, desde que previstos na LC n. 116/03, norma federal que regulamenta o ISSQN e traz a lista taxativa de serviços sobre os quais incide o imposto. Além disso, incide ICMS na circulação de mercadorias e nos serviços específicos de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. Resta saber qual imposto incide nos serviços que sejam prestados juntamente com o fornecimento de mercadorias, como é o caso dos bares e restaurantes.

Nessas situações, se o serviço não estiver previsto na LC n. 116/03, o ICMS incide sobre o valor total da

operação. Se o serviço estiver previsto na lei, mas houver ressalva da cobrança do ICMS, o ISSQN incidirá sobre o valor do serviço e o ICMS sobre o valor da mercadoria. Por fim, se o serviço estiver previsto na

lei sem ressalva da cobrança do ICMS, incidirá ISSQN sobre o valor total. Essa tabela retirada o livro do

Ricardo Alexandre (ALEXANDRE, Ricardo. Direito Tributário Esquematizado, Editora Método, 8ª Ed., 2014,

p. 614) resume bem as três hipóteses:

MERCADORIAS FORNECIDAS CONJUNTAMENTE COM SERVIÇOS

 

Situação legal

Incidência Tributária

O

serviço não está previsto na LC n. 116/03.

O ICMS incide sobre o valor total da operação.

O

serviço está previsto na LC n. 116/03, com ressalva de

O

ISSQN incide sobre o serviço.

cobrança do ICMS.

O

ICMS incide sobre o valor das mercadorias.

O

serviço está previsto na LC n. 116/03, sem ressalva de

O ISSQN incide sobre o valor total da operação.

cobrança do ICMS.

No caso dos bares e restaurantes, como o serviço não está previsto na LC n. 116/03, incide ICMS sobre o valor total da operação. No entanto, para que seja legítima a cobrança do imposto, é necessário que o Estado edite lei instituindo a cobrança, em virtude da reserva legal tributária (CR, art. 150, I). As súmulas 163 do STJ e 574 do STF resumem bem essa situação:

Súmula 163 – STJ: O fornecimento de mercadorias com simultânea prestação de serviços em bares, restaurantes e estabelecimentos similares constitui fato gerador do ICMS a incidir sobre o valor total da operação.

Súmula 574 – STF: Sem lei estadual que a estabeleça, é ilegítima a cobrança do imposto de circulação de mercadorias sobre o fornecimento de alimentação e bebidas em restaurante ou estabelecimento similar.

Assim, conclui-se que o item B está correto, uma vez que praticamente reproduz o teor da Súmula n. 574 do STF.

Os itens C e D devem ser analisados em conjunto, por tratarem do mesmo tema: incidência de ICMS na prestação de serviços de transporte aéreo de passageiros.

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Atualmente, não incide ICMS sobre o transporte aéreo de passageiros, seja ele intermunicipal, interestadual ou internacional. Isso porque, não obstante a Lei Complementar n. 87/96 prever essa hipótese de incidência no seu art. 2º, II, o STF, no julgamento da ADI n. 1600, entendeu pela inconstitucionalidade de todos os tipos de transporte aéreo de passageiros, bem como do transporte internacional de cargas.

O fundamento para a declaração da inconstitucionalidade do transporte aéreo de passageiros foi a omissão

da Lei quanto à forma de cálculo do valor devido a cada unidade da federação. Assim, por não haver

previsão de como seria divido o produto da exação, o STF declarou a cobrança inconstitucional. Quanto

à incidência do ICMS no transporte internacional de cargas, a inconstitucionalidade foi declarada pelo

STF com fundamento no princípio da isonomia tributária, uma vez que as empresas aéreas estrangeiras gozam de isenções previstas em tratados e acordos internacionais. Assim, a incidência do ICMS acabaria por estabelecer uma desigualdade entre as empresas aéreas nacionais e estrangeiras.

Assim, é inconstitucional a cobrança de ICMS sobre o transporte aéreo interestadual de passageiros, o que torna o item C correto. No entanto, a LC n. 87/96 ainda contém essa previsão, de forma que o item D também está correto.

Finalmente, passa-se a analisar o item E, que contém a alternativa incorreta, sendo, portanto, o gabarito. Esse item aborda o conhecimento acerca imunidade tributária subjetiva quando da cobrança de tributos indiretos.

Nas palavras de Ricardo Alexandre (ALEXANDRE, Ricardo. Direito Tributário Esquematizado, Editora Método, 8ª Ed., 2014, p. 73), são indiretos os tributos que, “em virtude de sua configuração jurídica, permitem translação do seu encargo econômico-financeiro para uma pessoa diferente daquela definida em lei como sujeito passivo”.

Nessa linha, verifica-se que o ICMS foi concebido como um tributo indireto, uma vez que, apesar de pago pelo alienante (sujeito passivo e contribuinte de direito), tem seu encargo totalmente transferido ao adquirente (contribuinte de fato).

Por outro lado, são diretos os tributos que não permitem essa transferência, de modo que o sujeito

passivo da obrigação tributária é quem suporta o encargo econômico do tributo. Como exemplo, cite-se

o

imposto de renda, em que o contribuinte que aufere renda não tem possibilidade imediata de repassar

o

encargo do imposto a terceiro não contribuinte.

Dessa forma, relacionando a figura dos tributos indiretos às entidades imunes elencadas no art. 150, VI, da CR (partidos políticos, templos de qualquer culto, entidades sindicais de trabalhadores etc), surgiu a seguinte dúvida: as referidas entidades fariam jus à imunidade quando figurassem como contribuintes de direito ou como contribuintes de fato?

O STF, adotando a linha de que só pode ser imunizado quem efetivamente é sujeito passivo da obrigação,

tem entendido que, mesmo em se tratando de tributos indiretos, a aplicação da imunidade só deve ser reconhecida em benefício do contribuinte de direito (comerciante, em regra) e não em favor do contribuinte de fato (adquirente, que sofre o encargo do tributo). A título de exemplo, veja-se o RE

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202.987/SP. Nesse julgado era Recorrente o Serviço Social da Indústria – SESI, que é uma entidade de assistência social e de educação e, portanto, abrangida pela imunidade constitucional. O STF, no entanto, negou a aplicação da imunidade ao SESI, argumentando que o referido serviço social, no caso concreto, encontrava-se como contribuinte de fato e responsável tributário pelo recolhimento do ICMS sobre mercadorias por ele adquiridas de comerciante não imune, este sim contribuinte de direito. Assim, como o SESI não era contribuinte de direito, não lhe foi reconhecida a imunidade.

Da mesma forma, como na questão a entidade religiosa adquiriu o bem consumidora final e, portanto, como contribuinte de fato, não haverá aplicação da imunidade, o que torna a assertiva incorreta.

GABARITO: ALTERNATIVA (E)

8. Acerca dos impostos sobre a propriedade, julgue os itens a seguir e assinale a alternativa correta:

I. Com base no princípio da isonomia, é inconstitucional norma que conceda isenção de

IPVA a oficiais de justiça do Estado que utilizem veículos próprios para o desempenho de suas funções.

II. Sob a perspectiva estática, o IPTU é imposto que não possui caráter confiscatório.

III. O imposto sobre a propriedade territorial rural – ITR, não obstante seja de competência

da União, pode ser fiscalizado e cobrado por Município. Trata-se de hipótese de delegação da capacidade tributária ativa a ser firmada por meio de convênio.

a)

Apenas I e II estão corretas.

b)

Apenas I e III estão corretas.

c)

Apenas II e III estão corretas.

d)

Apenas I está correta.

e)

Apenas II está correta.

COMENTÁRIO

O tem II contém uma afirmação falsa, enquanto os itens I e III trazem afirmações verdadeiras. Vejamos

cada um dos itens de forma separada.

O item I aborda o princípio da isonomia tributária e a isenção de IPVA concedida a uma determinada

categoria de servidores públicos.

Importante destacar que o referido princípio é previsto de forma expressa no art. 150, II, da Constituição,

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o qual estatui ser vedado aos Entes tributantes “instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos”.

Assim, para que seja legítimo o tratamento diferenciado entre contribuintes é necessário que exista um contexto fático subjacente justificador dessa desigualdade (a exemplo dos benefícios fiscais concedidos na aquisição de veículos por deficientes, por exemplo).

No caso da questão, ao conceder o benefício de isenção do IPVA unicamente aos oficiais de justiça estaduais, a lei estabeleceu distinção baseada em ocupação profissional (o que é vedado pelo art. 150, II), bem como conferiu um tratamento discriminatório em benefício dos oficiais de justiça estaduais.

Em situação semelhante, o plenário do STF, adotando o mesmo raciocínio aqui exposto, entendeu ser inconstitucional norma que previa isenção de ICMS na aquisição de veículos por oficiais de justiças estaduais.Veja-se:

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. TRIBUTÁRIO. ISENÇÃO FISCAL. ICMS. LEI COMPLEMENTAR ESTADUAL. EXIGÊNCIA CONSTITUCIONAL DE CONVÊNIO INTERESTADUAL (CF, ART. 155, § 2º, XII, ‘g’). DESCUMPRIMENTO. RISCO DE DESEQUILÍBRIO DO PACTO FEDERATIVO. GUERRA FISCAL. INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL. CONCESSÃO DE ISENÇÃO À OPERAÇÃO DE AQUISIÇÃO DE AUTOMÓVEIS POR OFICIAIS DE JUSTIÇA ESTADUAIS. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA ISONOMIA TRIBUTÁRIA (CF, ART. 150, II). DISTINÇÃO DE TRATAMENTO EM RAZÃO DE FUNÇÃO SEM QUALQUER BASE RAZOÁVEL A JUSTIFICAR O DISCRIMEN. INCONSTITUCIONALIDADE MATERIAL. PROCEDÊNCIA DO PEDIDO. 1. O pacto federativo reclama, para a preservação do equilíbrio horizontal na tributação, a prévia deliberação dos Estados-membros para a concessão de benefícios fiscais relativamente ao ICMS, na forma prevista no art. 155, § 2º, XII, ‘g’, da Constituição e como disciplinado pela Lei Complementar nº 24/75, recepcionada pela atual ordem constitucional. 2. In casu, padece de inconstitucionalidade formal a Lei Complementar nº 358/09 do Estado do Mato Grosso, porquanto concessiva de isenção fiscal, no que concerne ao ICMS, para as operações de aquisição de automóveis por oficiais de justiça estaduais sem o necessário amparo em convênio interestadual, caracterizando hipótese típica de guerra fiscal em desarmonia com a Constituição Federal de 1988. 3. A isonomia tributária (CF, art. 150, II) torna inválidas as distinções entre contribuintes “em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida”, máxime nas hipóteses nas quais, sem qualquer base axiológica no postulado da razoabilidade, engendra-se tratamento discriminatório em benefício da categoria dos oficiais de justiça estaduais. 4. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente. (STF, Plenário, ADI 4276, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 18/09/2014).

Por fim, vale ressaltar que no caso do julgado, o STF entendeu que a norma impugnada era também formalmente inconstitucional, uma vez que a isenção de ICMS foi concedida sem o prévio convênio

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interestadual exigido nas concessões de benefícios fiscais relacionados a esse imposto, nos termos do art. 155, § 2º, XII, “g” , da Constituição.

No entanto, na questão, por se tratar de isenção de IPVA, o fundamento para a inconstitucionalidade é tão somente a violação à isonomia, conforme afirmado no item I, que está correto.

O item II traz a relação entre IPTU, princípio do não confisco e as perspectivas dinâmica e estática da

tributação do patrimônio.

Inicialmente, é importante ter em mente que o IPTU é imposto patrimonial de competência dos Municípios que incide sobre a propriedade predial e territorial urbana e se contrapõe ao ITR, de competência da União, que incide sobre a propriedade territorial rural. Nesse ponto cabe fazer uma distinção entre os fatos geradores dos dois tributos: enquanto o IPTU incide sobre a propriedade de imóveis por natureza ou acessão física, o ITR só incide sobre a propriedade de bens imóveis por natureza, ou seja, sobre o solo nu e suas adjacências naturais.

Essa distinção se dá em virtude do caráter fiscal do IPTU e extrafiscal do ITR. Assim, não é finalidade do ITR tributar as benfeitorias realizadas pelo homem (a exemplo das culturas agrícolas), pois isso seria um contraestímulo ao cumprimento da função social da propriedade. Já no caso dos imóveis urbanos, caso sejam feitas benfeitorias no imóvel (com ampliação da área construída, por exemplo), haverá agravamento do IPTU, o que se alinha com o caráter fiscal desse imposto.

Além disso, quanto à hipótese de incidência de cada um dos impostos, vale destacar que o STJ, para definir qual tributo incidirá no caso concreto, vem dando prevalência à destinação do bem, em detrimento de sua localização. Assim, mesmo se localizado em área urbana do Município, o imóvel utilizado em atividades rurais (exploração extrativa, vegetal, pecuária ou agroindustrial) está sujeito à incidência do ITR. Nesse sentido foi o julgamento do Resp n. 1.112.646/SP, pela primeira seção do STJ, sob o rito dos recursos repetitivos (CPC, art. 543-C).

Quanto ao princípio do não confisco, é revelante lembrar que possui expressa previsão constitucional (CR, art. 150, IV), significando que os Entes tributantes, ao instituírem suas exações, não poderão fazê-lo

de forma demasiada a ponto de subtrair do contribuinte parcela considerável da riqueza tributada, o que

caracterizaria um verdeiro confisco.

Por fim, a perspectiva estática de tributação do patrimônio implica uma análise da tributação levando em conta o bem em si mesmo, sem considerar os eventuais valorizações ou mesmo os frutos renováveis que esse bem pode gerar (os aluguéis de um imóvel, por exemplo). Por outro lado, a análise da tributação sob uma perspectiva dinâmica leva em conta as potenciais riquezas que o bem tributado pode gerar.

Assim, analisando o ITPU sob a perspectiva estática, conclui-se que como o seu fato gerador “é único e a

riqueza tributada não é renovável, a repetição ano a ano da cobrança resultaria em confisco, pois, a cada incidência, parcela da riqueza do contribuinte estaria sendo entregue ao Estado, num lento (às vezes nem tanto) processo confiscatório” (ALEXANDRE, Ricardo. Direito Tributário Esquematizado, Editora Método,

8ª Ed., 2014, p. 127).

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No entanto, ao analisar a incidência do mesmo imposto sob uma perspectiva dinâmica, verifica-se não haver, em regra, efeito confiscatório, uma vez que o valor da exação cobrado anualmente costuma ser inferior aos acréscimos patrimoniais que o bem tributado pode gerar, como os decorrentes de valorização imobiliária ou aluguéis, por exemplo. Assim, não há diminuição gradativa da riqueza em decorrência da cobrança do imposto.

Nessa linha, tendo em vista que a Constituição vedou a instituição de tributos com efeito de confisco, mas autorizou a tributação do patrimônio, conclui-se que deve ser considerada a perspectiva dinâmica para a análise da eventual violação ao princípio do não confisco.

Portanto, como no item II consta que, mesmo sob uma perspectiva estática, o IPTU não teria caráter confiscatório, verifica-se que a afirmação é falsa.

Passemos agora a analisar o item III.

Esse item III foi colocado para alertar os Srs. sobre o instrumento previsto para formalizar a delegação aos Municípios da capacidade tributária ativa para cobrança e fiscalização do ITR, uma vez que se trata de assunto recorrente no dia a dia de procuradorias municipais.

Nesse contexto, destaca-se inicialmente que o ITR é imposto de competência da União, mas que pode ser cobrado e fiscalizado pelos Municípios que assim optarem, nos termos do art. 153, § 4º, III, da CR, onde consta que o ITR “será fiscalizado e cobrado pelos Municípios que assim optarem, na forma da lei, desde que não implique redução do imposto ou qualquer outra forma de renúncia fiscal”.

A grande vantagem dos Municípios que efetuarem essa opção é que farão jus a 100% do valor arrecadado,

enquanto os municípios não optantes só recebem 50% (CR, art. 158, II).

Trata-se de clara hipótese de delegação não da competência tributária, mas sim da capacidade tributária ativa (atribuição de arrecadar e fiscalizar tributos), uma vez que, nos termos no art. 7º do CTN, “ a competência tributária é indelegável, salvo a atribuição das funções de arrecadar ou fiscalizar tributos […]”.

Pois bem. Dito isso, verifica-se que o início do item III está todo correto, restando esclarecer apenas qual

o instrumento utilizado para formalizar essa delegação da União aos Municípios.

A Constituição fala que essa opção dos Municípios será feita “na forma da lei”. A norma que regula essa

situação é a Lei Federal n. 11.250/2005, a qual estabelece em seu art. 1º que:

“ A União, por intermédio da Secretaria da Receita Federal, para fins do disposto no inciso III do § 4º do art. 153 da Constituição Federal, poderá celebrar convênios com o Distrito Federal

e os Municípios que assim optarem, visando a delegar as atribuições de fiscalização, inclusive

a de lançamento dos créditos tributários, e de cobrança do Imposto sobre a Propriedade

Territorial Rural [ ]”.

Assim, verifica-se que o item III é totalmente verdadeiro, uma vez que o instrumento utilizado para formalizar a delegação é efetivamente o convênio. Por fim, é importante que os Srs. tenham em mente

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que, para que essa informação possa ser exigida numa prova objetiva ou subjetiva, não é necessário que o edital preveja expressamente a cobrança da Lei n. 11.250/2005, sendo suficiente para tanto a previsão de cobrança dos “impostos em espécie”. No entanto, é lógico que a cobrança dessas normas específicas irá depender do nível de dificuldade do certame.

GABARITO: ALTERNATIVA (B)

DIREITO AMBIENTAL

9. Acerca dos objetivos das Unidades de Conservação de Proteção Integral, assinale a alternativa correta:

a) A Reserva Biológica tem como objetivo proteger ambientes naturais onde se asseguram

condições para a existência ou reprodução de espécies ou comunidades da flora local e da fauna residente ou migratória.

b) O Parque Nacional tem como objetivo básico preservar sítios naturais raros, singulares

ou de grande beleza cênica.

c) O Monumento Natural tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais

de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico.

d) A Estação Ecológica tem como objetivo a realização de pesquisas científicas e a

preservação da natureza.

e) O Refúgio de Vida Silvestre tem como objetivo a preservação integral da biota e

demais atributos naturais existentes em seus limites, sem interferência humana direta ou modificações ambientais, excetuando-se as medidas de recuperação de seus ecossistemas alterados e as ações de manejo necessárias para recuperar e preservar o equilíbrio natural, a diversidade biológica e os processos ecológicos naturais.

COMENTÁRIO

Essa questão têm o objetivo de trazer para os Srs. algumas características das Unidades de Conservação, por ser um dos temas mais correntes nos certames de procuradorias estaduais e municipais que cobram direito ambiental.

As unidades de conservação foram estabelecidas na Lei n. 9.985/2000, que criou o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC, e constituem mais uma modalidade de espaços territoriais especialmente protegidos previstos no art. 225, §1º, III, da Constituição.

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Essas Unidades de conservação são dividas em dois grandes grupos: as Unidades de Conservação de Uso Sustentável (são sete) e as Unidades de Conservação de Proteção Integral (são cinco).

Tratando da diferença entre ambas, Frederico Amado (AMADO, Frederico. Direito Ambiental Esquematizado, Editora Método, 3ª Ed, 2012, p. 241) explica que enquanto nas unidades de proteção integral o objetivo básico é preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos recursos naturais, nas unidades de uso sustentável o objetivo é explorar o meio ambiente de maneira a garantir a perenidade dos recursos ambientais renováveis e dos processos ecológicos, de forma socialmente justa e economicamente viável.

As cinco Unidades de Conservação de Proteção Integral são: a Estação Ecológica, a Reserva Biológica, o Parque Nacional, o Monumento Natural e o Refúgio da Vida Silvestre.

Seguem os objetivos de cada uma dessas unidades, conforme previsto na Lei n. 9985/2000:

A Estação Ecológica tem como objetivo a preservação da natureza e a realização de pesquisas

científicas;

A Reserva Biológica tem como objetivo a preservação integral da biota e demais atributos naturais

existentes em seus limites, sem interferência humana direta ou modificações ambientais, excetuando- se as medidas de recuperação de seus ecossistemas alterados e as ações de manejo necessárias para recuperar e preservar o equilíbrio natural, a diversidade biológica e os processos ecológicos naturais;

O Parque Nacional tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande

relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento

de

atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e

de

turismo ecológico;

O

Monumento Natural tem como objetivo básico preservar sítios naturais raros, singulares ou de

grande beleza cênica;

O Refúgio de Vida Silvestre tem como objetivo proteger ambientes naturais onde se asseguram

condições para a existência ou reprodução de espécies ou comunidades da flora local e da fauna

residente ou migratória.

Pela descrição dos objetivos percebe-se que a alternativa correta é a letra D, na qual consta a única opção cujo objetivo corresponde efetivamente à unidade de conservação citada.

Destaquei acima as palavras-chaves de cada um dos objetivos, as quais tem relação com o nome dado

à unidade, de forma a ajudá-los na memorização, por ser um tema recorrente em concursos públicos.

Apesar de não ter sido cobrado na questão, por ter relação com o tema abordado e de forma a facilitar

o estudo dos Srs., trago abaixo as principais características das sete unidades de conservação de uso sustentável, com os destaques das palavras-chaves:

A Área de Proteção Ambiental é em geral extensa, com um certo grau de ocupação humana, dotada

de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida

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e o bem-estar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais;

A Área de Relevante Interesse Ecológico é em geral de pequena extensão, com pouca ou nenhuma

ocupação humana, com características naturais extraordinárias ou que abriga exemplares raros da biota regional, e tem como objetivo manter os ecossistemas naturais de importância regional ou local e regular o uso admissível dessas áreas, de modo a compatibilizá-lo com os objetivos de conservação da

natureza;

A Floresta Nacional é uma área com cobertura florestal de espécies predominantemente nativas e tem

como objetivo básico o uso múltiplo sustentável dos recursos florestais e a pesquisa científica, com ênfase em métodos para exploração sustentável de florestas nativas;

A Reserva Extrativista é uma área utilizada por populações extrativistas tradicionais, cuja subsistência

baseia-se no extrativismo e, complementarmente, na agricultura de subsistência e na criação de animais de pequeno porte, e tem como objetivos básicos proteger os meios de vida e a cultura dessas populações, e assegurar o uso sustentável dos recursos naturais da unidade;

A Reserva de Fauna é uma área natural com populações animais de espécies nativas, terrestres ou aquáticas, residentes ou migratórias, adequadas para estudos técnico-científicos sobre o manejo econômico sustentável de recursos faunísticos;

A Reserva de Desenvolvimento Sustentável é uma área natural que abriga populações tradicionais,

cuja existência baseia-se em sistemas sustentáveis de exploração dos recursos naturais, desenvolvidos ao longo de gerações e adaptados às condições ecológicas locais e que desempenham um papel fundamental na proteção da natureza e na manutenção da diversidade biológica. Tem como objetivo básico preservar a natureza e, ao mesmo tempo, assegurar as condições e os meios necessários para

a reprodução e a melhoria dos modos e da qualidade de vida e exploração dos recursos naturais das

populações tradicionais, bem como valorizar, conservar e aperfeiçoar o conhecimento e as técnicas de manejo do ambiente, desenvolvido por estas populações.

A

Reserva Particular do Patrimônio Natural é uma área privada, gravada com perpetuidade, com

o

objetivo de conservar a diversidade biológica.

GABARITO: ALTERNATIVA (D)

PROFESSOR: KAOYE GUAZINA OSHIRO E-mail: será adicionado na 1ª rodada do curso
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10. A respeito do direito cambiário, sua evolução história, princípios, características e classificação, assinale a alternativa CORRETA:

a) A doutrina costuma dividir a evolução do direito cambiário em três períodos históricos

distintos, a começar pelo italiano, cuja origem ocorreu durante a idade média nas cidades marítimas italianas, seguido pelo francês, cujo destaque foi o surgimento da cláusula à ordem e a criação do instituto do endosso, até chegar no atual período denominado de alemão, que se iniciou com a edição, em 1848, da Ordenação Geral do Direito Cambiário.

b) A aplicação do subprincípio da abstração independe da circulação do título de crédito,

razão pela qual não é possível se discutir a causa que lhe deu origem ainda que a relação jurídica seja travada entre os próprios sujeitos que participaram da relação originária.

c) Segundo a classificação moderna, os títulos de crédito nominais são aqueles em que se

identifica expressamente seu titular e cuja transferência da titularidade somente pode ser feita por meio de endosso.

d) De acordo com entendimento jurisprudencial dominante, o título de crédito emitido ou

aceito com omissões ou, ainda, em branco, deve ser considerado nulo por possibilitar ao credor, ainda que de boa-fé, o seu preenchimento de maneira unilateral, em prejuízo do devedor.

e) Ainda que prescrita a pretensão executiva de uma nota promissória ou de um cheque,

é cabível o ajuizamento de ação monitória em face do seu emitente no prazo de 5 (cinco) anos, a contar do dia seguinte ao vencimento do título (caso da nota promissória) e do dia seguinte à data de emissão estampada na cártula (no caso do cheque).

COMENTÁRIO

Alternativa “a”

Ao contrário do que foi afirmado, a doutrina costuma dividir o direito cambiário em 4 (quatro) períodos distintos, a começar pelo italiano (até o ano de 1650), seguido pelo francês (de 1650 a 1848) e alemão (de 1848 a 1930), até chegar no período chamado de uniforme, que se iniciou em 1930 com a realização da Convenção de Genebra sobre títulos de crédito e da Lei Uniforme das Cambiais, além da aprovação da Lei Uniforme do Cheque no ano de 1931.

Para facilitar a memorização, segue um resumo da classificação feita pelo professor André Luiz Santa Cruz Ramos (Direito Empresarial Esquematizado. 4 ed. São Paulo: Método, 2014. p. 437-438):

a) período italiano: neste período inicial, possuem destaques as cidades marítimas italianas, onde se realizavam as feiras medievais que atraíam os grandes mercadores da época. Outra característica importante desse período é o desenvolvimento das operações de câmbio, em

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razão da diversidade de moedas entre as várias cidades medievais.

b) período francês: merece destaque, nessa fase do direito cambiário, o surgimento da cláusula

à ordem, o que acarretou, consequentemente, a criação do instituto cambiário do endosso, que permitia ao beneficiário da letra de câmbio transferi-la independentemente de autorização do sacador.

c) período germânico: o direito cambiário viveu a terceira fase de sua evolução histórica. Trata-

se do período alemão, que se inicia com a edição, em 1948, da Ordenação Geral do Direito Cambiário, uma codificação que continha normas especiais sobre letras de câmbio, diferente das normas do direito comum. O período alemão é bastante destacado pelos doutrinadores por ter consolidado a letra de câmbio, especificamente – e os títulos de crédito de uma forma geral – como instrumento de crédito viabilizador da circulação de direitos.

d) período do direito uniforme: realização da Convenção de Genebra sobre títulos de crédito

no ano de 1930 e a consequente aprovação, no mesmo ano, da Lei Uniforme das Cambiais,

aplicável às letras de câmbio e às notas promissórias.

Alternativa “b”

Pelo subprincípio da abstração, derivado do princípio da autonomia, o título de crédito, quando posto em circulação, se desvincula da relação fundamental que lhe deu origem.

Note-se que a abstração tem por pressuposto a circulação do título de crédito, razão pela qual, entre os sujeitos que participaram do negócio originário, o título não se considera desvinculado deste (COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Comercial. v. 1. 9. ed. atual. São Paulo: Saraiva, 2005. p. 377).

Por isso é que se afirma que a circulação do título é fundamental para que se opere a sua abstração, já que, uma vez posto em circulação, o título passará a vincular outras pessoas que não participaram da relação originária e, por isso, assumem obrigações e direitos tão somente em função do título, representado pela cártula (RAMOS, André Luiz Santa Cruz. Direito Empresarial Esquematizado. 4 ed. São Paulo: Método, 2014. p. 447).

Nesse mesmo sentido, colhe-se o seguinte julgado do STJ:

RECURSO ESPECIAL. AÇÃO MONITÓRIA. CONTRATOS BANCÁRIOS. INSTRUMENTO PARTICULAR DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. NOTA PROMISSÓRIA QUE GARANTE O CONTRATO. RESPONSABILIDADE DO AVALISTA. PRINCÍPIO DA ABSTRAÇÃO. NECESSIDADE DE CIRCULAÇÃO DO TÍTULO DE CRÉDITO. SÚMULA 280 DO STF. (…) 3. Segundo o princípio da abstração, o título de crédito, quando posto em circulação, desvincula-se da relação fundamental que lhe deu origem. A circulação do título de crédito é pressuposto da abstração. 4. Nas situações em que a circulação do título de crédito não acontece e sua emissão ocorre como forma de garantia de dívida, não há desvinculação do negócio de origem, mantendo-se intacta a obrigação daqueles que se responsabilizaram pela dívida garantida pelo título (…) (REsp 1175238/RS

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Relator: Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, Data de Julgamento: 07/05/2015, 4ª Turma)

Alternativa “c”

Quanto à forma de transferência ou circulação, segundo a classificação moderna, os títulos de crédito são assim classificados:

a) Ao portador: é o título que se transfere pela simples tradição, uma vez que neles a identificação

do credor não é feita de forma expressa (art. 904 CC). A simples transferência do documento opera a transferência da titularidade do crédito. Obs: O único caso de título ao portador entre os títulos de crédito próprios é o cheque que tem valor até o limite de R$ 100,00 (cem reais).

b) Nominal: é o título que identifica expressamente o seu titular (o credor). A transferência do crédito não depende da mera entrega do documento, sendo necessária a prática de ato formal.

Nominal À ORDEM: a transferência se dá por ENDOSSO.

Nominal NÃO À ORDEM: a transferência é por CESSÃO CIVIL.

c) Nominativos: são os títulos emitidos em favor de determinada pessoa, cujo nome consta

de registro específico mantido pelo emitente do título. Nesse caso, a transferência só se opera validamente mediante termo no referido registro (art. 921/922 do CC/02) ou mediante endosso (art. 923 do CC/02)

Assim, a assertiva é incorreta pelo fato de afirmar que os títulos nominais somente podem ser transferidos via endosso, na medida em que, quando presente a cláusula não à ordem, a sua transferência ocorre mediante cessão civil de crédito.

Alternativa “d”

Ao contrário do que afirmado na assertiva, o art. 891 do Código Civil autoriza a emissão de título de crédito incompleto, o qual deve ser preenchido de conformidade com os ajustes realizados.

Tal autorização, inclusive, é reforçada pelo disposto na Súmula 387 do STF:“a cambial emitida ou aceita com omissões, ou em branco, pode ser completada pelo credor de boa-fé antes da cobrança ou protesto.”

Alternativa “e”

Trata-se a presente assertiva do disposto nas Súmulas 503 e 504 do STJ, in verbis:

SÚMULA 503/STJ: O prazo para ajuizamento de ação monitória em face do emitente de cheque sem força executiva é quinquenal, a contar do dia seguinte à data de emissão estampada na cártula.

SÚMULA 504/STJ: O prazo para ajuizamento de ação monitória em face do emitente de nota promissória sem força executiva é quinquenal, a contar do dia seguinte ao vencimento do título.

A título de informação, cumpre ressaltar que a diferença relativa ao termo inicial para contagem do prazo

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prescricional decorre do fato de que o cheque se constitui em uma ordem de pagamento à vista, razão pela qual no dia seguinte a sua emissão já seria possível ao credor o ajuizamento de ação monitória, enquanto a nota promissória constitui-se em uma promessa de pagamento com prazo para vencimento, a partir de quando se torna possível a sua cobrança, à luz do princípio da actio nata.

GABARITO: ALTERNATIVA (E)

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

11. Analise as afirmações abaixo, referentes ao sistema recursal no âmbito do processo civil:

I. Segundo entendimento jurisprudencial dominante, a Fazenda Pública não dispõe de

prazo em dobro para interpor recurso sob a forma adesiva, uma vez que a sua interposição deve ocorrer no prazo que a parte dispõe para apresentar contrarrazões, o qual é computado de forma simples.

II. Por força do princípio da unirrecorribilidade, é vedada a interposição de um único

recurso para impugnar mais de uma decisão, assim como é vedada, em regra, a interposição de mais de um recurso para impugnar a mesma decisão.

III. De acordo com a jurisprudência do STF, os embargos de declaração opostos objetivando

reforma da decisão do relator, com caráter infringente, devem ser convertidos em agravo regimental, que é o recurso cabível, por força do princípio da fungibilidade.

IV. Não é possível a aplicação do princípio da fungibilidade para o conhecimento, como

agravo de instrumento, de apelação interposta em face de decisão que, antes da prolatação da sentença, reconhece a ilegitimidade de alguma das partes.

Está CORRETO apenas o que se afirma em:

a)

II, III e IV.

b)

I e II.

c)

III e IV.

d)

II e III.

e)

IV.

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Prescreve o art. 188 do CPC/73: “computar-se-á em quádruplo o prazo para contestar e em dobro para recorrer quando a parte for Fazenda Pública ou o Ministério Público.”

A interpretação doutrinária e jurisprudencial pacífica é no sentido de que tal dispositivo legal não tem

aplicação no tocante ao prazo para apresentação de contrarrazões, somente sendo aplicável o prazo em dobro quando se tratar efetivamente da interposição de recurso.

A questão que surge, então, é em relação ao prazo para apresentação de recurso adesivo pela Fazenda

Pública, já que este, segundo disposto no art. 500, I, do CPC/73, deve ser interposto no prazo de que a parte dispõe para responder o recurso principal.

Sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça sedimentou o entendimento de que deve ser aplicado prazo em dobro para interposição do recurso adesivo, pela conjugação do art. 500, I c/c art. 188, ambos do CPC, até porque o recurso adesivo não está condicionado à apresentação de contrarrazões ao recurso principal, já que independentes ambos os institutos de direito processual (EDcl no REsp 171543/ RS, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, 2ª. TURMA).

Ressalte-se, entretanto, as críticas feitas pelo professor Leonardo José Carneiro da Cunha (A Fazenda Pública em Juízo. 11 ed. São Paulo: Dialética, 2013, p. 64), para quem “se o recurso adesivo deve ser interposto no prazo para apresentação de contrarrazões ao recurso da parte, e se a Fazenda Pública não dispõe de prazo em dobro para tanto, é curial que, ao interpor recurso adesivo, a Fazenda Pública não desfrutará do prazo diferenciado previsto no art. 188 do CPC.

Assertiva II

Pelo princípio (ou regra) da unirrecorribilidade, é vedada, em regra, a utilização simultânea de dois recursos contra a mesma decisão, uma vez que somente há um recurso adequado.

Por outro lado, não existe vedação que impeça a interposição de um único recurso para impugnar mais de uma decisão, de modo que, consoante exemplo fornecido por Fredie Didier Jr. e Leonardo José Carneiro da Cunha, se o juiz profere uma decisão e, antes do término do prazo recursal, vem a proferir outra, pode a parte, num único recurso, impugnar ambas, desde que esse recurso seja adequado a combater as duas decisões (Curso de Direito Processual Civil. 3 vol. 12 ed. Salvador: Juspodivm, 2014. p.

43).

Nesse sentido já decidiu o STJ:

PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE.INTERPOSIÇÃO

) 2. O

princípio da singularidade, também denominado da unicidade do recurso, ou unirrecorribilidade consagra a premissa de que, para cada decisão a ser atacada, há um único recurso próprio e adequado previsto no ordenamento jurídico. 3. O recorrente utilizou-se do recurso correto (respeito à forma) para impugnar as decisões interlocutórias, qual seja o agravo de instrumento.

4. O princípio da unirrecorribilidade não veda a interposição de um único recurso para impugnar

DE UM ÚNICO RECURSO PARA ATACAR DUAS DECISÕESDISTINTAS. POSSIBILIDADE (

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mais de uma decisão. E não há, na legislação processual, qualquer impedimento a essa prática, não obstante seja incomum. 5. Recurso especial provido. (g.n) (REsp 1.112.599/TO, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, Data de Julgamento: 28/08/2012, T3 - TERCEIRA TURMA)

Assertiva III

De acordo com jurisprudência pacífica do STF, os embargos de declaração opostos objetivando reforma da decisão do relator, com caráter infringente, devem ser convertidos em agravo regimental, que é o recurso cabível, por força do princípio da fungibilidade. Precedentes: ARE 706478/SP, Rel.: Min. Luiz Fux, 1ª Turma, DJ 25/8/2014, Rcl 11.022-ED, Rel. Min. Cármen Lúcia, Plenário, DJ 7/4/2011, AI 547.827- ED, Rel. Min. Dias Tofolli, 1ª Turma, DJ 9/3/2011; RE 546.525-ED, Rel. Min. Ellen Gracie, 2ª Turma, DJ 5/4/2011 e a Pet 4.837-ED, Rel. Min. Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, DJ 14/3/2011.

Segue o STF o entendimento segundo o qual o recorrente, ao interpor embargos de declaração com caráter infringente, pretende, na realidade, a reforma do julgado, o que somente pode ser admitido por meio de agravo regimental.

Por seu turno, a aplicação do princípio da fungibilidade decorre dos seguintes pressupostos: a) “dúvida objetiva”: existente quando há divergência entre a doutrina e/ou jurisprudência a respeito do recurso cabível para determinada decisão; b) inexistência de erro grosseiro: não pode haver afronta a uma previsão expressa da lei; c) observância do prazo: o recurso interposto deve respeitar o prazo daquele que deveria ter sido.

Assertiva IV

O STJ entende que:

a exclusão de um dos litisconsortes do polo passivo, por ilegitimidade, prosseguindo-se o feito perante os demais, não configura extinção da totalidade do feito, caracterizando decisão interlocutória - ato pelo qual o juiz, no curso do processo, resolve questão incidente -, pelo que é recorrível mediante recurso de agravo de instrumento” (AgRg no AREsp: 336945/SC, Relator:

Ministro RAUL ARAÚJO, 4ª Turma, DJe 23/10/2014).

Isso porque, apesar de o reconhecimento de ilegitimidade implicar em uma das hipóteses do art. 267 do CPC, tal ato judicial somente será considerado sentença quando implicar na extinção total do feito, o que não ocorre quando a exclusão é de apenas um dos litisconsortes, situação em que o recurso cabível é o agravo de instrumento.

Por oportuno, anote-se que, quanto à inaplicabilidade do princípio da fungibilidade recursal, o entendimento pacífico do STJ é de que a interposição de apelação nestes casos constitui erro grosseiro, por ausência de dúvida objetiva. Precedentes: AgRg nos EDcl no Ag 1132332⁄SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 05⁄05⁄2010; AgRg no REsp 771.253⁄PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 14⁄04⁄2009.

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GABARITO: ALTERNATIVA (C)

DIREITO CIVIL

12. De acordo com o entendimento jurisprudencial dominante dos Tribunais Superiores, assinale a alternativa INCORRETA:

a) Consoante autorização expressa do Código Civil de 2002, os credores de indenização

por morte fixada na forma de pensão mensal têm o direito de exigir que o causador do ilícito pague de uma só vez todo o valor correspondente.

b) É possível a cumulação de benefício previdenciário de pensão por morte com pensão

civil ex delicto, não havendo que se falar em bis in idem.

c) É nula, por configurar julgamento extra petita, a decisão que condena a parte ré, de ofício, em ação individual, ao pagamento de indenização a título de danos sociais em favor de terceiro estranho à lide.

d) As taxas de manutenção criadas por associações de moradores não obrigam os não

associados ou que a elas não anuíram.

e) É inexigível o consentimento de pessoa biografada relativamente a obras biográficas

literárias ou audiovisuais, sendo por igual desnecessária a autorização de pessoas retratadas como coadjuvantes ou de familiares, em caso de pessoas falecidas ou ausentes.

COMENTÁRIO

Alternativa “a”

Dispõe o art. 950, caput e parágrafo único, do CC/02:

Art. 950. Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer o seu ofício ou profissão, ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a indenização, além das despesas do tratamento e lucros cessantes até ao fim da convalescença, incluirá pensão correspondente à importância do trabalho para que se inabilitou, ou da depreciação que ele sofreu.

Parágrafo único. O prejudicado, se preferir, poderá exigir que a indenização seja arbitrada e paga de uma só vez.

Veja-se que, de acordo com o texto legal, o pagamento de uma só vez da pensão por indenização é uma faculdade que se refere apenas a defeito que diminua a capacidade laborativa, não se estendendo aos casos de indenização por morte.

Nesse sentido decidiu o STJ no julgamento do REsp 1.393.577/PR, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em

20/2/2014 e noticiado no informativo 536, in verbis:

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ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. INDENIZAÇÃO. FALECIMENTO. DANOS MATERIAIS. PENSÃO MENSAL. PAGAMENTO DE UMA SÓ VEZ. NÃO CABIMENTO ( ) 3. O pagamento de uma só vez da pensão por indenização é faculdade estabelecida para a hipótese do caput do art. 950 do CC, que se refere apenas a defeito que diminua a capacidade laborativa, não se estendendo aos casos de falecimento