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PREZADO(A) PARTICIPANTE

Seja muito bem-vindo(a) ao Tema 2 do Módulo 2.

O Tema 2 - PROCESSO LEGISLATIVO tem como principal nalidade aproximar você das questões relati- vas aos principais atos que se submetem à técnica legislativa e que são utilizados pela Administração Pública.

Este Tema está dividido em dez unidades UNIDADE 1 - Atos legais, suas nalidades e conceito de lei UNIDADE 2 - Normas constitucionais, legais e regimentais UNIDADE 3 - Competência legislativa municipal UNIDADE 4 - Iniciativa e tramitação legislativa UNIDADE 5 - Sanção, veto, promulgação, publicação, vigência e vacância UNIDADE 6 - Quórum parlamentar UNIDADE 7 - Elaboração legislativa especial UNIDADE 8 - Participação dos cidadãos UNIDADE 9 - Aprovação e autógrafo UNIDADE 10 - Técnica legislativa

Objetivos Específicos a atingir

Ao chegar ao término dos seus estudos neste Tema você deverá estar apto(a) a:

Reconhecer os atos legais e os atos administrativos;

Enumerar os diferentes tipos de lei e descrever suas características;

Identicar as normas constitucionais, legais e de natureza regimental pertinentes ao processo legislativo;

Descrever as principais etapas envolvidas na tramitação legislativa: da proposição à publicação;

Conhecer a forma de apresentação formal dos textos legislativos e a técnica envolvida na sua elaboração.

Bons Estudos e Sucesso!

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Flávio R. Gonçalves

Flávio R. Gonçalves UNIDADE 1 ATOS LEGAIS, SUAS FINALIDADES E CONCEITO DE LEI Começando a conversar

UNIDADE 1

ATOS LEGAIS, SUAS FINALIDADES E CONCEITO DE LEI

Começando a conversar

A expressão atos legais indica todos aqueles atos que a Administração expede. Os atos legais dividem-se

em: atos legislativos e atos administrativos.

Atos legislativos são os que decorrem da manifestação do Poder Legislativo. Assim, são atos legislativos: as leis, as resoluções e os decretos legislativos, porque todos derivados das atribuições do Poder Legislativo.

Já os atos administrativos possuem maior complexidade e diversas classicações. Alguns conceituam

esse tipo de ato como atos jurídicos por meio dos quais a Administração Pública desempenha a sua função executiva, pelo que a sua expedição seria própria do Poder Executivo. Essa conceituação, todavia, não é sa- tisfatória, posto que também o Legislativo e o Judiciário produzem atos administrativos quando na realização de funções executivas.

Para ns deste curso, serão mencionados os atos administrativos praticados por meio de decretos, por- tarias e regulamentos.

Vamos iniciar pelo estudo dos Atos Legislativos. Lembrando

Atos legislativos

estudo dos Atos Legislativos. Lembrando Atos legislativos São os que decorrem da manifestação do Poder Legislativo.

São os que decorrem da manifestação do Poder Legislativo.

Quais são os atos legislativos?

as leis,

as resoluções e

os decretos legislativos

Que é Lei?

Assim diz o dicionário:

Lei – Norma jurídica escrita, emanada da autoridade soberana do Estado, que dene os direitos e deveres de cada um.

Conjunto de regras jurídicas, de prescrições legais.

Regra, norma, preceito.

Em outras palavras Lei é, desde muito tempo, a fonte principal do direito. É por meio dela que o Estado, aqui referido ge- nericamente, cria e restringe direitos e obrigações, orienta comportamentos e determina as relações entre pessoas físicas e jurídicas, preceitua e xa normas aplicáveis às situações mais variáveis.

Enfim, no âmbito do nosso estudo Lei, em sentido estrito, é a norma jurídica geral, abstrata e obrigatória.

E ainda:

O conceito de lei considera o seu processo de elaboração, assim como a sua forma, isto é, a lei tem um

sentido material e um sentido formal.

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TEMA 2 | PROCESSO LEGISLATIVO

Veja o que se considera uma lei perfeita

Para que seja considerada lei perfeita, ambos os sentidos terão sido respeitados.

Se a lei, em sua feitura, não teve a participação do Poder Legislativo e do Poder Executivo, não será lei perfeita.

E mais

Se o assunto de que trata não corresponde à norma geral, do mesmo modo não será lei perfeita – é o

entendimento da melhor doutrina.

Entenda agora o conceito de lei aplicado para o Município:

Trata-se de ato jurídico aprovado pela Câmara Municipal e submetido à manifestação do Prefeito.

A Constituição da República determina o respeito, por todas as esferas da Administração Pública, ao prin-

cípio da legalidade (art. 37, caput), o que signica dizer que nada pode ser feito, no âmbito do Poder Público,

sem prévia autorização legal. Também face a preceito constitucional, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, senão em virtude de lei (art. 5º, inciso II).

Concluindo As leis constituem instrumentos próprios da ação do Poder Público.

Para lembrar:

As leis são antecedidas de seus anteprojetos e projetos.

O anteprojeto pode ser comparado a uma minuta, consistindo naquele documento que o assessor ou o

consultor elabora por determinação da autoridade para que, posteriormente, se transforme no projeto que será encaminhado ao Legislativo, para que este o aprecie.

Conheça, agora, os diferentes tipos de lei.

Lei complementar Como o nome revela, as leis complementares complementam as normas constitucionais, por isso mesmo não podem conter mais do que indicado no dispositivo pertinente que apontar o seu uso para regular a matéria. No Município, como não existe Constituição (no Estado, essas leis complementam a Carta respectiva), as leis complementares visam complementar a Lei Orgânica, esta, por sua vez, uma lei especial que se encontra em nível hierárquico superior às demais leis municipais. Nas Cartas Constitucionais anteriores à Constituição da República de 1988 não se admitia o uso de lei complementar pelo Município. Certamente pelo surgimento da competência municipal para editar a sua Lei Orgânica, a questão tem sido vista com outros olhos, sendo inúmeros os Municípios que inseriram a sua elaboração como compreendida no processo legislativo 7 .

Lei ordinária

A denominação lei ordinária advém da necessidade de diferenciá-la das demais (leis complementares,

delegadas etc.). A rigor, não há na Carta Magna qualquer referência especí ca a leis ordinárias, mas sim a leis

complementares, leis delegadas, leis federais, leis estaduais, leis municipais, leis orgânicas etc.

7 Há no Supremo Tribunal Federal ação sob julgamento que versa sobre a utilização da lei complementar por outras esferas de Governo, além da União. O Ministro Relator prolatou seu voto no sentido de que esse tipo de lei somente poderia ser usado nos casos previstos na Constituição Federal. Até o momento, o julgamento não havia terminado.

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Flávio R. Gonçalves A grande maioria das leis é do tipo ordinário, constituindo as complementares exceção

A grande maioria das leis é do tipo ordinário, constituindo as complementares exceção que, como tal,

deve ser expressa.

O processo legislativo aplicável à lei ordinária é constituído pelas regras básicas e rotineiras; as exceções

e as especicações destinam-se às outras leis.

Lei delegada Tem por objetivo criar condições para que o Poder Executivo possa, em determinados casos, receber delegação do Legislativo para legislar. Conforme dispõe a Constituição, “as leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da Re-

pública, que deverá solicitar a delegação ao Congresso Nacional” (art. 68). A delegação se faz por meio de resolução, que especi cará o conteúdo e os termos de seu exercício (§ 2º do mesmo artigo). As leis orgânicas reproduziram quase literalmente o dispositivo constitucional acima citado.

A Constituição Federal contém mais restrições, algumas sem aplicação ao Município e outras, sim, como

a que impede a delegação de matéria reservada à lei complementar.

Lei Orgânica Municipal - LOM Por determinação expressa do Texto Constitucional, o Município rege-se por Lei Orgânica elaborada pela Câmara Municipal, votada e promulgada na forma prevista no art. 29, caput.

O que deve estar bem claro para você:

A Lei Orgânica possui grande importância para o Município, constituindo avanço no tratamento dado a

essa esfera de Governo. Seu conteúdo, todavia, não é ilimitado, estando contido basicamente no que dispõem os arts. 29, 29-A e 30 da Constituição da República.

A Lei Orgânica não é equiparada a uma lei ordinária, tampouco a uma lei complementar. Assim, pode ser

quali cada como especial, em face das peculiaridades que lhe foram atribuídas pelo constituinte.

E por fim

O processo legislativo de sua elaboração é também especial, como o é o de emendas a seu texto.

Códigos

Que é código? Assim diz o dicionário:

Conjunto metódico e sistemático de disposições legais relativas a um assunto ou a algum ramo do Direito. São exemplos: o Código de Obras, o Código Tributário Municipal, O Código de Posturas etc.

Agora repare:

Os códigos são utilizados para tratar exaustivamente de determinado tema, como ocorre, por exemplo, com a legislação tributária, que costuma ser integrada em um único diploma legal.

Fechando esta idéia:

Os códigos procuram normatizar a matéria de forma unicada, no sentido de que ela não será desdobra- da em várias leis. Costumam ser extensos e complexos, pelo que recebem tratamento especial no processo legislativo, como se verá em páginas posteriores. Os códigos podem exigir a expedição de leis ordinárias ou comple- mentares, conforme dispuser a LOM.

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Outros atos legislativos

1 - Resolução e Decreto Legislativo

Ato de interesse interno do Poder Legislativo, de sua exclusiva competência, Resolução que, embora submetido ao processo legislativo (vide art. 59, VII da CF), não tem na sua elaboração a participação do Chefe do Executivo ou seja, inicia-se de interesse interno do Poder Legislativo, de sua exclusiva competência, Resolução e termina no âmbito do e termina no âmbito do Legislativo.

Decreto legislativo

Também é ato de competência do Poder Legislativo, expedido sem a parti- cipação do Chefe do Executivo, que produz efeito externo e sujeita-se, da mesma forma, ao cipação do Chefe do Executivo, que produz efeito externo e sujeita-se, da mesma forma, ao processo legislativo (conf. art. 59, VI da CF).

Quando usar a resolução? Utiliza-se a resolução para regular matéria da competência privativa da Câmara, de caráter político, pro- cessual, legislativo ou administrativo.

Quando empregar o decreto legislativo?

O decreto legislativo deve ser empregado para formalizar os atos do Legislativo que possuam força externa,

como, por exemplo, aprovar ou rejeitar o parecer prévio do órgão competente sobre as contas do Município.

Importante!

À Lei Orgânica do Município - LOM cabe orientar sobre o procedimento a ser seguido, isto é, dela deve

constar dispositivo que informe sobre o uso desses atos.

O Regimento Interno, a seu tempo, deve descer a minúcias quanto ao processo legislativo destinado às

resoluções e aos decretos legislativos.

2 - Medida provisória As medidas provisórias surgiram no direito brasileiro com a promulgação da Constituição de 1988. São, conforme dispõe o art. 62 da CF, atos do Executivo com força de lei, submetidos posteriormente ao Legis- lativo, que poderá convertê-las ou não em leis, dispondo para decidir do prazo de trinta dias, após o qual, se não convertidas, perderão sua ecácia, cabendo ao próprio Legislativo disciplinar as relações jurídicas daí decorrentes.

Quando deverão ser adotadas as medidas provisórias? É condição imposta pelo dispositivo constitucional pertinente que as medidas provisórias sejam adotadas em casos de relevância e urgência, que devem ser expressamente demonstradas.

Fique bem informado!

O Congresso Nacional promulgou, em 11/09/01, a Emenda Constitucional nº 32, que estabelece novas

regras para a edição e a conversão das medidas provisórias.

O Supremo Tribunal Federal, ao julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 425-5, entendeu que

os Estados podem adotar a medida provisória no seu processo legislativo, desde que prevista na respectiva

Constituição. Nesse passo, pode também o Município expedir medidas provisórias desde que a LOM contenha previsão nesse sentido. Deverão ser respeitadas as hipóteses e os critérios previstos na CF.

Flávio R. Gonçalves

Flávio R. Gonçalves Vamos agora passar ao estudo dos Atos Administrativos. Relembrando Atos administrativos Os atos

Vamos agora passar ao estudo dos Atos Administrativos. Relembrando

Atos administrativos

dos Atos Administrativos. Relembrando Atos administrativos Os atos administrativos são espécies do gênero atos

Os atos administrativos são espécies do gênero atos legais. São utilizados pela Administração para desempenhar suas funções exe- cutivas, pelo que alguns são expedidos tanto pelo Poder Executivo, quanto pelo Legislativo. Por isso mesmo possuem maior complexi- dade e na literatura jurídica podem ser encontradas diversas clas- si cações. Aqui vamos adotar que os atos administrativos são os praticados por meio de decretos, portarias e regulamentos.

Conheça agora os principais atos administrativos:

Decretos Ato privativo do Chefe do Poder Executivo que tem por objetivo colocar em prática situações previstas em lei. Sendo hierarquicamente inferiores, os decretos não podem ultrapassar os limites xados pela lei, como também não podem criar direitos e obrigações. Os decretos podem ser:

normativos ou

individuais.

Normativos

Individuais

São usados para aprovar e expedir regulamentos e regimentos, sempre nos limites autorizados por lei. limites autorizados por lei.

São expedidos para tratar de matérias que possuem caráter singular, como e regimentos, sempre nos limites autorizados por lei. nomeação, a exoneração, a demissão, a promoção, a

nomeação, a exoneração, a demissão, a promoção, a licença, a designação

a

e

a aposentadoria de servidores.

Portaria Atos internos pelos quais o Chefe do Executivo (ou outra autoridade) expede determinações gerais ou especiais a seus subordinados. Servem, pois, para fazer funcionar o mecanismo burocrático ao determinar providências ou denir situações.

Exemplos ajudam a entender melhor :

É por meio desse ato que, normalmente, nos Municípios se abrem sindicâncias, criam-se comissões e nomeiam-se seus membros, aplicam-se medidas disciplinares e determinam-se procedimentos.

Fique atento! As portarias têm seu âmbito de alcance e nalidade prescrito na legislação local (geralmente, o Regimento Interno da Prefeitura) e, muitas vezes, concorrem com o decreto, este utilizado para alguns ns e as portarias para outros, mesmo que semelhantes.

Regulamento Atos administrativos geralmente aprovados por decreto, neste caso expedidos pelo Prefeito(a). Sua destinação é a de explicar a execução da lei ou de traçar normas de cumprimento para situações adminis- trativas.

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Uma observação:

Utilizam-se os regulamentos nos limites autorizados por lei, que via de regra indica expressamente o que será objeto de regulamentação. Dessa limitação não se pode fugir, sob pena de ilegalidade, pois, como se estudou, há assuntos que neces- sariamente devem ser tratados por lei.

Flávio R. Gonçalves

Flávio R. Gonçalves UNIDADE 2 NORMAS CONSTITUCIONAIS, LEGAIS E REGIMENTAIS Começando a conversar O processo legislativo

UNIDADE 2

NORMAS CONSTITUCIONAIS, LEGAIS E REGIMENTAIS

Começando a conversar

O processo legislativo tem seus princípios, suas normas básicas, inseridos na Constituição da República a

partir do art. 59, cujo caput determina o âmbito de seu alcance, ou seja, os atos que a ele estão subordinados.

Observe:

O parágrafo único desse artigo confere à lei complementar a tarefa de dispor sobre a elaboração, a reda-

ção, a alteração e a consolidação das leis. Em decorrência, foram expedidos a Lei Complementar nº 95, de 26/02/98, depois alterada pela Lei Com- plementar nº 107, de 26/04/01, e os Decretos nº 2.954, de 29/01/99, e nº 4.176, de 28/03/02, cuja ementa in- forma que “estabelece normas e diretrizes para a elaboração, a redação, a consolidação e o encaminhamento ao Presidente da República de projetos de atos normativos de competência dos órgãos do Poder Executivo Federal, e dá outras providências”.

Veja o que José Afonso da Silva lembra:

José Afonso da Silva 8 lembra que o Estado de São Paulo possui lei sobre o assunto, que “não se aplica aos Municípios, evidentemente”, a mostrar que cada ente da Federação pode editar normas a respeito, desde

que observados os princípios básicos constitucionais, nada impedindo que use os modelos federal e estaduais (quando houver) como inspiração.

O Município do Rio de Janeiro também possui lei própria sobre o assunto, expedida posteriormente às

leis complementares federais, fazendo valer sua autonomia legislativa. Ao enfrentar a questão de a quem se aplica a legislação citada, Natália de Miranda Freire 9 arma que:

“As leis que constituem o âmbito de aplicação da Lei Complementar n. 95, de 1998, são as nacionais e as federais, que não se confundem” (destaques do original).

Observe agora o que Natália de Miranda Freire esclarece, reproduzindo palavras de Geraldo Ataliba 10 :

“Com efeito, ao Congresso Nacional incumbe editar leis nacionais e leis fe-

Há leis federais (ou da União), estaduais (ou dos

Estados) e municipais (ou dos Municípios) dirigidas às pessoas na qualidade de administrados da União, dos Estados e dos Municípios e emanadas dos le- gislativos dessas entidades políticas, respectivamente. E há leis nacionais, leis brasileiras, voltadas para todos os brasileiros, indistintamente, abstração feita da circunstância de serem eles súditos desta ou daquela pessoa política”.

derais, cumulativamente. /

/

8 SILVA, José Afonso da.

9 FREIRE, Natália de Miranda. Técnica e processo legislativo. Belo Horizonte: Del Rey, 2002, p. 86. 10 FREIRE, cit., p. 87.

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Em resumo

O entendimento aqui adotado é o de que o Município não está obrigado a observar as normas das duas

leis federais acima mencionadas, Pode, inclusive, ter normas próprias a respeito do processo e da técnica legislativa, desde que respeitados os princípios constitucionais, tratados a seguir.

Normas Constitucionais Aqui passamos a comentar os dispositivos constitucionais e a legislação, no sentido amplo da palavra, pertinentes ao Município, ou seja, a LOM e o Regimento Interno da Câmara Municipal. A aprovação de emendas à LOM somente pode ocorrer pelo voto de pelo menos 2/3 da totalidade dos Verea- dores, em face da regra de que a referida lei terá sido votada com observância desse quorum (CF, art. 29, caput). Outra norma constitucional diz respeito à iniciativa para propor emendas à LOM, e como se darão a tramitação e a promulgação, a exemplo do que estatui a CF para as próprias emendas (art. 60 e parágrafos).

Acompanhe o que aponta a seção do Texto Constitucional dedicada ao processo legislativo:

quando trata da iniciativa das leis, reservando determinadas matérias ao Executivo (art. 61). Registre-se que, embora em outra seção, há também reserva de iniciativa para o Poder Legislativo (arts. 51, IV e 52, XIII). O assunto será abordado adiante;

quando prevê a edição de medidas provisórias, nas hipóteses que anuncia (art. 62); a esse respeito. Conram-se os comentários adiante;

quando veda o aumento da despesa prevista nos projetos de iniciativa exclusiva do Executivo (art. 63), com ressalva do disposto nos §§ 3º e 4º do art. 166, e nos projetos sobre organização dos serviços administrativos do Legislativo (art. 63);

quando xa prazos para pedidos de urgência pelo Executivo, que não se aplicam aos projetos de códigos (art. 65, §§ 1º a 4º);

quando regulamenta a sanção, qualicada como expressa ou tácita, a promulgação, o veto e sua apre- ciação pela Casa Legislativa (art. 66);

quando determina a impossibilidade de matéria constante de projeto de lei rejeitado poder vir a cons- tituir novo projeto na mesma sessão legislativa, salvo por proposta da maioria absoluta dos membros do Legislativo (art. 67);

quando regula a edição de leis delegadas (art. 68);

quando determina quorum de maioria absoluta para aprovação de leis complementares (art. 69).

É importante guardar:

Os pontos enunciados acima devem ser observados no processo legislativo municipal, especialmente aqueles que reproduzem princípios ou que derivam destes, e devem estar contidos na LOM e, em detalhes, no Regimento Interno. Outras orientações constitucionais, como prazos, não representam, no entendimento da doutrina, princí- pios de cumprimento obrigatório pela esfera municipal,

Recomenda-se que

O bom senso deve prevalecer, de modo que os prazos não sejam exíguos, impedindo a boa prática em

todas as etapas do processo legislativo, nem extremamente largos, o que emperraria o andamento dos pro-

jetos, isso se o legislador municipal não desejar transcrever literalmente os prazos constitucionais.

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Flávio R. Gonçalves

Flávio R. Gonçalves Normas legais As normas legais pertinentes ao processo legislativo municipal encontram-se na LOM,

Normas legais As normas legais pertinentes ao processo legislativo municipal encontram-se na LOM, a qual deve conter capítulo sobre o assunto que transcreva ou adapte algumas das regras constitucionais e acrescente outras necessárias para melhor orientar a elaboração dos atos que a ele se submetem.

Assim Na LOM devem constar os atos compreendidos como sujeitos ao processo legislativo, ou seja:

emendas à LOM;

leis complementares;

leis ordinárias;

leis delegadas;

medidas provisórias;

decretos legislativos;

resoluções.

Quanto às leis complementares, é entendimento predominante que também somente existirão no Muni- cípio se a LOM assim dispuser, o mesmo ocorrendo com as leis delegadas que, a rigor, não necessariamente fazem parte do elenco legislativo municipal. Isso demonstra duas coisas:

1º - o Município não está compelido a repetir ipsis litteris o que vem na Constituição quanto ao tema;

2º - se na LOM deixar de constar qualquer um dos atos relacionados, o Município não poderá utilizá-lo.

Reforçando o que já foi dito:

Compete à LOM traçar os caminhos do processo legislativo, estabelecendo normas que tratem de:

atos submetidos ao processo legislativo;

propostas de emendas à LOM;

iniciativa das leis;

matérias objeto de lei complementar;

condições para edição de lei delegada;

prazos em geral, inclusive de urgência;

sanção, veto e promulgação;

resoluções;

decretos legislativos;

participação popular na elaboração das leis;

tramitação especial;

prazos de encaminhamento das leis orçamentárias;

emendas às leis orçamentárias;

outros conceitos complementares.

Saiba mais:

A Lei de Responsabilidade Fiscal foi omissa quanto a prazos para encaminhamento dos três projetos de

leis orçamentárias (plano plurianual, diretrizes orçamentárias e orçamento anual), pelo que prevalecem as datas que se encontram na LOM; se esta é omissa, seguem-se os prazos indicados no art. 35, § 2º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT.

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Por fim É na LOM que se devem buscar os fundamentos legais do processo, sabendo-se que seus desdobra- mentos, seus detalhes e suas diversas etapas estarão regulados no Regimento Interno. Se a LOM for omissa quanto a certos princípios, estes deverão ser observados por constarem da CF.

Normas regimentais

O Regimento Interno da Câmara Municipal é expedido por meio de resolução, e nele estão as normas

de procedimento geral. Dene o que é proposição, ou seja, toda matéria sujeita à deliberação do Plenário, qualquer que seja o seu objeto. Do Regimento devem constar, ainda:

normas a respeito do funcionamento da Câmara como instituição,

da composição e atribuições da Mesa,

das lideranças,

das comissões,

das sessões,

da tramitação das proposições,

da urgência,

das matérias sujeitas a disposições especiais, e, embora não faça parte direta do processo legislativo, também dos processos contra Prefeito(a), Vereador(a) e outras autoridades do Município, do próprio exercício da vereança e da participação da sociedade civil.

Fique de olho! Deve-se lembrar que a CF prevê a cooperação das associações representativas da sociedade civil no planejamento municipal (art. 29, XII), bem como a iniciativa popular de projetos de leis (art. 29, XIII). A Lei de Responsabilidade Fiscal e o Estatuto da Cidade (Lei nº 10.257/01), por sua vez, prevêem audiências públicas sobre os respectivos assuntos, o que também deve ser regulado pelo Regimento Interno.

Aplicabilidade imediata dos princípios constitucionais Os princípios constitucionais do processo legislativo têm aplicação obrigatória aos Municípios, indepen- dentemente de disposição de lei municipal neste sentido. Aliás, as disposições constantes da Constituição já estão implicitamente incorporadas, no que couber, ao direito legislado dos Municípios, se inconciliáveis com o sistema.

As decisões do STF não deixam dúvidas de que os princípios constitucionais devem ser compulsoriamen-

te seguidos, como se extrai do acórdão prolatado na ADIn nº 872-2-RS 11 , cuja ementa é:

“Processo legislativo: consolidação da jurisprudência do STF no sentido de que – não obstante a ausência de regra explícita na Constituição de 1988 – impõem- se à observância do processo legislativo do estado-membro as linhas básicas do correspondente modelo federal, particularmente as de reserva de iniciativa, na medida em que conguram elas prisma relevante do per l do regime positivo de separação e independência dos Poderes, que é o princípio fundamental ao qual se vinculam compulsoriamente os ordenamentos das unidades federadas”.

11 Diário da Justiça da União I, 06/08/93, p. 14.092).

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E ainda 12 :

Flávio R. Gonçalves E ainda 1 2 : Não posso, por isso mesmo, tendo presente essa

Não posso, por isso mesmo, tendo presente essa especial circunstância do

caso ora em análise, deixar de considerar a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que, no exame do mesmo tema versado neste processo, rmou-se no sen- tido de reconhecer que a cláusula de reserva pertinente ao poder de instauração do processo legislativo traduz postulado constitucional de observância compul- sória por todas as entidades estatais – inclusive por todos os Municípios – que compõem, em nosso sistema político, a estrutura institucional da Federação ( )” (destaques do original).

“(

)

Concluindo:

As linhas mestras do processo legislativo, contidas na Constituição do Brasil, têm aplicação automática aos Municípios. Respeitadas essas linhas mestras constitucionais, pode a lei orgânica fazer adaptações às pe- culiaridades locais, ampliar ou reduzir determinados prazos, estabelecer comportamentos e estender ou não o regime de leis delegadas e o de leis complementares ao Município.

12 STF. Trecho da Petição nº 1.623-1. Rel. Min. Celso de Mello. DJU de 14/12/98, p. 24.

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Flávio R. Gonçalves UNIDADE 3 COMPETÊNCIA LEGISLATIVA MUNICIPAL Pense! A Constituição vigente estruturou um sistema

UNIDADE 3

COMPETÊNCIA LEGISLATIVA MUNICIPAL

Pense!

A Constituição vigente estruturou um sistema de repartição de competências que enumera os poderes

da União e os dos Municípios, confere poderes remanescentes aos Estados e atribui ao Distrito Federal as competências reservadas aos Estados e Municípios, combinando competências exclusivas, privativas e princi- piológicas com competências comuns e concorrentes. Em regra, nos arts. 21 e 22 estão enumeradas as competências da União; no § 1º do art. 25, foram con- feridas aos Estados competências remanescentes; no art. 30 está a competência enumerada dos Municípios; no § 1º do art. 32 têm-se as competências atribuídas ao Distrito Federal. A competência ora é exclusiva, ora privativa.

Veja qual é a diferença entre competência exclusiva e privativa

A diferença entre competência exclusiva e competência privativa consiste em que a competência exclusi-

va é indelegável, enquanto a privativa pode ser objeto de delegação.

Agora fique atento em relação à competência comum!

A competência comum é aquela que pode ser exercida, paralelamente, pelos diversos entes federativos

(União, Estado-membro, Distrito Federal e Município), como ocorre com as matérias enumeradas no art. 23. É também denominada cumulativa ou paralela.

Sobre a competência concorrente Neste caso, diz-se que a legislação é concorrente, no sentido de que cada ente federativo possui quinhão da capacidade legislativa, nessa partilha de competências. A matéria não é exclusiva nem privativa de ninguém, podendo ser objeto de legislação federal, estadual, distrital ou municipal.

Por fim

A Constituição confere aos Estados, Distrito Federal e Municípios competência suplementar, exercida,

evidentemente, em relação às matérias elencadas no art. 24, de competência concorrente (§ 2º do art. 24 e inciso II do art. 30).

A competência suplementar consiste no poder de editar normas que ampliem o conteúdo de princípios

ou normas gerais.

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Flávio R. Gonçalves UNIDADE 4 INICIATIVA E TRAMITAÇÃO LEGISLATIVA O que significa Iniciativa de proposição?

UNIDADE 4

INICIATIVA E TRAMITAÇÃO LEGISLATIVA

O que significa Iniciativa de proposição? Iniciativa de proposição é o procedimento por intermédio do qual se encaminha ao Poder Legislativo um projeto, ensejando o início do processo legislativo.

Você sabia? As Câmaras não deliberam sem que sejam provocadas.

É preciso que alguém ponha em movimento o processo de formação das leis, mediante apresentação de um projeto, que será objeto de apreciação, discussão e votação.

Saiba mais:

A iniciativa pode ser geral ou reservada.

Iniciativa geral

Iniciativa reservada

geral ou reservada . Iniciativa geral Iniciativa reservada Quando, concorrentemente, o(a) Prefeito(a), as comissões da

Quando, concorrentemente, o(a) Prefeito(a), as comissões da Câ- mara, qualquer Vereador(a) e a população gozarem da titularidade da iniciativa.

Se a iniciativa for da competência privativa do(a) Prefeito(a), ou se apenas os membros da Câmara puderem iniciá-la. Registre-se que não há iniciativa reservada à população.

É da competência do Poder Executivo – do(a) Prefeito(a), portanto – a iniciativa das leis que estabeleçam

o plano plurianual, as diretrizes orçamentárias e os orçamentos anuais (art. 165 da Constituição), bem como das leis que disponham sobre criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e au- tárquica ou sobre aumento de sua remuneração, ou ainda sobre servidores públicos do Município, seu regime jurídico, provimento de cargos, estabilidade e aposentadoria, criação e extinção de Secretarias Municipais e de entidades e órgãos da administração pública e suas atribuições (CF, art. 61).

Fique de olho nas exceções Há exceções, quanto à Câmara Municipal, seja porque a criação de cargos, empregos e funções, nela, é feita por resolução, ato de competência privativa dela, não sancionável e, portanto, não sujeito a veto, seja em razão do princípio constitucional de separação dos Poderes.

A ela compete, ainda, a iniciativa da lei que xar a remuneração dos seus servidores, conforme redação

dada ao inciso IV do art. 51 e ao inciso XIII do art. 52 da CF pela Emenda Constitucional nº 19/98.

Uma reflexão:

A propósito de iniciativa reservada, convém trazer o entendimento de José Carlos Macruz 13 em pare-

cer recém publicado, no qual o autor conclui no sentido de reservar ao Executivo os projetos de lei sobre matéria urbanística em face da complexidade do tema, exigindo o domínio de elementos e informações que somente esse Poder teria.

13 Estudo de impacto de vizinhança (EIV). Projeto de lei. Iniciativa de Vereador. In Boletim de Direito Municipal, nº 6, jun/07, pp. 425-433.

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TEMA 2 | PROCESSO LEGISLATIVO

Trata-se de opinião que merece re exão, embora se possa também lembrar que o art. 61 da CF não faz qualquer referência a matéria urbanística como sendo de iniciativa privativa do Executivo. Se mantido o raciocínio adotado no parecer, o(a) Prefeito(a) Municipal terá mais uma matéria sob sua exclusiva iniciativa, a qual se justi caria porque traz consigo o planejamento do desenvolvimento municipal, atividade típica e indelegável do Poder Executivo.

Guarde bem:

A iniciativa de matérias reservadas ao Poder Executivo não pode ser suprida por membros do Poder

Legislativo, naquilo que se denomina usurpação de iniciativa. Não se admite que a autoridade responsável pela

sanção do projeto de lei, ao invés de vetá-lo, o sancione, o que estaria tornando válido o ato usurpador.

O STF possui entendimento sobre o assunto:

“Representação nº 890-GB (Tribunal Pleno) Aumento de vencimentos, resultante de emenda a projeto de iniciativa do Go- vernador do Estado da Guanabara. A sanção não supre a falta de iniciativa, ex vi do disposto no art. 57, parágrafo único da Constituição, que alterou o direito anterior. Representação que se julga procedente”. (RTJ nº 69, p. 625-637).

“Representação nº 1051-GO (Tribunal Pleno) Aumento de despesa pública decorrente de emenda do Poder Legislativo a pro- jeto encaminhado pelo Poder Executivo. Em face dos termos do parágrafo único do artigo 57 da Emenda Constitucional nº 1/69, a sanção não mais supre a falta de iniciativa exclusiva do Chefe do Poder Executivo, no caso de aumento da despesa prevista. Precedente do STF” (Representação de Inconstitucionalidade nº 890). Representação que se julga procedente, declarando-se a inconstitucionalidade do artigo 6º da Lei 8782, de 18 de abril de 1980, do Estado de Goiás”. (RTJ nº 103, p. 36/43).

Atenção:

Apenas o titular da iniciativa reservada tem a faculdade de propor direito novo, quanto às matérias de sua iniciativa exclusiva. Essa exclusividade compreende não só a matéria, quanto também os interesses a ela relativos.

Iniciativa vinculada

A apresentação do projeto de lei à Câmara é, em regra, facultada ao titular da iniciativa.

Entenda melhor:

Signi ca dizer que o(a) Prefeito(a), por exemplo, não estaria obrigado a enviar à Câmara, em determinado período, projetos de lei sobre as matérias de sua iniciativa privativa. Como exceção e não como regra, por força de previsão legal ou constitucional, a apresentação de deter- minados projetos deixa de ser facultativa, tornando-se obrigatória, em períodos previamente estabelecidos. Nestes casos, o titular da iniciativa estará obrigado a remeter o projeto à Câmara, nos prazos ditados por

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Flávio R. Gonçalves

Flávio R. Gonçalves normas legais ou constitucionais. Os doutrinadores têm usado a expressão iniciativa vinculada,

normas legais ou constitucionais. Os doutrinadores têm usado a expressão iniciativa vinculada, quanto aos projetos de apresentação obrigatória.

É da competência vinculada do Poder Executivo a iniciativa das leis de orçamento (iniciativa reservada). A legislação competente (a LOM) indica a época da remessa.

Uma informação importante:

Constitui infração político-administrativa do Prefeito, sujeita a julgamento pela Câmara e sancionada com a cassação do mandato, deixar de, no devido tempo, enviar à Câmara a proposta orçamentária (art. 4.°, inciso V, do Decreto-lei nº 201, de 27 de fevereiro de 1967).

Iniciativa popular

A iniciativa popular foi estabelecida pela Constituição de 1988. Através dela, os cidadãos de um Município

propõem diretamente à Câmara de Vereadores projetos de lei de interesse especí co do Município, da cida- de ou de bairros, através de manifestação de, pelo menos, cinco por cento do eleitorado.

Fique atento a esta observação:

A proposição não pode tratar de matérias de iniciativa privativa, seja privativa do Executivo, seja privativa

da Câmara. Somente as matérias que forem de iniciativa geral podem ser objeto de iniciativa popular.

A iniciativa popular também não se aplica às matérias que devam ser objeto de resolução ou de decreto

legislativo, posto que privativas do próprio Legislativo, por seus membros ou comissões.

O número de eleitores, para o efeito do cálculo de cinco por cento, é o reconhecido pelo respectivo

Tribunal Regional Eleitoral. No restante, os projetos apresentados pela população cumprem a tramitação normal dos demais proje- tos, observadas portanto as normas constitucionais, legais e regimentais.

Requisitos para recebimento do projeto

O Regimento Interno da Câmara costuma indicar requisitos para validade da iniciativa, tais como a com-

petência do autor, viabilidade constitucional, formalidade do projeto e sua justi cativa.

Retirada do projeto

Você sabia?

O titular da iniciativa pode pleitear a retirada de seu projeto de lei, através de requerimento ao Presiden-

te da Câmara, cabendo a este deferi-Io ou não, com recurso para o Plenário, se preciso.

O Regimento Interno deverá prever o comportamento a ser adotado para isto.

Matéria rejeitada

A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto de novo projeto, na

mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta dos membros da Câmara.

A maioria absoluta é exigida, aqui, apenas para que se renove a propositura, na mesma sessão legislativa,

não em outra.

Tramitação legislativa

As proposições dizem respeito a toda matéria sujeita à deliberação do Plenário, qualquer que seja o seu

conteúdo, e podem tomar as seguintes formas:

projetos de emendas à LOM;

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projetos de lei (complementar, ordinária e delegada);

medidas provisórias (há possibilidade de expedição no Município);

projetos de decretos legislativos e de resoluções;

projetos de substitutivos, emendas e subemendas;

pareceres das comissões permanentes;

relatórios das comissões especiais de qualquer natureza;

indicações, requerimentos, recursos e representações de iniciativa de Vereador.

Uma nota:

Os três últimos itens citados não são aqui objeto de estudo, eis que não se submetem ao processo legis- lativo, embora constituam proposições. As proposições originárias devem ser encaminhadas à Secretaria da Câmara, ou ao órgão corresponden- te, para que recebam número e data, sendo levadas, posteriormente, ao Presidente da Casa. Essa regra é válida para todas as proposições. As proposições sob a forma de substitutivos, pareceres e relatórios das comissões devem ser integradas aos respectivos processos, com encaminhamento ao Presidente da Câmara ou a outro membro da Mesa, conforme prescrito regimentalmente. Os vetos, que não representam proposições, também recebem a mesma destinação.

Já as emendas e subemendas (quando são denominadas de Plenário) devem ser apresentadas à Mesa

antes do início da sessão em cuja ordem do dia se ache incluída a proposição que se pretende modi car, a tempo de serem publicadas e divulgadas. Essas duas iniciativas podem ser também encaminhadas às comissões respectivas, nos termos previstos no Regimento Interno, sempre observados os prazos aí contidos.

Fique sabendo:

O Regimento Interno costuma estipular procedimentos para as emendas relativas:

à proposta orçamentária;

à lei de diretrizes orçamentárias;

ao plano plurianual; e

aos projetos codicados. Cabe ao Presidente da Mesa, ou a outro membro desta, de acordo com o que determinar o Regimento Interno, que também deve dispor sobre a possibilidade de recurso contra a medida, rejeitar liminarmente, com a devida fundamentação, a proposição em desacordo com as normas regimentais.

As proposições podem ser retiradas por seus autores Desde que não esteja sob deliberação do Plenário, as proposições podem ser retiradas por seus autores, por meio de requerimento ao Presidente da Câmara, ou a quem estiver presidindo a sessão. Se já estiverem na fase de deliberação, a retirada dependerá de aprovação do Plenário. Na hipótese de a proposição ser de autoria do Executivo, a retirada será feita por meio de ofício originado desse Poder.

Encaminhamento às comissões Recebida a proposição e encaminhada à Mesa, esta determinará a sua tramitação no prazo previsto no Regimento Interno. As proposições serão distribuídas às comissões cuja competência esteja relacionada com seu mérito, ou seja, que trate do assunto objeto da proposição.

Flávio R. Gonçalves

Flávio R. Gonçalves Atenção! Em qualquer caso, o Regimento Interno deve prever que a Comissão de

Atenção! Em qualquer caso, o Regimento Interno deve prever que a Comissão de Justiça e Redação (ou a que lhe faça as vezes) seja ouvida sobre a constitucionalidade, juridicidade, regimentalidade e observância da técnica legislativa.

A Mesa ou uma comissão, quando autoras de proposição em assunto de sua competência, poderão solicitar ao

Plenário, por escrito, a concessão de urgência especial, que poderá também ser originada de proposta rmada pela

maioria absoluta dos membros da Edilidade, cabendo ao Plenário decidir sobre o cabimento do pedido.

A requerimento de qualquer Vereador(a), poderá o Plenário decidir por conceder urgência simples a

projetos cuja matéria seja de relevante interesse público. O Regimento Interno deve dispor sobre o número de assinaturas necessárias para pedir a urgência.

As comissões permanentes deliberam por maioria de votos sobre o parecer do relator, que prevalecerá, se aprovado, tornando-se a posição da comissão. Se a opinião do relator for rejeitada, o parecer reetirá a posição da maioria, designando-se outro membro para elaborá-lo. O relator original rmará o parecer na qualidade de vencido.

O parecer que, a nal, espelhar a posição da comissão poderá propor substitutivo à proposta original, seja

por iniciativa do Vereador-relator, seja da maioria que se opôs à manifestação deste. Na hipótese de a proposição ser distribuída a mais de uma comissão, cada uma delas emitirá parecer separadamente. Deve ser dado conhecimento a todas as comissões acionadas do parecer de cada uma, seguindo-se a orientação do Regimento Interno. Os pareceres das comissões somente poderão ser dispensados nos casos de urgência ou de urgência especial e, ainda assim, mediante requerimento de Vereador(a) (ou Vereadores(as), como ordenar o Regi- mento) ou solicitação do Presidente da Câmara, em qualquer caso com aprovação em Plenário. Aprovado o parecer na comissão competente, será ele apensado à proposição a que diz respeito e enca- minhado à Mesa, que determinará sua inclusão na ordem do dia, acompanhada das emendas que tenham sido sugeridas nas comissões.

Emendas

Vale a pena lembrar:

Os projetos de lei em tramitação pela Câmara podem ser modi cados, mediante proposta apresentada por Vereador(a) ou por comissão legislativa. Essas modicações são introduzidas por emendas. Apenas os membros ou comissões da Câmara têm a titularidade do direito de emenda

Mas o que é emenda?

A emenda é uma correção, acréscimo ou modicação formulada a dispositivo de uma proposição.

Quem pode apresentar emenda? Só os Vereadores, conjunta ou isoladamente, inclusive a Mesa, e as comissões da Câmara possuem a faculdade de apresentar emenda.

Espécies de emenda As emendas podem ser:

supressivas,

substitutivas,

aditivas,

modicativas ou de redação.

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Emenda supressiva

Emenda supressiva

Emenda substitutiva

Emenda substitutiva

É a proposição que manda erradicar qualquer parte de outra proposição;

propõe-se a suprimir, em parte ou no todo, um ou mais dispositivos do

projeto.

É a proposição apresentada como sucedânea a outra, devendo substituir

um ou mais artigos do projeto. Tomará o nome de substitutivo, quando abranger o projeto no seu todo. O substitutivo é o projeto apresentado para substituir outro já apresentado sobre o mesmo assunto.

A emenda é substancial, quando incide sobre o conteúdo, a matéria do projeto; e formal, quando mera-

mente redacional.

É assim que acontece:

Pode o(a) Vereador(a) ou a comissão apresentar qualquer tipo de emenda, quando o projeto é de inicia- tiva reservada ao Chefe do Executivo, exceto se ocasionar aumento de despesa.

A lei de organização do Município poderá ser emendada mediante proposta de um terço, no mínimo, dos

membros da Câmara Municipal, ou mediante proposta do(a) Prefeito(a).

A proposta de emenda será discutida e votada em dois turnos, com interstício mínimo de dez dias,

considerando-se aprovada se obtiver, em ambos os turnos, dois terços dos votos dos respectivos membros. Uma vez aprovada, será promulgada pela Mesa da Câmara.

Importante! Nos projetos sobre organização dos serviços administrativos da Câmara, sejam eles projetos de lei, se- jam projetos de resolução ou de decreto legislativo, também não cabem emendas que aumentem a despesa prevista, embora possam ser introduzidas emendas que a reduzam.

Subemenda

A emenda apresentada a outra emenda denomina-se subemenda. Pode o Vereador propor emenda que seja

substitutiva, supressiva, aditiva ou modicativa de outra emenda, anteriormente proposta: é subemenda.

Mensagem aditiva

A rmou-se antes que a titularidade do direito de emenda é atribuída aos membros ou comissões da Câ-

mara. Entretanto, pode ocorrer que, depois da remessa de um projeto de lei à Câmara, sinta o(a) Prefeito(a)

a necessidade de introduzir acréscimos na sua proposição inicial. Nesse caso, fará uma mensagem aditiva, a ser encaminhada ao Presidente da Câmara, justicando a medida. A mensagem é sempre o instrumento pelo qual o Executivo encaminha ao Legislativo os seus projetos.

A mensagem aditiva, como o próprio nome indica, contém acréscimos ao projeto original. Não pode

pretender a supressão ou substituição de dispositivos do projeto.

Predeterminação de prazo Ao remeter seus projetos de lei à Câmara, sejam eles de iniciativa geral ou privativa, o(a) Prefeito(a) poderá solicitar urgência para apreciação, hipótese em que os mesmos deverão ser apreciados dentro de determinado prazo.

Um esclarecimento importante

O prazo é estabelecido pela lei orgânica do Município.

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Flávio R. Gonçalves

Flávio R. Gonçalves Solicitada a urgência e decorrido o prazo sem deliberação, permanecerão as demais deliberações

Solicitada a urgência e decorrido o prazo sem deliberação, permanecerão as demais deliberações legisla- tivas, com exceção das que tenham prazo constitucional determinado, até que se ultime a votação.

A Câmara poderá aprovar ou não o projeto de lei, só não poderá é deixar de deliberar.

Atenção:

Esse prazo de urgência não corre nos períodos de recesso da Câmara, nem existem para os projetos de codicação.

Discussão

A proposição inserida na ordem do dia é submetida a discussão, antes de o Plenário deliberar sobre sua

aprovação ou não.

Discussão Debate da proposição pelo conjunto de Vereadores presentes à sessão. Deliberação Corresponde à
Discussão
Debate da proposição pelo conjunto de Vereadores presentes à sessão.
Deliberação
Corresponde à decisão propriamente dita sobre a matéria em exame.

Uma observação importante

O Regimento Interno deve prever quais os atos que se sujeitam à discussão, havendo consenso de que

as indicações e determinados requerimentos não devem passar por essa fase, por constituírem solicitações ou

propostas de cunho individual, que não pretendem re etir o pensamento da instituição.

A quem compete o estabelecimento das normas pertinentes à discussão?

O Regimento Cameral é competente para estabelecer as normas pertinentes à discussão, dele devendo

constar, entre outras, as que dizem respeito ao número de discussões, ao intervalo entre uma e outra, ao quorum exigido e às situações em que é descabido proceder-se a essa etapa.

A regra comum é que o Regimento Interno prescreva a realização de uma única discussão para a pro-

posta, quando poderão ser recebidas emendas, subemendas e substitutivos. O mesmo critério é admitido

na primeira discussão, quando estão previstas duas, sendo que na segunda discussão somente se permitirá a apresentação de emendas e subemendas, vedados os substitutivos.

A resolução regimental deve conter também as regras referentes ao adiamento das discussões, à sua or-

denação e ao seu encerramento, este em geral motivado pela ausência de oradores, pelo decurso dos prazos ou por decisão do Plenário.

Votação

Como se concretiza a deliberação?

A deliberação se concretiza por meio da votação, que deve ser sempre pública, vedada a inclusão de

qualquer projeto de conteúdo normativo em deliberação durante sessão secreta.

A votação pode dar-se por três processos:

simbólico,

nominal e

secreto. Este último será objeto de comentários quando se falar do veto.

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O processo simbólico

É aquele em que a contagem de votos se faz pela simples veri cação de quem se manifestou a favor ou contra a proposição, mediante convite da Mesa para que os Vereadores permaneçam sentados ou se levan- tem, ou então que levantem o braço ou permaneçam como estão, correspondendo a primeira posição à aprovação, e a segunda, à rejeição, ordem e critérios esses que devem constar do Regimento Interno.

Repare bem:

O processo simbólico é utilizado como regra geral das votações, salvo quando algum Vereador requer

diferentemente e sua solicitação é aprovada pelo Plenário. O resultado da votação simbólica pode ser ob- jeto de vericação, a pedido de qualquer Vereador(a), o qual não poderá ser indeferido pelo Presidente, que determinará o uso do processo nominal para conferência. O Presidente, por sua vez, poderá, de ofício, repetir a votação simbólica para permitir a recontagem de votos, se houver dúvida quanto ao seu resultado na primeira manifestação.

O processo nominal Algumas observações importantes:

O processo nominal reete a opinião expressa de cada Vereador(a), procedendo-se à chamada em que responderá sim ou não, isto é, pela aprovação ou pela rejeição do que está sendo votado.

Em determinados casos, deve ser exigida a votação pelo processo nominal.

A depender do que estabelece o Regimento Interno, é comum o uso desse processo nas hipóteses de eleição da Mesa ou destituição de seus membros; eleição ou destituição de membros de comissão permanente; julgamento das contas do Município; perda de mandato de Vereador; requerimento de urgência especial; e criação ou extinção de cargos, empregos ou funções da Câmara.

Você sabia? O(a) Vereador(a) presente no Plenário no momento da votação poderá abster-se de votar, sendo sua presença reconhecida para efeito de quorum.

Complementando

As bancadas partidárias poderão designar, cada uma, um de seus integrantes para falar com o objetivo de

encaminhar a votação e orientar seus correligionários quanto à posição a ser adotada.

Não deve haver encaminhamento da votação quando se tratar de projetos de orçamento, diretrizes orça- mentárias e plano plurianual, bem como no julgamento das contas municipais e em processos de destituição de membros da Mesa e das comissões.

As proposições poderão ter partes de seu texto destacadas, a pedido de Vereador(a), de modo a que sejam

apreciadas isoladamente, ocorrendo a sua votação como destaque, quando são aprovadas ou rejeitadas prelimi- narmente. O Regimento Interno deverá dispor sobre matérias que não podem ser objeto de destaque.

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Flávio R. Gonçalves

Flávio R. Gonçalves UNIDADE 5 SANÇÃO, VETO, PROMULGAÇÃO, PUBLICAÇÃO, VIGÊNCIA E VACÂNCIA Sanção Que é

UNIDADE 5

SANÇÃO, VETO, PROMULGAÇÃO, PUBLICAÇÃO, VIGÊNCIA E VACÂNCIA

Sanção

Que é sanção?

A sanção corresponde a uma concordância, isto é, o(a) Prefeito(a) Municipal, única autoridade competente

para sancionar, aquiesce em tornar o projeto lei, apondo sua assinatura no autógrafo que recebeu do Legislativo.

Vê-se que a participação do Executivo no processo de formação das leis é essencial, posto não existir lei sem a audiência do(a) Chefe desse Poder.

A sanção pode ser:

Expressa Quando o(a) Chefe do Executivo se manifesta explicitamente, rmando o projeto conforme já explicado;

Tácita Quando, decorrido o prazo previsto, o(a) Prefeito(a) não sanciona expressamente nem veta o projeto, deixando esgotar-se o tempo que teria para manifestar-se a respeito. Nesta hipótese, deve dar-se a promul- gação, como se verá mais adiante.

Pense nisso:

O titular do poder de sanção é o(a) Prefeito(a) Municipal. Somente ele(a) pode exercê-lo, inviável sua

delegação a quem quer que seja. É função intransferível, que não se defere a ninguém.

Veto

Que é veto?

O veto constitui outra forma de o(a) Chefe do Poder Executivo participar do processo de elaboração da

lei, desta feita para demonstrar sua discordância em relação ao projeto que lhe foi encaminhado pela Câmara,

após aprovado por esta.

O veto, portanto, representa não-aquiescência, ou seja, recusa de sanção.

Assim como ocorre em relação à sanção, o titular do poder de veto é o(a) Prefeito(a) Municipal, impos- sível a delegação a qualquer outra pessoa. As leis orgânicas costumam deixar isso muito claro quando, ao enumerar as competências privativas do(a) Prefeito(a), autorizam a delegação de algumas, porém não a do veto e da sanção.

Fique sabendo

O veto terá de ser devidamente motivado, e a CF prescreve duas razões para sua justi cativa: a incons-

titucionalidade ou a contrariedade ao interesse público (CF, art. 66, § 1º).

Quando ocorre o veto por inconstitucionalidade? Quando o projeto contraria algum preceito constitucional, o qual deverá ser mencionado nas razões do veto que o(a) Chefe do Executivo encaminhará ao Legislativo. Toda vez, portanto, que um projeto de lei leva- do ao(a) Prefeito(a) contenha desrespeito às normas constitucionais, deve ser vetado por inconstitucional.

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A inconstitucionalidade pode ser material ou formal.

Material (substancial)

a t e r i a l ( s u b s t a n c

quando o seu conteúdo estiver em con ito, direto ou indireto, com normas ou princípios da Constituição.

Formal

quando, embora substancialmente esteja de conformidade com os preceitos consti- tucionais, se formou em desacordo com a Constituição.com normas ou princípios da Constituição. Formal O veto de contrariedade ao interesse público O veto

O veto de contrariedade ao interesse público

O veto fundamentado na contrariedade ao interesse público contém maior subjetividade. De fato, ao utilizar

esse argumento, o(a) Chefe do Executivo não encontra, via de regra, dispositivos legais para citar, valendo-se de razões que considera sucientes para justicar o veto, as quais reproduzem seu sabor discricionário.

O veto pode ser, conforme prescreve a CF (art. 66, § 1º), total ou parcial.

Total

Parcial

Abrange todo o projeto, hipótese em que o vetante elimina o projeto por inteiro.a CF (art. 66, § 1º), total ou parcial . Total Parcial Ocorre quando atinge somente

Ocorre quando atinge somente o texto de artigo, parágrafo, inciso ou alínea (CF, art. 66, § 2º), e neste caso suprime apenas aquele dispositivo que foi considerado inconsti- tucional ou contrário ao interesse público, permitindo que os demais se mantenham.hipótese em que o vetante elimina o projeto por inteiro. Concluindo O veto parcial possibilita que

Concluindo

O veto parcial possibilita que não se inutilize um projeto todo, se o Executivo discorda apenas de alguns

de seus preceitos. Por meio do veto parcial, salvam-se inúmeros projetos importantes, ao mesmo tempo que o Executivo demonstra o seu desacordo em relação a determinadas disposições. O projeto se transforma em lei, com exceção da parte vetada, que será objeto de nova manifestação do órgão legislativo.

Lembre-se:

Ao contrário do que antes ocorria, a Constituição em vigor não admite o veto a palavras. A oposição

deve ser a todo o dispositivo, ou seja, a artigo, parágrafo, inciso ou alínea, conforme preceitua o referido

§ 2º do art. 66. Se, portanto, o Chefe do Executivo desejar vetar alguma palavra ou expressão, terá de fazê-lo em relação a todo o dispositivo que contiver a parte que pretende ver suprimida. Se o veto destinar-se ao caput de algum artigo, deve estender-se a seus desdobramentos, se houver, posto que a supressão da norma principal acarretará a das secundárias.

O Executivo possui prazo para vetar

Se, dentro do prazo previsto, o Executivo não exercer o veto, o projeto estará tacitamente sancionado, como já se explicou antes. O veto é sempre formal, por escrito. É de quinze dias úteis – note-se, não corridos –, contados daquele em que receber o projeto, o prazo que

a Constituição confere ao Presidente da República para efeito de veto. Após esse prazo, surge outro, o da comunicação dos motivos do veto ao Presidente da Câmara. Assim, o Executivo possui prazo para vetar o projeto e para comunicar o veto à Câmara, sendo prazos independentes.

A comunicação ao Legislativo deve-se dar no prazo de 48 horas (CF, art. 66, § 1º).

Quando o veto é total, todo o projeto será reapreciado pela Câmara, que examinará se deve ser mantido ou não. Quando se trata de veto parcial, somente a parte vetada retornará ao Legislativo, ao passo que a

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Flávio R. Gonçalves

Flávio R. Gonçalves parte não vetada (sancionada, por conseguinte) estará automaticamente promulgada e deve ser

parte não vetada (sancionada, por conseguinte) estará automaticamente promulgada e deve ser encaminhada

à

publicação.

 

A

Câmara pode acolher o veto, caso em que o projeto será arquivado, se ele foi total, como pode rejeitar

o

veto, caso em que o projeto, mesmo vetado, se transforma em lei.

Importante!

A apreciação do veto pela Câmara deve dar-se no prazo de até 30 dias (CF, art. 66, § 4º).

Em que condição pode ocorrer a rejeição? Para que ocorra sua rejeição, é necessário que pelo menos a maioria absoluta dos Vereadores vote nesse sentido, conforme dispõe a Constituição. O voto, ainda por força do mesmo dispositivo citado, será secreto.

Duas observações:

1ª - Diz respeito à previsão, na LOM ou no Regimento Interno, de que a rejeição do veto no Município

poderia se dar pelo voto da maioria simples.

2ª - Respeita à supressão do voto secreto.

Fique atento! Em ambos os casos o entendimento aqui defendido é no sentido de que não pode a LOM, tampouco

o Regimento Interno, alterar as determinações constitucionais sobre o tema. Ambos os procedimentos

estão relacionados com o princípio da separação dos Poderes, já que envolvem o Executivo e o Legislativo

diretamente.

O Supremo Tribunal Federal já se manifestou sobre o primeiro tópico (maioria simples):

“Se para a apreciação do veto é exigido o voto da maioria absoluta (CF, art. 66, § 4º) e o seu exame ocorreu na vigência da atual ordem constitucional, não poderia a Assembléia Legislativa valer-se daquele xado na anterior Carta esta- dual para determiná-lo como sendo de dois terços. O modelo federal é de obser- vância cogente pelos Estados-membros desde a data da promulgação da Carta de 1988” (Rcl. 1.206, Rel. Min. Maurício Corrêa, j. em 22-08-02, DJU de 18//10/02).

Em decorrência Não podem a LOM ou o Regimento Interno estipular quorum diferente do que manda a Constituição Federal. Do mesmo modo, não pode a Câmara alterar a LOM para dela retirar o voto secreto para exame do veto aposto pelo Executivo; sua eliminação somente poderá ocorrer quando e se promulgada a emenda constitucional pertinente.

Não sendo o veto examinado no prazo antes mencionado, será colocado na ordem do dia da sessão ime- diata, sobrestando-se as demais proposições até sua votação nal (CF, art. 66, § 6º, com a redação dada pela EC nº 32/01). Rejeitado o veto, será o projeto encaminhado novamente ao Executivo, para que este proceda

à promulgação (CF, art. 66, § 5º). Se o Executivo não efetuar a promulgação no prazo de 48 horas, caberá ao Presidente da Câmara fazê-lo (CF, art. 66, § 7º).

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É conveniente lembrar:

O veto não restaura a redação original, como muitos pensam. Vetado o projeto, total ou parcialmente,

não se promulgará o texto que originou o projeto de lei, tampouco se restabelecerá matéria suprimida ou

modicada durante a apreciação pelo Legislativo.

Veja esta diferença:

O veto total elimina o projeto; o veto parcial permite que se promulgue a parte sancionada, constando

desta, no lugar daqueles dispositivos excluídos, a palavra vetado.

Repare bem:

A sanção e o veto somente ocorrem nos casos de leis. Quando da aprovação de emendas à LOM, de

resoluções e de decretos legislativos, a promulgação será feita pela própria Câmara, ou pela Mesa ou pelo(a)

Presidente(a), conforme dispuser o Regimento Interno, não havendo a participação do(a) Prefeito(a).

Promulgação Constitui o ato pelo qual o Chefe do Executivo ou o Presidente da Câmara declara a existência da lei, proclamando a sua executoriedade.

A promulgação indica que a lei foi resultado de decisão democrática, não foi imposta.

Compete ao(a) Chefe do Poder Executivo promulgar a lei, o que é feito automaticamente quando se dá

a sanção expressa. Ocorrendo a sanção tácita, competirá ao(a) Presidente(a) do Legislativo a promulgação,

que fará no prazo de 48 horas após recebida a informação de que não houve sanção expressa. Também no caso em que, após a apreciação do veto, tendo este sido rejeitado, a lei retorna ao Executivo,

cabe-lhe efetivar a promulgação, para o que tem prazo de 48 horas (CF, art. 66, § 5º). Se não o zer nesse prazo,

a

incumbência transfere-se ao(a) Presidente(a) da Câmara, que deverá cumpri-la no mesmo espaço de tempo.

E

se o(a) Presidente(a) da Câmara não promulgar a lei?

Se o(a) Presidente(a), nas situações que lhe competem, não promulgar a lei, a tarefa caberá ao(a) Vice-

Presidente(a), não podendo este último furtar-se ao dever, pois a CF não lhe concedeu essa possibilidade, nem xou prazo para a providência (art. 66, § 7º).

Importante!

A promulgação, por conseguinte, terá de ser feita expressa e formalmente, porque sem ela a lei não pode

ser colocada em prática. Registre-se que a promulgação também se aplica às resoluções e decretos legislativos, neste caso a cargo do(a) Presidente(a) da Casa Legislativa.

Publicação Da promulgação da lei decorre a publicação. Assim, para ser realmente e caz, o ato terá de ser publi-

cado, sob pena de esvaziar-se quanto ao seu objetivo. A publicação é, portanto, elemento complementar da promulgação. Publicada a promulgação, a lei se torna ecaz.

A publicação se faz, geralmente, no órgão ocial do Município. Não havendo, pode ser feita no Diário

O cial do Estado, em jornal particular do Município (escolhido mediante licitação, se for o caso) ou, mesmo,

inexistindo outro meio, pela axação em local acessível ao público, costumeiramente utilizado para divulga-

ção dos atos ociais da Municipalidade.

Flávio R. Gonçalves

Eficácia da lei

A ecácia da lei decorre de sua vigência.

da lei A e fi cácia da lei decorre de sua vigência. Sem vigência, não há,

Sem vigência, não há, pois, e cácia. Ao entrar em vigor, a lei passa a reunir obrigatoriedade, executorie- dade e ecácia. Vigência da lei

A lei entra em vigor na data por ela estabelecida, que é, geralmente, a data da publicação. O início da

vigência da lei não há de ocorrer, necessariamente, com a publicação.

A própria lei disporá sobre isso, numa cláusula de vigência.

Em regra trazem as leis a seguinte cláusula: “Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação”. Nestes casos, o momento inicial da vigência da lei - e, pois, da sua e cácia - é o da data da publicação.

A própria lei irá indicar a data de sua vigência, que poderá ser distinta da data de publicação. Há três

hipóteses de vigência:

a) a data de publicação, quando a lei assim assinala;

b) uma data posterior, também indicada no texto da lei;

c) quando silente a lei, 45 dias após a publicação (ver, a respeito, a Lei de Introdução ao Código Civil - Decreto-lei nº 4.657, de 04/09/42, que disciplina o assunto).

A Lei Complementar nº 95/98, alterada pela Lei Complementar nº 107/01, ambas já mencionadas, insti-

tuiu novas formas de referir-se à vigência das leis. Pelo art. 8º da LC nº 95,

“a vigência da lei será indicada de forma expressa e de modo a contemplar prazo razoável para que dela se tenha amplo conhecimento, reservada a cláusula ‘entra em vigor na data de sua publicação’ para as leis de pequena repercussão”.

É entendimento já demonstrado aqui, no entanto, de que as duas leis complementares antes indicadas

produzem efeitos somente em âmbito federal, como permitem concluir diversos outros dispositivos nelas contidos. Assim, a posição defendida é a de que permanecem vigorando as normas da Lei de Introdução ao Código Civil, salvo se o Município entender que deve também, por meio de nova lei, adotar os critérios destinados

à legislação federal.

Vigência da lei tributária De conformidade com o princípio constitucional da anualidade (art. 150, III, b), nenhum tributo será exigido ou aumentado sem que a lei que o houver instituído ou aumentado esteja em vigor antes do início do exercício nanceiro. O exercício nanceiro coincide com o ano civil: vai de 1º de janeiro a 31 de dezembro. Assim sendo, os tributos criados em um exercício nanceiro só podem ser exigidos a partir do primeiro dia do exercício nanceiro subsequente. Idem, os aumentos de tributos.

Isto é importante:

A lei que os criar ou majorar terá de entrar em vigor até o dia 31 de dezembro, para que a sua exigência

possa ser feita no ano seguinte.

A Emenda Constitucional nº 42/03 veio trazer uma segunda regra a respeito de cobrança de tributos,

acrescentando a alínea c ao artigo citado no parágrafo anterior. Dessa forma, a lei que instituir ou aumentar

tributos deverá estar publicada pelo menos 90 dias antes que se possa cobrá-los.

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Flávio R. Gonçalves

UNIDADE 6

QUORUM PARLAMENTAR

Flávio R. Gonçalves UNIDADE 6 QUORUM PARLAMENTAR Que é quorum parlamentar? Quorum parlamentar é a presença

Que é quorum parlamentar? Quorum parlamentar é a presença mínima exigida para que os(as) Vereadores(as) possam deliberar sobre as proposições que lhes são apresentadas. Sua obediência é fundamental à validade formal da deliberação. As leis orgânicas dos Municípios costumam consignar, além do quorum de votação, um quorum de fun- cionamento, ou seja, um número mínimo de comparecimento para que as sessões da Câmara sejam abertas. Sem o quorum para início da sessão, não há a abertura dos trabalhos. Esse quorum é distinto do quorum para deliberar, além de ser, não raro, inferior a ele. Convém estar atento ao que dispõe a lei de organização do Município. As deliberações da Câmara são tomadas por maioria absoluta, maioria simples ou maioria qualicada de dois terços.

Maioria absoluta

Manifesta-se pelo número inteiro imediatamente superior à metade do total dos (as) Vereadores(as), incluídos presentes e ausentes.

Como calcular:

A maioria absoluta de dez é seis. Em caso de totais ímpares, a maioria absoluta também corresponde ao

número inteiro logo acima da metade. Para efeito de cálculo da maioria absoluta, computar-se-ão os(as) Vereadores(as) presentes e ausentes à

sessão. Considerar-se-á, portanto, o total dos membros da Câmara.

A maioria absoluta de nove é cinco; de dezessete é nove; de dezenove é dez.

Maioria simples

de dezessete é nove; de dezenove é dez. Maioria simples É a traduzida por mais da

É a traduzida por mais da metade dos votantes, considerados apenas os pre- sentes à sessão, ou, então, quando os votos se dispersam por mais de duas hipóteses, a que expressa o maior resultado da votação, também apenas com base no número de votantes.

Como calcular:

A maioria simples de nove (votantes) é cinco; de sete é quatro. Se, dentre onze votantes, houver dispersão

de votos por mais de duas hipóteses, a maioria simples será a maior votação obtida: imaginem-se três grupos; um obtém dois votos; o outro, quatro; e o terceiro, cinco votos; vencerá este último, por maioria simples.

A maioria qualificada

este último, por maioria simples. A maioria qualificada É constituída pela votação favorável de dois terços

É constituída pela votação favorável de dois terços dos membros da Câmara.

Também aqui se consideram os presentes e ausentes à sessão.

Como é feito o cálculo:

Se o número total dos Vereadores for divisível por três, a maioria qualicada de dois terços será o re- sultado dessa divisão, multiplicado por dois. Se, contudo, o total não for divisível por três, a maioria de dois terços será o número inteiro imediatamente superior ao resultado da operação aritmética.

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TEMA 2 | PROCESSO LEGISLATIVO

Numa Câmara com 13 Vereadores, a maioria de dois terços será 9 (dois terços serão 8,66, cujo número inteiro logo acima será 9).

Atenção! As exigências de quorum e de mínimo de votos hão de ser obedecidas à risca, não podendo o legislador descuidar-se do seu atendimento, sob pena de inconstitucionalidade ou ilegalidade da deliberação.

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Flávio R. Gonçalves

Flávio R. Gonçalves UNIDADE 7 ELABORAÇÃO LEGISLATIVA ESPECIAL Elaboração orçamentária Depois de recebida a

UNIDADE 7

ELABORAÇÃO LEGISLATIVA ESPECIAL

Elaboração orçamentária Depois de recebida a proposta do Executivo, que deverá respeitar o prazo legal, o(a) Presidente(a) da Câmara determinará sua publicação e a distribuição de cópia aos Vereadores, encaminhando-a em 10 dias (ou em outro prazo, nos termos do Regimento Interno) à Comissão de Finanças (ou a outra comissão cuja atribuição incluam o exame do texto orçamentário) para a emissão do respectivo parecer.

Fique de olho! Nesse período anterior ao encaminhamento à comissão podem ser apresentadas emendas à proposta, de acordo com as limitações constitucionais.

Saiba mais:

A Lei Complementar nº 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal) rmou outras exigências para a prepa-

ração dos projetos de lei orçamentária. É necessário, portanto, vericar se o Executivo atendeu ao que essa

lei ordena, como também se deve respeitar as suas normas durante a apreciação dos projetos.

A comissão responsável pelo parecer terá o prazo de vinte dias (se o Regimento Interno não determinar

outro) para seu pronunciamento, ndo o qual a matéria será incluída isoladamente na ordem do dia.

Os orçamentos Segundo preceitua o art. 165 da Constituição, são três os orçamentos, todos decorrentes de lei, ou me- lhor, todos são leis:

I. o plano plurianual; II. as diretrizes orçamentárias; III. os orçamentos anuais. Como se trata de lei, os orçamentos seguem as normas do processo legislativo, mas, além disso, são elaborados de conformidade com regras especialmente estabelecidas. Ainda por determinação constitucional, a lei orçamentária anual não conterá dispositivo estranho à previ- são da receita e à xação da despesa, não se incluindo, contudo, nessa proibição, a autorização para abertura de créditos suplementares e contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação de receita, nos termos da legislação sobre a matéria.

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TEMA 2 | PROCESSO LEGISLATIVO

Iniciativa

A iniciativa das leis orçamentárias é da competência privativa do Poder Executivo. O prazo para apre-

sentação do projeto está geralmente previsto na lei orgânica do Município, pelo que varia de Município para

Município, de acordo com as conveniências e peculiaridades de cada um.

Emendas ao orçamento Diferentemente do que ocorria no regime da Constituição anterior, poderá a Câmara propor emendas à proposta orçamentária. As emendas serão oferecidas nas comissões da Câmara, as quais sobre elas emitirão parecer e serão apreciadas pelo Plenário, na forma do regimento interno. Pode a lei orgânica do Município estabelecer que o projeto de lei orçamentária seja examinado apenas pela Comissão de Orçamento, que dará parecer sobre o mesmo, devendo ser as emendas apresentadas a essa comissão. Por sua vez, as emendas ao projeto de lei de diretrizes orçamentárias não poderão ser aprovadas quando incompatíveis com o plano plurianual. O(A) Prefeito(a) poderá enviar mensagem à Câmara, para propor modi cação nos projetos das leis or- çamentárias, desde que ainda não iniciada a votação, na comissão de orçamento, da parte cuja alteração é proposta. Previstas duas discussões para a proposta orçamentária, como é a prática, na primeira os(as) Vereadores(as) devem manifestar-se sobre o projeto e sobre as emendas. Aprovadas estas, a matéria retornará à comissão antes consultada para que providencie sua incorporação ao texto no prazo de cinco dias (ou em outro, con- forme o Regimento Interno). Recorde-se que as emendas ao projeto de orçamento, bem como aos projetos que o modiquem, so- mente podem ser aprovadas, conforme determina o art. 166, § 3º, da CF, quando:

sejam compatíveis com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias;

indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os provenientes de anulação de despesa, excluídas as que incidam sobre:

dotações para pessoal e seus encargos;

serviço da dívida.

sejam relacionadas:

com a correção de erros ou omissões;

com os dispositivos do texto do projeto de lei.

A elaboração do orçamento vem contando com a participação popular de diversos modos, seja no momen-

to de sua preparação pelo Poder Executivo, seja quando da apreciação do projeto no âmbito do Legislativo.

A participação popular representa prática democrática, conforme assinala Heraldo da Costa Reis 14 :

“Na verdade, o orçamento é, antes de mais nada, uma decisão de Governo ou um exercício de poder e, nesse sentido, uma questão política. Isto signica que todo orçamento municipal implica a determinação de prioridades relacionadas, por sua vez, com a capacidade de intervenção e negociação de certos setores da sociedade ou com as opções do próprio Governo local. Por outro lado, o orçamen- to é um instrumento básico para a viabilização das políticas públicas - política

14 In Manual do prefeito. Rio de Janeiro: IBAM, 11ª ed., 2000, pp. 230 e seguintes.

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Flávio R. Gonçalves tributária, de pessoal, educacional, habitacional, de saúde, de desenvolvimento rural e outras.

tributária, de pessoal, educacional, habitacional, de saúde, de desenvolvimento rural e outras.

Esse processo tenderá ao fortalecimento à medida que os Poderes Legislativo e Executivo exercerem a capacidade política de se articular com a comunidade, através do diálogo, da coordenação de esforços e recursos, e de outros meios ade- quados, ampliando as bases sociais do exercício de seu poder”.

As possibilidades de participação popular na elaboração do orçamento e na sua transformação em lei são muitas. O importante é que se respeite o que preconizam o inciso XII do art. 29 da CF e a Lei Comple- mentar nº 101/2000, especialmente seu art. 48, ambos no sentido de fazer com que a população participe do processo orçamentário. Após o pronunciamento da comissão permanente responsável pelo exame do projeto de lei orçamentá- ria, a proposta será novamente incluída na ordem do dia para segunda votação e aprovação do texto deniti- vo. Esse procedimento especial pode aplicar-se também aos projetos de diretrizes orçamentárias e de plano plurianual, se do Regimento Interno assim constar. Os demais passos do processo legislativo orçamentário são os mesmos dos utilizados para as demais leis.

Rejeição Para que não reste dúvida quanto à possibilidade, hoje, de rejeição do orçamento, basta vericar que a Cons- tituição a prevê expressamente, no § 8º de seu art. 166, ao estabelecer que os recursos que, em decorrência de veto, emenda ou rejeição do projeto de lei orçamentária anual, carem sem despesas correspondentes poderão ser utilizados mediante créditos especiais ou suplementares, com prévia e especíca autorização legislativa.

Veto Como a proposta orçamentária está sujeita a sanção, estará também sujeita a veto. O veto poderá ser par- cial ou total, embora dicilmente este possa ocorrer. Se a Câmara modicar o projeto todo, claro que o veto será o instrumento com que o Executivo repudiará a desastrosa e provavelmente inconstitucional medida. Em suma, o veto, na elaboração orçamentária, possui os mesmos objetivos e efeitos do veto aposto às leis ordinárias.

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UNIDADE 8

PARTICIPAÇÃO DOS CIDADÃOS

Flávio R. Gonçalves UNIDADE 8 PARTICIPAÇÃO DOS CIDADÃOS Como primeira informação você precisa saber que: O

Como primeira informação você precisa saber que:

O Regimento Interno deve contemplar a hipótese de os cidadãos usarem da palavra durante a discussão

de projetos de lei, orçamentárias ou não, para que possam emitir sua opinião sobre eles.

Saiba mais:

A regulamentação deve conter normas que disciplinem a participação popular, de modo que o interes-

sado, ao se inscrever, faça referência à matéria sobre a qual falará, sendo-lhe vedado abordar temas que não

tenham sido expressamente indicados na inscrição.

E não pára por aí

O Regimento Interno deve também estipular o número máximo de cidadãos que poderão usar da palavra

em cada sessão e o tempo dedicado a cada um.

E mais:

Poderá ainda estabelecer outros critérios, como o que se refere à representação de associações comuni- tárias, sindicatos ou outras entidades que desejem se manifestar sobre projetos que lhes digam respeito.

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UNIDADE 9

APROVAÇÃO E AUTÓGRAFO

Flávio R. Gonçalves UNIDADE 9 APROVAÇÃO E AUTÓGRAFO Após atravessar as diversas fases da apreciação, o

Após atravessar as diversas fases da apreciação, o projeto é, enm, votado pelo Plenário, observado o quorum exigido, conforme explanação anterior.

Saiba que:

A Constituição vigente não admite a antes denominada aprovação tácita, em que o projeto era considera-

do como aprovado por decurso de prazo. Em lugar deste, surgiu o mecanismo do sobrestamento que somente se aplica em determinados casos previstos constitucionalmente, conforme já abordado.

Enfim

O texto de nitivo, aprovado pelo Plenário, e já submetido à redação nal, é denominado autógrafo, o qual

é remetido ao Chefe do Executivo para sua manifestação mediante sanção ou veto.

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UNIDADE 10

TÉCNICA LEGISLATIVA

Flávio R. Gonçalves UNIDADE 10 TÉCNICA LEGISLATIVA Pense nisso: É importante que os autores do projeto,

Pense nisso:

É importante que os autores do projeto, sejam eles vinculados ao Poder Legislativo ou ao Executivo, pro- curem conhecer a fundo a matéria sobre a qual pretendem legislar, fazendo-se algumas perguntas relevantes, no que se pode denominar antecedentes da lei, tais como:

1. A lei que se pretende ver elaborada é necessária? Ou seja, terá verdadeira utilidade no mundo jurídico?

2. A matéria é de competência do Município? Trata-se de competência privativa, concorrente ou suple- mentar?

3. Há legislação local sobre o assunto?

4. Foram observados os princípios citados no art. 37 da CF, além de outros aplicáveis à Administração:

motivação, proporcionalidade, razoabilidade, economicidade, segurança jurídica etc.?

5. O direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada foram preservados?

A listagem acima não esgota o assunto, e a ordem apresentada tampouco é denitiva. A oportunidade

dirá como devem ser vistos esses antecedentes, assim como indicará outras medidas que podem ser utiliza-

das para elaborar ato adequado.

Conceito de técnica legislativa

A técnica legislativa é vista, por alguns autores, como possuindo dois sentidos: um, amplo e outro, restrito.

A técnica legislativa, portanto, pode ser vista como compreendendo tanto a parte processual de elabora-

ção dos atos legislativos quanto a parte formal, isto é, a redação, a apresentação etc. Para efeito deste curso, tratar-se-á a técnica legislativa no sentido estrito que acima se mostra, posto que o processo legislativo foi

objeto de itens anteriores.

Estilo de redação Os atos normativos possuem apresentação formal, que consiste na estrutura pela qual são mostrados e se exteriorizam, traduzida pela sua conguração. Têm ainda formato próprio, distinto de outros textos, seja do ponto de vista material ou meramente formal. Os especialistas arrolam algumas qualidades como essenciais na redação legislativa:

simplicidade,

precisão,

clareza,

concisão e

correção.

Algumas recomendações a mais:

A clareza, no texto legal, é obtida pelo uso de palavras e expressões em seu sentido comum, salvo se a norma versar sobre assunto técnico, caso em que se deve usar a nomenclatura própria da área.

As frases devem ser curtas e concisas.

As orações devem estar na ordem direta, desprezando-se o preciosismo, os neologismos e as adjetiva- ções. O tempo do verbo deve ser mantido uniformemente (LC nº 95, art. 11, I).

A lei não deve conter palavras inúteis. Deve-se redigi-la com o menor número de palavras possível, eliminando as que possam ser supéruas.

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As frases longas também devem ser evitadas, pois contribuem para dicultar o entendimento.

A precisão alcança-se por meio de uma linguagem articulada, que leve à perfeita compreensão do obje- tivo e que evidencie o conteúdo e o alcance dado à norma.

O uso de sinônimos não é recomendado, pois pode levar a dúvidas. É preferível repetir a mesma palavra.

Não se usam expressões ou palavras de duplo sentido, tampouco gíria ou regionalismos (LC nº 95/98, art. 11, II).

A ordem lógica se obtém por meio da agregação das disposições relacionadas com o objeto da lei. Também pela restrição do conteúdo de cada artigo a um único assunto ou princípio.

A utilização de palavras de sentido radical não é da boa técnica. Abandonem-se, portanto, palavras como: nunca, sempre, somente, jamais, exclusivamente etc., salvo se a compreensão do texto exigir o uso de uma delas.

Não se pode esquecer, ainda, que é necessário observar rigorosamente as regras gramaticais, inclusive as de pontuação. A falta de concordância, a supressão de um acento ou a colocação equivocada de uma vírgula podem levar a erros graves.

Partes do ato Os textos normativos contêm diversos segmentos, os quais serão abordados a seguir. A Lei Complementar nº 95/98, com a redação dada pela Lei Complementar nº 107/01, estrutura as leis em três partes básicas, que correspondem parcialmente ao que a doutrina ensina, embora com a utilização de outras denominações.

Preâmbulo

O preâmbulo (que na Lei Complementar é chamado de parte preliminar) compõe-se de diversos itens:

título, que por sua vez se desdobra em:

- epígrafe e

- ementa (ou rubrica);

cláusula ou fórmula de promulgação para os atos legislativos; cláusula de edição para os atos adminis- trativos (autoria e fundamento da autoridade);

cláusulas justicativas do ato (considerandos, não utilizados em leis);

cláusulas de execução ou mandado de cumprimento.

Título

O título das normas está subdividido em epígrafe e ementa. A epígrafe contém a espécie da norma, o

número e a data. Seu objetivo é a identi cação do ato, para demonstrar sua posição na hierarquia legal, e sua

data, para xá-lo no tempo. São exemplos de epígrafe:

Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964; Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000; Decreto nº 2.954, de 29 de janeiro de 2004; Resolução nº 17, de 21 de setembro de 2006.

Você deve ter notado:

A epígrafe mostra a espécie do ato (lei, lei complementar, decreto, resolução etc.), seu número e a data

de sua expedição (que coincide com a da sanção ou da promulgação).

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Flávio R. Gonçalves No que respeita à numeração, dois critérios são mais adotados: ■ o sequencial

No que respeita à numeração, dois critérios são mais adotados:

o sequencial numera o ato cardinalmente, sem reiniciar a contagem, que segue a ordem cronológica;

o anual reinicia a numeração a cada ano, isto é, os atos são numerados a partir do primeiro editado no ano, com seu término coincidindo com o m do ano civil.

O melhor critério é, sem dúvida, o sequencial e cronológico.

A numeração segue a ordem de expedição, o que facilita a consulta e evita o equívoco causado por duas

leis com mesmo número, embora com datas distintas. Essa numeração somente será interrompida, para re- começar do número um, em situações muito especiais.

Observe-se que a numeração das diversas espécies de leis não é a mesma adotada para os decretos, para as resoluções e para os decretos legislativos ou para outros atos. Cada ato possui sua numeração, que segue a ordem numérica, cardinal e arábica.

A data do ato deve corresponder à data da assinatura (ou da sanção ou da promulgação), recomendável,

na medida do possível, que seja publicado no mesmo dia ou no dia seguinte. A lei de menor número deve ser

datada antes da lei de número maior, para que não ocorra desobediência à ordem cronológica.

A ementa, que alguns denominam rubrica, procura identi car e resumir o assunto de que trará o ato.

Deve ser redigida de forma sucinta, porém su ciente para que contenha as informações necessárias à compreensão. Quando o ato trata de diversos assuntos, coloca-se na ementa a matéria principal, seguida da frase: “e dá outras providências”. Essa expressão somente deve ser incluída se, de fato, o ato tratar de outros assuntos além do principal.

A ementa é lançada ao lado direito do ato, sem aspas, sem dois pontos e sem inclusão da palavra ementa,

conforme o exemplo da Lei Complementar nº 101/2000 – LRF:

Estabelece normas de nanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão scal e dá outras providências.

Cláusula de promulgação e cláusula de edição

A cláusula de promulgação (para as leis, decretos legislativos e resoluções) e a cláusula de edição (para os

atos administrativos) conjugam a autoria e o fundamento legal e também integram o preâmbulo.

Uma observação:

Em alguns casos, como nos decretos e outros atos administrativos, inclui-se também a cláusula de execu- ção ou mandado de cumprimento.

Autoria e fundamento legal

A autoria dos atos é conhecida pela identi cação da autoridade e dos órgãos que os produziram. Indica o

titular de um cargo ou função e se alguma instituição participou da elaboração.

O fundamento legal aponta a autorização que o titular recebeu para expedir o ato.

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Abre-se parágrafo logo abaixo da ementa e, em continuidade, os demais indicadores como nos exemplos abaixo.

“O Prefeito Municipal de Faço saber que a Câmara Municipal aprovou e eu sanciono a seguinte Lei:”.

“O Prefeito Municipal de Faço saber que o povo, por seus representantes, aprovou e eu, no uso das atri- buições que me confere a Lei Orgânica do Município, sanciono a seguinte Lei:”.

Uma nota:

O nome da autoridade é desnecessário, pois constará da assinatura ao nal do texto legal, sobre a qual

se falará adiante.

Cláusulas justificativas

As cláusulas justi cativas ou consideranda podem existir nos decretos e em alguns outros atos administra-

tivos, mas não são utilizadas nas leis, nas resoluções e nos decretos legislativos. Nessa parte do preâmbulo, a autoridade que expede o ato dá as razões que o justicam. Na maioria das vezes, não há necessidade de sua inclusão, posto que o texto se justica por si próprio. No entanto, há quem entenda conveniente introduzi-las. Essas formas são iniciadas, comumente, por expressões como considerando, atendendo, tendo em vista etc., que são seguidas por esclarecimentos que procuram justicar e explicar a razão pela qual o ato foi expedido.

Cláusula de execução ou mandado de cumprimento A cláusula de execução ou mandado de cumprimento é a expressão imperativa com que a autoridade ma- nifesta a sua vontade, indicando o caráter compulsório de cumprimento. Utilizam-se palavras como Resolve, Decreta, Faço saber etc., como mostrado nos exemplos adiante.

O preâmbulo, em resumo, compreende:

título, que se subdivide em

- epígrafe e

- ementa ou rubrica;

cláusula de promulgação ou de edição, contendo:

- a autoria e

- o fundamento legal;

cláusulas justicativas; e

cláusulas de execução ou mandado de cumprimento, como se segue:

- Título:

- Epígrafe: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966;

- Decreto nº 3.425, de 15 de dezembro de 1999;

- Ementa: Dispõe sobre o sistema tributário nacional e dá outras providências;

- Cláusula de promulgação ou de edição:

- Autoria e fundamento legal: O Prefeito Municipal de Santo Antônio das Neves, usando das atribui- ções que lhe confere a Lei Orgânica do Município.

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- Cláusula justicativa (não utilizada nas leis):

- Considerando que a situação exige providências;

- Considerando que o Município não pode car à parte;

- Considerando que compete ao Município executar

- Cláusula de execução ou mandado de cumprimento:

- Faço saber

- Decreta:

- Resolve:

mandado de cumprimento: - Faço saber - Decreta: - Resolve: Organização dos dispositivos Segue-se o texto

Organização dos dispositivos Segue-se o texto propriamente dito, denominado na LC nº 95/98 de parte normativa, com os diver- sos dispositivos do ato. Existem aqueles que, pela própria nalidade, são curtos, com pequeno número de dispositivos. Há outros, porém, que se estendem por tratarem de assuntos complexos, que exigem longo detalhamento, como é o caso dos códigos (tributário, de obras, de posturas, de zoneamento etc.). Nessa última hipótese, os artigos são agrupados de modo a facilitar a compreensão e separar o ato por subtemas, concedendo-lhe maior clareza e precisão.

Assim, de conformidade com a extensão do ato, ele pode ser subdividido em

Subseções;

Seções;

Capítulos;

Títulos;

Livros e

Partes.

Mantendo aquilo que os especialistas ensinam, a LC nº 95/98 dispõe que:

um conjunto de artigos forma uma Subseção;

um conjunto de Subseções forma uma Seção;

um agrupamento de Seções forma um Capítulo;

os Capítulos, por sua vez, formam um Título;

em grupo, os Títulos formam um Livro; por m,

um conjunto de Livros constitui uma Parte.

Os capítulos, títulos, livros e partes devem ser grafados em letras maiúsculas e identi cados por algaris- mos romanos. As partes podem ser desdobradas também em Parte Geral e Parte Especial, ao invés de números. As seções e as subseções são identicadas com algarismos romanos, porém escritas em letras minúsculas, exceto, obviamente, a primeira letra. Os exemplos que virão adiante mostrarão melhor essas regras. Se o ato – uma lei, por exemplo – contém apenas cinco artigos, não será necessário juntá-los em seções, posto que sua complexidade não exigirá tal procedimento. Se o número de dispositivos – 120 artigos, v.g. – corresponde a uma diculdade maior de compreensão, adotam-se agrupamentos que irão desdobrar o assunto principal e permitir que seu entendimento e sua ordenação se tornem mais acessíveis. A técnica legislativa admite, ainda, que, nos textos longos e complexos, se introduzam disposições, no início, no meio e no m. As costumeiramente usadas são:

Disposições Preliminares;

Disposições Gerais;

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TEMA 2 | PROCESSO LEGISLATIVO

Disposições Finais;

Disposições Transitórias. As disposições preliminares podem estar no início da lei ou, conforme o caso, e de acordo com a necessi- dade, dentro de um capítulo. Pode mesmo ocorrer que vários capítulos contenham disposições preliminares, dependendo da complexidade que possuem. Pode também acontecer que haja uma disposição preliminar, ou seja, encontre-se apenas um artigo nessa parte.

Um aspecto importante:

As disposições gerais alcançam, via de regra, toda a matéria comum às diversas partes da lei, às vezes contendo denições de palavras que serão usadas. Podem ser colocadas no início ou no m do texto legal, conforme seja o seu conteúdo. Na Constituição da República, encontram-se no nal, formando o Título IX. As disposições nais devem conter aquelas normas que encerram o texto legal e que enfeixam determina- das providências, que não cariam bem integradas a qualquer outra parte. As disposições transitórias têm por nalidade resolver algumas questões temporárias, até que deixem de existir pelo prazo previsto ou sejam solucionadas por outra norma legal. Os títulos das diversas partes da lei são escritos precedidos da contração do(s) ou da(s), conforme se trate de masculino ou feminino e de singular ou plural. Essa regra não vale para as disposições (qualquer delas), que são inseridas sem a contração: Disposições Gerais, Disposições Finais etc.

Regras básicas de redação das leis Hésio Fernandes Pinheiro concebeu algumas regras que, adaptadas 15 , são aqui reproduzidas também adaptadamente, em especial quanto aos exemplos.

Guarde bem:

1ª regra: Cada artigo deve conter um único assunto. Esse é um ponto básico. Não convém reunir vários assuntos num só artigo.

Exemplo: “Art. 5º. Os tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria” (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional).

2ª regra: O artigo dará apenas o princípio jurídico, a norma geral. As exceções e medidas complementares reservam-se aos parágrafos.

Exemplo: “Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público. § 1º. O servidor público estável só perderá o cargo:

”.

(Constituição da República de 1988).

3ª regra: É desaconselhável o uso de abreviaturas ou siglas no texto das leis, salvo quando já consagradas pelo uso, ou conhecidas e generalizadas em todo o país, como é o caso de S.A. (sociedade anônima). Ainda assim, convém que a primeira referência ao nome seja feita por extenso, com a sigla entre parênteses ou após travessão.

15 AGUIAR, Joaquim Castro. Técnica legislativa, p. 70-72. Ver também SILVA, José Afonso da. Manual do vereador. p. 132 e seguintes.

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Flávio R. Gonçalves

Flávio R. Gonçalves 4ª regra : Quando houver discriminação, o artigo fará o enunciado e os

4ª regra: Quando houver discriminação, o artigo fará o enunciado e os elementos de discriminação serão apresentados por incisos. Essa técnica facilita a redação do texto, sua compreensão, interpretação e a própria exposição material e formal do assunto.

Exemplo: “Art. 59. O processo legislativo compreende a elaboração de:

I - emendas à Constituição;

II - leis complementares;

III - leis ordinárias;

IV - leis delegadas;

V - medidas provisórias;

VI - decretos legislativos;

VII - resoluções.” (Constituição da República).

5ª regra: Quando os incisos se sucederem, tratando de assuntos heterogêneos, deve-se manter, tanto quan- to possível, a uniformidade dos verbos.

Exemplo: “Art. 30. Compete aos Municípios:

I - legislar

II - suplementar

III - instituir e arrecadar

IV - criar, organizar e suprimir

V - organizar e prestar

VI - manter

VII - prestar

VIII - promover

IX - promover

(Constituição da República).

Não só com os verbos, também com os substantivos a regra prevalece, como a seguir:

Exemplo: “Art. 11. São formas de provimento:

I - nomeação;

II - promoção;

III - readaptação;

IV - reversão;

V - reintegração;

VI - recondução”.

6ª regra: A linguagem deve ser correta e precisa. Como foi comentado antes, a linguagem empregada nos textos legais deve atender a critérios de simpli- cidade, precisão, clareza, concisão, correção e ordem lógica.

Numeração e desdobramento Os artigos são numerados ordinalmente até o nono (1º, 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º, 8º e 9º) e, a partir daí, car- dinalmente (10, 11, 12 etc.). Escreve-se “Art.”, de forma abreviada, exceto no caso de “Artigo único”, que é escrito por extenso. Após o número do artigo, coloca-se o sinal de ponto (.). Note-se que a LC nº 95/98 adota o sinal de ponto somente a partir do artigo 10. Até o nono artigo, não há menção à pontuação. Considerando que, tanto num caso quanto noutro, segue-se letra maiúscula, o bom senso indica que em ambos deve haver a colocação do ponto.

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Os artigos podem desdobrar-se em:

parágrafos;

incisos;

alíneas;

itens. Os incisos são chamados de itens por alguns autores, como as alíneas são eventualmente denominadas de letras.

Caput Denomina-se caput (cabeça, abriga o comando jurídico) ao texto do próprio artigo. Quando se deseja re- ferenciar um dispositivo articulado, diz-se: “no art. 10, caput”, para demonstrar que a remissão é ao conteúdo do artigo, e não aos seus desdobramentos. Parágrafos

Você sabe para que servem os parágrafos? Os parágrafos servem para adicionar ou complementar uma disposição contida no artigo. Seguem sempre

a regra principal, detalhando-a, explicando-a, criando exceções a ela. Sempre que houver a necessidade de esclarecer a regra básica, constante do artigo, usa-se o parágrafo. Este

é representado pelo sinal gráco §, exceto quando há um só parágrafo, quando se utiliza a forma parágrafo úni- co. Após o número do parágrafo, coloca-se o sinal gráco de ponto (.). A LC nº 95/98 mantém esses mesmos critérios para os parágrafos, exceto quanto à pontuação, que recomenda como dito em página anterior. Como os artigos, os parágrafos também são numerados ordinalmente até o nono e cardinalmente a partir do seguinte, conforme demonstrado a seguir no exemplo:

§ 1º, § 2º, §3º

§ 9º

§ 10, § 11, § 12,

etc.

Atenção Deve-se cuidar para que não se inclua parágrafo contendo assunto estranho ao que consta do artigo, posto que, por denição, os parágrafos não podem dispor sobre temas que não estejam relacionados com o enunciado, o que é também recomendação da LC nº 95/98 (conf. art. 11).

Incisos, alíneas e itens Os incisos são apresentados por algarismos romanos, seguidos de travessão (-). As alíneas são grafadas por letras minúsculas, geralmente em itálico, seguidas de parênteses: a), b), c) etc. As frases que integram os incisos e as alíneas são iniciadas com letra minúscula e terminadas com o sinal de ponto e vírgula (;), exceto quando se trata do último desdobramento. Deve-se procurar usar os incisos para detalhar os artigos e os parágrafos. Estes, por sua vez, são desdobrados em alíneas, e, eventualmente, conforme a necessidade, em incisos. As alíneas são complementos dos incisos, ou seja, usadas quando é pre- ciso enumeração. Os itens são representados por algarismos arábicos, seguidos de parênteses: 1), 2), 3) etc. Servem para desmembrar as alíneas, pelo que não devem ser usados como subdivisão de outros sinais. Para melhor demonstração, segue-se exemplo retirado da Constituição Federal:

“Art. 120. Haverá um Tribunal Regional Eleitoral na Capital de cada Estado e no Distrito Federal. § 1º. Os Tribunais Regionais Eleitorais compor-se-ão:

I. mediante eleição, pelo voto secreto:

Flávio R. Gonçalves

Flávio R. Gonçalves a) de dois juízes dentre os desembargadores do Tribunal de Justiça; b) de

a) de dois juízes dentre os desembargadores do Tribunal de Justiça;

b) de dois juízes, dentre juízes de direito, escolhidos pelo Tribunal de Justiça;

II. de um juiz do Tribunal Regional Federal com sede na Capital do Estado ou no Distrito Federal, ou, não havendo, de juiz federal, escolhido, em qualquer caso, pelo Tribunal Regional Federal respectivo; III. por nomeação, pelo Presidente da República, de dois juízes dentre seis advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados pelo Tribunal de Justiça.

§ 2º. O Tribunal Regional Eleitoral elegerá seu Presidente e o Vice-Presidente dentre os desembargadores“.

Remissão

A remissão é um recurso frequentemente utilizado, que tem por objetivo encaminhar o leitor para outra

parte do texto. Nas leis e em outros atos legais, é comum determinado artigo ou parágrafo referir-se a outro artigo ou desdobramento, que se encontra antes ou depois. Usa-se, nesse caso, a remissão, isto é, informa-se que deve ser observada alguma coisa que está tratada em outro lugar do mesmo texto. Veja-se o exemplo, que reproduz o inciso V do art. 29 da CF:

“V - subsídios do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Secretários Municipais xa- dos por lei de iniciativa da Câmara Municipal, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I;”.

Observe:

No modelo utilizado, foram citados diversos dispositivos da própria Constituição, todos eles sobre algo que afeta ou que condiciona o preceito contido no inciso. Quando a remissão diz respeito a vários dispositivos, que estão espalhados pelo texto, usa-se a forma:

“Art. 18. A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição”. (Constituição Federal).

No exemplo, seria praticamente impossível citar todos os dispositivos aplicáveis, que são em grande nú- mero. Já se sabe, portanto, que a leitura atenta do texto é imprescindível para delimitar a autonomia.

Encerramento do Texto

Vigência

A questão da vigência das leis foi tratada em outro item, inclusive com menção à Lei Complementar nº

95/98, com a redação dada pelo LC nº 107/01. Remete-se, por conseguinte, àquela parte, com a lembrança de que o art. 8º da LC nº 95 versa sobre o assunto.

Cláusula de revogação

A cláusula de revogação tem por objetivo deixar claro que as disposições anteriores sobre o assunto que

está sendo legislado deixam de vigorar a partir da expedição do novo ato. A LC nº 95/98, com a redação da LC nº 107/01, manda que a cláusula de revogação enumere, expressamente, as leis ou as disposições legais

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revogadas. Nem sempre, porém, isso se torna possível, pelo que podem ser utilizados os exemplos que se seguem, especialmente quando há várias leis sobre o assunto. Utiliza-se geralmente o último artigo para indicar a revogação, sendo usadas duas formas mais comuns:

“Revogam-se as disposições em contrário.”;

“Revogam-se as disposições em contrário, especialmente a Lei nº

,

de

de 1995”.

O primeiro exemplo tem a vantagem de generalizar, a rmando a revogação de toda e qualquer disposição

que seja contrária à nova ordem. A segunda redação, por sua vez, é usada quando se vislumbra a necessidade de indicar especi camente algum texto anterior.

Há, ainda, quem utilize uma terceira forma, que junta a cláusula de revogação com a de vigência, resul- tando no seguinte formato:

“Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação, revogadas as disposições em contrário”.

A revogação, portanto, pode ser:

expressa, quando enumera claramente os atos revogados, e

tácita, quando for utilizada a forma genérica.

Fecho Em face do costume, escreve-se, ao nalizar o ato, o nome da localidade e data completa. Alguns Municí- pios incluem também o nome do local onde se situa o Poder correspondente ou o ano em que o Município foi fundado ou emancipado.

Assinatura Compete ao(a) Prefeito(a) Municipal, ao Vice-Prefeito, ao(a) Presidente(a) da Câmara Municipal ou ao(a) Vice-Presidente(a) deste Poder, conforme o caso, a assinatura das leis. O(A) Vice-Prefeito(a) o faz quando no exercício do cargo de Prefeito(a). O(A) Presidente(a) do Legislativo e o(a) seu(sua) Vice-Presidente(a), quando lhes cabe a promulgação da lei, conforme explicado anteriormente, ou quando, por qualquer razão, estiverem substituindo o titular do Executivo. As resoluções e os decretos legislativos são rmados pelo Presidente ou pelo Vice-Presidente da Câmara, se este estiver no lugar do primeiro. Os decretos recebem a assinatura do(a) Prefeito(a) ou do(a) Vice-Prefeito(a), na mesma condição, ou ainda do(a) Presidente(a) da Câmara, se ambos os anteriores estiverem ausentes.

Atenção:

A assinatura é um dos elementos de validade dos atos, conferindo-lhe autenticidade, sendo colocada logo

após a data.

Referenda

A referenda tem por objetivo lembrar aos auxiliares diretos da autoridade que assinou o ato que devem

apoiá-lo e fazê-lo cumprir. No Município, cabe aos Secretários, como agentes políticos, referendar as leis e os decretos, geralmente atribuindo-se a tarefa àquele ou àqueles cuja área de competência possua relação com o assunto tratado.

No que respeita a resoluções e decretos legislativos, o Regimento Interno da Casa Legislativa é que irá denir quem apõe o referendo. Pode ocorrer que somente o Presidente assine o ato, sem a participação dos demais membros da Mesa Diretora.

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Flávio R. Gonçalves Certidão Os atos legais são publicados e inscritos nos livros próprios, que hoje

Certidão Os atos legais são publicados e inscritos nos livros próprios, que hoje podem utilizar as técnicas mais modernas, como a informática. Embora não haja obrigatoriedade, muitos são os Municípios que, ao nal do texto legal, mas sem integrá- lo, colocam uma certicação do registro.

Consolidação da legislação A LC nº 95/98 contém capítulo para tratar da consolidação das leis e de outros atos normativos federais. Não é, portanto, de cumprimento obrigatório pelos Municípios, eis que se dirige à esfera federal. Nada impede, todavia, que o Município adote as regras contidas nos arts. 13 e seguintes da referida lei, com a redação dada pelo LC nº 107/01.

Parabéns! Você já venceu a 2ª etapa do Módulo 2! O Tema 3 espera por você. Siga Aprendendo

Veja a integra das leis na Biblioteca virtual do site www.ead.fugpmdb.org.br • Lei Complementar nº
Veja a integra das leis na Biblioteca virtual
do site www.ead.fugpmdb.org.br
• Lei Complementar nº 95 de 26 de fevereiro de 1998.
Dispõe sobre a elaboração, a redação, a alteração e a consolidação das leis,
conforme determina o parágrafo único do art. 59 da Constituição Federal e
estabelece normas para a consolidação dos atos normativos que menciona.
• Lei Complementar nº 107, de 26 de Abril de 2001.
Altera a Lei Complementar no 95, de 26 de fevereiro de 1998.
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EXERCÍCIOS

Teste seus conhecimentos sobre o tema estudado:

1. A lei passa por procedimentos complexos que se iniciam com o encaminhamento do proje-

to ao Poder Legislativo onde tramitam até sua finalização. Essa sistematização denomina-se

processo legislativo.

( ) Certo

( ) Errado

2. A grande maioria das leis é do tipo

(

) delegada e complementares

(

) ordinária e delegadas

(

) complementar e suplementares

, constituindo as

exceções.

3. A proposição apresentada como acessória de outra é denominada:

(

) projeto substitutivo

(

) requerimento

(

) indicação

(

) emenda

4. A iniciativa reservada a uma autoridade ou órgão para encaminhar proposições à Câmara

Municipal recebe o nome de:

(

) geral

(

) privativa

(

) comum

(

) vinculada

5. Se o Prefeito Municipal considerar o projeto que recebeu, após aprovação pela Câmara, in-

constitucional, ele deve sancioná-lo.

(

) Certo

( ) Errado

6. A sanção pode ser

ou

7. A lei vigora sempre a partir da sua publicação.

( ) Certo

( ) Errado

8. A iniciativa da lei que fixa os subsídios dos Secretários Municipais é:

(

) do Prefeito Municipal

(

) de qualquer Vereador

(

) do Vice-Prefeito

(

) da Câmara Municipal

9. Quando da redação dos projetos de leis, devem ser usadas gírias e regionalismos.

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( ) Certo

( ) Errado

Flávio R. Gonçalves

10. O caput de um artigo deve destinar-se:

(

) à regra geral

(

) às exceções

(

) às enumerações

(

) às explicações

destinar-se: ( ) à regra geral ( ) às exceções ( ) às enumerações ( )
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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GODOY, Mayr. Técnica legislativa e técnica constituinte. São Paulo: LEUD, 1987.

GONÇALVES, Marcos Flávio R. (coord.). Manual do prefeito. 12ª ed. Rio de Janeiro: IBAM, 2005.

GONÇALVES, Marcos Flávio R. (coord.). O vereador e a câmara municipal. 3ª ed. Rio de Janeiro: IBAM,

2005.

JESUS, Silvio Borges de. Câmaras municipais – processo e procedimentos. 2ª ed. Blumenau: SBJ Publicações,

2005.

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