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sob código 1001239C882E55204F. Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do

Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho

PROCESSO Nº TST-ARR-132500-26.2009.5.20.0004

A C Ó R

D Ã O

(1ª Turma)

GDCMP/rd/

AGRAVO DE INSTRUMENTO INTERPOSTO PELA PREVI PRESCRIÇÃO. DIFERENÇAS DE COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N.º 327 DESTA CORTE UNIFORMIZADORA. A pretensão a diferenças de complementação de aposentadoria sujeita-se à prescrição parcial e quinquenal, salvo se o pretenso direito decorrer de verbas não recebidas no curso da relação de emprego e já alcançadas pela prescrição, à época da propositura da ação” (Súmula nº 327 desta Corte superior). Revelando a decisão recorrida sintonia com a jurisprudência pacífica do Tribunal Superior do Trabalho, não se habilita a conhecimento o recurso de revista, nos termos do artigo 896, § 7º, da Consolidação das Leis do Trabalho. Agravo de Instrumento a que se nega provimento. QUITAÇÃO. ACORDO FIRMADO PERANTE A COMISSÃO DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA. PREQUESTIONAMENTO. ARTIGO 114 DO CÓDIGO CIVIL. SÚMULA N.º 297, I, DO TST. A ausência de pronunciamento, por parte da Corte de origem, acerca de elemento essencial à tese veiculada no apelo torna inviável o seu exame, à míngua do indispensável prequestionamento. Hipótese de incidência do entendimento cristalizado na Súmula n.º 297, I, desta Corte superior. Agravo de Instrumento a que se nega provimento. AGRAVO DE INSTRUMENTO INTERPOSTO PELO BANCO DO BRASIL QUITAÇÃO. ACORDO FIRMADO PERANTE A COMISSÃO DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA. Demonstrada a divergência jurisprudencial nos moldes da alínea a do artigo 896 da Consolidação das Leis do Trabalho, dá-se provimento ao agravo

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de instrumento a fim de determinar o processamento do Recurso de Revista. RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELO BANCO DO BRASIL NULIDADE. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. Não se reconhece violação dos artigos 93, IX, da Constituição da República, 458, II, do Código de Processo Civil e 832 da Consolidação das Leis do Trabalho em face de julgado cujas razões de decidir são fundamentadamente reveladas, abarcando a totalidade dos temas controvertidos. Uma vez consubstanciada a entrega completa da prestação jurisdicional, afasta-se a arguição de nulidade. Recurso de Revista não conhecido. QUITAÇÃO. ACORDO FIRMADO PERANTE A COMISSÃO DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA. Tem-se pronunciado a SBDI-I desta Corte superior, em reiterados julgamentos, no sentido de que o termo de conciliação firmado perante a Comissão de Conciliação Prévia, sem aposição de ressalvas, reveste-se de eficácia liberatória geral quanto às parcelas oriundas do contrato de emprego extinto (artigo 625-E, parágrafo único, da CLT). Recurso de Revista conhecido e provido, com ressalva do entendimento pessoal do Relator. RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELO RECLAMANTE HORAS EXTRAS. INTEGRAÇÃO DO AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO AO SALÁRIO. INDENIZAÇÃO E 40% DO FGTS E AVISO PRÉVIO EM FACE DA NULIDADE DAS CLÁUSULAS DO PLANO DE AFASTAMENTO ANTECIPADO (PAA). EXISTÊNCIA DE ACORDO FIRMADO SEM RESSALVAS PERANTE A COMISSÃO DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA. Resulta prejudicado o exame do presente recurso em face do provimento do Recurso de Revista interposto pela parte contrária que resultou na improcedência dos

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pedidos postulados pelo reclamante em face do acordo firmado sem ressalvas perante a Comissão de Conciliação Prévia. Recurso de Revista não conhecido. DIFERENÇAS DE COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. ALTERAÇÃO DO REGULAMENTO EMPRESARIAL. SÚMULA N.º 51 DO TST. PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA N.º 297, I, DO TST. A ausência de pronunciamento, por parte da Corte de origem, acerca de elemento essencial à tese veiculada no apelo, no caso, alteração de norma regulamentar, torna inviável o seu exame, à míngua do indispensável prequestionamento. Hipótese de incidência do entendimento cristalizado na Súmula n.º 297, I, desta Corte superior. Recurso de Revista não conhecido. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Resulta prejudicado o exame do presente recurso, em face do provimento dado ao Recurso de Revista interposto pelo Banco do Brasil, que implicou a improcedência de todos os pedidos veiculados na petição inicial e, por conseguinte, na sucumbência total do reclamante. Recurso de Revista não conhecido.

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Recurso de Revista com Agravo n° TST-ARR-132500-26.2009.5.20.0004, em que é Agravante e Recorrido CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL - PREVI e são Agravados e Recorrentes BANCO DO BRASIL S.A. e GILBERTO SOUSA VASCONCELOS.

O egrégio Tribunal Regional do Trabalho da 20ª Região, por meio do acórdão prolatado às fls. 1221/1227 dos autos físicos; pp. 379/391 do Sistema de Informações Judiciárias (eSIJ), aba “Visualizar Todos (PDFs)”, complementado às fls. 1267/1273-verso dos autos físicos,

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pp. 448/461 doe SIJ, rejeitou a preliminar de incompetência da Justiça do Trabalho, quitação do contrato em face do acordo firmado perante a Comissão de Conciliação Prévia, incidência da prescrição total e manteve a condenação dos reclamados ao pagamento de diferenças de complementação de aposentadoria bem como a improcedência dos pedidos de pagamento de diferenças de horas extras, integração do auxílio-alimentação na base

de cálculo da complementação de aposentadoria, licença prêmio e honorários advocatícios. Inconformados, os reclamados e o reclamante interpõem Recursos de Revista. Buscam, em síntese, a reforma do acórdão regional, apontando violação de dispositivos de lei e da Constituição da República e transcreve arestos para confronto de teses. Somente o Recurso de Revista interposto pelo reclamante foi admitido por meio da decisão monocrática proferida às fls. 1374/1386-verso dos autos físicos, pp. 595/620 do eSIJ. Interpôs a PREVI, primeira reclamada, Agravo de Instrumento às fls. 1367/1370-verso dos autos físicos, pp. 622/629 do eSIJ, e apresentou contrarrazões ao Recurso de Revista obreiro às fls. 1375/1378-verso dos autos físicos, pp. 636/643 do eSIJ. Interpôs, também, o Banco do Brasil, segundo reclamado, Agravo de Instrumento às fls. 1382/1425 dos autos físicos, pp. 647/691 do eSIJ, e apresentou contrarrazões ao recurso obreiro às fls. 1429/1464 dos autos físicos, pp. 693/729 do eSIJ.

O reclamante apresentou contraminuta e contrarrazões

aos recursos patronais, respectivamente, às fls. 1467/1468-verso e 1471/1478 dos autos físicos, pp. 732/735 e 739/753 do eSIJ.

Dispensada a remessa dos autos à douta

Procuradoria-Geral do Trabalho, à míngua de interesse público a tutelar.

É

o relatório.

V

O T O

AGRAVO DE INSTRUMENTO INTERPOSTO PELA PREVI

I CONHECIMENTO

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O Agravo de Instrumento é tempestivo (publicação da

decisão em 10/3/2011, quinta-feira, conforme certidão lavrada à fl. 1386-verso dos autos físicos, p. 620 do eSIJ, e recurso protocolizado em 13/3/2011, à fl. 1367 dos autos físicos, p. 622 do eSIJ). A PREVI está regularmente representada nos autos, consoante procuração acostada à fl. 1231 dos autos físicos, p. 397 do eSIJ, e substabelecimento à fl. 1230

dos autos físicos, p. 396 do eSIJ. Depósito recursal efetuado no valor legal (fl. 1371-verso dos autos físicos, p. 631 do eSIJ). Conheço.

II - MÉRITO PRELIMINAR DE INCOMPETÊNCIA DO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO PARA NEGAR SEGUIMENTO A RECURSO DE REVISTA. Argui a segunda reclamada a incompetência dos Tribunais Regionais do Trabalho para negar seguimento ao recurso de revista com base em apreciação de mérito da decisão recorrida. Sustenta

que o Tribunal Regional, ao proceder ao Juízo primeiro de admissibilidade do recurso de revista, deve-se ater ao exame do cabimento, interesse, inexistência de fato impeditivo ou extintivo, tempestividade, regularidade formal e preparo, não podendo ingressar no exame de mérito das matérias veiculadas no apelo.

O argumento, no entanto, sucumbe diante da expressa

letra da lei, estabelecida no § 1º do artigo 896 consolidado, de seguinte teor:

§ 1º O Recurso de Revista, dotado de efeito apenas devolutivo, será apresentado ao Presidente do Tribunal recorrido, que poderá recebê-lo ou denegá-lo, fundamentando, em qualquer caso, a decisão.

Verifica-se, pois, que o Tribunal Regional, ao proceder ao Juízo primeiro de admissibilidade da revista, apenas cumpre exigência legal, uma vez que a admissibilidade do recurso está sujeita a duplo exame, sendo certo que a decisão proferida pelo Juízo de origem não vincula a do Juízo revisor. Ademais, assegura-se à parte, no caso

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de denegação, a faculdade de ver reexaminada a decisão por meio do

competente agravo de instrumento, via ora utilizada pela reclamada.

Agravo de

Instrumento.

Ante

o exposto,

nego provimento

ao

DE

APOSENTADORIA.

O processamento do Recurso de Revista interposto pela PREVI foi denegado com base na Súmula n.º 333 do Tribunal Superior do Trabalho, tendo o Juízo de admissibilidade consignado, à fl. 1377-verso dos autos físicos, p. 602 do eSIJ, que, ao reconhecer que os pedidos do autor são de natureza sucessiva aplicando-se a incidência da prescrição qüinqüenal, o Tribunal decidiu em sintonia com a Súmula nº 327 do TST, o que inviabiliza o seguimento do recurso, inclusive por dissenso jurisprudencial (Súmula 333/TST)”. Sustenta a segunda reclamada, em sua minuta de Agravo de Instrumento, que seu Recurso de Revista merece ser processado por contrariedade às Súmulas de n.º s 294, 326 e 327 do Tribunal Superior do Trabalho. Alega que a pretensão obreira diz respeito a “complementação de aposentadoria de parcela jamais paga” (fl. 1369-verso dos autos físicos, p. 627 do eSIJ), o que atrai a incidência da prescrição total. Ao exame.

Trata-se de controvérsia que gira em torno da

prescrição incidente em pretensão relativa à complementação de

PRESCRIÇÃO.

DIFERENÇAS

DE

COMPLEMENTAÇÃO

aposentadoria.

O Tribunal Pleno desta Corte superior, por meio da

Resolução n.º 174/2011, conferiu nova redação às Súmulas de n. os 326 e

327, que passaram a dispor acerca da prescrição nos casos de pretensão

relativa à complementação de aposentadoria mediante os seguintes termos:

326. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. PRESCRIÇÃO TOTAL. A pretensão à complementação de aposentadoria jamais recebida prescreve em 2 (dois) anos contados da cessação do contrato de trabalho.

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327. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. DIFERENÇAS. PRESCRIÇÃO PARCIAL. A pretensão a diferenças de complementação de aposentadoria sujeita-se à prescrição parcial e quinquenal, salvo se o pretenso direito decorrer de verbas não recebidas no curso da relação de emprego e já alcançadas pela prescrição, à época da propositura da ação.

Constata-se, dessarte, que o contido na Súmula n.º 326

deste Tribunal Superior tem incidência somente na hipótese em que o

empregado, após a extinção do pacto laboral, não percebe o benefício de

complementação de aposentadoria da entidade de previdência privada. Em

tais circunstâncias, incide a prescrição total bienal, sendo que o prazo

prescricional começa a fluir a partir da extinção do contrato de emprego.

Saliente-se, por oportuno, que a pretensão referida na indigitada súmula

diz respeito a complementação de aposentadoria jamais recebida.

O disposto na Súmula n.º 327 desta Corte

uniformizadora de jurisprudência, a seu turno, incide no caso de

pretensão relativa a diferenças de complementação de aposentadoria em

que o empregado aposentado percebe o referido benefício da entidade de

previdência privada desde a jubilação, porém em valor menor do que entende

devido. Nessa situação, incide a prescrição parcial quinquenal, exceto

se as pretendidas diferenças decorrerem da integração de parcelas não

recebidas no curso do contrato de emprego e já atingidas pela prescrição

bienal no momento da propositura da ação. Conforme se constata dos presentes autos, a pretensão obreira refere-se à integração de algumas parcelas no cálculo da complementação de aposentadoria. Trata-se, portanto, de pedido de diferenças de

complementação de aposentadoria, visto que o reclamante percebe o

benefício complementar reconhecido em Juízo, porém calculado em valor

inferior àquele que entende devido. Incide, dessarte, a prescrição

parcial quinquenal, nos termos do disposto na parte inicial da Súmula

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n.º 327 deste Tribunal Superior. Incólume, pois, o artigo 7º, XXIX, da

Constituição da República. Revelando a decisão recorrida sintonia com a

jurisprudência pacífica do Tribunal Superior do Trabalho, não se habilita

a conhecimento o recurso de revista, nos termos da Súmula n.º 333 deste Tribunal.

Agravo de

Instrumento.

Ante

o exposto,

nego provimento

ao

QUITAÇÃO. ACORDO FIRMADO PERANTE A COMISSÃO DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA.

O processamento do Recurso de Revista, quanto à

quitação do acordo firmado perante a Comissão de Conciliação Prévia, foi denegado com base na Súmula n.º 333 do Tribunal Superior do Trabalho, tendo o Juízo de admissibilidade consignado, à fl. 1378 dos autos físicos,

p. 604 do eSIJ, que “o Tribunal decidiu em sintonia com a Súmula 330 do TST, o que inviabiliza o seguimento do recurso, inclusive por dissenso jurisprudencial (Súmula 333/TST)”. Sustenta a segunda reclamada, em sua minuta de Agravo de Instrumento, que seu Recurso de Revista merece ser processado por

violação do artigo 114 do Código Civil. Alega que o acordo firmado perante

a Comissão de Conciliação Prévia confere ampla quitação ao contrato de

emprego. Afirma que o Tribunal Regional “deu interpretação ampliativa ao negócio jurídico celebrado pelo autor agravado e o Banco do Brasil(fl. 1369-verso dos autos físicos, p. 627 do eSIJ).

Ao exame. Cinge-se a controvérsia saber os efeitos do acordo

firmado, sem ressalvas, perante a Comissão de Conciliação Prévia.

A Corte de origem aplicou ao caso o entendimento

consagrado na Súmula n.º 330 do Tribunal Superior do Trabalho.

A reclamada, no entanto, limita-se a alegar na minuta

do presente recurso violação do artigo 114 do Código Civil, que determina

a interpretação estrita dos negócios jurídicos benéficos questão sobre

a qual não se pronunciou a Corte de origem. Nesse particular, o

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processamento do Recurso de Revista encontra óbice na Súmula n.º 297 desta Corte superior, em face da ausência do indispensável prequestionamento. A matéria em debate possui regramento específico, cuja violação, conquanto suscitada nas razões do Recurso de Revista, não foi renovada na minuta do Agravo de Instrumento, inviabilizando, desse modo, o seu exame.

Conforme jurisprudência pacífica desta Corte superior não cabe o exame, a esta altura, dos dispositivos invocados no Recurso de Revista e não renovados no Agravo de Instrumento:

INTERVALO INTRAJORNADA. NATUREZA JURÍDICA. 1. O Tribunal Regional deu provimento ao recurso ordinário do reclamante. Afirmou que "a verba relativa ao intervalo intrajornada possui natureza salarial. O tempo de intervalo não concedido deve ser apurado como horas extras propriamente ditas, para todos os efeitos legais, gerando, inclusive, reflexos." 2. Verifica-se, entretanto, que a reclamada não apontou no recurso de revista violação dos arts. 7º, XII, e 8º, III, da Carta Magna e 71, § 3º, da CLT e nem divergência com os arestos que indica na minuta do agravo de instrumento, tratando-se de inovação recursal e insuscetível de análise neste momento processual. Por outro lado, a reclamada não renovou a apontada ofensa ao art. 71, § 4º, da CLT, razão por que não há como ser agora apreciada, em face da preclusão. 3. Nesse contexto, não tendo a reclamada conseguido demonstrar a viabilidade do recurso de revista, inviável o seu seguimento (AIRR - 574540-21.2006.5.09.0892, Relator Ministro: Hugo Carlos Scheuermann, 1ª Turma, Data de Publicação: DEJT 12/06/2015)

No mesmo sentido os seguintes precedentes:

AIRR - 134700-55.2006.5.03.0110, Relatora Ministra:

Delaíde Miranda Arantes, 2ª Turma, DEJT 29/05/2015; AIRR - 32000-87.2009.5.15.0004, Relator Ministro: Alexandre de Souza Agra Belmonte, 3ª Turma, DEJT 10/10/2014; AIRR - 10900-87.2007.5.01.0343, Relator Ministro: Fernando Eizo Ono, 4ª Turma, DEJT 31/03/2015. AIRR - 47-25.2012.5.15.0126, Relator Ministro: Guilherme Augusto Caputo Bastos, 5ª Turma, DEJT 29/05/2015; AIRR - 69-98.2013.5.02.0065, Relatora Ministra: Kátia Magalhães Arruda, 6ª Turma, DEJT 26/06/2015; Ag-AIRR -

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1802-20.2012.5.09.0072, Relator Ministro: Cláudio Mascarenhas Brandão, 7ª Turma, DEJT 12/06/2015; AIRR - 754-21.2013.5.10.0021, Relatora Desembargadora Convocada: Jane Granzoto Torres da Silva, 8ª Turma, DEJT

12/06/2015.

Não cabe o exame, a esta altura, das razões recursais no que diz respeito à preliminar de incompetência da Justiça do Trabalho, porquanto não renovadas no Agravo de Instrumento, denotando a aquiescência da reclamada com a decisão mediante a qual se denegou seguimento ao Recurso de Revista, no particular. Ante o exposto, nego provimento ao Agravo de

Instrumento.

AGRAVO DE INSTRUMENTO INTERPOSTO PELO BANCO DO BRASIL I - CONHECIMENTO O Agravo de Instrumento é tempestivo (publicação da decisão em 10/3/2011, quinta-feira, conforme certidão lavrada à fl. 1386-verso dos autos físicos, p. 620 do eSIJ, e recurso protocolizado em 18/3/2011, à fl. 1382 dos autos físicos, p. 647 do eSIJ). O Banco reclamado está regularmente representado nos autos, consoante procuração acostada à fl. 388 dos autos físicos, p. 53 do eSIJ, e substabelecimento à fl. 387 dos autos físicos, p. 52 do eSIJ. Conheço.

II - MÉRITO COMISSÃO DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA. ACORDO. DIFERENÇAS DE COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. O processamento do Recurso de Revista foi denegado com base na Súmula n.º 330 do Tribunal Superior do Trabalho, tendo o Juízo de admissibilidade consignado, à fl. 1378-verso dos autos físicos, p. 604 do eSIJ, após transcrever trecho do acórdão, que “o Tribunal decidiu em sintonia com a Súmula 330 do TST, o que inviabiliza o seguimento do recurso, inclusive por dissenso jurisprudencial (Súmula 333/TST)”. Sustenta o Banco reclamado, em sua minuta de Agravo de Instrumento, que seu Recurso de Revista merece ser processado por violação dos artigos 7º, XXVI e XXII, da Constituição da República e 625-A

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PROCESSO Nº TST-ARR-132500-26.2009.5.20.0004

a E, da CLT e por divergência jurisprudencial. Alega que o termo de conciliação foi firmado pelo reclamante perante a Comissão de Conciliação Prévia sem nenhuma ressalva, o que gera a quitação geral do contrato de emprego.

Ao exame. No tocante aos efeitos do acordo firmado perante a Comissão de Conciliação Prévia, assim decidiu a Corte de origem às fls. 1225/1225-verso dos autos físicos, pp. 387/388 do eSIJ:

Pleiteia o Banco recorrido a reforma do julgado quanto a não eficácia liberatória do acordo firmado perante a Comissão de Conciliação Prévia. Em análise. O Juízo a quo não negou a validade do pagamento efetuado perante a

conforme

330, abaixo

transcrita:

SUM-330 QUITAÇÃO. VALIDADE (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 A quitação passada pelo empregado, com assistência de entidade sindical de sua categoria, ao empregador, com observância dos requisitos exigidos nos parágrafos do art. 477 da CLT, tem eficácia

liberatória em relação às parcelas expressamente consignadas

no recibo, salvo se oposta ressalva expressa e especificada ao

valor dado à parcela ou parcelas impugnadas. I - A quitação não abrange parcelas não consignadas no recibo de quitação e, conseqüentemente, seus reflexos em outras parcelas, ainda que estas constem desse recibo. II - Quanto a direitos que deveriam ter sido satisfeitos durante a vigência do contrato de trabalho, a quitação é válida

em relação ao período expressamente consignado no recibo de quitação.

Sérgio Pinto Martins, ao analisar o disposto no art. 625-E consolidado, leciona que:

Despicienda a assertiva de que há ato jurídico perfeito em relação ao contrato de trabalho em razão da eficácia liberatória do termo de conciliação, pois o pagamento feito quita apenas

)

Haveria, entretanto, coisa julgada se

o termo de conciliação fosse homologado em juízo, que

produziria, portanto, efeitos liberatórios; mas isso não ocorre em relação ao termo de conciliação celebrado perante a

CCP,

entendimento do C.TST, consubstanciado na Súmula n º

apenas

não

aceita

a

quitação

geral

daquelas

verbas,

aquilo que foi saldado. (

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fls.12

PROCESSO Nº TST-ARR-132500-26.2009.5.20.0004

Comissão, pois não envolve processo, nem é feito na Justiça do Trabalho. Dessa forma, se a parcela não tiver sido objeto de homologação, ou o pagamento for inferior ao devido, poderá haver reivindicação judicial do que não tiver sido recebido. A transação interpreta-se restritivamente (art. 843 do Código Civil), assim como os negócios jurídicos benéficos interpretam-se estritamente (art. 114 do CC). Não pode, inclusive, a transação produzir os efeitos de coisa julgada, em razão de que não se está homologando acordo em juízo, mas é feito um acordo extrajudicial. Logo, pelo fato de se interpretar a transação de forma restrita, quita-se apenas o que foi pago.(Comentários à CLT, Ed. Atlas, 11ª edição, fl. 679).

Destarte, como constou expressamente no ajuste que a quantia paga, no montante de R$ 36.955,57 (trinta e seis mil, novecentos e cinqüenta e cinco reais e cinqüenta e sete centavos) correspondia a horas extras e desvio de função, sem que houvesse expressamente a discriminação dos respectivos valores, nada impede que o autor postule em juízo parcelas não quitadas ou pagas em valores inferiores aos devidos. Mantém-se a sentença, no aspecto.

Os arestos transcritos nas razões do Recurso de Revista às fls. 1315/1317 dos autos físicos, pp. 534/536 do eSIJ, e renovados no Agravo de Instrumento às fls. 1416/1418 dos autos físicos, 682/684 do eSIJ, autorizam o processamento do Recurso de Revista, na medida em que abrigam tese divergente da esposada pelo Tribunal Regional, no sentido de que o termo de conciliação firmado perante a Comissão de Conciliação Prévia possui eficácia liberatória geral, exceto em relação às parcelas expressamente ressalvadas. Com esses fundamentos, dou provimento ao Agravo de

Instrumento.

Encontrando-se os autos suficientemente instruídos, proponho, com apoio no artigo 897, § 7º, da Consolidação das Leis do Trabalho (Lei nº 9.756/98), o julgamento do recurso na primeira sessão ordinária subsequente à publicação da certidão de julgamento do presente agravo, reautuando-o como Recurso de Revista, observando-se daí em diante o procedimento relativo a este último.

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PROCESSO Nº TST-ARR-132500-26.2009.5.20.0004

RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELO BANCO DO BRASIL I - CONHECIMENTO

1 - PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS DE ADMISSIBILIDADE

RECURSAL.

O recurso é tempestivo (acórdão publicado em 5/12/2010, quarta-feira, conforme certidão lavrada à fl. 1274 dos autos

físicos, p. 462 do eSIJ, e razões recursais protocolizadas em 18/1/2011,

à fl. 1306 dos autos físicos, p. 525 do eSIJ). O depósito recursal foi

efetuado no valor legal (fl. 1330 dos autos físicos, p. 549 doe SIJ) e as custas, recolhidas (fl. 1146 dos autos físicos, p. 312 do eSIJ). O reclamado está regularmente representado nos autos, consoante procuração

acostada à fl. 1332 dos autos físicos, p. 551 do eSIJ, e substabelecimento

à fl. 1331 dos autos físicos, p. 550 do eSIJ.

2 - PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS DE ADMISSIBILIDADE

RECURSAL.

PRELIMINAR DE NULIDADE POR NEGATIVA DE PRESTAÇÃO

JURISDICIONAL

Suscita o Banco reclamado, nas razões do Recurso de Revista, a nulidade do julgado por negativa de prestação jurisdicional. Argumenta que o Tribunal Regional, conquanto instado por meio de Embargos de Declaração, não se pronunciou sobre a ausência de ressalva do termo de conciliação firmado perante a CCP, a existência de julgamento extra petita, uma vez que o Juízo de primeiro grau deferiu ao reclamante o pagamento de anuênios, sem haver pedido correspondente. Aponta violação dos artigos 5º, II e LIV, e 93, IX, da Constituição da República, 832 da Consolidação das Leis do Trabalho e 458, II, do Código de Processo Civil.

Consignou a Corte de origem que constou expressamente, no ajuste que a quantia paga, no montante de R$ 36.955,57 (trinta e seis mil, novecentos e cinqüenta e cinco reais e cinqüenta e sete centavos) correspondia a horas extras e desvio de função, sem que houvesse expressamente a discriminação dos respectivos valores, nada impede que o autor postule em juízo parcelas não quitadas ou pagas em

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PROCESSO Nº TST-ARR-132500-26.2009.5.20.0004

valores inferiores aos devidos” (fl. 1225-verso dos autos físicos, p. 388 do eSIJ).

Em sede de Embargos de Declaração, a Corte de origem limitou-se a transcrever seu pronunciamento anterior. Verifica-se que a questão relativa ao termo de conciliação foi expressamente enfrentada pela Corte de origem que adotou como razão de decidir o entendimento de que o acordo firmado perante a Comissão de Conciliação Prévia não confere quitação geral do contrato de emprego, podendo o trabalhador reclamar em juízo tanto as parcelas não discriminadas no acordo quanto as quitadas em valor inferior ao efetivamente devido, no particular. Desse modo, não se cogita de negativa de prestação

jurisdicional.

Relativamente ao suposto julgamento extra petita cometido pelo Tribunal Regional, verifica-se que o Banco reclamado não veiculou tal matéria nas razões dos Embargos de Declaração interpostos às fls. 1238/1241 dos autos físicos, pp. 408/412 do eSIJ. Desse modo, não era de se esperar pronunciamento da Corte de origem no julgamento dos declaratórios. Nesse contexto, não há como caracterizar recusa do Tribunal Regional em examinar as questões oportunamente suscitadas pela parte, tampouco negativa de prestação jurisdicional. A prestação jurisdicional foi outorgada, revelando-se a motivação respectiva em termos claros e suficientes, de molde que permitisse o prosseguimento da discussão na via recursal extraordinária. Incólumes, portanto, os artigos 93, IX, da Constituição da República e 832 da Consolidação das Leis do Trabalho, visto que houve efetiva entrega da prestação jurisdicional, ainda que de maneira contrária aos interesses da reclamada.

Com esses fundamentos, não conheço do Recurso de

Revista.

QUITAÇÃO. ACORDO FIRMADO PERANTE A COMISSÃO DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA. Manteve a Corte de origem o entendimento de que o acordo firmado entre as partes perante a Comissão de Conciliação Prévia

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PROCESSO Nº TST-ARR-132500-26.2009.5.20.0004

não obsta o pleito de pagamento de parcelas não discriminados do referido acordo. Assim decidiu às fls. 1225/1225-verso dos autos físicos, pp. 387/388 do eSIJ:

Pleiteia o Banco recorrido a reforma do julgado quanto a não eficácia liberatória do acordo firmado perante a Comissão de Conciliação Prévia. Em análise. O Juízo a quo não negou a validade do pagamento efetuado perante a

CCP,

330, abaixo

transcrita:

SUM-330 QUITAÇÃO. VALIDADE (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 2 1 . 1 1 . 2 0 0 3 A quitação passada pelo empregado, com assistência de entidade sindical de sua categoria, ao empregador, com observância dos requisitos exigidos nos parágrafos do art. 477 da CLT, tem eficácia liberatória em relação às parcelas expressamente consignadas

no recibo, salvo se oposta ressalva expressa e especificada ao

valor dado à parcela ou parcelas impugnadas. I - A quitação não abrange parcelas não consignadas no recibo de quitação e, conseqüentemente, seus reflexos em outras parcelas, ainda que estas constem desse r e c i b o . II - Quanto a direitos que deveriam ter sido satisfeitos durante a vigência do contrato de trabalho, a quitação é válida em relação ao período expressamente consignado no recibo de quitação.

Sérgio Pinto Martins, ao analisar o disposto no art. 625-E consolidado, leciona que:

Despicienda a assertiva de que há ato jurídico perfeito em relação ao contrato de trabalho em razão da eficácia liberatória do termo de conciliação, pois o pagamento feito quita apenas

)

Haveria, entretanto, coisa julgada se

o termo de conciliação fosse homologado em juízo, que

produziria, portanto, efeitos liberatórios; mas isso não ocorre em relação ao termo de conciliação celebrado perante a Comissão, pois não envolve processo, nem é feito na Justiça do

conforme

entendimento do C.TST, consubstanciado na Súmula n º

apenas

não

aceita

a

quitação

geral

daquelas

verbas,

aquilo que foi saldado. (

Trabalho. Dessa forma, se a parcela não tiver sido objeto de homologação, ou o pagamento for inferior ao devido, poderá haver reivindicação judicial do que não tiver sido recebido. A transação interpreta-se restritivamente (art. 843 do Código Civil), assim como os negócios jurídicos benéficos

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PROCESSO Nº TST-ARR-132500-26.2009.5.20.0004

interpretam-se estritamente (art. 114 do CC). Não pode, inclusive, a transação produzir os efeitos de coisa julgada, em razão de que não se está homologando acordo em juízo, mas é feito um acordo extrajudicial. Logo, pelo fato de se interpretar a transação de forma restrita, quita-se apenas o que foi pago.(Comentários à CLT, Ed. Atlas, 11ª edição, fl. 679).

Destarte, como constou expressamente no ajuste que a quantia paga, no montante de R$ 36.955,57 (trinta e seis mil, novecentos e cinqüenta e cinco reais e cinqüenta e sete centavos) correspondia a horas extras e desvio de função, sem que houvesse expressamente a discriminação dos respectivos valores, nada impede que o autor postule em juízo parcelas não quitadas ou pagas em valores inferiores aos devidos. Mantém-se a sentença, no aspecto.

Sustenta o Banco reclamado, em suas razões do Recurso de Revista. Alega que o termo de conciliação foi firmado pelo reclamante perante a Comissão de Conciliação Prévia sem nenhuma ressalva, o que gera

a quitação geral do contrato de emprego. Aponta violação dos artigos 7º, XXVI e XXII, da Constituição da República e 625-A a E, da CLT e por divergência jurisprudencial. Ao exame. Os arestos transcritos às fls. 1315/1317 dos autos físicos, pp. 534/536 do eSIJ, autorizam o conhecimento do Recurso de Revista, na medida em que abrigam tese divergente da esposada pelo Tribunal Regional, no sentido de que o termo de conciliação firmado perante a Comissão de Conciliação Prévia possui eficácia liberatória geral, exceto em relação às parcelas expressamente ressalvadas. Com esses fundamentos, conheço do Recurso de Revista.

II - MÉRITO QUITAÇÃO. ACORDO FIRMADO PERANTE A COMISSÃO DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA.

Cinge-se a controvérsia estabelecida nos autos à definição do alcance da eficácia liberatória do acordo firmado perante

a Comissão de Conciliação Prévia, em face do disposto no parágrafo único do artigo 625-E da CLT.

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PROCESSO Nº TST-ARR-132500-26.2009.5.20.0004

A controvérsia encontra-se superada no âmbito desta colenda Corte superior, uma vez que a egrégia SBDI-I, em sessão destinada à uniformização do entendimento sobre a matéria, realizada em 24/02/2011, com a participação de todos os seus integrantes, posicionou-se, por maioria, no sentido de que o termo de conciliação firmado perante a Comissão de Conciliação Prévia, sem aposição de ressalvas, reveste-se de eficácia liberatória geral quanto às parcelas oriundas do contrato de emprego extinto. O acórdão prolatado na ocasião encontra-se assim ementado:

RECURSO DE EMBARGOS REGIDO PELA LEI N.º 11.496/2007. DECISÃO DA TURMA DO TST QUE NÃO RECONHECEU A EFICÁCIA LIBERATÓRIA GERAL DO TERMO DE CONCILIAÇÃO FIRMADO PERANTE A COMISSÃO DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA. ART. 625-E DA CLT. INEXISTÊNCIA DE RESSALVA. ENTENDIMENTO PREDOMINANTE DESTA SBDI-1 SOBRE A VALIDADE DA QUITAÇÃO. Aplicação do entendimento atual e majoritário desta SBDI-1 no sentido de que, havendo submissão da demanda à conciliação perante a Comissão de Conciliação Prévia, e em ocorrendo acordo com o empregador, o termo de conciliação tem eficácia liberatória, exceto em relação às parcelas expressamente ressalvadas, a teor do disposto no art. 625-E da CLT. Hipótese em que o termo de acordo não contém qualquer ressalva quanto aos títulos reclamados nesta ação, concedendo quitação plena. Ressalva do entendimento pessoal deste relator. Recurso de embargos conhecido e provido. (E-RR-45700-44.2007.5.01.0052, Relator: Juiz Convocado Flávio Portinho Sirângelo, data de publicação: DEJT 10/03/2011).

No

mesmo

sentido

colhem-se

os

pronunciamentos da egrégia SBDI-I:

seguintes

EMBARGOS DECLARATÓRIOS. RECURSO DE EMBARGOS INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 11.496/2007. COMISSÃO DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA. TERMO DE ACORDO. EFICÁCIA LIBERATÓRIA. ART. 5º, XXXV, DA CONSTITUIÇÃO DA

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PROCESSO Nº TST-ARR-132500-26.2009.5.20.0004

REPÚBLICA. Conforme decidido no acórdão embargado, pacificou-se o entendimento desta e. Subseção de que o termo firmado por força de acordo celebrado perante a Comissão de Conciliação Prévia, por meio do qual o empregado dá quitação do extinto contrato de trabalho, possui eficácia liberatória geral, com força de título executivo. Nesse sentido, garantida a estabilidade da extinta relação jurídica porque configurado o ato jurídico perfeito com a aquiescência do empregado na quitação do contrato de trabalho, não há que se falar em ofensa ao princípio da inafastabilidade da tutela jurisdicional previsto no art. 5º, XXXV, da Constituição da República, que pressupõe lesão ou ameaça a direito. Ressalva de entendimento deste Relator. Embargos declaratórios conhecidos e providos apenas para prestar esclarecimentos. (ED-E-RR - 56340-73.2005.5.03.0003 , Relator Ministro:

Alexandre de Souza Agra Belmonte, Data de Julgamento: 18/06/2015, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Data de Publicação:

DEJT 30/06/2015).

RECURSO DE EMBARGOS INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DA LEI N.º 11.496/2007. QUITAÇÃO. ACORDO FIRMADO PERANTE A COMISSÃO DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA. 1. A colenda SBDI-I deste Tribunal Superior do Trabalho, em sessão realizada com a presença da totalidade de seus integrantes, consagrou entendimento no sentido de que "não há como limitar os efeitos liberatórios do termo de conciliação firmado perante a comissão de conciliação prévia quando não há nele qualquer ressalva expressa, sob pena de se negar vigência a dispositivo de lei (CLT, artigo 625-E, parágrafo único)" (E-RR-17400-43.2006.5.01.0073, Rel. Min. Aloysio Corrêa da Veiga, DEJT de 17/05/2013). 2. Dessa forma, o termo de conciliação lavrado no âmbito da respectiva comissão de conciliação prévia, regularmente constituída, sem notícia de vício de consentimento, tem eficácia liberatória geral, excetuando-se apenas as parcelas ressalvadas expressamente. 3. Recurso de embargos conhecido e provido. (E-RR - 190440-40.2004.5.15.0043 , Relator Ministro: Lelio Bentes Corrêa, Data de Julgamento: 21/05/2015, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Data de Publicação: DEJT 29/05/2015).

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PROCESSO Nº TST-ARR-132500-26.2009.5.20.0004

COMISSÃO DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA. TERMO DE CONCILIAÇÃO. EFICÁCIA LIBERATÓRIA. Segundo o art. 625-E da CLT e a jurisprudência desta Corte, o termo de conciliação firmado perante a Comissão de Conciliação Prévia terá eficácia liberatória geral, exceto quanto às parcelas expressamente ressalvadas. Recurso de Embargos de que se conhece e a que se nega provimento. (E-ED-RR - 275800-26.2003.5.02.0079, Relator Ministro: João Batista Brito Pereira, Data de Julgamento: 16/04/2015, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Data de Publicação: DEJT 29/05/2015).

COMISSÃO DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA - TERMO DE QUITAÇÃO - EFICÁCIA LIBERATÓRIA GERAL - REFLEXOS DAS HORAS EXTRAS E DIFERENÇAS SALARIAIS POR DESVIO DE FUNÇÃO SOBRE A COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. É de se extrair, do artigo 625-E da Consolidação das Leis do Trabalho, que o termo firmado perante a Comissão de Conciliação Prévia, sem qualquer ressalva, tem eficácia liberatória ampla em relação às verbas oriundas do contrato de trabalho, a obstar posterior discussão sobre direito não resguardado expressamente. Entretanto, no que tange aos reflexos das parcelas quitadas sobre a complementação de aposentadoria, o entendimento do TST tem sido no sentido de que não estarem abarcados pela eficácia liberatória do acordo encetado na CCP, porquanto tal parcela não é trabalhista, embora decorrente do contrato de trabalho. Precedentes da SBDI1. Recurso de embargos conhecido e desprovido. (TST-E-RR-568300-86.2009.5.09.0673, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Relator Ministro Renato de Lacerda Paiva, publicado no DEJT em 02/02/2015).

Conquanto guarde respeitosa ressalva em relação ao entendimento sufragado pela maioria dos integrantes da SBDI-I, cumpre-me dar-lhe aplicação, em homenagem ao caráter uniformizador da jurisprudência reconhecido aos pronunciamentos daquele Órgão judicante. Frise-se, por fim, que esta egrégia Primeira Turma já teve a oportunidade de se pronunciar nesse exato sentido, quando do julgamento do

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PROCESSO Nº TST-ARR-132500-26.2009.5.20.0004

RR-121000-92.2006.5.01.0263, cujo acórdão, da lavra do eminente Ministro Vieira de Mello Filho, foi publicado no DeJT de 30/9/2011:

RECURSO DE REVISTA - COMISSÃO DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA - TERMO DE CONCILIAÇÃO - QUITAÇÃO - EFICÁCIA LIBERATÓRIA GERAL. Ressalvado o entendimento pessoal deste Relator, a SBDI-1 do TST decidiu que o termo de conciliação firmado perante a Comissão de Conciliação Prévia CCP tem eficácia liberatória geral, exceto se houver ressalva expressa e específica quanto a determinadas parcelas (art. 625-E, parágrafo único, da CLT). Assim, quando o termo de conciliação consubstancia a quitação de determinadas parcelas e do contrato de trabalho, o empregado não pode reclamar perante o Poder Judiciário diferenças resultantes dos títulos que tenham sido objeto do termo de conciliação, porquanto este constitui ato jurídico perfeito, com força de título executivo. Recurso de Revista conhecido e provido.

No mesmo sentido, cumpre destacar os seguintes precedentes da 1ª Turma: AIRR - 2352-02.2011.5.02.0086, Relator Desembargador Convocado: Alexandre Teixeira de Freitas Bastos Cunha, DEJT 15/05/2015; RR - 1287-72.2012.5.12.0016 , Relator Ministro: Lelio Bentes Corrêa, DEJT 31/03/2015; RR - 106000-90.2007.5.06.0291, Relator Ministro: Walmir Oliveira da Costa, DEJT 20/03/2015; RR - 103-57.2012.5.01.0511, Relator Ministro: Hugo Carlos Scheuermann, DEJT

26/09/2014.

Conclui-se, portanto, que a decisão recorrida, ao deixar de reconhecer eficácia liberatória geral ao acordo firmado perante a Comissão de Conciliação Prévia, sem ressalvas no termo respectivo quanto a quaisquer parcelas oriundas do contrato extinto, acabou por violar o disposto no parágrafo único do artigo 625-E da CLT. Ante o exposto, dou provimento ao Recurso de Revista para, reconhecendo a quitação geral do contrato de emprego, julgar improcedentes os pedidos deduzidos na petição inicial, ressalvado o entendimento pessoal do Relator.

RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELO RECLAMANTE

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PROCESSO Nº TST-ARR-132500-26.2009.5.20.0004

RECURSAL

I - CONHECIMENTO

1

- PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS DE ADMISSIBILIDADE

O

recurso é tempestivo (acórdão publicado

em

15/12/2010, quarta-feira, conforme certidão lavrada à fl. 1274 dos autos

físicos, p. 462 do eSIJ, e razões recursais protocolizadas em 17/12/2010, à fl. 1275 dos autos físicos, p. 464 do eSIJ). Custas pagas pelos reclamados. O reclamante está regularmente representado nos autos, consoante procuração acostada à fl. 44 dos autos físicos, p. 46 do eSIJ,

e substabelecimento à fl. 45 dos autos físicos, p. 47 do eSIJ.

2 - PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS DE ADMISSIBILIDADE

RECURSAL

HORAS EXTRAS. INTEGRAÇÃO DO AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO AO SALÁRIO. INDENIZAÇÃO E 40% DO FGTS E AVISO PRÉVIO EM FACE DA NULIDADE DAS CLÁUSULAS DO PLANO DE AFASTAMENTO ANTECIPADO (PAA). EXISTÊNCIA DE ACORDO FIRMADO SEM RESSALVAS PERANTE A COMISSÃO DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA. Pretende o reclamante, por meio do presente Recurso de Revista, a condenação dos reclamados ao pagamento das parcelas em epígrafe.

Resulta prejudicado, contudo, o exame do presente recurso, em face do provimento dado ao Recurso de Revista interposto pelo Banco do Brasil para, reconhecendo a quitação ampla do contrato de emprego em face do acordo firmado perante a CCP, excluir da condenação o pagamento das parcelas trabalhistas deferidas pelas instâncias ordinárias. Ante o exposto, não conheço do Recurso de Revista, porque prejudicado.

DIFERENÇAS DE COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. O Tribunal Regional examinou recursos de ambas as partes. Manteve a improcedência do pedido de integração do auxílio-alimentação e da licença prêmio da base de cálculo da

complementação de aposentadoria e excluiu da referida base as parcelas deferidas pelo Juízo de Primeiro grau. Assim decidiu a Corte de origem

à fl. 1223-verso dos autos físicos, p. 384 do eSIJ:

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fls.22

PROCESSO Nº TST-ARR-132500-26.2009.5.20.0004

Insurge-se o Recorrente quanto à não integração das verbas auxílio-alimentação e licença prêmio para a complementação de aposentadoria. Afirma que são diversos entendimentos nesse sentido, inclusive no

TST.

À análise. O auxílio-cesta alimentação não foi reconhecido, como de natureza salarial, sendo indevida a diferença de complementação decorrente da integração do mencionado auxílio. No que se refere à licença-prêmio, está excluída da base de cálculo da aposentadoria do autor por expressa disposição nos parágrafo 1º, 2º e 3º, do artigo 28, do Regulamento do Plano de Benefícios, que tratam da composição da base mensal de incidência das contribuições do participante à PREVI. Desse modo, as referidas verbas, não fazem parte da composição do salário-contribuição, não havendo que se falar em complementação da aposentadoria quanto às mesmas. Nada a reformar no julgado, no aspecto.

Relativamente ao recurso patronal, emitiu o seguinte juízo às fls. 1226-verso/1227 dos autos físicos, pp. 390/391 do eSIJ:

Pretende o recorrente a reforma do decisum que deferiu a integração de parcelas e pagamento de diferenças de complementação de aposentadoria, ao argumento de que esta se constitui em plus decorrente de acordo contratual, devendo ser rigidamente observados todos os parâmetros estabelecidos nos instrumentos adunados aos autos. No que se refere às horas extras, a Orientação Jurisprudencial da SDI-I do TST, item I, dispõe: “Complementação de Aposentadoria. Banco do Brasil. Inserida em 29.03.96 (nova redação em decorrência da incorporação das Orientações Jurisprudenciais nºs 19, 20, 21, 136 e 289 da

SDI-1).

I - As horas extras não integram o cálculo da complementação de aposentadoria; (ex-OJ nº 18 da SDI-1 - inserida em 29.03.96”. No que se refere aos abonos, licença-prêmio e gratificações semestrais, estão excluídas da base de cálculo da aposentadoria do autor por expressa disposição nos parágrafos 1º, 2º e 3º, do artigo 28, do Regulamento do Plano

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PROCESSO Nº TST-ARR-132500-26.2009.5.20.0004

de Benefícios, que tratam da composição da base mensal de incidência das contribuições do participante à PREVI. Não fazem, as referidas verbas, parte da composição do salário-contribuição, não havendo que se falar em complementação da aposentadoria quanto às mesmas. Reforma-se a sentença, no aspecto.

Sustenta o reclamante, em suas razões de Recurso de Revista, que as parcelas de natureza salarial, pagas com habitualidade, devem compor a base de cálculo da complementação de aposentadoria, no caso, horas extras, auxílio cesta-alimentação, adicional por tempo de serviço (anuênios), abonos, licença prêmio e gratificação semestral. Alega que o estatuto de 1967 não excluiu do referido cálculo as gratificações semestrais, o abono e as horas extras. Aponta contrariedade às Súmulas de n.º s 51 e 288 do Tribunal Superior do Trabalho e transcreve aresto para confronto de teses. Ao exame. As teses consagradas nas Súmulas de n.º s 51 e 288 desta Corte superior orientam soluções de controvérsias oriundas de alteração das normas regulamentares.

O Tribunal Regional, contudo, não se pronunciou acerca

de alteração de norma regulamentar, tampouco foi instado a fazê-lo mediante Embargos de Declaração, o que inviabiliza a revisão do julgado

sob tal prisma, ante a ausência do indispensável prequestionamento e, por conseguinte, incidência do óbice consagrado na Súmula n.º 297 desta Corte superior.

O aresto transcrito às fls. 1285-verso/1286-verso dos

autos físicos, pp. 485/487 do eSIJ, é inespecífico, pois retrata hipótese que tem como peculiaridade o reconhecimento, por confissão do empregador, que as horas extras foram consideradas para apuração da complementação de aposentadoria, ao passo que, no caso concreto, não existe essa peculiaridade. Limitou-se a Corte de origem a aplicar o entendimento consagrado na Orientação Jurisprudencial n.º 18 da SBDI-I do Tribunal Superior do Trabalho sem, contudo, esclarecer se havia alguma peculiaridade que permitisse afastar a aplicação da tese consagrada no referido verbete. Hipótese de incidência da Súmula n.º 296, I, desta Corte superior.

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PROCESSO Nº TST-ARR-132500-26.2009.5.20.0004

Ante o exposto, não conheço do Recurso de Revista.

HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Manteve a Corte de origem a improcedência do pedido de pagamento dos honorários advocatícios, sob o entendimento de que “na seara trabalhista “não é cabível o pagamento de honorários advocatícios além das hipóteses previstas na Lei 5.584/70 e nas Súmulas 219 e 329 do TST" (fl. 1224 dos autos físicos, p. 385 do eSIJ). Sustenta o reclamante, em suas razões de Recurso de Revista, que os honorários advocatícios são devidos por força do disposto no artigo 133 da Constituição da República. Ao exame. Resulta prejudicado, contudo, o exame do presente recurso, em face do provimento dado ao Recurso de Revista interposto pelo Banco do Brasil, que implicou a improcedência de todos os pedidos veiculados na petição inicial e, por conseguinte, na sucumbência total do reclamante.

Ante o exposto, não conheço do Recurso de Revista, porque prejudicado.

ISTO POSTO

ACORDAM os Ministros da Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, por unanimidade, I) negar provimento ao Agravo de Instrumento interposto pela PREVI; II) dar provimento ao Agravo de Instrumento interposto pelo Banco do Brasil para determinar o processamento do Recurso de Revista. Acordam, ainda, por unanimidade, julgando o Recurso de Revista empresarial, nos termos do artigo 897, § 7º, da CLT, dele conhecer no tocante aos efeitos do acordo firmado perante a CCP, por divergência jurisprudencial, e, no mérito, dar-lhe provimento para, reconhecendo a quitação geral do contrato de emprego, julgar improcedentes os pedidos deduzidos na petição inicial, ressalvado o entendimento pessoal do Relator. Inverte-se o ônus da sucumbência, ficando o reclamante isento do pagamento das custas; III) não conhecer do Recurso de Revista interposto pelo reclamante. Brasília, 06 de abril de 2016.

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PROCESSO Nº TST-ARR-132500-26.2009.5.20.0004

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MARCELO LAMEGO PERTENCE

Desembargador Convocado Relator

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