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Ricardo Resende – Direito do Trabalho – Aulas 22 a 27

Material escrito referente às vídeo-aulas do tema

CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO E FONTES DO DIREITO DO TRABALHO

Marcador: Aula 22

1. INTRODUÇÃO
Conceito de Trabalho:

Na sociedade contemporânea, trabalho passou a designar toda forma de dispêndio de energia (física ou
intelectual) pelo homem, com a finalidade de produzir bens ou serviços.

Conceito de Direito do Trabalho:

É o ramo da ciência jurídica que estuda as relações jurídicas entre trabalhadores e os tomadores de seus
serviços e, essencialmente, entre empregados e empregadores.

Marcador: Aula 23

Principal característica do Direito do Trabalho:

Proteção do trabalhador hipossuficiente.

Autonomia e divisão:

- o Direito do Trabalho é ciência autônoma em relação ao direito comum

- subdivide-se em Direito Individual do Trabalho e Direito Coletivo do Trabalho

Breve histórico do Direito do Trabalho:

1ª fase: desenvolvimento, a partir do século XIX;

2ª fase: Estado de Bem-Estar Social; intensa atividade legislativa protetiva do trabalhador; 2ª dimensão
dos direitos fundamentais;

3ª fase (atual): crise do Direito do Trabalho; consolidação da globalização econômica; fuga de capitais e
crise do emprego; tendência à flexibilização/desregulamentação; CRFB/1988 e a consagração dos
direitos sociais.

Flexibilização vs. Desregulamentação

- flexibilização: intervenção estatal apenas para garantir o mínimo existencial;

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- desregulamentação: fim da intervenção estatal; livre estipulação contratual pelas partes; leis do
mercado.

Reflexão para o curso:

“Entre o forte e o fraco, entre o rico e o pobre, entre o patrão e o operário, é a liberdade que oprime e
a lei que liberta.” (Abade Lacordaire)

Marcador: Aula 24

2 – FONTES DO DIREITO DO TRABALHO

Conceito:

Origem das normas jurídicas.

Classificação:

- Fontes materiais

- Fontes formais - autônomas

- heterônomas

Fontes materiais são aquelas que representam o momento pré-jurídico, isto é, o conjunto de fatores
econômicos, políticos, sociológicos e filosóficos que levam à formação (e à alteração) do direito positivo
de um Estado. Exemplo: as reivindicações dos trabalhadores por melhores condições de trabalho.

Fontes formais, por sua vez, são aquelas que sucedem logicamente as fontes materiais, representando
o momento jurídico, através da exteriorização das normas jurídicas. A fonte formal pressupõe a
existência do chamado ato-regra, isto é, o ato dotado de generalidade (dirigido a todos a todos,
indistintamente), abstração (não incide sobre situação específica, mas sim sobre uma hipótese),
impessoalidade (não se destina a um único indivíduo, mas sim à coletividade) e imperatividade
(investido de caráter coercitivo). Exemplo: lei.

Subclassificação das fontes formais:

- autônomas: derivam dos próprios destinatários da norma (ex.: convenção coletiva de trabalho)

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- heterônomas: derivam da atuação de terceiro estranho à relação de emprego como, por exemplo, o
legislador.

Esquematicamente, teríamos:

• Fontes materiais => momento pré-jurídico; contexto social que dá origem às normas
• Fontes formais => momento jurídico; direito positivo
- Autônomas => formadas pela participação direta dos destinatários da norma
- Heterônomas => formadas pela intervenção de terceiro, normalmente o Estado

Quais são as fontes formais do Direito do Trabalho?

- Leis, em geral;

- Decretos;

- Portarias, instruções normativas e outros atos do Poder Executivo

- em princípio não são fontes formais;

- se dotadas da função de criar obrigações por força da própria lei ou de seu decreto
regulamentador, podem ser consideradas fontes formais (ex.: Portaria nº 3.412/1978, do MTE, que
aprova as Normas Regulamentadoras – NR);

- em recente concurso para Analista do TRT da 1ª Região (2008), o Cespe considerou como
correta a seguinte assertiva: “portarias, sentenças normativas e convenções internacionais são fontes
heterônomas do direito do trabalho”.

- Tratados e convenções internacionais

- São fontes formais do direito desde que ratificados pelo Brasil

- Recomendações da OIT => fonte material

- Sentenças normativas

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Marcador: Aula 25

- Convenções coletivas de trabalho e acordos coletivos de trabalho

- Usos e costumes

- diferença entre usos e costumes;

- doutrina majoritária: são fontes do Direito do Trabalho

A FCC, entretanto, tem se inclinado no sentido de que o costume não é fonte formal, e sim fonte
material do Direito do Trabalho, mas a própria banca tem questões divergentes! Vejamos algumas
questões:

(Analista – Área Administrativa – TRT da 21ª Região – FCC – 2003)

65. É fonte formal do Direito do Trabalho

(A) a jurisprudência.

(B) a eqüidade.

(C) a analogia.

(D)) a convenção coletiva.

(E) o costume.

Gabarito oficial: letra “D”, considerando, portanto, que o costume não é fonte formal do Direito do Trabalho.

(ADVOGADO – MUNICÍPIO DE SANTOS – FCC – 2006)

44 – Com relação às fontes do Direito do Trabalho, é correto afirmar que

(A) os acordos coletivos são os pactos firmados entre dois ou mais sindicatos estando de um lado o
sindicato patronal e do outro o sindicato dos trabalhadores.

(B) as convenções coletivas de trabalho são pactos celebrados entre uma ou mais pessoas de uma
empresa e o sindicato da categoria profissional a respeito de condições de trabalho.

(C) os usos e costumes, bem como as disposições contratuais em um contrato de trabalho não podem
ser consideradas como fontes do Direito do Trabalho.

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(D) a sentença normativa em dissídio coletivo terá efeito erga omnes, valendo para todas as pessoas
integrantes das categorias econômica e profissional envolvidas no dissídio coletivo.

(E) a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirá, conforme o caso, pela
jurisprudência e pelos princípios e normas do direito do trabalho, sendo vedado o uso da analogia e da
eqüidade.

Gabarito oficial: letra “D”.

Se a banca considerou a letra “C” incorreta, e como sabemos que as cláusulas contratuais realmente
não são fontes do direito (por lhes faltar as características de generalidade, abstração e
impessoalidade), logo também devemos concluir que a banca entende que os “usos e costumes”
podem ser considerados fontes do Direito do Trabalho.

Nesta outra questão, parece-nos que a FCC considera os “usos e costumes” como fonte material, senão
vejamos:

(ANALISTA – ÁREA ADMINISTRATIVA – TRT24 – FCC – 2006)

55 – Com relação às fontes do Direito do Trabalho, é certo que

(A) o direito comum não será fonte subsidiária do direito do trabalho, em razão da incompatibilidade
com os princípios fundamentais deste.

(B) os usos e costumes são uma importante fonte do Direito do Trabalho sendo que, muitas vezes, da
sua reiterada aplicação pela sociedade, é que se origina a norma legal.

(C) é defeso, como regra, as autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições
legais ou contratuais, decidirem, conforme o caso, por eqüidade.

(D) é defeso, como regra, as autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições
legais ou contratuais, decidirem, conforme o caso, por analogia.

(E) o interesse de classe ou particular deve prevalecer sobre o interesse público, em razão da natureza
humanitária inerente da relação própria de emprego.

Gabarito oficial: letra “B”.

(Analista – Área Judiciária – TRT da 7ª Região – FCC – 2003)

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67- Sobre as fontes do Direito do Trabalho, aponte a opção correta.

a) As greves e os movimentos sociais organizados pelos trabalhadores representam as fontes formais


do Direito do Trabalho.

b) As convenções coletivas de trabalho, firmadas por sindicatos patronais e profissionais, qualificam-se


como fontes heterônomas do Direito do Trabalho.

c) As leis representam as fontes autônomas por excelência do Direito do Trabalho.

d) O regulamento de empresa, elaborado sem qualquer participação do sindicato profissional


correspondente, classifica-se como fonte autônoma do Direito do Trabalho.

e) Os costumes, práticas reiteradas de determinadas condutas, reconhecidas como consentâneas com


os deveres jurídicos impostos ao corpo social, representam uma das fontes formais do Direito do
Trabalho.

Gabarito oficial: letra “E”.

O Cespe, por sua vez, parece considerar os “usos e costumes” como fontes formais do Direito do
Trabalho. Neste sentido, a recente questão:

(Assessor Jurídico – Prefeitura de Natal/RN – Cespe – 2008)

96 - Assinale a opção correta acerca das fontes do direito do trabalho.

A A CF, as leis e a convenção coletiva são as únicas fontes do direito do trabalho.

B Os demais ramos do direito não podem servir como fontes subsidiárias do direito do trabalho.

C Os usos e costumes são fontes do direito do trabalho, pois a prática habitual, quando não haja lei que a
discipline, cria norma jurídica.

D O direito comparado não pode ser aplicado no âmbito trabalhista, mesmo quando a lei nacional for
omissa e não for possível utilizar outros meios de integração do direito.

Gabarito oficial: letra “C”.

Marcador: Aula 26

- Laudo arbitral

- corrente majoritária: fonte formal heterônoma

- Regulamento empresarial

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- entendimento majoritário (doutrina/jurisprudência): não é fonte do Direito do Trabalho – tendo
em vista a unilateralidade quanto à formação

- O Cespe, entretanto, tem considerado, em diversas provas recentes, o regulamento


empresarial como fonte formal! Se é fonte formal, é autônoma, pois emanada de um dos sujeitos do
contrato de trabalho.

- Jurisprudência

- Em princípio não é fonte de direito;

- outra tese: é fonte do direito quando reiterada (p. ex., Súmulas do TST);

- súmula vinculante: fonte formal, pois é ato-regra.

Foram consideradas corretas, em concursos anteriores, as seguintes assertivas:

(Juiz do Trabalho – 1ª Região – 2006) “A jurisprudência, embora não se situe entre as fontes formais, pode ser incluída na
classificação de fonte informativa ou intelectual, dada a sua importância para o Direito do Trabalho, em particular.”

(Juiz do Trabalho – 5ª Região – Cespe – 2007) “De acordo com a legislação trabalhista vigente, a jurisprudência é
uma fonte de integração da lei.”

No mesmo sentido, foi considerada errada pela Fundec (Analista Judiciário – TRT da 5ª Região – 2003) a
seguinte assertiva: “as leis, a jurisprudência e o costume são fontes formais do Direito”.

- Princípios

- tese positivista: não é fonte, pois os princípios não tem força normativa autônoma;

- tese pós-positivista: é fonte formal, pois os princípios são dotados de força normativa
autônoma.

Marcador: Aula 27

OUTRAS FIGURAS QUE NÃO CONSTITUEM FONTES:

1. Doutrina

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3. Analogia

4. Cláusulas contratuais

HIERARQUIA DAS FONTES NORMATIVAS

O critério geral de hierarquia das normas jurídicas considera sempre que uma norma encontra seu
fundamento de validade em outra hierarquicamente superior, sendo a Constituição o vértice da
pirâmide hierárquica.

Assim, consoante o critério do direito comum, a hierarquia seria a seguinte:

1º) Constituição

2º) Emendas Constitucionais

3º) Leis Complementares, Leis Ordinárias, Leis Delegadas, Medidas Provisórias;

4º) Decretos

5º) Outros atos normativos

Critério trabalhista:

 Apuração flexível da norma mais favorável (independentemente de sua posição na pirâmide


hierárquica tradicional), respeitadas as normas imperativas oriundas do Estado.

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