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Ecotoxicologia Professora Márcia Rodrigues de Sousa Alunos(as): Juliana Magalhães Ilzanila Oliveira Camocim-Ce 2016

Ecotoxicologia

Professora Márcia Rodrigues de Sousa

Alunos(as):

Juliana Magalhães Ilzanila Oliveira

Camocim-Ce

2016

TOXICIDADE EM AMBIENTES AQUÁTICOS A toxicidade é uma propriedade que reflete o potencial de uma substância

TOXICIDADE EM AMBIENTES AQUÁTICOS

A toxicidade é uma propriedade que reflete o potencial de uma substância em causar um efeito danoso a um organismo vivo. Ela depende da concentração e das propriedades da substância química à qual o organismo é exposto e também do tempo de exposição. A ciência que estuda esse efeito nocivo causado por substâncias química sobre organismos vivos é conhecida como toxicologia. A toxicologia é dividida basicamente em toxicologia clínica, forense e ambiental. A toxicologia tem como principais objetivos identificar os riscos associados a uma determinada substância e determinar em quais condições de exposição esses riscos são induzidos. Investiga experimental parâmetros sobre ocorrência, natureza, incidência, mecanismos e fatores de riscos associados a essas substâncias através dos testes de toxicidade. Os testes de toxidades são ensaios laboratoriais, realizados sob condições específicas e controladas, com estimativa de toxidade das substâncias, efluentes industriais e amostras ambientais (água ou sedimentos). Apresenta-se como uma ferramenta desejável para avaliar a qualidade das águas e a carga poluidora de efluentes, uma vez que somentes as análises fisico- quimicas tradicionalmente realizadas, tais como demanda química de oxigênio (DQO), demanda bioquímica de oxigênio (DBO), sólidos suspensos, concentrações de metais e de outras substâncias de caratér orgânico ou inorgânico, cujos limites encontram-se estabelecidos nas legislações ambientais, não são capazes de distinguir entres as substâncias que afetam os sistemas biológicos e as que são inertes no ambiente e, por isso, não são suficientes para avaliar o potencial de risco dos contaminantes. A toxicologia ambiental é uma das mais importantes para sobrevivência humana. A sobrevivência humana depende do bem-estar de outras espécies e da disponibilidade de ar, água, solo e alimentos limpos, além dos efeitos danosos que as substâncias químicas antropogênicas podem causas aos organismos vivos e aos processos biológicos. Baseado nisso, a toxicologia ambiental estuda e se preocupa com o destino dos agentes tóxicos, seus metabólicos e produtos de degradação no ambiente e nas cadeias alimentares e com o efeito desses contaminantes sobre os organismos e as populações. Os contaminantes são emitidos no ar, no solo e principalmente nas águas e estão relacionados aos processos naturais e, principalmente, por atividades humanas. Uma vez no ambiente, os contaminantes podem estar sujeitos a uma combinação de processos que podem afetar seu destino e comportamento. As fontes de contaminação podem ser pontuais e não pontuais. As fontes pontuais (estações de tratamento, efluentes industriais, redes de esgoto doméstico,

derramamento acidentais e mineração) são facilmente detectadas e controladas e, geralmente, resultam em descargas diretas dos

derramamento acidentais e mineração) são facilmente detectadas e controladas e, geralmente, resultam em descargas diretas dos contaminantes nos corpos d’água. Já as fontes não pontuais ( pesticidas no solo) são de difícil controle, variam com o tempo e espaço e podem envolver rotas que resultem na deposição parcial ou total dos contaminantes antes deles atingirem os corpos d’água.

Essas substâncias potencialmente tóxicas podem ser degradadas por processos abióticos e bióticos que ocorrem na natureza. No entanto, algumas delas resistem aos processos de degradação e por isso são capazes de persistirem no ambiente por longos períodos de tempo. A distribuição temporal de um contaminante no ambiente é determinado pelo processo de transporte e transferência de fase das substâncias. No ambiente aquático, encontram-se entre esses processos de transporte a volatilização, deposição úmida, processo de sorção, dissolução, precipitação, sedimentação e ressuspensão. Já nos processos de transformação, no ambiente aquático, estão a hidrólise, fotólise, a complexação e a biodegradação. Na área de ecotoxicologia, décadas de pesquisas e testes com várias substâncias orgânicas têm levado a uma séries de generalizações sobre como a toxicidade aquáticas pode ser reduzida, por meio de modificações das estruturas e das propriedades das substâncias. Para isso, é preciso o contato e que ocorra uma reação entre a substância química e o sítio alvo do organismo, chamada de exposição. Os organismos aquáticos podem ser expostos aos agentes químicos presentes na água, nos sedimentos e nos alimentos. A bioacumulação é um termo mais abrangente que inclui todas as rotas de exposição ao contaminante, inclusive a dieta alimentar. Os efeitos deletérios provocados pela ação dos contaminantes nos organismo propagam pelos demais componentes dos ecossistemas. Esses efeitos podem provocar modificações: nas características e dinâmica das populações (reprodução, migração, restabelecimento e mortalidade), nas estrutura e função das comunidade (alterações na diversidade de espécies, modificações na relação predador- presa) e na função do ecossistema (alterações nos processos de respiração e fotossíntese e no fluxo de nutrientes). Para que os efeitos em escala ambiental pudessem ser preditos a partir dos testes de toxicidade, as informações toxicológicas deveriam ser conectadas a modelos populacionais, o que é uma tarefa extremamente complicada que envolve uma série de restrições, principalmente de custo e tempo. Apesar disso, os testes de toxicidade realizados sob condições controladas e padronizadas vêm servindo como fonte de informações para avaliar os efeitos ecologicos de contaminantes tóxicos.

Um dos objetivos da ecotoxicologia é o desenvolvimento de protocolos de testes de toxicidade que permitam definir limiares permissíveis com níveis de incerteza aceitáveis e que sirvam de guia para as entidades reguladoras para a tomada de decisões. Diversos órgãos de

proteção ambiental ( U.S. EPA, ASTM, OECD, AOAC e ISO) tem se concentrado na elaboração e

proteção ambiental ( U.S. EPA, ASTM, OECD, AOAC e ISO) tem se concentrado na elaboração e implementação de sistemas de diagnóstico. No Brasil, a ABNT e a CETESB tem padronizado testes de toxicidade. Os testes de toxicidade são classificados em agudos e crônicos. Os testes de toxicidade aguda são utilizados para medir os efeitos de agentes tóxicos sobre espécies aquática durante um curto período de tempo em relação ao período de vida do organismo. Os de toxicidade crônica são realizados para medir os efeitos de substâncias químicas sobre espécies aquáticas por um período que pode abranger parte ou todo o ciclo de vida do organismo-teste. Os termos utilizados nos testes seguem parametros como DL 50 , CL 50 , CE 50 , CENO e CEO que definem o grau de toxicidade e o tempo de exposição. A relação entre a concentração de uma substância química à qual é exposto um determinado organismo e o efeito nocivo que lhe é produzido, conhecida como dose-resposta, é um dos aspectos mais importantes da ecotoxicologia aquática. A relação dose-resposta constitui a base fundamental para a avaliaçã do risco gerado pelas substâncias químicas no meio ambiente porque permite quantificar a toxicidade agudas dessas substâncias. A quantificação dos dados é feita através da estatítisca que desempenha um papel importante no planejamento e execução dos testes e na análise e interpretação do resultados obtidos. O método estatístico apropriado para analisar os resultados deve apresentar três características: ser razoavelmente preciso e acurado; ser programável, para que os cálculos possam ser realizados por um computador, e ser suficientemente robusto, o que significa que não deve ser falho quando os dados forem atípicos. Em meio aquático alguns organismos são utilizados para estudo e análise tais como algas, crustáceos, peixes e bactérias. As algas foram um dos organismos escolhidos para os testes, por serem excelentes indicadores de problemas ecológicos e por serem produtores primários dos nutrientes e qualquer alteração no meio ambiente é sentida nesse organismo. Além disso, as algas têm um ciclo de vida curto, proporcionando ao pesquisador uma observação dos efeitos estudados, em várias gerações dessa população. O estudo usa como parâmetro algas livres de agentes tóxicos em comparação a algas na presença de agentes tóxicos, observando seu crescimento e havendo também um controle na temperatura e luz, já que são fatores determinantes no crescimento das algas. Os resultados são obtidos com a comparação da concentração dos agentes tóxicos e também comparados através da velocidade do crescimento da biomassa das algas, obtidas durante um período de três dias de teste. As culturas das algas especiais para os testes são preparadas em laboratório, quando as mesmas sofrem um controle adequado de luz e não sofrem exposição aos corantes e efluentes de

indústrias têxteis, quando estes fatores podem interferir nos testes de toxicidade com algas, modificando certamente o

indústrias têxteis, quando estes fatores podem interferir nos testes de toxicidade com algas, modificando certamente o resultado. Os crustáceos de água doce da Ordem Cladocera e do gênero Daphnia também apresentam vantagens na utilização dos mesmos em testes de toxicidade. São sensíveis aos contaminantes do meio ambiente, estão em muitas cadeias alimentares, tem ciclo de vida curto e, por serem de tamanho muito reduzido, o volume das amostras é pequeno, quando se podem utilizar menores volumes de amostra teste. Outra vantagem é sua reprodução assexuada quando há produção de novas amostras resulta em organismos geneticamente idênticos. Das muitas espécies de Daphnias a mais utilizada é a Daphnia magna, quando já existem muitas informações sobre a mesma como: técnicas de cultivo, requisitos de temperatura, luz e nutrientes e sobre sua resposta a muitas substâncias tóxicas. Outro organismo bastante utilizado em testes é o crustáceo de água salgada Artemia salina e este apresenta a característica de possuir ovos resistentes à secagem e estocagem por longos períodos. E, colocados de volta à água em critérios determinados, eles eclodem prontos para os testes de ecotoxicidade. Os peixes Danio rerio, Pimephales promelas são espécies bastante utilizados em testes de toxicidade, representando os consumidores secundários na cadeia alimentar. Sem dúvida, os testes de toxicidade feitos com bactérias reduzem o tempo de exposição, volume de amostra. Embora seja criticado por utilizar bactéria marinha com pouco significado ecológico é um teste rápido, de baixo custo, de fácil execução, com resultados satisfatórios e ainda pode ser utilizado no controle da poluição das águas e efluentes industriais. No caso dos efluentes industriais, os efeitos resultantes das interações de seus constituintes podem ser classificados em: aditivos, sinérgicos e antagônicos. O efeito é aditivo quando a toxicidade da mistura é igual a soma das toxicidades individuais de seus componentes. Quando a toxicidade é maior que a soma há um efeito sinérgico. E quando menor há um efeito antagônico. Algumas interações interferem na ocorrência desses eventos: quando os constituintes da mistura afetam a mesma função fisiológica; há interação química entre os constituintes da mistura; há absorção, metabolismo, distribuição ou excreção de um constituinte sofrendo alteração provocada pelos demais constituintes da mistura; há uma competição entre os constituintes da mistura pelo mesmo tecido receptor. Na análise de sedimentos diferentes bioensaios e organismos-teste tem sido empregados na avaliação. Esses testes tem sido bastante utilizados, por seres de baixo custo, relativamente simples e podem ser conduzidos com várias espécies. Usado em programas de avaliação e controle de sedimentos dragados para descarte em mares abertos ou águas continentais, de monitoramento de locais contaminados com descargas tóxicas e de triagem de áreas prioritárias.

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Os organismo empregados para os testes de toxicidade em sedimentos são os organismos bentônicos por viverem em contato direto com eles e com as águas intersticiais. A ecotoxicologia é importante para avaliar o potencial de risco ambiental dos contaminantes, uma vez que somente as análise químicas não possibilitam esse tipo de avaliação, já que no ambiente aquático os contaminantes estão sujeitos a diversos processos bióticos e abióticos que não são reproduzidos no laboratório, e os mesmos são imprescindíveis para predizer possíveis efeitos tóxicos dos contaminantes no ambiente.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Texto extraído do artigo COSTA, CR., OLIVI, P., BOTTA, CMR. and ESPINDOLA, ELG. 2008. A toxicidade em ambientes aquáticos: Discussão e métodos de avaliação. Química Nova, vol. 31, no.7, p.1820-1830. http://dx.doi.org/10.1590/S0100-40422008000700038