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FACULDADE DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIAS E ARTES DOM BOSCO.
DE MONTE APRAZÍVEL – FAECA

GABRIEL LUCAS RODRIGUES RUBIO

DA EFETIVIDADE DAS MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS

MONTE APRAZÍVEL
2016

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GABRIEL LUCAS RODRIGUES RUBIO

DA EFETIVIDADE DAS MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à
Faculdade de Educação, Ciências e Artes Dom
Bosco de Monte Aprazível – FAECA, como
requisito parcial para obtenção do título de
Bacharel em Direito.
Orientador: Prof. Dr. Stenio Augusto Vasques
Baldin

MONTE APRAZÍVEL
2016

2

R896

Rubio, Gabriel Lucas Rodrigues.
Da Efetividade das Medidas Socioeducativas/ Gabriel
Lucas Rodrigues Rubio
– 2016.
53p.
Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em
Direito). Faculdade de Educação, Ciências e Artes
Dom Bosco de Monte Aprazível, Monte Aprazível
(SP), 2016.
1.Efetividade. 2.Medidas Socieducativas I.Título.
CDU 301

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GABRIEL LUCAS RODRIGUES RUBIO

DA EFETIVIDADE DAS MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à
Faculdade de Educação, Ciências e Artes Dom
Bosco de Monte Aprazível – FAECA, como
requisito parcial para obtenção do título de
Bacharel em Direito.
Orientador: Prof. Dr. Stenio Augusto Vasques
Baldin

APROVADO EM:

BANCA EXAMINADORA

____________________________________________
Profº. Ms.
Faculdade de Educação, Ciências e Artes Dom Bosco - FAECA.

____________________________________________
Profº. Ms.
Faculdade de Educação, Ciências e Artes Dom Bosco – FAECA.

____________________________________________
Profº. Ms.
Faculdade de Educação, Ciências e Artes Dom Bosco - FAECA.

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DEDICÁTORIA

Dedico esse trabalho a minha querida mãe e
irmã, que sempre me apoiaram e estiveram
presentes nos momentos difíceis, e
incentivaram a minha educação ressaltando
sempre a grande necessidade de uma boa
formação, para que se molde o caráter de
um homem de bem.

forças para caminhar mesmo ferido e consciência para poder aprender e modificar o caminho pelo qual passei melhorando a estrada para os que virão. que me deram forças para continuar. A minha mãe e irmã. por seus esforços. pela dedicação. que são e sempre serão minha família. pelo apoio. pelas lutas que superamos juntos. para que pudéssemos estar sempre um passo à frente nos desafios encontrados na jornada da vida. Aos meus amigos. forte e continuar sempre em frente. . por ter compartilhado seu conhecimento e disponibilizado seu tempo para a construção deste trabalho. Ao professor Stenio Augusto Vasques Baldin. por estarem do meu lado mesmo nos momentos mais difíceis.5 AGRADECIMENTOS A Deus que me deu a capacidade de levantar sempre que caí. silenciosamente dia a dia e me ensinaram que não há escolha melhor a não ser estar bem. mas que sem dúvida estarão sempre presentes com suas colaborações em cada página deste trabalho e por toda minha vida. meu orientador. mesmo com tantos obstáculos a serem superados. E a todos que direta ou indiretamente participaram da minha formação e não foi possível descrever a importância de cada um.

6 "Eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens" Pitágoras .

Cabe ao estado e a sociedade como um todo a orientação destas crianças e adolescentes. Cabe ao Estado reparar o dano causado pela falta de oportunidades e apoio aos que caíram em erro e buscar “alternativas” para garantir o exercício dos direitos fundamentais. Palavras-chave: Efetividade. e garantir a aplicabilidade de políticas públicas que visem especialmente à manutenção do núcleo familiar e respeitar direitos fundamentais. Criança e Adolescente. bem como a responsabilidade do município e do núcleo familiar não deve ser excluído. Medidas Socioeducativas. Evidencia-se assim a necessidade de uma reflexão profunda sobre a forma como são aplicadas as medidas socioeducativas e as reações positivas e negativas que estas geram aos adolescentes. respeitando assim o ordenamento jurídico que visa à integridade intelectual de nossos jovens. garantir que sejam aplicadas medidas de forma mais eficaz ao adolescente infrator que deve ser tratado de maneira digna. lembrando que toda a sociedade tem o dever de garantir a igualdade de direitos e ajudar a recuperação de toda a comunidade para que esta tenha a viva saudável. sem setores destoantes da harmonia na qual a sociedade deve conviver. Ato Infracional. .7 RESUMO O presente estudo busca fazer uma análise acerca das medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente em face do crescente aumento de atos infracionais praticados por jovens na atualidade. Com este estudo. Jovens. Sociedade.

An infraction. With this study. . Keywords: Effectiveness. as well as the responsibility of the municipality and the family unit should not be excluded. Children and Adolescents. ensure more effective measures are applied to the offender teenager who should be treated with dignity. The State repair the damage caused by the lack of opportunities and support for those who have fallen into error and seek "alternatives" to guarantee the exercise of fundamental rights. Youth. It is evident as well the need for a deep reflection on how the educational measures are applied and the positive and negative reactions that they generate to adolescents. and to ensure the applicability of public policies specifically targeting the maintenance of the family unit and respect fundamental rights. Socio-Educational Measures. respecting the legal framework aimed at intellectual integrity of our youth. Society. noting that all society has a duty to ensure equal rights and help the recovery of the entire community to have healthy living without dissonant sectors of harmony in which society should live. It is up to the state and society as a whole orientation of these children and adolescents.8 ABSTRACT This study aims to make an analysis of the socio-educational measures provided for in the Statute of Children and Adolescents in the face of the increasing number of illegal acts committed by young people today.

.................................................. 36 5....3.................. 22 4...................................2............3..... 30 4................................... RESPONSABILIDADE DE CADA UM PERANTE AO ADOLESCENTE .................2 Obrigação de reparar o dano ...............6 Internação em estabelecimento educacional. 39 5.......... 16 3..5 Inserção em regime de semiliberdade........................ incisos I a IV do Estatuto da Criança e Adolescente.3............................................ INTRODUÇÃO ............... DEFINIÇÃO DE ATO INFRACIONAL ................................................................... ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE ....... A SOCIEDADE E A FAMILIA COMO GARANTIDORES DO BEM ESTAR E DOS DIREITOS CONCERNETES A INFANCIA E JUVENTUDE... HISTORICO DAS LEGISLAÇÕES MENORISTAS BRASILEIRAS ........... 41 5................. 101..................................... 20 4... 47 7............. 25 4.................................. .... 17 3............................................................ MEDIDAS EM REGIME DE SEMILIBERDADE E LIBERDADE ASSISTIDA.................. 17 3........................ 30 4................ ................................. ....... 28 4..............7 Qualquer uma das medidas previstas no art...1........ EFETIVO PAPEL DE CADA UM JUNTO AO INFRATOR ......................................... 33 4........................................................................................ 44 6..............................2............................ 11 2............. PERFIL DO INFRATOR ......................1 Advertência ........... 31 4.... O ADOLESCENTE INFRATOR E AS MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS ........................................................... 10 2.3................ O ESTADO.......1......................................................9 SUMÁRIO 1............................. 18 4.1.................................................8 Remissão: ................3............. CONCLUSÃO ...... 32 4.......3................. 52 .. 35 4.. QUANTO A EFETIVIDADE DAS MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS .............3.................................... EFETIVIDADE DAS MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS ........................ BIBLIOGRAFIA PESQUISADA .................................... 31 4...................................................................2..................................... MEDIDAS EM REGIME PRIVATIVO DE LIBERDADE .........................3.....2..................... ............. ESPÉCIES DE MEDIDAS IMPOSTAS AO INFRATOR .........3.................................... EVOLUÇÃO DA LEI ........... 11 2...................... 37 5............................................1....4 Liberdade assistida......3 Prestação de serviços à comunidade........3...........

passando à “condição de sujeito do processo.” (Estatuto da Criança e Adolescente). injustificadamente. “Uma boa rede de atendimento. caso o adolescente que esteja em cumprimento de medida em meio aberto. um bem estruturado programa de Liberdade Assistida ou de Prestação de Serviços à Comunidade é capaz de prevenir a internação.) Podemos verificar no artigo 101 da Lei 8. Ao adotar a doutrina da proteção Integral. para a categoria jurídica. promove o então “menor”. venha a descumprir. Há falha grave no sistema de atendimento em meio aberto e a consequência imediata disso é o inchamento do sistema de privação de liberdade.A. Prevê o Estatuto da Criança e Adolescente dois grupos de medidas: a) Medidas Socioeducativas em meio aberto: advertência. b) Medias Socioeducativas em meio fechado: Semiliberdade e Internação.Medidas Socioeducativas e o Adolescente Autor de Ato Infracional. qualquer imposição estipulado na medida. Observando que no caso de internação deve-se caracterizar pelo artigo 122. tem sido causa de violência e atentados aos . Este.069/1990 – Estatuto da Criança e do Adolescente (E. reparação do dano. (SARAIVA. 112 da mesma lei. Artigo . de decisão política. 114 da mesma lei. prestação de serviços a comunidade e liberdade assistida. por seu turno. apenas se verificada a existência de provas suficientes de autoria e de materialidade de infração. Artigo. reconhecida ao adolescente”. João Batista Costa. INTRODUÇÃO Com o advento do Estatuto da Criança e do Adolescente. surgiu uma nova percepção de responsabilização do adolescente infrator. 2009. havendo outra medida adequada. o infrator poderá ser sujeitado à privação de liberdade. conceituando criança e adolescente. por ausência de investimentos. Conforme o art. que ao adolescente deve-se ser garantido o atendimento por órgãos e institutos do Estado e Município a fim de evitar medidas mais drásticas.). lhe seria aplicada as alternativas de medidas elencadas no art. visto que.10 1. observada a condição especial de pessoa em desenvolvimento. Devemos considerar também o caráter punitivo da medida socioeducativa.C. estabeleceu uma relação de direito e dever. que em seu § 2º diz “Em nenhuma hipótese será aplicada a internação.

por volta do ano de 1549. quanto ausência de uma jurisdição especifica e qualificada para uma área tão delicada. bem como defender a moral e os bons costumes. em homenagem ao magistrado José Candido Albuquerque Mello Mattos que se empenhou em desenvolvê-lo. cuja tarefa era a de evangelização dos habitantes da terra nova. foi desempenhado basicamente pela Igreja Católica. com casos explicitados em lei. Neste Código foi onde instituiu o termo “Menor” para todas as crianças e adolescentes em situação . Conforme o artigo de Gisele Hintze. que até o início do século XX. Artigo. formada por religiosos. evitando a internação como medida rotineira.11 direitos humanos”. assim passando indiretamente a defender os direitos infantojuvenis. (SARAIVA. acrescidas da ausência de profissionais qualificados. pois até então só havia o Código Penal e não se fazia distinção. culpabilidade e responsabilidade das crianças e adolescentes.943-A de 1927.1. João Batista Costa. Ele também contribuiu para a organização do Código de Menores Decreto 17. HISTORICO DAS LEGISLAÇÕES MENORISTAS BRASILEIRAS 2. tanto no acompanhamento e orientação destes internos. Artigo Medidas Socioeducativas e o Adolescente Autor de Ato Infracional. 2. que após muitos debates foi sancionada. a relatos de que em meados do século XVI. João Batista da Costa Saraiva evidencia uma necessidade de aperfeiçoamento dos programas socioeducativos em meio aberto. Código este que veio modificar o entendimento sobre discernimento. Ressaltando que a privação de liberdade deveria ser a exceção. observando as garantias processuais previstas na legislação pertinente. junto ao juizado. utilizando-a como pretexto para a manutenção da ordem e único método de correção aos infratores. chega ao Brasil a Companhia de Jesus. assim não mais tratados como adultos nos crimes. EVOLUÇÃO DA LEI Segundo João Paulo Robertini Junior em seu artigo.) Observamos então que as violações são reflexos da ausência de investimentos públicos e de decisões políticas não aplicadas. 2009. foi criado um estabelecimento de assistência e proteção as crianças e adolescentes delinquentes e abandonadas. sendo aplicada ao bel prazer do magistrado e como sanção primaria. que foi conhecido como Código Mello Mattos.

bem como os infratores e torna responsabilidade do Estado a situação de abandono e aplicação de corretivos necessários para impedir a delinquência onde muitas vezes os tornavam menos cidadãos. houve a ocorrência do caso conhecido como “O menino Bernardino” que com apenas 12 anos. entendendo que a privação total de liberdade protegeria a criança e adolescente influenciado pela sociedade assim obtendo resultados na reconstrução da personalidade. Vale lembrar que nesta mesma época (entre 1926 e 1927) pela falta de uma lei que fizesse a diferença entre “Menor” (termo da época) com adultos. protegendo o a criança com idade inferior a 14 anos. intelectual e moral da infância e juventude. Trabalhava como uma “Penitenciaria para menores” era repressiva e trabalhava como internatos. Ao ser resgatado e hospitalizado. a questão foi discutida pela primeira vez na Constituição. foi criado o Serviço de Assistência ao Menor (SAM) através do Decreto-lei 3. Estados e Municípios garantir a formação de crianças que não possuíssem recursos para o desenvolvimento citado. “sem se preocupar com o preenchimento das necessidades da criança e do adolescente”. A partir de então. onde foi estipulada a maioridade penal aos 18 anos. Em 1934. também previu o amparo à maternidade e a infância. coibindo também trabalho noturno aos adolescentes com idade inferior a 16 anos e ainda impondo a proibição para menores de 18 anos trabalharem em indústrias insalubres. que noticiou causando a comoção social.513 foi instituído a Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor (FUNABEM). engraxate. para substituir o “SAM”.733/41. E em seu artigo 129 assegura que é dever da Nação. pelo então Presidente Getúlio Vargas. Em seu artigo 127 institui o dever do Estado para garantir essas condições.12 de carência material ou moral. patronatos agrícolas e escolas de aprendizagem de ofício. jogou tinta no senhor que acionou a polícia por conta do ocorrido. bem como receber educação adequada. os médicos horrorizados com a história. IX. Em 1941. ao cobrar um cliente que saiu sem pagar. Esclarece LIBERATI que o Serviço de Assistência ao Menor entendia que “a internação seria o mecanismo de recuperação mais eficiente”. Com autonomia para formular e implantar . Foi na Constituição de 1937. a sociedade passou a exigir medias de proteção a crianças e adolescentes em situação de carência. acabou preso em uma cela com 20 adultos onde foi estuprado e espancado pelos detentos e depois jogado na rua. foi previsto em seu artigo 15. bases para garantia da formação física. Assim funcionando como um sistema prisional disfarçado de internação. pela Lei 4. Em 1964. para os menores “carentes e abandonados”. relataram o fato para a imprensa.

de fatos ocorridos na família (como maus-tratos) ou da sociedade (abandono). à saúde. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. situações decorrentes da conduta do jovem ou daqueles que o cercavam”. ainda em constante mudança. 227. Com ideologia onde os “menores passam a ser objeto da norma quando se encontrarem em estado de patologia social”. que praticassem atos infracionais. . à cultura. Wilton Donizeti – Adolescente e Ato Infracional – medida socioeducativa é pena? 2012. equiparada a uma ‘moléstia social’. É dever da família. à educação. “A declaração de situação irregular poderia derivar da conduta pessoal do menor (no caso de infrações por ele praticadas ou de ‘desvio de conduta’). ao respeito. à dignidade. Essa situação começa a mudar a partir da concepção da proteção integral abordada pela Lei 8069/1990 – Estatuto da Criança e do Adolescente. 93) Em suma estaria em situação irregular e inserida no referido Código todos até dezoito anos. à profissionalização. discriminação. tendo pouco critério sobre a devida aplicação do referido Código ficando aparente sua deficiência para “tratar” o assunto e a situação da criança e do adolescente no país. à alimentação. ao lazer. Posteriormente a implantação das novas diretrizes. com absoluta prioridade. além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência. Diretrizes essas que negavam os métodos de sua predecessora e valorizava a integração da criança e adolescente a comunidade. da sociedade e do Estado assegurar à criança. Ou seja. A proteção especial que à infância e juventude recebe no Brasil através da promulgação da Constituição Federal de 1988 se dá através de seu artigo 277 caput e seguintes: “Art. que estivessem sofrendo maus-tratos familiar ou em abandono pela sociedade. ao adolescente e ao jovem. foi promulgada em 10 de outubro de 1979 a Lei 6.697 – o Código de Menores. sem distinguir. o menor estaria em situação irregular. (LIBERATI. o direito à vida.13 uma Política Nacional do Bem-Estar do Menor (PNBEM). valorizando a família e criando instituições que se aproximassem dos ideais da vida familiar. com clareza. p.

sensorial ou mental. a fim de garantir acesso adequado às pessoas portadoras de deficiência. de 2010) § 2º A lei disporá sobre normas de construção dos logradouros e dos edifícios de uso público e de fabricação de veículos de transporte coletivo. mediante políticas específicas e obedecendo aos seguintes preceitos: (Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65. (Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65. mediante o treinamento para o trabalho e a convivência.aplicação de percentual dos recursos públicos destinados à saúde na assistência materno-infantil.criação de programas de prevenção e atendimento especializado para as pessoas portadoras de deficiência física. bem como de integração social do adolescente e do jovem portador de deficiência. admitida a participação de entidades não governamentais.14 exploração. (Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65. II . XXXIII. e a facilitação do acesso aos bens e serviços coletivos. 7º.idade mínima de quatorze anos para admissão ao trabalho. observado o disposto no art. de 2010) I . (Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65. do adolescente e do jovem. violência. de 2010) § 1º O Estado promoverá programas de assistência integral à saúde da criança.garantia de direitos previdenciários e trabalhistas. crueldade e opressão.garantia de acesso do trabalhador adolescente e jovem à escola. com a eliminação de obstáculos arquitetônicos e de todas as formas de discriminação. III . II . de 2010) . § 3º O direito a proteção especial abrangerá os seguintes aspectos: I .

estímulo do Poder Público. (Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65. VII . § 6º Os filhos. terão os mesmos direitos e qualificações. destinado a regular os direitos dos jovens. quando da aplicação de qualquer medida privativa da liberdade. ao acolhimento. VI . 204. ou por adoção. excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento. igualdade na relação processual e defesa técnica por profissional habilitado. proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação.obediência aos princípios de brevidade.15 IV . de criança ou adolescente órfão ou abandonado. (Incluído Pela Emenda Constitucional nº 65. segundo dispuser a legislação tutelar específica.programas de prevenção e atendimento especializado à criança. § 5º A adoção será assistida pelo Poder Público. § 8º A lei estabelecerá: (Incluído Pela Emenda Constitucional nº 65. a violência e a exploração sexual da criança e do adolescente. incentivos fiscais e subsídios. através de assistência jurídica. na forma da lei. nos termos da lei. que estabelecerá casos e condições de sua efetivação por parte de estrangeiros.o estatuto da juventude. de 2010) § 4º A lei punirá severamente o abuso.á em consideração o disposto no art. ao adolescente e ao jovem dependente de entorpecentes e drogas afins. havidos ou não da relação do casamento. § 7º No atendimento dos direitos da criança e do adolescente levar-se.garantia de pleno e formal conhecimento da atribuição de ato infracional. sob a forma de guarda. V . de 2010) . de 2010) I .

São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos. que amparado na Constituição Federal. o movimento social. Trata-se de um novo modelo. ainda complementa que a sustentação das garantias infanto-juvenil estabelecida pela nova legislação “diversa do Código de Menores.16 II . Art. Estatuto da Criança e do Adolescente. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) resultou da articulação de três vertentes. onde a infração cometida pela criança e adolescente deve ser verificada e “corrigida dentro dos parâmetros de sua especialidade”. sintetizando o pensamento do legislador constituinte a partir de garantias substanciais e processuais destinadas a assegurar os direitos consagrados. torna prioridade absoluta da família. com caráter de política pública. que considerava infrator como portador de uma patologia social”. e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice. 229. 228. da sociedade e do Estado a criança e o adolescente que outrora era figura coadjuvante.o plano nacional de juventude. visando à articulação das várias esferas do poder público para a execução de políticas públicas.2. Os pais têm o dever de assistir. implantando-se assim a Doutrina da Proteção Integral. sujeitos às normas da legislação especial. LIBERATI. os agentes do campo jurídico e as políticas públicas. em que crianças e adolescentes deixam de ser objeto de proteção assistencial a passam a titulares de direitos subjetivos. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Diante desse novo quadro e modificações consideráveis na doutrina em relação ao antigo código se firma o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) (Lei 8. criar e educar os filhos menores.069/90). “respeitando a condição peculiar de pessoa em desenvolvimento”.” 2. de duração decenal. no qual a . (Incluído Pela Emenda Constitucional nº 65. ou seja. carência ou enfermidade. demonstra o dever de viabilizar o tratamento e proteção infanto-juvenil. democrático e participativo. O surgimento da Lei nº 8069/90. de 2010) Art. instrumentalizou o mandamento constitucional da prioridade absoluta por meio da doutrina jurídica da proteção integral. Ante esse quadro o Estatuto da Criança e do Adolescente além de reconhecer os direitos e deveres dispostos na lei.

à educação. Assim. O ESTADO. exploração. Dessa forma. tem-se. à saúde. onde a sua proteção passou a ser cobrada e exigida. ao lazer. pela primeira vez na história brasileira. ao respeito. Foi com o advento da constituição federal que a proteção à criança e ao adolescente tomou uma nova roupagem. à cultura. 3. 3. à alimentação. à educação. com ABSOLUTA PRIORIDADE. com as garantias necessárias e diretos específicos para esta etapa da vida. 227. de fato. ao lazer. à dignidade. 17) que. crueldade e opressão. A SOCIEDADE E A FAMILIA COMO GARANTIDORES DO BEM ESTAR E DOS DIREITOS CONCERNETES A INFANCIA E JUVENTUDE. a proteção para todos os menores. mas sim todas as crianças e adolescentes. aborda a questão da criança como prioridade absoluta. violência. assegurar o direito à vida. .1. além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência. o direito à vida. nota-se que com a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente conjuntamente com a adoção da Teoria da Proteção Integral dos Direitos da Criança. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. ao respeito. à dignidade. lesados em seus direitos fundamentais de pessoas em desenvolvimento. da sociedade e do Estado”. É dever da família. p. com absoluta prioridade. à profissionalização. sociedade e estado são co-gestores do sistema de garantias que não restringe à infância e juventude pobres. à profissionalização. à alimentação. da sociedade e do Estado. de 2010) Concluímos então que a responsabilidade é DEVER da família. à saúde. à cultura. ao adolescente e ao jovem.” (Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65.17 família. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. discriminação. pobres ou ricos. buscando maximizar essa prioridade. da sociedade e do Estado assegurar à criança. e a sua proteção é dever da família. “é nesse sentido que a Constituição Federal de 1988. assevera Saraiva (2002. RESPONSABILIDADE DE CADA UM PERANTE AO ADOLESCENTE A Constituição Federal de 1988 traz em seu artigo 277 caput: “Art.

A exemplo disto são agressões físicas e moral em seus lares.18 Devemos prestar muita atenção na ordem trazida pela constituição. pois na aplicação a medida socioeducativa que abordaremos mais a frente. 46) . melhorar sua condição de vida. portanto. A Constituição Federal embasa-se na Doutrina da Proteção Integral. 3. 2005. sofrem constantes violações em seus direitos e garantias. de alguma forma. devemos entender que o núcleo familiar deve ser favorecido e auxiliado pela sociedade que por sua vez conta com a ajuda do Estado para garantir o direito da criança e do adolescente. que antes da intervenção do Estado temos a responsabilidade da família e da sociedade. Essa ordem deve ser muito bem observada.2. Se consideramos a ótica da clínica social. como apontam as leituras e marxistas que atribuem sua origem como decorrência da pobreza e da luta de classes existentes no interior da sociedade capitalista.” (ALVES. posterior as condições e atuações da sociedade e então ver quais as ações possíveis de intervenção estatal. Também verificamos o dano emocional causado pela influência da mídia onde um adolescente de baixo recurso se vê excluído de uma sociedade por não possuir recursos de se “apresentar” como os coleguinhas. primeiramente devemos olhar as condições da família. alguns até se veem obrigados a deixar suas atividades escolares para trabalhar como adultos tentando. pg. em função de sua fase de desenvolvimento delicada. Efeitos da Internação sobre a Psicodinâmica de Adolescentes. tendo assim sua fase de desenvolvimento desrespeitada. Sirlei Fátima Tavares. visto que as crianças e os adolescentes que deveriam ter prioridades especiais. EFETIVO PAPEL DE CADA UM JUNTO AO INFRATOR Como nos diz Sirlei Fátima Tavares Alves: “O saber advindo da clínica do social revela a penetração da delinquência em todo o corpo social. entre outros fatores de exclusão que a nossa sociedade impõe de forma velada. ou exploração sexual. bem como necessidades de alimentos. sem nenhuma preocupação com possíveis danos psicológicos que possam afetar a criança e ao adolescente que reflete em suas relações sociais. percebemos que não há um segmento especifico que demarque seu campo inaugural. porém a realidade é bem divergente do texto constitucional.

o mesmo o fara atrás de serviços de atendimento que são prestados por pessoas da sociedade que ali integram mesmo a intervenção do estado também é executada por pessoas da sociedade. assim chamando atenção para a responsabilidade da sociedade. temos também que o Estado não é cumpridor de seus deveres junto a infância e juventude. sem “agir” para garantir um devido desenvolvimento para crianças e adolescentes de todas as classes sociais. Surgindo assim o questionamento. apresentados por eles. 86 a definição de política de atendimento. não se tratando de uma questão de pobreza. que traz em seu art. sem se preocupar em “conhecer” o outro ou o que iria gerar bem estar. devemos perceber que a rotina capitalista dos dias atuais tornam as pessoas permanentemente isoladas umas das outras. que está de mãos atadas. Voltando-se para a responsabilidade familiar. Deixamos em grifo a responsabilidade da sociedade. bastaria respeitar o que é definido pela Política de Atendimento que vem prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente. O Estado deve priorizar as políticas públicas para o atendimento destes indivíduos de necessidades especiais. esquecendo por vezes que delas dependem nosso futuro. inexiste a união familiar. para tanto. pois afeta todas as classes sociais. a preocupação com os acontecimentos individuais parece não ser relevante entre os familiares. sem que esteja impondo a minha vontade sobre o outro. podem estar relacionados com o tipo de companhia com quem interagem ou mesmo de um possível envolvimento com drogas. e mesmo que haja intervenção do município. E se descobrem também não se responsabilizam pela omissão agregando à criança toda a responsabilidade. Apenas à cobranças do que se deve fazer ou como agir dentro daquele contexto. pois o sujeito que irá fazê-lo já traz o desinteresse em tratar o contexto de sua própria realidade fora do ambiente de trabalho. pois se localiza mais próxima da família que pode ter a denominada contaminação. sem sequer perceber que são responsáveis pela “busca” de completar algo que a própria família deixou em aberto. cada indivíduo tomando conta de seus próprios afazeres sem qualquer preocupação com o outro.19 Com essa afirmação devemos esclarecer o quanto à sociedade está se “infectando” com a delinquência. não existindo diálogo no interior das residências. se esse atendimento é de fato prestado com interesse. in verbis: . Esta falta de atenção leva os pais a não perceber as atitudes suspeitas que seus filhos apresentem e sequer notam que o comportamento agressivo ou isolamento. Alegados os problemas sociais.

das Políticas de Garantia de Direitos. uma parcela mínima de adolescentes possuiria consciência do que realmente decidem quando desencadeiam uma atuação conflitante com a lei. veículos de imprensa e setor produtivo. garantido que o atendimento seja feito em conformidade com a previsão do estatuto temos o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE). é que o Estatuto da Criança e do Adolescente prevê a aplicação das Medidas Socioeducativas. das Políticas de Assistência Social como programas auxiliares para indivíduos de baixa renda. ministérios das áreas de Educação. O ADOLESCENTE INFRATOR E AS MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS Segundo entendimento de vários autores a prática do ato infracional é. Politicas estas elencadas no artigo 87 do Estatuto da Criança e do Adolescente. do Distrito Federal e dos municípios.20 “A política de atendimento dos direitos da criança e do adolescente far-se-á através de um conjunto articulado de ações governamentais e não-governamentais. compreendidas por saúde e educação.” Assim sendo para se fazer valer a aplicação da Doutrina da Proteção Integral. garantido que toas às conquistas do Estado Democrático de Direito sejam colocadas à disposição de todos. decorrente de ação inconsciente. a SDH/PR articula ações com instituições do Sistema de Justiça. principalmente pelo fato de que muitos sofrem violação aos seus direitos quando são inseridos em um sistema socioeducativo. Justiça. Devemos inclusive ressaltar que ao adolescente autor de ato infracional. das Políticas de Proteção Especial. como a criação de abrigos aos necessitados. Cultura e Esporte. governos estaduais. 4. há a necessidade de ações por parte do Estado e da sociedade como desenvolvimento e melhorias das Políticas Sociais Básicas. entre . Assim sendo. deve ser mantido os mesmos direitos e garantias. da União. “Como órgão gestor nacional do Sinase. Além disso. Para suprir as necessidades verificadas nestes adolescentes. Visando a aplicação correta das medidas socioeducativas e. Saúde. dos estados. Trabalho. busca informar profissionais da socioeducação. municipais e distritais. em grande parte. Assistência Social.

Um projeto que especifica ainda a responsabilidade dos governos Federal. Entendemos então que o SINASE busca padronizar os procedimentos envolvendo os adolescentes. portanto que a medida socioeducativa é uma resposta do Estado. prevenindo novas práticas e propiciando uma oportunidade de readequar o adolescente e sua família ao comportamento padrão de convívio da sociedade em que integram. antijurídica e culpável. A sanção acontece por conta da quebra de uma regra de convivência social. (re) instituindo direitos. não se aplique quaisquer das causas excludentes de ilicitudes elencadas pelo art. e que. de natureza impositiva e de aplicação impositiva.br/assuntos/criancas-e- adolescentes/programas/sistema-nacional-de-medidassocioeducativas/sistema-nacional-de-atendimentosocioeducativo-sinase-1). Entendemos. As medidas socioeducativas devem buscar responsabilizar o adolescente considerando que é um indivíduo em desenvolvimento. Seu caráter impositivo se dá em função da medida ser aplicada independentemente da vontade do infrator. desde a apuração do ato infracional até a aplicação das medidas socioeducativas. cultural e profissional. .sdh. interrompendo a trajetória infracional e promovendo a inserção social.21 outros. mostrando ao indivíduo a inadequação de sua conduta. 23 do Código Penal. Para que o Estado venha a aplicar qualquer uma das medidas socioeducativas é necessária à apuração dos atos cometidos pelo adolescente. para que o processo de responsabilização do adolescente possa adquirir um caráter educativo. educacional. exige uma conduta típica.” (http://www. e é dever do Estado garantir formas dignas para seu cumprimento. mantendo o caráter pedagógico e educativo. ao ato infracional cometido por menores de 18 anos. dessa forma o Estado responde ao ato infracional. dando a medida o caráter retributivo. Estadual e Municipal em relação a aplicação das medidas e a reinserção social dos adolescente sem conflito com a lei. objetivando inibir a reincidência.gov. No mesmo sentido devemos entender que esta resposta do Estado é uma responsabilização do autor de um ato infracional.

1984) II . podemos traçar um perfil para o infrator.em estado de necessidade. respeito e solidariedade dessas pessoas que se encontram em condição peculiar de desenvolvimento de suas personalidades. Assim percebemos que o propósito da medida socioeducativa é conscientizar o jovem acerca de suas capacidades através de um ensinamento pedagógico que possa lhe proporcionar uma compressão correta das regras que são seguidas pela sociedade.1984) As medidas socioeducativas previstas pelo Estatuto da Criança e Adolescente dividem-se entre as Medidas em Regime Aberto (restritivas de direito) e as Medidas em Regime Fechado (restritivas de liberdade). para a medida de privação de liberdade é estabelecido o período máximo de três anos. de 11.7.209.7.22 Art. PERFIL DO INFRATOR Através da visão dos estudiosos sobre o assunto. proporcionando-lhes um crescimento pessoal e social.1. deveria predominar os adolescentes autores de atos infracionais graves.209.Não há crime quando o agente pratica o fato: (Redação dada pela Lei nº 7. no Brasil esta faixa compreende-se entre . devem favorecer a maturidade pessoal. de 11.em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.(Incluído pela Lei nº 7.7. sendo que. de 11.(Incluído pela Lei nº 7. Restando as medidas não privativas de liberdade aos atos de natureza menos grave. educação. 23 . (Incluído pela Lei nº 7. praticados com violência a pessoa e grave ameaça. Ressaltando que delinquência juvenil é uma transgressão as leis impostas pela sociedade.em legítima defesa. Ainda sobre a aplicação da media devemos entender que qualquer uma que seja aplicada aos adolescentes. No caso da privação de liberdade. por um indivíduo com idade determinada. abordando ainda o contexto de vida que envolve um delinquente. de 11. afetividade.209.209. 4. relatando o que as estatísticas sobre a adolescência infratora nos mostra.7.1984) III . valores humanos.1984) I .

2: Personalidade dissocial). gerando assim uma personalidade dissocial que se enquadra em uma doença classificada pela psicologia. já não mais se restringe à dimensão comportamental. quando uma pessoa atinge a capacidade logica. Segundo Lawrece Kolhlberg. citado por Ramidoffi. particularmente a criança e ao adolescente. É notório que atribuem a delinquência o atributo especifico de determinados grupos. “F60.”. inclusive pelas punições. Existe uma baixa tolerância à frustração e um baixo limiar de descarga da . mas a uma totalidade como pessoa humana.medicinanet. falta de empatia para com os outros. a falta de recursos financeiros. ao que evidencia não ser a pobreza o único ocasionador do cometimento de infrações contra as normas. esta apta a distinguir o certo e o errado.br – CID10 – F60. é um fator motivacional da pratica de delitos. normalmente. como pobres e excluídos. enquanto novas dimensões de subjetividade têm experimentado uma nova espécie de convivência conflitiva. Porém. Ainda mencionado por RAMIDOFFI: “os seres humanos. Muitos são os fatores que motivam e elevam a delinquência juvenil. podem ser vistos em paralelo com a percepção da realidade social.com. “os estágios de maturidade da pessoa. somada a falta de estrutura familiar e escolar. a falta de apoio psicológico nesta fase de transição para um mundo adulto e ainda. o descaso do governo que se nega a desenvolver políticas públicas para o auxílio destes necessitados.” Desta forma vemos que a avaliação sobre o desenvolvimento de um adolescente infrator.PERSONALIDADE DISSOCIAL Transtorno de personalidade caracterizado por um desprezo das obrigações sociais. precisamente estabelecida pela tensão permanente resultante do compartilhamento entre o individual e o coletivo. (www. social. O comportamento não é facilmente modificado pelas experiências adversas.23 12 a 18 anos.2 . Há um desvio considerável entre o comportamento e as normas sociais estabelecidas. ou seja. deve ser analisada por diversos ângulos.

Observamos assim que a média percentual de adolescentes que apresentam algum tipo de medida socioeducativa seria estimada por volta de 0.br/site/DefaultLimpo.F. Definição esta que podemos notar nos adolescentes autores de ato infracional.psiqweb.532 adolescentes em restrição e privação de liberdade (internação. inclusive da violência. é uma forma de incluir socialmente.022 em meio aberto. a família. A defasagem escolar ocorre por fatores diversos. O objetivo da medida seria tratar esse desvio de personalidade e o Estatuto da Criança e Adolescente traz escalonadamente de acordo com a gravidade do ato infracional uma série de medidas socioeducativas.265. . previsto na C. e 88. é mais do que simplesmente alfabetizar.85% da população jovem do nosso país. tanto da criança. O acesso à educação de qualidade. quanto do adolescente. já que podemos reintegrar esta parcela da sociedade com baixo custo em relação a quantitativo evitando o aumento deste índice. justificando a sua inserção em atitudes negativas e reprováveis perante a sociedade. possuímos 20. afastando-se assim do contexto social. a falta de estrutura das escolas. de ponto de vista quantitativo.930 milhões (senso do IBGE de 2007).med.” (http://www. Observado os dados de uma população adolescente de 12 a 21 anos de aproximadamente 21.24 agressividade. atuando em busca de soluções para assegurar que direitos estabelecidos em lei repercutam diretamente na materialização de políticas públicas que incluam o adolescente em atendimento socioeducativo. Nesse contexto. Existe uma tendência a culpar os outros ou a fornecer racionalizações plausíveis para explicar um comportamento que leva o sujeito a entrar em conflito com a sociedade. e que deve ser alvo das políticas públicas. colaborando para a formação e desenvolvimento do caráter. Isso significa uma porcentagem pequena. não proporciona ao jovem o apoio esperado e necessitado nesta fase de transição para um mundo de responsabilidades. a título de exemplo temos: a falta de preparo psicológico dos professores e orientadores para lidar com determinadas situações. Segundo o levantamento SINASE 2012. a escola e a sociedade possuem papel fundamental nas atitudes e ideais das crianças e adolescentes. internação provisória e semiliberdade).aspx?area=ES/V erClassificacoes&idZClassificacoes=333). Não devemos apenas responsabilizar o Estado quanto à busca de trazer de volta este adolescente.

além de educar.069. as normas e ao convívio social. não se encontra regularmente proposta. acreditam e estimulam nessa população de jovens a crença de uma incapacidade para serem melhores do que demonstram ser.2. DEFINIÇÃO DE ATO INFRACIONAL “O ato infracional não se constitui numa conduta delituosa. que estejam em cumprimento de qualquer medida socioeducativa. por sua vez. atuará como atividade ressocializadora e reinserssora destes adolescentes. Lei Federal 8. Após sofrer este tipo de “assedio” o jovem sentindo-se incapaz de trabalhar em meio às outras pessoas. imbuída de preconceitos. traz em seu art. um elemento seu constitutivo e que representa a capacidade psíquica para regular a válida prática da conduta dita delituosa (RAMIDOFFI. não reage como integrante daquele meio social. 103. onde professores. Por esse ângulo uma educação adequada faz-se necessário na formação e desenvolvimento de qualquer criança e jovem como alicerce para seu futuro. Considera-se ato infracional a conduta descrita como crime ou contravenção penal. precisamente por lhe falta imputabilidade. isto é. de 13/07/1990.” O Estatuto da Criança e do Adolescente. . já que tem uma enorme carga de menosprezo contra si mesmo. Sendo ainda mais importante em se tratando de adolescentes infratores.25 como na população dos infratores. 103. a definição de ato infracional: “Art. ambas são condutas situadas na categoria de ato ilícito. isto é. carregada desde o núcleo familiar até a desmotivação que sofreu na escola. diminuindo a integração destes jovens a escola. familiares e a sociedade. a culpabilidade – a qual. 4. pois esta.” Como observamos o Estatuto da Criança e Adolescente não define uma diferença entre ato infracional e crime. 2010). precisamente por inexistir nas ações/omissões infracionais um dos elementos constitutivos e estruturantes do fato punível. estendendo-se e interferindo até mesmo nas relações de emprego.

ou ambas. alternativa ou cumulativamente. A Constituição deixa implícita a possibilidade de uma imputação de natureza penal ao inimputável em razão da idade. 1º do Decreto-lei 3. Segundo a definição de Afonso Armando Konzen: . da criança e do adolescente. Inimputáveis devido à condição de desenvolvimento em que se encontram. 104 do Estatuto da Criança e Adolescente reforça a ideia extraída dos artigos acima mencionados: “São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos. Ambas as definições são espécies de ilícito penal.” A contravenção penal é um ato ilícito. Tanto o Art. menos gravoso que crime. quer isoladamente. “todo ato humano lesivo de um interesse capaz de comprometer as condições de existência.26 A definição formal de crime é “todo fato humano proibido pela lei penal”. a condição de sujeitos de responsabilidade.914/1941 – Lei de Introdução ao Código Penal: “Art 1º Considera-se crime a infração penal que a lei comina pena de reclusão ou de detenção. a definição material define como. segundo definição estabelecida pelo Estatuto da Criança e Adolescente. isoladamente. 27 do Código Penal excluem expressamente os menores de 18 anos do sistema penal destinado aos adultos. pessoas diferentes devido as suas necessidades especiais de pessoas em fase de desenvolvimento especificam e adicionais em relação ao adulto. tema tratado pelo Estatuto da Criança e Adolescente como o Direito Socioeducativo. Sob o escudo da Doutrina da Proteção Integral. O sistema normativo atribui a estes. 228 da Constituição Federal como o art. O ato infracional é a pratica do crime ou contravenção penal. de outro lado.”. quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa. O art. cometido por criança ou adolescente. a distinção de crime para contravenção penal está prevista no art. pena de prisão simples ou de multa. de conservação e de desenvolvimento da sociedade”. sujeitos às mediadas previstas nesta lei. acarretando ao autor apenas pena de multa ou prisão simples. a infração penal a que a lei comina. contravenção.

A apuração começa com a apresentação do infrator a autoridade policial ou autoridade judiciária.. Para a constatação do ato infracional devemos observar os artigos 171 a 190 do Estatuto da Criança e Adolescente. exceto nos casos em que a gravidade do ato infracional possa ameaçar a ordem . assegurando o direito de ser assistido por estes e por seu advogado. (2005)”. Caso haja prisão em flagrante à autoridade judiciária deve ser comunicada tão logo ocorra.) um direito com matriz constitucional e instituidora de uma autonomia relativa porque com evidentes e necessárias interfaces com outros ramos do conhecimento jurídico. ou pessoa que o infrator indicar. faz-se necessária a inserção de meios de proteção. em situação de tratamento jurídico diferenciado do tratamento dispensado ao adulto (. LXIII e LXIV é garantido ao adolescente à identificação dos responsáveis pela sua apreensão.107 do Estatuto da Criança e Adolescente. devendo ser informado acerca de seus direitos. conforme previsão do art. Qualquer dos pais que compareça. Após apreensão do infrator. desde que se comprometa a comparecer perante o Ministério Público. deve a autoridade policial liberar o adolescente. A apuração mobiliza a ação conjunta de vários órgãos do Poder Judiciário. 146 do Estatuto da Criança e Adolescente). não desconsidera os atos ilícitos cometidos pelas crianças e adolescentes. 5º. Sempre que houver determinação a prisão será legal. com ações educativas e orientadoras e com finalidade reintegradora para o meio social. Sendo necessário que estejam presentes os requisitos objetivos e subjetivos para a sua validade. para uma categoria de pessoas em situação especial. determinação que deve ser escrita e fundamentada pela autoridade judiciária competente. entretanto. É necessário que a família. no caso o juiz da infância e juventude (art. 174. Conforme previsão do Estatuto e com amparo na Constituição Federal em seu art. segundo disposto no parágrafo único do art. sob pena de responsabilidade. Não é possível que estes sejam punidos penalmente.. verifica-se a possibilidade de sua liberação imediata. Importante haver a ressalva de que a condição de pessoas protegidas por legislação especial.27 “um direito especial. para que não fiquem impunes pelos atos ilícitos cometidos. seja informado sobre o local onde se encontra apreendido.

ao mesmo tempo. Por ele visa-se proteger a pessoa contra a ação arbitrária do Estado. E sua permanência máxima. Defesa técnica por um advogado (art. em regime de internamento provisório é de 45 dias. Caso em que o adolescente permanecerá sob vigilância policial. (LIBERATI)” . confrontar-se com vítimas e testemunhas e produzir as provas que julgar necessárias a sua defesa. tal como o Estado.. em dia e hora previamente designados [. notadamente quando atingem a categoria de atos infracionais (ou seja. “através da citação se comunica ao réu que a ele foi intentada ação penal e. 4.28 pública. restando os mesmos sujeitos a responder perante as mais variadas instâncias. São garantidos aos adolescentes: 1. 2. perante o judiciário realizar alegações. 3. pelos atos antisociais que praticam. Segundo o entendimento de Tourinho Filho como analogia a determinação do Estatuto. em cela separada de adultos ou internado em uma unidade de internação provisória adequada a sua idade (no Estado de São Paulo temos a Fundação CASA). podendo.]. todos os direitos e obrigações contempladas no ordenamento jurídico. ou caso a integridade do adolescente esteja ameaçada.. o juiz competente deve fundamentar sua decisão em indícios suficientes de autoria e materialidade. 111).” (citado por LIBERATI). é chamado a comparecer em juízo. O direito ao devido processo legal para apuração de tal imputação. O conhecimento da imputação penal.3. a conduta descrita na lei penal como crime ou contravenção). O adolescente deve-se apresentar ao Ministério Público em até 24 horas. principalmente a Justiça da Infância e Juventude e o Conselho Tutelar. Observamos que o direito ao devido processo legal é mais uma garantia do que propriamente um direito. ESPÉCIES DE MEDIDAS IMPOSTAS AO INFRATOR “O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê. 4. quando deve ser proferida em sentença. Se optar pela internação provisória. que deve ser excepcional. Igualdade na relação processual. à infância e a juventude.

” (KONZEN. pois a lei é clara no sentido de que nenhum adolescente que tenha comprovadamente efetuado pratica de conduta estabelecida como crime ou contravenção pode deixar de ser julgado pela Justiça da Infância e Juventude (em se tratando da criança. através da adesão voluntária a fazer incidir de vivências pedagógicas correspondentes às necessidades do infrator. p. I a VI. devem possibilitar a educação e o claro discernimento de que aquela conduta não é aceitável perante o mundo jurídico e a sociedade. será o adolescente responsabilizado pelos seus atos e receberá a imposição das chamadas medidas socioeducativas. não são punitivas. A aplicação da medida socioeducativa é condizente ao ato ilícito cometido.  Liberdade Assistida. As medidas socioeducativas estão elencadas no art.  Qualquer uma das medidas elencadas no art. As medidas devem auxiliar no processo de desenvolvimento pessoal do infrator.29 Devemos observar que o Estatuto da Criança e do Adolescente não significa uma “porteira aberta” para impunidade. para que sejam reinseridos na sociedade. Caso comprovada a conduta ilegal. 112 do Estatuto da Criança e Adolescente.  Obrigação de reparação do Dano.  Prestação de serviços à comunidade. 92). respeitando assim a Doutrina da Proteção Integral. 2005. ou seja. tendo as mesmas oportunidades de escolaridade e emprego que qualquer . pelo Conselho Tutelar e sujeito às chamadas medidas protetivas. com o significado de evidenciar inadequação de uma determinada conduta penal e destinado a prevenir a prática de novas infrações e propiciar a adequada inserção social e familiar. promovendo a educação e a profissionalização destes infratores. 101. elencadas no art. quais sejam:  Advertência.  Privação de liberdade (internação em estabelecimento educacional). são socioeducativas. “A medida socioeducativa é o modo legal de responsabilização do adolescente autor de ato infracional. 101 do Estatuto da Criança e Adolescente).  Inserção em regime de semiliberdade.

30 adolescente não infrator. constitui em uma advertência verbal que será reduzida a termo. garantia ao adolescente à assistência técnica de um advogado. certamente porque confundida com as práticas disciplinares no âmbito familiar ou escolar. e não agredir ainda mais sua personalidade. 114 do Estatuto da Criança e Adolescente observamos que a advertência poderá ser aplicada sempre que houver prova da materialidade e indícios de autoria suficientes. Visa a devolução da coisa. igualdade processual. hipóteses previstas no art. A dificuldade de reinserção é enorme. por isto a necessidade de se ter uma medida socioeducativa bem elaborada e bem aplicada.3. ao adolescente que.2 Obrigação de reparar o dano Imposta em procedimento contraditório.3. cometeu ato infracional de pouca gravidade. pela primeira vez.” (KONZEN). tendo como definição: 4.1 Advertência É a mais branda das medidas. o art. 4. tentando minimizar as perturbações que levaram este jovem a agir contra uma norma. 112 do Estatuto da Criança e do Adolescente relata os possíveis meios de responsabilização ao adolescente autor de ato infracional. Como citado anteriormente. assinada e aplicada pelo Promotor de Justiça ou pelo Juiz. o ressarcimento do dano ocasionado à vítima ou a compensação do prejuízo por outro meio. . produz efeitos jurídicos na vida do infrator. Em seu parágrafo único do art. muitas vezes banalizada por sua aparente simplicidade e singeleza. presunção de inocência e ainda. porque passará a constar do registro dos antecedentes e poderá significar fator decisivo para a eleição da medida na hipótese da prática de nova infração. que assegura ao adolescente os direitos constitucionais de ampla defesa. “A medida de advertência.

menor de 16 anos. afete seus estudos ou seu trabalho. pais e infrator. 4. A distribuição das tarefas será feita mediante as aptidões do adolescente. sendo os hospitais. como versa o § 2º do art. como por exemplo. escolas. o adolescente não só estará cumprindo uma determinação judicial.3 Prestação de serviços à comunidade. Respeitando à previsão do art. Com natureza punitiva – educativa. Submeter o infrator a um regime de acompanhamento. Efetuado trabalhos junto à comunidade. 112. 46 do Código Penal. a responsabilidade será solidária. entidades assistenciais ou programas comunitários.31 116 do Estatuto. fazendo com que este não mais se aposse de bens que não lhe pertençam. 156 do Código Civil. a responsabilidade passara a seus pais ou a quem se responsabiliza pelo mesmo. ao adolescente.4 Liberdade assistida.3. Sendo incapaz da reparação ocasionada. ainda. A medida contara com a supervisão de um membro do Ministério Público. auxiliando seu desenvolvimento pessoal. para reparar o dano. .3. auxilio e orientação realizada por técnicos especializados ou associações competentes. pena que se assemelha. à pena restritiva de direitos do art. As instituições que proporcionarão o cumprimento da medida serão as previstas no art. juiz. quanto a seus efeitos. possibilitando ao infrator seu cumprimento junto a comunidade. técnicos e da própria comunidade. Medida alternativa à prisão ou internação. 4. sem que isso lhe impeça da convivência com seus familiares. o contato com a responsabilidade social e seu papel em meio a comunidade. e. 117 do Estatuto. buscando desenvolver o senso de responsabilidade do infrator. que só terão validade mediante concordância do adolescente. como desenvolvendo seu senso de responsabilidade junto às tarefas executadas na instituição em que estiver prestando o serviço.

recebe o nome de Liberdade Assistida e está prevista no art. previsão do § 2º do art. 118 do Estatuto. mas não totalmente.32 designados por um juiz. distancia o jovem do convívio familiar e da comunidade. depois de ouvidos o orientador. podendo. Os orientadores devem possuir formação técnica para atuar no acompanhamento dos infratores e redigir relatórios sobre as atividades e comportamentos do adolescente periodicamente. entendemos assim. poderá ocorrer substituição da liberdade assistida por qualquer outra medida. Ministério Público e o defensor. § 1º do Estatuto da Criança e Adolescente. 118. buscar a profissionalização e inserção deste no mercado de trabalho. Segundo Paulo Lúcio Nogueira.5 Inserção em regime de semiliberdade.” Não tendo regulamentado o prazo máximo para a manutenção desta medida. revogada ou substituída. 119 do Estatuto da Criança e Adolescente). a liberdade assistida deve ser utilizada da seguinte forma: “a liberdade assistida deve ser aplicada aos adolescentes reincidentes ou habituais na prática de atos infracionais e que demonstrem tendência a reincidir. já que os primários devem ser advertidos. De caráter limitativo. (Internação Sanção por prazo determinado). como versa o art. (art. acompanhar o aproveitamento escolar do adolescente. Observamos ainda que caso haja o descumprimento das condições impostas pelo juiz ao infrator.3. III do Estatuto. que será analisada junto aos relatórios entregues ao juiz pelo orientador. 4. com a entrega aos pais ou responsável. que a medida deve ser cumprida enquanto houver a necessidade do infrator. a medida ser prorrogada. o orientador tem o dever de auxiliar o adolescente e sua família (inclusive inserindo-os em programas assistenciais). 122. A medida terá fixação mínima de 6 meses. Além de acompanhar o infrator. inclusive de privação de liberdade. Medida de transição para o adolescente infrator da internação para o .

comportamento e a real possibilidade de recuperação. pois são estes laudos que somados a demais fatores. e a que o interno conquista através da progressão de regime.” (CAVALLIERI. em função do desenvolvimento. Como verificamos os exames são requisitos necessários para a progressão de regime. O regime previsto o art. A transição consiste em o adolescente executar atividades externas como. “São necessárias realizações de exames. Possuí característica punitiva. 4. 2010. “O caput do art. determinação do § 1º do art. excepcionalidade (somente deve ser aplicada se for inviável qualquer uma das outras medidas. quais sejam. permitirão a progressão do regime. já que são institutos base para a aplicação da medida socioeducativa.3. 1997. para acompanhamento da evolução do infrator e também possibilite a progressão do regime ou mesmo a sua finalização. sujeita ao princípio de brevidade (pena mínima prevista em 6 meses e máxima não excedente a 3 anos). Ensino e profissionalização não são verificados como possibilidades e sim como obrigação. 120 do Estatuto da Criança e Adolescente.33 meio aberto ou também utilizado como regime inicial. para orientação e auxilio. e. 120 do Estatuto da Criança e Adolescente prevê duas possibilidades para a semiliberdade. aquela determinada desde o início pela autoridade judiciaria. no período noturno recolher-se em uma entidade especializada. 121 do ECA define a internação como medida privativa de liberdade. trabalhar e estudar durante o dia. casos em que a natureza da infração e as condições psicológicas do infrator indicarem a necessidade de seu afastamento do convívio social). respeito . e LIBERATI.6 Internação em estabelecimento educacional. sem eles aplicação da medida não teria qualquer sentido.). pois a liberdade de ir e vir do infrator estão prejudicadas.

endentem que: “como é prevista a avaliação da medida a cada 6 meses. “(TJSP.). vemos que a medida tem a intenção de proporcionar ao infrator. Findo o prazo.34 à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento (o Estado tem o dever de zelar pela integridade física e mental dos internos. deve existir uma avaliação do interno a cada seis meses. normalmente é imposta quando o ato infracional cometido provém de violência ou grave ameaça a vítima.” (LIBERATI. adotando medidas adequadas de contenção e segurança – art. para sua manutenção ou não. . acreditando na ideia de que o desvio de conduta seja uma patologia e pode ser tratada. efetuada. e aplicada em último caso. ser providenciada a desinternação ou a inserção em regime de semiliberdade ou liberdade assistida. previsto no art. juntamente com o acompanhamento psicológico. Podemos ver que para esta medida o Estatuto não estabelece um prazo mínimo para a fixação da medida.) Medida fundamentada no Código Penal. 5°. Conforme este entendimento. o juiz deve fixar prazo mínimo de 6 meses. em muitos momentos. (citado por LIBERATI). Na tentativa de atender estes conceitos e evitando que os princípios impostos sejam descumpridos. respeitando o prazo limite de 3 anos para a manutenção da internação. mediante autorização do juiz e ouvido o Ministério Público.563 – 0). profissionalização e cultura. pois determinar a internação sem prazo mínimo. e segundo alguns juristas. XXXIX. devido a reincidência. ACv16. Segundo Paulo Afonso Garrido de Paula “a internação tem finalidade educativa e curativa” (citado por LIBERATI. pedagógico. escolaridade. 125 do ECA). constitui violação do princípio constitucional da anterioridade da lei. como o regime fechado. ou proveniente de descumprimento de outra medida anteriormente imposta. como o Desembargador Sérgio Augusto Nigro Conceição. deve-se. A internação deve ser criteriosamente analisada.

V – requisição de tratamento médico. em razão de sua conduta. psicológico ou psiquiátri- co. que não sejam os abrigos. apoio e acompanhamento temporários. VII – acolhimento institucional. incisos I a IV do Estatuto da Criança e Adolescente. e devem ser “separados” segundo critérios de idade. pois destinados a outro fim. dentre outras. 98. 101 da mesma Lei: “Verificada qualquer das hipóteses previstas no art. em regime hospitalar ou ambulatorial. E quando a ameaça ou violação de seus direitos e garantias por ação ou omissão do Estado. orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos.3. mediante termo de responsabilidade. compleição física e gravidade da infração. ou.35 O art. omissão ou abuso dos pais. as crianças e adolescentes terão tratamento especial e geral. abrangendo todos os direitos fundamentais. Respeitando a orientação da Carta Magna a luz do art. à criança e ao adolescente. 4. VI – inclusão em programa oficial ou comunitário de au- xílio. 227. VIII – inclusão em programa de acolhimento familiar. Por falta.7 Qualquer uma das medidas previstas no art. 123 do Estatuto da Criança e Adolescente também traz de forma bem clara que a internação deve ser cumprida em entidade própria para atendimento de adolescentes. III – matrícula e frequência obrigatória em estabeleci- mento oficial de ensino fundamental. O art. 101. as seguintes medidas: I – encaminhamento aos pais ou responsável. a autoridade competente poderá determinar. . há que se aplicar o disposto no art. II – orientação. IV – inclusão em programa comunitário ou oficial de au- xílio à família. 98 do Estatuto elenca as medidas de proteção à juventude.

8 Remissão: É uma espécie de perdão concedido pelo Ministério Público ou autoridade competente para tal ato.36 IX IX – colocação em família substituta. Para Mirabetti. Esses métodos elencados. 4. possibilitando que este. escolar.”. A que atentar que as violações sofridas. e não de direito do réu. desde que presentes determinadas circunstâncias previstas na lei e que tornam desnecessária a imposição de sanção. Trata-se de uma faculdade do magistrado. que tratam das causas extintivas de punibilidade. seja pelo Estado. Em contrapartida. ao se deparar como vítima de um sistema que não oferte auxilio. V e IX do Código Penal. e ainda. 126 do Estatuto da Criança e Adolescente) A hipótese de aplicação do perdão está diretamente ligada com a infração cometida pelo infrator.. tem forte influência negativa na vida do adolescente. como se verifica no art. “o perdão judicial “é um instituto através do qual o juiz. (art. de pequena ou grande relevância. embora reconhecendo a coexistência dos elementos objetivos e subjetivos que constituem o delito. e qual foi sua participação na infração. que pode concedê-lo ou não segundo seu critério. deixa de aplicar a pena.” (citado por LIBERATI). inicie em uma carreira de tóxicos e criminalidade. disponibilizar tratamentos médicos e psicológicos. significam a intenção de reinserir o jovem ao meio familiar.3.. família ou sociedade.] o representante do . o legislador atribuiu ao Ministério Público o instituto da remissão. 126 “[. 107. Baseando-se no instituto do art. A medida é uma forma de exclusão do processo. buscando afasta-los da criminalidade e dos psicotrópicos. podendo ser concedida antes ou após iniciado o procedimento judicial de apuração do ato infracional.

a remissão concedida não será utilizada como antecedentes ou reincidência.1990 e. meio aberto ou fechado. “Antes de formalizar o petitório da representação. a afetividade (valores humanos) e a própria humanidade (Direitos Humanos: respeito e solidariedade) dessas pessoas que se encontram na condição peculiar de pessoa em desenvolvimento de suas .” Verifica-se uma contradição entre as normas gerais e o que vem estabelecido pelo art... impropriamente. consoante mesmo restou determinado normativamente tanto pela Constituição da República de 1988. sobremodo. que ao menos deveria ser competência exclusiva do juiz. EFETIVIDADE DAS MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS Se bem executada. também. ato. independente de comprovação da responsabilidade do indivíduo. Alyrio Cavallieri. repete a citação de José de Farias Tavares. De acordo com RAMIDOFFI: “toda e qualquer medida legal que se estabeleça aos jovens. (. possuí a capacidade de produzir novos cenários para esses adolescentes e até mesmo para suas famílias. O Estatuto denomina a isso. quanto pela Lei Federal 8.37 Ministério Público poderá conceder a remissão [.069.]”. de 13. E ocorrendo a extinção do processo através deste instrumento. concedida por quem não é investido de poder jurisdicional.) poder decisório. concedendo o poder de julgar ao Ministério Público. material e fundamentalmente.. 5. de remissão. se motivos tiver para a fundamentada abstenção. qualquer das medidas.07. 126 do Estatuto da Criança e Adolescente. Poderá ser aplicado o perdão havendo indícios do ilícito. deve favorecer a maturidade pessoal (educação). que é de competência do juiz. Seguidor das práticas menoristas. o Ministério Público pode recusar-se a fazê-lo.. pela Doutrina da Proteção Integral. ademais.

que respeitem o tipo de medida imposta a casa infrator.467 menores infratores com processos ativos que cumprem atualmente medidas socioeducativas no Brasil.” Com base na Doutrina da Proteção Integral verifica-se que é de extrema importância que se estabeleça uma proposta socioeducativa. para atingir resultados esperados da medida socioeducativa. ainda.546 são internos em estabelecimento educacional. Se isoladas. está diretamente ligada a elaboração de projetos pedagógicos específicos. Neste contexto. em um cenário de trabalho cada vez mais exigente e competitivo. . com orientação pedagógica. criado em fevereiro de 2009 e atualizado por juízes das varas da infância e juventude em todo o país. 1. para que estes infratores não continuem a margem da sociedade.” Quadro que evidencia uma necessidade de regularização das medidas socioeducativas. 4. diferenciando os grupos por idade e separando-os por gravidade do ato cometido. A efetividade da medida socioeducativa. Devem ser encaradas como uma alternativa de integrar os adolescentes ao meio comunitário em permanente construção. psicológica e profissionalizante. a pratica não ocorre como deveria. não havia em funcionamento nenhum sistema com informações unificadas. Os dados fazem parte do Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes em Conflito com a Lei (CNCA). para que possam pleitear uma oportunidade de emprego e assim efetivamente se reinserindo na sociedade de maneira que se sintam parte dela. fornecer educação profissionalizante. perdem a efetividade.656 cumprem internação provisória e 8. Muito embora a determinação não seja taxativa. temos que o Estatuto da Criança e Adolescente age de forma explicita quanto a necessidade de escolarização e profissionalização aos cumpridores de medidas socioeducativas.676 estão em liberdade assistida. As medidas socioeducativas devem fazer parte de toda uma estratégia de política pública. Antes. Deste total. As medidas devem focar no desenvolvimento humano destes infratores. Isso porque a grande maioria dos adolescentes que cumprem essas medidas apresenta baixa escolarizada. a escola é prioritária no atendimento socioeducativo. e que o cumprimento das medidas não seja apenas fictício. Segundo o jornal O Globo em uma notícia de 2011: “Um levantamento inédito do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revela o perfil dos 28.38 personalidades. orientando quanto aos seus direitos e deveres perante a sociedade.

MEDIDAS EM REGIME PRIVATIVO DE LIBERDADE São chamadas de sistema de internação as medidas socioeducativas em regime fechado. incluindo as mais diversas manifestações de violência.” (CREPOP. integrantes das equipes das unidades e. Concluímos portanto que mesmo com consciência de todas as falhas ocorridas nos sistemas de privação de liberdade. Assim vemos uma inclinação ao encarceramento juvenil revelado pelo . No regime de internação. Atos violentos são praticados pelos adolescentes contra seus pares. ainda. contra os adultos. concepções arquitetônica inadequadas à proposta do Estatuto da Criança e do Adolescente. pág. advindos da falta de preparo apresentada pelos instrutores e orientadores. humilhação e medicalização excessiva. como tortura física e psicológica. e pela falta de estrutura que as unidades apresentam como instalações inadequadas e superlotação das unidades de internato. pelos adultos. A isso são somadas circunstâncias mais graves. 21). o sistema de internação é constantemente empregado pelos aplicadores da medida.1. A falta ou. insalubridade. não tem cumprido seu papel. Estas entidades de internação. ausência de proposta metodológica. integrantes das equipes das unidades. Com o objetivo de ressocialização e reintegração destes à sociedade. profissionalização e acompanhamento destes infratores. “Em muitas unidades de internação em nosso país. contra os adolescentes.39 5. de forma preocupante. 2010. prevalecem as condições físicas de superlotação. a má administração dos recursos empregados nas unidades faz com que estes adolescentes sofram maus tratos. esses sistemas de internação passam por dificuldades para atender de forma digna os jovens infratores. maus-tratos. abusos sexuais. práticas de isolamento e incomunicabilidade. normalmente atribuída aos autores de infração cometidas com violência ou grave ameaça à pessoa da vítima. são as instituições próprias para adolescentes menores de 18 anos que garantem ensino. pois não atendem sequer a previsão instituída pelo Estatuto da Criança e do Adolescente Em sua maioria.

quadro que em nada altera o pensamento destes infratores. não foram oferecidas em sua fase de desenvolvimento pessoal e psicológico. se. já que ficam . são refletidas na reincidência. nem atende as necessidades primarias que. fundamentada numa suposta periculosidade atribuída aos antecedentes dos adolescentes. de forma nítida. a coloca em meio ao discurso do “beneficio” ou da “correção” atribuído como justificativa à aplicação de medida de internação. mencionado por ALYRIO CAVALLIERI diz: “de qualquer forma. ao uso/abuso de drogas. sendo possível a aplicação de medida mais branda e o encaminhamento deste individuo a outras instituições com especializações para tratamento de cada patologia. uma grande preocupação.40 posicionamento recorrente na jurisprudência brasileira. a finalidade da medida socioeducativa. Nívio Geraldo Gonçalves. normalmente. e ainda uma educação de qualidade. Afinal não é suficiente privar o adolescente de sua liberdade. até mesmo verdadeira impunidade. com incentivo e acompanhamento destes jovens. Destacando a ideia de que onde faltam incentivos e oportunidades. entretanto. isto não o torna responsável. o Estatuto da Criança e do Adolescente teve a coragem de criar o direito formal do adolescente. no que se reconhece na medida de internação uma forma de segregação e uma estratégia de ressocialização. graças a precariedade dos sistemas de internação. Os fatores negativos das medidas de privação de liberdade. Estes fatos tem levado a população de nosso país a desacreditar no Estatuto da criança e do adolescente e até mesmo grandes juristas e magistrados cultos. avolumando-se o envolvimento dos adolescentes em condutas graves. Quanto à reincidência e ineficácia das medidas de internação. sobram motivos e incentivos para a pratica de violência. ou ainda. ao determinar que a internação não pode exceder de 3 anos. é necessário um acompanhamento aprofundado. que proporcione a profissionalização. ao desajuste social. como o latrocínio. Impossível acreditar que um sistema que discrimina um infrator possa ressocializar. afastando. de certa maneira até pioram. os adolescentes não recebem a devida orientação e ainda são privados de sua liberdade de locomoção. Isto tem gerado tratamentos incompletos. psicológico ou mesmo psiquiátrico. a falta de respaldo familiar.” Portanto. não oferece a adequada estrutura de atendimento e apoio. o homicídio e o estupro.

temos a Liberdade Assistida. e está sob supervisão de um orientador. que além do referido diferencial. que precisam ser tratados com a devida atenção para não se tornarem ainda mais destoantes na sociedade e gerar ainda mais perturbações. A semiliberdade aplica-se mais precisamente aqueles adolescentes para os quais a liberdade assistida. em razão da família apresentar dificuldades em exercer um controle efetivo nas horas em que o adolescente não está sob controle do orientador. Consiste em garantir a liberdade para estudar e trabalhar e o restante do tempo o adolescente em cumprimento de medida recolhe-se à instituição para orientação e acompanhamento. Conclui-se. que pode ser analisado inclusive o aspecto familiar do infrator. mas que ele de fato atinja o objetivo. A sociedade também precisa se responsabilizar e cooperar com a reinserção destes jovens. mas com a diferença de já ser decretada pela autoridade judiciaria logo de plano.41 limitados em seu direito de ir e vir sem que possuam orientação adequada para o momento de seu retorno ao convívio social. quando retornam a sociedade. não retira totalmente o jovem do convívio social. que há necessidade de profundas mudanças nos sistemas de internação para que se possam atingir os objetivos determinados pelo Estatuto e pelas convenções de Proteção à infância e a juventude. que já sofreram tanto com a rejeição e segregação. acompanhar o processo do jovem infrator. retornarão também a praticar novos delitos. o jovem permanece com sua família. com profissionais preparados e qualificados para trabalhar o atendimento de adolescentes que necessitam de cuidados especiais.2. em sua maioria. Tendo como princípio que não basta possuir o serviço de atendimento. Com o mesmo funcionamento. por tanto. de forma a proporcionar a profissionais competentes. apenas restringe. assim. MEDIDAS EM REGIME DE SEMILIBERDADE E LIBERDADE ASSISTIDA A medida de semiliberdade. nas horas vagas de seus estudos. De suma importância lembrar que na maioria dos casos os infratores cometem atos ilícitos por estar em uso de psicotrópicos ou por necessidade de adquiri-los o que nos leva a concretizar a necessidade de acompanhamento especializado. 5. Pode ser aplicada como medida inicial ou como progressão de regime para os que se encontram em regime de internação. A aplicação de uma ou outra medida. requer um .

projeto realizado pelo CEDEDICA – Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do município de Santo Ângelo. um dos principais pontos a ser abordado na medida socioeducativa. em sua maioria no período noturno e nos fins de semana. sendo necessário ter-se um modo dialético de pensar. no Rio Grande do Sul.” (Manual CEDEDICA). essas medidas necessitam. não necessitando ser retirado de seu convívio familiar e social. bem como o atendimento psicológico. buscando aprimorar a personalidade e profissionalização dos adolescentes autores de ato infracional Uma instituição bem preparada para o atendimento destes infratores é um fator importantíssimo para a eficácia da medida. mesmo que limitada. Sirlei de Fatima Tavares Alves relata um atendimento realizado de um adolescente cumprindo medida de Liberdade Assistida: . O meio aberto é uma proposta menos danosa de medica socioeducativa. de uma escolarização. para que estes adolescentes iniciem um entendimento que se perdeu em meio a suas incertezas e violações que possa ter sofrido no convívio familiar ou mesmo social durante sua fase de desenvolvimento. sociedade e família. situações em que o risco de reincidência na pratica de infrações se torna maior.42 controle institucional mais repressivo que prive o seu direito de ir e vir. Para alcançar de fato seu objetivo. É de suma importância o bom acompanhamento realizado pelos orientadores e entidades de ensino. de dar continuidade a seus afazeres habituais. em função de possibilitar ao adolescente uma liberdade. As aulas são desenvolvidas no sentido de preparar a criança e ao adolescente para o “desafiador” retorno à escola formal e à sociedade. bem como resgatar a sua cidadania e sua consciência coletiva por meio da participação e realização dos trabalhos em grupo. sem separar a teoria da prática. “Nessa proposta. A privação ocorre. como já referido anteriormente. é preciso perceber que a educação é um processo de humanização. Um exemplo destas instituições é a chamada “Escola de Passagem”. O trabalho deve ser consciente e claro: teoria. metodologia e prática precisam formar um todo. promovendo a construção social do conhecimento.

ambas trazendo consequências psicológicas. Na história de vida de Carlos encontramos uma questão intergeracional. visto que tinha sido humilhado e jogado ao chão pelo outro adolescente. . compareceu a partir do 5° encontro. No acompanhamento psicológico. com duplo aspecto: Maria era agredida psicologicamente pelo pai.43 “Carlos. Verificou-se que Carlos era o depositário negativo que Maria nutria por seu pai e por si mesma. agrediu outro adolescente com uma faca de cozinha. Maria relatou que ela e suas 6 irmãs sofriam maus tratos por parte do pai. que com o auxílio psicológico que sua mãe e ele receberam. pois todos os pensamentos de agressão apresentados foram um episódio isolado. foi deixado para trás. entendemos que Carlos sofria maus tratos físicos desde a infância por parte dela. e isto era revelado quando contava a maneira que tratava Carlos. uma consequência que motiva a agressão cometida por Carlos. Maria apresentava para com o filho Carlos uma violência física. filho de pais separados. Carlos não apresentou qualquer passagem pela instância judiciária e FEBEM. Carlos trocou por doces um relógio que pertencia à sua mãe. como ato de correção a mãe colocou a mão de Carlos sobre mesa e cortou sua pele com uma faca. e veio motivada a verificar quem era a mulher a quem seu filho tanto admirava. Carlos não é um adolescente que pode ser considerado estruturado na vida delitiva. Com a idade de 5 anos. prova disso é que mesmo após 4 anos do término da medida de Liberdade Assistido à que foi submetido.”. a repetição de mãe para o filho de uma violência denominada pela literatura internacional como “violência doméstica”. Maria. adolescente com 13 anos. nota-se aqui que Carlos acredita ter seu ato justificado. O adolescente compareceu a todos os atendimentos. já sua mãe. Carlos relata que cometeu agressão para se defender. Quando do comparecimento de Maria.

5. por vezes. o adolescente adquire uma remuneração e uma responsabilidade com o setor que lhe ofereceu emprego. a que possui a maior condição de sucesso. a Liberdade Assistida abre espaço para sua inserção no mercado de trabalho. uma interferência positiva. As medidas de Prestação de Serviços à Comunidade (PSC) e a Liberdade Assistida (LA). QUANTO A EFETIVIDADE DAS MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS A efetividade das medidas está intimamente ligada a um atendimento completo que promova além de escolarização. certamente estará afastado das ideias e más influencias para o cometimento . profissionalização e atendimento médico especializado. que traz ao infrator e a família. encaminha a família para os centros de auxilio as famílias de baixa renda e centros de apoio psicológicos. auxilio orientação e profissionalização do adolescente. no exato momento em que além de tratar o infrator. e possa ir percebendo sua interação com a sociedade de forma diferenciada. pois o tratamento atingiu toda a família.3. mas todo o cenário que o cerca. Interferem no sentido de desenvolvimento. gerador do ato infracional. permitindo que o adolescente reflita sobre os atos praticados. auxiliando psicologicamente. Essas referências tornam a medida de Liberdade Assistida. mas não retira da convivência social e familiar. uma mobilização de todo o Estado e sociedade no auxilio e monitoramento dos adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas. o serviço prestado a comunidade deve desenvolver no adolescente o sentimento do quanto ele é necessário para esta sociedade. e o histórico que motivara a ideia de que a resposta a uma agressão é outra atitude agressiva foi retirada de cena. além de proporcional oportunidades de ressocialização. Tratando assim não só o jovem. Assim. conforto e apoio que são necessários para o desenvolvimento positivo de todos.44 No caso em tela. Pelo fato de que interfere. ainda possibilitando que o infrator continue em constante contato com sua família e com a sociedade. além de que a medida atende todos os objetivos propostos. Estimulando o sentimento de importância social. de ressocialização e inserção em ambiente profissional. já que continuam em contato com a sociedade. financeiramente. Proporcionando acompanhamento. possibilitam melhoras do perfil do adolescente infrator. um relato de sucesso na recuperação com a aplicação de uma medida de regime aberto.

e que abraçados por toda a sociedade. a ser um agente transformador de sua própria realidade. servem para alertar o infrator de sua conduta antissocial praticada e reeduca-lo para a vida em comunidade. além de praticamente excluir o adolescente do convívio familiar. a autoridade competente poderá aplicar ao adolescente as medidas socioeducativas definidas na lei (conforme art. ainda é retirado do meio social. desde que aplicadas com profissionais qualificados. Não restando duvidas. Ao observarmos o disposto em Lei e seguindo seus parâmetros e metodologias. na maioria dos casos. mas sim. ideia passada por Sirlei Tavares. Estes adolescentes. através do contato com situações que lhe proporcionaram cidadania. marginalizando todos os outros conviventes. O regime que deveria ser positivo pode vir a causar influencias desastrosas em seus internos. O Estatuto da Criança e Adolescente prevê que. pode vir. E o adolescente que tiver. restando contato apenas com as regras da instituição e com outros infratores que talvez sejam delinquentes irrecuperáveis. isolando-o do convívio em sociedade. que podem e vão ensinar sua maneira de agir. pode-se alcançar a efetividade das medidas. Assim internar não está apenas em privar de liberdade o infrator. Aplicadas como reprimenda aos atos infracionais praticados pelos adolescentes. de que a privação da liberdade é. quanto tiver sua liberdade resgatada. a cometer um homicídio. 112. esta é a finalidade da medida.45 de infrações. Verifica-se. do Estatuto da Criança e do Adolescente). Para garantir sua efetividade é necessário ater-se a sua finalidade e velar pelos . em contato com outros delinquentes. bem como da sociedade da qual faz parte. pois. “caput”. de menor potencial infracional passam a conviver com outros delinquentes. talvez. verificada a pratica de um ato infracional. utilizando-se dos métodos que aprendeu no regime de internação. cometido um delito de furto por duas ou três vezes. portanto. que o adolescente internado não é de alta periculosidade ou então cometeu infração utilizando-se de violência ou grave ameaça a vítima. em diversos casos o adolescente tem privada sua liberdade por reincidência ou mau comportamento. Levando este adolescente a não ser o causador de uma realidade alarmante. a maneira menos eficaz e mais cruel de aplicação das medidas socioeducativas. as medidas socioeducativas. por assim dizer.

V . classe social. profissional e o seu retorno ao convívio familiar. da Lei 12. IV . 126 a 128. afinal a função do Estado e da sociedade é proporcionar a eles a ressocialização e não a segregação social. 122 da Lei no 8. de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente). favorecendo-se meios de autocomposição de conflitos. e . sem deixar de zelar. atendam às necessidades das vítimas. VII . gênero. ou associação ou pertencimento a qualquer minoria ou status. não podendo o adolescente receber tratamento mais gravoso do que o conferido ao adulto.069. motivar a mudança. nacionalidade.não discriminação do adolescente.excepcionalidade da intervenção judicial e da imposição de medidas. considerando-se a idade. VI - individualização. O sistema socioeducativo tem por finalidade principal o resgate.brevidade da medida em resposta ao ato cometido.594/2012: “Art. Pois é certo o impacto que causa um processo judicial para o próprio indivíduo e também no meio social em que vive.proporcionalidade em relação à ofensa cometida. III . capacidades e circunstâncias pessoais do adolescente. utilizada como uma maneira de preservar o adolescente infrator das situações vexatórias de um processo judicial. de sua dignidade e integridade. do ECA). à reintegração do adolescente infrator à sociedade. mediante procedimentos pedagógicos e psicológicos que desenvolvam a sua capacidade intelectual.46 direitos deste adolescente durante a aplicação da medida. É necessário atingir nos infratores a reflexão sobre seus atos. notadamente em razão de etnia.prioridade a práticas ou medidas que sejam restaurativas e. em especial o respeito ao que dispõe o art. política ou sexual.mínima intervenção. continuamente. II . A execução das medidas socioeducativas reger-se-á pelos seguintes princípios: I . Considere-se que uma das medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente é a remissão (arts. garantido a ele o egresso a sociedade de forma digna. sempre que possível. restrita ao necessário para a realização dos objetivos da medida. VIII .legalidade. orientação religiosa. reconhecendo que a internação não é punir. é conscientizar o infrator de sua conduta e ao mesmo tempo proteger e preservar sua identidade. 35. 35. Dispõe o art.

de onde parte e para onde converge o crescimento do país e do desenvolvimento do seu povo. a manutenção do Estado Democrático de Direito e das garantias constitucionais dos cidadãos deve partir das políticas assistenciais do governo. Tudo aquilo que se previne torna-se mais fácil de corrigir. com atividades que desenvolvam sua aprendizagem e profissionalização. O sistema estabelecido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente é reintegrativo e. sobretudo destinada às crianças e adolescentes. como verificada. isto se dá através de incentivo do Estado. formou-se um novo panorama da infância e juventude com a criação da Doutrina da Proteção Integral. Por isso. para que esta construção seja eficaz e duradoura é preciso que esteja bem fundamentada nos princípios estabelecidos. A fase da adolescência. com as medidas socioeducativas almeja-se construir a moralidade e a ética do adolescente que passou por conflitos com a lei. com garantias e prioridades absolutas de tratamento. profissionalização e acompanhamento médico e psicológico a estes adolescentes e seus familiares. tais como professores. Esta doutrina estabelece crianças e adolescentes como sujeitos de direito. Para que se tornem indivíduos responsáveis é de extrema importância que recebam apoio em seu núcleo familiar e escolar. é uma fase de profundas transformações. primeiramente.” Ora princípios existem para alicerçar uma construção. psicólogos. oferecendo educação de qualidade. busca apoio. CONCLUSÃO O Estatuto da Criança e do Adolescente e a Constituição Federal vieram regulamentar a situação da infância e da juventude brasileira. Foi utilizada uma proposta não condizente com as necessidades apresentadas e até meados do século XX.47 IX . a Doutrina da Proteção Irregular deixava muito a desejar no que tange aos direitos e garantias destes indivíduos em fase peculiar de desenvolvimento. para alcançar a eficácia de sua aplicação. de modo que. é o momento em que o indivíduo está se preparando e entrando na transição para o mundo adulto.fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários no processo socioeducativo. 6. na capacitação de profissionais que atuam com crianças e adolescentes. repleto de deveres e responsabilidades. tudo isso por meio do desenvolvimento de políticas públicas. com a promulgação do texto constitucional de 1988. .

mas como orientação de seus atos. para que estes profissionais estimulem e inspirem a sociedade a compreender que a questão do menor infrator não é o lidar com marginais ou delinquentes. O que pode. prejudicalo. o adolescente infrator possui particularidades a exemplo de ausência de estrutura familiar e a falta de oportunidades. Ser responsabilizado e estar sujeito a cumprir medidas socioeducativas ocorrem quando um adolescente comete um ato infracional. Outro fator que garante a eficácia do sistema reintegrativo é a melhoria e aperfeiçoamento das estruturas físicas dos locais destinados ao apoio e permanência de crianças e adolescentes. juntamente com educação escolar e profissional. enquanto está se preocupando com o sustento de seu lar. entre eles conselheiros tutelares. Assim evidencia-se que a questão do adolescente infrator merece uma reflexão profunda sobre diversos conceitos que servem de base as aspirações do homem na construção de um mundo melhor. não apenas das instituições destinadas ao adolescente infrator que cumprirá medida de internação ou de regime de semiliberdade. o que pode ser verificado nos dias atuais é um ataque da sociedade tendente a se voltar apenas aos efeitos e não as causas da problemática. Porém. concedendo acesso ao esporte. O amparo às famílias. tais como as escolas e creches. É a ação que se aguarda do Estado. A efetiva aplicação da medida tem como objetivo oferecer ao autor oportunidade para a reparação e para o seu desenvolvimento pessoal e social e deve ser oferecida aos adolescentes acompanhamentos psicológicos. e leva-lo ao cometimento de infrações. Tratando as crianças e adolescentes com respeito. e sim com pessoas em formação que foram expostas às intempéries da vida por ação ou omissão daqueles que deviam guardá-los e protegê-los. já que este deixa de vivenciar experiências e aprendizados necessários para sua boa formação. não como punição. mas todas as instituições que acompanham o desenvolvimento das crianças desde sua base. futuramente. que possui o dever de proteger estas garantias. Muitas vezes o núcleo escolar é deixado em busca de trabalho e dinheiro para manutenção do seu lar. para reparação do dano cometido. cultura e lazer. juízes e promotores. socorrendo primeiramente as desunidas e desintegradas e procurando trazer ao seu seio os filhos menores distribuídos pelas ruas certamente é uma solução para se combater a causa provocadora das infrações entre os . dignidade. Este amadurecimento precoce pode causar sérios danos para o adolescente. No geral.48 assistentes sociais e demais profissionais estabelecidos na garantia dos direitos das crianças e adolescentes. a partir da mais pobre.

Existem muitas Organizações Não Governamentais. sem a ajuda da comunidade que o cerca. um verdadeiro descaso com os preceitos legais e constitucionais que protegem as crianças e os adolescentes. bem como a frágil estrutura do indivíduo a qual as medidas socioeducativas se destinam. não há como afastar a análise de toda a situação que leva a necessidade da aplicação delas.49 menores. . exploração sexual. em muitos casos vários tipos de abusos. permitindo a oportunidade de um crescimento sadio e orientado. visto a precariedade das entidades de internação e a falta de um atendimento e aprendizagem necessários para o desenvolvimento e reinserção do infrator em meio a sociedade. poderia ser reduzida não fosse a despreocupação do Estado e da sociedade em “retirar do papel” as garantias que a estes deveria ser assegurada. também devem ser responsabilizados e não somente o Estado. Com a falta e estrutura familiar. iniciando um lamentável processo de revolta e refúgio em práticas infracionais. vão distorcendo a formação dos jovens. e não deve em momento algum ser confundido com as sanções punitivas elencadas no Direito Penal. como a proibição do trabalho infantil. fome. Sem uma família. decorrentes do abandono emocional e físico. tendo em vista do delicado quadro. enquanto a infância e a juventude vão se perdendo ao longo dos dias. vivenciado desde a mais tenra idade. A exemplo da defasagem escolar. A desorientação surge da falta de parâmetro de um ideal. precariedade dos serviços públicos voltados a educação e saúde. Mesmo assim. um casal “substitutivo” de seus pais deve existir nesta instituição. Mesmo com o objetivo de analisar as medidas socioeducativas. sem apoio. entre outras situações. como violência doméstica. tornando-os vulneráveis diante das adversidades do mundo. As medidas socioeducativas deveriam ter o foco ressocializador e reinsersor. a título das medidas privativas de liberdade. Ao longo do tempo a infância e juventude veem sofrendo violações aos seus direitos. Frente à impossibilidade de manter-se o adolescente no seio da família. porém muitas delas estão apenas no papel ou mesmo contam com pessoas interessadas apenas no benefício próprio. o adolescente fica desorientado. abandono. Famílias que não se preocupam em orientar seus filhos sobre decisões e condutas que devem seguir muitas vezes movidas pelo mau exemplo de seus pais e até mesmo por omissão destes. em meio às drogas e a violência. ainda que em entidades destinadas a agasalhar os abandonados. projetos e leis garantindo o bem estar destes indivíduos. muitas vezes em vários aspectos assemelham-se ao Direito Penal e suas sanções.

para atingir uma efetividade nacional é preciso entender que o Estatuto foi desenvolvido para apontar as medidas a serem aplicadas para se alcançar o resultado desejado. com sua permanência no seio familiar e social. Mas adequar a norma não é tornar as sanções mais duras. para assim atingir o objetivo preconizado: Recuperar os Adolescentes e tornalos prontos para o convívio em sociedade.50 Mesmo as medidas de regime aberto possuindo um caráter de maior eficácia. embora se reconheça que o Estatuto da Criança e do Adolescente necessita de aprimoramento visto que não é uma obra acabada em si. atingindo quase a totalidade dos objetivos lecionados pela Doutrina da Proteção Integral. O modelo apresentado no país é eficaz e adequado. A problemática da efetividade das medidas socioeducativas atinge o Estado quando ao exercer a sua função como aplicador da norma. e a seus familiares. porém. mas cabe a cada Estado pôr em prática. Conclui-se então que o Estado deve priorizar o desenvolvimento de políticas públicas que impeçam que os adolescentes deixem o meio escolar e proporcionem maiores auxilio as famílias de renda baixa. ao não dispor de estabelecimentos adequados para atender satisfatoriamente a população de adolescentes infratores submetidos a esta medida. que conforme qualquer legislação sofre mudanças conforme a evolução da sociedade. A responsabilização do adolescente infrator e a eventual sensação de impunidade que sente a sociedade não decorre da legislação. ou com desestrutura de seu núcleo. com a oportunidade de se profissionalizar e propiciar inclusive o desenvolvimento de uma profissão que poderá e deverá ser utilizado quando do termino da medida. . basta verificar onde tem sido aplicado com resultados satisfatórios. é deixar com que a norma acompanhe o desenvolvido e as novas realidades sociais. além do apoio proporcionado pelos orientadores das medidas. visando à redução deste quadro de disparidades e redução de “criação de infratores”. seguir à risca o disposto em lei. inclusive voltados à profissionalização. atendimento médico e psicológico prioritário as crianças e adolescentes tanto os infratores como os não infratores. proporcionando ensino de qualidade. e a ausência de profissionais capacitados a tratar uma medida socioeducativa com efetividade. diante da inexistência ou insuficiência de programas de execução das medidas em meio aberto e a carência do sistema de internamento. na execução das medidas socioeducativas previstas na Lei. contribuindo na construção de um país e uma sociedade melhor. promovendo a oportunidade necessária ao adolescente de aprendizado e desenvolvimento dos sensos de responsabilidade e respeito.

para que venham os resultados previstos por elas é necessário a pratica do que as normas estabelecem. pois não basta haver normas e conhece-las. Sendo assim verificamos que existem ferramentas normativas em abundancia para que se alcance a efetividade do proposto pelo Estatuto.594. assegurando conhecimento rigoroso sobre as ações do atendimento e seus resultados.51 Entendemos que existem falhas. deve-se dar total atenção e energia para a questão fundamental. que exigem um tratamento diferenciado para a efetiva recuperação de sua cidadania. Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo. Sendo assim. que é qual a forma de proporcionar meios de execução eficaz às medidas socioeducativas que o Estatuto propõe e não apenas aplicar a retirada destes adolescentes do convívio com medidas de internação com a visão de punição e até mesmo discutir sobre a redução de idade de responsabilidade criminal. bem como avaliar periodicamente a gestão das instituições voltadas a aplicação dos programas de medias socioeducativas. o chamado SINASE. para se alcançar os resultados que a sociedade e o Estado visam. exigindo que tudo o que está previsto saia do papel. mas não se trata de falhas na normativa ao ponto de comprometer a efetividade das medias socioeducativas. promovendo a melhoria da qualidade da gestão e do atendimento e disponibilizando informações sobre este mesmo atendimento. Com o objetivo de auxiliar a unificação de procedimentos e estabelecer limites de responsabilidade de cada instituição voltada ao trato do adolescente infrator. identificando o perfil e o impacto de sua atuação. na ausência (ou insuficiência) de investimento nesta área e na necessidade de uma organização própria e especializada para o trato de adolescentes em conflito com a lei. basta ocorrer o despendimento de energia do Estado e da Sociedade. bem como avaliar as próprias entidades. vem o advento a Lei 12. o erro que subsiste está na execução destas mesmas medidas. .

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