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Instrução criminal é uma das fases do procedimento penal na qual se produzem as provas tendentes ao julgamento final do processo. De regra, inicia-se com a inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa, estendendo-se até a fase anterior às alegações finais.

Nesse sentido, Mirabete define a instrução criminal como sendo "o conjunto de atos ou a fase processual que se destina a recolher os elementos probatórios a fim de aparelhar o juiz para o julgamento".1

A atividade instrutória, portanto, tem como fito convencer o julgador da existência ou não dos fatos imputados pelo acusador, pois "a aplicação das conseqüências jurídicas previstas na norma (estatuição) está dependente da prévia demonstração da ocorrência dos factos descritos hipoteticamente na previsão da norma. É a esta demonstração que se dirige a actividade probatória".2

Há, porém, um sentido lato que se pode dar à expressão instrução criminal, para englobar não somente os atos instrutórios propriamente ditos (atividade probatória típica) como também as alegações das partes. Tourinho Filho, por exemplo, divide a fase instrutória em fase probatória e fase das alegações finais.3 Podemos dizer, portanto, que há um conceito de instrução criminal em sentido estrito e um outro mais amplo (em sentido lato).

É Frederico Marques quem explica: "Há, portanto, um conceito genérico de instrução, que abrange a prática de atos probatórios e as alegações das partes"; já "a instrução propriamente dita, ou instrução em sentido estrito, é a instrução probatória, a instrução sobre fatos da premissa menor em que logicamente se estrutura a sentença.

"Ao lado do conceito lato de instrução, existe, pois, um conceito estrito, que é o de instrução probatória. Esta se define como o conjunto de atos processuais que têm por objeto recolher as provas com que deve ser decidido o litígio."4

Tendo em vista o caráter deste trabalho, eminentemente conceitual, entendemos melhor abordar a instrução criminal apenas em seu sentido estrito, de etapa probatória, considerando-se o seu começo, tal como já dito, com a inquirição das testemunhas arroladas pela acusação, findando-se imediatamente antes das alegações finais quando, de regra, as partes requerem as últimas diligências (art. 499, excepcionando-se o procedimento do Júri, onde não há essa fase de requerimento de diligências).

É bem verdade que mesmo antes do início da inquirição das testemunhas as partes podem produzir outros meios de prova, juntando, por exemplo, documentos quando do oferecimento da denúncia ou da queixa (a parte acusadora) e da defesa prévia (a parte acusada). Mesmo após as alegações finais, outros meios de prova podem ainda ser produzidos, desta feita por iniciativa do próprio Juiz processante (art. 502, parágrafo único, e art. 407, CPP).5

Desde

logo

duas

distinções

merecem

ser

feitas:

a primeira delas é a que existe

entre instrução criminale prova, pois esta é somente o meio através do qual aquela se perfaz; a prova é o substrato da instrução criminal, é o seu conteúdo básico. Também não se confundem a instrução criminal com ainvestigação criminal preparatória para a ação penal, visto que, em que pese ambas conterem atos de produção de prova, o certo é que enquanto a investigação criminal tem como finalidade municiar (e não convencer) o Ministério Público ou o querelante para uma futura instauração da respectiva ação penal, a instrução criminal municia (e tenta convencer) o Juiz para o julgamento da lide penal.6

Como diz o já citado mestre português "na fase de investigação pré -acusatória, o que importa é averiguar quais foram os factos praticados e não em convencer o MP da correspondência ou não aos factos históricos de qualquer versão que deles seja feita. A partir do momento em que é formulada a acusação é de considerar que também no processo penal o que importa é convencer o juiz da exatidão das alegações de facto feitas pela acusação e pela defesa".7

Considerando-se principalmente uma certa liberdade que existe no processo penal quanto ao momento de produção da prova, fato por nós referido anteriormente, Frederico Marques anota que "a instrução criminal é descontínua e fragmentada, ao revés do que sucede no processo civil, em que ela se caracteriza pela concentração e produção das provas, no todo ou em parte, em audiência de instrução e julgamento". Realmente, razão assiste mais uma vez ao mestre. Como ele próprio diz não há no processo penal aquele "momento comum de intercessão, como ocorre no processo civil, com a audiência de instrução e julgamento, na qual se ouvem testemunhas, partes e peritos".8

Aqui, por exemplo, a prova documental pode ser juntada em qualquer fase do processo, salvo duas exceções previstas no procedimento do Júri, arts. 406, § 2º. e 475, CPP. Assim, a instrução criminal no processo penal, considerada como um tipo, como uma fattispecie é um ato processual complexo (porque formado por vários atos) e de formação cronologicamente indiferente. Não é, portanto, um tipo penal complexo instantâneo, nem de formação sucessiva.

O interrogatório não pode mais ser considerado como o início da instrução criminal, pois hoje ele é visto como típico meio de defesa e não meio de prova.9 Assim, repita-se, em sentido estrito, a instrução criminal se inicia com a ouvida das testemunhas arroladas na peça acusatória, logo após o oferecimento ou não da defesa prévia que, por sua vez, sucede ao interrogatório (em regra).

Há entendimento jurisprudencial solidamente firmado no sentido de que a instrução criminal no processo de rito ordinário deve encerrar-se em um prazo máximo de 81 dias, se o réu estiver preso (se solto, não necessariamente); observa- se, porém, que neste prazo está incluída também a fase pré-processual, ou seja, 10 dias para o inquérito policial, 5 dias para a denúncia, 3 dias para a defesa prévia, 20 dias para a inquirição de testemunhas, 2 dias para requerimento de diligências, 10 dias para o despacho de deferimento das diligências, 6 dias para as alegações finais, 5 dias para as diligências ordenadas pelo próprio Magistrado e 20 dias para a sentença.

Este prazo é contado individuadamente e não conglobadamente, não se podendo compensar-se o atraso em uma fase com a agilização em uma posterior (há quem prefira a contagem global). Ex.: as testemunhas arroladas pela acusação devem ser ouvidas em vinte

dias se o réu estiver preso; se este prazo não for obedecido, não se compensa o atraso com

um posterior adiantamento da fase seguinte e assim por diante

O constrangimento ilegal

... pela demora no término do respectivo ato processual surge imediatamente, independentemente do ato subseqüente.

É bem de ver, no entanto, que este prazo é deveras curto, pois nele não se computam, por exemplo, prazo para ouvida das testemunhas de defesa ou para a realização do interrogatório (que deve ser feito de pronto ou em um prazo razoável 10), dentre outros.

Acompanhando este entendimento pretoriano a Lei nº. 9.034/95, que disciplina o combate às ações praticadas por organizações criminosas, estabeleceu expressamente o prazo de 81 dias para o encerramento da instrução criminal em caso de réu preso e de 120 dias se solto ele estiver (art. 8º.).

Observa-se, outrossim, que no procedimento previsto na Lei de Tóxicos (art. 35, parágrafo único) os prazos são contados em dobro para os crimes previstos nos arts. 12, 13 e 14.

De toda forma, a injustificada dilação probatória acarreta constrangimento ilegal a ser remediado via habeas corpus, salvo se o atraso foi causado pela defesa. Nesse sentido leia-se a Súmula 64, do STJ, in verbis: "Não constitui constrangimento ilegal o excesso de prazo na instrução, provocado pela defesa". Este mesmo Tribunal Superior também sumulou que "encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento por excesso de prazo" (Súmula 52) e "pronunciado o réu, fica superada a alegação de constrangimento ilegal da prisão por excesso de prazo" (Súmula 21).

Ademais, outros motivos podem também justificar o atraso e impedir a alegação de constrangimento ilegal. Cita-os, exemplificando, Mirabete: processo em que há vários réus envolvidos, necessidade de instauração de incidente de insanidade mental, citação editalícia, etc.10 A doença do réu ou do seu defensor, a complexidade da causa ou outro motivo de força maior também justificam a demora (art. 403, CPP). De observar-se, no entanto, que a expedição de carta precatória não suspende a instrução criminal (art. 222, §

1º.).

Esta questão da demora no julgamento de um processo criminal, mormente quando se trata de réu preso, é causa antiga de preocupações da doutrina e que transborda, inclusive, o Direito brasileiro, a ponto de estar expressamente consignado no Pacto Internacional sobre

Direitos Civis e Políticos firmado em Nova York, em 19 de dezembro de 1966 e promulgado pelo Governo brasileiro através do Decreto nº. 592/92, a seguinte cláusula: "3. Toda pessoa acusada de um delito terá direito, em plena igualdade, a, pelo menos, as seguintes garantias:

(

...

)]

"c) De ser julgado sem dilações indevidas" (art. 14, 3, c).

Igualmente lê-se no Pacto de São José da Costa Rica, de 22 de novembro de 1969, promulgado entre nós pelo Decreto nº. 678/92:

"Art. 8º. Garantias Judiciais

"1. Toda pessoa tem direito a ser ouvida, com as devidas garantias e

dentro de um prazo razoável, por um juiz ou tribunal competente

..."

nosso).

(grifo

No mesmo sentido, confira-se a Convenção européia para salvaguarda dos direitos do homem e das liberdades fundamentais, art. 6º., 1.

Na atual Carta Magna espanhola, art. 24, 2, temos:

"Asimismo, todos tienen derecho ( indebidas y con todas las

...

)

garantías..."

a un proceso público sin dilaciones

(grifo nosso)

Do mesmo modo a VI Emenda à Constituição americana:

"Em todas as causas criminais, o acusado gozará do direito a um juízo

rápido e

público..."

É o direito ao speedy trial.

Aliás, determina o nosso Código de Processo Penal dever o Juiz consignar nos autos sempre que a instrução terminar fora do prazo (art. 402).

As testemunhas arroladas pela acusação devem ser necessariamente ouvidas antes das de defesa, não podendo haver inversão nessa ordem, sob pena de nulidade absoluta por mácula ao princípio do contraditório que requer sempre que a defesa se manifeste após a acusação.

O número máximo de testemunhas que podem ser arroladas é de oito para a acusação e oito para a defesa. Há procedimentos especiais, no entanto, que fazem exceção a essa regra prevista no art. 398, do CPP, como, por exemplo, na Lei de Tóxicos e na de economia popular (cinco).

Instrução Criminal

A Instrução criminal deve ocorrer em 60 dias no rito ordinário e 30 dias no rito sumário a partir do recebimento da denúncia, há discussão doutrinário a respeito disso.

Cronologia da Instrução criminal:

  • 1. Ofendido

  • 2. Testemunhas (primeiro acusação depois defesa)

  • 3. Peritos (acareações, reconhecimento)

  • 4. em caso de confissão ela é divisível e

Interrogatório

retratável. Pode requerer

diligência.

  • 5. Debates orais

  • 6. Sentença

Se o processo for complexo ou houver um número grande de acusados ou após as diligências, o juiz pode substituir os debates orais por memoriais.

Art. 402. Produzidas as provas, ao final da audiência, o Ministério Público, o querelante e o assistente e, a seguir, o acusado poderão requerer diligências cuja necessidade se origine de circunstâncias ou fatos apurados na instrução. Art. 403. Não havendo requerimento de diligências, ou sendo indeferido, serão oferecidas alegações finais orais por 20 (vinte) minutos, respectivamente, pela acusação e pela defesa, prorrogáveis por mais 10 (dez), proferindo o juiz, a seguir, sentença. § 1 o Havendo mais de um acusado, o tempo previsto para a defesa de cada um será individual. § 2 o Ao assistente do Ministério Público, após a manifestação desse, serão concedidos 10 (dez) minutos, prorrogando-se por igual período o tempo de manifestação da defesa.

§ 3 o O juiz poderá, considerada a complexidade do caso ou o número de acusados, conceder às partes o prazo de 5 (cinco) dias sucessivamente para a apresentação de memoriais. Nesse caso, terá o prazo de 10 (dez) dias para proferir a sentença.

§ 3 O juiz poderá, considerada a complexidade do caso ou o número de acusados, conceder

O procedimento ordinário e o sumário são iguais, as diferenças são que no ordinário o número máx de testemunhas são 8 enquanto que no sumário são 5. O prazo para apresentar defesa no ordinário são 60 dias enquanto que no sumário são 30 dias.

Procedimento sumaríssimo

Crimes até dois anos. A ideia era evitar a prisão com objetivo de esvaziar as prisões.

Crimes de menor potencial ofensivo, há o comprometimento do acusado em

comparecer em juizo quando chamado, desta forma não há necessidade de lavrar o termo de flagrante nem fiança. Se o acusado não comparecer o processo é enviado para o juízo comum. Indenização da vítima.

Ação penal pública condicionada e ação penal privada há a audiência preliminar ou audiência de conciliação, tal audiência pode ser presidida por juízes conciliadores. O acordo na área cível (indenização) encerra o processo pra sempre. Se não há acordo vai pra audiência de conciliação com o juíz, na ação privada é necessário a queixa da vítima.

Na ação condicionada havendo a anuência da vítima o MP propõe uma sanção. No acordo se não for cumprimido não há o que fazer além da execução da vítima, já no acordo realizado na audiência de conciliação há consequências.

A lei não fala o número máx de testemunhas, mas considera-se 3. Não há fase de acareações por peritos.

Depois das testemunhas há o interrogatório > debates orais> setença.

Noprocessopenal,ainstruçãocriminaldelimitaafasedeproduçãodaprovadofato,necessáriaparadecidiraimputaçãopenal.Assim,ainstruçãocriminalconstituioespaçoprivilegiadodeprincípiosreguladoresdoprocessopenal:oprincípiodapresunçãodeinocênciaeoprincípiododevidoprocessolegal,queinformamaproduçãodaprovaeasdecisõesprocessuaisnoEstadoDemocráticodeDireito.1 Essesprincípiosreguladoresdevematravessartodaacriminalizaçãosecundária,influenciandoquestõesteóricaseproblemaspráticosdeproduçãodaprova,quealgumasperguntasajudamadefinir:a)oqueéprovarumfato?b)quem deveprovarofatonoprocessopenal?c)comodeveserproduzidaessaprova?d)porqueéproduzidaaprovacriminal?Essasperguntaspermitemdiscutirosfundamentospolíticosejurídicosdacriminalizaçãosecundárianocapitalismoneoliberalcontemporâneo,emgeralcondicionadapelaposiçãodeclasse(subalterna)dossujeitoscriminalizados,selecionadosporestereótipos,preconceitos,idiossincrasiaspessoaisedistorçõesideológicas,maisdoquepelagravidadedocrimeoupelodanosocialdofato.2 1.Perguntaroqueéprovarumfatopermitedescobriroprocessodeconhecimentodefatoshistóricos,mediantetécnicasdescritivaspessoais,documentaisepericiais.Provarsignificacriaraconvicçãodaexistênciadeumarealidade3medianterepresentaçõespsíquicascapazesdereproduzilapelaviadopensamento.Noprocessopenal,essareproduçãofenomenológicatemporobjetoasdimensõesobjetivaesubjetivadaaçãoimputada:adimensão objetiva(materialidade)descrevealesãodobemjurídico;adimensãosubjetiva(autoria)
 






















































 1ROXIN/SCHÜNEMANN,Strafverfahrensrecht.Munchen:Beck,26aedição,2009,§11, n.111. 2CIRINODOSANTOS,

DireitoPenal ParteGeral.Florianópolis:Conceito,5a edição,2012,p.13. 3ROXIN/SCHÜNEMANN,Strafverfahrensrecht.Munchen:Beck,26aedição,2009,§24,n.1 2 descreveasformasdolosasouimprudentesdelesãodobemjurídico.

 Emoutraspalavras,provarsignificademonstraraexistênciadoinjustoedaculpabilidade,queformamoconceitodecrime.Logo,provarumfatocriminososignificademonstraraverdadedeumaproposiçãoacusatóriapor causadisso,emergeoprincípioindubioproreo,peloqualdúvidassobrearealidadedofatodeterminamaabsolviçãodoacusado.Oprincípioindubiopro reo,deduzidodagarantiaconstitucionaldapresunçãodeinocência(art.5o,LVII,CF),significaqueumadúvidarazoávelésuficienteparaabsolvição:a)seaacusaçãodeveprovarofatoimputado,oacusadonãoprecisaprovaroálibiapresentado; b)dúvidassobrejustificações,sobreexculpaçõesououtrasisençõesdepenanãoautorizamcondenações. 4 2.Perguntarquemdeveprovarofatonoprocessopenalconduzaosdoisgrandessistemasprocessuais:osistemainquisitórioeosistemaacusatório.Nosistemainquisitório,dominantenoprocessopenalmedieval,as

funçõesdeacusaredejulgarestãoconcentradasnapessoadoJuiz,queproduzaacusação,aprovaeojulgamentodofatoumsistemaconstruídoparacriminalizarheregesebruxas,orientadoparaaconfissão(sobjuramentoousob

tortura)eregidopelapresunçãodeculpa,somenteexcluídapelasordálias,oujuízosdeDeus.Nosistemaacusatório,dominantenoprocessopenalmoderno,o

Estadoassumea

funçãodeacusaredejulgar,masatribuiatarefadeacusaraum

órgãodoEstado(oMinistérioPúblico)eatarefa

dejulgara

outro

órgão

do

Estado(oJuiz)5 umsistemaqueintroduziuaigualdadelegaleapresunção

de

inocência,mas

quegaranteadesigualdadereal(criminalizaçãoseletivadas

classessubalternas)e,naprática,restaurou

apresunçãodeculpapelaseletiva

atuaçãodoaparelhopolicialcontraaperiferiasocial.Noprocessopenalmodernonãoexisteaindaumsistemaacusatóriopuro:predominaosistemaacusatório,no

qualoJuiz

aindapreservaumpoderdeinvestigaçãopessoaldofatoimputado,sem
























































 4CIRINODOSANTOS,



DireitoPenalParteGeral.Florianópolis:Conceito,5aedição,

2012,p.627628.

5

ROXIN/SCHÜNEMANN,Strafverfahrensrehct.MÜNCHEN:Beck,26aedição,2009,§

13,

n.13;também,CIRINODOSANTOS,Manual

deDireitoPenal Parte

Geral.

Florianópolis:Conceito,2aedição,2012,p.392393.

3

vinculação

aos

meios

de

provapropostospelaacusaçãoepeladefesa(princípiodainstrução)6 objetodecríticascontundentesnaliteratura.3.Perguntarcomodeveserproduzidaaprovaconduzaoprincípiododevidoprocessolegal(oudojustoprocesso),quedefine omododeproduziraprovacriminalemtodashipótesesdeprivaçãodaliberdade oudebensdoacusado(oudavida,nocasodepenademorte).Odue

processoflaw(previstonoart.5o,LIVdaCF),pretendeassegurarigualdadede armasentredefesaeacusação,garantindoàdefesaacapacidadedecontestaropoderincriminadordaacusaçãoumacapacidadeasseguradanovarejo,masausentenoatacadodamassadeencarceradospobres,esmagadapelopoder

ecnológicoediscursivoda

Polícia

e

do

Ministério

Público,

se

não

existe

DefensoriaPúblicaestruturada,comoaindaocorrenoParaná.Masosprincípios

do

contraditórioe

da

ampla

defesa

e

o

princípio

da

proibição

de

provas

obtidaspormeiosilícitos,contidosnodevidoprocessolegal,sãogarantias

democráticasdoEstadodeDireito.

3.1.Oprincípiodocontraditório(art.5o,LV,CF)

exigedescriçãodofatoimputado,comtodasassuascircunstâncias,bemcomo

provadematerialidadeeindíciosdeautoria,nadenúnciaounaqueixauma

garantiaesvaziadapordenúnciasgenéricas,quedeslocamadefiniçãodo

fatoparaa

 

instruçãocriminalemantêmoacusadonaignorânciadofato

edaprovadofato.

3.2.Oprincípiodaampladefesa(art.5o,LV,CF)temduasdimensões:a)

a

autodefesadoacusado,produzidanointerrogatório

(primeiroatodo

inquérito

e

último

da

instruçãocriminal),pressupõea

informaçãode

direitosdo

acusado

(art.5o,LXIII,CF),mediantecomunicaçãodofatoimputado,dodireitodecalare deconsultaradvogadoantesdequalquerdeclaraçãocoisararanaPolícia,que

primeiro

interroga

e

depois

informaos

direitos,quando

informa;b)

a

defesa

técnicadoadvogado,comopoderdoacusadocontraopoderdoEstado,édenaturezaconflitual(porexceção,podeserconsensualnaJEC)econsistenadeduçãológicadosargumentosdedefesadoacusado,identificadosnoinquéritopolicial,estruturadosnainstruçãocriminaleformalizadosnas
 




















 

































 6ROXIN/SCHÜNEMANN,Strafverfahrensrehct.MÜNCHEN:Beck,26aedição,2009,§15,n.15;também,CIRINODOSANTOS,ManualdeDireitoPenal ParteGeral.Florianópolis:Conceito,2aedição,2012,p.394. 4 alegaçõesfinaisenosrecursosjudiciaisumagarantiafrustradaemmilharesderéusindefesosoucomdefesasdecorativas. 3.3.Aproibiçãodeprovasobtidaspormeiosilícitoséaprincipalgarantiadoprincípionemotenetur(seipsumacusare),instituídocomoproteçãocontraaautoincriminação(a)pormétodosviolentos(tortura,agressõescorporais,coação,maustratos,ameaças)(b)pormétodos ardilososoulesivosdalivreautodeterminação(engano,hipnose,empregodedetectordementiras,administraçãodedrogas)e(c)pormétodoslimitadoresda defesa(lesivosdodireitodereter,ocultar,alteraroudestruirdocumentos,papéisouobjetosincriminadores)7.Nãoobstante,todossabemos:tortura,ameaça,enganoetc.sãométodoscomunsdeinvestigaçãocriminal,equemexerceodireito dedestruirdocumentosouobjetosincriminadoresarriscaseracusadodefraudeprocessual,porexemplo. 4.Perguntarporqueéproduzidaaprovacriminalindicaoobjetivodainstruçãocriminal,antecipadanaprimeirapergunta:abuscadaverdadedofato.Abstraindoaquestãofilosófica,falaseemverdadeabsoluta,objetiva,material,formaleatéemverdadefuncionalnoprocessopenal.8Contudo,aúnicaverdadepossívelnainstruçãocriminaléaverdadeprocessual,comosíntesedemúltiplasrepresentaçõespsíquicas(autor,vítima,testemunhaseperitos), expressãoformaldainvestigaçãodofatoobjetodeimputaçãocriminal9 um esforçodeaproximaçãodaverdadematerial,quepodeserreproduzidapelopsiquismohumano,masnãoéreproduzívelcomoacontecimentohistórico.Esseesforçodereproduçãopsíquicadofatopodeproduzirumaconvicçãodeverdade,segundooprincípiodalivre
 








































 













 7Nessesentido,a5aEmendaàConstituiçãoamericana,assimcomoo§136doCPPalemãoe,noBrasil,oAcórdãodoSTFnoHCn.79.812/01,RelatoroMin.CelsoMello,quedefineoprincípionemoteneturcomodireitosubjetivopúblico. 8ALBRECHT, CriminologiaumafundamentaçãoparaoDireitoPenal(traduçãodeJuarezCirinodosSantoseHelenaSchiesslCardoso). RiodeJaneiro/Curitiba:LumenJuris/ICPC,2010,p.385.9LOPESJR,Introduçãocriticaaoprocessopenal(fundamentosdainstrumentalidadeconstitucional).RiodeJaneiro:LumenJuris,4aedição,2006,p.271275. 5 valoraçãodaprovaquecorrespondeaumaverdadesubjetivadoJuiz,masnãoseconfundecomaverdadematerialdofato histórico.10 Porúltimo,essabuscadaverdadenoprocessopenalétambémumafontedeerros:a)errosdoacusado,quenãoprecisadizeraverdadeetemodireitodecalar;alémdisso,osestímulossensoriaispodemselecionaroudistorcerapercepçãodofatosempreumfenômenopsíquicoativo

produzindoumamemóriafalsaouincompleta;maisainda,areproduçãopsíquicadofatodependedacompetêncialinguísticadosujeito,demodoqueodiscursopodetornarinverossímilumapercepçãocorreta,ouverossímilumapercepçãocorreta errosdetestemunhas,quetêmodeverdedizeraverdade,masnecessidadesde álibipodemengendrarfalsostestemunhos,conscientesounãosem falarnosatosfalhoscomoesquecimentos,deformaçõesourepressõespsíquicas;c)errosdeperitos,emlaudospsicológicosoupsiquiátricos,cujacomprovadainconfiabilidadepodedeterminarresultadosdesastrosos,porconhecimentotécnicoinsuficienteoupormaterialdeprovainconsistenteagravadopelonaturalprestígiodaprovatécnicaperanteaJustiçacriminal;d)errosmateriaisemregistrosincorretos,obscuros,ambíguosoufalsos;11 e)porúltimo,errosdoJuizdeterminadospordefeitosderepresentaçãoochamadosilogismoregressivo,conhecidoemCriminologiacomoregras:fenômenospsíquicosemocionais(amaioriainconsciente)determinantesdaconcretadecisãojudicial(ospreconceitos,estereótipos,traumas,idiossincrasiasedeformaçõesideológicasemgeral,queinformamaspercepçõese atitudesdojulgador),desencadeadosporindicadoressociaisnegativosdepobreza, desemprego,marginalização,moradiaemfavelaeoutras semelhantesqueselecionam aclienteladosistemapenalomomentodecisivodoprocessodecriminalização.