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EXCELENTÍSSIMO SR. DR.

JUIZ DE DIREITO DA VARA CÍVEL DA


COMARCA DE SETE LAGOAS/MG

GERSON GOMES DA SILVA, brasileiro, industriário, separado, inscrito no CPF


sob o nº 743.114.686-87 e no registro geral SSP/MG sob o nº M 3.852.496,
vem, respeitosamente perante V. Exa., propor

AÇÃO...

Em face de JOSE MARQUE DA SILVA, brasileiro, comerciante, inscrito no CPF


sob o nº 743.163.456-87 e no Registro Geral SSP/MG sob o nº MG 12.067.635,
residente e domiciliado nesta cidade de Sete Lagoas ((confirmar endereço)) ,
nos termos que se seguem.

DOS FATOS

(O AUTOR, NO DIA XXXXX – LIDIANE, FAVOR CONFIRMAR A DATA EM


QUE GERSON ADQUIRIU OS AUTOMÓVEIS) adquiriu do Réu dois veículos
sendo um automóvel VW/Gol 16 V, ano/mod. 2000, Placa GYO – 9653,
Renavan 739084372, Chassi: 9BWCA15X8YT213624, ainda em nome de TJ
FUNDIÇÕES LTDA, com alienação fiduciária em favor da ABN AMRO REAL
S.A pelo valor real de R$ 18.000,00 (dezoito mil reais), e outro automóvel
GM/Corsa Super, ano 1998/mod. 1999, Placa GXW – 2336, Renavan
713794488, Chassi: 9BGSD68ZWC684472, ainda em nome de João Batista
Correa, com alienação fiduciária em favor de BCO FINASA S.A, cujo valor real
era de R$ 15.500,00 (quinze mil e quinhentos reais), totalizando a soma dos
dois um montante de R$ 33.500,00 (trinta e três mil e quinhentos reais).

Toda a transação se deu por meio de contrato particular de promessa de


compra e venda, onde, em pagamento dos veículos acima mencionados, o
Autor daria dois outros veículos, sendo uma Caminhonete GM/S10, placa KIT -
1136, Renavam 736696512, Chassi: 9BG138CCDYC426980, pelo preço certo
e ajustado de R$ 46.000,00 (quarenta e seis mil reais), e uma Moto Honda R-
250 Tornado, ano/mod. 2006, placa KIS - 8613, Chassi 9C2MD34006R007353,
de propriedade de Cássia Aparecida de Andrade, ex-esposa, pelo preço certo e
ajustado de R$ 9.000,00 (nove mil reais), conforme cláusula 3, 3.1 e 3.2 do
contrato em anexo.

Na verdade, os veículos transferidos pelo autor em pagamento dos dois


automóveis também não estavam quitados, porém somavam um valor bastante
superior àquele resultante do montante dos veículos adquiridos.

Como a diferença entre os valores perfaziam um total de R$ 21.500,00 (vinte


um mil e quinhentos reais) em favor do Autor, acordaram as partes em fazer a
dedução das parcelas vincendas, ficando o Réu responsável pelo pagamento
da diferença, nos seguintes termos:

Desconta-se a importância de R$ 2.360,45 (dois mil trezentos e sessenta reais


e quarenta e cinco centavos), relativas a quatro parcelas pendentes de
pagamento do financiamento da Moto Honda e R$ 5.114,00 (cinco mil cento e
quatorze reais), correspondentes a três parcelas pendentes de financiamento
da Caminhonete S10, assumindo o Réu o ônus do pagamento dessas parcelas
a partir de seu ingresso na posse dos veículos, conforme dispõe as cláusulas
4, 4.1 e 4.4 do referido contrato.

Deduzidos esses valores, o Réu pagou em espécie ao Autor as diferenças que


computaram R$ 14.025,55 (quatorze mil e vinte cinco reais e cinqüenta e cinco
centavos), a título de restituição das diferenças de preços entre os veículos.

Ademais, o Réu se comprometeu a quitar integralmente as parcelas vincendas


de financiamento dos veículos vendidos, bem como dos outros dois dados em
pagamento, entregando ao Autor, no término do período de pagamento da
última parcela de cada veículo, as liberações pelos agentes financeiros
fiduciários, possibilitando a transferência definitiva dos mesmos junto ao
DETRAN, conforme estabelecido nas cláusulas 6 e 7.

Também entre as partes ficou acordado que em havendo qualquer embargo ou


seqüestro, penhora ou apreensão judicial ou policial em desfavor dos veículos
adquiridos pelo Autor/comprador, decorrentes do descumprimento das
obrigações do financiamento, ficaria o Réu/vendedor responsável e obrigado a
restituir, em forma de indenização ao Autor, todo prejuízo decorrente desse
contrato, sobretudo da restituição das quantias recebidas devidamente
corrigidas, conforme dispõe a cláusula 9 do referido contrato.

Acontece que há tempos o Réu não vem cumprindo o que foi acordado na
transação, quebrando pois o objeto do contrato, impossibilitado o Autor de
exercer o usufruto de seu veículo Gol, constante da cláusula 1.1 do contrato,
pois o mesmo está sob seqüestro da Justiça do Trabalho como garantia de
dívidas trabalhistas do proprietário do mesmo, ou seja, a TJ FUNDIÇÕES,
vício só conhecido após a celebração do contrato, ficando o Autor de boa fé, e
assumindo um prejuízo que não o comporta, somado à decepção, o
constrangimento, que abalaram agudamente, não apenas a estrutura
psicológica, mas outrossim, a própria estrutura física da REQUERENTE uma
vez que o mesmo adquiriu o veiculo para atendimento a suas
necessidades de locomoção, inclusive para trabalhar, não podendo
usufruir de um bem que pagou honestamente por ele.

Do Direito

Em conformidade com tudo o que fora exposto anteriormente e com o


contrato anexo, não restam dúvidas de que a lesão sofrida pelo
REQUERENTE é proveniente do descumprimento das cláusulas
estipuladas pelas partes no referido contrato.

Para tal atitude, o artigo 475 do Código Civil de 2002 resguardou o


direito da parte prejudicada pelo inadimplemento contratual pleitear as
perdas e danos provenientes do desrespeito e descaso sofrendo,
conforme se pode verificar:

“Art. 475. A parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução


do contrato, se não preferir exigir-lhe o cumprimento, cabendo em
qualquer dos casos, indenização por perdas e danos.”

Diante disso, clara está a total procedência da presente ação, eis que
se trata de patente descumprimento contratual por parte do
REQUERIDO a ensejar a devida reparação nos termos do artigo
transcrito.

Da responsabilidade civil

Ficou evidente, que através de seus atos, o REQUERIDO não cumpriu


com as obrigações estabelecidas no contrato que ela mesma firmou,
sendo totalmente responsável pelos danos morais e materiais advindos
da sua irresponsabilidade, nos termos dos artigo 186 CC e artigo 6°,
inciso VI, do Código de Defesa do Consumidor.

Além da responsabilização do REQUERIDO nos moldes do artigos


acima mencionados, encontramos ainda no Código Civil de 2002 um
dispositivo, o art. 389, que procura tutelar os direitos de quem se viu
lesado pelo inadimplemento contratual, atribuindo ao inadimplente a
responsabilidade pela reparação dos danos causados pelo não
cumprimento de sua obrigação.

“Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e


danos, mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais
regularmente estabelecidos, e honorários de advogado.”

Assim, está clara a configuração do ilícito contratual cometido pelo


REQUERIDO, no tocante as obrigações que deveria ter sido cumprida,
não restam dúvidas quanto à sua responsabilidade pela reparação dos
danos causados, pois nesse ponto, a legislação vigente é taxativa, sem
dar margem a qualquer outro tipo de interpretação.

Do dano moral

Segundo a doutrina, o dano moral configura-se quando , por ação ou


omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar
dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito , e
a reparação do mesmo tem o objetivo de possibilitar ao lesado uma
satisfação compensatória pelo dano sofrido, atenuando, em parte, as
conseqüências da lesão.

Tem-se, que diante das circunstâncias evidenciadas anteriormente, é


irrefragável que o REQUERENTE sofreu um dano moral, pois está
sendo impedido de usufruir de um bem que comprou e pagou, te forma
humilhante perante seus amigos e conhecidos, tendo que deixar seu
carro na garagem “escondido” como se devesse algo para a justiça, o
que não é o caso, alem disso o documento do veiculo está sendo retido
pelo antigo dono, situação constrangedora e vergonhosa para o
requerente que é pessoa honesta e digna que merece amparo e a
devida reparação. Em relação ao dano efetivamente causado,
podemos recorrer à legislação pátria a fim de embasarmos a causa de
pedir em relação ao dano moral, na presente ação, tendo em vista o
artigo 5º, incisos V e X, da Constituição Federal, que dispõem:

Art.5º ..........................................
.0.........................................
V – É assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além
da indenização por dano material, moral ou à imagem;
..........................................
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem
das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou
moral decorrente de sua violação;
..........................................

. O Código de Defesa do Consumidor também ampara o consumidor


que foi vitimado em sua relação de consumo, com a justa reparação
dos danos morais e patrimoniais causados pela má prestação de
serviço, como se pode constatar em seu artigo 6º, que no inciso VI
explicita tal proteção:

“Art. 6º. São direitos básicos do consumidor:


..........................................
VI – a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais,
individuais, coletivos e difusos.
..........................................”

Ademais, constata-se que o novo Código Civil acolhe de forma mais


expressiva a possibilidade de reparação dos danos causados a
alguém, consoante se pode verificar mediante o disposto no artigo 186,
in verbis:

"Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou


imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que
exclusivamente moral, comete ato ilícito."

Reforçando os efeitos deste artigo, as partes, em seu contrato de compra e


venda com permuta de veículos, na cláusula 8, pactuaram:

“As partes declaram que sobre os veículos não pesa qualquer impedimento
judicial ou extrajudicial, multa, investigação ou penalidade, respondendo uma
para com a outra, pela evicção de direitos”

Ainda reforçando as garantias deste contrato, foi pactuado que o revendedor


garantiria uma indenização caso o/os objetos deste sofresse alguma restrição:

Cláusula 9: “No caso dos veículos adquiridos pelos compradores, sofrerem


qualquer embargo, sequestro, penhora ou apreensão judicial ou policial, [...]
ficará o REVENDEDOR obrigado a indenizar aos compradores[...]”

. Desta feita, não restam dúvidas quanto a necessária responsabilização


do REQUERIDO, para que em atendimento aos ditames constitucionais, e
outrossim, às disposições protetivas do consumidor, seja atendido o
direito do REQUERENTE à devida reparação dos danos morais que lhe
foram causados.

Do dano patrimonial

Resta evidente pelos fatos narrados, que houve um dano patrimonial, o


veiculo adquirido pelo requerente encontra-se com restrição judicial, que
com já esclarecido anteriormente foi posterior a data do contrato
estabelecido entre as partes. O requerente pagou pela compra do Veiculo
gol R$ 18.000,00 (dezoito mil reais), e não pode usufruir do veiculo, isso
sem levar em conta ainda a questão do financiamento que deveria está
sendo pago pelo requerido, conforme acordado entre as parte.

Devido a todos os transtornos causados pela quebra do contrato o


REQUERENTE E se vê no direito de ser indenizado pelo que deixou de
ganhar, pois toda a quantia gasta além do valor do contrato, fazia parte de um
fundo de investimento (vide documento em anexo, doc. 5) do qual a
REQUERENTE abriu mão para ver seu sonho parcialmente realizado. Para tal
possibilidade, o artigo 402 do Novo Código Civil profere o seguinte:

“Art. 402 Salvo as exceções expressamente previstas em lei, as perdas e


danos devidas ao credor abrangem, além do que ele efetivamente perdeu, o
que razoavelmente deixou de lucrar.”

Da restituição do valor pago

Ademais, cabe ao REQUERENTE o direito de reaver todo seu investimento,


uma vez que o contrato foi totalmente descobrindo pelo requerido. ( art. Que
fala de restituição dos valores pagos)

Da indenização

Diante do exposto, resta evidente a configuração do dano moral causado ao


REQUERENTE, uma vez que o REQUERIDO além de quebrar o contratado
realizado, também não mostrou interesse em resolver a questão vergonhosa e
constrangedora sofrida pelo requerente. Destarte, verificamos que cabe o
REQUERIDO indenizar o REQUERENTE em virtude do dano moral causado,
diga-se, devidamente evidenciado.
A legislador se pronunciou no artigo 389 do Código Civil de 2002, que
novamente se transcreve, da seguinte forma:

“Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos,
mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente
estabelecidos, e honorários de advogado.”

Assim, na determinação da indenização deve-se considerar o disposto no


caput do artigo 944 do Código Civil de 2002, que ora se transcreve:

“Art. 944. A indenização mede-se pela extensão do dano.


..........................................”

Ressalte-se por oportuno, a importância da indenização em caráter pecuniário,


tanto do dano moral quanto do dano material, não apenas por recompor o
REQUERENTE pelos danos efetivamente sofridos, mas primordialmente, por
desestimular o REQUERIDO, para que o mesma não venha a reincidir no
mesmo comportamento desidioso. Ademais, há de se considerar, que a
reparação patrimonial nada mais é do que a justa restituição do valor
despendido pelo REQUERENTE.

Da Jurisprudência

Pacífico é o entendimento jurisprudencial acerca da reparabilidade dos danos


morais e materiais ocasionados, por vício ou por descumprimento contratual,
como ocorrido no presente caso, na seguinte decisão:

TAMG - Tribunal de Alçada de Minas Gerais


Processo: 0374698-3 Apelação (Cv) Criminal
Origem: Tribunal de Alçada do Estado de Minas Gerais
Órgão Julgador: Quinta Câmara Cível
Relator: Juíza Eulina do Carmo Almeida
Rel. Acórdão: Juiz Francisco Kupidlowski
Ementa:
INDENIZAÇÃO - CASA PRÉ-FABRICADA - EXECUÇÃO INADEQUADA DO
SERVIÇO CONTRATADO - DEVER DE REPARAR. VOTO PARCIALMENTE
VENCIDO. - Comprovada a presença de vícios na edificação, atinentes à
qualidade do material utilizado e falta de acompanhamento técnico adequado,
cabe ao devedor da obrigação reparar o prejuízo causado, para fins de reforma
e conclusão do serviço contratado. - A indenização por danos morais também
alcança a frustração e o desgaste moral causado pela entrega de estrutura e
material de construção defeituosos, inadequados e extemporâneos, fruto de
desídia e quebra contratual. V.p.v.: INDENIZAÇÃO - CASA PRÉ-FABRICADA
-EXECUÇÃO INADEQUADA DO SERVIÇO CONTRATADO - DEVER DE
REPARAR. Comprovada a presença de vícios na edificação, atinentes à
qualidade do material utilizado e falta de acompanhamento técnico adequado,
cabe ao devedor da obrigação reparar o prejuízo causado, para fins de reforma
e conclusão do serviço contratado. (Juíza Eulina do Carmo Almeida)

DOS PEDIDOS

Pelo exposto, REQUER:

I - A citação da REQUERIDA para, querendo, apresentar defesa, sob pena de


serem reputados como verdadeiros os fatos ora alegados, nos termos do art.
285 e 319 do Código de Processo Civil;

II – Seja a presente ação julgada procedente, determinando-se o pagamento,


pelo REQUERIDO, de indenização para a reparação dos danos morais sofridos
pelo REQUERENTE no valor de R$ (xxx) (valor expresso), e também dos
danos materiais causados, no valor de R$ (xxx) (valor expresso),
determinando-se, ainda, a restituição da quantia definida no contrato e paga ao
REQUERIDO, no valor de R$ (xxx) (valor expresso).

III - Seja o REQUERIDO condenado a pagar as despesas e custas


processuais, bem como honorários advocatícios

Pretende provar o alegado mediante prova documental, testemunhal e demais


meios de prova em Direito admitidos, nos termos do art. 332 do Código de
Processo Civil.

Dá-se a causa o valor de R$ (xxx) (valor expresso).

Termos que

Pede deferimento.