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DIREITO CIVIL

Sucessões
Profª. Maitê Damé
I – SUCESSÃO EM GERAL
1. Abertura da sucessão
A sucessão se abre com o óbito. No exato momento da morte há a abertura da
sucessão e a transmissão da herança (bens, dívidas, créditos e obrigações) deixada
pelo falecido aos herdeiros (princípio da saisine) – art. 1.784.
Não há herança de pessoa viva, embora possa ocorrer a sucessão do ausente.
São, portanto, pressupostos da sucessão:
a) que o de cujus tenha falecido;
b) que lhe sobreviva herdeiro.
Se o autor da herança estiver vivo, não há sucessão. Assim, só se abre a
sucessão havendo óbito real ou presumido.
Em termos de morte civil, existem três modalidades: a) morte real; b) morte
presumida sem declaração de ausência; c) morte presumida com declaração de
ausência.

a. Morte real
Aquela que se dá com corpo presente, ou seja, existe a materialidade (morte
natural, por atropelamento, por um tiro, cerebral, ...). Neste caso, necessário um laudo
médico, atestando a morte, para a elaboração do registro do óbito.

b. Morte presumida sem declaração de ausência


Via de regra é preciso que haja a apresentação do atestado de óbito para que
possa ser considerada aberta a sucessão. Contudo, há casos em que a morte é
presumida, quando, por exemplo, o corpo do de cujus não é encontrado em razão de,
por exemplo, ter desaparecido em um naufrágio ou incêndio, de forma a impossibilitar
a constatação da morte via atestado de óbito:
- desaparecimento do corpo da pessoa, sendo extremamente provável a morte
de quem estava em perigo de vida;
- desaparecimento de pessoa envolvida em campanha militar ou feito
prisioneiro, não sendo encontrado até dois anos após o término da guerra.
Art. 7. Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de ausência:
I - se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida;

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II - se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for
encontrado até dois anos após o término da guerra.
Parágrafo único. A declaração da morte presumida, nesses casos, somente
poderá ser requerida depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo
a sentença fixar a data provável do falecimento.

Nestes casos, após buscas e averiguações poderá ser requerida a declaração


judicial da morte presumida, quando, na sentença, deverá constar a data provável do
falecimento 1.

c. Morte presumida com declaração de ausência


Ao lado da morte natural, o legislador previu a morte presumida do ausente (art.
6.º). Considera-se ausente aquele que desaparece de seu domicílio sem dar notícias,
sem deixar representante ou procurador para administrar-lhe o patrimônio, conforme
art. 22:
Art. 22. Desaparecendo uma pessoa do seu domicílio sem dela haver notícia,
se não houver deixado representante ou procurador a quem caiba administrar-
lhe os bens, o juiz, a requerimento de qualquer interessado ou do Ministério
Público, declarará a ausência, e nomear-lhe-á curador.

Considerando que há uma presunção da morte do ausente, podem os herdeiros


darem abertura ao processo sucessório. A lei prevê três fases2: curadoria dos bens do
ausente, sucessão provisória e sucessão definitiva.
Na fase de curadoria dos bens do ausente, em ação que deve ser proposta pelo
MP ou pelo interessado (qualquer sucessor), será nomeado um curador para guardar
os bens do ausente (art. 744, CPC/2015).
Serão curadores:
a) O cônjuge ou companheiro;
b) Os pais do ausente;
c) Os descendentes;
d) Um curador dativo (pessoa idônea e de confiança).

1 TARTUCE, Flávio. Direito civil: direito das sucessões. V. 6. 9.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2016, p. 13.

2TARTUCE, Flávio. Direito civil: direito das sucessões. V. 6. 9.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2016, p. 14-
20.

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Uma vez que tenham sido arrecadados os bens do ausente, o art. 745, CPC/2015
determina que seja publicado edital na internet, no site do Tribunal de Justiça e na
plataforma de editais do CNJ, onde deverá permanecer por 1 ano. Não havendo site, a
publicação deve ocorrer, de dois em dois meses, no órgão oficial e na imprensa da
Comarca.
Passado 1 ano da arrecadação dos bens do ausente e da nomeação do curador,
a sucessão provisória poderá ser aberta pelos herdeiros. Se o ausente tiver deixado
representante, o prazo para abertura da sucessão provisória é de 3 anos após a
arrecadação. Essa é a previsão do art. 26, CC:
Art. 26. Decorrido um ano da arrecadação dos bens do ausente, ou, se ele
deixou representante ou procurador, em se passando três anos, poderão os
interessados requerer que se declare a ausência e se abra provisoriamente a
sucessão.

O CPC/2015, contudo, traz a previsão, no § 1.º do art. 745, que o edital fará a
previsão de prazo e, no final deste prazo, é que poderá ser requerida a abertura da
sucessão provisória.
§ 1º Findo o prazo previsto no edital, poderão os interessados requerer a
abertura da sucessão provisória, observando-se o disposto em lei.

A doutrina tem entendido que aplica-se a disposição do CPC e não do CC (que


prevê a contagem de 1 ano a partir da arrecadação).
Poderão requerer a abertura da sucessão provisória:
Art. 27. Para o efeito previsto no artigo anterior, somente se consideram
interessados:
I - o cônjuge não separado judicialmente;
II - os herdeiros presumidos, legítimos ou testamentários;
III - os que tiverem sobre os bens do ausente direito dependente de sua
morte;
IV - os credores de obrigações vencidas e não pagas.

A sentença de abertura da sucessão provisória só produz efeitos após 180 dias


da sua publicação na imprensa, ou seja, o trânsito em julgado desta sentença possui
prazo especial e diferente do geral (art. 28, CC).
Art. 28. A sentença que determinar a abertura da sucessão provisória só
produzirá efeito cento e oitenta dias depois de publicada pela imprensa; mas,
logo que passe em julgado, proceder-se-á à abertura do testamento, se houver,
e ao inventário e partilha dos bens, como se o ausente fosse falecido.
§ 1º Findo o prazo a que se refere o art. 26, e não havendo interessados na

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sucessão provisória, cumpre ao Ministério Público requerê-la ao juízo
competente.
§ 2º Não comparecendo herdeiro ou interessado para requerer o inventário até
trinta dias depois de passar em julgado a sentença que mandar abrir a
sucessão provisória, proceder-se-á à arrecadação dos bens do ausente pela
forma estabelecida nos arts. 1.819 a 1.823.
Art. 29. Antes da partilha, o juiz, quando julgar conveniente, ordenará a
conversão dos bens móveis, sujeitos a deterioração ou a extravio, em imóveis
ou em títulos garantidos pela União.

Após este prazo é possível a abertura de eventual testamento e do inventário para


partilha dos bens. Para que os herdeiros ingressem na posse dos bens do ausente,
deverão dar garantia, através de penhor ou hipoteca dos seus bens (art. 30). Os que
não puderem dar as garantias não receberão o patrimônio, que ficará sob a
administração do curador. Contudo, o cônjuge, os descendentes e ascendentes
poderão ingressar na posse, independentemente da garantia.
Art. 30. Os herdeiros, para se imitirem na posse dos bens do ausente, darão
garantias da restituição deles, mediante penhores ou hipotecas equivalentes
aos quinhões respectivos.
§ 1º Aquele que tiver direito à posse provisória, mas não puder prestar a
garantia exigida neste artigo, será excluído, mantendo-se os bens que lhe
deviam caber sob a administração do curador, ou de outro herdeiro designado
pelo juiz, e que preste essa garantia.
§ 2º Os ascendentes, os descendentes e o cônjuge, uma vez provada a sua
qualidade de herdeiros, poderão, independentemente de garantia, entrar na
posse dos bens do ausente.
Art. 31. Os imóveis do ausente só se poderão alienar, não sendo por
desapropriação, ou hipotecar, quando o ordene o juiz, para lhes evitar a ruína.
Art. 32. Empossados nos bens, os sucessores provisórios ficarão
representando ativa e passivamente o ausente, de modo que contra eles
correrão as ações pendentes e as que de futuro àquele forem movidas.

Os herdeiros tem direito a percepção dos frutos dos bens. Se descendente,


ascendente ou cônjuge, percebem todos os frutos. Os demais sucessores, somente a
metade.
Art. 33. O descendente, ascendente ou cônjuge que for sucessor provisório do
ausente, fará seus todos os frutos e rendimentos dos bens que a este
couberem; os outros sucessores, porém, deverão capitalizar metade desses
frutos e rendimentos, segundo o disposto no art. 29, de acordo com o
representante do Ministério Público, e prestar anualmente contas ao juiz
competente.
Parágrafo único. Se o ausente aparecer, e ficar provado que a ausência foi
voluntária e injustificada, perderá ele, em favor do sucessor, sua parte nos
frutos e rendimentos.
Art. 34. O excluído, segundo o art. 30, da posse provisória poderá, justificando
falta de meios, requerer lhe seja entregue metade dos rendimentos do quinhão
que lhe tocaria.

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Art. 35. Se durante a posse provisória se provar a época exata do falecimento
do ausente, considerar-se-á, nessa data, aberta a sucessão em favor dos
herdeiros, que o eram àquele tempo.

Se o ausente reaparecer durante a sucessão provisória, o patrimônio lhe é


devolvido.
Art. 36. Se o ausente aparecer, ou se lhe provar a existência, depois de
estabelecida a posse provisória, cessarão para logo as vantagens dos
sucessores nela imitidos, ficando, todavia, obrigados a tomar as medidas
assecuratórias precisas, até a entrega dos bens a seu dono.

Se depois de passados 10 anos da abertura dessa sucessão provisória (sentença)


o ausente não tenha retornado ou não tenha sido confirmada sua morte, os herdeiros
poderão requerer a sucessão definitiva (art. 37 a 39). A sucessão definitiva também
pode ser requerida se restar comprovado que o ausente conta com mais de 80 anos e
que não há notícias dele há mais de 5 anos.
Art. 37. Dez anos depois de passada em julgado a sentença que concede a
abertura da sucessão provisória, poderão os interessados requerer a sucessão
definitiva e o levantamento das cauções prestadas.
Art. 38. Pode-se requerer a sucessão definitiva, também, provando-se que o
ausente conta oitenta anos de idade, e que de cinco datam as últimas notícias
dele.

Se o ausente retornar nos 10 anos seguintes à abertura da sucessão definitiva,


terá direito aos bens no estado em que se encontram, os sub-rogados em seu lugar ou
o preço que os herdeiros tiverem recebido pelos bens alienados. O § 4.º do art. 745,
CPC/2015 determina que no retorno do ausente deverão os sucessores provisórios ou
definitivos serem citados para contestar:
§ 4º Regressando o ausente ou algum de seus descendentes ou ascendentes
para requerer ao juiz a entrega de bens, serão citados para contestar o pedido
os sucessores provisórios ou definitivos, o Ministério Público e o representante
da Fazenda Pública, seguindo-se o procedimento comum.

Se o ausente não retornar dentro do prazo de 10 anos, os bens serão


definitivamente dos herdeiros.
Art. 39. Regressando o ausente nos dez anos seguintes à abertura da
sucessão definitiva, ou algum de seus descendentes ou ascendentes, aquele
ou estes haverão só os bens existentes no estado em que se acharem, os sub-
rogados em seu lugar, ou o preço que os herdeiros e demais interessados
houverem recebido pelos bens alienados depois daquele tempo.
Parágrafo único. Se, nos dez anos a que se refere este artigo, o ausente não
regressar, e nenhum interessado promover a sucessão definitiva, os bens

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arrecadados passarão ao domínio do Município ou do Distrito Federal, se
localizados nas respectivas circunscrições, incorporando-se ao domínio da
União, quando situados em território federal.

Trata-se de uma exceção do sistema sucessório, “tendo em vista que se admite a


abertura de sua sucessão simplesmente em razão de seu desaparecimento, sem que
se tenha certeza de seu falecimento”3.

2. Momento da transmissão da Herança. Comoriência - (Art. 8º CC)


Com a morte, como visto, transmite-se a herança, desde logo, aos herdeiros
legítimos e testamentários (art. 1.784), conforme a ordem da vocação hereditária (art.
1.829) ou, a sua falta, a herança será recolhida pelo Município, Distrito Federal ou União
(art. 1.844).
A transmissão da herança ocorre no exato momento da morte do de cujus,
havendo a necessidade que os herdeiros posteriormente aceitem a herança, vindo a
tornar definitiva a transmissão que já havia ocorrido, conforme disposto no art. 1.784.
Como se verificou, é preciso que o herdeiro sobreviva ao autor da herança
(GONÇALVES, 2012, p. 36). Contudo, existem casos em que ambos falecem em
condições que não há como se precisar qual faleceu primeiro (em um acidente de carro
com morte instantânea, por exemplo).

A isso se dá o nome de comoriência, questão que se encontra prevista no art.


8º do Código Civil:
Art. 8. Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, não se
podendo precisar quem precedeu aos demais, presumir-se-ão
simultaneamente mortos.

A importância da comoriência é regular os casos em que se torna impossível


reconhecer quem faleceu primeiro, para fins de transmissibilidade dos direitos
hereditários. Roberto Gonçalves (2012, p. 36) afirma que quando
[...] duas pessoas morrem em determinado acidente, somente interessa saber
qual delas morreu primeiro se uma herdeira ou beneficiária da outra.

Do contrário, inexiste qualquer interesse jurídico nessa pesquisa. O principal efeito

3
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro: direito das sucessões. 6.ed. São Paulo: Saraiva,
2012, p. 34.

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da presunção da morte simultânea é que, não tendo havido tempo ou oportunidade
para a transferência de bens entre os comorientes, um não herda do outro.

No caso de comoriência a sucessão de cada um deve ser regulada como se o


comoriente jamais houvesse existido. Nenhuma das pessoas atingidas sucederá a
outra: por ficção jurídica é como estas pessoas nunca tivesse existido. Não há
transferência de bens e direitos entre os comorientes.

EXEMPLO:
Num mesmo acidente morrem marido e mulher sem filhos. Com a regra, a
sucessão de cada um é regulada como se o comoriente jamais tivesse morrido. Venosa
demonstra a vital importância da comoriência:
[...] já que a pré-morte de um casal, por exemplo, tem implicações no direito
sucessório. Se faleceu primeiro o marido, transmitiu a herança à mulher; se
ambos não tivessem descendentes ou ascendentes, e a mulher falecesse
depois, a herança iria para os herdeiros dela, ou seja, seus colaterais. O oposto
ocorreria se provasse que a mulher falecera antes. Tal situação pode ocorrer
em casos de catástrofes, acidentes ou mesmo por coincidência. Para evitar os
entraves das presunções de pré-morte, portanto, o Código presume
comoriência, isto é, o falecimento conjunto (VENOSA, 2012, p. 13)

Não sendo possível a prova da sobrevivência de nenhum deles, os herdeiros do


marido herdarão o que era dele; e os da mulher, o que era dela. Entre os comorientes,
não há transferência de direitos, isto é, nenhum pode suceder o outro, mas devem ser
chamados a sucessão os herdeiros daqueles que faleceram, 50% cada. Os bens serão
herdados, respectivamente, por seus parentes, na ordem da vocação hereditária
do art. 1.829 CC.

3. Transmissão da Herança. Princípio da Saisine


O art. 1.784, CC afirma que havendo a morte, abre-se a sucessão e a herança
transmite-se desde logo aos herdeiros. A disposição legal reafirma o direito/princípio
da saisine.
A sucessão mortis causa se abre com a morte do autor da herança. No exato
momento do falecimento, o domínio e a posse da herança transmitem-se aos herdeiros
legítimos e testamentários, mantendo o título, conteúdo e objeto. No momento da morte
ocorre a abertura da sucessão hereditária. O acervo patrimonial do falecido transmite-

7
se aos herdeiros independentemente de qualquer formalidade (desde logo, portanto).
Para que haja a transmissão é preciso que:
a) o herdeiro exista ao tempo da morte;
b) que a esse tempo não seja incapaz de herdar – a capacidade sucessória é
verificada no momento da morte.

Com a morte, extingue-se a personalidade civil e, por óbvio, a existência da


pessoa natural (art. 6.º), bem como a capacidade para ser titular de direitos e
obrigações. Assim, pelo princípio da saisine a posse da herança se transmite desde
logo aos herdeiros. Segundo Tartuce (2012, p. 9) no momento da morte ocorre a
delação (oferecimento da herança), segundo a qual os bens do falecido transferem- se
ao patrimônio dos herdeiros. Trata-se do período existente entre a abertura da
sucessão e a aceitação ou renúncia da herança.
No caso da aceitação, o efeito é retroativo à data do óbito. A aquisição dos direitos
não ocorre com a aceitação, mas sim com a morte do autor da herança. A aceitação é
apenas uma confirmação do direito do herdeiro, mas trata-se de um ato essencial, já
que ninguém pode ser herdeiro contra sua vontade (VENOSA, 2012, p. 15). Havendo
renúncia, entende-se que o renunciante jamais foi herdeiro.

A importância de saber o momento da morte é para que seja definida a lei que
regula a sucessão e a capacidade (legitimidade) para suceder, nos termos do art. 1.787,
CC:
Art. 1.787. Regula a sucessão e a legitimação para suceder a lei vigente ao
tempo da abertura daquela.

Tartuce (2012, p. 7) traz um exemplo para deixar clara a questão da capacidade


para suceder (e também para testar):
Determinado marido elabora um testamento deixando a parte disponível de
seus bens à sua esposa e, posteriormente, em razão de esclerose, torna-se
absolutamente incapaz. Em razão da doença, a esposa o abandona, vindo ele
a falecer cinco anos depois do divórcio do casal. No caso descrito, o testador
era capaz no momento da elaboração do testamento e sua incapacidade
superveniente não retira a validade do testamento (art. 1.861, CC). Sua esposa
tinha legitimidade para receber a herança quando o testamento foi feito, mas
perdeu-a no momento da abertura, pois já se encontrava divorciada. Não será
herdeira, portanto.

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Desta forma, a capacidade de suceder é a do tempo da abertura da sucessão
(momento da morte) e, além disto, o lugar onde se abre a sucessão é o do último
domicílio do de cujus. Nestes termos:
Art. 1.785. A sucessão abre-se no lugar do último domicílio do falecido.

Efeitos que derivam do Princípio da Saisine:


a) A herança transfere-se como um todo unitário, independentemente que
sejam vários herdeiros (art. 1.791), de modo que no período compreendido entre a
abertura da sucessão pelo falecimento do de cujus até o momento em que houver a
partilha, a herança é indivisível e o direito dos herdeiros será exercido em condomínio
(co-herdeiros) (GONÇALVES, 2012, p. 39). Aqui aplicam-se as regras de condomínio.
b) O inventariante tem a posse direta e os demais herdeiros a posse
indireta, mas uma não anula a outra, conforme art. 1.197, CC, já que ambos ostentam
a condição de possuidores (GONÇALVES, 2012, p. 39-40). Como as regras são do
condomínio, um herdeiro não pode impedir o outro de usar o bem.
c) O herdeiro que sobreviver ao de cujus faz sua a herança por ele deixada.
Ainda que numa fração de segundo. Ele incorpora ao seu patrimônio deixado pelo
morto (GONÇALVES, 2012, p. 41).
d) Comoriência – em razão da transmissão imediata da herança (princípio da
saisine) é importante fixar o momento exto da morte.

4. Lugar em que se abre a sucessão


A sucessão abre-se no local do último domicílio do falecido (art. 1.785, CC)
(regra).
Exceções:
1. Falecido sem domicílio certo = situação dos bens (art. 48, § único, I,
CPC/2015)

2. Falecido sem domicílio certo e com bens em lugares diferentes = local de


qualquer dos bens (art. 48, § único, II, CPC/2015)
3. Falecido com pluralidade de domicílios = qualquer deles (art. 71, CC)

Deve-se destacar que o CPC/2015 alterou a questão da competência, não

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importando mais o local do óbito para a definição do lugar em que se abre a
sucessão.

Estrangeiro:
Na sucessão de bens de estrangeiros, há uma disciplina especial. No caso de
bens de estrangeiros, situados no Brasil, aplica-se, via de regra, a lei do último domicílio
do falecido (lei estrangeira), salvo se a lei brasileira for mais favorável ao cônjuge ou
filhos brasileiros (o benefício é para situações em que o falecido for casado com
brasileiro ou tiver filhos brasileiros). Significa dizer que a lei protege o direito do cônjuge
e dos descendentes em prejuízo de outros herdeiros (ascendentes, colaterais).

5. Espécies de sucessão
O art. 1.786 define que a sucessão dá-se por lei ou por disposição de última
vontade.

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a. Legítima
Decorre da lei; obedece a ordem da vocação hereditária (1.829) - ab intestato
(bens fora do testamento, testamento nulo) – art. 1.788. A sucessão legítima será
sempre a título universal, pois os herdeiros recebem a totalidade dos bens do falecido,
ou, uma fração ideal (não localizada) do patrimônio. Desta forma, os herdeiros
participam da totalidade do ativo e do passivo.

b. Testamentária
Decorre da manifestação da última vontade - bens abarcados pelo testamento (é
válido apenas sobre a quota disponível – 50% da sua parte). O falecido não tem o poder
de dispor livremente e integralmente do seu patrimônio. Havendo herdeiros necessários
(cônjuge, ascendentes e descendentes – 1.845), fica limitado pela liberdade de testar
disposta no art. 1.789, CC. O poder de dispor integralmente só ocorre na hipótese de
herdeiros facultativos.

c. Simultânea:
A sucessão será simultaneamente legítima e testamentária quando houver
testamento e o extinto tiver herdeiros necessários.

RESUMO
Legítima Havendo herdeiros necessários, sem testamento.
Havendo herdeiros necessários, com testamento que tenha
caducado ou sido declarado nulo.
Testamentária Havendo testamento ou legado.
Simultânea Quando houver herdeiros necessários e, ao mesmo tempo,
testamento válido.

d. Sucessão a título universal e singular


Título universal: o herdeiro é chamado a suceder na totalidade da herança,
fração ou porcentagem. Pode ocorrer tanto na sucessão legítima como na
testamentária.
Título singular: quando a transferência é de bens determinados a pessoas
determinadas. Ocorre, apenas, na sucessão testamentária (quando o testador deixa

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um legado).

e. Sucessão contratual
Apesar de não existir herança de pessoa viva (art. 426), é possível a sucessão
contratual, sendo vedado o pacto sucessório. Porém, excepcionalmente, podem em
vida, a teor do art. 2.018, os ascendentes partilharem o seu patrimônio entre os
descendentes por escritura pública (com anuência de todos os descendentes):
Art. 2.018. É válida a partilha feita por ascendente, por ato entre vivos ou de
última vontade, contanto que não prejudique a legítima dos herdeiros
necessários.

f. Sucessões irregulares
Sucessão irregular ou anômala é aquela que não obedece às normas próprias e
à ordem da vocação hereditária. A CF/88 estabelece, no art. 5.º, XXXI, o benefício ao
cônjuge ou filhos brasileiros, na sucessão de bens de estrangeiros situados no Brasil,
permitindo a aplicação da lei pessoal do de cujus, se mais favorável.

6. Espécies de sucessores
Herdeiro ou sucessor é aquele que será beneficiado com o patrimônio deixado
pelo falecido. O herdeiro pode ser legítimo ou testamentário.

a. Herdeiro legítimo:
O herdeiro legítimo é o que consta na ordem da vocação hereditária, indicada pela
lei. Art. 1.829, CC e 1.790 (união estável). Classificam-se como necessários
(descendentes, ascendentes e cônjuge) e facultativos (colaterais e companheiros ou
conviventes). É chamada a sucessão que resulta da lei.
i. Necessários (legitimário ou reservatário):
É o descendente ou ascendente sucessível e o cônjuge (art. 1.845, CC), isto é,
todo parente em linha reta não excluído da sucessão por indignidade ou deserdação
(ou renúncia). Os herdeiros necessários não podem ser privados por disposição de
última vontade. Sua existência impede que o testador disponha a totalidade de seus
bens. A eles é reservada a legítima (metade da herança).
Segundo o art. 1.846, pertence aos herdeiros necessários a metade dos bens da
herança (legítima). A legítima corresponde, portanto a metade dos bens da herança

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deixada pelo falecido, após a retirada da meação (se houver) e pagas as dívidas e
despesas de funeral. Assim, ao lado da expressão herdeiros necessários surge a ideia
de legítima e de porção disponível, conceitos que estão todos interligados.
Nesse sentido, o art. 1.789 afirma que havendo herdeiros necessários “o testador
só pode testar a metade da herança”. Não existindo herdeiros necessários (ascendente,
descendente e cônjuge) o testador pode dispor de 100% de seus bens. IMPORTANTE:
durante a vida há a liberdade de alienar, onerosamente, todo o patrimônio existente,
não deixando nada de herança. O que não pode haver é doação de todo o patrimônio
ou excedendo a parte da liberalidade para um dos filhos.

Nesse caso, algumas hipóteses podem ocorrer:


a) Se o autor da herança tiver doado, em vida, para algum herdeiro, em
detrimento dos demais, não mencionando que essa doação sai da sua parte disponível
 o herdeiro que recebeu deverá, no inventário, trazer esses bens recebidos por
doação a colação, descontando da sua quota parte (entende-se como adiantamento de
legítima);
b) Se o autor da herança tiver doado, em vida, para algum herdeiro,
mencionando que se trata da sua parte disponível, não poderá exceder ¼ do patrimônio
do casal (no caso de comunhão universal, ou seja, ½ de meação e ½ de herança –
dessa ½ da herança, somente a ½ (¼ do patrimônio, portanto) pode ser disponível).

Cálculo da legítima
O art. 1.847 traz a forma de cálculo da legítima. A legítima é calculada sobre a
meação do falecido, representada pelos bens existentes a época da abertura da
sucessão.
Art. 1.847. Calcula-se a legítima sobre o valor dos bens existentes na abertura
da sucessão, abatidas as dívidas e as despesas do funeral, adicionando-se,
em seguida, o valor dos bens sujeitos a colação.

O cálculo da legítima é feito a partir do ativo da herança, ou seja, sobre a herança


líquida, descontadas as dívidas e despesas de funeral. Devem, ainda, ser adicionados
os bens sujeitos à colação.

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Patrimônio de R$ 100.000,00
Regime de bens: comunhão universal
Cônjuge sobrevivente = meação  50%  R$
50.000,00 Herança = 50%  R$ 50.000,00
Dívidas do de cujus = R$ 10.000,00
Funeral = R$ 5.000,00
Total de despesas = R$ 15.000,00
50.000,00 – 15.000,00 = 35.000,00
Parte disponível = ½  R$ 35.000,00 / 2 = 17.500,00
Legítima = a outra metade + eventuais bens doados em vida como adiantamento de legítima.

Liberdade de testar - art. 1.789


Sem herdeiros necessários = liberdade plena de testar;
Com herdeiros necessários = apenas 50% da herança (excluída meação). A outra
metade constitui-se da legítima dos herdeiros. Deve ser respeitada a metade disponível
aos herdeiros necessários - art. 1846, CC.
E COMO SE CALCULA O VALOR PASSÍVEL DE SER TESTADO? O valor da
parte disponível (o que importa é o valor da avaliação e não o número de bens
existentes) será definido nos termos do art. 1.847, CC.

Após a avaliação será definido se o testador se manteve dentro da parte


disponível. Se houver excesso, haverá redução conforme as disposições dos arts.
1.966 a 1.968, CC:
Art. 1.966. O remanescente pertencerá aos herdeiros legítimos, quando o
testador só em parte dispuser da quota hereditária disponível.
Art. 1.967. As disposições que excederem a parte disponível reduzir-se-ão aos
limites dela, de conformidade com o disposto nos parágrafos seguintes.
§ 1º Em se verificando excederem as disposições testamentárias a porção
disponível, serão proporcionalmente reduzidas as quotas do herdeiro ou
herdeiros instituídos, até onde baste, e, não bastando, também os legados, na
proporção do seu valor.
§ 2º Se o testador, prevenindo o caso, dispuser que se inteirem, de preferência,
certos herdeiros e legatários, a redução far-se-á nos outros quinhões ou
legados, observando-se a seu respeito a ordem estabelecida no parágrafo
antecedente.
Art. 1.968. Quando consistir em prédio divisível o legado sujeito a redução, far-
se-á esta dividindo-o proporcionalmente.
§ 1º Se não for possível a divisão, e o excesso do legado montar a mais de um
quarto do valor do prédio, o legatário deixará inteiro na herança o imóvel
legado, ficando com o direito de pedir aos herdeiros o valor que couber na parte
disponível; se o excesso não for de mais de um quarto, aos herdeiros fará
tornar em dinheiro o legatário, que ficará com o prédio.
§ 2º Se o legatário for ao mesmo tempo herdeiro necessário, poderá inteirar
sua legítima no mesmo imóvel, de preferência aos outros, sempre que ela e a
parte subsistente do legado lhe absorverem o valor.

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Herança ≠ meação  herança é o patrimônio e dívidas que sobram após a
exclusão da meação. Ex.: regime de CUB. Dos 100% do patrimônio pertencente ao
casal, 50% é meação e 50% é herança (sobre estes 50% é que será calculada a
liberdade de testar).
Nesse sentido, a legítima é o limitador do poder de dispor. A legítima é sagrada e
inatingível (art. 1.961).

i. Facultativos:
Ao lado dos herdeiros necessários, encontram-se os facultativos, que são os
colaterais até 4º grau. A existência de herdeiros facultativos não impede a disposição
em testamento de todos os bens pelo testador, assim considerado a sua parte
disponível.
Conforme se verá mais adiante, também é herdeiro facultativo o companheiro
sobrevivente, pois, ao contrário do cônjuge, que não pode ser excluído da herança por
ser herdeiro necessário, o companheiro pode ser excluído através de testamento.

b. Herdeiro testamentário ou instituído:


É o herdeiro nomeado ou instituído, designado pelo testador por ato de última
vontade como uma parte do acervo, sem individualização de bens.
i. Legatário:
É o contemplado em testamento com coisa certa e determinada, singularizada,
precisa.

2. Herança e espólio
A herança é conjunto patrimonial que é transmitido em razão do falecimento de
alguém. Deve-se destacar que a herança inclui tanto os bens, quanto os créditos e
dívidas existentes em nome do falecido.
A herança constitui o espólio, que é o titular do patrimônio. O espólio é um ente
despersonalizado, uma massa patrimonial ou universalidade de coisas, até a
individualização pela partilha. É utilizado sob o prisma processual. Ao espólio é
reconhecida legitimidade ativa e passiva e o seu representante é o inventariante ou,
antes de sua nomeação, pelo administrador provisório (art. 75, VII, CPC/2015).

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O espólio responde pelas dívidas do falecido até a partilha e dentro dos limites
da herança. O espólio tem legitimidade para propor ação de despejo de imóveis de
propriedade do falecido. Após a partilha, cada herdeiro responderá pela dívida, dentro
das forças de seu quinhão. Realizada a partilha, o espólio deixa de existir, pois
desaparece a universalidade patrimonial.

3. Herança como um todo unitário e indivisível


O art. 1.791 dispõe que a “herança defere-se como um todo unitário, ainda que
vários sejam os herdeiros”, aplicando-se as regras do condomínio. Trata-se da noção
de indivisibilidade.
Uma vez aberta a sucessão, esta é considerada um bem imóvel, mesmo que nos
bens deixados não existam imóveis (apenas móveis e automóveis, por exemplo) (art.
80, II, CC). Noção de imobilidade.

Em razão disto, prevê o art. 1.793, CC, que apenas por escritura pública pode
haver a transmissão da herança (escritura pública de cessão de direitos hereditários).
Trata-se de requisito essencial para a validade do ato jurídico. Além disto, há a
necessidade de outorga do cônjuge do herdeiro, para a validade do ato (art. 1.647., I,
CC).
Art. 1.793. O direito à sucessão aberta, bem como o quinhão de que disponha
o co-herdeiro, pode ser objeto de cessão por escritura pública.

São firmadas duas ideias fundamentais do direito sucessório:


a) a devolução unitária da herança aos herdeiros: efeito translativo, se opera
de plano, nascendo a indivisibilidade da herança, que diz respeito à posse e ao domínio
dos bens transmitidos.
b) a noção de indivisibilidade do monte hereditário: da abertura até o momento
da partilha a herança permanece em condomínio, um todo unitário e indivisível até o
transito em julgado da partilha.
A indivisão inicia no momento da abertura da sucessão, que é considerada como
um todo unitário e indivisível. Com a partilha, haverá a individualização da quota parte
de cada herdeiro, quando, cada um, passará a administrar seu quinhão. Depois de
julgada a partilha o art. 2.023 determina que o direito de cada herdeiro fica circunscrito
aos bens do seu quinhão.

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Contudo, enquanto não operada a partilha, os herdeiros são todos coproprietários
e co-possuidores da herança, tendo a regulação de seus direitos, conforme as
disposições relativas ao condomínio. Assim, como se trata de um condomínio, cada
herdeiro tem os mesmos direitos e deveres com relação ao todo, de modo que um
herdeiro não tem mais ou menos direitos ou deveres sobre bens específicos da
herança. Significa dizer que nenhum herdeiro pode “se apossar” de um bem
determinado, em detrimento dos demais herdeiros. Neste caso, qualquer herdeiro que
se sentir prejudicado pode se utilizar das ações possessórias para assegurar sua posse
(arts. 1.825 e 1.827, CC).
A partir dessa noção de indivisibilidade, pergunta-se, é possível que algum
herdeiro aliene a herança? Sim, cada herdeiro pode alienar ou ceder, mas somente sua
quota ideal, ou seja, pode transferir a terceiro seu quinhão, mas não pode ser
transferida parte certa e determinada da herança. É nesse sentido a disposição do art.
1.793, § 2.º, CC: “é ineficaz a cessão, pelo coerdeiro, de seu direito hereditário sobre
qualquer bem da herança considerado singularmente”. Neste caso, se o herdeiro
alienar sua quota parte sobre o bem X, esta cessão só terá eficácia se, com a partilha,
o herdeiro, de fato, receber o bem X.
Mas, como são aplicadas as regras do condomínio, o coerdeiro pode alienar,
respeitando a preferência estabelecida no art. 504, CC.

4. Cessão de direitos hereditários


O art. 1.793 prevê que toda a herança ou parte dela (quota) é suscetível de
alienação (onerosa ou gratuita). O titular dos direitos hereditários, desde o momento da
abertura da sucessão, goza da faculdade dispositiva. Com a abertura da sucessão
instaura-se a o condomínio sucessório entre os herdeiros legítimos e testamentários
(art. 1.784). Antes da morte não é possível a cessão, pois o direito brasileiro veda o
chamado pacto sucessório (contrato que tem como objeto a herança de pessoa viva) –
arts. 426 e 166, II e VII, CC. A forma de transmissão destes direitos é a cessão. O
cedente (herdeiro legítimo ou testamentário) transfere a qualidade hereditária
patrimonial.
A efetiva transferência do direito só se opera com a partilha (trânsito em julgado,

17
registrado no CRI). Porém, o cessionário se investe instantaneamente nos direitos
alienados, devendo, quando da abertura do inventário, se habilitar.
O Herdeiro único e universal pode ceder, também, no todo ou em parte. Se for
universal, o herdeiro-cedente nada mais terá a ver com a herança (persiste, é óbvio,
sua responsabilidade perante o cessionário até a efetividade do título hereditário:
partilha averbada).

Forma e objeto
O direito à sucessão aberta é considerado bem imóvel e, nesse sentido, para que
seja realizada a cessão, deve ser feita por escritura pública, com outorga uxória como
condição de validade do negócio jurídico (art. 1.793; art. 1.647, I; art. 166, IV).

A escritura deve estipular se a cessão é feita de forma gratuita ou onerosa; se


estão sendo cedidos todos os direitos hereditários ou somente de parte do quinhão;
etc.
O objeto do contrato são os direitos hereditários.
O cedente: deve ter capacidade para alienar; garante a existência da herança,
não sua extensão.
O cessionário (aquele que adquire): recebe a herança no estado em que se
encontra, correndo o risco de ser mais ou menos, dependo da existência de dívidas;
sub-roga-se nos direitos do cedente, como se fosse ele próprio.
A cessão não pode ser feita quanto a um bem determinado, mas somente quanto
à quota parte do herdeiro cedente, sem individualização. Isto se dá em razão da
indivisibilidade da herança (todo unitário), de forma que é ineficaz a cessão de bem
individualizado (art. 1.793, § 2.º, CC).
§ 2º É ineficaz a cessão, pelo co-herdeiro, de seu direito hereditário sobre
qualquer bem da herança considerado singularmente.

Não quer dizer que a cessão não possa ser feita, mas dependerá da concordância
dos demais herdeiros. Ex.: “cede para Fulano de Tal os direitos hereditários que tem
por falecimento de XXX, sobre o imóvel Y”. Dependerá da concordância/liberalidade
dos demais co-herdeiros. Isto acontece, normalmente, quando os herdeiros fizeram a
partilha de forma amigável, dividindo entre eles os bens existentes.

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Direito de acrescer
A cessão realizada abrange apenas os direitos hereditários existentes no
momento da cessão. Se depois de realizada houver, em favor do cedente, substituição
ou direito de acrescer (em razão de renúncia de um co-herderio, p. e.x.), os direitos daí
resultantes não estarão compreendidos na cessão realizada anteriormente
(GONÇALVES, 2012, p. 58).

Direito de preferência do co-herdeiro

O herdeiro cedente, conforme art. 504, caput e § 1º, deve dar ciência aos herdeiros
condôminos, para exercício de prelação (preferência). Nesse sentido, o art. 1.794, CC
traz a determinação de que:
Art. 1.794. O co-herdeiro não poderá ceder a sua quota hereditária a pessoa
estranha à sucessão, se outro co-herdeiro a quiser, tanto por tanto.

Caso não tenha sido dado o direito de preferência à algum co-herdeiro, este
poderá, nos termos do art. 1.795, CC, exercer este direito a posteriori:
Art. 1.795. O co-herdeiro, a quem não se der conhecimento da cessão, poderá,
depositado o preço, haver para si a quota cedida a estranho, se o requerer até
cento e oitenta dias após a transmissão.

Este direito deverá ser exercido em até 180 dias após a ciência da alienação. E
se mais de um herdeiro quiser exercer o direito de preferência? Neste caso, segundo
Tartuce (2012, p. 18) deverá o quinhão cedido ser distribuído entre eles, na proporção
de suas quotas hereditárias:
Art. 1.795. Parágrafo único. Sendo vários os co-herdeiros a exercer a
preferência, entre eles se distribuirá o quinhão cedido, na proporção das
respectivas quotas hereditárias.

Outros aspectos relevantes da cessão:


- A Escritura Pública de Cessão não está sujeita ao registro imobiliário. Não
existe a coisa em concreto, falta o pressuposto da especialidade, pois o objeto da
cessão é a transferência de direitos e não da propriedade.
- A cessão deve ser juntada aos autos do inventário. O cessionário pode
manifestar-se no inventário (deverá se habilitar). Se for único herdeiro, pode requerer
a adjudicação do bem cedido. Pode ser nomeado inventariante. Pode requerer a

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abertura do inventário.
- Quando for feito inventário extrajudicial, pode-se realizar a cessão de direitos
no mesmo dia da escritura de inventário. Basta que todos os impostos (transmissão)
estejam pagos.

- Pela força dos § § 2º e 3º do art. 1.793, o cedente não responde pela evicção,
a menos que ceda bens inexistentes, ou que não lhe pertençam, em relação à sua
quota-parte. Esta regra decorre do princípio da indivisibilidade da herança e do caráter
aleatório da cessão.
- A cessão depende da anuência conjugal (na hipótese de casados) porque a
cessão é translativa. Havendo resistência do cônjuge ou companheiro em anuir à
cessão, possível a busca do suprimento judicial de consentimento. Exceção: art. 1.647:
alienar, fazer doação, prestar fiança ou aval (Regime da Separação de Bens);
- O cessionário, responde como responderia o cedente, pelo passivo da herança
(até o limite do quinhão).
- A cessão pode sofrer desconstituição Judicial, quando eivada de qualquer dos
vícios de consentimentos;
- A ação anulatória deve ser promovida em autos próprios. Pode ocorrer a
suspensão do inventário ou não (depois de decidida a questão, faz-se, então, uma
sobrepartilha).
- Os direitos testamentários ou legatários podem ser transferidos por cessão.
- Quando o cônjuge cede a totalidade, chamamos de cessão da universalidade
de Bens que compõe a meação. O cônjuge sobrevivo pode ceder parcialmente.

5. Responsabilidade dos herdeiros


Enquanto não realizada a partilha, o espólio responde pelas dívidas do falecido
(art. 597, CPC/2015), tendo o espólio, representado pelo inventariante, capacidade
para ser parte (art. 12, V, CPC/2015).
O art. 1.792 prescreve que o herdeiro tem responsabilidade somente no limite das
forças da herança, incumbindo-lhe a prova do excesso, salvo se houver inventário que
a escuse, demonstrando o valor dos bens herdados. Contudo, para que o herdeiro não
responda por dívidas superiores às forças da herança, terá de comprovar o excesso,

20
salvo se houver inventário demonstrando o valor dos bens herdados (art. 796,
CPC/2015). Como o inventário é um levantamento dos bens, créditos e débitos
existentes em nome do falecido, apura-se o valor das dívidas e o valor dos bens
necessários ao pagamento delas. Só serão partilhados os bens ou valores que
restarem após o pagamento das dívidas existentes (GONÇALVES, 2012, p. 54).

6. Abertura do Inventário – art. 1.796


O art. 1.796 prevê que 30 dias após a abertura da sucessão deve-se instaurar o
inventário. O CPC/2015 prescreve no art. 611 o prazo de dois meses a contar do óbito
(abertura da sucessão) para a instauração do inventário. O art. 616 do CPC/2015 arrola
outras pessoas que têm legitimação concorrente.
A inobservância do prazo pode acarretar sanção de natureza fiscal, com a
imposição de multa sobre o imposto, conforme súmula 542, STF. No caso do Rio
Grande do Sul não há nenhum tipo de sanção. Essa multa é, quase sempre, relevada
pelo juízo do inventário. CADA ESTADO REGULA A APLICAÇÃO DESTA SANÇÃO 4.
O foro competente para a propositura do inventário é o mesmo do lugar da
abertura da sucessão:
Art. 1.796. No prazo de trinta dias, a contar da abertura da sucessão, instaurar-
se-á inventário do patrimônio hereditário, perante o juízo competente no lugar
da sucessão, para fins de liquidação e, quando for o caso, de partilha da
herança.

7. Administração provisória da Herança


Como regra, a administração da herança compete ao inventariante. Contudo, do
momento em que é aberta a sucessão até a nomeação e compromisso do inventariante,
a administração provisória fica a cargo do espólio, que é o administrador provisório (art.
613, CPC/2015).
Art. 613. Até que o inventariante preste o compromisso, continuará o espólio
na posse do administrador provisório.

O administrador provisório está na posse da herança e representa o espólio ativa


e passivamente, devendo trazer ao acervo os frutos dos bens do espólio (art. 614,
CPC/2015):

4
São Paulo: Lei Estadual 10.705/2000; Minas Gerais: Lei Estadual: 14.941/2003; Maranhão: Lei
Estadual .912/1998.

21
Art. 614. O administrador provisório representa ativa e passivamente o espólio, é obrigado a trazer
ao acervo os frutos que desde a abertura da sucessão percebeu, tem direito ao reembolso das despesas
necessárias e úteis que fez e responde pelo dano a que, por dolo ou culpa, der causa.

Mas quem será o administrador provisório? O art. 1.797, CC traz o rol daqueles
que podem ser administradores provisórios:
Art. 1.797. Até o compromisso do inventariante, a administração da herança
caberá, sucessivamente:
I - ao cônjuge ou companheiro, se com o outro convivia ao tempo da abertura
da sucessão;
II - ao herdeiro que estiver na posse e administração dos bens, e, se houver
mais de um nessas condições, ao mais velho;
III - ao testamenteiro;
IV - a pessoa de confiança do juiz, na falta ou escusa das indicadas nos incisos
antecedentes, ou quando tiverem de ser afastadas por motivo grave levado ao
conhecimento do juiz.

Questão que não é pacífica é a obediência ou não a esta ordem. Há decisões que
flexibilizam e permitem que a nomeação do administrador provisório seja distinta desta
ordem do art. 1.797, CC. Outras, contudo, entendem que deva ser, rigorosamente,
obedecida.

8. Vocação hereditária. Capacidade para suceder - Art. 1.787.


Aptidão para tornar-se herdeiro (VENOSA, 2012, p. 50) de uma determinada
herança. Esta capacidade/aptidão é avaliada no momento da abertura da sucessão
(morte do autor da herança – princípio da saisine). O herdeiro, no momento da morte,
deve ostentar essa condição.
Ex1: Se o autor da herança falecer hoje e deixar um herdeiro e, amanhã, entrar
em vigor lei nova retirando deste a condição de herdeiro, a nova lei não o atingirá, pois
já lhe havia sido transmitidos os direitos de posse e domínio.
Ex2: Se a abertura da sucessão tiver ocorrido antes da CF/88, que igualou os
direitos sucessórios dos filhos adotivos aos biológicos, se o de cujus tiver deixado um
filho adotivo e o falecimento tiver ocorrido antes da vigência da CF/88, o filho adotivo
não herdará (GONÇALVES, 2012, p. 40). Diferente será se o falecimento ocorrer após
a entrada em vigor da CF/88. Neste caso, o filho adotado herdará da mesma forma que
o biológico.

O art. 1.798 trata da legitimidade para suceder, estabelecendo que aqueles que

22
estiverem vivos ou concebidos no momento da abertura da sucessão serão legitimados
a receber a herança.
Art. 1.798. Legitimam-se a suceder as pessoas nascidas ou já concebidas no
momento da abertura da sucessão.

Segundo Tartuce (2012, p. 23) o art. 1.798, CC trata da sucessão legítima,


admitindo como herdeiro legítimo somente a pessoa natural e não a jurídica.
A partir daí, vem a tona a questão do nascituro. Salienta Gonçalves que os
“nascituros podem ser, assim, chamados a suceder tanto na sucessão legítima como
na testamentária, ficando a eficácia da vocação dependente do seu nascimento.
Podem, com efeito, ser indicados para receber deixa testamentária” (GONÇALVES,
2012, p. 69). Assim, nascendo com vida, os efeitos retroagem a data da concepção. Se
nascer o feto morto, não terá direitos, será como se nunca tivesse existido. Assim, os
direitos do nascituro são subordinados a condição resolutiva, ou seja, nascimento com
vida (TARTUCE, 2012, p. 24). Da mesma forma, caducam as disposições
testamentárias que beneficiam pessoas já falecidas (a deixa testamentária volta para a
sucessão legítima).
Mas para que tenha direitos, já deve estar o embrião implantado no útero
materno? Se for uma situação de fecundação in vitro haverá direitos sucessórios
reservados ou não? De início é preciso que fique claro que não há uma uniformidade
ou unanimidade, nem na doutrina, nem na jurisprudência.
Há quem entenda que apenas o nascituro (o embrião já implantado no útero
materno – com gravidez comprovada) poderá suceder legitimamente e não o embrião.
Nesse sentido: Euclides de Oliveira e Sebastião Amorim afirmam que deve- se exigir a
implantação no útero materno para que possa haver o regular desenvolvimento com
vida (TARTUCE, 2012, p. 24).
Em sentido contrário, há os que levam em consideração o art. 1.597, CC, que
dispõe que se presumem concebidas na constância do casamento as pessoas nascidas
a qualquer tempo, em se tratando de embriões excedentários, fecundados por
fertilização homóloga. Neste caso: Zeno Veloso afirma que mesmo após a morte do
pai, havendo a implantação do embrião e sendo a gestação levada a termo, o
nascimento com vida e a aquisição da personalidade fazem com que este filho seja

23
herdeiro, porque considera-se que estava concebido quando o genitor faleceu e, além
disto, há a questão da igualdade trazida pelo art. 227, § 6.º, CF (TARTUCE, 2012, p.
25).
A III Jornada de Direito Civil, realizada em 2004, aprovou o enunciado 267, do
Conselho da Justiça Federal e do Superior Tribunal de Justiça sobre o tema:
Enunciado 267 - Art. 1.798: A regra do art. 1.798 do Código Civil deve ser
estendida aos embriões formados mediante o uso de técnicas de reprodução
assistida, abrangendo, assim, a vocação hereditária da pessoa humana a
nascer cujos efeitos patrimoniais se submetem às regras previstas para a
petição da herança.

Desta forma, entende o STJ que embrião também é considerado sucessor


legítimo.

Para que alguém possa suceder, não basta invocar a ordem da vocação
hereditária. Devem ser preenchidas algumas condições (VENOSA, 2012, p. 53):

a) deve ser pessoa – animais não podem suceder. O que pode haver é o
testador impor ao herdeiro testamentário um encargo de cuidar de um animal em
específico.
b) deve estar viva – pode já estar concebido na época da morte e terá direito se
nascer com vida e, então, tornar-se-á herdeiro desde a concepção.
c) deve ser capaz – é a aptidão específica para a herança, a legitimação. Assim
não basta existir no momento da morte, tem de ser legítimo, pois se o autor da herança
tiver deixado descendente, os ascendentes, mesmo que vivos, não serão legítimos;
d) não pode ter sido declarada indigna – aquele que praticar atos contra o
autor da herança, que sejam presumidos incompatíveis com os sentimentos de afeição
real ou presumida.

a. Legitimação para suceder por testamento:


O art. 1.799, CC traz a previsão daqueles que são legitimados a suceder por
testamento, além daquelas já existentes ou concebidas o momento da abertura da
sucessão (nascituro):
Art. 1.799. Na sucessão testamentária podem ainda ser chamados a suceder:
I - os filhos, ainda não concebidos, de pessoas indicadas pelo testador,

24
desde que vivas estas ao abrir-se a sucessão;
II - as pessoas jurídicas;
III - as pessoas jurídicas, cuja organização for determinada pelo testador sob
a forma de fundação.

No inciso I, o legislador abre exceção à regra geral, possibilitando que filhos não
concebidos, de pessoas indicadas pelo testador, desde que estas estejam vivas quando
da abertura da sucessão, venham a ser herdeiros testamentários. É a chamada prole
eventual ou o concepturo.
Mas, se, por exemplo, o testador instituir cláusula no testamento, contemplando o
filho não concebido de sua filha (seu eventual neto, portanto) e, quando a sucessão for
aberta sua filha estiver morta, caducará a disposição testamentária.
Dispõe o art. 1.800, CC que depois de feita a partilha os bens serão entregues a
um curador nomeado pelo juiz:
Art. 1.800. No caso do inciso I do artigo antecedente, os bens da herança serão
confiados, após a liquidação ou partilha, a curador nomeado pelo juiz.
§ 1º Salvo disposição testamentária em contrário, a curatela caberá à pessoa
cujo filho o testador esperava ter por herdeiro, e, sucessivamente, às pessoas
indicadas no art. 1.775.
§ 2º Os poderes, deveres e responsabilidades do curador, assim nomeado,
regem-se pelas disposições concernentes à curatela dos incapazes, no que
couber.
§ 3º Nascendo com vida o herdeiro esperado, ser-lhe-á deferida a sucessão,
com os frutos e rendimentos relativos à deixa, a partir da morte do testador.
§ 4º Se, decorridos dois anos após a abertura da sucessão, não for concebido
o herdeiro esperado, os bens reservados, salvo disposição em contrário do
testador, caberão aos herdeiros legítimos.

Deve ser destacado o § 4.º, que estabelece que se até dois anos após a abertura
da sucessão não for concebido o herdeiro esperado, os bens reservados caberão aos
herdeiros legítimos.
Quem deve existir no momento da morte do autor da herança são os pais do
beneficiado, não este, que, na hipótese, sequer precisa estar concebido (GONÇALVES,
2012, p. 73).
IMPORTANTE: Também deve ser salientado que essa disposição do art. 1.799,
I, CC, aplica-se tanto a filhos biológicos, quanto a filhos adotivos, em razão da igualdade
estabelecida pela CF, no art. 227, § 6º.

Com relação aos filhos havidos em razão de inseminação artificial, a questão é


diferenciada (e, de certa forma, injusta). Gonçalves (2012, p. 75) explica bem a

25
situação:
Em princípio não se pode falar em direitos sucessórios daquele que foi
concebido por inseminação artificial post mortem, uma vez que a transmissão
da herança se dá em consequência da morte (CC, art. 1.784) e dela participam
as “pessoas nascidas ou já concebidas no momento da abertura da sucessão”
(art. 1.798).
A questão, no entanto, é tormentosa e cabe à doutrina e à jurisprudência
fornecer subsídios para sua solução. A doutrina brasileira se inclina no sentido
de negar legitimação para suceder aos filhos havidos por métodos de
reprodução assistida, quer na hipótese de a morte do ascendente preceder à
concepção, quer na de implantação de embriões depois de aberta a sucessão.
Solução favorável à criança ocorreria se houvesse disposição legislativa
favorecendo o fruto de inseminação post mortem.
[...]
[...]se o Código Civil de 2002 trata os filhos resultantes de fecundação artificial
homóloga, posterior ao falecimento do pai, como tendo sido “concebidos na
constância do casamento”, não se justifica a exclusão de seus direitos
sucessórios. Entendimento contrário conduziria à aceitação da existência, em
nosso direito, de filho que não tem direitos sucessórios, em situação
incompatível com o proclamado no art. 227, § 6.º, da Constituição Federal.

O inciso II, do art. 1.799, CC permite que também as pessoas jurídicas possam
ser beneficiadas no testamento. Desta forma, qualquer pessoa pode ser contemplada
no testamento, tanto física quanto jurídica, simples ou empresária, de direito público ou
privado.
O inciso III, do art. 1.799, CC permite que o testador beneficie uma fundação que,
nos termos do art. 62, pode ser criada por escritura pública ou testamento. Neste último
caso, segundo Gonçalves (2012, p. 77), “por ainda não existir a pessoa jurídica
idealizada pelo testador, aberta a sucessão os bens permanecerão sob a guarda
provisória da pessoa encarregada de instituí-la, até o registro de seus estatutos, quando
passará a ter existência legal”.
A doutrina admite que o testador deixe bens para uma pessoa jurídica existente
de fato, mas não de direito. São os casos das sociedades de fato, nos termos do art.
986, CC. O que se deve perceber é que estas pessoas jurídicas existem, já estão
atuando, ainda que não tenham seus documentos constitutivos registrados. O que não
se permite é que o testador beneficie pessoa jurídica que, sequer existe de fato.
Se, contudo, os bens destinados para constituir a fundação forem insuficiente e o
testador não dispuser de forma diversa, deverão os bens serem destinados a outra
fundação que tenha finalidade igual ou semelhante (art. 63, CC). OBSERVAÇÃO: Já
caiu questão no exame de ordem sobre esta situação!

26
b. Pessoas que não podem ser nomeados herdeiros testamentários, nem
legatários
O art. 1.801 menciona que outras pessoas não podem ser nomeadas herdeiras,
nem legatárias:
Art. 1.801. Não podem ser nomeados herdeiros nem legatários:
I - a pessoa que, a rogo, escreveu o testamento, nem o seu cônjuge ou
companheiro, ou os seus ascendentes e irmãos;
II - as testemunhas do testamento;
III - o concubino do testador casado, salvo se este, sem culpa sua, estiver
separado de fato do cônjuge há mais de cinco anos;
IV - o tabelião, civil ou militar, ou o comandante ou escrivão, perante quem se
fizer, assim como o que fizer ou aprovar o testamento.

Essas incapacidades passivas ocorrem em razão de serem consideradas


suspeitas. No inciso I a exclusão se dá por suspeição. No inciso II, da mesma forma,
para garantir a segurança da vontade do testador, evitando influência das testemunhas.
O concubino do testador casado também não pode figurar na sucessão (III) –
concubinato = relação não eventual entre homem e mulher impedidos de casar. O inciso
IV veda ser instituído como herdeiro ou legatário o tabelião ou escrivão, enfim, a
autoridade perante quem se fizer ou aprovar o testamento. O intuito também é proteger
e assegurar a vontade livre do testador.

c. Simulação de contrato oneroso e interposição de pessoa


O art. 1.802 dispõe:
Art. 1.802. São nulas as disposições testamentárias em favor de pessoas não
legitimadas a suceder, ainda quando simuladas sob a forma de contrato
oneroso, ou feitas mediante interposta pessoa.
Parágrafo único. Presumem-se pessoas interpostas os ascendentes, os
descendentes, os irmãos e o cônjuge ou companheiro do não legitimado a
suceder.

Assim, mesmo com as proibições dos arts. 1.801, 1.798, 1.799, I, se forem
contempladas pessoas neles contantes, de forma direta ou mediante simulação, as
disposições testamentárias serão NULAS.
A nulidade da deixa testamentária pode revestir-se de duas formas: a) o
testador dissimulada a liberalidade sob a aparência de contrato oneroso; ou b)
recorre a interposta pessoa para beneficiar o proibido de suceder
(GONÇALVES, 2012, p. 84).

27
Para exemplificar a situação:
a) o testador confessa ser devedor de obrigação inexistente, ou alega ter
prometido à venda certo bem, afirmando já ter recebido o preço acordado;
b) o testador utiliza um “testa de ferro” para realizar a operação que tinha em
mente;
c) o testador, com intenção de beneficiar a concubina, institui o pai da mulher,
beneficiando-a, indiretamente.
É lícita, contudo, a deixa ao filho do concubino, se também o for do testador (art.
1.803).

9. Aceitação da herança
Com o falecimento abre-se a sucessão e a transmissão opera-se desde logo. A
aceitação revela a anuência do beneficiário em receber a herança. Assim, o
recebimento da herança é facultativo, pois o beneficiário poderá deliberar (aceitar ou
renunciar) seu direito. A aceitação (ou adição) da herança é o ato pelo qual o herdeiro
concorda com a transmissão dos bens do de cujus, que ocorreu, por lei, no momento
da abertura da sucessão.
Obs: Enquanto não manifestada a aceitação, entrementes, não é definitiva a
transmissão, no que foi claro o Código em seu art. 1.804 CC. Embora se de a
transmissão imediata, a aceitação vem a ser uma confirmação da aquisição que
se dá a partir da abertura da sucessão.

Espécies de aceitação:
O art. 1.805, estabelece as duas formas de aceitação: expressa e tácita.
a) Expressa - É a manifestada por escrito, público ou particular, de que o
beneficiário deseja receber a herança.
b) Tácita - É a que prevalece (Art. 1805, segunda parte, CC). A aceitação tácita
resulta de qualquer ato que demonstre a intenção de aceitar a herança, atos
compatíveis com caráter de herdeiro:

a) se o herdeiro cede seus direitos hereditários;


b) se o herdeiro nomeia advogado e se faz representar como tal no inventário;

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c) se o herdeiro concorda com a avaliação, ou contesta;
d) se o herdeiro efetua cobrança de dívidas do espólio;
e) se requer a abertura do inventário;
f) quando paga dívida dos de cujus com numerário proveniente do espólio;
g) quando doa bens da herança;
h) que pratica atos que vão além de simples atos de conservação e
administração e que impliquem, necessariamente, a intenção de aceitar;
i) o silêncio do herdeiro, quando notificado para se manifestar (art. 1.807).

Art. 1805, §1º, CC: “não exprimem aceitação da herança os atos oficiosos, como
o funeral do finado, os meramente conservatórios, ou os de administração e guarda
interina”. Esses atos são praticados de forma altruísta, sem o intuito de aceitar a
herança.
ATOS OFICIOSOS = praticados de forma desinteressada, com objetivo de prestar
favor.
ADMINISTRAÇÃO E GUARDA PROVISÓRIA = praticados pelo herdeiro para
atender a uma necessidade premente, sem intenção de tê-los para si.
Art. 1805, §2º, CC: a cessão pura e simples para os demais coerdeiros também
não importa aceitação da herança – equivale a uma renúncia (GONÇALVES, 2012, p.
91).
c) Presumida - É o que ocorre no caso do art. 1807, CC, quando algum
interessado em saber se o herdeiro aceita ou não a herança faz requerimento ao juiz,
após passados 20 dias da abertura da sucessão, para que lhe intime a dizer, em prazo
não superior a 30 dias, se aceita ou não a herança (GONÇALVES, 2012, 91). Nesse
caso, o silêncio é interpretado como manifestação da vontade (aceitação presumida).
Percebe-se, então, que a aceitação tácita difere da presumida, pois esta
última depende da provocação de um terceiro interessado, enquanto que a
primeira resulta “de atos próprios da qualidade de herdeiro”.
Todavia, quem seriam esses interessados?
a) Os demais herdeiros;
b) As pessoas que, em caso de não aceitação, serão promovidas à condição de
herdeiros;

29
c) Algum credor.

Forma que a pessoa manifesta a aceitação:


a) Direta: oriunda do próprio herdeiro
b) Indireta: quando alguém faz pelo herdeiro. Pode acontecer em algumas
hipóteses:
- oriunda de sucessores (art. 1809, CC) – se o herdeiro falecer antes de aceitar
a herança impede a transmissão desta a seus sucessores. Neste caso, transmite-se a
eles o direito de aceitá-la ou repudiá-la. Contudo, se para o recebimento da herança
deve ser implementada uma condição (diploma universitário, p. ex.), se falecer o
herdeiro antes da realização da condição, o direito hereditário é como se nunca tivesse
existido e, portanto, os sucessores do herdeiro não poderão aceitar por ele.
Ex.: A falece e deixa dois sucessores: B e C. Antes que houvesse a aceitação da
herança por estes, B falece e deixa os herdeiros X e Y. Neste caso, X e Y:
• Podem recusar a herança do avô e aceitar a do pai;
• Podem recusar a do pai;
• Não podem recusar a do pai e aceitar a do avô – seria, de certa forma, um
aceite “parcial” da herança!
- mandatários – é possível haver renúncia ou aceitação da herança por
procuração.
- tutor ou curador – representantes do incapaz, mediante autorização judicial (art.
1748, II, CC).

- credores – não poderá haver renúncia com prejuízo aos credores. Nesse caso,
os credores poderão aceitar a herança em nome do renunciante, a fim de evitar a fraude
(art. 1.813, CC). Neste caso os credores, com autorização do juiz do inventário, aceitam
a herança, recebem o quinhão hereditário do renunciante (na proporção da dívida) e,
havendo saldo, os demais bens/valores serão entregues aos demais herdeiros que
seriam beneficiados com a renúncia. O saldo não será devolvido ao renunciante.
c) Aceitação parcial ou condicional: Não pode haver aceitação parcial. Nesse
sentido, temos que interpretar o art. 1808, caput e §1º, CC, pois trata da questão de um
mesmo herdeiro ser:
- herdeiro universal de um título e;
- legatário de um título singular.

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Art. 1.808. Não se pode aceitar ou renunciar a herança em parte, sob condição
ou a termo.
§ 1º O herdeiro, a quem se testarem legados, pode aceitá-los, renunciando a
herança; ou, aceitando-a, repudiá-los.

Assim, considerando que se trata de modalidades de sucessão distintas, nada


impede que o beneficiário renuncie ou não aceite integralmente a uma sucessão,
conservando a outra. Ele renuncia a toda herança e aceita o legado por inteiro, ou
renuncia a todo o legado, aceitando toda a herança.
O herdeiro ao continuar na posse dos bens, ocupa o lugar do de cujus em todas
“as relações jurídicas, sub-rogando-se em seus direitos e obrigações”.
O que lhe é vedado é aceitar parcialmente a herança. (A segunda parte do § 1º
do art. 1.808 é que permite a renúncia parcial). Portanto, não pode o sucessor aceitar
a herança sob determinada condição (aceita, mas se não tiverem dívidas a serem
pagas).

Irrevogabilidade da aceitação
O Código Civil, em seu art. 1.812, define a irrevogabilidade da aceitação e de
renúncia. Assim, realizada a aceitação (expressa ou tácita ou presumida) não haverá
possibilidade de revogar tal ato, de modo que a aceitação gera efeitos imediatos e
definitivos.

Anulação da aceitação
Assim, depois de realizada a aceitação, se for verificado que o aceitante não é o
herdeiro, como por exemplo, chamar-se à sucessão os colaterais e, depois, verificar-se
a existência de filhos, deverá ser declarada a ineficácia da aceitação, devolvendo-se a
herança a quem de direito. Se, contudo, o inventário já tiver sido julgado, como
homologação da partilha, apenas com a ação de petição de herança é que será possível
reivindicar o que lhe cabe.

10. Renúncia da herança


Art. 1806, CC.
É o ato solene pelo qual a pessoa, chamada à sucessão de outra, declara que
não aceita. O herdeiro não é obrigado a aceitar a herança. A recusa de recebê-la

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chama-se renúncia ou repúdio. Os efeitos da renúncia retroagem a data da abertura da
sucessão. Não se presume, pois é negócio formal e não está sujeita a condição ou
termo.
A renúncia tem como características: é unilateral, gratuita, irretratável e formal.
Não é possível haver promessa de renúncia.
Segundo o art. 1.806, CC, deve ser feita por instrumento público ou termo nos
autos, sendo, portanto, vedada a renúncia tácita. Necessita de uma ação, de uma
atividade por parte do herdeiro renunciante. Trata-se, pois, de negócio solene.

O art. 1808 NÃO ADMITE CONDIÇÃO OU TERMO na renúncia, ou seja, ela é


essencial, pura e simples.
EX: Escritura pública de renúncia: por meio desta escritura pública de renúncia,
Joãozinho renuncia a herança de Carlinhos, para que Marquinhos seja beneficiado.
Nesse caso, se o herdeiro renunciante declarar que deseja beneficiar outro herdeiro, a
hipótese não é de renúncia, mas de cessão de direitos hereditários.

Não existe renúncia em favor de alguém. Se alguém renunciar em favor de


alguém, trata-se de transmissão = cessão de direitos.

Características da Renúncia:
Rizzardo aponta as principais características da renúncia, acompanhando o
entendimento doutrinário dominante:
a) A unilateralidade, por não depender da vontade de outros herdeiros.
b) A abstratividade, isto é, a ausência de motivações. Não é colocada nenhuma
razão, e muito menos vem mencionado algum pagamento, posto que aí a figura seria
cessão.
c) A indivisibilidade, porquanto a renúncia se opera em relação à herança, e
não a um bem, continuando o herdeiro a concorrer na partilha do restante do patrimônio.
A lei não admite renúncia parcial (art. 1.808).
d) Ato jurídico puro, ou seja, sem depender de condições ou termo. Art. 1.808
CC.
e) Gratuita, jamais se permitindo algum pagamento ou uma compensação, sob
pena de confundir-se, então, com a cessão de direitos.

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f) Efeito retroativo, valendo a contar da morte do autor da herança. Arts. 1.784
e 1.804.
g) O formalismo, que é de rigor, nunca se acolhendo que seja reconhecida à
renúncia por manifestação verbal, nem por instrumento particular. A renúncia deve ser
feita por instrumento público ou termo judicial (art. 1.806). Não há presunção de
renúncia ou renúncia tácita. Deve ser expressa e formal.

Distinção entre os tipos de Renúncia:


- Abdicativa: é a verdadeira renúncia, pura, simples, sem condição, é dizer que
não quer, sem indicar favorecido. Essa renúncia opera-se em favor do monte. Incide,
apenas o imposto mortis causa (ITCD).
- Translativa: o herdeiro que renuncia em favor de determinada pessoa, o que
implica em transmissão da herança, envolvendo duas declarações de vontade:
aceitação e alienação simultânea. A renúncia existe apenas no nome, pois se trata de
cessão de direitos hereditários.
A importância de diferenciar a renúncia pura e simples da translativa se dá em
razão da incidência de impostos. No caso da renúncia pura e simples incide, tão
somente o ITCD (causa mortis). Já no caso da renúncia translativa, há a incidência de
dupla tributação: causa mortis (ITCD – de cujus ao herdeiro) e inter vivos (ITBI -
herdeiro ao terceiro/beneficiário). Equivale a uma cessão de direitos hereditários.

Requisitos da Renúncia para ser válida


Para validade da renúncia são indispensáveis alguns pressupostos ou requisitos,
como:
a) deve ser expressa: art. 1806, primeira parte, CC. Faz-se por declaração
escrita; “instrumento público ou termo judicial”.
b) deve ser promovida: art. 1806, segunda parte, CC - por instrumento público
ou termos nos autos (não apenas nos autos do inventário) ... em qualquer processo
que se discuta a herança). Significa dizer que há a necessidade de uma ação por parte
do renunciante.
c) exige plena capacidade jurídica do renunciante, em razão das
consequências que acarreta. Assim, não pode renunciar aquele que for incapaz (nem

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por seu representante legal - curador), a menos que obtenha a autorização judicial. Não
basta capacidade genérica, sendo necessária também a de alienar. Feita renúncia
por mandatário, deve este exibir procuração com poderes especiais para renunciar (art.
661, § 1.º, CC).
d) não pode ser feita antes de aberta à sucessão. O óbito é que deflagra o
processo sucessório e as questões relativas à qualidade de herdeiro.
e) sendo casado o herdeiro, há necessidade do consentimento do cônjuge -
exceto no regime da separação absoluta (art. 1.647, I). A outorga de consentimento do
cônjuge é indispensável para a validade da renúncia, pois o direito à sucessão aberta
é considerado bem imóvel (art. 80, II). Se o cônjuge nega-se a dar o consentimento, o
juiz poderá supri-lo, conforme art. 1.648, CC.
Art. 1.648. Cabe ao juiz, nos casos do artigo antecedente, suprir a outorga,
quando um dos cônjuges a denegue sem motivo justo, ou lhe seja impossível
concedê-la.

f) uma vez realizada, RETROAGE à data da abertura da sucessão, no sentido


de que o renunciante é tratado como se nunca tivesse existido.
g) que não prejudique os credores: A Lei de Falências e Recuperação de
Empresas – Lei n. 11.101, de 9.02.2005, reconhece no art. 129, a ineficácia dos atos
em relação a falência: inc. V: a renúncia à herança ou legado, até dois anos antes da
decretação da falência.

Nesse sentido, o art. 1.813, CC prevê que, se o herdeiro renunciar a herança e os


credores sentir-se prejudicados, poderão aceitar a herança pelo herdeiro:
Art. 1.813. Quando o herdeiro prejudicar os seus credores, renunciando à
herança, poderão eles, com autorização do juiz, aceitá-la em nome do
renunciante.
§ 1o A habilitação dos credores se fará no prazo de trinta dias seguintes ao
conhecimento do fato.
§ 2o Pagas as dívidas do renunciante, prevalece a renúncia quanto ao
remanescente, que será devolvido aos demais herdeiros.

h) direito de acrescer: o quinhão volta automaticamente aos outros herdeiros.


Se o herdeiro for o único da classe são convocados os herdeiros da classe seguinte.

Na renúncia, não há que se falar em direito de representação. Os

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descendentes do renunciante não podem representá-lo porque ele nada recebeu.
RENÚNCIA E REPRESENTAÇÃO NÃO VIVEM JUNTAS!

Formas de renúncia: art. 1.806


1) por termo nos autos – A renúncia por termo nos autos independe de
homologação. Basta que seja feito um termo, pelo escrivão judicial (cuja fé pública se
assemelha/equipara a do tabelião) para que tenha validade.
2) por escritura pública – nunca contrato particular, art. 1806, CC. O Código
menciona expressamente por instrumento público, inadmitindo escrito particular.

Efeitos da Renúncia:
Muitas são as implicações do ato de renunciar, irradiando alguns efeitos, em
especial, a exclusão do herdeiro renunciante de forma ampla e definitiva.
a) Exclusão, da sucessão, do herdeiro renunciante: o RENUNCIANTE é
tratado como se nunca tivesse sido herdeiro (retroage à data da abertura da
sucessão, ou seja, desde o óbito). O renunciante é afastado da sucessão (art. 1.810
e 1811). NÃO CABE, PORTANTO, DIREITO DE REPRESENTAÇÃO.
b) direito de acrescer: a parte do renunciante passa imediatamente à dos
outros herdeiros da mesma classe, nos termos do art. 1810, CC.

A e B recebem a cota de “C” – A herança será divida em duas partes.

c) Se ele for o único descendente e renunciar, a renúncia não atinge aos


herdeiros da próxima classe (art. 1.810, segunda parte). Com isto, se o renunciante for
filho único e tiver filhos, estes serão os herdeiros (os netos do falecido). Nesse caso, os
netos herdam em condição própria, caso esses não existam, são convocados os
ascendentes, seguindo-se a ordem legal.

35
B herdeiro renunciante

“H” e “L” herdarão por cabeça – 50% para cada um.

d) Renúncia e representação são incompatíveis (art.1.811). Se o renunciante


vier a falecer, os seus herdeiros não herdam. Inexiste direito de representação. Os
descendentes do de cujus não podem representar o renunciante na sucessão do
ascendente, salvo se ele for o único herdeiro de sua classe ou se todos os herdeiros
de mesma classe renunciarem.

C herdeiro renunciante

A e B recebem a cota de “C”.

Herdeiros de C: não herdam

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e) Se todos os herdeiros da mesma classe renunciarem, os filhos (netos do
autor da herança) serão chamados a suceder por direito próprio, por cabeça (art. 1811,
CC). Neste caso, mesmo que o falecido tiver deixado vários filhos, todos renunciantes,
e cada um deles com quantidade diversa de filhos, cada neto do autor da herança
receberá em partes iguais, como se os seus pais jamais tivessem existido (serão, todos
eles, herdeiros de mesma classe e, neste caso, não há diferença no percentual da
herança). Se ele for o único descendente e renunciar, essa renúncia não atinge aos
netos, que herdam em condição própria, caso esses não existam, são convocados os
ascendentes...

A, B e C = herdeiros renunciantes
X, H, L e Y herdam por direito próprio ou cabeça. Não há diferença de percentual na
herança, neste caso.

e) SE A RENÚNCIA FOR LESIVA AOS CREDORES, aplica-se o art. 1813, de


forma que o credor poderá aceitar a herança pelo renunciante. Satisfeito o débito,
havendo saldo, este será devolvido ao monte, para repartir entre os demais herdeiros.

Renúncia de Legado e Herança:

Há diferença entre a renúncia de herança legítima e testamentária. No segundo


caso, havendo renúncia ao testamento, se houver substituto, este receberá. Do
contrário, será devolvido à massa. O art. 1.947, CC permite que o testador indique um

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substituto no testamento, caso o beneficiário não aceite a herança ou legado:

Art. 1.947. O testador pode substituir outra pessoa ao herdeiro ou ao legatário


nomeado, para o caso de um ou outro não querer ou não poder aceitar a
herança ou o legado, presumindo-se que a substituição foi determinada para
as duas alternativas, ainda que o testador só a uma se refira.

Com isto, se houver substituto, havendo renúncia por parte do beneficiário, o


substituto herdará. Se não houver (ou o substituto também renunciar), a herança ou
legado deixados por testamento deverá ser partilhada.
De qualquer forma, na sucessão testamentária, a renúncia do herdeiro acarreta a
caducidade da instituição, salvo se o testador tiver indicado substituto (CC, art. 1.947)
ou houver direito de acrescer entre os herdeiros (art. 1.943).

Irrevogabilidade da Aceitação e da Renúncia

Art. 1812, CC – São irrevogáveis os atos de aceitação ou de renúncia da


herança. A renúncia é irrevogável, a não ser que se comprove que o renunciante obrou
por um vício que aderiu a sua vontade. Nesse caso, se o ato de consentimento
encontra-se viciado é anulável.
A renúncia é, também, irretratável, não admite revogação, pois, tratando-se de
ato jurídico unilateral. É um ato solene e se aperfeiçoa no momento da emissão da
vontade, gerando seus efeitos. ELA SE OPERA RETROATIVAMENTE.
É claro, como qualquer ato jurídico, proveniente de erro, dolo ou violência pode
sofrer a sanção de invalidade (é anulável a renúncia). OBS: art. 1813.
Nesse caso, ocorrerá a invalidade absoluta se não tiver sido feita por escritura
pública ou termo judicial, quando feita por pessoa absolutamente incapaz, não
representada e sem autorização judicial; e relativa, quando proveniente de erro, dolo
ou coação, a ensejar a anulação do ato por vício de consentimento, ou quando realizada
sem a anuência do cônjuge, se o renunciante for casado em regime que não seja o da
separação absoluta de bens.

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Quadro comparativo
RENÚNCIA CESSÃO
Antes de aceitar a herança Após aceitar a herança
Expressa Expressa
Escritura pública ou termo nos autos Somente por escritura pública
Repúdio total da herança Cessão pode ser parcial ou total
Não pode haver renúncia em favor de pessoa A cessão é em benefício de pessoa ou pessoas
determinada – operada a renúncia a quota parte determinadas
divide-se entre os demais herdeiros

Irrevogável Irrevogável
Admite retratação em caso de vício de vontade –
mas é caso de anulação ou nulidade.

Renunciada a herança a parte do renunciante Cedida a herança e havendo direito de acrescer


acresce a dos demais ou substituição o cedente segue tendo direitos (a
cessão é apenas dos bens existentes à época da
cessão)

Renunciada a herança o herdeiro fica como se nunca Cessionário assume posição equiparável a de
tivesse existido herdeiro e este segue tendo direitos sobre direito
de acrescer e substituição

11. Excluídos da sucessão – art. 1.814 a 1.818, CC


A sucessão hereditária está assentada em uma razão de ordem ética: a existência
de afeição entre o falecido e o herdeiro. Este último deve manter um sentimento de
gratidão e/ou respeito à pessoa do de cujus. A inexistência ou a quebra desta
afetividade, através da prática de atos de desapreço e menosprezo contra o autor da
herança ou atos delituosos, torna o herdeiro indigno de receber os bens deixados pelo
falecido.

11.1. Indignidade – art. 1.814


A indignidade é uma sanção civil que acarreta na perda do direito sucessório por
parte do herdeiro que venha a cometer os atos expressos no art. 1.814, CC.
No caso de prática de atos atentatórios ao de cujus, o legislador cria uma
pena, que consiste na perda da herança. Aplica-se ao sucessor legítimo e/ou
sucessor legatário (testamentário) que houver praticado ato de ingratidão.

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O art. 1.814, CC traz expressas as causas que importam na exclusão do herdeiro
considerado indigno. Trata-se de situações taxativas, não se admitindo qualquer tipo
de interpretação expansiva.
Para Gonçalves (2012, p. 112), a exclusão por indignidade pressupõe:
a) seja o herdeiro ou legatário incurso em casos legais de indignidade;
b) não tenha sido reabilitado pelo de cujus;
c) haja uma sentença declaratória da indignidade.

O art. 1814, caput, CC enumera as hipóteses exaustivas da exclusão, que se


dão em razão de:
a) atentados contra a vida (dolo);
b) atentados contra a honra
c) atentados contra a liberdade do de cujus.
Não se admitem outros casos. A matéria não admite INTERPRETAÇÃO
EXTENSIVA OU ANALÓGICA. O reconhecimento da indignidade deverá ser porfiado
em ação própria, estritamente, nas hipóteses legais.

Art. 1.814. São excluídos da sucessão os herdeiros ou legatários:


I – que houverem sido autores, co-autores ou partícipes de homicídio doloso,
ou tentativa deste, contra a pessoa de cuja sucessão se tratar, seu cônjuge,
companheiro, ascendente ou descendente;
II – que houverem acusado caluniosamente em juízo o autor da herança ou
incorrerem em crime contra a sua honra, ou de seu cônjuge ou companheiro.
III – que, por violência ou meios fraudulentos, inibirem ou obstarem o autor da
herança de dispor livremente de seus bens por ato de última vontade.

I – é o de homicídio, tentado ou consumando, cometido pelo herdeiro


contra o autor da herança.
Como se vê, – pela própria redação do inciso – o reconhecimento da indignidade
independe de anterior condenação do indigno no juízo criminal.
A prova dessa indignidade pode ser feita no cível. É a mais grave das causas
apontadas pelo legislador, pouco importando os motivos.
A pena é aplicada aos que praticaram homicídio doloso ou tentativa contra o autor
da herança e seus parentes sucessíveis.

A prova do fato e da culpabilidade é feita no curso da ação civil. Não é preciso que
já tenha havido condenação criminal. Contudo, se já tiver sido condenado no crime,

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não mais se discute no cível sobre quem é o autor do fato (a sentença penal transitada
em julgado faz coisa julgada no cível). Também, se o autor do fato tiver sido absolvido
no criminal, não poderá ser declarado indigno no juízo cível.
Além da sanção cível – exclusão por indignidade – o autor dos atos atentatórios
contra a vida do autor da herança ou ascendentes ou descendentes seus, sofrerá,
ainda, as sanções penais cabíveis.
E se houver sentença criminal absolvendo o réu (herdeiro), por inimputabilidade?
E se o juiz, absolver o réu pela inexistência do fato?
Nestes casos, a sentença criminal faz coisa julgada no cível, ou seja, civilmente a
exclusão ou a tentativa desta não surtirá efeitos (art. 935, CC). Portanto, a sentença do
juízo criminal impede que no cível se reconheça a indignidade.
Por outro lado, verifica-se que a lei exige que o homicídio seja voluntário. Exclui-
se, portanto, o homicídio culposo, decorrente de imprudência, imperícia e negligência.
O dolo é essencial para o reconhecimento da exclusão do herdeiro.

II – a hipótese retrata caso de denunciação caluniosa (art. 339, CP), da


calúnia (art. 138), injuria (art. 139) e difamação (art. 140, CP). APENAS NA FORMA
CONSUMADA – não existe, neste caso, tentativa
O que diz o art. 339 do CP: “dar causa a instauração de investigação criminal ou
processo judicial contra alguém, (...) imputando-lhe a prática de crime que sabe ser
inocente”. Denunciação caluniosa.
Nos casos de calúnia, injúria e difamação ocorre o mesmo.
Pergunta-se: É necessária a condenação do herdeiro para se reconhecer a
indignidade? O que importa é, sem dúvida, saber se o herdeiro deu causa à ação penal
contra o falecido.

III – Neste caso a lei visa garantir a plena liberdade de disposição do de


cujus.
Inibir é cercear a livre disposição dos bens. Obstar é impedir a livre disposição.
Em ambos os casos, a conduta do herdeiro importa em indignidade. Trata-se, aqui, da
fraude, do dolo e da coação, denominados de atos inibitórios, que interferem na
vontade do autor herança. Ora, se o herdeiro pratica atos inibitórios abusando da

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confiança do testador ou falsificando a manifestação de vontade, deve responder pelo
ato, ensejando o afastamento da sucessão pelo reconhecimento da indignidade, em
autos apartados. Algumas situações fáticas:
a) herdeiro constrange o de cujus a testar;
b) herdeiro impede-o de revogar testamento anterior;
c) herdeiro suprime testamento cerrado ou particular dele;
d) herdeiro elabora testamento falso;
e) herdeiro cientemente, pretende fazer uso de testamento falsificado.

Procedimento para obtenção da exclusão – ação declaratória de indignidade


O reconhecimento da indignidade pressupõe uma declaração judicial (art. 1.815),
de forma que será proclamada por sentença, em regra, em ação promovida pelos
interessados. Deve, portanto, haver uma ação declaratória intentada com o objetivo
de excluir o herdeiro da herança, possibilitando o devido contraditório e a ampla defesa
do herdeiro excluído.
O legitimado para propor a ação declaratória é qualquer interessado na sucessão.
Assim, admite-se a propositura por coerdeiro, Município, Distrito Federal ou União, na
falta de sucessores legítimos e testamentários.
Não tem interesse, contudo, aquele que não tiver benefício direto com a exclusão.
Ex.: quando o excluído tiver filhos, em razão do disposto no art. 1.816, CC, os irmãos
do indigno não terão legitimidade para propor a ação, pois não se beneficiarão com sua
exclusão.
Trata-se de ação de interesse privado, mas, quando houver interesse público,
admite-se a legitimidade do Ministério Público. Neste sentido o enunciado 115,
CJF/STJ:
O Ministério Público, por força do art. 1.815 do novo Código Civil, desde que
presente o interesse público, tem legitimidade para promover ação visando à
declaração de indignidade de herdeiro ou legatário.

A ação declaratória de indignidade só pode ser proposta após a morte do autor


da herança, pois antes não existe a sucessão. Com isto, há que se dizer que o herdeiro
excluído chega a receber a herança (pelo princípio da saisine). A eficácia da sentença,
instaurado o amplo contraditório, retira a qualidade de herdeiro: efeitos ex tunc
(retroativo).

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O prazo para a propositura da ação é de 4 anos contados da abertura da
sucessão – art. 1.815, § único.

Efeitos da indignidade – art. 1816 CC


a) são pessoais os efeitos da exclusão – a condenação não passa da pessoa
do excluído. Se o excluído tiver filhos, estes herdarão em seu lugar, pois é como se o
excluído fosse morto antes da abertura da sucessão. O fundamento é de que a pena
não passa da pessoa do condenado. Desta forma, os herdeiros do indigno sucedem
por representação.

H – herdeiro indigno.
A e B – herdarão por representação (no lugar de seu pai, como se ele nunca
tivesse existido).
Com isto:
X – recebe 1/3 Y – recebe 1/3
A e B – dividem o 1/3 que caberia a seu pai.

Se, contudo, não houverem herdeiros descendentes do indigno (se, no caso


acima, A e B não existissem), a parte do indigno será partilhada entre os herdeiros de
mesma classe, que herdarão por direito próprio. Neste caso, X e Y herdariam, cada um,
50% dos bens deixados.
No caso da sucessão testamentária, se houver substituto, este herdará. Do
contrário, voltará para o monte partilhável.

b) os efeitos da sentença retroagem à data da abertura da sucessão:


embora se reconheça que o indigno receber a herança no momento da abertura da

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sucessão, com a sentença, os efeitos retroagem até esta data, de forma que o
legislador determina que o indigno seja considerado premorto (com isto, não há a
incidência de imposto sobre a quota parte do indigno, ou seja, se este tiver filhos,
não haverá ITCD sobre o seu recebimento e ITBI sobre a transmissão para seus filhos).

c) perda dos frutos e rendimentos: nos termos do art. 1.817, §único, o herdeiro
excluído deve restituir os frutos e rendimentos que tenha obtido até a declaração de
indignidade, mas tem direito a ser ressarcido das despesas com a conservação dos
bens.

d) perda do usufruto e da administração dos bens que couberem aos filhos:


com a declaração de indignidade, se o excluído tiver filhos, estes serão os beneficiários
da herança. O art. 1.689, I e II, CC, prevê que os pais são os administradores e
usufrutuários dos bens dos filhos. Neste caso, sendo declarado indigno, o genitor
perderá este direito. Se assim não fosse, poderia tirar proveito dos bens da herança,
da qual foi afastado por ingratidão.
Se o indigno é considerado um morto civil, para efeitos sucessórios, é natural que
se lhe retire a administração e o usufruto dos bens. Art. 1.816, § único.

Validade dos atos praticados pelo herdeiro aparente


O herdeiro indigno, como já afirmado, até o trânsito em julgado da sentença
declaratória de indignidade é considerado herdeiro legítimo. Desta forma, o art. 1.817,
CC, prevê que os atos de alienação onerosa realizados a terceiros de boa-fé, praticados
antes da sentença de exclusão são válidos. Cabe aos herdeiros prejudicados
demandar, contra o excluído, indenização por perdas e danos. NESTE CASO OS
EFEITOS DA SENTENÇA SÃO EX NUNC – não retroagem!!! (No geral a sentença
retroage a data do óbito – privilégio da boa-fé).
Contudo, esta validade do ato dependerá de haver boa-fé do adquirente e, ainda,
do ato ter sido realizado a título oneroso. Se, contudo, tiver ciência da indignidade e,
ainda assim, adquirir o bem, deverá devolvê-lo. E, ainda, da mesma forma, se o ato for
gratuito.

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Reabilitação do indigno – art. 1.818, CC

O Código Civil admite expressamente a possibilidade de reabilitação do herdeiro


pelo autor da herança, através de testamento ou outro ato autêntico.
Trata-se de perdão. Sabem-se os sentimentos: PAI É PAI, MÃE É MÃE. Pode
ocorrer que o autor da herança, em vida, queira que o autor da ingratidão, não seja
excluído, muito embora tenha sido caluniado, injuriado, etc... Exclui-se, evidentemente,
o homicídio, pela lógica do impossível.
Este perdão é solene, porque a lei diz: ATO AUTÊNTICO OU TESTAMENTO, de
forma que deve ser expresso, embora não exista a exigência de palavras sacramentais.
A reabilitação do herdeiro pelo perdão, uma vez concedida, é irretratável.
Mesmo que o testamento seja anulado, a cláusula que reabilita o indigno
permanece válida.
Ato autêntico é qualquer declaração, por instrumento público, não se admitindo a
validade da escritura particular, cartas, declarações verbais ou de próprio punho, ainda
que corroboradas por testemunhas.
E se o ofendido após o ato de indignidade contemplar o herdeiro, por via
testamentária? Aqui, evidentemente, o herdeiro está reabilitado. Não há a necessidade
de que exista a expressão “perdoo o indigno”, ou algo equivalente, mas tão somente
disposições que indiquem o perdão. A redação do parágrafo único do art. 1.818, CC. O
ato de perdão é inequívoco. Não existe perdão tácito.
Então temos que o perdão, ou melhor a reabilitação pode ser:
a) expressa
b) tácita – mas por via testamentária, contemplando o herdeiro.

12.1 Deserdação
A deserdação é uma causa de exclusão pela qual o autor da herança, através de
disposição de última vontade – testamento – exclui de sua sucessão o herdeiro
necessário que tenha praticado atos moralmente censuráveis e previstos na lei civil.
IMPORTANTE: só se aplica aos herdeiros necessários (descendentes,
ascendentes e cônjuge), que ficam privados de sua legítima, sem atingir a meação.

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Trata-se de uma pena civil que é aplicada pelo próprio autor da herança, através
de testamento.

Características da deserdação
a) o arbítrio do autor da herança não é ilimitado (incondicionado); precisa seguir
os pressupostos legais e limites.
b) o autor deve mencionar a causa constitutiva e determinante da deserdação,
entre as indicadas na lei (para permitir a defesa e o contraditório);
c) deve ser clara e expressa; atendendo os requisitos legais;
d) não existe deserdação tácita, virtual ou implícita;
e) o testador pode retratar a deserdação (por testamento). EX: não vale simples
reconciliação; precisa cancelar, ou fazer um novo testamento, seguindo o rito
anteriormente adotado.
f) o testamento que é anulável (nulo), torna ineficaz a cláusula de deserdação;
g) condição ou termo são inconciliáveis com a deserdação;
ex: Ameaças, em relação ao herdeiro fazer ou deixar de fazer algo, sob pena de
ser deserdado, não têm o poder nem a legalidade para deserdar.
h) o excluído da sucessão não tem direito ao usufruto e à administração dos
bens (art. 1816, parágrafo único, CC);
i) não há proibição de deserdação parcial (sanção proporcional à gravidade da
ofensa, apesar de não estar pacífica tal posição);
j) o herdeiro que falece antes do testador não pode ser deserdado (implicaria na
quebra do princípio da pessoalidade, alcançando os descendentes do punido. A pena
é personalíssima). No entanto, existe a possibilidade de deserdar o neto, vinculada a
pré-morte do filho, condicionada aos mesmos requisitos supracitados.

Causas da deserdação – art. 1.814, art. 1.962 e art. 1.963, CC


Os arts. 1.814, 1.962 e 1.963 trazem as causas da deserdação. Dispõe o art.
1.814, CC:
Art. 1.814. São excluídos da sucessão os herdeiros ou legatários:
I - que houverem sido autores, co-autores ou partícipes de homicídio doloso,
ou tentativa deste, contra a pessoa de cuja sucessão se tratar, seu cônjuge,
companheiro, ascendente ou descendente;

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II - que houverem acusado caluniosamente em juízo o autor da herança ou
incorrerem em crime contra a sua honra, ou de seu cônjuge ou companheiro;
III - que, por violência ou meios fraudulentos, inibirem ou obstarem o autor da
herança de dispor livremente de seus bens por ato de última vontade.

Além destas, também autorizam a deserdação as causas previstas no art. 1.962


e 1.963, CC:
• Ofensas físicas: não bastam ameaças. A violência dever ser real e efetiva.
Ato voluntário do filho contra o pai. Ainda que tenha acarretado somente lesões
corporais de natureza leve e independentemente de condenação criminal. Aplicam- se
ao caso as excludentes de ilicitude.
• injúrias graves: devem ser dirigidas diretamente contra o testador. Não se
justifica a deserdação quando a ofensa atinge aos seus familiares. Contudo, a injúria
contra o cônjuge ou companheiro é passível de deserdação (art. 1.814, II). O adjetivo
grave deve ser considerado e a gravidade será avaliada conforme o caso concreto:
cartas, bilhetes, gestos obscenos, condutas.
• relações ilícitas com a madrasta ou padrasto: podem criar um ambiente
prejudicial para a paz familiar. Não exige relações sexuais. Pode ser atos lascivos,
libidinagem, intimidade, luxúria, etc.
• desamparo, abandono, falta de assistência: pode abranger a falta de
assistência moral, material ou espiritual.

Requisitos de eficácia da deserdação:


O art. 1.964 afirma que somente com a declaração expressa da causa é que a
deserdação poderá ser ordenada via testamento. Fazendo-se a interpretação deste
dispositivo com o art. 1.961, CC, tem-se que são requisitos para a deserdação:

a) existência de herdeiros necessários: a deserdação constitui-se da exclusão


do herdeiro necessário (descendente, ascendente ou cônjuge), sendo o único meio
legal de afastá-los da sucessão.

b) testamento válido: a deserdação não produz efeitos quando o testamento é


nulo, revogado ou caduco. O testamento é a única forma de haver a deserdação. Não

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se admite outra forma. A deserdação deve ser expressa, embora não hajam
expressões sacramentais. O perdão ao deserdado só pode ser concedido em novo
testamento.

c) expressa declaração de cláusula prevista em lei: as causas estão no art.


1.814, 1.962 e 1.963, CC. O rol é taxativo. Não se admitem outras causas não previstas.
O testador deve mencionar no testamento o motivo, a causa que o leva a deserdar o
herdeiro.

d) propositura de ação ordinária: para que a deserdação seja ultimada, não


basta a simples declaração via testamento. Deve haver, ainda, uma ação ordinária,
promovida pelo beneficiário pela deserdação do herdeiro, que prove a veracidade da
causa alegada pelo testador, nos termos do art. 1.965.

Efeitos da deserdação:
O art. 1.816, CC afirma que os efeitos da exclusão são pessoais. Apesar de não
haver previsão expressa para a deserdação, aplica-se este mesmo dispositivo, tendo
em vista que o objetivo da indignidade e da deserdação é o mesmo.
- Privação em todo ou parte, da legítima, sendo o deserdado havido como se
morto fosse;
- É de índole pessoal a sanção;
- Aos ascendentes não cabe a representação;
- Os descendentes recolhem a herança por direito de representação;

Ação de deserdação – art. 1.965


Conforme afirmado, para que haja a deserdação, além da declaração no
testamento, nos termos do art. 1.964, deve ser proposta uma ação visando a
confirmação da veracidade da causa alegada pelo testador. Sem esta comprovação é
ineficaz a deserdação.
Tal ação deve ser proposta pelo herdeiro instituído ou pelo herdeiro que
aproveitará a deserdação. A ação deve ser proposta dentro de 4 anos (parágrafo
único), contados da data da abertura do testamento; passado esse prazo, é herdeiro

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naturalmente.

12.2 Diferenças entre Indignidade e Deserdação

INDIGNIDADE DESERDAÇÃO
Decorre de lei, que prevê a sanção nos casos de Decorre da vontade do autor da herança que, em
prática de atos previstos no art. 1.814, CC. testamento, pune o responsável.

Resulta de causa impessoal, lastreando-se na Advém da vontade direta e expressa do testador.


vontade presumida.
É instituto da sucessão legítima, ainda que também Só pode ocorrer na sucessão testamentária, pois
possa alcançar o legatário. depende do testamento, com expressa declaração
de causa (art. 1.964).
Pode atingir todos os sucessores (legítimos, Só atinge os herdeiros necessários (descendente,
testamentários ou legatários). ascendente e cônjuge).
Sua efetivação se dá por ação judicial, proposta A deserdação se dá por testamento, com expressa
por terceiros interessados, em ação própria e declaração da causa (art. 1.964).
obtida mediante sentença judicial (art. 1.815).
Admite reabilitação, mediante perdão do ofendido. Não comporta perdão, pois o ato correspondente é
praticado em testamento (ato de última vontade).

Nem sempre os fatos são anteriores à morte do Os suportes fáticos são anteriores à morte do autor
autor da herança da herança.

12.3 Diferenças entre ser excluído da sucessão e não ter legitimidade


para suceder:
EXCLUSÃO POR INDIGNIDADE FALTA DE LEGITIMIDADE
A pessoa recebe a coisa e a perde A pessoa nunca recebeu, pois não tinha
legitimidade para tanto.
É uma pena civil aplicada ao herdeiro ou legatário É a inaptidão para receber a herança, por motivos
pela prática de determinados atos de ingratidão. de ordem geral, independente de seu mérito ou
demérito.
O indigno existe e perde a herança havida, ou seja, o O ilegítimo não existe para a sucessão, portanto,
direito existiu até a declaração de indignidade não tem direito de suceder.

Os herdeiros do indigno recebem sua parte Os herdeiros do não legitimado não recebem

Obstaculiza a conservação da herança Impede que surja p direito à sucessão

12. Herança jacente e herança vacante - Art. 1.819 a 1.823


A herança sempre deve ser entregue aos sucessores do falecido. Se ocorrer de
o falecido ter falecido e não deixar descendentes, esta herança será recolhidapelo
Município, Distrito Federal ou União, dependendo de onde estejam localizados os bens.

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Contudo, para que isto ocorra, devem ser observados alguns procedimentos.
Quando abre-se a sucessão e o de cujus não deixou herdeiros, nem testamento
conhecido, diz-se que a herança é jacente (art. 1.819).
A herança JAZ enquanto não se apresentam herdeiros do falecido para reclamá-
la. Assim, o Estado determina, para evitar o perecimento da herança, que haja a sua
arrecadação para que, ao fim, seja entregue aos herdeiros que se apresentem e
tenham legitimidade para suceder.
Somente depois de realizadas as diligências legais, ainda não aparecerem
herdeiros, é que a herança será declarada vacante, para o fim de ser incorporada ao
patrimônio do Poder Público.
Existem, portanto, duas fases: a jacência e a vacância.
HERANÇA JACENTE: Assim, quando aberta a sucessão verifica-se que o de
cujus não deixou testamento, nem tem herdeiros, diz-se que a herança é JACENTE
(art. 1.819, CC). Mesmo quando haja herdeiro sucessível, enquanto não se souber da
sua existência, a herança será jacente.
HERANÇA VACANTE: depois que o Estado arrecadou os bens, com o intuito de
impedir o perecimento da riqueza, depois de realizadas as diligencias a fim de verificar
a existência de herdeiros, se restar demonstrado não existirem herdeiros sucessíveis,
a herança jacente será declarada VACANTE.

Casos de jacência:
Para que se configure a jacência deve haver – art. 1.819, CC:
a) ocorrência do óbito;
b) sem deixar testamento conhecido ou ser este caduco. Neste caso, tem-
se duas situações:
Sem testamento:
a. Inexistência de herdeiros conhecidos
b. Renúncia da herança por todos os herdeiros

Com testamento:

c. Herdeiro instituído ou testamenteiro não existir ou não aceitar a herança


d. Falecido não tiver herdeiros necessários.

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c) sem deixar herdeiro legítimo (art. 1829);
d) com herdeiros que renunciaram;
e) com herdeiros ausentes (ou, com beneficiários não conhecidos).

Há, ainda, a hipótese de ser considerada jacente a herança na qual o de cujus


testou para o filho concebido, mas ainda não nascido, seus bens. Neste caso, falecendo
o testador e ainda não tendo nascido a criança, a herança será declarada jacente e
recolhida, até o nascimento com vida do beneficiário. É possível, neste caso, que seja
retirado valor para a manutenção da gestação da mãe, se ela não tiver meios de
subsistência.

Arrecadação da herança jacente


Se o autor da herança não tiver deixado herdeiros, o patrimônio não pode ficar
“solto”, de forma que devem haver medidas para proteção e arrecadação do patrimônio.
Cabe, então, ao juiz da Comarca em que tiver domicílio o finado tomar tais providências
(art. 738 e ss., CPC/2015). A guarda e administração dos bens ficará a cardo de um
curador, nos termos do art. 739, CPC/2015:
Art. 739. A herança jacente ficará sob a guarda, a conservação e a
administração de um curador até a respectiva entrega ao sucessor legalmente
habilitado, ou até a declaração de vacância.

Cabe ao curador:
Art. 739, § 1o Incumbe ao curador:
I - representar a herança em juízo ou fora dele, com intervenção do
Ministério Público;
II - ter em boa guarda e conservação os bens arrecadados e promover a
arrecadação de outros porventura existentes;
III - executar as medidas conservatórias dos direitos da herança;
IV - apresentar mensalmente ao juiz balancete da receita e da despesa;
V - prestar contas ao final de sua gestão.
§ 2º Aplica-se ao curador o disposto nos arts. 159 a 161.

Durante a arrecadação o juiz ou a autoridade policial que estiver cumprindo a


diligência (art. 740, § 2.º, CPC/2015) fará a inquirição dos vizinhos do falecido, visando
descobrir sua qualificação, existência de outros bens e o paradeiro de seus sucessores.
A arrecadação será suspensa se aparecerem o cônjuge, companheiro ou herdeiro
do falecido para reclamar os bens (§ 6º, art. 740, CPC/2015).

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Finalizada a arrecadação, serão expedidos editais, nos termos do art. 741,
CPC/2015 – na internet, site do tribunal e na plataforma do CNJ, devendo permanecer
por 3 meses. Em não havendo o site, a publicação deverá ocorrer na imprensa da
Comarca, por 3 vezes, com intervalos de 1 mês entre cada uma.
Havendo herdeiro habilitado, a arrecadação converte-se em inventário (art. 741,
§ 1.º, § 3.º, CPC/2015).

Declaração de vacância
Não havendo herdeiro habilitado, após um ano da publicação do edital, a herança
será declarada vacante (art. 743, CPC/2015).
Será VACANTE a herança quando, depois de todas as diligências, inclusive com
a publicação de editais, passado um ano, não houverem herdeiros sucessíveis
habilitados. Há uma exceção: se todos os chamados a suceder renunciarem a
herança, será, desde logo, declarada vacante (art. 1.823, CC), sem que haja a fase de
jacência.
Uma vez sendo declarada, por sentença, a vacância, o cônjuge, companheiro ou
herdeiros só poderão reclamar seu direito através de ação de petição de herança (art.
743, § 2.º, CPC/2015).
Após a declaração de vacância, podem os credores pedir o pagamento das
dívidas reconhecidas, nos limites da força da herança (art. 1.821, CC + art. 741, § 4.º,
CPC/2015).
Mas essa declaração de vacância não faz com que os bens da herança se
incorporem, desde logo, ao patrimônio do Município ou Distrito Federal (se localizados
nos seus territórios) ou à União (se localizados em território federal). Para tanto, o art.
1.822, CC prevê o prazo de 5 anos da abertura da sucessão.

O Código não deixa dúvida sobre a exclusão dos colaterais da sucessão se


não habilitarem até a sentença de vacância – art. 1.822, § único. Os demais
herdeiros têm o prazo de 5 anos.

13. Petição de herança - art. 1.824 a 1.828, CC


Pode ocorrer, por qualquer razão, que algum herdeiro não seja relacionado no
inventário e na partilha. Nesse caso, sua condição jurídica de herdeiro não é

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reconhecida (filho a ser reconhecido de uma relação extraconjugal do de cujus).
Nesse caso, para que esse herdeiro possa ter seu direito reconhecido e, então,
receber parcela que lhe cabia na universalidade, deverá ingressar com uma ação
judicial. Esse é o caso da petição de herança.
EXEMPLOS:
1. Alguém que se aposse ilegalmente da herança ou de parte dela;
2. Herança que é recolhida por parentes mais afastados do falecido e o
interessado é de grau mais próximo, de classe preferencial;

Filho 1 = pré-morto.
Filho 2 = desaparecido – não se sabe da existência
Neto 1, 2 e 3 = herdarão por direito próprio, pois a classe anterior (dos filhos) não
existe = 1/3 para cada um.
Neto 1 = pré-morto  sua quota parte será divida entre Bisneto 1.1 e 1.2.
Quanto o Filho 2 for “descoberto”, terá direito de pleitear a herança (sua quota
parte). Neste caso, ficará com a ½ da herança e a outra ½ será dividida entre os
herdeiros de Filho 1.

3. A herança é distribuída entre os herdeiros legítimos, e aparece testamento


do de cujus, em que outra pessoa é nomeada herdeira;
4. O filho não reconhecido ingressa com ação de investigação de paternidade
e, de forma cumulada, com a petição de herança.

Conceito:
A petição de herança é uma ação, oferecida pelo herdeiro preterido, no sentido
de que lhe seja deferida a quota parte que lhe cabe, por direito. Trata-se, pois, do meio
jurídico pelo qual o herdeiro (excluído por qualquer razão – não se sabia da existência,

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por exemplo) pode se utilizar para garantir sua condições e o acesso aos bens deixados
pelo falecido (art. 1824, CC)
A ação visa, portanto, o reconhecimento da qualidade de herdeiro e a satisfação
quanto ao acervo hereditário, ou seja, contemplar o herdeiro – autor da ação – com sua
quota parte na herança. Necessita, contudo de uma ação de estado, ou seja, de uma
ação que objetive a declaração do parentesco.
A petição de herança tem dúplice objetivo:
a) o reconhecimento judicial da qualidade do herdeiro ou a condição de herdeiro
(qualidade sucessória);
b) a proclamação do princípio de que, sendo vários os herdeiros, qualquer deles
pode demandar a totalidade da herança.

Ação de petição de herança x Ação reivindicatória


Petição de herança – persegue-se o quinhão, sem especificar os bens. Tem,
portanto, caráter universal.
Reivindicatória – o objetivo é buscar o próprio bem, ou seja, coisas
individualizadas. Tem caráter singular.

Outro esclarecimento feito é a diferenciação entre a ação de petição de herança


e a ação reivindicatória. Lembremos que naquela o que se quer é a restituição da
universalidade da herança – por isso também chamada de ação universal em
conformidade com o disposto no art. 1825 -, enquanto nesta o objeto é coisa
determinada. Logo, a ação reivindicatória é o instrumento correto para o legatário.

RESUMO:
PETIÇÃO DE HERANÇA REIVINDICATÓRIA
Universal Singular
Pretende a devolução da herança como um todo Pretende a devolução de coisas destacadas,
ou em quota ideal singulares e determinadas
Visa o reconhecimento da qualidade de herdeiro Visa o reconhecimento do direito de propriedade
sore determinada coisa
Proposta pelo herdeiro a ser reconhecido Proposta pelo legatário, por exemplo

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Legitimidade para propor a ação:
LEGITIMIDADE ATIVA: A lei fala: “o herdeiro pode”, isto significa, que o herdeiro
legítimo ou testamentário ostentam a qualidade, a titularidade ativa. Tem legitimação
ativa, também, o síndico, o administrador, o testamenteiro, o curador, o companheiro
(a), etc.
a) O inventariante;
b) O testamenteiro;
c) O filho em ação de Investigação de Paternidade (de forma cumulada);
d) Herdeiro testamentário excluído da sucessão;
e) O companheiro sobrevivo;
f) Parentes do de cujus excluídos por outros titulares;
g) O curador da herança do morto;
h) Herdeiros não necessários preteridos pelos testamentários;
i) Filho não reconhecido pelo pai;
j) Síndico/administrador da falência do morto;

LEGITIMIDADE PASSIVA: Será réu nessa ação, aquele que estiver na posse da
herança como se fosse herdeiro, aparentando uma qualidade e assumindo a posição
de herdeiro, sem o ser verdadeiramente.
a) Herdeiro aparente (possuidor dos bens hereditários);
b) Terceiro estranho à sucessão causa mortis;
c) Herdeiro que possua por outro título (usucapião).
d) Estado (quando há herança jacente)

Efeitos da sentença:
Reconhecida a qualidade hereditária do autor da petição de herança, transmite-
se a titularidade do patrimônio deixado em seu favor. Com a procedência da ação e o
trânsito em julgado há o reconhecimento da ineficácia da partilha em relação ao autor
da ação, sendo dispensada sua anulação. Bastará o requerimento de retificação da
partilha realizada anteriormente.
Esses efeitos também são diferentes com relação ao possuidor de boa e má-fé e
quanto ao terceiro adquirente:

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Possuidor:
Aquele que possua os bens, com o julgamento da petição de herança, deverá
devolvê-los, com todos os acessórios. Responderá por perdas e danos e pelos frutos
que tiver colhido, salvo direito de retenção, se estiver de boa-fé.
Art. 1.826. O possuidor da herança está obrigado à restituição dos bens do
acervo, fixando-se-lhe a responsabilidade segundo a sua posse, observado o
disposto nos arts. 1.214 a 1.222.
Parágrafo único. A partir da citação, a responsabilidade do possuidor se há de
aferir pelas regras concernentes à posse de má-fé e à mora.

Assim, se o possuidor for de boa-fé: Será de boa-fé a posse do herdeiro


aparente que a houver adquirido acreditando ser verdadeiramente o herdeiro (art.
1.201, CC).
a) tem direito aos frutos percebidos (1214), devendo restituir os pendentes e os
colhidos por antecipação (1215);
b) os frutos naturais ou industriais reputam-se percebidos e colhidos (art. 1215);
c) não responde pela perda ou deterioração da coisa, a que não der causa (art.
1217);
d) tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis, podendo
levantar as voluptuárias (art. 1219).

Já o possuidor de má-fé:
a) Art. 1216, CC – pelos frutos colhidos e percebidos (e pelo que deixou de
perceber por culpa);
b) responde pela perda e deterioração da coisa, a que não der causa (art. 1218);
c) não tem direito de retenção de benfeitorias (nem levantar as voluptuárias); as
necessárias serão ressarcidas (art. 1218, 1220, 1222).

Terceiro adquirente:
A questão que se discute é se a alienação feita pelo herdeiro aparente é válida ou
não.
Art. 1.827. O herdeiro pode demandar os bens da herança, mesmo em poder
de terceiros, sem prejuízo da responsabilidade do possuidor originário pelo
valor dos bens alienados.
Parágrafo único. São eficazes as alienações feitas, a título oneroso, pelo
herdeiro aparente a terceiro de boa-fé.

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O Dispositivo regula a hipótese do bem não se encontrar nas mãos do possuidor,
mas de terceiros.
Se a alienação tiver sido feita a título gratuito, os bens devem ser devolvidos ao
herdeiro, de imediato.
Contudo, se o negócio tiver sido realizado pelo terceiro adquirente e pelo herdeiro
aparente a título oneroso, se o adquirente estiver de boa-fé, será válido o negócio.

Herdeiro aparente (Art. 1.817CC):


É aquele que recebe a herança como se fosse o titular desse direito, ou seja,
reputa-se ser aquele o herdeiro, porém, não o é.
Exemplos:
1) pessoa que entra na posse dos bens, sem saber que existiam outros herdeiros
de grau mais próximo;
2) na hipótese de herdeiro testamentário, cujo testamento é invalidado.
3) a posse de herdeiros, quando há posterior reconhecimento de outro em Ação
de Investigação de Paternidade.

4) se herdeiro (aparente), cumpriu a vontade do testador (com bona fide), tem


seus atos protegidos (terceiro adquirente de boa-fé).

O art. 1.828 prevê que o herdeiro aparente de boa-fé tem seus atos protegidos
por lei em benefício de terceiros de boa fé:
Art. 1.828. O herdeiro aparente, que de boa-fé houver pago um legado, não
está obrigado a prestar o equivalente ao verdadeiro sucessor, ressalvado a
este o direito de proceder contra quem o recebeu.

O artigo prevê duas hipóteses:


a) Se o herdeiro aparente pagou um legado, não responde (alguém deveria
cumprir a vontade do testador).
b) Cabe ao verdadeiro herdeiro, a possibilidade de buscar do legatário o que
(este) recebeu indevidamente.
Consequência dos atos praticados pelo herdeiro aparente quanto ao terceiro
de boa-fé: Art. 1.824 CC. Parágrafo único. São eficazes as alienações feitas, a título

57
oneroso, pelo herdeiro aparente a terceiro de boa-fé. Obs: não a título gratuito, só a
oneroso, art. 1.828 CC.

Prazo para propositura da ação de petição de herança


Muito embora a Súmula 149 do STF atribui o caráter de imprescritibilidade à ação
de investigação de paternidade, a petição de herança está limitada ao prazo
prescricional de 10 anos (art. 205, CC). Inicia-se a correr o prazo prescricional com a
data da abertura da sucessão. Lembrando que todas suspensões e interrupções
prescricionais aplicam-se nesse caso e que a prescrição não corre contra pessoas
absolutamente incapazes – só começa a correr quando completar 16 anos, passando
a ser relativamente incapaz.

II – SUCESSÃO LEGÍTIMA
A sucessão legítima é subsidiária da sucessão testamentária. Nestes termos, o
art. 1.788, CC dispõe:
Art. 1.788. Morrendo a pessoa sem testamento, transmite a herança aos
herdeiros legítimos; o mesmo ocorrerá quanto aos bens que não forem
compreendidos no testamento; e subsiste a sucessão legítima se o testamento
caducar, ou for julgado nulo.

Cumpre destacar, que a sucessão pode ser legítima e testamentária e, muito


embora a primeira tenha caráter subsidiário por força do disposto no artigo 1.788 é
aquela que na prática tem universal ocorrência. Com isto, a existência de testamento
não exclui a sucessão testamentária.
Desta forma, haverá sucessão legítima:
a) quando o falecido não tiver deixado testamento;
b) quando o falecido deixou testamento apenas sobre parte de seus bens;
c) quando o falecido deixou testamento mas este caducous ou foi declarado nulo.

De resto, o chamamento dos sucessores é por classes, quando a mais próxima


exclui a mais remota, nos termos dos artigos 1.833, 1836, § 1º e 1.840, CC, em relação
absoluta e preferencial, com as exceções apontadas (direito de representação,
indignidade, deserdação, renúncia).

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1. Ordem da vocação hereditária - arts. 1.829 a 1.850.
Com o falecimento do de cujus, a herança transmite-se desde logo aos herdeiros.
Mas esse chamamento ocorre através de uma sequência, denominada ordem da
vocação hereditária. Há, portanto, uma relação preferencial, quando uns excluem os
outros de classe subsequente.
Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte:
I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se
casado este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da
separação obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime
da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particulares;
II - aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge; III - ao cônjuge
sobrevivente;
IV - aos colaterais.

Verifica-se, pois, a existência de quatro classes de herdeiros:


1. Descendentes e o cônjuge (dependendo do regime de bens);
2. Ascendentes e o cônjuge (independentemente do regime);
3. Cônjuge (sozinho);
4. Colaterais até o 4.º grau e companheiro.

Nesse sentido, os arts. 1.833, 1.836, § 1.º e 1.840, CC dispõe:


Art. 1.833. Entre os descendentes, os em grau mais próximo excluem os mais
remotos, salvo o direito de representação.

Desta forma, se “A”, solteiro, falece, deixando filho e pai vivos, a sucessão regular-
se-á da seguinte forma: o filho recebe toda a herança do pai e, seu avô (pai do falecido),
nada receberá, pois a classe mais próxima exclui a mais remota.

59
Art. 1.836. Na falta de descendentes, são chamados à sucessão os
ascendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente.
§ 1º Na classe dos ascendentes, o grau mais próximo exclui o mais remoto,
sem distinção de linhas.
Art. 1.840. Na classe dos colaterais, os mais próximos excluem os mais
remotos, salvo o direito de representação concedido aos filhos de irmãos.

Os herdeiros parentes sucedem ou por direito próprio, ou por direito de


representação, ou por direito de transmissão.
a) Sucessão por cabeça ou direito próprio: Sucessão por CABEÇA ocorre
quando todos os herdeiros são do mesmo grau. Cada herdeiro do mesmo grau
corresponde uma quota igual na herança. A herança é dividida entre todos os herdeiros
aos quais é deferida
b) Sucessão por estirpe: sucessão de graus diversos: Sucessão por
ESTIRPE concorre, na sucessão, descendentes que tenham com o de cujus graus de
parentesco diferentes, ou quando a partilha, em vez de se fazer igualmente entre
pessoas, faz-se entre certos grupos de descendentes, grupos constituídos pelos
descendentes do herdeiro do grau mais próximo. A sucessão por estirpe dá-se na linha
reta descendente, excepcionalmente, na linha transversal, mas nunca na linha reta
ascendente.).

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– Recebe por direito próprio – por

– Recebem por representação do FILHO 1 (pré-morto). Trata-se de herança por estirpe.

c) Sucessão por linha: verificada no caso de haver ascendente da linha paterna


e da linha materna, concorrendo à sucessão na herança conjuntamente, e em
igualdade de condições. Obs: cada linha recebe metade do patrimônio, independente
de haver dois ascendentes em um lado e dois no outro.

a. Descendentes

Os filhos herdam por direito próprio, por cabeça ou per capita, recebendo quotas
iguais e, os netos herdam por estirpe, a não ser que todos os filhos já faleceram. Nesse
caso, os netos, por estarem no mesmo grau, herdam por cabeça ou direito próprio
(sucessão avoenga).
EXEMPLOS:

1. Por direito próprio:


Cada filho receberá ¼.

Além disto, na linha descendente, os de grau mais próximo, excluem os mais


remotos:

61
2. Por estirpe:

O filho 2 receberá ½ - por direito próprio. Os netos receberão a outra metade,


em razão do filho 1 ser pré morto – por estirpe (representação).

3. Por direito próprio (dos netos):

Cada neto receberá ¼ da herança – por direito próprio. Assim:


• Filhos – sucedem por cabeça.
• Netos – sucedem por estirpe. Se, contudo, os filhos forem todos falecidos, os
netos herdarão por cabeça, por serem todos de mesmo grau.

b. Ascendentes
Na falta de descendentes, são chamados à sucessão os ascendentes. Não se
admite o direito de representação na linha ascendente (art. 1.852).
§ 1º - mais próximo exclui o mais remoto, sem distinção de linhas;

Pai = ½ da herança.
Mãe = ½ da herança.

62
Se, contudo, A falece, deixando a mãe viva e sendo o pai premorto, mesmo que
tenha avós paternos vivos, sua mãe recolherá toda a herança.

No caso do Pai falecido, a Mãe


herda toda a herança do filho/de
cujus, pois não há direito de
representação na sucessão dos
ascendentes.

§ 2º - linha paterna e materna (metade)

Neste caso, cada um recebe


25%.

Neste caso, os avós paternos


receberão a ½ da herança e a avó
materna a outra ½.

Sucessão ascendente – ad infinitum – pais, avós, bisavós


Não existe Direito de Representação (art. 1.852 veda):

Assim, se não houver prole, herdam os genitores do falecido, em partes iguais.

c. Cônjuge sobrevivente OU Companheiro sobrevivente 5


A ordem da vocação hereditária do art. 1.829 coloca o cônjuge sobrevivente como
herdeiro concorrente com descendentes e ascendentes e, na falta destes, como
herdeiro da totalidade da herança.

5
Em 10/05/2017 o STF reconheceu repercussão geral em que entende inconstitucional a diferenciação
na sucessão do cônjuge e do companheiro.
*** ver decisões do STF nos RE 646721 e RE 878694

63
Assim, traz a grande inovação do Código em matéria de sucessões, em relação à
condição do cônjuge: a concorrência com descendentes (no Regime da Comunhão
Parcial, com bens particulares, etc..) e a concorrência com ascendentes
(desimportando o regime de bens).
CONCORRÊNCIA COM DESCENDENTES: condicionado ao regime;
A concorrência do cônjuge sobrevivente com os descendentes do de cujus vai
depender do regime matrimonial de bens. Não haverá concorrência se o cônjuge
sobrevivente tiver sido casado (com o falecido) pelo regime da comunhão universal de
bens (1.667) ou pelo regime da separação obrigatória (1.641), ou se, no regime da
comunhão parcial (1.658), o autor da herança não houver deixado bens particulares.
CONCORRÊNCIA COM ASCENDENTES: independente do regime.

Requisitos para que o cônjuge seja herdeiro – art. 1.830, CC:


O cônjuge herda os bens deixados pelo falecido. Contudo, o art. 1.830 estabelece
os requisitos para tanto:
Art. 1.830. Somente é reconhecido direito sucessório ao cônjuge sobrevivente
se, ao tempo da morte do outro, não estavam separados judicialmente, nem
separados de fato há mais de dois anos, salvo prova, neste caso, de que essa
convivência se tornara impossível sem culpa do sobrevivente.

a) Abertura da Sucessão não estavam separados judicialmente:


Consumada a dissolução (separação ou divórcio) desaparecia o direito sucessório
entre eles. Sucessão pressupõe vínculo conjugal.
b) Nem separado de fato há mais de 2 anos: Salvo quando com a convivência
se tornara impossível e não houve a culpa do sobrevivente. Contudo, a EC 66/2010
aboliu a discussão da culpa no direito de família. Desta forma, deve-se entender, quanto
a este dispositivo que, havendo separação fática (independentemente do prazo), o
cônjuge sobrevivente não herdará. A previsão do prazo de 2 anos estava vinculada a
exigência deste prazo para a realização do divórcio direto. Como a EC 66/2010
possibilita a realização do divórcio tão logo tenha havido o rompimento do casal,
entende-se, com base em Tartuce (2012, p. 151) que este prazo não mais deve ser
considerado.

64
Concorrência do cônjuge sobrevivente com os DESCENDENTES
O art. 1.829, I estabelece que:
Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte:
I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se
casado este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da
separação obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime
da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particulares;

O que se verifica é que o critério utilizado pelo legislador para definir a


concorrência ou não com os descendentes é o regime de bens que regia do casamento
do autor da herança e o cônjuge sobrevivente.
A regra é, então, que haja a concorrência do cônjuge sobrevivente com os
descendentes do autor da herança. Existem, contudo, exceções.

REGIMES EM QUE O CÔNJUGE SOBREVIVENTE NÃO HERDARÁ


a) Regime da comunhão universal de bens: 1ª exceção:
Neste regime de bens, todos os bens, presentes e futuros, dos cônjuges, assim
como as dívidas, se comunicam. Neste caso, como o cônjuge sobrevivente é meeiro
(tem direito a metade do patrimônio por direito), não há razão para concorrência.

Exemplo:

- Patrimônio de R$100.000,00
- Meação: R$ 50.000,00
- Legítima: R$ 50.000,00
- A = R$ 25.000,00
- B = R$ 25.000,00

Obs: Neste Regime (CUB) não é justificável a meação e a parte legítima.

A meação é de 50% de todos os bens (onerosos e gratuitos), não importando a


data e a forma de aquisição.

65
b) Regime de Separação Obrigatória de Bens: 2ª exceção - Art. 1.641 – 1.687
A segunda hipótese excetuada pelo legislador (art. 1.829, inc. II) é aquela em que
o regime adotado do casamento foi o da Separação Obrigatória de bens, por força da
lei. Neste caso, aplica-se a súmula 377 do STF, de forma que, ao final do casamento
(por morte ou divórcio), haverá a comunicação do patrimônio adquirido de forma
onerosa durante a união. Desta forma, o cônjuge sobrevivente terá direito a meação
destes bens. Há discussão, quanto a aplicação da súmula, sobre a necessidade de
prova do esforço comum ou não. Não há uniformidade jurisprudencial. Desta forma, o
cônjuge sobrevivente receberá a metade dos bens comuns e, quanto aos particulares,
não terá direito a nada.

c) Comunhão Parcial: sem bens particulares: 3ª exceção

Sem bens particulares, não há concorrência (regra geral). O cônjuge sobrevivente


não concorre com os descendentes, porque é meeiro, quando o autor da herança não
houver deixado bens particulares (bens doados, havidos por inventário ou legado, ou
adquiridos antes do casamento).

REGIMES EM QUE O CÔNJUGE SOBREVIVENTE HERDARÁ

a) Separação convencional de bens – há a concorrência


No regime da separação convencional, há pacto antenupcial e os cônjuges
definem a incomunicabilidade do patrimônio, ou seja, cada um conserva o seu
patrimônio particular. Contudo, apesar de haver uma separação absoluta dos
patrimônios, com o falecimento de um, o outro será herdeiro, em concorrência com os
descendentes.

b) Comunhão Parcial de Bens com bens particulares: há concorrência


Se o autor da herança deixar bens particulares, o cônjuge sobrevivente concorre
com os descendentes.
A questão que se impõe e tem demonstrado muito polêmica, com dissensões,
desarmonia, divergências e críticas da doutrina, diz respeito ao montante da
concorrência que pode ser expresso na seguinte indagação: “o cônjuge terá a sua

66
quota calculada sobre todo espólio, ou somente com relação aos bens
particulares deixados pelo falecido?”

1ª corrente – concorrência apenas sobre bens particulares


Esta é a posição MAJORITÁRIA da doutrina. O cônjuge, neste caso, receberia,
apenas parte dos bens particulares e não da totalidade da herança, ou seja, seria
meeiro dos bens comuns e herdeiro, em concorrência com os descendentes, dos bens
particulares.

EXEMPLO:

• 10.000 de bens particulares


• 100.000 de bens comuns
• Cônjuge = 50% bens comuns +
concorrência sobre bens particulares
• Filhos = 25% dos bens comuns para cada
um + 1/3 dos bens particulares – art. 1.832,
CC.

Cônjuge
Meação – 50% sobre bens comuns
Herança – ¼ (25%) sobre bens
particulares
Filhos
Bens comuns = ¼ para cada
Bens particulares = 18,75% para cada

2ª corrente – concorrência sobre toda a herança


Sustenta que além de meação sobre os bens onerosos, o cônjuge herda em
concorrência com os descendentes sobre a totalidade da herança, em virtude do
princípio da indivisibilidade da herança.

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EXEMPLOS:
Patrimônio: R$ 10.000,00 (particulares)
R$ 100.000,00 (aqüestos)
Herança: R$ 60.000,00 (50 +10).

Cônjuge = 50% de meação + ¼ do total em


concorrência
Filhos = ¼ da herança

Art. 1.832
Cônjuge = 50% de meação + 1/4 da herança
em concorrência
Filhos = dividem ¾ da herança = 15% para
cada um

c) Regime de participação final nos aquestos (art. 1.672 CC)


Embora não expressamente previsto, nesse regime, ocorre a concorrência. A
opção por este regime deve ser elaborada através de pacto antenupcial. Neste caso, a
partilha assemelha-se aos casos de comunhão parcial de bens:
- havendo bens particulares e aquestos = participação (espécie de meação)
sobre os aquestos e concorrência sobre os particulares.

- havendo bens particulares e não havendo aquestos = concorrência sobre os


particulares, sem participação.
- havendo apenas aquestos = apenas participação, sem concorrência.

QUINHÃO DO CÔNJUGE QUE CONCORRE COM DESCENDENTES:


O art. 1.832, estabelece a proporção da concorrência do cônjuge sobrevivente
com os descendentes:
Art. 1.832. Em concorrência com os descendentes (art. 1.829, inciso I) caberá
ao cônjuge quinhão igual ao dos que sucederem por cabeça, não podendo a
sua quota ser inferior à quarta parte da herança, se for ascendente dos
herdeiros com que concorrer.

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Há duas situações diferentes: filiação comum e filiação exclusiva do autor da
herança. Desta forma, a concorrência ficará da seguinte forma:
FILHOS COMUNS = herdará em partes iguais (até 3 filhos) ou, se tiver mais de
3 filhos (4, por exemplo), o cônjuge sobrevivente herdará, no mínimo, ¼ da herança.
FILHOS EXCLUSIVOS DO AUTOR DA HERANÇA = o cônjuge sobrevivente
herda em partes iguais (independentemente do número de filhos).
Se os descendentes forem exclusivos do autor da herança, não sendo
descendentes comuns, o cônjuge sobrevivente não terá direito à ¼ da herança (bens
particulares), cabendo-lhe, tão somente, quinhão igual ao que couber a cada um dos
filhos.
Isto aplica-se, também, nos casos em que houver concorrência com herdeiros
netos. Exemplo:

Neste caso, ter-se-á sucessão por cabeça e não por representação.

FILHOS COMUNS E EXCLUSIVOS DO AUTOR DA HERANÇA = FILIAÇÃO


HÍBRIDA = o cônjuge sobrevivente herda em partes iguais (independentemente
do número de filhos). Neste caso, mesmo havendo filhos comuns, não lhe é reservada
a quarta parte da herança.

Concorrência do cônjuge sobrevivente com os ASCENDENTES:


O art. 1.829, II prevê a concorrência do cônjuge sobrevivente com os ascendentes
do autor da herança, INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE BENS ESCOLHIDO:
a) com ascendente em 1º grau – 1/3

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b) metade: se houver um só ascendente ou maior for o grau.

Cônjuge sobrevivente = meação + 1/3

Pai = 1/3

Mãe = 1/3

- Avós maternos (não herdam)

- Pai = ½

- Cônjuge = meação + ½ da herança

CÔNJUGE COMO HERDEIRO DA TOTALIDADE DOS BENS:


O Cônjuge sobrevivente, na falta de descendentes e ascendentes, recolhe a
totalidade da herança (e a meação): (deve estar casado). Exige-se que a relação
matrimonial não estivesse rompida no momento da abertura da sucessão.
O Cônjuge é herdeiro concorrente (necessário) com descendente e ascendente;
é herdeiro exclusivo (necessário), quando não há descendente e nem ascendente. O
cônjuge exclui os colaterais da sucessão.
Sucessão ao Cônjuge (repete o art. 1.603, III) é chamado à totalidade da herança,
a totalidade do acervo, qualquer que tenha sido o regime de bens.

DIREITO REAL DE HABITAÇÃO:


O art. 1.831, CC estabelece o direito real de habitação para o cônjuge
sobrevivente, independentemente do regime de bens:
Art. 1.831 Ao cônjuge sobrevivente, qualquer que seja o regime de bens, será
assegurado, sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança, o direito
real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família,
desde que seja o único daquela natureza a inventariar.

Neste caso, mesmo que o bem seja deferido, pelo inventário, a outro herdeiro,

70
caberá ao cônjuge o direito real de habitação, sendo, então, vedada a venda deste
imóvel (desde que seja o único daquela natureza a inventariar).

d. Companheiro = união estável


Em 10/05/2017 o STF reconheceu repercussão geral em que entende
inconstitucional a diferenciação na sucessão do cônjuge e do companheiro.
As decisões do STF nos RE 646721 e RE 878694 declararam inconstitucional o
art. 1.790, CC. Em razão disto, a sucessão do companheiro passou a ser tratada da
mesma maneira que a sucessão do cônjuge.

e. Colaterais - até 4.º grau – arts. 1.839 e 1.840, CC


Os colaterais não são herdeiros necessários, mas sim, facultativos, de forma que,
para excluí-los da sucessão basta que o autor da herança disponha do patrimônio via
testamento. Desta forma, havendo sucessão do colateral, o patrimônio será deferido na
seguinte ordem:
1º) os irmãos (parentes em 2º grau);
2º) tios e sobrinhos (parentes em 3º grau);
3º) primos e tios avós e sobrinhos-netos (parentes colaterais em 4º grau).

Irmão bilaterais e unilaterais:


Art. 1.841. Concorrendo à herança do falecido irmãos bilaterais com irmãos
unilaterais, cada um destes herdará metade do que cada um daqueles herdar.

Multiplique os dois herdeiros bilaterais


2x2 = 4 e some os unilaterais + 2 = 6.
Neste caso, os herdeiros bilaterais
receberão 2/6 e os unilaterais, 1/6.

Irmãos germanos ou bilaterais: mesmo pai e mãe;

Unilaterais: só pai ou a mãe;

Na sucessão colateral há a representação, ainda que de forma excepcional


quando é permitido que os filhos de irmãos representem o premorto (art. 1.840, CC).
Art. 1.840. Na classe dos colaterais, os mais próximos excluem os mais
remotos, salvo o direito de representação concedido aos filhos de irmãos.

71
Neste caso, o sobrinho, representando o pai pré-morto (irmão do de cujus), herda
por estirpe. Apenas o(s) filho(s) de irmãos do morto podem representar os pais (os
netos, não pode, conforme art. 1.840).
Irmãos herdam para direito próprio (cabeça), enquanto seus descendentes por
representação (por estirpe).

2. Herdeiros necessários
O art. 1.845, CC estabelece quem são os herdeiros necessários:
Art. 1.845. São herdeiros necessários os descendentes, os ascendentes e o
cônjuge.

1. descendentes
2. ascendente
3. cônjuge (o companheiro não é herdeiro necessário, mas sim, facultativo)

Herdeiros necessários são os que não podem ser afastados da sucessão legítima
por vontade do autor da herança. Possuem a garantia da legítima.
Legítima: a porção (a metade) que a lei reserva aos Herdeiros Necessários, sobre
o acervo existente, quando da abertura da Sucessão.

Cláusulas restritivas
O autor da herança, conforme determina o art. 2.014, CC pode definir quais os
bens e valores que comporão os quinhões hereditários de cada herdeiro:
Art. 2.014. Pode o testador indicar os bens e valores que devem compor os
quinhões hereditários, deliberando ele próprio a partilha, que prevalecerá,

72
salvo se o valor dos bens não corresponder às quotas estabelecidas.

Contudo, existindo cônjuge sobrevivente, essa estipulação feita pelo de cujus em


testamento será apenas uma sugestão, pois o cônjuge sobrevivente tem preferencia na
escolha dos bens a serem partilhados.
Além disso, o autor da herança não pode estabelecer cláusulas de
inalienabilidade, impenhorabilidade e incomunicabilidade sobre os bens da legítima
sem que haja justa causa. É o que dispõe o art. 1.848, CC.
Art. 1.848. Salvo se houver justa causa, declarada no testamento, não pode o
testador estabelecer cláusula de inalienabilidade, impenhorabilidade, e de
incomunicabilidade, sobre os bens da legítima.
§ 1º Não é permitido ao testador estabelecer a conversão dos bens da legítima
em outros de espécie diversa.
§ 2º Mediante autorização judicial e havendo justa causa, podem ser alienados
os bens gravados, convertendo-se o produto em outros bens, que ficarão sub-
rogados nos ônus dos primeiros.

Assim, apenas se houver justa causa é que essas cláusulas poderão ser
estabelecidas pelo de cujus via testamento. Essa justa causa deve ser trazida pelo de
cujus no testamento. Ex.: incomunicabilidade, pois o cônjuge do herdeiro necessário é
um caçador/caçadora de dotes, pq o cônjuge do herdeiro possui filho fora do casamento
e, em razão do regime da comunhão universal, esse filho acabará por herdar o
patrimônio do de cujus, etc. Inalienabilidade e incomunicabilidade, pois o herdeiro é
consumidor compulsivo e aposta em jogos de azar, etc.

Art. 1.849.
Art. 1.849. O herdeiro necessário, a quem o testador deixar a sua parte
disponível, ou algum legado, não perderá o direito à legítima.

Legítima: consiste na metade dos bens do autor da herança, no óbito;


Quota disponível: é a metade da herança, com liberdade de testar.
Regra simples: o herdeiro necessário herda a legítima e, pode receber a quota
disponível, por testamento (parte disponível ou legado).
DOAÇÕES = enquanto não ultrapassar a “quota disponível”, é válida, sem
necessidade de colacionar por ocasião do inventário; ao contrário, as doações, que se
adicionam ao valor dos bens, para cálculo de legítima (1.847).
Assim, uma mesma pessoa pode ser, na mesma sucessão, herdeira legítima e

73
testamentária.

Colaterais: exclusão sem contemplar:


Supremacia dos herdeiros necessários sobre os facultativos: colaterais
Regra: Se os colaterais não forem contemplados pelo testador (e se, a quota
disponível beneficiar outros), estarão excluídos da Sucessão. É uma forma indireta de
deserdação (sem ação e sem complicação).
Herdeiros Facultativos: liberdade de testar é absoluta; a totalidade do
patrimônio por ser objeto de testamento.

Colação (art. 2.002 a 2.012 CC/02)


Colacionar é conferir os bens e valores recebidos antes da abertura da sucessão
de forma a garantir a igualdade da legítima.

3. Direito de representação
Existem duas maneiras diferentes de suceder:
a) Por direito próprio/cabeça;
b) Por representação.

O direito de representação é restrito e ocorre quando a lei chama certos parentes


do falecido a suceder em seu lugar, assumindo todos os direitos que ele teria se vivo
fosse, ou seja, chama outrem a herdar em lugar de parente mais próximo do autor da
herança, porém premorto, ausente ou incapaz de suceder (GONÇALVES, 2012, p.
216). Nestes casos, se opera a vocação indireta na sucessão legítima.
O chamado a suceder, neste caso, receberá por estirpe.
Herança per capita: Per capita, quer dizer “por cabeça”. Ex. morre o pai; se ficam
três filhos, todos herdam e a cada um cabe um terço do monte mor.
Herança por estirpe: Por linha genealógica. Ex. morre o pai (de cujus); dos três
filhos que teve, um é pré-morto em relação ao de cujus, mas deixou dois herdeiros. A
herança do de cujus será dividida em três partes; os filhos do herdeiro pré-morto
receberão o quinhão que a este caberia, dividindo-o em dois. Eles concorrem por
estirpe à herança, junto com os demais filhos do de cujus, e que são seus tios.

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Pressupostos (requisitos):
1) A morte do representado: não há representação de herdeiro vivo. Exceção:
ter sido declarado deserdado, indigno ou ausente. Não cabe na renúncia.
2) Parentesco em linha descendente: o representante deve ser descendente do
representado, ou, EXCEPCIONALMENTE, colateral – filho do irmão (sobrinho) do autor
da herança. A descendência é a civil e não apenas a biológica (adoção, também).
3) Capacidade sucessória do representante em relação ao representado:
(legitimação para herdar). Deve ter legitimação para herdar. Ex. O filho substitui o pai
morto na herança do avô (linha descendente); ou filho substitui o pai pré-morto na
sucessão de um tio (linha colateral). Importante ressaltar a isonomia Constitucional:
igualdade dos filhos.

4) Inexistir solução de continuidade no encadeamento de grau entre o


representante e o representado: não se opera per saltum et omisso médio. Ex. o bisneto
não representa o filho do autor da herança se ainda vive o neto deste.
5) Que reste, no mínimo um filho do de cujus ou, na linha colateral um irmão do
falecido. Se não a sucessão será por direito próprio.

Efeitos
A representação produz dois efeitos:
1) O representante (representantes) só pode herdar o que herdaria o
representado, se vivesse (se vivo fosse) (art. 1854, CC). A porção é a mesma;
2) O quinhão do representado partir-se-á por igual entre os representantes
(art. 1855, CC).
3) O renunciante à herança de uma pessoa pode inobstante representá-la na
sucessão de outra. Na renúncia, os descendentes do abdicante não herdam por direito
de representação (art. 1856, CC). Assim, os efeitos da renúncia não passam da
herança à qual houve manifestação de repúdio.
4) Os representantes estão obrigados a trazer à colação os bens doados ao
representado pelo autor da herança (art. 1791); quando os netos, representando os
pais, sucedem os avós, serão obrigados a trazerem colação, para igualdade de
legítima;
5) O representante é considerado um herdeiro legítimo (e necessário...

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colaterais, não), com todos os direitos inerentes (direito da saisina – art. 1572 – 1.784),
sendo igualitária sua posição relativamente aos co-herdeiros.
6) A responsabilidade do representante por dívidas do espólio se sujeita ao
benefício do inventário – responde por elas até o limite do quinhão;
7) A quota hereditária do representante não responde pelas dívidas do
representado, mas pelas do autor da herança.
8) O direito de representação se opera na sucessão legítima (excepcionalmente,
na testamentária, quando será chamada de substituição.

Representação na linha descendente

Art. 1851 e 1852: O direito de representação dá-se na linha reta descendente,


mas nunca na ascendente. Não vivendo o filho do de cujus, necessariamente herdarão
os netos deste último, que são os filhos daquele. Os filhos herdam por cabeça, ao passo
que os netos (representantes) herdam por estirpe. Na hipótese de todos os filhos já
terem falecido, herdando unicamente os netos, a herança reparte- se em quinhões
iguais – os netos herdam por direito próprio, pertencendo à mesma classe. Herdam iure
proprio e in capita. (art. 1835CC)

Linha Colateral/Transversal - art. 1.843 e 1.853


Apenas na hipótese de filhos do irmão do falecido que concorrem com os outros
irmãos deste. Filhos de irmãos mortos (sobrinhos do autor da herança) quando
concorrem com irmãos do morto, herdam por estirpe. Só herdarão por cabeça se todos
os irmãos do autor da herança forem falecidos. O sobrinho neto não pode
representar, a limitação legal é intransponível.
Enquanto na linha descendente o direito de representação é ilimitado; que inexiste
na linha ascendente, na linha colateral, excepcionalmente, pode ocorrer.

Irmãos germanos - ou bilateral (do mesmo pai e mesma mãe);


Irmãos unilaterais (só o pai ou a mãe em comum). São irmãos paternos ou
consanguíneos e maternos ou uterinos.
Posição:
O irmão unilateral recebe metade do que receberá o irmão bilateral;

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- os filhos de irmão unilateral (sobrinhos do “de cujus”) recebem metade do que
receberão os tios.
- os filhos de irmão unilaterais recebem metade do que receberão os filhos de
irmão germanos.

EXEMPLOS:
1º Exemplo: Se o de cujus deixa três irmãos, sendo que um deles já falecido com
filhos, a herança será dividida em três partes, cabendo uma para cada irmão vivo e a
terceira deverá ser repartida entre os sobrinhos que herdarão por representação.
Receberão a parte que caberia ao pai, se vivo fosse.

2º Exemplo: o de cujus deixa um (1) irmão vivo; um irmão (pré-morto) com dois
filhos e outro irmão (pré-morto) com três filhos. Divide-se em três partes iguais,
correspondente às três estirpes.
3º Exemplo: o de cujus deixa 3 irmãos vivos, 1 irmão pré-morto com filhos e outro
irmão pré-morto sem filhos. Divide-se em quatro (4) partes.
4º Exemplo: o de cujus deixa três irmãos vivos; um irmão pré-morto com filhos;
outro irmão pré-morto, com um filho pré-morto que tem um filho vivo. Divide- se em
quatro (4) partes... sobrinho-neto não herda.

Linha Ascendente
Art. 1852: O direito de representação se dá na linha reta descendente; mas nunca
na linha ascendente. Se um filho, ao falecer, deixa o pai vivo e a mãe já se encontra
falecida, sem quaisquer herdeiros descendentes, o progenitor vivo será contemplado
com toda herança. Os progenitores maternos nada herdarão.

Na indignidade, deserdação e ausência


A pena ou punição restringe-se à pessoa do indigno ou deserdado, não se
estendendo a estranhos, ou aos parentes, que poderão representá-los.
Na ausência, não fica prejudicado o direito de representação dos filhos. (art. 22,
CC e art. 745 CPC/2015)

Na renúncia à herança (Art. 1.811, CC)


Não há direito de representação. Porém, se todos os herdeiros da classe

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renunciarem, os filhos dos herdeiros renunciantes virão ao inventário por direito próprio,
recebendo a herança por cabeça, isto porque, o ato do renunciante tem caráter pessoal,
não se estendendo aos filhos.

Direito de Representação na Herança Testamentária


No testamento, mesmo que haja a quebra da ordem vocacional, posto que
pessoas estranhas possam ser contempladas, não há representação.

III – SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA

• Se alguém falece sem deixar testamento  sucessão legítima (sucessão por


força de lei)  obedece a ordem da vocação hereditária.
• Se o testamento não compreender todos os bens do testador ou o testamento
for invalidado ou caducar  também haverá sucessão legítima.
• Sucessão testamentária  representa a vontade do testador.
• Se não foi feito testamento, presume-se que a pessoa tenha concordado com
a ordem da vocação hereditária.
• Sucessão legítima  representa, portanto, a vontade presumida do testador.
• Contudo, do ponto de vista quantitativo, no Brasil prevalece a sucessão legítima
(há a limitação da liberdade de testar).

1. Conceito:
A noção de testamento está clara no art. 1.857 e 1.858 do Código Civil, sendo
considerado um “ato personalíssimo e revogável pelo qual alguém dispõe da totalidade
dos seus bens, ou de parte deles, para depois de sua morte” (GONÇALVES, 2012, p.
228).
Art. 1.857. Toda pessoa capaz pode dispor, por testamento, da totalidade dos
seus bens, ou de parte deles, para depois de sua morte.
§ 1o A legítima dos herdeiros necessários não poderá ser incluída no
testamento.
§ 2o São válidas as disposições testamentárias de caráter não patrimonial,
ainda que o testador somente a elas se tenha limitado.
Art. 1.858. O testamento é ato personalíssimo, podendo ser mudado a qualquer
tempo.

78
Assim, para que o testamento tenha validade jurídica é preciso:
* capacidade de testar do testador
* capacidade de receber do herdeiro instituído ou legatário
* ato jurídico revestido das formalidades legais

Mas essa noção do art. 1.857 limita a vontade do testador a disposições de caráter
patrimonial. Contudo, sabe-se que o testamento serve, também, para disposições de
caráter diferente do patrimonial:
• Reconhecimento de filhos fora do casamento (art. 1.609, III)
• Nomeação de tutor para filho menor (art. 1.729, § único)
• Reabilitação do indigno (art. 1.818)
• Instituição de fundação (art. 62)
• Imposição de cláusulas restritivas se houver justa causa (art. 1.848).

2. Características:
a) Ato personalíssimo: é privativo do autor da herança. Não se admite
testamento por procuração.
b) Ato revogável (mudado a qualquer tempo): a expressão revogável é mais
adequada e correta; é a principal característica dos testamentos. A revogabilidade é da
essência do testamento.
c) Negócio jurídico unilateral: aperfeiçoa-se com a vontade única do testador.
Não há a necessidade de manifestação da vontade do beneficiário.
d) Unipessoal: um só agente pode testar, num só ato. O testamento de mão
comum é defeso em lei, visa garantir a liberdade das disposições e evitar o pacto
sucessório - proibido art. 1.863 CC. Assim é vedado o testamento conjuntivo (mão
comum), feito por duas ou mais pessoas, seja simultâneo (disposição conjunta para
beneficiar terceira pessoa), recíproco (instituindo benefícios mútuos) ou correspectivo
(disposições em retribuição de outras correspondentes). Nada impede, contudo, que o
casal faça cada um seu testamento em que um deixa os bens para o outro. O que não
pode é isso ser feito em um mesmo ato. Podem fazer, no mesmo momento, mas em
atos diferentes.
e) Solene: é um negócio jurídico não apenas formal, mas provido de

79
formalidades essenciais, prescritas em lei. A solenidade assegura a existência, a
validade e a eficácia. O formalismo constitui garantia e salva-guarda à liberdade de
testar.

Exceção: testamento nuncupativo (de viva voz), admissível como espécie de


testamento militar (art. 1.896).
f) Gratuito: não exige do contemplado qualquer correspectivo, contrapartida ou
reciprocidade, ou seja, não há vantagens para o testador. Mesmo que haja encargo
para o beneficiário, o testamento segue sendo gratuito. Está contida na unilateralidade.
Não existe contra-prestação (exigível). Entretanto, o herdeiro responde pelas dívidas
(arts. 1.792 e 1.821).
g) Revogável: a vontade testamentária é essencialmente revogável (art. 1.969),
é ato de última vontade, desde que não tenha sido modificado; A revogabilidade é
conceito legal e da essência do testamento. É irrenunciável a liberdade de revogar ou
modificar o testamento. Toda renúncia é considerada não escrita. Pode, contudo, o
testador, modificar o testamento a qualquer momento e quantas vezes quiser (art.
1.858). Exceção: o testamento é irrevogável com relação a cláusula na qual
eventualmente o testador tenha reconhecido filho fora do matrimônio (art. 1.609, III). Se
houverem vários testamentos sucessivos, feitos pelo mesmo testador, com seu
falecimento, terá validade apenas o último, a não ser que sirva para completar o
anterior.
h) Patrimonialidade não necessária: serve para dispor de parte ou de todo
patrimônio (parte disponível), bem como para instituir herdeiros, deserdá-los ou retratar
a deserdação (1.857, § 2º).
i) Ato causa mortis: a morte do testador é condição de eficácia do testamento,
com imediata abertura do processo sucessório. Assim, o testamento só produz efeitos
com a morte do testador. A abertura da sucessão é essencial para o cumprimento das
disposições contidas no testamento.

3. Capacidade para testar: art. 1.860


A capacidade testamentária pode ser ativa (quem pode dispor) ou passiva (quem
pode adquirir por testamento). A capacidade do agente é requisito de validade do

80
testamento. O art. 104 do CC trata da validade do negócio jurídico:
Art. 104. A validade do negócio jurídico requer:
I - agente capaz;
II - objeto lícito, possível, determinado ou determinável;
III - forma prescrita ou não defesa em lei.

Além desses requisitos gerais, para o testamento ainda são exigidos os requisitos
da inteligência e da vontade, de compreender e de querer, ou seja, a possibilidade de
compreender o caráter e os efeitos do ato e querer praticá-los.
A regra, portanto é a capacidade e a incapacidade é a exceção, de forma que a
capacidade se presume e a incapacidade se prova.
Nesse sentido, o art. 1.860 dispõe:
Art. 1.860. Além dos incapazes, não podem testar os que, no ato de fazê-lo,
não tiverem pleno discernimento.
Parágrafo único. Podem testar os maiores de dezesseis anos.

O dispositivo legal dispõe sobre os que não podem testar, por não terem
discernimento, de forma que se subentende que todos os demais possuem capacidade
para testar. Assim, podem testar os cegos e os analfabetos, por exemplo. A norma do
art. 1.860 é restritiva e só abrangem os casos específicos, não permitindo interpretação
extensiva.

a. Incapacidade para testar (art. 1.860)


São os casos que mais ocupam os tribunais.
a) Em razão da idade: os menores de 16 anos, por serem absolutamente
incapazes não podem testar. Não possuem maturidade e firmeza suficiente para dispor
de seus bens. É nulo o testamento elaborado por menor de 16 anos.
Os relativamente incapazes (maiores de 16 anos) podem testar, mesmo sem
a assistência do representante legal. Essa desnecessidade de assistência dos pais
ou representantes legais para o feitio do testamento se dá em razão de que o
testamento é personalíssimo e só o maior de 16 anos mesmo poderá fazer o
testamento.
b) Por falta de discernimento: aquelas pessoas que não tem discernimento não
são amentais, ou seja, se encontram, momentaneamente, fora de seu juízo perfeito,
em razão de uma patologia (arteriosclerose, excessiva pressão arterial, etc),

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embriaguez, uso de entorpecente, etc. Trata-se de uma situação transitória.

c) Incapacidade testamentária dos relativamente incapazes: os


relativamente incapazes são proibidos de testar, exceto os maiores de 16 anos, cujo §
único do art. 1.860 prevê a possibilidade. Não podem testar, portanto os ébrios
habituais e os viciados em tóxicos, por não terem consciência dos atos praticados. O
surdo mudo só não testa se não conseguir expressar sua vontade. O surdo, mas não
mudo, poderá testar, conforme art. 1.866.
d) Hipóteses não geradoras da incapacidade: exceto as hipóteses previstas
no art. 1.860, todas as pessoas podem fazer testamento válido. A idade avançada, por
exemplo, não é suficiente para negar a capacidade testamentária. O que determina a
incapacidade testamentária é a falta de discernimento. Deve-se destacar que, em razão
do Estatuto da Pessoa com Deficiência, houve alteração dos arts. 3.º e 4.º do CC.
Sendo assim, os deficientes mentais não são mais incapazes podendo, portanto, testar.

Observação:
• A capacidade deve ser verificada no momento da elaboração do testamento.
• Na dúvida, decide-se pela validade do ato, em respeito ao princípio do in dubio
pro capacitate.
• Os Tribunais (STF, especialmente) têm entendido que para a decretação da
nulidade de testamento deverá haver prova inequívoca da incapacidade do testador.

b. Momento em que se exige a capacidade - capacidade superveniente (art.


1.861)
A capacidade, o juízo perfeito deve existir na época da elaboração do testamento.
Neste instante que deve ser aferida.
Se no momento de realizar o testamento o testador tinha lucidez, o ato será válido,
mesmo que perca o juízo após a lavratura do ato. Se, contudo, no momento de realizar
o testamento o testador estava embriagado, por exemplo, mesmo que no dia seguinte
esteja curado, o testamento será nulo. Neste caso, somente testando novamente para
que o ato não seja nulo (ver art. 169, CC – o negócio jurídico nulo não é suscetível de
confirmação).

82
c. Impugnação da validade do testamento (art. 1.859)
A validade do testamento só pode ser discutida/questionada após a morte do
testador. Enquanto estiver vivo, não há o que se discutir, mesmo porque o testamento
pode ser alterado.
Assim, prevê o art. 1.859 que extingue-se em 5 anos o prazo para impugnar a
validade do testamento, contando da data do seu registro. O lapso quinquenal é
contado da Ação de Registro, Abertura e Cumprimento do Testamento (arts. 735 a 737
do CPC/2015). A ação de Registro só pode ser proposta a partir do óbito.
Por sua vez, o art. 1.909 afirma que são anuláveis as disposições testamentárias
que sejam viciadas por erro, dolo ou coação, extinguindo-se em 4 anos o direito de
anular a disposição a partir do momento em que o interessado tiver conhecimento do
erro.
Significa dizer, portanto, que, ainda que se trate de um testamento nulo (realizado
sem a observância da forma legal ou que o testador deliberou mediante dolo) só pode
ser anulado até 4 anos após a ciência do vício.

4. Formas ordinárias de testamento


Art. 1.862 – testamento ordinário: público, particular e cerrado; Art. 1.886 –
testamentos especiais: marítimo, aeronáutico e militar.
Se o testamento não for feito através das formas e solenidades estabelecidas na
lei, O ATO SERÁ NULO DE PLENO DIREITO, SEM PRODUZIR QUALQUER EFEITO
(art. 104, III). O que se percebe, portanto, é que ao lado do casamento, o testamento é
um dos atos mais solenes do direito brasileiro, não admitindo outra forma que não a
prevista em lei. Neste caso, aplica-se o art. 166, IV - não revestir a forma prescrita em
lei, de forma que será inválido o testamento que não observar a forma prescrita em lei.

a. Testamento conjuntivo (ou de mão comum) – art. 1.863.


Quando duas pessoas, como marido e mulher, fazem conjuntamente, no mesmo
ato e no mesmo instrumento, o testamento, dispondo de seus bens. Esta espécie de
testamento é vedado pelo direito brasileiro, nos termos do art. 1.863, CC.
Formas de testamento conjuntivo:
Simultâneo: quando os testadores contemplam terceiros
Recíproco: testadores instituem um ao outro. O que sobreviver fica com todo o

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patrimônio.
Correspectivo: quando o benefício outorgado por um dos testadores ao outro
retribui vantagem correspondente.
Não se impede, porém, que, SEPARADAMENTE, marido e mulher façam
testamento um para o outro. Pode até ser na mesma data, com termos semelhantes,
mas em ATOS DISTINTOS, separados.

b. Testamento Público – arts. 1.864 a 1.867, CC:


O testamento público é aquele escrito pelo Tabelião de Notas, no Tabelionato, nos
termos das declarações prestadas pelo testador. O Tabelião pode servir-se de notas,
minuta ou apontamentos do testador para realizar a escritura, devendo, para sua
validade, haver a presença de duas testemunhas durante todo o ato.
Diz-se PÚBLICO não apenas por estar registrado no livro de notas, mas também
porque é feito perante duas testemunhas. Logo, não é reservado, nem sigiloso,
podendo qualquer pessoa dele tomar conhecimento.

Requisitos – Art. 1.864 CC:


1. Lavratura do ato notarial pelo Tabelião. O ato é privativo do notário
(tabelião) ou seu substituto legal.
2. Presença de testemunhas – (número = 2). As testemunhas devem
presenciar todo o ato e ter capacidade plena.

3. Leitura do Testamento. Tão logo seja redigito o testamento, este deve ser
lido pelo Tabelião, na presença do testador e das testemunhas ou pelo testador, na
presença do Tabelião e das testemunhas. Esse requisito é fundamental e serve para
que se verifique a coincidência da vontade do testador e o que se encontra expresso
no testamento. Deve ser feito em ato contínuo, de forma que as testemunhas
acompanhem todo o processo (declaração do testador, redação e leitura). No caso do
cego (art. 1.867) a leitura deve ser feita duas vezes: uma pelo Tabelião e outra por uma
das testemunhas (designada pelo testador). Não pode fazer testamento público o surdo
e o surdo-mudo. Podem fazê-lo o surdo, o analfabeto, o cego e o alfabetizado.
4. Assinaturas. Depois de lido o testamento, deve ser coletada a assinatura do
testador, das testemunhas e do Tabelião.

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Cumprimento, registro e abertura do testamento:
Realizado o testamento público, deve-se, com o falecimento do testador, se
realizar o registro do testamento. Isto é feito através de uma ação judicial através da
qual o portador do traslado do testamento (ou de uma certidão) pede ao juiz que
determine o cumprimento do mesmo. Art. 736, CPC/2015.

c. Testamento cerrado – Arts. 1.868 a 1.875, CC:


O testamento cerrado é aquele pelo qual o testador elabora o termo (ou alguém a
seu rogo e pelo testador assinado), com caráter sigiloso, que depende de instrumento
de aprovação do Tabelião, realizado na presença do testador e duas testemunhas,
seguindo-se do seu fechamento e costura do instrumento, sendo o documento entregue
ao testador.
Só tem eficácia com a lavratura do auto de aprovação, pelo tabelião, na presença
de 2 testemunhas.
Art. 1.872 – O testador deverá saber ler, pois precisa ter meios de se certificar
que, no caso de terceiro redigir o testamento a seu rogo, seguiu corretamente e
fielmente as suas instruções. Neste caso, o testador pode não saber escrever, mas,
necessariamente, deve saber ler.
Art. 1.873 – O surdo-mudo pode fazer testamento cerrado, desde que escreva e
assine.

Requisitos:
O art. 1.868, CC estabelece os requisitos e formalidades do testamento cerrado.
O testamento cerrado se compõe de algumas fases:
a) a elaboração do testamento. O Tabelião pode escrever e aprovar o
testamento (1.870). Assinatura do testamento é imprescindível. Entrega ao Tabelião,
acompanhado de 2 testemunhas. Requer a lavratura do auto de aprovação (art. 1.869).
b) entrega do testamento. O testamento deve ser entregue pessoalmente pelo
testador ao tabelião, constituindo-se de ato personalíssimo, não admitindo a utilização
de portador.
c) Participação das testemunhas. As testemunhas participam do ato de entrega
do testamento, mas não precisa que conheçam o seu conteúdo.

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d) Lavratura do auto de aprovação pelo Tabelião. Depois de aprovado, o auto de
aprovação será lido pelo oficial e assinado pelas Testemunhas, Testador e Tabelião. O
auto de aprovação deve vir, conforme o art. 1.869, CC, logo após a última palavra do
testador. A solenidade de aprovação deve ser feita sem interrupções.
e) Cerramento. Trata-se da última fase do testamento cerrado. O tabelião dobra
a cédula e costura-a com cinco pontos de retrós e lança pingos de lacre sobre cada
um. Se houver o rompimento do lacre pelo testador, não terá validade o testamento. Se
for feito o rompimento contra a vontade do testador, deverão os interessados
demonstrar ao juiz tal fato, para que não anule o ato.

Abertura, registro e cumprimento.


O art. 1.875, CC dispõe acerca da abertura, registro e cumprimento do testamento
cerrado. Assim, falecendo o testador, deverá o testamento ser apresentado ao juiz que
o abrirá, o fará registrar e determinará seu cumprimento. Deve-se observar, portanto,
que, quem abre a cédula testamentária devidamente cosida é o juiz. Será extraída cópia
autêntica do testamento para juntar ao inventário.
Art. 735, CPC/2015 = se não houver vício externo que o torne suspeito de nulidade
ou falsidade, o juiz abre o testamento e mandará que o escrivão leia na presença do
apresentante. Depois de ouvido o MP, estando tudo nos conformes, o juiz mandará
registrar, arquivar e cumprir o testamento. Uma vez registrado o testamento, deverá o
testamenteiro (indicado ou dativo) assinar o termo de testamentaria.
Testamento dilacerado (1.972): ter-se-á como revogado. É o risco desta
modalidade de testamento: uma deterioração ou dilaceramento acidental.

d. Testamento particular – Art. 1.876/1.880


O testamento particular ou hológrafo é aquele no qual o testador elabora o ato de
disposição de última vontade de próprio punho (ou digitado e impresso), sendo
assinado pelo testador e lido para três testemunhas, que também o subscreverão. As
testemunhas terão o dever de, com a morte do testador, confirmar a autenticidade do
testamento.

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Requisitos:
O art. 1.876 apresenta os requisitos e formalidades do testamento particular.
a) Deve ser escrito e assinado pelo testador.
b) Inquirição das testemunhas em juízo (confirmar o testamento);
c) Pode ser feito em idioma estrangeiro;
d) A lei permite que terceira pessoa redija, pois pode ser datilografado;
e) Se for escrito a mão, deverá ser feito pessoalmente pelo testador.
f) Uma testemunha pode confirmar (Leite, 393).
g) Leitura e assinatura de 3 testemunhas

Publicação e confirmação do testamento particular


O art. 1.877, CC determina que, falecido o testador, o testamento deve ser
publicado em juízo, sendo citados os herdeiros legítimos. Neste processo, as três
testemunhas serão inquiridas pelo juízo e, havendo o reconhecimento da autenticidade,
o juiz confirmará e determinará seu cumprimento.
Art. 737, CPC/2015: com o falecimento do testador deverá haver o requerimento
de registro do testamento. Poderão requerê-lo o herdeiro, legatário, testamenteiro
ou outra pessoa, detentora da cédula testamentária. O herdeiro que não tiver requerido
a publicação do testamento deverá ser intimado (§ 1.º). Uma vez que esteja tudo nos
conformes e ouvido o MP, o juiz confirmará o testamento.

e. Testemunhas instrumentárias
A atuação das testemunhas no testamento tem a função de conferir validade ao
ato.
Em princípio, todas as pessoas capazes, podem ser testemunhas. Contudo, o art.
228, CC determina as pessoas que não podem ser testemunhas (cuidado com as
alterações do Estatuto da Pessoa com Deficiência):
Art. 228. Não podem ser admitidos como testemunhas:
I - os menores de dezesseis anos;
II - (Revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) III -
(Revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) IV - o
interessado no litígio, o amigo íntimo ou o inimigo capital das partes; V - os
cônjuges, os ascendentes, os descendentes e os colaterais, até o terceiro grau
de alguma das partes, por consangüinidade, ou afinidade.
§ 1º Para a prova de fatos que só elas conheçam, pode o juiz admitir o
depoimento das pessoas a que se refere este artigo.

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§ 2º A pessoa com deficiência poderá testemunhar em igualdade de condições
com as demais pessoas, sendo-lhe assegurados todos os recursos de
tecnologia assistida. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)

f. Codicilos – Art. 1.881/1.885


Toda pessoa capaz de testar pode dispor em codicilo. É um ato de última vontade
pelo qual o testador dispõe sobre questões mais pessoais ou sobre bens de pequeno
valor.
O objeto do codicilo é inferior ao do testamento, sendo, portanto, limitado. Não
pode instituir herdeiro ou legatário, efetuar deserdações, legar imóveis ou disposições
patrimoniais de valor considerável.
Pode ser usado para:
a) destinar coisas de pouca monta, pouco valor;
b) pode conter nomeação ou substituição de testamenteiro;
c) disposição sobre o enterro;
d) legar joias, móveis e roupas de pouco valor, de seu uso pessoal;
e) reconhecer filho havido fora do matrimônio;
f) indicação de divisas e limites;
g) liberalidade não pode ultrapassar 10% do acervo imobiliário.

Formas:
- é hológrafo; simplificada; sem formalidades;
- é válido datilografado, desde que datado e assinado pelo testador;
- não exige testemunhas;
- pode ser escrito por meios mecânicos (jurisprudência dominante);
- deve ser escrito pelo disponente ou por terceiro;
- não exclui a forma pública, embora indique a particular.

Execução:
As mesmas regras do testamento particular. Se público ou cerrado, segue-se as
normas de execução destes (art. 737, § 3.º, CPC/2015).
Art. 1885 – Se fechado, para manter secreto, a abertura se processa como o
testamento cerrado: será aberto pelo juiz que fará registrar.

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Consequências:
Art. 1.882 – O codicilo pode ser autônomo, ou pode existir como parte integrante
de um testamento.
- Não revoga testamento. Por este é revogável (1.884);
- É revogável por outro codicilo;
- Mais de um codicilo: Na dúvida, vale a última disposição;
- É válido exista ou não testamento;
- Sendo o codicilo parte integrante ou complementar do testamento, anulado ou
revogado este, deixa de existir aquele;
- As regras da capacidade no testamento valem para o codicilo.

5. Formas especiais de testamento:


Além das formas ordinárias de testamento previstas (público, cerrado e particular),
o CC prevê formas especiais de testamento, as quais não podem ser livremente
escolhidas pelas pessoas (como nas formas ordinárias), mas sim são determinadas por
circunstâncias e situações excepcionais nas quais se encontra a pessoa que pretende
manifestar sua vontade. Estes testamentos tem como características a redução das
formalidades, em razão da presença destas circunstâncias ou situações excepcionais.
Art. 1.886. São testamentos especiais:
I - o marítimo;
II - o aeronáutico;
III - o militar.
Art. 1.887. Não se admitem outros testamentos especiais além dos
contemplados neste Código.

Seu registro e cumprimento se dará de acordo com o art. 737, § 3.º, CPC/2015,
obedecendo as regras do testamento particular.

a. Marítimo
É a declaração de última vontade, feita a bordo de navios, embarcações: em alto
mar. Pode ser feito pelos tripulantes ou pelos passageiros (art. 1.888). Justifica- se em
caso de emergência e necessidade. Não prevalece se a embarcação estiver em local
onde o testador poderia ter desembarcado e testado de forma ordinária (art. 1.892).
Caducará se o testador não morrer em viagem, nem nos 90 dias subsequentes ao seu
desembarque em terra, onde possa fazer, na forma ordinária, outro testamento (art.

89
1.891).

Requisitos
- viagem realizada em navio nacional (extensão do território nacional);
- navio de guerra ou mercante (transporte de pessoas de um porto a outro).
- testador esteja a bordo do navio.
- cédula testamentária seja registrada no diário de bordo.
- testamento fique sob a guarda do comandante.

Formas
- na forma do Público ou cerrado;
- exige apenas duas testemunhas;
- será lavrado, em regra, pelo Comandante;
- se o testador não puder assinar, alguém assina a rogo;
- o registro do testamento será no diário de bordo: parágrafo único, do art. 1888.

b. Aeronáutico: 1.888 e 1.889


É aquele feito por quem estiver em viagem, a bordo de aeronave militar ou
comercial, perante pessoa designada pelo comandante. É feito por perante pessoa
designada pelo Comandante. A garantia da entrega ao Comandante é o registro no
diário de bordo. A integridade do testamento fica sob guarda do Comandante.

Formas e requisitos
- público ou cerrado, nos termos do art. 1.888, CC
- requisitos: os mesmos do marítimo.
- o comandante não se envolve na elaboração do testamento pois está
conduzindo a aeronave.

Caducidade: Efemeridade
Art. 1.891 – Caducará: Tem eficácia temporal e condicional:
a) não morrer na viagem;
b) 90 dias subsequentes ao desembarque não testar da forma ordinária
c) É nulo o testamento feito em portos – neste caso, poderia ser feito através de

90
uma forma ordinária de testamento. Tem que ser em alto mar (Art. 1892).

O prazo de caducidade: 90 dias após o último desembarque: no fim da viagem.


Perde a eficácia: 90 dias (não três meses). Se o testador ficar impedido de fazer pela
foram ordinária (doença), valerá a disposição (prova).

c. Militar – Art. 1.893


É o realizado pelo militar e outras pessoas a serviço das Forças Aéreas em
campanha (médicos, enfermeiros, engenheiros, ...), que estejam participando de
operações de guerra dentro ou fora do país. Justifica-se pela excepcionalidade da
situação.

Requisitos
- Que a Força esteja “em campanha” (dentro ou fora do país) – mesmo missão
de paz.
- Que o testador esteja participando da guerra, em campanha, sem
possibilidade de se afastar para realizar o testamento pela forma ordinária.
- Qualquer pessoa envolvida – civil ou militar.
- Que não haja, no local, um tabelionato onde o testador possa dispor de seus
bens através de testamento público.
- Que a situação de perigo seja real.

Formas
Pode ser de 3 formas: público, cerrado ou nuncupativo.
- Público: o comandante da tropa ou diretor do hospital ou oficial de saúde
funcionará como tabelião. Lavrado perante duas testemunhas ou por três, caso o
testador não saiba assinar (uma delas assinará a rogo).
- Cerrado: o testador entregará o escrito, devidamente assinado, ao oficial de
patente mais acima, que o datará, indicará o lugar em que lhe foi apresentado,
assinando-o com as duas testemunhas, devolvendo-o ao apresentante.
- Nuncupativo: é feito de viva voz, perante duas testemunhas, por alguém que
esta empenhada em combate ou ferida, ou seja, a pessoa está exposta a risco de vida
e impossibilitada de usar a forma escrita. Se findar a guerra ou o testador convalescer,

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cessarão os motivos que autorizam esta forma de testamento.
As declarações são feitas a duas testemunhas: que devem escrevê-las e
confirmar em juízo. É exceção e possui o risco, pois se o testador falecer, ficará
nas mãos das testemunhas.

Caducidade: Art. 1.895


a) Noventa dias possa fazer da forma ordinária. Caduca da mesma forma que o
marítimo.
b) Não era prazo de eficácia se apresentar as formalidades prescritas (art.
1.895): segurança e definitividade. Não caducará.

6. Disposições testamentárias em geral - Art. 1.897/1.911

As disposições testamentárias contemplarão unicamente pessoas naturais ou


jurídicas. Inadmissível a contemplação de animais. São de natureza:
a) pessoal – nomeação de tutor, reconhecimento de filho, etc.

b) patrimonial; referente aos bens

a. Interpretação do testamento:

Quando da interpretação das cláusulas testamentárias, deve-se atentar para


buscar a verdadeira intenção do testador, ainda que não tenha se saído bem com as
palavras escritas. É nesse sentido a determinação do art. 1.899, CC.

b. Regras proibitivas:

• Nomeação a termo: Art. 1898

A designação do tempo: é vedada, com exceção do Fideicomisso. É cláusula não


escrita. A herança se transmite imediatamente, a partir do óbito. Aberta a sucessão o
herdeiro não tem o que aguardar.
Reafirma o princípio da saisine – a herança transmite-se com a morte.

Nesse caso, não há o prejuízo da nomeação em si, mas sim da designação do


termo (inicial ou final).

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• Instituição de herdeiro sob condição captatória: Art. 1.900, I

Não admite nenhuma espécie de pacto sucessório (vedação de contrato que


tenha por objeto herança de pessoa viva – art. 426, CC).
Essa condição captatória “é a que representa um induzimento, mediante
nomeação e favorecimento de outrem, como herdeiro, para que este também inclua o
captador, ou terceiro, em suas disposições testamentárias, como beneficiário”
(Gonçalves, p. 331).

Ex.: lego tal quantia para Fulano se ele me contemplar em seu testamento.

Ex.: deixo a Fulano, que instituo como meu herdeiro, o quanto ele me transmitir
em seu testamento.
Essa vedação é em razão de que a instituição de herdeiro deve ser através da
plena liberdade e vontade do testador e, sendo possibilitada essa hipótese, poderia
haver influência do captador sobre o testador.
• Referência a pessoa incerta: Art. 1.900, II

Não há como ser cumprido um ato de disposição de última vontade se o


beneficiário não puder ser identificado. Nesse sentido, não é válida a disposição
testamentária em que conste: “beneficio meus amigos” ou “beneficio a pessoa mais
digna da cidade”. Trata-se de expressões vagas, de forma que não há como precisar
quem é a pessoa que o testador pretende beneficiar.
Quanto mais claro, melhor será. Contudo, não é preciso indicar o nome da pessoa,
desde que existam características possíveis de identificar o beneficiário.
Ex.: deixo x% dos meus bens para o primeiro filho da minha irmã Fulana, que nascer
após a minha morte.
• Beneficiar pessoa incerta, a ser identificada por terceiro: Art. 1.900, III

É simples. Neste caso, não seria uma liberalidade personalíssima do falecido, mas
sim do terceiro, que determinaria quem seria beneficiado.
• Beneficiar ao herdeiro, ou a outrem, da prerrogativa de fixar o valor do
legado: Art. 1.900, IV
É simples. Neste caso, não seria uma liberalidade personalíssima do falecido.
Quem deve fixar o valor do legado é o testador e não terceiro, ainda que a sua ordem.

93
Ex.: A, B e C são meus herdeiros, cada um com a proporção que Fulano decidir.
• Beneficiar às pessoas indicadas nos arts. 1.801 e 1.802: Art. 1.900, V

Art. 1.801. Não podem ser nomeados herdeiros nem legatários:


I - a pessoa que, a rogo, escreveu o testamento, nem o seu cônjuge ou
companheiro, ou os seus ascendentes e irmãos;
II - as testemunhas do testamento;
III - o concubino do testador casado, salvo se este, sem culpa sua, estiver
separado de fato do cônjuge há mais de cinco anos;
IV - o tabelião, civil ou militar, ou o comandante ou escrivão, perante quem se
fizer, assim como o que fizer ou aprovar o testamento.
Art. 1.802. São nulas as disposições testamentárias em favor de pessoas não
legitimadas a suceder, ainda quando simuladas sob a forma de contrato
oneroso, ou feitas mediante interposta pessoa.
Parágrafo único. Presumem-se pessoas interpostas os ascendentes, os
descendentes, os irmãos e o cônjuge ou companheiro do não legitimado a
suceder.

c. Regras permissivas:
• Nomeação pura e simples: art. 1897
Puro e simples: não tem condição suspensiva e nem resolutiva. Não há qualquer
encargo, condição ou contraprestação.
Ex.: nomeio Fulano como meu herdeiro, que receberá x% da minha herança.
• Nomeação sob condição: art. 1897
Condição é acontecimento futuro e incerto do qual depende a eficácia do negócio
jurídico.
Ex.: deixo minha casa para Marcelo se ele me sobrevier.
Se houver uma condição suspensiva a aquisição do direito pelo herdeiro
dependerá do implemento da condição. O implemento da condição terá efeito retroativo
(ex tunc). Se não houver o implemento da condição, a cláusula testamentária caducará.
Ex.: Fulano receberá “x valor” mensal enquanto for estudante de direito.
Neste caso, havendo uma condição resolutiva, se Fulano parar de estudar, não
mais receberá o valor definido pelo testador.
• Nomeação com a imposição de encargo: art. 1897
A herança pode vir subordinada a um encargo que o beneficiário deverá cumprir,
caso aceite a herança.
Ex.: instituo Fulano como meu herdeiro, que receberá x% do meu patrimônio, com
o encargo de alimentar Cicrano até os 24 anos de idade.
Há discussão doutrinária e jurisprudencial quanto ao descumprimento do encargo

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e a perda da validade da disposição testamentária. A maioria da doutrina entende que,
descumprido o encargo, os interessados deverão propor ação judicial para que seja
declarada a ineficácia da deixa testamentária.
• Disposição motivada: art. 1897
É possível a nomeação de herdeiro por certo motivo. O testador ao nomear
alguém como seu beneficiário não é obrigado a indicar o motivo, mas, caso queira, não
pode haver a confusão com obrigação modal (de encargo), pois se trata de fatos
passados.
Ex.: nomeio Fulano como meu herdeiro, pois foi ele quem salvou a vida do meu
filho no acidente de carro sofrido em 2006.
• Disposição com cláusulas de inalienabilidade: art. 1.911
O art. 1.911 dispõe sobre a possibilidade de o testador estabelecer ônus ou
gravame sobre os bens que integram a herança. Essa cláusula de inalienabilidade que
pode ser imposta, traz como consequência a impenhorabilidade e a incomunicabilidade
desses bens.
Trata-se, portanto, da transferência do domínio de forma limitada.
Quando se faz a interpretação do art. 1.911 em conjunto com o art. 1.848, verifica-
se que a restrição imposta ao testador de justa causa, refere-se tão somente a
imposição de cláusulas para a legítima. Quanto ao testamento ou legado, não há a
imposição de justa causa.

7. Invalidade das disposições testamentárias


O TESTAMENTO É ATO SOLENE E FORMAL – tais exigências são para a
segurança e proteção do testador, contra o abuso da influência alheia.
Se o testamento não for apresentado, o juiz pode determinar a sua busca e
apreensão.
A INVALIDADE por vício de forma obedece a tríplice finalidade:
a) estabelecer a autenticidade do testamento em relação a terceiros e assegurar
as de última vontade;
b) distinguir a verdadeira vontade do de cujus;
c) proteger o de cujus contra decisões precipitadas.

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8. Rompimento do testamento
Ocorre a ruptura do testamento quando “há a superveniência de uma
circunstância relevante, capaz de alterar a manifestação de vontade do testador, como,
verbi gratia, o surgimento de um herdeiro necessário” (Gonçalves, p. 457)
Enquanto a revogação depende da vontade do testador, o rompimento independe
de sua vontade, sendo determinado pela lei.

a. Superveniência de descendente sucessível (art. 1.973):


Ex.: ação de investigação de paternidade procedente posterior ao testamento,
sem o conhecimento prévio do testador.
A existência de qualquer filho quando da feitura do testamento afasta a
caducidade, mesmo que, após, surjam outros.
Hipóteses:
a) Nascimento posterior de filho, ou outro descendente. Só no caso do testador
que não tinha nenhum descendente.
b) Aparecimento de descendente, que o testador supunha falecido, ou cuja
existência ignorava. Se o testador sabia da existência do herdeiro e, ainda assim,
testou, o testamento subsiste.
c) Reconhecimento voluntário ou judicial do filho, ou a adoção, posteriores à
lavratura do testamento.

b. Surgimento de herdeiros necessários ignorados, depois do testamento


(art. 1.974)
Surgimento, depois do feitio do testamento, de outros herdeiros necessários, que
o testador não conhecia.

c. Subsistência do testamento se conhecida a existência de herdeiros


necessários (1.975)
Se o testador dispõe somente de sua metade disponível, a exclusão dos herdeiros
necessários não implica na ruptura do testamento.
Se o testador avançou na legítima do herdeiro necessário de que tinha
conhecimento, o testamento não se rompe, mas reduz-se a liberalidade, para o efeito
de restaurar por inteiro a quota legalmente reservada.

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9. Revogação do testamento
CADUCIDADE – o ato perde a validade por uma causa que o esvazia, ou em
razão de um fato que lhe retira o objeto.
NULIDADE – há um vício, embora as consequências sejam idênticas: deixa de
existir a disposição testamentária, ou se invalida, ou perde todo o efeito. Entretanto, a
nulidade depende de declaração judicial, enquanto a revogação é ato unilateral.
REVOGAÇÃO – O testamento é essencialmente revogável. Trata-se de mudança
na redação feita pelo próprio testador.

a. Espécies de revogação
REVOGAÇÃO EXPRESSA: dá-se mediante a confecção de novo testamento,
onde é indispensável mencionar a revogação do anterior, ou parte dele. Observa-se a
mesma solenidade pra a celebração (art. 1.969 CC). Não é necessário que a revogação
seja efetuada por outro testamento da mesma modalidade, mas, necessariamente, tem
de ser feita por outro testamento. Ex: testamento marítimo pode revogar público;
cerrado pode revogar particular.
REVOGAÇÃO TÁCITA: decorre do surgimento de novo testamento, cujos dizeres
e o conteúdo apresentam-se incompatíveis com o anterior. Ante a contradição,
permanece sempre a disposição mais recente. O simples fato de existir novo
testamento não significa que tenha revogado o anterior. Ambos podem coexistir, desde
que não sejam contraditórios, ou seja, desde que se complementem.

b. Formas de revogação:
Segundo o art. 1.970, CC, a revogação do testamento pode se dar de forma total
ou parcial.
1) Total = revogação pura e simples: declara-se, em novo testamento, a
revogação do anterior, não fazendo qualquer limitação ou reserva.
2) Parcial: limita-se ao tópico atingido – art. 1.970 CC
3) A revogação de um testamento, mas existindo outro, sem que a este haja
alguma referência, leva a concluir quanto à revogação de apenas um, perdurando o
outro.
4) A revogação do testamento de reconhecimento de filho é válida.

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Contudo, revoga-se o testamento, não a declaração de reconhecimento – esta é
intangível – única forma irrevogável do testamento.
5) O novo testamento não atinge os legados, pois estes são especificações dos
bens.

c. Efeitos da revogação:
- priva-se o testamento de qualquer eficácia, se total, ou da eficácia na parte
atingida, se parcial;
- passa a vigorar a sucessão (legítima) hereditária, em todos os seus efeitos.

d. Anulabilidade – nulidade do testamento:


Tal como em todo negócio jurídico, a vontade do testador é válida e eficaz se
isenta de erro, dolo ou coação.
Tais vícios nodoam, comumente, disposições testamentárias, mas também
podem manchar o próprio testamento. Bem pode ocorrer que alguém teste sob coação
ou dolo.
Provado o vício da vontade, deve ser anulado o testamento, a requerimento do
interessado.
O erro, obstáculo e a violência física determinam a nulidade e não a simples a
nulidade do testamento, visto que determinam a falta de vontade, não sendo,
rigorosamente, vícios de consentimento.
Certas formas testamentárias excluem a possibilidade de ocorrência de alguns
vícios de vontade.
O erro determina a anulabilidade quando se dá:
a) nos motivos;
b) na designação;
c) na indicação dos bens.

Nulificam por duas razões: o testamento é um ato personalíssimo (art. 1.858)


e, unilateral (art. 1.863).

A disposição testamentária deve resultar de uma vontade livre de qualquer


influência ou pressão, interna ou externa.

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Haja dolo, ou simplesmente pacto sucessório nas disposições captatória, a
instituição está viciada, porque contraria a liberdade essencial às disposições de última
vontade, e transforma em convocação o que a lei quer que seja espontânea
manifestação unilateral.

10. Legados – art. 1.912 e seguintes, CC


* Destinação de bens a título particular, singular.
* Prédio, cifra em dinheiro, automóvel, etc.
* Coisa certa e determinada deixada a alguém via testamento ou codicilo.

a. Situações OU Classificação:
Legado de coisa alheia – não pode o testador legar coisa certa que não lhe
pertença no momento da abertura da sucessão (art. 1.912).
Exceções:
Art. 1.912 – será válido o legado de coisa alheia, se a coisa, mesmo não
pertencendo ao testador na época do testamento, após o testamento, vier a integrar o
patrimônio do testador.
Art. 1.913 – o testador determina que o herdeiro entregue bem seu (dele herdeiro)
a terceira pessoa. Trata-se, na verdade, de um encargo que, se não cumprido, equivale
à renúncia.
Art. 1.915 – confuso. Como deve o herdeiro cumprir o legado.
Legado de crédito. Art. 1.918 – trata-se de uma cessão de crédito, em que o
legatário substitui o testador e primitivo credor e pode promover a respectiva cobrança.
Legado de alimentos. Art. 1.920 – engloba o sustento, a cura, o vestuário e a
casa, enquanto o legatário viver, além da educação, se ele for menor. Via de regra,
cabe ao testador fixar o valor. Caso não o faça, o Juiz deverá fixar estes alimentos,
atendendo para as forças da herança e para as necessidades do alimentário. Exemplo:
compelir herdeiro a pagar alimentos a terceiros.

b. Nulidade por incapacidade do herdeiro ou legatário


São nulas as disposições em favor de incapazes de suceder, ainda quando
simulem a forma de contrato oneroso ou os beneficiem por interposta pessoa, o pai, a

99
mãe, os descendentes e o cônjuge do incapaz (art. 1.802 CC). Ex.: não podem suceder
as pessoas definidas no art. 1.801.

c. Direito de Pedir:
Desde a morte do testador o legatário tem direito de pedir a coisa deixada por
legado art. 1.923 CC.

d. Caducidade dos legados


Art. 1.939 e art. 1.940
CONCEITO: “Caducar é perder a eficácia, decair, ficar sem efeito, inutilizar-se.
Ocorre pela superveniência de fato, independente da vontade do testador”. (nulidade
pressupõe um vício de origem) (Leite, p. 560)
Não se confunde com revogação. Nesta, há uma declaração de vontade. Na
caducidade, ocorre a perda da eficácia, total ou parcial, da disposição testamentária,
por fato alheio à vontade do testador.
Formas de caducidade dos legados – Hipóteses de caducidade – art. 1.939:
a) herdeiro ou legatário pré-morto;
b) um dos beneficiários recusa sua parte na herança ou abre mão do legado;
c) quando o herdeiro é afastado por qualquer causa de exclusão por indignidade.

11. Direito de acrescer entre herdeiros e legatários


Art. 1.941 CC
a. Conceito:
Ocorre quando o testado contempla vários beneficiários no testamento, deixando
para todos a mesma herança, em porções não determinadas e um deles vem a faltar.
O direito de acrescer ocorre, também, no direito das coisas (art. 1.411, CC), como
nos casos em que o usufruto é constituído em favor de duas ou mais pessoas. Nestes
casos, havendo o usufruto simultâneo (e deve estar expresso no documento), a parte
do usufrutuário que falecer, acrescerá ao do sobrevivo. Ex.: imóvel com usufruto para
o casal João e Maria, de forma simultânea (50% para cada). Neste caso, falecendo
João, o usufruto será 100% de Maria.
Este direito de acrescer, no caso do direito sucessório, ocorre apenas na sucessão

100
testamentária, pois na sucessão legítima o direito de representação impede a aplicação
deste instituto, salvo os casos de direito de renúncia.
Exemplos:

Sucessão legítima - representação:


Considerando que C é pré-morto, se tiver filhos, estes herdarão. Havendo
representação, A ficará com 1/3; B, igualmente com 1/3; e, a parte de C (1/3) será divida
entre D e E.

Sucessão legítima - renúncia:


Considerando que A renuncie, sua parte será acrescida à de B e C (cujos filhos
herdarão por representação, no caso de ser pré-morto).

Sucessão testamentária:
Se o falecido tiver deixado 10% de seu patrimônio (ou uma casa) para A e B, a
herança será dividida: 90% (por sucessão legítima), entra A, B e C (30% para cada um);
10% entre A e B. Como, neste caso, o testador não deixou expresso como seria a
divisão dos 10% entre A e B, caso B faleça, A receberá todos os 10% (pelo direito de
acrescer). Diferente será se o falecido disser: “Deixo 10% do meu patrimônio para A e
B, em parte iguais” (ou em qualquer percentual definido). Neste caso, não haverá o
direito de acrescer.
Desta forma, o direito de acrescer, na sucessão testamentária, ocorrerá na
hipótese do art. 1.941, CC – caso do exemplo acima – ou, ainda, no caso do art. 1.942,
CC – quando os nomeados em conjunto receberem uma só coisa (legado) ou quando
esta não puder ser dividida sem risco de desvalorização.

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Art. 1.941. Quando vários herdeiros, pela mesma disposição testamentária,
forem conjuntamente chamados à herança em quinhões não determinados, e
qualquer deles não puder ou não quiser aceitá-la, a sua parte acrescerá à dos
co-herdeiros, salvo o direito do substituto.
Art. 1.942. O direito de acrescer competirá aos co-legatários, quando
nomeados conjuntamente a respeito de uma só coisa, determinada e certa, ou
quando o objeto do legado não puder ser dividido sem risco de desvalorização.

Portanto, não haverá o direito de acrescer quando o testador tiver deixado, de


forma expressa, a especificação do quinhão de cada co-herdeiro ou co-legatário (um
terço, metade, etc). Se isto ocorrer, a quota do herdeiro ou legatário que não quiser ou
não puder aceitar a sucessão testamentária será devolvida aos herdeiros legítimos –
art. 1.944, CC.
O direito de acrescer também não ocorre no caso de haver substituição. Ex.: deixo
10% do meu patrimônio para João e Carla e, em substituição de qualquer deles, para
Fernando. Se João ou Carla não quiserem ou não puderem aceitar, Fernando herdará.

b. Fundamentos:
a) Decorrência da vontade presumida do testador – quando nomeia vários
beneficiários pela mesma disposição testamentária, para toda a herança ou parte dela,
sem determinar a porção de cada um; ou quando deixa a vários legatários a mesma
coisa ou parte dela. Presume-se que ele desejava que se um faltasse, os demais
ficassem com a herança.
b) Quando ocorre o direito de acrescer, o acréscimo é forçado, pois não pode o
beneficiário (co-herdeiro ou co-legatário) aceitar sua parte e renunciar ao direito de
acrescer. Ademais, nos termos do art. 1.943, § único, os co- herdeiros ou co-legatários,
aos quais acresceu o quinhão daquele que não quis ou não pôde suceder, ficam
sujeitos às obrigações ou encargos que o oneravam.

c. Pressupostos:
Para que ocorra o direito de acrescer, alguns pressupostos ou requisitos devem
estar presentes:
a) Nomeação de vários herdeiros ou legatários na mesma disposição
testamentária;
b) Atribuição sem discriminar as porções ou o quantum, no mesmo bem ou

102
porção de bens.
c) A falta ou impossibilidade de herdar de um herdeiro ou legatário instituído no
testamento.
d) O testamento não pode ter indicado uma pessoa determinada para que, na
falta do herdeiro ou legatário, receba sua parte – não pode haver substituto.
e) Indivisibilidade do bem, no caso de legados.
f) Indeterminação das quotas hereditárias.

d. Espécies de disposições conjuntas


Existem três tipos de disposições conjuntas:
a) Conjunção real – re tantum – quando os instituídos são chamados para
suceder na mesma coisa por frases distintas. Ex.: Deixo o imóvel X a José. Deixo o
imóvel X a João.
b) Conjunção mista – re et verbis – quando a designação dos beneficiários é feita
na mesma frase, para a mesma coisa. Ex.: Deixo o imóvel X a José e a João.
c) Conjunção verbal – verbis tantum – neste caso há a designação dos
beneficiários na mesma disposição, e, ainda, a especificação do quinhão de cada um.
Ex.: Deixo o imóvel X para José e para João, metade para cada um.

Deve-se destacar que só haverá direito de acrescer nas conjunções real e mista.
Na verbal não há, pois o testador especifica o quinhão de cada um. Fica expressa a
vontade do testador de que cada um receba a quota que ele determinou.

e. Direito de acrescer entre co-herdeiros


Quando os co-herdeiros, pela mesma disposição de um testamento, são
conjuntamente chamados à sucessão em quinhões não determinados.
Ex.: Marília e Vinicius são meus herdeiros em 20% de meus bens.
Esta disposição estabelece uma solidariedade, uma conjunção entre herdeiros
(RET ET VERBIS – UMA SÓ FRASE DE DISPOSIÇÃO).
Daí necessário que estejam presentes 3 (três) elementos:
a) a instituição de herdeiros numa só cláusula;
b) a identidade de bens ou quotas hereditárias;
c) indeterminação das quotas hereditárias.

103
f. Direito de acrescer entre legatários:
Arts. 1.941/1.942 CC: há um ou mais bens especificados, mas todos os legatários
são nomeados para o recebimento em comum deste patrimônio, em que não é possível
sua divisão (deterioração).
- inexiste acréscimo no legado em dinheiro (por ser genérico).
- também, no legado de alimentos (ao necessitado);
- o acrescentamento abrange-lhes os ônus (1.943, CC).

g. Legado de usufruto
Testamento institui o exercício do usufruto em favor de duas ou mais pessoas. O
usufruto é o direito de usar e gozar da coisa, por tempo certo ou vitaliciamente. Haverá
o direito de acrescer quando a nomeação for conjunta, sem especificação das quotas.
Assim, são requisitos: a) que haja a nomeação conjunta, sem especificar as frações em
que incide o usufruto; b) sempre sobre um bem individuado.

12. Substituições testamentárias


O testador pode, além de estabelecer o beneficiário de seu testamento, instituir o
substituto, ou seja, a pessoa que, na impossibilidade do herdeiro testamentário (ou
legatário) de herdar (seja por já ser falecido ou por não aceitar a herança, p.ex.),
herdará em seu lugar. É o que estabelece o art. 1.947, CC:
Art. 1.947. O testador pode substituir outra pessoa ao herdeiro ou ao legatário
nomeado, para o caso de um ou outro não querer ou não poder aceitar a
herança ou o legado, presumindo-se que a substituição foi determinada para
as duas alternativas, ainda que o testador só a uma se refira.

Segundo Gonçalves (2012, p. 399) a substituição é “a indicação de certa pessoa


para recolher a herança, ou legado, se o nomeado faltar, ou alguém consecutivamente
a ele.
Atualmente existem duas hipóteses de substituição: vulgar e a fideicomissária.

a. Substituição vulgar
Quando o testador designa uma ou mais pessoas para ocupar o lugar do herdeiro
ou legatário que não quiser ou não puder aceitar o benefício.

104
Trata-se de uma instituição condicional (que só ocorre que o beneficiário não
puder ou não quiser receber) e subsidiária (só produz efeitos se a disposição principal
não produzir efeitos). Estabelece a vocação direta, pois o substituto herda diretamente
do falecido.
A substituição vulgar pode ser:
a) Simples ou singular, um só substituto para um ou muitos herdeiros instituídos
b) Coletiva ou plural, quando há mais de um substituto a ser chamado
simultaneamente

c) Recíproca, quando são nomeados dois ou mais beneficiários, estabelecendo


que reciprocamente se substituam. Neste caso, os herdeiros recolherão a cota do que
faltar.

O substituto assume o lugar do substituído, com os mesmos direitos e deveres,


sujeitando-se, inclusive, a condição ou encargo imposto ao substituído.

b. Substituição fideicomissária
Trata-se das situações nas quais o testador estabelece um beneficiário, mas com
a incumbência de, após, por sua morte, ou em vida, transmitir o bem a outra pessoa,
inclusive sob certa condição.
Existem três figuras: a) Fideicomitente – o instituidor, testador, doador; b)
Fiduciário (ou gravado) – que recebe o bem para, após, efetuar a transmissão; c)
Fideicomissário (ou substituto) – pessoa que recebe o bem quando da morte do
fiduciário.
O testador fixa o tempo do fideicomisso: vitalício (até a morte do fiduciário); a
termo (em tempo prefixado pelo testador) ou condicional (se depender de
implementação de alguma condição resolutiva).
Trata-se de uma vocação dupla, pois tanto o fiduciário, quanto o fideicomissário
se tornam titulares da herança. O fiduciário enquanto estiver vivo ou não ocorrer a
condição ou termo. O fideicomissário após estes períodos.
Há direito de acrescer – art. 1.956, CC: Se o fideicomissário aceitar a herança
ou legado, terá direito a receber também aquilo que acresceu aos fiduciários.
É proibido o fideicomisso sucessivo, ou seja, não pode o testador deixar o bem

105
para A, com o dever de, com sua morte, transmitir para B e este, para C. A cláusula
não será totalmente nula. Quando A falecer, B adquirirá a propriedade do bem.

13. Redução das disposições testamentárias:


A liberdade de testar é relativa, pois havendo herdeiros necessários, o testador só
poderá dispor da metade da herança. Assim, para resguardar a legítima, a lei permite
a redução das disposições testamentárias. Desta forma, toda vez que as disposições
testamentária ultrapassarem a quota disponível do testador, poderão ser reduzidas.
Não causa a nulidade, nem é hipótese de anulação do testamento, bastando que se
reduza as disposições testamentárias.
Assim, deve-se apurar o valor total do patrimônio na data da abertura da
sucessão, abatidas as dívidas e despesas de funeral, adicionando-se os bens sujeitos
a colação (art. 1.847, CC). A partir daí, o valor líquido é divido em duas metades – uma
delas a legítima e a outra, a parte disponível. Os valores que ultrapassarem a metade
disponível devem ser reduzidos, proporcionalmente, nos termos do art. 1.967, CC.
Ordem: 1) herdeiro instituído (ou proporcionalmente, se houver mais de um); 2)
legatário, na proporção do seu valor; 3) redução das doações (começando pela mais
nova ou proporcionalmente se forem na mesma data).
O testador pode, ainda, estabelecer forma diferente para a redução (§ 2.º):
§ 2o Se o testador, prevenindo o caso, dispuser que se inteirem, de preferência,
certos herdeiros e legatários, a redução far-se-á nos outros quinhões ou
legados, observando-se a seu respeito a ordem estabelecida no parágrafo
antecedente.

Em se verificando excederem as disposições testamentárias a porção disponível,


será proporcionalmente reduzidas as quotas do herdeiro ou herdeiros instituídos, até
onde bastem, e, não bastando, também os legados, na proporção de seu valor. Ex. Se
alguém tem 2 filhos faz uma disposição a favor de um no montante de 60%, a redução
ocorre em 10%.
Se o testador, prevenindo o caso de redução, dispuser que se inteirem, de
preferência, certos herdeiros ou legatários, a redução far-se-á nos outros quinhões ou
legados, observando-se ao seu respeito a ordem estabelecida na regra anterior. Ex.
Bens 70mil reais. Deu 20 mil a um amigo e 50 mil a um sobrinho. Tem filho, reserva da

106
legítima. Desconta, visto que mencionou, primeiro do sobrinho.

14. Testamenteiro:
Testamenteiro é o executor do testamento. É a pessoa que o de cujus encarrega
de fazer cumprir suas disposições de última vontade.

O testador pode nomear um ou mais testamenteiros, conjuntos (quando a atuação


é conjunta, cumulando funções) ou separados (quando o exercício da testamentaria é
feito uns em falta dos outros).
Testamentaria – conjunto de funções que são realizadas pelo testamenteiro, o
complexo de direitos e obrigações.
Trata-se de encargo complexo na execução do testamento – não é múnus ou
função pública, mas encargo de ordem privada, de caráter facultativo. Há ampla
liberdade de escusar-se à testamentaria. Um ou mais, conjuntos ou separados, para
cumprir a última vontade.

a. Espécies de testamenteiro:
O testamenteiro pode ser:
• Instituído: quando o testador o nomeia
• Dativo: quando não havendo testamenteiro nomeado ou, se o nomeado
recusar a testamentaria, o juiz nomeia alguém para o encargo – art. 735, § 4.º,
CPC/2015.

• Testamenteiro universal: a quem se confere a posse e a administração da


herança ou de parte dela, caso não haja herdeiros necessários – art. 1.977. O art. 1.978
determina que o testamenteiro universal pode requerer o inventário e cumprir o
testamento.
• Testamenteiro particular: não desfruta do direito de posse ou administração
da herança por não tê-los ou por tê-los perdido.

b. Nomeação do testamenteiro:
O testamenteiro pode ser nomeado no próprio testamento ou codicilo. O testador
pode, ainda, instituir um ou vários testamenteiros para atuar em conjunto ou em
separado. Se não houver testamenteiro, o cumprimento do testamento deverá ser

107
cumprido pelo cônjuge ou companheiro sobrevivente ou qualquer herdeiro. Se não
houver testamenteiro, o juiz nomeará dativo, obedecendo a ordem (§ 4.º, art. 735,
CPC/2015).

c. Aceitação do encargo:
A pessoa que é nomeada testamenteira pode aceitar ou não o encargo. Em se
tratando de um múnus privado ninguém é obrigado a exercer.

d. Atribuições do testamenteiro:

1.979, CC – Registro do testamento – como o testamenteiro é o detentor (em


regra) do testamento, a ele incumbe (compete/pode) levá-lo a registro.
1.980, CC – Obrigação do Testamenteiro: cabe ao testamenteiro a execução do
testamento. Para tanto, deve:
1. apresentar o testamento em juízo para o registro.

2. depois de registrado o testamento, dar cumprimento, ou seja, executar as


disposições nele constantes – prazo – 180 dias.
1.982, CC - O testamenteiro – executor da última vontade – age de acordo com
os poderes conferidos pelo Testador.
1.983, CC - Prazo de 180 dias: suficiente. O prazo pode ser prorrogado (§ único)
1.984, CC – Na ausência de nomeação de testamenteiro, a execução
testamentária, compete a um dos cônjuges ou herdeiro nomeado pelo juiz.
3. defender a validade do testamento – art. 1.981, CC

1.981, CC - Propugnar a validade do testamento: deve defender a validade do


testamento, contra quem impugnar em juízo.
4. exercer as funções de inventariante, se estiver na posse e na administração
da herança ou se não houver cônjuge, nem herdeiros necessários.
1.990, CC - O testamenteiro exerce as funções de inventariante, na hipótese do
testador “tiver distribuído toda a herança em legados”.
5. prestar contas – art. 1.980.
1.985, CC - o encargo não se transmite aos herdeiros do testamenteiro. É encargo
pessoal indelegável. O testamenteiro pode fazer-se representar em juízo por

108
procurador (1.985) e mandatário (1.764)
1.986, CC - Mesmo conteúdo – responsabilidade solidária dos testamenteiros
aceitantes.

Remuneração do testamenteiro: a testamentaria é função remunerada. O


testamenteiro tem direito a receber um prêmio ou vintena pelos serviços prestados, a
ser fixado livremente pelo testador. Se não o fizer, o juiz fixará, dentre os limites de 1 a
5% da herança líquida.
1.987, CC - Direito ao prêmio – Vintena – de 1 a 5% sobre a herança líquida.
Herdeiro ou legatário não recebe a gratificação.
1.988, CC - o herdeiro ou legatário nomeado testamenteiro pode escolher o
prêmio (1 a 5%) ou a herança ou legado (o que lhe for mais favorável).
Destaca-se, contudo, que este herdeiro a que o art. 1.988 refere-se é o herdeiro
instituído ou o legatário e não o herdeiro necessário. No caso de herdeiro necessário
nomeado testamenteiro, terá direito a receber o prêmio, pois não é obrigado a exercer
gratuitamente o encargo.
O pagamento da vintena deve ser feito em dinheiro, não sendo admitida a
adjudicação de bens para pagamento, salvo se for o meeiro.
1.989, CC - Perda do prêmio:
a) O testamenteiro perde o direito à vintena quando é removido e não cumprir o
testamento;
b) quando faz despesas ilegais;
c) quando é negligente ou prevaricador;
d) quando não inventariar os bens (por culpa). O novo testamenteiro receberá o
prêmio.

IV – INVENTÁRIO E PARTILHA
1. Inventário
Aberta a sucessão com o falecimento do autor da herança, seu patrimônio é,
desde logo, transmitido aos herdeiros legítimos e testamentários, de acordo com o art.
1.784, CC. Como a herança é transmitida “como um todo unitário”, é preciso que seja
feita a individualização de cada quota parte dos herdeiros, a fim de terminar com o

109
estado de comunhão. Nesse sentido, deve-se instaurar o processo de inventário, para
que seja possível realizar a partilha dos bens e individualização dos quinhões
hereditários.
Inventário significa achar, encontrar. Utilizada juridicamente no sentido de
enumerar e catalogar aquilo que “foi encontrado”, que pertence, neste caso, ao falecido.
O procedimento de inventário é previsto no art. 610 e seguintes do CPC/2015.

2. Inventário negativo
Mesmo que não existam bens, é possível que seja feito o processo de inventário.
Serve, tão somente, para comprovar que aquele que faleceu não possui bens a
inventariar.
Ex.: art. 1.523, I – causa suspensiva – viúvo que não deu partilha aos filhos não
deve casar – regime da separação obrigatória de bens (art. 1.641, I). É possível que
esta penalidade não seja imposta se restar comprovado que não haverá prejuízo aos
filhos. A forma de fazer essa prova é o inventário negativo.
Será dada abertura ao inventário, feita a pesquisa de bens e a sentença judicial
declarará a inexistência de bens a serem partilhados.

3. Inventário conjunto
Em situações excepcionais é possível que seja realizado o inventário de duas
pessoas ao mesmo tempo, no mesmo processo, visando a economia processual.
HIPÓTESES: Art. 672, CPC/2015 – identidade de herdeiros, herança deixada pelos
dois cônjuges ou companheiros ou dependência de uma das partilhas em relação à
outra.

4. Dispensa de Inventário
Dependendo dos bens que componham o acervo hereditário o inventário pode ser
dispensado – Lei 6.858/80 - Pagamento, aos Dependentes ou Sucessores, de Valores
Não Recebidos em Vida pelos Respectivos Titulares – FGTS (Fundo de Garantia por
Tempo de Serviço) e PIS-PASEP (Fundo de Participação) – art. 666, CPC/2015.
Outros bens:
- bens que o de cujus tenha apenas a posse – não é necessário fazer inventário
– aquisição originária da propriedade – uscucapião.

110
- contas poupança – se o de cujus tiver um segundo titular na conta, este
poderá sacar os valores, ainda que a jurisprudência tenha uma tendência a deferir só
a metade dos valores.
- Alvará judicial: em sendo necessário o levantamento de importâncias em
dinheiro ou venda de algum bem antes de completado o inventário, é possível que as
partes façam requerimento em juízo de alvará judicial para tal fim. Normalmente a
justificativa utilizada é o pagamento das custas do inventário, impostos, taxas, etc.

5. Inventário Judicial
O inventário judicial é divido em:
a) inventário judicial pelo rito tradicional – arts. 610 a 658, CPC/2015;
b) inventário judicial pelo rito do arrolamento sumário – art. 659, CPC/2015;
c) inventário judicial pelo procedimento do arrolamento comum – art. 664,
CPC/2015.

a. Inventário judicial pelo rito ou procedimento tradicional Abertura do


Inventário
O art. 611, CPC/2015 prevê que o inventário deve ser aberto dentro de dois meses
a contar do falecimento e terminar nos 12 meses subsequentes, podendo o juiz
prorrogar o prazo, de ofício ou a requerimento da parte. Caso esse prazo não seja
cumprido, haverá sanção de natureza fiscal (aplicação de multa). Na prática, ao menos
no RS, esses prazos não são obedecidos e não há qualquer aplicação de multa em
razão do descumprimento. Outros Estados, contudo, fazem a previsão de incidência de
multa sobre a avaliação do patrimônio (em torno de 20%).

Legitimidade para requerer o inventário


Art. 615, CPC/2015: quem estiver na posse e administração do espólio deve dar
abertura ao inventário. Esse, contudo, não necessariamente, será o inventariante, pois
da abertura do inventário até a nomeação do inventariante haverá um administrador
provisório. Podem, ainda, requerer o inventário: o cônjuge ou companheiro, herdeiro,
legatário, testamenteiro, cessionário, credor do herdeiro, do legatário ou do autor da
herança, MP, Fazenda Pública ou o administrador judicial da falência do herdeiro,
legatário, autor da herança, cônjuge ou companheiro supérstite (art. 616, CPC/2015).

111
A ação de abertura do inventário deve ser instruída com a certidão de óbito do de
cujus e procuração para o advogado.
O requerimento de abertura do inventário será instruído com a certidão de óbito
do de cujus (obrigatório – art. 615, § único, CPC/2015) e procuração outorgada ao
advogado que assina a petição. Poderá, ainda, conter:
- certidão de casamento do de cujus;
- cédula testamentária;
- certidões de nascimento, ou outro documento, dos herdeiros;
- certidões dos imóveis, etc.

Foro competente
O foro competente para processamento do inventário é o foro do último domicílio
do de cujus, mesmo que os herdeiros residam em localidade diversa (arts. 1.785 e
1.796, CC e art. 48, CPC/2015).

Administrador provisório
Até que seja nomeado inventariante e este preste compromisso, a administração
da herança ficará a cargo do administrador provisório nomeado pelo juiz (art. 613,
CPC/2015). Este tem a função de representação do espólio, devendo trazer ao acervo
frutos percebidos, tendo direito de ser reembolsado pelas despesas necessárias.
Responde por danos a que der causa (art. 614, CPC/2015).

Nomeação de inventariante
Ingressando os herdeiros com o processo do inventário, o juiz despachará e
nomeará o inventariante, que prestará compromisso e as primeira declarações (prazo
de 20 dias) (art. 620, CPC/2015). A função do inventariante é administrar os bens do
espólio, sendo seu representante legal até que a partilha seja efetivada.
A ordem preferencial 6 de pessoas que podem ser nomeadas inventariante é
trazida pelo art. 617, CPC/2015:
Art. 617. O juiz nomeará inventariante na seguinte ordem:
I - o cônjuge ou companheiro sobrevivente, desde que estivesse convivendo
com o outro ao tempo da morte deste;
II - o herdeiro que se achar na posse e na administração do espólio, se não

6
O STJ entendeu que esta ordem é preferencial e não absoluta (REsp 402.891)

112
houver cônjuge ou companheiro sobrevivente ou se estes não puderem ser
nomeados;
III - qualquer herdeiro, quando nenhum deles estiver na posse e na
administração do espólio;
IV - o herdeiro menor, por seu representante legal;
V - o testamenteiro, se lhe tiver sido confiada a administração do espólio ou
se toda a herança estiver distribuída em legados;
VI - o cessionário do herdeiro ou do legatário; VII - o inventariante judicial, se
houver;
VIII - pessoa estranha idônea, quando não houver inventariante judicial.

Depois de escolhido o inventariante pelo juiz, deverá prestar compromisso em 5


dias, de bem e fielmente desempenhar o cargo (art. 617, § único, CPC/2015).
Obs.: o compromisso de inventariante poderá ser assinado por procurador, desde
que com poderes especiais para assinatura do termo de compromisso de inventariante
(art. 105, CPC/2015).
As atribuições do inventariante estão dispostas nos arts. 618 e 619, CPC/2015,
de onde se destacam as principais: representação do espólio, administrador dos bens,
prestar as primeiras declarações, juntar aos autos documentos e certidões necessários.
O inventariante pode ser removido do encargo nos casos previstos no art. 622,
CPC/2015. Como o inventariante realiza um múnus público, pode ser removido a
qualquer momento, se comprovada a prática de determinados fatos, descritos no art.
622, CPC/2015:
Art. 622. O inventariante será removido de ofício ou a requerimento:
I - se não prestar, no prazo legal, as primeiras ou as últimas declarações;
II - se não der ao inventário andamento regular, se suscitar dúvidas
infundadas ou se praticar atos meramente protelatórios;
III - se, por culpa sua, bens do espólio se deteriorarem, forem dilapidados ou
sofrerem dano;
IV - se não defender o espólio nas ações em que for citado, se deixar de cobrar
dívidas ativas ou se não promover as medidas necessárias para evitar o
perecimento de direitos;
V - se não prestar contas ou se as que prestar não forem julgadas boas;
VI - se sonegar, ocultar ou desviar bens do espólio.

Essa enumeração é exemplificativa, podendo haver casos outros em que o juiz


entenda que é caso de remoção do inventariante. Contudo, a simples demora no
término do inventário não justifica a remoção. Para que isto ocorra, deve a demora ter
se dado por culpa do inventariante.
O procedimento para remoção do inventariante está constante nos arts. 623 a
625, CPC/2015.

113
Primeiras declarações
Com a nomeação do inventariante, deverá prestar as primeiras declarações no
prazo de 20 dias. Essas primeiras declarações deverão conter (art. 620, CPC/2015):
I - o nome, o estado, a idade e o domicílio do autor da herança, o dia e o
lugar em que faleceu e se deixou testamento;
II - o nome, o estado, a idade, o endereço eletrônico e a residência dos
herdeiros e, havendo cônjuge ou companheiro supérstite, além dos respectivos
dados pessoais, o regime de bens do casamento ou da união estável;
III - a qualidade dos herdeiros e o grau de parentesco com o inventariado; IV
- a relação completa e individualizada de todos os bens do espólio,
inclusive aqueles que devem ser conferidos à colação, e dos bens alheios que
nele forem encontrados, descrevendo-se:
a) os imóveis, com as suas especificações, nomeadamente local em que se
encontram, extensão da área, limites, confrontações, benfeitorias, origem dos
títulos, números das matrículas e ônus que os gravam;
b) os móveis, com os sinais característicos;
c) os semoventes, seu número, suas espécies, suas marcas e seus sinais
distintivos;
d) o dinheiro, as joias, os objetos de ouro e prata e as pedras preciosas,
declarando-se-lhes especificadamente a qualidade, o peso e a importância;
e) os títulos da dívida pública, bem como as ações, as quotas e os títulos de
sociedade, mencionando-se-lhes o número, o valor e a data;
f) as dívidas ativas e passivas, indicando-se-lhes as datas, os títulos, a origem
da obrigação e os nomes dos credores e dos devedores;
g) direitos e ações;
h) o valor corrente de cada um dos bens do espólio.

OBS.: Via de regra, quando se dá abertura ao inventário, se for consensual,


já são prestadas as primeiras declarações, com a informação de todos os
herdeiros (qualificação completa, endereço, parentesco, ...), juntada de todos os
documentos, avaliação já apresentada e a forma da partilha.
As primeiras declarações devem ser prestadas por petição, firmada por
procurador com poderes especiais (a procuração do advogado deve constar,
expressamente, poderes para prestar as primeiras declarações) (art. 620, § 2.º,
CPC/2015).

Citação dos interessados


Após as primeiras declarações os interessados (cônjuge ou companheiro e
herdeiros) deverão ser citados (pelo correio - § 1.º), havendo a intimação do Ministério
Público, se houver herdeiro incapaz, da Fazenda Pública e eo testamenteiro, caso haja
testamento (art. 626, CPC/2015).

114
Essa citação é dispensada se todos os herdeiros já estiverem representados nos
autos ou se comparecerem espontaneamente.

Fase de impugnações:
Concluídas as citações as partes poderão impugnar alguma declaração prestada
pelo inventariante, no prazo de 15 dias, nos termos do art. 627, CPC/2015.
Se a impugnação for julgada procedente, o juiz determinará que as declarações
sejam retificadas.
Em caso de haver uma questão que demande produção de provas que não a
documental, especialmente no que se refere ao art. 627, III, CPC/2015 – contestar a
qualidade de herdeiro – o juiz deverá remeter o impugnante para as vias ordinárias
(dilação probatória) e suspender o inventário (art. 627, § 3.º, CPC/2015).

Avaliação dos bens inventariados:


Em seguida será feita a avaliação dos bens, com a remessa dos autos para a
Fazenda Estadual, a fim de que estabeleça o valor dos bens e realize o cálculo do
imposto de transmissão causa mortis (ITCD) – arts. 629 e 630, CPC/2015.

Últimas declarações:
Depois de aceita a avaliação dos bens ou resolvidas possíveis impugnações à
avaliação, o inventariante deverá prestar as últimas declarações (art. 636, CPC/2015),
quando poderá descrever bens que, porventura tenham sido esquecidos (mesmo que
por desconhecimento). As partes serão ouvidas sobre as últimas declarações, podendo
alegar a sonegação de bens pelo inventariante somente depois da última declaração
feita por ele, de que não existem outros bens a inventariar (art. 621, CPC/2015).

Pagamento dos impostos:


Feitas as últimas declarações, é feito o cálculo do imposto, que deverá ser pago
(art. 637, CPC/2015).
Nessa fase, devem ser juntadas certidões negativas de débitos municipais,
estaduais e federais. Para tanto, deverão estar quitados os IPTUs, ITRs, e outros
impostos incidentes sobre os bens do de cujus.

115
b. Inventário judicial pelo rito do arrolamento sumário:
É uma forma simplificada de inventário-partilha, quando todos os herdeiros são
maiores, capazes e a partilha é amigável.
Nesse caso, quando da abertura do inventário já são juntados todos os
documentos necessários, prova da quitação do imposto, partilha, etc, e o juiz apenas
homologa, nos termos do art. 2.015, CC.
Como é um procedimento sumário, é desburocratizado e, nesse sentido, o art.
660, CPC/2015 dispensa a lavratura de termos de quaisquer espécies.

c. Inventário judicial pelo rito ou procedimento do arrolamento comum


Esta modalidade está estabelecia no art. 664, CPC/2015 e aplica-se aos casos
em que o valor dos bens do espólio for inferior a 1.000 salários mínimos, quando haverá
a dispensa de avaliação, sendo indicado o valor pelo inventariante nas suas
declarações. Neste caso, não importa existência ou não de consenso, mas sim o valor
do patrimônio.

6. Inventário administrativo:
A lavratura da Escritura Pública de Inventário trata de uma forma facultativa. Não
há obrigatoriedade da partilha extrajudicial. Assim, se todos forem capazes e
concordes, o inventário e a partilha poderão ser feitos no Tabelionato de Notas (art.
610, § 1.º, CPC/2015).

Requisitos/pressupostos:
Todos capazes (capacidade de todos os interessados) e de acordo (ausência de
litigiosidade). Não pode envolver incapazes, nem existir testamento. Objetiva
desburocratizar e agilizar o procedimento judicial de inventário e partilha.
Se o testamento já foi anulado, pode ser feito o inventário extrajudicial, fazendo
constar da Escritura as informações da ação anulatória transitada em julgado.
Os herdeiros e meeiros são representados por advogado (indispensável,
conforme art. 610, § 2.º, CPC/2015) e devem assinar a Escritura.
Se por todos reconhecida a União estável do falecido, poderá o companheiro
sobrevivente promover o inventário extrajudicial. Do contrário, via judicial e com

116
reconhecimento.
A opção pela via extrajudicial, poderá, inclusive, ser solicitada durante o trâmite
do procedimento judicial do inventário (arrolamento), mediante a suspensão ou
desistência.
Na via judicial existe a fixação da limitação em face da competência territorial:
local do óbito/último domicílio do de cujus. No âmbito extrajudicial, a escolha do
Tabelião é liberalidade das partes, não se condicionando ao domicílio, situação dos
bens ou local do óbito.

7. Sonegados:
Aberto o inventário, é dever do inventariante apresentar as primeiras e últimas
declarações, com a indicação e caracterização dos bens a serem partilhados. Caso o
inventariante ou algum herdeiro não descreva algum bem, intencionalmente, de forma
a desfalcar o ativo do espólio, cometerá o delito civil de sonegação, sujeitando-se às
penas dos arts. 1.992 e 1993, CC.
“Sonegados são os bens ocultados maliciosamente, enquanto sonegação é a
conduta de quem age deste modo, negando informações necessárias ao conhecimento
do monte-mor, com isto, desviando ou deixando de restituir os bens da herança. (Nader,
2007, p. 577)”.
São diversas as hipóteses de sonegação.
Sonegação – omissão ou ocultação dolosa;
Intenção maliciosa de ocultar os bens do espólio e fraudar a expectativa dos
herdeiros.

Penas:
Os arts. 1.992 e 1.993 do CC determinam as penas aplicadas; ao herdeiro que
sonegar – perderá o direito que teria sobre o bem, devendo restituí-lo, bem como aos
seus frutos; se o sonegador for o inventariante, ainda será removido da inventariança.
A pena é civil. Remoção do inventariante (art. 622, VI, CPC/2015) e perda do bem
sonegado, que é imposta por sentença.
A pena só poderá ser imposta em ação ordinária (LEITE, p. 724). Se o sonegador
for testamenteiro perde direito à vintena e é removido do cargo de inventariante.

117
Para que tenha cabimento a ação de sonegados não é preciso que o sonegador
negue a restituição dos bens, mas que tão somente não os descreva, estando tais bem
em seu poder, ou em poder de terceiros, com sua ciência.

ART. 1994 – ação de sonegados.


O prazo prescricional é de 10 (dez) anos. Foro é do inventário

ART. 1995 - Indenização e perdas e danos.


Julgada procedente a ação de Sonegação, os bens devem ser restituídos ao
espólio. Se já foram alienados, o culpado deverá pagar o valor correspondente aos
bens, além de perdas e danos. Se o bem não estiver mais no patrimônio do sonegador,
será responsável pelo seu valor, mais perdas e danos (art. 1.995, CC).

ART. 1996 - Arguição:


A arguição da sonegação só pode ocorrer depois das últimas declarações no
inventário, encerrada a descrição dos bens (com a declaração que não há outros a
descrever/inventariar).

8. Do pagamento das dívidas


O espólio responde pelas dívidas do falecido, mas feita a partilha, cada herdeiro
responderá, dentro do limite de seu quinhão (art. 796, CPC/2015).
ART. 1997
Onde há dívidas, há responsabilidade solidária dos herdeiros. Antes da
distribuição da herança, pagam-se as dívidas. A herança responde pelo pagamento das
dívidas do falecido. O patrimônio do de cujus é a garantia dos credores.
Ex. se existe um só herdeiro, ele é responsável exclusivo de todo pólo passivo
sucessório.
Até a partilha: da abertura da sucessão até a partilha – os bens da herança,
respondem pelo passivo. Feita a partilha, a proporcionalidade da parte (quota) é
que responde. A partir da divisão da herança, cada herdeiro responde –
individualmente – pela satisfação da dívida da herança (LEITE, p. 735).

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Constituem-se em encargos da herança:
1. Despesas funerárias;
2. Vintena do testamenteiro;
3. Dívidas do falecido;
4. Cumprimento dos legados.
Antes da partilha, podem os credores pedirem ao juiz o pagamento das dívidas
vencidas e exigíveis (art. 642, CPC/2015).

9. Colação
Instituto de origem romana, a colação é reunião dos bens recebidos pelo(s)
descendente(s), a título de liberalidade (doação), antes da abertura da sucessão.
O que exceder a metade disponível, para cálculo das legítimas, devem ser
conferidos na parte indisponível.
ART. 2002 - Apenas os descendentes estão sujeitos a colação.
ART. 2003 - A colação visa igualar as legítimas dos descendentes e do cônjuge
sobrevivente.
Art. 621, § único, CPC/2015 – os bens a serem colacionados terão seu valor
calculado pelo valor do tempo da abertura da sucessão (para óbitos ocorridos após a
entrada em vigor desta lei). No caso de óbitos ocorridos antes de março de 2016, aplica-
se a regra do art. 2004 – O valor da colação é aquele atribuído na liberalidade; se não
tiver valor, por ocasião da partilha, se estimará o valor da época da liberalidade( os
bens serão avaliados com base no valor do tempo da liberalidade); as benfeitorias,
frutos e rendimentos são do donatário, “que responde pelos danos e perdas que eles
sofrerem” (§§ 1º e 2º, do art. 2004).

ART. 2009 - Também, os netos, que herdam por direito de representação


substituindo o pai pré-morto, “serão obrigados a trazer à colação”.

a. Dispensa da colação.
“O doador pode dispensar o donatário da colação, determinando que a
liberalidade saia de sua metade disponível, contanto que a doação não exceda o valor
da quota disponível, comutado o seu valor ao tempo da doação” (Gonçalves, p. 542).

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ART. 2005 – Contanto que não excedam a parte disponível (sua metade),
computada ao tempo da liberalidade (doação).
Deve ser expressa tal condição, em que pese inexistir forma sacramental.
Se a doação não exceder a parte disponível, não há que falar em colação. Se
exceder, o excesso deve ser colacionado. (Cf. LEITE, p. 770).

ART. 2006 - A dispensa da colação pode ser outorgada pelo doador em


testamento, ou no próprio título de liberalidade.
A dispensa deve constar da Escritura Pública (liberalidade); do testamento: deve
ser expressa e constar do próprio título.
ART. 2007 - São sujeitas à redução as doações em que se apurar o excesso... no
momento da liberalidade.
O caput do art tem redação mas técnica que a do Código de 16, determinado a
redução e na a colação (e metade disponível).
ART. 2008 – Determina que o herdeiro renunciante deve conferir as doações
recebidas, para buscar a igualdade das legítimas.
ART. 2010 - São excluídos da colação: gastos ordinários como: educação,
alimentos, vestuário, despesas com casamento e doença. “Havendo excesso... perdem
o caráter de ordinários e devem ser colacionados” (LEITE, p. 782).
ART. 2011 - As doações remuneratórias, também, denominadas sob encargo, não
constituem liberalidade, sendo desnecessária a colação.
ART. 2012 – Por ocasião do inventário de cada cônjuge se travará a colação.

10. Partilha
Terminado o inventário, partilham-se os bens entre os herdeiros e cessionários,
separando-se a meação do cônjuge sobrevivente. É a forma de terminar com a
comunhão dos bens, com o condomínio (salvo se não for possível dividir o bem –
quando deverá ficar em condomínio, sendo, apenas, definido o percentual de
propriedade de cada herdeiro sobre o bem).

Se houver apenas um herdeiro, providencia-se a adjudicação dos bens, pois não


haverá partilha dos bens, nem divisão, de forma que poderá haver o inventário

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simplificado.
Procedimento: ver arts. 647 a 658, CPC/2015

a. Legitimação para requerer a partilha:


ART. 2013 – interessados
a) Credores;
b) herdeiros;
c) cessionários;
d) legatários (reclamar o legado);
e) testamentários.;
f) “Qualquer herdeiro pode requerer”

b. Forma de partilha:
ART. 2014 – ART. 2015 –
a) Escritura Pública;
b) Termo nos autos do inventário;
c) Escrito particular homologado;

A partilha amigável pode ser formulada, tanto no inventário como no arrolamento.


a) Inter vivos: por escritura pública ou testamento.
b) Pos morten: no curso do inventário ou do arrolamento, na forma do art. 2015.

ART. 2016 – se houver divergência ou algum herdeiro for incapaz. Nestes casos,
a partilha judicial é obrigatória, sendo a divisão determinada pelo juiz, respeitando os
valores e proporcionalidade das quotas.

c. Plano de partilha:
Melhor critério: bom senso, equilíbrio, igualdade possível.
Sempre que os herdeiros divergirem as partes formularão ao juiz pedido de
quinhão e o juiz deliberará. Deverá ser apresentado o esboço da partilha que deverá
ser efetivada pelo juiz.
ART. 2017 – Igualdade possível: quanto à natureza, valor e qualidade.
Igualdade é equidade. Princípio fundamental da partilha.

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Neste caso, se o juiz tiver de decidir a partilha, normalmente optará pela mais
justa e equânime possível (provavelmente, dividir tudo entre todos).

d. Partilha em vida:
A partilha em vida é aquela feita pelo pai ou qualquer ascendente, via escritura
pública ou testamento, mas que não pode prejudicar a legítima dos herdeiros
necessários.
ART. 2018 – Partilha em vida: possibilidade de ser fazer a partilha em vida ou por
testamento, reservada a legítima dos herdeiros necessários.
ART. 2019: Divisão Cômoda: Venda Judicial: Divisão do valor apurado:
“Dos bens insuscetíveis de divisão cômoda”: bens que não o couberem na
meação do cônjuge (ou companheiro) ou no quinhão do herdeiro, serão vendidos
judicialmente.
a) venda judicial;
b) cessão de direitos;
c) partilha-se o valor apurado.
d) Parágrafo Primeiro: adjudicação a todos. Um, dois ou três podem requerer a
adjudicação (total das quotas). Não se fará a venda se os herdeiros requerem a
adjudicação.

Não pode prejudicar a legítima dos herdeiros.

ART. 2020 – divisão dos frutos percebidos é fundamental. Podem ser partilhados
em aditamento. Respondem por dano (dolo ou culpa) deram causa.
ART. 2021 – Bens litigiosos, remotos, liquidação morosa ou difícil: poderá ser feita
a partilha dos outros e, a sobrepartilha dos demais, “com o consentimento da maioria
dos herdeiros”.

Não há razão para sobrestar a partilha. “A partilha do líquido não se pode


demorar por causa do ilícito”.

e. Sobrepartilha:
ART. 2022 –

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a) Os bens sonegados ficam sujeitos a sobrepartilha;
b) quaisquer outros que se tiver ciência após a partilha.

Se a partilha foi feita com dolo ou outro vício de consentimento, cabe ação de
anulação e, não sobrepartilha.

Somente depois de recolhidos todos os impostos é que a partilha será


julgada e que será expedido o auto de partilha, para ser registrado no CRI.

11. Garantia dos quinhões

ART. 2023 – “Aberta a sucessão e instaurado o processo de inventário, os


herdeiros passam a ser condôminos do espólio” (LEITE, p. 814).

DATA DA ABERTURA DA SUCESSÃO < ÓBITO > UNIVERSABILIDADE >


INDIVISIBILIDADE < CONDOMINIO < INVENTÁRIO > TRANSITORIEDADE> <
PARTILHA > < DIVISÃO > QUINHÃO.

A partilha faz cessar a comunhão e a indivisibilidade. O inventário cria um período


de indivisão patrimonial. Do óbito ao trânsito em julgado da partilha (única forma de
transmissão dos direitos: Cessão de Direitos Hereditários) há indivisibilidade
(universalidade). A partilha não é atributiva de propriedade, mas declarativa.
Se algum dos herdeiros, for tolhido, após a partilha, do exercício (domínio ou
posse), tem o direito de ser indenizado pelos outros: é a garantia dos quinhões
hereditários.

Art. 2.024 – Evicção: parcial ou total. A garantia dos quinhões é devida sempre,
pouco importante se a partilha é amigável ou não. O evicto será indenizado pelos co-
herdeiros (2.026).

12. Anulação da partilha


O art. 2.027, CC prevê que o prazo para anular a partilha é de 1 ano.

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