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Vinhos de Portugal

E MBORA AINDA ensombrados pelo excelente e afamado

vinho do Porto, os vinhos de mesa

portugueses

merecem ser considerados. Depois de anos de

investimento na indústria, muitos dos vinhos tintos, como os vinhos do Douro (feitos com algumas das castas do vinho do Porto), ganharam fama. Os bons brancos existem em menor quantidade mas em muitas regiões. Há ainda o vinho verde do Norte, em geral branco, leve e com um pouco de

gás.

/ REGIÕES VINÍCOLAS

/ Muitas das regiões viní- colas portuguesas mantêm um estilo individualizado, especializando-se numa casta em particular. A introdução de modernas técnicas de elaboração melhorou a qualidade dos vinhos cm geral, mas o uso crescente de castas importadas ameaça a qualidade portuguesa.

LEGENDA

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Vinhos Verdes

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| Estremadura

Ribatejo

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Alentejo

C, A L

Roses, como o Mateus e o Lancers, têm sido os vinhos mais exportados, mas opaís tem muitos outros vinhos de mesa excelentes.

Vinhas de vinho verde, cm Lapela, Monção, no Minho

INTERPRETAR UM RÓTULO

Além de tinto, branco, seco e doce há outras informações essenciais, como o nome do produtor, a região e o ano. O vinho tem de conter pelo menos 80 por cento da casta indicada no rótulo da frente. Denominação de Origem Controlada (DOC) indica que o vinho foi elaborado de acordo com as mais restritas normas de uma região, mas isto não significa que seja de melhor qualidade do que um simplesmente chamado vinho regional. O rótulo de trás contém em geral informação acerca das castas e técnicas usadas.

Adega do Palace Hotel do Bucao

(pp- 210-11), famoso pelos vinhos tintos

A Sociedade Agrícola e Comercial dos Vinhos do Vale da Corça Lda produziu e engarrafou este vinho.

Este vinho é da região de. Douro e obedece às normas da DOC.

O nome deste vinho indica a região de origem.

Reserva significa que

o vinho foi provavel-

mente envelhecido em

cascos de carvalho e que

é de melhor qualidade

do que outros vinhos do mesmo produtor.

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O Vinho Verde da região do

Minho pode ser branco ou tinto, mas os tintos, secos e com algum gás, são em geral consumidos localmente. O típico vinho verde branco é seco, ligeiramente gasoso, com pouco álcool e bastante ácido. OAlvarinho é um tipo de vinho verde branco mais forte, produzido peno da fronteira. Soalheiro e Palácio da Brejoeira são das melhores marcas.

O Douro é mais conhecido pelo vinho do Porto, mas na maior parte dos anos cerca de metade do ho produzido éfermentado a .Mvo p( tm fazer um vinho de

nn'sd </iic está agora na ríinyjiíinld dos vinhos /'«/•///i|//r.sr.s ()/>i(ini'in> liíirca

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A região do Dão produz agora

alguns dos melhores vinhos de Portugal Pequenosprodutores como Quinta dos Roques. Quinta da Pellada e Quinta de

Cabriz, e a grande companhia

Sogrape produzem vinhos tintos frutadospara consumir mais

jovens, vinhos brancossecos e frescos, e vinhos tintos mais profundos e ricos que retêm o aroma da fruta com a idade.

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PORTUGA L

Bairraãa é uma região onde pre- domina a casta Baga

de uvaspequenas com casca fina. Produz vinhos com muito tanino, por vezes com um aroma a fumo ou pinho que precisam de tempo para amaciar opaladar. As técnicas modernas e o não cumprimento ocasional das normas regionaistiveram como resultado tintos mais acessíveis (classificados como Vinho Regional das Beiras) e brancos maisfrescos. Luís Pato e Caves Aliança são bons produtores.

/QUINTA DO CASAL N BRANCO

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Ribatejo é o valefértil do Tejo

para norte e a leste deLisboa. Depois da Estremadura é a maior regiãoprodutora de Portugal, em volume, mas o seu potencial para vinhos de qualidade só agora começou a evoluir. Tal como na Estremadura, o Vinho Regional é muitas vezes melhor do que os DOC. Procure Quinta da Alorna, Casa Branco e Fiúza and Bright.

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Estremadura é a zona

produtora de vinhos mais ocidental de Portugal e só recentemente se afirmou. Muitos produtores fazem agora Vinho Regional com carácter, os nomes mais conhecidos são DFJ, Casa Santos Lima, Quinta de Panças e Quinta do Monte d'Oiro. A DOC mais interessante é Alenquer. Bucelas, a sul, produz vinhos brancos cheios de carácter.

Setúbal, a sul de Lisboa, é conhecido pelo moscatel doce e fone, Moscatel de Setúbal. Esta região também produz um excelente vinho de mesa,prin- cipalmente tinto. Dois grandes produtores de qualidade domi- nam: José Maria da Fonseca

(p. 167) eJ. P. Vinhos. A Adega

Cooperativa de Santo Isidro de Pegões produz vinhos de qualidade. Outrosprodutores HHIÍS />e(fnt'iios incluem \ ciHiiicio (,'<>sta Lima, Hero do <.í/.s/í////íc// i (> c i'.i'»idinda Freitas.

O Alentejo foi

^B provavelmente

a região que mais evoluiu na qualidade nos últimos anos. Há muito libertada da fama de produtor de tintos levespara restaurantes, esta regiãoproduz agora alguns dos mais sérios vinhos tintos de Portugal e um grande número de brancos excelentes. Entre os melhoresprodutores estão:

Herdade do Esporão, Herdade dos Coelheiros, Cortes de Cima e João Portugal Ramos.

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A História do Vinho do Porto

A -DHSCOBER1A" DO VINHO DO PORTO data do século XVII, quando mercadores britânicos adicionaram brandy ao vinho da região a norte do Douro para evitar que ele azedasse. Descobriram que quanto mais forte e mais doce fosse o vinho, melhor era o sabor que adquiria. A empresa Croft foi das primeiras a exportar vinho do Porto, seguida por outras empresas inglesas e escocesas. Apesar da consolidação da indústria global de bebidas, muitos dos comerciantes do

, vinho do Porto ainda são britânicos, e algumas cias empresas de gestão familiar.

Peso da

Barco rabelo a transporá vinh o 110 rio Dour o (p. -Mfí)

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; A REGIÃO DO VINH O DO PORT O

/ O vinho provém apenas de

la Real/

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ví°''"" Llm a re 8®o demarcada do vale 1

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^--''Ao Douro que se estende por l (X)

 

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até à fronteira espanhola. Régua e Pi

 

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são os principais centros de produção,

 

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muitas das melhores vinhasficam nas

quintas das zonas mais a leste (pp.

252-3)

TIPOS DE VINHO DO PORTO

Há duas grandes categorias. O vinho envelhecido na garrafa, de cor mais profunda, desenvolve-sí depois de engarrafado. O que é envelhecido em cascos está pronto a beber quando engarrafado. O Ruby e o Tawny jovem são mais simples, enquanto o Porto Branco tem a sua própria categoria.

Vintage

O Vintage, o melhor dos vinhos de um produtor, é feito com vinhos todos da mesma colheita, e das melhores vinhas. É misturado e engarrafado depois de passar dois anos em casco e pode então envelhecer durante muito tempo

na garrafa.
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ÍAHAM'5

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O Tawny Velho é uma mistura de vinhos de qualidade superior

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Tawny Velho

envelhecidos em cascos durante muito tempo. A idade no rótulo não é exacta, mas quanto

mais velho, mais pálido, mais

delicado, menosfnttado e mais caro será o vinho.

i^sfeèi* 1 * Ruby

O Ruby é de um tinto profundo e deve ter um

aroma frutado muito vivo. É envelhecido por dois ou três anos, em casco ou não. É menos

.

complexo e do que o Vintage, mas muito mais barato.

do que o LBV também é

LBV

DOWS

PORT

Bottled Vinlajít' vinho de um .v<j ano engarrafada

a

6 anos depois d

colheita. O U3V filtrado nàopw de ser decantado, mas pode ter menos aroma do que o

"tradicional", não filtrado.

O Tawny sn

indicação! idade pod ter estado casco o tciiif suficiente para desenvolver todo d aroma do Tawny Velho; é um rinl leve e bastante económico. Pod\

COCKBURNH

Tawny

uma mistura de vinho do Porto \ branco com tinto.

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«à IH p Com vista a

VINTAGE

VINHO DO PORTO

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manterem alto o nível de qualidade - e para não saturarem o mer-

ko É FEITO o VINHO DOPORTO

• agrícola do Douro atinge o seu auge no fim de Setembro

H b se fazem as vindimas. Mais de 40 variedades de castas

são usadas para fazer vinho do Porto, mas as recomendadas são apenas cinco.

ttnho pisado em lagares é Característica das quintas tradicionais. Há quem • (jue o método lhe dá qualidade especial.

Afermentação em lagares

de

método mais comum.

O dióxido de carbono

pedra ou cimento é o

acumula-se nos lagares e força o mosto a subir por um

tubo. Ogás é libertado e o

mosto volta a descer, num processo semelhante ã pisa.

cado - os produtores de vinho do Porto nào "declaram" um vintage todos os anos. Todos os anos, os vinhos das melhores vinhas são observados atentamente durante 18 meses, consultam-se outros produtores e só depois se toma a decisão.

Se não for declarado vintage °

vinho fica a envelhecer no casco para mais tarde ser misturado num Tawny ou num LBV, ou é engarrafado como vinho do Porto do produtor. Em média, os produtores declaram um vintage três vezes numa década, embora os anos possam não coincidir. Um bom vintage só se revela depois de maturar no mínimo 15 anos na garrafa, embora a maior parte das pessoas nào tenha paciência para esperar tanto; há até uma nova tendência para beber vintage jovem. O processo natural de

envelhecimento de um porto vintage tem como resultado

uma lista crescente de vintages

óptimos. A maior parte dos conhecedores concorda que

o melhor vintage jamais

produzido foi o de 1963.

Vintages de antes da Guerra:

1927,

1931, 1935:

No processo de

fortificação,

Todos muito raros e muito

o

mostosemifermentado é

bons

Milhares de garrafas

/•MÍ/IJ vintage de 1977, um i/"\ melhores anos, aguardam tthilttraçâo nas caves de Vila •lê Gaia.

de

passado para um segundo depósito onde lhe é adicionado álcool vínico, o que detém a fermentação e conserva o vinho doce com os açúcares naturais das uvas.

O Tawny de qualidade matura em cascos de carvalho nas Caves do vinho do Porto.

Uma vez engarrafados,

estão

prontospara serem bebidos.

Vintages de após a Guerra:

1945,

1947,1948, 1955:

Só para os muito ricos e com imensa sorte.

1963

Talvez o melhor vintage do pós-guerra.

1970

A sua reputação tem subido e está agora a par

do de 1963.

1994

Um óptimo vintage, em particular das caves Dow, Taylor e Quinta do Noval.

1997

Outro óptimo vintage

2000

Um ano muito promissor

Vintage Taylor de 1994

MADEIR A

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Vinho da Madeira

SÉCULO XVI, os navios

que paravam no Funchal

carregavam barris do vinho local. Como o vinho da Madeira não fortificado se estragava começaram a acrescentar- -Ihe álcool para o melho- rarem. Parecia melhorar

depois de uma longa e quente viagem; o vinho de qualidade foi então enviado em viagens de ida e volta em alternativa ao amadurecimento no Funchal. Este método dispendioso foi substituído pelo sistema de estufa, ainda em vigor. O vinho é aquecido entre 30°

N o

Garrafa

empalhada

Os

QUATRO TIPOS DE MADEIRA

e 50° C durante um período de três meses a um ano. O efeito é apressar o envelhecimento: os melhores vinhos são "cozinhados" mais lentamente. Os melhores vinhos da Madeira são aque- cidos pelo sol e depois amadu- recem lentamente nas adegas.| A principal varieckide de uva usada para o vinho da Madeira é a Tinta Negra Mole, muitas vezes misturada com uma das quatro variedades indicadas

abaixo.

Fabrico de barris, Funchal

O Sercial é feito com uvas bran- cas cultivadas a cerca de 100 m de altitude. O bom Sercial envelhece pelo menos dez anos e adquire a cor do âmbar. Sendo um vinho seco, è bebido mais como aperitivo ou com sopa, e deve ser servido meio fresco.

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Asuvav do

Boal)

crescem cm locais quentes e de baixa altitude. É um vinho escuro, rico e meío-doce. É um excelente acompanhamento para queijos e sobremesas e é melhor à temperatura ambiente.

Bualfou

As uvas do Verdelho são cultivadas, a uma altitude menor do que as do Sercial. Este tawny meio-seco também se bebe como aperitivo.Mais doce do que o Sercial, vai bem com umafatia de bolo da Madeira (inventado pelos Ingleses para este fim).

OMalmsey, o maisfamoso madeira, efeito uvas Malvasia d vinhas soalheira junto a falésias, onde o calor absorvido durante o dia pelas rochas aquece os cachos à noite. Daí resulta um vinho muito escuro, que se bebe como digestivo, após o jantar.

Os barris das Adegas de São Francisco (p. 347), onde aquecem o vinho, precisam de muitas repara- ções, tal como os pavimentos de madeira que lhessuportam opeso.

Os cascos de Verdelho são envelhecidos depois da adição de brande ao vinho. Um vintage tem de passar pelo menos 20 anos no barril e dois na garrafa.

O Madeira víntage de cada década até meio do século XIX ainda está à venda. A garrafa do madeira mais antigo data de ^ 772.