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6o Congresso de Iniciação Científica e Tecnológica do IFSP - CINTEC

10 a 12 de Novembro de 2015, Itapetininga, São Paulo.

A IMPORTÂNCIA DE PARQUES DE CIÊNCIA LONGE DE GRANDES


CENTROS
Carla Nayelli Terra Silva, carla.nayelli@gmail.com
Jonny Nelson Teixeira, jonny@if.usp.br
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – Campus Itapetininga

RESUMO. Este artigo mostra o quão importante é a aprendizagem obtida através dos Parques de Ciência. Através de
meios de aprendizagem lúdica e dinâmica aguçamos diversas características nas pessoas, como por exemplo a
curiosidade, a busca pela informação. Também é exposta a importância dos locais de divulgação científica e
popularização da Ciência em lugares afastados como cidades do interior, pois o público a ser atingido com essa
proposta é um público excluído desse conhecimento, e tendo em vista a importância e a contribuição que isso traz para
a aprendizagem das pessoas, inclusive das quais não tem contato com a rotina das escolas, os benefícios são
imensuráveis para a comunidade onde os Parques de Ciência poderão ser inseridos. Mostramos também uma
experiência na cidade de Itapetininga, interior de São Paulo, que com a ajuda da Prefeitura Municipal, pôde-se montar
o Parque do Conhecimento Científico de Itapetininga, utilizado no Dia da Física, onde tivemos a experiência de
mostrar experimentos para pessoas que nunca tinham tido contato com tal vivência.

Palavras-chave: Parque de Ciência. Divulgação Científica. Física. Educação.

1. INTRODUÇÃO

Os primeiros Centros de Ciência atuais surgiram no Brasil na década de 80 (Constantin, 2001), e tem o objetivo de
disponibilizar para a população em geral e para o ensino de ciência elementos que possibilitam a visualização de alguns
fenômenos ou conteúdos na área de ciência.
Através de Parques, Centros ou Museus de Ciência, pode se obter interações, vivências e formas lúdicas de
aprendizagem que não são possíveis oferecer nas escolas e salas de aula, por dependerem de equipamentos que na
imensa maioria das vezes essas instituições não conseguem obter, e ainda é possível despertar a curiosidade e a busca
do conhecimento individual dos alunos, e público visitante.
O principal contato que as pessoas têm com esses locais, é feito através das escolas, até porque os principais museus
e parques de ciência se encontram em grandes centros. Com isso, a dificuldade de locomoção para a visita dos mesmos,
é grande.
A vivência nos parques de ciência não é só importante para adolescentes ou adultos, mas tem como público
principal as crianças, cuja curiosidade pode ser aguçada de formas diversas, principalmente com as interações do tipo
hands on e, no caso da mediação neste local especificamente, acontecem interações do tipo minds on (Paváo e Leitão,
2007), com questionamentos e apresentações de situações-problema, culminando num possível levantamento e teste de
hipóteses.
O objetivo principal desse trabalho é discutir a importância que os centros e museus de Ciências têm na promoção
da alfabetização, letramento e cultura científica das populações em geral, além da importância em se instalar espaços
desse tipo em locais longe dos grandes centros, com o intuito de proporcionalizar à parte mais vulnerável socialmente
da população acesso irrestrito ao conhecimento científico de forma lúdica e surpreendente.

2. PARQUES DE CIÊNCIA: INCLUSÃO SÓCIO-CIENTÍFICA EM COMUNIDADES AFASTADAS DE


GRANDES CENTROS.

É direito de toda pessoa participar da vida cultural, do processo científico e de seus benefícios, de sua comunidade
(Matos, 2002).
Possibilitando o acesso a lugares de divulgação científica e popularização de Ciência perto de suas residências, a
visitação do público pode ser mais frequente, uma vez que o acesso a estes espaços é difícil devido à sua distância.

(...) a experiência educativa dos museus é única. Não é melhor nem pior que a da escola ou de outro
espaço educativo qualquer, mas seria aconselhável que todos tivessem o direito de vivenciá-la. Por
meio delas é possível, entre outras coisas, ampliar o repertório de vivências e experiência sociais,
6o Congresso de Iniciação Científica e Tecnológica do IFSP - CINTEC
10 a 12 de Novembro de 2015, Itapetininga, São Paulo.

estéticas, sensoriais, de contato com informações, com conteúdos e conceitos, com visões de mundo.
(MARANDINO, 2012)

Propõe-se aqui que as atividades dos Parques de Ciência em geral sejam de cunho social, pois o papel a ser exercido
neste local é o de divulgação da ciência. Com um maior número de espaços destinados a esse fim, é possível levar a
ciência a pessoas excluídas deste acesso.

Promover a divulgação científica sem cair no reducionismo e banalização dos conteúdos científicos e
tecnológicos, gerando uma cultura científica que capacite os cidadãos a discursarem livremente sobre
ciências, com o mínimo de noção sobre os processos e implicações da ciência no cotidiano das
pessoas, certamente é um desafio e uma atitude de responsabilidade social. (JACOBUCCI, 2006)

O público alvo dos espaços de divulgação científica é enorme, indo desde a criança, até os grupos específicos como
grupo de professores ou até mesmo da população geral, normalmente leiga em muitos dos assuntos da Ciência
(Crestana, 1998).
Outro ponto a se destacar é que as escolas da rede pública podem trabalhar em conjunto com os parques de ciência,
podendo através deles proporcionar um aprendizado, levando em conta o significado de ciência como sendo um
conjunto de conhecimento organizado, estruturado, com base teórica e com rigor metodológico, ou seja, através da
hipótese, experimentação, dedução, e conhecimento teórico, é possível estruturar um pensamento como sendo
científico, e com isso, os Parques de Ciência são de extrema importância para a formação de crianças e adolescentes no
ensino básico, com o objetivo de estimular os alunos para a prática científica.
Com Centros de Ciência acessíveis as regiões mais distantes, através de um trabalho de divulgação, é possível
familiarizar as pessoas da comunidade com a ciência, independente de sua condição de vulnerabilidade social.

3. PARQUE DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO DE ITAPETININGA

O Instituto Federal de Ciência, Educação e Tecnologia de São Paulo – Campus Itapetininga, oferece um único curso
superior: Licenciatura em Física. Em uma parceria entre a Prefeitura Municipal e o Instituto, foi possível montar o
Parque do Conhecimento Científico de Itapetininga, onde a Prefeitura Municipal fez a doação dos experimentos, e o
Instituto Federal disponibilizou o espaço do Campus, a mão de obra de monitores (alunos do curso Licenciatura em
Física) e da manutenção dos equipamentos.
O Parque de Ciência de Itapetininga conta com experimentos surpreendentes como Gerador de Van der Graaff,
Bobina de Tesla, Cadeira Giratória, Cama de Pregos, entre muitos outros experimentos adquiridos pela Prefeitura, e
tantos outros confeccionados por alunos do Campus. A inserção dos experimentos surpreendentes impactam na
observação e na motivação intrínseca dos visitantes, já que eles provavelmente nunca tiveram acesso a estes tipos de
equipamentos, a não ser pela internet (Teixeira, 2014).
O espaço foi separado por áreas, organizado até o momento as áreas de: Eletromagnetismo, Astronomia, Mecânica,
Mecânica dos Fluídos, Óptica, Ondulatória. Com essa separação é possível enfocar os diversos temas, e separá-los,
sendo possível mostrarmos ao público o que pertence a cada área.

Um museu de ciências precisa estruturar suas atividades de forma que o público possa se interessar
pelos assuntos tratados logo na primeira visita, uma vez que não há como prever quando os visitantes
retornarão ao espaço. Nesse sentido, vários recursos, técnicas e estratégias expositivas nos centros e
museus de ciências têm transformado a relação entre o objeto exposto e o visitante em uma interação
dinâmica, que envolve a participação ativa do público. (JACOBUCCI, 2014.)

Através do Parque do Conhecimento em Itapetininga, busca-se apresentar ao público a ciência, possibilitando a


compreensão dos fenômenos físicos de uma forma descontraída e dinâmica, e através de demonstrações com os
experimentos é possível mostrar que muitos fenômenos são fáceis de ser aprendidos e contextualizados, até mesmo sem
o conhecimento prévio sobre o assunto. Através do empirismo, é possível ter a base necessária para a compreensão do
conteúdo ilustrado.

4. O DIA DA FÍSICA NO CAMPUS

O Dia da Física foi realizado no Campus Itapetininga, onde o Parque do Conhecimento Científico foi aberto ao
público tanto para divulgação científica, como para divulgação do curso de Licenciatura em Física, pois, apesar de
oferecido desde 2010, poucas pessoas tem o conhecimento do curso na cidade, ou na região.
O movimento de pessoas da comunidade dentro da universidade é extremamente escasso. Esta ação, portanto,
ajudou a divulgar o campus e popularizar o trabalho que o Instituto Federal vem efetuando na cidade. Além dos
experimentos do Parque de Ciência, foi apresentada uma palestra sobre o curso, observação astronômica com
telescópios do Campus, oficinas e atividades de integração com os visitantes.
6o Congresso de Iniciação Científica e Tecnológica do IFSP - CINTEC
10 a 12 de Novembro de 2015, Itapetininga, São Paulo.

Houve movimentação de diversas pessoas, das mais variadas faixas etárias, e para que pudéssemos ter um feedback
sobre a importância do parque para a comunidade, foi aplicado um questionário para os visitantes contendo 5 perguntas,
sendo elas: 1- Idade?; 2- Você já tinha algum contato anterior com experimentos científicos?; 3- Quais experimentos
mostrados aqui no IFSP chamaram mais sua atenção?; 4- Esta visita ao IFSP contribuiu para você?; 5- Você gostaria de
visitar outras exposições do mesmo tipo?
Depois de respondidos os questionários, separamos por faixas etárias para melhor compreensão dos dados. Os
grupos etários são; Grupo A: 0 a 10 anos, Grupo B: 11 a 20 anos, Grupo C: 21 a 30 anos e Grupo D: acima de 30 anos.

Tabela 1. Dados do Questionário

Grupo A Grupo B Grupo C Grupo D


Sim Não Sim Não Sim Não Sim Não
Questão 2 57% 43% 77% 23% 67% 33% 62% 38%
Questão 4 100% 0% 100% 0% 100% 0% 100% 0%
Questão 5 100% 0% 100% 0% 100% 0% 100% 0%

Como o objetivo desse trabalho é obter dados sobre a importância de parques de Ciência, delimitamos a pesquisa a
somente as questões 2, 4 e 5 para melhor analisarmos a contribuição que esses espaços oferecem a comunidade.
Após a análise dos dados a pesquisa mostrou na questão 2 que nem todos já haviam tido contato com experimentos
científicos, isso pode ser entendido pelo fato de que não havia espaços de divulgação científica na região.
Seguindo para a questão 4 e 5 observamos um total de 100% em todos os grupos, demonstrando uma aceitação
unânime da comunidade aos parques de ciência.
Nota-se com o resultado do questionário aplicado no “Dia da Física” uma confirmação da pesquisa bibliográfica
feita anterior ao evento. Mostrando visivelmente a aceitação do público a espaços destinados a divulgação científica e
popularização da ciência, os quais contribuem na construção do conhecimento.

5. CONCLUSÃO

O investimento em educação não se resume simplesmente investir em prédios, carteiras e livros, mas também
proporcionar ambientes educativos e ao mesmo tempo dinâmicos, lúdicos e surpreendentes sobre ciência,
principalmente para um público geral que tem pouco acesso a este tipo de serviço. Através desses espaços despertamos
o interesse pela área em diversos tipos de público.
Além de mostrar o quanto a ciência é interessante, através dos Parques de Ciência pode-se mostrar também que a
descoberta das coisas é instigante, podendo através disso alfabetizar cientificamente e potencializar a cultura científica
no Brasil.
Apesar do número de espaços de divulgação científica estar aumentando nos últimos anos, vemos que ainda é muito
pouco e mal distribuído. Sendo que dependendo da região, a quantidade de local para esse fim é insuficiente (Jacobucci,
2006).
Levando em consideração a quantidade de benefícios que os parques de ciência proporcionam para a educação, o
investimento na criação de mais espaços seria indiscutivelmente benéfico para a cultura científica do nosso país, mais
necessária a cada dia. Com isso, o apoio de colaboradores que investem recursos, como aconteceu a parceria no
Instituto Federal em Itapetininga, ajuda a aumentar a popularização da ciência em comunidades afastadas das capitais e
dos grandes centros populacionais.
Quanto mais pessoas beneficiadas por essa e outras iniciativas, há maior probabilidade do desenvolvimento
científico, tecnológico, econômico e social do país ser ampliado.

6. REFERÊNCIAS

CONSTANTIN, A. C. C. Museus Interativos de Ciências: Espaços complementares de Educação? In Interciência, vol.


26, nº 5, p. 195-200, 2001.

CRESTANA, Silvério; CASTRO, Miriam Goldman de; PEREIRA, Gilson R. de M. (Org.). Centros e Museus de
Ciência: visões e experiências. São Paulo: Saraiva, 1998.

JACOBUCCI, Daniela Franco Carvalho. A FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES EM CENTROS E


MUSEUS DE CIÊNCIAS NO BRASIL. 2006. 302 f. Tese (Doutorado) – Universidade Estadual de Campinas,
Campinas, 2006.
6o Congresso de Iniciação Científica e Tecnológica do IFSP - CINTEC
10 a 12 de Novembro de 2015, Itapetininga, São Paulo.

JACOBUCCI, Daniela Franco Carvalho. OS MUSEUS DE CIÊNCIA, AS MÍDIAS E O ENRIQUECIMENTO DO


SER. 2012. Disponível em: http://textosrodas2012.wordpress.com/2012/10/16/daniela-fanco-carvalho-jacobucci/.
Acesso em: 20 jun. 2014.

MARANDINO, Martha. Educação em museus e divulgação científica. Disponível em:


http://www.comciencia.br/comciencia/handler.php?section=8&edicao=37&id=441. Acesso em 18 jun. 2014.
MATOS, Cauê (Org.). Ciência e Inclusão Social. São Paulo: Terceira Margem, 2002. 212 p.

MATOS, Cauê (Org.). Ciência e Inclusão Social. São Paulo: Terceira Margem, 2002. 212 p.

PAVÃO, A.C. LEITÃO, A. Hands-on? Minds-on? Hearts-on? Social-on? Explainers-on! In Diálogos & Ciência:
Mediação em Museus e Centros de Ciência. Núcleo de Estudos de Divulgação Científica. Rio de Janeiro, RJ. 2007.

TEIXEIRA, J. N. Experimentos surpreendentes e sua importância na promoção da Motivação intrínseca do visitante


em uma ação de divulgação científica: Um olhar a partir da Teoria da Autodeterminação. Tese de Doutorando.
Instituto de Física da Universidade de São Paulo, 2014.