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Neuropsicologia Hoje

Chapter · January 2004


DOI: 10.13140/RG.2.1.1759.9529

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Neuropsicologia Hoje
Vivian M. Andrade
Flávia H. Dos Santos

PSICOLOGIA COGNITIVA
Os constructos responsáveis pela fundamentação teórica da neuropsicologia
foram em grande parte constituídos a partir da convergência de algumas ciências: medicina
(neurologia e neuroanatomia), fisiologia e neuroquímica – disciplinas estas freqüentemente
citadas em parágrafos introdutórios acerca dos primórdios da neuropsicologia. Contudo,
outra disciplina viria juntar-se a estas, a psicologia. Após ter transcendido às suas origens
filosóficas, a psicologia, então puramente comportamental, foi reconhecida como ciência, e
aos poucos, estabeleceu novos ramos de estudo. Em meados do século XX, as pesquisas
em psicologia solidificavam-se na área da percepção, fisiologia e cognição, sem, contudo
deixar de sofrer certa influência das antigas raízes filosóficas. O funcionalismo, por
exemplo, havia colocado os processos de pensamento em foco, enquanto o pragmatismo de
William James, a aprendizagem e a memória; e os princípios associacionistas de Hermann
Ebbinghaus, tinham sido essenciais para consolidar a sistematização experimental1.
Skinner, um dos mais famosos psicólogos comportamentais, não havia inserido
estruturas ou processos internos para explicar o comportamento. Pelo contrário, enfatizava
as relações estabelecidas com o meio ambiente e a utilização do paradigma “estímulo-
resposta” (importante para a explanação de uma série de processos psicológicos). As
lacunas deixadas provocavam insatisfação, mas também o espaço para novas idéias. Novas
teorias passaram a levar em conta a possível mediação cerebral para o comportamento, bem
como a existência de células e fibras nervosas interagindo entre si e formando redes
complexas.

1
Ebbinghaus demonstrou em seu trabalho a importância da repetição para a aprendizagem e para a memória
declarativa, a partir do auto-estudo sistematizado.

1
Embora nesta época a compreensão destes fenômenos fosse difícil e limitada,
estes grupos mostravam-se cada vez mais engajados na busca de respostas. Parte dos
psicólogos encaminharam suas pesquisas para a psicologia da forma, Gestalt salientando a
percepção; parte incrementaram a psicologia fisiológica2; outros passaram a utilizar
metáforas e modelos de caixas – “boxologia” para explicar o funcionamento cognitivo,
solidificando, mais tarde, a chamada psicologia cognitiva.
O funcionamento do computador e o uso de terminologia relacionada à
informática (processamento de informação, codificação, decodificação, entre outros)
levaram ao uso de analogias para a compreensão do cérebro. Modelos de atenção e de
memória de curto prazo, respectivamente apresentados por Broadbent (1958) e Atkinson &
Shiffrin (1968), exemplificam as tendências mencionadas. A psicologia cognitiva passou a
ser definida como um ramo da psicologia que busca explicar cientificamente o
processamento da atenção, a aprendizagem, a memória, a visão, a linguagem, o
pensamento, entre outras funções complexas. Enquanto a neuropsicologia, a princípio, se
ocupava da localização do substrato anatômico destas funções cognitivas, a partir do
desempenho observado em indivíduos acometidos por danos cerebrais.

NEUROPSICOLOGIA COGNITIVA E NEUROCIÊNCIAS


Até por volta de 1970 a psicologia cognitiva não tinha ainda um entrosamento
com a neuropsicologia, continuava utilizando modelos computacionais para explicar o
processamento de informações cognitivas (incluindo percepção e controle motor), embora
com premente necessidade de ampliar sua metodologia em virtude do tempo cada vez
maior para tanger novas respostas. Além disso, estava exposta tanto ao reconhecimento de
seu corpo teórico, quanto as críticas por causa da “boxologia” e ausência de um modelo
humano. Não tardou para a psicologia cognitiva ser levada a unir seu modelo

2
Hebb (1949) sugeriu a existência de dois mecanismos neurofisiológicos subjacentes à aprendizagem, os
quais originaram os conceitos de assembléias de células e de seqüência de fases.

2
computacional a investigação da organização funcional das habilidades cognitivas, por
meio de elaboração de testes em indivíduos normais, no entanto sem um caráter clínico.
Talvez por ser o resultado da convergência de várias ciências, a neuropsicologia
tardou em oferecer formação direcionada aos profissionais interessados, bem como em
reunir e organizar um corpo teórico específico3. Aliás, a construção de conceitos
imprescindíveis a prática clínica foi enriquecida a partir do desenvolvimento de pesquisas
científicas - por exemplo, agregando questões relacionadas às dissociações observadas
entre pacientes com lesões cerebrais distintas - e também a partir da construção de testes
neuropsicológicos voltados à investigação de pacientes com acometimentos múltiplos ou de
pessoas provenientes de diferentes culturas. Seguindo o pressuposto de que, processos
psicológicos podem ser investigados por exames não-invasivos, pelos procedimentos
padronizados e normatizados, capazes de descrever, com certa fidedignidade, como as
habilidades mentais se comportam após algum tipo de lesão cerebral; ou mesmo
assessorando estudos comparativos trans-culturais.
Por outro lado, ao longo dos anos, a neuropsicologia esteve estruturada sobre o
estudo de casos únicos (Leborgne de Broca; HM de Scoville e Milner), dependente de uma
observação cuidadosa do comportamento exibido pelo paciente; e, muitas vezes, guiada
pelas estruturas provenientes da psicologia cognitiva.
Nos anos 80, tornou-se insustentável que neuropsicologia e psicologia cognitiva
se mantivessem distantes e alheias. O encontro entre as áreas proporcionou que se abrisse
um canal de comunicação que beneficiasse a todos, em decorrência deste surgiram eventos,
publicações e pesquisas em conjunto. Desde então, a parceria denominada Neuropsicologia
Cognitiva tem incrementado a demanda de produções a partir das trocas de informações,
material teórico e experiência clínica. Sem perder o perfil tradicional, a neuropsicologia
mantém-se estudando a localização e organização funcional, bem como a ação dinâmica de

3
Um dos cursos pioneiros ocorreu nos Estados Unidos, em 1973, a partir da união de Reitan (psicólogo
fisiologista), Benton (psicólogo clínico) e Geschwind (neurologista).

3
seus componentes; e a psicologia cognitiva, mais do que o nível de análise teórica ganhou
maior clareza e agilidade na comprovação de suas hipóteses.
As neurociências englobam: o estudo da neuroanatomia; neurofisiologia;
neuroquímica e as ciências do comportamento (psicofísica, psicologia cognitiva,
antropologia, e lingüística). Estas áreas de estudo tiveram o maior período de isolamento
entre si até por volta de 1970 (Kandel, Schwartz, Jessel, 2000). Atualmente, poucas
mudanças ocorreram em termos de objetos de estudo, contudo, os neurocientistas têm
atuado de forma mais sincronizada e harmoniosa, “monitorando” os resultados entre si.
Esta mudança de atitude tem gerado rapidez e aumento do conhecimento sobre o cérebro e
do controle que ele exerce sobre o comportamento (Beatty, 1995). A formação de grupos
interdisciplinares parece ser uma tendência viável para a ciência do novo milênio.
No livro Neuropsychology the neural basis of cognitive function (1992) foram
discutidos temas acerca funções cognitivas e suas desordens, sobre plasticidade neuronal,
os avanços da bioquímica, o desenvolvimento de novas drogas; a ação de
neurotransmissores, além de técnicas de neuroimagem. Esta estruturação ilustra que a
neuropsicologia tem colaborado amplamente para a evolução efetiva das neurociências, na
medida em que instrumentaliza outras áreas de investigação.

NEUROPSICOLOGIA HOJE
O livro Neuropsicologia Hoje buscou resgatar aspectos históricos, teóricos e
práticos acerca da neuropsicologia, tendo como uma das principais preocupações,
apresentar estudos realizados por profissionais que representem centros de excelência
voltados para o avanço das neurociências, no Brasil e no exterior.
Com o objetivo de ressaltar semelhanças e diferenças entre áreas afins, aspectos
teóricos e históricos da neuropsicologia são tratados nos capítulos: “Aspectos
instrumentais e metodológicos da avaliação psicológica” e no presente capítulo

4
“Neuropsicologia hoje”. O livro dedica capítulos para algumas funções cognitivas
específicas:

Linguagem
Dos relatos sobre a afasia na Grécia Antiga até a compreensão de como se
explicam e comprovam que determinadas áreas cerebrais estão de fato relacionadas com a
fala, muito tempo se passou e um grande número de pesquisadores esteve envolvido.
Médicos franceses e alemães como Bouillaud, Marc Dax, Paul Broca e Carl Wernicke
tiveram uma participação decisiva sobre o conceito de afasia, a classificação de seus
diferentes tipos e o estudo das regiões cerebrais envolvidas. O capítulo “Neuropsicologia
da Linguagem” traz outros aspectos sobre esse assunto, além do histórico, aborda achados
da neuroimagem, quadro com principais baterias de testes para avaliação desta função e
temas afins.

Memória
Mesmo tendo seu trabalho prejudicado pelas parcas possibilidades da época, o
psicólogo Karl Spencer Lashley4 passou muitos anos buscando localizar respostas motoras
específicas, a partir de lesões no cérebro de animais. De maneira frustrante, as centenas de
experimentos não foram capazes de evidenciar a existência de locais específicos para
memórias específicas (por exemplo, memória para hábitos). No entanto, seus esforços
estimularam e abriram espaço para outros pesquisadores com objetivos similares: o estudo
da neuroanatomia da memória, o aperfeiçoamento dos procedimentos e técnicas em animais
de laboratório, entre outros. Menos de uma década se passou até que o estudo de caso do
paciente HM – fim de 1950 revelasse muito sobre o modo como esta função depende do

4
Lashley, foi aluno de Watson, importante psicólogo comportamental, no entanto, demonstrou em seus
estudos uma posição divergente, posto que, foi uma figura fundamental para a psicologia cognitiva.
5Penfield, nas décadas de 50 e 60, estimulou eletricamente diversas áreas do córtex cerebral de pacientes
epilépticos na tentativa de localizar o foco epiléptico. Seu trabalho serviu para mapear as áreas motora e
sensorial, e demonstrar que as memória de longo prazo pode ser permanente.

5
funcionamento eficiente de determinadas estruturas, tornando o hipocampo essencial para a
compreensão do funcionamento de alguns tipos de memória. Os esforços de
neurocirurgiões como Penfield5 e Scoville e da psicóloga Brenda Milner resultaram em um
novo marco para a evolução dos conceitos cerebrais. Os capítulos “Memória e Amnésia” e
“Epilepsia” tratam exclusivamente destes assuntos, além dos fatos históricos, alterações e
tipos de memória, trazem aspectos de neuroimagem e avaliação neuropsicológica do
paciente epiléptico.
As modificações da memória de acordo com a idade do indivíduo também são
amplamente estudadas nos seguintes capítulos: “Envelhecimento e memória”, redigido de
forma clara, e ilustrada com exemplos do cotidiano, discute o que é esperado com o passar
dos anos em relação às funções mnemônicas; e “Memória operacional e estratégias de
memória na infância,” que aborda conceitos do desenvolvimento humano, estruturas
cerebrais envolvidas, testes para avaliar cada componente da memória operacional, bem
como as estratégias de memorização utilizadas pela criança, conforme sua idade.

Intelecto
As teorias e técnicas provenientes da escola russa e seus expressivos
interlocutores, tais como Vygotsky, Luria e seus colaboradores - também se mostraram
fundamentais para a consolidação da neuropsicologia no meio científico. Passaram-se anos
até que a avaliação psicométrica desse lugar a uma avaliação que abordasse também os
aspectos qualitativos (por exemplo, o estudo da influência dos fatores socioculturais sobre o
desempenho do paciente; e a análise dos erros6). A literatura proveniente dos achados de
Luria possibilitou ainda o refinamento da noção de rede, “o cérebro agindo em concerto,
dinamicamente,” em contraposição às idéias de um localizacionismo mais estanque.

6
Estratégia para compreensão dos mecanismos de execução envolvidos na resposta, os quais podem revelam
o processamento da informação.

6
As unidades funcionais de Luria são abordadas no capítulo: “Inteligência: um
conceito amplo”, o qual retoma os mais variados conceitos de inteligência, por exemplo,
de Piaget, Gardner, Wechsler; discute de forma crítica o conceito de Quociente Intelectual
(QI) e algumas baterias que avaliam inteligência. O capítulo “Bases estruturais do sistema
nervoso” cita também a organização cortical proposta por Luria; mas trata especificamente
da organização e das porções que constituem o sistema nervoso de forma didática e
ricamente ilustrada.
O capítulo “Atenção” traz um visão crítica dos múltiplos conceitos, teorias e
modelos relacionados a esta função; e ainda, sua interação com outras funções cognitivas
como a memória operacional. Descreve também a neurobiologia da atenção, testes
comportamentais e os paradigmas mas utilizados.
Atualmente muitos pesquisadores têm se interessado pela investigação do
córtex pré-frontal, o qual estaria relacionado a habilidades como planejamento, solução de
problemas, memória operacional, entre outras. O capítulo “Funções Executivas” descreve
a organização dos lobos frontais, ressaltando as síndromes e prejuízos decorrentes de lesões
em regiões epecíficas. Conceitos teóricos, aspectos comportamentais e neuroquímicos são
mencionados, bem como avaliação e reabilitação neuropsicológica em síndromes
disexecutivas.

NEUROIMAGEM
O mérito como precursor da neuropsicologia poderia ser reclamado por vários
cientistas desde os primórdios do localizacionismo, ainda na Grécia. Este conjunto de idéias
que teve em Franz Josef Gall um de seus principais expoentes – entre os séculos XVIII e IX
- ainda hoje tem seus adeptos, embora mais flexíveis e mais bem equipados.
A localização de regiões cerebrais é objeto de muitos estudos de neuroimagem
utilizando técnicas como Tomografia por Emissão de Pósitron (PET scan) e Imagem por
Ressonância magnética funcional (IRMf), as quais possuem magnitude de resolução

7
espacial, suficientemente alta para visualizar ação de massa relacionada à função cerebral.
Mas ainda não possuem resolução temporal e oferecem apenas limitada informação quanto
à dinâmica da atividade cortical. Por esta razão, alguns estudos complementam os dados de
neuroimagem funcional com outras técnicas, por exemplo, Potencial Evocado e
Eletrofisiologia Cognitiva (Clark et al., 2001).
Em um estudo clássico com PET scan, Paulesu et al., (1993) mediram o fluxo
sangüíneo cerebral em voluntários saudáveis em duas tarefas de ativação e suas respectivas
condições-controle. Na primeira tarefa, os participantes foram instruídos a reverberar os
estímulos silenciosamente e a lembrar-se dos estímulos (ou seja, após cada seqüência a
consoante-alvo aparecia e os participantes julgavam se a mesma estava presente na
seqüência prévia apresentada ou não). A condição controle seguiu o mesmo procedimento,
mas com letras coreanas. Na segunda tarefa, era solicitado aos participantes o julgamento
de rimas com consoantes em relação à consoante-alvo (letra B). A condição-controle era a
similaridade de formas entre letras coreanas e a letra-alvo coreana. Os resultados deste
estudo demonstraram, pela primeira, vez a neuroanatomia do componente verbal da
memória operacional em voluntários sadios, isto é, como armazenador fonológico o giro
supramarginal esquerdo (lobo parietal), enquanto o ensaio subvocal foi associado com a
área de Broca (lobo frontal).
Resultados mais aprofundados a partir da neuroimagem foram largamente
discutida no capítulo “Redução da assimetria hemisférica em adultos mais velhos: o
modelo HAROLD”, neste capítulo uma série de teorias foram abordadas com o intuito de
compreender as mudanças na atividade cerebral decorrentes da idade. Memória (episódica,
semântica e operacional), percepção e controle inibitório são investigados a partir de
técnicas de neuroimagem.
A ressonância magnética funcional é outra técnica de mapeamento cerebral
não-invasiva de ampla utilização, apropriada até para o uso em crianças. Tem sido
empregada para localização de funções críticas (Logan, 1999), avaliação de correlatos

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neurais da plasticidade cerebral (Hertz-Pannier et al., 2000), bem como para examinar a
relação entre função e estrutura no decorrer do desenvolvimento cognitivo cerebral (Nelson
et al., 2000).
A neuropsicologia tem como preocupação constante se especializar cada vez
mais para atender as necessidades do organismo, mesmo mediante as alterações originadas
a partir do processo evolutivo.

DESORDENS NEUROPSICOLÓGICAS INFANTIS


O estudo da criança exige formação especial, levando-se em conta os processos
de crescimento e maturação cerebral, o desenvolvimento neuropsicomotor, bem como as
variáveis críticas que determinam e interferem nestas habilidades, tais como, as ambientais.
Portanto, abrange a compreensão do desenvolvimento normal e a intervenção nas funções
cognitivas alteradas. Assuntos referentes à neuropsicologia infantil foram tratados por
especialistas nos capítulos: “Neuropsicologia do desenvolvimento”, “Memória
operacional e estratégias de memória na infância”, e “Avaliação neuropsicológica
infantil”.

DESORDENS NEUROPSICOLÓGICAS EM ADULTOS


A adultez representa um período em que as habilidades e capacidades gerais do
indivíduo devem estar mais definidas do que no período infanto-juvenil. Desordens
neuropsicológicas em adultos são consideradas anormalidades específicas do
comportamento apresentadas pelo indivíduo, anteriormente sadio, enquanto um resultado
de lesão cerebral (por exemplo, por traumatismo craniencefálico, tumor, quadros
infecciosos, entre outras doenças). Este assunto foi amplamente abordado por um conjunto
de capítulos, os quais trataram sobre a avaliação neuropsicológica de doenças específicas,
tais como a “Epilepsia”, “Aspectos cognitivos da esclerose múltipla”, “Avaliação
neuropsicológica em traumatismo craniencefálico” e “Doença de Parkinson: aspectos

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neuropsicológicos. Alterações cognitivas em conseqüência do abuso de substâncias foram
abordadas no capítulo “Aspectos neuropsicológicos associados ao uso de cocaína”.

DESORDENS NEUROPSICOLÓGICAS EM IDOSOS


Com o aumento da expectativa de vida das populações, o interesse e o número
de estudos geriátricos têm aumentado. O envelhecimento é um processo natural e inevitável
do ser vivo. Uma série de fatores diminui a adaptação dos diferentes órgãos e como
conseqüência ocorrem modificações morfológicas, fisiológicas e bioquímicas em uma
cascata de eventos conhecidos e outros ainda não desvendados pela ciência. A
neuropsicologia estuda a influência destes processos sobre o sistema nervoso e suas
implicações funcionais, e tem como metas avaliar o funcionamento cognitivo do idoso;
determinar o tipo e o grau de incapacidade funcional (se houver) e estabelecer um programa
de reabilitação. Para tanto, os capítulos “Envelhecimento e memória”; “Avaliação e
reabilitação neuropsicológica no idoso” e “Redução da assimetria hemisférica em
adultos mais velhos: o modelo HAROLD” discutem o funcionamento cerebral na
senescência, suas alterações e modelos teóricos.

REABILITAÇÃO COGNITIVA
A reabilitação neuropsicológica objetiva a adaptação do indivíduo ao seu
ambiente. Tem um caráter “artesanal”, no sentido de que, cada paciente tem prejuízos
cognitivos específicos e demandas ambientais próprias, por exemplo relacionadas a sua
idade, profissão, tipo de acometimento cerebral, vínculos e responsabilidades sociais.
Modelos e estratégias para programas de (re)habilitação de funções cognitivas são
apresentados nos capítulos: “Reabilitação cognitiva pediátrica”, “Reabilitação em lesão
cerebral adquirida”, “Reabilitação: um modelo de atendimento interdisciplinar em
esclerose múltipla”, e “Avaliação neuropsicológica e reabilitação cognitiva no idoso”.

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O conjunto de informações contidas em Neuropsicologia Hoje é atualizado,
porém, intencionalmente reduzido, uma vez que não tem a pretensão de abranger todos os
temas da área. Um dos intuitos deste livro é incentivar a investigação científica, bem como
contribuir para a formação e a prática clínica de profissionais em neuropsicologia, os quais
escreverão futuros capítulos nas Neurociências.

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