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UNIVERSIDADE FEDERAL DE FACULDADE DE DIREITO DE

CURSO DE DIREITO
ALAGOAS ALAGOAS
Estudo Dirigido 2 Direito Tributário 1 7º Período Noturno

ADRIANA CHIARANTANO LAVORATO

Aluno: Data:

1) Diferencie: (a) competência tributária; (b) capacidade tributária. Explique os atributos de cada
uma, citando crítica doutrinária.

A competência tributária refere-se à capacidade das pessoas políticas em produzir normas


tributárias. É importante, porém, ressaltar que a expressão “competência tributária” possui um campo
semântico amplo, conforme lembra Paulo de Carvalho Barros, abarcando os diferentes aspectos
relacionados às normas tributárias, desde a expedição de um decreto, pelo Presidente da República que
envolva matéria tributária, como o Imposto de Renda, até a sequência procedimental que culminará com
a produção de norma jurídica tributária, individual e concreta praticada pelo particular. No entanto, em
sentido estreito, a expressão refere-se à capacidade de inovar no mundo jurídico, através de normas de
cunho tributário, a capacidade de legislar sobre matéria tributária, ou seja, à aptidão de que são dotadas
as pessoas políticas para expedir regras jurídicas.

O professor Roque A. Carrazza, salienta seis qualidades da capacidade legislativa: Privatividade,


indelegabilidade, incaducabilidade, inalterabilidade, irrenunciabilidade e, facultatividade do exercício, já
para o professor Paulo Barros de Carvalho apenas três delas resistiriam a uma crítica mais severa:
indelegabilidade, irrenunciabilidade e incaducabilidade. Paulo de Barros destaca que a exceção expressa
no texto constitucional, em seu artigo art. 154, II, autorizando a União a legislar, iminência ou no caso de
guerra externa, sobre impostos ditos “extraordinários”, compreendidos ou não em sua competência
tributária.

Em relação a alterabilidade destaca que a mesma está inserida no quadro das prerrogativas de
reforma constitucional, e a prática de inserir alterações no painel das competências tributárias, no Brasil,
tem sido efetivada reiteradamente. Também a facultatividade do exercício apresenta exceção, em
relação ao ICMS, Por sua índole eminentemente nacional, não é dado a qualquer Estado-membro ou ao
Distrito Federal operar por omissão, deixando de legislar sobre esse tributo.

 Já a capacidade tributária Capacidade Tributária é uma denominação genérica atribuída para


aquele que possui o direito de cobrar ou o dever de recolher determinado tributo. Não se confunde com
a capacidade tributária. Uma coisa é poder legislar outra é reunir credenciais para integrar a relação
jurídica. O estudo da competência tributária é um momento anterior à existência mesma do tributo, situan-
do-se no plano constitucional. Sendo esta subdividida em Capacidade Tributária Ativa ou Capacidade
Tributária Passiva. A capacidade tributária ativa, que tem como contranota a capacidade tributária
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passiva, é tema a ser considerado na ocasião da execução das competências, quando o legislador elege
as pessoas componentes do vínculo abstrato, que se instala no instante em que acontece, no mundo
físico, o fato previsto na hipótese normativa,
Paulo de Barros Carvalho destaca que a distinção justifica-se plenamente. É comum que a pessoa
que exercita a competência tributária se coloque na posição de sujeito ativo, aparecendo como credora
da prestação a ser cumprida pelo devedor. É muito frequente acumularem-se as funções de sujeito
impositor e de sujeito credor numa pessoa só. Além disso, uma razão de ordem constitucional nos leva
a realçar a diferença: a competência tributária é intransferível, enquanto a capacidade tributária ativa não
o é.
2) Explique, analiticamente, o esquema de representação lógica da competência tributária, a partir
de Tácio Lacerda Gama.

3) Discorra sobre a regra matriz de incidência tributária de Paulo de Barros Carvalho. Descreva
fundamentadamente cada um de seus elementos. Exemplifique, evidenciando a sua utilidade.

A regra-matriz de incidência tributária é uma norma jurídica geral e abstrata que descreve: dada 'x'
hipótese, deve ser o consequente 'y', dispondo sobre condutas. Tendo por compreendido, pois, o juízo
hipotético condicional que prevê um fato social (relativo à incidência) e liga a ele uma consequência
(nascimento da relação jurídica tributária), como norma jurídica. O professor Paulo de Barros Carvalho
pronuncia a respeito:

“A norma tributária, em sentido estrito, reiteramos, é a que define a incidência fiscal. Sua construção
é obra do cientista do Direito e se apresenta, de final, com a compostura própria dos juízos hipotético-
condicionais. Haverá uma hipótese, suposto ou antecedente, a que se conjuga um mandamento, uma
consequência ou estatuição.” (2002, p. 235.)

O art. 3º do CTN diz que tributo é uma prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor
nela se possa exprimir. Em outras palavras, tributo é um valor pecuniário. O próprio art. 4º do CTN, ao
dizer que a natureza específica do tributo é definida pelo fato gerador, está confirmando que a natureza
do tributo é dada pela conjugação da hipótese da incidência e da base de cálculo, assumindo, nesta
operação, perfil numérico.

A Regra Matriz de Incidência Tributária é uma criação doutrinária com vistas a se fazer a análise
do tributo de acordo com suas características básicas. Ou seja, é uma norma criada pelos estudiosos
do Direito Tributário com vistas a definir características básicas, que precisam estar presentes no texto
normativo que cria o tributos, é a norma jurídica tributária em sentido estrito, tal como vem definido no
art. 3º do CTN, pois o seu núcleo é essencialmente a definição de uma norma geral e abstrata e genérica
que define as normas do tipo tributário, definindo seus critérios (1) material, (2) temporal, (3) espacial,
(4) subjetivo e (5) quantitativo, de forma a compor a regra de conduta tributária a ser inserida no
ordenamento e a ser aplicada no dia-a-dia definindo a conduta tributária a ser observada pelo Fisco e
pelo contribuinte, informando-lhe em razão (1) do quê, (2) quando (3) e onde um dado (4) sujeito passivo,
ou seu substituto, deve prestar para determinado sujeito ativo (5) determinada quantia apurada, mediante
delimitação de uma base de cálculo e respectiva alíquota, o "quantum" da obrigação de natureza
tributária. É a norma de conduta que informa os limites materiais de incidência do fenômeno tributário,
como realização do princípio da reserva legal.

Cabe compreender o conceito de hipótese de incidência tributária, que é a descrição legal de um


fato, ou seja, é a formulação hipotética, prévia e genérica, contida na lei, de um fato. É a previsão legal
de um fato.

Seu conceito é universal, determinado e fechado, é una e indivisível, não havendo possibilidade de
se falar em tipo. Cada tributo possui uma hipótese de incidência, sendo a mesma explorada ao máximo
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para que seja aplicável somente àquele tributo. Ao se falar de hipótese de incidência tributária, muitos
autores, professores e acadêmicos confundem este termo com a expressão fato gerador. Consoante
AMARO (2008): “a expressão hipótese de incidência designa com maior propriedade a descrição,
contida na lei, da situação necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária, enquanto a
expressão fato gerador diz da ocorrência, no mundo dos fatos, daquilo que está descrito na lei. A
hipótese é simples descrição, é simples previsão, enquanto o fato é concretização da hipótese, é o
acontecimento do que fora previsto”.

Neste sentido, pode-se dizer que a hipótese de incidência tributária é a descrição hipotética,
contida na lei, do fato apto a dar nascimento à obrigação. Ao fato que ocorreu de acordo com a
previsão legal, tornando-se concreto, denominar-se-á de fato imponível, conforme JARACH (2004).

Para ATALIBA (2006), fato imponível é: “... o fato concreto, localizado no tempo e no espaço,
acontecido efetivamente no universo fenomênico, que – por corresponder rigorosamente à descrição
prévia, hipoteticamente formulada pela hipótese de incidência legal – dá nascimento à obrigação
tributária. Cada fato imponível determina o nascimento de uma obrigação tributária.”

Njt : Norma jurídica tributária – regra matriz de Ht Hipótese tributária – antecedente


incidência.
Cm Critério material da hipótese c+v Verbo + seu complemento
Ce Critério espacial Ct Critério temporal
Cst Consequência tributária Cp Critério pessoal do consequente
Sa Sujeito ativo da obrigação tributária Sp Sujeito passivo
Cq Critério quantitativo bc Base de cálculo
a aliquota DSn Dever ser neutro
DSn Dever ser modalizador

Os critérios da hipótese

No critério material, há referência a um comportamento de pessoas físicas ou jurídicas. Na


doutrina tradicional, esse critério é quase sempre tratado condicionadamente ao critério espacial e ao
temporal. Desvinculando-o dos demais critérios, o material irá designar sempre o comportamento das
pessoas, nos casos de "fazer", "dar" ou simplesmente "ser", tendo-se como núcleo um verbo,
acompanhado de seu complemento, os quais indicam o fato a ser tributado, como por exemplo: circular
mercadorias, importar produtos industrializados, ou ser proprietário de imóvel em área urbana. Esse
critério tem grande importância, quer para a definição da norma-padrão do tributo, quer para permitir o
esclarecimento da fenomenologia das isenções tributárias, como sustenta CARVALHO (2007).

No critério espacial, há elementos que condicionam o espaço de incidência, na norma tributária,


os quais levam a classificação do gênero do tributo, haverá sempre, indicações implícitas ou explícitas,
que permitirão saber onde se deu o fato que fez nascer o laço obrigacional.

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O critério temporal é o componente da hipótese que marca o tempo em que reportam os efeitos
da relação jurídica instaurada em decorrência do fato jurídico. Não deve ser confundido como plano de
eficácia temporal da hipótese, critério temporal da hipótese é o tempo em que se dará o evento que se
transformará em fato jurídico e plano de eficácia é o tempo em que se propagarão os efeitos da lei.

Os critérios da consequência

A hipótese é o descritor da norma, que anuncia os critérios para o reconhecimento de um fato.


O consequente, por sua vez, irá fornecer os dados para a identificação do vínculo jurídico em si. Este
vínculo possibilita reconhecer os sujeitos da relação obrigacional tributária, bem como torna evidente o
objeto, que é o comportamento imposto pela norma. O consequente normativo, portanto, identificará a
própria relação jurídica, a partir da concretização do fato ou evento. São os critérios para a identificação
da relação jurídica: o pessoal e o quantitativo, segundo COELHO (2007).

O critério pessoal é o conjunto de elementos contidos no prescritor da norma, o qual revela quem
são os sujeitos (ativo e passivo) da relação jurídica. Ele definirá a quem foi atribuído o direito de crédito,
e a quem a norma tributária impõe o dever obrigacional.

O critério quantitativo tratará do objeto da prestação. No caso da Regra-Matriz de Incidência


Tributária, o objeto se consolidará na base de cálculo do tributo, e na alíquota a ser aplicada. Esse critério
refere-se à grandeza mediante a qual, o legislador dimensionou o fato jurídico tributário, definindo a
quantia a ser paga pelo devedor, a título de tributo.

A partir de sua análise é possível verificar a legalidade ou não do tributo.

4) Que são limites ao poder de tributar? Disserte sobre o tema, diferenciando imunidades e
isenções.

O Estado possui como fonte de custeio principal dos deveres as receitas tributárias. Assim, para
assegurar dignidade, direitos fundamentais e Justiça, o Estado necessita tributar, é possível afirmar que
o atendimento das necessidades coletivas orienta a ação estatal, pois o interesse público é a razão de
ser do Estado e, para isso, reveste-se de poderes instrumentais.

Tais poderes, no entanto não são um fim em si mesmo, e sim decorrem da própria cidadania, haja
vista que sua natureza é democrática e só podem ser legitimamente exercidos nos limites e no interesse
do contribuinte Guarda o tributo uma dimensão de coisa pública, atuando como principal fonte de
financiamento do Estado.

Douglas Tamashita e Klauss Tipke, na obra os Justiça Fiscal e princípio da capacidade


contributiva destacam que “Estados de Direito são obrigados a criar um Direito justo, inclusive um Direito
Tributário justo”, uma vez que não podem constituir uma ordem coativa com um conteúdo qualquer
devendo, portanto, a tributação ser justa e conforme as exigências da dignidade da pessoa humana e
dos direitos fundamentais. Tem-se que a política tributária, igualmente como a política social, deve reger-
se por princípios de justiça, não por meros interesses ou critérios de conveniência.

Para Ricardo Lobo Torres, com o advento do Estado Fiscal de Direito, tornam-se essenciais as
relações entre liberdade e tributo: o tributo nasce no espaço aberto pela autolimitação da liberdade e
constitui o preço da liberdade, mas por ela se limita e pode chegar a oprimi-la, se não contiver a
legalidade.

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Alberto Nogueira sustenta que a tributação não pode ser instrumento de submissão do homem,
mas de sua plena libertação, pois que sua única razão de ser na contemporaneidade é o respeito e o
atendimento ao homem, verdadeiro titular e destinatário dessa fundamental e indispensável atividade.

Nessa linha, o princípio da unidade do ordenamento jurídico determina que o mínimo existencial fiscal
não fique abaixo do mínimo existencial do direito da seguridade social.

Com isso, a tributação, considerada em todos os seus aspectos (competência, instituição e


cobrança), deve se ajustar ao modelo constitucional vigente, em cujas bases serão interpretados e
aplicados os princípios nele consagrados à luz do Estado Democrático de Direito.

Outrossim, as limitações constitucionais ao poder de tributar devem ser entendidas como


manifestações dos direitos e garantias fundamentais, na medida em que representam vedações postas
ao Estado pelo Legislador constituinte de que haja tributação sobre determinados institutos e relações
jurídicas materializadas no contexto social, por entender que representam pontos nevrálgicos do tecido
social.

A expressão máxima das limitações constitucionais ao poder de tributar são as imunidades, haja
vista que, uma vez efetuada a opção política de se definir a competência tributária em nível constitucional,
tem-se, como consequência, a previsão de exonerações fiscais consideradas mais relevantes nesse
mesmo nível.

No Dizer de Ruy Barbosa Nogueira "as imunidades aludem a uma exclusão do próprio poder de
tributar". As manifestações normativas que exprimem as imunidades tributárias se incluem no
subdomínio das sobrenormas, metaproposições prescritivas que colaboram, positiva ou negativamente,
para traçar a área de competência das pessoas titulares de poder político, mencionando-lhes os limites
materiais e formais da atividade legislativa.

É possível conceituar imunidade tributária, única e exclusivamente, com o auxílio de elementos


jurídicos substanciais à sua natureza, pelo que podemos exibi-la como a classe finita e imediatamente
determinável de normas jurídicas, contidas no texto da Constituição da República, e que estabelecem,
de modo expresso, a incompetência das pessoas políticas de direito constitucional interno para expedir
regras instituidoras de tributos que alcancem situações específicas e suficientemente caracterizadas.

1) É uma classe finita e imediatamente determinável, somente aquelas explicitadas na Carta Magna
2) De normas jurídicas
3) Contidas no texto da Constituição da República
4) E que estabelecem, de modo expresso, a incompetência das pessoas políticas de direito
constitucional interno
Seja no caso de imunidade ou na hipótese de isenção, inexiste o dever prestacional tributário,
aspecto que justifica o paralelismo entre as instituições, no entanto são categorias jurídicas distintas, que
não se interpenetram, mantendo qualquer tipo de relacionamento no processo de derivação ou de
fundamentação, a não ser em termos muito oblíquos e indiretos.

A isenção é, pois, um favor fiscal, instituído em lei, que consiste na dispensa do pagamento do
tributo devido. Portando, na prática, a dinâmica do fenômeno da isenção seria: ocorrência do fato
gerador, incidência tributária, nascimento da obrigação e dispensa do pagamento do tributo devido. Está-
se a ver que, numa linha de pensamento dessa natureza, a isenção é tida como instituto totalmente
diverso da não-incidência tributária.

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O mestre Rubens Gomes de Souza (1975, p. 97) “Isenção é o favor fiscal concedido por lei, que
consiste em dispensar o pagamento de um tributo devido”, prossegue afirmando que “As isenções
classificam-se em: subjetivas, aquelas que levam em linha de conta a pessoa do sujeito passivo e
objetivas, aquelas deferidas em atenção à natureza do ato, fato ou negócio sujeito ao tributo”.

5) Diferencie e exemplifique: fiscalidade, extrafiscalidade e parafiscalidade.

São termos usualmente empregados no discurso da Ciência do Direito, para representar valores
finalísticos que o legislador imprime na lei tributária, tratam-se de construções puramente doutrinárias.
O modo como se dá a utilização do instrumental jurídico-tributário é o fator que identifica o gravame em
uma das três classes.

Fala-se, assim, em fiscalidade sempre que a organização jurídica do tributo denuncie que os
objetivos que presidiram sua instituição, ou que governam certos aspectos da sua estrutura, estejam
voltados ao fim exclusivo de abastecer os cofres públicos, sem que outros interesses — sociais,
políticos ou econômicos — interfiram no direcionamento da atividade impositiva. Significa olhar para o
tributo, simplesmente, como ferramenta de arrecadação, maio de geração de receita. É a noção mais
corrente quando se pensa em tributação.

A extrafiscalidade, por sua vez, consiste no emprego de instrumentos tributários para o atingimento
de finalidades não arrecadatórias, mas, sim, incentivadoras ou inibitórias de comportamentos, com vista
à realização de outros valores, constitucionalmente contemplados.

Como por exemplo ocorre com a lei do Imposto Territorial Rural (ITR), ao fazer incidir a exação de
maneira mais onerosa, no caso dos imóveis inexplorados ou de baixa produtividade, busca atender, em
primeiro plano, a finalidades de ordem social e econômica e não ao incremento de receita

O conteúdo potencial da extrafiscalidade é extremamente amplo, por quanto a Constituição da


República contempla um número muito grande de valores e objetivos a que subordina o estado brasileiro
(ex.: arts. 1°, 3°, 170, 193, 194, 196, 201, 205, 215 etc.)

A extrafiscalidade aproxima-se da noção de poder de polícia ou de polícia administrativa,


conceituada como a atividade estatal consistente em limitar o exercício dos direitos individuais em
benefício do interesse coletivo, e que repousa no princípio da supremacia do interesse coletivo sobre o
individual, visando impedir a adoção de condutas individuais contrastantes com o interesse público.

Já a parafiscalidade é conceito que se distancia dos anteriores por não se relacionar à competência
tributária, mas, sim, à capacidade tributária ativa, vale dizer, das aptidões de arrecadar e fiscalizar a
exigência de tributos a outra pessoa, de direito público ou privado – autarquia, fundação pública, empresa
estatal ou pessoa jurídica de direito privado, esta desde que persiga finalidade pública. Às pessoas
delegatárias, em regra, atribui-se, outrossim, o produto arrecadado. Quaisquer espécies tributárias
podem ser objeto de parafiscalidade, embora as contribuições do art. 149 CR, por sua natureza
finalística, revelem-se as mais apropriadas a essa delegação.”

6) Há incompatibilidade entre o princípio federativo e o Imposto Sobre Circulação de Mercadoria?


Discorra fundamentadamente à luz da definição de competência tributária.

O princípio federativo prega, dentre outras características, a autonomia dos entes federados. Em
regra, cabe ao ente político competente para instituir determinado tributo, a concessão de incentivos,
benefícios e isenções fiscais em relação a ele. O imposto sobre circulação de mercadorias exige uma
sistemática diferente, tendo em vista que consiste em uma das principais fontes de arrecadação dos
Estados-membros, o que causa a intenção dos mesmos em atrair cada vez mais contribuintes para sua
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área de tributação. Para tanto, a Constituição Federal excepcionou a concessão de inventivos fiscais no
ICM, exigindo que para sua realização fossem celebrados convênios entre todos os Estados e o Distrito
Federal, e que tal incentivo nascesse de um acordo entre todos estes entes.

O Estado é a instituição que possui a soberania, utilizando-a para estabelecer relações com demais
Estados, de modo igualitário e para se posicionar em grau de superioridade ou antagonismo às demais
instituições (CARRAZZA, 2006, p.126). Esta exclusividade do governo federal em relação à detenção do
atributo da soberania advém do chamado pacto federativo resultante da exaração da indissolúvel e
permanente vontade nacional.
Assim, acabam as unidades que compõem a federação perdendo parcela de sua autonomia política
em benefício da federação em seu todo. Ocorre que, para isto correr, deve haver expressa previsão e
delimitação constitucional.
explicita-se que o federalismo enseja que seus membros sejam detentores de igualdade jurídica
entre si – o que não significa que dois estados sejam materialmente iguais. Qualquer tratamento
diferenciado que exista entre tais só pode lastreado na justificativa de fortalecimento da federação. Surge,
por conseguinte, o conceito de federalismo cooperativo. Não há irregularidade em tratar Estados-
membros desiguais de forma desigual, se assim houver necessidade.
Seguindo a ideia de autonomia dos entes federados, a qual é retirada da própria essência do modelo
federativo, cabe a cada Estado prover suas necessidades sem interferência federal ou de outros Estados-
membros.
Para tanto, a Constituição Federal conferiu a cada ente a competência para instituir, arrecadar e
regular os tributos a ele destinados. Embora a concessão de isenções e de outros incentivos tributários
seja feita, em regra, por meio de lei ordinária, e emane da mesma pessoa política competente para criar
o tributo, a isenção em sede de ICM é concedida de forma diferente.
O artigo 155 da Constituição Federal preceitua que “compete aos Estados e ao Distrito Federal
instituir impostos sobre:
II - operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte
interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no
exterior;

A peculiaridade dos incentivos fiscais no imposto sobre circulação de mercadoria advém do fato de
nem os Estados, nem o Distrito Federal, poderem concedê-los unilateralmente.
Dessa forma preceitua o artigo 155, §2º, XII g, da Constituição Federal ao dispor que “cabe à lei
complementar [...] regular a forma como, mediante deliberação dos Estados e do Distrito Federal,
isenções, incentivos e benefícios fiscais serão concedidos ou revogados”.

Os convênios exigidos para a concessão de incentivos fiscais em matéria de ICM são celebrados,
segundo o próprio texto constitucional, entre os Estados e o Distrito Federal, de forma que a efetiva
concessão dos mesmos depende de acordo entre todos os entes participantes.
Tendo em vista que o Estado abre mão de parte do valor a ser arrecadado, objetivando o
desenvolvimento do bem-estar social, tal evolução deve ser visada em um âmbito nacional. De fato,
como já exposto ao se tratar do sistema federativo, o modelo federal brasileiro é baseado na cooperação,
com a decorrência de que qualquer tratamento diferenciado entre os entes políticos só pode ser
empregado sob a justificativa de fortalecimento da federação como um todo.
Assim, ao se ter o princípio da redução das desigualdades regionais como um dos principais pilares
do sistema de concessão de incentivos fiscais, é justificada a exigência de consenso entre os entes
federados nos convênios firmados.

7) Disserte sobre os dispositivos do Código Tributário Nacional que dispõem sobre como deve ser
interpretada a legislação tributária.

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Dispõe o Código Tributário Nacional, na Seção III, Capítulo IV, sobre as normas de interpretação e
integração da legislação tributária, dedicando o art. 107 para traçar as normas gerais de interpretação e
o art. 108 para as normas de integração.

A interpretação e ao integração das normas legais, ou seja o processo hermenêutico, é, para ALIOMAR
BALEEIRO (foto), "a arte de extrair do texto abstrato, geral e necessariamente conciso, tudo quanto
nele se contem, para os fins visados pelo legislador".

Interpretação:
A disposição do art. 107, do CTN, reporta-se à interpretação da "legislação tributária" o que denota que
as regras de hermenêutica previstas no código não se limitam às leis fiscais, alcançando todas as
normas fiscais consoante a definição prevista no art. 96 do mesmo código

O art. 108 arrola quatro itens que serão sucessivamente aplicados pela autoridade competente, na
ausência de disposição expressa da lei interpretada. A analogia; os princípios gerais de direito
tributário; os princípios gerais de direito público e a equidade.

É importante, no entanto ressaltar que, mesmo sendo a analogia o primeiro elemento a ser empregado,
deve-se considera-la em face dos princípios gerais do direito tributário e dos demais itens elencado no
artigo, além disso sua aplicação não poderá vir a criar uma obrigação tributária.

Isso porque o legislador do Código não considerou que essa atividade é complexa, alimentando-se de
todos os recursos disponíveis no sistema, que agem simultaneamente sobre o espírito do exegeta.

8) Qual a diferença entre vigência, aplicação e validade? Que é incidência? Esclareça os conceitos
situando-os nas definições de ordenamento e de sistema.

Embora muitas vezes utilizados como sinônimos, os conceitos de validade, de vigência e de eficácia de
uma lei são diferentes. Em alguns casos, há ainda a influência de um ou outro princípio tributário.

A validade de uma lei está relacionada ao atendimento aos aspectos formais e materiaisexigidos na
CF/88. Quanto aos aspectos formais, temos aqueles, por exemplo, relacionados ao quórum necessário
para a votação e aprovação de uma lei; ou ao órgão ou à autoridade competente para a edição de
determinado normativo, como é o caso das medidas provisórias, que somente podem ser editadas pelo
Presidente da República.

Quanto aos aspectos materiais, temos, por exemplo, os temas que podem e que não podem ser
tratado em determinado normativo, como é o caso da instituição de impostos residuais, já que estes
somente podem ser instituídos por lei complementar, e desde que sejam não-cumulativos e não
tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos já discriminados na CF/88.

Já a vigência de uma lei está relacionada à sua publicidade, significando, em síntese, que a lei é válida
e que já foi formalmente publicada no meio oficial adequado, dando-se publicidade ao seu texto junto à
população e, especialmente, aos seus destinatários específicos. A vigência está diretamente
relacionada à eficácia jurídica da norma.

Por sua vez, a eficácia da lei está relacionada à possibilidade de a lei, uma vez válida e devidamente
publicada, vir a surtir efeitos junto aos seus destinatários. Nesse sentido, fala-se em eficácia da norma
jurídica quando ela está completamente apta a regular situações e a produzir efeitos práticos junto aos
seus destinatários.

Em regra, a vigência e a eficácia de uma lei se dão ao mesmo tempo. Entretanto, quanto à eficácia,
uma lei tributária, em especial, deve atender, especialmente, aos princípios da anterioridade anual e
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nonagesimal, uma vez que, mesmo que plenamente válida e devidamente publicada (vigente), uma lei
tributária pode ainda não ser eficaz.

Pontes de Miranda e Paulo de Barros Carvalho que divergem quanto ao conceito de incidência e
consequentemente quanto aos pormenores que a definição envolve.

Pontes expõe a teoria dos planos dos fatos jurídicos: existência, validade, e eficácia, de
maneira tal que o fato jurídico a priori precisa ser, e sob a condição de ser, poderá ser classificado
como válido, nulo, anulável, rescindível, etc. Somente após resistir ao crivo destes dois planos
(existência e validade) é que o fato poderá produzir efeitos (plano da eficácia), ou no dizer do jurista
alagoano “irradiar” os efeitos que a norma prescreve abstratamente já que os planos da existência e da
validade não o fazem. No Plano da existência serão verificados os requisitos que farão com que o fato
jurídico exista. No Plano da validade, por sua vez, a existência do fato jurídico já é suposta,
principalmente dos atos jurídicos, além dos fatos jurídicos lato sensu. Por último o Plano da eficácia
pressupõe a existência do fato jurídico e a sua não nulidade.

E é justamente no plano da eficácia que deverá ocorrer incidência da norma. Tal incidência
nos moldes ponteanos só é possível graças a sua distinção entre o mundo fático e o mundo jurídico,
além da própria distinção entre os planos dos fatos jurídicos. O mundo fático se pode entender como
sendo a realidade extrínseca, sensível, e fenomenologicamente perceptível.

Pontes define a incidência da norma jurídica como a infalível e inesgotável transformação de


fatos em fatos jurídicos, sendo que – como também já manifestado – essa incidência produz efeitos de
juridicização, desjuridicização, e pré- exclusão de juridicidade.

Para Paulo Barros de Carvalho o Direito é uma realidade, porém cabe a ciência e não a ele a
descrever, sendo finalidade do direito a transformação do mundo fático. Sua teoria está intimamente
relacionada com a linguagem, de modo que o Direito responderia por dois níveis desta linguagem:
Objetal e metalinguagem.

Da mesma maneira que o Direito é diferente da realidade, o texto legal é diferente da norma
jurídica. Na concepção de Barros Carvalho a norma é a significação, o juízo que se extrai a partir da
leitura. É a individual significação que a cognição produz ao ler os símbolos que formam o texto da lei
positiva. Nesse contexto, a incidência da norma jurídica deve seguir um caminho bem diferente do
traçado por Pontes de Miranda. Primeiramente se extrai a significação do texto legal positivo, e esta
significação extraída (que será a verdadeira norma jurídica) será aplicada por autoridade em linguagem
competente. Somente aí é que poderá se ter a real incidência da norma jurídica. A incidência da norma
jurídica não deve ser utilizada como critério para avaliar a correção de uma decisão judicial, mas sim
para identificar no fato jurídico quais são seus marcos espaciais e temporais, bem como da produção
de efeitos.

9) Relacione vigência com os conceitos de enunciação-enunciada e de enunciado-enunciado,


tomando por base Gabriel Ivo.

O professor Gabriel Ivo em seu texto “O direito e a inevitabilidade do cerco da linguagem”


destaca que validade e vigência seriam da disposição, não da norma. Para ele não há sentido falar em
validade e vigência para as normas jurídicas. Todas elas só podem ser construídas a partir de enunciados
prescritivos válidos e vigentes.

Outra questão decorrente da distinção entre enunciado prescritivo e norma jurídica é a


hierarquia das normas.

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O processo de interpretação envolve a verificação da autenticidade e da constitucionalidade do
dispositivo ou do ato normativo com o qual estamos envolvidos. Assim, a norma jurídica sempre decorre
da combinação de vários enunciados prescritivos, por vezes situados em instrumentos normativos de
hierarquia diversa. Em razão disso, destaca-se que a norma jurídica consiste, também, num método para
aproximação do caso concreto e construção da solução. Assim, construída a norma pelo aplicador do
Direito, na sua aplicação ao caso concreto por meio da enunciação ela converte-se em enunciado.34
Todo o processo de construção normativa, que leva em conta o universo jurídico, retorna ao texto (no
sentido de enunciado). No processo judicial, a norma jurídica após a aplicação torna-se texto
(enunciado), contido na sentença ou no acórdão.

10) Descreva os quatro sistemas jurídicos propostos por Paulo de Barros Carvalho.

O professor Paulo de Barros Carvalho propõe que ao reunir todos os textos do direito positivo
em vigor no Brasil, desde a Constituição Federal até os mais singelos atos infralegais, tem-se um
conjunto integrado por elementos que se inter-relacionam, formando um sistema. As unidades desse
sistema são as normas jurídicas que se despregam dos textos e se interligam mediante vínculos
horizontais (relações de coordenação) e liames verticais (relações de subordinação-hierarquia a
existência de um sistema na realidade do direito positivo e outro sistema nos enunciados cognoscitivos
que sobre ele emite a Ciência Jurídica.

O conjuntos das normas jurídicas válidas está posto num corpo de linguagem prescritiva, que
fala do comportamento do homem na comunidade social. Essa rede de construções linguísticas é o que
se chama de sistema empírico do direito positivo, justamente porque está voltado para uma específica
região material: certa sociedade, historicamente determinada no espaço e no tempo.

sobre o discurso prescritivo desenvolve o cientista outra camada linguística, feita de proposições
descritivas, associadas organicamente debaixo de um princípio unitário. É o sistema da Ciência do
Direito. Há sistema na realidade do direito positivo e há sistema nos enunciados cognoscitivos que sobre
ele emite a Ciência Jurídica.

O professor expões que a locução sistema jurídico é frequentemente referida para designar as
duas construções linguísticas: tanto o sistema prescritivo do direito posto quanto o sistema descritivo da
Ciência do Direito.

Quanto à dogmática, ou Ciência do Direito stricto sensu, que se ocupa em descrever o direito
positivo tal como ele se apresenta, é necessário observá-lo na sua feição estática e no seu aspecto
dinâmico, que se perfaz com o processo de positivação, em que a norma editada hoje será o fundamento
de validade de outras regras, até o ponto terminal da cadeia de elaboração, que se consubstancia no
último ato de aplicação, norma individual de máxima concretude. Para a Ciência do Direito, em seu
sentido estrito, é imprescindível mais um corte metodológico, em que se despreza o direito passado, que
deixou de ser válido, e o direito futuro, que ainda não sabemos qual será. Vale para a Ciência do Direito,
exclusivamente, a ordem jurídica posta, isto é, o direito positivo considerado hic et nunc.

11) Diferencie formalização e desformalização, exemplificando a partir de sintaxe representada


doutrinariamente.

Paulo de Barros Carvalho explica que há um sensível distanciamento entre a linguagem empregada pelo
legislador e a empregada pelo cientista do Direito. Isso ocorre porque a linguagem empregada pelo
legislador é uma linguagem técnica, como expõe o professor, já o cientista do Direito empega uma
linguagem científica. Partindo do pressuposto que a língua e heterogênea, é possível entende-la coo um
fenômeno social.

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Antoine Meillet busca explicar a estrutura linguística por meio de fatores históricos e sociais,
para o russo Bakhtin a mudança linguística é historicamente motivada pelos diferentes contextos de uso
da língua, que acabam conferindo diferentes sentidos à “mesma” palavra. Nesse sentindo o professor
Paulo de Barros Carvalho lembra a diversidade em relação a formação cultural e social de nossos
legisladores, lembrando que ainda que as Assembleias nomeiem comissões encarregadas de cuidar dos
aspectos formais e jurídico-constitucionais dos diversos estatutos, prevalece a formação extremamente
heterogênea que as caracteriza.

O mesmo já não se passa com o discurso do cientista do Direito. Sua linguagem, sobre ser
técnica, é científica, na medida em que as proposições descritivas que emite vêm carregadas da
harmonia dos sistemas presididos pela lógica clássica, com as unidades do conjunto arrumadas e
escalonadas segundo critérios que observam, estritamente, os princípios da identidade, da não
contradição e do meio excluído, que são três imposições formais do pensamento.

E o problema persiste no nível da Teoria Geral do Direito, a que chegamos por meio de
sucessivas generalizações, pois nela remanescem as palavras e locuções plurissignificativas, que irão
desaparecer apenas no altiplano da Lógica Jurídica. Naquele reduto formal, por haver uma estrutura de
linguagem efetivamente unívoca, encontrará o cientista esquemas seguros e precisos para captar o
arcabouço da mensagem normativa, uma vez que os termos lógicos têm uma e somente uma
significação.

O professor propõe um plano de sobreposições de camadas linguísticas tendo em sua base a


linguagem do Direito Positivo, com suas características técnicas, seguida pelas linguagens da Ciência
do Direito e da Teoria do Direito, ambas científicas, e no topo a linguagem da Lógica Jurídica, unívoca.
Conforme representado no gráfico abaixo:

Formalização é o processo de busca das estruturas lógico-formais (análise lógica). O encontro se dá no


espaço da Lógica Jurídica.

Desformalização é o processo inverso. Depois de encontrado o esquema lógico correspondente à


proposição das linguagens que formam a Lógica Jurídica, o analista volta ao ponto de partida,
substituindo as variáveis lógicas pelas constantes da linguagem do direito positivo.

12) Distinga competência residual e competência concorrente. Contextualize os entes titulares de


competência dessas espécies.

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A expressão competência tributária pode ser definida como sendo o poder, atribuído pela
Constituição Federal, observadas as normas gerais de Direito Tributário, de instituir, cobrar e fiscalizar o
tributo, compreendendo a competência legislativa, administrativa e judicante.

Em razão do princípio Federativo adotado pelo Brasil, o que denota uma carga de autonomia aos
entes políticos, exige uma distribuição, repartição ou mesmo discriminação de competências tributárias.
Isso, a propósito, vem explícito no art. 145 da Constituição Federal, quando estatui que a União, os
Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir tributos.

Por evidente, tal competência há de ser distribuída e delimitada, sob pena de instaurar-se o
caos tributário, administrativo e jurídico no país. Nesse sentido, a Constituição Federal em seus arts.
153, 155 e 156, sob as epígrafes "Dos impostos da União", "Dos impostos dos Estados e do Distrito
Federal" e "Dos impostos dos Municípios", estabeleceu a competência desses entes políticos.

A competência residual surge da possibilidade dada pelo constituinte originário à União de


instituir imposto diverso dos já existentes e previstos na Constituição Federal, tal competência encontra
endosso no artigo 154, I do Texto Maior, o qual vale citar:

Art. 154. A União poderá instituir:

I - mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que
sejam não-cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos
discriminados nesta Constituição; [...]

Ao atribuir tal competência à União, o constituinte também impôs limitações ao exercício de


tal poder, devendo o citado ente político atentar para a necessidade de lei complementar,
respeitando ainda o princípio da não cumulatividade, bem como a proibição de coincidência entre
o fato gerador ou a base de cálculo do novo imposto com o de outros impostos já discriminados
na Constituição.

Já a competência concorrente é a competência atribuída pela Constituição Federal à União, aos


Estados e ao Distrito Federal para legislar sobre direito tributário, em que a União cria as normas
gerais, e os Estados e o Distrito Federal suplementam essas normas, ou seja a atuação de um
ente exclui a do outro ente, prevista no artigo 24 da Constituição Federal.

13) Que são normas jurídicas tributárias? Fundamente expondo as suas acepções ampla e estrita,
bem como descrevendo a disciplina constante no Código Tributário Nacional.

São, segundo o autor, dois tipos de normas jurídicas que integram o sistema do direito positivo - as
regras de comportamento e as regras de estrutura. As primeiras objetivam regular o comportamento
das pessoas, nas relações intersubjetivas, e as de estrutura determinam o modo de criação das regras,
sua transformação ou expulsão do sistema.

É característica das proposições jurídico-normativas em particular expressarem-se por intermédio


do conectivo dever-ser, o que nos leva denominar deôntico o sistema do direito positivo. No caso
específico das regras de comportamento, o dever-ser está modalizado em permitido, obrigatório ou
proibido, com o que se exaure a possibilidade normativa da conduta.

Ao contrário do que acontece nas regras de comportamento, nas regras de estrutura o dever-ser
não se modaliza, permanecendo neutro, não cabendo substituição pelos modais em que, às vezes, se
triparte. No que o autor denomina de "subsistema constitucional tributário", ainda que seja maior a

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incidência de regras de estrutura, não faltam aquelas que se dirigem, frontalmente, à disciplina da
conduta, exprimindo-se, prescritivamente, nos modais deônticos permitido, obrigado e proibido.

Baseada nessa verificação, Paulo de Barros vai designar por norma tributária em sentido estrito
àquela que marca o núcleo do tributo, isto é, a regra-matriz de incidência fiscal, e de normas tributárias
em sentido amplo a todas as demais.

14) Qual a relação entre instrumento introdutório de normas jurídicas e competência tributária?
Explique.

A lei e os estatutos normativos que têm vigor de lei são os únicos veículos credenciados a
promover o ingresso de regras inaugurais no universo jurídico brasileiro, pelo que as designamos por
“instrumentos primários”. Todos os demais diplomas regradores da conduta humana, no Brasil, têm sua
juridicidade condicionada às disposições legais, quer emanem preceitos gerais e abstratos, quer
individuais e concretos. São, por isso mesmo, considerados “instrumentos secundários” ou “derivados”,
não apresentando, por si só, a força vinculante que é capaz de alterar as estruturas do mundo jurídico-
positivo.

Nosso direito positivo compreende quatro distintos plexos normativos: a ordem total, a das
regras federais, a das regras estaduais e o feixe de preceitos jurídicos dos Municípios. As três primeiras
são próprias do esquema federativo, enquanto a última revela peculiaridade do regime constitucional
brasileiro. Tudo pode ser resumido na coalescência de quatro sistemas: a) o sistema nacional; b) o
sistema federal; c) os sistemas estaduais; e d) os sistemas municipais.

As respectivas competências para a edição dos instrumentos normativos primários se circunscrevem aos
campos materiais que lhes são indicados pela ordem jurídica total. Esta, a ordem jurídica total, está na
Constituição do Estado federal e sua complementação no contexto da legislação nacional.

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