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Funções da linguagem é um assunto que vai muito além da gramática.

Para
entendê-lo plenamente, precisamos entender o processo de comunicação.
Diferente do que muitos acreditam, comunicação acontece em tudo o que
fazemos para nos expressar, e não só na língua falada ou escrita. Há
comunicação em um gesto, um desenho, uma pintura, uma escultura, uma
melodia, um grito. Nós, humanos não somos os únicos seres vivos que se
comunicam, mas com certeza desenvolvemos como nenhum outro os
processos comunicativos.

A comunicação ocorre quando um emissor emite uma mensagem a um


receptor que a compreende. Apesar de parecer simples, existem diversos
elementos que podem influenciar na comunicação, e a mudança de apenas um
deles é capaz de produzir uma mensagem diferente ou uma modificar a
compreensão do receptor. Para aprendermos mais sobre as funções da
linguagem, recorreremos aos estudos de Roman Jakobson, linguista russo e
inventor deste conceito.

Elementos da mensagem

O processo de comunicação possui elementos básicos que estão interligados e


são interdependentes. Confira abaixo:

Tomemos como exemplo uma música com letra, gravada por uma determinada
banda e executada no rádio. Nesse contexto, os elementos do processo
comunicativo podem ser identificados conforme mostramos a seguir:

 Emissor – Aquele que envia a mensagem. No exemplo em questão, o


emissor é a banda.

 Receptor – É aquele que recebe a mensagem, o seu destinatário. Os


ouvintes da rádio no momento da execução da música são os receptores dela.

 Canal – É meio pelo qual se transmite a mensagem. No caso da música, as


ondas de rádio correspondem ao canal por onde se transmite a mensagem,
mas o aparelho de rádio também é um canal, já que é usado para receber
essas ondas e decodificá-las de modo que sejam captadas pela audição dos
ouvintes.

 Código – É o conjunto de sinais e suas regras de combinação usados para


compor a mensagem. No caso da música, as notas musicais e o código verbal
(que, por sua vez, permitem a composição de melodia, arranjo e letra) são
códigos.

 Referente – É o assunto, o contexto da mensagem, a coisa ou pessoa a


respeito de quem ela trata. Uma música sobre paixão pode ter a pessoa amada
do eu-lírico como referente.

 Mensagem – É o objeto da comunicação, o que será transmitido do emissor


ao receptor. No exemplo da música, a mensagem é o que ela diz, o sentido de
sua letra combinada à parte instrumental.

Vamos reunir os elementos acima para compreendermos com mais firmeza o


conceito de cada um deles e como eles se relacionam quando tomados como
um processo de comunicação: uma banda (emissor) gravou
uma música (mensagem) que possui melodia, aranjo e letra (códigos) e fala
sobre a pessoa amada (referente) do eu-lírico. A música chega
aos ouvintes (receptor) do rádio rádio (canal).Agora que esclarecemos quais
são os elementos do processo de comunicação, podemos avançar para o
estudo, de fato, as funções da linguagem.

Tipos de funções da linguagem

As funções da linguagem são ligadas diretamente a um dos elementos


estudados anteriormente. As funções nada mais são do que o foco da
mensagem em um dos seis elementos da comunicação, e cada um deles
possui características bem particulares. Vejamos a seguir as seis funções da
linguagem:

Função denotativa ou referencial

A função referencial é aquela que possui como destaque o referente. A


mensagem procura apenas passar informações sobre o assunto tratado.
Costuma ter uma linguagem mais objetiva e formal, para evitar desvios do
referente e mal-entendidos.

Exemplos: Podemos visualizar bem a função referencial em jornais, fotografias


documentais e documentários, pois eles procuram sempre passar a informação
de forma mais imparcial, evitando a expressão de emoções e com o mínimo de
ruído possível.

Função expressiva ou emotiva


Acontece quando o destaque da mensagem é o próprio emissor. Seu objetivo é
fazer com que o receptor se sinta “na pele” do emissor. Os textos emotivos são
caracterizados por uma linguagem subjetiva e bastante pessoal, e neles é
frequente o uso da primeira pessoa. A pontuação é bem particular, com muitos
pontos de exclamação, interrogação e reticências. Pelo seu forte caráter
subjetivo e pessoal, é bastante usada em textos líricos, relatos sobre memórias
e autobiografias.

Exemplo: Ah, como é boa essa sensação de liberdade!

Função conativa ou apelativa

Esse tipo de função tem como foco o receptor, procurando sempre chamar sua
atenção, persuadi-lo ou influenciá-lo de alguma forma. Utiliza bastante o modo
imperativo dos verbos e quase sempre é desenvolvido na segunda pessoa.
Como tem um poder persuasivo muito grande, é o discurso mais utilizado nas
campanhas publicitárias, políticas e qualquer outro tipo de texto que queria
chamar o receptor para fazer alguma coisa.

Exemplo: Não perca tempo, corra até nossa loja e aproveite as incríveis
ofertas!

Função fática

É a função que tem como foco o canal, e normalmente é usada quando o


emissor testa o funcionamento do canal. Mais recentemente, também
passaram a ser considerados casos de função fática os casos em que o canal
é posto em destaque, como, por exemplo, um anúncio publicitário veiculado em
uma revista que traz uma área com textura diferente do restante do papel,
representando algo que deve ser experimentado pelo tato, e estimula o leitor a
tocá-la, fazendo com que ele explore mais o canal.

Exemplos: A função fática é desempenhada por expressões como “alô”, dita ao


telefone, e “entendeu?”, indagada ao fim de uma explicação.

Função metalinguística

O código se destaca nesta função, pois o referente da mensagem se volta para


seu próprio código. Caracteriza-se por apresentar “a linguagem falando da
própria linguagem” (metalinguagem), como por exemplo. É uma função que
não pode ser identificada apenas por aspectos da forma de expressão, mas
sim por seu referente direcionado ao próprio código.

Exemplos: Textos que abordam a atividade da escrita, programas de TV que


falam sobre a televisão e filmes sobre a indústria cinematográfica.

Função poética
A função poética é centrada na mensagem, e caracteriza-se por ser expressa
na própria estrutura da mensagem, seja em letras, ritmo, melodia, tonalidade
etc. As rimas são um bom exemplo de função poética e muitos poemas usam e
abusam desta função, mas não são as únicas formas de comunicação que a
utilizam. A função poética também costuma acontecer em campanhas
publicitárias. Para entender melhor a função poética veja o exemplo abaixo, o
poema “Pêndulo” de Ernesto Manuel Geraldes de Melo e Castro, poeta
português.

Vale a pena lembrar que os elementos do processo comunicativo estudados


existirão em qualquer tipo de comunicação, independente do tipo de função
usado. Além disso, é possível que um mesmo texto apresente mais de uma
função da linguagem, eles não precisam necessariamente serem empregados
individualmente. Agora que estudamos sobre o básico das funções da
linguagem e dos elementos da comunicação você poderá observar os textos a
sua volta de forma diferente.