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DISCIPLINA/UNIDADE DE FORMAÇÃO: PORTUGUÊS

Prof. Adelaide da Cruz Ano letivo 2016/2017


11º Ano –
MÓDULO/SUBUNIDADE DE FORMAÇÃO:
Data:_______________________

Teste diagnóstico
Turma:
Nome: A professora: Nota:_______________________

I
A
Conto integral:
“O homem que parecia um domingo”
O Velho Fausto parecia um domingo. Costumava vê-lo, manhã cedo, cruzar o passeio, pisando sem
ruído as flores das acácias, muito aprumado no seu fato de linho branco, chapéu de palha, laço e bengala,
e tão sem pressa, meu Deus!, cumprimentando com acenos lentos (largos sorrisos) a turba ansiosa. Um
dia alguém o provocou:
“Afinal, o que faz você nos dias úteis?”
Ele sorriu, ainda mais generoso, e o claro fulgor dos seus dentes perfeitos cegou o atrevido:
“Todos os meus dias são inúteis”, respondeu com solene orgulho: “Eu os passeio.”
Durante muitos anos, devo confessar, quis ser como ele. Hoje sei que pecava por excessiva
ambição. Trabalhando intensamente qualquer pessoa é capaz de alcançar, no fim da vida, relativa
prosperidade e a admiração dos outros. Um ladrão hábil pode ficar rico em dez ou quinze anos. A
conquista do poder também impõe considerável esforço; isto, já para não falar em santidade ou
heroicidade. A inutilidade, porém, exige algo mais difícil: talento. Nem todos podem ser inúteis, realmente
inúteis, da mesma forma que poucos conseguem fazer chorar um violino. Também nem todos merecem
ser inúteis. Fausto sim, era inútil ― e merecia-o. Foi, enquanto viveu, ocioso e magnífico como uma tela
de Gauguin.
Depois veio a revolução. Nenhuma revolução tolera pessoas desnecessárias. Nas revoluções há os
revolucionários e os reacionários; não há lugar para observadores e muito menos para imprestáveis.
Fausto percebeu isso num dia em que, tendo decidido passar pela Cervejaria Biker para refrescar a alma,
encontrou a velha e gloriosa catedral da boémia luandense transformada numa espécie de centro cultural.
Alguém se tinha lembrado de organizar ali uma receção a um poeta, antigo preso político, há poucos dias
regressado do Tarrafal. O poeta era um homenzinho miúdo, de densa barba negra, rosto pálido, liso como
o de uma criança, mãos muito finas, de dedos longos, que se moviam com veemência, como se fossem
independentes do corpo. Leu alguns poemas e contou histórias da cadeia. Explicou que para conseguir
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sobreviver à solidão e ao desespero, fechado sozinho numa minúscula cela escura, se entretivera durante
anos e amestrar insetos. Em particular fizera amizade com uma barata, um bicho amável e inteligente, à
qual ensinara a dançar. O poeta calou-se, a cabeça entre as mãos, enquanto na sala se fazia um silêncio
comovido. Então Fausto levantou-se e pediu a palavra:
“O que aconteceu à barata?”
A pergunta ecoou na sala como um traque. Alguém gritou: “Fascista!” Um tipo alto, de bigodes,
sentado ao lado do escritor, encolheu os ombros:
“Calma! O camarada que falou é um notório vadio.”
O desprezo com que disse aquilo serenou os ânimos. Encontrei Fausto, horas mais tarde, ainda na
mesma mesa. Ardia ao lume brando do crepúsculo. “Gostaria realmente de saber o que aconteceu à
barata”, disse-me com tristeza. Ele queria saber que género de música dançava o inseto: rumba, valsa, a
velha rebita? Recomendei-lhe mais cuidado com a língua. Podia-se ser preso, naquela época, por coisas
assim. Fausto encolheu os ombros, cético, terminou de beber a sua cerveja e foi-se embora. Morreu,
tempos depois, atropelado por um camião do exército.
Voltei a lembrar-me dele quando, há poucos dias, um amigo me disse ter descoberto no Cemitério
do Alto das Cruzes uma lápide partida: “Aqui repousa Fausto Bendito. Foi ele quem renunciou à vida/
podeis continuar a ocupar o seu lugar/ vós, que nos roubastes/ Não foi, nunca foi, renunciou-se/ atingiu o
zero.” Reconheci os versos de Agostinho Neto, musicados depois pelos Irmãos Kafala no belo álbum
“Salipo”. “E agora vivei, cantai, chorai/ e agora casai-vos, matai-vos/ embriagai-vos/ e agora dai esmolas
aos pobres/ nada me pode interessar/ que não sou, não sou/ Atingi o zero/ Nada me pode interessar/ Não
sou, não sou/ Atingi o zero.”.
AGUALUSA, José Eduardo, Catálogo de Sombras, 4ª ed., Publicações D. Quixote, Lisboa, 2003.

1. Diz-se, no conto, que “O Velho Fausto parecia um domingo.”. Explica esta afirmação partindo do texto que
leste.
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2. Segundo o narrador, ser inútil é muito difícil. Explica a afirmação por palavras tuas.
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3. No texto conta-se um episódio da vida do ocioso Fausto. Faz o seu breve resumo e explica a importância
desse episódio no contexto social e político em que aconteceu.
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3.1. Explica a expressividade da comparação “A pergunta ecoou na sala como um traque.”.


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4. Explica a ironia do tipo de morte sofrida por Fausto.
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Esta é uma tela de Gauguin, pintor francês do século


XIX. Num breve texto, entre 60 e 100 palavras,
explica a afirmação “Foi, enquanto viveu, ocioso e
magnífico como uma tela de Gauguin.”

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II

Lê o seguinte texto com atenção:

Superpotências: ao assalto da África

Por: CARLOS REIS, Jornalista

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“No século XXI, África constitui-se definitivamente como fornecedor de recursos naturais das duas
superpotências. A China não impõe contrapartidas políticas, enquanto os Estados Unidos não são
indiferentes aos problemas de segurança e às emergências humanitárias. A não ingerência de Pequim é
mais sedutora para os Estados africanos.
Com a ascensão da China ao estatuto de superpotência, o novo milénio apresenta-se como um
mundo bipolar tendo como centros Washington e Pequim. A nova realidade é visível especialmente no
relacionamento do G2, a China e Estados Unidos, com África. Os países do continente menos
desenvolvido passaram a contar com as opções das vias norte-americana ou chinesa. Pequim oferece a
harmonia ao proclamar a ajuda ao desenvolvimento sem pré-condições e ao prezar a paz,
desenvolvimento e comércio e ignorar modelos políticos ou económicos. O gigante asiático não está nos
negócios com África para exportar modelos de desenvolvimento ou projetos políticos, em oposição aos
Estados Unidos, que pretendem contrapartidas como mais democracia, liberdade, direitos humanos e o
domínio da lei.
O Governo de Hu Jintao pretende apenas fazer negócios em paz sob a sua conceção do mundo
em que o crescimento é o objetivo absoluto. Uma visão estratégica assente na convicção de que a
economia resolverá a maioria dos problemas de direitos e desenvolvimento humano do continente. Esta
ênfase na harmonia abona a favor de Pequim, tanto mais que rivaliza com a estratégia de compensações
norte-americana. «Se o consenso de Washington é ideologicamente intervencionista, o emergente
consenso de Pequim parece ideologicamente agnóstico», observa Roger Cohen, colunista do diário «The
New York Times».
Enquanto a Administração norte-americana condiciona a ajuda a África à democracia e combate à
corrupção, a China faz acordos energéticos sem pré-condições como o estabelecido no FOCAC, o fórum
de cooperação China-África. Os países africanos têm agora uma superpotência alternativa e podem
desvalorizar não só os Estados Unidos, como o G8, grupo dos países mais industrializados, e as ONG de
ajuda ao desenvolvimento, muito preocupadas com a boa governabilidade e os direitos humanos. (…)”
In http://www.alem-mar.org

1. Para cada um dos itens de 1.1. a 1.7., escolhe a alternativa correta, de acordo com o sentido do texto:
1.1. Segundo o primeiro parágrafo do texto,
a. os negócios entre África, a China e os Estados Unidos são harmoniosas.
b. as negociações com a China são consideradas mais vantajosas.
c. os Estados Unidos são um país sem preocupações sociais.
d. o regime chinês não necessita dos recursos naturais africanos.

1.2. Neste novo século,


a. continua a verificar-se a supremacia dos Estados Unidos da América sobre o mundo.
b. a China aspira cada vez mais ao estatuto de superpotência.
c. o continente africano já depende pouco da ajuda externa.
d. o maior país da Ásia continua a não valorizar os direitos humanos.

1.3. O que significa o enunciado “em oposição aos Estados Unidos, que pretendem contrapartidas como
mais democracia, liberdade, direitos humanos e o domínio da lei.” (2º parágrafo)?
a. Os Estados Unidos seguem as mesmas ideologias da China.
b. Os Estados Unidos procuram fazer respeitar a democracia no seu país.
c. A China e os Estados Unidos têm pontos de vista diferentes no que concerne aos negócios com África.
d. Os Estados unidos não são uma nação interventiva.

1.4. Qual é o processo irregular de formação de palavras que se verifica em “FOCAC” (último parágrafo)?
a. Truncação.
b. Empréstimo.
c. Sigla.
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d. Acrónimo.

1.5. A expressão “O gigante asiático”, referido no segundo parágrafo, pretende retomar a palavra “China”,
sendo considerada, por isso,
a. uma anáfora.
b. uma catáfora.
c. um correferente.
d. uma elipse.

1.6. Que figura de retórica se verifica no enunciado “continente menos desenvolvido” (2º parágrafo)?
a. Eufemismo.
b. Perífrase.
c. Antonomásia.
d. Metonímia.

1.7. Que figura de retórica se verifica no enunciado “Pequim oferece a harmonia (…)” (2º parágrafo)?
a. Metonímia.
b. Metáfora.
c. Eufemismo.
d. Pleonasmo.

2. Responde, de forma correta, aos itens apresentados.

2.1. Indica a que classe de palavras pertence a palavra sublinhada em “Pequim oferece a harmonia ao
proclamar a ajuda ao desenvolvimento sem pré-condições”.
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2.2. Identifica a função sintática sublinhada no enunciado “Os países do continente menos desenvolvido
passaram a contar com as opções das vias norte-americana ou chinesa.” (2º par.).
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2.3. Classifica a oração subordinada presente no enunciado “em oposição aos Estados Unidos, que
pretendem contrapartidas como mais democracia, liberdade, direitos humanos e o domínio da lei.” (2º
par.).
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III

Num texto bem estruturado, entre 150 e 200


palavras, comenta o cartoon apresentado, refletindo
sobre a importância que os computadores assumem
na vida do Homem: moderno.

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BOM TRABALHO!!!
A professora Adelaide da Cruz

COTAÇÕES:

Grupo I………… 100 pontos B…………………….. 30 (C=18+O=12)

1………………… 15pontos (C=9+O=6) Grupo II …………….. 50 pontos

2………………….10 pontos (C=6+O=4) 1……………………… 35 pontos

3.………………..20 pontos (C=12+O=8) 2……………………… 15 pontos

3.1……………..10 pontos (C=6+O=4) Grupo III…………….. 50 pontos (C=30+O=20)

4………………. 15 pontos (C=9+O=6)

Conteúdo = C Organização e Correção Linguística = O

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