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Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

VINCULAÇÃO E ESTILOS PARENTAIS: PAPEL DAS COMPETÊNCIAS

SOCIAIS NA IDEAÇÃO SUICIDA DE ADOLESCENTES

Dissertação de Mestrado em Psicologia Clínica

Filipa Manuela dos Santos Nunes

Orientação: Professora Doutora Catarina Pinheiro Mota

Vila Real, 2014

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Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

VINCULAÇÃO E ESTILOS PARENTAIS: PAPEL DAS COMPETÊNCIAS

SOCIAIS NA IDEAÇÃO SUICIDA DE ADOLESCENTES

Dissertação de Mestrado em Psicologia Clínica

Filipa Manuela dos Santos Nunes

Dissertação apresentada para a obtenção do Grau de Mestre

em Psicologia Clínica pela Universidade de Trás-os-Montes

e Alto Douro, Departamento de Educação e Psicologia, sob

a orientação da professora Doutora Catarina Pinheiro Mota

Vila Real, 2014

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Aos meus pais e às minhas irmãs…

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Agradecimentos

A realização do Mestrado em Psicologia Clínica estabeleceu um ápice de frenéticas

aprendizagens que inevitavelmente concorreram para a minha formação académica e para o

meu crescimento pessoal. O término desta etapa resulta não apenas de um esforço e

dedicação individual, mas antes da contribuição indescritível de inúmeras pessoas que de

modo direto ou indireto privaram comigo. Desta feita, não posso deixar de mencionar aqueles

que me acompanharam ao longo de todo este percurso académico cuja singularidade me

marcou tendo, portanto, contribuído para a concretização deste projeto pessoal.

Dedico, particularmente os mais verdadeiros e honrosos agradecimentos à Professora

Doutora Catarina Pinheiro Mota, não apenas pela orientação exímia a nível científico, mas

também por toda a disponibilidade, dedicação e apoio. Pela presença constante, pelos

conhecimentos e saberes partilhados e pelas críticas construtivas que me ajudaram a crescer e

a fazer mais e melhor. Pela exigência, rigor e persistência decretada que incitaram a procura

de um maior conhecimento e competência.

À Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro enquanto estabelecimento de

ensino e ao corpo docente do Mestrado em Psicologia Clínica que contribuiu com os seus

saberes para a minha formação e para a implementação de uma atuação pautada pela

competência e rigor.

A todas as instituições de ensino que me acolheram, da melhor forma, facilitando o

processo de recolha de dados e a todos os jovens e adolescentes pela sua disponibilidade e

motivação para participar nesta investigação.

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À Dr.ª Marisa Borges pelo profissionalismo, pela sincera amizade e pela total

disponibilidade que sempre revelou para comigo. Pela força, apoio e compreensão empática

transmitidos nos momentos em que a fragilidade e o desgaste quiseram vencer.

A todos os meus amigos pelas experiencias únicas e indescritíveis, pelo carinho e

compreensão incondicionais mesmo perante a minha ausência prolongada. À Felícia, ao

André, ao Gil e à Tânia pelas experiências partilhadas e por terem contribuído para o meu

crescimento enquanto Ser Humano.

À Raquel, Emmilie, Patrícia, Sara e Lina parceiras eternas desta jornada

académica.

À Fátima companheira inicial deste percurso e à Filipa descoberta nesta reta final,

pela troca de ideias, pelo carinho e pela motivação nos momentos de significativo desgaste.

Acima de tudo pela amizade, pela energia e alegria que me contagiou, por terem sido o meu

“porto seguro”. Unidas chegamos mais longe.

A toda a minha Família, por acreditarem sempre em mim e na minha competência e

por todos os ensinamentos. Ressalto, particularmente, a minha gratidão ao meu pai pelo seu

rigor e perfeccionismo; à minha mãe pelo seu amor e apoio incondicionais; à minha irmã

Fátima pela sua inteligência e perspicácia; à minha irmã Carla pela sua jovialidade e

inocência; à minha avó Maria pela sua “escola da vida” e ao meu avô Vitorino que esteja

onde estiver foi quem mais me ensinou.

A todos, o meu mais autêntico e imperecível, OBRIGADA!

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Índice

Introdução ................................................................................................................................ 1

Estudo empírico I ..................................................................................................................... 5

Estilos parentais e ideação suicida em adolescentes: Efeito mediador da vinculação aos


pais............................................................................................................................................. 5

Resumo ...................................................................................................................................... 7

Abstract ..................................................................................................................................... 8

Papel das relações primordiais no desenvolvimento infanto-juvenil ......................... 9

Papel da vinculação aos pais na associação entre os estilos parentais e a ideação

suicida na adolescência ........................................................................................................ 11

Objetivos e hipóteses ................................................................................................ 13

Método ................................................................................................................................... 14

Participantes ............................................................................................................. 14

Instrumentos ............................................................................................................. 14

Procedimento ............................................................................................................ 17

Estratégias de análise de dados................................................................................. 17

Resultados .............................................................................................................................. 19

Variância da vinculação aos pais, dos estilos parentais e da ideação suicida em

função da idade, sexo e sintomatologia depressiva .............................................................. 21

Efeito do estilo parental democrático na ideação suicida: Papel mediador da

vinculação aos pais ............................................................................................................... 23

Discussão ................................................................................................................................. 26

Referências ............................................................................................................................. 34

Estudo empírico II ................................................................................................................ 39


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Papel protetor da vinculação aos pais e das competências sociais na ideação suicida de
adolescentes ........................................................................................................................... 39

Resumo ................................................................................................................................... 41

Abstract .................................................................................................................................. 42

Vinculação aos pais e competências sociais ............................................................. 43

Papel da vinculação aos pais e das competências sociais na ideação suicida dos

adolescentes .......................................................................................................................... 45

Objetivos e hipóteses ................................................................................................ 47

Método ................................................................................................................................... 48

Participantes ............................................................................................................. 48

Instrumentos ............................................................................................................. 48

Procedimento ............................................................................................................ 50

Estratégias de análise de dados................................................................................. 51

Resultados .............................................................................................................................. 52

Variância da vinculação aos pais, das competências socais e da ideação suicida em

função da idade e sexo dos participantes e idade das respetivas figuras parentais .............. 53

Papel preditor da vinculação aos pais e das competências sociais na ideação suicida

.............................................................................................................................................. 56

Discussão ................................................................................................................................. 57

Referências ............................................................................................................................. 67

Referências gerais ................................................................................................................. 77

ÍNDICE DE TABELAS E FIGURAS .................................................................................. 79

ANEXOS ................................................................................................................................. 79

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Introdução
De acordo com uma perspetiva ecológica, a família constitui uma fonte de

socialização primária assumindo um papel relevante na transmissão de componentes afetivas

e no desenvolvimento psicossocial da criança e do adolescente (Rockhill, Stoep, McCauley,

& Katon, 2009). Um ponto de vista mais holístico permite perceber que a qualidade das

relações primordiais estabelecidas com as figuras significativas de afeto podem constituir um

meio de preparação, através do qual o indivíduo aprende a enfrentar desafios, assumir

responsabilidades e compromissos, no sentido de concretizar projetos integrados no meio

social (Bowlby, 1969). Isto porque, os vínculos significativos representam ligações

exclusivas e singulares que permitem e incentivam a procura de apoio, conforto e segurança,

ingredientes que podem concorrer para um funcionamento psicológico mais resiliente

(Ainsworth, 1969).

Partindo dos pressupostos traçados pela teoria da vinculação, Baumrind (1991)

defende que os estilos parentais, ao definir a natureza afetiva e relacional da díade pais-filhos,

podem também contribuir significativamente para a trajetória desenvolvimental do

adolescente. Para a autora, o estilo parental veicula a disponibilidade afetiva face à criança

mediante a qualidade da atenção, o tom de voz empregue e as respostas emocionais

evidenciadas pelos pais perante os seus filhos (Baumrind, 1996). Assim a qualidade dos laços

emocionais desenvolvidos com as figuras cuidadoras e os estilos parentais implementados

durante a infância e adolescência parecem constituir importantes fatores face ao

desenvolvimento afetivo dos jovens (Baumrind, 1991; Bowlby, 1969), na medida em que

contribuem para a aquisição de competências sociais e para uma gestão adaptativa dos

conflitos internos (Brás & Cruz, 2008; Lizardi et al., 2011).

A qualidade da vinculação com as figuras cuidadoras e dos estilos parentais tem,

também, vindo a ser apontadas enquanto fontes de aquisição de competências sociais,

sugerindo-se que os jovens que mantêm vinculações seguras e uma interação democrática
1
com as figuras parentais se revelam mais autónomos e reportam uma maior responsabilidade

social e assertividade (e.g., Bennett & Hay, 2007; Faria, 2008). Cabe ressaltar que as

competências sociais constituem comportamentos desenvolvidos numa situação interpessoal

através da manifestação coerente de afetos, desejos, crenças e/ou atitudes (Elliott & Busse,

1991; Gresham, 1986). A sua aquisição congruente parece revelar-se importante, uma vez

que a interação e a aceitação social estabelecem uma necessidade básica da espécie humana.

Nesta medida, o estudo da dinâmica familiar e processos inerentes à vinculação e aos estilos

parentais, revela-se pertinente na compreensão das competências sociais que possibilitam um

conhecimento mais profundo das vivencias emocionais e riscos inerentes aos adolescentes.

Desta feita, são vários os autores que sugerem a adolescência enquanto uma etapa

desenvolvimental pautada por períodos de reestruturação psíquica e de significativa

instabilidade emocional que se pode associar a uma maior vulnerabilidade face ao risco (e.g.,

Macedo, 2010). É nesta perspetiva de labilidade e reorganização que Marcelli e Braconnier

(1989) consideram que os adolescentes, face ao esgotamento de recursos, podem equacionar

a ideação suicida como uma forma de “fuga” a um sofrimento insustentável. Segundo a

literatura o comportamento suicida compreende três categorias distintas nomeadamente a

ideação, a tentativa e o suicídio consumado, as quais se apresentam num continuum de

severidade e heterogeneidade crescente (e.g., Araújo, Vieira, & Coutinho, 2010). Assim, a

ideação suicida definindo-se pela presença de ideias e planos sobre o término da própria vida,

como tentativa de alívio de uma angústia mediante o atentado ao próprio corpo, constitui um

potencial precedente do suicídio consumado (e.g., Borges & Werlang, 2006).

Segundo os dados reportados pela Organização Mundial de Saúde (OMS, 2012), o

suicídio constitui um grave problema de saúde pública atingindo cerca de um milhão de

pessoas por ano, a nível mundial. Os relatórios mais recentes da Sociedade Portuguesa de

Suicidologia (SPS, 2014) sugerem que o número de suicídios em Portugal aumentou

significativamente tendo praticamente duplicado do ano de 2000 para 2011 (9.6 por 100.000
2
habitantes). A expressividade destes dados é preocupante mas agudiza-se, ainda mais pelo

facto de os mesmos se encontrarem incompletos, visto o comportamento suicida constituir

um fenómeno manifestamente subdeclarado em função do estigma político, religioso e

sociocultural que lhe é associado. Desta feita, urge a necessidade da implementação de novos

estudos que promovam um conhecimento mais próximo da realidade atual e a implementação

de estratégias que visem a prevenção da ideação suicida.

Neste sentido, a presente dissertação encontra-se organizada em torno de duas

investigações distintas, mas complementares, que versam a temática “Vinculação e estilos

parentais: Papel das competências sociais na ideação suicida de adolescentes”. Objetiva

analisar o papel das relações de vinculação, dos estilos parentais e das competências sociais

no desenvolvimento de ideação suicida no período da adolescência. Assim sendo, o primeiro

estudo pretende analisar o efeito dos estilos parentais na ideação suicida controlando o papel

mediador da qualidade da vinculação aos pais. O segundo estudo, por sua vez, pretende testar

o papel protetor das competências sociais e da vinculação aos pais na ideação suicida, sendo

ainda controladas variáveis pessoais dos jovens como o sexo e a idade. Sob um ponto de vista

prático visa-se, sobretudo fomentar um maior conhecimento acerca da vinculação e dos

estilos parentais enquanto fontes de proteção face à ideação suicida dos adolescentes. Neste

sentido, pretende-se possibilitar intervenções clínicas mais precoces, abrangentes e

estruturadas que fomentem a profilaxia da psicopatologia infanto-juvenil mediante a

sinalização prematura de fatores de risco ou problemas do desenvolvimento. De ressaltar,

ainda, que o protocolo de avaliação que foi construído para a elaboração dos estudos

empíricos se encontra em anexo (anexo 2).

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Estudo empírico I

Estilos parentais e ideação suicida em adolescentes: Efeito mediador da vinculação aos

pais

Parenting styles and suicidal Ideation in adolescents: Mediational effect of attachment

to parents

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Resumo

De acordo com a Organização Mundial de Saúde o suicídio atinge cerca de um milhão

de pessoas por ano estabelecendo a segunda causa de morte na adolescência. Embora a

natureza/dinâmica da relação entre pais e filhos sofra algumas alterações durante a

adolescência, a qualidade da vinculação às figuras significativas, assim como, a adoção de

estilos parentais democráticos, podem constituir fatores protetores para o adolescente em

situações de maior vulnerabilidade face ao risco. O presente estudo procura analisar o papel

dos estilos parentais no desenvolvimento de ideação suicida em adolescentes, bem como

testar o papel mediador da vinculação aos pais na associação entre o estilo parental

democrático e a ideação suicida. A amostra foi constituída por 604 indivíduos, com idades

entre os 15 e os 18 anos de idade. Para a recolha dos dados, recorreu-se ao Styles &

Dimensions Questionnaire: Short Version, Questionário de Vinculação ao Pai e à Mãe,

Questionário de Ideação Suicida. Os resultados apontam para uma predição negativa dos

estilos parentais democráticos face à ideação suicida, confirmando o papel mediador da

vinculação aos pais na associação entre o estilo parental democrático e a ideação suicida. Os

resultados serão analisados à luz da teoria da vinculação considerando a importância dos

estilos parentais na compreensão dos processos inerentes à ideação suicida na adolescência.

Palavras-chave: Vinculação, estilos parentais, ideação suicida.

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Abstract

According to the World Health Organization suicide affects about one million people

a year establishing the second cause of death in adolescence. Although the nature / dynamics

of the relationship between parents and children has modifications during adolescence, the

quality of attachment to significant figures, as well as the adoption of democratic parenting

styles, may be protective factors for adolescents in situations of higher vulnerability to risk.

This study seeks to analyze the role of parenting styles in the development of suicidal

ideation in adolescents as well as test the mediational role of attachment to parents in the

association between democratic parenting style and suicidal ideation. The sample consisted of

604 individuals, aged between 15 and 18 years old. For data collection, we used the Styles &

Dimensions Questionnaire: Short Version, Questionnaire Attachment to Father and Mother,

Suicidal Ideation Questionnaire. The results suggested a negative prediction of democratic

parenting style relatively to suicidal ideation, confirming the mediator role of attachment to

parents in the association between democratic parenting style and suicidal ideation. The

results will be analyzed according to the attachment theory considering the importance of

parenting styles on understanding the processes involved in suicidal ideation in adolescence.

Keywords: Attachment, parenting styles, suicidal ideation.

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Papel das relações primordiais no desenvolvimento infanto-juvenil

Descrita originalmente por Bowlby (1969), a vinculação consiste na habilidade

intrínseca ao ser humano para criar e desenvolver vínculos afetivos intensos. O

desenvolvimento de elos emocionais com as figuras significativas propicia uma progressiva

maturação emocional, a partir da qual emerge um sentido interno de segurança pessoal que

predispõe e capacita a criança para a exploração de si, dos outros e do mundo, num clima de

segurança. Assim sendo, o laço emocional que se estabelece na díade cuidador-criança detém

uma função de sobrevivência e proteção, de tal modo que a qualidade desse vínculo pode

assumir uma certa preponderância ao nível do desenvolvimento físico e emocional da criança

(Ainsworth, 1969; Bowlby, 1969).

Neste seguimento, Bowlby (1969) preconiza a existência de ligações seguras e

inseguras, realçando que as mesmas podem predizer a qualidade das relações interpessoais

desenvolvidas pelo indivíduo no decurso da sua vida. A evidência empírica sugere que uma

criança que mantém uma ligação segura com as suas figuras de referência sente-se valorizada

e compreendida em função dos cuidados que lhe são dedicados, evidenciando um

desenvolvimento psicoafetivo mais equilibrado. Por sua vez, uma criança com uma ligação

pautada pela ansiedade de separação e a inibição tende a avaliar o mundo como um local

perigoso pela carência de proteção, conforto e apoio emocional, tornando-se mais vulnerável

face ao risco (e.g., Meier, Carr, Currier, & Neimeyer, 2013; Wedekind et al., 2013).

Na conceção de Michiels, Grietens, Onghena, e Kuppens (2010) apesar de o

desenvolvimento da criança ser pautado pela disposição para criar laços emocionais, a

natureza e dinâmica de tais ligações afetivas depende do ambiente parental a que a criança se

encontra exposta. Desta forma, Roelofs, Meesters, Huurne, Bamelis, e Muris (2006)

acrescentam que a qualidade dos estilos parentais implementados na infância pode contribuir

para o desenvolvimento emocional da criança, visto que, a construção/interiorização das

primeiras representações, de si e dos outros, surge a partir das interações com os


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pais/cuidadores. Nesta perspetiva, torna-se importante salientar que os estilos parentais

compreendem o reportório comportamental das figuras cuidadoras que é desenvolvido num

ambiente emocional, incluindo simultaneamente, dimensões da relação diádica entre pais-

filhos – tom de voz e linguagem corporal – e, também, as práticas parentais (Baumrind, 1991;

1996). Denote-se que estas últimas encerram estratégias específicas com o propósito de

incentivar ou suprimir a execução de determinadas condutas por parte da criança.

Contrariamente, o estilo parental utilizado veicula uma disposição afetiva face à criança que

reflete o sentimento dos pais para com aos filhos. Desta forma, pode contribuir para a

qualidade do laço emocional estabelecido na díade cuidadores-criança (Darling & Steinberg,

1993; Simões, 2011).

No decurso dos anos 60, Baumrind (1991) desenvolveu uma abordagem tipológica

que integra três estilos parentais: o democrático que é definido como o mais equilibrado, e o

autoritário e permissivo que caracterizam dois extremos de disfuncionalidade. De acordo com

a autora, o estilo democrático caracteriza-se pela determinação de regras, a independência, a

conformidade com a disciplina, o suporte emocional, a autonomia e a comunicação clara,

enquanto que o estilo autoritário se define pela obediência, ordem, autoridade, ausência de

comunicação e punição na interação parental. O estilo permissivo, por sua vez, é

caracterizado pela tolerância excessiva, a indulgência e ausência de regras e punição, no qual

as crianças são livres de tomarem as suas próprias decisões crescendo com a ausência de uma

base segura de apoio e suporte que as direcione quando necessário (e.g., Baumrind, 1991;

1996).

Segundo diversas investigações, as crianças educadas dentro de um estilo democrático

detêm maior capacidade para suportar vivências e sentimentos negativos (e.g., Morris, Silk,

Steinberg, Myers, & Robinson, 2007; Silva, Morgado, & Maroco, 2012) enquanto que os

filhos de pais autoritários e permissivos são mais vulneráveis ao desenvolvimento de certas

condições clínicas como depressão, que se podem associar a condutas autodestrutivas (e.g.,
10
Fotti, Katz, Affi, Candidate, & Cox, 2006; Lizardi et al., 2011). Importa, contudo, realçar que

esta última situação não é linear, tornando-se mais frequente mediante a carência de afeto e a

presença de um vínculo inseguro com as figuras significativas (Simões, 2011). Pelo exposto,

depreende-se que o estudo dos processos inerentes à vinculação parental, assim como, aos

estilos parentais pode ser relevante no que concerne à compreensão das condutas

evidenciadas pelos adolescentes.

Papel da vinculação aos pais na associação entre os estilos parentais e a ideação suicida

na adolescência

Na perspetiva de Fleming (2005), a adolescência constitui um período propício à

aparição de determinadas atitudes irreverentes e ao questionamento dos modelos e

paradigmas infantis (desidealização das figuras parentais) que são inevitáveis ao próprio

crescimento. Macedo (2010) destaca, a propósito, que a fase inicial da adolescência é

demarcada por alterações biológicas e ambientais perante as quais o indivíduo enfrenta uma

certa instabilidade psíquica que o pode tornar mais vulnerável. Alguns adolescentes são

capazes de enfrentar e superar os vários desafios e exigências desenvolvimentais, enquanto

que outros evidenciam um esgotamento (burn-out) de recursos.

Na conceção de Macedo (2010) muitos adolescentes perante a ausência de recursos

pessoais para gerir o sofrimento recorrem, muitas vezes, a condutas autodestrutivas,

nomeadamente ideação suicida, como meio de suprimir a intensidade dos seus conflitos

psíquicos. Denote-se que ideação suicida pode ser definida pelo polo de “menor severidade”

do comportamento suicida por se caracterizar apenas pela presença de pensamentos, ideias

e\ou desejos, dados a conhecer pela pessoa, quanto ao término da sua vida.

De acordo com Borges e Werlang (2006) é entre os 15 e os 19 anos de idade que a

violência autodirigida se torna mais evidente constituindo, mesmo, a segunda causa de morte

nesta faixa etária a nível mundial. Para Marcelli e Braconnier (1989) a ideação suicida, na
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adolescência surge não raras vezes, como uma forma de “fuga para a frente” no sentido de

“escape”, mediante o atentado ao próprio corpo, de uma situação sentida como insuportável.

Segundo a evidência empírica os adolescentes mais jovens, do sexo feminino e com

ligações inseguras no seio familiar evidenciam níveis mais elevados de ideação suicida (e.g.,

DiFilippo & Overholser, 2000). Os autores referem que a instabilidade patente na fase inicial

da adolescência e as relações pautadas pela ansiedade de separação e inibição da

individualidade acarretam maior vulnerabilidade face ao risco, podendo eventualmente

despoletar uma desadaptação psicossocial que, por sua vez, aumenta o risco de patologia que

se pode associar a ideações suicidas.

Nesta medida, salienta-se que a teoria da vinculação tem sido proposta como um

quadro desenvolvimental para se compreender a associação das relações primordiais

significativas com outras variáveis que possam produzir uma maior vulnerabilidade face ao

risco de ideações suicidas (Adam, 1994). De acordo com Bowlby (1988) a segurança no seio

das relações primordiais potencia o desenvolvimento de modelos internos dinâmicos em que

o indivíduo constrói uma imagem positiva de si e dos outros. Por seu turno, os indivíduos que

crescem no seio de vínculos inseguros vivenciam relações de desconfiança pautadas pela

desvalorização pessoal, carência de afetos e punição, a partir das quais desenvolvem a

conceção de si como não merecedor de amor e dos outros como pouco competentes e

sensíveis para suprimir as suas necessidades. Face a isto, poderão autocompreender-se como

menos competentes, evidenciando uma menor autoestima e uma regulação funcional

deficiente, o que pode diminuir a sua capacidade de utilizar habilidades eficazes de gestão

dos conflitos (e.g., Brás & Cruz, 2008; Gonçalves, Freitas, & Sequeira, 2011).

Apesar disto, DiFilippo e Overholser (2000) realçam que a convivência com alguns

fatores de proteção pode direcionar o desenvolvimento do indivíduo para uma trajetória mais

resiliente. Neste sentido, Jakobsen, Horwood, e Fergusson (2012) destacam que embora a

natureza da relação entre pais e filhos seja redefinida na adolescência, a qualidade da ligação
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afetiva às figuras parentais nesse período constitui um importante fator protetor face às

adversidades. De acordo com a evidência empírica, a aquisição de autonomia e o

desenvolvimento da identidade pessoal, estabelecem tarefas específicas da adolescência, que

se foram cumpridas mediante ligações seguras com os pais, propiciam um desenvolvimento

psicoafetivo pautado pela ausência de problemas significativos (e.g., Doyle, Lawford, &

Markiewicz, 2009). Desta forma e de encontro às lacunas encontradas na literatura, no que

concerne à abordagem da ideação suicida em adolescentes, torna-se pertinente desenvolver

novas investigações que possibilitem um conhecimento mais profundo desta problemática e,

concomitantemente intervenções mais precoces.

Objetivos e hipóteses

O presente estudo tem como principal objetivo analisar o papel dos estilos parentais e da

vinculação aos pais no desenvolvimento de ideação suicida em adolescentes. Desta forma

pretende-se observar as associações entre estilos parentais, ideação suicida e qualidade da

vinculação aos pais. Objetiva-se, igualmente, analisar as diferenças dos estilos parentais, da

ideação suicida e da qualidade da vinculação aos pais em função das dimensões

sociodemográficas da amostra, particularmente idade, sexo e sintomatologia depressiva. Por

fim, pretende-se analisar em que medida a qualidade da vinculação aos pais pode exercer um

efeito mediador na associação entre o estilo parental democrático e a ideação suicida.

Tomando em consideração a evidência empírica, aguarda-se que as dimensões dos estilos

parentais, da vinculação aos pais e a ideação suicida se correlacionam significativamente.

Espera-se, também, que os estilos parentais, a vinculação aos pais e a ideação suicida

apresentem diferenças significativas face à idade e sexo. Aguarda-se, ainda, que os estilos

parentais democráticos predigam negativamente a ideação suicida e os estilos autoritário e

permissivo predigam positivamente a ideação suicida. Por último, espera-se que a vinculação

13
aos pais exerça um papel mediador na associação entre o estilo parental democrático e a

ideação suicida.

Método
Participantes

No estudo participaram 604 adolescentes portugueses com idades compreendidas

entre os 15 e os 18 anos (M = 15.99, DP = 0.97), dos quais 274 (45.4%) são do sexo

masculino e 330 (54.6%) são do sexo feminino. No que se refere ao ano de escolaridade, 224

(37.1%) adolescentes frequenta o 10º ano, 255 (42.2%) o 11º ano, 110 (18.2%) o 12º ano,

enquanto 15 (2.5%) frequenta o 1º ano da licenciatura. Relativamente à idade das figuras

parentais, os pais dos participantes apresentam idades compreendidas entre os 32 e os 71 anos

(M = 45.69, DP = 5.34) enquanto as mães apresentam idades entre os 31 e os 60 anos (M =

43.59, DP = 5.25).

Instrumentos

Questionário sociodemográfico - Foi construído um questionário sociodemográfico

que permitiu obter informações relativas à idade, sexo e escolaridade dos participantes e,

ainda, recolher informação acerca da idade das figuras parentais.

O Questionário de Vinculação ao Pai e à Mãe (QVPM) desenvolvido por Matos e

Costa (2001) foi utilizado para a avaliar as representações da vinculação que os adolescentes

têm face às figuras parentais. Este questionário na sua forma revista é composto por 30

questões distribuídas por três dimensões: a Qualidade do laço emocional (QLE, 10 itens) –

“Tenho confiança que a minha relação com os meus pais se vai manter no tempo” –; a

Ansiedade de separação (AS, 10 itens) – “É fundamental para mim que os meus pais

concordem com aquilo que eu penso” –; e a Inibição da exploração e individualidade (IEI, 10

itens) – “Os meus pais estão sempre a interferir em assuntos que só têm a ver comigo”. Para
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cada item, existem seis opções de resposta realizadas para o pai e mãe separadamente,

apresentadas numa escala tipo Likert que varia entre 1 (Discordo Totalmente) e 6 (Concordo

Totalmente). A análise de consistência interna demonstrou valores de alpha de Cronbach de

.83 para o pai e .77 para a mãe, relativamente à totalidade do instrumento. No que concerne

às dimensões analisadas verificaram-se os valores de alpha: IEI = .79 / .79, QLE = .93 / .88,

AS = .82 / .79, para o pai e mãe respetivamente. As análises fatoriais confirmatórias

verificaram que o QVPM apresenta índices de ajustamento adequados para os modelos

(SRMR = .07 / .05, CFI = .97 / .97, RMSEA = .07 / .07, χ2 (21) = 140.57, p = .001 / χ2 (24) =

90.04, p = .001) quer na sua versão para o pai e para a mãe respetivamente.

O Styles & Dimensions Questionnaire: Short Version (PSDQ) traduzido para a

população portuguesa por Nunes e Mota (2013) a partir da versão original de Robinson,

Mandleco, Olsen, e Hart (1996) foi utilizado com o objetivo de avaliar a perceção que os

adolescentes apresentam perante os estilos parentais das figuras cuidadoras. Trata-se de uma

escala de autorrelato composta por um total de 32 itens que estabelecem uma versão para a

“Pai” e outra para o “Mãe” nas quais as respostas se apresentam numa escala tipo Likert que

varia entre 1 (Nunca) e 5 (Sempre). Relativamente à organização do questionário, este

apresenta-se segundo três dimensões, na medida em que avalia os estilos parentais propostos

pelo modelo conceptual de Baumrind: democrático, autoritário e permissivo. O Estilo

Democrático (ED) inclui 3 subescalas: apoio e afeto, regulação, e cedência de

autonomia/participação democrática; o Estilo Autoritário (EA) inclui também 3 subescalas:

coerção física, hostilidade verbal e punição; e o Estilo Permissivo (EP) é constituído apenas

por uma subescala, a indulgência. Ainda que esta seja a organização basilar do instrumento,

torna-se importante salientar que na presente amostra a análise das propriedades

psicométricas do instrumento levaram à agregação das dimensões coerção física e punição

numa só, pelo que sob o ponto de vista semântico e estrutural obtiveram-se índices de

ajustamento mais adequados. Destaca-se, ainda, que através das análises confirmatórias de 1ª
15
ordem, se constatou que a dimensão hostilidade verbal não se encontra ajustada face ao

construto originalmente estabelecido pelo autor, pelo que, se optou por não analisar esta

variável de forma a não enviesar os resultados.

Mediante estas alterações foram analisadas 3 dimensões do Estilo democrático, cada

uma com 5 itens, sendo elas: Apoio e afeto “Os meus pais são sensíveis aos meus sentimentos

e necessidades”; Regulação “Os meus pais realçam os motivos das regras que

implementam”; e Cedência de autonomia e participação democrática “Os meus pais têm em

conta os meus desejos antes de me pedirem que faça algo”. Relativamente ao Estilo

Autoritário apenas foi analisada uma dimensão constituída por 8 itens, a Coerção física e

punição “Os meus pais castigam-me fisicamente como forma de me disciplinar”, enquanto

que no Estilo Permissivo foi analisada a dimensão da Indulgência que é constituída por 5

itens “Os meus pais cedem quando faço birra”. A análise de consistência interna demonstrou

valores de alpha de Cronbach de .86 para o pai e .81 para a mãe relativamente à totalidade do

instrumento. No que se refere à consistência interna de cada dimensão, registaram-se os

seguintes valores de alpha Cronbach: ED apoio e afecto = .85 / .82, ED regulação = .82 / .77,

ED cedência da autonomia e participação democrática = .84 / .81, EA coerção física e

punição = .77 / .08, EP indulgência = .65/ .65, para o pai e para a mãe respetivamente. Por

sua vez, as análises fatoriais confirmatórias apresentaram valores de ajustamento adequados

(SRMR = .07 / .07, CFI = .95 / .92, RMSEA = .07 / .08, / χ2(80) = 308.29, p = .001, χ2 (79) =

384.37, p = .001 / χ2(80) = 308.29, p = .001) para o pai e para a mãe respetivamente.

O Questionário de Ideação Suicida (QIS) adaptado por Ferreira e Castella (1999) do

Suicide Ideation Questionnaire, desenvolvido por Reynolds (1988) foi utilizado para avaliar a

ocorrência de pensamentos suicidas dos adolescentes. Este instrumento é unidimensional

constituído por 30 itens – “Pensei que seria melhor não estar vivo” –, cujas respostas são

apresentadas numa escala tipo Likert que oscila entre 1 (Nunca) e 7 (Sempre). Os estudos

psicométricos efetuados na presente amostra revelam um coeficiente de alfa de Cronbach de


16
.97. As análises fatoriais confirmatórias apresentam índices de ajustamento adequados para

os modelos (SRMR = .03, CFI = .95, RMSEA = .02, χ2 (35) = 445.22, p = .001).

Procedimento

A recolha de dados foi realizada de forma aleatória em diversas instituições de Ensino

Secundário da região norte de Portugal. Cabe ressaltar que, em cada instituição, foi realizada

uma reunião com os Diretores do Conselho Executivo, a quem foram solicitadas as devidas

autorizações e clarificados diversos aspetos do estudo como a sua pertinência, estrutura e

objetivos. Após a aceitação da proposta, os participantes consentiram a aplicação dos

questionários, através da assinatura do Termo Consentimento Livre e Esclarecido. A recolha

de dados decorreu em contexto de sala de aula, na presença do investigador responsável que

de forma sucinta, realizou uma série de instruções standard onde foram explicitados os

objetivos gerais do estudo, assim como, garantidos todos os pressupostos de voluntariedade,

privacidade, anonimato e confidencialidade das informações prestadas. De modo a evitar

enviesamentos nas respostas devido ao fator cansaço procedeu-se à inversão dos

questionários de autorrelato no protocolo de avaliação. A recolha de dados foi realizada em

Novembro e Dezembro de 2013, em 4 escolas secundárias nas turmas do 10º ao 12º ano, bem

como de forma aleatória na população em geral da região norte do país. De realçar, ainda,

que foi realizada uma reflexão falada com adolescentes entre os 15 e 18 anos de idade, que

permitiu verificar que o protocolo de avaliação se encontrava percetível em termos formais e

semânticos e que a sua aplicação requeria cerca de 45 minutos.

Estratégias de análise de dados

A presente investigação apresenta um cariz transversal dado que o conjunto de

medições foi realizado num único momento do tempo não existindo, portanto, um

seguimento temporal dos indivíduos. O método de estudo baseia-se, ainda, num paradigma
17
ético e deontológico onde as questões de privacidade, confidencialidade e anonimato foram

asseguradas (Freixo, 2011). O tratamento dos dados foi realizado com o programa estatístico

SPSS – Statistical Package for Social Sciences –, na sua versão 20.0 para o sistema Windows.

No sentido de identificar e excluir missings e eventuais outliers realizou-se, de forma

preliminar, uma limpeza da amostra. Para verificar se os dados da amostra seguiam os

pressupostos de normalidade foram analisados os valores de skeweness (assimetria) e kurtosis

(achatamento), procedendo-se, concomitantemente, à realização de uma série de análises

estatísticas que fornecem informação acerca da distribuição dos dados: teste de Kolmogorov-

Smirnov, os gráficos de Histogramas, Q-QPlots, Scatterplots e Boxplots (Maroco, 2007;

Pallant, 2001). Os valores calculados confirmaram que a amostra em estudo cumpria os

critérios de normalidade procedendo-se, neste sentido, a análises estatísticas mediante testes

paramétricos. Na sequência dos objetivos propostos foram levadas a cabo análises de acordo

com modelos de equações estruturais (SEM, recorrendo ao programa EQS 6.1.). Foi testada a

estrutura original dos instrumentos utilizados, de acordo com os modelos teóricos propostos,

através das Análises Confirmatórias de 1ª ordem. Foi, também realizado um conjunto de

análises estatísticas nas quais foram considerados valores de significância de p < .05 para a

interpretação dos dados. Destaca-se o recurso a análises correlacionais, médias e desvio

padrão das variáveis em estudo, assim como a análises de variância multivariada. Testou-se,

ainda, a presença de um efeito mediador da variável vinculação aos pais na associação entre

as variáveis estilo parental democrático e ideação suicida, através do Teste de Sobel. O Teste

de Sobel permite analisar a magnitude da predição da variável independente sobre a

dependente, assim como, o contributo da variável mediadora na relação inicial. Por outras

palavras, analisa o contributo da variável mediadora na relação existente entre as variáveis

independente e dependente (Baron & Kenny, 1986).

18
Resultados

Com o objetivo de analisar as associações entre os estilos parentais, a ideação suicida

e a qualidade da vinculação aos pais dos adolescentes, foram efetuadas análises

correlacionais entre os vários instrumentos utilizados. Os resultados das análises de

correlações inter-escalas e as respetivas médias e desvios-padrão, reportados na tabela 1,

permitem constatar que existem correlações significativas entre as variáveis em estudo.

No que concerne à associação entre a ideação suicida e as dimensões da escala

qualidade da vinculação aos pais os resultados indicam a existência de correlações

negativas e significativas de magnitude moderada com a qualidade do laço emocional (r = -

.31, p < .001) (r = -.25, p < .001) e uma correlação positiva e significativa de magnitude

moderada com a inibição da exploração e individualidade (r = .26, p < .001) (r = .28, p <

.001) face ao pai e à mãe respetivamente.

Relativamente à associação entre a ideação suicida e as dimensões dos estilos

parentais, os resultados indicam a existência de correlações negativas e significativas, de

magnitude entre fraca a moderada com o apoio e afeto, regulação e cedência de autonomia

e participação democrática (r = -.09, até r = -.27) face ao pai e à mãe. A ideação suicida

apresenta, ainda uma correlação significativa, no sentido positivo, de magnitude moderada

com a coerção física e punição e a indulgência (r = .11, até r = .28) face ao pai e mãe.

No que respeita às associações entre as dimensões da qualidade da vinculação ao

pai e as dimensões dos estilos parentais adotados pelo pai, os resultados apontam para a

presença de associações significativas. A dimensão qualidade do laço emocional ao pai

regista uma associação significativa, no sentido positivo e de magnitude entre moderada a

elevada com o apoio e afeto, a regulação e a cedência de autonomia e participação

democrática (r = .58, até r = .66) e no sentido negativo com magnitude fraca com a coerção

física e punição (r = -.19, p < .001). Por sua vez, a dimensão ansiedade de separação ao pai
19
apresenta correlações significativas no sentido positivo e de magnitude entre fraca a

moderada com o apoio e afeto, a regulação e a cedência de autonomia e participação

democrática (r = .39, até r = . 47). Por último, a dimensão da inibição da exploração da

individualidade ao pai apresenta uma correlação significativa, no sentido negativo e de

magnitude entre fraca a moderada com o apoio e afeto, a regulação e com a cedência de

autonomia e participação democrática (r = -.29, até r = -.46) e no sentido positivo com a

coerção física e punição e indulgência (r = .28, até r = .49).

Relativamente às associações entre as dimensões da qualidade da vinculação à mãe

e as dimensões dos estilos parentais adotados pela figura materna, os resultados apontam,

também para a presença de associações significativas. A dimensão qualidade do laço

emocional à mãe regista uma associação significativa no sentido positivo e de magnitude

moderada com o apoio e afeto, a regulação e a cedência de autonomia e participação

democrática (r = .46, até r = .65) e no sentido negativo e de magnitude fraca com a coerção

física e punição e indulgência (r = -.12, até r = -.27). Por sua vez, a dimensão ansiedade de

separação à mãe apresenta correlações significativas no sentido positivo e de magnitude

entre fraca a moderada com o apoio e afeto, a regulação e a cedência de autonomia e

participação democrática (r = .27, até r = .47). Por último, a dimensão da inibição da

exploração da individualidade à mãe apresenta uma correlação significativa de magnitude

entre fraca a moderada no sentido negativo com o apoio e afeto, a regulação e com a

cedência de autonomia e participação democrática (r = -.24, até r = -.43) e no sentido

positivo com a coerção física e punição e a indulgência (r = .30, até r = .52)

20
Tabela 1.
Correlação entre variáveis, média e desvio-padrão (N=604)
Variáveis 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17
Estilos parentais: Pai
1. Apoio e afeto -
2. Regulação .72** -

3. Cedência de autonomia e .76** .67** -


participação democrática
4. Coerção física e punição -.18** -.07 -.26** -
5. Indulgência .02 .04 .04 .37** -
Estilos parentais: Mãe
6. Apoio e afeto .71** .58** .60** -.17** -.06 -
7. Regulação .51 **
.85 **
.54** -.10** -.01 .62** -
8. Cedência de autonomia e ** ** ** **
.75 **
.60** -
.54 .53 .82 -.24 -.05
participação democrática
**
9. Coerção física e punição -.18** -.05 -.21** .81** .32** -.29 -.07 -.29** -
10. Indulgência -.04 .00 -.01 .36** .84** -.04 -.01 -.01 .42** -
Vinculação ao Pai
11. Inibição da exploração e -.39** -.29** -.46 ** .49** .28** -.32** -.25** -.38** .47** .26** -
individualidade
12. Qualidade do laço emocional .66** .58** .62** -.20** -.03 .47** .45** .48** -.21** -.11** -.35** -
** ** **
13. Ansiedade de separação .47 .37 .39 .03 .04 .37 **
.29 **
.32 **
-.02 -.03 -.04 .65** -
Vinculação à mãe
14. Inibição da exploração e
individualidade -.38** -.28** -.41** .42** .28** -.35** -.25** -.43** .52** .30** .85** -.33** -04 -

15. Qualidade do laço emocional .52** .43** .48** -.20** -.12** .65** .46** .58** -.27** -.12** -.38** .62** .44 -.42** -

16. Ansiedade de separação .58*


.30** .20** .25** .03 -.01 .45** .27** .36** -.02 .01 .01 .27** .79** -.05 * -

Ideação Suicida -.27** -.27** -.27** .23** .11** -.21** -.091* -.22** .28** .18** .26** -.31** -.06 .28** -.25** -.03 -

M 3.51 3.38 3.39 1.63 2.01 3.82 3.55 3.53 1.71 2.15 2.94 5.21 3.98 5.41 4.11 5.41 1.80
DP 1.04 .97 .976 .59 .75 .92 .89 .90 .67 .79 .90 .92 .92 .67 .87 .67 1.05
* p < .05 ; ** p < .01

Variância da vinculação aos pais, dos estilos parentais e da ideação suicida em função

da idade, sexo e sintomatologia depressiva

Com o objetivo de analisar as diferenças da qualidade da vinculação aos pais, estilos

parentais e ideação suicida em função das dimensões sociodemográficas da amostra

efetuaram-se análises de variância uni e multivariada (ANOVA e MANOVA).

No que respeita à idade foram estabelecidos dois grupos (dos 15 aos 16 anos; e dos

17 aos 18 anos) para se proceder às análises diferenciais, sendo que os resultados indicam a

ausência de diferenças estatisticamente significativas da qualidade da vinculação ao pai F(3,

570) = .52, p = .840, ƞ2 = .23 e à mãe F(1, 580) = .56, p = .644, ƞ2 = .17. As análises

21
multivariadas apontam, também, para a ausência de diferenças estatisticamente significativas

da idade face aos estilos parentais quer seja a nível do pai F(5, 567) = .87, p = .502, ƞ2 = .31

quer seja a nível da mãe F(5, 583) = 1.60, p = .157, ƞ2 = .56. Resultados similares foram

denotados relativamente à ideação suicida F(1, 591) = .15, p = .698, ƞ2 = .07.

Face à variável sexo, os resultados apontam para a ausência de diferenças

estatisticamente significativas do sexo relativamente à qualidade da vinculação com a figura

paterna F(3, 570) = 11.68, p = .054, ƞ2 = .99, e para a presença de diferenças estatisticamente

significativas com na qualidade da vinculação com a figura materna F(3, 580) = 10.94, p =.001,

ƞ2 = .99. A partir das análises univariadas foi possível verificar que esta diferenciação ocorre

na escala da ansiedade de separação face à mãe F(1, 421) = 23.38, p = .001, η2 = .99, na qual o

sexo feminino evidencia níveis mais elevados comparativamente com o sexo masculino.

As análises multivariadas apontam, também, para a presença de diferenças

estatisticamente significativas do sexo face ao estilo parental do pai F(3, 570) = 11.68, p =

.001, η2 = .99 e da mãe F(5, 583) = 5.79, p = .001, η2 = .99. As análises univariadas, indicam

que as diferenças ocorrem nas escalas regulação F(1, 571) = 10.27, p = .002, η2 = .83, cedência

de autonomia e participação democrática F(1, 571) = 4.40, p = .036, η2 = .55, coerção física

e punição F(1, 571) = 17.31, p = .001, η2=.99 e indulgência F(1, 571) = 5.46, p = .020, η2 = .65

face ao pai, nas quais o sexo masculino evidencia uma perceção mais elevada de regulação,

de cedência de autonomia e participação democrática, coerção física e punição e indulgência

comparativamente com o sexo feminino. As análises univariadas permitem, igualmente

observar diferenças nas escalas regulação F(1, 468) = 4.43, p = .036, η2 = .56 e coerção física e

punição F(1, 259) = 2.68, p = .014, η2 = .69 no que se refere à figura materna, sendo o sexo

masculino quem apresenta uma perceção mais elevada de regulação e coerção física e

punição quando comparado com o sexo feminino (tabela 2).

22
Relativamente às análises diferenciais da ideação suicida face à variável sexo, os

resultados revelam a presença de diferenças estatisticamente significativas F(1, 591) = 10,51, p

= .001, η2 = .90, sendo o sexo feminino a evidenciar níveis mais elevados de ideação suicida

comparativamente com o sexo masculino.

Tabela 2. Análise diferencial da vinculação aos pais, estilos parentais e ideação suicida em função do
sexo.
Direção das
Sexo M±DP IC95%
diferenças
Vinculação à mãe
1 – Feminino 4.28±.05 [4.18, 4.37]
Ansiedade de separação 1>2
2 – Masculino 3.93±.05 [3.82, 4.03]
Estilos parentais pai
1 – Feminino 3.26±.06 [3.15, 3.37]
Regulação 1<2
2 – Masculino 3.52±.06 [3.41, 3.64]
Cedência de autonomia e 1 – Feminino 3.32±.06 [3.21, 3.43]
1<2
participação democrática 2 – Masculino 3.49±.06 [3.37, 3.61]
1 – Feminino 1.53±.03 [1.47, 1.60]
Coerção física e punição 1<2
2 – Masculino 1.73±.04 [1.66, 1.80]
1 – Feminino 1.95±.04 [1.86, 2.03]
Indulgência 1<2
2 – Masculino 2.10±.05 [2.00, 1.19]
Estilos parentais mãe
1 – Feminino 3.48±.05 [3.38, 3.58]
Regulação 1<2
2 – Masculino 3.63±.06 [3.53, 3.74]
1 – Feminino 1.66±.04 [1.58, 1.72]
Coerção física e punição 1<2
2 – Masculino 1.79±.04 [1.71, 1.87]
1 – Feminino 1.93±.06 [1.81, 2.04]
Ideação suicida 1>2
2 – Masculino 1.65±.06 [1.53, 1.77]

Efeito do estilo parental democrático na ideação suicida: Papel mediador da vinculação

aos pais

Os resultados permitem observar um efeito inicial negativo do estilo parental

democrático no desenvolvimento da ideação suicida, destacando um valor significativo

relativamente à figura paterna (β = -.29). A análise do papel mediador da vinculação aos pais

foi realizada tendo em conta todas as dimensões que definem o estilo parental democrático

(apoio e afeto, regulação, cedência de autonomia e participação democrática) como preditoras

quer da vinculação aos pais (qualidade do laço emocional, ansiedade de separação e inibição

da exploração e da individualidade), quer da ideação suicida.

23
Foi calculado o efeito mediador da variável qualidade da vinculação aos pais com

recurso ao Modelo de Equações Estruturais, especificamente ao teste de Sobel. Constatou-se

que o estilo parental democrático da figura paterna prediz positivamente a vinculação ao

pai (β = .79), assim como se observa um efeito negativo da vinculação ao pai na ideação

suicida (β = -.31). Quando se introduz a variável mediadora da vinculação ao pai, no último

passo do teste de Sobel, observa-se que o efeito direto inicial do estilo parental democrático

da figura paterna sobre a ideação suicida (β = -.29) perde significância (β = -.01) denotando-

se assim uma mediação total da vinculação ao pai (Sobel test z = -7.11, SE = .08 , p = .001, β

= -.19 (Tabela 3). No que respeita aos índices de ajustamento do modelo final, estes

encontram-se adequados (χ2(23) = 121.29, p = .001, Ratio = 5.27, CFI = .98, SRMR = .06,

RMSEA = .09 (Figura 1).

Tabela 3.
Passos do teste de Sobel do modelo de mediação
Passos do Teste de Sobel B SE β P
Estilo parental e vinculação da figura paterna
1º Passo – Estilo democrático – Ideação suicida -.27 .04 -.29 p<.001
2º Passo – Estilo democrático – Vinculação ao pai .73 .03 .79 p<.001
3º Passo – Vinculação ao pai – Ideação suicida -.29 .04 .31 p<.001
4º Passo – Estilos democrático – Vinculação ao pai –
-.17 .08 -.19 p<.001
Ideação suicida – Efeito de Mediação
Z = -7.11, SE = .08, p < .001, β = -.19

24
Qualidade do Inibição da exploração Ansiedade de
laço emocional da individualidade separação

-0.44* -
0.90 * 0 0.55* 0
0.44*
.90* .55*
Vinculação ao pai
-.19*
0 -0.23* -
Apoio e afeto * 0.84* Ideação suicida 1
0.93
* 0
.93* 0.23* 0.92
* Estilo
0.81 Ideação *
Regulação democrático -.01 0.95
.92* Ideação
0 suicida 2
Pai Suicida
0.87* .95*
0.93* 0.87*
Cedência de 0 Ideação suicida 3
autonomia e .
participação .87* *
democrática Efeito da mediação -.19 (χ2(23) = 121.29, p = .001;

?ESTE VALOR CFI = .98, SRMR = .06, RMSEA = .09


Efeito direto
(perdeu a significância testada) Z = -7.11; SE = .08, p=.001, β= -.19

Figura1. Modelo representativo do efeito mediador da vinculação ao pai na associação entre o estilo
democrático adotado pela figura paterna e a ideação suicida.

No que concerne à figura materna, a testagem do modelo verifica que inicialmente a

variável de estilo parental democrático da figura materna assume um efeito negativo

sobre a ideação suicida (β = -.23). Constatou-se ainda que ao estilo parental da figura

materna prediz positivamente a vinculação à mãe (β = .79), assim como se observa um efeito

negativo da vinculação à mãe na ideação suicida (β = -.24). Quando se introduz a variável

vinculação à figura materna na equação final, constata-se que o efeito direto inicial do estilo

democrático da mãe sobre a ideação suicida (β = -.23) perde a significância (β = -.17)

denotando-se, tal como para o pai, uma mediação total (Sobel test z = -7.04, SE = .09, p =

.001, β = -.17 (Tabela 4). Os índices de ajustamento encontram-se adequados (χ2(23)= 103.32,

p = .001, Ratio = 4.49, CFI = .98, SRMR = .06, RMSEA = .08) (Figura 2).

25
Tabela 4.
Passos do teste se Sobel para o modelo de mediação.
Passos do Teste de Sobel B SE β P
Estilo democrático e vinculação da figura materna
1º Passo – Estilo democrático – Ideação suicida -.25 .05 -.23 p<.001
2º Passo – Estilo democrático – Vinculação à mãe .60 .03 .79 p<.001
3º Passo – Vinculação à mãe – Ideação suicida -.30 .05 ..24 p<.001
4º Passo – Estilo democrático – Vinculação à mãe
-.17 .09 .-.17 p<.001
– Ideação suicida – Efeito de Mediação
Z = -7.04, SE = .09, p < .001, β = -.17

Qualidade do Inibição da exploração Ansiedade de


laço emocional da individualidade separação

-0.51* -
0.89 *
0 0.62* 0

.90* 0.44* .55*


Vinculação à mãe
-.17*
-0.20* - Ideação suicida 1
Apoio e afeto
0.91* 0.82*
0.92* 0
Estilo 0.23*
0.68* -.02 Ideação 0.98 *
Ideação
0 suicida 2
Regulação democrático .92*
Mãe Suicida
0.83* .95*
0.87*
Cedência de 0.93*
Ideação suicida 3
autonomia e .
participação *
Efeito da mediação -.17 (χ2(23) = 103.32, p = .001,
democrática
?ESTEdireto
Efeito VALOR CFI = .98, SRMR = .06, RMSEA = .08
(perdeu a significância testada) z = -7.04, SE = .09, p < .001, β = -.17

Figura 2. Modelo representativo do efeito mediador da vinculação à mãe na associação entre o estilo
democrático adotado pela figura materna e a ideação suicida.

Discussão

O presente estudo assumiu como principal objetivo testar o papel dos estilos parentais

no desenvolvimento de ideação suicida em adolescentes, bem como analisar o papel

mediador da vinculação aos pais na associação entre o estilo democrático e a ideação suicida.

Os resultados alcançados apontaram que a qualidade do laço emocional aos pais se associa

positivamente com o estilo democrático e negativamente com os estilos autoritário


26
permissivo e a ideação suicida. Por sua vez, a ansiedade de separação face aos pais

associa-se positivamente com o estilo democrático enquanto que a inibição da exploração

da individualidade se associa negativamente com o estilo democrático e positivamente com

a ideação suicida. Deste modo parece que adoção de condutas democráticas no seio familiar

contribui para a qualidade do laço emocional estabelecido na tríade mãe-pai-adolescente,

potenciando um desenvolvimento psicoafetivo mais equilibrado, através do qual o indivíduo

evidencia uma menor propensão para a ideação suicida. Contrariamente, a adoção de

condutas pautadas pela rigidez e punição e fraca responsividade afetiva parece associar-se ao

estabelecimento de relações afetivas pautadas pela inibição da exploração e da

individualidade fomentando um maior risco de ideação suicida.

As conclusões formuladas vão ao encontro da conceção Bowlby (1969) que

compreende que os indivíduos que mantêm laços emocionais com as figuras parentais

pautados pela rigidez e carência afetiva edificam um modelo dos outros como seres

omnipotentes, o que se expressa na sua necessidade de aceitação e aprovação por parte dos

mesmos. Assim, a frustração decorrente desta necessidade, a perceção de desvalorização

pessoal e a instabilidade emocional característica da adolescência podem constituir fatores

precipitantes para a ideação suicida mediante o seu contributo na auto-estima do indivíduo

(Adam, 1994). Estes resultados validam assunções empíricas prévias que sugerem que o

estilo democrático se associa positivamente com a qualidade da vinculação (e.g., Simões,

2011) e que filhos de pais autoritários e indulgentes revelam uma maior predisposição a

ideação suicida (e.g., Iglesias & Romero, 2009). O estudo de Brás e Cruz (2008) sugere que a

vinculação insegura se encontra associada ao desenvolvimento de ideação suicida.

Os resultados auferidos no presente estudo reportam ainda a ausência de diferenças

significativas da idade na vinculação aos pais. Deste modo, sugere-se que a ligação afetiva

estabelecida na díade pais-adolescente evidencia uma certa estabilidade ao longo da

adolescência apesar da crescente importância que o grupo de pares assume para o indivíduo
27
nesta fase da vida. De acordo com Fleming (2005) a estabilidade observada na vinculação aos

pais pode ser explicada pelo facto de esta não ser redefinida nem reestruturada durante a

adolescência, mas antes por se manifestar e expressar de uma forma distinta. Estes resultados

corroboram a investigação longitudinal desenvolvida por Doyle et al. (2009) que apurou uma

estabilidade consistente da vinculação aos pais ao longo de toda adolescência.

Relativamente aos estilos parentais verificou-se, igualmente a ausência de

variabilidades significativas face à idade. Estes resultados são escassos na literatura, pelo que

se considera que a homogeneidade das experiências tidas pelos adolescentes pode ter

contribuído para uma perceção mais equitativa acerca dos estilos parentais. Segundo a

literatura, os jovens na fase inicial da adolescência tendem a sentir um suporte e apoio afetivo

mais consistente por parte das figuras parentais (e.g., Meeus, Iedema, Maassen, & Engels,

2005). Assim seria de esperar que o aumento da idade contribuísse para a perceção de menor

apoio afetivo a nível parental. Porém, também é sabido que a adolescência é caracterizada por

inúmeras aquisições, perante as quais o indivíduo vai desenvolvendo uma maior maturidade

cognitiva e emocional e redefinindo a importância das relações com os pais e com os pares,

(Marcelli & Braconnier, 1989). Apesar disto, Azevedo (2012) na sua investigação com uma

amostra de 136 adolescentes, também, verificou que a perceção que os adolescentes têm face

aos estilos parentais não varia em função da idade.

No que concerne à ideação suicida não foram observadas diferenças em função da

idade. Tal como comentado anteriormente, julga-se que os dados encontrados, no presente

estudo, podem ser explicados pela proximidade etária existente entre os grupos e,

concomitante similaridade e partilha das exigências desenvolvimentais. Na perspetiva de

Matos (2011) a adolescência é demarcada por significativas alterações biopsicossociais cuja

intensidade vai diminuindo com a aquisição progressiva de autonomia e da identidade

pessoal. Assim, para este autor a fase inicial da adolescência constitui um período de maior

instabilidade psíquica que pode fomentar um desajustamento emocional e, assim, associar-se


28
a condutas autodestrutivas. Deste modo, os resultados alcançados não são consistentes com a

evidência empírica que sugere que os adolescentes mais jovens evidenciam índices superiores

de ideação suicida (e.g., Machado & Oliveira, 2007).

Os resultados alcançados indicam, ainda, a presença de diferenças do sexo face à

vinculação aos pais, sendo o sexo feminino a evidenciar níveis mais elevados de ansiedade

de separação face à mãe comparativamente com o sexo masculino. Desta feita, sugere-se que

o sexo feminino atribui grande importância às relações afetivas que no decurso da

adolescência se caracterizam por inúmeras descontinuidades, facto que pode fomentar índices

mais elevados de ansiedade de separação. Considera-se, também, que observação desta

variabilidade apenas face à figura materna pode ser justificada pelo facto de a interação com

o pai e a mãe apresentar características distintas. De acordo com a literatura, apesar da

configuração familiar tradicional ter sofrido grandes alterações, determinando a redefinição

dos papéis parentais, existe a tendência de se preferir uma figura principal na procura de

segurança e conforto, na qual a mãe assume primazia (e.g., Monteiro, Veríssimo, Vaughn,

Santos, & Fernandes, 2008). Conclusões similares são descritas no estudo de Matos e Costa

(2006) que apurou numa amostra de 82 adolescentes que o sexo feminino denotava índices

mais elevadas de ansiedade de separação do que o sexo masculino. A evidência empírica

sugere, ainda, a ausência de diferenças estatisticamente significativas do sexo face à

vinculação ao pai, pelo facto de a relação estabelecida na díade pai-filho se aproximar do

companheirismo e interação lúdica mantida com o grupo de pares (e.g., Mayseless, 2005).

Tal como se aguardava verificaram-se, também, diferenças nos estilos parentais em

função do sexo, nos quais o sexo masculino apresentou uma perceção mais elevada de

regulação, coerção física e punição face ao pai e à mãe e de cedência de autonomia e

participação democrática e indulgência face ao pai comparativamente com o sexo feminino.

Desta forma, sugere-se que o sexo masculino perceciona um menor investimento parental

quando comparado com o sexo feminino. De acordo com Muris, Meesters, Merckelbach, e
29
Hülsenbeck (2000) na adolescência o sexo masculino tende a ser menos sensível ao estilo

parental do que o sexo feminino, uma vez que este último detém um formato de socialização

pautado, principalmente pelos aspetos da dinâmica relacional, o que poderá fomentar uma

maior perceção dos estilos parentais. Alguns estudos, por sua vez, apuraram que o sexo

masculino se mostra mais suscetível à influência parental e, assim, mais atento aos estilos

parentais (e.g., Hutz & Bardagir, 2006) enquanto que outras investigações sugerem a

ausência de diferenças significativas do sexo relativamente à perceção dos adolescentes face

aos estilos parentais (e.g., Costa, Teixeira, & Gomes, 2000). Atendendo a esta controvérsia

empírica, sugere-se que as vivências pessoais e interpessoais dos adolescentes contribuem de

forma mais consistente para a perceção que os mesmos têm acerca dos estilos parentais do

que propriamente as diferenças inerentes ao sexo.

Os resultados encontrados verificaram, também, diferenças na ideação suicida em

função do sexo, nas quais o sexo feminino, comparativamente com o sexo masculino,

evidencia maiores níveis de ideação suicida. Discutindo este resultado, julga-se que o sexo

feminino evidencia uma estrutura psíquica mais vulnerável face ao risco evidenciando um

menor leque de soluções cognitivas para enfrentar as dificuldades de forma positiva e

adaptativa. Estas conclusões são consistentes com a perspetiva de Marcelli e Braconnier

(1989) que apontam o sexo feminino como mais suscetível a desenvolver problemas de

internalização e o sexo masculino como mais predisposto a desenvolver perturbações de

externalização associadas a problemas de conduta e passagens ao ato. Para os autores uma

vivência pautada pelo vazio afetivo, desvalorização pessoal, desesperança face ao futuro e

por medos e angústias patológicas constitui um importante preditor de cognições sobre o

término da própria vida. Conclusões similares são descritas em diversos estudos, nos quais o

sexo feminino tende a manifestar mais ideação suicida, enquanto que o sexo masculino

evidencia uma maior propensão para o suicídio consumado (e.g., Borges & Werlang, 2006).

30
Por último, e de encontro aos objetivos propostos, os resultados sugerem a

importância da adoção de estilos parentais democráticos, na medida em que, parecem facilitar

o desenvolvimento da qualidade da vinculação com os pais. A vinculação aos pais

constituindo um fator importante no desenvolvimento psicoafetivo do adolescente, confirmou

no presente estudo, o seu papel mediador na associação entre o estilo parental democrático

e o desenvolvimento de ideação suicida. Os resultados apontam para uma mediação total

pelo que a predição dos estilos parentais face à ideação suicida é realizada através da

vinculação aos pais. Estes resultados parecem fornecer uma importante evidência empírica,

na medida em que os adolescentes que percecionam não ser educados dentro de um estilo

parental democrático, mas que consideram manter uma relação segura com as figuras

parentais, são capazes de ativar estratégias de resolução mais adaptativas não equacionando a

ideação suicida. Desta forma, parece que o desenvolvimento de um sentido interno de

segurança pessoal decorrente da qualidade do laço emocional com as figuras cuidadoras,

possibilita uma representação interna mais positiva de si como merecedora de amor, conforto

e apoio afetivo e dos outros como responsivos e capazes de lhe prestar auxílio, fomentando

uma maior capacidade de adaptação face ao risco. Neste sentido, julga-se que a capacidade

para desenvolver vínculos afetivos constitui um aspeto importante para o funcionamento

psicológico e para a compreensão da ideação suicida que parece suceder da rutura indesejada

dos laços emocionais.

As conclusões formuladas são consistentes com a teoria da vinculação que preconiza

que a presença de uma base segura, percebida pelo adolescente, predispõem o indivíduo a

solicitar auxílio de forma mais consistente não equacionando condutas desajustadas face às

dificuldades (Bowlby, 1969). Por sua vez, Jakobsen et al. (2012) sugerem que o

desenvolvimento de uma relação segura com os pais propicia sentimentos de valorização,

aceitação, segurança e confiança que contribuem para uma adequada maturação emocional,

integração social e autonomia pessoal. Esta questão parece ser consistente com os dados
31
alcançados no presente estudo, visto que a vinculação aos pais constitui um fator protetor

face o desenvolvimento de ideação suicida.

Simões (2011) destacou, também, a importância da adoção de atitudes parentais

pautadas pelo apoio e afeto e pela regulação e controlo adequados como um fator

desencadeante para o estabelecimento de uma vinculação segura na tríade mãe-pai-

adolescente. De acordo com diversos autores as crianças educadas dentro de um estilo

democrático evidenciam melhores competências sociais, emocionais e cognitivas e, assim,

um desenvolvimento psicoafetivo mais equilibrado e resiliente face às adversidades (e.g.,

Morris et al., 2007).

Ainda consistentemente com os resultados obtidos, Brás e Cruz (2008) apuraram que

a vinculação aos pais exerce um papel mediador na associação entre acontecimentos de vida

negativos e a ideação suicida. Todavia, o presente estudo sublinhou particularmente a

relevância da adoção de condutas parentais democráticas e de vinculações seguras com os

pais como veículo para a ativação de estratégias mais adaptativas pautadas pela ausência de

ideação suicida.

Como referências finais cabe-nos apontar as implicações práticas alcançadas com a

concretização do presente estudo, assim como, elencar algumas limitações e pistas futuras.

Desta forma, pode realçar-se que o presente estudo permitiu conhecer as repercussões

negativas que a adoção de condutas parentais não democráticas, pode assumir no

desenvolvimento psicoafetivo do adolescente. Permitiu, igualmente, realçar o papel

fundamental da qualidade da vinculação aos pais na superação das dificuldades e desafios,

assim como, enfatizar o aspeto negativo do desenvolvimento de ideação suicida, aquando da

presença de vínculos inseguros com as figuras significativas de afeto. Face ao exposto,

aguarda-se que os resultados obtidos e as conclusões formuladas possam contribuir para uma

maior consciencialização, a nível familiar, acerca da importância que as atitudes parentais

podem assumir no desenvolvimento psicoafetivo dos adolescentes.


32
Ressalta-se como principais limitações a resistência denotada pelos adolescentes face

ao questionário de ideação suicida, incorrendo no risco de resposta por desejabilidade social.

Destaca-se, também, a recolha de dados mediante instrumentos de autorrelato e a

subjetividade inerente aos mesmos. Tratando-se de um estudo de caráter transversal não

possibilitou estabelecer relações de causa-efeito, sendo relevante em estudos futuros

desenvolver análises longitudinais de forma a testar o processo desenvolvimental inerente ao

longo das etapas da adolescência. Seria relevante a realização de entrevistas às figuras

parentais de forma a completar a análise quantitativa e a perspetiva dos jovens, assim como

proceder a análise de amostras mais representativas da população geral.

33
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38
Estudo empírico II

Papel protetor da vinculação aos pais e das competências sociais na ideação suicida de

adolescentes

Protective role of the attachment to parents and social skills in suicidal ideation

in adolescents

39
40
Resumo

A qualidade do vínculo afetivo estabelecido entre pais e filhos constitui um fator

essencial sob o ponto de vista do desenvolvimento afetivo dos jovens, podendo contribuir

para a aquisição de competências sociais necessárias para que os indivíduos sejam capazes de

enfrentar e superar as exigências desenvolvimentais. A adolescência constitui um importante

período de transição desenvolvimental que implica importantes transformações ao nível

biopsicosocial. Perante essas alterações alguns adolescentes tornam-se mais vulneráveis

mediante a carência de recursos evidenciando-se, simultaneamente, um maior risco de

ideação suicida. A amostra foi constituída por 604 indivíduos, com idades entre os 15 e os 18

anos de idade. Para a recolha dos dados, recorreu-se ao Questionário de Vinculação ao Pai e

à Mãe, ao Social Skills Questionnaire e ao Questionário de Ideação Suicida. Os resultados

apontam para uma predição negativa da qualidade do laço emocional ao pai e da

assertividade face à ideação suicida, assim como, para a predição positiva da inibição da

exploração da individualidade da mãe face à ideação suicida. Os resultados serão discutidos à

luz da teoria da vinculação assumindo a relevância das figuras significativas de afeto na

forma como os jovens desenvolvem competências sociais e estão mais capazes de resolver e

ultrapassar as dificuldades, prevenindo o desenvolvimento de ideações suicidas.

Palavras-chave: Vinculação, competências sociais, ideação suicida.

41
Abstract

The quality of the emotional bond established between parents and children is an

essential factor from the point of view of the emotional development of young people,

contributing to the acquisition of social skills necessary for individuals to be able to face and

overcome developmental requirements. Adolescence is an important period of developmental

transition implies important biopsychosocial changes. Faced with these changes some teens

they become more vulnerable through the lack of resources evidencing simultaneously a

higher risk of suicidal ideation. The sample comprised 604 individuals, aged between 15 and

18 years old. For data collection, we resorted to the Questionnaire Attachment to the Father

and Mother, the Social Skills Questionnaire and the Suicidal Ideation Questionnaire. The

results suggest a negative prediction of the quality of emotional attachment to the father and

assertiveness in relation to suicidal ideation, as well as for the positive prediction inhibiting

the exploration of individuality of the mother in respect to suicide ideation. The results will

be discussed based on of attachment theory assuming the relevance of the significant figures

of affection in how young people develop social skills and are more are able to unresolved

and overcome the difficulties, preventing the development of suicidal ideation.

Keywords: Attachment, social skills, suicidal ideation.

42
Vinculação aos pais e competências sociais

De acordo com os pressupostos da teoria da vinculação, preconizada por Ainsworth

(1969) e Bowlby (1969), a espécie humana não detém as competências necessárias para

sobreviver sozinha aquando do seu nascimento. Assim, desde os primeiros tempos de vida, o

ser humano apresenta condutas instintivas, denominadas de comportamentos de vinculação,

que tornam possível o estabelecimento de um vínculo de proximidade afetiva com a figura

primordial. Desta forma, a vinculação, também designada de laços vinculativos, caracteriza-

se pela predisposição do ser humano para estabelecer ligações afetivas intensas,

principalmente com as pessoas mais próximas (Bowlby, 1988).

A literatura aponta para a existência de vínculos seguros e inseguros com as figuras

significativas, sugerindo que os mesmos podem constituir um indicador precoce da qualidade

das relações interpessoais posteriores (e.g., Bowlby, 1969). Segundo a evidência empírica,

uma criança que mantém um elo emocional forte e intenso com as figuras cuidadoras

desenvolve uma conceção mais favorável de si e dos outros, em função dos cuidados que lhe

são transmitidos (e.g., Meier, Carr, Currier, & Neimeyer, 2013). Como tal, pode evidenciar

uma crescente maturidade emocional e, assim, uma estrutura psíquica mais capaz para

enfrentar às vicissitudes. Contrariamente, uma criança com relações inseguras tende a avaliar

o mundo como um local perigoso mediante a representação de si como incapaz para enfrentar

os problemas, e dos outros como pouco competentes para satisfazer as suas necessidades.

A maioria das investigações, realizadas neste âmbito, sugere que a qualidade do laço

emocional estabelecido na díade cuidador-criança pode contribuir de modo significativo para

um desenvolvimento emocional mais equilibrado durante a adolescência e, assim, para a

ausência de patologia emocional (e.g., Bosmans, Braet, & Vlierberghe, 2010; Meier et al.,

2013). De acordo com Bennett e Hay (2007) esta situação ocorre pelo contributo que as

relações primordiais podem ter na autoestima do adolescente mediante a formulação de

43
modelo internos mais positivos, assim como, pela preponderância que as mesmas podem

assumir na aquisição de competências sociais.

Na conceção de Rockhill, Stoep, McCauley, e Katon (2009) as figuras parentais são a

principal base social da criança podendo contribuir para o desenvolvimento das suas

competências. Denote-se que a aquisição primária de competências é realizada a partir das

interações que a criança estabelece com os pais ou cuidadores. Desta feita, as figuras

parentais podem constituir um padrão de referência na vida de cada indivíduo, representando

“um espaço privilegiado para a elaboração e aprendizagem de dimensões significativas da

interação” (Alarcão, 2006, p. 37).

Nesta perspetiva, torna-se importante salientar que as competências sociais

estabelecem comportamentos desenvolvidos num contexto interpessoal através da

manifestação ajustada e congruente de pensamentos, atitudes, desejos ou sentimentos (Elliott

& Busse, 1991; Gresham, 1986). Como tal compreendem as diferentes classes de

comportamentos – verbais, não-verbais e paralinguísticos – às quais o adolescente recorre

para lidar com as mais variadas situações interpessoais. Desta feita, sugere-se que

competências como a empatia, assertividade e autocontrolo requerem a aquisição de

comportamentos adequados socialmente que potenciam o experienciar de relações

interpessoais positivas que, por sua vez, podem atuar como um fator protetor face ao risco

durante adolescência (Gresham, 1986). Alguns estudos realizados neste âmbito sugerem que

os adolescentes com histórias de vinculação insegura com os pais se auto-compreendem

como menos competentes em termos sociais comparativamente com os indivíduos com

vinculação segura, sendo que estes últimos se revelaram mais confiantes, empáticos,

assertivos, sociáveis, cientes das suas capacidades e com mais competências de liderança

(e.g., Bennett & Hay, 2007).

44
Face a estes dados, sugere-se que a qualidade da vinculação aos pais pode contribuir

para a aquisição de competências sociais e, simultaneamente para um desenvolvimento

psicoafetivo mais ajustado.

Papel da vinculação aos pais e das competências sociais na ideação suicida dos

adolescentes

De acordo com Matos (2011) a adolescência constitui uma importante transição

desenvolvimental que implica mudanças significativas, ao nível físico, cognitivo e

psicossocial. Esta fase do desenvolvimento pode, desta forma, ser compreendida como um

período de reorganização psíquica pautado pela instabilidade emocional face à ocorrência de

diversas situações críticas. Denote-se que tais situações podem constituir “simples” crises

normativas do processo de adolescer, ou então ser desestruturantes e muito pouco reversíveis

(Macedo, 2010).

Nesta perspetiva, Borges e Werlang (2006) referem a presença pontual de ideias

suicidárias como um processo normativo da adolescência, na medida em, que podem

estabelecer uma tentativa de resposta aos problemas existenciais característicos desta fase de

vida. Por sua vez, a articulação persistente e continuada de tais cognições afigura a “rutura”

dos mecanismos de defesa e a ausência de competências para enfrentar as dificuldades. A

este nível, as cognições suicidas tornam-se patológicas definindo uma tentativa de alívio do

sofrimento psíquico mediante agressões auto-infringidas. Ainda que a ideação suicida se

defina apenas pela presença de ideias e/ou desejos de culminar com a própria vida, como

“fuga” a um sofrimento insustentável, a severidade inerente à mesma é elevada (Marcelli &

Braconnier, 1989).

Segundo a literatura, as cognições suicidas podem, a qualquer momento da vida, ser

encaradas como uma alternativa consistente numa situação de maior stresse e desequilíbrio

emocional (e.g., Borges & Werlang, 2006). Porém, é de salientar que esta solução torna-se
45
mais frequente mediante a presença de relações inseguras com os pais e os pares (Marcelli &

Braconnier, 1989) e a presença de competências sociais deficitárias (Peter, Roberts, &

Buzdugan, 2008). O estudo realizado por Lessard e Moretti (1998) com uma amostra de 116

adolescentes com idades entre 10 aos 17 anos sugere que a presença de dificuldades na

interação familiar como a carência de afeto, os vínculos inseguros e a discordância familiar,

estabelece um fator de risco para o comportamento suicida, dado que pode representar

dificuldades na aprendizagem da habilidade de resolução de problemas.

Do ponto de vista de Bowlby (1988) no decurso das relações de proximidade o

indivíduo vai formulando representações mentais de si e do mundo, a partir das quais passa a

interpretar, antecipar e planear os eventos. Com base em cuidados responsivos e adequados, a

criança desenvolve modelos internos mais positivos de si enquanto merecedora de amor, e

dos outros como sendo suficientemente competentes para satisfazer as suas necessidades

físicas e emocionais. Assim, sugere-se que as relações seguras com as figuras significativas

de afeto estabelecem fatores protetores face às adversidades, pelo que o adolescente poderá

autocompreender os seus recursos pessoais como competentes para suprimir o sofrimento

e/ou equacionar os pais como um apoio e suporte consistente (Bowlby, 1988; Holmes, 1993;

Mikulincer & Shaver, 2007).

De acordo com a evidência empírica, o desenvolvimento adequado de competências

sociais pode, também, atuar como um fator protetor na adolescência face ao despoletar de

problemas de externalização e passagens ao ato (e.g., Botvin & Griffin, 2004). Elliott e Busse

(1991) apontam que a aquisição congruente de competências sociais faculta uma maior

segurança emocional mediante os sentimentos de aceitação e valorização. Para Contini,

Coronel, Levin, e Hormigo (2010) as competências sociais promovem a satisfação pessoal, o

bem-estar, a autoestima e a emissão de comportamentos adaptativos, assim como, uma maior

aceitação pelos pares e uma melhor qualidade de vida. A investigação desenvolvida por Peter

et al. (2008), com uma amostra de 1032 adolescentes com idades entre os 12 aos 15 anos,
46
indica que os participantes que reportam competências sociais deficitárias apresentam índices

superiores de ideação suicida. Os autores realçam que as dificuldades ao nível da interação

social e da comunicação dos sentimentos podem ser um importante preditor de um pobre

ajustamento social, que se pode associar a patologia emocional evidenciando-se, assim, um

maior risco de ideações suicidas.

Pelo exposto, sugere-se que a presença de uma base segura e a aquisição congruente

de competências sociais fomenta um desenvolvimento mais equilibrado, na medida em que

possibilitam o estabelecimento de contactos interpessoais ajustados, perante os quais o

adolescente compreende que poderá recorrer em situações de maior angústia e stresse

psicológico (Adam, 1994; Borges & Werlang, 2006). Como tal, torna-se premente aprofundar

investigações neste âmbito, de forma a alcançar um conhecimento mais vasto e, assim,

contribuir para intervenções mais precoces ao nível da ideação suicida.

Objetivos e hipóteses

O presente estudo tem como principal objetivo analisar o papel da vinculação aos pais e

das competências sociais no desenvolvimento de ideação suicida em adolescentes. Desta

forma, numa primeira fase da investigação, pretende-se observar as associações entre a

vinculação aos pais, as competências sociais e a ideação suicida. Pretende-se, igualmente,

analisar as diferenças da vinculação aos pais, das competências sociais e da ideação suicida

em função das dimensões sociodemográficas da amostra: idade, sexo e idade das figuras

parentais. Pretende-se, ainda, testar a predição da ideação suicida por parte de variáveis como

sexo, idade, competências sociais e vinculação aos pais.

Tomando em consideração a evidência empírica, aguarda-se que as dimensões da

vinculação aos pais, das competências sociais e a ideação suicida se correlacionam

significativamente. Espera-se, também, que vinculação aos pais, as competências sociais e a

ideação suicida apresentem diferenças estatisticamente significativas em função da idade,


47
sexo e idade das figuras parentais. Aguarda-se, ainda, que o desenvolvimento de ideação

suicida seja predito negativamente pelas competências sociais e pela vinculação aos pais.

Método

Participantes

No estudo participaram 604 adolescentes portugueses com idades compreendidas

entre os 15 e os 18 anos (M = 15.99; DP = 0.97), sendo que 274 (45.4%) são do sexo

masculino e 330 (54.6%) são do sexo feminino. Relativamente à idade das figuras parentais,

as figuras paternas dos participantes apresentam idades compreendidas entre os 32 e os 71

anos (M = 45.69, DP =5.34) enquanto as figuras maternas apresentam idades entre os 31 e os

60 anos (M = 43.59, DP = 5.25).

Instrumentos

Questionário sociodemográfico – Foi construído um questionário sociodemográfico

que permitiu obter informações relativas à idade, sexo e idade das figuras parentais.

O Questionário de Vinculação ao Pai e à Mãe (QVPM) desenvolvido por Matos e

Costa (2001) foi utilizado para a avaliar as representações da vinculação que os adolescentes

têm face às figuras parentais. Este questionário na sua forma revista é composto por 30

questões distribuídas por três dimensões: a Qualidade do laço emocional (QLE, 10 itens) –

“Tenho confiança que a minha relação com os meus pais se vai manter no tempo” –; a

Ansiedade de separação (AS, 10 itens) – “É fundamental para mim que os meus pais

concordem com aquilo que eu penso” –; e a Inibição da exploração e individualidade (IEI, 10

itens) – “Os meus pais estão sempre a interferir em assuntos que só têm a ver comigo”. Para

cada item, existem seis opções de resposta realizadas para o pai e mãe separadamente,

apresentadas numa escala tipo Likert que varia entre 1 (Discordo Totalmente) e 6 (Concordo

48
Totalmente). A análise de consistência interna demonstrou valores de alpha de Cronbach de

.83 para o pai e .77 para a mãe relativamente à totalidade do instrumento. No que concerne às

várias dimensões analisadas verificaram-se os seguintes valores de alpha: IEI = .79 /.79, QLE

= .93 / .88, AS = .82 / .79, para o pai e mãe respetivamente. As análises fatoriais

confirmatórias verificaram que o QVPM apresenta índices de ajustamento adequados para os

modelos (SRMR = .07 / .05, CFI = .97 / .97, RMSEA = .07 /. 07, χ2 (21) = 140.57, p = .001 /

χ2(24) = 90.04, p = .001) quer na sua versão para o pai e para a mãe respetivamente.

O Social Skills Questionnaire (Gresham & Elliott, 1990) traduzido e adaptado para a

população portuguesa por Mota, Matos, e Lemos (2011) foi utilizado para avaliar as

competências sociais dos adolescentes. Trata-se de um instrumento de autorrelato constituído

por 39 itens cujas respostas são realizadas de acordo com a frequência do comportamento

avaliada numa escala de três pontos que varia entre “nunca” e “muitas vezes”. Este

questionário avalia quatro dimensões, designadamente: assertividade (Faço amizades com

facilidade, 9 itens); empatia (Digo coisas agradáveis aos outros quando eles fazem alguma

coisa bem, 10 itens), autocontrolo (Ignoro os outros quando eles me gozam ou insultam, 10

itens); e cooperação (Ouço os adultos quando eles estão a falar comigo, 10 itens), sendo que

na presente investigação apenas foram analisadas as primeiras três dimensões, uma vez que

estas correspondiam de melhor forma aos objetivos inicialmente formulados. A análise de

consistência interna demonstrou valores de alpha de Cronbach de .79 para a totalidade do

instrumento. No que concerne a cada dimensão observaram-se valores de alpha de .66 para a

assertividade, .75 para a empatia, e .65 para o autocontrolo. As análises fatoriais

confirmatórias apresentaram índices de ajustamento adequados para os modelos (SRMR =

.05, CFI = .96, RMSEA = .07, χ2 (24) = 101.68, p = .001).

O Questionário de Ideação Suicida (QIS) adaptado por Ferreira e Castella (1999) do

Suicide Ideation Questionnaire, desenvolvido por Reynolds (1991) foi utilizado para avaliar a

ocorrência de pensamentos suicidas dos adolescentes. Este instrumento é constituído por 30


49
itens – “Pensei que seria melhor não estar vivo” –, cujas respostas são apresentadas numa

escala tipo Likert que oscila entre 1 (Nunca) e 7 (Sempre). Os estudos psicométricos

efetuados na amostra em estudo revelam um coeficiente de alfa de Cronbach de .97. As

análises fatoriais confirmatórias apresentam índices de ajustamento adequados para os

modelos (SRMR =.03, CFI = .95, RMSEA = .02, χ2(35) = 445.22, p = .001).

Procedimento

A recolha de dados foi realizada de forma aleatória em diversas instituições de Ensino

Secundário da região norte de Portugal. Cabe ressaltar que, em cada instituição, foi realizada

uma reunião com os Diretores do Conselho Executivo, a quem foram solicitadas as devidas

autorizações e clarificados diversos aspetos do estudo como a sua pertinência, estrutura e

objetivos. Após a aceitação da proposta, os participantes consentiram a aplicação dos

questionários, através da assinatura do Termo Consentimento Livre e Esclarecido. A recolha

de dados decorreu em contexto de salas de aula, na presença do investigador responsável que

de forma sucinta, realizou uma série de instruções standard onde foram explicitados os

objectivos gerais do estudo, assim como, garantidos todos os pressupostos de voluntariedade,

privacidade, anonimato e confidencialidade das informações prestadas. De modo a evitar

enviesamentos nas respostas devido ao fator cansaço procedeu-se à inversão dos

questionários de autorrelato no protocolo de avaliação. A recolha de dados foi realizada em

Novembro e Dezembro de 2013, em 4 escolas secundárias nas turmas do 10º ao 12º ano, bem

como de forma aleatória na população em geral da região norte do país. De realçar, ainda,

que foi realizada uma reflexão falada com adolescentes entre os 15 e 18 anos de idade, que

permitiu verificar que o protocolo de avaliação se encontrava percetível em termos formais e

semânticos e que a sua aplicação requeria cerca de 45 minutos.

50
Estratégias de análise de dados

A presente investigação apresenta um cariz transversal dado que o conjunto de

medições foi realizado num único momento do tempo não existindo, portanto, um

seguimento temporal dos indivíduos. O método de estudo baseia-se, ainda, num paradigma

ético e deontológico onde as questões de privacidade, confidencialidade e anonimato foram

asseguradas (Freixo, 2011).

O tratamento dos resultados foi realizado com o programa estatístico SPSS –

Statistical Package for Social Sciences –, na sua versão 20.0 para o sistema Windows. No

sentido de identificar e excluir missings e eventuais outliers realizou-se, de forma preliminar,

uma limpeza da amostra. Para verificar se os dados da amostra seguiam os pressupostos de

normalidade foram analisados os valores de skeweness (assimetria) e kurtosis (achatamento),

procedendo-se, concomitantemente, à realização de uma série de análises estatísticas que

fornecem informação acerca da distribuição dos dados: teste de Kolmogorov-Smirnov, os

gráficos de Histogramas, Q-QPlots, Scatterplots e Boxplots (Maroco, 2007; Pallant, 2001).

Os valores calculados confirmaram que a amostra em estudo cumpria os critérios de

normalidade procedendo-se, neste sentido, análises estatísticas mediante testes paramétricos.

No sentido de responder aos objetivos delineados para esta investigação foi realizado um

conjunto de análises estatísticas nas quais foram considerados valores de significância de p <

.05 para a interpretação dos dados. Destaca-se o recurso a análises correlacionais, médias e

desvio padrão das variáveis em estudo. Procedeu-se ainda às análises de variância

multivariada. Utilizou-se, também, o Structural Equations Program com o propósito de testar

a estrutura original dos instrumentos utilizados, assim como, os seus modelos teóricos

propostos, através das Análises Confirmatórias de 1ª ordem. Objetivou-se, igualmente, testar

a presença de um efeito preditor entre as variáveis em estudo, sendo que para tal se recorreu

ao Modelo de Regressões Múltiplas Hierárquicas.

51
Resultados

Com o objetivo de analisar as associações entre a vinculação aos pais, as

competências sociais e a ideação suicida dos adolescentes, foram efetuadas análises

correlacionais entre os vários instrumentos utilizados. Os resultados das análises de

correlações inter-escalas e as respetivas médias e desvios-padrão, reportados na tabela 1,

permitem constatar que existem correlações significativas entre as variáveis em estudo. No

que concerne à associação entre a vinculação ao pai e as restantes dimensões em estudo, os

resultados indicam a existência de correlações significativas entre as variáveis. Assim sendo,

destaca-se que a dimensão da inibição da exploração e da individualidade regista uma

correlação significativa no sentido negativo e com magnitude baixa com as competências

sociais (r = - .09, até r = -.22) e uma correlação positiva e significativa de magnitude baixa

com a ideação suicida (r = .26, p < .001). Por sua vez, a dimensão qualidade do laço

emocional correlaciona-se significativamente, no sentido positivo com uma magnitude baixa

com as competências sociais (r = .17, até r = .29) e no sentido negativo com a ideação

suicida (r = -.31, p < .001). Relativamente à ansiedade de separação, esta denota uma

associação significativa, no sentido positivo e com magnitude baixa com as competências

sociais (r = .16, até r = .27).

Relativamente à associação entre a vinculação à mãe constatou-se que a dimensão da

inibição da exploração e da individualidade se associa significativamente no sentido

negativo e com magnitude baixa com as competências sociais (r = -.08, até r = -.25) e no

sentido positivo com a ideação suicida (r = .28, p < .001). Por seu turno, a dimensão da

qualidade do laço emocional correlaciona-se significativamente no sentido positivo e com

magnitude entre baixa a moderada com as competências sociais (r = .16, até r = .34) e no

sentido negativo com a ideação suicida (r = -.25, p < .001). Por último, a dimensão

ansiedade de separação regista uma associação significativa no sentido positivo com

magnitude baixa com as competências sociais (r = .20, até r = .27).


52
No que concerne à associação entre a ideação suicida e as dimensões da escala das

competências sociais, os resultados apontam para a presença de correlações significativas no

sentido negativo com magnitude baixa (r = -.05, até r = -.22) (Tabela 1).

Tabela 1. Correlação entre variáveis, média e desvio-padrão (N=604).


Variáveis 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Vinculação ao pai
1. Inibição da exploração e individualidade -
2. Qualidade do laço emocional -.35** -
3. Ansiedade de separação -.04 .65** -
Vinculação à mãe
4. Inibição da exploração e individualidade .85** -.33** -04 -

5. Qualidade do laço emocional -.38** .62** .44 -.42** -


6. Ansiedade de separação .01 .27 **
.79 **
-.05 .58** -
Competências Sociais
7. Assertividade -.06 .23** .08 -.08* .16** .01 -

8. Empatia -.09* .17** .16** -.10* .24** .20** .37** -


** ** * ** ** ** **
9. Autocontrolo -.22 .29 .27 -.25 .34 .29 .25 .35** -
** ** ** ** ** *
Ideação Suicida .26 -.31 -.06 .28 -.25 -.03 -.22 -.05 -.14** -
M 2.94 5.21 3.98 5.41 4.11 3.00 1.23 1.63 1.27 1.80
DP .90 .92 .92 .67 .87 .91 .32 .28 .30 1.05
* p < .05, ** p < .01

Variância da vinculação aos pais, das competências socais e da ideação suicida em

função da idade e sexo dos participantes e idade das respetivas figuras parentais

Com o objetivo de analisar as diferenças da qualidade da vinculação aos pais,

competências sociais e ideação suicida em função das dimensões sociodemográficas da

amostra efetuaram-se análises de variância uni e multivariada (ANOVA e MANOVA).

No que respeita à idade, importa salientar que foram estabelecidos dois grupos (dos

15aos 16 anos; e dos 17 aos 18 anos) para se proceder às análises diferenciais. Os resultados

indicam que não existem diferenças estatisticamente significativas da qualidade da

vinculação à figura paterna F(3, 570) = .52, p = .840, ƞ2 = .23 e à figura materna F(1, 580) = .56, p

= .644, ƞ2 = .17 face à idade. A ausência de diferenças significativas foi, igualmente, apurada

53
relativamente às competências sociais F(3, 581) = 1.59, p = .190, ƞ2 = .42 e à ideação suicida

F(1, 591) = .15, p = .698, ƞ2 = .07.

Face à variável sexo, os resultados apontam para a existência de diferenças

estatisticamente significativas do sexo face à vinculação com a figura paterna F(3, 570) =

11.68, p =.054, ƞ2 = .99 e a figura materna F(3, 580) = 10.95, p =.001, ƞ2 = .99. A partir das

análises univariadas foi possível verificar que esta diferenciação ocorre na escala da

ansiedade de separação face à figura paterna F(1, 487) = 6.75, p = .010, η2= .73 e à figura

materna F(1, 421) = 23.38, p = .001, η2 = .99, na qual o sexo feminino evidencia níveis mais

elevados comparativamente com o sexo masculino. As análises multivariadas apontam,

também, para a presença de diferenças estatisticamente significativas das competências

sociais F(3, 581) = 70.40, p = .001, η2= .99 face à variável sexo. As análises univariadas,

indicam que tais diferenças ocorrem nas escalas assertividade F(1, 583) = 77.11, p = .001, η2 =

.99 e empatia F(1, 583) = 34.46, p = .001, η2 = .99, nas quais o sexo feminino apresenta valores

mais elevados comparativamente com o sexo masculino, tal como se pode observar na tabela

2. Relativamente às análises diferenciais entre a variável sexo e a ideação suicida, os

resultados revelam a presença de diferenças estatisticamente significativas F(1, 591) = 10.51, p

= .001, η2 = .02, sendo o sexo feminino quem evidencia níveis mais elevados de ideação

suicida quando comparado com o sexo masculino.

Tabela 2. Análise diferencial da vinculação aos pais, competências sociais e ideação suicida em
função do sexo.
Sexo M±DP IC95% Direção das diferenças
Vinculação ao pai
1 –Feminino 4.07±.05 [3.97, 4.17]
Ansiedade de separação 1>2
2 –Masculino 3.87±.06 [3.76, 3.99]
Vinculação à mãe
1 –Feminino 4.28±.05 [4.18, 4.37]
Ansiedade de separação 1>2
2 –Masculino 3.93±.05 [3.82, 4.03]
Competências sociais
1 – Feminino 1.14±.02 [1.11, 1.17]
Assertividade 1>2
2 – Masculino 1.36±.02 [1.32, 1.39]
1 – Feminino 1.69±.02 [1.66, 1.72]
Empatia 1>2
2 – Masculino 1.59±.02 [1.55, 1.64]
1 – Feminino 1.93±.06 [1.81, 2.04]
Ideação Suicida 1>2
2 – Masculino 1.65±.06 [1.53, 1.77]

54
Relativamente à análise das diferenças das variáveis em estudo face à idade da figura

paterna, importa referir que esta variável foi categorizada em dois grupos, nomeadamente

dos 32 aos 45 anos e dos 46 aos 61 anos. Os resultados sugerem a presença de diferenças

estatisticamente significativas face à qualidade da vinculação com a figura paterna F(2. 956) =

2.95, p = .032, η2 = .70. As análises univariadas revelam que esta diferenciação ocorre nas

escalas qualidade do laço emocional F(1, 567) = 5.06, p = .025, η2 = .69 e ansiedade de

separação F(1, 567) = 5.15, p = .024, η2 = .62, sendo os adolescentes cujas figuras paternas tem

idades compreendidas entre os 27 e os 45 anos a apresentarem uma maior qualidade do laço

emocional e uma maior ansiedade de separação, tal como se pode constatar na tabela 3. Os

resultados apontam, também, para a presença de diferenças significativas na escala inibição e

exploração da individualidade F(1, 567) = 4.09, p = .044, η2 = .52, na qual os indivíduos cujas

figuras paternas tem idades incluídas entre os 46 e os 61 anos revelam uma maior perceção de

inibição da exploração e da individualidade comparativamente com os indivíduos cujas

figuras paternas têm idades entre os 32 e os 45 anos. Através das análises multivariadas pode,

ainda, verificar-se que não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas da

idade da figura paterna face às competências sociais F(3, 564) = 1.14, p = .332, η2 = .31 e à

ideação suicida F(1, 574) = 2.014, p = .156, η2 = .29.

Tabela 3. Análise diferencial da vinculação aos pais, competências sociais e ideação suicida em
função da idade da figura paterna.
Idade grupos_figura paterna Direção das
M±DP IC95%
(27 aos 45; 46 aos 61) diferenças
Vinculação ao pai
1 – 27 aos 45 5.30±05 [5.11, 5.40]
Qualidade do laço emocional 1>2
2 – 46 aos 61 5.13±06 [5.09, 5.23]
1 – 27 aos 45 4.06±.05 [3.95, 4.16]
Ansiedade de Separação 1>2
2 – 46 aos 61 3.88±.06 [3.77, 3.99]
Inibição da exploração da 1 – 27 aos 45 2.86±.05 [2.76, 2.96]
2>1
individualidade 2 – 46 aos 61 3.01±.05 [2.90, 3.11]

Relativamente às dimensões em estudo face à idade da figura materna, importa

referir que, para se proceder à análise, esta variável foi categorizada em dois grupos,

nomeadamente dos 31 aos 45 anos e dos 46 aos 60 anos. Os resultados sugerem a ausência de

55
diferenças estatisticamente significativas face à qualidade da vinculação à figura materna

F(3, 579) = .311, p = .812, η2 = .01, às competências sociais F(3, 578) = .78, p = .504, η2 = .21 e à

ideação suicida F(1, 586) = .19, p = .659, η2 = .01.

Papel preditor da vinculação aos pais e das competências sociais na ideação suicida

De modo a dar resposta a um dos objetivos inicialmente propostos, procedeu-se à

realização de análises de regressão múltipla hierárquica, nas quais se utilizou como variável

dependente a ideação suicida. Note-se que na possibilidade de se obter resultados mais fiáveis

e rigorosos e de se abranger todas as dimensões independentes em estudo optou-se pelo

método hierárquico em detrimento das análises de regressão simples.

As análises de regressão múltipla hierárquica foram realizadas mediante a introdução

de 5 blocos, especificamente sexo, idade, competências sociais e vinculação ao pai e à mãe.

As variáveis sexo e idade foram, também, controladas e recodificadas em dummy, de forma a

analisar qual dos sexos (0- masculino; 1- feminino) e idades (0- 15 aos 16 anos; 1- 17 aos 18

anos) explicam e predizem melhor as variáveis preditas.

Na análise de regressão múltipla hierárquica face à ideação suicida foram

introduzidos 5 blocos: no bloco 1 o sexo (Dummy) não apresenta um contributo significativo

F(1, 532) = 7.41, p = .810, explica 1% da variância total (R2 = .01) e contribuiu individualmente

com 1 % da variância para o modelo (R2change = .01). No que se refere ao bloco 2, a idade

(dummy) contribui significativamente para a variância do modelo F(2, 531) = 3.74, p = .024, e

explica 1% da variância total (R2 = .01) não apresentando um contributo individual para a

variância do modelo (R2change = .00). No bloco 3, a entrada das competências sociais

contribui significativamente para o modelo F(5, 528) = 6.41, p = .001 e explica 6 % da

variância total (R2 = .06), apresentando um contributo individual de 4% (R2change = .04).

Relativamente ao bloco 4, foi introduzida a vinculação ao pai que se mostra igualmente

significativa F(8, 525) = 12.99, p = .001 e explica 17% da variância total (R2 = .17),

56
apresentando um contributo individual de 11% (R2change = .11). Por último, o bloco 5, a

vinculação à mãe contribui significativamente para o modelo F(11, 522) = 10.24, p =.001 e

explica 18% da variância total (R2 = .18), apresentando um contributo individual de 1% para

o modelo (R2change = .01).

Através da análise individual do contributo de cada uma das variáveis independentes

dos blocos, constata-se que três apresentam uma contribuição significativa (p < .05) enquanto

preditoras da ideação suicida, cuja sua apresentação será efetuada por ordem de importância:

qualidade do laço emocional com a figura paterna (β = -.35), inibição da exploração e

individualidade por parte da figura materna (β = .15) e assertividade (β = -.14) (Tabela

4).

Tabela 4. Regressão múltipla hierárquica para a ideação suicida.


Ideação suicida R2 R2Change B SE β t p
Bloco 1 - Sexo (dummy) .01 .01
Bloco 2 - Idade (dummy) .01 .00
Bloco 3 – Competências Sociais .06 .04 .001
Assertividade -.48 .16 -.14 -4.23 .003
Empatia
Autocontrolo
Bloco 4 – Vinculação ao pai .17 .11 .001
Qualidade do laco Emocional -.39 -.14 -.35 -7.43 .006
Ansiedade de Separação
Inibição da Exploração e Individualidade
Bloco 5- Vinculação à mãe .18 .01 .001
Qualidade do laco Emocional
Ansiedade de Separação
Inibição da Exploração e Individualidade .17 .09 .15 6.72 .048
Nota. B, SE e β para um nível de significância de p <.05
Bloco1- Sexo; Bloco 2- Idade; Bloco 3- Dimensões das competências sociais (SSQ); Bloco 4- Dimensões da
vinculação ao pai (QVPM_Pai); Bloco 5- Dimensões da vinculação à mãe (QVPM_Mãe).

Discussão

O presente estudo assumiu como principal objetivo testar o papel da vinculação aos

pais e das competências sociais no desenvolvimento de ideação suicida de adolescentes. Os

resultados alcançados apontaram que a qualidade do laço emocional aos pais se associa

positivamente com a assertividade, empatia e autocontrolo (competências sociais) e

57
negativamente com a ideação suicida, enquanto que a inibição da exploração e da

individualidade se associa negativamente com as competências sociais e positivamente com

a ideação suicida. Por sua vez, ansiedade de separação associa-se positivamente com a

empatia e o autocontrolo. Desta forma, sugere-se que a qualidade do laço emocional com as

figuras parentais se encontra associada ao desenvolvimento congruente de competências

sociais e a uma menor predisposição para a ideação suicida, na medida em que, estes fatores

fornecem uma maior segurança ao adolescente para explorar o seu meio social e enfrentar as

vicissitudes quotidianas. Contrariamente, as relações pautadas pela inibição da exploração e

da individualidade parecem fomentar uma maior insegurança e desvalorização pessoal pela

carência de interação, predispondo o indivíduo a experienciar dificuldades no contacto social

e a equacionar de forma mais consistente a ideação suicida.

As conclusões formuladas vão ao encontro das conceções de Bandeira, Rocha,

Freitas, Del Prette, e Del Prette (2006) que compreendem as figuras cuidadoras como o

modelo social das crianças. Uma criança que mantém relações pautadas pelo suporte e amor

incondicionais desenvolverá representações mais favoráveis de si e dos outros, o que pode

fomentar a aquisição adequada de autonomia e controlo interno e a vivência de sentimentos

de segurança, autoestima e autoconfiança (Bowlby, 1988), evidenciando uma maior

assertividade, empatia e autocontrolo (Parke & Buriel, 2008) e uma menor propensão para a

ideação suicida (DiFillipo & Oversholder, 2000). Segundo a investigação desenvolvida por

Faria (2008) com uma amostra de 331 jovens, os laços emocionais seguros e um adequado

sentimento de ansiedade de separação associam-se positivamente com a aquisição da

empatia, assertividade, autocontrolo e responsabilidade social. Brás e Cruz (2008), por seu

turno, apuraram que ligações afetivas pautadas pela carência afetiva, desvalorização e

inibição se associam ao desenvolvimento de ideação suicida.

No presente estudo constatou-se, também, que as competências sociais,

nomeadamente a assertividade, empatia e o autocontrolo se associam negativamente com a


58
ideação suicida. Deste modo, parece que os jovens que patenteiam uma maior facilidade no

contacto social e expressam adequadamente os seus pensamentos, desejos e convicções

evidenciam um desenvolvimento psicoafetivo mais equilibrado, não equacionando a ideação

suicida face aos problemas. De acordo com literatura, a aquisição congruente de

competências sociais propicia uma maior capacidade de expressão emocional por parte do

adolescente, perante a qual este se torna mais capaz de solicitar auxílio face às adversidades,

evidenciando uma menor propensão para problemas de internalização e de ideação suicida

(e.g., Doyle, Lawford, & Markiewicz, 2009; Mota & Matos, 2010). Estes resultados são

consistentes com o estudo de Peter et al. (2008) que apurou que a presença de competências

sociais deficitárias se associava positivamente com a ideação suicida.

Os resultados do presente estudo reportam, ainda, a ausência de diferenças

significativas na vinculação aos pais face à idade. Desta feita, sugere-se que apesar de a

vinculação aos pais se manifestar de forma distinta na adolescência, a ligação afetiva com as

figuras significativas patenteia uma certa estabilidade ao longo da adolescência. Estas

conclusões são consistentes com a prespetiva de Fleming (2005), que postula que a

vinculação aos pais na adolescência não desaparece nem é redefinida, apenas assume uma

importância distinta para o adolescente pela primazia atribuída ao grupo de pares. Ressalta-

se, ainda, que estes resultados são consistentes com a evidência empírica que indica que a

vinculação aos pais não assume discrepâncias em função da idade ao longo da adolescência

(e.g., Doyle et al., 2009; Machado & Oliveira, 2007).

Relativamente às competências sociais verificou-se, igualmente a ausência de

variabilidades significativas face à idade. Estes dados são escassos na literatura pelo que,

julgamos que a proximidade etária existente entre os participantes em estudo contribuiu para

um desenvolvimento psicossocial mais igualitário entre os indivíduos e, concomitantemente

para um nivelamento das competências sociais. De acordo com Cecconello e Koller (2000)

com a avançar da idade os adolescentes vão contactando como novos contextos detendo
59
inúmeras experiencias interpessoais que constituem uma importante fonte de aprendizagem

de competências sociais. Desta forma, seria de esperar diferenças nas competências sociais

em função da idade, na medida em que, os adolescentes mais jovens têm menos experiências

quotidianas e, como tal um menor número de estratégias cognitivas e emocionais para

enfrentar e superar os diversos contextos sociais. Estas conceções são consistentes com

estudos prévios que apuraram que os indivíduos na fase final da adolescência denotam

índices superiores de empatia, cooperação e responsabilidade (e.g., Monteiro, 2011).

No que diz respeito, à ideação suicida não foram encontradas diferenças em função

da idade. Estes resultados parecem decorrer da similitude dos desafios e exigências

desenvolvimentais com os quais os participantes do estudo se defrontam e, consequente nível

de maturidade emocional, o que constitui um importante indicador na compreensão das

condutas evidenciadas pelos adolescentes face aos problemas. Na conceção de Matos (2011)

a fase inicial da adolescência estabelece um período de importantes mudanças que vão

perdendo a intensidade com o avançar da idade. Como tal, para este autor os adolescentes

mais jovens enfrentam uma maior instabilidade emocional, o que pode contribuir para um

desajustamento psicossocial, denotando-se um maior risco de ideação suicida. De acordo com

diversos estudos, os adolescentes mais velhos detêm uma maior maturidade afetiva pelas

experiências vividas, evidenciando uma menor propensão para as cognições sobre o término

da própria vida (e.g., Machado & Oliveira, 2008).

Os resultados observados mostram diferenças da vinculação aos pais relativamente

ao sexo, tendo-se verificado que o sexo feminino evidencia níveis mais elevados de ansiedade

de separação face à mãe, do que o sexo masculino. Desta forma, sugere-se que o sexo

feminino ao atribuir grande relevância às relações interpessoais, que na adolescência se

caracterizam pela instabilidade e labilidade, denota neste período desenvolvimental uma

maior propensão para experienciar ansiedade de separação face à mãe. Ao mesmo tempo,

julgamos que a presença de variabilidades apenas face à figura materna resulta do facto desta
60
constituir a principal figura de vinculação. Segundo a literatura a figura materna constitui a

principal referência de vinculação para a criança podendo surgir como a base segura do

adolescente que faculta uma maior segurança na resolução das dificuldades (e.g., Holmes,

1993) e no estabelecimento de contactos interpessoais (e.g., Cecconello & Koller, 2000). De

ressaltar que os resultados observados vão ao encontro de outras investigações que apuraram

que o sexo feminino evidenciava uma maior ansiedade de separação face à mãe

comparativamente com o sexo oposto (e.g., Matos & Costa, 2006).

Tal como se esperava verificaram-se, também, diferenças nas competências sociais

em função do sexo, nas quais os indivíduos do sexo feminino, quando comparados com os do

sexo masculino, evidenciaram índices superiores de empatia e assertividade. Estes resultados

sugerem que o sexo feminino denota um maior cuidado na execução de comportamentos

adequados socialmente, procurando pautar os seus contactos sociais pela expressão assertiva

dos seus pensamentos, sentimentos e fantasias, assim como, pela compreensão empática do

seu interlocutor. Tal como havíamos comentado anteriormente, o sexo feminino denota uma

maior preocupação face ao relacionamento interpessoal, assim como, à vivência de

sentimentos de aceitação e valorização no seio do grupo de pares (Cecconello & Koller,

2000). As mesmas conclusões são descritas no estudo de Bandeira et al. (2006), que apurou

diferenças nas competências sociais em função do sexo, com primazia para o sexo feminino

ao nível da empatia e assertividade.

No que se refere à ideação suicida foram, igualmente, observadas diferenças em

função do sexo. Como tal, constatou-se que o sexo feminino evidencia níveis mais elevados

de ideação suicida, do que os indivíduos do sexo oposto. Estes resultados seriam de esperar,

na medida em que o sexo feminino denota uma maior propensão para problemas de

internalização como a ansiedade e depressão, que constituem um preditor da ideação suicida.

De acordo com Marcelli e Braconnier (1989) a vivência de sentimentos de desvalorização

pessoal, de desesperança face ao futuro e de medos e angústias patológicas fomenta uma


61
vivência pautada pela insegurança que se pode associar à ativação consistente de estratégias

desadaptativas face aos problemas. Os dados encontrados corroboram investigações

anteriores que apuraram que o sexo feminino evidencia uma maior propensão para

experienciar cognições suicidas no decurso da adolescência (e.g., Borges & Werlang, 2006).

Relativamente à idade da figura paterna face à vinculação ao pai foram observadas

diferenças significativas. Constatou-se que os adolescentes com os pais mais jovens [27;45]

revelam uma maior qualidade do laço emocional e uma maior ansiedade de separação,

enquanto que os jovens com os pais mais velhos [46;65] denotam uma maior inibição da

exploração da individualidade. Desta forma, sugere-se que uma maior proximidade etária

entre o adolescente e a figura paterna pode contribuir para a perceção de uma maior

qualidade na interação parental e, assim, para o estabelecimento de um laço afetivo mais

intenso. Contrariamente, uma elevada discrepância etária na díade pai-filho pode fomentar

divergências ao nível dos valores e perspetivas que, por sua vez, podem favorecer o

desenvolvimento de relações pautadas pela inibição e carência de afeto. Discutindo esta

questão, julgamos que a existência de uma maior similitude de interesses, desejos, ambições e

pensamentos na díade pai-filho, possibilitada por experiências mais próximas, fomenta um

sentimento de maior compreensão e aceitação parental. A experiência de compreensão

empática na interação parental parece ser importante para a qualidade do laço emocional

estabelecido na díade pai-adolescente pelo papel muito próximo que a figura paterna assume

face ao grupo de pares. Estas conceções parecem ir ao encontro da teoria da vinculação que

preconiza que a qualidade do laço emocional estabelecido na interação parental encontra-se

associada à perceção que o adolescente tem acerca dos cuidados prestados pelo pai

(Ainsworth, 1969; Bowlby, 1969). Apesar disto, realça-se que não foram encontrados estudos

subjacentes a esta temática face à adolescência.

Contrariamente, não foram denotadas diferenças significativas na vinculação à mãe

em função da idade da figura materna. Assim, parece que a qualidade da ligação afetiva
62
estabelecida na díade mãe-criança decorre mais da capacidade de esta estabelecer uma base

segura, na qual o adolescente compreende que poderá recorrer em situações de maior

vulnerabilidade, do que propriamente da compreensão empática existente entre mãe e filho.

Ainda que o sentimento de compreensão e aceitação parental possa contribuir para uma

relação mais próxima, o ser humano detém a necessidade de estabelecer ligações de grande

proximidade que lhe transmitam segurança, independentemente do desfasamento de ideias,

desejos ou tradições que acompanham as gerações. A existência desta discrepância ao nível

do pai e da mãe parece-nos decorrer do papel distinto que cada um assume na interação

familiar. Denote-se que os participantes do presente estudo são adolescentes pelo que o

modelo parental implementado ao longo do seu desenvolvimento, poderá estar fortemente

associado às tradições e costumes de uma época, na qual a figura materna assumia o papel de

cuidadora face aos filhos, enquanto o pai detinha a responsabilidade de garantir a

sustentabilidade económica da família. Assim, inerente a esta dinâmica familiar pode estar o

estabelecimento de uma ligação mais próxima e intensa na díade mãe-filho e, portanto mais

resiliente a fatores contextuais, especificamente à idade da figura materna. De acordo com

Monteiro, Veríssimo, Vaughn, Santos, e Fernandes (2008) apesar da redefinição

contemporânea dos papeis parentais, o ser humano tem a tendência de selecionar uma figura

principal de vinculação, atribuindo uma maior primazia à figura materna neste processo. À

semelhança do referido anteriormente, também para a figura materna não foram encontrados

estudos que abordassem estas variáveis na adolescência.

Os resultados obtidos, no presente estudo denotaram, ainda, ausências de

variabilidades significativas das competências sociais e da ideação suicida em função da

idade do pai e da mãe. Nesta medida, sugere-se que a qualidade dos cuidados prestados

pelas figuras parentais contribuem de forma mais consistente para o desenvolvimento de

competências sociais adequadas e para ativação de mecanismos adaptativos, do que

propriamente a idade dos pais. Ainda que estes dados não sejam reportados pela evidência
63
empírica, julgamos que o contributo da interação com os pais para a execução de um

comportamento social adequado e para a ativação de estratégias adaptativas face às

dificuldades, decorre das experiências vividas na díade parental e, consequente capacidade de

transmissão de cuidados responsivos e maturidade emocional. Isto, porque, a interação

parental fornece um protótipo social para o adolescente independentemente da idade das

figuras cuidadoras (Rockhill et al., 2009).

Por último e de encontro aos objetivos propostos, verificou-se que a ideação suicida é

predita negativamente pela qualidade do laço emocional face ao pai. Nesta medida, parece

que a ligação afetiva estabelecida na díade pai-adolescente estabelece um fator protetor face

às adversidades no decurso da adolescência. Estes resultados vão ao encontro da perspetiva

de Bowlby (1969) que realça que quando as relações primordiais significativas são

caracterizadas pelo amor e apoio incondicionais, propiciam o estabelecimento de um laço

emocional que constitui um importante fator protetor face ao desenvolvimento de distúrbios

psicológicos. O mesmo autor justifica o seu ponto de vista pelo facto de os vínculos

significativos representarem ligações exclusivas e singulares que permitem e incentivam a

procura de apoio, conforto e segurança, ingredientes que considera que podem concorrer para

um desenvolvimento e funcionamento psicológico mais resiliente. Estes dados vão ao

encontro da evidência empírica que sugere a presença de uma associação negativa entre a

qualidade do laço emocional com o pai e o desenvolvimento de ideação suicida (e.g., Brás &

Cruz, 2008).

Os resultados apontam, também, para a predição negativa da ideação suicida por

parte da assertividade, o que sugere que a expressão emocional congruente e assertiva

estabelece um fator protetor face ao risco durante a adolescência. Deste modo, julgamos que

uma vivência pautada pela expressão emocional congruente, faculta o estabelecimento de

relações interpessoais mais positivas existindo, assim um menor risco de problemas de

internalização. Estes resultados seriam de esperar, na medida em que a literatura sugere que a
64
presença de competências sociais, que possibilitem relações afetivas assertivas contribui para

uma trajetória desenvolvimental mais resiliente (e.g., Elliott & Busse, 1991; Peter et al.,

2008). De acordo com Marcelli e Braconnier (1989) a expressão emocional deficitária pode

associar-se a problemas de internalização, nomeadamente depressão, que por sua vez

constitui um importante preditor de ideação suicida. Os mesmos autores defendem, assim que

a assertividade ao contribuir para um desenvolvimento mais adequado, fomenta uma maior

capacidade de análise e resolução dos problemas, considerando-a como uma importante fonte

de proteção face às condutas autodestrutivas na adolescência.

Os resultados alcançados sugerem, ainda, que a inibição da exploração da

individualidade face à figura materna prediz positivamente a ideação suicida. Desta feita,

depreende-se que a qualidade da ligação afetiva à mãe assume importância distinta face ao

pai relativamente ao desenvolvimento psicoafetivo do adolescente. Isto porque, a interação

pautada por cuidados menos responsivos por parte da figura materna parece constituir um

importante preditor face à ideação suicida. Neste sentido, julgamos que as relações pautadas

pela inibição com a figura materna predizem as condutas autodestrutivas mediante o seu

contributo para um desajustamento emocional. As conclusões formuladas parecem ser

consistentes com a literatura que sugere que a saúde mental se encontra associada a uma

relação íntima, calorosa e duradoura na díade mãe-criança, sugerindo que muitos distúrbios

psiconeuróticos, nomeadamente a ansiedade e depressão são o reflexo de relações pautadas

pela dependência, inibição e ausência de suporte (e.g., Bowlby, 1969). De acordo com

Borges e Werlang (2006) a presença de patologia emocional constitui um preditor claro da

ideação suicida.

Como apontamentos finais, cabe-nos destacar as implicações práticas inerentes à

realização do presente estudo, nomeadamente a compreensão das repercussões negativas que

o estabelecimento de ligações inseguras com as figuras significativas de afeto e a presença de

competências sociais deficitárias podem assumir no desenvolvimento psicoafetivo do


65
adolescente. Pelo exposto, espera-se que as conclusões formuladas possam contribuir para

uma maior consciencialização, acerca da problemática da ideação suicida, assim como, para a

clarificação de fatores protetores no decurso da adolescência. Apesar das implicações práticas

elencadas, a concretização do presente estudo deparou-se com algumas limitações,

especificamente a sensibilidade denotada pelos participantes face ao questionário de ideação

suicida, que se pode associar ao enviesamento de resultados pela atribuição de respostas por

desejabilidade social. Ressalta-se, também a subjetividade inerente aos resultados, uma vez

que, estes foram recolhidos sob a forma de questionários de autorrelato. A par disto, salienta-

se o cariz transversal do estudo e o tamanho da amostra que impossibilitaram estabelecer

relações de causa-efeito, assim como, estudar uma amostra representativa da população geral.

Deste modo, consideramos que seria relevante, em investigações futuras, a realização de

entrevistas aos adolescentes e às figuras parentais de forma a obter dados mais objetivos e

integrativos, bem como a análise de outras variáveis relacionais como a presença de

psicopatologia e a qualidade da ligação na fratria. A realização de investigações longitudinais

possibilitaria, também, estabelecer relações de causa-efeito e, assim, testar o efeito das

variáveis em estudo nas diferentes etapas desenvolvimentais inerentes à adolescência.

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70
Considerações finais

A concretização deste trabalho possibilitou um maior conhecimento acerca do

contributo que a vinculação parental, os estilos parentais e as competências sociais assumem

no desenvolvimento psicoafetivo do adolescente, constituindo fontes de proteção face à

ideação suicida. Neste sentido, e de modo sucinto, apresentar-se-ão algumas considerações no

que alude aos principais resultados alcançados, sendo também, descritas as limitações

intrínsecas a todo o processo de investigação e delineadas eventuais pistas para investigações

futuras.

Assim, a adolescência, definindo-se por um período desenvolvimental pautado por

significativas alterações físicas, psicológicas e sociais, associa-se, não raras vezes a

comportamentos autodestrutivos, nos quais os pensamentos recorrentes de suicídio se

incluem, como forma de exteriorização de uma angústia psíquica. Deste modo, com a

realização do presente estudo, pretendeu-se realçar a importância das figuras parentais,

nomeadamente o efeito de proteção que a vinculação parental e os estilos parentais

democráticos exercem no desenvolvimento de ideação suicida na adolescência. Objetivou-se,

também, enfatizar o contributo positivo das figuras parentais para a aquisição congruente de

competências sociais que, por sua vez, podem atuar como fontes de proteção face ao risco.

Neste sentido, os resultados apresentados na presente dissertação, confirmaram em

grande medida as hipóteses previamente delineadas. De um modo geral, observou-se que uma

dinâmica familiar pautada pela prestação de cuidados ajustados às necessidades físicas e

emocionais da criança consolida a qualidade da ligação estabelecida na díade pais-filho.

Assim, os jovens tornam-se mais competentes do ponto de vista emocional mediante o

contacto com sentimentos de valorização pessoal, integração social e de confiança nas suas

capacidades e nas dos seus cuidadores.

Os resultados da presente amostra apontaram que os jovens do sexo feminino

demonstram uma maior ansiedade de separação face à mãe, comparativamente com o sexo
71
masculino. É de sublinhar que, apesar de o sexo feminino denotar uma maior facilidade ao

nível de uma expressão emocional empática e assertiva, também parecem aduzir uma maior

vulnerabilidade face a pensamentos sobre o término da própria vida, comparativamente com

o sexo oposto. Observou-se ainda que os adolescentes do sexo masculino, contrariamente ao

que seria esperado, patentearam uma maior sensibilidade e atenção face aos estilos parentais

denotando a perceção de menor investimento parental, quando comparado com o sexo

feminino.

Foi também, observado que jovens com pais entre os 27 e os 45 anos apresentam

maior qualidade do laço emocional e uma maior ansiedade de separação, enquanto que os

jovens com os pais mais velhos [46 - 65] denotam uma maior inibição da exploração da

individualidade. Percebe-se que pais mais jovens poderão ter interesses, sonhos e ideais mais

próximos aos do adolescente o que, por sua vez, pode fomentar sentimentos de compreensão,

aceitação e responsividade parental. Verificou-se, contrariamente que a idade da figura

materna não contribui para a qualidade do laço afetivo desenvolvido entre mãe e filho, pelo

que se considera, que tal ligação tende a ser estável ao longo do desenvolvimento dos jovens.

Ainda que a recente configuração familiar defenda a presença de uma maior similitude das

funções parentais na prestação de cuidados à criança, foi interessante perceber, que a

qualidade da ligação afetiva estabelecida com a figura materna detém uma preponderância

distinta à do pai, relativamente ao contributo que os cuidadores assumem no desenvolvimento

psicoafetivo do adolescente.

A partir de análises distintas foi possível estabelecer importantes conclusões no que

concerne ao desenvolvimento de ideação suicida. Assim, verificou-se que a ligação afetiva

estabelecida na díade pai-adolescente estabelece um fator protetor face às adversidades no

decurso da adolescência. Por outro lado, a ligação pautada pela inibição da exploração e da

individualidade na díade mãe-adolescente é tradutora de um desajustamento emocional, uma

vez que, prediz positivamente a ideação suicida. Tal como discutido anteriormente, percebe-
72
se que a qualidade da ligação afetiva estabelecida com a mãe assume importância distinta,

face ao pai, relativamente ao desenvolvimento psicoafetivo do adolescente.

Atendendo ao papel das competências sociais no desenvolvimento de ideação suicida,

verificou-se que uma vivência pautada por uma expressão emocional congruente e assertiva

constitui uma fonte de proteção face à ideação suicida, na medida em que faculta o

estabelecimento de relações interpessoais mais positivas.

Para finalizar, verificou-se o papel mediador da vinculação aos pais na associação

entre o estilo parental democrático e o desenvolvimento de ideação suicida. Tal como se

aguardava as condutas parentais democráticas no seio familiar revelam um contributo

positivo para o desenvolvimento de uma ligação segura com as figuras parentais. Constatou-

se, também, que a presença de estilos parentais democráticos e a qualidade do laço emocional

constituem preditores negativos do despoletar de ideação suicida. Assim, de um modo geral,

observou-se que os jovens que não percecionam os estilos parentais como sendo

democráticos mas, que ao mesmo tempo, denotam ligações seguras com as figuras parentais

evidenciam uma maior capacidade para gerir as vicissitudes que experienciam de uma forma

mais salutar. Percebe-se, assim, o papel de relevo que a qualidade da vinculação aos pais

pode assumir no funcionamento psicológico e na regulação emocional dos adolescentes, na

medida em que concedem um sentimento de maior proteção, apoio e segurança. Nesta

medida, considera-se que a qualidade das ligações afetivas estabelecidas com os cuidadores

constitui um fator essencial para uma compreensão mais ampla da ideação suicida.

Como referências finais, torna-se pertinente destacar as implicações práticas

alcançadas com a concretização dos estudos apresentados, assim como, refletir sobre as suas

limitações de forma a delinear eventuais pistas para investigações futuras. Deste modo,

ressalta-se que ao longo deste trabalho foi possível conhecer o impacto negativo que as

ligações inseguras com os pais e a adoção de condutas parentais não democráticas podem

assumir no desenvolvimento salutar dos jovens no período da adolescência. Destaca-se ainda,


73
o papel fundamental da vinculação parental para a aquisição congruente de competências

sociais, salientando-se as repercussões negativas que a aquisição de competências sociais

deficitárias pode assumir no ajustamento emocional dos jovens, tornando-os menos

resilientes face à ideação suicida.

Pelo exposto, espera-se que as conclusões elencadas possam contribuir para uma

maior consciencialização, a nível familiar, acerca da importância que as atitudes parentais

podem assumir no desenvolvimento psicoafetivo dos adolescentes, assim como para um

conhecimento mais próximo da realidade atual acerca da ideação suicida mediante a

identificação/clarificação de fatores de risco e de proteção. Assim, julga-se que seria profícuo

a implementação de programas de educação parental e estimulação precoce que promovam

estilos saudáveis de interação e comunicação familiar de modo a prevenir o aparecimento de

dificuldades ou problemas do desenvolvimento. Poderia revelar-se também pertinente,

desenvolver módulos de formação socioeducativa no contexto escolar por forma a auxiliar os

docentes e os auxiliares da ação educativa a identificar situações potenciais de risco face à

ideação suicida, procedendo à sua sinalização discreta no meio escolar e ao encaminhamento

para o sistema de saúde.

Apesar disto, algumas limitações estão patentes nas investigações apresentadas, que

não deixam de ser próprias do cariz transversal dos estudos. Deste modo, destaca-se a

resistência denotada pelos adolescentes face ao questionário de ideação suicida, incorrendo

no risco de resposta por desejabilidade social. Ressalta-se, ainda a recolha de dados mediante

instrumentos de autorrelato e a subjetividade inerente aos mesmos, bem como, a

impossibilidade de estabelecer relações de causa-efeito entre as variáveis.

Assim, seria pertinente desenvolver um estudo longitudinal de forma a acompanhar o

desenvolvimento afetivo dos jovens provenientes de famílias não democráticas ao longo do

tempo e, igualmente, avaliar o seu ajustamento psicológico a partir de um possível

desenvolvimento de competências sociais em função dos contactos interpessoais


74
estabelecidos com o grupo de pares na adolescência. Em estudos posteriores seria, também,

relevante complementar a recolha de dados através de entrevistas às figuras parentais, aos

professores e ao grupo de pares, bem como, analisar outras variáveis relacionais como a

qualidade da ligação à fratria, a escolaridade dos participantes e a idade e estado civil das

figuras parentais. Por último poderia ser relevante avaliar o impacto de diferentes estratégias

de resolução de problemas, enquanto experiências construtivas para o ajustamento

psicológico dos adolescentes.

75
76
Referências gerais

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http://www.spsuicidologia.pt/sobre-o-suicidio/estatistica. Acedido em: 26 de Agosto

de 2014.

78
ÍNDICE DE TABELAS E FIGURAS

Estudo Empirico I ………………………………………………………………………………… 5

Figura 1. Modelo representativo do efeito mediador da vinculação ao pai na associação entre o

estilo democrático adotado pela figura paterna e a ideação suicida ………………………………. 25

Figura 2. Modelo representativo do efeito mediador da vinculação à mãe na associação entre o

estilo democrático adotado pela figura materna e a ideação suicida ……………………………. 26

Tabela 1. Correlação entre variáveis, média e desvio-padrão (N=604) …………….……………. 21

Tabela 2. Análise diferencial da vinculação aos pais, estilos parentais e ideação suicida em função

do sexo …………………………………………………………………………………………… 23

Tabela 3. Passos do Teste de Sobel para o Modelo de Mediação (Pai) ..………...…..…………. ..24

Tabela 4. Passos do Teste de Sobel para o Modelo de Mediação (Mãe) ……………..………..…. 25

Estudo Empírico II ……………………………………………………………………………… 43

Tabela 1. Correlação entre variáveis, média e desvio-padrão (N=604) …………………………... 53

Tabela 2. Análise diferencial da vinculação aos pais, competências sociais e ideação suicida em

função do sexo ……………………………………………………………………………………. 54

Tabela 3. Análise diferencial da vinculação aos pais, competências sociais e ideação suicida em

função da idade da figura paterna ………………………………………………………...……… 55

Tabela 4. Regressão múltipla hierárquica para a ideação suicida ………………………………... 57

79
ANEXOS

ANEXO 1

1.1 Análise Fatorial Confirmatória de 1ª Ordem do Questionário de Vinculação ao Pai

(QVPM_Pai)

1.2 Análise Fatorial Confirmatória de 1ª Ordem do Questionário de Vinculação ao Mãe

(QVPM_Mãe)

1.3 Análise Fatorial Confirmatória de 1ª Ordem do Styles & Dimensions Questionnaire:

Short Version (PSDQ_Pai)

1.4 Análise Fatorial Confirmatória de 1ª Ordem do Styles & Dimensions Questionnaire:

Short Version (PSDQ_Mãe)

1.5 Análise Fatorial Confirmatória de 1ª Ordem do Social Skills Questionnaire (SSQ)

1.6 Análise Fatorial Confirmatória de 1ª Ordem do Questionário Ideação Suicida (QIS)

ANEXO 2

2.1 Questionário de Vinculação ao Pai e à Mãe (QVPM)

2.2 Styles & Dimensions Questionnaire: Short Version (PSDQ)

2.3 Social Skills Questionnaire (SSQ)

2.4 Questionário de Ideação Suicida (QIS)

ANEXO 3

3.1 Questionário Sociodemográfico

ANEXO 4

4.1 Carta dirigida aos diretores das instituições

4.3 Consentimento informado

80
ANEXO 1
χ2 (21) = 140.57, p = .001, SRMR = .07, CFI = .97, RMSEA = .07

1.1 Análise Fatorial Confirmatória de 1ª Ordem do Questionário de Vinculação ao Pai

(QVPM_Pai)
χ2 (24) = 90.04, p = .001, SRMR = .05, CFI = .97, RMSEA = .07

1.2 Análise Fatorial Confirmatória de 1ª Ordem do Questionário de Vinculação ao

Mãe (QVPM_Mãe)
χ2 (80) = 308.29, p = .001, SRMR = .07, CFI = .95, RMSEA = .07

1.3 Análise Fatorial Confirmatória de 1ª Ordem do Styles & Dimensions

Questionnaire: Short Version (PSDQ_Pai)


χ2 (79) = 384.37, p = .001, SRMR = .07, CFI = .91, RMSEA = .08

1.4 Análise Fatorial Confirmatória de 1ª Ordem do Styles & Dimensions

Questionnaire: Short Version (PSDQ_Mãe)


χ2 (24) = 101.68, p = .001, SRMR = .05, CFI = .96, RMSEA = .07

1.5 Análise Fatorial Confirmatória de 1ª Ordem do Social Skills Questionnaire (SSQ)


χ2 (35) = 445.22, p = .001, SRMR = .03, CFI = .95, RMSEA = .02

1.6 Análise Fatorial Confirmatória de 1ª Ordem do Questionário Ideação Suicida (QIS)


ANEXO 2
QVPM

(Matos & Costa, 2001)

Neste questionário vai encontrar um conjunto de afirmações sobre as relações

familiares. Leia atentamente cada uma das frases e assinale com uma cruz (X) as respostas

que melhor exprimem o modo como se sente com cada um dos seus pais. Responda em

colunas separadas para o pai e para a mãe, tendo em conta as seis alternativas que se seguem:

Discordo Discordo Concordo Concordo


Discordo Concordo
Totalmente moderadamente moderadamente totalmente
1 2 3 4 5 6

Pai Mãe
1. Os meus pais estão sempre a interferir em assuntos que só
1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6
têm a ver comigo.
2. Tenho confiança que a minha relação com os meus pais se
1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6
vai manter no tempo.
3. É fundamental para mim que os meus pais concordem
1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6
com aquilo que eu penso.
4. Os meus pais impõem a maneira deles de ver as coisas. 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6
5. Apesar das minhas divergências com os meus pais, eles
1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6
são únicos para mim.
6. Penso constantemente que não posso viver sem os meus
1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6
pais.
7. Os meus pais desencorajam-me quando quero
1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6
experimentar uma coisa nova.
8. Os meus pais conhecem-me bem. 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6
9. Só consigo enfrentar situações novas se os meus pais
1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6
estiverem comigo.
10. Não vale muito a pena discutirmos, porque nem eu nem os
1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6
meus pais damos o braço a torcer.
11. Confio nos meus pais para me apoiarem em momentos
1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6
difíceis da minha vida.

12. Estou sempre ansioso(a) por estar com os meus pais. 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6


13. Os meus pais preocupam-se demasiadamente comigo e
1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6
intrometem-se onde não são chamados.

14. Em muitas coisas eu admiro os meus pais. 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6

15. Eu e os meus pais é como se fôssemos um só. 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6

16. Em minha casa é problema eu ter gostos diferentes dos


1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6
meus pais.
17. Apesar dos meus conflitos com os meus pais, tenho
1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6
orgulho neles.
18. Os meus pais são as únicas pessoas importantes na minha
1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6
vida.
19. Discutir assuntos com os meus pais é uma perda de tempo
1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6
e não leva a lado nenhum.
20. Sei que posso contar com os meus pais sempre que
1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6
precisar deles.
21. Faço tudo para agradar aos meus pais. 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6
22. Os meus pais dificilmente me dão ouvidos. 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6
23. Os meus pais têm um papel importante no meu
1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6
desenvolvimento.
24. Tenho medo de ficar sozinho(a) se um dia perder os meus
1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6
pais.
25. Os meus pais abafam a minha verdadeira forma de ser. 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6
26. Não sou capaz de enfrentar situações difíceis sem os meus
1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6
pais.

27. Os meus pais fazem-me sentir bem comigo próprio(a). 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6

28. Os meus pais têm a mania que sabem sempre o que é


1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6
melhor para mim.
29. Se tivesse de ir estudar para longe dos meus pais, sentir-
1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6
me-ia perdido(a).

30. Eu e os meus pais temos uma relação de confiança. 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6


PSDQ

(Robinson, Mandleco, Olsen, & Hart, 2001; Tradução de Nunes & Mota, 2013)
as

As seguintes afirmações medem com que frequência e de que modo os seus pais

atuam consigo. Leia atentamente cada uma das frases e assinale com uma cruz (X) as

respostas. Responda em colunas separadas para o pai e para a mãe.

Nunca Algumas vezes Metade das vezes Muitas vezes Sempre


1 2 3 4 5
P
Pai Mãe
1. Os meus pais são sensiveis aos meus sentimentos e necessidades. 1 ai
2 3 4 5 1 2 3 4 5
2. Os meus pais castigam-me fisicamente como forma de me disciplinar. 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
3. Os meus pais têm em conta os meus desejos antes de me pedirem que
1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
faça algo.
4. Quando pergunto aos meus pais porque tenho de lhes obedecer, eles
dizem-me: “porque eu disse” ou “porque somos teus pais e queremos que o 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
faças”.
5. Os meus pais explicam-me como se sentem quando me comporto bem e
1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
quando me comporto mal.
6. Os meus pais batem-me quando sou desobediente. 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
7. Os meus pais encorajam-me a falar dos meus problemas. 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
8. Os meus pais consideram dificil disciplinar-me. 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
9. Os meus pais encorajam-me a expressar-me livremente mesmo quando
1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
não concordam comigo.
10. Os meus pais castigam-me retirando-me previlégios, fazendo-o com
1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
poucas ou nenhumas explicações.
11. Os meus pais realçam os motivos das regras que implementam. 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
12. Os meus pais confortam-me e são compreensivos quando estou “em
1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
baixo”.

13. Quando me comporto mal, os meus pais falam alto ou gritam. 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5

14. Quando me comporto bem, os meus pais elogiam-me. 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5

15. Os meus pais cedem quando eu faço birra. 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5


16. Os meus pais têm explosões de raiva comigo. 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
17. Os meus pais ameaçam-me mais vezes com castigos do que me
1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
castigam efetivamente.
18. Os meus pais têm em conta as minhas preferências. 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
19. Os meus pais agarram-me com força quando eu desobedeço. 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
20. Os meus pais dizem que me castigam, mas depois não cumprem. 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
21. Os meus pais mostram respeito pelas minhas opiniões, encorajando-me
1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
a expressá-las.
22. Os meus pais permitem que eu dê a minha opinião sobre as regras
1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
familiares.
23. Os meus pais repreendem-me e criticam-me para o meu bem. 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
24. Os meus pais estragam-me com mimos. 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
25. Os meus pais explicam-me os motivos porque devo cumprir as regras. 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
26. Os meus pais usam ameaças como castigos dando poucas ou nenhumas
1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
explicações.

27. Os meus pais têm grandes momentos de afetividade e carinho comigo. 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5

28. Os meus pais castigam-me, deixando-me sozinho e dando-me poucas


1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
explicações.
29. Os meus pais ajudam-me a compreender o impacto do meu
comportamento, encorajando-me a falar sobre as consequências das minhas 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
ações.
30. Os meus pais repreendem-me e criticam-me quando eu não me
1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
comporto como eles esperavam.
31. Os meus pais explicam-me as consequências do meu
1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
comportamento.

32. Os meus pais dão-me uma bofetada quando me comporto mal. 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5


SSQ
(Gresham & Elliott, 1990)
(Adaptação de Mota, Lemos, & Matos, 2005)

Este questionário descreve muitas coisas que alunos da sua idade podem fazer. Por

favor, leia cada frase e pense em si. Indique com que frequência tem o comportamento

descrito.

Se nunca tem esse comportamento, faça um círculo à volta do 0.

Se tem esse comportamento às vezes, faça um círculo à volta do 1.

Se tem esse comportamento muitas vezes, faça um círculo à volta do 2.

Depois, decida a importância que esse comportamento tem para si.

Se não é importante para os seus relacionamentos, faça um círculo à volta do 0.

Se é importante para os seus relacionamentos, faça um círculo à volta do 1.

Se é indispensável para os seus relacionamentos, faça um círculo à volta do 2.

Aqui estão dois exemplos:

Com que frequência? Importância?


Às Muitas Não é É
Nunca Indispensável
vezes vezes importante importante
Inicio converso com os colegas de turma. 0 1 2 0 1 2
Mantenho a minha mesa de trabalho 0 1 2 0 1 2
limpa e arrumada.

Este aluno inicia conversas com os colegas muitas vezes, e iniciar conversas com os colegas é importante para si. Este
aluno mantém a sua mesa de trabalho limpa e arrumada às vezes, mas uma mesa de trabalho limpa e arrumada não é
importante para si.

Se mudar uma resposta, verifique se apagou a anterior completamente. Por favor

responda a todas as questões. Se tiveres dúvidas pode perguntar. Não existem respostas certas

nem erradas, apenas interessa o que acha em relação a quantas vezes, faz estas coisas e à

importância que elas têm para si.


Com que frequência? Importância?

Às Muitas Não é É
Nunca Indispensável
vezes vezes importante importante

1. Faço amizades com facilidade. 0 1 2 0 1 2


2. Digo coisas agradáveis aos outros quando eles fazem alguma
0 1 2 0 1 2
coisa bem.
3. Peço ajuda aos adultos quando outros colegas tentam bater-
0 1 2 0 1 2
me ou se metem comigo.
4. Sinto-me confiante quando saio num encontro com alguém
0 1 2 0 1 2
em que estou interessado(a).
5. Tento compreender os sentimentos dos meus amigos quando
0 1 2 0 1 2
eles estão zangados, aborrecidos ou tristes.
6. Ignoro os outros colegas quando eles me gozam ou insultam. 0 1 2 0 1 2
7. Peço ajuda aos meus amigos quando tenho problemas. 0 1 2 0 1 2
8. Mostro o meu desacordo aos adultos sem discutir ou gritar. 0 1 2 0 1 2
9. Evito fazer coisas com os outros que me arranjem problemas
0 1 2 0 1 2
com os adultos.
10. Tenho pena das pessoas quando lhes acontece algo de mal. 0 1 2 0 1 2
11. Faço coisas que agradam aos meus pais como ajudar nas
0 1 2 0 1 2
tarefas de casa sem ser necessário pedirem-me.
12. Participo em atividades escolares como o desporto e clubes. 0 1 2 0 1 2
13. Quando tenho desacordos com os meus pais ou professores,
0 1 2 0 1 2
acabo sempre por chegar a um entendimento.
14. Ignoro os colegas que fazem palhaçadas nas aulas. 0 1 2 0 1 2
15. Ouço os meus amigos quando falam dos seus problemas. 0 1 2 0 1 2
16. Quando tenho discussões com os meus pais termino-as de
0 1 2 0 1 2
uma forma calma.
17. Faço elogios a pessoas do sexo oposto. 0 1 2 0 1 2
18. Quando as outras pessoas fazem alguma coisa bem, digo-
0 1 2 0 1 2
lhes.
19. Sorrio, aceno ou cumprimento os outros. 0 1 2 0 1 2
20. Inicio conversas com amigos do sexo oposto sem me sentir
0 1 2 0 1 2
deslocado(a) ou nervoso(a).
21. Aceito castigos dos adultos sem ficar zangado(a). 0 1 2 0 1 2
22. Mostro aos meus amigos que gosto deles dizendo-lhes ou
0 1 2 0 1 2
demonstrando-o.
23. Defendo os meus amigos quando são criticados injustamente 0 1 2 0 1 2
24. Convido as pessoas para participarem em atividades sociais. 0 1 2 0 1 2
25. Controlo o meu temperamento quando as pessoas se
0 1 2 0 1 2
zangam comigo.
26. Recebo atenção dos membros do sexo oposto sem me sentir
0 1 2 0 1 2
embaraçado(a).
27. Aceito críticas dos meus pais sem ficar zangado(a). 0 1 2 0 1 2
28. Inicio conversas com colegas de turma. 0 1 2 0 1 2
29. Converso em conjunto com os colegas de turma quando há
0 1 2 0 1 2
um problema ou uma discussão.
QIS
Reynolds, 1991
(Adaptação de Ferreira e Castela, 1999)

Seguidamente encontra-se uma lista de 30 itens, peço-lhe para responder, assinalando

com um círculo, a resposta que melhor expressa o seu sentimento nos últimos 6 meses.

Quase
Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Quase sempre Sempre
nunca
1 2 3 4 5 6 7

1. Pensei que seria melhor não estar vivo. 1 2 3 4 5 6 7


2. Pensei suicidar-me. 1 2 3 4 5 6 7
3. Pensei na maneira como me suicidaria. 1 2 3 4 5 6 7
4. Pensei quando me suicidaria. 1 2 3 4 5 6 7
5. Pensei em pessoas a morrerem. 1 2 3 4 5 6 7
6. Pensei na morte. 1 2 3 4 5 6 7
7. Pensei no que escrever num bilhete sobre o suicídio. 1 2 3 4 5 6 7
8. Pensei em escrever um testamento. 1 2 3 4 5 6 7
9. Pensei em dizer às pessoas que planeava suicidar-me. 1 2 3 4 5 6 7
10. Pensei que as pessoas estariam mais felizes se eu não estivesse
1 2 3 4 5 6 7
presente.
11. Pensei em como as pessoas se sentiriam se me suicidasse. 1 2 3 4 5 6 7
12. Desejei estar morto(a). 1 2 3 4 5 6 7
13. Pensei em como seria fácil acabar com tudo. 1 2 3 4 5 6 7
14. Pensei que suicidar-me resolveria os meus problemas. 1 2 3 4 5 6 7
15. Pensei que os outros ficariam melhor se eu estivesse morto(a). 1 2 3 4 5 6 7
16. Desejei ter coragem para me matar. 1 2 3 4 5 6 7
17. Desejei nunca ter nascido. 1 2 3 4 5 6 7
18. Pensei que se tivesse oportunidade me suicidaria. 1 2 3 4 5 6 7
19. Pensei na maneira como as pessoas se suicidam. 1 2 3 4 5 6 7
20. Pensei em matar-me, mas não o faria. 1 2 3 4 5 6 7
21. Pensei em ter um acidente grave. 1 2 3 4 5 6 7
22. Pensei que a vida não valia a pena. 1 2 3 4 5 6 7
23. Pensei que a minha vida era muito miserável para continuar. 1 2 3 4 5 6 7
24. Pensei que a única maneira de repararem em mim era matar-me. 1 2 3 4 5 6 7
25. Pensei que se me matasse as pessoas se aperceberiam que teria valido
1 2 3 4 5 6 7
a pena preocuparem-se comigo.
26. Pensei que ninguém se importava se eu estivesse vivo(a) ou morto(a). 1 2 3 4 5 6 7
27. Pensei em magoar-me, mas não em suicidar-me. 1 2 3 4 5 6 7
28. Perguntei-me se teria coragem para me matar. 1 2 3 4 5 6 7
29. Pensei se as coisas não melhorassem eu matar-me-ia. 1 2 3 4 5 6 7
30. Desejei ter o direito de me matar. 1 2 3 4 5 6 7
ANEXO 3
Nº do sujeito: ________

1. Identificação Pessoal

Sexo: Feminino Masculino Idade:

Escolaridade: Ano que frequenta:

2. Identificação Familiar

2.1 Pai Idade: Profissão: Escolaridade:

2.2 Mãe Idade: Profissão: Escolaridade:

2.3 Número de irmãos: Idade dos irmãos: ___________________________

2.4 Estado civil dos pais


Casados\União de facto Há quanto tempo: _______________
Separados\Divorciados Há quanto tempo: _______________
Viúvos Há quanto tempo: ________________
Outro

2.5 Pessoas com quem vive atualmente? _________________________________________

3. Nos últimos 6 meses senti-me:

Quase Quase
Nunca Às vezes Frequentemente Sempre
nunca sempre

1. Desiludido 1 2 3 4 5 6

2. Desanimado 1 2 3 4 5 6
3. Triste 1 2 3 4 5 6
4. Sozinho 1 2 3 4 5 6
5. Com medo súbito 1 2 3 4 5 6
6. Nervoso ou tenso 1 2 3 4 5 6
7. Com sentimento de pânico 1 2 3 4 5 6
8. Aflito 1 2 3 4 5 6
4. Relação com os pares

4.1 Neste momento namora? Não Sim Duração da relação?

4.2 Sente que tem muitos amigos? Sim Não

4.3 Na maioria das vezes, prefiro iniciar\manter o contacto com os meus amigos:
Cara a cara
Internet
Telemóvel
Outros ___________________________________

4.4 Ter uma relação romântica Ter amigos para mim…

É muito importante
É bastante importante
É razoavelmente importante
É pouco importante
Não é importante
ANEXO 4
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Escola de Ciências Sociais e Humanas

Departamento de Educação e Psicologia

Vila Real, 22 de outubro de 2013


Exmo. Sr. Diretor da Escola
XXXXX

Exmo. Sr. Diretor do Conselho Executivo

No âmbito do mestrado em Psicologia Clínica da Universidade de Trás-os-Montes e

Alto Douro a realizar pela aluna Filipa Nunes com o projeto que se intitula “Vinculação e

estilos parentais: Papel das competências sociais na ideação suicida de adolescentes”, venho

por este meio colocar à consideração de V.a Exa a possibilidade de serem administrados

alguns questionários de recolha de dados na Escola XXXXX. Todos os dados recolhidos

serão confidenciais e anónimos, não sendo assim necessário proceder à identificação dos

participantes. A recolha e o tratamento dos dados ficarão a cargo da mestranda Filipa Nunes,

que efetuará os contactos com a instituição, necessários a uma boa administração dos

mesmos.

Esperando de V.ª Exa. a melhor compreensão e colaboração, ficamos a aguardar

autorização, dispondo-nos naturalmente para qualquer esclarecimento adicional.

Com os melhores cumprimentos,

_________________________________
(Profa. Doutora Catarina Pinheiro Mota)
Responsável pela orientação do mestrado
Vila Real, 2013

Caro(a) jovem

Sou aluna do Mestrado em Psicologia Clínica da Universidade de Trás-os-Montes e

Alto Douro e pretendo realizar o projeto de investigação, com vista à obtenção do grau de

Mestre em Psicologia Clínica.

A base de investigação deste projeto tem como objetivo estudar a associação entre a

vinculação, os estilos parentais, as competências sociais e a ideação suicida em adolescentes.

Esta escola foi selecionada para fazer parte da amostra, por isso pedimos-lhe

cooperação no preenchimento dos questionários. Desde já garantimos a máxima

confidencialidade dos dados. As informações referentes à identificação pessoal, assim como

da sua família servem apenas para descrever a amostra de adolescentes em geral, permitindo-

nos ao mesmo tempo relacionar os vários questionários à mesma pessoa.

Pedimos-lhe que leia os questionários com atenção e responda de forma sincera dando

a sua opinião face às questões apresentadas. Recorde-se que o objetivo não é verificar se as

respostas estão corretas ou erradas, apenas importa verificar o que pensa ou sente.

Sempre que lhe surgir alguma dúvida solicite ajuda.

Devemos, ainda, referir que a participação é voluntária e agradecemos desde já a sua

colaboração.

Com os melhores cumprimentos.


___________________________

(Filipa Nunes)