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Teorema de Pitágoras e
Áreas

Eduardo Wagner

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Texto já revisado pela nova ortografia.

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Sobre o Autor

Eduardo Wagner é formado em engenharia pela UFRJ e mestre em


matemática pelo IMPA. Como professor de matemática, atua tanto no
Ensino Médio quanto no superior. Suas atividades com olimpíadas de
Matemática começaram em 1989, tendo sido coordenador da Olimpía-
da de Matemática do Estado do Rio de Janeiro por três anos e da
Olimpíada Brasileira de Matemática por cinco anos, participando
até hoje como membro da Comissão da OBM, da sua organização
e desenvolvimento. Também tem desempenhando a função de líder
da delegação brasileira em diversas olimpíadas internacionais. Desde
1991 é professor do Programa de Aperfeiçoamento de Professores pro-
movido pelo IMPA e também é membro do Comitê Editorial da Re-
vista do Professor de Matemática publicada pela SBM. É autor de
diversos livros dentre os quais seis volumes da Coleção do professor
de Matemática, publicada pela SBM e de uma extensa coleção de
artigos publicados na RPM e em outras revistas especializadas.

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Sumário
1 O Teorema de Pitágoras 1

1.1 Leia um Pouco da História . . . . . . . . . . . . . . . . 1

1.2 O Enunciado do Teorema de Pitágoras . . . . . . . . . 4

1.3 A Recíproca do Teorema de Pitágoras . . . . . . . . . 8

1.4 Ternos Pitagóricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10

1.5 Generalizando o Teorema de Pitágoras . . . . . . . . . 12

1.6 Construções Geométricas e o Triângulo Retângulo . . 13

1.7 Problemas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20

2 Áreas 24

2.1 Propriedades Importantes . . . . . . . . . . . . . . . . 25

2.2 Número π . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38

2.3 Problemas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46

3 Soluções dos Problemas 55

3.1 Capítulo 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55

3.2 Capítulo 2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65

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ii SUMÁRIO

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Antes de começar
Este pequeno livro é dedicado a dois temas de geometria da maior
importância: o Teorema de Pitágoras e as Áreas. Estes dois assuntos,
que possuem forte conexão, são abordados em geral na 9 o ano do En-
sino Fundamental, de forma bastante breve e em nível naturalmente
adequado aos alunos dessa faixa etária. Como estes temas não são
normalmente retomados no Ensino Médio, grande parte dos alunos
não tem oportunidade de conhecer a enorme riqueza das aplicações,
muitas por vezes, surpreendentes.

O Teorema de Pitágoras aparece com um pouco de seu contexto


histórico, algumas demonstrações e importantes generalizações. Apre-
sentamos também algumas construções geométricas associadas ao
triângulo retângulo com a finalidade principal de despertar a cu-
riosidade dos leitores para as construções com régua e compasso que
fornecem situações muito educativas, intrigantes e desafiadoras.

O capítulo sobre Áreas, além de conter todo o material necessário


para a obtenção das fórmulas das figuras simples, inclui propriedades
que permitem realizar demonstrações de diversos teoremas usando o
conceito de área como ferramenta. O capítulo termina com a área do
círculo e uma bastante precisa apresentação do número π.

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Capítulo 1

O Teorema de Pitágoras
1.1 Leia um Pouco da História

Pitágoras (c.569 – c.480 a.C.) nasceu na ilha de Samos, perto de


Mileto onde 50 anos antes tinha nascido Tales. Foi a partir das ideias
desses dois grandes personagens que a Matemática se inicia como
ciência e pode se desenvolver enormemente nos séculos seguintes.

Pitágoras viajou bastante. Esteve no Egito e na Babilônia (talvez


tenha ido até a Índia) onde absorveu os conhecimentos matemáticos e
as ideias religiosas de cada região. Voltando ao mundo grego, fundou

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2  CAP. 1: O TEOREMA DE PITÁGORAS

em Crotona (sudeste da Itália de hoje) uma escola, na verdade uma


sociedade secreta, dedicada ao estudo da Matemática e Filosofia, prin-
cipalmente. Como todos os documentos daquela época se perderam,
tudo o que sabemos veio através de referências de outros autores que
viveram séculos depois. Por isso, Pitágoras é uma figura obscura na
história da Matemática e, para dificultar ainda mais as coisas, a sua
escola, além de secreta, era comunitária, ou seja, todo o conhecimento
e todas as descobertas eram comuns, pertenciam a todos. Assim, não
sabemos sequer se foi o próprio Pitágoras que descobriu o teorema que
leva o seu nome, pois era comum naquela época dar todo o crédito
de uma descoberta ao mestre. Não conhecemos também qual foi a
demonstração original, mas historiadores acreditam que deva ter sido
alguma usando áreas.

O Teorema de Pitágoras é um dos mais belos e importantes teo-


remas da Matemática de todos os tempos e ocupa uma posição es-
pecial na história do nosso conhecimento matemático. Foi onde tudo
começou. Desde o século 5 a.C. até o século 20 d.C. inúmeras demons-
trações do Teorema de Pitágoras apareceram. Em 1940, o matemático
americano E. S. Loomis publicou 370 demonstrações, mas ainda há
mais.

Antes de Pitágoras (Na Babilônia)

Temos provas concretas que os babilônios antigos conheciam o


Teorema de Pitágoras. Muitos tabletes de barro datados do período
de 1800 a 1600 a.C. foram encontrados, decifrados e hoje se encontram
em diversos museus. Um deles, chamado Plimpton 322 está na Uni-

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N SEC. 1.1: LEIA UM POUCO DA HISTÓRIA 3

versidade de Columbia e o fragmento que foi preservado mostra uma


tabela de 15 linhas e 3 colunas de números. Os pesquisadores desco-
briram que esta tabela continha ternos pitagóricos, ou seja, lados de
um triângulo retângulo. Como o que restou é apenas um pedaço de
um tablete, que deveria fazer parte de um conjunto de tabletes, não
se sabe como esses números foram encontrados. Mas uma pista, que
os babilônios conheciam alguma forma de encontrar esses números,
está em um tablete guardado hoje no Museu Britânico. Nesse tablete
está escrito o seguinte:

4 é o comprimento
5 é a diagonal
Qual é a altura?
4 vezes 4 dá 16
5 vezes 5 dá 25
Tirando 16 de 25 o resto é 9
Quanto vezes quanto devo tomar para ter 9?
3 vezes 3 dá 9
3 é a altura

Isto mostra, sem dúvida, que os babilônios tinham conhecimento


da relação entre os lados de um triângulo retângulo. Não há nenhuma
demonstração, naturalmente, pois isto ainda estava longe de ser uma
preocupação dos matemáticos da época. Eles conheciam receitas que
davam certo e, com elas, resolviam inúmeros problemas.

Um outro tablete que merece atenção está no museu da Univer-


sidade de Yale. É o único que contém figuras: um quadrado e suas
diagonais. Neste fragmento de tablete que se pode ver a seguir, o lado

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4  CAP. 1: O TEOREMA DE PITÁGORAS

do quadrado é tomado como igual a 30 e o comprimento da diagonal


aparece como 42, 25, 35.

Como os babilônios escreviam os números na base 60, o compri-


mento da diagonal é, na nossa notação decimal,

25 35
24 + + = 42,4263889.
60 3 600

Isto, dividido por 30, dá 1, 414213..., uma aproximação excepcional



para 2 com seis casas decimais corretas.

1.2 O Enunciado do Teorema de Pitágoras

Em qualquer triângulo retângulo, a área do quadrado


cujo lado é a hipotenusa é igual à soma das áreas dos quadra-
dos que têm como lados cada um dos catetos.

Se a é a medida da hipotenusa e se b e c são as medidas dos catetos,

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N SEC. 1.2: O ENUNCIADO DO TEOREMA DE PITÁGORAS 5

o enunciado do Teorema de Pitágoras equivale a afirmar que

a2 = b 2 + c 2

Observando a figura acima, o Teorema de Pitágoras afirma que a


área sombreada em tom mais claro é igual à área mais escura.

Este fato não é evidente! Muito pelo contrário, é misterioso e intri-


gante. Para que possamos nos convencer da verdade dessa afirmação,
precisamos de uma demonstração. Vamos ver algumas.

A demonstração clássica

Dado um triângulo retângulo de hipotenusa a e catetos b e c,


considere o quadrado cujo lado é b + c.

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6  CAP. 1: O TEOREMA DE PITÁGORAS

Na figura da esquerda, retiramos do quadrado de lado b + c quatro


triângulos iguais ao triângulo retângulo dado, restando um quadrado
de lado a. Na figura da direita, retiramos também do quadrado de
lado b + c os quatro triângulos iguais ao triângulo retângulo dado,
restando um quadrado de lado b e um quadrado de lado c. Logo, a
área do quadrado de lado a é igual à soma das áreas dos quadrados
cujos lados medem b e c.

Esta simples e engenhosa demonstração pode ter sido a que os


pitagóricos imaginaram.

A demonstração que usa semelhança

Esta talvez seja a demonstração mais frequente. A partir de um


triângulo ABC, retângulo em A, traçamos a altura AH e verificamos
que os triângulos AHB e AHC são semelhantes ao triângulo ABC.

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N SEC. 1.2: O ENUNCIADO DO TEOREMA DE PITÁGORAS 7

Da semelhança dos triângulos AHC e ABC temos b 2 = am e, da


semelhança dos triângulos AHB e ABC, temos c 2 = an. Somando
essas duas relações membro a membro, encontramos:

b2 + c2 = am + an = a(m + n) = a · a = a2 .

Esta demonstração é a mais frequente hoje nas escolas porque per-


mite, com um único e pequeno esforço, não só demonstrar o Teorema
de Pitágoras de forma bastante simples, como também encontrar as
relações importantes do triângulo retângulo. Além das duas relações,
que deram origem à demonstração do teorema, obtemos a relação
bc = ah, que também se interpreta com o conceito de área, e h 2 = mn,
que revela o importante fato de que a altura é média geométrica entre
as projeções dos catetos sobre a hipotenusa.

A demonstração de Perigal

Henry Perigal, um livreiro em Londres, publicou em 1873 a de-


monstração que se pode apreciar na figura a seguir. Trata-se da forma
mais evidente de mostrar que a soma das áreas dos quadrados cons-
truídos sobre os catetos preenchem o quadrado construído sobre a

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8  CAP. 1: O TEOREMA DE PITÁGORAS

hipotenusa.

Perigal corta o quadrado construído sobre o maior cateto por duas


retas passando pelo seu centro, uma paralela à hipotenusa do triân-
gulo e outra perpendicular, dividindo esse quadrado em quatro partes
congruentes. Essas quatro partes e mais o quadrado construído so-
bre o menor cateto, preenchem completamente o quadrado construído
sobre a hipotenusa.

1.3 A Recíproca do Teorema de Pitágoras

A pergunta agora é: se a, b e c são reais positivos com a 2 = b2 + c2


será o triângulo de lados a, b, e c retângulo? Intuitivamente, pensamos
que sim. Mas, devemos demonstrar isto. Consideremos então um
triângulo ABC com AB = c, BC = a e CA = b.

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N SEC. 1.3: A RECÍPROCA DO TEOREMA DE PITÁGORAS 9

1o caso: A < 90o


Imaginemos que b ≤ c. Assim, o ponto D, projeção de C sobre AB,
cai no interior do lado AB. Sejam AD = x e CD = h.

Como o triângulo ADC é retângulo, temos b 2 = h2 + x2 . Como o


triângulo BDC é retângulo, temos:

a2 = h2 + (c − x)2

a2 = b2 − x2 + c2 − 2cx + x2

a2 = b2 + c2 − 2cx

ou seja, a2 < b2 + c2 , que contradiz a condição inicial.

2o caso: A > 90o


Agora, o ponto D cai fora do lado AB.

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10  CAP. 1: O TEOREMA DE PITÁGORAS

Os mesmos cálculos que fizemos no caso anterior nos levam a

a2 = b2 + c2 + 2cx,

ou seja, a2 > b2 + c2 , novamente contradizendo a condição inicial.

Demonstramos então que em um triângulo ABC, de lados a, b e c,

A < 90o ⇒ a2 < b2 + c2

A > 90o ⇒ a2 > b2 + c2

Assim, a condição a2 = b2 + c2 implica necessariamente que A = 90o .

1.4 Ternos Pitagóricos



O triângulo de lados 1, 3 e 10 é retângulo? Sim, pois

( 10)2 = 12 + 32 .

Durante toda a história antiga e mesmo até hoje, temos curiosi-


dade em encontrar triângulos retângulos cujos lados são medidos por
números inteiros. Todos nós sabemos que o triângulo de lados 3, 4 e
5 é retângulo, mas você sabia que o triângulo de lados 372, 925 e 997
é retângulo? Possivelmente não, e eu também não o conhecia antes
de redigir estas notas. Este é inclusive o triângulo retângulo de maior
perímetro que tem lados menores que 1 000. Nossa curiosidade nos
leva a seguinte pergunta:

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N SEC. 1.4: TERNOS PITAGÓRICOS 11

“Como encontrar triângulos retângulos cujos lados tenham medi-


das inteiras?”

Definição. Sendo a, b e c inteiros positivos com b < c < a dizemos


que (b, c, a) é um terno pitagórico se a 2 = b2 + c2 . Assim, (3, 4, 5) e
(5, 12, 13) são exemplos de ternos pitagóricos.

Um terno pitagórico (b, c, a) é chamado primitivo, quando b e c


são primos entre si, ou seja, quando mdc(b, c) = 1. Assim, (3, 4, 5)
é um terno pitagórico primitivo. Naturalmente, qualquer terno da
forma (3k, 4k, 5k) com k inteiro e maior que 1 é também pitagórico,
mas não primitivo.

Uma fórmula que gera ternos pitagóricos

Sendo m e n inteiros positivos com m > n considere:

b = m 2 − n2 , c = 2mn, a = m 2 + n2 .

Veja que (b, c, a) é um terno pitagórico pois:

b2 + c2 = (m2 − n2 )2 + (2mn)2 = m4 + n4 + 2m2 n2 = (m2 + n2 )2 = a2 .

Assim, para qualquer escolha de números inteiros m e n, o terno


(b, c, a) é pitagórico. Por exemplo, para m = 7 e n = 4 encontramos
o terno pitagórico (33, 56, 65). Observe que, se nesta fórmula você
atribuir para m e n valores ambos pares ou ambos ímpares, você
encontrará um terno pitagórico não primitivo, pois todos os termos
do terno serão pares. Se a sua escolha de m e n conduzir a valores de

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12  CAP. 1: O TEOREMA DE PITÁGORAS

b e c que sejam primos entre si, você encontrará um terno pitagórico


primitivo. Esta fórmula é atribuída a Platão (séc.4 a.C.), mas existem
outras que você verá nos exercícios.

1.5 Generalizando o Teorema de Pitágoras

O Teorema de Pitágoras afirma que a área do quadrado construído


sobre a hipotenusa de um triângulo retângulo é igual à soma das áreas
dos quadrados construídos sobre os catetos. Agora, imaginemos figu-
ras semelhantes quaisquer, construídas sobre os lados de um triângulo
retângulo.

Sejam então A, B e C as áreas de figuras semelhantes, construídas


sobre a hipotenusa a e sobre os catetos b e c de um triângulo retângulo,
como mostra a figura acima. Sabemos que a razão entre as áreas
de figuras semelhantes é igual ao quadrado da razão de semelhança.
Então,
A  a 2 A B
= ou 2 = 2
B b a b

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N SEC. 1.6: CONSTRUÇÕES GEOMÉTRICAS E O TRIÂNGULO RETÂNGULO 13

A  a 2 A C
= ou 2
= 2.
C c a c
Portanto,
A B C
2
= 2 = 2.
a b c
Pela propriedade das proporções, como a 2 = b2 + c2 , concluímos que
A = B+C. Isto quer dizer que, se figuras semelhantes são construídas
sobre os lados de um triângulo retângulo, a área da figura construída
sobre a hipotenusa é igual à soma das áreas das figuras construídas
sobre os catetos. Esta é uma generalização do teorema de Pitágoras.

1.6 Construções Geométricas e o


Triângulo Retângulo

Construções iniciais

Construir um triângulo retângulo conhecendo dois de seus lados


não é difícil.

a) Se os dois catetos são conhecidos, traçamos duas semirretas per-


pendiculares e, com o compasso, transportamos sobre elas as
medidas dos catetos.

b) Se conhecemos a hipotenusa e um dos catetos, traçamos no-


vamente as duas semirretas perpendiculares, assinalamos sobre
uma delas o cateto AC = b e, com centro em C, traçamos uma
circunferência de raio a, que determina na outra semirreta o
vértice B.

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14  CAP. 1: O TEOREMA DE PITÁGORAS

c) Suponha agora que se conheça a hipotenusa (BC = a) e a al-


tura relativa a ela (AH = h). Como o triângulo retângulo
pode ser inscrito em uma semicircunferência cujo diâmetro é
a hipotenusa, fazemos o seguinte. Traçamos a circunferência
de diâmetro BC = a e, sobre uma perpendicular à reta BC
traçamos o segmento P Q = h. A paralela a BC traçada por Q
determina o vértice A sobre a semicircunferência.

A média aritmética e a média geométrica

Dados dois números positivos x e y definimos a média aritmética


e a média geométrica deles da seguinte forma:

x+y
média aritmética: A = ;
2

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N SEC. 1.6: CONSTRUÇÕES GEOMÉTRICAS E O TRIÂNGULO RETÂNGULO 15


média geométrica: G = xy.

Dados dois segmentos quaisquer, sejam x e y suas medidas. Pode-


mos visualizar estas duas médias no desenho abaixo. O diâmetro da
semicircunferência é x + y, o segmento que representa a média arit-
mética é o raio, e o segmento que representa a média geométrica é a
altura do triângulo retângulo que possui x e y como as projeções dos
catetos sobre a hipotenusa. Então G ≤ A e G = A equivale a x = y.

Vamos mostrar agora a solução gráfica de uma equação do tipo

x2 − 2ax + b2 = 0.

Inicialmente, explicaremos por que a equação está escrita desta forma.


Nas construções geométricas, cada letra representa um segmento. Por
sua vez, cada segmento representa um número real positivo que é a
sua medida em uma certa unidade. Antigamente, há dois mil anos,
não existia o conceito de número real. A palavra número signifi-
cava, na Grécia antiga, número natural. As frações existiam, mas não
eram consideradas números, eram apenas razões entre números. De
qualquer forma, o que chamamos hoje de números racionais, já exis-
tiam, mas os números irracionais ainda estavam muito longe de serem

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16  CAP. 1: O TEOREMA DE PITÁGORAS

descobertos. Para contornar esta dificuldade, os gregos imaginaram


uma solução genial: representar todas as grandezas por segmentos
de reta. Eles, naturalmente, não conseguiam medir todos os segmen-
tos, porque não tinham números suficientes, mas isto não importava.
Toda grandeza podia ser representada por um segmento de algum
tamanho. As operações de adição e subtração podem ser feitas com
segmentos. Um segmento pode ser multiplicado por um número na-
tural ou dividido em qualquer número de partes iguais.

As construções geométricas nada mais são que operações com seg-


mentos. Além de somar, subtrair, multiplicar ou dividir por número
natural, o que mais se pode fazer com recursos exclusivamente gráfi-
cos, usando basicamente a régua e o compasso? Muita coisa, desde
que se perceba que regras são naturalmente impostas.

Em primeiro lugar, se a e b são segmentos, não existe nada, por


exemplo, que se represente por a2 + b. Isto porque a2 é a área de
um quadrado de lado a que, naturalmente, não pode ser somado com
um segmento. Portanto, contas que hoje fazemos sem preocupação
com números naturais, não tinham significado no passado. Assim, a
equação x2 − 2ax + b2 = 0, que vamos resolver, tinha antigamente o
seguinte significado.

Os segmentos a e b são dados. A solução da equação é o segmento x,


tal que a área do quadrado de lado x somada com a área do quadrado
de lado b é igual à área do retângulo, cuja base é o dobro de a e
cuja altura é x. Para encontrar este segmento x vamos, inicialmente,

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N SEC. 1.6: CONSTRUÇÕES GEOMÉTRICAS E O TRIÂNGULO RETÂNGULO 17

aplicar a conhecida fórmula da equação do segundo grau:


p
2a ± (2a)2 − 4b2 p
x= = a ± a2 − b2 .
2

Esta expressão é fácil de construir, pois a2 − b2 representa um dos
catetos de um triângulo retângulo que possui hipotenusa a e o outro
cateto igual a b. Portanto, dados dois segmentos a e b com
a > b construímos o triângulo ABC com cateto AC = b e hipotenusa
BC = a e as soluções x1 e x2 da equação x2 − 2ax + b2 = 0 estão na
figura a seguir:


Nesta figura, AC = b, CB = a, BA = BD = BE = a2 − b2 e,
√ √
portanto, CD = x1 = a − a2 − b2 e CE = a + a2 − b2 .


Segmentos do tipo a n

Observe que, dado um segmento a, obter o segmento a 2 é muito
fácil. Basta desenhar um triângulo retângulo com os dois catetos

iguais a a. A hipotenusa desse triângulo é igual a a 2. Na figura a
seguir, mostramos que, traçando segmentos de comprimento a, per-

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18  CAP. 1: O TEOREMA DE PITÁGORAS

pendiculares à hipotenusa de cada triângulo anterior, obtemos a se-



quência de segmentos a n, com n natural.

Construções com a unidade de medida

Dados os segmentos a e b, você já sabe como construir, por exem-


√ √
plo, os segmentos 2a, b 3 e a n. Perguntamos agora se, dado um

segmento a, é possível construir segmentos tipo a ou a2 . A res-
posta é ao mesmo tempo não e sim. Observe que, nas construções
anteriores, os segmentos construídos eram independentes da unidade
de medida. Por exemplo, dados dois segmentos a e b, não há sequer
necessidade de estabelecer uma unidade de medida de comprimento

para conhecer a2 + b2 . Neste sentido, não se pode representar a por
um segmento. Se estabelecermos que a unidade de medida é igual a
a, então a2 = a, mas se estabelecermos que a unidade de medida é
a metade de a, então a2 é o dobro de a. Fica claro então que, para

representar a ou a2 por segmentos, devemos estabelecer antes uma
unidade de medida, e saber que os resultados serão diferentes para
cada unidade escolhida.

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N SEC. 1.6: CONSTRUÇÕES GEOMÉTRICAS E O TRIÂNGULO RETÂNGULO 19


a) Dado o segmento a, para construir a fazemos o seguinte. De-
senhamos na mesma reta os segmentos AB = 1 e BC = a.
Em seguida, desenhamos a semicircunferência de diâmetro AC
e o segmento BD = x, perpendicular a AC. É fácil ver que
√ √
x = 1 · a = a.

b) Dado o segmento a, para construir a 2 fazemos o seguinte. Sobre


uma reta r, desenhamos o segmento AB = 1 e na perpendicular
a r passando por B desenhamos BD = a. A perpendicular a
AD passando por D encontra a reta r em C, e é fácil ver que
BC = x = a2 .

Observação. Não é possível construir um segmento do tipo



a 3 2 nem com a unidade. Na verdade, só podemos construir
quando o índice da raiz for potência de 2.

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20  CAP. 1: O TEOREMA DE PITÁGORAS

1.7 Problemas

1) Determine todos os triângulos retângulos cujos lados são inteiros


e estão em progressão aritmética.

2) É dado um quadrado ABCD de lado a. Determine o raio da


circunferência que contém os vértices A e B e é tangente ao lado
CD.
√ √
3) O triângulo ABC tem lados AB = 12, BC = 4 e CA = 20.
Calcule a área de ABC.

4) Os lados de um triângulo medem 3, 4 e x. Determine para que


valores de x esse triângulo é obtusângulo.

5) Se b = 2k + 1, c = 2k 2 + 2k, a = 2k 2 + 2k + 1, onde k é um inteiro


positivo, mostre que (b, c, a) é um terno pitagórico.

6) Os três lados de um triângulo retângulo são números inteiros. Um


dos catetos mede 17. Qual é o perímetro desse triângulo?

7) Em um triângulo retângulo de perímetro p, a altura relativa à


hipotenusa é h. Calcule o comprimento da hipotenusa em função
dos elementos dados.

8) Sendo b, c e h os catetos e a altura de um triângulo retângulo,


1 1 1
mostre que 2 = 2 + 2 .
h b c
9) O antigo livro chinês Jiuzhang suanshu contém 246 problemas.
Para a solução de alguns, é necessário o uso do gou gu, ou seja,
do Teorema de Pitágoras. Veja um desses problemas traduzido
do Capítulo 9 do Jiuzhang. No alto de um bambu vertical está

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N SEC. 1.7: PROBLEMAS 21

presa uma corda. A parte da corda em contato com o solo mede


3 chih. Quando a corda é esticada, sua extremidade toca no solo a
uma distância de 8 chih do pé do bambu. Que comprimento tem
o bambu?

10) Em um triângulo ABC, retângulo em A, trace a altura AH.


Mostre que a soma das áreas dos círculos inscritos nos triângu-
los AHB e AHC é igual a área do círculo inscrito em ABC.

11) O problema de Hipócrates.


A figura a seguir mostra um triângulo retângulo e três semicircun-
ferências tendo os lados como diâmetros. Mostre que a soma das
áreas das duas “lúnulas” sombreadas é igual à área do triângulo.

12) Em um triângulo ABC, as medianas que partem de A e B são


perpendiculares. Se BC = 8 e AC = 6, calcule AB.

13) Se b e c são os catetos de um triângulo retângulo de hipotenusa a


e altura h, mostre que b + c < a + h.

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22  CAP. 1: O TEOREMA DE PITÁGORAS

14) O ponto P é interior ao retângulo ABCD e tal que P A = 3,


P B = 4 e P C = 5. Calcule P D.

15) Determine o raio da circunferência circunscrita ao triângulo cujos


lados medem 6 cm, 6 cm e 4 cm.

16) Duas cordas perpendiculares AB e CD de uma circunferência


cortam-se em P . Se P A = a, P B = b, e P C = c, calcule o
raio da circunferência.

Construções Geométricas

17) Dados os segmentos a, b e c, construa o segmento



x = a2 + b2 − c2 .

18) Resolva graficamente: um retângulo tem 24 cm de perímetro e


25 cm2 de área. Construa este retângulo.

19) Dado um segmento de comprimento a, construa um segmento cujo



comprimento é a 14.

20) Dados os segmentos a e b, construa x = 2a2 + 3b2 .

21) Dados os segmentos a e b, construa o segmento x = a + b4 .
4 4

Mais difíceis

22) Duas circunferências de raios R e r são tangentes exteriormente e


são tangentes a uma reta t nos pontos A e B.

(a) Determine AB em função dos dois raios.

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N SEC. 1.7: PROBLEMAS 23

(b) Determine a seguir o raio de uma circunferência que é tan-


gente à reta t e às duas circunferências dadas

23) No triângulo ABC, retângulo em A, traçam-se a altura AH e os


segmentos HE e HF , perpendiculares a AB e AC, respectiva-
p p √3
mente. Se BE = p e CF = q, mostre que 3 p2 + 3 q 2 = a2 ,
onde a é a hipotenusa do triângulo ABC.

24) Um ponto P interior a um quadrado ABCD é tal que P A = a,


P B = b e P C = b + c, onde os números a, b e c satisfazem a
relação a2 = b2 + c2 . Mostre que o ângulo BP C é reto.

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Capítulo 2

Áreas
Os alunos, em geral, trabalham com áreas desde muito cedo. Va-
mos então, neste capítulo, imaginar que as fórmulas que calculam
áreas das figuras simples como o quadrado, retângulo, paralelogramo,
triângulo e trapézio sejam conhecidas.

Inicialmente, daremos toda atenção ao triângulo. Conhecendo


bem o triângulo, não teremos dificuldade nos polígonos pois, afinal,
eles podem ser decompostos em triângulos. Com certeza, você já sabe
calcular a área de um triângulo, fazendo a metade do produto da base
pela altura.

1. A fórmula tradicional.

ah
S=
2

2. Se você já conhece um pouco de trigonometria, a fórmula seguinte


é muito boa.

24

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N SEC. 2.1: PROPRIEDADES IMPORTANTES 25

1
S = ab · senα
2

3. Quando os três lados são conhecidos, calcular a altura ou um


dos ângulos dá algum trabalho. Nesse momento, a fórmula de
Heron é ótima (não daremos aqui a demonstração dela).

p
S= p(p − a)(p − b)(p − c)

a+b+c
onde p =
2

Vamos tratar agora do mais importante: as propriedades.

2.1 Propriedades Importantes

Propriedade 1

A área de um triângulo não se altera quando sua base permanece


fixa e o terceiro vértice percorre uma reta paralela à base.

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26  CAP. 2: ÁREAS

Na figura acima, a reta r é paralela a BC. Os triângulos ABC e


A0 BC têm mesma área, pois possuem mesma base e mesma altura.

Propriedade 2

Em um triângulo, uma mediana divide sua área em partes iguais.

S1 = S 2

De fato, os dois triângulos interiores possuem mesma base e mesma


altura. Logo, possuem mesma área.

Quando duas figuras possuem mesma área, dizemos que elas são
equivalentes. Portanto, o enunciado desta propriedade pode ser: “Uma
mediana divide o triângulo em dois outros equivalentes.”

Antes de prosseguir com as propriedades, vamos resolver dois exer-


cícios cujos enunciados não são comuns nos livros didáticos atuais.

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N SEC. 2.1: PROPRIEDADES IMPORTANTES 27

Exercício 1

O triângulo ABC da figura abaixo tem área igual a 30. O lado


BC está dividido em quatro partes iguais, pelos pontos D, E e F , e
o lado AC está dividido em três partes iguais pelos pontos G e H.
Qual é a área do triângulo GDE?

Solução: Observe o triângulo ABC com as cevianas BG e BH.

Pela propriedade 2 os triângulos BAG, BGH e BHC têm mesma


área. Cada um tem, portanto, área igual a 10 e o triângulo BGC tem
área igual a 20.

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28  CAP. 2: ÁREAS

Observe agora o triângulo BGC com as cevianas GD, GE e GF .

Pela mesma propriedade, os triângulos GBD, GDE, GEF e GF C


têm mesma área. Logo, cada um deles tem área 5. A área do triângulo
GDE é igual a 5.

Repare que a solução do problema não necessitou de fórmulas.


Uma propriedade simples e convenientemente aplicada resolveu a ques-
tão. Vamos ver outro problema.

Exercício 2

É dado um triângulo ABC e um ponto P do lado AC mais próximo


de A que de C. Traçar uma reta por P que divida o triângulo ABC
em duas partes de mesma área.

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N SEC. 2.1: PROPRIEDADES IMPORTANTES 29

Solução: Façamos o seguinte. Trace BP e uma paralela a BP por A


que encontra a reta BC em D.

Os triângulos ABP e DBP têm áreas iguais pela propriedade 1.


Assim, o triângulo P DC tem mesma área que o triângulo ABC. Mas,
tomando o ponto médio M de DC, a reta P M divide P DC em duas
partes de mesma área (propriedade 2). Logo, P M divide também
ABC em duas partes de mesma área.

Vamos continuar com mais duas propriedades importantes.

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30  CAP. 2: ÁREAS

Propriedade 3

Se dois triângulos têm mesma altura, então a razão entre suas


áreas é igual à razão entre suas bases. A afirmação acima tem com-
provação imediata a partir da fórmula que calcula a área do triângulo.

S a
= 0
S0 a

Propriedade 4

A razão entre as áreas de triângulos semelhantes é igual ao quadrado


da razão de semelhança.

Observe, na figura a seguir, dois triângulos semelhantes com bases


a e a0 e alturas h e h0 .

Como são semelhantes, a razão entre as bases é a mesma razão entre

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N SEC. 2.1: PROPRIEDADES IMPORTANTES 31

as alturas. Esse número é a razão de semelhança das duas figuras:

a h
k= = 0.
a0 h

Porém, se S e S 0 são as áreas dos dois triângulos temos:

S ah/2 a h
= 0 0 = 0 · 0 = k · k = k2.
S 0 a h /2 a h

Vejamos um exemplo simples.

Os dois triângulos da figura abaixo são semelhantes. Se a área do


menor é igual a 8, qual é a área do maior?

Para esta pergunta, alunos têm uma tendência irresistível de respon-


der rapidamente que a área do triângulo maior é 24. Porém, isto não
é verdade. A razão de semelhança dos dois triângulos é k = 1/3 e,
portanto, a razão entre suas áreas é 1/9. Daí, se a área do menor é
igual a 8, a área do maior é 72.

Você pode ver esta relação na figura a seguir. Realmente, o triân-


gulo pequeno cabe 9 vezes dentro do grande.

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32  CAP. 2: ÁREAS

A propriedade 4, que mostramos para triângulos, vale natural-


mente para polígonos, pois estes podem ser divididos em triângulos.
Mas, é importante saber que esta propriedade vale para quaisquer
figuras semelhantes.

A razão entre as áreas de figuras semelhantes quaisquer é igual ao


quadrado da razão de semelhança.

O exercício a seguir, caiu em um vestibular da FGV-RJ.

Exercício 3

Em algum momento, na primeira metade do século passado, uma


pessoa chamada Afrânio tinha um valioso terreno desocupado, perto
do centro da cidade do Rio de Janeiro. Com a urbanização da cidade,
ruas novas foram abertas e o terreno de Afrânio ficou reduzido a
um triângulo ABC, retângulo em B, ainda de grande valor, pois o
lado AB media 156 metros. Pois bem, Afrânio morreu e em seu
testamento os advogados encontraram as instruções para dividir o
terreno “igualmente” entre seus dois filhos. Era assim: “um muro
deve ser construído perpendicularmente ao lado AB, de forma que
os dois terrenos resultantes da divisão tenham mesmo valor; o que

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N SEC. 2.1: PROPRIEDADES IMPORTANTES 33

tem a forma de um trapézio será do meu filho mais velho e o outro


será do mais novo”.

Os advogados concluíram que os terrenos deviam ter mesma área,


pois o testamento dizia que deveriam ter mesmo valor. Mas não foram
capazes de decidir em que posição deveria ficar o muro. Conta meu
avô que o episódio ganhou as páginas dos jornais por vários dias, com
leitores opinando de diversas maneiras sobre a posição correta do
muro. Ele falava e se divertia muito com as opiniões absurdas mas,
ao mesmo tempo, me instigava a resolver o problema. E o problema
retorna para vocês.

Em que posição, relativamente ao lado AB do terreno, o muro


deve ser construído?

Solução:

Na figura acima, M N é o muro que deve ser construído perpendicu-


larmente ao lado AB. Seja AM = x, de forma que o triângulo AM N
e o trapézio M BCN tenham mesma área S. Os triângulos AM N
e ABC são semelhantes e a razão de semelhança entre eles é x/156.

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34  CAP. 2: ÁREAS

Como a razão entre suas áreas é o quadrado da razão de semelhança


devemos ter:
S  x 2
= .
2S 156
Extraindo a raiz quadrada de ambos os lados ficamos com

1 x
√ =
2 156

o que dá x = 78 2 ∼ = 110. Temos a solução. O muro deve ser
construído a 110 metros de A. As áreas dos dois terrenos serão iguais
e Afrânio ficará feliz em ver sua vontade atendida.

A construção geométrica do exercício 3

Acabamos de resolver o problema da divisão do terreno em duas


partes de mesma área. Mas como poderemos fazer isto utilizando
apenas a régua e o compasso? Imagine que o engenheiro tem a planta
do terreno e deseja desenhar o muro na posição exata, sem contas,
sem aproximações. Vamos ver como se faz isto.

Resolva o problema novamente considerando AB= 2a. Você vai



encontrar AM = a 2. Faça então o seguinte. Pelo ponto P , médio
de AB trace uma perpendicular P Q a AB de comprimento a como
na figura seguinte:

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N SEC. 2.1: PROPRIEDADES IMPORTANTES 35


Como AQ = a 2, transfira com o compasso essa medida para a reta
AB, encontrando a posição exata de M .

Exercício 4

As medianas de um triângulo dividem esse triângulo em 6 outros


triângulos. Mostre que todos têm mesma área.

Solução: Representemos por (ABC) a área de um triângulo ABC.

Seja (ABC) = S. O ponto de interseção das medianas é G, o

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36  CAP. 2: ÁREAS

baricentro. Sabemos que BG = 2/3 · BN . Logo,

2 2 S S
(ABC) = (ABN ) = · = .
3 3 2 3

Analogamente, (BCG) = (CAG) = S/3. Mas GP é mediana no


triângulo ABG. Daí, (AP G) = (BP G) = S/6. Assim, os seis triân-
gulos têm área S/6.

Usando Áreas

O estudante pensa, em geral, que um problema sobre áreas signi-


fica sempre calcular a área de alguma figura. Na verdade não é só isso.
A ferramenta “área” pode ser usada na solução de diversos problemas
de geometria plana de aparência algo complicada. Veja um exemplo.

Exercício 5

A figura a seguir mostra um trapézio com bases medindo 20 cm e


14 cm e com os outros dois lados medindo 5 cm cada um. Duas
circunferências com centros A e B são tangentes às bases, uma ao
lado esquerdo e outra ao lado direito. Pergunta-se qual é o compri-
mento do segmento AB.

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N SEC. 2.1: PROPRIEDADES IMPORTANTES 37

Solução: Vamos inicialmente calcular a altura do trapézio, que é o


diâmetro de cada circunferência. Dividindo o trapézio em um retân-
gulo e dois triângulos retângulos iguais, temos a evidente situação
seguinte:

A altura do trapézio mede 4 cm e o raio de cada circunferência


mede 2 cm. Vamos agora ligar os dois vértices da esquerda ao ponto
A e os dois vértices da direita ao ponto B. Vemos agora o trapézio
original dividido em dois outros trapézios e dois triângulos iguais.

Lembrando que a área do trapézio é o produto da base média


pela altura e observando que os dois triângulos de vértices A e B têm
base igual a 5 e altura igual a 2, vamos escrever a equação que diz
que a soma das áreas dessas quatro figuras é igual à área do trapézio
original. Fazendo AB = x, temos:

(20 + x) · 2 (14 + x) · 2 5·2 (20 + 14) · 4


+ +2· = .
2 2 2 2

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38  CAP. 2: ÁREAS

Isto dá x = 12, resolvendo nosso problema.

É claro que outra forma de resolver pode ser conseguida com ou-
tros meios. O que desejamos enfatizar é que a ferramenta “área”
muitas vezes é útil para resolver problemas diversos. Nesse caso, ela
propiciou uma solução limpa e elegante.

2.2 Número π

O número π é a razão entre o comprimento de uma circunferência


e seu diâmetro. Esta razão dá sempre o mesmo valor, ou seja, in-
depende da circunferência, porque duas circunferências quaisquer são
semelhantes. Todas as circunferências são semelhantes entre si. Se C
é o comprimento da circunferência de raio R, então por definição:

C
= π.
2R

Mas, o que é o comprimento de uma circunferência? Nós sabemos


o que é o comprimento de um segmento, mas temos apenas uma ideia
intuitiva do que seja o comprimento de uma circunferência. Podemos
pensar em passar um barbante bem fino em volta da circunferência,
esticá-lo e medir seu comprimento com uma régua. Isto dá uma boa
ideia do que seja o comprimento da circunferência, mas este método
experimental permite apenas avaliar (com pouca precisão) essa me-
dida. Vamos tornar mais preciso este conceito.

O comprimento da circunferência é, por definição, o número real


cujas aproximações por falta são os perímetros dos polígonos regu-

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N SEC. 2.2: NÚMERO π 39

lares inscritos e cujas aproximações por excesso são os perímetros dos


polígonos regulares circunscritos.

Observe a figura anterior. Você vê uma circunferência com um


dodecágono regular inscrito e outro circunscrito. Pense agora nesta
situação com polígonos regulares de n lados. Se C é o comprimento da
circunferência, pn o perímetro do polígono inscrito e P n o perímetro
do circunscrito temos, por definição,

pn < C < P n .

Quando n cresce, os valores de pn aumentam, os de Pn diminuem e


ambos se aproximam cada vez mais de C.

pn Pn
Sendo R o raio da circunferência, as razões e , quando n
2R 2R

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40  CAP. 2: ÁREAS

cresce, vão se aproximando, uma por um lado e outra pelo outro, de


C
, ou seja, de π.
2R
Veja, a seguir, estas aproximações para alguns valores de n.

pn Pn
n
2R 2R
6 3,00000 3,46411
12 3,10582 3,21540
24 3,13262 3,15967
48 3,13935 3,14609
96 3,14103 3,14272
192 3,14145 3,14188
384 3,14156 3,14167

Repare no quadro acima, que os valores das duas colunas vão


se aproximando, mas para polígonos de 384 lados só conseguimos
corretas as três primeiras decimais.

O número π é um número irracional, aproximadamente igual a


3,1416. O uso da letra grega π para representar a razão entre o
comprimento da circunferência e seu diâmetro deve-se a Euler, que
a adotou em 1 737. Mas esta razão sempre fascinou matemáticos e
curiosos em toda a história. Hoje conhecemos mais de cinco bilhões
de casas decimais de π e os fanáticos em computação vão em breve
aumentar em muito esse número.

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N SEC. 2.2: NÚMERO π 41

A área do círculo

Continuando com a ideia dos polígonos, a área do círculo é o


número real cujas aproximações por falta são as áreas dos polígonos
regulares inscritos.

Imaginemos um polígono regular com n lados (n bem grande)


inscrito na circunferência de raio R. Dividamos o polígono em triân-
gulos isósceles iguais, todos com vértice no centro da circunferência.
Cada triângulo tem dois lados iguais a R, um lado igual a a, lado do
polígono, e altura h relativa a essa base.
ah (na)h pn h
A área do polígono é An = n = = , onde pn é o
2 2 2
perímetro do polígono. Quando n cresce indefinidamente, p n tende
ao comprimento da circunferência e h tende ao raio. A área do círculo
é então:
2πRR
S= = πR2 .
2

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42  CAP. 2: ÁREAS

Áreas de setores circulares

Frequentemente precisaremos calcular áreas de setores circulares.


Repare que a área de um setor de um círculo é proporcional ao ângulo
central, ou ainda, proporcional ao comprimento de seu arco. Para
justificar isto, basta observar que dobrando o ângulo central a área
do setor dobra, triplicando o ângulo central a área do setor triplica,
e assim por diante.

Assim, se o ângulo central tem medida α em graus, a área do


setor é
α
S= πR2 .
360

Por outro lado, como a área do setor também é proporcional ao


comprimento L do seu arco, podemos exprimir essa área assim:

L LR
S= πR2 =
2πR 2

uma fórmula bastante interessante, pois dá a idéia de um “triângulo”


de base de comprimento L e altura R.

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N SEC. 2.2: NÚMERO π 43

Apêndice
O Cálculo de π pelo Método dos Polígonos

Os matemáticos antigos, até o século 16 (e, portanto, antes da


invenção do Cálculo), tentaram obter valores de π usando polígonos
regulares inscritos na circunferência com número de lados cada vez
maior. Vamos mostrar como faziam isto. A ideia era tomar um
polígono pequeno e ir dobrando o número de lados.

Na figura a seguir, ln = AB é o lado do polígono regular de n


lados inscrito em uma circunferência de raio 1. Se C é o ponto médio
do arco AB, então AC = l2n é o lado do polígono regular de 2n lados
inscrito na mesma circunferência.

Sendo CD o diâmetro, O o centro da circunferência e P o ponto


de interseção de AB com CD temos, no triângulo retângulo ACD, a
relação AC 2 = CD · CP . Observe que AC = l2n e
s
(ln )2 1
q
OP = 1− = 4 − (ln )2 .
4 2

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44  CAP. 2: ÁREAS

Daí,

 
1
q q
2
(l2n ) = 2 1 − 4 − (ln ) = 2 − 4 − (ln )2 .
2
2
Assim, r q
l2n = 2 − 4 − (ln )2 .

Esta bela fórmula permite calcular o lado de um polígono regular


de 2n lados inscrito em uma circunferência de raio 1 em função do
lado do polígono regular de n lados inscrito na mesma circunferên-
cia. Como o lado do quadrado inscrito na circunferência de raio 1 é

l4 = 2, podemos facilmente prosseguir e encontrar:


q
l8 = 2 − 2
r

q
l16 = 2− 2+ 2
s r

q
l32 = 2− 2+ 2+ 2
v s
u r

u q
t
l64 = 2− 2+ 2+ 2+ 2

e assim por diante. Repare que 64 = 26 e a expressão que calcula o


lado do polígono de 64 lados possui 5 radicais. Lá dentro o primeiro
sinal é negativo e todos os outros são positivos. Como cada vez que
dobramos o número de lados acrescentamos mais um radical, o lado

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N SEC. 2.2: NÚMERO π 45

de um polígono regular de 2n+1 lados é:


s r

q
l2n+1 = 2− 2 + 2 + 2 + ··· com n radicais.

O perímetro do polígono 2n+1 lados é igual a 2n+1 ·l2n+1 , que tende


a 2π quando n cresce. Assim, aproximações de π podem ser obtidas
por: v
u s r

u q

t
π =2 · 2− 2+ 2+ 2+ 2
n

com n radicais na expressão acima.

O leitor que chegou até aqui deve estar pensando que pode calcu-
lar por este método qualquer número de casas decimais de π. Infeliz-
mente, isto não é verdade. Seria, se o leitor tivesse uma calculadora
que trabalhasse com infinitas casas decimais. Mas esta calculadora
ainda não foi inventada. Observe que, na expressão acima, temos um
produto, onde o primeiro fator é muito grande e o segundo muito
pequeno. Se a sua calculadora trabalha com, por exemplo, 12 dígi-
tos, não é possível aumentar muito o valor de n. O segundo fator
vai perdendo precisão e o resultado idem. Os matemáticos antigos
calculavam essas raízes manualmente, com um número absurdo de
casas decimais, para conseguirem obter umas poucas casas decimais
precisas de π.

O recorde ainda está com L. van Ceulen que conseguiu 35 casas


decimais exatas. Como morreu logo em seguida, a viúva mandou

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46  CAP. 2: ÁREAS

gravar esse valor de π em sua lápide:

3,14159265358979323846264338327950288

2.3 Problemas

1) Na figura a seguir, cada quadrícula representa uma unidade de


área. Qual é a área do polígono que aparece no interior do qua-
driculado?

2) Observe a figura a seguir. Por um ponto da diagonal do retângulo


foram traçadas paralelas a seus lados. Mostre que as áreas dos
retângulos sombreados são iguais.

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N SEC. 2.3: PROBLEMAS 47

3) Do pentágono ABCDE sabe-se o seguinte: A = E = 90 o ,


B = C = 120o , AB = CD = 4 e BC = 8. Calcule a área
desse pentágono.

4) O triângulo ABC tem lados medindo 5 cm, 7 cm e 8 cm. Calcule


sua área e o raio da circunferência inscrita.

5) No paralelogramo ABCD de área 1, os pontos P , Q e R, nesta


ordem, dividem a diagonal AC em quatro partes iguais. Qual é a
área do triângulo DP Q?

6) No triângulo ABC de área 1, as medianas BM e CN cortam-se


em G. Qual é a área do triângulo GM N ?

7) Na figura a seguir, AD = 23 AB e AE = 23 AC. O segmento DE


divide o triângulo em duas partes: um triângulo de área S 1 e um
trapézio de área S2 . Qual destas duas áreas é maior?

8) Na figura a seguir, as retas r e s são paralelas e o segmento AB é


perpendicular a ambas. Os segmentos AD e BC cortam-se em P .

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48  CAP. 2: ÁREAS

(a) Mostre que as áreas dos triângulos P AB e P CD são iguais.


(b) Dados AB = 10, BD = 7 e AC = 18, calcule a área do
triângulo P DC.

9) No máximo, quantos triângulos equiláteros de lado 1 cabem (sem


superposição) dentro de um hexágono regular de lado 12?

10) No interior do quadrado ABCD de lado 1 da figura abaixo foram


traçadas as semicircunferências de diâmetros AB e BC. Qual é o
valor da área sombreada?

11) Abaixo você vê dois retângulos iguais. Colocando um sobre o


outro, como mostra a figura, determine se o retângulo de cima co-
briu mais da metade do retângulo de baixo, exatamente a metade
ou menos da metade.

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N SEC. 2.3: PROBLEMAS 49

12) Usando apenas seus instrumentos de desenho, trace por P uma


reta que divida o quadrilátero da figura abaixo em duas partes de
mesma área.

13) ABCDEF é um hexágono regular. Os pontos M , N e P são


médios dos lados AB, CD e EF . Qual é a razão entre a área do
triângulo M N P e a área do hexágono?

14) Um hexágono regular e um triângulo equilátero estão inscritos na


mesma circunferência. Qual é a razão entre as áreas dessas duas
figuras?

15) A figura abaixo mostra um triângulo de altura 1 dividido por duas


retas paralelas à sua base em três partes de mesma área. Qual é a
altura do trapézio central?

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50  CAP. 2: ÁREAS

16) Em qualquer triângulo ABC, mostre que sua área é

1
S = AB · AC · senA.
2

17) Com os dados da figura abaixo, calcule a razão entre as áreas A e


B.

18) A letra “N” da figura abaixo foi construída a partir de um retângulo


de base 10 e altura 12. Calcule sua área.

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N SEC. 2.3: PROBLEMAS 51

19) Seja ABCD um quadrado de lado 1 e sejam M e N os pontos


médios dos lados BC e CD, respectivamente. Traçando os seg-
mentos AM , AN e N B, calcule as áreas das cinco partes em que
o quadrado ficou dividido.

20) O triângulo ABC da figura a seguir tem área igual a 1. Cada um


de seus lados foi dividido em três partes iguais. Calcule a área do
triângulo sombreado.

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52  CAP. 2: ÁREAS

21) No manuscrito de Aryabhatiya do século VI encontrou-se a seguinte


afirmação: “Some 4 a 100, multiplique por 8 e some 62 000. O re-
sultado é aproximadamente a circunferência do círculo de diâmetro
20 000.” Qual é o valor de π que está implícito nesta afirmação?

22) Na figura a seguir, os ângulos BAD e DAC são iguais a 60 o ,


AB = 6 e AC = 4. Quanto mede AD?

23) Em um círculo de raio 1 um arco tem comprimento x


(0 < x ≤ π). Determine a área do segmento circular correspon-
dente a esse arco.

24) Os pontos A, B e C, nesta ordem, sobre uma circunferência de


raio 1 são tais que o arco AB mede 80o e o arco BC mede 50o .

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N SEC. 2.3: PROBLEMAS 53

Calcule a área da região do círculo limitada pelas cordas AC e BC


e pelo arco AB.

25) Em uma circunferência de raio 1, as cordas AB e CD são paralelas


e o centro da circunferência não está entre elas. A corda AB é igual
ao lado do hexágono regular inscrito na circunferência e CD é igual
ao lado do triângulo equilátero inscrito na mesma circunferência.
Calcule a área da região do círculo compreendida entre as duas
cordas.

26) A figura a seguir mostra três circunferências de raios iguais a 1,


tangentes entre si duas a duas, e uma circunferência maior tangente
às três primeiras. Calcule a área da região A.

27) A figura abaixo mostra duas semicircunferências de diâmetros


AB = 4 e AC = 6. Calcule o raio da circunferência que é

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54  CAP. 2: ÁREAS

tangente às duas semicircunferências e ao segmento BC.

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Capítulo 3

Soluções dos Problemas


3.1 Capítulo 1

1) Sejam: x − r, x e x + r os lados de um triângulo retân-


gulo. Considerando r > 0, x + r é a hipotenusa e, portanto,
(x + r)2 = x2 + (x − r)2 . Desenvolvendo e simplificando, obtemos
x = 4r. Portanto, os lados medem 3r, 4r e 5r.

2)

Trace pelo centro O da circunferência o segmento M N perpen-


dicular a AB, como na figura acima. Como M é médio de AB

55

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56  CAP. 3: SOLUÇÕES DOS PROBLEMAS

temos, no triângulo retângulo OM B, OB = R, M B = a/2 e


OM = a − R. Aplicando o teorema de Pitágoras no triângulo
5a
OM B, encontramos R = .
8
3) Considere a figura:

O Teorema de Pitágoras em cada um dos triângulos retângulos


fornece:
x2 + h2 = 12 e (4 − x)2 + h2 = 20.

Logo 16 − 8x + x2 + 12 − x2 = 20 , o que dá x = √ 1. Portanto,


√ 4 11 √
altura do triângulo é igual a 11 e a área é S = = 2 11.
2
4) Para a existência do triângulo devemos ter 1 < x < 7. Se o triân-
gulo é obtusângulo e x é o maior lado, devemos ter
x2 > 32 + 42 , ou seja, x > 5. Se o lado que mede 4 é o maior, de-

vemos ter 42 > x2 + 32 , ou seja, x < 7. Portanto, esse triângulo
√ √
é obtusângulo para 1 < x < 7 ou 5 < x < 7.

5) a2 = 4k 2 (k + 1)2 + 4k(k + 1) + 1 = b2 + c2 .

6) Usando as fórmulas que geram ternos pitagóricos, devemos ter


m2 − n2 = 17, ou seja, (m + n)(m − n) = 17. Como 17 é primo,
então, necessariamente, m + n = 17 e m − n = 1, o que dá m = 9
e n = 8. Portanto, o outro cateto é 2mn = 2 · 9 · 8 = 144 e a
hipotenusa é m2 + n2 = 81 + 64 = 145. O perímetro é igual a 306.

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N SEC. 3.1: CAPÍTULO 1 57

7) Se a + b + c = p, escrevemos b + c = p − a. Elevando ao quadra-


do, temos b2 + c2 + 2bc = a2 + p2 − 2ap. Usando o Teorema de
Pitágoras e a relação bc = ah, ficamos com 2ah = p 2 − 2ap, o que
p2
dá a = .
2(h + p)
1 1 b2 + c 2 a2 1
8) 2
+ 2
= 2
= 2
= 2.
b c (bc) (ah) h
9) Se x é o comprimento do bambu temos: (x + 3) 2 = x2 + 82 , o que
55 ∼
dá x = = 9, 17 chih.
6
10) Sejam r1 , r2 e r os raios dos círculos inscritos nos triângulos AHB,
AHC e ABC. Esses três triângulos são semelhantes e, portanto,
r1 r2 r
= = . Elevando ao quadrado e multiplicando por π
c b a
πr1 r πr2 r πrr
temos: 2
= 2
= 2 . Como b2 + c2 = a2 , concluímos que
c b a
πr12 + πr22 = πr 2 .

11) Sejam: T a área do triângulo, P e Q as áreas das lúnulas e U e V


as áreas das outras duas regiões.

Como a área do semicírculo construído sobre a hipotenusa é igual a


soma das áreas dos semicírculos construídos sobre os catetos temos
T + U + V = P + U + Q + V , ou seja, T = P + Q, como queríamos
demonstrar.

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58  CAP. 3: SOLUÇÕES DOS PROBLEMAS

12) Sejam M e N os pontos médios dos lados BC e AC, respectiva-


mente. As medianas AM e BN cortam-se no baricentro, que di-
vide cada mediana na razão 2/1. Observando a figura a seguir, va-
mos aplicar o Teorema de Pitágoras nos triângulos AGN e BGM .

4x2 + y 2 = 9 x + 4y = 16

Somando e simplificando obtemos x2 + y 2 = 5, ou seja,


√ √
M N = 5 e, portanto, AB = 2 5.

13) Como os dois lados da desigualdade são positivos, observe as equi-


valências:

b+c <a+h ⇔ (b + c)2 < (a + h)2


⇔ b2 + c2 + 2bc < a2 + h2 + 2ah
⇔ 2bc < h2 + 2ah
⇔ 0 < h2 .

Como h > 0, a desigualdade é verdadeira.

14) Traçando por P paralelas aos lados do retângulo, temos a situação


da figura abaixo.

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N SEC. 3.1: CAPÍTULO 1 59

Usaremos o Teorema de Pitágoras quatro vezes.

m2 + n 2 = 9 p + q = 25

Somando,

m2 + q 2 + n2 + p2 = 34 x2 + 16 = 34 x = 3 2.

15) Traçamos a altura AM que passa pelo centro O da circunferência


circunscrita ao triângulo ABC. No triângulo retângulo AM B cal-

culamos AM = 4 2. Sendo R o raio da circunferência, o triângulo

OM B fornece: R2 = 22 + (4 2 − R)2


9 2
o que dá R = .
4

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60  CAP. 3: SOLUÇÕES DOS PROBLEMAS

16)

Traçando o diâmetro CE, temos que o triângulo CBE é retângulo


em B e que os ângulos CAB e CEB são iguais, pois subtendem o
mesmo arco BC. Portanto, os triângulos CP A e CBE são seme-
lhantes e

CA CP CA·
= ou seja, 2R = .
CE BC CP
p
(a2 + c2 )(b2 + c2 )
Logo, R = .
2c


17) Suponha, naturalmente, que c < a2 + b2 para que o problema
tenha solução. Construímos, inicialmente, o triângulo retângulo

de catetos a e b. Sua hipotenusa mede y = a2 + b2 . Em segui-
da, construímos o triângulo retângulo de hipotenusa y e um cateto
igual a c. O outro cateto é x.

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N SEC. 3.1: CAPÍTULO 1 61

18) Sejam m e n, base e altura do retângulo. Pelo enunciado temos

m+n = 12 e mn = 25. Portanto, o problema consiste em determi-


nar graficamente dois números, conhecendo sua soma
e seu produto. Observe que resolver este sistema equivale a
construir um triângulo retângulo conhecendo sua hipotenusa e
sua altura. Como a hipotenusa é a = m + n = 12 e a altura é
√ √
h = mn = 25 = 5, desenhamos uma semicircunferência de
diâmetro BC = a = 12 cm e uma paralela distando 5 cm desse
diâmetro. A interseção dessa paralela com a circunferência nos dá
o vértice A do ângulo reto do triângulo. O ponto H, projeção de

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62  CAP. 3: SOLUÇÕES DOS PROBLEMAS

A sobre BC, fornece os segmentos BH = m e HC = n que são as


medidas do retângulo que procuramos.

19) A figura a seguir mostra dois triângulos retângulos justapostos. O



Teorema de Pitágoras, usado duas vezes, fornece x = a 14.

r
√  2  √ 2
20) Veja que x = a 2 + a 3 . Portanto, x é a hipotenusa
√ √
de um triângulo retângulo cujos catetos medem a 2 e a 3.

21)

Nestas figuras, u é um segmento qualquer. Construindo a primei-


a2 b2
ra figura, encontramos m = e construindo a segunda, n = .
u u
Construindo agora um triângulo retângulo cujos catetos são m e
n, temos sua hipotenusa que é
r
a4 b4 1p 4
t= + = a + b4 .
u2 u2 u

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N SEC. 3.1: CAPÍTULO 1 63

Construímos, finalmente, a figura seguinte:

r
√ 1p 4 p
4
Desta forma, x = ut = u a + b4 = a4 + b4 . Repa-
u
re que esta construção é independente da unidade.

22) Observe a figura a seguir.

O Teorema de Pitágoras no triângulo retângulo construído


na figura fornece: AB 2 = (R + r)2 − (R − r)2 , o que dá

AB = 2 Rr. Para prosseguir, seja C o ponto de tangência da
terceira circunferência com a reta.

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64  CAP. 3: SOLUÇÕES DOS PROBLEMAS

Se x é o raio da terceira circunferência, como AC + CB = AB,


temos:
√ √ √ Rr
2 Rx + 2 rx = 2Rr o que dá x = √ .
R + r + 2 Rr

23)

n p
Os triângulos BEH e BAC são semelhantes: = . Como
a c
c2
n = , temos c3 = a2 p, ou ainda, c6 = a4 p2 . Os triângu-
a
m q b2
los CHF e CBA são semelhantes: = . Como m = ,
a b a
temos b = a q, ou ainda, b = a q . Como b + c = a , temos
3 2 6 4 2 2 2 2
p p √3
p p √
3
3
a4 p2 + 3 a4 q 2 = a6 , ou seja, 3 p2 + 3 q 2 = a2 .

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N SEC. 3.2: CAPÍTULO 2 65

24) Na figura a seguir, sejam: ∠BP C = θ, ∠BCP = α, ∠P BA = β e


∠P BC = φ. Assinale o ponto Q no segmento P C tal que CQ = b.
Consequentemente, QP = c.

Suponha θ > 90o . Então, x2 > b2 + c2 , ou seja, x > a.


Observando-se os triângulos QCB e P BA, que têm dois lados em
comum, conclui-se que α > β. No triângulo BP C, como θ > 90 o ,
conclui-se que α + φ < 90o . Mas como β + φ = 90o , pois ABCD
é um quadrado, então α < β, uma contradição. Da mesma forma,
supor θ > 90o conduz a uma outra contradição equivalente. Logo,
θ < 90o .

3.2 Capítulo 2

1) A figura permite a divisão por segmentos horizontais em partes


fáceis de calcular.

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66  CAP. 3: SOLUÇÕES DOS PROBLEMAS

As partes 1, 3 e 4 são trapézios e a parte 2 é um paralelogramo.


Temos então:

5+2
A1 = ·2 =7 A2 = 5 · 2 = 10
2
6+5 6+5
A3 = · 4 = 22 A4 = · 3 = 16,5
2 2
A área da figura é 55,5.

2) A diagonal de um retângulo divide esse retângulo em dois triân-


gulos congruentes, portanto de mesma área.

Observando a figura acima e sendo S1 e S2 as áreas dos dois retân-


gulos sombreados, devemos ter S1 +A+B = S2 +A+B e, portanto,
S1 = S 2 .

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N SEC. 3.2: CAPÍTULO 2 67

3) A figura é assim:

Se AB = CD e se os ângulos B e C são iguais, então AD é


paralela a BC. Portanto, ABCD é um trapézio e ADE é um
triângulo retângulo com ângulos de 30 o e 60o . As medidas são
fáceis de calcular e a área do pentágono é:

12 + 8 √ 6·6 3 √ √ √
S= ·2 3+ = 20 3 + 18 3 = 38 3 ∼
= 65,74.
2 2

5+7+8
4) O semiperímetro é p = = 10. A fórmula de Heron
2
fornece:
p √ √
S= 10(10 − 5)(10 − 7)(10 − 8) = 10 · 5 · 3 · 2 = 10 3 cm2 .

Observe agora a figura abaixo, onde I é o centro da circunferência


inscrita e r o seu raio.

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68  CAP. 3: SOLUÇÕES DOS PROBLEMAS

A área do triângulo ABC é a soma das áreas dos triângulos BIC,


CIA e AIB. Logo,
√ ar br cr a+b+c
10 3 = + + = r = 10r
2 2 2 2

e então, r = 3cm.

5) Os triângulos ABC e ADC são congruentes. Logo, ambos possuem


área igual a 1/2. Os segmentos DP , DQ e DR dividem o triângulo
ADC em quatro triângulos de mesma área. O triângulo DP Q tem
área 1/8.

6) O ponto G, interseção das medianas, é o baricentro e, como se sabe,


GM/BM = 1/3. Como M B é mediana no triângulo ABC, então
a área do triângulo ABC é (ABM ) = 1/2. Como M N é mediana
no triângulo ABM , então (BM N ) = 1/4. Como GM/BM = 1/3,
então (GM N )/(BM N ) = 1/3. Assim,

(GM N ) = (1/3)(1/4) = 1/12.

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N SEC. 3.2: CAPÍTULO 2 69

7)

A razão de semelhança entre os triângulos ADE e ABC é


AD/AB = 2/3. Então, a razão entre suas áreas é (2/3) 2 . Se
S é a área do triângulo ABC, então S1 /S = 4/9. Logo, S1 é
menor que a metade de S e, portanto, S 2 é maior que a metade
de S. Daí, S2 > S1 .

8)

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70  CAP. 3: SOLUÇÕES DOS PROBLEMAS

(a) Os triângulos BAC e DAC têm mesma área, pois possuem


mesma base e mesma altura. Como ambos têm em comum
a parte P AB, então os triângulos P AB e P CD têm mesma
área.
10 · 7
(b) A área do triângulo ABD é igual a = 35. Obser-
2
vando a semelhança dos triângulos P BD e P AC, temos que
P D/AP = 7/18. Logo,
AD = AP + P D = AP + (7/18)AP = (25/18)AP e
P D/AD = 7/25. Então,

(P BD) PD 7 49
= = e (P DB) = = 9,8.
(ABD) AD 25 5

9)

O hexágono regular pode ser dividido em 6 triângulos equiláteros,


como mostra a figura acima. A razão de semelhança entre um
desses triângulos e o triângulo equilátero de lado unitário é 12.
Logo, a razão entre suas áreas é 122 = 144. Cabem, portanto, 144
triângulos de lado unitário dentro de cada triângulo de lado 12.
Assim, dentro do hexágono, caberão 144 × 6 = 864 triângulos de
lado unitário.

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N SEC. 3.2: CAPÍTULO 2 71

10) As circunferências de diâmetros AB e BC cortam-se no centro do


quadrado, ponto de interseção das diagonais. Observe a figura a
seguir e conclua que a área sombreada é igual à área do triângulo
OBC, ou seja, 1/4 da área do quadrado.

11)

A parte coberta é o quadrilátero DP QC. Mas o triângulo DP C


tem área igual à metade da área do retângulo. Logo, a parte
coberta tem área maior que metade da área do retângulo.

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72  CAP. 3: SOLUÇÕES DOS PROBLEMAS

12) Seja ABCD o nosso quadrilátero com o ponto P sobre o lado AB.
Traçamos a reta CD.

Observe a figura acima. Traçamos AE paralela a P D e BF pa-


ralela a P C. Assim, os triângulos P AD e P ED possuem mesma
área e também os triângulos P BC e P F C possuem mesma área.
Logo, a área do quadrilátero ABCD é igual à área do triângulo
P EF . Dividir a área de ABCD em duas partes iguais por uma
reta passando por P é então o mesmo que dividir a área de P EF
em duas partes iguais por uma reta passando por P . Mas isto
é fácil. Basta traçar a mediana do triângulo P EF . Assinale
então o ponto M , médio de EF , e a reta P M divide tanto o
triângulo P EF quanto o quadrilátero ABCD em duas partes de
mesma área. O problema está resolvido.
Nota: Na construção acima, o ponto M , médio de EF ficou
no interior do lado CD do quadrilátero e a solução está perfeita.
E se isto não acontecesse? Fica o desafio para o leitor encontrar a
solução neste caso.

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N SEC. 3.2: CAPÍTULO 2 73

13) Observe a figura a seguir.

O hexágono está dividido em 24 triângulos equiláteros iguais e o


triângulo M N P contém 9 deles. A razão entre a área do triângulo
e do hexágono é 9/24, ou seja, 3/8.

14) Observe a figura a seguir. O triângulo ABC tem área igual à


metade da área do hexágono.

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74  CAP. 3: SOLUÇÕES DOS PROBLEMAS

15)

Seja h a altura do triângulo menor. A figura mostra três triângulos


semelhantes: um de área A e altura h, outro de área 2A e altura
h+x e o terceiro de área 3A e altura 1. Como a razão entre as áreas
de triângulos semelhantes é o quadrado da razão de semelhança
temos, entre o primeiro e o terceiro,
 2 r
A h 1
= ou seja h= .
3A 1 3

Agora, entre o segundo e o terceiro, temos:


 2 r
A h+x 1
= ou seja h+x= .
3A 1 3

r r
2 1
Portanto, x = − .
3 3
16) Se A é agudo (1a figura) então a altura relativa a AB é
h = AC · senA. Então, a área do triângulo ABC é
1 1
S = AB · h = AB · AC · senA. Se A é obtuso (2a figura),
2 2
então a altura relativa a AB é h = AC · sen(π − A) = AC · senA
e a fórmula é verdadeira. Se A é reto, senA = 1 e a fórmula vale.

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N SEC. 3.2: CAPÍTULO 2 75

17) Na figura dada nesse exercício, seja α o ângulo do vértice superior


do triângulo. Sendo T = A + B a área do triângulo maior temos:

1
A · 10 · 9 · senα 1
= 2 = .
T 1 2
· 12 · 15 · senα
2
Se a área A é a metade da área do triângulo, então a área B
também é. Logo, a razão entre as áreas A e B é igual a 1.

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76  CAP. 3: SOLUÇÕES DOS PROBLEMAS

18)

A ideia mais simples parece que é calcular a área do retângulo e


subtrair a área dos dois triângulos retângulos vazios. O retângulo
tem área 10 × 12 = 120 e cada triângulo retângulo tem um cateto
igual a 6 e outro igual a x. Uma simples semelhança nos dá

x 6
=
12 8

ou seja, x = 9. Então, a área dos dois triângulos juntos é


6 × 9 = 54 e a área sombreada é igual a 120 − 54 = 66.

19)

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N SEC. 3.2: CAPÍTULO 2 77

Veja a figura anterior. O ponto Q é a interseção de AM com BN


e traçamos por N a perpendicular N E a AB, que cortou AM em
P . Fazendo BM = M C = 2a temos P E = a e N P = 3a. Como
os triângulos QPN e QMB são semelhantes, se fizermos QM = 2b,
teremos P Q = 3b e AP = 5b. Vamos representar por (XY Z...) a
área do polígono XY Z... Como o quadrado ABCD tem lado 1,
a área do triângulo ABM é igual a 1/4. Vamos agora calcular a
razão entre as áreas dos triângulos ABQ e ABM .

(ABQ) 8b 4
= = .
(ABM ) 10b 5

4 1 1
Logo, (ABQ) = · = e assim calculamos a área de uma das
5 4 5
1 1 1
partes. A área de BQM é a diferença: (BQM ) = − = . Os
4 5 20
triângulos ABM e BCN são congruentes e, portanto, têm mesma
área. Logo a área do quadrilátero M CN Q é a mesma área do
1
triângulo ABQ. Logo, (M CN Q) = .
5
1
Como a área do triângulo ADN é , então a área do triângulo
4
AQN é  
1 1 1 1 3
(AQN ) = 1 − + + + = .
5 5 20 4 10
O problema está resolvido. Considerando a área do quadrado igual
a 100, as áreas das partes podem ser vistas na figura a seguir.

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78  CAP. 3: SOLUÇÕES DOS PROBLEMAS

20) Observe a figura do problema

Como a área do triângulo ABC é igual a 1, a área de ABD é


1/3. Vamos, inicialmente, calcular a razão AM/AD, o que vai nos
permitir encontrar a área do triângulo ABM .
Traçamos GE, paralela a BC, que corta AD em H. Fazendo
BD = 3a, como AG/AB = 2/3, temos GH = 2a. Como DC é
o dobro de BD, então HE é o dobro de GH, ou seja, HE = 4a.
Mas, os triângulos M HE e M DB são semelhantes e, portanto,

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N SEC. 3.2: CAPÍTULO 2 79

a razão HE/BD é igual a razão HM/M D. Façamos então


HM = 4b e M D = 3b. Ainda, como AG é o dobro de GB,
então AH é o dobro de HD e, consequentemente, AH = 14b.
Temos então a razão que procurávamos:

AM 18b 6
= = .
AD 21b 7

A razão entre as áreas dos triângulos ABM e ABD é igual a razão


entre AM e AD. Logo,

(ABM ) AM 6
= =
ABD AD 7
1 6 1 2
e como (ABD) = , temos (ABM ) = · = .
3 7 3 7
Este foi o passo importante do problema e, de forma inteiramente
análoga, concluímos que os triângulos BCN e CP A têm também
2
área igual a . A área do triângulo central é igual à área de ABC
7
subtraída das áreas dos triângulos ABM , BCN e CAP . Portanto,

2 1
(M N P ) = 1 − 3 · = .
7 7

Um belo e inesperado resultado.

21) 104 × 8 + 62 000 = 62 832 = 2π10 000. Isto dá π = 3,1416.

22) A área de ABC é a soma das áreas de ABD e ADC. Seja x = AD.
Assim:

1 1 1
· 6 · 4 · sen(120o ) = · x · sen(60o ) + · 4 · x · sen(60o ).
2 2 2

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80  CAP. 3: SOLUÇÕES DOS PROBLEMAS

Como sen(120o ) = sen(60o ) ficamos com 24 = 10x, ou seja,


x = 2,4.

23) A área do segmento circular correspondente ao arco de compri-


mento x é igual à área do setor circular, cujo ângulo central é x
(em radianos) menos a área do triângulo que tem dois lados iguais
ao raio com ângulo x entre eles. Então, a área do segmento circular
é:
x·1 1 x − senx
S= − · 1 · 1 · senx = .
2 2 2

24) Observe a figura a seguir, onde traçamos o diâmetro CD.

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N SEC. 3.2: CAPÍTULO 2 81

Como o arco AB mede 80o e o arco BC mede 50o , concluímos


que o arco DA mede 50o . Os arcos BC e DA são iguais e esta
feliz coincidência nos permite concluir que a reta AB é paralela
ao diâmetro CD. Assim, podemos mover C até O, centro da
circunferência, e a área da região que devemos calcular não se
altera. A área que procuramos é então igual à área de um setor
cujo ângulo central mede 80o . Isto é fácil,

80 2 2π
s= π1 = .
360 9

25) A área que devemos calcular está na figura a seguir.

A área do círculo é π. Sejam H a área do hexágono regular


e T a área do triângulo equilátero inscritos nessa circunferên-
cia. Vamos utilizar aqui o resultado do Problema 14: a área
do hexágono regular é o dobro da área do triângulo equilátero,
ambos inscritos na mesma circunferência. Isto quer dizer que
H = 2T .
A área que vamos calcular é a diferença entre as áreas dos segmen-

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82  CAP. 3: SOLUÇÕES DOS PROBLEMAS

tos circulares cujas cordas são CD e AB. Temos então:

π−T π−H 2π − 2T − π + H π
S= − = = .
3 6 6 6

26) Sejam A, B e C os centros das três circunferências pequenas e seja


O, o centro da circunferência grande. O ponto O é o centro do
triângulo equilátero ABC (de lado igual a 2) e, como sabemos,
sua distância a cada um dos vértices é igual a 2/3 de sua altura.
Temos então: √ √
2 2 3 2 3
OA = · = .
3 2 3
Assim, o raio da circunferência grande é
√ √
2 3 2 3+3
R= +1= .
3 3

A área S da região central é igual à área do triângulo ABC sub-


traída de três setores de 60o . Mas, esses três setores formam um

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N SEC. 3.2: CAPÍTULO 2 83

semicírculo. Então,

22 3 π12 √ π
S= − = 3− .
4 2 2

O triplo da área A assinalada na figura é igual à área do círculo


grande subtraída dos três círculos pequenos e da região central.
Portanto, √
 π 
πR2 − 3π − 3−
A= 2 .
3
Substituindo o valor de R, isto dá, após alguns cálculos,

1  √  √ 
A= 8 3−1 π−6 3 .
18

27)

Sejam M e N os centros das semicircunferências, seja P o centro


da circunferência e seja P R = P S = P T = x o seu raio. É fácil
ver que M A = M R = 2, M N = 1 e N T = 3−x. O semiperímetro
do triângulo M N P é

2+x+3−x+1
p= = 3.
2

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84  CAP. 3: SOLUÇÕES DOS PROBLEMAS

Podemos então calcular a área do triângulo M N P de duas formas:


pela fórmula de Heron e pela metade do produto da base M N pela
altura P S. Assim,
p 1·x
3(3 − 2 − x)(3 − 3 + x)(3 − 1) = .
2

x2 24
Daí, 3(1 − x)x · 2 = e, consequentemente, x = = 0,96.
4 25

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Para saber mais


WAGNER, E. – Construções Geométricas – SBM.
Aborda as construções elementares, método dos lugares geométricos,
método algébrico, áreas, construções aproximadas, transformações
geométricas e traz um apêndice onde se mostra quais são as cons-
truções possíveis com régua e compasso.

LIMA, Elon – Meu professor de Matemática – SBM.


Coleção de artigos interessantíssimos sobre assuntos diversos da mate-
mática elementar incluindo o Teorema de Pitágoras e aplicações.

WAGNER, E. – Usando áreas – RPM 21.


Mostra diversas demonstrações de propriedades geométricas usando
áreas, incluindo o teorema da bissetriz e fórmulas trigonométricas.

Na internet

http://en.wikipedia.org/wiki/Pythagorean_theorem
Contém diversas demonstrações do Teorema de Pitágoras incluindo
a mais antiga, que aparece no livro de Euclides (Os Elementos, séc 3
a.C.)

http://www.frontiernet.net/ imaging/pythagorean.html
Contém a demonstração de Perigal (1873) que é a forma mais econômi-
ca de dividir o quadrado construído sobre a hipotenusa em partes que

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preenchem os dois quadrados menores. Pode ser manipulado.

http://www.ies.co.jp/math/java/geo/pythathr/pythathr.html
Possui diversas aplicações interessantes e interativas, permitindo a
manipulação do usuário em problemas como: a menor distância entre
pontos da superfície de um paralelepípedo, o problema de Hipócrates,
o teorema da mediana de um triângulo qualquer, fractais com Pitá-
goras e muito mais.

http://www.jimloy.com/geometry/construc.htm
Mostra as construções elementares com régua e compasso. Ótimo pa-
ra o iniciante.

http://www.nvcc.edu/home/tstreilein/constructions/Circle/circle4.htm
Mostra diversas construções elementares (e outras nem tanto) com a
possibilidade de usar um programa de geometria dinâmica. Muito
educativo e interessante.

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