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AUDIÊNCIA PRELIMINAR

Está prevista no CPC audiência preliminar em seu artigo 331, é uma das
modalidades de julgamento conforme o estado do processo, constando ainda no
mesmo Capítulo da Lei Processual outras modalidades, como a extinção do processo
e o julgamento antecipado da lide, estampadas, respectivamente, nos artigos 329 e 330
do mesmo instituto civil.
Existem algumas condições para que a audiência preliminar se realize:
a) não haver extinção do processo na forma do Artigo 329 do CPC ou não
ocorrer o julgamento antecipado da lide, conforme o Artigo 330 da mesma
Lei Processual;
b) a causa deve versar sobre direitos que admitam transação;
c) se as circunstâncias evidenciarem que é possível a transação.
Alguns direitos não admitem transação, enquanto outros admitem, existindo
uma verdadeira mescla de direitos, deve o Juiz designar a audiência preliminar focando
a composição do litígio nos direitos em que se pode transigir.

O parágrafo 3º do Artigo 331 do CPC mostra que a audiência preliminar não é


obrigatória, até porque o Juiz pode, a qualquer tempo, tentar conciliar as partes (art.
125, IV, do CPC). Mas o Juiz deve justificar e fundamentar o porquê da não realização
da audiência preliminar.
É o caso de ocorrer a hipótese óbvia de as partes manifestarem expressamente
que não têm interesse no acordo ou a situação de empresas que possuem contra si ações
similares na Justiça, nas quais, reiteradamente, não entabulam acordo, evidenciando a
impossibilidade de conciliação.
Sendo o dispositivo acima uma verdadeira cláusula geral, no sentido de que
será aplicável a cada caso concreto, a decisão do juiz que não designa a audiência é
passível de controle pelas partes, que poderão interpor o recurso cabível. Resta
evidente aqui o arbítrio do Juiz na análise das circunstâncias, embora essa autonomia
possa ser limitada com a irresignação da parte, não podendo qualquer justificativa
amparar a não realização da audiência.
Há ainda posicionamentos mais flexíveis no sentido de que não importa
nulidade do processo a não realização da audiência preliminar, uma vez que esta visa
dar maior agilidade ao processo e as partes podem transigir a qualquer instante.
O prazo de 30 dias para a designação da audiência preliminar conta da data
em que o Juiz analisa os autos e verifica a impossibilidade de proferir decisão de
extinção do processo ou julgamento antecipado da lide (arts. 329 e 330 do CPC). Trata-
se de uma regra programática, desvinculada de qualquer sanção, cujo objetivo é
orientar o magistrado, em atenção ao princípio da celeridade.
Sabemos, por outro lado, considerando o grande volume que atola o
Judiciário e a própria ineficiência deste, que o trintídio apontado dificilmente é
cumprido pelos Juízes. E verificamos que poucos Juízes se esforçam para cumprir tal
prazo.
A intimação pessoal para a audiência, da parte ou do seu advogado, não é
essencial ao ato processual, exceto quando a parte se encontrar representada pela
Defensoria Pública.
O procurador ou seu preposto deve comparecer à audiência com poder para
transigir. Se não houver tal poder especial, isso não invalida a audiência, apenas resta
prejudicada a conciliação.
Mas nada impede que o Juiz faça a intermediação do eventual acordo,
condicionando a sua eficácia à apresentação da procuração com o poder específico
para transigir. Isso seria uma mera irregularidade sanável com a apresentação do
documento essencial ao ato, atingindo-se a finalidade do processo: a resolução do
problema posto em discussão perante o Judiciário.
Também aqui não há sanção para o não comparecimento à audiência com
poderes para transigir. O não comparecimento interpreta-se como uma recusa à
conciliação.
Por outro lado, se os representantes legais não comparecerem efetivamente à
audiência, apesar de intimados, e houver alguma decisão interlocutória proferida, o
risco é que a intimação considerar-se-á realizada. Por exemplo, se determinada alguma
perícia no processo, é como se as partes já fossem intimadas da nomeação do perito
judicial na audiência, fluindo a partir dali o prazo legal de 5 dias para a indicação do
assistente técnico e a apresentação de quesitos (Artigo 421 do CPC).
Não obtida a conciliação na audiência preliminar, as consequências serão:
a) a decisão das questões processuais pendentes; O Juiz não poderá decidir
sobre prescrição e decadência, que são questões de mérito;
b) fixação dos pontos controvertidos; determinação das provas a serem
produzidas;
c) designação da audiência de instrução e julgamento, se necessário, ou seja,
se houver necessidade de produção da prova oral a ser produzida ou necessidade de
esclarecimentos do Perito Judicial em audiência (art. 435 do CPC).
Esse saneamento poderá ser feito em audiência ou em despacho escrito. O
ideal é que seja na própria audiência preliminar. Isso porque a referida audiência é um
momento importante de aproximação das partes e do Juízo, para melhor compreensão
da controvérsia, podendo trazer excelentes resultados para a resolução do processo.
A audiência preliminar é uma oportunidade para a prática do princípio da
oralidade e uma aproximação física das partes com o Juiz. Na prática, infelizmente,
muitos Juízes não têm essa mentalidade e, frustrada a conciliação, iniciam a fase
instrutória independente da audiência.
Observando-se a prática do processo no Judiciário, o saneamento do processo
constitui atividade que o juiz exerce ao longo de todo o desenvolvimento da relação
processual, do início ao término. Isso significa dizer que não existe uma fase de
saneamento, mas uma atividade saneadora permanente do Juiz.
O Artigo 331 do CPC representa a passagem da fase ordinatória para a fase
instrutória. A fase ordinatória seria até a conciliação. Não obtida a conciliação, iniciar-
se-ia a fase instrutória.
O despacho que designa audiência preliminar não é decisão interlocutória e
configura-se como despacho de mero expediente.
Com efeito, as decisões proferidas em audiência preliminar, como
verdadeiras decisões interlocutórias, são passíveis de controle via interposição de
agravo de instrumento ou agravo retido (oral ou por escrito).
Não se aplica aqui a regra do parágrafo 3º do Artigo 523 do CPC, que
determina a interposição de agravo retido oral e imediatamente na audiência de
instrução e julgamento. Isso porque a audiência preliminar não se trata de uma
audiência de instrução e julgamento, como aponta o mencionado dispositivo da lei
Processual.
A conclusão, após a análise do Artigo 331 do CPC e das jurisprudências
apontadas, é no sentido de que a reforma processual objetivou deixar fora de dúvida
que o Juiz tem o poder de decidir sobre a necessidade, ou não, da designação da
audiência preliminar e até da audiência de instrução, embora tenha de fundamentar tal
posicionamento.