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Juracy Machado Pacífico

Anete Abramowicz
José Lucas Pedreira Bueno
Josélia Gomes Neves
Organizadores

EDUCAÇÃO INFANTIL
no campo, na cidade e na floresta
de si gu al da de s
po lí ti ca s, pr át ic as e

editor
editora
Juracy Machado Pacífico
Anete Abramowicz
José Lucas Pedreira Bueno
Josélia Gomes Neves
Organizadores

EDUCAÇÃO INFANTIL
no campo, na cidade e na floresta
de si gu al da de s
po lí ti ca s, pr át ic as e
j-XUDF\0DFKDGR3DF­ßFR
Anete Abramowicz
José Lucas Pedreira Bueno
Josélia Gomes Neves
Organizadores

Direitos autorais reservados. Não pode ser comercializado ou impresso sem a


devida autorização dos autores. (Lei nº 5.988/73)

((GXFD§£RLQIDQWLOQRFDPSRQDFLGDGHHQDàRUHVWDSRO­WLFDVSU¡WLFDVH
GHVLJXDOGDGHV-XUDF\0DFKDGR3DF­ßFR>HWDO@RUJDQL]DGRUHVÓ
HGÓ)ORULDQ³SROLV3DQGLRQ
112 p.

Inclui referências
,6%1

1. Educação. 2. Educação no campo. 3. Educação infantil. 4. Prática de


HQVLQRQGLRVÓ(GXFD§£R6RFLDOL]D§£R(VWXGRVLQWHUFXOWXUDLV
5HOD§µHVUDFLDLV3VLFRORJLDHHGXFD§£R,3DF­ßFR-XUDF\0DFKDGR
II. Abramowicz, Anete. III. Bueno, José Lucas Pedreira. IV. Neves, Josélia Gomes.

Catalogação na publicação por: Onélia Silva Guimarães CRB-14/071

O presente trabalho foi realizado com o apoio do Prodocência, programa


da CAPES, entidade do Governo Brasileiro voltada para a formação de
recursos humanos.

,6%1

1ª Edição pela Editora Pandion

2015
2
DESIGUALDADE EXPLÍCITA E
REGULAMENTAÇÃO QUE NÃO REGULA
o dilema da Educação Infantil no campo
Juracy Machado Pacífico
Leonice Dantas da Silva Amaral
José Lucas Pedreira Bueno

1 INTRODUÇÃO
Não vou sair do campo pra poder ir pra escola
Educação do campo é direito e não esmola.
(Gilvan Santos)

(VWHWH[WRGLVFXWHRDWHQGLPHQWR (GXFD§£R,QIDQWLODSDUWLUGHXP
levantamento da oferta e demanda de educação para crianças de zero a
FLQFRDQRVUHVLGHQWHVQRFDPSRGR(VWDGRGH5RQG´QLD
Muitas mudanças têm ocorrido na educação, tanto na maneira de pen
sar quanto na forma de organização da educação brasileira, seja na Educação
Infantil, ensino fundamental e médio ou nas diferentes modalidades. Com
LVVRXPDDQ¡OLVHKLVW³ULFDLU¡DSRQWDUSDUDDOJXPVXFHVVR,VVRQ£RSRGHQH
JDGRPDVWDPE©PQ£RVHSRGHQHJDUTXHHVVHVXFHVVRQ£RIRLVXßFLHQWHSDUD
alavancar a qualidade. No caso da modalidade Educação no Campo, também
2 DESIGUALDADE EXPLÍCITA E REGULAMENTAÇÃO QUE NÃO REGULA:
o dilema da Educação Infantil no campo

tem havido um esforço, mesmo que muito mais legal do que efetivo, na tenta
tiva de melhorar o atendimento que se disponibiliza para aquela população.
Já não é novidade que as crianças residentes no campo são reco
QKHFLGDVFRPRGHWHQWRUDVGHGLUHLWR (GXFD§£R,QIDQWLODVVLPFRPRDV
de qualquer outro lugar ou forma de organização social, mas a realidade
nos mostra o quanto esses direitos são negados. Embora lembradas no
papel e nos discursos, na prática, as crianças são esquecidas, o que será
representado neste trabalho pelo quantitativo de crianças residentes no
FDPSRGH5RQG´QLD&RPLVVRRHVWXGRVHSURS´VDUHVSRQGHUDVHJXLQ
WHLQGDJD§£RHPTXHPHGLGDRHVWDGRGH5RQG´QLDJDUDQWHRGLUHLWR 
(GXFD§£R,QIDQWLOHVFRODU VFULDQ§DVUHVLGHQWHVQRFDPSR"
$SDUWLUGHVVDTXHVW£RGHßQLPRVFRPRREMHWLYRDQDOLVDUDRIHUWD
HGHPDQGDGHDWHQGLPHQWR (GXFD§£R,QIDQWLOSDUDDVFULDQ§DVGH
DDQRVUHVLGHQWHVGRFDPSRGRHVWDGRGH5RQG´QLD'HVHQYROYHPRV
ainda, estudos na literatura especializada sobre a importância e as con
GL§µHVGHRIHUWDGD(GXFD§£R,QIDQWLOQRFDPSRLGHQWLßFDPRVDRIHUWD
GH (GXFD§£R ,QIDQWLO SDUD DV FULDQ§DV GR FDPSR GH 5RQG´QLD WHQGR
FRPRSDU¢PHWURDJDUDQWLDDRGLUHLWR HGXFD§£RHRVGDGRVGLVSRQ­YHLV
QR ,QVWLWXWR %UDVLOHLUR GH *HRJUDßD H (VWDW­VWLFD ,%*(  H ,QVWLWXWR
1DFLRQDOGH(VWXGRVH3HVTXLVDV(GXFDFLRQDLV$Q­VLR7HL[HLUD ,1(3 
&RQVLGHUDPRV QHFHVV¡ULR GHVWDFDU R DWHQGLPHQWR   (GXFD§£R ,Q
fantil já que, observando a precariedade da oferta pública de Educação
,QIDQWLOLQFOXLQGRFUHFKHVHSU©HVFRODVSDUDFULDQ§DVUHVLGHQWHVQDFLGD
GHIH]VHDVHJXLQWHLQGDJD§£RVHSDUDDVFULDQ§DVGHDDQRVPRUDGR
ras da área urbana já é tão difícil fazer com que seus direitos, em especial
 HGXFD§£RVHMDPJDUDQWLGRVFRPRVHULDHQW£RDJDUDQWLDGHVVHGLUHLWR
 VFULDQ§DVGRFDPSRRQGHJHUDOPHQWHDVGLßFXOGDGHVV£RPDLRUHV"
Embora muito se tenha garantido na legislação vigente sobre o
DWHQGLPHQWR VQHFHVVLGDGHVHGXFDFLRQDLVSDUDDVFULDQ§DVGRFDPSRR
que podemos observar é um descompasso total entre o que está escrito
e o que realmente observamos quando temos a oportunidade de chegar
a esses lugares mais distantes das cidades, em que os moradores que
DQVHLDPTXHVHXVßOKRVWHQKDPDFHVVR HVFRODV£RREULJDGRVDVHGHVOR
FDUHPSRUY¡ULRVTXLO´PHWURVSRUTXHVXDUHJL£RQ£RGLVSµHGHHVFRODV

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2 DESIGUALDADE EXPLÍCITA E REGULAMENTAÇÃO QUE NÃO REGULA:
o dilema da Educação Infantil no campo

SULQFLSDOPHQWHGHFUHFKHVHSU©HVFRODV
3RURXWURODGRQ£RIDOWDPGRFXPHQWRVTXHGHßQHPFRPRVHGHYHRU
ganizar o sistema escolar para as crianças moradoras de área rural/campo
e que apresentam medidas que devem ser tomadas para que haja um bom
funcionamento da educação lá desenvolvida. No entanto, observando es
sas legislações e algumas situações e falas, é possível perceber o quanto os
povos ribeirinhos, quilombolas, indígenas e outros nutrem esperança por
uma educação que apresente um mínimo de qualidade.
Destacamos, porém, que não são somente as crianças residentes
no campo que são afetadas pela falta de acesso ou por terem um acesso
SUHF¡ULR HVFRODPDVWDPE©PDVFULDQ§DVßOKDVGHH[WUDWLYLVWDVSHVFD
dores, ribeirinhos, assentados e acampados e, ainda, os descendentes de
quilombolas e indígenas. Nosso recorte, no entanto, foi o atendimento
FRP(GXFD§£R,QIDQWLOHVFRODU VFULDQ§DVGRFDPSR7DOUHFRUWHDSRQWD
para a relevância social deste estudo que está em explicitar o atendimen
WR (GXFD§£R,QIDQWLOGRFDPSREHPFRPRSRVVLELOLWDUXPDUHàH[£R
VREUHWDOUHDOLGDGH2HVWXGRFRQWULEXLSDUDDFRQVWUX§£RWH³ULFDHHP
pírica de melhores argumentos em defesa da Educação Infantil e para a
formulação de políticas educacionais que contemplem as crianças resi
dentes no campo e de outras regiões e comunidades que, por escolha ou
necessidade, não residem no perímetro urbano.
Antes de avançarmos com o tema, antecipamos que, neste texto,
DSUHVHQWDUHPRVHPGLIHUHQWHVPRPHQWRVGRLVWHUPRVFDPSRHUXUDO
(PSHVTXLVDRUJDQL]DGDSRU5RVHPEHUJH$UWHV  GHQRPLQDGDØ2
UXUDOHRXUEDQRQDRIHUWDGHHGXFD§£RSDUDFULDQ§DVGHDW©DQRVÙDV
DXWRUDVß]HUDPHVVDH[SOLFLWD§£R$VDXWRUDVFLWDQGR&DYDOFDQWH 
p. 557), informam que o termo campo vem dos movimentos sociais e tem
XPVHQWLGRSRO­WLFRSHGDJ³JLFRGDGRSHORVPRYLPHQWRV-¡UXUDO©RWHU
mo que está expresso nos levantamos do IBGE e explicita uma categoria
HPS­ULFDORFDOL]D§£RRXVLWXD§£RGRGRPLF­OLRRXGDHVFROD$VVLPTXDQ
do, neste texto, aparecer os termos rural ou campo, estamos nos referindo
W£RVRPHQWH ORFDOL]D§£RRXVLWXD§£RGRGRPLF­OLRRXGDHVFROD
)HLWRHVVHHVFODUHFLPHQWRGHVWDFDPRVTXHSDUDDFROHWDHDQ¡OLVHGH
dados deste estudo, tomamos como recorte temporal o ano de 2008 quan

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o dilema da Educação Infantil no campo

do ainda não haviam sido aprovadas as atuais Diretrizes Curriculares Na


cionais para a Educação Infantil (DCNEI), instituídas pela Resolução
&1(&(% %5$6,/ 3DUWLPRVGRSULQF­SLRGHTXHGHVVH
período em diante, algumas mudanças deveriam acontecer. Assim, consi
derando que a coleta de dados foi realizada ainda no primeiro semestre de
2014, trabalhamos com o recorte delimitado ao período de 2008 a 2013.
Realizamos levantamento de dados no banco de dados do IBGE,
WDQWR QR VLWH TXDQWR HP VXD VHGH HP 3RUWR 9HOKR $ FROHWD MXQWR  
sede foi necessária, pois para a obtenção de dados passíveis de análi
se comparativa entre campo e cidade precisávamos levantar também o
quantitativo de crianças, por idade, moradoras no campo do estado de
5RQG´QLD&RPRHVVHVGDGRVQ£RHVWDYDPLQWHJUDOPHQWHGLVSRQ­YHLVGD
IRUPDFRPRSUHFLV¡YDPRVß]HPRVFRQWDWRVFRPDVHGHGR,%*(LQVWD
lada na cidade de Porto Velho e levantamos os dados quanto ao número
de crianças de zero a cinco anos que residem no campo em todos os
PXQLF­SLRVGH5RQG´QLD2VGDGRVUHIHUHQWHVDRQºPHURGHHVWDEHOHFL
mentos, quantidade de turmas e matrículas foram levantados no site do
*RYHUQR)HGHUDOQREDQFRGHGDGRVGR,1(3
2FRQMXQWRGHVVHVGDGRVSHUPLWLXQRVHVER§DUXPSDQRUDPDGHFRPR
D(GXFD§£R,QIDQWLOQRFDPSRYHPVHQGRWUDWDGDQRHVWDGRGH5RQG´QLD

2 O DIREITO À ESCOLARIZAÇÃO DE CRIANÇAS DO CAMPO NA


ETAPA DA EDUCAÇÃO INFANTIL
O povo camponês, o homem e a mulher
O negro quilombola com seu canto de afoxé
7LFXQD&DHW©FDVWDQKHLURVVHULQJXHLURV
Pescadores e posseiros nesta luta estão de pé.
(Gilvan Santos)

$SULPHLUDLQI¢QFLDFRQVLGHUDQGRVHQHVVHUHFRUWHDLGDGHGH]HUR
a seis anos, é a fase onde as crianças têm os primeiros contatos com o
mundo que as cerca e será a partir da interação com esse mundo que
LU£RVHGHVHQYROYHUHDSUHQGHU1HVVHFRQWH[WRGHVWDFDVHDHVFRODGH
(GXFD§£R,QIDQWLOFRPRHVSD§RQ£RGRP©VWLFRTXHSRVVLELOLWD VFULDQ

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o dilema da Educação Infantil no campo

ças, em parceria com as famílias, diferentes experiências e a ampliação


do conhecimento por meio da interação, possibilitando a esses sujeitos
GHGLUHLWRVDVLJQLßFD§£RGRPXQGRHGHVLPHVPDV
$ /HL GH 'LUHWUL]HV H %DVHV GD (GXFD§£R 1DFLRQDO Qp 
/'%  %5$6,/ QR$UWLJRFRORFDD(GXFD§£R,QIDQWLO
como primeira etapa da Educação Básica que será ofertada, conforme
artigo 30, inciso I, em creches ou entidades equivalentes, para crian
§DVGHDW©WUªVDQRVGHLGDGHHLQFLVR,,HPSU©HVFRODVSDUDFULDQ§DV
de quatro a cinco anos de idade. A partir da promulgação da Lei nº
HD/HL)HGHUDOKRXYHGXDVPXGDQ§DVLPSRU
WDQWHVQD(GXFD§£R,QIDQWLODDOWHUD§£RGDLGDGHSDUDRW©UPLQRGDSU©
HVFRODTXHSDVVRXGHVHLVSDUDFLQFRDQRVHDREULJDWRULHGDGHGHPD
WU­FXODHIUHTXªQFLDQDSU©HVFRODSDUDFULDQ§DVGHTXDWURHFLQFRDQRV
No entanto, mesmo com essa regulamentação, observamos que essa
etapa da Educação Básica ainda não é respeitada e considerada quando se
fala em investimentos na educação. É possível, hoje, nos defrontarmos com
mazelas envolvendo crianças que, mesmo em idade escolar, não têm acesso
DHVVHEHPTXHGHYHULDHVWDUDRDOFDQFHGHWRGDV&RPRDßUPDP5RVHP
EHUJH$UWHV  ØHVTXHFHVHGHTXHDFULDQ§DHVW¡YLYHQGRVXDKXPDQL
GDGHKRMHDRPHVPRWHPSRHPTXHFRQVWLWXLDVEDVHVSDUDRIXWXURÙ
É nessa dinamicidade que o Brasil das últimas décadas tem reve
lado em sua estrutura legal um maior entendimento sobre o que seja a
LQI¢QFLDFRPRHQWHQGHUDFULDQ§DHRIHUHFHUOKHJDUDQWLDVLQVWLWXFLRQDLV
para que se assegure, na prática social, o direito da mesma a ter seu de
VHQYROYLPHQWRLQWHJUDOSRUPHLRGHDWHQGLPHQWRHGXFDFLRQDOHSHGDJ³
gico, temas que vêm sendo discutidos e pesquisados por pesquisadores
de vários estados brasileiros preocupados com a educação da criança
que também deveria estar na primeira etapa da Educação Básica.
6HJXQGR%XMHV S ØDPDQHLUDFRPRKRMHYHPRVDVFULDQ
ças, como seres ativos, que podem se tornar cada vez mais competentes
SDUDOLGDUFRPDVFRLVDVGRVHXPXQGR>@Ù©RTXHGHYHU¡GHßQLUDV
práticas para a dinâmica da oferta e do atendimento na Educação In
IDQWLO LQVWLWXFLRQDOL]DGD $QJRWWL  S   K¡ TXDVH XPD G©FDGD
OHPEUDYDHPWH[WRLQWLWXODGRØ(GXFD§£R,QIDQWLOSDUDTXHSDUDTXHPH

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o dilema da Educação Infantil no campo

SRUTXHÙTXHRVGLUHLWRVGHFODUDGRV LQI¢QFLDEUDVLOHLUDHVWDYDPHPSUR
cesso de consolidação legal, em processo de regulamentação. Lembrava
DXUJªQFLDGDJDUDQWLDGRVGLUHLWRVM¡FRQTXLVWDGRV'HVWDFRX ©SRFD
que o Brasil já tinha demonstrado em sua estrutura legal um avanço no
entendimento sobre o que é infância e criança para que pudesse lhe ofe
recer garantias institucionais. Destacou, também, que tal entendimento
vinha favorecendo, na prática, que a criança tivesse seu desenvolvimento
LQWHJUDOPHQWHJDUDQWLGRSRUPHLRGRDWHQGLPHQWRHGXFDFLRQDOHSHGDJ³
JLFRPDVM¡UHVVDOWDYDDSUHFDULHGDGH&RPLVVRQRVSHUJXQWDPRVHKRMH
K¡TXDVHXPDG©FDGDRTXHWHPRVDUHàHWLUVREUHDVDßUPD§µHVGDVDXWR
ras divulgadas em meados dos anos 2000? Se considerarmos que o Plano
Nacional de Educação de 2001 não teve a Meta 1 atendida integralmente
e que a Educação no Campo ainda se apresenta com sérios problemas e
GLßFXOGDGHV SDUD XPD HIHWLYD§£R FRP TXDOLGDGH SRGHPRV DßUPDU TXH
suas palavras continuam muito presentes e atuais.
Desse modo, se a Educação Infantil urbana com todos os entraves
que a acompanham, tais como problemas na infraestrutura física e pe
GDJ³JLFDSUHFDULHGDGHQDIRUPD§£RFRQWLQXDGDGHSURIHVVRUHVGHQWUH
RXWURV©GHVHLPDJLQDUTXHQDHGXFD§£RQRFDPSRHVVDVGLßFXOGDGHV
tendem a aumentar, pois quando se coloca em debate essa etapa e moda
lidade, a Educação Infantil e a oferta de Educação no Campo, falamos
GHGXDVH[FOXVµHVKLVW³ULFDVQRSURFHVVRHGXFDFLRQDOda Educação In-
fantil, sempre colocada em segundo plano, e da Educação no Campo,
HVWD SUHFDUL]DGD QR P­QLPR HP WUªV DVSHFWRV SHOR DFHVVR TXH LP
plica no tempo escolar; na infraestrutura, que geralmente não dispõe
GRP­QLPRHSHODIDOWDGHSURßVVLRQDLVTXDOLßFDGRV1HVWHVHQWLGRDV
GLßFXOGDGHVDLQGDHQIUHQWDGDVSDUDVHID]HU(GXFD§£RQRFDPSRTXDQGR
FRPSDUDGDV VGD¡UHDXUEDQDWHQGHPDVHUGLVFUHSDQWHVSRLVHQYROYHP
outra rotina, cultura, costumes e visão de mundo, o que requer que essa
RIHUWDVHMDHVSHF­ßFDHGLIHUHQFLDGD
$&RQVWLWXL§£R)HGHUDOGHHQIDWL]DTXHRDFHVVR HGXFD§£R©
direito de todos e dever do Estado e da família, e que esta será promo
vida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e

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o dilema da Educação Infantil no campo

VXDTXDOLßFD§£RSDUDRWUDEDOKR$/'%HPFRQIRUPLGDGH
FRPD&DUWD0DJQDUHDßUPDRGLUHLWR HGXFD§£RHDLJXDOGDGHGHFRQ
dições de acesso e permanência, gratuidade do ensino e garantia de qua
OLGDGHSDUDDHGXFD§£RQRFDPSR7DPE©PR(VWDWXWRGD&ULDQ§DHGR
$GROHVFHQWH %5$6,/ QR$UWLJRGHVWDFDTXHØ1RSURFHVVR
HGXFDFLRQDO UHVSHLWDUVH£R RV YDORUHV FXOWXUDLV DUW­VWLFRV H KLVW³ULFRV
SU³SULRVGRFRQWH[WRVRFLDOGDFULDQ§DHGRDGROHVFHQWHJDUDQWLQGRVHDHV
WHVDOLEHUGDGHGDFULD§£RHRDFHVVR VIRQWHVGHFXOWXUDÙ+¡FRPRVHSRGH
perceber, um grande aparato para a construção e garantia de uma educação
diferenciada e com qualidade também para as populações do campo.
$O©PGHVVHFRQMXQWRGHOHLVPDLRUHVWHPVHDLQGDFRPRDSDUDWROHJDO
várias resoluções e pareceres que regulamentam e organizam a Educação e
a Educação Infantil, como é o caso das Diretrizes Operacionais para a Edu
cação Básica nas Escolas do Campo (BRASIL, 2002), que, no artigo 2º,
DSRQWDTXHDØLGHQWLGDGHGDHVFRODGRFDPSR©GHßQLGDSHODVXDYLQFXOD§£R
 VTXHVWµHVLQHUHQWHV VXDUHDOLGDGHDQFRUDQGRVHQDWHPSRUDOLGDGHHVD
EHUHVSU³SULRVGRVHVWXGDQWHVÙ(QRDUWzGHVWDFDTXHR3RGHU3ºEOLFR

considerando a magnitude da importância da educação escolar para o


exercício da cidadania plena e para o desenvolvimento de um país, deverá
JDUDQWLUDXQLYHUVDOL]D§£RGRDFHVVRGDSRSXOD§£RGRFDPSR (GXFD§£R
%¡VLFDH (GXFD§£R3URßVVLRQDOGH1­YHO7©FQLFR

1RDUWzID]XPDPHQ§£RDRVDUWLJRVHGD/HLGD
/'% UHVVDOWDQGR D SURSRVWD SHGDJ³JLFD GDV HVFRODV GR FDPSR
Conforme Silva et al. (2012, p. 58), essas Diretrizes também destacam
os movimentos sociais lutando em busca de direitos e de políticas educa
cionais voltadas ao campo, combatendo a submissão do rural ao urbano
e propostas de dominação e de exploração.
7DPE©P DV 'LUHWUL]HV &RPSOHPHQWDUHV GD (GXFD§£R GR &DPSR
(BRASIL, 2008), instituídas pela Resolução nº 2, de 28 de abril de 2008,
que estabelecem diretrizes complementares, normas e princípios para o
desenvolvimento de políticas públicas de atendimento da Educação Bá
VLFDGR&DPSRDHGXFD§£RRIHUHFLGDSDUDHVVDSRSXOD§£RÓDJULFXOWRUHV
familiares, extrativistas, pescadores artesanais, ribeirinhos, assentados


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e acampados da Reforma Agrária, quilombolas, caiçaras, indígenas e


RXWURVGHYHFRPSUHHQGHUWRGDVDVHWDSDVGDHGXFD§£RE¡VLFDVHQGR
HODV(GXFD§£R,QIDQWLO(QVLQR)XQGDPHQWDO(QVLQR0©GLRH(GXFD
§£R3URßVVLRQDO7©FQLFDGHQ­YHOP©GLR
Nesta mesma direção, as Diretrizes Curriculares Nacionais da
(GXFD§£R ,QIDQWLO '&1(,  %5$6,/   TXDQGR VH UHIHUHP  V
SURSRVWDVSHGDJ³JLFDVGD(GXFD§£R,QIDQWLOQRFDPSRHYLGHQFLDPHP
HVSHFLDOQRDUWLJR$UWpSDU¡JUDIRpTXHDVSURSRVWDVSHGDJ³JLFDV
GD(GXFD§£R,QIDQWLOGDVFULDQ§DVßOKDVGHDJULFXOWRUHVH[WUDWLYLVWDV
pescadores artesanais, ribeirinhos assentados e acampados da reforma
DJU¡ULDTXLORPERODVFDL§DUDVHSRYRVGDàRUHVWDGHYHPUHFRQKHFHURV
PRGRV SU³SULRV GH YLYªQFLD QR FDPSR WHQGR R HQWHQGLPHQWR GH TXH
esse modo é fundamental para a constituição da identidade do sujeito do
FDPSRYDORUL]DUHHYLGHQFLDUVHXVDEHUHVVHQGRTXH©SRVV­YHODW©DàH
xibilização, se necessário, do calendário escolar, rotinas e atividades res
SHLWDQGRDVGLIHUHQ§DVTXDQWR DWLYLGDGHHFRQ´PLFDGHVVDVSRSXOD§µHV
O Decreto de 7.352/2010, que dispõe sobre a Política de Educação
do Campo e o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária
3521(5$ DSRQWDSDUDDDPSOLD§£RHTXDOLßFD§£RGD(GXFD§£R%¡
VLFDSDUDDSRSXOD§£RGRFDPSRUHDßUPDQGRRVSULQF­SLRVTXHUHJHPD
HGXFD§£RGRFDPSR1R$UWLJRzWH[WXDOL]DTXHD8QL£RSRUPHLRGR
0LQLVW©ULRGD(GXFD§£RSUHVWDU¡DSRLRW©FQLFRHßQDQFHLURDRV(VWD
GRVDR'LVWULWR)HGHUDOHDRV0XQLF­SLRVQDLPSODQWD§£RGDVD§µHVYRO
WDGDV DPSOLD§£RHTXDOLßFD§£RGDRIHUWDGH(GXFD§£R%¡VLFDHVXSHULRU
 VSRSXOD§µHVGRFDPSRHPVHXVUHVSHFWLYRVVLVWHPDVGHHQVLQRVHPSUH
juízo de outras que atendam aos objetivos previstos no referido Decreto.
1RLQFLVR,ßFDH[SO­FLWDDQHFHVVLGDGHGHRIHUWDGD(GXFD§£R,QIDQWLO
Ø,RIHUWDGD(GXFD§£R,QIDQWLOFRPRSULPHLUDHWDSDGDHGXFD§£RE¡VLFD
HPFUHFKHVHSU©HVFRODVGRFDPSRSURPRYHQGRRGHVHQYROYLPHQWRLQWH
JUDOGHFULDQ§DVGH]HURDFLQFRDQRVGHLGDGHÙ(Q£RVLJQLßFDLQFOXLUDV
FULDQ§DVGH]HURDFLQFRHPFODVVHVGH(QVLQR)XQGDPHQWDOPDVGHIDWR
organizar e estruturar escolas de Educação Infantil.
2TXHSRGHPRVREVHUYDUHPUHOD§£R VOHJLVOD§µHVHGXFDFLRQDLVYL
JHQWHV © TXH PXLWR VH WHP DYDQ§DGR FRP UHOD§£R   (GXFD§£R ,QIDQWLO

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o dilema da Educação Infantil no campo

principalmente em reconhecer, garantir e regulamentar o direito ao aten


GLPHQWR VGLIHUHQWHVLQI¢QFLDVEUDVLOHLUDV1HVVHFRQWH[WRSDUDD(GXFD
ção das populações do campo, as mudanças têm ocorrido, mas muito mais
QDVOHJLVOD§µHVHVHXVGHVGREUDPHQWRVGRTXHQRSU³SULRFRQWH[WRRQGH
as populações residem e necessitam do atendimento.

As políticas sociais para as crianças brasileiras são marcadas, então, por


uma tensão entre uma legislação avançada que reconhece o dever do Es
tado frente aos direitos das crianças e um cenário de desigualdades no
acesso ao usufruto das riquezas nacionais para diferentes segmentos so
FLDLVGLßFXOWDQGRQDSU¡WLFDRUHFRQKHFLPHQWRSOHQRGDFLGDGDQLDGH
FULDQ§DVGHDW©DQRV 526(0%(5*S 

Embora reconheçam e garantam a cada criança brasileira o direito


de estar e permanecer na escola, as medidas da legalização ainda não são
VXßFLHQWHVSDUDDFDEDUFRPRFRQWUDVWHGHXPFHQ¡ULRGHGHVLJXDOGDGHV
1RHQWHQGHUGH5RVHPEHUJH$UWHV S ØK¡XPGHVFRPSDVVR
entre o real e o legal nesse momento de transição, quando a Educação
,QIDQWLOVDLGDDVVLVWªQFLDHSDVVD HGXFD§£RÙ
Rosemberg e Artes (2012) em uma de suas pesquisas, realizada
em âmbito nacional, usam os dados coletados pelo IBGE e pelo INEP
e organizam um levantamento sobre a Educação Infantil para crianças
de até seis anos na área rural e urbana. Com as amostras coletadas, elas
GHVWDFDP TXH D RIHUWD GD (GXFD§£R ,QIDQWLO QR FDPSR © LQVXßFLHQWH
SDUDDWHQGHUDGHPDQGDH[LVWHQWH(PUHOD§£R VFULDQ§DVGHVHLVDQRV
por curso frequentado e situação de domicílio, os dados mostram que,
enquanto na área urbana, as crianças de 0 a 3 anos frequentando a cre
FKHHSU©HVFRODVRPDPPDLVGHPLOKµHVGHFULDQ§DVQD¡UHDUXUDOQ£R
SDVVDGHPLO3DUDFULDQ§DVGHDDQRVIUHTXHQWDQGRFUHFKHSU©
HVFRODFODVVHGHDOIDEHWL]D§£RHHQVLQRIXQGDPHQWDORVGDGRVDSRQWDP
SDUDPDLVGHPLOKµHVGHFULDQ§DVHQTXDQWRTXHQRUXUDOQ£RFKHJDD
dois milhões. Evidente que é preciso considerar a população residente
no campo, que também é menor que a residente em áreas urbanas.
3DUD%DUERVD*HKOHQH)HUQDQGHV S Ø>@DSULRUL]D
ção em atender demandas geradas pelo processo de modernização in

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2 DESIGUALDADE EXPLÍCITA E REGULAMENTAÇÃO QUE NÃO REGULA:
o dilema da Educação Infantil no campo

dustrial explica a pouca oferta de Educação Infantil para as populações


UXUDLVÙTXHDLQGDV£RYLVWDVFRPRVLQ´QLPRGHDWUDVRHP£RGHREUDEDUDWD
E ainda Pasuch e Santos (2012, p. 113) destacam que, por conta dessa
realidade atribuída ao campo, as populações que nele viviam e produziam
WDPE©PHUDPFRQVLGHUDGDVFRPRØGHVHJXQGDFODVVHÙ
$V SHVTXLVDGRUDV /HDO H 5DPRV  S  LQIRUPDP TXH D
Educação Infantil do Campo nasce da procura pelo diálogo entre a
Educação Infantil e a Educação do Campo, trazendo para o debate da
Educação Infantil, o campo, e para o debate da Educação do Campo, a
criança. Silva (2012) ainda acrescenta que foi a partir da Constituição
)HGHUDOGHHGD/HLGH'LUHWUL]HVH%DVHVGD(GXFD§£RGHTXH
DFUHFKHHSU©HVFRODIRUDPIRUWDOHFLGDVFRPRGLUHLWRGHWRGDFULDQ§D
tirando o paradigma de que os direitos eram das mães trabalhadoras,
VHMDPHODVUXUDLVRXXUEDQDV2GLUHLWRDJRUDSHUWHQ§D VFULDQ§DVTXH
passam a ser vistas como sujeitos de direitos, iguais a qualquer outro,
sendo, portanto, crianças cidadãs.
Contudo, ainda se nota que um número considerável de crianças no Bra
sil tem esse direito social negado, pois grande parte das crianças de 0 a 5 anos,
especialmente as mais pobres e, dentre elas, as crianças moradoras do campo,
Q£RIRUDPEHQHßFLDGDVØ$LPSRUWDQWHIXQ§£RSRO­WLFDHVRFLDOGD(GXFD§£R
Infantil, que é a de contribuir com igualdade e justiça social3,1não está sendo
FXPSULGDÙ %$5%26$*(+/(1)(51$1'(6S 
Silva, Pasuch e Silva (2012) explicitam que embora haja um enten
dimento que toda criança tem direito a educação, seja ela branca, preta,
pobre, rica, moradora da cidade ou do campo, muitas vezes não buscamos
HQ[HUJDUDVLQMXVWL§DVTXHSHUPDQHFHPQRVGLDVDWXDLVHPUHOD§£R (GX
cação Infantil no campo. Muito embora se tenha conquistado uma vaga
em uma das etapas do período escolar, é válido lembrar que a efetivação
da educação não se dá somente pela conquista da vaga, e sim pela oferta
GHHGXFD§£RGHTXDOLGDGHMXQWDQGRVHDLVVRRUHFRQKHFLPHQWRGDVVLQJX
3 O Índice de Gini, que mede a desigualdade social, demonstra que apesar dos avanços eco
Q´PLFRVGRVºOWLPRVDQRVR%UDVLODLQGDDSUHVHQWDXPDDOWDFRQFHQWUD§£RGHUHQGD(PERUD
a desigualdade social tenha diminuído, o Brasil ainda aparece como a 8ª maior desigualdade
VRFLDOGRPXQGRHQRzOXJDUQRUDQNLQJGR,'+LVWR©YLYHPRVRØSDUDGR[RÙGHVHUDVH[WD
maior economia do mundo e, ao mesmo tempo, estarmos na oitava posição em exclusão social
(Nota das autoras citadas).

29
2 DESIGUALDADE EXPLÍCITA E REGULAMENTAÇÃO QUE NÃO REGULA:
o dilema da Educação Infantil no campo

laridades e particularidades de cada indivíduo.


Para a criança moradora no campo, essas particularidades se tor
nam ainda mais urgentes, dado o ambiente em que vivem, os valores
culturais e costumes que as mesmas carregam e vivenciam. E, se para
trabalhar com crianças de 0 a 5 anos já é preciso ter o cuidado para não
FRORFDUDO³JLFDDGXOWRFªQWULFDDQXODQGRRVLQWHUHVVHVGDFULDQ§DSDUDD
Educação Infantil no campo, além desse cuidado, é preciso ainda olhar
para também não tentar implantar uma ideia urbanocêntrica, valorizan
do as coisas das cidades em detrimento das do campo.

3 DESIGUALDADE OU... SERÁ PRECISO FALAR EM AUSÊNCIAS


Cultura e produção, sujeitos da cultura
A nossa agricultura, pro bem da população
Construir uma nação, construir soberania
Pra viver o novo dia com mais humanização.
(Gilvan Santos)

2VHVWXGRVDSRQWDGRVQHVWHWH[WR %$5%26$*(+/(1)(5
1$1'(6/($/5$0263$68&+6$1726
SCHWENDLER, 2008) destacam que a educação no campo é um de
VDßRDVHUHQIUHQWDQGRSHODVRFLHGDGHHSHODDGPLQLVWUD§£RSºEOLFDHP
bora, nos últimos anos, tenha havido grandes mudanças no intuito de
melhorar o atendimento nesta modalidade, direito da sociedade, muitos
OXJDUHVVRIUHPFRPRGHVFDVRHDVGLßFXOGDGHVHQIUHQWDGDVGLDULDPHQWH
SHODSRSXOD§£RSDUDWHUHPDFHVVR HGXFD§£R
Segundo Schwendler (2008, p. 31), a educação do campo se coloca como
XPQRYRGHVDßRQRSURFHVVRGHFRQVWUX§£RGHSRO­WLFDVSºEOLFDVHGHVWDFD
também, que é uma demanda nova pelo sentido, pela forma e pela identidade
TXHDVVXPH$SRQWDTXHR%UDVLOWHPXPFRQWH[WRKLVW³ULFRUXUDOHTXHD
partir do século XX, houve uma mecanização no processo do trabalho rural,
forçando o sujeito do campo a sair de seu lugar, o campo, e a se aventurar no
meio urbano a procura de melhor oportunidade e qualidade de vida.
%HUJH S DßUPDTXHQRVSHU­RGRVGHHFRP

30
2 DESIGUALDADE EXPLÍCITA E REGULAMENTAÇÃO QUE NÃO REGULA:
o dilema da Educação Infantil no campo

o processo de industrialização e urbanização, houve uma crescente mo


YLPHQWD§£R GR KRPHP GR FDPSR SDUD RV JUDQGHV FHQWURV XUEDQRV  
procura de melhores condições de vida. Pensar em levar essa educação
para o campo nunca foi uma prioridade do Estado, nunca se pensou na
valorização do homem do campo como detentor de uma cultura. Como
DDXWRUDDßUPDDVSRO­WLFDVLPSOHPHQWDGDVVHPSUHIRUDPGHVHQYROYL
GDVØSDUDHQ£RFRPRVVXMHLWRVGRFDPSRÙ
1R HVWDGR GH 5RQG´QLD R SURFHVVR GH RFXSD§£R FRORQL]D§£R H
emancipação não foi diferente do restante do país, pois grande parte
das pessoas que vinha para o local tinha somente a intenção de explorar
as riquezas do lugar. As famílias que tinham um poder aquisitivo maior
PDQGDYDPVHXVßOKRVSDUDHVWXGDUQRVJUDQGHVFHQWURVHQTXDQWRTXH
RV PDLV SREUHV ßFDYDP D PHUFª GD VRUWH VHQGR HP JUDQGH PDLRULD
­QGLRVQHJURVHßOKRVGHFRORQRV *20(6 (VWXGRVUHDOL]DGRV
SRU3DF­ßFR  PRVWUDPTXHRHVWDGRGH5RQG´QLDWDUGRXQRSUR
cesso de escolarização de crianças, pois até a década de 1930, o que se
LGHQWLßFRX IRL D LQH[LVWªQFLD GH HVFRODV YROWDGDV SDUD DWHQGLPHQWR GH
crianças de até seis anos, sendo a iniciativa privada responsável pelos
primeiros atendimentos a essa população.
Como já informado na introdução, para este estudo, realizamos le
vantamento de dados no banco de dados do IBGE, tanto no site quanto
HPVXDVHGHHP3RUWR9HOKR2FRQMXQWRGHVVHVGDGRVSHUPLWLXQRVHV
boçar um panorama de como a Educação Infantil no campo vem sendo
WUDWDGDQR(VWDGRGH5RQG´QLD2VGDGRVFROHWDGRVQRVVLWHVGR,%*(
H,1(3VREUHRDWHQGLPHQWR (GXFD§£R,QIDQWLOQRFDPSRGR(VWDGR
GH5RQG´QLDIRUDPOHYDQWDGRVGDV6LQRSVHV(VWDW­VWLFDVGD(GXFD§£R
%¡VLFDHGR&HQVR'HPRJU¡ßFRGHHVHUYLUDPFRPREDVHFRPSD
rativa e interpretativa, a partir dos quais realizamos nossas inferências.

3.1 Estabelecimentos e turmas de Educação Infantil no campo

3DUDWHUPRVXPDYLV£RFRQFUHWDGRTXHVLJQLßFDDRIHUWDGH(GX
cação Infantil para as populações do campo, basta direcionarmos nosso
olhar para informações básicas, como o número de escolas e iniciaremos

31
2 DESIGUALDADE EXPLÍCITA E REGULAMENTAÇÃO QUE NÃO REGULA:
o dilema da Educação Infantil no campo

SHORDWHQGLPHQWR FUHFKH'HDFRUGRFRPDVLQIRUPD§µHVREWLGDVQR
site do INEP (BRASIL, 2013), em 2008 havia dois estabelecimentos
que atendiam crianças em idade de zero a três anos (creche) na área
rural e em 2013 somavam seis. Já na área urbana havia, em 2008, 151
HVWDEHOHFLPHQWRVHPWRGRR(VWDGR *U¡ßFR 

*U¡ßFR1ºPHURGHHVWDEHOHFLPHQWRVGH(GXFD§£R,QIDQWLOHP5RQG´QLD
&UHFKH$QRH/RFDOL]D§£R

)RQWH0(&,QHS'HHG

(PSRUFHQWDJHPLVVRVLJQLßFDTXHHPDSHQDVGDVFUH
FKHVH[LVWHQWHVQR(VWDGRGH5RQG´QLDDWHQGLDPFULDQ§DVPRUDGRUDVGH
¡UHDUXUDOVXELQGRHPSDUDGHFUHFKHVH[LVWHQWHVHP¡UHD
rural do Estado.
Podemos inferir que um número expressivo de crianças de zero a
três anos residentes em área rural não frequenta a creche, tendo em vis
WDREDL[RQºPHURGHHVWDEHOHFLPHQWRV,VVRVRPHQWHFRQßUPDDKLS³WH
se de que, quando se trata de Educação Infantil, há uma tendência em
um não investimento. Ao apresentarmos o número de estabelecimentos
da área urbana, não estamos querendo instaurar uma competição ou
deixar entender que este atendimento não é necessário, mas tão somente
explicitar a ausência muito maior do Estado brasileiro para com a po
pulação do campo.
2 *U¡ßFR  DEDL[R PRVWUD D GLVWULEXL§£R GH HVWDEHOHFLPHQWRV
GH(GXFD§£R,QIDQWLOQR(VWDGRGH5RQG´QLDSDUDDHWDSD3U©HVFROD

32
2 DESIGUALDADE EXPLÍCITA E REGULAMENTAÇÃO QUE NÃO REGULA:
o dilema da Educação Infantil no campo

*U¡ßFR1ºPHURGHHVWDEHOHFLPHQWRVGH(GXFD§£R,QIDQWLOHP5RQG´QLD3U©
(VFRODÓ$QRH/RFDOL]D§£R

)RQWH0(&,QHS'HHG

2VHVWDEHOHFLPHQWRVGH(GXFD§£R,QIDQWLOQR(VWDGRGH5RQG´QLDSDUD
D(WDSD3U©HVFRODVRPDYDPHPXPWRWDOGHVHQGRTXHDSHQDV
RHTXLYDOHQWHDHVFRODVDWHQGLDFULDQ§DVUHVLGHQWHVHP¡UHDVUXUDLV
GH5RQG´QLD-¡HPIRLSDUDDOFDQ§DQGRXPWRWDOGHHVFRODV
Barbosa et al. (2012) destaca que, apesar de as Diretrizes Curricu
ODUHV1DFLRQDLVSDUDD(GXFD§£R,QIDQWLOUHDßUPDUHPTXHRVPXQLF­SLRV
são obrigados a ofertar essa Etapa e que esta deve ser pública, gratuita
e de qualidade garantida pelo Estado, em sua pesquisa sobre oferta e
demanda de Educação Infantil, foram encontrados muitos municípios
do Brasil que usavam critérios para estabelecer prioridade de matrícula.
Outro dado importante obtido por Barbosa et al. (2012) foi o alto
SHUFHQWXDOGHHVFRODVTXHQ£RSRVVX­DPSURSRVWDSHGDJ³JLFDSDUDD(GX
cação Infantil no campo, desconsiderando o preconizado pelas DCNEI
de 2009 e todas as legislações que falam de uma educação diferenciada
para essa população. O que podemos constatar é que há poucas escolas.
6LOYD S GHVWDFDTXH

XPGRVJUDQGHVGHVDßRVQDJDUDQWLDGRVGLUHLWRV (GXFD§£R,QIDQWLO
dos bebês e crianças do campo é articular os princípios orientadores da
(GXFD§£R,QIDQWLOFRPRXPWRGR VIRUPDVFRPR©IHLWDVHXDWHQGLPHQ
to nas diferentes modalidades territoriais.

33
2 DESIGUALDADE EXPLÍCITA E REGULAMENTAÇÃO QUE NÃO REGULA:
o dilema da Educação Infantil no campo

3HUFHEHPRVTXHHP5RQG´QLDDRIHUWDGHHVWDEHOHFLPHQWRVSDUDD
educação no campo é precária e também a oferta de turmas é ainda mais
GHßFLW¡ULD2VGDGRVTXHOHYDQWDPRVQRVPRVWUDUDPTXHRQºPHURGH
turmas de Educação Infantil para crianças de zero a três anos residentes
em áreas rurais tem crescido lentamente, mesmo com todas as propostas
para a inclusão dessas crianças no meio escolar e com todos os projetos
voltados para esse público que ainda é discriminado.
(PR(VWDGRGH5RQG´QLDFRQWDYDFRPXPWRWDOGHWUªVWXU
mas de creche que atendiam crianças da zona rural. Em percentual isso
UHSUHVHQWDDSHQDVGHXPWRWDOGHWXUPDV(VVHQºPHURßFRX
oscilando entre três e duas turmas sendo que em 2013 esse número su
biu para treze turmas com atendimento a essa faixa etária, represen
WDQGRXPSHUFHQWXDOGHHPGDGRVJHUDLVRTXHUHSUHVHQWRXXP
DXPHQWRGHHPUHOD§£RDRDQRGH
 3DUDDHWDSDSU©HVFRODHP5RQG´QLDHPW­QKDPRV
 WXUPDVGH(,DWHQGHQGRDVFULDQ§DVPRUDGRUDVGD]RQDXUEDQD
HQTXDQWRTXHQD¡UHDUXUDODSHQDVWXUPDV  DWHQGLDPDVFULDQ
ças ali residentes. Embora o aumento tenha sido gradual entres os anos,
FKHJRXVHHPFRPWXUPDVQD¡UHDUXUDOUHSUHVHQWDQGRGR
total de atendimento do Estado.

3.2 Matrícula na Educação Infantil em Rondônia

4XDQWR DR QºPHUR GH PDWU­FXODV QD (GXFD§£R ,QIDQWLO QD HWDSD
FUHFKHYHULßFDPRVXPDXPHQWRQRSHU­PHWURXUEDQRHUXUDO1RHQ
tanto, quando comparamos o crescimento da educação no campo com a
educação urbana, observamos que há uma disparidade em desfavor das
crianças do campo. Mas a evidência de falta de atendimento é percebida
de forma espantosa quando tomamos a população escolar em potencial
D VHU DWHQGLGD HP FUHFKHV H SU©HVFRODV 'HVWDFDVH DLQGD TXH HVVH
atendimento inclui a rede privada.
$EDL[RDSUHVHQWDVHRTXDQWLWDWLYRGHPDWU­FXODHPFUHFKHV4XDGUR
HSU©HVFRODV4XDGURSRUSHU­PHWURHDUHOD§£RGHVVHVQºPHURVFRPR
QºPHURGHFULDQ§DVUHVLGHQWHVFRQVLGHUDQGRR&HQVR'HPRJU¡ßFRGH

34
2 DESIGUALDADE EXPLÍCITA E REGULAMENTAÇÃO QUE NÃO REGULA:
o dilema da Educação Infantil no campo

4XDGUR5RQG´QLD3RSXOD§£RGHDDQRV1ºPHURGHPDWU­FXOD
H7D[DGHFREHUWXUD
7D[DGH 7D[DGH
Matrícula
População Matrícula cobertura cobertura
escola
total de 0 a 3 escolas rede rede
Ano privada
anos pública pública privada

8UEDQR Rural 8UEDQR Rural 8UEDQR Rural    


2008    0 2.311 0 9,0 0,0 3,0 0
2009   7.500 0  0 9,9 0,0 3,4 0
2010 75.572 25.802 7.971 38 2.440 0 10,5 0,1 3,2 0
2011 75.572 25.802 8.405 51  0 11,1 0,2 3,5 0
2012 75.572 25.802 9.301  2.991 0 12,3 0,2 4,0 0
2013 75.572 25.802 10.399 148 3.242 0 13,8  4,3 0
)RQWH0LFURGDGRVGRFHQVR'HPRJU¡ßFR,%*(H0LFURGDGRVGR&HQVR
Escolar (MEC/INEP).

O primeiro dado, que representa a negação de direito, está na


população menor, a de zero a três anos, e não somente das crianças
GRFDPSR2EVHUYDVHTXHHPHQ£RKDYLDDWHQGLPHQWR 
FUHFKHSDUDDVFULDQ§DVGRFDPSR$SDUWLUGRDQRGHLQLFLDVH
timidamente o atendimento. A área urbana atendeu 7.971 e a área do
campo atendeu, em todo o estado, 38 crianças. Isso representou um
SHUFHQWXDO­QßPRGHGDSRSXOD§£RTXHSRGHULDHVWDUQDHVFROD
FRQIRUPHFROXQDGR4XDGURTXHDSUHVHQWDDSRSXOD§£RGH]HUR
D WUªV DQRV GD ¡UHD GR FDPSR GR HVWDGR GH 5RQG´QLD (P  DV
PDWU­FXODVDOFDQ§DPRTXHVLJQLßFDTXHDFDGDFULDQ§DVGR
campo o Estado atende uma.
Cabe ressaltar que embora os dados apontem para esses números
de crianças matriculadas, residentes em áreas rurais, os números po
GHPQ£RVHHIHWLYDUQDIUHTXªQFLD HVFRODKDMDYLVWDTXHPXLWDVGHV
sas crianças acabam não frequentando as aulas por vários motivos e
GLßFXOGDGHVHQFRQWUDGDVSDUDDHVFRODUL]D§£RQRFDPSRGHQWUHHODVR
transporte escolar.
4XDQWR   3U©HVFROD RV GDGRV OHYDQWDGRV VREUH R TXDQWLWDWLYR GH
PDWU­FXODVQHVVDHWDSDDSUHVHQWDPDVLWXD§£RUHWUDWDGDQR4XDGUR

35
2 DESIGUALDADE EXPLÍCITA E REGULAMENTAÇÃO QUE NÃO REGULA:
o dilema da Educação Infantil no campo

4XDGUR5RQG´QLD3RSXOD§£RGHDDQRV1ºPHURGHPDWU­FXOD
H7D[DGHFREHUWXUD
7D[DGH 7D[DGH
Matrícula
População Matrícula cobertura cobertura
escola
total de 4 a 5 escolas rede rede
Ano privada
anos pública pública privada

8UEDQR Rural 8UEDQR Rural 8UEDQR Rural    


2008   27.714 0 5.797 0  0,0 14,3 0
2009   29.182 0 5w.903 0 71,9 0,0  0
2010 39.358 14.752  2.124  0 70,2 14,4  0
2011 39.358 14.752  2.913  0 71,8 19,7  0
2012 39.358 14.752 28.222 3.010  0 71,7 20,4 15,4 0
2013 39.358 14.752    0 73,1 23,5 15,2 0
)RQWH 0LFURGDGRVGRFHQVR'HPRJU¡ßFR,%*( 0LFURGDGRVGR&HQVR
Escolar (MEC/INEP).

1DSU©HVFRODWDPE©PSRGHPRVREVHUYDUTXHRVQºPHURVPRVWUDP
um percentual superior de matriculadas na área urbana e um pequeno
QºPHUR GH PDWU­FXODV QR FDPSR (P  HQTXDQWR  GH XP WR
WDOGHPDWU­FXODVHP5RQG´QLDGDYDVHQRPHLRXUEDQRDSHQDV
 HQFRQWUDYDVH QR FDPSR (VVD UHDOLGDGH Q£R PXGRX DR ORQJR
dos anos, mesmo com todas as propostas de melhorias que houve nas
OHJLVOD§µHV(PRVGDGRVDSRQWDYDPSDUDGHPDWU­FXODVGH
FULDQ§DVQDSU©HVFRODQD¡UHDXUEDQDHVRPHQWHGHPDWU­FXODGDV
FULDQ§DVGRFDPSR(VVHF¡OFXORIRLUHDOL]DGRFRQVLGHUDQGRVHDSRSXOD
ção residente no campo com idade de quatro e cinco anos.
Os números revelam que as escolas existentes no campo são insu
ßFLHQWHV SDUD DWHQGHU D GHPDQGD GDV FRPXQLGDGHV 2 SRXFR DWHQGL
mento ainda conta com precários serviços de transporte escolar para o
deslocamento das crianças, já que as turmas se concentram em poucas
HVFRODV7DLVLQIRUPD§µHVHPS­ULFDVIRUDPOHYDQWDGDVHPYLVLWDVHPDO
guns municípios e em conversas e informações com moradores residen
tes nesses municípios.


2 DESIGUALDADE EXPLÍCITA E REGULAMENTAÇÃO QUE NÃO REGULA:
o dilema da Educação Infantil no campo

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
 4XHPYLYHGDàRUHVWDGRVULRVHGRVPDUHV
De todos os lugares onde o sol faz uma fresta
4XHPDVXDIRU§DHPSUHVWDQRVTXLORPERVQDVDOGHLDV
E quem na terra semeia venha aqui fazer a festa.
(Gilvan Santos)

Ante os dados deste estudo, é possível concluir que a escolarização


SDUDDHWDSDGD(GXFD§£R,QIDQWLOFRQIRUPHGHßQLGDQDOHJLVOD§£RYHP
DSUHVHQWDQGRDYDQ§RHPUHOD§£RDRDWHQGLPHQWR,VVRSRUTXHDS³VD
&RQVWLWXL§£R)HGHUDOGHY¡ULDVOHLVIRUDPVXUJLQGRSDUDDGHTXDU
H TXDOLßFDU D HGXFD§£R GDV FULDQ§DV HQWUH  H  DQRV 1HVVH PHVPR
contexto, embora mais esquecida, temos a criança do campo que, em
termos de direito, mesmo com suas peculiaridades, não é diferente das
crianças moradoras da cidade, e fazem parte da demanda que precisa de
atendimento escolar.
As discussões que vêm sendo feitas sobre Educação Infantil do
Campo propõem uma escola que colabore com o processo de humani
]D§£RUHDßUPDQGRDLGHQWLGDGHGRFDPSRQªV3RGHVHREVHUYDUFRPD
pesquisa que mesmo com todo o aparato de diretrizes para Educação no
&DPSRDLQGDV£RJUDQGHVDVGLßFXOGDGHVHQIUHQWDGDVSHORFDPSRQªV
HPPHLR VPD]HODVTXHVHDSUHVHQWDPQRFRWLGLDQRGDYLGDFDPSHVWUH
Há uma total desarmonia entre o que se apresenta no papel ou nas leis e
diretrizes com o que, realmente, se encontra disponível no campo. Esse
GHVDMXVWHHQWUHROHJDOHRUHDOGLßFXOWDDHIHWLYD§£RGHXPD(GXFD§£R,Q
fantil no campo. O campo deve ser compreendido como espaço de vida,
cultura, educação, produção, trabalho e não como um lugar do atraso e
VXDSRSXOD§£RFRQVLGHUDGDLQIHULRUHPUHOD§£R SRSXOD§£RXUEDQD
4XDQWRDRVGDGRVJHUDLVGR(VWDGRRVPHVPRVDSRQWDPSDUDXP
não comprometimento com a Educação Infantil no campo, pois o núme
URGHHVWDEHOHFLPHQWRVHWXUPDVRIHUWDGDVQ£RDWHQGH GHPDQGDH[LV
WHQWH1£R©DJUDG¡YHOREVHUYDUTXHHPDQRVS³VDSURPXOJD
§£RGD&RQVWLWXL§£R)HGHUDODSHQDVGRLVHVWDEHOHFLPHQWRVHWUªVWXUPDV
atendiam crianças, na etapa creche, no campo, e em 2013 ainda eram

37
2 DESIGUALDADE EXPLÍCITA E REGULAMENTAÇÃO QUE NÃO REGULA:
o dilema da Educação Infantil no campo

somente seis estabelecimentos e 13 turmas. O atendimento para crian


§DV GD SU©HVFROD WDPE©P Q£R FRQWHPSOD D SRSXOD§£R GHVVHV OXJDUHV
sendo que também em 2008 havia 92 estabelecimentos e 111 turmas e,
HPKDYLDHVWDEHOHFLPHQWRVHWXUPDV6HSDUDDTXDQWLGD
de de estabelecimentos e turmas os números não se mostram favoráveis,
para as matrículas, os dados também demonstram um desfavor para as
FULDQ§DVSHTXHQDVPRUDGRUDVGRFDPSRHP5RQG´QLD
&RP D UHDOL]D§£R GHVWH HVWXGR S´GHVH SHUFHEHU TXH R (VWDGR
brasileiro não tem colaborado para que essas crianças tenham acesso
  HGXFD§£R IRUPDO &RP R FRPSDUDWLYR GR TXDQWLWDWLYR GH FULDQ§DV
residentes em áreas rurais e o número de matrículas no estado de Ron
G´QLD©SRVV­YHOSHUFHEHURGHVFDVRTXHVHWHPFRPHVVDSRSXOD§£R
Essas informações nos levam a perceber que o morador do campo
ainda é visto como não merecedor de um atendimento com educação.
Não conseguimos mostrar, mas deixamos uma oportunidade para ou
tras pesquisas, é justamente quanto a frequência dessas crianças, que os
números mostram que estão matriculadas. Será que esse quantitativo se
HIHWLYDTXDQWRDIUHTXªQFLDP­QLPDREULJDW³ULD VHVFRODV"
Isso posto, concluímos que para a consolidação da Educação Infantil
de qualidade no campo será necessária uma priorização dessa etapa com
DGHßQL§£RFODUDGHPHWDVDVHUHPDOFDQ§DGDV1£REDVWDWHUPRVQRSDSHO
os objetivos e as normas de como deve se dar a educação para essa po
pulação, é preciso que a escola chegue até ela, pois não é possível que se
cumpra metas ou objetivos se não há escolas e condições de acesso a elas.
$ FRQFUHWL]D§£R GHVWH WUDEDOKR SURSRUFLRQRXQRV HQWHQGHU PH
lhor a educação no campo e perceber que algumas medidas devem
ser tomadas para a melhoria do atendimento a essa população. É pre
ciso que haja uma cobrança maior para que as leis já existentes pos
sam ser totalmente executadas. Políticas públicas devem ser elaboradas
para que a Educação Infantil se efetive como um direito das crianças.
Gostaríamos de não enfatizar, mas ainda não saímos de uma de
sigualdade explícita, evidenciada em dados, e ainda trilhamos com a
certeza de que temos regulações que não regulam, pois, a ausência é o
destaque na Educação Infantil do Campo.

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2 DESIGUALDADE EXPLÍCITA E REGULAMENTAÇÃO QUE NÃO REGULA:
o dilema da Educação Infantil no campo

REFERÊNCIAS
AMARAL, L. D. da S.. Educação Infantil no campo em Rondônia: entre o direito,
DRIHUWDHDGHPDQGDI0RQRJUDßD JUDGXD§£R 'HSDUWDPHQWRGH&LªQFLDV
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(GLWRUD$O­QHD

%$5%26$0&6*(+/(1,)(51$1'(66%A oferta e a demanda de Educa-


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3$68&+-6$172670'6Oferta e demanda de Educação Infantil no


campo: a importância da Educação Infantil na constituição da identidade das crianças
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526(0%(5*)$57(6$Oferta e demanda de Educação Infantil no campo. O rural


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6&+:(1'/'(56)Principais problemas e desafios da Educação do campo no Brasil e


no Paraná. &DGHUQRVWHP¡WLFRVHGXFD§£RGRFDPSR3DUDQ¡6HFUHWDULDGH(VWDGRGD(GXFD§£R
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