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INTOLERANCIA RELIGIOSA

Lei nº 11.635/07 instituiu o dia 21 de janeiro como o "Dia Nacional de Combate à


Intolerância Religiosa".
INTRODUÇÃO - A intolerância religiosa representa, certamente, um dos problemas mais
delicados em nosso planeta, onde o fanatismo religioso, tão entranhado em milhões de pessoas, conduz
umas a realizarem, contra as outras, verdadeiras guerras, em nome, supostamente, de sua religião, como
se fosse possível estabelecer, com isso, qual a religião "estaria com a razão". Todos devem ser respeitados
e tratados de maneira igual perante a lei, independente da orientação religiosa.

CONCEITOS – “A intolerância religiosa é um conjunto de ideologias e atitudes ofensivas a


diferentes crenças e religiões. Em casos extremos esse tipo de intolerância torna-se uma perseguição.
Sendo definida como um crime de ódio que fere a liberdade e a dignidade humana, a perseguição
religiosa é de extrema gravidade e costuma ser caracterizada pela ofensa, discriminação e até mesmo atos
que atentam à vida de um determinado grupo que tem em comum certas crenças. Perseguição, neste
contexto, pode referir-se a prisões ilegais, espancamentos, torturas, execução injustificada, negação de
benefícios e de direitos e liberdades civis. Pode também implicar em confisco de bens e destruição de
propriedades, ou incitamento ao ódio, entre outras coisas”.
“Intolerância religiosa é um termo que descreve a atitude mental caracterizada pela falta de
habilidade ou vontade em reconhecer e respeitar diferenças ou crenças religiosas de outros. Pode-se
constituir uma intolerância ideológica ou política. Pode-se também resultar em perseguição religiosa e
ambas têm sido comuns através da história. A maioria dos grupos religiosos já passou por tal situação
numa época ou noutra. Floresce devido à ausência de tolerância religiosa, liberdade de religião e
pluralismo religioso”.
HISTÓRICO DA INTOLERANCIA RELIGIOSA
Perseguição na Antiguidade - Um exemplo de intolerância religiosa na Antiguidade é a
perseguição dos primeiros cristãos pelos judeus e pagãos. O Novo Testamento informa que os cristãos
primitivos sofreram perseguição nas mãos das lideranças judaicas de seu tempo, começando pelo próprio
Jesus Cristo. De acordo com os textos do Novo Testamento, a perseguição aos seguidores de Jesus
continuou após a sua morte. O primeiro mártir do cristianismo foi Estêvão (Atos 7). Os apóstolos Pedro e
João foram presos por lideranças judaicas, incluindo o sumo-sacerdote Anás, que os libertou mais tarde
(Atos 4:1-21). Numa outra ocasião, todos os apóstolos foram presos pelo sumo-sacerdote e outros
saduceus, mas, segundo o relato neotestamentário, teriam sido libertados por um anjo (Atos 5:17-18).
Após escaparem, os apóstolos foram novamente capturados pelo Sinédrio, mas, desta vez, Gamaliel – um
fariseu bem conhecido da literatura rabínica – convenceu o conselho a libertá-los.
O primeiro caso documentado de perseguição aos cristãos pelo Império Romano direciona-se a
Nero. Em 64, houve o grande incêndio de Roma, destruindo grandes partes da cidade e devastando
economicamente a população romana. Nero, cuja sanidade já há muito tempo havia sido posta em
questão, era o suspeito de ter intencionalmente ateado fogo. Em seus Anais, Tácito afirma que:
“ Para se ver livre do boato, Nero prendeu os culpados e infligiu as mais requintadas torturas em
uma classe odiada por suas abominações, chamada cristãos pelo populacho”
Ao associar os cristãos ao terrível incêndio, Nero aumentou ainda mais a suspeita pública já
existente e, pode-se dizer, exacerbou as hostilidades contra eles por todo o Império Romano. As formas
de execução utilizadas pelos romanos incluíam crucificação e lançamento de cristãos para serem
devorados por leões e outras feras selvagens.
As perseguições estatais seguintes foram inconstantes até o terceiro século. Sob o imperador
Décio, muitas perseguições se levantaram contra o nome de Cristo, e houve tamanha carnificina de fiéis
que eles não podiam ser contados.
O clímax da perseguição se deu sob o governo de Diocleciano e Galério, no final do século
terceiro e início do quarto. Esta é considerada a maior de todas as perseguições. Iniciando com uma série
de quatro editos proibindo certas práticas cristãs e uma ordem de prisão do clero, a perseguição se
intensificou até que se ordenasse a todos os cristãos do Império que sacrificassem aos deuses imperiais,
sob a pena de execução, caso se recusassem. No entanto, apesar do zelo com que Diocleciano perseguiu
os cristãos na parte oriental do Império, seus co-imperadores do lado ocidental não seguiram estritamente
seus éditos, o que explica que cristãos da Gália, da Espanha e da Britânia praticamente não tenham sido
molestados. A perseguição continuou até que Constantino I chegasse ao poder e, em 313, legalizasse a
religião cristã por meio do Édito de Milão, iniciando-se a Paz na Igreja. Entretanto, foi somente com
Teodósio I, no final do século quarto, que o cristianismo se tornaria a religião oficial do Império.

Perseguições na Idade Média e Moderna - Antissemitismo - Os judeus tornaram-se alvo


preferencial de perseguição religiosa ainda antes do fim do Império Romano, mas esta perseguição
recrudesceu durante a Idade Média. Conversões forçadas tornaram-se comuns, por exemplo, na Península
Ibérica, a partir de meados do Século XIV.
Na Índia, há um aumento na quantia de violência perpetrada por Nacionalistas Hindus contra
cristãos, reproduzindo os princípios que assentam os conflitos religiosos: duas crenças distintas. o
aumento da violência anticristã na Índia tem uma relação direta com a ascendência do Partido Bharatiya
Janata (BJP). Incidentes de violência contra os cristãos têm ocorrido em muitas partes da Índia essa
violência é uma expressão de "raiva espontânea" de "vanvasis" contra "conversões forçadas" através de
atividades realizadas pelos missionários.

Perseguições na Idade Contemporânea - Holocausto - A perseguição religiosa atingiu níveis


nunca vistos antes na História durante o século XX, quando os nazistas perseguiram milhões de judeus e
outras etnias indesejadas pelo regime. Esta perseguição em massa usualmente conhecida por Holocausto,
vitimou ainda muitos milhares, não apenas devido à sua raça, mas especificamente em retaliação contra
os seus ideais religiosos e à sua objecção de consciência. O HOLOCAUSTO foi o genocídio ou
assassinato em massa de cerca de seis milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial, no maior
genocídio do século XX, através de um programa sistemático de extermínio étnico patrocinado pelo
Estado nazista, liderado por Adolf Hitler e pelo Partido Nazista e que ocorreu em todo o Terceiro Reich e
nos territórios ocupados pelos alemães durante a guerra. Dos nove milhões de judeus que residiam na
Europa antes do Holocausto, cerca de dois terços foram mortos; mais de um milhão de crianças, dois
milhões de mulheres e três milhões de homens judeus morreram durante o período. Entre as principais
vítimas não-judias do genocídio estão ciganos, poloneses, comunistas, homossexuais, prisioneiros de
guerra soviéticos e deficientes físicos e mentais. Segundo estimativas recentes baseadas em números
obtidos desde a queda da União Soviética em 1989, um total de cerca de 11 milhões de civis
(principalmente eslavos) e prisioneiros de guerra foram intencionalmente mortos pelo regime nazista.
Outro exemplo de perseguição religiosa na idade contemporânea foi a perseguição por parte da
antiga União Soviética que perseguiu vários grupos religiosos, pois eram um estado de jurisdição ateísta.
A perseguição às Testemunhas de Jeová, mesmo em países considerados democráticos, tem
tomado muitas formas distintas, desde a intolerância na família, na escola, no emprego e na sociedade em
geral. Entre 1933 e 1945, as Testemunhas de Jeová sob alçada da Alemanha Nazista foram perseguidas e
sujeitas a prisão e exterminação em campos de concentração. Fado que partilharam, como comunidade
étnica ou religiosa, com judeus, ciganos e homossexuais.

LEI CONTRA O CRISTIANISMO


Lei contra o cristianismo é uma lei imaginária criada por Friedrich Nietzsche e que constitui o
capítulo final de sua obra “O Anticristo”. Por esta lei Nietzsche extingue o cristianismo, para ele uma
crença enferma, baixa e vulgar, que cultua uma das mais corruptas concepções de Deus já existentes,
responsável pelo retrocesso cultural e moral dos homens. A lei encerraria a era cristã e a data de sua
“promulgação”, 30 de setembro de 1888, seria o primeiro dia do Ano Um de uma nova era.
A lei não constava das primeiras edições de “O Anticristo”. O pesquisador da obra de Nietzsche,
E.Podach, foi quem apresentou este e outro texto, perdido entre os manuscritos de outra obra do filósofo,
“Ecce Homo”, que passaram a integrar as edições futuras. Assim, segundo o calendário nietzscheano, em
2015 estamos no ano de 126 da "nova era livre do cristianismo".
Texto da "lei"
Datada do dia da Salvação: primeiro dia do ano Um (em 30 de Setembro de 1888).
Guerra de morte contra o vício: o vício é o cristianismo
Artigo Primeiro – Qualquer espécie de antinatureza é vício. O tipo de homem mais vicioso é o
sacerdote: ele ensina a antinatureza. Contra o sacerdote não há razões: há cadeia.
Artigo Segundo – Qualquer tipo de colaboração a um ofício divino é um atentado contra a moral
pública. Seremos mais ríspidos com protestantes que com católicos, e mais ríspidos com os protestantes
liberais que com os ortodoxos. Quanto mais próximo se está da ciência, maior o crime de ser cristão.
Consequentemente, o maior dos criminosos é filósofo.
Artigo Terceiro – O local amaldiçoado onde o cristianismo chocou seus ovos de basilisco deve ser
demolido e transformado no lugar mais infame da Terra, constituirá motivo de pavor para a posteridade.
Lá devem ser criadas cobras venenosas.
Artigo Quarto – Pregar a castidade é uma incitação pública à antinatureza. Qualquer desprezo à
vida sexual, qualquer tentativa de maculá-la através do conceito de “impureza” é o maior pecado contra o
Espírito Santo da Vida.
Artigo Quinto – Comer na mesma mesa que um padre é proibido: quem o fizer será excomungado
da sociedade honesta. O padre é o nosso chandala (Classe de pessoa mais baixa que escravo)– ele será
proscrito, lhe deixaremos morrer de fome, jogá-lo-emos em qualquer espécie de deserto.
Artigo Sexto – A história “sagrada” será chamada pelo nome que merece: história maldita; as
palavras “Deus”, “salvador”, “redentor”, “santo” serão usadas como insultos, como alcunhas para
criminosos.
Artigo Sétimo – O resto nasce a partir daqui.

DIREITO ADQUIRIDO - As liberdades de expressão e de culto são asseguradas pela


Declaração Universal dos Direitos Humanos e pela Constituição Federal. A religião e a crença de um ser
humano não devem constituir barreiras a fraternais e melhores relações humanas. Todos devem ser
respeitados e tratados de maneira igual perante a lei, independente da orientação religiosa.
O Brasil é um país de Estado Laico, isso significa que não há uma religião oficial brasileira e que
o Estado se mantém neutro e imparcial às diferentes religiões. Desta forma, há uma separação entre
Estado e Igreja; o que, teoricamente, assegura uma governabilidade imune à influência de dogmas
religiosos. Além de separar governo de religião, a Constituição Federal também garante o tratamento
igualitário a todos os seres humanos, quaisquer que sejam suas crenças. Dessa maneira, a liberdade
religiosa está protegida e não deve, de forma alguma, ser desrespeitada.
É importante salientar que a crítica religiosa não é igual à intolerância religiosa. Os direitos de
criticar dogmas e encaminhamentos de uma religião são assegurados pelas liberdades de opinião e
expressão. Todavia, isso deve ser feito de forma que não haja desrespeito e ódio ao grupo religioso a que
é direcionada a crítica. Como há muita influência religiosa na vida político-social brasileira, as críticas às
religiões são comuns. Essas críticas são essenciais ao exercício de debate democrático e devem ser
respeitadas em seus devidos termos.
CASOS DE INTOLERANCIA RELIGIOSA
Direitos Humanos - http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2015-
08/mulcumanos-estao-entre-principais-vitimas-de-intolerancia-religiosa
Muçulmanos estão entre as principais vítimas de intolerância religiosa no Rio
Insultos, cusparadas, pedradas e ameaças de morte são algumas das denúncias de agressões contra
muçulmanos no Rio de Janeiro nos últimos meses.
Depois dos adeptos das religiões de matriz africana, os seguidores do islã são os que mais sofrem
com a intolerância religiosa no estado, segundo o Centro de Promoção da Liberdade Religiosa e Direitos
Humanos da Secretaria de Direitos Humanos e Assistência Social. Desde janeiro, pelo menos uma
denúncia é recebida mensalmente. A estimativa é que haja 2 mil muçulmanos vivendo no Rio.
Os números destoam dos demais estados do Brasil. Apenas cinco denúncias de Islamofobia foram
feitas ao Disque 100 da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. As mulheres, mais
facilmente identificadas nas ruas pelo uso do véu, são as principais vítimas de violência.
A aeromoça Ana Cláudia Mascarenhas, 43 anos, levou um soco de um homem após ser xingada
de terrorista em pleno centro da cidade.
Muçulmanos estão entre as principais vítimas de intolerância religiosa no Rio. A aeromoça Ana
Cláudia Mascarenhas relata casos de agressão em entrevista na Mesquita da Luz (Fernando
Frazão/Agência Brasil)
Muçulmanos estão entre as principais vítimas de intolerância religiosa no Rio. A aeromoça Ana
Cláudia Mascarenhas relata casos de agressão em entrevista na Mesquita da Luz (Fernando
Frazão/Agência Brasil)Fernando Frazão/Agência Brasil
“Fui fazer exame médico e notei que uma pessoa me seguia. Ele parou atrás de mim, começou a
me xingar e a dizer que odiava terroristas. Fiquei quieta, pois não sou terrorista. Quando o sinal abriu, ele
me puxou pelo braço, repetiu que odiava terrorista e me deu um soco no rosto. Saí correndo como louca,
sem olhar para trás. Se às 7h, com toda aquela gente na rua, ele fez isso, não gosto de imaginar o que faria
se eu reagisse ou respondesse”, afirmou Ana Cláudia.
Um dos casos denunciados ao Centro de Promoção da Liberdade Religiosa e Direitos Humanos
foi um trote universitário com uma estudante muçulmana. Colocaram fogo no hijab [véu] da menina, que
acabou tendo o couro cabeludo queimado.
A coordenadora do centro, Lorrama Machado, lamentou que, durante um curso de formação para
peritos criminais da Polícia Civil sobre o tema, um agente tivesse comentado que pessoas como a menina
mereciam morrer.
“A equipe ficou em choque. Por sorte, outros colegas do perito o contestaram e vimos que era uma
posição isolada. Mas esse policial, agora formado, pode um dia ser responsável por analisar um crime
contra um muçulmano”, disse Lorrama. “Que tipo de laudo ele dará com essa opinião sobre muçulmanos?
Por isso é importante informar e conscientizar”, acrescentou.
A Lei 7.716, de 1989, protege fiéis de todas as crenças, prevendo cadeia para quem cometer
crimes de intolerância religiosa. De acordo com o assessor de Comunicação da Sociedade Beneficente
Muçulmana do Rio de Janeiro (SBMRJ), Fernando Celino, muitos policiais não são treinados para
identificar crimes de intolerância religiosa.
Segundo Celino, uma muçulmana que frequentava a mesquita já fez dois boletins de ocorrência
contra o vizinho que a ameaçou de morte mais de uma vez, mas os policiais tratam o caso como briga de
vizinho. "Por isso, o assédio continua. Há muitas delegacias que tipificam um caso desse de forma errada,
como calúnia, injúria ou qualquer outra coisa, sem dar a real importância, tratando como um crime
menor.”

Fernando Celino informou que outro caso de intolerância ocorreu no início do ano, quando um
motorista de ônibus expulsou a passageira, dizendo que não transportava mulher-bomba. Também neste
ano, uma professora de inglês teve o emprego ameaçado por pais de alunos que pediram ao dono do curso
para que a demitisse, pois não queriam "mulher de Bin Laden" dando aulas para os filhos.
“Outra muçulmana foi tema de reunião de condomínio. Os moradores queriam a saída dela e de
sua família do prédio por medo de que escondessem bombas. Somos um estado muito acolhedor quando
o assunto é samba e turismo, mas não aceitamos o novo”, criticou Lorrama. O fato mais recente foi de
apedrejamento, seguido de cusparadas a uma moça em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense.
Muçulmanos estão entre as principais vítimas de intolerância religiosa no Rio. A atendente de
telemarketing Ana Carolina Jimenez relata casos de agressão em entrevista na Mesquita da Luz
(Fernando Frazão/Agência Brasil)
Muçulmanos estão entre as principais vítimas de intolerância religiosa no Rio. A atendente de
telemarketing Ana Carolina Jimenez relata casos de agressão em entrevista na Mesquita da Luz
(Fernando Frazão/Agência Brasil)Fernando Frazão/Agência Brasil
A atendente de telemarketing, Ana Carolinha Jimenez, 22 anos, também passou pela humilhação
de ser atingida por uma cusparada. “Estava no ponto de ônibus. Alguns jovens no ônibus começaram a
falar bobagem e a me xingar. Quando o ônibus partiu, eles cuspiram. Senti uns respingos, limpei e
continuei olhando para frente.”
Se as agressões físicas não são rotina, o desrespeito é diário. “Ouço risadas pelo menos uma vez
por dia. As pessoas apontam, se cutucam. A maioria acha que nem somos brasileiras. A primeira coisa
que falam é: 'volta para seu país'”, disse Ana Cláudia.
De acordo com a coordenadora do centro, mais de 90% das vítimas são brasileiras natas, que se
converteram ao islamismo na idade adulta.
Mercado de trabalho
O preconceito também é um obstáculo para as mulheres no mercado de trabalho. Ana Carolina
passou por cinco entrevistas e em todas a retirada do véu durante o trabalho era pré-condição para a
contratação. “Fiz vários cursos de especialização em secretariado executivo e sou fluente em inglês. As
pessoas gostam do meu currículo, mas querem que eu tire o véu, mesmo eu afirmando que ele não
atrapalha meu desempenho. Para mim, é como seu tivesse de trabalhar de sutiã. O véu não é um acessório
para a cabeça.”
Após mais de 100 currículos distribuídos e um anos depois, ela conseguiu emprego como
assistente de telemarketing. “Para mim, é frustrante, mas sou grata a essa oportunidade, pois estava
precisando.”
Ana Cláudia trabalha sem o véu a contragosto. Como está na empresa há muitos anos e essa é a
principal renda da família, não tem como abdicar do emprego. “A vestimenta faz parte da religião. Até
tentei levar isso adiante, mas sou a única muçulmana na empresa. Saio do avião e coloco o véu. Para mim
é muito difícil.”
Dossiê
As denúncias se intensificaram em 2015, de tal modo que, em julho, o centro encaminou aos
ministérios Públicos federal e estadual um dossiê elaborado pela SBMRJ sobre casos de islamofobia pela
internet. O documento também foi entregue à Polícia Civil e Delegacia de Crimes de Internet e à
Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. A Polícia Civil e o Ministério Público já
começaram a investigar o caso.

No documento, são denunciados páginas e vídeos na internet que atacam a religião islâmica com
inverdades sobre Maomé, principal profeta do Islã. Há fotos de muçulmanos brasileiros, acusados de
terroristas. Ainda segundo o dossiê, a maioria das páginas afirma que o terrorismo é algo intrínseco ao
islã.
Conforme o dossiê, em uma das páginas, a circuncisão é descrita como mutilação imposta pelo
iIslã às mulheres, "quando, na verdade, é recomendada pela religião aos homens". Em outra página, há
uma referência inexistente no Alcorão de que o islã permite o estupro. Segundo a SBMRJ, esse tipo de
iniciativa contribui para que mulheres muçulmanas sejam agredidas.
Coordenador de Diversidade Religiosa do governo federal, Alexandre Brasil Fonseca informou
que o Ministério da Justiça, em pareceria com outros ministérios e órgãos do governo, já se mobilizou
para apurar as denúncias.
“O caso está sendo investigado por um grupo de trabalho de combate a crimes de internet. Como
Estado, é importante garantir essa atividade religiosa, assim como combater as ações de preconceito e
discriminação, que, infelizmente, temos notificado.” Fonseca destacou que cerca de 35 mil pessoas se
declararam seguidores do islamismo no Censo de 2010.
O governo do Rio lançará uma campanha até o fim do ano para combater atos de intolerância e
violência contra muçulmanos. A campanha é fruto de uma articulação entre as secretarias de Direitos
Humanos e Assistência Social e das Mulheres e do Trabalho.
“Prezamos muito a paz, a confraternização e o bom relacionamento com as pessoas, o contrário do
que dizem do islã. Respeitamos todos, mas não somos respeitados”, disse a jovem Ana Carolina.
"Temos uma ótima relação com todas as religiões. E temos um interesse em comum, que é o
direito constitucional à liberdade de crença. Não pedimos nada além disso", concluiu Fernando Celino.

CASO DE INTOLERANCIA RELIGIOSA


Na noite do domingo, 14 de junho, a jovem Kayllane Campos, de 11 anos, foi atingida por uma
pedra na Avenida Meriti, na Vila da Penha, Zona Norte do Rio, quando voltava de um culto de
Candomblé.
Os responsáveis pelo ato foram dois homens, que estavam em um ponto de ônibus na região.
Além de atirarem pedras contra o grupo de religiosos, os homens fizeram vários insultos e fugiram
embarcando em um ônibus. O caso foi registrado como lesão corporal e no artigo 20, da Lei 7716
(praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência
nacional) na 38º DP (Irajá).
No fim daquele mês, a menina foi recebida na sede da OAB pelo ministro da Secretaria de
Direitos Humanos, Pepe Vargas, no Centro do Rio.aa fez um pedido pela ação do poder público. Com
mais de 35 mil assinaturas, o documento pede uma campanha para promover a liberdade religiosa.
RJ registra mil casos de intolerância religiosa em 2 anos e meio - http://g1.globo.com/rio-de-
janeiro/noticia/2015/08/rj-registra-mil-casos-de-intolerancia-religiosa-em-2-anos-e-meio.html
Números constam de relatório apresentado em audiência pública na Alerj.
Deputado pede implantação de delegacia especializada criada em 2011.
Centro de Promoção da Liberdade Religiosa & Direitos Humanos (Ceplir), ligado à Secretaria de
Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, recebeu em dois anos e meio quase mil denúncias de
casos de intolerância religiosa. Os números constam de um relatório apresentado em audiência pública na
Assembleia Legislativa do Rio de janeiro (Alerj) na terça-feira (18). Entre julho de 2012 e dezembro de
2014, foram registradas 948 queixas, 71% delas sobre intolerância contra religiões, mostra o relatório.
Criado em 2012 e coordenado pela Superintendência de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos
da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, o Ceplir tem como objetivo defender e
garantir os direitos humanos e de expressão da liberdade de crença e filosofia de indivíduos e instituições
religiosas e comunidades tradicionais.
O presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj, deputado
Marcelo Freixo (PSOL), informou que vai pedir ao presidente da Casa, deputado Jorge Picciani (PMDB),
a implantação da Lei 5.931/11, que criou a Delegacia de Combate aos Crimes Raciais e Intolerância.
"O grande desejo dos representantes das religiões diversas é a criação dessa delegacia
especializada. Os crimes de ódio, que assistimos diariamente no Rio, merecem que essa demanda seja
atendida", disse o parlamentar.
Já o presidente da Comissão de Combate às Discriminações e ao Preconceito da Alerj, e autor da
lei de 2011 que cria a delegacia especializada, o deputado Átila Nunes (PSL), disse que quase todo mês
um ou dois casos de intolerância são registrados.
"Temos um pequeno estado islâmico encravado no Rio de Janeiro", disse.
Segundo o presidente da Comissão de Combate a Intolerância Religiosa (CCIR), Ivanir dos
Santos, até janeiro de 2016 a comissão vai finalizar um relatório, com o objetivo de fazer uma denúncia
internacional.
"Vamos condensar um documento com depoimentos para fazer uma denúncia sobre intolerância
religiosa às cortes internacionais. Os casos persistem e crescem na sociedade brasileira e o que nos chama
a atenção é a morosidade da investigação desses episódios. Há má vontade em olhar esses casos como
crime", disse Ivanir dos Santos.
“Temos um pequeno estado islâmico encravado no Rio de Janeiro" Átila Nunes
A mãe de santo Káthia Marinho, avó da menina Kayllane Campos, de 11 anos, apedrejada em
junho, ao sair de um culto de candomblé, afirmou que os agressores ainda não foram identificados:
"Enquanto não forem punidos, a violência não vai parar".
Já a professora de português Denise Bonfim, que é muçulmana, disse que foi ameaçada de morte
na mesma rua onde Kayllane foi agredida.
"Estava usando o Hijab (véu islâmico) e disseram que iam me matar. Fiquei com muito medo e
passei vários meses sem usar o véu e sem entender o motivo de tamanha intolerância", lamentou.
Para o representante da Associação Beneficente Muçulmana, Sami Isbelle, os casos de violência
no exterior acabaram influenciando o aumento da intolerância no Brasil.
"Sofremos muitas agressões pela internet, e as mulheres são muito discriminadas no mercado de
trabalho, principalmente por causa das suas vestimentas", disse.
A presidente do Conselho de Igrejas Cristãs do Rio (Conic), Lusmarina Campos Garcia, diz que
“é importante que ter consciência de que esses casos não são isolados e que isso precisa ser enfrentado”.

CASO DE INTOLERANCIA RELIGIOSA


Aluno é barrado em escola municipal do Rio por usar guias do candomblé
http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/09/aluno-e-barrado-em-escola-municipal-do-rio-
por-usar-guias-do-candomble.html
'Ele foi muito humilhado', disse a mãe sobre o ocorrido no dia 25 de agosto.
Jovem caracterizou o episódio como discriminação e mudou de escola.
A rotina de ir à escola virou motivo de constrangimento para um aluno que estava se iniciando no
candomblé. Aos 12 anos, o estudante da quarta série do ensino fundamental Escola Municipal Francisco
Campos, no Grajaú, na Zona Norte do Rio, foi barrado pela diretora da instituição por usar bermudas
brancas e guias por baixo do uniforme, segundo a família. A denúncia foi publicada nesta terça-feira (2)
pelo jornal "O Dia".
“Antes de ele entrar para o candomblé, eu avisei para a professora e ela logo disse que ele não
entraria no colégio. Eu expliquei que ele teria que usar branco e as guias, mas ela não aceitou”, contou
indignada a mãe do estudante ao G1, Rita de Cássia.
O G1 entrou em contato com a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Educação e até
o horário de publicação desta reportagem não obteve resposta.
No dia 25 de agosto, depois quase um mês sem ir à escola, o jovem tentou voltar. “Eu levei o meu
filho e, na porta da escola, ela [diretora] não viu que eu estava atrás e colocou a mão no peito dele e disse:
‘Aqui você não entra’. E eu expliquei que ele teria que usar as guias e o branco por três meses e aí ela
respondeu: ‘O problema é seu’”, disse Rita de Cássia.
Rita ressaltou que o filho de sentiu humilhado diante dos amigos do colégio e chorou muito. “Se
ela estivesse esperado todo mundo entrar e me chamasse no canto para tentar encontrar uma forma para
colocar ele pra dentro seria uma coisa. Mas, não. Ela barrou ele na frente de todo mundo. Eu discuti, falei
palavrão feio pra ela, eu admito, mas ela não poderia ter feito isso com ele. Ele foi muito humilhado”,
afirmou a mãe.
O jovem de 12 anos foi definido pela mãe como uma criança determinada. Apesar do
constrangimento, Rita contou que o filho em momento algum pensou em abrir mão dos ideais do
candomblé.
“A escolha de entrar para o candomblé foi dele. Ele sabe o que quer, é muito firme nas decisões.
Por nada ele larga a religião dele. Quando aconteceu isso tudo ele disse: ‘Se eu fosse muçulmano ou
qualquer outra coisa eu deveria ser respeitado, isso é discriminação’”, lembrou a mãe.
Segundo Rita, o jovem caminhou até em casa de cabeça baixa, teve febre e perdeu o interesse de
retornar à escola. “Se o meu filho estivesse com drogas, se tivesse arma tenho certeza que eles iam tampar
os olhos”, reclamou.
Depois de quatro dias do episódio, ele foi transferido para a Escola Municipal Panamá, também no
Grajaú, onde foi bem recebido pela diretoria, professores e estudantes.
“Depois que eu fui lá para pedir a transferência a diretora disse que não gostaria que eu levasse ele
porque ele era um ótimo aluno. Mas o que ela não poderia era ter feito meu filho passar vergonha. Depois
que ele foi tão humilhado, meu filho foi muito bem aceito na escola nova. Todo mundo me apoiou. Pra
quem é mãe é muito difícil ver um filho sofrendo esse preconceito”, disse emocionada Rita de Cássia.