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História e Origem da Literatura

A história da literatura procura entender todas as modificações que a produção literária


passou ao longo da evolução da sociedade.
Para este estudo, a análise e compreensão dos textos literários são muito importantes,
pois nos ajudam a entender melhor o contexto histórico em que o texto foi escrito.
Quando estudamos a história ou origem da literatura deparamos com um conceito: o de
estilos literários ou estilos de época.
- Estilos de época: é o nome dado conjunto de obras escritas em uma determinada época.
O critério usado para dividir os estilos de época varia muito: às vezes, o autor publica uma
obra revolucionária e ela acaba se tornando o marco inicial de um determinado período,
outras vezes um fato histórico influencia uma infinidade de obras que darão origem a um
determinado movimento literário.
É importante ressaltar que as datas estabelecidas para um determinado período não são
tão rigorosas quanto parecem, são apenas recursos didáticos usados para facilitar o
estudo, já que é quase impossível estabelecer precisamente quando iniciou ou terminou
um período.
Também é bom sabermos que um estilo de época não “morre” por completo e que a
passagem de um estilo para outro não é tão rápida assim.
Muitas idéias adotadas em um período podem ser aproveitadas por outros estilos
literários que fazem uma releitura ou uma reinterpretação de textos já escritos.
A Literatura busca influência nela mesma para sempre ter a possibilidade de abrir novos
caminhos e novas idéias.
É por esta razão que o entendimento correto sobre cada estilo é tão importante, pois
através dessa compreensão temos uma visão geral da Literatura e da sociedade que a
produziu.
PERÍODOS LITERÁRIOS NO BRASIL
Dividido em dois momentos:
- Literatura do período colonial (Literatura de Informação, Barroco e Arcadismo – 1500
até 1822)
Nesse período ocorreram várias manifestações literárias de um grupo composto por
alguns escritores que copiavam os padrões e tendências de Portugal.
- Literatura do período nacional ( Romantismo, Realismo – Naturalismo, Parnasianismo,
Simbolismo, Pré-Modernismo, Modernismo, Pós-Modernismo – da Independência até os
dias de hoje).
Todos os acontecimentos históricos e marcantes da história do Brasil contribuíram para
fortalecer os movimentos literários. O público cresceu e com isso estimulou os escritores a
melhorar cada vez mais suas obras.
PERÍODOS LITERÁRIOS EM PORTUGAL
- ERA MEDIEVAL (Trovadorismo e Humanismo)
- Trovadorismo: poemas feitos para serem cantados, são as cantigas (de amor, amigo,
escárnio e maldizer)
- AMOR (eu-lírico masculino)
- Exaltação das qualidades da dama
- Sofrimento amoroso
- Ambiente aristocrático
- AMIGO (eu-lírico feminino)
- Ambientação rural
- Linguagem e estrutura simples
- Fala do amor da mulher pelo seu amigo
- ESCÁRNIO E MALDIZER
- Crítica aos membros da sociedade
- Jogos de palavras e ironias
- Abordavam temas como escândalos, sexo, falsa religiosidade
OBS: Na cantiga de escárnio o nome da pessoa era ocultado, na de maldizer a crítica era
direta e a vítima tinha seu nome revelado.
Humanismo: Valorização do homem.
- ERA CLÁSSICA (Classicismo, Barroco e Arcadismo)
Classicismo: Teve em Camões o seu maior representante.
Barroco: Textos ricos com profunda elaboração formal.
Arcadismo:
- Textos bucólicos,
- Valorização do homem,
- Linguagem simples,
- Imitação dos modelos da literatura da Antigüidade Clássica e do Renascimento.
- ERA MODERNA (Romantismo, Realismo-Naturalismo, Simbolismo, Modernismo)
Romantismo
liberdade de expressão e de pensamento,
tentativa de buscar soluções para os problemas sociais
etc.
Realismo: “O Crime do Padre Amaro” e “O Primo Basílio” de Eça de Queirós foram duas
obras importantes que ajudaram a divulgar o realismo no Brasil.
Simbolismo: Marco inicial do Simbolismo em Portugal foi a publicação do livro de poesias
“Oaristos” de Eugênio de Castro, em 1890.

Exercicios:
1 - O mais antigo documento da literatura portuguesa data de:
a. ( ) 1139 b. ( ) 1128
c. ( ) fins do século XII d. ( ) fins do século XI
2. O autor do mais antigo documento da literatura portuguesa é:
a. ( ) D. Dinis b. ( ) Fernão Lopes
c. ( ) D. Afonso Henriques d. ( ) Paio Soares de Taveirós
3. Uma das diferenças fundamentais entre as cantigas de amor e as de amigo é:
a. ( ) a autoria b. ( ) o eu-lírico
c. ( ) a língua em que eram escritas d. ( ) o caráter épico
4. Assinale a alternativa correta:
a. ( ) não houve prosa no período trovadoresco
b. ( ) a prosa, no período trovadoresco, sofreu a influência provençal
c. ( ) a prosa do período trovadoresco era exclusivamente histórica
d. ( ) a prosa do período trovadoresco era literalmente inferior à poesia do mesmo período.
5. A confissão da “coita d’amor”, amor respeitoso e platônico, vassalagem amorosa a uma
dama inacessível são características das:
a. ( ) cantigas de amor b. ( ) cantigas de amigo
c. ( ) cantigas de escárnio d. ( ) cantigas de maldizer
6. A poesia, na Idade Média:
a. ( ) era independente da música
b. ( ) confundia-se com a prosa, pelo primitivismo da língua e dos recursos técnicos
c. ( ) era acompanhada de música
d. ( ) originou-se das antigas canções de gesta
7. “Estes meus olhos nunca perderán,
Senhor, gran coita, mentr’eu vivo for,
E direi-vos, fremosa mia senhor,
Destes meus olhos a coita que hán:
Choran e cegan quando’alguen non veem
E ora cegam por alguem que veem.
O texto acima é um(a):
a. ( ) soneto b. ( ) cantiga de amor
c. ( ) cantiga de amigo d. ( ) cantiga satírica
8. Refrão e paralelismo são recursos mais frequentemente encontrados:
a. ( ) nas cantigas de amor b. ( ) nas cantigas de amigo
c. ( ) nas cantigas de amor e de amigo c. ( ) nas cantigas de mestria
9. Dá-se o nome de “tenção” às cantigas de:
a. ( ) amor b. ( ) amigo c. ( ) mestria d. ( ) dialogadas
10. A chamada Época Provençal da literatura portuguesa caracterizou-se pelo fato de os:
a. ( ) escritores portugueses escreverem no dialeto provençal.
b. ( ) trovadores portugueses, independente do cunha nacional que imprimiam às suas
cantigas, imitarem o trovadorismo de Provença.
c. ( ) trovadores portugueses falarem, em suas cantigas, da vida cortesã de Provença.
d. ( ) poetas portugueses traduzirem e cantarem as cantigas provençais.
11. “Ai, flores, ai flores do verde ramo
se sabedes (sabeis) novas do meu amado?
Ai, Deus, e u (onde) é (está)?”
Baseado nas características do período literário a que pertence o texto acima, escreva as
palavras que completam as lacunas da frase abaixo:
Os versos pertencem a uma cantiga de (a) ____________, característica do (b)
______________ português, estética literária dos séculos XII, XIII e XIV.
12. Assinale 1 para as cantigas de amigo; 2 para as cantigas de amor; 3 para as cantigas de
escárnio:
a. ( ) “Senhor fremosa (formosa), pois me non queredes
creer a coita (dor) en que me ten amor,
por meu mal é que que tan ben parecedes
e por meu mal vos filhei (tomei) por senhor”
b. ( ) “Ai dona fea! foste-vos queixar
porque vos nunca loei (louvei) em meu trobar (cantar)
mais ora quero fazer un cantar
em que vos loarei (louvarei) toda via
e vedes como vos quero loar:
dona fea, velha e sandia!” (louca)
c. ( ) “Bailemos nós já todas três, ai amigas,
so (sob) aquestas avelaneiras frolidas (floridas)
e quen for velida (bela), como nós, velidas (belas)
se amigo amar,
so aquestas avelaneiras frolidas
verrá (virá) bailar”
13. “Coube ao século XIX a descoberta surpreendente da nossa primeira época lírica. Em
1904, com a edição crítica e comentada do Cancioneiro da Ajuda, por Carolina Michaelis de
Vasconcelos, tivemos a primeira grande visão de conjunto do valiosíssimo espólio
descoberto.” (Costa Pimpão).
A afirmativa se refere a uma época literária. Responda:
a) qual é essa “primeira época lírica” portuguesa?_________________
b) que tipos de composições poéticas se cultivavam nessa época?
14. Assinale a alternativa INCORRETA a respeito do Trovadorismo em Portugal:
a. ( ) Durante o Trovadorismo, ocorreu a separação entre a poesia e a música.
b. ( ) Muitas cantigas trovadorescas foram reunidas em livros ou coletâne-as que receberam o
nome de cancioneiros.
c. ( ) Nas cantigas de amor há o reflexo do relacionamento entre senhor e vassalo na
sociedade feudal: distância e extrema submissão.
d. ( ) Nas cantigas de amigo, o trovador (sempre um homem) escreve o poema assumindo o
papel feminino.
15. Assinale a alternativa INCORRETA sobre as cantigas de amor:
a. ( ) Apresentam forte influência provençal e eu-lírico feminino.
b. ( ) Têm uma linguagem mais sofisticada que as cantigas de amigo.
c. ( ) Seu tema é o sofrimento amoroso ocasionado, em geral, pela diferença social existente
entre o trovador e a amada.
d. ( ) A mulher amada, ou ignora a paixão do trovador ou está ciente dela e a despreza.
16. Qual a obra literária considerada o marco inicial do período trovadoresco em Portugal?
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Contexto Histórico do Trovadorismo


Principais acontecimentos históricos de Portugal e do Mundo Conhecido

Ano Acontecimento histórico


1308 Fundação da Universidade de Coimbra
1415 Conquista de Ceuta
1420 Início da expansão marítima: descoberta da
Ilha da Madeira

O Trovadorismo ou Época Provençal – primeira época literária da língua portuguesa


– estendeu-se de 1198 (data do mais antigo documento literário português, a cantiga A
Ribeirinha, dedicada pelo autor Paio Soares de Taveirós, à dona Maria Pais Ribeiro,
amante do rei D. Sancho I) a 1418, cerca de 220 anos, quando Fernão Lopes foi
nomeado guarda-mor da Torre do Tombo, que era o arquivo histórico de Portugal.

Essas datas nos mostram que o início da literatura portuguesa está bem próximo da
Independência de Portugal, conquistada em 1128, mas reconhecida por Castela
apenas em 1143.

Historicamente, é um período marcado por lutas contra os árabes, cuja expulsão


definitiva se deu no século XIII. Como em qualquer outro período, a literatura vai
apresentar características que, direta ou indiretamente, refletem a sociedade da época.
Apesar de Portugal não ter conhecido as formas ortodoxas do feudalismo econômico,
muitos dos relacionamentos sociais documentados na literatura da época, são
tipicamente feudais. É também marcante, na cultura portuguesa desse período, a
influência da Igreja Católica, que marcou profundamente a forma de encarar o mundo.
A esta postura perante o mundo, fundada na ideia de que Deus é o centro do Universo,
dá-se o nome de Teocentrismo, característica importante da cultura medieval, que
aparece em várias de suas manifestações. O teocentrismo está muito bem caracterizado
no texto abaixo de Hernani Cidade, contido na obra O Conceito de Poesia como
expressão de cultura.

“Um movimento como o das Cruzadas – que procurava sublimar, na guerra contra o
infiel, as grandezas e misérias da combatividade e da ganância; uma criação como a
catedral gótica ou como a Divina Comédia, de Dante (século XIII), que erguiam à
morada de um Deus pessoal, de presença vivamente sentida, os próprios anseios que
partiam das profundezas torvas das almas, tal como as agulhas e flechas se erguiam
dos subterrâneos das fundações; uma obra de pensamento como a Summa Theologica,
que era, na ordem do saber, como na ordem do poder, a teocracia de Gregório Magno,
a tentativa e o esforço de tudo subordinado a Deus – interesses da inteligência tanto
como da vontade – e tudo coroado pela Imitação de Cristo, alto voo místico, que fecha,
no século XV, na ordem da inteligência, a ascese que na ordem da ação o
franciscanismo realizara – eis os aspectos que definem a Idade Média como a idade do
que podemos chamar de Teocentrismo.”

(Curso Abril Vestibular, Fascículo 1, 1ª. Edição)

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Origens e influências no trovadorismo português

O Trovadorismo também conhecido como Época Provençal, tem esse nome em razão de
que na região sul da França, conhecida como Provença, foi desenvolvido entre os
séculos XI e XIII, a arte dos trovadores. Nessa época, os cavaleiros permaneciam mais
tempo em suas casas, a vida nos castelos já tinha uma organização intensa, seus salões
eram um polo fundamental de convívio e as mulheres começaram a adquirir uma
posição importante dentro dessa organização, especialmente no sul da França.

No que tange à literatura, a França teve dois polos que emanaram influências
importantes para o mundo literário da época: ambos desprezavam o Latim como meio
de expressão e ambos refletiram diferentes aspectos do mundo medieval. A Região
Norte da França produziu uma literatura épica, de caráter guerreiro e individualista, em
que a mulher exercia uma função secundária: são os trouvères com sua épica. Na
Região Sul da França, onde o feudalismo levou mais tempo para se diluir, surgiu uma
lírica sofisticada, da qual o amor e a mulher eram os temas centrais: são os troubadours
(trovadores) com sua lírica. Foi a partir dessa duplicidade que a literatura europeia se
expandiu.

Apesar de o lirismo trovadoresco ter declinado na França a partir do século XIII – com
as intervenções da Igreja Católica, que passou a impor o culto à Virgem Maria como
tema aos trovadores – sua influência já era percebida em toda a Europa, cujos países
souberam incorporá-la às suas próprias tradições. Foi o que aconteceu em Portugal.
Dentre os fatores que concorreram para a influência provençal na Literatura Portuguesa
temos:

 casamentos entre reis lusitanos e mulheres nobres do sul da França;


 um dos reis de Portugal, D. Afonso III, viveu vários anos na França e quando
retornou a Portugal trouxe na sua comitiva, trovadores provençais e um padre
para cuidar da educação de seu filho, D. Dinis, este que foi um dos maiores
trovadores lusitanos.
 o comércio, os movimentos militares, os menestréis (que se apresentavam em
praça pública)
 a criação de bispados na Península Ibérica e as Cruzadas

A civilização provençal era muita mais requintada que a portuguesa. Daí ser a
responsável por uma certa aristocratização da poesia portuguesa, que era muito mais
visível nas cantigas de amor. As cantigas portuguesas eram transmitidas oralmente. Mas
num determinado momento da história de Portugal, um rei mandou copiá-las em livro.
Tais livros chamam-se Cancioneiros. Graças a eles é que hoje podemos ter
conhecimento do que estamos informando aqui. Os mais importantes Cancioneiros são:
da Ajuda, da Biblioteca Nacional e da Vaticana.

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Características do Trovadorismos. A poesia trovadoresca.

O Trovadorismo é um movimento de caráter exclusivamente poético. As composições


líricas desse período são chamadas de cantigas porque eram efetivamente cantadas com
acompanhamento de instrumentos musicais que incluíam violas de arco, flautas,
alaúdes, pandeiros. Os que cultivavam esse tipo de poesia eram chamados
genericamente de trovadores, embora houvesse diferença entre os autores e intérpretes
dessas cantigas. Os trovadores eram aqueles compositores que tinham origem nobre e
que efetivamente compunham as cantigas; os jograis não eram fidalgos e cantavam
composições próprias ou alheias em troca de pagamento (eis aí a origem dos cantores de
rádio e televisão do século XX!); os segréis eram os jograis da Corte.

A literatura trovadoresca portuguesa é composta por poesia e prosa, mas a mais


importante manifestação literária dessa época é a poesia representada pelas cantigas
líricas – as de amor e de amigo; e cantigas satíricas – as de escárnio e maldizer.

1. Cantigas líricas: cantigas de amigo.

Muitas das cantigas de amigo portuguesas são anônimas e várias delas se perderam no
tempo, por causa da sua origem oral e popular e a despreocupação inicial em fixá-las
pela escrita. A influência provençal fez a tradição popular chegar aos palácios, de modo
que os trovadores passaram a compor também as cantigas de amigo.

As cantigas de amigo são poemas líricos que contém a confissão de uma moça do povo,
cujo sofrimento amoroso é causado pela ausência ou abandono do “amigo”, isto é, do
namorado ou do amante. Expressam um amor mais sensual, mais vivo, talvez pelo
contacto com a natureza, cenário da maioria dessas cantigas.
Apesar de expressarem o sofrimento amoroso da mulher, esses poemas foram escritos
por homens que apresentam o eu-lírico feminino: o trovador assume o papel da mulher.
Cabe aqui lembrar que o autor das cantigas sempre era um homem, pois as mulheres
não tinham o direito de aprender a ler e escrever. Não há registro efetivo de nenhuma
cantiga de amigo composta por mulheres.

É importante que se compreenda o conceito do “eu-lírico”. O eu-lírico é a pessoa que


fala nos poemas líricos. Não é, necessariamente, autobiográfico. É tão ficção quanto os
personagens criados por um romancista. Assim podemos dizer que, nas cantigas de
amigo, o eu-lírico é feminino, enquanto que o autor é masculino.

O “amigo” a que se refere as composições é, na verdade, o namorado ou o amante.


Várias dessas cantigas eram cantadas em festas, comemorações e rituais ligados à
chegada da primavera. Por isso sua ligação com a dança e a música era mais efetiva do
que nas cantigas de amor.

As cantigas de amigo apresentam três possibilidades de ambiente e roteiro:

a) cantigas de inspiração campestre relatando o encontro entre namorados numa fonte;


ou a moça lamentando a ausência do amado que partiu para a guerra e não deu mais
notícias ou que desapareceu sem cumprir as promessas feitas.

b) Cantigas em que a moça aguarda o namorado que vem pedir sua mão em casamento.
Muitas vezes a moça se revela esperta, consciente da sua capacidade de seduzir e de
provocar ciúmes.

c) Cantigas já adaptadas ao ambiente da Corte, nas quais o trovador, assumindo o papel


da mulher, procura expressar o que ele supõe ser o lamento dela pela ausência do
amado.

A vida cotidiana, a saudade do amigo que partiu para a guerra, o ciúme, a indignação, a
vaidade de se saber bela, encontros fortuitos, bailes, festas, o colorido do mundo
medieval português podem ser identificados nessas cantigas. Elas possuem uma tal
beleza que permite ao leitor entrever os sentimentos que as motivaram. Na maior parte
das vezes, a mulher não se dirige diretamente ao homem amado – adota uma confidente
que pode ser a amiga, a irmã, a mãe ou um elemento da natureza. Veja o exemplo
abaixo:

“Ondas do mar de Vigo1,


se viste meu amigo?
E ai Deus se verrá cedo!2

Ondas do mar levado3,


se viste meu amado?
E ai Deus se verrá cedo!
Se viste meu amigo,
o por que eu sospiro?4
E ai Deus se verrá cedo!

Se viste meu amado,


por que ei gran coidado?5
E ai Deus se verrá cedo!

(Martim Codax. In: Torres, Alexandre Pinheiro, Antologia da poesia portuguesa. Porto:
Lello & Irmão, 1977)

Vocabulário

1 – Vigo: praia da região da Galiza, norte do Rio Minho

2 – se verrá cedo: ele virá logo

3 – mar levado: mar agitado

4 – o por que eu sospiro: por quem eu suspiro

5 – por que ei gran coitado: por quem eu tenho muito carinho, cuidado

2. CANTIGAS LÍRICAS: Cantigas de amor

Embora Portugal não tenha tido um feudalismo na mais pura expressão da palavra, as
cantigas de amor lusitanas refletiam a estrutura da sociedade feudal por causa da
influência provençal. A submissão do vassalo (criado, servidor) ao seu senhor (nobre,
dono das terras onde morava o vassalo) é transferida para o mundo das relações
amorosas, e o mandamento número um do trovador é a fidelidade e submissão absoluta
a sua musa.

As cantigas de amor contêm a confissão do sofrimento (coita) do trovador, que padece


por amar uma dama (senhor) inascessível. Sofre pela impossibilidade de ver realizado o
seu desejo de amor, já que a dama pertence a uma classe social superior a dele – ela é
esposa ou filha de um nobre; ele, um servo. Tal inacessibilidade da mulher, em parte,
representa o profundo distanciamento que, na Idade Média, existia entre as classes
sociais. O amor que o poeta expressa é sempre platônico e respeitoso. O trovador
reitera a promessa de servir, honrar, respeitar e nunca revelar a identidade da sua
amada.

Ora, sabemos que esse tipo de poesia saiu dos palácios, foi feita principalmente por
nobres e a impossibilidade do trovador ter o seu desejo realizado ocorreria apenas em
tese. Trata-se, portanto de um fingimento poético.
Um tema frequente é o panegírico impossível ou elogio impossível: a mulher amada é a
mais bela de todas; é um ser divino. Mas ela é indiferente aos sentimentos do poeta. Ela
não os conhece e, se sabe da existência deles, os despreza. É chamada de dame sans
merci (dama sem piedade, sem compaixão). Esse amor impossível e inevitável faz com
que o eu-lírico sofra por tornar-se prisioneiro desse sentimento e maldiga o dia de seu
próprio nascimento.

As cantigas de amor apresentam uma linguagem mais erudita e sofisticada do que as de


amigo. Sua estrutura é menos repetitiva, podendo apresentar ou não um refrão. O uso da
palavra “senhor” (no masculino) nessas composições indicava a origem nobre da dama.
Nessa época, era usada tanto para o homem como para a mulher, pois a palavra ainda
não tinha ganho a terminação “a” para indicar o gênero feminino.

Abaixo apresentamos um fragmento da Cantiga da Ribeirinha, exemplo de cantiga de


amor:

“No mundo non me sei parelha1


mentre2 me for como me vai
cá3 já moiro4 por vós – e ai!
mia Senhor branca e vermelha5
queredes que vos retraia6
quando enton vos vi em saia!7
Mau dia me levantei,
Que8 vos enton non vi fea!
E, mia Senhor, des aque’di’ai!
me foi a mi mui mal;
E vós filha de Dom Paay
Moniz, e bem vos semelha(9)
d’haver eu por vos guarvaia(10)
pois eu, mia Senhor, d’alfaia
nunca de vos houve nen hei
valia d’uma correia(11) (Paio Soares de Taveirós)

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Vocabulário

1 – non me sei parelha: não sei de coisa semelhante


2 – mentre: enquanto
3 – cá: porque
4 – moiro: morro
5 – branca e vermelha: branca e com as faces rosadas
6 – queredes que vos retraia: quereis que vos retrate
7 – em saia: em roupas íntimas ou sem manto
8 – que: pois
9 – semelha: parece
10 – d’haver eu por vos guarvaia: que eu deva receber, por vosso intermédio, um traje de luxo
11 – valia d’uma correia: qualquer coisa de pouco valor

3. CANTIGAS SATÍRICAS: Cantigas de escárnio e de maldizer

São poemas satíricos que usam a sátira indireta (cantigas de escárnio), ora a sátira
direta (cantigas de maldizer). Pelo seu caráter circunstancial, as cantigas satíricas são
consideradas inferiores às líricas, apesar de documentarem, através da ironia, os
costumes da sociedade da época.

As cantigas satíricas revelam o mundo boêmio e marginal dos jograis, fidalgos,


bailarinas; enfim, dos artistas da corte, aos quais se misturavam religiosos e até mesmo
reis. Um mundo com um código de ética próprio, que admitia certa liberdade de hábitos
e costumes não partilhada pela sociedade em geral.

Com a finalidade de fazer críticas mordazes e com humor, muitos eram os temas das
cantigas satíricas: os costumes, principalmente do clero; a covardia; a decadência de
alguns nobres; os vilãos (aqui se referem às pessoas que moravam nas vilas medievais);
o adultério das damas; os homens sovinas; os pobres que viviam de aparência; as
mulheres feias; os beberrões.

As cantigas de escárnio são aquelas que fazem a crítica indiretamente, de forma sutil,
sem indicar o nome da pessoa satirizada, lançando mão de uma linguagem mais velada,
que muitas vezes admite duplo sentido, sem deixar de lado o aspecto humorístico.

As cantigas de maldizer fazem a crítica rude, direta, mencionando o nome da pessoa


criticada, usando palavrões e, muitas vezes, enveredando pela obscenidade. Sua
linguagem é chula e não se utiliza de ambiguidade.

Exemplo de cantiga de escárnio:

I. Se um rapaz e uma donzela,


Ficassem juntos na mesma cela…
Ó casal abençoado!
O amor tempera
Anima o noivado:
O tédio se oblitera.
II. Brincam juntos num só gesto
De bocas, pernas e o resto!
Ó casal abençoado…
Exemplo da cantiga de maldizer:
Eu sou o abade de Cocanha
E o meu capítulo são monges beberrões
E meu conselho é a confraria dos jogadores,
E quem me procurar na taberna ao cantar do galo,
Sairá de noite, liso e sem roupa,
E cantará, despido, o seguinte lamento:
Socorro! Socorro!
Quanto azar, dados malditos!
Estamos fritos,
Pobres e aflitos!

(Maurice van Woensel. Carmina Burana. Apresentação de Segismundo Spina, São


Paulo, Ars Poetica, 1994)

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Exercícios:

Os textos abaixo são de cantigas medievais e foram adaptados para o português atual.
Identifique cada uma de acordo com as características das cantigas de amor, de amigo,
de escárnio ou de maldizer.

a) A dona que eu sirvo e que muito adoro


mostrai-ma, ai Deus! pois eu vos imploro
se não, dai-me a morte. (Bernardo de Bonaval)
b) Trovas não fazeis como provençal
mas como Bernardo, o de Bonaval.
O vosso trovar não é natural.
Ai de vós, com ele e o Demo aprendestes.
Em trovardes mal, vejo eu o sinal
das loucas ideias em que empreendestes.
Por isso, D. Pero, em Vila-Real,
Fatal foi a hora em que tanto bebestes. (D. Afonso X, o Sábio)
c) Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado?
Ai, Deus, onde ele está? (D. Dinis)
d) Ai, dona feia, foste-vos queixar
de que nunca vos louvei em meu trovar;
e umas trovas vos quero dedicar
em que louvada de toda maneira sereis;
tal é o meu louvar:
dona feia, velha e sandia! (João Garcia de Guilhade)

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SÍNTESE DAS CARACTERÍSTICAS DAS CANTIGAS TROVADORESCAS

Cantigas de Cantigas de Cantigas de Cantigas de


amor amigo escárnio maldizer
O trovador O trovador
assume o eu- assume o eu-
lírico lírico
masculino: é feminino: é a
o homem mulher quem
quem fala. fala.
O objeto é O objeto é o Os objetos O objeto são
sempre uma ami-go: são pessoas, pessoas,
dama, “se- namorado ou costu-mes e costumes e
nhor”. amante. aconteci- acontecimentos
mentos sem com
reve-lação da identificação
identida-de da pessoa
da pessoa envol-vida
en-volvida
O objeto é O objeto é Censura Censura e
idealizado caracterizado indireta aos ridicularização
pelas suas pelas su-as vícios ou direta à
qualidades qualidades defeitos, defeitos e
físicas, ne-gativas: através de vícios.
morais e mentiroso, ironia e
sociais: traidor, sarcarmos.
beleza, desleal.
bondade,
lealdade,
conheci-
mento social.
Expressa Expressa os Utiliza Utiliza
sentimentos sentimentos linguagem linguagem
de dor e femininos de bem popular, grosseira, de
mágoa por saudades com duplo sentido direto
amar uma pela ausência sentido e e, às vezes,
mulher do amigo o humorístico. obsceno.
inascessícel. namorado ou
amante.
O cenário é a O cenário é o
na-tureza e a campo, o
corte mar e a casa
Sua origem é Teve origem
pro-vençal. na Península
Ibérica.

Os principais recursos poéticos empregados pelos trovadores são:

Refrão – o mesmo que estribilho, ou seja, a repetição de um ou mais versos em cada


estrofe.

Paralelismo – repetição de uma ideia já expressa numa estrofe anterior, com pequenas
alterações de palavras.

Tenções – cantigas em forma de diálogo

Contexto histórico

1ª Época Medieval

Trovadorismo: corresponde à primeira fase da história de Portugal e está intimamente


ligado à formação do país como reino independente.

O conjunto de suas manifestações literárias reúne os poemas feitos por trovadores para
serem cantados em feiras, festas e castelos nos últimos séculos da Idade Média.

Poesia trovadoresca: pode ser dividida em dois gêneros: lírico e satírico. O gênero
lírico se subdivide em duas categorias (cantigas de amigo e cantigas de amor) e o
satírico é caracterizado pelas cantigas de escárnio e cantigas de maldizer.

Com o que ficar atento? Dicas para o vestibular:

Cantigas de amor: o trovador assume um eu-lírico masculino e se dirige à mulher


amada como uma figura idealizada e distante. Ele se coloca na posição de fiel vassalo, a
serviço de sua senhora - a dama da corte -, fazendo desse amor um objeto de sonho,
distante e impossível.

Cantigas de amigo: têm origem popular, eu-lírico feminino e marcas evidentes da


literatura oral (reiterações, paralelismo, refrão e estribilho). Esses recursos, típicos dos
textos orais, facilitam a memorização e execução das cantigas.

Cantiga de escárnio: são composições em que se critica alguém através da zombaria


do sarcasmo. Trazem sátiras indiretas por encobrir a agressividade através do equívoco
e da ambiguidade.

Cantigas de maldizer: apresentam sátira direta, contundente e clara. Muitas vezes, há


trechos de baixo calão e a pessoa alvo da cantiga é citada nominalmente.

Como já caiu no vestibular?


A produção trovadoresca se desenvolveu na região de Castela, Galícia, Leão e Aragão
(todas na atual Espanha) entre o final do século 12 e meados do século 14. Ela constitui
amplo repositório de informações não apenas literárias, mas também históricas.
Portanto, pode aparecer em questões de literatura e de história.

Dicas para o vestibular


O trovadorismo reflete o ambiente religioso e as relações de poder típicos da Idade
Média – caracterizados, principalmente, pela visão teocêntrica de mundo e a servilidade
do homem perante a Igreja.

Os vestibulares tendem a pedir relações intertextuais e interdisciplinares. É provável que


o trovadorismo seja abordado desta forma.

Como já caiu no vestibular?

1. (Mackenzie - SP) Sobre a poesia trovadoresca em Portugal, é incorreto afirmar que:

a) refletiu o pensamento da época, marcada pelo teocentrismo, o feudalismo e valores


altamente moralistas.
b) representou um claro apelo popular à arte, que passou a ser representada por setores
mais baixos da sociedade.
c) pode ser dividida em lírica e satírica.
d) em boa parte de sua realização, teve influência provençal.
e) as cantigas de amigo, apesar de escritas por trovadores, expressam o eu-lírico
feminino.

Gabarito
1. Resposta correta: B
Comentário: A produção trovadoresca gravitou sempre em torno da corte e refletia as
regras do amor cortês, tendo sido produzida por nobres no ambiente palaciano. Portanto,
não há como relacioná-la às camadas mais baixas da sociedade.

2. (UEL - PR) Sobre a cultura medieval ocidental, considere as seguintes afirmativas:

I - A maioria dos "não-romanos" desconhecia a escrita e utilizava-se da oralidade para


orientar a vida social.
II - No campo da Filosofia, verificou-se a influência do pensamento escolástico, que
retomou o debate entre fé e razão.
III - A arquitetura medieval caracterizou-se pela presença de grandes construções
inspiradas em motivos religiosos, como mosteiros e igrejas.
IV - O heroísmo da cavalaria e o amor, temas característicos da poesia trovadoresca,
tornaram-se comuns na literatura medieval.

Assinale a alternativa correta.

a) Apenas as afirmativas III e IV são verdadeiras.


b) Apenas as afirmativas II, III e IV são verdadeiras.
c) Apenas as afirmativas I, II e III são verdadeiras.
d) Apenas as afirmativas I, III e IV são verdadeiras.
e) Todas as afirmativas são verdadeiras.
Gabarito
2. Resposta correta: E
Comentário: Essa questão tem caráter claramente interdisciplinar e exige do candidato
um conhecimento que extrapola o âmbito da literatura, passando por arte, arquitetura,
filosofia e sociologia. Fique atento.

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HUMANISMO

O humanismo foi uma época de transição entre a Idade Média e o Renascimento.


Como o próprio nome já diz, o ser humano passou a ser valorizado.
Foi nessa época que surgiu uma nova classe social: a burguesia. Os burgueses não eram nem
servos e nem comerciantes.
Com o aparecimento desta nova classe social foram aparecendo as cidades e muitos homens
que moravam no campo se mudaram para morar nestas cidades, como conseqüência o regime
feudal de servidão desapareceu.
Foram criadas novas leis e o poder parou nas mãos daqueles que, apesar de não serem nobres,
eram ricos.
O “status” econômico passou a ser muito valorizado, muito mais do que o título de nobreza.
As Grandes Navegações trouxeram ao homem confiança de sua capacidade e vontade de
conhecer e descobrir várias coisas. A religião começou a decair (mas não desapareceu) e o
teocentrismo deu lugar ao antropocentrismo, ou seja, o homem passou a ser o centro de tudo
e não mais Deus.
Os artistas começaram a dar mais valor às emoções humanas.
É bom ressaltar que todas essas mudanças não ocorreram do dia para a noite.
HUMANISMO = TEOCENTRISMO X ANTROPOCENTRISMO
Algumas manifestações
- Teatro
O teatro foi a manifestação literária onde ficavam mais claras as características desse período.
Gil Vicente foi o nome que mais se destacou, ele escreveu mais de 40 peças.
Sua obra pode ser dividida em 2 blocos:
Autos: peças teatrais cujo assunto principal é a religião.
“Auto da alma” e “Trilogia das barcas” são alguns exemplos.
Farsas: peças cômicas curtas. Enredo baseado no cotidiano.
“Farsa de Inês Pereira”, “Farsa do velho da horta”, “Quem tem farelos?” são alguns exemplos.
Poesia
Em 1516 foi publicada a obra “Cancioneiro Geral”, uma coletânea de poemas de época.
O cancioneiro geral resume 2865 autores que tratam de diversos assuntos em poemas
amorosos, satíricos, religiosos entre outros.
Prosa
Crônicas: registravam a vida dos personagens e acontecimentos históricos.
Fernão Lopes foi o mais importante cronista(historiador) da época, tendo sido considerado o
“Pai da História de Portugal”. Foi também o 1º cronista que atribuiu ao povo um papel
importante nas mudanças da história, essa importância era, anteriormente atribuída somente
à nobreza.
Obras
“Crônica d’El-Rei D. Pedro”
“Crônica d’El-Rei D. Fernando”
“Crônica d’El-Rei D. João I”

Literatura Brasileira
História da literatura brasileira, Escolas Literárias do Brasil, Quinhentismo, Barroco,
Arcadismo,Romantismo, Realismo, Parnasianismo, Simbolismo, Modernismo, Neo-realismo

Padre José de Anchieta: representante do início da literatura brasileira

Quinhentismo (século XVI)

Representa a fase inicial da literatura brasileira, pois ocorreu no começo da colonização.


Representante da Literatura Jesuíta ou de Catequese, destaca-se Padre José de Anchieta com
seus poemas, autos, sermões cartas e hinos. O objetivo principal deste padre jesuíta, com sua
produção literária, era catequizar os índios brasileiros. Nesta época, destaca-se ainda Pero Vaz
de Caminha, o escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral. Através de suas cartas e seu diário,
elaborou uma literatura de Informação ( de viagem ) sobre o Brasil. O objetivo de Caminha era
informar o rei de Portugal sobre as características geográficas, vegetais e sociais da nova terra.

Barroco ( século XVII )


Essa época foi marcada pelas oposições e pelos conflitos espirituais. Esse contexto histórico
acabou influenciando na produção literária, gerando o fenômeno do barroco. As obras são
marcadas pela angústia e pela oposição entre o mundo material e o espiritual. Metáforas,
antíteses e hipérboles são as figuras de linguagem mais usadas neste período. Podemos citar
como principais representantes desta época: Bento Teixeira, autor de Prosopopéia; Gregório
de Matos Guerra ( Boca do Inferno ), autor de várias poesias críticas e satíricas; e padre
Antônio Vieira, autor de Sermão de Santo Antônio ou dos Peixes.

Neoclassicismo ou Arcadismo ( século XVIII )

O século XVIII é marcado pela ascensão da burguesia e de seus valores. Esse fato influenciou
na produção da obras desta época. Enquanto as preocupações e conflitos do barroco são
deixados de lado, entra em cena o objetivismo e a razão. A linguagem complexa é trocada por
uma linguagem mais fácil. Os ideais de vida no campo são retomados ( fugere urbem = fuga
das cidades ) e a vida bucólica passa a ser valorizada, assim como a idealização da natureza e
da mulher amada. As principais obras desta época são: Obra Poética de Cláudio Manoel da
Costa, O Uraguai de Basílio da Gama, Cartas Chilenas e Marília de Dirceu de Tomás Antonio
Gonzaga, Caramuru de Frei José de Santa Rita Durão.

Romantismo ( século XIX )

A modernização ocorrida no Brasil, com a chegada da família real portuguesa em 1808, e a


Independência do Brasil em 1822 são dois fatos históricos que influenciaram na literatura do
período. Como características principais do romantismo, podemos citar : individualismo,
nacionalismo, retomada dos fatos históricos importantes, idealização da mulher, espírito
criativo e sonhador, valorização da liberdade e o uso de metáforas. As principais obras
românticas que podemos citar : O Guarani de José de Alencar, Suspiros Poéticos e Saudades de
Gonçalves de Magalhães, Espumas Flutuantes de Castro Alves, Primeiros Cantos de Gonçalves
Dias. Outros importantes escritores e poetas do período: Casimiro de Abreu, Álvares de
Azevedo, Junqueira Freire e Teixeira e Souza.

Realismo - Naturalismo ( segunda metade do século XIX )


Na segunda metade do século XIX, a literatura romântica entrou em declínio, juntos com seus
ideais. Os escritores e poetas realistas começam a falar da realidade social e dos principais
problemas e conflitos do ser humano. Como características desta fase, podemos citar :
objetivismo, linguagem popular, trama psicológica, valorização de personagens inspirados na
realidade, uso de cenas cotidianas, crítica social, visão irônica da realidade. O principal
representante desta fase foi Machado de Assis com as obras : Memórias Póstumas de Brás
Cubas, Quincas Borba, Dom Casmurro e O Alienista. Podemos citar ainda como escritores
realistas Aluisio de Azedo autor de O Mulato e O Cortiço e Raul Pompéia autor de O Ateneu.

Parnasianismo ( final do século XIX e início do século XX )

O parnasianismo buscou os temas clássicos, valorizando o rigor formal e a poesia descritiva. Os


autores parnasianos usavam uma linguagem rebuscada, vocabulário culto, temas mitológicos e
descrições detalhadas. Diziam que faziam a arte pela arte. Graças a esta postura foram
chamados de criadores de uma literatura alienada, pois não retratavam os problemas sociais
que ocorriam naquela época. Os principais autores parnasianos são: Olavo Bilac, Raimundo
Correa, Alberto de Oliveira e Vicente de Carvalho.

Simbolismo ( fins do século XIX )

Esta fase literária inicia-se com a publicação de Missal e Broquéis de João da Cruz e Souza. Os
poetas simbolistas usavam uma linguagem abstrata e sugestiva, enchendo suas obras de
misticismo e religiosidade. Valorizavam muito os mistérios da morte e dos sonhos, carregando
os textos de subjetivismo. Os principais representantes do simbolismo foram: Cruz e Souza e
Alphonsus de Guimaraens.

Pré-Modernismo (1902 até 1922)

Este período é marcado pela transição, pois o modernismo só começou em 1922 com a
Semana de Arte Moderna. Está época é marcada pelo regionalismo, positivismo, busca dos
valores tradicionais, linguagem coloquial e valorização dos problemas sociais. Os principais
autores deste período são: Euclides da Cunha (autor de Os Sertões), Monteiro Lobato, Lima
Barreto, autor de Triste Fim de Policarpo Quaresma e Augusto dos Anjos.

Modernismo (1922 a 1930)


Este período começa com a Semana de Arte Moderna de 1922. As principais características da
literatura modernista são : nacionalismo, temas do cotidiano (urbanos) , linguagem com
humor, liberdade no uso de palavras e textos diretos. Principais escritores modernistas: Mario
de Andrade, Oswald de Andrade, Cassiano Ricardo, Alcântara Machado e Manuel Bandeira.

Neo-Realismo (1930 a 1945)


Fase da literatura brasileira na qual os escritores retomam as críticas e as denúncias aos
grandes problemas sociais do Brasil. Os assuntos místicos, religiosos e urbanos também são
retomados. Destacam-se as seguintes obras : Vidas Secas de Graciliano Ramos, Fogo Morto de
José Lins do Rego, O Quinze de Raquel de Queiróz e O País do Carnaval de Jorge Amado. Os
principais poetas desta época são: Vinícius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade e Cecilia
Meireles.

CLASSICISMO
Classicismo, ou Quinhentismo (século XV) é o nome dado ao período literário que surgiu na
época do Renascimento (Europa séc. XV a XVI). Um período de grandes transformações
culturais, políticas e econômicas.

Vários foram os fatores que levaram a tais transformações, dentre eles a crise religiosa
(era a época da Reforma Protestante, liderada por Lutero), as grandes navegações
(onde o homem foi além dos limites da sua terra) e a invenção da Imprensa que
contribuiu muito para a divulgação das obras de vários autores gregos e latinos (cultura
clássica) proporcionando mais conhecimento para todos.

Foi na arte renascentista que o antropocentrismo atingiu a sua plenitude, agora, era o
homem que passava a ser evidenciado, e não mais Deus.

A arte renascentista se inspirava no mundo greco-romano (Antiguidade Clássica) já


que estes também eram antropocêntricos.

Características do Classicismo

 Racionalismo: a razão predomina sobre o sentimento, ou seja, a expressão dos


sentimentos era controlada pela razão.
 Universalismo: os assuntos pessoais ficaram de lado e as verdades universais (de
preocupação universal) passaram a ser privilegiadas.
 Perfeição formal: métrica, rima, correção gramatical, tudo isso passa a ser motivo de
atenção e preocupação.
 Presença da mitologia greco-latina
 Humanismo: o homem dessa época se liberta dos dogmas da Igreja e passa a se
preocupar com si próprio, valorizando a sua vida aqui na Terra e cultivando a sua
capacidade de produzir e conquistar. Porém, a religiosidade não desapareceu por
completo.

Principais Autores e Obras

- Luís Vaz de Camões

Um dos maiores nomes da Literatura Universal, e certamente, o maior nome da


Literatura Portuguesa.

Escreveu poesias (líricas e épicas) e peças teatrais, porém sua obra mais conhecida e
consagrada é a epopéia “Os Lusíadas” considerada uma obra-prima.

Essa obra é dividida em 10 partes (cantos) com 8816 versos distribuídos em 1120
estrofes e narra a viagem de Vasco da Gama às Índias enfatizando alguns momentos
importantes da história de Portugal.

Outros escritores existiram, porém não tiveram tanto destaque quanto Camões, são eles:
Sá de Miranda, Bernardim Ribeiro e Antonio Ferreira.

O Classicismo terminou em 1580, com a passagem de Portugal ao domínio espanhol e


também com a morte de Camões.

Leia mais sobre os Escritores do Classicismo.

Características de uma epopéia

 É escrita em versos.
 O tema é sempre grandioso e heróico e refere-se à história de um povo.
 É composta de proposição, invocação, dedicatória, narração e epílogo.

BARROCO

O Barroco foi um período do século XVI marcado pela crise dos valores Renascentistas,
gerando uma nova visão de mundo através de lutas religiosas e dualismos entre espírito
e razão. O movimento envolve novas formas de literatura, arte e até filosofia. No campo
religioso, a Reforma (1517) contestou as práticas da Igreja Católica e propôs uma nova
relação entre Deus e os homens. Uma das propostas desse movimento foi a tradução da
Bíblia para os idiomas nacionais, abrindo caminho para novas interpretações das
Escrituras, deixando a Igreja dividida e enfraquecida. O poder central da Igreja teve que
reagir rapidamente. Em 1563 tem início a Contrarreforma, que tinha como objetivo
combater a expansão do protestantismo e recuperar os domínios perdidos. Portanto, a
Europa do século XVII reflete a crise religiosa do século anterior. O homem europeu se
vê dividido entre duas forças opostas: o antropocentrismo o teocentrismo. O Barroco é a
estética que reflete essa tensão, ou seja, o embate entre a fé e a razão, entre
espiritualismo e materialismo.
Massacre de São Bartolomeu (Foto: Pintura: François Dubois/Reprodução)

A tela do pintor francês registra a fatídica noite de 1572 em que milhares de protestantes
foram mortos em Paris, a mando dos reis católicos franceses.

Arte Barroca

O Barroco tem manifestações nas artes plásticas, na música e na literatura. Cada esfera
artística tem sua maneira de expressar a dualidade do homem barroco e sua tentativa de
fundir valores contraditórios, como o gosto pelas coisas terrenas e a salvação pela fé.

Na pintura, é possível identificar o contraste entre claro e escuro. Como no exemplo


abaixo, em que Caravaggio (pintor italiano) retrata a flagelação de Jesus.
A Flagelação de Cristo (Foto: Pintura: Caravaggio / Reprodução)

Na escultura, as dobras são agudas, as roupas costumam ser esvoaçantes e as figuras


possuem um certo tom dramático. Uma das esculturas mais conhecidas do período é
Êxtase de Santa Teresa, feita por Bernini.

O Êxtase de Santa Teresa (Foto: Escultura: Gian Lorenzo Bernini)

A arquitetura barroca é lembrada pelo excesso de ornamentação. O estilo foi muito utilizado
na construção de igrejas. O exemplo abaixo é da Basílica de Santiago de Compostela.

Basílica de Santiago de Compostela (Foto: Wikicommons)

Na música de estilo barroco era comum o uso da polifonia e do contraponto. Um dos


representantes mais importantes foi Vivaldi, responsável pela composição dos concertos
"As quatro estações".
Vivaldi (1723) (Foto: Reprodução)

Literatura: uso de antíteses, paradoxos e inversões


“Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas e alegrias.”
A Inconstância das Coisas do Mundo (Gregório de Matos)

Barroco no Brasil

As primeiras manifestações da literatura barroca brasileira ocorreram na Bahia, centro


político e comercial da colônia durante o ciclo da cana-de-açúcar. Para muitos
especialistas, os primórdios da literatura brasileira remontam a esse período. A
justificativa é que, no século XVII, os escritores já nascidos na colônia teriam adaptado
pela primeira vez uma estética europeia à realidade brasileira, colocando em prática
uma espécie de “abrasileiramento” da linguagem literária.

Gregório de Matos (1633-1695)


Graças à sua poesia satírica, com termos de baixo calão e críticas abertas à sociedade baiana, o
poeta ganhou o apelido de “Boca do Inferno”. Além de abordar temas clássicos do Barroco
europeu, como a religiosidade, Gregório de Matos também se dedicou à lírica filosófica,
explorando temas como o CARPE DIEM, lema latino cuja tradução seria “aproveite o dia”.

Goza, goza da flor da mocidade,


Que o tempo trata, a toda a ligeireza
E imprime em toda flor sua pisada.
Gregório de Matos. Expressões amorosas a uma dama a quem queria - a Maria dos Povos, sua
futura esposa.

O homem barroco tem consciência da transitoriedade da vida e do tempo, por isso busca os
prazeres terrenos, embora se sinta culpado por isso.

Padre Antônio Vieira (1608-1697)


Por onde passou ficou, ficou conhecido por seus sermões, discursos orais destinados aos fiéis
sobre temas religiosos, bíblicos e morais. Porém, Antônio Vieira não se limitou à pregação
religiosa, colocando seus sermões a serviço de suas ideias políticas e ideológicas. Em Portugal
ganhou a antipatia da Inquisição ao defender o retorno dos judeus, perseguidos pelo tribunal,
ao território português, para driblar a crise econômica. No Brasil, combateu com radicalismo a
escravização dos índios e foi perseguido pelos colonos.

Antônio Francisco Lisboa, Aleijadinho (1730-1814)


Nas artes plásticas, o Barroco manifestou-se tardiamente no Brasil, pois se tornou viável
apenas com o suporte dado pela descoberta do ouro em Minas Gerais, que resultou na
construção de igrejas de estilo barroco ao longo de todo o século XVIII.

Aleijadinho, famoso durante o barroco (Foto: TV Globo)

Parte do Patrimônio Histórico da Humanidade, as esculturas de Aleijadinho, com seus olhares


penetrantes, têm como característica a expressividade e a dramaticidade.