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FONTE EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA

Estado tem duas formas de obter receita: ou explora o seu patrimônio ou explora
patrimônio de terceiro.
Quando obtém dinheiro explorando seu próprio patrimônio receita originária;
quando obtém dinheiro explorando patrimônio de terceira pessoa (poder de império, poder
extroverso) receita derivada (direito tributário cuida desta).

Fonte por excelência em matéria tributária  NORMA JURÍDICA: direito tributário é


uma ciência nos seus mais de 95% positivada, ou seja, há desde a norma hipotética fundamental
até um mero ato administrativo que serve como fonte em matéria tributária (então, não é
somente a lei que é fonte).
Principal fonte é a CF.

1. CONSTITUIÇÃO FEDERAL

CF não cria tributo; o máximo que a CF faz é determinar o rol dos tributos que devem
ser instituídos, e este rol é exemplificativo.

Primeiramente, CF define a competência tributária. Nenhuma outra legislação pode


definir ou determinar competência que não seja a CF, e esta outorgou a possibilidade do
exercício desta competência aos Entes Políticos (U, E, DF, M), sem exceção.
Mas não é competência absoluta; se fosse, todos os Entes poderiam criar tributos
indistintamente. Então, com fim de evitar isto, CF trouxe as limitações ao poder de tributar
(também chamada de competência tributária negativa).

Há limitações explícitas (art. 150 e ss, CF) e limitações implícitas (frutos de


hermenêutica).

Federação: união indissolúvel de Estados Membros.


Estados perdem a soberania, mas não perdem a autonomia.
Federação assimétrica: além de ter a divisão em Estados Membros para formar um
Estado Federal, há divisão em Municípios.
Esta autonomia é política, administrativa e financeira.
Tipo de receita que custeia os gastos públicos  tributos (90%).
Federalismo fiscal: possibilidade de os Entes Públicos custearem seus gastos públicos
por meio de tributos.

De todos os entes federativos, Município presta a maior parte dos serviços (e


supletivamente os Estados), mas quem mais arrecada é a União. Para evitar um desequilíbrio,
existe a repartição de receita tributária.

1) Quando esta repartição é repassada entre os entes federativos, dá-se o nome de


repartição de receita tributária direta;
2) quando há repartição entre entes e os fundos criados para uma determinada
finalidade, existe uma repartição de receita tributária indireta.
União partilha suas receitas para E, DF e M, e Estados partilham para seus municípios
(o inverso nunca ocorre!).
Dois entes (E e DF) não repartem receitas, recebem receitas partilhadas.

STF: escola pentapartida  há cinco espécies tributárias:


1) IMPOSTOS
2) TAXAS
3) CONTRIBUIÇÕES DE MELHORIA
4) EMPRÉSTIMOS COMPULSÓRIOS
5) CONTRIBUIÇÕES ESPECIAIS
 Interventivas
 Profissionais
 Seguridade social
*COSIP (alguns)

Tributos que se repartem: determinados impostos e contribuição interventiva


incidente sobre combustíveis.

Impostos que NÃO SOFREM REPARTIÇÃO DE RECEITA:

 Federal: II, IE, IEG, IGF.


 Estados: ITCMD.
 Municípios: IPTU, ISS, ITBI (todos  pois municípios não repartem receitas).
Art. 158 e 159, CF.

UNIÃO reparte com ESTADOS E MUNICÍPIOS


ESTADOS repartem só com MUNICÍPIOS
MUNICÍPIOS não repartem com ninguém

REPARTIÇÃO DAS RECEITAS TRIBUTÁRIAS


Pertencem ao IR: incidente sobre rendimentos pagos por ele, suas autarquias e fundações
Estado e DF... Impostos residuais do art. 154, I da CF: 20% Commented [P1]: Art. 154. A União poderá instituir:
IR: incidente sobre rendimentos pagos por ele, suas autarquias e fundações I - mediante lei complementar, impostos não previstos no
artigo anterior, desde que sejam não-cumulativos e não
ITR: 50% relativos aos imóveis nele situados, cabendo 100% se fiscalizar e cobrar tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos
Pertencem ao (art. 153, §4º, III) discriminados nesta Constituição;
Município... IPVA: 50% relativos aos veículos licenciados em seu território Commented [P2]: § 4º O imposto previsto no inciso VI (ITR)
ICMS: 25% (mínimo de ¾ sobre as operações realizadas em seu território e até ¼ do caput:
de acordo com o que dispuser a lei) III - será fiscalizado e cobrado pelos Municípios que assim
optarem, na forma da lei, desde que não implique redução do
IR e IPI: 48% da seguinte forma: imposto ou qualquer outra forma de renúncia fiscal.
 21,5%: Fundo de Participação dos Estados e DF;
 22,5%: Fundo de Participação dos Municípios;
 3%: programas de financiamento ao setor produtivo das regiões N, NE e CE,
assegurado ao semi-árido do NE 50% dos recursos destinados à Região
A União  1%: Fundo de Participação dos Municípios, entregue nos 10 primeiros dias do
mês de dezembro de cada ano
entregará...
IPI: 10% a 20% aos Estados e DF, proporcional às exportações de produtos
industrializados, sendo que 25% deste montante serão entregues aos Municípios
CIDE: 29% aos Estados e DF;
sendo que 25% deste montante serão entregues aos Municípios (mínimo de ¾
sobre as operações realizadas em seu território e até ¼ de acordo com o que
dispuser a lei)

Reparte-se entre os entes:


- IR
- IPI
- ICMS
- IPVA
- ITR
- CIDE
REPASSE DA UNIÃO ==> ESTADOS:
1) 100% DO IRRF (imposto de renda retido na fonte) sobre os rendimentos pagos pelos
Estados/DF;
2) 25% dos impostos residuais (se criados);
3) 10% do IPI proporcionalmente às exportações de produtos industrializados do Estado;
4) 29% do CIDE Combustível;
5) 30% do IOF sobre o ouro utilizado como ativo financeiro ou instrumento cambial conforme a
origem da operação;

REPASSE DA UNIÃO ==> MUNICÍPIOS


1) 100% da arrecadação do IRRF sobre os rendimentos pagos pelo município;
2) 50% do ITR relativos aos imóveis do município (ressalvada a hipótese do art. 153, §4º, III da
CF em que os municípios poderão, por convênio com a UNIÃO, arrecadar 100% do ITR);
3) 7,25% do CIDE Combustível;
4) 70% do IOF sobre o ouro utilizado como ativo financeiro ou instrumento cambial conforme a
origem da operação;

REPASSE DOS ESTADOS ==> MUNICÍPIO


1) 50% do IPVA dos veículos licenciados em seu território;
2) 25% do ICMS;
3) 2,5% do IPI transferido pela União aos Estados proporcional às exportações ocorridas no
território estadual (equivale à 25% dos 10% que os Estados receberam a título de IPI);

FUNDOS DE PARTICIPAÇÃO:

FUNDO DE PARTICIPAÇÃO DOS ESTADOS/DF (FPE):


21,5% do IPI E IR, já excluindo o IRRF que pertence integralmente aos Estados;

FUNDO DE PARTICIPAÇÃO DOS MUNICÍPIOS (FPM):


22,5% +1% da arrecadação do IPI e do IR já excluindo a parcela do IRRF que pertence
integralmente aos municípios;

FUNDOS CONSTITUCIONAIS DE FINANCIAMENTO DO NORTE (FNO), NORDESTE


(FNE) E CENTRO-OESTE (FCO):
3% do total da arrecadação do IPI e do IR destinados ao desenvolvimento econômico e social
através de programas de financiamento aos setores produtivos das regiões; 50% do FNE é
destinado às atividades do semi-árido.

FUNDO DE COMPENSAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES (FPEX ou IPI-Ex):


Criado tendo em vista a imunidade que afasta a incidência do ICMS sobre as exportações. Os
valores transferidos têm viés compensatório.

1.1. EMENDA CONSTITUCIONAL


Alguns defendem a possibilidade de a EC ser considerada também como fonte em
matéria tributária, porque a EC advém do poder constituinte derivado reformador.
Limites:
 Formais => legitimidade propriamente dita e quórum qualificado.

 Materiais => matérias que não podem ser objeto de reforma por EC são as cláusulas
pétreas.
EC suprimiu a repartição de receita tributária; afronta cláusula pétrea? SIM, pois afronta
a forma federativa (cláusula pétrea reflexa ou indireta). Papel da repartição é dar tratamento
equânime ao federalismo fiscal.

EC suprimiu o princípio da anterioridade tributária  afronta cláusula pétrea, pois este


princípio foi inserido por questão de segurança jurídica (garantia individual).

Segundo precedentes do STF, as limitações constitucionais ao poder de tributar são


cláusulas pétreas reflexas insculpidas no art. 60, §4º, IV, CF.
Art. 60, 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:
IV - os direitos e garantias individuais.

EC pode reforçar uma limitação ao poder de tributar (o que não pode é suprimir).

 Circunstanciais =>

EC pode inserir tributo na CF? SIM. Nada obsta, desde que observe os limites
determinados pelo CF (então, é possível EC inconstitucional, pois advém de um poder
constituinte derivado).
Ex1: EC 39/02  inseriu art. 149-A (COSIP).
Ex2: EC 41/03  inseriu o §1º (Estado, DF e M podem instituir contribuição para o
custeio do regime previdenciário de seus servidores).

EC pode criar tributo? SIM, se o tributo pode ser instituído por meio de lei e por MP,
por questões de hierarquia constitucional, ela poderia instituir tributo.
Ellen Gracie: EC pode criar tributo, desde que defina FG, BC e contribuintes (ou seja,
EC deve desenvolver o papel da própria lei).

1.2. LEI COMPLEMENTAR


Art. 146, CF  rol exemplificativo (III: “especialmente sobre...”).
Cabe à LC:
I- Dispor sobre conflito de competência em matéria tributária (LC não cria
competência, ela se preza a criar uma possibilidade caso haja um conflito, que pode ser positivo
ou negativo).
É possível existência de conflito no plano lógico, uma vez que toda competência é
haurida na CF? Não, pois CF já disse expressamente o que cada ente pode instituir (se tiver
conflito, pode ser dirimido por LC).

II- Regular as limitações ao poder de tributar


Quem limita o poder de tributar é a CF.
Limitação ao poder de tributar é uma garantia individual, que tem aplicabilidade
imediata; então, isto afasta a possibilidade de regulamentação infraconstitucional? Não, pois
pode ter aplicabilidade imediata, mas com eficácia contida (depende de lei para restringir
efeitos).
Ex: art. 150, VI, “c”, CF: imunidade subjetiva genérica (para restringir os efeitos das
entidades, deve haver uma LC por questão de interpretação sistemática).

III- Tratar sobre normas gerais em matéria de legislação tributária


Ente competente para versar sobre “norma geral”  União, pois a finalidade de
estabelecer norma geral é dar tratamento uniformizado entre todos os entes federativos sobre
aquela matéria.
a) Definição de tributo (art. 3º) e de suas espécies tributárias (art. 5º, 16, 77, 81),
respectivos impostos discriminados (art. 19 e ss), FG, BC e seu contribuinte.
b) Obrigação (art. 113), lançamento (art. 142), crédito (art. 139), prescrição (art. 174) e
decadência (art. 173) tributária

Que LC versa sobre os aspectos da alínea “a” e da “b”?


CTN (lei 5172/66)  lei ordinária em sentido formal, pois, em sentido material, é
considerada uma lei complementar; ou seja, tudo que versa dentro do CTN o seu conteúdo é
materialmente complementar e sua formalidade ordinária.
Pela teoria da recepção de normas constitucionais, é possível norma infraconstitucional
ser recepcionada com formalidade diversa da qual ela foi criada, bastando que o conteúdo seja
compatível (e não a formalidade).
Portanto, CTN foi recepcionado pela CF/67 e CF/88 como LC.
Tanto é que CTN foi alterado por LC: 104/01 e 118/05.

Lei 8212/91:
Art. 45 e 46: prazo decadencial e prescricional de contribuições previdenciárias  10
anos de decadência e 10 anos de prescrição.
Contribuição previdenciária é uma espécie de tributo; então, deve observar o regime
jurídico tributário. CF: prescrição e decadência devem ser tratadas por LC. Lei 8212 é LO.
Esta matéria foi levada à repercussão geral  STF: Súmula vinculante nº 8
(inconstitucionalidade dos art. 45 e 46 da lei 8212/91).
Regra: efeito ex tunc MAS houve modulação dos efeitos do controle de
constitucionalidade (lei 9868/99): a partir desta decisão, STF decidiu com efeito ex nunc.
Contra a não obediência de súmula vinculante, cabe reclamação.

c) Tratamento adequado ao ato cooperativo das sociedades cooperativas


Tratamento adequado = quem determina é a LC.
Lei 5764/71: política nacional do cooperativismo. Art. 79 define o que é ato
cooperativo.
Art. 5º, XVII ao XXI, CF: tratamento de incentivo a todas as formas de associativismo e
de cooperativismo.
Lei 10406/02 (CC): art. 982, parágrafo único determina que, independentemente de seu
objeto, considera-se empresária a sociedade por ações e simples a cooperativa. Sendo assim,
deve-se reger nos termos do art. 997 e ss, CC.
Art. 1093 e ss, CC tratam sobre sociedade cooperativa.

LC em âmbito federal que dá esse tratamento adequado? Não tem.


Com isso, os Estados poderiam exercer uma competência legislativa determinando qual
é esse tratamento adequado? A maioria diz que não. MAS  art. 24, §3º, CF: na ausência de lei
federal, os Estados exercerão competência legislativa plena. Então, Estado pode exercer essa
competência.

PRIVATIVAMENTE ==> Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar


sobre questões específicas das matérias relacionadas neste artigo.

COMUM ==> Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões
específicas das matérias relacionadas neste artigo.

CONCORRENTE ==> União legisla sobre normas gerais não exclui a competência
suplementar dos Estados. Inexistindo lei federal, os Estados exercerão a competência
legislativa plena, para atender a suas peculiaridades. A superveniência de lei federal sobre
normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário.
Para que cooperativa adquira personalidade jurídica, depende do registro.
Lei 8934/94 (lei de registro público das empresas mercantis)  cooperativa deve ser
registrada na Junta Comercial (há 27, uma em cada Estado). Ou seja, compete ao Estado os atos
de registro.
Então, na ausência de lei federal, pode haver LC estadual dando tratamento adequado.
Se houver LC federal subsequente  art. 24, §4º, CF.

d) Tratamento diferenciado e simplificado às microempresas e às empresas de pequeno


porte
EC 42/03.
CF, no art. 170, IX e art. 179, diz que os Entes devem dar tratamento diferenciado às Commented [P3]: Art. 170. A ordem econômica, fundada
ME e EPP. na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem
por fim assegurar a todos existência digna, conforme os
Motivo: propiciar tratamento isonômico, pois há um desequilíbrio na questão ditames da justiça social, observados os seguintes princípios:
concorrencial. IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno
porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua
LC 123/06: trouxe a unificação do Estatuto da ME e da EPP e também trouxe a sede e administração no País.
possibilidade do “SIMPLES NACIONAL”: sistema de arrecadação e de fiscalização exercido
Commented [P4]: Art. 179. A União, os Estados, o Distrito
de uma forma simplificada. Além dessa possibilidade, traz possibilidade de uma diminuição de Federal e os Municípios dispensarão às microempresas e às
carga tributária. *É um regime opcional (não é imposto pela CF). empresas de pequeno porte, assim definidas em lei,
tratamento jurídico diferenciado, visando a incentivá-las pela
simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias,
EC 42/03 inseriu o art. 146-A: LC deverá versar sobre a questão de tributação dos previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação ou redução
possíveis desequilíbrios de concorrência, sem prejuízo de a União tratar de normas do mesmo destas por meio de lei.
objetivo. Commented [P5]: Art. 146-A. Lei complementar poderá
LC deve ser federal. estabelecer critérios especiais de tributação, com o objetivo
de prevenir desequilíbrios da concorrência, sem prejuízo da
Se, nos termos do art. 170 do CF, o primado da ordem econômica é a questão da livre competência de a União, por lei, estabelecer normas de igual
concorrência, o que se preza é que se tenha uma concorrência perfeita. objetivo.
Não se fala apenas do desequilíbrio de concorrência para proteção de economia interna,
mas entre as empresas dentro do território nacional.
Finalidade é regular a questão econômica para fins de evitar desequilíbrio de
concorrência (concorrência desleal).

CADE (lei 8884/94) visa evitar concentrações econômicas que afetam a concorrência
(monopólios, cartéis).

LC é competente para instituir tributo, desde que haja previsão expressa na CF. Ex: art.
148, CF (empréstimo compulsório).

1.3. LEI ORDINÁRIA


Regra geral: instituição e majoração de tributos.
Art. 97, CTN  LO também deve tratar (mas estas questões já estão previstas):
 Suspensão, extinção e exclusão do crédito
 FG, BC, contribuintes
 Majoração da base de cálculo
 Aplicação de penalidades

Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:


I - a instituição de tributos, ou a sua extinção;
II - a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39,
57 e 65;
III - a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto
no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo;
IV - a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos
artigos 21, 26, 39, 57 e 65;
V - a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos,
ou para outras infrações nela definidas;
VI - as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa
ou redução de penalidades.
§ 1º Equipara-se à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que
importe em torná-lo mais oneroso.
§ 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo,
a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo.

1.4. ATOS NORMATIVOS


1) MEDIDA PROVISÓRIA
EC 32/01  art. 62, §2º, CF: instituição e majoração de impostos. Commented [P6]: § 2º Medida provisória que implique
Ato normativo editado pelo Chefe do Poder Executivo Federal. instituição ou majoração de impostos, exceto os previstos nos
arts. 153, I, II, IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no
Pelo estudo do princípio da simetria constitucional, este ato normativo pode ser previsto exercício financeiro seguinte se houver sido convertida em lei
pelos outros Entes, desde que haja previsão expressa nas CEs e nas leis orgânicas. até o último dia daquele em que foi editada.

Impostos federais: art. 153, CF.


Somente o IGF não foi instituído.
Art. 62, §1º, CF: vedações materiais à medida provisória. Inciso III  matéria
reservada à LC.
MP pode instituir impostos inominados? Não, porque o art. 154, I exige que só pode
criar novos impostos por meio de LC.
Há possibilidade de instituir imposto por meio de MP é o IEG (imposto extraordinário
de guerra).
Mas, MP pode majorar todos os impostos federais.

Se MP, após ser editada, já passa a ter eficácia jurídica, o mesmo se dá aos impostos?
MP deve respeitar a dinâmica tributária dos impostos, ou seja, se um imposto observa o
princípio da anterioridade, MP deve respeitar.
Ex: MP editada para majorar imposto que não observa a anterioridade (IOF). CN
rejeitou a MP passados 120 dias. Mas o contribuinte já está arrecadando com tributo majorado
(e o CN vetou a medida). CN deve editar um decreto legislativo para determinar os efeitos desta
MP (se perduram, se são retraídos).

Controle de constitucionalidade pode ser feito de uma forma prévia (preventivo) ou


posterior (repressivo).
É possível que o controle difuso seja julgado no STF por meio de RE.
A partir do momento em que MP é publicada, quem exerce controle de
constitucionalidade? Legislativo (neste caso, exerce controle repressivo de constitucionalidade).

STF: MP é competente para instituir e majorar tributo, desde que dentro dos limites
estabelecidos pela própria CF.

A MP só pode criar imposto:


 Imposto criado por meio de L.O.
 a MP ser convertida em lei no mesmo exercicio financeiro que foi editada e criada,
para ser exigido no exercicio seguinte,;
 exceto II, IE, IOF, IEGpodem ser cobrados imediatamente por meio de MP (pois são
alterados por Decreto do Ch do Executivo).
 IPI, aguarda 90 dias, posterior pode ser convertido imediatamente.

2) DECRETO EXECUTIVO
Poder regulamentar ou normativo, que passa a ser um poder administrativo conferido
aos Chefes do Executivo para editar ato para o fiel cumprimento de uma lei.
Então, via de regra o decreto não pode inovar a ordem jurídica, mas sim ser utilizado
para fins de regulamentação.
Art. 84, IV, CF.

Decretos autônomos: força normativa pode ser de uma norma geral abstrata (lei) –
inovação de ordem jurídica (exceção).
Art. 84, VI, CF (Presidente pode organizar o funcionamento da administração pública
federal).

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:


IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e
regulamentos para sua fiel execução;

Decreto regulamentar
Há tributos que possuem natureza jurídica fiscal e outras que possuem natureza
extrafiscal (e o mesmo tributo pode ter as duas naturezas).
Natureza fiscal: finalidade meramente arrecadatário.
Natureza extrafiscal: finalidade regulatória, econômica ou social.

CF, com o fito de preservar a extrafiscalidade e evitar que passasse ao crivo do CN,
determinou no art. 153, §1º que o Executivo pode alterar determinadas alíquotas de alguns
impostos:
 II
 IE
 IPI
 IOF
Nem todos são extrafiscais (IPI e IOF: não necessariamente). Então, só pode alterar com
finalidade extrafiscal.
Presidente precisa fundamentar, pois o ato é vinculado.

Art. 177, §4º, I, “b”, CF: também cabe ao decreto executivo para alterar as alíquotas
das CIDE-COMBUSTÍVEIS e ICMS-COMBUSTÍVEL, dentro dos limites estabelecidos na lei.
Lei que regulamenta a CIDE-COMBUSTÍVEIS é a lei 10336/01.
Ou reduz ou chega ao limite determinado pela lei.
Se Presidente resolver exorbitar seu poder regulamentar (não observa a lei e majora a
alíquota ou reduz sem motivação), cabe ao CN exclusivamente sustar esse ato (art. 49, V, CF) –
outro exemplo de controle repressivo de constitucionalidade.

3) RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL


Senado representa os interesses dos Estados.
Cabimento =>estabelecer os limites das alíquotas dos impostos estaduais;
ou a resolução estabelece o limite máximo ou o limite mínimo:

 ICMS: alíquota máxima nas operações interestaduais (para evitar guerra fiscal) e
alíquota mínima nas operações internas (distribuição equânime de concorrência).
 ITCMD: alíquota máxima.
 IPVA: alíquota mínima.

4) CONVÊNIOS
Acordos firmados entre as Secretarias de Fazenda com intuito de conceder benefícios
fiscais mútuos bem como a redução de alíquotas.
Convênios mais importantes são os firmados entre os Estados (em razão do ICMS) e
entre Municípios (em razão do ISS).
Não é obrigado a fazer parte do convênio (somente se tiver interesse econômico em
comum).
Finalidade: tentar remediar a chamada “guerra fiscal” (cada Estado procura atrair
investimento para a sua região).

CF, no art. 155, §4º, IV, determina que, se a LC autorizar dispor a respeito, o ICMS
poderá ter incidência monofásica sobre combustíveis  ICMS é imposto plurifásico: desde a
produção até o consumidor final ele incide em todas as cadeias; em se tratando de combustíveis,
LC poderá estabelecer alíquota que incide em somente uma fase.

Se a LC autorizar (art. 155, §2º, XII, g), caberá aos convênios à definição das alíquotas.

STF: nessa situação, convênio é exceção ao princípio da estrita legalidade em matéria


tributária (porque está definindo a alíquota de um tributo).

*Somente na hipótese de ICMS-COMBUSTÍVEL.

Ano: 2013 Banca: VUNESP Órgão: TJ-SP Prova: Juiz


Resolvi certo
A respeito das isenções de ICMS, é correto afirmar que
a têm validade em todo o território nacional.
b podem ser outorgadas por meio de Lei Complementar produzida pela União.
c somente podem ser instituídas após aprovação de convênio autorizativo no Conselho
Nacional de Política Fazendária.
d podem ser objeto de Decreto.
Os benefícios fiscais do ICMS serão concedidos pelos Estados e pelo DF, por Convênio, celebrado de
acordo com o previsto na LC 24/75. Representantes dos Estados e do DF devem ser convocados para se
reunir no âmbito do Conselho Nacional de Política Fazendária (CONFAZ) para deliberarem sobre a
concessão de benefício fiscal. A Constituição Federal buscou, com a previsão de tal procedimento, evitar a
guerra fiscal entre os Estados/DF.

§ 4º Na hipótese do inciso XII, h, observar-se-á o seguinte: Commented [P7]: XII - cabe à lei complementar:
IV - as alíquotas do imposto serão definidas mediante deliberação dos Estados e Distrito h) definir os combustíveis e lubrificantes sobre os quais o
imposto incidirá uma única vez, qualquer que seja a sua
Federal, nos termos do § 2º, XII, g, observando-se o seguinte: finalidade, hipótese em que não se aplicará o disposto no
a) serão uniformes em todo o território nacional, podendo ser diferenciadas por produto; inciso X, b;
b) poderão ser específicas, por unidade de medida adotada, ou ad valorem, incidindo sobre X - não incidirá (o ICMS):
o valor da operação ou sobre o preço que o produto ou seu similar alcançaria em uma venda b) sobre operações que destinem a outros Estados petróleo,
em condições de livre concorrência; inclusive lubrificantes, combustíveis líquidos e gasosos dele
derivados, e energia elétrica;
c) poderão ser reduzidas e restabelecidas, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, III,
b. Commented [P8]: § 2.º O imposto previsto no inciso II
(ICMS) atenderá ao seguinte:
XII - cabe à lei complementar:
g) regular a forma como, mediante deliberação dos Estados e
do Distrito Federal, isenções, incentivos e benefícios fiscais
Perguntas: serão concedidos e revogados.
Commented [P9]: princípios da irretroatividade e da
1) O Direito Tributário cuida da receita originária. Certo ou errado? anterioridade tributárias
2) O que é competência tributária negativa?
3) De todos os entes federativos, Município presta a maior parte dos serviços (e
supletivamente os Estados), mas quem mais arrecada é a União. Como sanar este
desequilíbrio?
4) Diferencie repartição de receita tributária direta de repartição de receita tributária
indireta.
5) Cite os impostos da U, E e M que não se repartem.
6) Em que hipótese a arrecadação do IR vai toda para o Estado/DF/Município?
7) 20% da arrecadação dos impostos residuais instituídos pela União são repassados aos
Municípios. Certo ou errado?
8) Qual a porcentagem de arrecadação do ITR é repassada aos Municípios?
9) A porcentagem de IPVA e ICMS arrecadados que é repassada ao Município no qual o
veículo é licenciado ou a operação é realizada é a mesma em ambos os casos. Certo ou
errado?
10) Explique de que forma são repassados os 48% do arrecadado com IPI e IR.
11) Do IPI arrecadado, são repassados de 10% a 20% aos Estados e DF, proporcional às
exportações de produtos industrializados. Certo ou errado?
12) Quanto de CIDE arrecadado é repassado ao Estado? E quanto deste vai para o
Município? Explique.
13) EC suprimiu a repartição de receita tributária; isto afronta cláusula pétrea?
14) EC pode inserir tributo na CF? E criá-lo?
15) Cite três funções da LC em âmbito de Direito Tributário.
16) É possível existência de conflito no plano lógico, uma vez que toda competência é
haurida na CF?
17) O prazo decadencial e prescricional de contribuições previdenciárias é de 10 anos.
Certo ou errado? Por quê?
18) Os Estados poderiam exercer uma competência legislativa dissertando sobre o
tratamento adequado ao ato cooperativo das sociedades cooperativas?
19) Lei complementar poderá estabelecer critérios especiais de tributação, com o objetivo
de prevenir desequilíbrios da concorrência, sem prejuízo da competência de a União,
por lei, estabelecer normas de igual objetivo. Certo ou errado?
20) LC é competente para instituir tributo?
21) Sobre o que LO deve tratar?
22) MP pode instituir impostos inominados?
23) Atualmente, MP pode majorar todos os impostos federais. Certo ou errado?
24) MP editada para majorar imposto que não observa a anterioridade (IOF). CN rejeitou a
MP passados 120 dias. Mas o contribuinte já está arrecadando com tributo majorado (e
o CN vetou a medida). O que fazer?
25) Quando o Executivo pode alterar alíquota de tributo?
26) O que são convênios? Por que são exceções ao princípio da legalidade estrita em
matéria tributária?
27) Cabe à lei complementar definir os combustíveis e lubrificantes sobre os quais o
imposto incidirá uma única vez, qualquer que seja a sua finalidade. Certo ou errado?
28) As alíquotas do ICMS poderão ser reduzidas ou restabelecidas por meio de convênio,
não se lhes aplicando os princípios da irretroatividade e da anterioridade tributárias.
Certo ou errado?