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LEI DAS CONTRAVENÇÕES PENAIS – DECRETO-LEI 3688/41

GÊNERO  INFRAÇÃO PENAL


ESPÉCIES  CRIME E CONTRAVENÇÃO PENAL
Ontologicamente (na essência), não existe diferença entre crime e contravenção penal,
pois ambos são infrações penais, ilícitos penais, ambos representam violação da lei penal. A
diferença é de grau e quantidade.
Crimes são infrações mais graves; contravenções são infrações menos graves.
Com isso, contravenção penal é chamada também pela doutrina de: crime anão, delito
vagabundo, delito liliputiano.

Apesar de não existir diferença ontológica, há varias diferenças legais:

CRIME CONTRAVENÇÃO PENAL


 Reclusão e/ou multa  Prisão simples e/ou multa
 Detenção e/ou multa  Multa
PENAS Commented [P1]: Art 1º Considera-se crime a infração
\
Art. 1º, LICP penal que a lei comina pena de reclusão ou de detenção,
quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com
a pena de multa; contravenção, a infração penal a que a lei
Punida Não é punida comina, isoladamente, pena de prisão simples ou de multa,
Art. 14, II, CP Art. 4º, LCP ou ambas. alternativa ou cumulativamente.
TENTATIVA
*Mas existe tentativa de Commented [P2]: Art. 4º Não é punível a tentativa de
contravenção. contravenção.
 APP Incondicionada APP Incondicionada
 APP Condicionada à Art. 17, LCP Commented [P3]: Art. 17. A ação penal é pública, devendo
representação *Cabe ação privada a autoridade proceder de ofício.
AÇÃO PENAL
 AP Privada subsidiária da pública, pois é
Art. 100, CP direito fundamental (art. 5º,
CF)
Existe Não existe (jamais se aplica a
Art. 7º, CP lei brasileira a uma
contravenção praticada fora
EXTRATERRITORIALIDADE
do Brasil)
Art. 2º, LCP Commented [P4]: Art. 2º A lei brasileira só é aplicável à
contravenção praticada no território nacional.

30 anos 5 anos
TEMPO MÁXIMO
Art. 75, CP Art. 10, LCP Commented [P5]: Art. 10. A duração da pena de prisão
Não se aplica Aplica-se simples não pode, em caso algum, ser superior a cinco anos,
ERRO DE DIREITO (erro nem a importância das multas ultrapassar cinquenta contos.
Art. 8º, LCP – hipótese de
sobre a existência da lei) Commented [P6]: Art. 8º No caso de ignorância ou de
perdão judicial errada compreensão da lei, quando escusáveis, a pena pode
PERÍODO DE PROVAS NO 2 a 4 anos ou 4 a 6 anos 1 a 3 anos deixar de ser aplicada.
SURSIS
OBS: na prisão simples, não pode haver regressão de regime (diferentemente da
reclusão e detenção).
Commented [P7]: Art. 43. Constitui contravenção penal,
punível com prisão simples de cinco dias a seis meses ou
 CONTRAVENÇÕES EM OUTRAS LEIS ESPECIAIS multa de três a doze meses do valor do último aluguel
atualizado, revertida em favor do locatário:
1. CONTRAVENÇÕES AMBIENTAIS – art. 26, “e”, “j”, “l”, “m”, Código Florestal (art. I - exigir, por motivo de locação ou sublocação, quantia
ou valor além do aluguel e encargos permitidos;
4771/65). II - exigir, por motivo de locação ou sublocação, mais de
2. CONTRAVENÇÕES REFERENTES A LOTERIAS – decreto-lei 6259/44 (revogou os uma modalidade de garantia num mesmo contrato de
artigos 51 a 58, LCP). locação;
III - cobrar antecipadamente o aluguel, salvo a hipótese
3. CONTRAVENÇÃO DE RETENÇÃO ILEGAL DE DOCUMENTOS – lei 5553/68. do art. 42 e da locação para temporada.
4. CONTRAVENÇÕES CONTRA A ECONOMIA POPULAR – art. 66, I a III, lei
Art. 42. Não estando a locação garantida por qualquer das
4591/64. modalidades, o locador poderá exigir do locatário o
5. CONTRAVENÇÃO REFERENTE À LOCAÇÃO – art. 43, lei 8245/91. pagamento do aluguel e encargos até o sexto dia útil do mês
vincendo.
OBS1: no Código Eleitoral, há algumas infrações que estão no capítulo dos crimes
eleitorais, porém são punidas apenas com multa. Há entendimento de que, na realidade, não são
crimes, mas sim contravenções eleitorais, de acordo com art. 1º, LICP (Fernando da Costa
Tourinho Filho). Com isso, há contravenções penais também no Código Eleitoral (lei 4737/65).

OBS2: lei 7437/85 previa contravenções de preconceito em razão da raça, cor, sexo ou
estado civil.
No que se refere ao preconceito de raça e cor, foram transformadas em crimes raciais
pela lei de racismo (lei 7716/89).
Em relação ao preconceito em razão do sexo (masculino ou feminino) e estado civil,
esta lei continua em vigor (entendimento de Nucci).

Prevalece o entendimento de que todas as contravenções penais, independentemente da


pena máxima cominada, são infrações de menor potencial ofensivo, inclusive as que tenham
procedimento especial de apuração.
Há contravenções referentes a loterias com pena máximo de até 5 anos  mesmo essas
são consideradas infrações de menor potencial ofensivo.
Se são todas infrações de menor potencial ofensivo, a competência é do JECrim e o
procedimento é o sumaríssimo.

JECrim Federal NÃO julga contravenção penal, mesmo que atinja bens, serviços ou
interesses da União  art. 109, IV, CF. Commented [P8]: Art. 109. Aos juízes federais compete
Exceção: se o contraventor tiver foro especial na Justiça Federal, pois o critério por processar e julgar:
IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em
prerrogativa de função estabelecido na CF prevalece sobre o critério em razão da matéria. Ex: detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de
juiz federal é acusado de uma contravenção ambiental => quem julga  TRF. suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas
as contravenções e ressalvada a competência da Justiça
Se o foro do contraventor estiver previsto na CE, ai será Justiça Estadual, pois norma da Militar e da Justiça Eleitoral;
CF que diz que Justiça Federal não julga contravenção prevalecerá sobre norma da CE.

Contravenção penal praticada em violência doméstica contra a mulher:


Doutrina: competência é do JECrim, pois art. 41, lei 11340/06 diz que não se aplica a Commented [P9]: Art. 41. Aos crimes praticados com
lei 9099/95 aos crimes cometidos em violência doméstica contra a mulher. Logo, aplica-se a lei violência doméstica e familiar contra a mulher,
independentemente da pena prevista, não se aplica a Lei no
9099 às contravenções praticadas em violência doméstica contra a mulher. 9.099, de 26 de setembro de 1995.
Jurisprudência: não se aplica a lei 9099 nem nas contravenções praticadas em violência
doméstica contra a mulher.
STJ – CC 102571/MG, MAI09.
CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. CRIMINAL. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA.
CONTRAVENÇÃO PENAL (VIAS DE FATO). ARTS. 33 E 41 DA LEI MARIA DA PENHA.
COMPETÊNCIA DO JUÍZO DA VARA CRIMINAL.
1. Apesar do art. 41 da Lei 11.340/2006 dispor que "aos crimes praticados com violência
doméstica e familiar contra a mulher, independentemente da pena prevista, não se aplica a Lei
nº 9.099, de 26 de setembro de 1995", a expressão "aos crimes" deve ser interpretada de forma
a não afastar a intenção do legislador de punir, de forma mais dura, a conduta de quem comete
violência doméstica contra a mulher, afastando de forma expressa a aplicação da Lei dos
Juizados Especiais.
2. Configurada a conduta praticada como violência doméstica contra a mulher,
independentemente de sua classificação como crime ou contravenção, deve ser fixada a
competência da Vara Criminal para apreciar e julgar o feito, enquanto não forem estruturados
os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher,consoante o disposto nos arts.
33 e 41 da Lei Maria da Penha.
3. Conflito conhecido para declarar-se competente o Juízo de Direito da Vara Criminal de
Vespasiano-MG, o suscitado.

 CONTRAVENÇÕES E ATO INFRACIONAL


Art. 103, ECA: ato infracional é a conduta que corresponde a um crime ou a uma
contravenção penal.
Portanto, menor que comete uma contravenção penal responde por ato infracional.
Art. 103. Considera-se ato infracional a conduta descrita como crime ou contravenção
penal.

 INFRAÇÕES E CONTRAVENÇÕES DE PERIGO ABSTRATO

Alguns doutrinadores entendem que as infrações de perigo abstrato são


inconstitucionais porque violam os princípios constitucionais da lesividade ou ofensividade.
MAS, STF e STJ consideram constitucionais as infrações de perigo abstrato.
STF – ex-ministro Sepúlveda Pertence: Princípio da ofensividade não é proibição
absoluta ao legislador para criação de crimes de perigo abstrato, esse princípio deve ser apenas
um principio de hermenêutica, de interpretação para evitar abusos do legislador (RHC
81057/SP).

Tipo penal de perigo abstrato não é abusivo (e, portanto, é constitucional) quando regras
concretas de experiência demonstram que a conduta tipificada é realmente perigosa para a
sociedade. Ex: dirigir veículo estando o condutor embriagado, transportar cocaína.
Tipo penal de perigo abstrato será abusivo (e, portanto, inconstitucional) quando
tipificar o comportamento que é comprovadamente não perigoso. Ex: tipo penal que considerar
crime quem veste camisa amarela.

 EXTRADIÇÃO DE ESTRANGEIRO POR CONTRAVENÇÃO PRATICADA


NO BRASIL

Não é possível, porque o art. 77, II, Estatuto do Estrangeiro (lei 6815/80) só permite a
extradição de estrangeiro pela prática de crime.
STF – Extradição 1065/Itália, 29JUN07.
Art. 77. Não se concederá a extradição quando:
II - o fato que motivar o pedido não for considerado crime no Brasil ou no Estado
requerente;

 CONTRAVENÇÕES TÍPICAS (PRÓPRIAS) OU ATÍPICAS (IMPRÓPRIAS)

Art. 3º, LCP => Para a existência da contravenção, basta a ação ou omissão
voluntária. Deve-se, todavia, ter em conta o dolo ou a culpa, se a lei faz depender, de um ou de
outra, qualquer efeito jurídico.
Há contravenção pela simples conduta voluntária, mesmo que não houver dolo ou
culpa.
Só haverá necessidade de dolo ou culpa quando a lei assim o exigir.
Então:
 CONTRAVENÇÕES TÍPICAS/PRÓPRIAS: só exigem conduta voluntária, não
necessitam de dolo ou culpa (art. 3º, 1ª parte)
 CONTRAVENÇÕES ATÍPICAS/IMPRÓPRIAS: exigem dolo ou culpa.

Doutrina diz que o art. 3º NÃO se aplica mais. Diz que toda contravenção exige dolo ou
culpa. Não existe contravenção somente com conduta voluntária.

 PENAS PREVISTAS PARA AS CONTRAVENÇÕES


Hipóteses de pena (art. 5º):
 Prisão simples e multa
 Prisão simples ou multa
 Multa
Art. 5º As penas principais são:
I – prisão simples.
II – multa.

 REGRAS SOBRE A PRISÃO SIMPLES

Art. 6º, LCP.


1. Só pode ser cumprida em regime aberto ou semi-aberto (jamais em regime fechado,
nem mesmo por regressão).
2. Pena deve ser cumprida em estabelecimento especial ou sessão especial de prisão
comum.
*Não há estabelecimento especial no Brasil somente para contraventores. Então, pena
deve ser cumprida em sessão especial de prisão comum do regime aberto ou semi-aberto, qual
seja, casa do albergado ou colônia penal agrícola (não se pode colocar o contraventor em cela de
regime fechado).
3. Condenado deve ficar separado dos condenados à pena de reclusão ou detenção.
4. Se a pena for de até 15 dias, o trabalho é facultativo.

Art. 6º A pena de prisão simples deve ser cumprida, sem rigor penitenciário, em
estabelecimento especial ou seção especial de prisão comum, em regime semi-aberto ou aberto.
§ 1º O condenado a pena de prisão simples fica sempre separado dos condenados a pena
de reclusão ou de detenção.
§ 2º O trabalho é facultativo, se a pena aplicada, não excede a quinze dias.

 REINCIDÊNCIA NO CASO DE CONTRAVENÇÃO

Art. 7º, LCP c/c art. 63, CP.


Art. 7º Verifica-se a reincidência quando o agente pratica uma contravenção depois de
passar em julgado a sentença que o tenha condenado, no Brasil ou no estrangeiro, por
qualquer crime, ou, no Brasil, por motivo de contravenção.
Art. 63 - Verifica-se a reincidência quando o agente comete novo crime, depois de
transitar em julgado a sentença que, no País ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime
anterior.

 Será reincidente:
1) Condenação definitiva por contravenção praticada no Brasil + praticar nova
contravenção no Brasil.
2) Condenação definitiva no Brasil ou no estrangeiro por crime + praticar nova
contravenção no Brasil.

 Não será reincidente:


1) Condenação definitiva no estrangeiro por contravenção + praticar contravenção/crime
no Brasil. *a lei penal brasileira não se aplica às contravenções praticadas no
estrangeiro (não há extraterritorialidade da lei penal quanto às contravenções).
2) Condenação definitiva no Brasil por contravenção + praticar crime no Brasil, porque
art. 63, CP diz que é reincidente aquele que comete novo crime após condenado
definitivamente por crime anterior.
 ERRO DE DIREITO E PERDÃO JUDICIAL

Art. 8º, LCP => No caso de ignorância ou de errada compreensão da lei, quando
escusaveis, a pena pode deixar de ser aplicada.

Duas situações diferentes:


1) Ignorância da lei = erro de direito, ignorância sobre a existência da lei. Se for escusável
 perdão judicial.

2) Errada compreensão da lei = erro de proibição. Se for escusável  isenta de pena (art.
21, CP).

 CONVERSÃO DE MULTA EM PRISÃO SIMPLES

Art. 9º está tacitamente revogado, pois o CP não prevê mais a conversão de multa em
prisão.
Agora, multa não paga vira dívida de valor, devendo ser executada conforme as regras
da dívida ativa.
Art. 9º A multa converte-se em prisão simples, de acordo com o que dispõe o Código
Penal sobre a conversão de multa em detenção.
Parágrafo único. Se a multa é a única pena cominada, a conversão em prisão simples
se faz entre os limites de quinze dias e três meses.

 DURAÇÃO DA PENA DE PRISÃO SIMPLES

Art. 10 => A duração da pena de prisão simples não pode, em caso algum, ser superior
a cinco anos, nem a importância das multas ultrapassar cinquenta contos.

Súmula 715, STF  prazos para os benefícios da execução penal (progressão de


regime, livramento condicional) são calculados sobre o total da condenação, e não sobre os 30
anos.
Essa Súmula também se aplica para as contravenções.
A PENA UNIFICADA PARA ATENDER AO LIMITE DE TRINTA ANOS DE
CUMPRIMENTO, DETERMINADO PELO ART. 75 DO CÓDIGO PENAL, NÃO É
CONSIDERADA PARA A CONCESSÃO DE OUTROS BENEFÍCIOS, COMO O LIVRAMENTO
CONDICIONAL OU REGIME MAIS FAVORÁVEL DE EXECUÇÃO.

 SURSIS E LIVRAMENTO CONDICIONAL

Art. 11 => Desde que reunidas as condições legais, o juiz pode suspender por tempo
não inferior a um ano nem superior a três, a execução da pena de prisão simples, bem como
conceder livramento condicional.
É cabível sursis para as contravenções:
 Sursis simples
 Sursis especial
 Sursis etário e humanitário
Diferença é que o período de prova nas contravenções é de 1 ano a 3 anos, e não de 2 a
4 anos (para o sursis simples e especial) ou de 4 a 6 anos (para o sursis etário e humanitário)
exigido no CP.
É cabível livramento condicional quando presentes os seus requisitos legais previstos no
CP e na lei de execução penal.

 PENAS ACESSÓRIAS

Art. 12
 Publicação de sentença
 Incapacidade temporária para exercício de profissão ou atividade
 Suspensão dos direitos políticos.

Art. 12. As penas acessórias são a publicação da sentença e as seguintes interdições de


direitos:
I – a incapacidade temporária para profissão ou atividade, cujo exercício dependa de
habilitação especial, licença ou autorização do poder público;
II – a suspensão dos direitos políticos.
Parágrafo único. Incorrem:
a) na interdição sob nº I, por um mês a dois anos, o condenado por motivo de
contravenção cometida com abuso de profissão ou atividade ou com infração de dever a ela
inerente;
b) na interdição sob nº II, o condenado a pena privativa de liberdade, enquanto dure a
execução do pena ou a aplicação da medida de segurança detentiva.

Toda a doutrina diz que esse art. 12 foi tacitamente revogado, pois a reforma da parte
geral CP acabou com penas acessórias no ordenamento jurídico brasileiro.
Nucci: discorda, pois art. 12 se trata de efeitos da condenação.

OBS: suspensão dos direito políticos  continua em vigor não por força da LCP, mas
sim por força do art. 15, III, CF (“condenação criminal...”  seja por crimes seja por Commented [P10]: Art. 15. É vedada a cassação de
contravenção, suspende os direitos políticos – CF não especifica qual seria essa condenação direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos
casos de:
criminal). Nesse sentido: Alexandre de Morais e TSE – REsp Eleitoral 13293/06.
III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto
durarem seus efeitos;

 MEDIDAS DE SEGURANÇA

Art. 13, LCP => Aplicam-se, por motivo de contravenção, os medidas de segurança
estabelecidas no Código Penal, à exceção do exílio local.

São cabíveis internação e tratamento ambulatorial (principalmente este).


Prazo  mínimo de seis meses (art. 16). Ou seja, tal como no CP, a medida de
segurança não tem prazo máximo na LCP.
OBS: no CP, o prazo mínimo de duração da medida de segurança é de 1 a 3 anos.
Art. 16. O prazo mínimo de duração da internação em manicômio judiciário ou em
casa de custódia e tratamento é de seis meses.
Parágrafo único. O juiz, entretanto, pode, ao invés de decretar a internação, submeter
o indivíduo a liberdade vigiada.

Prevalece que todas as contravenções são de menor potencial ofensivo, até as


contravenções de loteria, com pena de até 5 anos (decreto-lei 6259/44).

Geralmente a contravenção é resolvida por transação penal. Se o contraventor for


inimputável, o juiz não pode aplicar uma medida de segurança por meio de transação penal.
Então, se o juiz perceber que o contraventor é inimputável, o processo deve seguir e ele aplica a
medida de segurança na sentença penal de absolvição imprópria.
Art. 16 caput só prevê a internação, mas não proíbe tratamento ambulatorial.
Art. 16, parágrafo único, LCP: toda a doutrina diz que este dispositivo não se aplica
mais, pois a liberdade vigiada foi extinta pela reforma do CP. Nucci, por sua vez, entende que
juiz pode aplicar a liberdade vigiada em vez da internação com fundamento no art. 178, LEP. Commented [B11]: Art. 178. Nas hipóteses de
OBS: Damásio sustenta que o prazo mínimo de 6 meses não se aplica mais, teria sido desinternação ou de liberação (artigo 97, § 3º, do Código
Penal), aplicar-se-á o disposto nos artigos 132 e 133 desta
revogado tacitamente pelo CP, que estabelece que o prazo mínimo de internação é de 1 a 3 anos. Lei (dispõem sobre as regras do livramento condicional).
Mas, lei especial derroga lei geral.

 PRESUNÇÃO DE PERICULOSIDADE

Art. 14 e 15, LCP  não se aplicam mais, pois nosso sistema constitucional e penal
proíbe presunção de periculosidade.
Art. 14. Presumem-se perigosos, alem dos indivíduos a que se referem os ns. I e II do
art. 78 do Código Penal:
I – o condenado por motivo de contravenção cometido, em estado de embriaguez pelo
álcool ou substância de efeitos análogos, quando habitual a embriaguez;
II – o condenado por vadiagem ou mendicância;

Art. 15. São internados em colônia agrícola ou em instituto de trabalho, de reeducação


ou de ensino profissional, pelo prazo mínimo de um ano:
I – o condenado por vadiagem (art. 59);
II – o condenado por mendicância (art. 60 e seu parágrafo);

 AÇÃO PENAL

Art. 17, LCP => A ação penal é pública, devendo a autoridade proceder de ofício 
toda ação penal se apura mediante APP Incondicionada.
OBS: se houver vítima determinada, é cabível ação privada subsidiária da pública, pois
esta é direito fundamental previsto no art. 5º, LIX, CF/88 => LIX - será admitida ação privada
nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal;

Quando a lei 9099 transformou a lesão leve em APP condicionada à representação (art.
88), entendeu-se que a contravenção de vias de fato também passou a depender de
representação.
Mas, no STF e STJ prevalece que vias de fato continua sendo de APP Incondicionada.

 CONTRAVENÇÕES PENAIS EM ESPÉCIE

1. ARTIGO 18 E 19
Art. 18. Fabricar, importar, exportar, ter em depósito ou vender, sem permissão da
autoridade, arma ou munição:
Pena – prisão simples, de três meses a um ano, ou multa, de um a cinco contos de réis, ou
ambas cumulativamente, se o fato não constitue crime contra a ordem política ou social.

Art. 19. Trazer consigo arma fora de casa ou de dependência desta, sem licença da
autoridade:
Pena – prisão simples, de quinze dias a seis meses, ou multa, de duzentos mil réis a três
contos de réis, ou ambas cumulativamente.
§ 1º A pena é aumentada de um terço até metade, se o agente já foi condenado, em
sentença irrecorrivel, por violência contra pessoa.
§ 2º Incorre na pena de prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de duzentos
mil réis a um conto de réis, quem, possuindo arma ou munição:
a) deixa de fazer comunicação ou entrega à autoridade, quando a lei o determina;
b) permite que alienado menor de 18 anos ou pessoa inexperiente no manejo de arma a
tenha consigo;
c) omite as cautelas necessárias para impedir que dela se apodere facilmente alienado,
menor de 18 anos ou pessoa inexperiente em manejá-la.

Tratam da fabricação de arma e de porte ilegal de arma.


Doutrina: quanto às armas de fogo e munição, estes artigos estão tacitamente revogados
pela lei 9437/97 e depois pela lei 10826/03, que revogou a primeira.
Toda doutrina e jurisprudência entendem que artigos continuam em vigor em relação às
armas brancas.
STJ – REsp 549056/SP, 01MAR04 => art. 19, LCP foi apenas derrogado, subsistindo a
contravenção quanto ao porte de arma branca.
Ainda, seria contravenção de perigo abstrato.
Jurisprudência: só configura contravenção se indivíduo está portando arma branca com
a intenção de utilizá-la como arma. Então, jardineiro utilizando facão para o trabalho, não será
contravenção penal.
RECURSO ESPECIAL. PENAL. ART. 19 DA LEI DAS CONTRAVENÇÕES PENAIS.
REVOGAÇÃO PARCIAL. ART. 10 DA LEI n.º 9.437/97. SUBSISTÊNCIA DA
CONTRAVENÇÃO QUANTO AO PORTE DE ARMA BRANCA.
1. Com a edição da Lei n.º 9.437/97 (diploma que instituiu o Sistema Nacional de Armas e
tipificou como crime o porte não autorizado de arma de fogo), o art. 19 da Lei das
Contravenções Penais foi apenas derrogado, subsistindo a contravenção quanto ao porte de
arma branca.
2. Recurso especial conhecido e provido.

É possível confisco da arma?


CP só prevê confisco de instrumentos de crime (art. 91, II, a, CP). Commented [P12]: Art. 91 - São efeitos da condenação:
Entendimento majoritário: cabe confisco de instrumento de contravenção, pois, como a I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo
crime;
LCP não dispõe sobre confisco, aplica-se subsidiariamente o dispositivo do CP. STJ – REsp II - a perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado
83857/RJ, 14FEV00. ou de terceiro de boa-fé:
a) dos instrumentos do crime, desde que consistam em
PENAL. RECURSO ESPECIAL. CONTRAVENÇÃO PENAL. PORTE ILEGAL DE ARMA DE coisas cujo fabrico, alienação, uso, porte ou detenção
FOGO. CONFISCO. LEGALIDADE. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. constitua fato ilícito;
I - A condenação por porte ilegal de arma de fogo acarreta, como efeito, o perdimento do
armamento apreendido, em razão da aplicação, na espécie, do disposto no art. 91, II, "a" do
Código Penal, em consonância com o art. 1º da LCP.
II - Recurso conhecido e provido para, cassando-se o acórdão recorrido, determinar-se seja
restabelecida a decisão monocrática que indeferiu o pedido de restituição da arma de fogo
apreendida.

Não existe licença da autoridade competente para portar arma branca. Com isso, Nucci:
artigo pode ser aplicado às armas brancas, desde que exista norma exigindo licença para o porte
de arma branca; não havendo, a conduta não se enquadra no tipo penal.
OBS: há quem entenda que a parte que trata de “licença da autoridade” só é aplicável
para as armas de fogo  trata-se de uma jurisprudência defensiva (interpretação forçada
buscando sempre a punição – tese do MP/SP).

Porte de arma branca e homicídio ou lesões corporais


Se o porte de arma branca ocorreu exclusivamente para a prática do homicídio, fica
absorvido.
Se indivíduo porta ilegalmente arma branca e ocasionalmente a utiliza no homicídio,
responde pela contravenção e pelo homicídio.

2. ARTIGO 21
Art. 21. Praticar vias de fato contra alguém:
Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de cem mil réis a um conto
de réis, se o fato não constitui crime.
Parágrafo único. Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) até a metade se a vítima é maior de
60 (sessenta) anos.

Objetividade jurídica: incolumidade pessoal

Sujeitos ativo e passivo: qualquer pessoa. *Se a vítima for maior de 60 anos, pena é
aumentada (Parágrafo único)

Vias de fato são todos os atos de violência física que não caracterizem lesões corporais,
tentativa de homicídio ou injúria real. Portanto, conceito de vias de fato é residual, pois é obtido
por exclusão.
Ex: empurrões, tapas nas costas, rasgar a roupa da pessoa, puxar cabelo, arremesso de
líquido. OBS: vias de fato não exige contato físico.
A simples dor (sem comprovação de lesões) e o eritema (vermelhidão na pele) são vias
de fato.

Espécie de ação na contravenção de vias de fato:


1ª corrente: ação pública condicionada à representação, motivo: se lesão leve passou a
depender de representação, a contravenção de vias de fato também por analogia in bonam
partem. Adeptos: Damásio, Nucci, Ronaldo Batista Pinto.
2ª corrente: contravenção de vias de fato continua sendo de ação pública
incondicionada, motivo: art. 17, LCP diz que toda contravenção é de ação pública
incondicionada, sendo uma norma especial que prevalece sobre o art. 88, lei 9099. Adeptos:
Ada Pelegrini, STF (HC 86058/RJ, 02SET07).

ATENÇÃO para o Informativo 456 do STJ (NOV10): 6ª Turma decidiu ser possível
a substituição de prisão simples por pena restritiva de direito na contravenção penal de vias de
fato, pois a violência impeditiva de tal comutação deve ser de maior gravidade, e não de
infração de menor potencial ofensivo (LER TUDO!!!)
AGRESSÃO. VIAS DE FATO. RELAÇÕES DOMÉSTICAS.
Na hipótese, o ora paciente foi condenado, em primeiro grau de jurisdição, a 15 dias de prisão
simples, por prática descrita como contravenção penal (art. 21 do DL n. 3.688/1941), sendo
substituída a pena corporal por restritiva de direitos de prestação de serviços à comunidade. A
apelação interposta pelo MP foi provida, reformando a sentença para fixar a impossibilidade
de substituição em face da violência, concedendo, de outra parte, o sursis, ficando a cargo da
execução os critérios da suspensão condicional da pena. Sobreveio, então, o habeas corpus, no
qual se alegou que vias de fato, ou seja, a contravenção cometida pelo paciente, diferentemente
da lesão corporal, não provoca ofensa à integridade física ou à saúde da vítima. Salientou-se
que é perfeitamente possível substituir a pena privativa de liberdade por restritiva de direito,
pois a violência e a grave ameaça que obstam a concessão da benesse devem resultar de crime
grave que traga perigo à vida da vítima, e não de crime de menor potencial ofensivo, como no
caso. Além disso, aduziu-se que a substituição é a medida mais adequada à realidade do caso
concreto, pois é certo que, sendo direito subjetivo do paciente, ela não pode ser negada,
notadamente porque não há, quanto aos delitos praticados com violência doméstica, tratamento
diferenciado. A Turma concedeu a ordem pelos fundamentos, entre outros, de que é razoável
supor, assim como defendido na impetração, que a violência impeditiva da substituição da pena
privativa de liberdade por restritivas de direitos seja aquela de maior gravidade e não, como
na espécie, mera contravenção de vias de fato, chamada por alguns até mesmo de "crime
anão", dada a sua baixa ou quase inexistente repercussão no meio social. Consignou-se,
ademais, que, no caso, a agressão sequer deixou lesão aparente, daí porque soa desarrazoado
negar ao paciente o direito à substituição da pena privativa de liberdade; pois, em última ratio,
estar-se-ia negando a incidência do art. 44 do CP, visto que a violência, pela sua ínfima
repercussão na própria vítima ou no meio social, não impede, antes recomenda, sejam
aplicadas penas alternativas, inclusive em sintonia com a própria Lei Maria da Penha,
notadamente a sua mens, expressa no seu art. 45, que promoveu alteração no parágrafo único Commented [P13]: Art. 45. O art. 152 da Lei no 7.210, de
do art. 152 da Lei n. 7.210/1984. Precedente citado: HC 87.644-RS, DJe 30/6/2008. HC 11 de julho de 1984 (Lei de Execução Penal), passa a vigorar
com a seguinte redação:
180.353-MS, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 16/11/2010. “Art. 152. ...................................................
Parágrafo único. Nos casos de violência doméstica contra a
mulher, o juiz poderá determinar o comparecimento
obrigatório do agressor a programas de recuperação e
3. ARTIGO 24 E 25 reeducação.” (NR)
Art. 24. Fabricar, ceder ou vender gazua ou instrumento empregado usualmente na
prática de crime de furto:
Pena – prisão simples, de seis meses a dois anos, e multa, de trezentos mil réis a três
contos de réis.

Art. 25. Ter alguém em seu poder, depois de condenado, por crime de furto ou roubo,
ou enquanto sujeito à liberdade vigiada ou quando conhecido como vadio ou mendigo, gazuas,
chaves falsas ou alteradas ou instrumentos empregados usualmente na prática de crime de
furto, desde que não prove destinação legítima:
Pena – prisão simples, de dois meses a um ano, e multa de duzentos mil réis a dois
contos de réis.

Indivíduo que porta chave falsa (instrumento para prática de furto) é mero ato
preparatório de furto. Mas, se pessoa já tem condenação definitiva por furto ou roubo, a simples
posse desse objeto é contravenção penal.
Objeto usualmente empregado na prática de furto ou roubo  deve ser objeto
específico para prática de furto ou roubo.

Quem pode ser punido por esta contravenção:


 Condenado definitivamente por furto ou roubo
 Sujeito à liberdade vigiada (não existe mais)
 Vadio para doutrina, em relação a estes, o dispositivo é inconstitucional porque cria uma
 Mendigo injustificável presunção de periculosidade e porque fere o princípio da igualdade.

Se contraventor efetivamente utiliza esse objeto na prática do furto, a contravenção fica


absorvida.

4. ARTIGO 28
Art. 28. Disparar arma de fogo em lugar habitado ou em suas adjacências, em via
pública ou em direção a ela:
Pena – prisão simples, de um a seis meses, ou multa, de trezentos mil réis a três contos de
réis.
Parágrafo único. Incorre na pena de prisão simples, de quinze dias a dois meses, ou multa,
de duzentos mil réis a dois contos de réis, quem, em lugar habitado ou em suas adjacências, em
via pública ou em direção a ela, sem licença da autoridade, causa deflagração perigosa,
queima fogo de artifício ou solta balão aceso.

Essa contravenção do caput e do parágrafo único pune 4 condutas:


 Disparar arma de fogo
 Causar deflagração perigosa
 Soltar balão acesso
 Queimar fogos de artifício
Commented [P14]: Disparo de arma de fogo
Art. 15. Disparar arma de fogo ou acionar munição em
Disparo de arma de fogo  tacitamente revogado, pois constitui crime do art. 15, lei lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em
10826. direção a ela, desde que essa conduta não tenha como
finalidade a prática de outro crime:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
Deflagração perigosa  tacitamente revogado pelo art. 251, §1º, CP e art. 16, parágrafo Commented [P15]: Explosão
único, III, lei 10826. Art. 251 - Expor a perigo a vida, a integridade física ou o
patrimônio de outrem, mediante explosão, arremesso ou
Soltar balão acesso  tacitamente revogado, pois se trata de crime ambiental do art. 42, simples colocação de engenho de dinamite ou de substância
lei 9605/98. de efeitos análogos:
Pena - reclusão, de três a seis anos, e multa.
§ 1º - Se a substância utilizada não é dinamite ou explosivo
A única conduta que continua sendo punido com contravenção é queimar fogos de de efeitos análogos:
artifício ilegalmente. Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
MAS  Art. 244, ECA: vender, fornecer, ainda que gratuitamente, ou entregar de Commented [P16]: Parágrafo único. Nas mesmas penas
qualquer forma à criança ou adolescente fogos de estampido ou de artifício, exceto aqueles que, incorre quem:
III – possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato
pelo seu reduzido potencial, sejam incapazes de causar qualquer dano físico. explosivo ou incendiário, sem autorização ou em desacordo
Art. 244. Vender, fornecer ainda que gratuitamente ou entregar, de qualquer forma, a com determinação legal ou regulamentar;
criança ou adolescente fogos de estampido ou de artifício, exceto aqueles que, pelo seu Commented [P17]: Art. 42. Fabricar, vender, transportar ou
reduzido potencial, sejam incapazes de provocar qualquer dano físico em caso de utilização soltar balões que possam provocar incêndios nas florestas e
demais formas de vegetação, em áreas urbanas ou qualquer
indevida: tipo de assentamento humano:
Pena - detenção de seis meses a dois anos, e multa. Pena - detenção de um a três anos ou multa, ou ambas
as penas cumulativamente.

5. ARTIGO 31
Art. 31. Deixar em liberdade, confiar à guarda de pessoa inexperiente, ou não guardar
com a devida cautela animal perigoso:
Pena – prisão simples, de dez dias a dois meses, ou multa, de cem mil réis a um conto de
réis.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem:
a) na via pública, abandona animal de tiro, carga ou corrida, ou o confia à pessoa
inexperiente;
b) excita ou irrita animal, expondo a perigo a segurança alheia;
c) conduz animal, na via pública, pondo em perigo a segurança alheia.

Sujeito ativo: qualquer pessoa que tenha a guarda do animal, seja ou não proprietário
dele.

Sujeito passivo: coletividade – contravenção de perigo presumido, pois se pune a


simples conduta, não sendo necessário provar que a conduta causou perigo real a alguma
pessoa.
Se animal efetivamente lesionar alguém, passa a ser crime.

Tipo penal:
 Deixar animal em liberdade
 Entregar animal à pessoa inexperiente = pessoa que não tem habilidade para cuidar
devidamente do animal.
 Não guardar com a devida cautela (ex: guardar animal com portões abertos).
Dessas três condutas, as duas primeiras são dolosas, e a terceira é culposa, de acordo
com a doutrina.

Só existe contravenção se animal for perigoso.


Conduta de conduzir animal sem focinheira, sem coleira  parágrafo único, letra “c”.
Se animal é utilizado como instrumento para matar alguém  responsável responde por
homicídio, culposo ou doloso, ficando a contravenção absorvida.

6. ARTIGO 32
Art. 32. Dirigir, sem a devida habilitação, veículo na via pública, ou embarcação a
motor em aguas públicas:
Pena – multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis.
Quando esta contravenção foi transformada em crime de trânsito, surgiram duas
correntes:
1ª corrente – art. 309, CTB não revogou o art. 32, LCP: se pessoa dirige sem habilitação Commented [P18]: Art. 309. Dirigir veículo automotor, em
e sem gerar perigo de dano, há a contravenção; gerando perigo de dano, há o crime do art. 309, via pública, sem a devida Permissão para Dirigir ou
Habilitação ou, ainda, se cassado o direito de dirigir, gerando
CTB. perigo de dano:
2ª corrente – art. 32, LCP está revogado: conduzir sem habilitação sem gerar perigo de Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa.
dano, há mera infração administrativa; gerando perigo de dano, há o crime do art. 309, CTB
(Súmula 720, STF). *Derrogação = revogação parcial. Art. 32, LCP aplica-se no tocante à
embarcação.
Súmula 720, STF => O ART. 309 DO CÓDIGO DE TRÂNSITO BRASILEIRO, QUE
RECLAMA DECORRA DO FATO PERIGO DE DANO, DERROGOU O ART. 32 DA LEI DAS
CONTRAVENÇÕES PENAIS NO TOCANTE À DIREÇÃO SEM HABILITAÇÃO EM VIAS
TERRESTRES.

Então, de acordo com o STF (Súmula 720), se o condutor dirige veículo sem habilitação
e sem gerar perigo de dano, há apenas infração administrativa de trânsito, não se aplica a
contravenção do art. 32. Se o condutor dirige sem habilitação gerando perigo de dano, há o
crime do art. 309, CTB.
De acordo com a Súmula 720, o art. 32, LCP só continua aplicável quanto à direção
inabilitada de embarcação a motor em águas públicas.

7. ARTIGO 34
Art. 34. Dirigir veículos na via pública, ou embarcações em águas públicas, pondo em
perigo a segurança alheia:
Pena – prisão simples, de quinze das a três meses, ou multa, de trezentos mil réis a dois
contos de réis.

Contravenção de direção perigosa.


Esta contravenção está tacitamente revogada no que se refere à direção de veículo em
via pública pelo CTB? R- Há três formas de direção perigosa que foram transformadas em
crimes:
a) Embriaguez ao volante (art. 306, CTB) Commented [P19]: Art. 306. Conduzir veículo automotor,
b) “Racha” (art. 308, CTB) na via pública, estando com concentração de álcool por litro
de sangue igual ou superior a 6 (seis) decigramas, ou sob a
c) Excesso de velocidade (art. 311, CTB) influência de qualquer outra substância psicoativa que
Então, art. 34, LCP teve seu campo de incidência diminuído, mas continua sendo determine dependência: Penas - detenção, de seis
meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se
aplicável a todas as outras formas de direção perigosa que não constituam um desses três crimes obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo
do CTB. Ex: dar cavalo de pau, trafegar na contra-mão de direção, marcha a ré imprudente, automotor.
ultrapassagem pela direita, andar em “zigue zague”. Adeptos: Damásio, Alexandre de Morais, Commented [P20]: Art. 308. Participar, na direção de
STF – HC 86276/MG, 2005). veículo automotor, em via pública, de corrida, disputa ou
EMENTA: HABEAS CORPUS. CRIME DO ARTIGO 306 DO CÓDIGO DE competição automobilística não autorizada pela autoridade
competente, desde que resulte dano potencial à incolumidade
TRÂNSITO BRASILEIRO. RETIFICAÇÃO PARA A CONTRAVENÇÃO PENAL DO pública ou privada:
ARTIGO 34 DA LCP. COMPETÊNCIA DO JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL. Penas - detenção, de seis meses a dois anos, multa e
suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a
APLICAÇÃO DO ARTIGO 384 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. 1. A mudança de habilitação para dirigir veículo automotor.
imputação, na fase das alegações finais, do crime tipificado no artigo 306 do Código de
Commented [P21]: Art. 311. Trafegar em velocidade
Trânsito Brasileiro para a Contravenção Penal descrita no artigo 34 da LCP implica em incompatível com a segurança nas proximidades de escolas,
mutatio libelli, atraindo a competência do Juizado Especial Criminal. 2. Tendo sido a hospitais, estações de embarque e desembarque de
instrução criminal realizada com esteio na acusação inicial, resulta em prejuízo à defesa a passageiros, logradouros estreitos, ou onde haja grande
movimentação ou concentração de pessoas, gerando perigo
não-aplicação do artigo 384 do Código de Processo Penal. Ordem concedida. de dano:
Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa.
Essa contravenção só existe se fato ocorrer em via pública.
Conceito de via pública  art. 2º, CTB. OBS: as ruas internas de condomínio são vias
públicas.
Estacionamento de shopping, de supermercado => Nucci: é via pública; Alexandre de
Morais, Capez, Damásio: não é via pública.
Art. 2º São vias terrestres urbanas e rurais as ruas, as avenidas, os logradouros, os
caminhos, as passagens, as estradas e as rodovias, que terão seu uso regulamentado pelo órgão
ou entidade com circunscrição sobre elas, de acordo com as peculiaridades locais e as
circunstâncias especiais.
Parágrafo único. Para os efeitos deste Código, são consideradas vias terrestres as
praias abertas à circulação pública e as vias internas pertencentes aos condomínios
constituídos por unidades autônomas.

8. ARTIGO 39
Art. 39. Participar de associação de mais de cinco pessoas, que se reúnam
periodicamente, sob compromisso de ocultar à autoridade a existência, objetivo, organização
ou administração da associação:
Pena – prisão simples, de um a seis meses, ou multa, de trezentos mil réis a três contos
de réis.
§ 1º Na mesma pena incorre o proprietário ou ocupante de prédio que o cede, no todo
ou em parte, para reunião de associação que saiba ser de caráter secreto.
§ 2º O juiz pode, tendo em vista as circunstâncias, deixar de aplicar a pena, quando
lícito o objeto da associação

“Associação secreta”.
Art. 5º, XVII, CF => XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada
a de caráter paramilitar  é plena a liberdade de associação.
Art. 5º, XVIII, CF => XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de
cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu
funcionamento  criação de associações independe de autorização do Estado.
É inconstitucional considerar contravenção penal o fato de as pessoas não comunicarem
à autoridade a existência, objetivos, funcionamento e administração da entidade.
Então, se associação for para fins lícitos, o dispositivo é inconstitucional.
Só haverá essa contravenção se for associação para fins ilícitos ou de caráter
paramilitar, devendo, para tanto, haver no mínimo 6 pessoas. Portanto, é contravenção de
concurso necessário.
Aqui não basta associação, é necessário que os membros façam reuniões (físicas)
periódicas.

Requisitos para configurar essa contravenção:


 Fins ilícitos ou de caráter paramilitar
 Participação de no mínimo 6 pessoas
 Haver reuniões periódicas

Se associação for para o fim de cometer crimes  art. 288, CP (quadrilha ou bando).

9. ARTIGO 42
Art. 42. Perturbar alguém o trabalho ou o sossego alheios:
I – com gritaria ou algazarra;
II – exercendo profissão incômoda ou ruidosa, em desacordo com as prescrições legais;
III – abusando de instrumentos sonoros ou sinais acústicos;
IV – provocando ou não procurando impedir barulho produzido por animal de que tem a
guarda:
Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de duzentos mil réis a dois
contos de réis.

Objeto jurídico: paz pública.


Sujeito ativo: qualquer pessoa.

Sujeito passivo: coletividade.

Elemento subjetivo: dolo.

Elemento objetivo: perturbar o trabalho, que inclui qualquer atividade laboral, ou o


sossego, que não significa o repouso noturno (sossego a pessoa tem direito a qualquer hora do
dia). Portanto, contravenção pode ocorrer de dia ou de noite.
Perturbar trabalho ou sossego de uma única pessoa configura contravenção? De acordo
com o STF, NÃO, uma vez que o tipo penal utiliza a expressão “alheios”, exigindo que
atrapalhe o sossego ou trabalho de mais de uma pessoa.
HC 85032, 10JUN05.

Contravenção de conduta vinculada  deve ocorrer dentro de uma das hipóteses dos
incisos.
O simples fato de a profissão produzir ruídos não caracteriza contravenção, deve estar
fora das determinações legais.

Inciso III  músicos que tocam em bares e locais de culto religioso que excedem o
som: há corrente minoritária dizendo que não podem ser punidos por esta contravenção porque a
CF garante o direito ao trabalho e à liberdade religiosa. Corrente majoritária: podem responder
por esta contravenção se abusarem do som, pois nenhum direito fundamental é absoluto.

Art. 54, lei 9605 considera crime ambiental poluição de qualquer natureza, incluindo Commented [P22]: Art. 54. Causar poluição de qualquer
poluição sonora. natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em
danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade
Então: de animais ou a destruição significativa da flora:
Se a poluição sonora for em nível alto que cause ou possa causar danos à saúde humana Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
 crime ambiental.
Se for poluição sonora que apenas incomoda, mas que não causa danos à saúde humana
 contravenção penal.
STJ – HC 54536/MS, 01AGO06.
PENAL. HABEAS CORPUS. ART. 54 DA LEI 9.605/98. POLUIÇÃO SONORA.
TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. DESCLASSIFICAÇÃO. ART. 42 DA LEI DE
CONTRAVENÇÕES PENAIS. PRESCRIÇÃO.
I - Para a caracterização do delito previsto no art. 54 da Lei nº 9.605/98, a poluição gerada
deve ter o condão de, ao menos, poder causar danos à saúde humana, fato inocorrente na
espécie.
II - Uma vez dada nova qualificação jurídica ao fato, qual seja: art. 42 da Lei de
Contravenções Penais, e, levando-se em consideração que o fato se deu em 30/09/2003, e desde
então não se verificou a ocorrência de qualquer marco interruptivo da prescrição - uma vez
que a denúncia não mais subsiste - é de se declarar a extinção da punibilidade do paciente ex vi
do art. 107, IV, c/c art. 109, VI do CP.
Ordem concedida. Extinta a punibilidade.

10. ARTIGO 43
Art. 43. Recusar-se a receber, pelo seu valor, moeda de curso legal no país:
Pena – multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis.

O direito de pagar em dinheiro implica na obrigação de receber em dinheiro.


Objeto jurídico: fé pública (doutrina). Porém na verdade o objeto jurídico, mais do que
a fé pública, é a proteção das relações econômicas.
Recusar a receber a moeda pelo valor de face dela (dar 20 reais, mas comerciante diz
que considerará como se fossem 10 reais).
Moeda de curso legal no país = somente o real. Conclusão: moedas estrangeiras podem
ser recusadas, assim como títulos de crédito (ex: cheque).
Se houver justo motivo para recusar o real, não há a contravenção penal. Ex: recusar-se
a receber porque a cédula está rasgada ou porque aparenta ser falsa.

11. ARTIGO 45
Art. 45. Fingir-se funcionário público:
Pena – prisão simples, de um a três meses, ou multa, de quinhentos mil réis a três
contos de réis.

Cabível somente se fingir funcionário público.


Se praticar ato privativo de funcionário público  crime de usurpação de função
pública (art. 328, CP). Commented [P23]: Art. 328 - Usurpar o exercício de função
Então, essa contravenção não pode passar da mera esfera do fingimento. pública:
Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa.
Há entendimento minoritário de que o próprio funcionário público pode ser autor desta Parágrafo único - Se do fato o agente aufere vantagem:
contravenção se ele alegar que exerce cargo ou função diverso do que realmente exerce. Ex: Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa.
vigia do fórum diz que é desembargador.
STJ reconheceu essa contravenção na conduta de alguém que foi ao hospital e
identificou-se como policial para ter atendimento preferencial (RHC 17756/SP, 03OUT05).
PENAL. PROCESSO PENAL. HABEAS CORPUS. CONTRAVENÇÃO PENAL (ART. 45,
DECRETO-LEI 3.688/41). TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. FALTA DE JUSTA CAUSA.
IMPOSSIBILIDADE. IMPROPRIEDADE DA VIA ELEITA. ANÁLISE PROBATÓRIA
VERTICAL. ORDEM DENEGADA.
- O habeas corpus, mercê de seu rito célere, não comporta o exame de fatos que, para o seu
deslinde, demandem dilação probatória e aprofundado exame da matéria fática.
- O trancamento de ação penal, pela via estreita do writ constitucional, somente é possível
quando, pela mera exposição dos fatos narrados na denúncia, constata-se que há imputação de
fato penalmente atípico, inexistência de qualquer elemento indiciário demonstrativo da autoria
do delito ou extinta a punibilidade. Precedentes.
- Recurso a que se NEGA PROVIMENTO.

12. ARTIGO 46
Art 46. Usar, publicamente, de uniforme, ou distintivo de função pública que não
exerce; usar, indevidamente, de sinal, distintivo ou denominação cujo emprego seja regulado
por lei.
Pena – multa, de duzentos a dois mil cruzeiros, se o fato não constitui infração penal
mais grave.
Duas condutas:
 Usar publicamente uniforme ou distintivo de função pública que não exerce.
 Usar indevidamente de sinal, distintivo ou denominação cujo emprego seja regulado por
lei.
Usar publicamente = usar diante de um número plural de pessoas. O mero porte do
uniforme ou distintivo não configura contravenção, pois lei fala em “usar”.
No que se refere a distintivo, essa contravenção está tacitamente revogada pelo art. 296,
§1º, III, CP (“... quaisquer outros símbolos...”). Commented [P24]: Falsificação do selo ou sinal público
Quanto ao uniforme, a contravenção continua em vigor. Art. 296 - Falsificar, fabricando-os ou alterando-os:
...
Se for uniforme ou distintivo militar, haverá crime militar do art. 171 ou 172, CPM. § 1º - Incorre nas mesmas penas:
Esse crime militar pode ser cometido por particular (STF – HC 79359). III - quem altera, falsifica ou faz uso indevido de marcas,
logotipos, siglas ou quaisquer outros símbolos utilizados
Uso indevido por militar de uniforme, distintivo ou insígnia ou identificadores de órgãos ou entidades da
Art. 171. Usar o militar ou assemelhado, indevidamente, uniforme, distintivo ou insígnia Administração Pública.
de pôsto ou graduação superior:
Pena - detenção, de seis meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave.
Uso indevido de uniforme, distintivo ou insígnia militar por qualquer pessoa
Art. 172. Usar, indevidamente, uniforme, distintivo ou insígnia militar a que não tenha
direito:
Pena - detenção, até seis meses.

13. ARTIGO 47
Art. 47. Exercer profissão ou atividade econômica ou anunciar que a exerce, sem
preencher as condições a que por lei está subordinado o seu exercício:
Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de quinhentos mil réis a
cinco contos de réis.

Contravenções relativas à organização do trabalho.


CF garante o direito à profissão, desde que atendidas às exigências legais.
Sujeito passivo: coletividade e a proteção das classes profissionais e econômicas.

Não precisa exercer, basta anunciar que exerce a profissão.


Na conduta de exercer, há divergência se a contravenção é habitual ou não:
1ª corrente: conduta é habitual; só reiteração no exercício ilegal da profissão é
contravenção.
2ª corrente: conduta é instantânea; um único ato já configura a contravenção.

Atividade econômica = qualquer atividade com fim lucrativo.

Só haverá contravenção se a profissão ou atividade for exercida em desacordo com as


condições legais.
Conclusão  norma penal em branco. Se a profissão não estiver regulada em lei, não
há a contravenção. Ex: atividade de ourives.
STF: atividade de árbitro ou mediador não configura essa contravenção por se tratar de
atividade ainda não regulada em lei (HC 92183/PE, 25MAI08).
EMENTA: HABEAS CORPUS. CRIMES DE QUADRILHA, FALSIDADE
IDEOLÓGICA, USURPAÇÃO DE FUNÇÃO PÚBLICA E CONTRAVENÇÃO PENAL DE
EXERCÍCIO ILEGAL DA PROFISSÃO DE ÁRBITRO, OU MEDIADOR. PEDIDO DE
TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. DEFERIMENTO PARCIAL DO WRIT, PELA
FALTA DE REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO DE ÁRBITRO, OU MEDIADOR
2. Impossibilidade de prosseguimento da ação penal quanto à acusação de exercício
ilegal da profissão de árbitro, ou mediador (art. 47 da Lei de Contravenções Penais).
Ausência de requisito necessário à configuração do delito, contido na expressão "sem
preencher as condições a que por lei está subordinado o seu exercício". Profissão cuja
regulamentação é objeto de Projeto de Lei, em trâmite no Congresso Nacional. Parecer
acolhido para determinar, tão-somente, o trancamento da ação penal pela acusação de
exercício ilegal da profissão de árbitro, ou mediador. Habeas corpus parcialmente deferido.

Advogado suspenso ou impedido responde por esta contravenção? Jurisprudência do


STF e STJ: SIM. Como impedimento ou suspensão vale para todo o território nacional, há
contravenção mesmo que o advogado exerça a profissão em outra Unidade da Federação.

Ver. Art. 282, CP:


Exercício ilegal da medicina, arte dentária ou farmacêutica
Art. 282 - Exercer, ainda que a título gratuito, a profissão de médico, dentista ou
farmacêutico, sem autorização legal ou excedendo-lhe os limites:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
Parágrafo único - Se o crime é praticado com o fim de lucro, aplica-se também multa.
14. ARTIGO 50
Art. 50. Estabelecer ou explorar jogo de azar em lugar público ou acessível ao público,
mediante o pagamento de entrada ou sem ele:
Pena – prisão simples, de três meses a um ano, e multa, de dois a quinze contos de réis,
estendendo-se os efeitos da condenação à perda dos moveis e objetos de decoração do local.
§ 1º A pena é aumentada de um terço, se existe entre os empregados ou participa do jogo
pessoa menor de dezoito anos.
§ 2º Incorre na pena de multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis, quem é
encontrado a participar do jogo, como ponteiro ou apostador.
§ 3º Consideram-se, jogos de azar:
c) o jogo em que o ganho e a perda dependem exclusiva ou principalmente da sorte;
b) as apostas sobre corrida de cavalos fora de hipódromo ou de local onde sejam
autorizadas;
c) as apostas sobre qualquer outra competição esportiva.
§ 4º Equiparam-se, para os efeitos penais, a lugar acessível ao público:
a) a casa particular em que se realizam jogos de azar, quando deles habitualmente
participam pessoas que não sejam da família de quem a ocupa;
b) o hotel ou casa de habitação coletiva, a cujos hóspedes e moradores se proporciona
jogo de azar;
c) a sede ou dependência de sociedade ou associação, em que se realiza jogo de azar;
d) o estabelecimento destinado à exploração de jogo de azar, ainda que se dissimule esse
destino.

Contravenções relativas aos jogos de azar: art. 50 ao 58, LCP. Problema: as


contravenções do art. 51 ao 58 foram tacitamente revogadas pelo decreto-lei 6259/44, que é o
decreto que trata das contravenções referentes às loterias.
Então, única contravenção que permanece em vigor é a do art. 50, que trata do jogo de
azar.

Sujeito ativo: qualquer pessoa.

Sujeito passivo: Estado, pois este detém o monopólio dos jogos de azar no Brasil.

Tipo objetivo:
 Estabelecer = instalar, manter o jogo de azar.
 Explorar = auferir lucro.

Jogo de azar = aquele que depende exclusivamente ou principalmente da sorte. Então,


não entram no conceito de jogos de azar aqueles que dependem da habilidade do jogador (ex:
cacheta, truco, bilhar). Por outro lado, jurisprudência considera jogo de azar: 21, bolão
esportivo, tômbola (bingo), jogo de tampinhas.
OBS: máquina de caça-níqueis é jogo de azar  qual infração configura? STF =>
máquinas de caça-níqueis podem configurar:
 Contravenção do art. 50 se houver alguma chance de ganho.
 Contravenção do art. 45, decreto-lei 6259/44 se for jogo de prognóstico (loteria).
 Crime contra a economia popular (art. 2º, IX, lei 1521/51), se a máquina estiver Commented [P25]: Art. 2º. São crimes desta natureza:
programada para anular as chances de ganho do apostador. IX - obter ou tentar obter ganhos ilícitos em detrimento do
povo ou de número indeterminado de pessoas mediante
STJ – REsp 780937/RS. especulações ou processos fraudulentos ("bola de neve",
PROCESSUAL CIVIL. EXPLORAÇÃO DE MÁQUINAS CAÇA-NÍQUEIS. COMPETÊNCIA DA "cadeias", "pichardismo" e quaisquer outros equivalentes);
JUSTIÇA ESTADUAL.
I - A exploração das máquinas caça-níqueis pode ser enquadrada como contravenção penal, à
luz do art. 50 do DL nº 3.688/41 ou extração ilegal de loteria, como estabelece o art. 45 do DL
6.259/44 ou ainda, ser considerada crime contra a economia popular nos termos do art. 2º,
inciso IX, da Lei nº 1.521/51, uma vez que as vítimas de tais equipamentos são os particulares,
que têm suas economias fraudadas, e não a União.
II - Se entendida como contravenção, a justiça competente para a análise do feito é a Justiça
Estadual, em obediência ao enunciado sumular nº 38 desta Corte, que assim dispõe: "Compete
à Justiça Estadual Comum, na vigência da Constituição de 1988, o processo por contravenção
penal, ainda que praticada em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas
entidades."
III - Por outro lado, se compreendida como crime contra a economia popular, também
competente a Justiça Estadual, tendo em vista o verbete nº 498 da Súmula do Pretório Excelso,
assim redigido: "Compete à justiça dos estados, em ambas as instâncias, o processo e o
julgamento dos crimes contra a economia popular."
IV - Sendo assim, por qualquer aspecto que se analise a conduta ora em exame, a conclusão é a
de que cabe à Justiça Estadual o julgamento de ação que trate da exploração de máquinas de
caça-níqueis.

Competência para julgamento em todos os casos  Justiça Estadual, porque Justiça


Federal não julga contravenção penal nem crime contra a economia popular (STJ – CC
45318/SP).
CONFLITO DE COMPETÊNCIA. PENAL. JUÍZOS FEDERAL E ESTADUAL.
EXPLORAÇÃO DE MÁQUINAS ELETRÔNICAS DE CONCURSOS DE PROGNÓSTICOS –
CAÇA-NÍQUEIS. TIPIFICAÇÃO: CONTRAVENÇÃO OU CRIME CONTRA A ECONOMIA
POPULAR. COMPETÊNCIA DO JUÍZO ESTADUAL.
Na hipótese dos autos, independentemente da tipificação (se contravenção ou crime contra a
economia popular), a competência há de se firmar pelo juízo estadual.
Conflito conhecido declarando-se a competência do Juízo de Direito da 3ª Vara Criminal de
Araçatuba/SP.

Bingo: configura jogo de azar. A tese de que a lei Pelé (lei 9615/98) revogou o art. 50,
LCP não é aceita pelo STJ e STF (REsp 703156/SP, 16MAI05).
CRIMINAL. RESP. EXPLORAÇÃO DE JOGOS DE BINGO. MANDADO DE BUSCA E
APREENSÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. ORDEM CONCEDIDA PARA LIBERAR O
MATERIAL APREENDIDO E AUTORIZAR A CONTINUAÇÃO DA ATIVIDADE.
REVOGAÇÃO DO ART. 50 DA LCP. INOCORRÊNCIA. RECURSO PROVIDO.
I. Hipótese em que foram apreendidos diversos materiais correlacionados à exploração
comercial de jogos de bingos.
II. O art. 50 da LCP não restou revogado pela Lei Pelé (Lei 9.651/98), que veio apenas
permitir o funcionamento provisório de "bingos", desde que autorizados por entidades de
direito público.
III. Com o advento da Lei 9.981/2000 (Lei Maguito Vilela) foram revogados, a partir de
31/12/2001, os artigos 59 a 81 da Lei 9.651/98 (Lei Pelé), respeitando as autorizações que
estivessem em vigor até a data de sua expiração, autorização esta, com validade de 12 meses,
conforme a legislação específica.
IV. A partir de 31/12/2002, ninguém mais poderia explorar o jogo do bingo por violação
expressa ao art. 50 da Lei 3.688/41 (Lei de Contravenções Penais).
V. Se o ato impugnado ocorreu em 2003, quando as referidas empresas já não mais poderiam
estar explorando a atividade, tem-se a correção da medida de busca e apreensão.
VI. Recurso provido.

Se o bingo estiver regulamentado por leis estaduais ou do DF, é contravenção do


mesmo jeito  Súmula Vinculante 2 => É inconstitucional a lei ou ato normativo estadual ou
distrital que disponha sobre sistemas de consórcios e sorteios, inclusive bingos e loterias:
legislar sobre bingo é matéria de competência privativa da União (art. 22, XX, CF).
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
XX - sistemas de consórcios e sorteios;

Bingo beneficente: prevalece que não configura contravenção penal  motivo:


adequação social da conduta.
Se um brasileiro praticar jogo de azar em navio estrangeiro em alto mar, NÃO pode ser
punido, porque o fato está ocorrendo em território estrangeiro, e o art. 2º, LCP diz que não se
aplica a lei brasileira a contravenções penais cometidas fora do Brasil; não existe
extraterritorialidade da lei penal brasileira em relação às contravenções.

Art. 50, §3º, b, c, LCP.

STF reconheceu a contravenção em aposta feita aqui no Brasil sobre uma corrida de
cavalo ocorrida no estrangeiro (HC 80908/RS).
EMENTA: - PENAL. JOGO DE AZAR: CONTRAVENÇÃO PENAL. Decreto-lei 3.688, de
03.10.41, art. 50, § 3º, b. I. - Apostas recebidas e cobradas sobre corridas de cavalos
realizadas fora de hipódromo, corridas realizadas no exterior, captadas via satélite e exibidas
no estabelecimento do paciente, onde eram coletadas as apostas pelo sistema simulcasting,
não possuindo o paciente carta patente para funcionar com coletas de apostas. Conduta
tipificada no art. 50, § 3º, b, da Lei das Contravenções Penais. II. - Habeas corpus indeferido.

Também foi reconhecida a contravenção em apostas feitas por telefone fora do


hipódromo.
Apostas sobre competições esportivas envolvendo brigas de animais (ex: rinha) são
consideradas crimes ambientais previstos no art. 32, lei 9605/98.
Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres,
domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

15. ARTIGO 59
Art. 59. Entregar-se alguém habitualmente à ociosidade, sendo válido para o trabalho,
sem ter renda que lhe assegure meios bastantes de subsistência, ou prover à própria
subsistência mediante ocupação ilícita:
Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses.
Parágrafo único. A aquisição superveniente de renda, que assegure ao condenado meios
bastantes de subsistência, extingue a pena.

Doutrina diz que ela é inconstitucional. Motivos:


a) Cria presunção de periculosidade inadmissível porque esse dispositivo está presumindo
que o vadio irá cometer algum crime para se manter economicamente.
b) Fere o princípio da isonomia porque só permite a prisão de vadio pobre, que não tenha
rendas para se manter. O vadio que tem dinheiro para se manter, ainda que seja de
parentes, não é considerado vadio. Na verdade então se está punindo a pobreza.
c) Fere a dignidade da pessoa humana porque viver na ociosidade pode ser uma opção de
vida,uma forma de pensamento; ou seja, o Estado não pode impor às pessoas o dever de
trabalhar.

16. ARTIGO 61
Art. 61. Importunar alguém, em lugar público ou acessível ao público, de modo
ofensivo ao pudor:
Pena – multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis.

Importunação ofensiva ao pudor.


Sujeito ativo e passivo: qualquer pessoa.
É necessário que vítima se sinta importunada, pois pudor é sentimento personalíssimo.
A importunação não precisa necessariamente estar relacionada a atos de sexualidade; o
pudor não se limita ao pudor sexual.
Atentado violento ao pudor X importunação ofensiva ao pudor
Luiz Regis Prado: “O crime em exame (art. 213 do CP) diferencia-se da contravenção
definida no art. 61 da lei das contravenções penais apenas por uma questão quantitativa, visto
que, enquanto aquele expressa um ultraje ao pudor, esta manifesta-se por uma ofensa ao pudor”.
Discute-se na doutrina se atos lascivos “mais leves” configuram crime ou contravenção
(ex: beijo lasciva, apalpar partes íntimas da vítima, encostar em partes íntimas da vítima)?
César Bittencourt e LFG: contravenção de importunação ofensiva ao pudor, pois
considerar um ato desse como crime hediondo ofende o princípio da proporcionalidade ou
razoabilidade.
STJ: atentado violento ao pudor (HC 75245/SP, 07MAI07; HC 85437/SP, 05NOV07).
PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. ATENTADO VIOLENTO AO PUDOR.
DESCLASSIFICAÇÃO. EXAME MINUCIOSO DE PROVA. IMPROPRIEDADE DO WRIT.
PENAL. CRIME EQUIPARADO A HEDIONDO. PROGRESSÃO DE REGIME.
POSSIBILIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 2º DA LEI Nº 8.072/90
DECLARADA PELO STF.
I - Em nosso sistema, atentado violento ao pudor engloba atos libidinosos de diferentes níveis,
inclusive os contatos voluptuosos e os beijos lascivos.
II - Se, em segundo grau, restou entendido que o acusado praticou atos próprios do ilícito
imputado, não cabe a desclassificação fulcrada no princípio da razoabilidade (Precedentes).
III – O reconhecimento de uma nova classificação da conduta do réu implica, in casu, o
revolvimento de matéria probatória.
IV – É vedado o exame do material cognitivo e o minucioso cotejo probatório na via estreita do
habeas corpus (Precedentes).
V - O Pretório Excelso, nos termos da decisão Plenária proferida por ocasião do julgamento do
HC 82.959/SP, concluiu que o § 1º do art. 2º da Lei nº 8.072/90 é inconstitucional.
VI - Assim, o condenado por crime hediondo ou a ele equiparado pode obter o direito à
progressão de regime prisional, desde que preenchidos os demais requisitos.
Ordem denegada.
Habeas corpus concedido de ofício para afastar o óbice à progressão de regime.

17. ARTIGO 63
Art. 63. Servir bebidas alcoólicas:
I – a menor de dezoito anos;
II – a quem se acha em estado de embriaguez;
III – a pessoa que o agente sabe sofrer das faculdades mentais;
IV – a pessoa que o agente sabe estar judicialmente proibida de frequentar lugares onde
se consome bebida de tal natureza:
Pena – prisão simples, de dois meses a um ano, ou multa, de quinhentos mil réis a cinco
contos de réis.

Bebida alcoólica = substância que causa dependência física ou psíquica.

Art. 63, I, LCP => servir bebida alcoólica a menor de 18 anos  conflito com art. 243,
ECA => Art. 243. Vender, fornecer ainda que gratuitamente, ministrar ou entregar, de
qualquer forma, a criança ou adolescente, sem justa causa, produtos cujos componentes
possam causar dependência física ou psíquica, ainda que por utilização indevida:

Conclusão: quem serve bebida alcoólica a menor de 18 anos responde pelo quê?
TJ/SP  contravenção do art. 63.
STJ  contravenção do art. 63. Fundamento: a contravenção é mais específica do que
o crime, pois este se refere genericamente a qualquer substância causadora de dependência
física ou psíquica, enquanto que a contravenção se refere especificamente à bebida alcoólica
(REsp 942288/RS, 31MAR08).
ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. NEGATIVA DE VIGÊNCIA AO ART. 243
DA LEI 8.069/90. FORNECIMENTO DE BEBIDA ALCOÓLICA A MENOR. DENÚNCIA
REJEITADA. NÃO INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ.
1. Não encontra óbice na Súmula 7/STJ recurso especial que pretende ver reconhecida como
típica conduta narrada na exordial acusatória, que restou rejeitada.
2. A distinção estabelecida no art. 81 do ECA das categorias "bebida alcoólica" e "produtos
cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica" exclui aquela do objeto
material previsto no delito disposto no art. 243 da Lei 8.069/90; caso contrário, estar-se-ia
incorrendo em analogia in malam partem (Precedentes do STJ).
3. Recurso conhecido, porém, improvido.

Então, crime do art. 243, ECA fica para todas as hipóteses de substâncias que causem
dependência física ou psíquica que não forem bebida alcoólica nem droga. Ex: vender cola de
sapateiro a menor.

Oferecer droga a menor de 18 anos Art. 33 cc art. 40, VI, lei 11343/06
Oferecer bebida alcoólica a menor de 18 anos Art. 63, I, LCP
Oferecer substância que cause dependência física
Art. 243, ECA
ou psíquica a menor de 18 anos (subsidiário)

18. ARTIGO 64
Art. 64. Tratar animal com crueldade ou submetê-lo a trabalho excessivo:
Pena – prisão simples, de dez dias a um mês, ou multa, de cem a quinhentos mil réis.
§ 1º Na mesma pena incorre aquele que, embora para fins didáticos ou científicos, realiza
em lugar público ou exposto ao publico, experiência dolorosa ou cruel em animal vivo.
§ 2º Aplica-se a pena com aumento de metade, se o animal é submetido a trabalho
excessivo ou tratado com crueldade, em exibição ou espetáculo público.

Esta contravenção está tacitamente revogada pelo art. 32, caput e §§1º e 2º, lei 9605/98.
Todas as hipóteses do art. 64 estão abrangidas pelo art. 32, lei 9605/98.

19. ARTIGO 65
Art. 65. Molestar alguém ou perturbar-lhe a tranquilidade, por acinte ou por motivo
reprovável:
Pena – prisão simples, de quinze dias a dois meses, ou multa, de duzentos mil réis a dois
contos de réis.

Não confundir esta contravenção, chamada de perturbação da tranquilidade, com a


contravenção de perturbação de trabalho ou sossego alheios (art. 42).

Sujeito ativo: qualquer pessoa.

Sujeito passivo: única pessoa (diferentemente da contravenção do art. 42, onde são
necessárias varias vítimas devido à expressão “alheios”).

Finalidade específica: molestar ou perturbar por acinte ou por motivo reprovável.


Acinte = propositadamente. Com isso, retira-se qualquer possibilidade da modalidade
culposa.
Motivo reprovável = qualquer motivo reprovado pelo senso comum da sociedade.

Perguntas:
1) Ontologicamente, não existe diferença entre crime e contravenção penal. Certo ou
errado?
2) Cite 3 outras denominações da contravenção penal.
3) 6 diferenças entre crime e contravenção penal.
4) Cite 4 leis especiais que constam contravenções.
5) Por que, no Código Eleitoral, há algumas infrações que estão no capítulo dos crimes
eleitorais, mas são consideradas contravenções eleitorais?
6) Há contravenções de preconceito em razão da raça, cor, sexo ou estado civil. Certo ou
errado?
7) Prevalece o entendimento de que todas as contravenções penais, independentemente da
pena máxima cominada, são infrações de menor potencial ofensivo, inclusive as que
tenham procedimento especial de apuração. Certo ou errado?
8) Vereador com foro por prerrogativa de função, ao cometer contravenção penal que
atinja interesses da União, será julgado por qual Justiça?
9) JECrim Federal julga contravenção penal? Explique.
10) Quem julga contravenção penal praticada em violência doméstica contra a mulher?
11) O menor que comete uma contravenção penal não responde por ato infracional. Certo
ou errado?
12) As infrações de perigo abstrato são inconstitucionais? Explique.
13) É pacífico no STF que estrangeiro não pode ser extraditado em razão de contravenção
praticada no Brasil. Certo ou errado?
14) Diferencie contravenção própria e imprópria. São aceitas pela doutrina?
15) Quais as penas previstas para as contravenções?
16) A prisão simples jamais será cumprida em regime fechado, nem mesmo por regressão.
Certo ou errado?
17) A prisão simples deve ser cumprida em casa do albergado ou colônia penal agrícola.
Certo ou errado?
18) Se a pena da prisão simples for de até 30 dias, o trabalho é facultativo. Certo ou errado?
19) Será reincidente quem tiver condenação definitiva no Brasil ou no estrangeiro por crime
+ praticar nova contravenção no Brasil. Certo ou errado?
20) Não será reincidente quem tiver condenação definitiva no Brasil por contravenção +
praticar crime no Brasil. Certo ou errado?
21) É possível o erro de direito e o erro de proibição para as contravenções penais. Certo ou
errado?
22) Não é possível a conversão de multa em prisão simples, em nenhuma hipótese. Certo ou
errado? Explique.
23) A pena unificada para atender ao limite de trinta anos de cumprimento, determinado
pelo art. 75 do código penal, não é considerada para a concessão de outros benefícios,
como o livramento condicional ou regime mais favorável de execução. Não se aplica
esta Súmula para as contravenções. Certo ou errado?
24) Diferença entre sursis para os crimes e para as contravenções.
25) As penas acessórias do art. 12, LCP foram revogadas, com exceção da suspensão dos
direitos políticos em caso de condenação com trânsito em julgado. Certo ou errado?
26) Qual prazo mínimo e máximo da medida de segurança para crimes e contravenções?
27) Todas as contravenções são de menor potencial ofensivo, até as contravenções de
loteria. Certo ou errado?
28) Se o contraventor for inimputável, o juiz não pode aplicar uma medida de segurança por
meio de transação penal. Certo ou errado?
29) A presunção de periculosidade está intimamente ligada com o direito penal do autor.
Certo ou errado?
30) É possível ação privada subsidiária da pública para contravenções penais?
31) STF e STJ entendem que vias de fato continua sendo de APP Incondicionada. Certo ou
errado?
32) Art. 19. Trazer consigo arma fora de casa ou de dependência desta, sem licença da
autoridade: segundo a doutrina, está ab-rogado pela lei 10826. Certo ou errado?
33) O jardineiro que conduz facão para o trabalho comete contravenção penal? Explique.
34) Cabe confisco de instrumento de contravenção?
35) O que seria jurisprudência defensiva?
36) Se indivíduo porta ilegalmente arma branca e ocasionalmente a utiliza no homicídio,
responde pela contravenção e pelo homicídio. Certo ou errado?
37) Praticar vias de fato contra vítima maior ou igual a 60 anos terá a pena aumentada.
Certo ou errado?
38) É possível a substituição de prisão simples por pena restritiva de direito na
contravenção penal de vias de fato?
39) Indivíduo que porta chave falsa (instrumento para prática de furto) pratica contravenção
penal?
40) Vadio que porta gazua comete contravenção?
41) Se contraventor efetivamente utiliza gazua na prática do furto, mesmo assim a
contravenção não fica absorvida. Certo ou errado?
42) Disparar arma de fogo, Causar deflagração perigosa, Soltar balão acesso e Queimar
fogos de artifício: todas estas contravenções foram revogadas. Certo ou errado?
43) Vender fogos de artifício, quaisquer que sejam, à criança é crime previsto no ECA.
Certo ou errado?
44) Deixar animal perigoso em liberdade é contravenção culposa de perigo presumido,
segunda a doutrina. Certo ou errado?
45) Conduta de conduzir animal sem focinheira é somente ilícito administrativo. Certo ou
errado?
46) Se animal é utilizado como instrumento para matar alguém, responsável responde por
homicídio, culposo ou doloso, ficando a contravenção absorvida. Certo ou errado?
47) Art. 32. Dirigir, sem a devida habilitação, veículo na via pública, ou embarcação a
motor em águas públicas: contravenção continua em vigor?
48) Art. 34. Dirigir veículos na via pública, ou embarcações em águas públicas, pondo em
perigo à segurança alheia: esta contravenção está tacitamente revogada no que se refere
à direção em via pública pelo CTB?
49) As ruas internas de condomínio são vias públicas. Certo ou errado?
50) Art. 39. Participar de associação de mais de cinco pessoas, que se reúnam
periodicamente, sob compromisso de ocultar à autoridade a existência, objetivo,
organização ou administração da associação: contravenção continua em vigor?
51) Perturbação ao sossego alheio: sujeito passivo, objeto jurídico, por que é uma
contravenção de conduta vinculada?
52) Perturbar trabalho ou sossego de uma única pessoa configura contravenção?
53) Músicos que tocam em bares e locais de culto religioso que excedem o som podem
responder por contravenção de perturbação ao sossego alheio? Explique.
54) Como conciliar a contravenção de perturbação ao sossego alheio com crime ambiental
de poluição de qualquer natureza?
55) Recusar a receber a moeda pelo valor de face dela é contravenção penal. Certo ou
errado?
56) Recusa de moedas estrangeiras e de títulos de crédito não configura contravenção. Certo
ou errado?
57) Alguém que vai ao hospital e identifica-se como policial para ter atendimento
preferencial comete crime, contravenção ou fato atípico?
58) Usar distintivo de função pública indevidamente configura crime, contravenção ou fato
atípico?
59) Exercer profissão ou atividade econômica sem preencher as condições a que por lei está
subordinado o seu exercício: crime habitual ou instantâneo? Esta contravenção abrange
qualquer profissão? Explique.
60) O que se considera jogo de azar?
61) A máquina de caça-níqueis é jogo de azar configurando crime ou contravenção? Quem
julga? Explique.
62) Se o bingo estiver regulamentado por leis estaduais ou do DF, é contravenção do
mesmo jeito. Certo ou errado? Por quê?
63) Bingo beneficente configura contravenção? Explique.
64) Se um brasileiro praticar jogo de azar em navio estrangeiro em alto mar, não pratica
contravenção do art. 50, LCP. Certo ou errado? Explique.
65) Uma aposta feita aqui no Brasil sobre uma corrida de cavalo ocorrida no estrangeiro é
contravenção assim como a contravenção em apostas feitas por telefone fora do
hipódromo. Certo ou errado?
66) Apostas sobre competições esportivas envolvendo brigas de animais são contravenções.
Certo ou errado?
67) Art. 59. Entregar-se alguém habitualmente à ociosidade, sendo válido para o trabalho,
sem ter renda que lhe assegure meios bastantes de subsistência, ou prover à própria
subsistência mediante ocupação ilícita: contravenção continua em vigor? Explique.
68) Art. 61. Importunar alguém, em lugar público ou acessível ao público, de modo
ofensivo ao pudor: a importunação não precisa necessariamente estar relacionada a atos
de sexualidade. Certo ou errado?
69) Beijo lascivo é crime ou contravenção? Explique.
70) Servir bebida alcoólica a menor de 18 anos: crime do ECA ou contravenção? Explique.
71) Art. 64. Tratar animal com crueldade ou submetê-lo a trabalho excessivo: esta
contravenção está tacitamente revogada. Certo ou errado?
72) Diferença entre perturbação da tranquilidade e perturbação de trabalho ou sossego
alheios.