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DIREITO PENAL

Prof. Arnaldo Quaresma


@profarnaldoquaresma
TEORIA GERAL DA NORMA

Art. 4º, CP - Considera-se praticado o crime no momento da ação


tempo do ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado.
crime

Art. 6º, CP - Considera-se praticado o crime no lugar em que


lugar do
crime ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como
onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado.                     
  

LEIS DE VIGÊNCIA TEMPORÁRIA – Art. 3º do CP

De acordo com o art. 3º do CP, as leis excepcionais ou temporárias, embora


decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que as
determinaram, aplicam-se aos fatos praticados durante sua vigência. São as leis
autorrevogáveis. Comportam duas espécies:

LEIS EXCEPCIONAIS: são feitas para durar enquanto um estado anormal ocorrer.
Cessam a sua vigência ao mesmo tempo em que a situação excepcional
também terminar. Portanto, são aquelas promulgadas em caso de calamidade
pública, guerras, revoluções, cataclismos, epidemias, etc.

LEIS TEMPORÁRIAS: São as editadas com período determinado de duração,


portanto, dotadas de autorrevogação. É feita para vigorar em um período de
tempo previamente fixado pelo legislador. Traz em seu bojo a data de cessação
de sua vigência. É uma lei que desde a sua entrada em vigor está marcada para
morrer.
HIPÓTESES DE CONFLITOS DE LEIS PENAIS NO TEMPO

Ocorre a chamada abolitio criminis quando a lei nova já não incrimina fato
ABOLITIO CRIMINIS que anteriormente era considerado como ilícito penal. A nova lei,
Artigo 2° CP demonstrando não haver mais, por parte do Estado, interesse na punição do
autor de determinado fato, retroage para alcançá-lo. (adultério era típico,
mas se tornou atípico com a Lei 11.106/05) É decorrência da previsão do art.
5º, XL, CF, e art. 2º, do CP.

NOVATIO LEGIS IN Além da abolitio criminis, a lei nova pode favorecer o agente de várias
MELLIUS maneiras. A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-
Artigo 2°, p. único, CP se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória
transitada em julgado (Art. 2º, parágrafo único do CP).

NOVATIO LEGIS A lei nova incrimina fatos antes considerados lícitos (novatio legis
INCRIMINADORA incriminadora): não retroage. A novatio legis incriminadora, ao contrário da
abolitio criminis, considera crime fato anteriormente não incriminado

A  quarta  hipótese  refere-se  à  nova  lei  mais  severa a anterior (a nova lei de
NOVATIO LEGIS IN
drogas, Lei n. 11.343/06, no art. 33, aumentou a pena do crime de tráfico de
PEJUS drogas). Incide, no caso, o princípio da irretroatividade da lei penal: "a lei
penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu" (art. 5º. XL).

Aplica-se a lei nova durante a atividade executória do CRIME


CRIME PERMANENTE
PERMANENTE, ainda que seja prejudicial ao réu, já que a cada momento
CRIME CONTINUADO da atividade criminosa está presente a vontade do agente.
SÚMULA 711 STF

LEI PENAL NO ESPAÇO


A Lei Penal é elaborada para vigorar dentro dos limites em que o Estado exerce a sua
soberania. Via de regra, pelo princípio da territorialidade, aplica-se as leis brasileiras
aos delitos cometidos dentro do território nacional. Esta é uma regra geral, que
advém do conceito de soberania, ou seja, a cada Estado cabe decidir e aplicar as leis
pertinentes aos acontecimentos dentro do seu território.
REGRA GERAL → TERRITORIALIDADE (ARTIGO 5° DO CP)
EXCEÇÃO → EXTRATERRITORIALIDADE (ARTIGO 7° DO CP)

                Territorialidade: é a regra. Ao crime cometido no território nacional,


aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito
internacional, conforme art. 5º e seus parágrafos.

TERRITÓRIO BRASILEIRO POR EQUIPARAÇÃO (EMBARCAÇÕES E AERONAVES)

Nos termos do artigo 5º, § 1º, do CP, duas situações de território brasileiro por
equiparação:
a) embarcações e aeronaves brasileiras de natureza pública ou a serviço do
governo brasileiro onde estiverem.
b) embarcações e aeronaves brasileiras, de propriedade privada, que estiverem
navegando em alto-mar ou sobrevoando águas internacionais.
c) os navios estrangeiros em águas territoriais brasileiras, desde que públicos, não
são considerados parte do nosso território. Em face disso, os crimes neles
cometidos devem ser julgados de acordo com a lei da bandeira que ostentam.
Se, entretanto, são de natureza privada, aplica-se a lei brasileira (art. 5º, § 2º).

Extraterritorialidade: é uma exceção. Mesmo que o crime seja cometido


fora do Brasil, os agentes se sujeitam à lei brasileira, nas hipóteses mencionadas
no art. 7º, do CP, quais sejam:
EXTRATERRITORIALIDADE INCONDICIONADA

a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República; Nestes casos, o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito que absolvido ou condenado no estrangeiro.
Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa
pública, sociedade de economia mista, autarquia ou
fundação instituída pelo Poder Público;
c) contra a administração pública, por quem está a seu
serviço;
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou
domiciliado no Brasil;

EXTRATERRITORIALIDADE CONDICIONADA

a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a Nestes casos, a aplicação da lei brasileira depende do concurso
reprimir; das seguintes condições:
b) praticados por brasileiro; a) entrar o agente no território nacional;
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, b) ser o fato punível também no país em que foi praticado;
mercantes ou de propriedade privada, quando em c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira
território estrangeiro e aí não sejam julgados. autoriza a extradição;
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí
cumprido a pena;
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro
motivo, não estar extinta a punibilidade,
segundo a lei mais favorável.

COMETIDO POR ESTRANGEIRO CONTRA BRASILEIRO FORA DO BRASIL

se, reunidas as condições:


a) entrar o agente no território nacional;
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado;

+
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei
a) não foi pedida ou foi negada a extradição;
brasileira autoriza a extradição;
b) houve requisição do Ministro da
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter
Justiça.
aí cumprido a pena;
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por
outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei
mais favorável.
PRINCÍPIOS INERENTES À EXTRATERRITORIALIDADE

a) Real/proteção/defesa – artigo 7°, i, “a”, “b” e “c”, do CP.

b) Justiça Universal – artigo 7°, i, “d” e artigo 7, ii, “a”, do CP.

c) Nacionalidade ou personalidade ativa – artigo 7°, ii, “b”, do CP.

d) Nacionalidade ou personalidade passiva – artigo 7°, parágrafo 3°, do CP.

e) Representação ou bandeira – artigo 7°, ii, “c”, do CP.

CONFLITO APARENTE DE NORMAS

É o conflito que se estabelece entre duas ou mais normas aparentemente


aplicáveis ao mesmo fato. Há conflito porque mais de uma norma pretende
regular o fato, mas é aparente, porque apenas uma delas acaba sendo aplicada à
hipótese.

PRINCÍPIOS PARA A SOLUÇÃO DOS CONFLITOS APARENTES DE NORMAS:

PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE
A norma especial, ou seja, a que acresce elemento próprio à descrição legal do
crime previsto na geral, prefere a esta.

A norma do art. 123 do CP, que trata do infanticídio, prevalece sobre a do art. 121,
que cuida do homicídio, porque possui, além dos elementos genéricos deste
último, os seguintes especializantes: “próprio filho”, “durante o parto ou logo após”
e “sob a influência do estado puerperal”.
PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE
Conceito de norma subsidiária: uma norma é considerada subsidiária à outra,
quando a conduta nela prevista integra o tipo da principal, significando que a lei
principal afasta a aplicação da lei secundária. Há relação de subsidiariedade entre
normas quando descrevem graus de violação do mesmo bem jurídico, de forma
que a infração definida pela subsidiária, de menor gravidade que a da principal é
absorvida por esta.

O crime de ameaça (art. 147) cabe no de constrangimento ilegal mediante


ameaça (art. 146), o qual, por sua vez, cabe dentro da extorsão (art. 158). O
sequestro (art. 148) no de extorsão mediante sequestro (art. 159). O disparo de
arma de fogo (Lei 10.826/2003, art. 15) cabe no de homicídio cometido mediante
disparos de arma de fogo (art. 121). Há um único fato, o qual pode ser maior do
que a norma subsidiária, só se pode encaixar na primária.

              Subsidiariedade expressa ou explícita: Ocorre quando a própria lei


indica ser a norma subsidiária de outra. Quando a norma, em seu próprio texto,
subordina a sua aplicação à não-aplicação de outra, de maior gravidade punitiva.
A própria norma reconhece expressamente seu caráter subsidiário, admitindo
incidir somente se não ficar caracterizado fato de maior gravidade.
Ex. Art. 132 - Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente:
Pena - detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais
grave.

        Subsidiariedade tácita ou implícita: Ocorre quando uma figura típica


funciona como elementar ou circunstância legal específica de outra, de maior
gravidade punitiva, de forma que esta exclui a simultânea punição da primeira. A
norma nada diz, mas, diante do caso concreto, verifica-se a sua subsidiariedade.
Ex: Estupro contendo o constrangimento ilegal.
PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO
Ocorre quando um ato definido por uma norma incriminadora é meio
necessário ou normal fase de preparação ou execução de outro crime, bem
como quando constitui conduta anterior ou posterior do agente, cometida com
a mesma finalidade prática atinente àquele crime. Em outras palavras, quando a
infração prevista na primeira norma constituir simples fase de realização da
segunda infração, prevista em dispositivo diverso, deve-se aplicar apenas a última.
Trata-se da hipótese de crime meio e do crime fim. 

Ex.: é o que se dá na violação de domicílio com a finalidade de praticar furto em


residência. A violação é mera fase de execução do delito de furto. 

CONCURSO DE PESSOAS

CONCEITO DE CONCURSO DE PESSOAS

Trata-se de contribuição entre dois ou mais agentes para o cometimento de uma


infração penal. Ocorre quando duas ou mais pessoas, em conjugação de esforços,
reúnem-se para a prática de um ou mais delitos.

TEORIA ADOTADA

Teoria restritiva do conceito de autor.


AUTOR é quem realiza a figura típica, isto é, quem executa o crime, enquanto o
PARTÍCIPE é todo aquele que contribui de qualquer forma para a prática
delituosa, induzindo, instigando ou auxiliando, sem executar, portanto, a ação
descrita no verbo nuclear do tipo.
 
não executa ação descrita


AUTOR executa a ação
descrita no verbo no verbo nuclear do tipo
nuclear do tipo: PARTÍCIPE
formas:
TEORIA RESTRITIVA moral (induzir; instigar)
material (auxiliar)

• punível quando o autor deu início à execução do crime


art. 31, CP - o ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição
expressa em contrário, não são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a

PARTICIPAÇÃO ser tentado.


• conduta acessória tem que ser praticada antes ou durante à ação delituosa
contribuição posterior ao crime pode configurar favorecimento pessoal (art.
348, CP) ou favorecimento real (art. 349, CP)
• punível quando a conduta principal for típica e ilícita
 não é necessário que a conduta seja culpável

REQUISITOS DO CONCURSO DE PESSOAS

I - PLURALIDADE DE CONDUTAS
Trata-se de requisito elementar do concurso de pessoas: a concorrência de mais
de uma pessoa na execução de uma infração penal.
Assim, para que haja concurso de pessoas, exige-se que cada um dos agentes
tenha realizado ao menos uma conduta relevante. Pode ser em coautoria, onde
há duas condutas principais; ou autoria e participação, onde há uma conduta
principal e outra acessória, praticadas, respectivamente, por autor e partícipe.
II - RELEVÂNCIA CAUSAL DAS CONDUTAS
Para justificar a punição de duas ou mais pessoas em concurso, afigura-se
necessário que a conduta do agente tenha efetivamente contribuído, ainda que
minimamente, para a produção do resultado.
Em outras palavras, se a conduta não tem relevância causal, isto é, se não
contribuiu em nada para a produção do resultado, não pode ser considerada
como integrante do concurso de pessoas.
III - DO LIAME SUBJETIVO E NORMATIVO (Vínculo subjetivo e normativo entre os
participantes)
Os agentes devem atuar conscientes de que participam de crime comum, ainda
que não tenha havido acordo prévio de vontades. A ausência desse elemento
psicológico inviabiliza o concurso de pessoas, ensejando condutas isoladas e
autônomas.

O simples conhecimento da realização de uma infração penal ou mesmo a


concordância psicológica caracterizam, no máximo, conivência, que não é
punível, a título de participação, se não constituir, pelo menos, alguma forma de
contribuição causal, ou, então, constituir, por si mesma, uma infração típica.

IV - IDENTIDADE DE INFRAÇÃO PARA TODOS OS PARTICIPANTES


Nos termos do artigo 29, todos que concorrem para o crime respondem pelo
mesmo delito.

Ex: Alguém planeja a realização da conduta típica, ao executá-la, enquanto um


desvia a atenção da vítima, outro lhe subtrai os pertences e ainda um terceiro
encarrega-se de evadir-se do local com o produto do furto. 

• Pluralidade de condutas
REQUISITOS • Relevância causal
CONCURSO
DE PESSOAS • Identidade de infração para todos os participantes
• Liame subjetivo e normativo                    mesma finalidade
           dolo + dolo
desnecessário ajuste prévio

cumulativos
CONCURSO DE CRIMES

crimes da exasperação
mesma espécie de pena

Pluralidade modo execução


de condutas

condições tempo
crime continuado
exasperação
art. 71, CP de pena
lugar

CONCURSO concurso material Pluralidade cúmulo


de condutas material
DE CRIMES
art. 69, CP

formal perfeito exasperação


de pena

concurso formal unidade de conduta

art. 70, CP cúmulo
formal imperfeito material