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TEORIA GERAL DA NORMA

tempo do
Art. 4º, CP - Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão,
ainda que outro seja o momento do resultado.
crime

lugar do
Art. 6º, CP - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação
ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria
crime produzir-se o resultado.                        

LEIS DE VIGÊNCIA TEMPORÁRIA – Art. 3º do CP

De acordo com o art. 3º do CP, as leis excepcionais ou temporárias, embora decorrido o


período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que as determinaram, aplicam-se
aos fatos praticados durante sua vigência. São as leis autorrevogáveis. Comportam duas
espécies:

LEIS EXCEPCIONAIS: são feitas para durar enquanto um estado anormal ocorrer. Cessam
a sua vigência ao mesmo tempo em que a situação excepcional também terminar.
Portanto, são aquelas promulgadas em caso de calamidade pública, guerras, revoluções,
cataclismos, epidemias, etc.

LEIS TEMPORÁRIAS: São as editadas com período determinado de duração, portanto,


dotadas de autorrevogação. É feita para vigorar em um período de tempo previamente
fixado pelo legislador. Traz em seu bojo a data de cessação de sua vigência. É uma lei que
desde a sua entrada em vigor está marcada para morrer.
HIPÓTESES DE CONFLITOS DE LEIS PENAIS NO TEMPO

Ocorre a chamada abolitio criminis quando a lei nova já não incrimina fato que
ABOLITIO CRIMINIS
anteriormente era considerado como ilícito penal. A nova lei, demonstrando não
Artigo 2° CP
haver mais, por parte do Estado, interesse na punição do autor de determinado fato,
retroage para alcançá-lo. (adultério era típico, mas se tornou atípico com a Lei
11.106/05) É decorrência da previsão do art. 5º, XL, CF, e art. 2º, do CP.

Além da abolitio criminis, a lei nova pode favorecer o agente de várias maneiras. A
NOVATIO LEGIS IN MELLIUS
lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos
Artigo 2°, parágrafo único, CP
anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado
(Art. 2º, parágrafo único do CP).

NOVATIO LEGIS INCRIMINADORA A lei nova incrimina fatos antes considerados lícitos (novatio legis incriminadora):
não retroage. A novatio legis incriminadora, ao contrário da abolitio criminis,
considera crime fato anteriormente não incriminado

A  quarta  hipótese  refere-se  à  nova  lei  mais  severa a


NOVATIO LEGIS IN PEJUS
anterior (a nova lei de drogas, Lei n. 11.343/06, no art. 33, aumentou a pena do crime
de tráfico de drogas). Incide, no caso, o princípio da irretroatividade da lei penal: "a lei
penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu" (art. 5º. XL).

Aplica-se a lei nova durante a atividade executória do CRIME PERMANENTE, ainda


CRIME PERMANENTE
que seja prejudicial ao réu, já que a cada momento da atividade criminosa está
CRIME CONTINUADO
presente a vontade do agente.
SÚMULA 711 STF

LEI PENAL NO ESPAÇO


A Lei Penal é elaborada para vigorar dentro dos limites em que o Estado exerce a sua
soberania. Via de regra, pelo princípio da territorialidade, aplica-se as leis brasileiras
aos delitos cometidos dentro do território nacional. Esta é uma regra geral, que
advém do conceito de soberania, ou seja, a cada Estado cabe decidir e aplicar as leis
pertinentes aos acontecimentos dentro do seu território.
REGRA GERAL → TERRITORIALIDADE (ARTIGO 5° DO CP)
EXCEÇÃO → EXTRATERRITORIALIDADE (ARTIGO 7° DO CP)

               Territorialidade: é a regra. Ao crime cometido no território nacional, aplica-se a lei


brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional,
conforme art.5º e seus parágrafos.

TERRITÓRIO BRASILEIRO POR EQUIPARAÇÃO (EMBARCAÇÕES E AERONAVES)

Nos termos do artigo 5º, § 1º, do CP, duas situações de território brasileiro por
equiparação:
a) embarcações e aeronaves brasileiras de natureza pública ou a serviço do governo
brasileiro onde estiverem.
b) embarcações e aeronaves brasileiras, de propriedade privada, que estiverem
navegando em alto-mar ou sobrevoando águas internacionais.
c) os navios estrangeiros em águas territoriais brasileiras, desde que públicos, não são
considerados parte do nosso território. Em face disso, os crimes neles cometidos devem
ser julgados de acordo com a lei da bandeira que ostentam.
Se, entretanto, são de natureza privada, aplica-se a lei brasileira (art. 5º, § 2º).

              Extraterritorialidade: é uma exceção. Mesmo que o crime seja cometido fora do


Brasil, os agentes se sujeitam à lei brasileira, nas hipóteses mencionadas no art. 7º, do
CP, quais sejam:
EXTRATERRITORIALIDADE INCONDICIONADA

a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República; Nestes casos, o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito que absolvido ou condenado no estrangeiro.
Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa
pública, sociedade de economia mista, autarquia ou
fundação instituída pelo Poder Público;
c) contra a administração pública, por quem está a seu
serviço;
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou
domiciliado no Brasil;

EXTRATERRITORIALIDADE CONDICIONADA

a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a Nestes casos, a aplicação da lei brasileira depende do concurso
reprimir; das seguintes condições:
b) praticados por brasileiro; a) entrar o agente no território nacional;
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, b) ser o fato punível também no país em que foi praticado;
mercantes ou de propriedade privada, quando em c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira
território estrangeiro e aí não sejam julgados. autoriza a extradição;
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí
cumprido a pena;
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro
motivo, não estar extinta a punibilidade,
segundo a lei mais favorável.

COMETIDO POR ESTRANGEIRO CONTRA BRASILEIRO FORA DO BRASIL

se, reunidas as condições:


a) entrar o agente no território nacional;
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado;
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira

+
autoriza a extradição; a) não foi pedida ou foi negada a extradição;
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí b) houve requisição do Ministro da
cumprido a pena; Justiça.
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro
motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais favorável.
PRINCÍPIOS INERENTES À EXTRATERRITORIALIDADE

a) Real/proteção/defesa – artigo 7°, i, “a”, “b” e “c”, do CP.

b) Justiça Universal – artigo 7°, i, “d” e artigo 7, ii, “a”, do CP.

c) Nacionalidade ou personalidade ativa – artigo 7°, ii, “b”, do CP.

d) Nacionalidade ou personalidade passiva – artigo 7°, parágrafo 3°, do CP.

e) Representação ou bandeira – artigo 7°, ii, “c”, do CP.

CONFLITO APARENTE DE NORMAS

É o conflito que se estabelece entre duas ou mais normas aparentemente aplicáveis ao


mesmo fato. Há conflito porque mais de uma norma pretende regular o fato, mas é
aparente, porque apenas uma delas acaba sendo aplicada à hipótese.

PRINCÍPIOS PARA A SOLUÇÃO DOS CONFLITOS APARENTES DE NORMAS:

PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE
A norma especial, ou seja, a que acresce elemento próprio à descrição legal do crime
previsto na geral, prefere a esta.

A norma do art. 123 do CP, que trata do infanticídio, prevalece sobre a do art. 121, que
cuida do homicídio, porque possui, além dos elementos genéricos deste último, os
seguintes especializantes: “próprio filho”, “durante o parto ou logo após” e “sob a
influência do estado puerperal”.
PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE
Conceito de norma subsidiária: uma norma é considerada subsidiária à outra, quando a
conduta nela prevista integra o tipo da principal, significando que a lei principal afasta a
aplicação da lei secundária. Há relação de subsidiariedade entre normas quando
descrevem graus de violação do mesmo bem jurídico, de forma que a infração definida
pela subsidiária, de menor gravidade que a da principal é absorvida por esta.

O crime de ameaça (art. 147) cabe no de constrangimento ilegal mediante ameaça (art.
146), o qual, por sua vez, cabe dentro da extorsão (art. 158). O sequestro (art. 148) no de
extorsão mediante sequestro (art. 159). O disparo de arma de fogo (Lei 10.826/2003, art.
15) cabe no de homicídio cometido mediante disparos de arma de fogo (art. 121). Há um
único fato, o qual pode ser maior do que a norma subsidiária, só se pode encaixar na
primária.

              Subsidiariedade expressa ou explícita: Ocorre quando a própria lei indica ser a


norma subsidiária de outra. Quando a norma, em seu próprio texto, subordina a sua
aplicação à não-aplicação de outra, de maior gravidade punitiva. A própria norma
reconhece expressamente seu caráter subsidiário, admitindo incidir somente se não
ficar caracterizado fato de maior gravidade.
Ex. Art. 132 - Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente:
Pena - detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave.

             Subsidiariedade tácita ou implícita: Ocorre quando uma figura típica funciona


como elementar ou circunstância legal específica de outra, de maior gravidade punitiva,
de forma que esta exclui a simultânea punição da primeira. A norma nada diz, mas,
diante do caso concreto, verifica-se a sua subsidiariedade.
Ex: Estupro contendo o constrangimento ilegal.
PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO
Ocorre quando um ato definido por uma norma incriminadora é meio necessário ou
normal fase de preparação ou execução de outro crime, bem como quando constitui
conduta anterior ou posterior do agente, cometida com a mesma finalidade prática
atinente àquele crime. Em outras palavras, quando a infração prevista na primeira
norma constituir simples fase de realização da segunda infração, prevista em
dispositivo diverso, deve-se aplicar apenas a última. Trata-se da hipótese de crime
meio e do crime fim. 

Ex.: é o que se dá na violação de domicílio com a finalidade de praticar furto em


residência. A violação é mera fase de execução do delito de furto.

  CONCURSO DE PESSOAS

CONCEITO DE CONCURSO DE PESSOAS

Trata-se de contribuição entre dois ou mais agentes para o cometimento de uma


infração penal. Ocorre quando duas ou mais pessoas, em conjugação de esforços,
reúnem-se para a prática de um ou mais delitos.

TEORIA ADOTADA

Teoria restritiva do conceito de autor.


AUTOR é quem realiza a figura típica, isto é, quem executa o crime, enquanto o
PARTÍCIPE é todo aquele que contribui de qualquer forma para a prática delituosa,
induzindo, instigando ou auxiliando, sem executar,
portanto, a ação descrita no verbo nuclear do tipo.
 

não executa ação descrita
AUTOR executa a ação descrita no verbo nuclear do tipo
no verbo nuclear do tipo: PARTÍCIPE formas:
TEORIA RESTRITIVA moral (induzir; instigar)
material (auxiliar)

• punível quando o autor deu início à execução do crime


      art. 31, CP - o ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição expressa   
        em contrário, não são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser tentado.
PARTICIPAÇÃO • conduta acessória tem que ser praticada antes ou durante à ação delituosa
      contribuição posterior ao crime pode configurar favorecimento pessoal (art. 348,                 
        CP) ou favorecimento real (art. 349, CP)
• punível quando a conduta principal for típica e ilícita
      não é necessário que a conduta seja culpável

REQUISITOS DO CONCURSO DE PESSOAS

I - PLURALIDADE DE CONDUTAS
Trata-se de requisito elementar do concurso de pessoas: a concorrência de mais de
uma pessoa na execução de uma infração penal.
Assim, para que haja concurso de pessoas, exige-se que cada um dos agentes tenha
realizado ao menos uma conduta relevante. Pode ser em coautoria, onde há duas
condutas principais; ou autoria e participação, onde há uma conduta principal e outra
acessória, praticadas, respectivamente, por autor e partícipe.
II - RELEVÂNCIA CAUSAL DAS CONDUTAS
Para justificar a punição de duas ou mais pessoas em concurso, afigura-se necessário
que a conduta do agente tenha efetivamente contribuído, ainda que minimamente, para
a produção do resultado.
Em outras palavras, se a conduta não tem relevância causal, isto é, se não contribuiu
em nada para a produção do resultado, não pode ser considerada como integrante do
concurso de pessoas.
III - DO LIAME SUBJETIVO E NORMATIVO (Vínculo subjetivo e normativo entre os
participantes)
Os agentes devem atuar conscientes de que participam de crime comum, ainda que
não tenha havido acordo prévio de vontades. A ausência desse elemento psicológico
inviabiliza o concurso de pessoas, ensejando condutas isoladas e autônomas.

O simples conhecimento da realização de uma infração penal ou mesmo a


concordância psicológica caracterizam, no máximo, conivência, que não é punível, a
título de participação, se não constituir, pelo menos, alguma forma de contribuição
causal, ou, então, constituir, por si mesma, uma infração típica.

IV - IDENTIDADE DE INFRAÇÃO PARA TODOS OS PARTICIPANTES


Nos termos do artigo 29, todos que concorrem para o crime respondem pelo
mesmo delito.

Ex: Alguém planeja a realização da conduta típica, ao executá-la, enquanto um desvia a


atenção da vítima, outro lhe subtrai os pertences e ainda um terceiro encarrega-se de
evadir-se do local com o produto do furto. 

REQUISITOS • Pluralidade de condutas

CONCURSO DE
• Relevância causal
• Identidade de infração para todos os participantes
PESSOAS • Liame subjetivo e normativo                    mesma finalidade
           dolo + dolo
desnecessário ajuste prévio

cumulativos
CONCURSO DE CRIMES

crimes da exasperação
de pena
mesma espécie
Pluralidade modo execução
de condutas

condições tempo
crime continuado
exasperação
art. 71, CP de pena
lugar

CONCURSO concurso material Pluralidade


de condutas
cúmulo
material
DE CRIMES art. 69, CP

formal perfeito exasperação


de pena

concurso formal unidade de conduta


art. 70, CP cúmulo
formal imperfeito material