RETA FINAL - POLÍCIA FEDERAL 2012

QUESTÕES DE PROVAS DO CESPE/UnB - AGENTE DE POLÍCIA FEDERAL 2012
SÃO + DE 360 QUESTÕES SEPARADAS POR ASSUNTOS

DIREITO PENAL: PARTE GERAL e ESPECIAL
APLICABILIDADE DA LEI PENAL 1 As principais garantias constitucionais de caráter não-penal estão consubstanciadas, precipuamente, segundo a doutrina tradicional, nas garantias da inexistência de crime sem lei anterior que o defina (anterioridade), bem como na inexistência de pena sem prévia cominação legal (legalidade ou tipicidade penal). 2 O princípio da legalidade veda o uso da analogia in malam partem, e a criação de crimes e penas pelos costumes. 3 O princípio da legalidade, que é desdobrado nos princípios da reserva legal e da anterioridade, não se aplica às medidas de segurança, que não possuem natureza de pena, pois a parte geral do Código Penal apenas se refere aos crimes e contravenções penais. 4 Segundo o princípio da reserva legal, apenas a lei em sentido formal pode criar tipos penais. Dessa maneira, a norma penal em branco, que exige complementação de outras fontes normativas, fere o mencionado princípio e, consequentemente, é inconstitucional. 5 O princípio da estrita legalidade ou da reserva legal e o da irretroatividade da lei penal controlam o exercício do direito estatal de punir, ao afirmarem que não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal. 6 As normas processuais têm aplicação imediata, ainda que o fato que deu origem ao processo seja anterior à entrada em vigor dessas normas. 7 Considere que um indivíduo seja preso pela prática de determinado crime e, já na fase da execução penal, uma nova lei torne mais branda a pena para aquele delito. Nessa situação, o indivíduo cumprirá a pena imposta na legislação anterior, em face do princípio da irretroatividade da lei penal. 8 Quando lei nova que muda a natureza da pena, cominando pena pecuniária para o mesmo fato que, na vigência da lei anterior, era punido por meio de pena de detenção, não se aplica o princípio da retroatividade da lei mais benigna. 9 Considere a seguinte situação hipotética. Um indivíduo respondia a processo judicial por ter sido preso em flagrante delito, quando transportava em seu veículo, caixas contendo cloreto de etila (lança-perfume). Posteriormente à sua prisão, ato normativo retirou a referida substância do rol dos entorpecentes ou dos que causam dependência física ou psíquica. Nessa situação, em face da abolitio criminis, extinguiu-se a punibilidade.

Autor: Professor Alison Rocha

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10 Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais e civis da sentença condenatória. 11 Roberval foi definitivamente condenado pela prática de crime punido com reclusão de um a três anos. Após o cumprimento de metade da pena a ele aplicada, adveio nova lei, que passou a punir o crime por ele praticado com detenção de dois a quatro anos. Nessa situação, a lei nova não se aplicará a Roberval, tendo em vista que sua condenação já havia transitado em julgado. 12 O dispositivo constitucional que estabelece que a lei não retroagirá, salvo para beneficiar o réu, aplicase à lei penal e à lei processual penal. 13 Considere a seguinte situação hipotética. Bira, auxiliado por Giovane, sequestrou sua própria vizinha. Ocorreu que, em virtude de a família da vítima se negar a pagar o resgate, passaram-se mais de 15 dias desde o início do cativeiro. Nesse termo, ou seja, durante o período em que a vítima esteve sob a custódia dos réus, foi publicada lei nova (com vigência e eficácia imediata), aumentando a pena do crime em questão. Nessa situação, de acordo com a posição sumulada do STF, não será aplicada a lei nova em virtude da obrigatória aplicação da lei mais benéfica. 14 Com relação ao lugar em que o crime é considerado praticado, a lei penal brasileira adotou expressamente a teoria da atividade, desprezando a teoria da ubiquidade. 15 Considera-se praticado o crime no momento da produção do resultado. 16 Quanto ao momento em que o crime é considerado praticado, a lei penal brasileira adotou expressamente a teoria da ubiquidade, desprezando a teoria da atividade. 17 Em relação ao tempo do crime, o Código Penal brasileiro adotou, em regra, a teoria do resultado. 18 Considere a seguinte situação hipotética. Entrou em vigor, no dia 1.º/1/2008, lei temporária que vigoraria até o dia 1.º/2/2008, na qual se preceituou que o aborto, em qualquer de suas modalidades, nesse período, não seria crime. 19 As leis penais excepcional e temporária são ultrativas, pois se aplicam a fatos ocorridos antes e durante as respectivas vigências. 20 A lei excepcional ou temporária, embora tenha decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante a sua vigência. 21 A lei temporária, após decorrido o período de sua duração, não se aplica mais nem aos fatos praticados durante sua vigência nem aos posteriores. 22 De acordo com a lei penal brasileira, o território nacional estende-se a aeronaves e embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, onde quer que se encontrem. 23 Se, no interior de uma embarcação não-mercante brasileira que esteja navegando em alto-mar, um cidadão russo praticar lesão corporal em um dos tripulantes, aplicar-se-á, obrigatoriamente, à hipótese, a lei penal brasileira, em face do princípio da territorialidade.

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24 Aplica-se a lei penal brasileira a crimes praticados contra a vida ou a liberdade do presidente da República, mesmo que o crime tenha ocorrido em outro país. 25 Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro, os crimes contra a vida do presidente da República, exceto se o agente tiver sido condenado no estrangeiro. 26 O princípio básico que norteia a aplicação da lei penal brasileira é o da territorialidade temperada. 27 Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro, os crimes de genocídio praticados por brasileiros natos, mas não os praticados por estrangeiros, ainda que residentes no Brasil. 28 Em alto-mar, a bordo de uma embarcação de recreio que ostentava a bandeira do Brasil, Júlio praticou um crime de latrocínio contra Lauro. Nessa situação, aplicar-se-á a lei penal brasileira. 29 Os crimes cometidos no exterior por agente estrangeiro contra o patrimônio de sociedade de economia mista instituída pelo poder público federal brasileiro não se sujeitam à lei brasileira. 30 Um cidadão sueco tentou matar o presidente do Brasil, que se encontrava em visita oficial à Suécia. Nessa hipótese, o crime praticado não ficará sujeito à lei brasileira. 31 Laura, funcionária pública a serviço do Brasil na Inglaterra, cometeu, naquele país, crime de peculato. Nessa situação, o crime praticado por Laura ficará sujeito à lei brasileira, em face do princípio da extraterritorialidade. 32 De acordo com a lei penal brasileira, o território nacional estende-se a embarcações e aeronaves brasileiras de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro, onde quer que se encontrem. 33 Caso um cidadão alemão, dentro de uma embarcação da Marinha Mercante Brasileira, ancorada em porto holandês (local onde, em tese, não se pune o aborto), contribua para que sua esposa, francesa, pratique o abortamento, o território brasileiro não será considerado local de ocorrência da conduta, pois o navio estava ancorado em águas estrangeiras. 34 É aplicado o princípio real ou o princípio da proteção aos crimes praticados em país estrangeiro contra a administração pública por quem estiver a seu serviço. A lei brasileira, no entanto, deixará de ser aplicada quando o agente for absolvido ou condenado no exterior. 35 Em águas territoriais do Brasil, abordo de um navio mercante que ostentava a bandeira da Argentina, um brasileiro praticou um homicídio contra um argentino, ambos tripulantes da embarcação. Nessa situação, aplicar-se-á a lei penal argentina. 36 Considere a seguinte situação hipotética. Peter, de nacionalidade norte-americana, desferiu cinco tiros em direção a John, também norte-americano, matando-o. O crime aconteceu no interior de uma embarcação estrangeira de propriedade privada em mar territorial do Brasil. Nessa situação, não se aplica a lei brasileira ao crime praticado por Peter. 37 Aplica-se a lei penal brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada que estejam em território nacional.

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38 Conforme o art. 7°, inciso I, a, do Código Penal, ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro, os crimes contra a honra do Presidente da República Federativa do Brasil. 39 Em São Paulo, um norte americano comete homicídio contra um japonês. O autor deve ser julgado pela Justiça brasileira. 40 Em Brasília, dentro da embaixada da Nigéria, um sueco furta bens de um colombiano. Nessa situação, o autor deve ser julgado pela Justiça brasileira. 41 No aeroporto de Manila, nas Filipinas, um nicaraguense estupra uma portuguesa dentro de um avião oficial do governo brasileiro. Nesse caso, o autor deve ser julgado pela Justiça brasileira. 42 Em um navio privado holandês que está em alto-mar, é cometido um aborto. Como a lei aplicável é a holandesa, que permite o aborto, não há crime, mesmo que a mulher na qual se realizou o aborto seja brasileira. 43 Em um navio privado brasileiro, ancorado no porto de Nagoya, Japão, um indiano rouba um finlandês. Nesse caso, autor deve ser julgado pela Justiça japonesa. 44 Em voo privado de Buenos Aires a Nova Iorque, durante o sobrevoo do espaço aéreo brasileiro, um canadense provoca lesão corporal em um sul-africano. Nesse caso, o autor poderá ser julgado na Argentina (local do embarque) ou nos Estados Unidos (local do desembarque). 45 Segundo a intraterritorialidade, se um funcionário da ONU, em serviço, praticar um crime no Brasil, que não seja previsto como crime em seu país de origem, poderá ser processado e julgado no Brasil.

Gabaritos do tema tratado acima:
1C 2C 3E 4E 5C 6C 7E 8E 9C 10 E 11 E 12 E 13 E 14 E 15 E 16 E 17 E 18 C
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19 E 20 C 21 E 22 E 23 C 24 C 25 E 26 C 27 E 28 C 29 E 30 E 31 C 32 C 33 C 34 E 35 E 36 E 37 C 38 E 39 C 40 C 41 C 42 C 43 C 44 C 45 E INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL E ANALOGIA 1 No tipo de homicídio qualificado pelo fato de o delito ter sido praticado mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe, há espaço para a interpretação analógica. 2 A analogia só pode ser aplicada, a uma hipótese não prevista em lei, a disposição relativa a um caso semelhante. 3 A interpretação extensiva no direito penal é vedada apenas naquelas situações em que se identifica um desvirtuamento na mens legis. 4 A hermenêutica privilegia a "mens legis" (vontade da lei) em detrimento da "mens legislatoris" (vontade do legislador), justificável, sobretudo, pela dificuldade da língua portuguesa em simbolizar por palavras aquilo que realmente se quer significar. Assim, não fere o princípio da reserva legal o uso da interpretação extensiva em lei penal incriminadora, para se buscar o preciso e exato alcance e significado do texto legal.

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Gabaritos do tema tratado acima:
1C 2C 3C 4C CONFLITO APARENTE DE NORMAS PENAIS 1 Considere a seguinte situação hipotética. Um determinado traficante mantem em estoque e frequentemente vende para menores, droga ilícita, conhecida como maconha. Flagrado por agentes de polícia civil ao oferecer várias trouxinhas para um adolescente, o traficante, em ato contínuo e sem violência, foi conduzido e apresentado ao Delegado de Polícia. Nesse caso, caberá a presente autoridade autuar em flagrante o traficante, por conduta definida como tráfico de substância entorpecente, além disso, incidirá aumento de pena por sua conduta ter envolvido adolescente. 2 O princípio da consunção, consoante posicionamento doutrinário e jurisprudencial, resolve o conflito aparente de normas penais quando um crime menos grave é meio necessário, fase de preparação ou de execução de outro mais nocivo, respondendo o agente somente pelo último. Há incidência desse princípio no caso de porte de arma utilizada unicamente para a prática do homicídio. 3 Ocorre um Conflito Aparente de Normas, também conhecido como Antinomia Aparente de Normas Penais, quando temos um crime, e aparentemente duas ou mais leis aplicáveis. Dessa forma, para resolver um conflito aparente entre as normas penais é preciso considerar quatro princípios: Subsidiariedade, Especialidade, Consunção e Alternatividade. 4 Se um menor de idade for torturado, o agente delitivo responderá pelo inciso II, paragrafo 4º, art.1º da lei 9.455/97(tortura), pois o art.4º da lei de Tortura (9.455/97) revogou o art. 233 do ECA. Assim, tal conduta só pode ser tipificada na lei de tortura, mesmo que seja contra um menor de idade, pois não existe mais ações de tortura no ECA. Além disso, o agente responderá com aumento de pena, segundo o § 4º, inciso II da lei nº 9.455/97. 5 Considere a seguinte situação hipotética. O comerciante Ronaldo mantem em estoque e frequentemente vende para menores em situação de risco (meninos de rua) produto industrial conhecido como cola de sapateiro. Flagrado pela polícia ao vender uma lata do produto para um adolescente, o comerciante foi apresentado à autoridade policial competente. Nessa situação hipotética, caberá ao delegado de polícia a autuação em flagrante de Ronaldo, por conduta definida no ECA. 6 O agente que infringe o tipo penal da lei de drogas na modalidade de importar substância entorpecente não será responsabilizado pelo crime de contrabando por ser mercadoria proibida, visto que a droga, não é de qualquer natureza, mas sim ilícita, nesse caso, aplica-se o princípio da especialidade.

Gabaritos do tema tratado acima:
1C 2C
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3C 4C 5C 6C INFRAÇÕES PENAIS; SUJEITO ATIVO E PASSIVO 1 Entende-se por sujeito passivo do delito o titular do bem jurídico lesado ou ameaçado; assim, seu um indivíduo cometer homicídio contra uma criança, esta será o sujeito passivo do crime, sendo irrelevante, para esse fim, o fato de ela ser juridicamente incapaz. 2 No crime de desacato, o sujeito passivo é o Estado, e o bem jurídico tutelado é Administração da Justiça. 3 Considere a seguinte situação hipotética. Infratores sequestraram o gerente do banco do Brasil, em troca de resgate, exigiram uma vultosa quantia em dinheiro do cofre do banco, que foi paga logo em seguida aos marginais. Nessa situação, a liberdade cerceada foi do gerente do banco do Brasil, mas o prejuízo patrimonial suportado foi da instituição, assim, a pessoa jurídica foi, também, vítima do crime de extorsão mediante sequestro. 4 Pessoa jurídica pode ser vítima de calunia se for acusada falsamente de crime ambiental. 5 Pessoa jurídica não pode ser sujeito passivo de injúria, mas pode ser do delito difamatório. 6 A mais recente posição do STF está em considerar a possibilidade da condenação de pessoa jurídica como sujeito ativo pela prática de crime ambiental, ainda que haja absolvição da pessoa física relativamente ao mesmo delito, ou seja, de forma dissociada. 8 Segundo o Superior Tribunal de Justiça, não é admissível a responsabilidade penal da pessoa jurídica como sujeito ativo em crimes ambientais dissociada da pessoa física. 9 Conforme a doutrina define, o Estado sempre será sujeito passivo formal e a pessoa física ou jurídica sujeitos passivos material ou eventual. 10 A pessoa jurídica pode ser sujeito passivo dos delitos de furto ou roubo. 11 No crime de abandono de recém-nascido, o sujeito ativo pode ser a mãe e o sujeito passivo é a criança abandonada. Gabaritos do tema tratado acima: 1C 2C 3C 4C 5C
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6C 7C 8C 9C 10 C 11 C FATO TÍPICO E SEUS ELEMENTOS 1 Se um indivíduo praticou ato jurídico penalmente atípico, isso impede que se lhe atribua culpabilidade, sob a perspectiva do direito penal. 2 A fim de evitar acusações indesejáveis contra o cidadão, a teoria da tipicidade das normas aceita pelo vigente Código Penal (CP) inclui nos tipos penais os elementos objetivos, subjetivos e normativos. 3 A tipicidade, elemento do fato típico, é a correspondência entre o fato praticado pelo agente e a descrição de cada espécie de infração contida na lei penal incriminadora, de modo que, sem tipicidade, não há antijuridicidade penal, pois, comportadas as exclusões legais, todo fato típico é antijurídico. 4 São elementos do fato típico culposo: conduta, resultado involuntário, nexo causal, tipicidade, ausência de previsão, quebra do dever de cuidado objetivo por meio da imprudência, negligência ou imperícia e previsibilidade objetiva. 5 São elementos do fato típico: conduta, resultado, nexo de causalidade, tipicidade e culpabilidade, de forma que, ausente qualquer dos elementos, a conduta será atípica para o direito penal, mas poderá ser valorada pelos outros ramos do direito, podendo configurar, por exemplo, ilícito administrativo. 6 Assinale a opção correta quanto às formas de exteriorização da conduta típica. a) O crime de sequestro exige uma conduta omissiva. b) O crime de omissão de socorro é classificado como omissivo impróprio. c) A apropriação de coisa achada é delito de conduta omissiva e comissiva ao mesmo tempo. d) A apropriação indébita previdenciária é crime de conduta comissiva, apenas. 7 A tipicidade exige a adequação perfeita da conduta do agente ao modelo abstrato previsto na lei penal, razão pela qual é atípica a conduta do agente que subtrai coisa alheia móvel não com o fim de possuí-la, mas com a intenção de usá-la, uma vez que, no tipo penal, não existe previsão de furto de uso. 8 A tipicidade conglobante surge quando comprovado, no caso concreto, que a conduta praticada pelo agente é antinormativa, ou seja, contrária à ordem jurídica, bem como quando é ofensiva a bens jurídicos relevantes para o direito penal. 9 Segundo a teoria da tipicidade conglobante, o exercício regular do direito, o estrito cumprimento do dever legal, somente esses, deixam de ser excludentes de ilicitude e passam a ser excludentes de tipicidade.

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Gabaritos do tema tratado acima:
1C 2C 3C 4C 5C 6c 7C 8C 9C CRIME CONSUMADO E TENTADO; PENAS DA TENTATIVA 1 Dois irmãos pretendiam assaltar uma agência do Banco do Brasil. Para tanto, alugaram um imóvel ao lado da instituição financeira, adquiriram cordas, sacos plásticos e um aparelho de telefone celular, tendo, ainda, alugado um veículo para ser utilizado na fuga. No entanto, antes de iniciarem qualquer ato contra o patrimônio do banco, a trama foi descoberta por agentes da polícia civil que monitoravam as linhas telefônicas dos irmãos mediante interceptação legalmente autorizada. Os dois foram presos em flagrante sem conseguirem subtrair qualquer valor alheio. Nessa situação hipotética, os irmãos não praticaram crime. 2 Quanto à punibilidade da tentativa, o Código Penal adotou a teoria objetiva temperada, segundo a qual a pena para a tentativa deve ser, salvo expressas exceções, menor que apena prevista para o crime consumado. 3 A consumação dos crimes formais ocorre com a prática da conduta descrita no núcleo do tipo, independentemente do resultado naturalístico, que, caso ocorra, será causa de aumento de pena. 4 Nenhum ato preparatório de crime é punível no direito penal brasileiro. 5 Nos casos de crimes omissivos próprios ou puros, que são aqueles que não produzem resultado naturalístico, admite-se a tentativa. 6 Nas contravenções penais, a tentativa é punida com a pena da contravenção consumada diminuída de um a dois terços. 7 É possível a tentativa no crime preterdoloso ou preterintencional. 8 Na tentativa perfeita, o agente realiza todos os atos executórios, mas não atinge a consumação por circunstâncias alheias à sua vontade. 9 O crime impossível é, também, classificado de quase-crime, tentativa inidônea ou irreal.

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10 Na tentativa imperfeita, ou tentativa inacabada, o agente não consegue praticar todos os atos executórios necessários à consumação do crime, sendo o processo executório interrompido por interferências externas, alheias à vontade do agente. 11 A tentativa abandonada ou qualificada pressupõe resultado que o agente pretendia produzir dolosamente, mas de que, posteriormente, desistiu ou se arrependeu, evitando-o; tal instituto é incompatível com os crimes culposos. 12 Em relação à punição da modalidade tentada de crime, a teoria que o Código Penal adotou foi à subjetiva, segundo a qual a tentativa deve ser punida da mesma forma que o crime consumado, com redução da pena. 13 Se um indivíduo desferir cinco tiros em direção a seu desafeto, com intenção apenas de o lesionar, e, no entanto, por má pontaria, nenhum projétil atingir a vítima, ocorrerá a denominada tentativa incruenta ou branca. 14 Marcelo, com intenção de matar, efetuou três tiros em direção a Rogério. No entanto, acertou apenas um deles. Logo em seguida, um policial que passava pelo local levou Rogério ao hospital, salvando-o da morte. Nessa situação, o crime praticado por Marcelo foi tentado, sendo correto afirmar que houve adequação típica mediata. 15 Ocorre tentativa cruenta ou vermelha quando o agente dispara vários tiros em direção à vítima e causa qualquer lesão. 16 O critério para a fixação do percentual previsto no art. 14, II, do CP (que trata da tentativa), inclusive quanto ao homicídio, baseia-se apenas no quantum percorrido do iter criminis, de forma que a diminuição da pena será menor se o agente tiver ficado próximo da consumação do delito. 17 A redução da pena no delito tentado, o juiz aplicará obrigatoriamente. 18 A tentativa, a participação e o crime omissivo impróprio (comissivo por omissão) são exemplos de adequação típica mediata ou indireta. 19 Considere que Mévio, com intenção homicida, tenha disparado cinco tiros de fuzil contra Tício, que, no entanto, sobreviveu por motivos alheios à vontade de Mévio. Nesse caso, para se concluir qual foi à conduta criminosa praticada por Mévio, faz-se adequação típica de subordinação mediata, concluindo-se pela prática do delito de homicídio doloso tentado, podendo ou não ser qualificado, a depender das circunstâncias e dos motivos que levaram Mévio a efetuar os disparos.

Gabaritos do tema tratado acima:
1C 2C 3E 4E 5E 6E 7E
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8C 9C 10 C 11 C 12 E 13 C 14 C 15 C 16 C 17 C 18 C 19 C

ILICITUDE E CAUSAS DE EXCLUSÃO; PUNIBILIDADE 1 Um delegado de polícia, querendo vingar-se de um desafeto, prendeu-o sem qualquer justificativa, amedrontando-o com o seu cargo. Descobriu, posteriormente, que já existia mandado de prisão preventiva contra aquele cidadão, cabendo a ele, delegado, cumpri-lo. Nessa situação, a conduta do delegado não está acobertada por qualquer excludente de ilicitude, porquanto ele não tinha conhecimento da situação de fato justificante, ou seja, que estava praticando o ato no estrito cumprimento do dever legal. 2 Na causa de exclusão de antijuridicidade, há necessidade da presença dos pressupostos objetivos e da consciência do agente de agir acobertado por uma excludente, de modo a evitar o dano pessoal ou de terceiro, admitindo-se as causas supralegais de justificação. 3 As causas de exclusão de ilicitude são taxativas e estão previstas na parte geral do CP, tendo o legislador pátrio fornecido o conceito preciso de cada uma delas, de modo a evitar interpretações não previstas na norma, em benefício do autor da conduta. 4 A condição de silvícola e a surdo-mudez completa são consideradas causas de exclusão da imputabilidade absoluta, por presunção legal expressa, com fulcro no critério biopsicológico, de as pessoas nessas condições demonstrarem incapacidade de entender o que seja ilicitude e de se autodeterminar de acordo com esse entendimento. 5 O estrito cumprimento do dever legal é compatível com o homicídio praticado pelo militar que, em guerra externa ou interna, mata o inimigo. 6 Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar-se de perigo atual ou iminente que não provocou por sua vontade ou era escusável.

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7 Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. 8 Um bombeiro em serviço não pode alegar estado de necessidade para eximir-se de seu ofício, visto que tem o dever legal de enfrentar o perigo. 9 Agindo o sujeito ativo em legítima defesa, havendo excesso em sua conduta, ele poderá responder pelo excesso de forma dolosa ou culposa, por expressa previsão legal. 10 No estado de necessidade, aplica-se a excludente ainda que o sujeito não tenha conhecimento de que age para salvar um bem jurídico próprio ou alheio. 11 Marco e Matias pescavam juntos em alto-mar quando sofreram naufrágio. Como não sabiam nadar bem, disputaram a única tábua que restou do barco, ficando Matias, por fim, com a tábua, o que permitiu o seu resgate com vida após ficar dois dias à deriva. O cadáver de Marco foi encontrado uma semana depois. Nessa situação a conduta de Matias caracteriza estado de necessidade. 12 O estrito cumprimento de dever legal e a legítima defesa são causas dirimentes, ou seja, excluem a culpabilidade e isentam de pena o autor, por inexigibilidade de conduta diversa. 13 A violação de um domicílio para prestar socorro às vítimas de um desastre afasta a ilicitude da conduta, pois não há crime quando o agente pratica o fato em estado de necessidade. 14 Segundo o entendimento doutrinário dominante, uma das principais diferenças entre as excludentes da ilicitude e da culpabilidade é que as primeiras referem-se ao fato enquanto as outras referem-se ao autor da conduta delituosa. 15 Um menor de idade, ao passar por uma casa e perceber que uma mangueira estava repleta de frutas, resolveu invadir a propriedade no intuito de consumir algumas mangas. No momento em que estava saciando a fome, o proprietário avistou o ocorrido e, com o objetivo de proteger seu patrimônio, efetuou disparo em direção ao rapaz, causando-lhe a morte. Nessa situação, a conduta do proprietário caracteriza legítima defesa. 16 São requisitos objetivos do estado de necessidade, entre outros: perigo atual e inevitável; situação não provocada voluntariamente pelo agente; inexigibilidade do sacrifício do bem ameaçado; inexistência do dever legal de enfrentar o perigo. Já o conhecimento da situação de fato justificante é o único elemento subjetivo. 17 Considere que Paulo, ao se dirigir à residência de José para matá-lo, atire no exato instante em que José iria desferir facada mortal em Lúcia. Nessa hipótese, não se caracteriza a legítima defesa de terceiro, uma vez que é relevante que Paulo saiba que está em legitima defesa de terceiro (Lúcia), pois, não haverá exclusão da antijuridicidade se o agente não conhecer a justificante do seu ato. 18 O agente que, em legítima defesa, disparar contra seu agressor, mas, por erro, alvejar um terceiro inocente, não responderá por qualquer consequência penal, mas poderá responder civilmente. 19 A legítima defesa putativa exclui a culpabilidade. 20 Lula foi ameaçado de morte por Cabral, conhecido matador de aluguel. Tendo tido ciência, por fontes seguras, que Cabral o mataria naquela noite e, com o intuito de defender-se, Lula saiu de casa com uma
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faca no bolso de seu casaco. Naquela noite, ao encontrar Cabral em uma rua vazia e escura e, vendo que este colocava a mão no bolso, Lula precipita-se e, objetivando impedir o ataque que imaginava iminente, esfaqueia Cabral, provocando-lhe as lesões corporais. Todavia, após o ocorrido, o próprio Cabral contou a Lula que não ia matá-lo, pois havia desistido de seu intento e, naquela noite, foi ao seu encontro justamente para dar-lhe a notícia. Nesse situação, Lula agiu em legítima defesa putativa e terá sua culpabilidade excluída. 21 Segundo o CP, o agente que repele injusta agressão de um menor ou de um louco age em legítima defesa, pois essa excludente de antijuridicidade está presente tanto na agressão injusta quanto ilícita. 22 Em relação ao estado de necessidade, o Código Penal brasileiro adotou a teoria unitária ou monista objetiva, que determina a ponderação entre os valores dos bens e deveres em conflito, de maneira que o estado de necessidade somente exclua a ilicitude quando o bem sacrificado for reputado de menor valor em relação ao bem protegido, ou o bem protegido de igual ou maior valor que o bem sacrificado. 23 A responsabilidade penal do agente nos casos de excesso doloso ou culposo aplica-se às hipóteses de estado de necessidade, da legítima defesa, do estrito cumprimento de dever legal e do exercício regular de direito, expressamente em lei. 24 Considere a seguinte situação hipotética. Alison Rocha estava passeando com o seu cão, da raça pitbull, quando, por descuido, o animal soltou-se da coleira e atacou uma criança. Um terceiro, que passava pelo local, com o intuito de salvar a vítima do ataque, atingiu o cão com um pedaço de madeira, o que causou a morte do animal. Nessa situação hipotética, ocorreu o que a doutrina denomina de estado de necessidade defensivo. 25 O estrito cumprimento do dever legal, causa de exclusão da ilicitude, consiste na realização de um fato típico por força do desempenho de uma obrigação imposta diretamente pela lei, compreendendo, também a expressão dever legal a obrigação prevista em decreto ou regulamento. 26 Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão atual, iminente, futura ou passada a direito seu ou de outrem. 27 Considere a seguinte situação hipotética. Célio chegou inconsciente e gravemente ferido à emergência de um hospital particular, tendo o chefe da equipe médica determinado o imediato encaminhamento do paciente para se submeter a procedimento cirúrgico, pois o risco de morte era iminente. Luiz, irmão de Célio, expressamente desautorizou a intervenção cirúrgica, uma vez que seria necessária a realização de transfusão de sangue, fato que ia de encontro ao credo religioso dos irmãos. Nessa situação, o consentimento de Luiz com relação à intervenção cirúrgica seria irrelevante, pois os profissionais médicos estariam agindo no exercício regular de direito. 28 Arnaldo, lutador de boxe, agindo segundo as regras desse esporte, matou Ailton durante uma luta. Nesse caso, a violência esportiva será causa de exclusão do crime. 29 A lei não permite o emprego da violência física como meio para repelir injúrias ou palavras caluniosas, visto que não existe legítima defesa da honra. Somente a vida ou a integridade física são abrangidas pelo instituto da legítima defesa. 30 Considere que Fábio seja agredido por Alison, de forma injustificável, embora lhe fosse igualmente possível fugir ou permanecer e defender-se. Nessa situação, embora o direito seja instrumento de salvaguarda da paz social, caso Fábio enfrente Alison e o fira gravemente, nesse situação, Fábio estará abarcado pela legitima defesa, pois ele não é obrigado a ser covarde (fugir).
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31 Alison estava passeando, no circo, com seu filho, quando menos esperava, um feroz leão arrebenta a jaula e corre em disparada na direção deles. Nesse caso, para repelir o perigo atual, Alison saca sua pistola e alveja o animal com apenas um tiro mortal, caracterizando, assim, seu comportamento em estado de necessidade. 32 Para que haja estrito cumprimento do dever legal, a obrigação deve decorrer diretamente de lei stricto sensu, não se reconhecendo essa excludente de ilicitude quando a obrigação estiver prevista em decreto, regulamento ou qualquer ato administrativo infralegal. 33 Nos crimes conexos, a extinção da punibilidade de um deles não impede, quanto aos outros, a agravação da pena resultante da conexão. 34 A extinção da punibilidade de crime, ainda que seja pressuposto ou elemento constitutivo de outro crime, a este não se estende. 35 A decisão que julga extinta a punibilidade do agente não impede a propositura da ação civil reparatória. 36 Além de conduzir à extinção da punibilidade, a abolitio criminis e a morte do agente, fazem cessar todos os efeitos penais da sentença condenatória. 37 A anistia exclui o crime, rescinde a condenação e extingue totalmente a punibilidade, tendo, de regra, ao contrário da graça, o caráter da generalidade, ao abranger fatos e não pessoas. 38 No caso de concurso de crimes, a extinção da punibilidade incidirá sobre a pena de cada um, isoladamente. 39 O rol nas hipóteses de extinção de punibilidade é exemplificativo. 40 Considere-se que um indivíduo, com 25 anos de idade, tenha matado outro, em uma briga de bar, em legítima defesa. Nessa situação, a conduta, em princípio, é uma conduta típica, pois está prevista em um tipo incriminador; todavia, sendo a legítima defesa um tipo penal permissivo, não há crime, por ausência de ilicitude. Gabaritos do tema tratado acima: 1C 2C 3E 4E 5C 6E 7C 8C 9C 10 E 11 C
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12 E 13 C 14 C 15 E 16 C 17 C 18 C 19 C 20 C 21 C 22 C 23 C 24 C 25 C 26 E 27 C 28 C 29 E 30 C 31 C 32 E 33 C 34 C 35 C 36 C 37 C 38 C 39 C 40 C

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CULPABILIDADE (elementos e causa de exclusão); IMPUTABILIDADE PENAL 1 Ricardo, após ingerir, em uma festa na casa de amigos, voluntariamente, grande quantidade de álcool, subtraiu o automóvel de propriedade de Lula, que estava na garagem externa da residência deste, efetuando ligação direta. Nessa situação, o crime se consuma independentemente da posse mansa e pacífica do bem, e, se ficar constatado por laudo pericial que a embriaguez de Ricardo era completa, a imputabilidade penal deste ficará excluída. 2 Martiniano foi obrigado, por pessoas que se diziam amigos seus, a ingerir bebida alcoólica até ficar completamente embriagado. Em seguida, essas pessoas levaram-no consigo e, com ele, cometeram roubo contra agência bancária. Nessa situação, por não ser patológica, a embriaguez de Martiniano não lhe retira a imputabilidade nem diminui a pena aplicável ao ato. 3 A embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou força maior, é causa de exclusão da culpabilidade, pois, afasta um de seus elementos, no caso, a imputabilidade. 4 O fato de o agente praticar um crime sob o impulso de emoção ou de paixão exclui a culpabilidade, já que afasta a potencial consciência da ilicitude. 5 Só é possível a ocorrência da excludente de culpabilidade denominada obediência hierárquica nas estruturas de direito público, pois o tipo não se refere à subordinação existente nas relações privadas entre patrão e empregado. 6 A dependência patológica de substância psicotrópica, como drogas, configura doença mental, quando retira a capacidade de entender ou de querer do agente, havendo a exclusão da culpabilidade do agente. 7 A coação física, quando elimina totalmente a vontade do agente, exclui a conduta; na hipótese de coação moral irresistível, há fato típico e ilícito, mas a culpabilidade do agente é excluída; a coação moral resistível atua como circunstância atenuante genérica. 8 Considere a seguinte situação hipotética. Raimundo praticou, em Maio de 2012, crime de furto mediante fraude. Dois meses após a prática do crime, laudo pericial comprovou que, por doença mental, Raimundo passou a ser inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato, embora na data do delito não possuísse tal distúrbio. Nessa situação, é correto afirmar que a doença mental adquirida após a prática do crime não isenta Raimundo de pena. 9 É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteira ou parcialmente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de se determinar de acordo com esse entendimento. 10 Ricardo, obrigado por Sandra, mediante ameaça de arma de fogo, a ingerir quantidade excessiva de bebida alcoólica, ficou completamente embriagado. Nessa hipótese, se Ricardo viesse a cometer um delito, sua pena poderia ser reduzida em até 2/3, caso ele fosse, ao tempo da ação, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. 11 Abel, em completo estado de embriaguez proveniente de caso fortuito, cometeu delito de roubo, tendo sido comprovado que, ao tempo do crime, ele era inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato. Nessa situação, embora tenha praticado fato penalmente típico e ilícito, Abel ficará isento de pena. 12 As causas legais de exclusão da culpabilidade por inexigibilidade de conduta diversa incluem a estrita obediência a ordem não manifestamente ilegal de superior hierárquico. Caso o agente cumpra ordem ilegal ou extrapole os limites que lhe foram determinados, a conduta é culpável.
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13 O erro de proibição é hipótese da exclusão da culpabilidade por o agente não ter potencial consciência da ilicitude do fato. 14 Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial. 15 A embriaguez involuntária incompleta não exclui a culpabilidade do agente. 16 É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. 17 Considere a seguinte situação hipotética. Alison, tendo ingerido voluntariamente grande quantidade de bebida, desentendeu-se com São Pedro, seu amigo, vindo a agredi-lo e a causar-lhe lesões corporais graves. Nessa situação, considerando que, em razão da embriaguez completa, Alison era, ao tempo da ação, inteiramente incapaz de entender a ilicitude de sua conduta e de determinar-se de acordo com este entendimento, não será reconhecida a sua inimputabilidade. 18 A embriaguez culposa ou voluntária não isenta de pena. 19 Suponha que Cabral, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, seja, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato. Nesse caso, ele terá excluída a ilicitude do fato. 20 Em virtude de perturbação de saúde mental, a pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, não era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. 21 Raul, agente de polícia federal, cumprindo ordem não manifestamente ilegal de seu superior hierárquico, acabou por praticar crime contra a administração pública. Nessa situação, apenas o superior hierárquico de Raul será punível, ficando Raul isento de pena. 22 A embriaguez involuntária incompleta do agente não é causa de exclusão da culpabilidade, mas poder reduzir a pena. 23 A embriaguez preordenada, além de não excluir a culpabilidade, vai agravar a pena. 24 A emoção e a paixão, de acordo com o Código Penal, não servem para excluir a imputabilidade penal, mas poderão atenuar a pena aplicada. 25 O Código Penal adotou o critério biológico para aferição da imputabilidade do agente menor de idade, e o caráter biopsicológico para o doente mental que seja inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato. 26 A coação moral irresistível e a obediência hierárquica excluem a culpabilidade. 27 O índio que não esteja socializado e venha a cometer um crime de homicídio, nessa circunstância, em decorrência do critério biopsicológico adotado pelo Código Penal pátrio para o retardamento mental completo, ele poderá ser considerado inimputável, consequentemente terá a sua culpabilidade excluída ficando, assim, isento de pena.

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28 Maria, nascida às 20: 00 do dia 21 de julho de 1990, subtrai no dia 21 de julho de 2008, às 10: 00 horas a bolsa de Rosa, sendo imediatamente detida por policial civil, que a conduz à Delegacia de Polícia. Ao prestar seu depoimento, declara Maria ser menor de idade, uma vez que somente completaria os 18 anos após as 20: 00 horas do referido dia 21 de julho de 2008. Nessa situação, Maria está equivocada, pois, ela é considerada maior de idade, porque praticou o ato no dia em que completou 18 anos. 29 Para fins de imputabilidade penal, na hipótese de ser desconhecida a hora exata do nascimento de determinado indivíduo, a maioridade penal dessa pessoa começará ao meio-dia do seu décimo oitavo aniversário.

Gabaritos do tema tratado acima:
1E 2E 3C 4E 5C 6C 7C 8C 9E 10 E 11 C 12 C 13 C 14 C 15 C 16 C 17 C 18 C 19 E 20 C 21 C 22 C 23 C 24 C 25 C 26 C 27 C 28 C 29 E

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CONCURSO DE CRIMES 1 Suponha que um indivíduo maior de idade entre em um ônibus e, armado, anuncie assalto, determinando que todos os ocupantes coloquem dentro de uma sacola os valores que possuam em dinheiro. Nessa situação, de acordo com o entendimento jurisprudencial dominante, esse indivíduo responderá por crime de roubo, em concurso formal. 2 Abel pretendia tirar a vida do seu desafeto Bruno, que se encontrava caminhando em um parque ao lado da namorada. Mesmo ciente de que também poderia acertar a garota, Abel continuou sua empreitada criminosa, efetuou um único disparo e acertou letalmente Bruno, ferindo levemente sua namorada. Nesse caso, Abel deve responder pelos delitos de homicídio e lesão corporal leve em concurso formal imperfeito. 3 No caso de concurso de crimes, a extinção da punibilidade incidirá sobre a pena de cada um deles, isoladamente. 4 A jurisprudência do STJ preconiza que o lapso temporal superior a trinta dias entre os crimes de roubo praticados pelo mesmo agente não dá azo à aplicação da continuidade delitiva, devendo incidir a regra do concurso material. 5 Marcelo, simulando portar arma de fogo, subtraiu para si dois aparelhos celulares, pertencentes a pessoas diversas, amedrontando as vítimas. Nessa situação, Marcelo deve responder por crime de roubo, em concurso formal. 6 O roubo perpetrado com violação de patrimônios de diferentes vítimas da mesma família, em um único evento delituoso, configura concurso formal de crimes. 7 Se o agente, após subtrair os pertences da vítima com grave ameaça, obriga-a a entregar o cartão do banco e a fornecer a respectiva senha, há concurso formal entre os crimes de extorsão e roubo.

Gabaritos do tema tratado acima:
1C 2C 3C 4C 5C 6C 7C

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CONCURSO DE PESSOAS (coautoria e participação) 1 No concurso de pessoas, o Código Penal diferencia o “coautor” do “partícipe”, propiciando ao juiz que aplique a pena conforme o juízo de reprovação social que cada um merece, em respeito ao princípio constitucional da individualização da pena (art. 5º, XLVI da Constituição Federal). Relativamente ao concurso de pessoas, assinale a alternativa incorreta. (A) A pessoa que conduz um inimputável à prática de uma conduta delituosa responde pelo resultado na condição de autor mediato. (B) Na autoria colateral, há divisão de tarefas para a obtenção de um resultado comum. (C) Quanto à natureza jurídica do concurso de agentes, o Código Penal adotou a teoria unitária ou monista. (D) Admite-se a coautoria no crime culposo. (E) As circunstâncias objetivas comunicam-se, desde que o coautor e o partícipe delas tenham conhecimento. 2 Segundo a teoria monista, adotada como regra pelo Código Penal brasileiro, todos os coautores e partícipes devem responder por um crime único. 3 Configurar-se-á a participação criminosa quando houver acordo prévio entre o autor e partícipe. 4 O partícipe, para ser considerado como tal, não pode realizar diretamente ato de procedimento típico, tampouco ter o domínio final da conduta. 5 O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição expressa em contrário, não são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser tentado. 6 As circunstância objetivas se comunicam, desde que o partícipe tenha conhecimento delas. 7 Paulino, que é servidor público, e seu vizinho Silvestre, que não tem vínculo funcional com a administração pública, subtraíram o computador e a impressora utilizados por Paulino na sua unidade de lotação, apropriando-se dos equipamentos. Silvestre tem conhecimento da profissão de Paulino. Nessa hipótese, Paulino e Silvestre devem responder pelo crime de peculato. 8 Considere que Mévio e Leo tenham resolvido furtar uma casa supostamente abandonada. Nesse furto, considere que Leo tenha ficado vigiando a entrada, enquanto Mévio entrou para subtrair os bens; dentro da residência, Mévio descobriu que a mesma estava habitada e acabou agredindo o morador; após levarem os objetos para um local seguro, Mévio narrou o fato para Leo. Considerando essa situação hipotética, Mévio deverá responder pelo crime de roubo e Leo, por furto. 9 Para a existência do concurso de pessoas, é necessário o ajuste prévio ou concomitante com o crime por parte dos agentes. A simples consciência de estar contribuindo para a ação delituosa não cria o vínculo subjetivo que dá ao delito o caráter único. 10 Considere que os indivíduos João e José — ambos com animus necandi, mas um desconhecendo a conduta do outro — atirem contra Francisco, e que a perícia, na análise dos atos, identifique que José seja o responsável pela morte de Francisco. Nessa situação hipotética, José responderá por homicídio consumado e João, por tentativa de homicídio.

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11 O concurso de pessoas, no sistema penal brasileiro, adotou a teoria monística, com temperamentos, uma vez que estabelece certos graus de participação, em obediência ao princípio da individualização da pena. 12 Valdir e Júlio combinaram praticar um crime de furto, assim ficando definida a divisão de tarefas entre ambos: Valdir entraria na residência de seu ex-patrão Cláudio, pois este estava viajando de férias e, portanto, a casa estaria vazia; Júlio aguardaria dentro do carro, dando cobertura à empreitada delitiva. No dia e local combinados, Valdir entrou desarmado na casa e Júlio ficou no carro. Entretanto, sem que eles tivessem conhecimento, dentro da residência estava um agente de segurança contratado por Cláudio. Ao se deparar com o segurança, Valdir constatou que ele estava cochilando em uma cadeira, com uma arma de fogo em seu colo. Valdir então pegou a arma de fogo, anunciou o assalto e, em face da resistência do segurança, findou por atirar em sua direção, lesionando-o gravemente. Depois disso, subtraiu todos os bens que guarneciam a residência. Nessa situação, deve-se aplicar a Júlio a pena do crime de furto, uma vez que o resultado mais grave não foi previsível. 13 De acordo com o entendimento dominante do Supremo Tribunal Federal, como o delito praticado é de mão própria, não se admite coautoria ou participação, sendo atípica a conduta do advogado de defesa no delito de falso testemunho. 14 Júlio e Marcos encontravam-se dentro de um veículo nas proximidades de uma loja comercial de propriedade de Marcos. Verificando que a área encontrava-se tomada por vendedores ambulantes que estavam invadindo a rua e que poderiam prejudicar sua freguesia, Marcos incentivou Júlio, que conduzia o veículo, a imprimir velocidade incompatível com o local, desejando que algum dos ambulantes fosse atropelado e, em consequência, os demais sentissem receio de permanecer no local. Júlio, sem observar o cuidado exigido para a condução do veículo, seguiu os conselhos de Marcos e, de forma imprudente, acelerou exageradamente o veículo, acabando por atropelar, de fato, um dos ambulantes que ali trabalhava. Nessa situação, houve concurso de agentes entre Júlio e Marcos. 15 Felipe entrega sua arma a Tadeu, afirmando que a mesma está descarregada e incita-o a disparar a arma na direção de Mévio, alegando que se tratava de uma brincadeira. No entanto, a arma estava carregada e Mévio vem a falecer, o que leva ao resultado pretendido ocultamente por Felipe. Nessa hipótese, Felipe responderá, por ter sido autor mediato, pelo crime de homicídio doloso; já Tadeu, se não agiu culposamente, estará isento de pena pela exclusão de sua culpabilidade. 16 Breno e José atiram contra Pedro, com intenção de matá-lo, sem que um soubesse da conduta criminosa do outro. Pedro vem a falecer, sendo impossível determinar, pelo exame de corpo de delito, qual tiro foi o efetivo causador da morte. Nessa situação, ocorre a chamada autoria colateral incerta, respondendo os dois agentes por homicídio tentado. 17 Juliana era conhecida de Múcio, funcionário de autarquia federal, e sobre ele a primeira possuía grande ascendência. Juliana não era funcionária pública e, durante muito tempo, tentou convencê-lo a subtrair um equipamento, de pequeno porte mas valioso, que havia no ente público, até que Múcio anuiu e efetuou a subtração. Nessa situação, Múcio cometeu peculato e, pelo fato de esse delito ser próprio de funcionário público, Juliana não poderia ser punida como partícipe do crime. 18 Pela teoria da acessoriedade limitada, adotada pelo código penal, o partícipe somente responde pelo crime se o fato principal for típico e ilícito, não necessita ser culpável.

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19 Quem, de forma consciente e deliberada, se serve de pessoa inimputável para a prática de uma conduta ilícita é responsável pelo resultado na condição de autor mediato. 20 Fernando, Cláudio e Maria, penalmente imputáveis, associaram-se com Geraldo, de 17 anos de idade, com o fim de cometer estelionato. Alugaram um apartamento e adquiriram os equipamentos necessários à prática delituosa, chegando, em conluio, à concretização de um único crime. Nessa situação, o grupo, com exceção do adolescente, responderá apenas pelo crime de estelionato, não se caracterizando o delito de quadrilha ou bando, em face da necessidade de associação de, no mínimo, quatro pessoas para a tipificação desse delito, todas penalmente imputáveis.

Gabaritos do tema tratado acima:
1B 2C 3E 4C 5C 6C 7C 8C 9E 10 C 11 C 12 C 13 E 14 E 15 C 16 C 17 E 18 C 19 C 20 E

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CRIME CONTRA A VIDA 1 O homicídio praticado mediante paga ou promessa de recompensa classifica-se doutrinariamente como crime bilateral. 2 No homicídio culposo, se o autor do crime imagina que a vítima já está morta e por isso não lhe presta socorro, ainda assim, responderá pela causa de aumento de pena decorrente da omissão de socorro. 3 O ciúme, por si só, não caracteriza o motivo torpe, apto a qualificar o crime de homicídio. 4 Suponha que Bárbara tenha se suicidado após ter sido induzida e instigada por Mercedes. Nessa situação hipotética, segundo o CP, a pena de Mercedes será duplicada caso o crime tenha sido praticado por motivo egoístico. 5 Manoel, penalmente responsável, instigou Joaquim à prática de suicídio, emprestando-lhe, ainda, um revólver municiado, com o qual Joaquim disparou contra o próprio peito. Por circunstâncias alheias à vontade de ambos, o armamento apresentou falhas e a munição não foi deflagrada, não tendo resultado qualquer dano à integridade física de Joaquim. Nessa situação, a conduta de Joaquim, por si só, não constitui ilícito penal, mas Manoel responderá por tentativa de participação em suicídio. 6 Recentemente, o STF autorizou a interrupção da gravidez em caso de fetos sem cérebro. Nessa situação, com a decisão do Supremo, o aborto desse tipo deixou de ser crime. 7 Considerando que Sérgio pratique crime de homicídio mediante promessa de recompensa efetivada por Ricardo, nessa situação, a qualificadora relativa à promessa de recompensa que incide no crime de homicídio praticado por Sérgio, comunicar-se-à a Ricardo, segundo entendimento do STJ. 8 Charles, com 30 anos de idade, após ingerir grande quantidade de bebida alcoólica durante um jogo de futebol que assistia pela televisão, aborreceu-se com Madruga, de 52 anos de idade, porque este torcia pelo time adversário, desferindo quatro facadas em regiões diversas do corpo de Madruga, com animus necandi, ocasionando-lhe, assim, a morte. Em seguida, Charles fugiu do local do crime, sem prestar socorro à vítima, para evitar enfrentar as consequências legais de seu ato. Considerando a situação hipotética, Charles responderá por homicídio qualificado pelo motivo fútil. 9 Maria Paula, sabendo que sua mãe apresentava problemas mentais que retiravam dela a capacidade de discernimento e visando receber a herança decorrente de sua morte, induziu-a a cometer suicídio. A vítima atentou contra a própria vida, vindo a experimentar lesões corporais de natureza grave que não a levaram à morte. Nessa situação hipotética, Maria Paula cometeu o crime de tentativa de homicídio qualificado. 10 Manoel dirigia seu automóvel em velocidade compatível com a via pública e utilizando as cautelas necessárias quando atropelou fatalmente um pedestre que, desejando cometer suicídio, se atirou contra seu veículo. Com relação a essa situação hipotética, Manoel não praticou crime, na medida em que não houve previsibilidade na conduta da vítima. 11 Agentes de um distrito policial montaram barreira policial rotineira, com o objetivo de encontrar drogas ilícitas. Um motociclista, ao passar pela barreira, não atendeu ao sinal de parada determinado por um agente, pois estava sem capacete e não possuía licença para conduzir aquele veículo. Ato contínuo, três policiais efetuaram disparos de pistola contra o motociclista, que faleceu em consequência das lesões provocadas pelos disparos. Com referência a essa situação hipotética, os policiais devem responder pelo crime de homicídio consumado.

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12 Fabiana estava atrasada para o trabalho. Ao retirar o seu veículo da garagem, percebeu que havia passado em cima de algo que supunha ser um objeto. Ao descer para verificar do que se tratava, notou que havia passado por cima do seu filho de 6 meses, que brincava atrás do automóvel. Desesperada, Fabiana chamou pelo marido, que imediatamente levou a criança ao hospital. No entanto, o esforço foi vão, pois o filho de Fabiana faleceu em consequência dos ferimentos sofridos. Nessa situação hipotética, Fabiana cometeu o crime de homicídio culposo, sendo certo que o juiz poderá deixar de aplicar a pena se as consequências da infração a atingirem de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária. 13 A utilização de arma de fogo qualifica o crime de homicídio. 14 Com relação ao motivo torpe, a vingança pode ou não configurar a qualificadora, a depender da causa que a originou. 15 Determinada mãe, sob influência do estado puerperal e com o auxílio de terceiro, matou o próprio filho, logo após o parto. Nessa situação, considerando que os dois agentes são maiores e capazes e agiram com dolo, a mãe responderá pelo delito de infanticídio, conjuntamente com o terceiro. 16 O pai que dolosamente matar o filho recém-nascido, após instigação da mãe, que está em estado puerperal, responderá por homicídio e a mãe, partícipe, por infanticídio. 17 A conduta do agente que, sob o domínio de violenta emoção, mata a esposa após flagrá-la traindo-o caracteriza homicídio privilegiado. 18 A figura do homicídio privilegiado compatibiliza-se com as qualificadoras de cunho objetivo, ocasião em que deve ser considerada crime hediondo. 19 Se a gravidez era de gêmeos e a pessoa que praticou o aborto não sabia, há crime único para evitar a responsabilidade objetiva. 20 O agente que praticar aborto ilícito consentido em mulher grávida de gêmeos responderá pelo delito de aborto em concurso formal homogêneo, ainda que desconheça que se trate de gravidez gemelar. 21 Getúlio, a fim de auferir o seguro de vida do qual era beneficiário, induziu Maria a cometer suicídio, e, ainda, emprestou- lhe um revólver para que consumasse o crime. Maria efetuou um disparo, com a arma de fogo emprestada, na região abdominal, mas não faleceu, tendo sofrido lesão corporal de natureza grave. Em relação a essa situação hipotética, Getúlio deve responder por crime de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio, por uma única vez, com pena duplicada pela prática do crime por motivo egoístico. 22 Carlos, a fim de auferir o seguro de vida do qual era beneficiário, induziu Patrícia a cometer suicídio, e, ainda, emprestou- lhe um revólver. Patrícia efetuou um disparo, com a arma de fogo emprestada, que pegou de raspão, resultado apenas em lesão corporal leve. Nessa situação, a conduta de Carlos é atípica. 23 A violenta emoção, para ensejar o privilégio, deve ser dominante da conduta do agente e ocorrer logo após injusta provocação da vítima. 24 Tendo a casa invadida, Braz e toda a sua família ficaram reféns de um assaltante, que se rendeu, após dois dias, aos policiais que participaram das negociações para a sua rendição. Quando estava sendo algemado, o assaltante sorriu ironicamente para Braz, que, sob o domínio de violenta emoção, sacou repentinamente a pistola do coldre de um dos policiais e matou o assaltante. Nessa situação, a circunstância em que Braz cometeu o delito de homicídio constitui causa de redução de pena, por ser privilegiado.

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25 Tubarão, portador do vírus HIV, de forma consciente e voluntária, manteve relações sexuais com Margarida, com o objetivo de transmitir-lhe a doença e, ao fim, alcançou esse objetivo, infectando-a. Nessa situação, segundo a mais recente jurisprudência do STF, Tubarão incorreu na prática do crime de lesão corporal qualificada pela enfermidade incurável. 26 Havendo intenção de matar, conforme entendimento do STJ, a prática de relação sexual forçada e dirigida à transmissão do vírus da AIDS caracteriza tentativa de homicídio. 27 Se o homicídio doloso for cometido contra menor de 14 anos ou contra pessoa idosa maior de 60 anos a pena será aumentada. 28 Para haver a aplicação da privilegiadora no homicídio, tem que existir o domínio de violenta emoção, pois se for por influência de violenta emoção caracterizará somente uma atenuante, mas não a privilegiadora. 29 O Código Penal brasileiro permite três formas de abortamento legal: o denominado aborto terapêutico, empregado para salvar a vida da gestante; o aborto eugênico, permitido para impedir a continuação da gravidez de fetos ou embriões com graves anomalias; e o aborto humanitário, empregado no caso de estupro. 30 Caso o delito de induzimento, instigação ou auxílio a suicídio seja praticado por motivo egoístico ou caso seja a vítima menor ou, ainda, por qualquer causa, seja sua capacidade de resistência eliminada ou diminuída, a pena será duplicada. 31 Tratando-se de delito de infanticídio, dispensa-se a perícia médica caso se comprove que a mãe esteja sob a influência do estado puerperal, por haver presunção juris tantum de que a mulher, durante ou logo após o parto, aja sob a influência desse estado. 32 O cobrador que mata a pessoa que lhe deve, porque não quitou, na data prometida, a dívida de R$ 1,00 comete homicídio qualificado por motivo fútil. 33 Diego e Márcio, adultos, resolveram testar suas respectivas sortes, instigando, um ao outro, a participar de roleta russa. Em hora e local combinados, diante de um revólver municiado com apenas um projétil, cada qual começou a puxar o gatilho contra sua própria cabeça, até que Márcio findou por se suicidar. Nessa situação, Diego não responderá por nada, pois não se pune a autoeliminação da vida. 34 Na legislação brasileira, não se mostra possível a existência de um homicídio qualificado-privilegiado, uma vez que as causas qualificadoras, por serem de caráter subjetivo, tornam-se incompatíveis com o privilégio. Além disso, a própria posição topográfica da circunstância privilegiadora parece indicar que ela não se aplicaria aos homicídios qualificados. 35 Em se tratando de homicídio, não é incompatível o domínio de violenta emoção com o dolo eventual.

Gabaritos do tema tratado acima:
1C 2C 3C 4C 5E 6C
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7C 8C 9C 10 C 11 C 12 C 13 E 14 C 15 C 16 C 17 C 18 E 19 C 20 E 21 C 22 C 23 C 24 C 25 C 26 C 27 C 28 C 29 E 30 E 31 C 32 C 33 E 34 E 35 C CRIME CONTRA A PESSOA 1 Jarbas, com intenção apenas de lesionar, desferiu golpes de foice contra Mário, decepando-lhe o braço esquerdo. Nessa situação, Jarbas cometeu o delito de lesão corporal gravíssima pela perda de membro. 2 A perda de um dos dedos da mão configura lesão corporal grave pela debilidade permanente do membro. 3 Por se tratar de órgão duplo, a perda de um dos rins não caracteriza lesão corporal de natureza gravíssima, mas apenas lesão corporal de natureza grave. 4 Nos casos de crimes omissivos próprios, que são aqueles que produzem resultado naturalístico, admitese a tentativa.

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5 Em caso de morte da vítima, o delito de omissão de socorro não subsiste, cedendo lugar ao crime de homicídio, uma vez que a circunstância agravadora dessa figura típica omissiva se limita à ocorrência de lesões corporais de natureza grave. 6 O pai, que deixa de colocar tela de proteção na janela do apartamento e cujo filho, no momento que não é observado, debruça-se no parapeito e cai, falecendo com a queda, comete omissão imprópria, podendo responder por crime de homicídio por omissão. 7 Kaio encontrou Lúcio, seu desafeto, em um restaurante. Com a intenção de humilhá-lo e feri-lo, desferelhe uma rasteira, fazendo com que Lúcio caia e bata a cabeça no chão. Em decorrência, Lúcio sofre traumatismo craniano, vindo a óbito. Na situação descrita, Kaio cometeu crime de lesão corporal seguida de morte. 8 Por ausência de previsão legal, não se admite a aplicação do instituto do perdão judicial ao delito de lesão corporal, ainda que culposa. 9 Para a configuração da agravante da lesão corporal de natureza grave em face da incapacidade para as ocupações habituais por mais de trinta dias, não é necessário que a ocupação habitual seja laborativa, podendo ser assim compreendida qualquer atividade regularmente desempenhada pela vítima. 10 O delito de ameaça pode ser praticado de forma verbal, escrita ou gestual. 11 O crime de constrangimento ilegal é caracterizado por meio de violência ou grave ameaça por parte de quem o comete. 12 Vítor desferiu duas facadas na mão de Joaquim, que, em consequência, passou a ter debilidade permanente do membro. Nessa situação, Vítor praticou crime de lesão corporal de natureza grave, classificado como crime instantâneo. 13 Alice, em sua casa, viu o filho da vizinha, de três anos, jogar-se na piscina e afogar-se, o que o levou à morte. Nessa situação, mesmo quedando-se inerte, nada tendo feito para evitar a produção do resultado, Alice não responderá por homicídio, uma vez que não tinha o dever de evitar o resultado. 14 Bernardo, trafegando com seu veículo em estrada de pouco movimento, verificou que, às margens da rodovia, encontrava-se, caída, uma vítima d e atropelamento. Tendo importante reunião de trabalho a se iniciar dentro de meia hora, não prestou assistência à vítima. Terminada a reunião, arrependeu -se, voltou ao local onde a vítima se encontrava e providenciou sua condução para um hospital. Nessa situação, a conduta posteriormente praticada não elide a responsabilidade penal de Bernardo, que poderá responder pelo crime de omissão de socorro. 15 Em viagem de lua-de-mel ao Canadá, Ronaldo, exímio nadador profissional, convidou sua esposa, Érika, nadadora recreativa, para atravessar um grande lago com ele. Érika, no meio do percurso, morreu afogada e Ronaldo completou o percurso. Nesse situação, a conduta omissiva de Ronaldo, quanto à morte de Érika, não é penalmente relevante. 16 A mãe que deixa de amamentar seu filho recém-nascido praticará o delito comissivo por comissão. 17 Na doutrina, distinguem-se as figuras sequestro e cárcere privado, afirmando-se que o primeiro é o gênero do qual o segundo é espécie. A figura cárcere privado caracteriza-se pela manutenção de alguém em recinto fechado, sem amplitude de locomoção, definição esta mais restrita que a de sequestro.

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18 Considere que Pedro pratique crime contra a honra de José, imputando-lhe, falsamente, fato definido como crime e que Eduardo, sabendo falsa a imputação, a propale e divulgue. Nessa situação hipotética, Eduardo incorre na mesma pena de Pedro. 19 A imputação vaga, imprecisa ou indefinida de fatos ofensivos à reputação não caracteriza difamação. 20 No delito de injúria, o juiz pode deixar aplicar a pena, quando o ofendido, de forma reprovável, tenha provocado diretamente a injúria. 21 O agente que preconceituosamente se refere a alguém como velho surdo, ciente da idade e deficiência da pessoa, comete injúria qualificada. 22 O agente que imputa a alguém a conduta de mulherengo, no intuito de ofender sua reputação, comete o crime de difamação. 23 O agente que designa alguém como ladrão, no intuito de ofender sua dignidade, comete o crime de injúria. 24 Se a injúria consistir na utilização de elementos referentes à raça, cor, etnia, religião, origem ou à condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência, será qualificada, também conhecida como injúria racial ou discriminatória. 25 Caso o querelado, antes da sentença, se retrate cabalmente da calúnia ou da difamação, ficará isento de pena. 26 Tratando-se do delito de injúria, admite-se a exceção da verdade caso o ofendido seja funcionário público, e a ofensa, relativa ao exercício de suas funções. 27 O CP preve, para os crimes de calúnia, de difamação, o instituto da exceção da verdade, que consiste na possibilidade de o acusado comprovar a veracidade de suas alegações, para a exclusão do elemento objetivo do tipo. Entretanto, tal instituto não se aplica na injúria. 28 O objeto jurídico da injúria é a honra subjetiva da vítima, sendo certo que o delito não se consuma, caso o agente tenha agido com simples animus jocandi. 29 As penas cominadas aos delitos contra a honra aplicam-se em dobro, caso o crime tenha sido cometido mediante promessa de recompensa. 30 O chefe de uma equipe de vendedores de uma grande rede de supermercados exigiu a presença, em sua sala, de um subordinado que não havia cumprido a meta de vendas do mês e, com a intenção de ofender-lhe o decoro, chamou-o de burro e incompetente. Durante a ofensa, apenas os dois encontravamse no recinto. Nessa situação, o chefe poderá responder pelo delito de injúria. 31 A perda de um olho, de um ouvido, de um rim, quando mantido o outro íntegro, não configura a lesão gravíssima do par. 32 Tratando-se de órgãos duplos, a lesão para ser classificada como gravíssima deve atingir ambos. 33 A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento de que o simples fato de o laudo para comprovar a incapacidade para as ocupações habituais que configura lesão corporal grave ter sido realizado além dos trinta dias, por si só, não o descredencia, quando devidamente comprovada nos autos a incapacidade para o trabalho, mesmo porque o prazo não é peremptório (decisivo).
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Gabaritos do tema tratado acima:
1C 2C 3C 4E 5E 6C 7C 8E 9C 10 C 11 C 12 C 13 C 14 C 15 E 16 C 17 C 18 C 19 C 20 C 21 C 22 C 23 C 24 C 25 C 26 E 27 C 28 C 29 C 30 C 31 C 32 C 33 C CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO 1 Suponha que Bernardo tenha subtraído, via Internet, valores da conta-corrente de titularidade de Andréa, utilizando-se, para tanto, dos dados relativos a número de conta, agência e senha bancária que obtivera ao acessar ilicitamente o computador da referida correntista. Nesse caso, Bernardo deve responder pelo crime de

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a) furto simples. b) estelionato. c) apropriação indébita. d) furto mediante fraude. 2 Celso, desafeto de Arnaldo, proprietário de uma agência de veículos, mediante grave ameaça, visando obter indevida vantagem econômica, constrangeu Márcia, estagiária da agência, com 16 anos de idade, a lhe entregar documento que poderia dar ensejo a processo criminal contra Arnaldo. Nessa situação hipotética, Celso cometeu o crime de a) extorsão indireta. b) ameaça. c) extorsão. d) exercício arbitrário das próprias razões. e) abuso de incapazes. 3 Nilo, do interior da penitenciária em que se encontra preso, ligou para Cátia e exigiu que a mesma comprasse determinada quantidade de cartões para telefone celular sob pena de que se não o fizesse, mandaria matar seus filhos. Intimidada e com receio de que as ameaças se concretizassem, Cátia cumpriu a exigência. Na situação apresentada, Nilo praticou o crime de a) roubo. b) furto. c) extorsão. d) apropriação indébita. e) estelionato. 4 Determinado agente subtraiu, sem violência, a carteira de um pedestre. No entanto, logo depois da ação, empregou violência contra a vítima a fim de assegurar a detenção definitiva da carteira. Nessa situação, o agente deverá responder pelo delito de furto, pois a violência só foi empregada em momento posterior à subtração. 5 Para que o crime de extorsão seja consumado é necessário que o autor do delito obtenha a vantagem indevida. 6 A subtração de energia elétrica pode tipificar o crime de furto. 7 Robson, motorista profissional, foi contratado por um grupo de pessoas para fazer o transporte em seu caminhão, de mercadorias que foram objeto de roubo. No início da viagem, o veículo foi interceptado e o motorista, preso pela polícia. Nessa situação, Robson praticou o crime de receptação, na modalidade de transportar coisa que sabe ser produto de crime. 8 Celso, com vinte anos de idade, capaz, residia, durante o período de estudos na faculdade, no imóvel de seu tio Paulo, juntamente com este e com dois primos. Para pagar diversas dívidas contraídas em jogos de azar, consumo de bebidas alcoólicas e drogas, furtou ao tio um notebook avaliado em R$ 1.500,00. Ao ser descoberto e interpelado pelos primos, Celso, irritado com a situação, destruiu, de forma dolosa, um microscópio eletrônico de um dos primos, aparelho que, avaliado em R$ 900,00, foi lançado ao chão.

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Nessa situação, em relação ao prejuízo causado ao tio, o agente é isento de pena, dada a relação de coabitação, e o ato praticado contra o primo é de ação penal privada. 9 Assinale a opção correta a respeito dos crimes contra o patrimônio. a) Não há delito de roubo quando a res sobre a qual recai a conduta delituosa do agente constitui objeto ou substância proibida pelo ordenamento jurídico brasileiro, como, por exemplo, substâncias entorpecentes. b) O entendimento firmado na jurisprudência dos tribunais superiores e na doutrina em relação ao crime de roubo majorado por uso de arma é que o termo arma deve ser concebido em seu sentido próprio. Dessa forma, o roubo praticado com arma desmuniciada não autoriza a incidência da majorante, por ausência da potencialidade lesiva. c) O roubo majorado pelo concurso de pessoas impõe que os agentes sejam capazes, não se computando os inimputáveis. d) A distinção entre roubo próprio e roubo impróprio, segundo a doutrina e a jurisprudência, refere-se ao uso de violência no primeiro e, no segundo, a utilização da grave ameaça contra a pessoa. e) O delito de roubo majorado por uso de arma absorve o delito de porte de arma. 10 Na hipótese chamada de roubo frustrado em que o agente subtraia coisa da vítima, mas seja, logo após, perseguido e preso em flagrante por terceira pessoa, com integral recuperação da res, ocorre crime na modalidade tentada. 11 Segundo o STJ, não incide a majorante do repouso noturno quando o furto é praticado em estabelecimentos comerciais. 12 A jurisprudência do STF quanto à consumação do furto é mais rígida que a do STJ, pois exige a saída da coisa da chamada esfera de vigilância da vítima. 13 Segundo entendimento mais recente do STJ e do STF, para caracterizar a causa de aumento de pena prevista no CP no que concerne ao emprego de arma no crime de roubo, não há a necessidade de se apreender e realizar perícia na arma para constatar sua potencialidade lesiva, podendo o seu emprego ser demonstrado pela prova testemunhal. 14 Conforme previsão legal, somente se admitirá a delação premiada no crime de extorsão mediante sequestro se o crime for cometido em concurso e o delator facilitar a libertação do sequestrado. Nesse caso, o delator terá sua pena reduzida de um a dois terços. 15 Luiz, advogado, foi contratado para mover ação judicial pleiteando indenização por danos morais e materiais experimentados por sua cliente em razão de problemas de saúde decorrentes de mau atendimento em hospital particular. Foi celebrado acordo em juízo, tendo a administração do hospital promovido o depósito da quantia ajustada em conta judicial. Luiz sacou os valores depositados, mas deixou de repassá-los a sua cliente. Nessa situação, Luiz praticou o crime de apropriação indébita, incidindo causa especial de aumento de pena. 16 Conforme jurisprudência unânime do STF, para a caracterização da majorante no delito de roubo exercido com o emprego de arma, exige-se a apreensão da arma para que seja periciada, a fim de se constatar a sua potencialidade lesiva.

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17 No delito de furto, são incompatíveis a qualificadora do concurso de pessoas e o privilégio relativo à primariedade do agente e ao pequeno valor da coisa furtada. 18 Júnior, advogado, teve o seu relógio furtado. Dias depois, ao visitar uma feira popular, percebeu que o referido bem estava à venda por R$ 30,00. Como pagou R$ 2.000,00 pelo relógio e não queria se dar ao trabalho de acionar as autoridades policiais, Júnior desembolsou a quantia pedida pelo suposto comerciante e recuperou o objeto. Nessa situação hipotética, Júnior praticou o delito de receptação. 19 Bens imóveis podem ser objetos de crime de apropriação indébita. 20 Ao retirar seu veículo da garagem de casa, Suzana foi surpreendida com a ação de dois indivíduos que, mediante grave ameaça, obrigaram-na a passar para o banco de trás. Um dos indivíduos saiu dirigindo o automóvel, enquanto o outro manteve a vítima dominada, impedindo-a de manter contato com a família ou com autoridades policiais. Após 15 horas, Suzana foi solta em local de pouco movimento com a sua integridade física preservada, e os indivíduos fugiram, levando o carro da vítima para outra cidade. Dois dias depois, as autoridades policiais recuperaram o bem, que, porém, antes, foi utilizado em um assalto à agência do Banco do Brasil no interior do estado. Nessa situação hipotética, de acordo com o CP, Suzana foi vítima de roubo com causa especial de aumento de pena. 21 Quem subtrai para si coisa alheia móvel de valor significativo, mediante grave ameaça praticada com a utilização de arma de brinquedo, deve responder pelo crime de roubo simples. 22 Ainda que o agente não realize a pretendida subtração de bens da vítima, haverá crime de latrocínio quando o homicídio se consumar. 23 Considere a seguinte situação hipotética. Ana subtraiu maliciosamente determinada peça de roupa de alto valor de uma amiga, com a intenção tão só de utilizá-la em uma festa de casamento. Após o evento, Ana, tendo atingido seu objetivo, devolveu a vestimenta. Nessa situação, Ana não responderá pelo delito de furto, uma vez que o CP não tipifica a figura do furto de uso. 24 Roberto, com 23 anos de idade, subtraiu para si um aparelho celular avaliado economicamente em R$ 900,00, pertencente ao seu pai, Alberto, de 63 anos de idade, e em seguida, vendeu-o por R$ 200,00 para Felipe, o qual sabia que o aparelho não custava tão barato. Nessa situação hipotética Roberto praticou, em tese, crime de furto, e Felipe, receptação culposa, porque, pela desproporção entre o valor e o preço do aparelho celular, deveria presumir ter sido obtido por meio criminoso. 25 A jurisprudência tem aplicado analogicamente o entendimento já consolidado quanto ao crime de furto, para fins de afastar a tipicidade do roubo de uso. 26 Considera-se famulato o furto a) praticado em estado de extrema miserabilidade, para evitar perigo maior decorrente da ausência de alimentação, situação em que há estado de necessidade, não se incluindo no conceito, entretanto, o furto de bens supérfluos. b) de gados pertencentes a terceira pessoa, espalhados por currais, com ânimo de assenhoramento definitivo pelo autor do crime. c) praticado pelo empregado, aproveitando-se de tal situação, de bens pertencentes ao empregador. d) de energia elétrica. e) de bens de uso comum do povo, que possam ter algum valor econômico.
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27 Rômulo sequestrou Lúcio, exigindo de sua família o pagamento de R$ 100.000,00 como resgate. Nessa situação, o crime de extorsão mediante sequestro praticado por Rômulo se consumou no momento da privação de liberdade da vítima. 28 A droga, ou conjunto de drogas, usada no golpe conhecido como boa-noite, Cinderela, se colocada em bebidas e ingerida, pode deixar a pessoa semi ou completamente inconsciente, funcionando, normalmente, como um potente sonífero. Considerando, por hipótese, que Carlos tenha posto essa substância entorpecente na bebida de Maria e esta tenha entrado em sono profundo. Nessa situação, Carlos praticará o crime de roubo próprio com violência imprópria. 29 Considere a seguinte situação hipotética. Roberto tinha a intenção de praticar a subtração patrimonial não-violenta do automóvel de Geraldo. No entanto, durante a execução do crime, estando Roberto já dentro do veículo, Geraldo apareceu e foi correndo em direção ao veículo. Roberto, para assegurar a detenção do automóvel, ameaçou Geraldo gravemente, conseguindo, assim, cessar a ação da vítima e se evadir do local. Nessa situação, Roberto responderá pelos crimes de ameaça e furto, em concurso material. 30 Considere a seguinte situação hipotética. Fernando, pretendendo roubar, com emprego de arma de fogo municiada, R$ 20.000,00 que Alexandre acabara de sacar em banco, abordou-o no caminho para casa. Alexandre, no entanto, reagiu, e Fernando o matou mediante o disparo de seis tiros, empreendendo fuga em seguida, sem consumar a subtração patrimonial. Nessa situação, Fernando responderá por crime de latrocínio tentado. 31 Se cheques pré-datados emitidos como garantia de dívida forem devolvidos por falta de fundos ao serem apresentados antes da data combinada, o emitente responde por crime de estelionato, na modalidade prevista no CP como emissão de cheque sem suficiente provisão de fundos. 32 A exploração de máquinas eletrônicas de concurso de prognósticos efetivamente configura-se como "jogos de azar", sendo, pois, ilícita, por isso não configurará crime de estelionato. 33 Talonário de cheques em branco, assim como cartão de crédito, não podem ser objeto material do crime de receptação, uma vez que não possui, em si, valor econômico, indispensável à caracterização do delito contra o patrimônio 34 A conduta de servidor do INSS de habilitar e conceder indevidamente aposentadoria por tempo de serviço a terceira pessoa, agindo de forma fraudulenta, caracteriza estelionato de acordo com o Superior Tribunal de Justiça. 35 Segundo recente orientação do STJ, a subtração de cártula de cheque assinada, ainda que não preenchida, configura crime de furto. 36 Em posicionamento recente, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que a presença de sistema eletrônico de vigilância no estabelecimento comercial ou mesmo a vigilância da sua conduta por preposto da empresa torna o agente capaz de tentar o furto, a ponto de não reconhecer configurado o crime impossível, pela absoluta ineficácia dos meios empregados. 37 Na compreensão do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, no roubo próprio, tipificado, no artigo 157 caput do Código Penal, havendo, em casos tais, início de execução do delito complexo com a consumação do crime meio, faz-se irrelevante a discussão acerca da impropriedade ou não do objeto material da subtração, para fins de caracterização da tentativa.

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38 Mévio, com animus de assenhoramento, atingiu com um chute a muleta em que Tício se apoiava, em razão de sua deficiência física, impossibilitando este de qualquer tipo de reação à subtração do dinheiro, por ter lhe derrubado ao chão. Nesse sentido, houve o delito de roubo. 39 Gabriel, mediante ameaça com arma de fogo, obrigou Tarzan, condutor de um veículo, a levá-lo ao caixa eletrônico de um banco, no qual o segundo possuía conta-corrente. Antes de irem ao caixa, porém, Gabriel pôs Tarzan na mala do veículo e passou algumas horas rodando pela cidade. Ao chegarem ao caixa, aquele exigiu deste que sacasse determinada quantia em dinheiro, para poder liberá-lo. Nessa situação, Gabriel cometeu o delito de extorsão qualificada.

Gabaritos do tema tratado acima:
1D 2C 3C 4E 5E 6C 7C 8E 9E 10 E 11 E 12 E 13 C 14 C 15 C 16 E 17 E 18 C 19 E 20 C

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21 C 22 C 23 C 24 C 25 E 26 C 27 C 28 C 29 E 30 E 31 E 32 C 33 C 34 C 35 C 36 C 37 C 38 C 39 C CRIME CONTRA A FÉ PÚBLICA 1 A jurisprudência firmou entendimento pela inaplicabilidade do princípio da insignificância nos delitos de falsificação de moeda. 2 Se, ao ser abordado por policiais militares, em procedimento rotineiro no centro da cidade onde mora, um indivíduo se identificar com outro nome, a fim de esconder antecedentes penais, esse indivíduo praticará o delito de falsa identidade, segundo o STJ. 3 Instaurado processo administrativo disciplinar contra o servidor público estadual Jonas, este, no dia em que seria ouvido pela comissão processante, encaminhou ao presidente da comissão, via fax simile, cópia não autenticada de atestado médico que, noticiando ser ele portador de grave problema cardíaco concedia-lhe afastamento por quinze dias. Apurou-se que o atestado era falso. Nessa situação, em face da impropriedade material do objeto, não há crime de uso de documento falso.

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4 Um agente que tenha adquirido cinco cédulas falsas de R$ 50,00 com o intuito de introduzi-las no comércio local deve responder pelo tipo de moeda falsa, visto que, nessa situação, não se aplica o princípio da insignificância como causa excludente de tipicidade. 5 É atípica a conduta do agente que desvia e faz circular moeda cuja circulação ainda não estava autorizada, pois constitui elementar do crime de moeda falsa a colocação em circulação de moeda com curso legal no país ou no exterior. 6 Segundo o STJ, no caso de crime de falsificação de moeda, a norma penal não busca resguardar somente o aspecto patrimonial, mas também, e principalmente, a moral administrativa, que se vê flagrantemente abalada com a circulação de moeda falsa. No entanto, a pequena quantidade de notas ou o pequeno valor de seu somatório é suficiente para quantificar como pequeno o prejuízo advindo do ilícito perpetrado, a ponto de caracterizar a mínima ofensividade da conduta para fins de exclusão de sua tipicidade. 7 A falsificação grosseira descaracteriza o crime de moeda falsa. 8 Para configuração do crime de moeda falsa, é necessário que a falsificação seja perfeita, não bastando a possibilidade de ser aceita como verdadeira. 9 O fato de ser exibida a carteira de identidade falsificada por determinação de policiais, e não por iniciativa do agente, não descaracteriza o crime de uso de documento falso. 10 É atípica a conduta de quem restitui à circulação de cédula recolhida pela administração pública para ser inutilizada. 11 O direito penal não pune os atos meramente preparatórios do crime, razão pela qual é atípica a conduta de quem simplesmente guarda aparelho especialmente destinado à falsificação de moeda sem efetivamente praticar o delito. 12 No crime de falsificação de documento público, o fato de ser o agente funcionário público é um indiferente penal, ainda que esse agente cometa o crime prevalecendo-se do cargo, tendo em vista que tal delito é contra a fé e não contra a administração pública. 13 No delito de falsidade ideológica, o documento é formalmente perfeito, sendo, no entanto, falsa a ideia nele contida. 14 A substituição de fotografia no documento de identidade verdadeiro caracteriza, em tese, o delito de falsa identidade. 15 Considere que, em uma batida policial, um indivíduo se atribua falsa identidade perante autoridade policial com o intento de ocultar seus maus antecedentes. Nessa situação, conforme recente decisão do STF, configurar-se-á crime de falsa identidade, sem ofensa ao princípio constitucional da autodefesa. 16 É crime próprio, que somente pode ter como sujeito ativo o servidor público, falsificar, no todo ou em parte, atestado ou certidão, ou alterar o teor de certidão ou atestado, para produzir prova de fato que habilite alguém a obter cargo público. 17 A falsificação de moeda e a falsificação de documento particular, bem como a falsidade ideológica e a falsidade de atestado médico, são crimes contra a fé pública. Os dois primeiros dizem respeito à forma do objeto falsificado, que é criado ou alterado materialmente pelo agente; os dois últimos referem-se à falsidade do conteúdo da declaração contida no documento, que, entretanto, é materialmente verdadeiro.
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18 Aquele que utiliza ou divulgar, indevidamente, com o fim de beneficiar a si ou a outrem, ou de comprometer a credibilidade do certame, conteúdo sigiloso de concurso público ou avaliação ou exame público, cometerá crime contra a fé pública. 19 Considere a seguinte situação hipotética. Itamar Franco, funcionário público, facilitou o acesso de pessoas não autorizadas às informações sigilosas de um concurso vestibular. Nessa situação, ele praticou crime de fraude em certame de interesse público, e não crime de violação de sigilo funcional ( art. 325 do CP). 20 Comete crime de fraude em certame de interesse público aquele utilizar ou divulgar, indevidamente, com o fim de beneficiar a si ou a outrem, ou de comprometer a credibilidade do certame, conteúdo sigiloso de concurso público, de avaliação ou exame públicos, de processo seletivo para ingresso no ensino superior ou de exame ou processo seletivo previstos em lei. 21 Nos crimes de fraude em certame de interesse público, a aplicação da pena será mais grave se da ação ou omissão resultar dano a Administração Pública. 22 Funcionário Público que cometa fraude em certame de interesse público terá a sua pena aumentada. 23 Caso seja exibida a carteira de identidade falsificada por determinação de agente público incompetente, nesse caso, descaracterizará o crime de uso de documento falso. 24 O delito de falsificação de documento público é crime formal, cuja consumação se dá no momento da falsificação ou da alteração do documento. 25 O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento que a conduta de declarar nome falso à autoridade policial é atípica, por inserir-se no exercício do direito de autodefesa consagrado na CF, 26 A apresentação de declaração de pobreza com informações falsas para obtenção da assistência judiciária gratuita não caracteriza os crimes de falsidade ideológica ou uso de documento falso. 27 O crime de uso de documento falso só será configurado caso o atestado estiver autenticado. 28 O STF e STJ firmaram entendimento no sentido de que a cópia de documento sem autenticação não possui potencialidade para causar dano à fé pública, não podendo ser objeto material do crime de uso de documento falso. 29 Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido. 30 O STF firmou entendimento que ainda que seja a nota falsificada de pequeno valor, descabe aplicar ao crime de moeda falsa o princípio da insignificância - causa supralegal de exclusão de ilicitude - pois, tratando-se de delito contra a fé pública, é inviável a afirmação do desinteresse estatal à sua repressão. 31 O STF e o STJ firmaram entendimento que na hipótese, os crimes de falsidade ideológica e uso de documento falso estão indissociavelmente ligados a descrição de um potencial crime contra a ordem tributária, razão pela qual são por ele absorvidos. 32 A falsidade ideológica só adquire relevância no âmbito penal se for realizada com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante.

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33 Para os efeitos penais, equiparam-se a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. 34 Incorre nas mesmas penas do crime de falsificação de documento público quem insere ou faz inserir na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório, ou ainda na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita.

Gabaritos do tema tratado acima:
1C 2C 3C 4C 5E 6E 7C 8E 9C 10 E 11 E 12 E 13 C 14 E 15 C 16 E 17 C 18 C 19 C 20 C 21 C 22 C 23 C 24 C 25 C
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26 C 27 C 28 C 29 C 30 C 31 C 32 C 33 C 34 C

CRIME CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 1 Apenas bens públicos são objeto material do crime de peculato, não sendo possível, jamais, que esse crime atinja bens particulares. 2 Considere a seguinte situação hipotética. Carla era delegada de polícia e, durante período de licença da função, exigiu de um criminoso determinado valor, alegando que, se não o recebesse, iria levar aos autos de um inquérito policial sob sua responsabilidade determinadas provas que o incriminariam. Este concordou com a exigência de propina feita pela servidora criminosa, mas não chegou a pagá-la, pois, antes disso, foi preso por outro delegado. Nessa situação, Carla não chegou a cometer crime algum, por dois motivos: fez a exigência fora da função, durante licença, e não chegou a receber a vantagem indevida. 3 Considere a seguinte situação hipotética. Eduardo era servidor público e sabia que parente seu formulara requerimento administrativo, dirigido à autoridade com a qual ele trabalhava. Valendo-se de suas relações profissionais com a autoridade, Eduardo, em conversa com ela, procurou convencê-la de que o pleito merecia ser acolhido. De fato, o parente de Eduardo buscava obter vantagem a que realmente tinha direito. Nessa situação, Eduardo praticou o crime de advocacia administrativa, apesar de o requerimento buscar direito legítimo do requerente. 4 Pratica o crime de corrupção passiva o servidor público que exige, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida. 5 Pratica o crime de prevaricação o servidor que deixar, por indulgência, de responsabilizar subordinado que cometeu infração no exercício do cargo. 6 O particular que solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por servidor público no exercício da função, pratica o crime de corrupção ativa. 7 Um policial militar prendeu em flagrante um traficante de drogas e prometeu libertá-lo imediatamente, em troca do pagamento de cinquenta mil reais. Nesse caso, o policial é sujeito ativo do crime de corrupção passiva. 8 Lindomar foi recentemente contratado por uma autarquia federal para exercer função que envolve exercício de poder de polícia, sendo que tal contratação se deu mediante contrato por tempo determinado
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para atender necessidade temporária de excepcional interesse público. Posteriormente, ele praticou conduta penalmente tipificada como peculato. Nessa situação, apesar de não ocupar cargo nem emprego públicos, Lindomar poderá vir a ser penalmente condenado por crime de peculato. 9 Se um médico credenciado pelo INSS solicitasse importância em dinheiro, por fora, sem imposição, para realizar cirurgia em beneficiária de uma autarquia, haveria a prática do crime de corrupção passiva. 10 A única diferença existente entre os crimes de concussão e de corrupção passiva é que, no primeiro, o agente exige, enquanto, no segundo, o agente solicita ou recebe vantagem indevida, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela.
11 Os crimes praticados por servidor público contra a administração pública previstos no Código Penal são

delitos de ação penal pública incondicionada. 12 Os crimes praticados por servidor contra a administração pública são circunscritos às hipóteses previstas no Código Penal. 13 No crime de peculato culposo, se o sujeito ativo reparar o dano até a data da sentença irrecorrível, sua punibilidade será extinta. 14 Considere a seguinte situação hipotética. Roberto, funcionário autorizado para tanto, facilitou a inserção de dados falsos nos sistemas informatizados da administração pública. Nessa situação, se Roberto não tinha a finalidade de obter vantagem indevida para si ou para outrem nem de causar dano, sua conduta não se enquadrará no delito de inserção de dados falsos em sistema de informações, segundo o Código Penal. 15 O crime de abandono de função é mais severamente punido se do fato resultar prejuízo público. 16 Pratica prevaricação o agente que deixa, indevidamente, de realizar ato de ofício, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal. 17 Haverá crime de concussão caso o agente, ainda que antes de assumir a função pública, tenha exigido, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, em razão da função pública, vantagem indevida. 18 Renato divulgou, sem justa causa, informação sigilosa, assim definida em lei, contida em sistema de dados da administração pública. Nessa situação, somente haverá crime se da ação de Renato resultar prejuízo para a administração pública. 19 Pratica crime de advocacia administrativa quem patrocina, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário, sendo que, se o interesse for ilegítimo, a pena será mais grave. Trata-se de crime de mão própria, isto é, que somente pode ser praticado por advogado ou bacharel em direito. 20 O crime de contrabando não se caracteriza enquanto não houver decisão definitiva no processo administrativo fiscal acerca da constituição do tributo devido, admitindo-se, em juízo, a incidência do princípio da insignificância. 21 No crime de falso testemunho ou falsa perícia o fato deixa de ser punível se, antes da sentença no processo em que ocorreu o ilícito, o agente se retrata ou declara a verdade.

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22 O servidor que recebe dinheiro de particular e emprega-o na própria repartição para fins de melhoria do serviço público pratica conduta atípica. 23 Pratica crime contra a honra e não desacato o sujeito ativo que manda uma carta para a residência de um PRF, afirmando que este é o "maior apropriador do dinheiro público". 24 O agente público que, descumprindo dever funcional, praticar ato de ofício apenas por ceder à influência de outrem comete o crime de corrupção passiva privilegiada. 25 O agente público que, mediante ameaças e lesão corporal, exige vantagem pecuniária indevida comete o crime de concussão. 26 Comete o crime de concussão o médico de hospital público que exige de paciente, em razão de sua função, dinheiro para viabilizar o atendimento pelo SUS. 27 O delegado que deixa de instaurar inquérito policial para satisfazer interesse pessoal comete o crime de favorecimento pessoal. 28 O delegado que deixa de responsabilizar subordinado que cometeu infração no exercício do cargo pratica crime de condescendência criminosa. 29 Haverá o crime de condescendência criminosa ainda que falte ao funcionário público competência para responsabilizar o subordinado que cometeu a infração no exercício do cargo. 30 São incompossíveis os crimes de corrupção ativa praticados pelo particular e de concussão cometido pela autoridade pública. 31 A corrupção não é crime de concurso necessário, sendo desnecessária, para a consumação, a presença do corruptor ativo e do corruptor passivo. 32 Interfere na pena aplicada ao agente o fato de ser ele ocupante de cargo em comissão ou de função de confiança em órgão da administração direta, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista, fundação pública ou em outra entidade controlada direta ou indiretamente pelo poder público. 33 O indivíduo que, no exercício da função pública, tenha praticado violência contra colega de trabalho responderá por lesões corporais, pois não há previsão de crime funcional próprio semelhante. 34 Um funcionário que ocupa cargo em comissão de uma prefeitura foi exonerado, de ofício, pelo prefeito, tendo sido formalmente cientificado do ato mediante comunicação oficial devidamente publicada no diário oficial. A despeito disso, o servidor continuou a praticar atos próprios da função pública, sem preencher condições legais para tanto. Nessa situação, configurou-se o delito de exercício funcional ilegalmente antecipado ou prolongado. 35 Um policial militar em serviço, ao abordar um cidadão, exigiu dele o pagamento de determinada soma em dinheiro, utilizando-se de violência e ameaçando-o de sequestrar o seu filho. A vítima, ante o temor da ameaça, cedeu às exigências formuladas e entregou ao policial a quantia exigida. Nessa situação, não obstante a prática de crime pelo agente, não há que se falar em delito de concussão, pois inexiste nexo causal entre a função pública desempenhada pelo policial e a ameaça proferida. 36 Um delegado de polícia, por desleixo e mera indolência, omitiu-se na apuração de diversas ocorrências policiais sob sua responsabilidade, não cumprindo, pelos mesmos motivos, o prazo de conclusão de vários

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procedimentos policiais em curso. Nessa situação, a conduta do policial não constitui crime de prevaricação. 37 No peculato praticado mediante erro de outrem, não se pune o funcionário público autor do peculato, mas somente aquele que o determinou, ou seja, o autor mediato do crime. 38 Os empregados da EMBASA são equiparados a funcionários públicos para efeitos penais, e podem, portanto, ser responsabilizados pelo crime de peculato. 39 Se A, funcionário público, na companhia de B, que sabe da qualidade funcional de A, retardar ato de seu ofício, infringindo dever funcional, a pedido de terceiro, ambos responderão por prevaricação. 40 Caso o indivíduo X, servidor público, aceite dinheiro oferecido pelo indivíduo Y para retardar o andamento de processo que tramita na vara onde X exerce suas funções, os dois deverão responder por corrupção passiva, em concurso de pessoas. 41 Quem der causa à instauração de mera investigação administrativa contra alguém, imputando-lhe crime de que o sabe inocente, responde pelo delito de denunciação caluniosa. 42 Aquele que provoca a ação de autoridade, comunicando-lhe a ocorrência de simples contravenção penal que sabe não se ter verificado, comete crime contra a administração da justiça. 43 Aquele que facilita a entrada de aparelho telefônico de comunicação móvel, de rádio ou similar, sem autorização legal, em estabelecimento prisional comete crime contra a administração da justiça. 44 A fraude processual é crime comum e formal, não se exige, para a sua consumação, que o juiz ou o perito tenham sido efetivamente induzidos a erro. 45 Francisco, renomado advogado eleitoral, em audiência, induziu a testemunha José a fazer afirmação falsa em processo judicial, instruindo-o a prestar depoimento inverídico, com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em ação penal em curso. Nessa situação, segundo os tribunais superiores, se admite a participação de Francisco no crime de falso testemunho, ainda que se trate de crime de mão própria. 46 É cabível a aplicação do princípio da insignificância para fins de trancamento de ação penal em que se imputa ao acusado a prática de crime de descaminho, desde que não ultrapasse R$ 10.000,00.

Gabaritos do tema tratado acima:
1E 2E 3C 4E 5E 6E 7C 8C 9C 10 E 11 C
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12 E 13 C 14 C 15 C 16 C 17 C 18 E 19 E 20 E 21 E 22 E 23 C 24 C 25 E 26 C 27 E 28 C 29 C 30 C 31 C 32 C 33 E 34 C 35 C 36 E 37 E 38 C 39 E 40 E 41 C 42 C 43 C 44 C 45 C 46 C

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Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado.

Professor de Direito Penal e Leis Esparsas Alison Rocha

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