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C ít l 8

Capítulo

A Sistematicidade do Direito
Constitucional Português
Jorge Bacelar GOUVEIA, Manual de Direito Constitucional, I, pp. 693-719

2009 José Domingues 1


C
Capítulo
l 8
‰ Os princípios constitucionais:
‰ O sentido dos princípios constitucionais em geral.
‰ A relevância dos preâmbulos constitucionais.
‰ As normas constitucionais:
‰ O sentido das normas constitucionais em geral.
geral
‰ Algumas modalidades de normas constitucionais em
especial.
‰ O Direito Constitucional e a Ordem Jurídica:
‰ O Direito Constitucional e as outras parcelas da Ordem
Jurídica.
Jurídica
‰ As relações inter-sistemáticas do Direito Constitucional com
outros ramos normativos.

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C
Capítulo
l 8
‰ Os princípios constitucionais:
‰ O sentido dos princípios constitucionais em geral.
‰ A relevância dos preâmbulos constitucionais.
‰ As normas constitucionais:
‰ O sentido das normas constitucionais em geral.
geral
‰ Algumas modalidades de normas constitucionais em
especial.
‰ O Direito Constitucional e a Ordem Jurídica:
‰ O Direito Constitucional e as outras parcelas da Ordem
Jurídica.
Jurídica
‰ As relações inter-sistemáticas do Direito Constitucional com
outros ramos normativos.

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P
Princípios Constitucionais - Gerall
‰ O Direito Constitucional é composto
p
por:
‰ Princípios jurídico-constitucionais.
‰ Normas jurídico
jurídico-constitucionais
constitucionais.

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P
Princípios Constitucionais - Gerall
‰ Os Princípios Constitucionais:
‰ Distintos (≠) das normas constitucionais.
‰ A sua intensidade (variável).
‰ Classificação
Classificação.
‰ Funções.
‰ Identificação (no texto constitucional ou fora)
‰ O texto da CRP.
‰ OPPreâmbulo.
â b l

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P
Princípios Constitucionais - Gerall
‰ Princípios Constitucionais ≠ Normas constitucionais.
‰ Os princípios constitucionais traduzem indicações de
dever ser que se impõem aos destinatários do Direito
dever-ser,
Constitucional, mas que não assentam numa qualquer
estrutura dualista [previsão+estatuição].
‰ Previsão – descrição de um facto ou acontecimento, que
assume relevância jurídica.
‰ Estatuição – atribuição de um efeito jurídico ao que se
descreve na previsão.
‰ Os princípios constitucionais são muito mais gerais do
que as normas constitucionais
tit i i e apenas iindicam
di
caminhos ou objectivos, variando na sua intensidade.

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P
Princípios Constitucionais - Gerall
‰ Princípios Constitucionais – intensidade:
‰ Coexistem com princípios contrários, ao passo
que as normas são antinómicas, excluindo-se
reciprocamente.
‰ Aplicam-se sob diferentes velocidades (mais e
menos), ao passo que as normas assentam na
“lógica do tudo ou nada”.
‰ Relacionam-se intimamente com as normas
constitucionais, delas retirando a sua maior ou
menor efectividade.
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P
Princípios Constitucionais - Gerall
‰ Princípios Constitucionais – Classificação:
‰ Princípios constitucionais jurídicos e princípios constitucionais
políticos – conforme sejam inerentes ao sistema jurídico ou
apenas relativos à conformação do poder público do Estado.
‰ Princípios constitucionais materiais e princípios
g
constitucionais organizatórios – os p
primeiros dizem respeito
p a
opções de
d fundo,
f d em relação
l aos sistemas sociall e económico,
enquanto que os segundos são atinentes à distribuição de
competências dentro do sistema político.
‰ Princípios
P i í i constitucionais
tit i i sociais,
sociais económicos
económicos, políticos e
garantísticos – consoante o campo constitucional a que se
referem (ex: p. da universalidade, p. do planeamento da
economia,, p
p. da separação
p ç de p poderes ou p
p. da
constitucionalidade)

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P
Princípios Constitucionais - Gerall
‰ Princípios Constitucionais – Classificação:
‰ Princípios constitucionais supra-positivos e princípios
constitucionais
tit i i positivos
positi os – os primeiros
i i d
decorrem directamente
di t t
do Direito Natural, os segundos representam opções livres de
cada comunidade estadual.
‰ Princípios constitucionais lógicos e princípios constitucionais
valorativos – os lógicos integram uma ideia de racionalidade
(p. da confiança),
(p ç ), enquanto
q que
q os valorativos incarnam a
defesa de valores fundamentais dos cidadãos (dignidade da
pessoa humana) .

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P
Princípios Constitucionais - Gerall
‰ Princípios Constitucionais – Funções:
‰ Função legitimadora – Definem a aceitação do Ordenamento
Constitucional permitindo-se fazer um juízo de validade
Constitucional,
material a seu respeito.
‰ Função normogenética – São aptos à produção directa de uma
orientação de dever-ser
dever ser que é acatada pelos órgãos aplicadores
do Direito.
‰ Função interpretativa – Possibilitam a calibração de
entendimentos na interpretação dos preceitos constitucionais.
constitucionais
‰ Função integradora – Orientam o preenchimento de espaços
vazios, onde a ausência de uma norma implica o aparecimento
d uma lacuna
de l j ídi
jurídico-constitucional.
tit i l

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P
Princípios Constitucionais - Gerall
‰ Princípios Constitucionais – identificação:
‰ No próprio texto constitucional – que toma a iniciativa de
propor os princípios constitucionais.
constitucionais
‰ O texto da CRP.
‰ O Preâmbulo.
‰ Não constando no texto constitucional – compete à doutrina e
jurisprudência detectar a sua presença, indo para além dos
preceitos que constam no articulado constitucional.
constitucional

‰ Pode acontecer uma errada identificação (por parte do


legislador constituinte) de princípios constitucionais no texto
constitucional, implicando uma posterior correcção.

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P
Princípios Constitucionais - Gerall
‰ Princípios Constitucionais – identificação CRP:
‰ A CRP é um dos textos que mais longe levou a respectiva
valorização:
‰ Preâmbulo / “Princípios Fundamentais” (art. 1º-11º) /
Parte I...
‰ Vários
Vá i preceitosit identificam
id tifi expressamente t princípios
i í i
constitucionais (P. universalidade e P. igualdade ).
‰ Outros, embora o não refiram expressamente,
consubstanciam
b i princípios
i i constitucionais.
i i i
‰ Os princípios constitucionais, lado a lado com as normas
constitucionais, integram o “bloco da constitucionalidade”,
servindo de parâmetro no controlo da constitucionalidade:
‰ Art. 204º; Art. 277º/1; Art. 290º/2
=>

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P
Princípios Constitucionais - Gerall
‰ Parâmetro no controlo da Constitucionalidade / “Bloco
da Constitucionalidade”:
‰ A
Art.
t 204º (Apreciação
(A i ã dda iinconstitucionalidade)
tit i lid d ) – “Nos
“N feitos
f it
submetidos a julgamento não podem os tribunais aplicar
normas que infrinjam o disposto na Constituição ou os
princípios nela consignados”.
‰ Art. 277º/1 (Inconstitucionalidade por acção) – “São
inconstitucionais as normas que infrinjam o disposto na
Constituição ou os princípios nela consignados”.
‰ Art. 290º/2 (Direito anterior) – “O direito ordinário anterior à
entrada
t d em vigor
i da
d Constituição
C tit i ã mantém-se,
té d d que não
desde ã
seja contrário à Constituição ou aos princípios nela
consignados”.

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C
Capítulo
l 8
‰ Os princípios constitucionais:
‰ O sentido dos princípios constitucionais em geral.
‰ A relevância dos preâmbulos constitucionais.
‰ As normas constitucionais:
‰ O sentido das normas constitucionais em geral.
geral
‰ Algumas modalidades de normas constitucionais em
especial.
‰ O Direito Constitucional e a Ordem Jurídica:
‰ O Direito Constitucional e as outras parcelas da Ordem
Jurídica.
Jurídica
‰ As relações inter-sistemáticas do Direito Constitucional com
outros ramos normativos.

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P
Preâmbulos
b l C Constitucionais
i i i
‰ Definição.
‰ Natureza jurídica.
‰ Modalidades
‰ Oppreâmbulo da CRP.
‰ A revisão do preâmbulo da CRP.

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P
Preâmbulos
b l C Constitucionais
i i i
‰ Definição:
‰ Trata-se de um arrazoado, não um texto articulado, que
antecede o conjunto de preceitos do texto constitucional.
constitucional
‰ Tal como os preâmbulos de qualquer obra literária ou artística,
estão antes e, por isso, não fazem parte do enredo que se vai
relatar.
l t
‰ Contributo específico para o estudo dos princípios
constitucionais, já que se trata de uma ocasião privilegiada
para o legislador
l i l d constituinte
tit i t propor a sua própria ó i síntese
í t
acerca do texto que naquele momento inicia a sua vigência e
que resultou de um conjunto de factos constituintes.
‰ São
S bonsb indicadores
d d da
d evolução
l h
histórico-constitucional l do
d
Estado (os Estados mais antigos tendem para preâmbulos curtos e os mais recentes
para preâmbulos maiores).

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P
Preâmbulos
b l C Constitucionais
i i i
‰ Natureza jurídica:
‰ Tese do valor meramente p político, não jjurídico-
constitucional .
‰ Tese do valor jurídico-legal, não jurídico-
constitucional.
constitucional
‰ Tese do valor jurídico-constitucional directo.
‰ Tese do valor jurídico-constitucional indirecto.
indirecto

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P
Preâmbulos
b l C Constitucionais
i i i
‰ Natureza jurídica:
‰ Tese do valor meramente político, não jurídico-constitucional
– o preâmbulo valeria apenas como “nota
nota prévia
prévia” de
apresentação do texto constitucional, contando as vicissitudes
do seu nascimento.
‰ Tese
T d
do valor
l jurídico-legal,
j ídi l l não
ã jurídico-constitucional
j ídi tit i l–
tendo valor jurídico, o preâmbulo seria somente provido de
força infra-constitucional.
‰ Tese
T d
do valor
l jurídico-constitucional
j ídi tit i l directo
di t – o preâmbulo
â b l
teria o mesmo valor dos preceitos constitucionais.
‰ Tese do valor jurídico-constitucional indirecto – o preâmbulo
unicamente valeria
l como especiall pauta h
hermenêutica
(interpretação e integração).

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P
Preâmbulos
b l C Constitucionais
i i i
‰ Modalidades:
‰ Preâmbulo formal-protocolar – consiste na adopção de uam
pequena fórmula que antecede o primeiro artigo do texto
constitucional, referindo-se ao órgão, ao local ou à data da sua
aprovação.
‰ Preâmbulo
P â b l histórico-narrativo
hi tó i ti – consiste
i t na d
descrição
i ã ddas
conjunturas histórico-políticas que rodearam o nascimento da
Constituição, implicando uma certa interpretação do legislador
constituinte.
constituinte
‰ Preâmbulo normativo – consiste na atribuição ao preâmbulo
de uma força dispositiva igual à do texto constitucional (apesar
da sua precedência e carácter externo),
externo) normalmente por acção
de uma interpretação doutrinal ou jurisprudencial.

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P
Preâmbulos
b l C Constitucionais
i i i
‰ Preâmbulo da CRP:
‰ Preâmbulo bastante desenvolvido:
‰ Parte histórico-narrativa – descreve os acontecimentos
que estiveram na génese da revolução constitucional
que originou o novo texto constitucional.
constitucional
‰ Parte substantivo-doutrinal – onde se apresentam as
principais ideias que vão dar forma ao novo texto
constitucional.
i i l
‰ Parte protocolar-formal – em que se explica quem
aprovou
p o texto constitucional.

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P
Preâmbulos
b l C Constitucionais
i i i
‰ Revisão do Preâmbulo da CRP:
‰ Após 7 revisões constitucionais o preâmbulo
mantêm-se
ê i
intacto, quando
d muita
i coisa
i mudou
d
dentro do próprio articulado. Razões para não ser
alterado:
‰ Razão histórica – por ilustrar uma época.
‰ Razão política – por corresponder a um momento constituinte,
não p
podendo ser alterado.
‰ Razão regulativa – por não integrar o articulado.

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P
Preâmbulos
b l C Constitucionais
i i i
‰ Revisão do Preâmbulo da CRP:
‰ Nenhuma das razões supra é convincente (Manual,
p. 702),
702) porque:
‰ O preâmbulo jamais poderá alcançar uma rigidez
p
superior à dos ppróprios
p limites materiais da revisão
constitucional.
‰ Contradição insanável entre o preâmbulo e o articulado:
oppreâmbulo ainda fala no “…caminho p para uma
sociedade socialista…”, que há muito deixou de constar
nas opções insertas no articulado. BACELAR GOUVEIA
reclama mesmo uma inconstitucionalidade sui generis.
g

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C
Capítulo
l 8
‰ Os princípios constitucionais:
‰ O sentido dos princípios constitucionais em geral.
‰ A relevância dos preâmbulos constitucionais.
‰ As normas constitucionais:
‰ O sentido das normas constitucionais em geral.
geral
‰ Algumas modalidades de normas constitucionais em
especial.
‰ O Direito Constitucional e a Ordem Jurídica:
‰ O Direito Constitucional e as outras parcelas da Ordem
Jurídica.
Jurídica
‰ As relações inter-sistemáticas do Direito Constitucional com
outros ramos normativos.

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N
Normas C
Constitucionais
i i i
‰ As normas constitucionais são a outro
componente da Ordem Constitucional:
‰ Estrutura das normas jurídicas.
‰ Classificação das normas jurídicas.
jurídicas
‰ Transposição para o Direito Constitucional.

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N
Normas C
Constitucionais
i i i
‰ A estrutura das normas jurídicas.
‰ Previsão – descrição de um facto ou acontecimento, que
assume relevância jurídica.
jurídica
‰ Estatuição – atribuição de um efeito jurídico ao que se descreve
na previsão.

‰ As normas constitucionais estabelecem critérios materiais de


p
decisão e não, necessariamente, comportamentos.
‰ Por isso, a sua operacionalidade é essencialmente distinta,
numa preocupação de serem de aplicação total, bem como
diversamente se relacionando com outras normas
constitucionais.

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N
Normas J
Jurídicas
di em G
Gerall
‰ Classificação das normas jurídicas.
‰ Normas primárias (estabelecem critérios de decisão)e normas
secundárias (fixam as consequências jurídicas para a violação
daquelas normas primárias).
‰ Normas prescritivas (obrigam a um comportamento),
proibitivas ((vedam um comportamento)
p p )eppermissivas
(permitem um comportamento).
‰ Normas imperativas (são normas que impõe uma orientação
na aplicação do Direito independentemente da vontade dos
seus destinatários)
d ti tá i ) e normas dispositivas
di iti ( d
(podem ser afastadas
f t d
pela vontade das partes, numa lógica de supletividade
jurídica).
‰ Normas materiais (estipulam um critério material de decisão) e
normas remissivas (estabelecem uma ordenação de dever-ser,
não por si, mas por referência a outras normas materiais, que
p
contém a disciplina a ser aplicada.
p
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N
Normas J
Jurídicas
di em G
Gerall
‰ Classificação das normas jurídicas.
‰ Normas comuns (aplicam-se aos destinatários em geral) e
normas particulares (apenas se dirigem a certa categoria
de pessoas).
‰ Normas gerais (aplicam-se à globalidade das situações),
especiais (estabelecem desvios em face de um regime
para fazer face a certo grupo de casos) e excepcionais
(fixam um regime divergente ou oposto do regime fixado
nas normas gerais).
gerais)
‰ Normas nacionais (aplicam-se à globalidade do
território) e normas regionais e locais (aplicam-se a
parcelas territoriais mais restritas
restritas, como as regiões
autónomas, autarquias locais ou outras circunscrições
territoriais)

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N
Normas C
Constitucionais
i i i
‰ Relevância no Direito Constitucional:
‰ Normas comuns e normas particulares – os direitos fundamentais são
positivados por normas comuns
comuns, na titularidade de qualquer pessoa
humana, mas há direitos fundamentais que apenas se concebem para
determinada categoria de pessoas (crianças, idosos ou deficientes).
‰ N
Normas gerais,
i especiais
i i e excepcionais
i i – a norma que confere
f ao PR
a liberdade de promulgar actos legislativos (art. 134º/b) é uma norma
geral; a norma do procedimento de revisão constitucional que impõe
essa promulgação ao PR (art.
(art 286º/3)
286 /3), não lhe conferindo o direito de
veto político, é uma norma excepcional; A norma que fixa a maioria
relativa como decisão normal é geral, enquanto que a norma que
estabelece a maioria absoluta para a aprovação das leis orgânicas (art.
(art
168º/5) é especial.

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N
Normas C
Constitucionais
i i i
‰ Normas gerais, especiais e excepcionais –
‰ Norma geral art. 134º/b – “Compete ao Presidente da República, na
prática de actos próprios: ((…)) Promulgar e mandar publicar as leis,
leis os
decretos-leis e os decretos regulamentares, assinar as resoluções da
Assembleia da República que aprovem acordos internacionais e os
restantes decretos do Governo
Governo”.
‰ Norma excepcional art. 286º/3 – “O Presidente da República não
pode recusar a promulgação da lei de revisão”.
‰ Norma especial art.
art 168º/5 - “As
As leis orgânicas carecem de
aprovação, na votação final global, por maioria absoluta dos
Deputados em efectividade de funções”

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N
Normas C
Constitucionais
i i i
‰ Irrelevante no âmbito do Direito Constitucional:
‰ Distinção entre normas imperativas e normas dispositivas.

‰ Outras classificações do âmbito do Direito


Constitucional, mas aplicáveis a mais ramos:
‰ Normas substantivas (consagram regimes jurídicos, com soluções
para os problemas a resolver) e normas adjectivas (destinam-se a
implantar
p mecanismos de defesa daqueles
q regimes).
g )
‰ Normas materiais (dizem respeito ao objecto e ao conteúdo dos
actos, fixando a respectiva disciplina), organizatórias (versam
sobre as pessoas colectivas e seus órgãos) e procedimentais
(
(regulam
l os procedimentos
d de
d tramitação dos
d actos jurídico-
d
públicos).

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C
Capítulo
l 8
‰ Os princípios constitucionais:
‰ O sentido dos princípios constitucionais em geral.
‰ A relevância dos preâmbulos constitucionais.
‰ As normas constitucionais:
‰ O sentido das normas constitucionais em geral.
geral
‰ Algumas modalidades de normas constitucionais em
especial.
‰ O Direito Constitucional e a Ordem Jurídica:
‰ O Direito Constitucional e as outras parcelas da Ordem
Jurídica.
Jurídica
‰ As relações inter-sistemáticas do Direito Constitucional com
outros ramos normativos.

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N
Normas C
Constitucionais
i i i
‰ Normas jurídicas exclusivas do Direito
Constitucional:
‰ Normas preceptivas e normas programáticas
‰ Normas auto-exequíveis
auto exequíveis e normas hetero
hetero-
exequíveis.

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N
Normas C
Constitucionais
i i i
‰ Normas preceptivas e normas programáticas
‰ Normas preceptivas – pressupõe uma eficácia
i di
imediata, sem depender
d d da
d realização
li de
d qualquer
l
outra condição.
‰ Normas programáticas – dependem da
concretização de determinados requisitos. A eficácia
é mediata, sendo certo que a respectiva
operacionalidade se assume sobretudo ao nível dos
fins, e não tanto dos meios.

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N
Normas C
Constitucionais
i i i
‰ Normas preceptivas e normas programáticas
‰ Normas preceptivas:
‰ Normas sobre direitos, liberdades e garantias
em geral (art. 18/1):
‰ “Os preceitos constitucionais respeitantes aos
direitos, liberdades e garantias são directamente
aplicáveis
ap cá e s (…)
(…)”..
‰ Direito à vida (art. 24º),
‰ Direito à integridade pessoal (art. 25º),
‰ Direito de reunião e manifestação (art(art.ºº 45º)…
45º)

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N
Normas C
Constitucionais
i i i
‰ Normas preceptivas e normas programáticas
‰ Normas programáticas:
‰ Normas consagradoras de direitos
económicos, sociais e culturais:
‰ Gratuitidade de todos os graus de ensino
(art.º 74º/2/e):
‰ “Na realização da política de ensino
incumbe ao Estado (…) estabelecer
progressivamente
i t a gratuitidade
t itid d dde ttodos
d
os graus de ensino”.

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N
Normas C
Constitucionais
i i i
‰ Normas preceptivas e normas programáticas
‰ Critérios de diferenciação:
‰ Critério da abstracção – as normas programáticas
seriam mais abstractas do que as normas perceptivas.
‰ Critério da incompletude – as normas programáticas
seriam normas incompletas, ficando dependentes da
ç de outros poderes.
colaboração p
‰ Critério dos destinatários – as normas programáticas
seriam dirigidas aos poderes públicos, ao passo que as
perceptivas se destinariam aos membros da
comunidade política, públicos e privados, vinculando
todos.

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N
Normas C
Constitucionais
i i i
‰ Normas auto-exequíveis e hetero-exequíveis:
‰ Normas auto
auto-exequíveis
exequíveis – possuem uma inata
capacidade de se executarem por si mesmo.
‰ Grande parte das normas de direitos, liberdades e
garantias (bastam-se a si próprias)
‰ Normas hetero-exequíveis – estabelecem orientações
de dever ser que,
que para se executarem
executarem, necessitam de
uma interpositio legislatoris (= mediação legislativa).
‰ Normas de direitos sociais (carecem de lei aplicadora)

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N
Normas C
Constitucionais
i i i
‰ Normas auto-exequíveis e hetero-exequíveis:
‰ Normas hetero
hetero-exequíveis.
exequíveis.
‰ Normas de direitos sociais (carecem de lei aplicadora)
‰ Ex. Direitos à protecção dos dados pessoais
informatizados (art.º 35º, n.º1).- “Todos os
cidadãos têm o direito de acesso aos dados
informatizados q que lhes digam
g respeito,
p
podendo exigir a sua rectificação e actualização,
e o direito de conhecer a finalidade a que se
destinam, nos termos da leilei”..

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N
Normas C
Constitucionais
i i i
‰ Conjugação das duas classificações:
‰ Normas constitucionais p
preceptivas
p auto-
exequíveis
‰ Normas constitucionais preceptivas hetero-
exequíveis.
exequíveis
‰ Normas constitucionais programática, sempre
hetero-exequíveis.

2009 José Domingues 39


N
Normas C
Constitucionais
i i i
‰ Conjugação das duas classificações:
‰ Normas constitucionais preceptivas auto-exequíveis – Tem
eficácia
fi á i iimediata
di t e eficácia
fi á i di
directa,
t pois
i não
ã carecem dde
qualquer outro acto jurídico-público para serem executadas.
‰ Normas de direitos, liberdades e garantias, desde que se imponham
sem p
precisarem de q
qualquer
q colaboração
ç de outros poderes
p
(Liberdade expressão.
‰ Normas constitucionais preceptivas hetero-exequíveis –
possuem eficácia imediata, mas têm eficácia indirecta,
precisam de um acto jurídico-público
jurídico público complementar para
serem executadas.
‰ Normas constitucionais programática, sempre hetero-
exequíveis - apenas usufruem de uma eficácia mediata,
estipulando objectivos a atingir, mas sem que a respectiva força
jurídica se imponha imediatamente, porque têm eficácia
indirecta, carecendo de acto jurídico-público de execução.

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Conjugação das duas classificações
† Normas constitucionais preceptivas auto-exequíveis – (eficácia
imediata + eficácia directa).
† Normas de direitos, liberdades e g
garantias, desde q
que se imponham
p sem
precisarem de qualquer colaboração de outros poderes.
ƒ Liberdade expressão (art.º 37º).
ƒ Liberdade de religião (art.º 41º).
† N
Normas constitucionais
tit i i preceptivas
ti h t
hetero-exequíveis
í i – (eficácia
( fi á i
imediata + eficácia indirecta)
† A efectividade da nova entidade reguladora da comunicação social (art.º
39 ).
39º)
† Normas constitucionais programática, sempre hetero-exequíveis
- (eficácia mediata+ eficácia indirecta)
† Normas de direitos económicos,
económicos sociais e culturais.
culturais
ƒ Direito à segurança social (art.º 63º)
ƒ Direito à habitação condigna (art.º 65º)
ƒ Direito à cultura (art.º 78º)

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C
Capítulo
l 8
‰ Os princípios constitucionais:
‰ O sentido dos princípios constitucionais em geral.
‰ A relevância dos preâmbulos constitucionais.
‰ As normas constitucionais:
‰ O sentido das normas constitucionais em geral.
geral
‰ Algumas modalidades de normas constitucionais em
especial.
‰ O Direito Constitucional e a Ordem Jurídica:
‰ O Direito Constitucional e as outras parcelas da Ordem
Jurídica.
Jurídica
‰ As relações inter-sistemáticas do Direito Constitucional com
outros ramos normativos.

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Direito Constitucional – Ordem jurídica
‰ A Ordem Constitucional não é fechada, por isso não se
esgota na existência e consequente relação entre
princípios e normas constitucionais.
‰ O sistema constitucional possui uma força irradiante
para os outros níveis da
d Ordem
d Jurídica.
d

‰ (Recorda
(Recorda, Cap.
Cap I) Característica do Direito Constitucional:
‰ Transversalidade das matérias tratadas – devido à sua posição
suprema o Direito Constitucional, ao traçar as grandes opções
da comunidade, relaciona-se com múltiplos temas da Ordem
Jurídica.

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R l
Relações iinter-
inter-sistemáticas
i i
‰ No plano das fontes normativas – o Direito Constitucional
posiciona-se na formação das fontes do Direito, impondo as
suas orientações, ou recebendo as orientações ditadas por
outros ramos jurídicos.
‰ Plano da hermenêutica jurídica – o Direito Constitucional
actua como parâmetro interpretativo e integrador de outros
ramos, podendo também suceder o inverso (Interpretação
conforme à Constituição).
‰ Plano da aplicação das fontes normativas – o Direito
Constitucional vale preferentemente na aplicação das suas
fontes no seio da Ordem JJurídica,, mas p
podem existir casos
em que o Direito Constitucional se retraia em benefício da
aplicação de outras fontes normativas.

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R l
Relações iinter-sistemáticas
i i
‰ Inter-sistematicidade interna – implica
relações dentro da Ordem Jurídica em geral.
‰ Inter-sistematicidade externa – possibilidade
d relações
de l õ com sectores
t normativos
ti não
ã
jurídicos, mas que passam a ser relevantes
para o Di
Direito
i Constitucional.
C i i l

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R l
Relações iinter-
inter-sistemáticas
i i
‰ Inter-sistematicidade interna – implica relações dentro
da Ordem Jurídica em geral. (mais frequente)
‰ Conceitos constitucionais indeterminados
‰ Conceitos constitucionais gerais
‰ Conceitos constitucionais delegados
‰ Conceitos constitucionais remissivos
‰ Inter-sistematicidade externa – possibilidade de
relações com sectores normativos não jurídicos, mas
que passam a ser relevantes
rele antes para o Direito
Constitucional (por ex. Ordem Moral).
‰ Remissão para valorações atinentes à dignidade humana
‰ Remissão jurídica para normas técnicas (conceito de
poluição, art. 66º/2)

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I
Inter-
Inter -sistematicidade
i i id d iinterna
† Conceitos constitucionais indeterminados – casos em que a
normatividade do Direito Constitucional não se afigura clara e a
sua compreensão depende do recurso a um suplemento de
normatividade fornecido por outros níveis da Ordem Jurídica.
Jurídica
† Ex. Definição do direito fundamental à habitação.
† Conceitos constitucionais gerais – casos em que a normatividade
do Direito
e to Constitucional
Co st tuc o a , sendo
se do mínima,a, admite
ad te a respectiva
espect va
conformação a partir de outros níveis de juridicidade.
† Conceito geral de direito fundamental (art.º 16º).
† Conceitos constitucionais delegados
g – casos em q
que a
normatividade
d d do
d Direito Constitucional
C l fica
f a cargo de
d outro nívell
normativo.
† Conceito de “dados pessoais” (art. 35º/2).
† Conceitos constitucionais remissivos – o Direito Constitucional
demite-se da função ordenadora, aceitando o estatuído noutro
sector jurídico.
† Conceito
Co ce to de “família”
a a e “casamento”
casa e to (a
(art.
t. 36
36º).
).

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I
Inter-
Inter -sistematicidade
i i id d
‰ Razões dessa inter-sistematicidade interna ou
externa:
‰ Comandar as opções fundamentais de outros ramos do
Direito.
‰ Incorporar opções fundamentais
f d que sejam ditadas
d d por
outros ramos do Direito.
‰ Estabelecer
stabe ece p
primariamente
a a e te os fundamentos
u da e tos das ddisciplinas
sc p as
jurídicas.
‰ O Direito Constitucional é o núcleo regulativo
g
do Direito, nele não se podendo incluir a sua
global regulação.
g g
2009 José Domingues 48
Fim

TGPP - 2009 José Domingues 49