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INSTITUTO FEDERAL DO PARANÁ

RONEY DE ALMEIDA OLIVEIRA


JANETE LOPES LARSON

AVALIANDO E RECONDUZINDO O DEPENDENTE QUÍMICO E SEUS


FAMÍLIARES

CAMPO GRANDE – MS
2014

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INSTITUTO FEDERAL DO PARANÁ

RONEY DE ALMEIDA OLIVEIRA


JANETE LOPES LARSON

AVALIANDO E RECONDUZINDO O DEPENDENTE QUÍMICO E SEUS


FAMÍLIARES

Atividade Supervisionada apresentada ao Curso Técnico


em Reabilitação de Dependentes Químicos do Instituto
Federal do Paraná, como requisito parcial de avaliação.

CAMPO GRANDE – MS
2014

2
1. TRANSTORNOS QUE PODEM ACOMETER O DEPENDENTE ALCOÓLICO

“A dependência química é um transtorno de saúde mental multifatorial e


multiconsequencial” 1. Isto quer dizer que a dependência química em si envolve muitos
fatores e trazem conseqüências em múltiplas áreas da vida do dependente. Isto inclui o
Dependente Alcoólico que está sujeito a pelo menos três tipos de transtornos: a)
Transtornos Psicóticos: Aqui inclui as psicoses e a esquizofrenia. Geralmente os
portadores deste tipo de transtorno apresentam quadro de delírios e alucinações. É
importante frisar que “todas as drogas com efeitos psicoativos influenciam a leitura da
realidade”2 e “O uso constante condiciona o cérebro à manutenção crônica dessa leitura
equivocada”3. b) Transtornos de Humor: o álcool tem efeito depressor sobre o Sistema
Nervoso Central, portanto, o abuso ou apenas o uso desta droga pode induzir o indivíduo
a estados depressivos de humor por tempo indeterminado. A boa notícia é que com a
abstinência da droga o corpo tende a se recuperar. É comum portadores de transtornos
de humor tentar reequilibrar o seu humor fazendo uso do álcool. Isto pode agravar o
estado de humor e aumentar o risco de suicídios e surtos psicóticos. c) Transtornos da
Personalidade: Dentro deste tipo de transtorno encontramos o boderline. Existe um alto
índice de suicídio aos portadores deste transtorno. Raul de Freitas Buchi, diz,

Pessoas portadoras de transtornos como o borderline comumente, ao longo de


sua jornada de vida, fazem abuso de substâncias e desenvolvem dependência de
suas drogas de abuso. Como no caso da dependência da cocaína e do crack, e na
dependência química do álcool em mulher, a manipulação, as chantagens e o
risco de suicídio são frequentemente usados como subterfúgios de resistência ao
4
tratamento, e a associação entre os dois problemas acaba sendo inevitável.

1.1. TRATAMENTO DESTES TRANSTORNOS

1
BUCHI, Raul de Freitas. Noções Básicas em Psiquiatria. Curitiba. Biblioteca do Instituto Federal de Educação,
Ciência e Tecnologia – Paraná, 2014. p. 137.
2
BUCHI, Raul de Freitas. Noções Básicas em Psiquiatria. Curitiba. Biblioteca do Instituto Federal de Educação,
Ciência e Tecnologia – Paraná, 2014. p. 138.
3
BUCHI, Raul de Freitas. Noções Básicas em Psiquiatria. Curitiba. Biblioteca do Instituto Federal de Educação,
Ciência e Tecnologia – Paraná, 2014. p. 138.
4
BUCHI, Raul de Freitas. Noções Básicas em Psiquiatria. Curitiba. Biblioteca do Instituto Federal de Educação,
Ciência e Tecnologia – Paraná, 2014. p. 141.

3
Em todos estes transtornos o tratamento eficaz são semelhantes e envolvem: -
Inclusão da família no tratamento e tratamento da família; - acompanhamento
medicamentoso na maioria dos casos; - Psicoterapia e participação de grupos de mútua-
ajuda; e a abstinência da droga, que sem dúvida alguma, ajuda significativamente no
tratamento.

2. TRÊS CUIDADOS QUE DEVEM SER IMPLEMENTADOS PARA PREVENIR OU


REDUZIR OS DANOS CAUSADOS AO PACIENTE ALCOOLISTA

Para minimizarmos ou até mesmo evitarmos maiores problemas para os indivíduos


inclinados ao abuso do álcool podemos implementar vários programas com este intuito,
porém, queremos apresentar pelo menos três deles:

- Prevenção ao uso: Antes mesmo das pessoas fazerem o uso de substâncias psicoativas
ações voltadas à prevenção podem evitar sérios problemas sociais e ao indivíduo em
particular. A maioria das pessoas com algum conhecimento na área podem participar
deste programa. Principalmente profissionais alertando sobre as conseqüências que o
uso/abuso de drogas trazem a si mesmo e para os que estão ao seu redor. Palestras,
panfletos e inúmeras outras podem contribuir nesta área.

- Orientação à família: “Segundo o Dr. Eduardo Kalina (1986), toda dependência tem sua
fonte inspiradora na família, ou no meio social imediato”5, daí a importância de abranger a
família nestas ações. Muitos casos se agravam pela desinformação da família sobre a
dependência de algum integrante desta. A orientação, informações corretas e importantes
à família do dependente pode minimizar muito os problemas decorrentes do uso da droga.
Se houver, por exemplo, uma união de profissionais, formando uma equipe
multidisciplinar poderia alcançar muitas famílias com instruções úteis que poderiam
nortear as atitudes desta família frente ao problema da dependência química. Isto
abrange a área de atuação da Atenção Primária à Saúde.

- Abordagem, intervenção e tratamento: que bom seria se todos os cidadãos estivessem


engajados na Prevenção. Assim teríamos poucos casos neste tópico. Contudo, existem

5
FILHO, Lori Massolin.; CORRÊA, Rubens Gomes. Comunidade Terapêutica II – RDC: Políticas Públicas. Curitiba:
Biblioteca do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – Paraná, 2013. p. 29.

4
vários programas que tem auxiliado os dependentes no tratamento de sua patologia.
Podemos citar alguns como: - Comunidades terapêuticas; - Alcoólicos Anônimos; e o
CAPS ad, que também é uma alternativa que geralmente procura incluir a família no
processo de cuidado além de contar com suporte médico e psicológico, aconselhamento,
orientação da enfermagem e terapias.

3. TRÊS AÇÕES DESTINADAS A MONITORAR O TRATAMENTO DA FAMÍLIA

- Estratégia de Saúde da Família – equipes multidisciplinares que se deslocam até aos


domicílios acompanhando o básico de saúde das famílias da região do ESF. Sendo da
ciência dos profissionais do ESF o caso de dependência química em alguma família o
monitoramento desta por estes profissionais deve entrar em ação.

- Amor exigente – “O Amor Exigente é um programa de auto e mútua ajuda que


desenvolve preceitos para a organização da família”6. Levando em consideração que o
Amor Exigente é um grupo de mútua ajuda e tem como base a família e a reconstrução
do relacionamento desta, sem dúvida alguma é uma ferramenta de importância para o
monitoramento familiar.

- ALATEEN – Não poderíamos deixar este grupo de mútua ajuda fora do monitoramento à
família, principalmente quando na família do dependente alcoólico tem adolescentes ou
outros chegando nesta idade. Afinal o que seria o ALATEEN? É um grupo que,

busca atender os adolescentes que fazem parte de famílias de dependentes e que


ainda não apresentam problemas com o uso de substâncias alcoólicas. Estes
grupos acreditam e investem no trabalho para toda a família do dependente, pois
o alcoolismo ultrapassa as questões pessoais e atinge, sobretudo, a família e a
7
sociedade.

4. TRÊS CONDUTAS PRIORITÁRIAS QUE DEVEM SER REALIZADAS


IMEDIATAMENTE PELO TÉCNICO EM RDQ (REABILITAÇÃO EM DEPENDENTES
QUÍMICOS).

6
DE GOIS, Maria José S. Mendonça. Abordagem em Grupo e Mútua Ajuda. Curitiba: Biblioteca do Instituto Federal
de Educação, Ciência e Tecnologia – Paraná, 2014. p. 91.
7
DE GOIS, Maria José S. Mendonça. Abordagem em Grupo e Mútua Ajuda. Curitiba: Biblioteca do Instituto Federal
de Educação, Ciência e Tecnologia – Paraná, 2014. p. 73.

5
O Técnico em Reabilitação de Dependentes Químicos faz parte da equipe
multidisciplinar citado no estudo de caso e não é a equipe em si. Portanto, ele deve
trabalhar em conjunto com a equipe. Três condutas prioritárias deste profissional que
nesse caso julgamos importantes:

1ª Orientar a passar por uma avaliação com psiquiatra e psicólogo – diante da


reclamação de cansaço, falta de ânimo e choro é importante passar a dona Maria Lúcia
por uma avaliação com psiquiatra e psicólogo. Existem indícios de transtorno depressivo
que só poderá ser constatado e tratado mediante avaliação do profissional qualificado.
Achamos importante o encaminhamento ao psicólogo também, para se verificar a
necessidade da dona Maria Lúcia passar por sessões de psicoterapia na tentativa de
auxiliá-la no enfrentamento desta situação adversa. Assim será possível perceber
também se Maria Lúcia passa por risco de suicídio. O que é possível. Tendo em vista os
seguintes fatores: o segundo casamento dela; pressão dos pais dela que não agüentam
mais a situação; o marido está desempregado; seus filhos (as) apresentam dificuldades
de aprendizagem; tem quatro filhos (as) para criar; pode existir problemas financeiros.

2ª Buscar orientação do Assistente Social – Uma visita domiciliar a família se faz


importante para averiguar se esta família está passando necessidades básicas. Com o
desemprego do marido de D. Maria Lúcia, tanto eles como as crianças podem estar
carentes de alimentos. A Assistente Social poderá ver algum programa junto à prefeitura
e encaminhar a família para receber algum tipo de ajuda nesta área. O marido também
está chegando alcoolizado em casa. É preciso constatar se não está havendo algum tipo
de violência doméstica. A equipe precisa sair do CAPS e visitar esta família, contudo,
nas visitas domiciliares o papel do Assistente Social é fundamental.

3ª orientá-los a procurar um Grupo de Mútua Ajuda para acompanhamento Familiar –


acreditamos ser importante neste caso encaminhar à família a dois Grupos de Mútua
Ajuda. O primeiro seria o Amor Exigente ou ALANON que auxiliariam a família no
enfrentamento desta situação. O segundo grupo seria o ALATEEN, haja vista que as
crianças estão tendo dificuldades de aprendizagem na escola e ter pelo menos dois
adolescentes na família.

6
Logicamente não excluímos os demais profissionais da equipe multidisciplinar que
continuarão auxiliando no caso. O Técnico em Reabilitação de Dependentes Químicos
poderá acompanhar a família em todo tempo com orientações úteis através do ESF
responsável pela região de moradia da família.

5. ENCAMINHAMENTO(S) NECESSÁRIO(S) PARA O CASO DE MARIA LÚCIA ASSIM


COMO O QUE É ESPERADO QUE SEJA TRANSFORMADO E ALTERADO NELA OU
NOS FAMILIARES. ESPECIFIQUE AS AÇÕES A CURTO, MÉDIO E LONGO PRAZO
PARA CADA ENCAMINHAMENTO NO CASO DESSA SENHORA

Além dos encaminhamentos já descritos no item anterior é preciso propor as ações


a curto, médio e longo prazo. Espera-se que a curto prazo o marido de Maria Lúcia
ingresse no tratamento e acompanhamento através do CAPS. É de extrema importância
verificar a possibilidade de encaminhar Maria Lúcia a um CAPS AD, pois, o mesmo
também atende a crianças e adolescentes. Conforme a portaria 3088 de 2011,

IV - CAPS AD: atende adultos ou crianças e adolescentes, considerando as


normativas do Estatuto da Criança e do Adolescente, com necessidades
decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas. Serviço de saúde mental
aberto e de caráter comunitário, indicado para Municípios ou regiões com
8
população acima de setenta mil habitantes.

Outra ação de curto prazo é que as filhas adolescentes sejam inseridas no


ALATEEN e sua mãe no ALANON ou Amor Exigente, além do acompanhamento
psiquiátrico e psicológico. Quanto a medicalização os profissionais qualificados verificarão
a necessidade. Médio prazo: espera-se que com a assistência da equipe multidisciplinar,
esta querida família apresente melhoras a médio prazo. Maria Lúcia, sendo amparada e
assistida pela equipe multidisciplinar tanto do CAPS ad, como do ESF mais perto de sua
casa se sentirá mais confiante para enfrentar a situação de dependência familiar. Além de

8
Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt3088_23_12_2011_rep.html>. Acesso em: 17
out 2014.

7
poder compartilhar seus problemas em Grupo de Mútua Ajuda onde estão pessoas com
problemas semelhantes. Esperamos que isso redirecione suas ações de forma positiva
auxiliando na recuperação da família. Longo prazo: reinserção social do marido de Maria
Lúcia. Restauração de sua auto-estima. Acreditamos na reabilitação do marido da Dona
Maria e família. Sua reinserção no mercado de trabalho. E na restauração da auto-estima
da família.

6. COMO RELATADO NO CASO, A PACIENTE CASOU-SE PELA SEGUNDA VEZ


COM UM MARIDO QUE APRESENTA PROBLEMAS RELACIONADOS À BEBIDA
ALCOÓLICA. NÃO HÁ UM INDICATIVO CLARO DAS POSSÍVEIS COMORBIDADES
PRESENTES NESTE CASO, NO ENTANTO, É POSSÍVEL FORMULAR UMA
HIPÓTESE, À PARTIR DO FATO CITADO, DE UM POSSÍVEL PADRÃO DE
COMPORTAMENTO APRESENTADO PELA PACIENTE, QUE CORRESPONDE À
PRINCIPAL COMORBIDADE FAMILIAR PRESENTE NAS DEPENDÊNCIAS
QUÍMICAS. DISCUTA O CONCEITO DE COMORBIDADE FRENTE AO CASO
APRESENTADO.

Comorbidades são “todos os problemas que estão envolvidos nas dependências


químicas”9. Ainda, “doenças adicionais relacionadas ao uso de drogas”10. Isso torna a
patologia da Dependência Química um tanto quanto complexa, daí a necessidade de uma
equipe multidisplinar.

Não existe nenhuma comorbidade comprovada e apenas os relatos são


insuficientes para se chegar a um diagnóstico final, sendo necessário várias avaliações
por uma equipe multidisciplinar. Contudo, em nosso estudo de caso algumas
comorbidades possíveis se apresentam. A D. Maria Lúcia, apresentou: falta de ânimo,
cansaço e tristeza (choro). Indícios de transtorno depressivo. Lembrando que a causa
primária deste possível transtorno depressivo é a dependência química do marido. As
crianças estão apresentando problemas de aprendizagem na escola. Em decorrência do
que está acontecendo na família elas podem estar apresentando diminuição da

9
TETZLAFF, Alessandra Andréa da Silva.; MESTRES, Raphael. Atendimento Clínico Comorbidades. Curitiba:
Biblioteca do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – Paraná, 2014. p. 13.
10
TETZLAFF, Alessandra Andréa da Silva.; MESTRES, Raphael. Atendimento Clínico Comorbidades. Curitiba:
Biblioteca do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – Paraná, 2014. p. 13.

8
capacidade de concentração um dos sintomas também do transtorno depressivo. Outra
comorbidade possível seria a violência familiar e até abuso, o que poderia gerar
comorbidades físicas.

A CODEPENDÊNCIA conhecida como a comorbidade da família pode estar


presente nesta situação. Os codependentes muitas vezes passam a tratar o dependente
como uma criança. Além das “chamadas de atenção” acabam por fim fazendo aquilo que
o dependente almeja. Isto, sem dúvida alguma é prejudicial para a reabilitação do
dependente. Se o codependente parar de viver para assumir com todas as
responsabilidade do dependente, estará passando uma idéia para o dependente que ele é
incapaz. Por fim os codependentes acabarão facilitando o uso de drogas por parte do
dependente. As cinco metas11 do Grupo Amor Exigente não apóiam a codependencia:

• Não procurar causas fora de si mesmo para desculpar-se.

• Responsabilizar-se pelas próprias atitudes.

• Fixar os limites do que é aceitável.

• Exigir que o comportamento inaceitável cesse.

• Não é preciso ser autoridade com solução para todos os problemas; é preciso
amar e querer ajudar, para ser ajudado.

7. APÓS A LEITURA DO CASO PESQUISE QUAIS SÃO OS GRUPOS DE MÚTUA


AJUDA EXISTENTES DE SUA REGIÃO, E COM BASE NA REALIDADE LOCAL,
SUGIRA UM ENCAMINHAMENTO AOS ENVOLVIDOS NO CASO EXPOSTO
ANTERIORMENTE. JUSTIFIQUE O MOTIVO DO ENCAMINHAMENTO AO GRUPO (S)
SELECIONADO (S).

Alcoólicos Anônimos – ao esposo de Maria Lúcia sugerimos o AA que poderá


ajudá-lo no processo de abstinência do Álcool.

11
DE GOIS, Maria José S. Mendonça. Abordagem em Grupo e Mútua Ajuda. Curitiba: Biblioteca do Instituto Federal
de Educação, Ciência e Tecnologia – Paraná, 2014. p. 91.

9
Amor Exigente ou ALANON – é indicado para Maria Lúcia e ajudará na
reconstrução do relacionamento familiar.

ALATEEN – como temos adolescentes no estudo de caso seria indicado o


ALATEEN que com certeza auxiliaria os filhos neste processo.

8. APÓS O LEVANTAMENTO DOS GRUPOS DE MÚTUA AJUDA DE SUA REGIÃO,


ESCOLHA UM (1) GRUPO DE MÚTUA AJUDA E DESCREVA AS CARACTERÍSTICAS
DO MESMO. PROCURE SER O MAIS FIEL E PECULIAR À REALIDADE LOCAL A
QUE SE ENCONTRA ESTE GRUPO.

O Amor Exigente é um grupo de mútua ajuda importantíssimo para a nossa região


(bairro). Uma região com alto índice de mães solteiras, divórcios e filhos “rebeldes”. Em
contrapartida o grupo atualmente se encontra com apenas 5 participantes. A dinâmica de
trabalho do AE é bem interessante. Exige uma firmeza dos líderes e uma atitude do
grupo. O De-fi-for-exe é colocado em prática no grupo. Defina o seu alvo; Fixe
prioridades; formule um plano de ação; execute-o. Daí surge a atitude do grupo. Sem
atitude não é possível mudar a realidade familiar. Aliás isto nos leva a uma outra
característica interessante do grupo o 11º princípio: “Exigência na disciplina - A exigência
na disciplina tem o objetivo de ordenar e organizar nossa vida e a de nossa família”, esta
tem sido a grande dificuldade que os pais tem enfrentado em particular no grupo
analisado. Atitude nessa área tem sido muito difícil para muitos pais é o que pudemos
observar. Terminamos com o 12º principio para reflexão: “O amor com respeito, sem
egoísmo, sem comodismo deve ser também um amor que orienta, educa e exige”.

9. CITE QUAIS OS PROFISSIONAIS/ENVOLVIDOS QUE FAZEM PARTE DA:

EQUIPE DO CAPS II E APONTE, SEGUNDO SUAS PRÓPRIAS PALAVRAS QUAIS AS


FUNÇÕES DE CADA UM DOS PROFISSIONAIS NO CASO DE MARIA LÚCIA. NÃO SE
ESQUEÇA DO TÉCNICO RDQ!

De acordo com a portaria 3088 de 2011, em seu artigo 7º, parágrafo 1º, diz,

O Centro de Atenção Psicossocial de que trata o caput deste artigo é constituído


por equipe multiprofissional que atua sob a ótica interdisciplinar e realiza

10
atendimento às pessoas com transtornos mentais graves e persistentes e às
pessoas com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas,
em sua área territorial, em regime de tratamento intensivo, semi-intensivo, e não
intensivo.

Portanto, a portaria garante que seja uma equipe multiprofissional. Em nosso estudo de
caso esta equipe é composta por Psiquiatra, psicólogo, Enfermeiro, Técnico em
Reabilitação em Dependentes Químicos e Assistente Social. Algumas das funções de
cada profissional desta equipe no caso de Maria Lúcia podem ser:

Psiquiatra: pensamos que cabe ao médico especialista avaliar a Maria Lúcia bem como
seu marido sobre possíveis transtornos, risco de suicídio dentre outros. Realizar o
internamento caso seja necessário até mesmo para acompanhamento psiquiátrico.
Poderá também prescrever medicamentos que poderão auxiliar em transtornos, caso
julgue necessário. Poderá ainda encaminhar a paciente à uma avaliação com o
psicólogo;

Psicólogo: cabe a este avaliar os pacientes com problemas decorrentes da dependência


química e caso julgue necessário poderá acompanhá-los através de sessões
psicoterápicas. Dar suporte aos demais integrantes da família inclusive às crianças que
estão apresentando dificuldade de aprendizado na escola.

Enfermeiro: a equipe precisa trabalhar em conjunto. Caso o psiquiatra interne o paciente o


enfermeiro é que fará valer as prescrições do médico, quem relatará as reações
observadas no paciente diariamente. Além de poder suprir à família com informações
úteis sobre a dependência química e suas conseqüências à saúde humana.

Técnico em Reabilitação de Dependentes Químicos: o TRDQ poderá orientar a família


sobre a dependência química. Poderá agir como um Gerente de caso. Será referência
para o paciente e sua família. Visitando esta em seu domicilio identificando suas
necessidades e sendo o intermediador entre os demais profissionais neste processo.
Poderá ainda procurar a escola das crianças de Maria Lúcia e seu esposo e palestrar
sobre os efeitos das drogas e etc.

11
Assistente Social: como os demais o assistente social tem uma função muito importante.
Poderá ajudar a família a dar entrada caso seja necessário no auxílio-doença; poderá
encaminhar a família a programas sociais (em nosso estudo de caso o esposo de Maria
Lúcia estava três meses desempregado). Enfim o assistente social fará o
acompanhamento social da vida do paciente.

10. O ALCOOLISMO MANIFESTA-SE ATRAVÉS DE SINTOMAS FÍSICOS E


COMPORTAMENTAIS. COMO O ALCOOLISMO SE MANIFESTA NAS PESSOAS,
ISTO É, QUAIS OS SINTOMAS FÍSICOS, PSÍQUICOS E COMPORTAMENTAIS DO
DOENTE?

SINTOMAS FÍSICOS: Gastrointestinais e hepáticos: - Hepatite alcoólica e cirrose; -


Pancreatite crônica calcificada; - Gastrite aguda; - Diarreias; - Tumores (faringe, esôfago e
fígado); Hematológicos: - Anemias; - Redução dos leucócitos, responsáveis pelas
defesas do organismo; - Deficiência na coagulação do sangue (mais sujeito a
hemorragias); Metabólicos: - Hipoglicemia; - Triglicerídeos em excesso; - Sintomas de
desnutrição; Traumáticos: Fraturas e traumatismos decorrentes de acidentes ocasionados
pelo uso do álcool.

SINTOMAS PSÍQUICOS E COMPORTAMENTAIS: Um exemplo é a Regressão da idade


mental. De acordo com Afornali & Mestres (2011), a regressão da idade mental ocorre da
seguinte maneira, no caso do alcoolismo:

O alcoolista vai perdendo o sentido moral e de responsabilidade (como um


adolescente), passa a apresentar comportamentos passivos e dependentes
perante a sua esposa (como uma criança), até que, numa fase mais avançada da
doença, anda cambaleante, engatinha, perde o controle dos esfíncteres, perde os
dentes e adquire o biótipo inchado e redondo (como um bebê). Até, finalmente, o
12
óbito, quando ele volta simbolicamente ao útero materno.

Um outro transtorno decorrente do uso de substância psicoativas pode ser a


Esquizofrenia que pode se iniciar no período de intoxicação ou abstinência da droga.
Esta psicose atinge uma de cada cem pessoas. Alguns dos sintomas dela são:

12
TETZLAFF, Alessandra Andréa da Silva.; MESTRES, Raphael. Atendimento Clínico Comorbidades. Curitiba:
Biblioteca do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – Paraná, 2014. p. 48.

12
Alucinações, Delírios, Discurso desorganizado, Comportamento desorganizado ou
catatônico, Alogia, Abulia.

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REFERÊNCIAS

BUCHI, Raul de Freitas. Noções Básicas em Psiquiatria. Curitiba. Biblioteca do Instituto


Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – Paraná, 2014.

FILHO, Lori Massolin.; CORRÊA, Rubens Gomes. Comunidade Terapêutica II – RDC:


Políticas Públicas. Curitiba: Biblioteca do Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia – Paraná, 2013.

DE GOIS, Maria José S. Mendonça. Abordagem em Grupo e Mútua Ajuda. Curitiba:


Biblioteca do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – Paraná, 2014.

TETZLAFF, Alessandra Andréa da Silva.; MESTRES, Raphael. Atendimento Clínico


Comorbidades. Curitiba: Biblioteca do Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia – Paraná, 2014. p. 13.

<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt3088_23_12_2011_rep.html>.
Acesso em: 17 out 2014.

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