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FILOSOFIA

AVALIAÇÃO 3º BIMESTRE
Prof.º: Edney Cavalcante

Alunos: Antônio Matheus, Erisvaldo Ramalho,


Davi Samek.

Turma: Edificações 2V.

Resumo: O presente texto tem como pretensão mover questionamentos acerca


da liberdade e do determinismo em busca de uma explicação para tais conceitos a partir
da leitura de <O ser e o nada> do filósofo Jean-Paul Sartre e, como consequência,
estabelecer se sujeito pode ou não ser dotado de moralidade. Não se busca aqui, de
forma alguma, fazer uma leitura rigorosa do pensamento do filósofo francês, e sim, a
partir de uma leitura prévia de um dos textos de sua eminente obra, tentar estabelecer
(de maneira simples) a visão dos dois conceitos ora elencados e procurar respostas para
a questão da moralidade dos sujeitos.

1. Uma ação é por princípio intencional

Sartre, no início da Quarta parte do livro, diz que “[...] o ato é expressão da
liberdade”1. Dessa maneira, Sartre nos mostra que há efetividade da liberdade no ato, é
ela que possibilita a aparição do ato enquanto ato, ou como diz Sartre: “[...] a condição
fundamental do ato é a liberdade”2. A liberdade, na sua condição de liberdade, agencia e
expressa o ato.

Que quer dizer “ação-intencional” e “não agir”?

Quando ora se diz que “uma ação é por princípio intencional”, é possível inferir
que: não há ato numa ação não intencional. Estabeleceu-se que a liberdade é expressa
pelo ato (de forma que um ato, em seu princípio, é intencional), ou seja, se não há
intenção, não há ato e, por consequência, não há expressão da liberdade. Sendo assim, é
possível colocar como “não ação” uma negligência ou uma acomodação gerada pela

1
. SARTRE, 2014, p. 541.
2
. Ibidem.
falta de reflexão já que se mostrou que a intenção é princípio da ação, se a intenção não
recai sobre o ato, não há ação. Segundo Bôas da Silva (2013, p. 96):

[...] a ação é intencional, todo ato humano é por princípio intencional. Neste
sentido, a característica fundamental da consciência, sabe-se, é a
intencionalidade, é a tendência de estar sempre voltada para fora. A
consciência é o nada, o que lhe propícia a capacidade de imaginar, de
transcender, de ir além da situação presente dos fatos imediatos.

2. O determinismo dentro de uma perspectiva sartriana

Como foi exposto, a liberdade se potencializa no ato e, para Sartre, só o homem


(sujeito existente) pode ter a possibilidade de compreensão da liberdade e de escolha:

Com efeito, sou um existente que aprende sua liberdade através de seus atos;
mas sou também um existente cuja existência individual e única temporaliza-
se como liberdade.3

No ponto de vista de Sartre, os deterministas se atem a uma tarefa fácil quando


analisam a liberdade por uma designação do motivo e do móbil, pois, para o filósofo
francês, “Falar de ato sem motivo é falar de um ato ao qual faltaria a estrutura
intencional de todo ato [...]”4.

Não há, na visão de Sartre, um determinismo, pois o homem tem a possibilidade


de se definir ao escolher intencionalmente entre qualquer ação (o que, por sinal, é uma
condenação que o homem possui). Sobre isso, Sartre escreve:

A realidade-humana é livre porque não é o bastante, porque está


perpetuamente desprendida de si mesmo, e porque aquilo que foi está
separado por um nada daquilo que é e daquilo que será. E, por fim, porque
seu próprio ser presente é nadificação na forma do ‘reflexorefletidor’. O
homem é livre porque não é si mesmo, mas presença a si. O ser que é o que é
não poderia ser livre. A liberdade é precisamente o nada que tendo sido no
âmago do homem e obriga a realidade humana a fazer-se em vez de ser.5

Para o filósofo, a liberdade será intrínseca ao homem podendo ele ser ou não
livre. A respeito ele escreve: “O homem não poderia ser ora livre, ora escravo: é
inteiramente e sempre livre, ou não o é”6. Sendo assim, o homem está impossibilitado
de optar entre um revezamento da liberdade: ou ele é plenamente livre ou ele é
plenamente não-livre.

3. Liberdade, valores e moralidade

3
. Idem, p. 542-543.
4
. Idem, p. 540.
5
. Idem, p. 545.
6
. Ibidem.
Quando o homem assume de todo a sua liberdade, ou melhor, quando o homem
é inteiramente livre, ele assume a responsabilidade por suas escolhas e atos. Então, ao
percebermos essa relação, percebemos que é a liberdade que dá fundamento aos valores:
“[...] liberdade é o único fundamento dos valores e nada, absolutamente nada, justifica
minha doação dessa ou daquela escala de valores”7.

Quando se trata de valores e liberdade, tem-se em vista uma implicação ética ou


moral. No caso deste texto, a implicação é moral. Para Bôas da Silva (p. 106):

[...] liberdade é o alicerce de toda a moral, mas nada explica que este ou
aquele valor seja melhor. Se a liberdade do homem é o alicerce absoluto,
então, a moral não existe senão no próprio homem, manifesta,
exclusivamente, em seu agir concreto.

O homem, para Sartre, é um ser livre e dotado de existência. Ele é quem percebe
sua capacidade de ser livre na medida em que ser homem é ser liberdade. Esta
fundamenta e suscita uma série ligações que o homem tem com o mundo, é a partir dela
que ele poderá perceber o potencial das coisas. A partir da hora que o homem é livre,
ele é um ser-escolher-intencionalmente, ele se posta ante as possibilidades de escolha e
faz com que sua liberdade apareça.

Por que o homem é um ser moral?

Para Sartre, ele se torna um ser moral na medida em que ele é livre. A
moralidade só existe no homem e para o homem. Quando se tem um homem livre, ali se
tem um homem dotado de capacidade de agir-moralmente.

Referências

7
. Idem, p. 83.
SARTRE, Jean-Paul. O ser e o nada – Ensaio de ontologia fenomenológica. Tradução:
Paulo Perdigão. 23 ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2014.

BÔAS DA SILVA, A. M. V. A concepção de liberdade em Sartre. 2013. Disponível


em: <www.marilia.unesp.br/filogenese>. Acesso em: 4 fev. 2016.