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1.

INTRODUÇÃO
Vasta a gama de aplicações para os componentes e circuitos eletrônicos.
Todo e qualquer aparelho eletrônico necessita de resistores e/ou capacitores para seu
funcionamento correto e regular, os quais estão dispostos ou associados em circuitos
de forma paralela e/ou série, cada qual com sua função. Desta forma, é de grande
importância o entendimento de como funciona um circuito, para então por escolher de
forma coerente os componentes a serem interligados para gerar uma tensão e/ou
corrente desejada, para que o aparelho que proverá deste circuito não seja danificado.
Nesta prática foram montadas e analisadas os tipos de curvas obtidas num capacitor
para: 1) circuito RC série com fonte CC; 2) circuito RC série com gerador de sinais; 3)
circuito RC paralelo com fonte CC e; 4) circuito RC paralelo com gerador de sinais,
objetivando o estudo do circuito RC e o funcionamento de um capacitor.

2. REVISÃO TEÓRICA
Resistores são componentes que têm por finalidade oferecer uma oposição à
passagem de corrente elétrica, através de seu material. Para esta característica dá-
se o nome de resistência elétrica, a qual tem como unidade padrão o  (Ohm). Utiliza-
se estes componentes para controlar a corrente elétrica sobre os outros desejados,
pois causam uma queda de tensão no circuito e não uma queda de corrente (mesma
valor de corrente entra e sai). Resistor ideal tem resistência elétrica constante
independendo da corrente ou tensão sob a qual está sendo submetido. A Figura 1
mostra um circuito resistivo.

Figura 1 - Circuito Resistivo


Fonte: http://www.fisicapractica.com/resistivos-alterna.php

O capacitor é um componente eletrônico formado por duas placas metálicas


paralelas muito próximas separadas por um dielétrico (o dielétrico pode ser ar, papel,
plástico), que armazena cargas elétricas na forma de um campo eletrostático, sendo
esta propriedade chamada de capacitância que tem por unidade padrão o Farad (F).
A capacitância é a razão entre quantidade de carga armazenada pela diferença de
potencial entre as placas, assim, 1Farad pode armazenar 1 Coulomb de carga a 1
Volt. Os capacitores são utilizados para armazenar carga para utilização rápida,
eliminar ondulações numa corrente contínua (CC), podendo também bloquear a CC.
A Figura 2 mostra um circuito capacitivo.

Figura 2 - Circuito capacitivo


Fonte: Apostila de Física Experimental II – Prof. Sergio da Costa Saab

A associação entre os componentes citados acima geram o circuito RC, que


conforme a disposição dos componentes pode ser série ou paralelo como a Figura 3
e Figura 4.

Figura 3 – circuito RC série Figura 4 – circuito RC paralelo


Fonte: http://www.dt.fee.unicamp.br/~ Fonte: http://www.colegioweb.com.br/
www/ea513/node86.html fisica/circuito-rcparalelo.html

O fornecimento de carga pela bateria ocorre pela realização de trabalho,


então:
dW = dq (1)
Este trabalho transforma-se em energia dissipada no resistor e em energia
acumulada no capacitor, assim:
q
𝑅𝑖 2 𝑑𝑡 (2) Vdq = dq (3)
C
Neste caso, V representa a diferença de potencial entre as placas do
capacitor. A partir das equações (1), (2) e (3), e utilizando da conservação de
energia, obtém-sea seguinte relação:
q
dq = Ri2 dt + dq (4)
C
Como 𝑖 = 𝑑𝑞/𝑑𝑡 tem-se:
dq q
=R + (5)
dt C
Integrando-se:

𝑞(𝑡) = 𝐶(1 – 𝑒 −𝑡/𝑅𝐶 ) (6)

A Figura 5 mostra o carregamento de um capacitor, de modo que a


componente exponencial permita que o valor final do da carga do capacitor atinja
num tempo infinito.

Figura 5 – carregamento do capacitor


Fonte: http://www.if.ufrgs.br/tex/fis142/mod07/m_s06.html

Para cada circuito RC há um tempo característico, =RC, denominado


constante de tempo capacitiva. Quando t=RC, a carga no capacitor atinge 63% do seu
valor máximo.
Através da equação (6), obtém-se:

𝑖(𝑡) = ( 𝑒 −𝑡/𝑅𝐶 ) (7)
R

Na descarga do capacitor iguala-se  = 0, obtendo-se:


dq q
0=R + (8)
dt C
Desta forma, por integração direta chega-se à expressão que descreve a
variação da carga durante a descarga do capacitor:
𝑞(𝑡) = 𝐶( 𝑒 −𝑡/𝑅𝐶 ) (9)
A figura 6 mostra o processo de descarga do capacitor.

Figura 6 – descarregamento do capacitor


Fonte: http://www.if.ufrgs.br/tex/fis142/mod07/m_s06.html

3. MATERIAIS E MÉTODOS
Os materiais utilizados foram:
 Resistor de 1,00 k ± 1%;
 Capacitor de 270 nF;
 Fonte de Corrente Contínua 9 v;
 Gerador de sinais XFG1;
 Osciloscópio XSC1;
 Programa de Simulação Multisim 7;

Primeiramente, utilizando-se dos devidos componentes: fonte CC, resistor e


capacitor; montou-se o circuito no programa Multisim 7 baseado na Figura 7, soldando
os fios corretamente. Vale lembrar a necessidade da colocação do aterramento para
haver o funcionamento do circuito.

Figura 7 - Circuito RC de Corrente Contínua (CC) em série

Após a montagem do circuito, fez-se a conexão do osciloscópio para a


visualização da onda desempenhada pelo capacitor. O canal A conectado no lado
positivo e o terra do osciloscópio na parte negativa (conexão em paralelo). Por fim,
ligou-se o circuito e com as devidas regulagens no osciloscópio (escala de medições),
fez-se a observação e análise do sinal.
Na segunda parte do experimento, trocou-se a fonte CC por um gerador de
sinais. Regulou-se o gerador para 9 V, onda quadrada e frequência de 450 Hz. Desta
forma, ligou-se o circuito e fizeram-se novamente as análises das curvas referentes
ao capacitor no osciloscópio, curvas essas de carregamento e descarregamento. Fez-
se também a análise da tensão sobre o resistor. Para isso, posicionou um dos
terminais do osciloscópio entre o gerador e o resistor e outro terminal entre o resistor
e o capacitor.
A terceira parte do experimento seguiu o mesmo procedimento da segunda
parte. No entanto, a montagem foi modificada, alterando-se para um circuito RC
paralelo, como mostra a Figura 8.

Figura 8 - Circuito RC de Corrente Contínua (CC) em série


Na quarta parte do experimento, montou-se o circuito RC em paralelo mas
usando um gerador de sinais em 9 V no lugar da fonte CC, onda quadrada com
frequência de 450 Hz. Observou-se o comportamento da tensão no circuito.
Ao final, comparou-se os estilos de curvas observadas nos quatro circuitos
montados, discutindo-se sobre as diferenças encontradas.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.1. Circuito de corrente contínua RC em série


Na Figura 9, observa-se o circuito de corrente contínua com o resistor e o
capacitor associados em série.
Figura 9 – Cicuito de corrente contínua RC em série.
Fonte: os autores.
Como era o esperado, o gráfico da tensão apresentou uma linha reta, uma
vez que utilizou-se uma fonte de corrente-contínua. Como a associação é em série, a
corrente passante sobre o resistor é a mesma passante sobre o capacitor. Embora
cada componente apresente um tensão individual, a tensão total do circuito é a da
fonte, ou seja, 9 V.

4.2. Circuito de corrente alternada RC em série


Na Figura 10, observa-se o circuito de corrente alternada com o resistor e o
capacitor associados em série. A medida da tensão foi feita sobre o capacitor, de
modo a observar o comportamento de carga e descarga do mesmo.
Figura 10 – Circuito de corrente alternada RC em série.
Fonte: os autores.
Pelo gráfico presente na Figura 10, verifica-se o comportamento de carga e
descarga do capacitor. Inicialmente o capacitor está descarregado, então a curva
apresenta uma rampa exponencial correspondente ao carregamento. Ao atingir o
valor máximo de carga, a tensão também é máxima (9 V), e então inicia-se o processo
de descarga, novamente exponencial. Esse processo de carga e descarga segue
constantemente, alternando valores positivos e negativos de tensão, de acordo com
o sentido da corrente no circuito.
Na Figura 11 pode se observar o comportamento da tensão sobre o resistor.
No instante inicial, a tensão sobre o resistor é máxima e à medida que o capacitor se
carrega, a tensão sobre o resistor diminui até atingir o valor mínimo. Por se tratar de
um circuito com uma fonte de corrente alternada, a tensão sobre o resistor aumenta
instantaneamente, mas no sinal oposto (tensão negativa). Isso pode ser observado
nos picos negativos no gráfico presente na Figura 11.
Figura 11 – Circuito de corrente alternada RC em série. Medida da tensão no resistor.
Fonte: os autores.

4.3. Cálculo da constante de tempo 𝝉


Sendo 𝜏 = 𝑅𝐶, 𝑅 = 1 𝑘Ω 𝑒 𝐶 = 270 𝑛𝐹:
𝜏 = 270 𝜇𝑠
Esse valor corresponde ao tempo de resposta do capacitor, ou seja, o tempo
para carregar o capacitor em aproximadamente 63,2% da carga total, ou para
descarregá-lo até aproximadamente 36,8% da carga máxima.

4.4. Circuito de corrente contínua RC em paralelo


Na Figura 12, observa-se o circuito de corrente contínua com o resistor e o
capacitor associados em paralelo.
Assim como na Figura 9, o gráfico da tensão apresentou uma linha reta, pois
a fonte utilizada foi de corrente-contínua. Sendo a associação em paralelo, a tensão
sobre o resistor é a mesma sobre o capacitor, que por sua vez é a mesma do circuito
(9V). Já a corrente passante sobre cada componente apresenta um valor individual e
a soma destes valores é igual a corrente do circuito.

Figura 12 – Cicuito de corrente contínua RC em paralelo.


Fonte: os autores.

4.5. Circuito de corrente alternada RC em paralelo


Na Figura 13, observa-se o circuito de corrente alternada com o resistor e o
capacitor associados em paralelo.
Analisando-se o gráfico presente na Figura 13, verifica-se que o capacitor não
influencia na tensão do circuito. Isso ocorre devido ao fato de na associação em
paralelo, a tensão sobre o capacitor é igual a tensão sobre o resistor que é igual a
tensão sobre o circuito. Desse modo, o capacitor carrega-se instantaneamente no
começo e o seu ramo “abre”, ou seja, a corrente passa somente sobre o resistor, como
se o circuito fosse unicamente resistivo.
Do ponto de vista de aplicações, este circuito não apresenta grande
importância, uma vez que ele não é divisor de tensão e portanto, não pode ser usado
como filtro, assim como é usado o circuito RC em série.

Figura 13 – Cicuito de corrente alternada RC em paralelo.


Fonte: os autores.

5. CONCLUSÕES
1) Usando a definição de corrente calcule como deve ser a corrente de carga
ou descarga de um capacitor a partir das equações (6) e (9) compare com os gráficos
obtidos e discuta.
Como já obtido na equação 7, após derivar 6 em função de t:
 −𝑡/𝑅𝐶
𝐼(𝑡) = (𝑒 )
R
Plotando-se a corrente I em função de t, obtém-se o gráfico da Figura 14.
Figura 14 – Comportamento da corrente em função do tempo durante a carga do
capacitor. Fonte: os autores.
Pode-se observar que no instante inicial (t = 0), enquanto a carga Q é zero, a
corrente I é máxima, e para um tempo suficiente para a carga do capacitor, a corrente
atinge o valor zero.

2) Usando a Lei de Ohm e a corrente calculada na questão anterior, calcule


como deve ser a tensão de carga ou descarga de um capacitor a partir das equações
(6) e (9) compare com os gráficos obtidos e discuta.
Pela equação 6
𝑞(𝑡) = 𝐶(1 – 𝑒 −𝑡/𝑅𝐶 )
Mas, da definição de capacitância, 𝐶 = 𝑄 ⁄𝑉 , portanto:

𝑉(𝑡) = (1 – 𝑒 −𝑡/𝑅𝐶 ) (10)


Plotando-se a tensão V em função de t, obtém-se o gráfico da Figura 15.
Figura 15 – Comportamento da tensão em função do tempo durante a carga do
capacitor. Fonte: os autores.

3) Qual a importância do tempo de relaxação 𝜏 de um circuito, comente.


Através deste tempo, pode-se verificar a velocidade de carga e descarga do
capacitor no circuito. Valores altos de 𝜏 indicam que tanto o processo de carga quanto

o processo de descarga são demorados. Para valores baixos de 𝜏, o contrário é válido,


ou seja, o capacitor carrega-se e descarrega-se rapidamente.

4) Circuitos RC, RL etc, possuem análogos mecânicos para comportamento


de materiais como polímeros. Pesquise sobre esta analogia e faça as comparações
necessárias.
Os modelos mais simples para descrever as propriedades viscoelásticas dos
polímeros são o modelo de Maxwell e o modelo de Voigt. Esses modelos utilizam uma
mola e um pistão para representar o comportamento elástico e viscoso,
respectivamente. Enquanto o modelo de Maxwell associa a mola e o pistão em série
para determinar o tempo de relaxação de tensão, o modelo de Voigt utiliza uma
associação em paralelo para determinar o tempo de retardo da fluência do material
polimérico.
Em um circuito RC, o resistor é responsável dissipar a energia. Portanto, o
resistor é análogo ao pistão do sistema mecânico e a resistência é análoga à
viscosidade. O capacitor, por sua vez, armazena a energia do circuito. Sendo assim,
ele é análogo à mola do sistema mecânico e a capacitância é análoga ao módulo
elástico da mola.

5) Faça sugestões e criticas à prática realizada.


O roteiro de prática poderia ser adaptado para o uso do software de simulação
MultiSim para evitar eventuais dúvidas na adaptação do roteiro utilizado.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] FÍSICA PRÁCTICA. Disponível em: <http://www.fisicapractica.com/resistivos-


alterna.php>. Acesso em 15 de Setembro de 2011

[2] DA COSTA, Sérgio Saab. Apostila de Física Experimental II. Versão PDF.

[3] UNICAMP – Universidade de Campinas. Disponível em:


<http://www.dt.fee.unicamp.br/~www/ea513/node86.html>. Acesso em 15 de
Setembro de 2011

[4] COLÉGIO WEB. Disponível em:


<http://www.colegioweb.com.br/fisica/circuito-rcparalelo.html>. Acesso em 15
de Setembro de 2011.

[5] UFRGS – Universidade Federal do rio Grande do Sul. Disponível em:


<http://www.if.ufrgs.br/tex/fis142/mod07/m_s06.html>. Acesso em 15 de
Setembro de 2011