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ESTUDO DE CASO

MECANISMOS DE COMERCIALIZAÇÃO UTILIZADOS PELOS AGRICULTORES


FAMILIARES NO MERCADO
DISCIPLINA: COMERCIALIZAÇÃO – AGRONEGÓCIO
CENTRO PAULA SOUZA – FATEC – OURINHOS – 2018

Aluno: (a)_______________________________________________________________/___/________

RESUMO
Esta pesquisa tem como o objetivo comparar os mecanismos de comercialização no mercado SPOT (à vista). O
estudo foi desenvolvido em duas propriedades rurais do município de Videira, na primeira, um produtor que além
de produzir vende seus produtos diretamente e atua como intermediário e na segunda o produtor se preocupa com a
produção e vende direto ao intermediário. Foram realizadas visitas nas propriedades e aplicada entrevista semi –
estruturada, utilizando como ferramenta gravadores e máquinas filmadoras, também foi realizada uma viagem junto
com o produtor até a CEASA – Curitiba – PR. Em razão de o trabalho ser realizado em uma região onde a
fruticultura é significativa, as duas propriedades pesquisadas foram de fruticultores, os quais trabalham com frutas
de caroço. Um deles produz e comercializa direto da CEASA- Curitiba- PR e o outro produz e vende por meio de
intermediários. Com os resultados foi possível perceber que um dos maiores problemas de ambos agricultores é a
comercialização, tanto o produtor que vende no mercado Spot como o que vende por meio de intermediários, sofrem
muito com riscos e incertezas da venda, eles não tem garantia de venda e posteriormente de que vão receber seus
produtos, sem destacar os riscos de produção. Para ambos produtores entrevistados, ainda estão na atividade porque
trata-se de uma atividade de ativos específicos elevados. Para o produtor que vende direto sem intermediário, fazer
essa venda direta lhe proporciona um lucro maior, porém despende de mais empenho e trabalho. Para o produtor
que vende por meio de intermediário, o seu lucro é menor, mas seu risco também fica minimizado. É de consenso
que para tentar facilitar o processo de comercialização, reduzir os riscos e incertezas, garantir mercado competindo
por escala e preço, seriam necessário a criação de uma cooperativa, mas também eles destacam que isso é algo
complexo em razão da desunião dos produtores.

INTRODUÇÃO

Apesar de o Brasil caracterizar-se por ser um país essencialmente agrícola, desde a sua colonização até
os dias atuais, sendo, considerado potência mundial na produção agropecuária, tanto no que tange as tecnologias
adotadas quanto na produtividade e qualidade de seus produtos. Sendo assim, destacam-se as atividades agrícolas
como grandes geradoras de emprego e renda par a população e em conseqüência mais divisas para o país.
No entanto, uma forte lacuna ainda permeia este setor tão importante, ou seja, a comercialização dos
produtos observa-se que os agricultores brasileiros são eficazes na área técnica e de produção, porém chegado o
momento de comercializar muitos reduzem seus lucros em razão do desconhecimento e dos riscos e incertezas do
mercado.
Sabe-se que a lei que regulamenta o mercado é a Lei da Oferta e da Demanda, ou seja, produção baixa,
preço alto e assim vice-versa, sem falar nas oscilações e ocorrências do mercado externo, o qual parece ser evento
distante mas de certa forma influencia nos mercados, também observa –se se que elas também sofrem
conseqüências, devido às mesmas produzirem em pequenas quantidades, deixando as impossibilitadas de concorrer
nos grandes mercados. A partir desse pressuposto é que as pequenas famílias rurais estão buscando diversas formas
de organizar-se, procurando agregar valor a seus produtos e conquistar espaço nos mercados (ROSA et al 2008).
Também segundo (Rosa et al, 2008) “a agricultura familiar desempenha um importante papel sócio
econômico na sociedade, proporcionando a permanência do homem no campo, conseqüentemente evitando o êxodo
rural, e reduzindo o crescimento dos cinturões da pobreza em torno das cidades a procura de trabalho”.Sendo assim,
discute se a necessidade de os agricultores buscar maiores conhecimentos e formas de realizar a comercialização
dos seus produtos com um maior retorno possível.
Contudo, esta pesquisa tem como objetivo principal Comparar os mecanismos de comercialização no
mercado SPOT (com ou sem intermediários) utilizados pelos agricultores familiares da região de Videira. Os
processos de comercialização ainda são grandes pontos de gargalos encontrados principalmente pelos agricultores
familiares, o desconhecimento de mercado, o medo de riscos e as incertezas dos negócios fazem com que os
agricultores vendam seus produtos por menores preços a intermediários, o que os facilita e elimina alguns
processos burocráticos que envolvem as comercializações.
Sendo assim, é importante conhecer como ocorrem esses processos e como isso poderá ser facilitado
agregando valor aos produtos e melhorando a rentabilidade. Também a identificação dessas lacunas permite que se
desenvolva algumas ações em prol desses agricultores visando que os mesmos passem a se preocupar cada vez
mais com a comercialização de seus produtos e que usem está como ferramenta de agregação de valor e
competitividade.
Além disso, o estudo justificou-se por possibilitar as alunas do Curso Técnico em Agropecuária a entender
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e se preparar para atuar nas áreas de Gestão, planejamento e comercialização dentro das propriedades rurais,
buscando mesmo que de maneira lenta inserir nos produtores rurais a idéia de que a propriedade rural é uma
empresa, assim sendo, além da produção técnica o agricultor deve se preocupar com a administração e
comercialização de seus produtos.

AGRICULTURA FAMILIAR
Abordagens sobre a agricultura familiar vêm atualmente ocupando espaços importantes nos debates de
desenvolvimento econômico e social.
O conceito de agricultura familiar está dividido em três critérios básicos, atualmente utilizado em estudo da
FAO/INCRA (GUANZIROLI & CARDIM, 2000):
a) o produtor é quem gerencia a direção dos trabalhos e do estabelecimento;
b) o trabalho é executado pela família com pouca ou quase nenhuma mão-de-obra contratada;
c) a área total do estabelecimento é menor que a área máxima regional, definida como limite
superior para a agricultura familiar.
Schneider (2003) acrescenta que as unidades familiares funcionam principalmente, com força de trabalho
dos membros da família, e que em momentos de concentração de trabalho pode se contratar em caráter temporário
outros trabalhadores. Também se trata de uma atividade vulnerável aos obstáculos oferecidos pela natureza como
clima, solo, ou equilíbrios do ecossistema.
Em 24 de julho de 2006, foi sancionada a Lei Federal n° 11.326 a qual estabelece as diretrizes para a
formulação da política nacional de agricultura familiar e empreendimentos familiares rurais e prevê a
descentralização com total envolvimento dos municípios, estados, governo federal e produtores rurais no
desenvolvimento e gestão dos programas agrários, bem como reconhece que a agricultura familiar é um segmento
produtivo e representa um importante passo para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas ao
desenvolvimento rural.
De acordo com a Lei Federal n° 11.326/06, para o produtor rural ser enquadrado como agricultor ou
agricultura familiar é necessário que:
a) Não possua área maior do que quatro módulos fiscais (unidade-padrão para todo o território brasileiro);
b) A mão-de-obra utilizada deve ser predominantemente familiar nas atividades econômicas do seu negócio;
c) A renda familiar ser oriunda de atividades econômicas vinculadas ao próprio estabelecimento.
A agricultura familiar é constituída por pequenos e médios produtores, representando a maioria de
produtores rurais no Brasil. Em geral, são agricultores que diversificam os produtos cultivados para diluir custos,
aumentar a renda e aproveitar as oportunidades de oferta ambiental e disponibilidade de mão de obra
familiar. É comum para os leigos caracterizar a agricultura familiar como um setor atrasado do ponto de vista
econômico, tecnológico e social, voltado fundamentalmente para a produção de produtos alimentares
básicos ( feijão, arroz, milho, hortaliças, mandioca e pequenos animais) e com uma lógica de produção única
de subsistência, esta imagem estereotipada da agricultura familiar está longe de corresponder à realidade.
(PORTUGAL 2002,GUANZIROLI, BATALHA, BUAINAIN, SOUZA FILHO 2004)
Este segmento tem um papel importante na economia do país. Estes produtores e seus familiares são
responsáveis por inúmeros empregos no comércio e nos serviços prestados nas pequenas cidades. A melhoria
de renda deste segmento por meio de sua maior inserção no mercado tem impacto importante no interior do
país e por consequência nas grandes metrópoles. (PORTUGAL, 2002/2004)
Esta inserção no mercado ou no processo de desenvolvimento depende de tecnologia e condições político
institucionais, representadas por acesso a crédito, informações organizadas, canais de comercialização, transporte,
energia, entre outros fatores essenciais. Este último conjunto de fatores normalmente tem sido a principal limitante
do desenvolvimento, embora haja um esforço importante do Governo Federal com programas como o
PRONAF, programas estaduais de assistência técnica e associativismo. (PORTUGAL, 2002/2004)
O desafio maior da agricultura familiar é adaptar e organizar seu sistema de produção a partir das
tecnologias disponíveis. Além disso, melhorar a capacidade organizacional dos produtores com o objetivo de
ganhar escala, buscar nichos de mercado, agregar valor à produção e encontrar novas alternativas para o uso da
terra como, por exemplo, o turismo rural. (UNESP,2003)

DEFINIÇÃO DE COMERCIALIZAÇÃO.
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A literatura brasileira apresenta diversos conceitos de comercialização, no entanto neste estudo o conceito
adotado é o definido por (ZYLBERSZTAJN, 2000), o qual destaca que a “comercialização pode ser definida como
a troca de bens e serviços entre agentes econômicos. Como fruto dessas trocas, os agentes efetuam as chamadas
transações, as quais fundamentam o funcionamento do sistema econômico”. Para Brandt (1980) o sistema de
comercialização agrícola pode ser considerado como um mecanismo primário para a coordenação das atividades de
produção, distribuição e consumo. Através deste mecanismo, quanto maior for a coordenação entre os componentes
do sistema menores serão os custos de transação de cada um deles (AZEVEDO, 2001).
Segundo Lourezani, Lourezani e Batalha (2000) produção agrícola possui algumas especificidades que
acabam influenciando de forma negativa nos processos de comercialização como: i) concentração de período de
produção (safra e entressafra); ii) à natureza biológica (perecibilidade) da produção agrícola; iii) a variabilidade
qualitativa da matéria-prima é inevitável, evidenciando o problema de padronização dos produtos, afetando as
inserções nos mercados.
De acordo com Alves e Staduto (2001), em razão de os agricultores familiares serem incapazes de alcançar
escala de produção, a estrutura de governança utilizada pelos mesmos para a comercialização é o livre mercado
(spot), onde as transações são de baixa freqüencia em razão da baixa especificidade dos ativos
Para Batalha (2001) ao longo dos anos as comunidades tanto acadêmicas quanto empresariais vem se
dando conta que o agronegócio somente será competitivo se construído em bases sustentáveis, através de adoção de
práticas que estimulem comportamentos menos adversos entre os agentes econômicos de uma cadeia. É necessário
e importante operacionalizar ações que promovam a coordenação das cadeias produtivas e aumentem a sua
capacidade de reagir as rápidas e constantes mudanças que vem ocorrendo no cenário competitivo. Após estas
considerações faz-se necessário encontrar os mecanismos públicos e privados que operacionalizem e coordenem
estas cadeias.
Em busca de uma maior competitividade e acessibilidade aos mercados os agricultores precisam se
organizar com o objetivo de sanar os problemas e resolver suas necessidades e, desta maneira, melhorar suas
condições econômicas e sociais.
Nas últimas décadas a discussão sobre a agricultura familiar tem ganhado força devido às dificuldades que
os produtores familiares têm para se posicionar no mercado, sendo atribuído ao fato dos mesmos produzirem em
pequena escala, e com grande diversificação de produtos. Além disso, há uma grande oferta dos produtos
provenientes da agricultura familiar, a qual supera a demanda fazendo com que os preços a serem pagos pelo
produto sejam ditados pelo mercado, cabendo ao produtor realizar ajustes nos custos de produção, o que nem
sempre é possível e raramente viável.
Os meios de comercialização que o produtor encontra para conseguir esse posicionamento frente ao
mercado são sistemas distintos e que, por sua vez, acarretam resultados diferenciados. Pode-se citar 6 sistemas
principais: Venda Direta, Associativismo, Cooperativismo, Atravessadores, Integração e ainda Mercado Futuro.
A venda direta consiste em vender os produtos nos centros comerciais, onde o produtor pode negociar
diretamente com o comprador mantendo um contato pessoal, não necessitando de vendedores intermediários. Fica a
cargo ou não do produtor os mecanismos de transporte, sendo que em alguns casos pode haver acordo entre
produtor e estabelecimento comercial.
O Associativismo é uma organização resultante da reunião legal entre duas ou mais pessoas, com ou sem
personalidade jurídica, para a realização de um objetivo comum. Um produtor sozinho adota estratégias no sentido
de racionalizar custos, porém não consegue corresponder aos preços praticados no mercado. Então, continuar a
comercializar individualmente se apresenta como ato de risco e grandes desafios, especialmente se o processo
produtivo exige altos custos de capital, força de trabalho e deslocamento de mercadorias. (NEVES, 2006).
Cooperativa é uma organização formada por membros de determinado grupo econômico ou social, que
objetiva desempenhar, em benefício comum, determinada atividade. Os objetivos do cooperativismo são:
identidade de propósitos e interesses; ação conjunta, voluntária e objetiva para coordenação de contribuição e
serviços; obtenção de resultado útil e comum a todos. (FERRINHO,1978).
O cooperativismo apresenta-se como alternativa juridicamente segura e conduz a uma terceirização mais
distributiva, redistribuindo a renda ao eliminar a intermediação, proporcionando a autonomia de trabalho.
(OLIVEIRA, ZWIEREWICZ, SCHMIDT, NETO, 2000).
Outra forma que o produtor busca para a comercialização dos seus produtos são os atravessadores que
compram os produtos finais e revendem em ceasas, supermercados e outros centros comerciais.
Cabe-se ressaltar a comodidade ao produtor que não precisa ir em busca de mercados para efetuar a venda
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de seus produtos, embora o atravessador tenha maior rentabilidade quando falamos em divisão de lucros.
A integração consiste em uma instituição consolidada que forma parcerias com produtores rurais, onde a
empresa fornece suporte técnico e produtos necessários para a produção, cabendo ao produtor disponibilizar mão
de obra e estrutura fundiária.
Recentemente o mercado futuro está ganhando espaço nos meios de comercialização. Consiste em
contratos de compra e venda padronizada, em se tratando das características do produto negociado, conforme as
regras impostas pela bolsa de valores. Assim, as partes compradora e vendedora se comprometem a comprar ou
vender determinada quantidade de um produto em uma data futura.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

Nesta seção serão apresentados e discutidos os dados coletados na pesquisa de campo, a qual foi realizada
junto a produtores rurais que atuam na comercialização de frutas de caroço, tanto no mercado direto como por meio
de intermediários. A discussão obedecerá a seguinte metodologia: o produtor que comercializa por meio de
intermediários será denominado Produtor A e o que comercializa de forma direta Produtor B.
Como os pesquisados fazem parte de um estrato de produtores, que produzem em pequena escala, a
comercialização é importante e decisiva. Para o produtor A, a comercialização é o maior desafio por diversos
fatores, dentre eles destacam –se: a garantia de comercialização, a perecibilidade do produto e a dificuldade de
estrutura para estocagem. Para o Produtor B, essa dificuldade é maior ainda devido a sua escala de produção que é
pequena então compete-se por preço através da qualidade. Observa-se que as peculiaridades da atividade como
perecibilidade do produto e garantias de pagamentos são os maiores entraves desses produtores.
Ratificando as considerações de Lourezani, Lourezani e Batalha (2000) os quais ressaltam que a produção
agrícola possui algumas especificidades influenciadoras nos processos de comercialização de forma negativa,
como: i) concentração de período de produção (safra e entressafra); ii) à natureza biológica (perecibilidade) da
produção agrícola;
iii) a variabilidade qualitativa da matéria-prima é inevitável, evidenciando o problema de padronização dos
produtos, afetando as inserções nos mercados.
A fruticultura é uma atividade considerada de alto risco por estar vulnerável as oscilações, principalmente do
clima. Para garantir que qualquer eventualidade não venha a prejudicar financeiramente o produtor, este deve estar
preparado. As pesquisas em torno desses problemas sugerem algumas medidas preventivas, porém os produtores
consideram as mesmas inviáveis pelo alto investimento requerido. O produtor A apresenta a estratégia utilizada em
sua propriedade, que se trata de investir em apenas uma atividade, tanto em infraestrutura como em especialização
da mão de obra e conhecimentos técnicos. O produtor A desenvolve seu planejamento administrativo da seguinte
forma: No ano em que o lucro da safra for bom, ele reserva uma parcela dessa renda para um próximo ano em que
alguma eventualidade venha comprometer sua produção. Dessa forma diferencia-se da grande maioria dos
produtores familiares, que visam garantir lucro através da complementação com outra atividade em sua
propriedade. O produtor B acredita que o seguro agrícola poderia ajudar no caso de perdas, mas encontra
dificuldades, apontando ainda problemas na funcionalidade do programa.
Devido a grande quantidade de frutas de caroço disponível no mercado, os produtores são obrigados a
buscar estratégias para comercializar sua mercadoria, num meio bastante competitivo. Como os produtores não
conseguem impor um preço final mínimo no momento da comercialização, então procuram alternativas para
viabilizar e aumentar a lucratividade da produção. Entretanto, a cada solução encontrada são gerados alguns
impasses, por exemplo, aumentando a produtividade, aumenta a necessidade de mão de obra, o que no momento é
apontada pelos fruticultores como fator limitante para a expansão da atividade.
Ao longo dos anos, os consumidores vêm ficando mais exigentes e priorizando a qualidade e a boa aparência
do produto nos supermercados. Os produtores se dedicam para obter essa qualidade, através de boas técnicas de
produção e minimização de perdas. Para o produtor A, os consumidores priorizam o tamanho do fruto e na sua
opinião, as perdas são significativas, devido principalmente ao produto ser perecível em curto prazo e transporte
inadequado. Para o produtor B, os consumidores são mais avalistas quanto às características que desejam nos
produtos, visando a qualidade como um todo.
A satisfação dos produtores deve ser analisada após cada safra, já que cada ano é uma realidade diferente
para o produtor devido ao comportamento do mercado, disponibilidade de mão de obra, intempéries da natureza
entre outros fatores que afetam direta e indiretamente o comércio. Um problema que vem preocupando muito os
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produtores A e B, é o acesso às informações acerca da produtividade nas diversas regiões, apontado como
deficiente e desatualizado, sendo que essas informações devem ser repassadas pelos órgãos de pesquisa e extensão,
relevando sua extrema importância na economia do país, ocasionando mudanças na cadeia produtiva das frutas de
caroço e em sua comercialização. Os produtores alegam que com essas informações eles poderiam planejar e
redirecionar sua produção de forma mais eficiente e lucrativa.
Para Santos (2002, pg.15), o planejamento é importante no sentido de alertar os empresários rurais quanto
às mudanças na economia, no hábito dos consumidores, na tecnologia, no comportamento climático, nos custos, na
oferta dos produtos (supersafras), na demanda e outras alterações e traz inúmeros benefícios, que podem ser
obtidos pela forma organizada de planejar, forçando a administração a pensar no futuro de seus negócios,
antecipando os problemas antes que eles aconteçam. O planejamento permite ao empresário rural um resultado
antecipado de cada atividade, tanto no plano empresarial como operacional.
A administração do país abriu algumas portas para as atividades agrícolas, tendo em vista a grande
importância do agronegócio no Brasil. Vem facilitando linhas de crédito e tentando manter o produtor rural no
campo. Porém, o sistema não está sendo completamente eficiente. Os produtores A e B ressaltam os pontos onde há
falhas e que, de certa forma, poderiam ser solucionados. O produtor A destaca que uma das dificuldades
encontradas pelo pequeno produtor é a falta de produtos defensivos no mercado, registrados e permitidos para o uso
nas frutas de caroço. O produtor B denuncia a falta de atenção dos atuais governantes para com os fruticultores,
questionando ainda tamanha fiscalização e pouca orientação por parte dos órgãos responsáveis.
A constante evolução na produção vem concentrando altas produtividades nas mãos de poucos. Porém
ainda existem os pequenos produtores que sobrevivem no regime de agricultura familiar, sem a presença de
grandes extensões de terras, com mão de obra predominantemente familiar, concentração de produção e menor
poder financeiro para a aquisição de tecnologias modernas, mas que produzem, embora em pequena escala. O
desafio é: como um pequeno produtor pode se destacar frente ao comércio? Uma alternativa é a união. Os
produtores A e B não trabalham neste sistema de cooperativas, porém o produtor A reconhece a essencialidade e as
dificuldades dessa união destacando que como o produto é de alta perecibilidade e os fruticultores tem dificuldades
para entrar em consenso durante a tomada de decisões em grupo, torna-se complicada a formação de uma
cooperativa
Confirmando a importância dessa parceria, Bialoskorski Neto (1997) define cooperativa como uma
organização de caráter permanente, criada por um agrupamento de indivíduos com interesse comum, visando a
realização de atividades econômicas relacionadas com o progresso econômico e o bem-estar dos associados, que
são os proprietários e usuários da organização.
Devido às dificuldades encontradas pelos produtores no momento da comercialização, é de extrema
importância realizar um controle de gastos, através do levantamento das despesas totais em cada safra, visando a
otimização da atividade e detectando os pontos que acarretam prejuízos. Sendo a fruticultura considerada uma
atividade de longo prazo, o produtor está ciente que não se deve abandonar a atividade devido aos altos custos de
implantação e manutenção dos pomares. O produtor A ressalta que mesmo ocorrendo prejuízos, é preciso manter-
se na atividade, devido aos fatores acima citados. No caso do produtor B, a situação não é diferente. Os
levantamentos são feitos de maneira superficial não atendo a custos menores, o que muitas vezes implica em
prejuízos por falta de controle dos pequenos gastos, que acabam tornando-se significativos.
A estimativa adequada dos custos é muito importante para as empresas. Maher (2001,
p. 398) afirma que “estimativas precisas melhoram o processo de tomada de decisão; estimativas imprecisas
resultam em ineficiências e aumentam a quantidade de decisões que não adicionam valor”.
Um dos fatores mais complexos durante a venda do produto é o estabelecimento do preço. Sendo o
mercado competitivo, os produtores precisam sobressair-se no momento da comercialização, já que a situação de
mercado é ditada pela oferta e demanda de produtos. Os produtores sentem dificuldades em contornar esta
realidade, tendo em vista que a garantia do lucro não está sendo possível através da redução de custos na produção.
Em ambos os casos, os produtores A e B afirmam que a definição do preço final se dá pelo acompanhamento de
mercado.
Dolan e Simon (1998) afirmam que, geralmente, as principais dificuldades encontradas para a adoção de
uma política de preços eficiente no atual contexto empresarial são: interdependência entre os produtos e os
mercados; o fácil acesso a uma alta gama de informações por parte dos consumidores; e o contexto de crescente
diversidade competitiva.
Quando questionados sobre a rentabilidade da atividade, os produtores A e B demonstram opiniões
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semelhantes. São avaliadas por eles, as recomendações dos extensionistas e profissionais da área sobre o assunto.
No II Seminário Regional de Frutas de Caroço, realizado na cidade de Videira, alguns palestrantes, de certa forma,
desestimularam os produtores rurais que estavam presentes no evento, sugerindo que os pequenos produtores de
fruta de caroço, que não estão conseguindo atingir lucratividade devido a concorrência com produtores maiores,
arranquem seus pomares, e os que estão planejando a implantação não invistam na atividade. Essas opiniões que
foram expostas durante o seminário, causaram grandes polêmicas entre os participantes, pois se observa que o
governo tenta incentivar os pequenos produtores rurais a se manterem no campo, e justamente a EPAGRI (Empresa
de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina), a qual coordenou o evento, contradiz essas
ideologias. Para o produtor rural que não se preocupa somente com viabilidade econômica, mas também com a
questão cultural, não seria essa a resposta mais adequada. A respeito da expansão da atividade, para obtenção de
uma maior escala produtiva, tanto o produtor A quanto o produtor B, relacionam a mão de obra com a dificuldade
no aumento da área plantada. O produtor B, ainda encontra dificuldades na busca de mão de obra qualificada e no
funcionamento da legislação trabalhista que de acordo com ele prioriza demais o empregado e não o empregador.
Como já mencionado, o produtor A vende sua mercadoria através de um comprador, que revende no Ceasa
para outros intermediários. Ele comenta que a vantagem é que seu produto está escoando para outras regiões, o que
agrega valor no produto e que através do intermediário ele minimiza riscos, tendo maior segurança e tranquilidade,
as quais não seriam possíveis caso ele se aventurasse levando por si próprio sua mercadoria. Já o produtor B,
cultiva as frutas em sua propriedade, compra de outros fruticultores para completar sua carga e oferece uma maior
gama de produtos, comercializa sobre venda direta com supermercados e também com outros intermediários.
O produtor B relata sobre os riscos e desafios que enfrenta no local onde negocia a venda de seus produtos,
os quais vão desde segurança e a higiene do local onde trabalha, que são deficientes. Isso implica um grande risco
ao produtor rural e acaba desestimulando-o. A higienização do local interfere diretamente na sanidade dos produtos
e também no momento de venda. Apesar de toda a problemática envolvida, o produtor B ainda considera esse
sistema de comercialização viável. De acordo com o que ele expõe, consegue-se um preço melhor, mas quando
questionado sobre o futuro da atividade ele afirma que apesar de trabalhar há muitos anos na atividade, ela ainda se
mostra imprevisível.

REFERÊNCIAS
AZEVEDO, P.F. Nova economia institucional: referencial geral e aplicações para a agricultura. Agricultura em
São Paulo. São Paulo: Instituto de Economia Agrícola (IEA), 47 (1), 2000. p. 33-52.
ALVES, J.M.; STADUTO, J.A.R. Análise da estrutura de governança: o caso cédula do produtor rural (CPR). In:
INTERNATIONAL CONFERENCE ON AGRI-FOOD CHAIN /
NETWORKS ECONOMICS AND MANAGEMENT, 3, 2001. Proceedings of... Ribeirão Preto, São Paulo, 2001.
BATALHA, M. O. (Coord.) Gestão agroindustrial: GEPAI: grupo de estudos e pesquisas agroindustriais. São
Paulo: Atlas, 2001 v. 1.

BIALOSKORSKI NETO, S. Gestão do Agribusiness Cooperativo. Gestão agroindustrial. 2ª