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ARTE COMO UM PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DA HISTÓRIA E

CULTURA DA HUMANIDADE: A arte como objeto de conhecimento e de


representação imaginária da cultura.
A ARTE INSERIDA NOS PARÂMETROS CURRICULARES
NACIONAIS

O papel fundamental da educação no desenvolvimento das pessoas e das sociedades


amplia-se cada vez mais e aponta para a necessidade de se construir uma escola voltada para a
formação de cidadãos. Vivemos numa era marcada pela competição e pela excelência, onde
progressos científicos e avanços tecnológicos definem exigências novas para os jovens que
ingressarão no mundo do trabalho.
Tal demanda impõe uma revisão dos currículos, que orientam o trabalho
cotidianamente realizado pelos professores e especialistas em educação do nosso país. Assim,
é preciso respeitar as diversidades regionais, culturais, políticas existentes no país e, também,
considerar a necessidade de construir referências nacionais comuns ao processo educativo em
todas as regiões brasileiras. Os Parâmetros Curriculares Nacionais foram desenvolvidos
com a intenção de ampliar e aprofundar um debate educacional que envolva escolas, pais, governos e
sociedade e dê origem a uma transformação positiva no sistema educativo brasileiro.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Arte foram constituídos a partir de


estudos e discussões que versaram sobre dois aspectos básicos desta área de conhecimento: a
natureza e a abrangência da educação de arte e as práticas educativas e estéticas que vêm
ocorrendo principalmente na escola brasileira. Um dos objetivos dos parâmetros indica que o
aluno deverá ser capaz de:

 Utilizar as diferentes linguagens - verbal, musical, matemática, gráfica, plástica e


corporal - como meio para produzir, expressar e comunicar suas ideias, interpretar e
usufruir das produções culturais, em contextos públicos e privados, atendendo a
diferentes intenções e situações de comunicação.

O aluno desenvolve sua cultura de arte fazendo, conhecendo e apreciando produções


artísticas, que são ações que integram o perceber, o pensar, o aprender, o recordar, o imaginar,
o sentir, o expressar, o comunicar. A realização de trabalhos pessoais, assim como a
apreciação de seus trabalhos, os dos colegas e a produção de artistas, se dá mediante a
elaboração de ideias, sensações, hipóteses e esquemas pessoais que o aluno vai estruturando e
transformando, ao interagir com os diversos conteúdos de arte manifestados nesse processo
dialógico.

Produzindo trabalhos artísticos e conhecendo essa produção nas outras culturas, o


aluno poderá compreender a diversidade de valores que orientam tanto seus modos de pensar
e agir como os da sociedade. Trata-se de criar um campo de sentido para a valorização do que
lhe é próprio e favorecer o entendimento da riqueza e diversidade da imaginação humana.
Além disso, os alunos tornam-se capazes de perceber sua realidade cotidiana mais vivamente,
reconhecendo e decodificando formas, sons, gestos, movimentos que estão à sua volta. O
exercício de uma percepção crítica das transformações que ocorrem na natureza e na cultura
pode criar condições para que os alunos percebam o seu comprometimento na manutenção de
uma qualidade de vida melhor.

A dimensão social das manifestações artísticas revela modos de perceber, sentir e


articular significados e valores que orientam os diferentes tipos de relações entre os
indivíduos na sociedade. A arte estimula o aluno a perceber, compreender e relacionar tais
significados sociais. Essa forma de compreensão da arte inclui modos de interação como a
empatia e se concretiza em múltiplas sínteses. O conhecimento da arte abre perspectivas para
que o aluno tenha uma compreensão do mundo na qual a dimensão poética esteja presente: a
arte ensina que nossas experiências geram um movimento de transformação permanente, que
é preciso reordenar referências a cada momento, ser flexível. Isso significa que criar e
conhecer são indissociáveis e a flexibilidade é condição fundamental para aprender.

Fonte: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/arte.pdf

A PRESENÇA DA ARTE NA CONSTRUÇÃO DA HISTÓRIA E DA


CULTURA DA HUMANIDADE

“A arte é produto humano


É o real transfigurado.”
Desde o início da história da humanidade, a arte tem se mostrado como uma práxis
presente em todas as manifestações culturais. O homem que desenhou um bisão em uma
caverna pré-histórica teve de aprender e construir conhecimentos para difundir essa prática. E,
da mesma maneira, compartilhar com as outras pessoas o que aprendeu, conheceu e o que
vivenciou. Nas sociedades primitivas as formas artísticas não eram atividades autônomas
dissociadas da vida, elas estavam impregnadas das atividades realizadas na comunidade.

Antropólogos, arqueólogos, historiadores, filósofos, linguistas e outros tantos


pesquisadores tentam, desde muito tempo, desvendar as origens da humanidade, isto é, as
raízes da passagem do mero hominídeo primitivo ao homem propriamente dito, Homo
sapiens. A despeito das conclusões dessas pesquisas, uma coisa permanece como fato: ao
aparecimento do homem (entenda-se: da humanidade) está diretamente associado o
aparecimento das formas simbólicas, isto é, da religião, da língua e da arte.

Ao explorar a arte pré-histórica, estamos também conhecendo a fascinante história da


humanidade, suas formas de linguagens aplicadas à arte, suas funções e a necessidade do
homem de comunicar-se. As primeiras expressões da arte eram muito simples, traços feitos
nas paredes de argila das cavernas. O homem da Idade da Pedra não deixou nada registrado
em documento escrito, pois é exatamente a época anterior à escrita. Tudo que sabemos dos
homens que viveram nesse tempo é resultado da pesquisa de antropólogos, arqueólogos e
paleontólogos, que reconstituíram a cultura do homem da Idade da Pedra a partir de objetos
encontrados em várias partes do mundo, e de pinturas achadas no interior de muitas cavernas
na Europa, Norte da África e Ásia.
Fonte: http://clubedaarteescolar.blogspot.com.br/2010/08/arte-rupestre-enem-1ano.html

Criar é inerente à condição humana. O ser humano se percebe e se reconhece naquilo


que cria, transformando as coisas, dando a elas um sentido, um significado. Ao transformar as
coisas, o homem se transforma, em um processo dinâmico em que recria as coisas e a si
mesmo. Todos nós somos dotados do poder da criação, somos criadores, e a arte, em suas
múltiplas dimensões, é um campo incomensurável de possibilidades de exercício de criação.
A arte nos proporciona a possibilidade de vivenciar a diversidade cultural e, dessa forma, nós
somos capazes de nos (re)conhecer nesse processo criativo.

A manifestação artística tem em comum com outras áreas de conhecimento um caráter


de busca de sentido, criação, inovação. Essencialmente, por seu ato criador, em qualquer das
formas de conhecimento humano, ou em suas conexões, o homem estrutura e organiza o
mundo, respondendo aos desafios que dele emanam, em um constante processo de
transformação de si e da realidade circundante. O ser humano tem procurado distinguir e
verificar os fenômenos da natureza, o ciclo das estações, os astros no céu, as diferentes
plantas e animais, as relações sociais, políticas e econômicas, para compreender seu lugar no
universo, buscando a significação da vida.

Leia a poesia abaixo e perceba que, em versos e rimas harmônicas, a autora está
tratando da Arte na construção da história do homem.

O Homem e a Arte
Autora: Clotilde Tavares

Quando o homem no começo


Emergiu da escuridão
Viu bichos, águas e plantas
E as estrelas na amplidão
Ficou tão maravilhado
Que num momento inspirado
Pintou na gruta um bisão.

A arte só nasce assim


Se o homem se transfigura
Olha o mundo à sua volta
Seus aspectos captura
E nos devolve em beleza
O que viu na natureza
Conforme a sua leitura.

A arte é produto humano


É o real transfigurado
Não são as coisas reais
Mas o mundo transformado
Na arte nós renascemos
Nela nos reconhecemos
Partes de um mesmo legado.

Todas as obras de arte


Têm importância exemplar
Pois representam um produto
De cada tempo e lugar
Desde as obras consagradas
Até as que são criadas
Pelo artista popular.

Os artistas do desenho
Da pintura e da escultura
Lidam com volume e forma
Dando sentido à figura
A obra assim se completa
Plano, linha, curva e reta
Perspectiva e textura.

Cinema e fotografia
São artes como as demais
A grafitagem, os quadrinhos
E os processos virtuais
Feitos no computador
Possuem grande vigor
Nestes tempos atuais.
A música está nos sons
Que a natureza oferece
Trabalhados pelo artista
Que com eles sonha e tece
O samba, o rock e a sonata
A sinfonia e a cantata
Canções que ninguém esquece.

Na dança o corpo é quem reina


Seu principal instrumento
Projetando-se no espaço
Com leveza e sentimento
A dança é celebração
Do corpo a pura expressão
Desenhando o movimento.

O teatro é a maravilha
Que junta no mesmo dia
O texto, a luz, os atores
Cenário, som, melodia
Cria do nada uma história
Que fica em nossa memória
Que marca, instiga, extasia.

Nesta edição veja os mestres


Do Brasil em derredor
Trabalhando com este tema
Com propósito maior:
Escolas de toda parte
Professor, aluno e a arte
Tornando o mundo melhor.

Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/formacao/homem-arte-429578.shtml

A PRESENÇA DA ARTE NA EDUCAÇÃO


A aprendizagem e o ensino da arte sempre existiram e se transformaram, ao longo da
história, de acordo com normas e valores estabelecidos, em diferentes ambientes culturais. No
século XX, a área de Arte acompanha e se fundamenta nas transformações educacionais,
artísticas, estéticas e culturais. As pesquisas desenvolvidas a partir do início do século em
vários campos das ciências humanas trouxeram dados importantes sobre o desenvolvimento
da criança e do adolescente, sobre o processo criador, sobre a arte de outras culturas. Na
confluência da antropologia, da filosofia, da psicologia, da psicanálise, da crítica de arte, da
psicopedagogia e das tendências estéticas da modernidade, surgiram autores que formularam
os princípios inovadores para o ensino de linguagens artísticas.

Tais princípios reconheciam a arte da criança como manifestação espontânea e


autoexpressiva: valorizavam a livre expressão e a sensibilização para a experimentação
artística como orientações que visavam ao desenvolvimento do potencial criador, ou seja,
eram propostas centradas na questão do desenvolvimento do aluno. É importante salientar que
tais orientações trouxeram uma contribuição inegável para a valorização da produção criadora
da criança e do jovem, o que não ocorria na escola tradicional. Mas o princípio revolucionário
que advogava a todos, independentemente de talentos especiais, a necessidade e a capacidade
da expressão artística, foi aos poucos sendo enquadrado em palavras de ordem, como “o que
importa é o processo criador da criança e não o produto que realiza” e “aprender a fazer,
fazendo”.

Esses e muitos outros lemas foram aplicados mecanicamente nas escolas, gerando
deformações e simplificações na ideia original, o que redundou na banalização do “deixar
fazer” — ou seja, deixar o aluno fazer arte, sem nenhum tipo de intervenção. Ao professor,
destinava-se um papel cada vez mais irrelevante e passivo. A ele não cabia ensinar nada e a
arte adulta deveria ser mantida fora dos muros da escola, pelo perigo da influência que
poderia macular a “genuína e espontânea expressão infantil”. O princípio da livre expressão
enraizou-se e espalhou-se pelas escolas.

O conceito de criatividade tornou-se presença obrigatória nos planejamentos de Teatro,


Artes Plásticas e Educação Musical. O objetivo fundamental era facilitar o desenvolvimento
criador. No entanto, o que se desencadeou como resultado da aplicação indiscriminada de
ideias vagas e imprecisas sobre a função da educação artística foi uma descaracterização
progressiva da área. Tal estrutura conceitual foi perdendo o sentido, principalmente para os
alunos. Além disso, muitos dos objetivos arrolados nos planejamentos dos professores de arte
poderiam também compor outras disciplinas do currículo, como desenvolver a criatividade, a
sensibilidade, o autocontrole etc.

Na entrada da década de 60, houve uma reorientação de pensamento sobre o ensino


das artes em centros norte-americanos e europeus, questionando basicamente a ideia do
desenvolvimento espontâneo na expressão artística, procurando definir a contribuição
específica da arte para a educação do ser humano. A reflexão que inaugurou uma nova
tendência, cujo objetivo era precisar o fenômeno artístico como conteúdo curricular,
articulou-se em um duplo movimento: por um lado, a reorientação da livre expressão; por
outro, a investigação da natureza da arte como forma de conhecimento. Como em todos os
momentos históricos, os anos 60 trouxeram práticas em educação, psicologia e arte
estreitamente vinculadas às tendências do pensamento da época, que progressivamente
contribuíram para uma transformação das práticas educativas de arte no mundo, questionando
a aprendizagem artística como consequência natural apenas do processo de desenvolvimento
do aluno.

No início da década de 70, autores responsáveis pela mudança de rumo do ensino de


arte nos Estados Unidos afirmavam que o desenvolvimento artístico é resultado de formas
complexas de aprendizagem e que, portanto, não ocorre automaticamente à medida que a
criança cresce; é tarefa do professor propiciar essa aprendizagem por meio da instrução.
Segundo esses autores, as habilidades artísticas se desenvolvem pelas questões que se
apresentam ao aluno no decorrer de suas experiências de buscar meios para transformar
ideias, sentimentos e imagens em um objeto material. Tal experiência pode ser orientada pelo
professor e nisso consiste sua contribuição para a educação no campo da arte.

Ao longo da década de 80 aconteceram muitas discussões a respeito do ensino da Arte,


promovidas por profissionais da área preocupados com a qualidade do trabalho desenvolvido
com os alunos da educação básica, assim com a importância da Arte na sua formação. Foi a
partir da divulgação dos Parâmetros Curriculares Nacional, elaborados pelo Ministério da
Educação, que as diversas redes de ensino passaram a rever suas concepções de ensino e
redimensionar de modo mais afetivo seus Projetos Pedagógicos. A área de Arte, assegurada na
Lei de Diretrizes e Bases n° 9.394 de dezembro de 1996, cuja proposta está contemplada nos
Parâmetros Curriculares Nacionais da Educação Básica, bem como no Referencial Curricular
Nacional de Educação Infantil, é parte integrante dessas transformações, seja na sua
concepção enquanto área de conhecimento específico, seja nos modos de sua inserção no
contexto mais amplo de formação escolar e no dialogo com as outras áreas de conhecimento.

Nesses documentos, a Arte é apontada como área de conhecimento (os documentos


referem-se ao ensino de Arte, e não mais a Educação Artística), e as diferentes linguagens
artísticas são respeitadas quanto às especificidades inerentes a cada uma no que tange aos
conhecimentos a serem construídos. Assim, estão apresentadas as áreas de Artes Visuais,
Música, Teatro e Dança. No caso do Ensino Médio, acrescenta-se o campo das Artes
Audiovisuais, que envolvem os recursos tecnológicos contemporâneos à disposição das
produções artísticas (vídeo, informática entre outros).

O conhecimento a ser construído em cada uma dessas linguagens está organizado em


torno de três eixos: a produção artística, a apreciação artística e a contextualização histórico-
cultural dos diferentes fazeres em Arte, que são explicados assim:

 Produzir - refere-se ao fazer artístico (como expressão, construção, representação) e


ao conjunto de informações a ele relacionadas, no âmbito do fazer do aluno e do
desenvolvimento de seu percurso de criação. O ato de produzir realiza-se por meio de
experimentação e uso das linguagens artísticas.

 Apreciar - refere-se ao âmbito da recepção, incluindo percepção, decodificação,


interpretação, fruição de arte e do universo a ela relacionado. A ação de apreciar
abrange a produção artística do aluno e a de seus colegas, a produção histórico-social
em sua diversidade, a identificação de qualidades estéticas e significados artísticos no
cotidiano, nas mídias, na indústria cultural, nas praticas populares, no maio ambiente.
 Contextualizar - é situar o conhecimento do próprio trabalho artístico, dos colegas e
da arte como produto social e histórico, o que desvela a existência de múltiplas
culturas e subjetividade”. (Brasil, 1998 p.50)

Desse modo, entende-se que cumpre à escola assegurar aos seus alunos a afetiva
construção de conhecimento em Arte, o que significa mais do que a mera reprodução de
formas, ou execução de técnicas muitas vezes destruídas de qualquer dissensão estética
efetiva. Significa oportunizar aos alunos o domínio dos elementos das diversas linguagens, de
modo que possam expressar-se com autonomia por meio delas e, ao mesmo tempo, possam
apreciar diferentes fazeres artísticos, reconhecendo seu valor estético e compreendendo suas
relações com o tempo, a história e o ambiente em que foram produzidos.

Assim, é papel da escola estabelecer os vínculos entre os conhecimentos escolares


sobre a arte e os modos de produção e aplicação desses conhecimentos na sociedade. Por isso,
um ensino e aprendizagem de arte que se processe criadoramente poderá contribuir para que
conhecer seja também maravilhar-se, divertir-se, brincar com o desconhecido, arriscar
hipóteses ousadas, trabalhar muito, esforçar-se e alegrar-se com descobertas. Porque o aluno
desfruta na sua própria vida as aprendizagens que realiza. Com o objetivo de relacionar a arte
com a formação dos alunos do ensino fundamental, serão apresentadas a seguir algumas
características do fenômeno artístico.

Atualmente, muitos professores se preocupam em responder a perguntas básicas que


fundamentam sua atividade pedagógica: “Que tipo de conhecimento caracteriza a arte?”,
“Qual a função da arte na sociedade?”, “Qual a contribuição específica que a arte traz para a
educação do ser humano?”, “Como as contribuições da arte podem ser significativas e vivas
dentro da escola?” e “Como se aprende a criar, experimentar e entender a arte e qual a função
do professor nesse processo?”. As tendências que se manifestaram no ensino de arte a partir
dessas perguntas geraram a necessidade de estabelecimento de um quadro de referências
conceituais solidamente fundamentado dentro do currículo escolar, focalizando a
especificidade da área e definindo seus contornos com base nas características inerentes ao
fenômeno artístico.

Fonte: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/arte.pdf
Você sabia que:

 Em 1988, com a promulgação da Constituição, iniciam-se as discussões sobre a nova


Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, sancionada apenas em 20 de
dezembro de 1996. Convictos da importância de acesso escolar dos alunos de ensino
básico também à área de Arte, houve manifestações e protestos de inúmeros
educadores contrários a uma das versões da referida lei que retirava a obrigatoriedade
da área.

 Com a Lei no 9.394/96, revogam-se as disposições anteriores e a arte é considerada


obrigatória na educação básica: “O ensino da arte constituirá componente curricular
obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o
desenvolvimento cultural dos alunos” (artigo 26, parágrafo 2º).

ARTE COMO REPRESENTAÇÃO IMAGINÁRIA DA CULTURA

Os dinamismos do homem que apreende a realidade de forma poética e os do homem


que a pensa cientificamente são vias peculiares de acesso ao conhecimento. Há uma tendência
cada vez mais acentuada, nas investigações contemporâneas, para dimensionar a
complementaridade entre arte e ciência, precisando a distinção entre elas e, ao mesmo tempo,
integrando-as em uma nova compreensão do ser humano. O fenômeno da criatividade e o
próprio processo criador são objetos de estudos de cientistas, filósofos, artistas, antropólogos,
educadores, psicólogos. O processo criador pode ocorrer na arte e na ciência como algo que se
revela à consciência do criador e se revela por meio de muito trabalho, criação, reflexão.
A busca do universal passa pelo particular. Ao se constituir como sujeito, o homem (a
criança) deseja relacionar-se com o outro em uma relação de igualdade. Por meio da arte é
possível dizer que a criança diga quem é, através do que ela faz, dialoga com os outros em um
processo que permite interpretações criativas por meio de formas, sons, desenhos, cores,
gestos e palavras.

É possível mostrar as diferenças e pluralidades de cada indivíduo pela arte, com suas
diversas formas de construir e reconstruir o mundo. Vale dizer que, neste processo, as
identidades estão em constante mutação. É através do imaginário que o ser humano projeta no
tempo a recriação do universo. A arquitetura do porvir, que pode ser projetada através da arte,
nos permite múltiplas invenções, dando sentido a nossa existência e nos levando a agir. Para
Ianni (2001), é “possível dizer que no futuro esconde-se a utopia. Pode ser uma projeção do
presente, aprimorado ou purificado; mas também pode ser uma projeção do passado,
idealizado. Há sempre algo de utopia ou nostalgia, quando se pensa o futuro, enquanto mundo
possível, almejado” (p.21).

Há futuro que imaginamos catastrófico, outras vezes, o imaginamos paradisíaco. Em


todos os casos, o futuro guarda algo de histórico ou supra-histórico. Mesmo quando enraizado
na previsão científica, o futuro que se desenha adquire algo de suspenso no espaço e no
tempo, como fantasia ou alegoria. É por meio da fantasia e da alegoria que se torna possível
alcançar o reencantamento do mundo (IANNI, 2001).

No ensino das Artes Visuais, a proposta triangular criada por Ana Mae Barbosa,
caracterizava-se pela entrada da imagem, sua decodificação e interpretações na sala de aula,
junto a já conquistada expressividade. Essa proposta foi pesquisada entre 1987 e 1993 no
MAC-USP. A autora queria:

(...) um currículo que interligasse o fazer artístico, a história da arte, e a


análise da obra de arte estaria se organizando de maneira que a criança,
suas necessidades, seus interesses e seu desenvolvimento estariam sendo
respeitados e, ao mesmo tempo, estaria sendo respeitada a matéria a ser
aprendida, seus valores, sua estrutura e sua contribuição específica para
a cultura (BARBOSA, 1994, p.35).

Ana Mae Barbosa afirma que a arte na educação é uma expressão pessoal e cultural.
Por meio dela é possível desenvolver a percepção e a imaginação, aprender a realidade do
meio ambiente, desenvolver a capacidade crítica, permitindo ao indivíduo analisar a realidade
percebida e desenvolver a criatividade de maneira a mudar a realidade analisada.

ATIVIDADE

Diretrizes Curriculares Nacionais são o conjunto de definições doutrinárias sobre


princípios, fundamentos e procedimentos na Educação Básica, expressas pela Câmara de
Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, e orientam as escolas brasileiras dos
sistemas de ensino, na organização, na articulação, no desenvolvimento e na avaliação de suas
propostas pedagógicas. As Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental
dizem que as escolas deverão estabelecer, como norteadoras de suas ações pedagógicas:

I - os Princípios Éticos da Autonomia, da Responsabilidade, da Solidariedade e do Respeito


ao Bem Comum;

II - os Princípios Políticos dos Direitos e Deveres de Cidadania, do exercício da Criticidade e


do respeito à Ordem Democrática;

III - os Princípios Estéticos da Sensibilidade, da Criatividade, e da Diversidade de


Manifestações Artísticas e Culturais.

Por que esses princípios são importantes para fundamentar as práticas


pedagógicas das escolas? Explique.

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O DESENVOLVIMENTO DA PERCEPÇÃO DE MUNDO POR MEIO DE


DIFERENTES ESXPRESSÕES ARTÍSTICAS.

VIVÊNCIAS E PROCESSOS DIDÁTICO-PEDÁGÓGICOS PARA


INICIAÇÃO MUSICAL E PARA DANÇA: sensibilização sonora, caráter
expressivo e forma musical, trabalho de conscientização corporal e rítmica.

1- A PERCEPÇÃO DE MUNDO POR MEIO DE DIFERENTES


ESXPRESSÕES ARTÍSTICAS.

Conceituar Arte é uma tarefa difícil, no entanto, é imprescindível destacar três


aspectos que a caracteriza: a arte é o produto de um ato criativo; a cada momento, ela
corresponde às concepções ideológicas da sociedade em que aparece. Isso se torna perceptível
já que a Arte surge de acordo com os anseios históricos pelos quais passam cada sociedade.
Além disso, as transformações observadas, sejam no âmbito social, sejam no econômico ou
no cultural, acham-se ligadas ao domínio artístico.
A Arte é universal e intrínseca ao ser humano. Por mais isolada e primitiva que seja
uma sociedade, ela apresenta gostos estéticos ligados à beleza e, apesar dos gostos diferirem
de povo para povo, isso não nega a veracidade da universalização da Arte. A capacidade de
criar é inerente ao homem, porém, ao longo da história da educação, esta área do
conhecimento humano não vem sendo reconhecida como tal. Assim, faz-se necessário que o
Ensino de Arte seja discutido dentro das especificidades próprias de sua área. A Arte é uma
das possibilidades que tem o educando de relacionar-se com o meio social de forma mais
prazerosa.

Durante muitos anos se reproduziu um ensino pautado no modelo de uma sociedade


capitalista, onde o objetivo principal é o consumo em série e o lucro por parte de um grupo
bem reduzido da sociedade, nesse contexto, a escola serviu de reprodutora deste sistema, onde
a formação do ser só tem ênfase no âmbito profissional, deixando de lado a formação pessoal,
artística e, enquanto cidadão, a sua integridade. Verifica-se ainda, que temos traços cada vez
mais fortes deste ensino, e que este está gerando certa crise de identidade cultural, ou seja, a
inexistência de características próprias de um indivíduo em relação a um determinado grupo
ao qual este faz parte.

O ensino de Arte foi fortemente influenciado pelo movimento da Escola Nova, que
surgiu na Europa e nos Estados Unidos no século XIX, e foi difundido no Brasil a partir de
1930. Nesse movimento, as atividades voltam-se para o desenvolvimento natural da criança e
as práticas pedagógicas são redimensionadas, dirigindo toda atenção do processo ensino-
aprendizagem, que era centrado no professor, para o desenvolvimento do aluno. Houve uma
mudança brusca da Pedagogia Tradicional para a Pedagogia Nova, o aluno passou a ser
responsável pela busca do seu próprio conhecimento através de experimentos.

O ideal da liberdade de expressão, difundida por esse movimento, contribuiu para que
o momento das aulas de Arte fosse visto como um espaço onde tudo era permitido. Um fato
marcante para o desenvolvimento das atividades artísticas no Brasil foi a “Semana de Arte
Moderna de São Paulo” realizada em 1922, importante para a caracterização do movimento
modernista. Vale salientar que até este momento o trabalho com Arte enfocava muito mais o
ensino do desenho e, deixando para segundo plano, as demais modalidades artísticas.

De acordo com Marques (2001, p. 32) somente no final da década de 1990, entidades,
associações e órgãos governamentais preocuparam-se em incluir outras linguagens artísticas
nas discussões acerca do ensino de Arte. Entre os anos de 1960 e 1970 surge uma nova
tendência pedagógica, a Pedagogia Tecnicista, época em que o Brasil viveu um momento
político conturbado diante da ditadura militar. Nesse contexto, o ensino de Arte passa a ser
centrado no mercado de trabalho, priorizando o ensino de técnicas voltadas para a formação
de mão de obra barata destinada a um mercado tecnológico em expansão.

Apenas na década de 1980 é que se percebe uma mobilização profissional em torno do


ensino de Arte de forma institucional no Brasil. Dentre as propostas mais difundidas no final
do século XX, destaca-se a de Ana Mae Barbosa, já mencionada na Unidade – 1, que propõe
uma “Metodologia Triangular” para o ensino de Arte. A referida proposta tem por base o
“fazer artístico”, a “análise de obras artísticas” e a “história da arte”, e destaca a Arte como
conhecimento que pode ser desenvolvido na escola, refutando o antigo conceito de Arte como
espontaneísmo.

O século XX foi um período em que se pôde refletir sobre qual o lugar das artes na
educação. Depois de muita discussão, chega-se a conclusão de que a educação em arte é
importante na formação do indivíduo. Em 1971, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional, LDB nº 5.692, que institui o ensino profissionalizante, a Arte é incluída como
Educação Artística no currículo escolar.

A Arte, neste momento, é vista como uma atividade educativa e não como uma
matéria. Mesmo assim, é percebido um avanço considerável, pois parte de pressupostos
inovadores e, principalmente, no que tange à formação do indivíduo, ela ocupa papel
importantíssimo. Contudo, o desenvolvimento efetivo da Educação Artística nas escolas,
deixou muito a desejar, visto que a falta de professores com formação específica em Artes
Plásticas, Educação Musical e Artes Cênicas não era suficiente para atender as necessidades
da época, o que pode ser observado ainda nos nossos dias.

Em 1988, com as discussões sobre a promulgação da Constituição Federal do Brasil, a


Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional, que seria sancionada apenas em 20 de
dezembro de 1996, traria, mais uma vez o ensino de Arte como alvo de críticas e
manifestações. Uma das versões do novo documento legal apresentava a proposta da não
obrigatoriedade da Arte nos currículos escolares. No entanto, com a Lei nº 9.394/96, a Arte
passa a ser considerada área obrigatória na Educação Básica, aquela que é oferecida desde o
ensino pré-escolar até o ensino médio. O Artigo 26, § 2º é claro ao afirmar: “O ensino da arte
constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de
forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos”.

O supracitado artigo da LDB, em vigência desde 1996, torna obrigatório o ensino da


Arte na Educação Básica, contudo a situação, em termos de condições mínimas para que a
legislação seja de fato cumprida, ainda se constitui num grande obstáculo na maioria das
unidades escolares do país.

Dentre as habilidades e competências que devem ser observadas pelos professores nos
alunos, estão as de cunho artístico. É pensar em uma educação que dê ao aluno a chance de
poder desenvolver seu potencial de criação, de produção, de execução de suas atividades.
Neste momento, a escola entra como uma espécie de elo entre o que a sociedade propaga e o
desejo do aluno em poder desenvolver atividades que suas vontades e seus sonhos,
representem suas fantasias.

Segundo o dicionário Aurélio Buarque de Holanda, Arte “é a capacidade ou atividade


humana de criação plástica ou musical; habilidade de representação; produção; engenho”.
Diante disso, os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997, p. 15), logo na apresentação da
proposta do volume 6, das séries iniciais do Ensino Fundamental, destinado à Área Curricular
Arte, diz que “(...) a arte propicia o desenvolvimento do pensamento artístico, que caracteriza
um modo particular de dar sentido às experiências das pessoas: por meio dele, o aluno amplia
a sensibilidade, a percepção, a reflexão e a imaginação”.
Com o ensino de artes, o aluno aprende que existem povos, costumes, religiões, modos
de produção e criação diferentes dos dele, elementos que o ajuda a compreender melhor o
outro para uma convivência com as diferenças. Parte daí, uma consciência tanto de
preservação dos patrimônios culturais, ambientais e o respeito pela diversidade. É na escola
que o aluno deverá encontrar espaço para as discussões sobre direitos e deveres, e de reflexão
da realidade. A escola deve, assim, oportunizar a dimensão social das manifestações artísticas,
que constitui uma das funções importantes do ensino da Arte, como propagado nos PCN.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais sugerem que o estudo da Área Curricular Arte


se divida em: Música, Artes Visuais, Teatro e Dança. E propõem que as atividades
desenvolvidas possam possibilitar aos alunos, a percepção de que mesmo ao realizarem uma
dramatização ao final de um projeto pedagógico trabalhado num certo período, esta atividade
tem relações com a música, por exemplo, que tem também suas especificidades, além do que
é próprio na prática de dramatizar – os elementos do teatro.

Vale ressaltar que o documento oficial deixa claro que, devido ao fato de o professor
das séries iniciais não ter uma formação específica na área, não se faz diferenciação dos
conteúdos por ciclo, ou série, cabendo ao professor promover uma variação nas modalidades
artísticas que serão trabalhadas.

A história do ensino de Arte no Brasil está intrinsecamente ligada às tendências


pedagógicas predominantes em cada época, as quais traduzem uma preocupação especial no
que tange a formação profissional dos alunos, fortemente influenciado pelas demandas
oriundas do mercado de trabalho, que define ao longo do tempo, que o desenvolvimento do
aluno está intimamente ligado ao perfil estabelecido pela sociedade a que pertence.

Para que haja um verdadeiro Ensino de Arte é necessário promover mudanças na


forma através da qual o currículo é proposto dentro das escolas. Para tanto, deve-se buscar
uma aprendizagem na qual o aluno considere o objeto de estudo como algo significativo e
importante para a sua vida, pautada numa aprendizagem que traga significados para o mesmo.
De modo que o discente possa intervir de forma crítica e consciente e possa fazer análises do
que vê, do que sente, do que lhe é imposto - a educação tão sonhada pelos docentes. É uma
tarefa árdua, repensar o currículo que atualmente é posto em prática.

Os gestores escolares, professores, coordenadores, que são os principais responsáveis


por construir ambientes de integração social e cultural e que têm o poder de promover a
formação dos novos músicos, atores, artistas plásticos e coreógrafos, através do que deve ser
de conhecimento de todos estes profissionais da educação, precisam ter ativa participação na
construção da proposta pedagógica da sua escola. Se a Lei determina, cada escola pode fazer
suas mudanças, visando à melhoria do ensino por parte do professor e da aprendizagem por
parte do aluno.
No Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional - LDB nº 9.394/96 no Artigo
26, inciso 2º, estabelece a obrigatoriedade do Ensino de Arte na Educação Básica, que
compreende a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, legitimando a Arte
enquanto Área Curricular. Os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN, para as séries
iniciais do Ensino Fundamental, volume 06, relativo à área Curricular Arte, apontam a
educação em Arte como forma de propiciar o desenvolvimento do pensamento artístico, além
de proporcionar, a muitos indivíduos, uma relação afetiva com o meio em que vivem. Os PCN
também apresentam a Arte como uma das possibilidades de valorização do ser humano
através de suas diferentes formas de manifestação.

2-

2 -VIVÊNCIAS E PROCESSOS DIDÁTICO-PEDÁGÓGICOS PARA


INICIAÇÃO MUSICAL E PARA DANÇA: sensibilização sonora,
caráter expressivo e forma musical, um trabalho de conscientização
corporal e rítmica.

A linguagem musical está presente na vida dos seres humanos e há muito tempo faz
parte da educação de crianças e adultos. Desde o nascimento, a criança tem necessidade de
desenvolver o senso de ritmo, pois o mundo que a rodeia expressa uma profusão de ritmos
evidenciados por diversos aspectos: no relógio, no andar das pessoas, no voo dos pássaros,
nos pingos de chuva, nas batidas do coração, numa banda, num motor, no piscar de olhos e até
mesmo na voz das pessoas mais próximas.

No período da alfabetização a criança beneficia-se do ensino da linguagem musical


quando as atividades propostas contribuem para o desenvolvimento da coordenação viso
motora, da imitação de sons e gestos, da atenção e percepção, da memorização, do raciocínio,
da inteligência, da linguagem e da expressão corporal. Essas funções psiconeurológicas
envolvem aspectos psicológicos e cognitivos, que constituem as diversas maneiras de adquirir
conhecimentos, ou seja, são as operações mentais que usamos para aprender, para raciocinar.

A educação através das artes proporciona à criança descoberta das linguagens


sensitivas e do seu próprio potencial criativo, tornando-a mais capaz de criar, inventar e
reinventar o mundo que a circunda. E criatividade é essencial em todas as situações. Uma
criança criativa raciocina melhor e inventa meios de resolver suas próprias dificuldades.
Desde a Grécia Antiga, a música era considerada como fundamental para a formação dos
futuros cidadãos, ao lado da Matemática e Filosofia. A música, no contexto da educação
infantil, vem ao longo de sua história atendendo a vários propósitos, tais como a formação de
hábitos, atitudes e comportamentos: lavar as mãos antes do lanche, escovar os dentes, a
memorização de conteúdos, números, letras etc., traduzidos em canções.

A música é uma linguagem muito expressiva e as canções são veículos de emoções e


sentimentos, e podem fazer com que a criança reconheça nelas seu próprio sentir. Gardner
(1996) afirma que a inteligência musical está relacionada à capacidade de organizar sons de
maneira criativa e a discriminação dos elementos constituintes da música.

Em um trabalho pedagógico, a linguagem musical deve ser valorizada como um


mecanismo essencial na formação intelectual da criança, os resultados no ensino da música
são os mesmos durante as atividades musicais, dançando, cantando, compondo, ouvindo, a
partir desse momento, o professor propicia situações que contribuem para uma aprendizagem
mais rica e significativa. O ensino da música favorece o desenvolvimento da expressão
artística além de despertar nas crianças o gosto pela música, contribuindo para a livre
expressão de sentimentos.

A criança conhece e constrói as noções e os conceitos à medida que interagem com


outras pessoas e diferentes objetos, sons, lugares. Do ponto de vista linguístico, é essencial o
desenvolvimento das diferentes formas de representação verbal. É neste sentido que a música
exerce um papel fundamental, porque através dela a criança canta, dança, representa, imagina,
cria e fantasia sua própria expressão de comportamento e sentimentos. Levando em
consideração o ponto de vista da psicomotricidade, sabe-se que a criança precisa expandir
seus movimentos, explorando seu corpo e o espaço físico. Todos esses aspectos estão
associados diretamente ao desenvolvimento infantil, portanto cabe à escola proporcionar
atividades que estejam relacionadas com a realidade das crianças, com uma proposta
pedagógica coerente às suas necessidades.

A música está presente nas tradições e nas culturas dos povos em diferentes épocas.
Sua presença está no dia a dia das pessoas e, pela sua complexidade de conhecimento, torna-
se necessário sua sistematização através da educação formal, como proposta curricular
pedagógica. Portanto, é preciso fazer uma reflexão crítica sobre as várias funções que a
música assume ao longo da história, a fim de construir uma estrutura sólida na prática
pedagógica da educação musical. Música é linguagem, portanto, deve seguir o mesmo
processo de desenvolvimento que se adota quanto à linguagem falada, ou seja, deve-se expor
a criança à linguagem musical e dialogar com ela. O educador consciente deve ter como
objetivo principal o de trabalhar todas as áreas de conhecimento do seu aluno, inclusive a
linguagem musical.

A música tem um poder criador e libertador, ela torna-se um poderoso recurso


educativo para ser utilizado em todas as áreas da educação. É preciso que a criança seja
habituada a expressar-se musicalmente desde os primeiros anos de vida, para que a música
venha a se constituir numa faculdade permanente do seu ser.

A música representa uma importante fonte de estímulos, equilíbrio e felicidade para a criança.
O ensino da música favorece o gosto estético e a expressão artística, contribui para que a
criança tenha uma cultura musical desde muito cedo, dessa forma, estaremos educando-as
para serem adultos capazes de usufruir a música, de analisá-la e de compreendê-la.

São inúmeros os projetos desenvolvidos nas escolas brasileiras que têm como objetivo
ampliar o conhecimento e a vivência musical dos alunos. Vejam alguns:
De acordo com a proposta curricular para o Ensino de Educação Artística do Estado de
São Paulo (1988:10):

A criança é um ser sincrético, ou seja, sua percepção de mundo é


multidimensional simultânea. Aberta a todos os canais, a criança pequena
vive intensamente cada descoberta, colocando-se por inteiro em cada
situação. Quando brinca, e brinca com toda seriedade, pinta, desenha, a
criança explora sons, inventa músicas [...].

O conhecimento da música, a expressão e a criação acompanham os seres humanos no


decorrer da sua história. Quando a criança chega à escola, ela já tem uma bagagem musical. O
professor, neste momento, precisa de sensibilidade para compreender a essência da linguagem
musical e, assim, facilitar o contato da criança com as diversas linguagens (plástica, corporal,
etc.). É preciso também, propiciar situações para que a criança se envolva com o mundo e
aprenda a perceber significados em todas as coisas. É desta forma que a criança vai
construindo seu pensamento e compreendendo os sons, as canções, as diferentes
manifestações em linguagem musical.

A criança vai descobrindo ritmos, desenhando, garatujando, experimentando


instrumentos musicais, confeccionando-os, descobrindo novos sons. Para que todo esse
processo aconteça, a criança necessita do contato com a música, com objetos e instrumentos
musicais. As crianças precisam ter experiências concretas com objetos que emitem sons,
instrumentos musicais ou outros e formar um vocabulário específico para se referir a eventos
sonoros. O manuseio de objetos sonoros cria situações em que será possível agrupar ou
separar sons, classificar e seriar.

O ser humano tem várias maneiras de responder aos estímulos do meio ambiente – o
movimento é uma delas. O corpo mantém constante relação com o ambiente que o cerca.
Quando a criança respira, corre, fala, cheira, olha, ouve, anda, canta, dança, estabelece uma
relação com o meio através de sua leitura particular do mundo. Muitos pesquisadores afirmam
que utilizamos nosso universo interior perceptivo e cognitivo – ideológico a fim de que se
processe a leitura através do diálogo entre nós e o objeto lido. Sendo assim, o nosso corpo
expressa sensações, emoções, sentimentos e pensamentos.

A linguagem corporal é uma maneira do ser humano expressar-se, o corpo é seu


próprio instrumento. A linguagem do corpo está presente na dança, na mímica, na ginástica,
nas dramatizações, nos jogos e na expressão teatral. A dança é a expressão corporal da poesia
latente em todo ser humano, enquanto que o canto é uma manifestação que contempla a
linguagem corporal.

No desenvolvimento de sua expressão corporal, a criança aprende consigo mesma e


manifesta um estilo próprio, que deve ser respeitado em todas as suas posições e atitudes. A
linguagem musical integra a linguagem corporal e a ela está fortemente vinculada. As
atividades que envolvem especificamente a linguagem do corpo podem ser reunidas em dois
grupos: as que preservam a expressão livre e criativa, tais como a dramatização, a pantomima
e a dança, e as que apresentam uma forma mais dirigida e orientada, como os exercícios
ginásticos, as rodas cantadas e os jogos.

A criança aprende brincando, experimentando, fazendo, cantando, por isso são


imprescindíveis as atividades que façam o corpo movimentar-se, criar e recriar para o seu
desenvolvimento afetivo, físico e psicomotor.

É importante realizar algumas atividades com as crianças para que elas possam sentir o
som como: bater palmas, espirrar, estalar dos dedos, assobiar. Sons da natureza também são
necessários para o desenvolvimento dos alunos, por exemplo: o som da chuva, vento, animais,
folha seca, cachoeira. Objetos com diferentes sons também são importantes como: relógio,
chocalhos, sinos, apitos.

O trabalho inicial como o som tem como finalidade desenvolver a discriminação


auditiva e permitir que a criança se expresse. Som é a sensação que nosso ouvido percebe
quando atingido pelas vibrações dos corpos sonoros. A fim de que possa desenvolver sua
expressão musical, a criança deve ter oportunidade de aprimorar sua acuidade auditiva.
Trabalhando as qualidades do som: timbre, altura, intensidade, andamento. O timbre
diferencia a fonte sonora, permite o reconhecimento do som. As atividades propostas para
estudo do timbre utilizam os instrumentos de bandinha rítmica.

A vibração de um corpo sonoro produz ondas sonoras percebidas pelo ouvido como
sons. A altura é a qualidade que permite classificar os sons em graves e agudos e está
relacionada com as vibrações do corpo sonoro. Os sons perceptíveis ao ouvido humano são os
que apresentam de 16 a 30 mil vibrações por segundo. Os sons musicais são os que
apresentam de 32 a 40 mil vibrações por segundo.

A música tem como objetivo primordial criar condições e dar oportunidades de


experiência e de expressão rítmica. A ênfase não recai sobre a perfeição nas realizações
musicais da criança, mas na alegria que ela traz e nas possibilidades de comunicação que
proporciona.
A música é essencialmente uma arte auditiva, que existe somente no tempo: portanto,
a arte de escutar exige uma atenção, sustentada e concentrada, porém muito pouco se tem
feito no sentido de desenvolver nas crianças hábitos de ouvir, e se tem descuidado da
compreensão auditiva. O que se tem observado é que as crianças mais novas têm uma maior
capacidade de invenção e de criação musical que, lamentavelmente, tende a cair com o
desenvolvimento... E, a causa principal desse fato, é a forma como a música é apresentada e
trabalhada com a criança.

O professor deve incentivar e estimular a participação de todas as crianças, de todos os


alunos e, sempre, respeitando sua linguagem, suas diferenças, suas limitações. Na dança, na
música, em qualquer tipo de expressão corporal não existe certo ou errado – o mais
importante é o exercício contínuo da descoberta, da criatividade, da curiosidade e do
pensamento divergente para que o corpo se expresse de maneira livre e comunicativa.

Fonte: http://epoca.globo.com/ideias/noticia/2016/05/importancia-do-ensino-das-artes-na-escola.html
Acesso: 06 de maio, 2017.

"A arte coloca crianças e adolescentes em contato com suas emoções e também
trabalha o lado racional", diz Ana Mae Barbosa (Foto: Divulgação)

ATIVIDADE
Podemos afirmar que um dos pontos mais discutidos da agenda educacional, nos dias
de hoje, tem sido a formação do professor. Inúmeras são as tentativas de adequação e, no que
tangem aos professores de Arte, essas questões se tornam um pouco mais complexas.
Acredita-se que, para haver uma efetiva atualização na concepção dos currículos, faz-
se necessário não somente um maior comprometimento dos educadores, como também
interesse efetivo das instituições.

Algumas propostas de reformas têm apresentado coerência com essa demanda.


Pesquise, leia sobre o assunto e escreva sobre as reformas que priorizam a formação do
profissional.
AS ARTES VISUAIS E A PRÁTICA PEDAGÓGICA:

Utilização da linguagem do desenho, da pintura, da modelagem, da colagem,


da construção e outras.
Desde o início da história da humanidade, a arte tem se mostrado como uma práxis presente
em todas as manifestações culturais. O homem que desenhou um bisão em uma caverna pré-
histórica teve de aprender e construir conhecimentos para difundir essa prática. E, da mesma
maneira, compartilhar com as outras pessoas o que aprendeu.

A aprendizagem e o ensino da arte sempre existiram e se transformaram, ao longo da


história, de acordo com normas e valores estabelecidos, em diferentes ambientes culturais. Ao ser
introduzido na educação escolar brasileira, o ensino de Arte incorpora-se aos processos pedagógicos
e de política educacional que vão caracterizar e delimitar sua participação na estrutura curricular.

Nas primeiras décadas do século XX, o ensino de Arte é identificado pela visão humanista e
cientificista que demarcou as tendências pedagógicas da escola tradicional e nova. Embora ambas se
contraponham em proposições, métodos e entendimento dos papéis do professor e do aluno, as
influências que exerceram nas ações escolares de Arte foram tão marcantes que ainda hoje
permanecem mescladas na prática de professores de Arte.

Na primeira metade do século XX, as disciplinas Desenho, Trabalhos Manuais, Música e Canto
Orfeônico faziam parte dos programas das escolas primárias e secundárias, concentrando o
conhecimento na transmissão de padrões e modelos das classes sociais dominantes. Na escola
tradicional, valorizavam-se principalmente as habilidades manuais, os “dons artísticos”, os hábitos de
organização e precisão, mostrando ao mesmo tempo uma visão utilitarista e imediatista da arte.

Os professores trabalhavam com exercícios e modelos convencionais selecionados por eles


em manuais e livros didáticos. O ensino de Arte era voltado essencialmente para o domínio técnico,
mais centrado na figura do professor. Competia a ele “transmitir” aos alunos os códigos, conceitos e
categorias, ligados a padrões estéticos de ordem imitativa, que variavam de linguagem para
linguagem, mas que tinham em comum, sempre, a reprodução de modelos.

A disciplina Desenho, apresentada sob a forma de Desenho Geométrico, Desenho do Natural


e Desenho Pedagógico, evidenciava-se pela busca e predominância de reprodução naturalista e
figurativa das formas, preocupação com a utilização normativa de

instrumentos e a reprodução de clichês; ou seja, era considerada mais por sua função do que uma
experiência artística.

Entre os anos 20 e 70, muitas escolas brasileiras viveram também outras experiências no
âmbito do ensino e aprendizagem de Arte, fortemente sustentadas pela estética modernista e com
base nas tendências pedagógicas e psicológicas que marcaram o período. Contribuíram para essas
influências os estudos de psicologia cognitiva, psicanálise, gestalt, bem como os movimentos
filosóficos que embasaram os princípios da Escola Nova.
O ensino de arte volta-se para o desenvolvimento natural do aluno, centrado no respeito às
suas necessidades e aspirações, valorizando suas formas de expressão e de compreensão do mundo.
As práticas pedagógicas, diretivas, com ênfase na repetição de modelos e no professor, são revistas,
deslocando-se a ênfase para os processos de desenvolvimento do aluno e sua criação.

As aulas de Desenho e Artes Plásticas das Escolas Experimentais e Vocacionais (em São
Paulo), além de outros centros brasileiros, assumem concepções de caráter mais expressivo,
buscando a espontaneidade e valorizando o crescimento ativo e progressivo do aluno. As atividades
de Artes Plásticas mostram-se como espaço de invenção, autonomia e descobertas, baseando-se
principalmente na autoexpressão dos alunos.

Os professores da época estudam as novas teorias sobre o ensino de Arte divulgadas no Brasil
e no exterior, as quais favorecem o rompimento com uma estética direcionada unicamente à
imitação, que demarca a escola tradicional. Com essas novas orientações, observam-se mudanças nas
ações pedagógicas de arte de muitos professores, embora ainda hoje essas tendências façam parte
das escolas brasileiras.

Em 1971, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a arte é incluída no currículo
escolar com o título de Educação Artística, mas é considerada “atividade educativa” e não disciplina,
tratando de maneira indefinida o conhecimento. A introdução da Educação Artística no currículo
escolar foi um avanço, principalmente pelo aspecto de sustentação legal para essa prática e por
considerar que houve um entendimento em relação à arte na formação dos indivíduos. No entanto, o
resultado dessa proposição foi contraditório e paradoxal. Muitos professores não estavam habilitados
e, menos ainda, preparados para o domínio de várias linguagens, que deveriam ser incluídas no
conjunto das atividades artísticas (Artes Plásticas, Educação Musical, Artes Cênicas).

A implantação da Educação Artística abriu um novo espaço para a arte, mas ao mesmo tempo
percebeu-se que o sistema educacional vinha enfrentando dificuldades de base na relação entre
teoria e prática em arte e no ensino e aprendizagem desse conhecimento.

Em 1988, com a promulgação da Constituição, iniciam-se as discussões sobre a nova Lei de


Diretrizes e Bases da Educação Nacional, sancionada apenas em 20 de dezembro de 1996. Convictos
da importância de acesso escolar dos alunos de ensino básico também à área de Arte, houve
manifestações e protestos de inúmeros educadores contrários a uma das versões da referida lei que
retirava a obrigatoriedade da área. Com a Lei n o 9.394/96, revogam-se as disposições anteriores e a
arte é considerada obrigatória na educação básica: “O ensino da arte constituirá componente
curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o
desenvolvimento cultural dos alunos” (artigo 26, parágrafo 2º).

CONTEÚDOS DE ARTE
Os conteúdos de Arte estão organizados de maneira que possam ser trabalhados ao

longo do ensino fundamental e seguem os critérios para seleção e ordenação propostos pelos
Parâmetros Curriculares Nacionais. A apresentação dos conteúdos gerais tem por finalidade
encaminhar os conteúdos específicos das linguagens artísticas Artes Visuais, Dança, Música e Teatro,
que serão definidos nos ciclos correspondentes. Assim, os conteúdos gerais do ensino de Arte são:

• a arte como expressão e comunicação dos indivíduos;

• elementos básicos das linguagens artísticas, modos de articulação formal, técnicas, materiais e
procedimentos na criação em arte;

• produtores de arte: vidas, épocas e produtos em conexões;

• diversidade das formas de arte e concepções estéticas da cultura regional, nacional e internacional:
produções e suas histórias;

• a arte na sociedade, considerando os artistas, os pensadores da arte, outros profissionais, as


produções e suas formas de documentação, preservação e divulgação em diferentes culturas e
momentos históricos.

O mundo atual caracteriza-se entre outros aspectos pelo contato com imagens, cores e luzes
em quantidades inigualáveis na história. A criação e a exposição às múltiplas manifestações visuais
gera a necessidade de uma educação para saber ver e perceber, distinguindo sentimentos, sensações,
ideias e qualidades contidas nas formas e nos ambientes. A aprendizagem de Artes Visuais favorece
as compreensões mais amplas sobre conceitos acerca do mundo e de posicionamentos críticos.

As artes visuais, além das formas tradicionais — pintura, escultura, desenho, gravura,
arquitetura, objetos, cerâmica, cestaria, entalhe —, incluem outras modalidades que resultam dos
avanços tecnológicos e transformações estéticas do século XX: fotografia, moda, artes gráficas,
cinema, televisão, vídeo, computação, performance, holografia, desenho industrial, arte em
computador. Cada uma dessas modalidades artísticas tem a sua particularidade e é utilizada em
várias possibilidades de combinações entre elas, por intermédio das quais os alunos podem
expressar-se e comunicar-se entre si e com outras pessoas de diferentes maneiras. No mundo
contemporâneo as linguagens visuais ampliam-se, fazendo novas combinações e criam novas
modalidades. A multimídia, a performance, o videoclipe e o museu virtual são alguns exemplos em
que a imagem integra-se ao texto, som e espaço.

DESENHO

“O desenho é um pedacinho da alma criança deitado num papel.”

(Claparède)

O desenho é uma das manifestações semióticas, isto é, uma das formas através das quais a
função de atribuição da significação se expressa e se constrói. Desenvolve-se concomitantemente às
outras manifestações, entre as quais o brinquedo e a linguagem verbal (PIAGET, 1973). A criança,
inicialmente, vê o desenho como simplesmente uma ação sobre uma superfície, sentindo prazer em
“rabiscar”, explorar e descobrir as cores e novas superfícies. Essa é a chamada fase da garatuja.
Com as novas experiências de mundo que a criança adquire, as garatujas vão evoluindo,
ganhando formas definidas com maior ordenação. O papel não é mais apenas uma superfície para os
rabiscos infantis. Ele passa a ser uma superfície na qual a criança expressará o que vive diariamente,
ou seja, expressará a alegria, a tristeza, os passeios que mais interessaram, a dinâmica familiar
(inclusive os conflitos vividos dentro de casa).

Segundo Cunha, “devemos lembrar que os registros resultam de olhares sobre o mundo. Se o
olhar é desinteressado e vago, as representações serão opacas e uniformes. (Referencial Curricular
Nacional, 1999, p. 12)”.

[...] a criança desde bebê mantém contato com as cores visando explorar os
sentidos e a curiosidade dos bebês em relação ao mundo físico, tendo em vista que,
nesse período, descobrem o mundo através do conhecimento do seu próprio corpo
e dos objetos com que eles têm possibilidade de interagir. (CUNHA, 1999, p. 18).

Desenhar, além de ser algo prazeroso para a criança, é extremamente importante no


cotidiano escolar. O professor pode explorar superfícies diferentes como lixa, papelão, papel branco,
madeira, chão, entre outros, para ajudar no desenvolvimento motor da criança. No ato de desenhar,
a criança expressa seu lado afetivo com a manifestação orgânica da emoção, a criança usa o papel e o
lápis para expressar os seus sentimentos no desenho, a sua relação com a família, os amigos, a
escola.

Através dos traços feitos pela criança, até mesmo pelas cores usadas, o professor consegue
perceber o que está acontecendo com ela, e que pode estar levando-a ao fracasso escolar. Com o
avançar do desenho infantil, a criança também desenvolve melhor o seu cognitivo, já que ela,
primeiro, representa o que vê para depois representar o que está gravado (fotografado) na memória,
ou seja, ela aprende a sair do plano palpável para o plano abstrato. O que ajudará muito na iniciação
matemática, futuramente, com as tão “temidas continhas” que são trabalhadas de forma tátil para
depois ser retratadas de forma abstrata. Dessa forma, o desenho passa a ter uma significação muito
mais ampla na educação infantil e, assim, merece ser tratado como mais que simples rabiscos, sendo
valorizado como um auxiliador importante no desenvolvimento da criança.

“Toda criança é artista. O problema é como permanecer artista depois de crescer”.

(Pablo Picasso)

Enquanto desenham ou criam objetos as crianças também brincam de “faz de conta” e


verbalizam narrativas que exprimem suas capacidades imaginativas, ampliando sua forma de sentir e
pensar sobre o mundo no qual estão inseridas.

As atividades em artes plásticas que envolvem os mais diferentes tipos de materiais indicam
às crianças as possibilidades de transformação, de (re-) utilização e de construção de novos
elementos, formas, texturas etc.

A relação que a criança pequena estabelece com os diferentes materiais acontece, no início,
por meio da exploração sensorial e da sua utilização em diversas brincadeiras. Representações
bidimensionais e construção de objetos tridimensionais nascem do contato com novos materiais, no
fluir da imaginação e no contato com as obras de arte.

OBJETIVOS:

Crianças de zero a três anos

A escola deve organizar sua prática em torno da aprendizagem em arte, garantindo


oportunidades para que as crianças sejam capazes de:
• ampliar o conhecimento de mundo que possuem, manipulando diferentes objetos e materiais,
explorando suas características, propriedades e possibilidades de manuseio e entrando em contato
com formas diversas de expressão artística;

• utilizar diversos materiais gráficos e plásticos sobre diferentes superfícies para ampliar suas
possibilidades de expressão e comunicação.

Crianças de quatro a seis anos

Para esta fase, os objetivos estabelecidos para a faixa etária de zero a três anos deverão ser
aprofundados e ampliados, garantindo-se, ainda, oportunidades para que as crianças sejam capazes
de:

• interessar-se pelas próprias produções, pelas de outras crianças e pelas diversas obras artísticas
(regionais, nacionais ou internacionais) com as quais entrem em contato, ampliando seu
conhecimento do mundo e da cultura;

• produzir trabalhos de arte, utilizando a linguagem do desenho, da pintura, da modelagem, da


colagem, da construção, desenvolvendo o gosto, o cuidado e o respeito pelo processo de produção e
criação.

CONTEÚDOS:

CRIANÇAS DE ZERO A TRÊS ANOS

• Exploração e manipulação de materiais, como lápis e pincéis de diferentes texturas e espessuras,


brochas, carvão, carimbo etc.; de meios, como tintas, água, areia, terra, argila etc.; e de variados
suportes gráficos, como jornal, papel, papelão, parede, chão, caixas, madeiras etc.

• Exploração e reconhecimento de diferentes movimentos gestuais, visando a produção de marcas


gráficas.

• Cuidado com o próprio corpo e dos colegas no contato com os suportes e materiais de artes.

• Cuidado com os materiais e com os trabalhos e objetos produzidos individualmente ou em grupo.

• Observação e identificação de imagens diversas.

CRIANÇAS DE QUATRO A SEIS ANOS

• Criação de desenhos, pinturas, colagens, modelagens a partir de seu próprio repertório e da


utilização dos elementos da linguagem das Artes Visuais: ponto, linha, forma, cor, volume, espaço,
textura etc.

• Exploração e utilização de alguns procedimentos necessários para desenhar, pintar, modelar etc.

• Exploração e aprofundamento das possibilidades oferecidas pelos diversos materiais, instrumentos


e suportes necessários para o fazer artístico.

• Exploração dos espaços bidimensionais e tridimensionais na realização de seus projetos artísticos.


• Organização e cuidado com os materiais no espaço físico da sala.

• Respeito e cuidado com os objetos produzidos individualmente e em grupo.

• Valorização de suas próprias produções, das de outras crianças e da produção de arte em geral.

• Conhecimento da diversidade de produções artísticas, como desenhos, pinturas, esculturas,


construções, fotografias, colagens, ilustrações, cinema etc.

• Apreciação das suas produções e das dos outros, por meio da observação e leitura de alguns dos
elementos da linguagem plástica.

• Observação dos elementos constituintes da linguagem visual: ponto, linha, forma, cor, volume,
contrastes, luz, texturas.

• Leitura de obras de arte a partir da observação, narração, descrição e interpretação de imagens e


objetos.

• Apreciação das Artes Visuais e estabelecimento de correlação com as experiências pessoais.

Os conteúdos da aprendizagem em artes poderão ser organizados de modo a permitir que,


por um lado, a criança utilize aquilo que já conhece e tem familiaridade e, por outro lado, que possa
estabelecer novas relações, alargando seu saber sobre os assuntos abordados.

Convém ainda lembrar que a necessidade e o interesse também são criados e suscitados na
própria situação de aprendizagem.

Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil; Volume 3: Conhecimento de Mundo

Fonte:http://cursodeeducacaoinfantil.blogspot.com.br/2011/01/crianca-e-as-artes-visuais.html

PINTURA
Apreciar a pintura é uma fonte inesgotável de encantamento e alegria. A pintura é o ramo da
arte visual pode ser definida com a arte da cor. Se no desenho o que mais se utiliza é o traço, na
pintura o mais importante é a mancha da cor. Ao pintar, vamos colocando sobre uma superfície, o
papel, a tela ou a parede cores que representam seres e objetos, ou que criam formas. Pode-se dizer
que desde as cavernas o ser humano produz pinturas. Na pré-história a tinta era conseguida a partir
de madeira, ossos queimados, cal, terra, minérios em pó, misturados à água ou à gordura dos
animais.

A pintura trabalhada com as crianças tem objetivos que vão além do simples prazer em
manipular mãos e pincéis. Através do contato com diversos materiais disponíveis para a manipulação
com as tintas, cola, álcool, entre outros, as crianças podem expressar sentimentos diversos na
superfície trabalhada, além de desenvolver, assim como o desenho, sua habilidade motora que,
futuramente, na sua alfabetização, será fundamental no desenvolver das letras.
Pintar é, antes de tudo, uma arte que deve ser usada também na Educação Infantil como
fator de desenvolvimento motor, afetivo e social da criança. Interpretar obras, recriar imagens, pintar
por observação são atividades que mostram possibilidades de transformações, de reconstrução, de
reutilização e de construção de novos elementos, formas, texturas, etc.

A relação que a criança estabelece com os diferentes materiais ocorre, no início, por meio da
exploração sensorial e da utilização em diversas brincadeiras. Tudo isso influenciará na sua
criatividade e imaginação. Uma característica essencial da pintura é o que se pode ou não fazer com
ela através do jogo de cores.

A criança não constitui um conceito de cor olhando simplesmente algo colorido, mas durante
repetidas ações de comparar, nomear, transformar, enfim, falar das relações entre as cores que são
apenas três básicas (azul, vermelho, amarelo), que formam todas as outras. Percebendo isso, o lado
sensível e imaginário da criança pode ser aguçado, ajudando-a a se formar como um ser completo,
criativo, concentrado.

ARTE TRIDIMENSIONAL OU MODELAGEM

Nas artes visuais a forma em três dimensões tem um espaço muito importante. Há duas
técnicas para realizá-la: a escultura e a modelagem. Ambas consideram a largura, a altura e a
profundidade, ou seja, as três dimensões do objeto. A modelagem trabalha com material flexível:
barro, argila, cera, massa de biscuit caseira, jornal, gesso, pastas plásticas industrializadas.

A modelagem é um exercício muito prazeroso, basicamente sensorial, tanto pelo contato


físico com o material flexível, quanto pelo encantamento de ver surgirem figuras e objetos criados
pela nossa imaginação. Por isso, desde cedo as crianças gostam de trabalhar com massa e de se
expressar pela figura modelada. Durante sua vida, a criança procura explorar aquilo que a rodeia
através do tato, da manipulação dos objetos aguçando sua curiosidade. Cabe ao professor explorar
essa curiosidade, buscando desenvolver atividades que instiguem essas características.

Através da modelagem, a criança tem a possibilidade de melhorar sua motricidade e ampliar


sua capacidade de criatividade, pois a modelagem pode ser usada em vários aspectos da aula ou em
qualquer outro ambiente em que a criança esteja. As diferentes formas de expressão permitem ainda
à criança comunicar com os pares e os adultos as experiências vividas e os conhecimentos adquiridos.
Elas têm o privilégio de aprender através das suas comunicações e experiências concretas. Promove-
se o desenvolvimento intelectual da criança através de uma focalização sistemática na representação
simbólica. Arte significa ter mais linguagens significativas, diferentes formas de ver e representar o
mundo.

A modelagem propicia para a criança o ato de se expressar livremente, promovendo a


habilidade na coordenação motora. Também é uma maneira de conseguimos perceber o quanto é
importante a criança expressar os seus sentimentos, fazendo com que os educadores reflitam sobre a
utilização da modelagem para o desenvolvimento cognitivo, afetivo e motor da criança.

RECORTE E COLAGEM
O recorte e a colagem são um processo usado há muitos anos para decorar igrejas, praças,
casas, quadros, usando diferentes materiais como, por exemplo, ladrilhos, pedras, papéis e outros. A
junção desses materiais formava uma figura, denominada mosaico.

Com as crianças, esse processo também é muito utilizado:

Uma maneira interessante de trabalhar com colagem consiste em cortar ou rasgar


formas de figuras de cores e texturas variadas. Começa-se recolhendo papéis,
papelões e tecidos de texturas e cores diferentes. Podem ser empregados muitos
tipos de papel: lisos, rugosos, brilhantes, grossos, finos... As fotografias das
revistas são muito úteis, porque têm uma grande quantidade de cores diferentes.
(COLL; TEBEROSKY, 2004, p. 64.).

Com a folha de papel à sua frente, a criança tem condições de explorar vários aspectos dela.
Surgem ideias sobre o que se pode fazer com ela; experimentam-se sensações passando a mão sobre
ela. Toda exploração leva à aquisição de conhecimentos sobre suas características: se a folha é lisa ou
áspera; se pode ser dobrada ou amarrotada; como ela fica quando é amassada, se resiste aos
rasgões, se pode ser picotada; se ela pode ficar de um jeito que expresse alegria ou tristeza...
Os trabalhos de recorte, colagem e aplicação propiciam à criança dos primeiros anos
escolares o aperfeiçoamento de conteúdos de coordenação motora, criatividade e desenvolvimento
da sensibilidade, noções de espaços e superfície. O primeiro interesse da criança, ainda pequena, é
no recorte puro, sem a intenção de formar figuras. À medida que ganha segurança no domínio da
tesoura sobre o papel, surge a ideia de transformar pedaços de papel em figuras significativas e de
utilizá-las a fim de compor cenas. A partir daí, ela vai manifestando preferências dentro da atividade,
distinguindo papéis e possibilidades de recortes, colagens e aplicações. Revistas, jornais, papéis de
diferentes texturas e pequenos objetos passam a ser vistos como fonte de pesquisa.

A justaposição e a sobreposição de figuras levam a criança a aprimorar suas noções de


orientação espacial, a partir da percepção das partes em relação ao todo. O trabalho pode evoluir
para a aplicação sobre objetos de uso, como a intervenção em capas de caderno ou caixas, e o
trabalho final também pode ser posto em moldura, valorizado como objeto de exposição.

Toda criança deve ter liberdade para exercer sua criatividade, executando ideias criativas e o
capricho com o acabamento final das produções artísticas. Picando com as mãos, com o auxílio de
uma tesoura ou simplesmente da forma como encontra o material desejado para a colagem, a
criança trabalha o seu cognitivo ao perceber o tamanho, a espessura e o modo como encaixar a
matéria no local desejado.

No papel de mediador do conhecimento, o professor é essencial para incentivar o aluno pelo


caminho da arte ou por outra área do conhecimento, oferecendo os melhores suportes, de forma que
venha a somar no seu crescimento e na sua formação. Pode-se abordar na atividade de recorte e
colagem a manipulação e a exploração de diferentes materiais, independentemente de sua utilização
na realização de um produto final. A mistura de materiais propicia trabalhos muito interessantes,
como a colagem de tecidos rústicos com beiradas desfiadas sobre cartões cortados em papel
reciclado.

Expressando-se no papel, com argila, na tela, fazendo colagem, a criança faz arte
naturalmente. A arte proporciona um contato direto com nossos sentimentos, despertando no
indivíduo maior atenção ao seu processo de sentir.

A RTE NA E DUCAÇÃO I NFANTIL


Paty Fonte*

O trabalho artístico possibilita ampliar as formas de expressão e o universo criativo e


imaginário das crianças.

“A arte capacita um homem ou uma mulher a não ser um estranho em seu meio ambiente nem
estrangeiro no seu próprio país. Ela supera o estado de despersonalização, inserindo o indivíduo no
lugar ao qual pertence, reforçando e ampliando seus lugares no mundo.”
(Ana Mae Barbosa)

A arte é uma linguagem especial. É utilizada para que o ser humano possa mergulhar dentro
de si mesmo, trazendo à tona emoções do próprio ser. Por isso, quando um homem quer falar ao
coração dos outros homens, ele o faz pela linguagem da arte. Quando isso acontece, naquele homem
sente e age o ARTISTA.

O ensino atual, conteudista, fragmentado e massificante, não explora todas as possibilidades


que existem dentro e fora da instituição escolar e de si mesmo.

O grande desafio é caminharmos para uma educação eficaz e de qualidade, que integre todas as
dimensões do ser humano. Para tal, precisamos de pessoas que façam integrações de si mesmas no
que concerne aos aspectos sensorial, intelectual, emocional, ético e tecnológico. Além disso, que
transitem de forma fácil entre o pessoal e o social, que expressem através de palavras e ações que
estão sempre evoluindo, mudando e avançando.

Nas produções artísticas das crianças, são comuns alguns desenhos estereotipados, como a casinha, a
árvore de maçãs, o “homem palito”, pássaros em forma de um “v” e sol com carinha, pois são essas
figuras que as crianças veem espalhadas pelos murais da própria escola, em revistas ou até mesmo na
TV.

A ideia de variar os instrumentos para criação artística auxilia o pensar em novas


possibilidades. Como desenhar usando spray, roll on ou conta-gotas? Além de desenvolver a
coordenação motora fina e ampla de forma divertida, são propostos desafios para os alunos pintarem
e desenharem, descobrindo, com o professor, novas maneiras de realizar esses desenhos ampliando
o conhecimento e desenvolvendo a expressão. O ensino de Arte aborda uma série de significações,
tais como: o senso estético, a sensibilidade e a criatividade.

“O desenho é um pedacinho da alma criança deitado num papel.”

(Claparède)

Cabe ao professor pensar na criança em um universo amplo, onde não seja estereotipada;
mas, sim, estimulada a criar e respeitar as suas produções e as dos colegas, enxergar o mundo com
seus olhos, mostrar-lhe vários caminhos que a levará a um aprendizado maior.

Pensar na criança como um ser inocente e sem critérios estéticos é seguramente ignorar e
menosprezar sua capacidade. Devemos percebê-las, sim, como construtoras de seu próprio universo,
onde suas atitudes e observações são parte deste mundo próprio, onde há a concessão de
participarmos dele. É nessa independência e atemporalidade que o universo infantil se baseia, nos
interesses rápidos e vorazes, nas criações e no faz de conta dessas criaturas ávidas de prazer e vida.

O educador deve estimular, encorajar e apreciar o resultado do esforço infantil. Jamais


procure coisas “erradas” para apontá-las ou modificá-las. A criança que é sensibilizada em suas
relações com o meio enriquece suas observações e experiências.
Jamais interferir, ajudar ou modificar o trabalho de uma criança. A expressão gráfica livre é o registro
da personalidade infantil. Cabe aqui uma frase de D. Helder Camara: “Ótimo que sua mão ajude o
voo, mas que ela jamais se atreva a tomar o lugar das asas”.

Quando as habilidades infantis são estimuladas, ajudam no processo de aprendizagem, pois


desenvolvem a percepção e a imaginação — recursos indispensáveis para a compreensão de outras
áreas do conhecimento humano. Estabelecendo, sempre, um diálogo entre todos os participantes da
turma — que é uma questão fundamental para que haja uma comunicação ampla —, que será
estendida, desenvolvido, trabalhado, estimulado, aprimorado e praticado com constância para que a
criança tenha o máximo desempenho de sua capacidade cognitiva.

Aprendemos a olhar o mundo de várias maneiras. Mais ou menos sensíveis, críticos,


distraídos, autoritários, etc. Essa percepção carrega uma enorme contribuição daqueles que nos
ensinaram a contemplar esse universo de informações que absorvemos durante a vida. Dependendo
de como cada coisa, ser ou espécie nos foi exposta, do respeito que recebeu, dos atos que observou,
do tom de voz que foi usado para esse contato, das interpretações que ocorrem.

Segundo Dewey, enquanto experiência, a arte faz parte das relações que o homem
estabelece com seu entorno, isto é, a arte ganha um caráter prático e articula-se com a vida e a
cultura.

A criança trabalha com as mãos, aprendendo e apreendendo o mundo; vê através delas,


manipulando e modificando, destruindo e construindo, observando, mas, sobretudo, criando. Através
das atividades lúdicas, a criança consegue se exprimir; entretanto, também se torna necessário
mostrar-lhe alternativas, perspectivas e concepções: a arte como coautora da nossa sociedade —
ampliando, assim, sua visão de possibilidades, na experiência entre o real e o imaginário, do
comparativo e do demonstrativo da realidade humana.

A arte, ou expressão artística, é um dos maiores instrumentos de avaliação com que o


educador pode contar. Através dela, pode-se avaliar o grau de desenvolvimento mental das crianças,
suas predisposições, seus sentimentos, além de estruturar a capacidade criadora, desenvolver o
raciocínio, a imaginação, a percepção e o domínio motor.

A criança, mesmo antes de aprender a ler e a escrever, reage positivamente aos estímulos
artísticos, pois ela é criadora em potencial. Nessa fase, as atividades de artes fornecerão ricas
oportunidades para o desenvolvimento das crianças, uma vez que põem ao seu alcance os mais
diversos tipos de material para manipulação.

Na escola, quanto maiores forem as oportunidades de descobertas, manipulações e


construções que o educador oferecer às crianças, maiores serão as chances de um desenvolvimento
harmonioso e compatível com suas possibilidades. Sendo assim, entre os cantinhos exploratórios,
não pode faltar um dedicado às artes. Quando se desenha ou se desenvolve uma atividade artística
criativa, podemos dizer que se vive um momento de introspecção. Um tempo para si, de reflexão e de
expressão sobre si mesmo e o mundo que o cerca. Dentro do processo de construção de
conhecimentos e significados, é evidente que desenvolver a percepção é um objetivo
importantíssimo. E, para concretizá-lo, é preciso que a escola, entre outras coisas, dedique mais
tempo e abra mais espaço às artes.
É necessário atentar para como as crianças se aproximam e agem em relação ao aspecto
artístico do conhecimento, essas observações ajudarão o professor a planejar, sabendo como propor
experiências, atividades e situações que façam avançar as percepções e observações das crianças,
bem como seu repertório de saberes.

Um cantinho artístico exclusivo na sala de aula favorecerá as práticas interdisciplinares dentro


de uma proposta construtiva, em que o educador poderá atuar de um modo mais criativo e direto,
oferecendo às crianças oportunidades para que expressem seus sentimentos e anseios, através de
atividades de pintura, modelagem, expressão corporal, músicas e brincadeiras diversificadas.

O uso constante do cantinho das artes desenvolverá nas crianças sua imaginação e sua
sociabilidade, além de dominar as angústias e os medos que aparecem mesclados de fantasia e
realidade. Destaco aqui a importância de oferecer os mais diversos materiais a fim de transformar a
sala de aula e seu cantinho num ambiente realmente estimulante e significativo, propício às
descobertas e à construção de conhecimentos.

Dentre os objetivos do cantinho das artes, destaco:

Produção de trabalhos artísticos utilizando a linguagem do desenho, da pintura, da modelagem, da


colagem, da construção, desenvolvendo o gosto, o cuidado e o respeito pelo processo de produção e
criação.

Levar o aluno a se expressar e se comunicar em artes mantendo uma atitude de busca


pessoal e/ou coletiva, articulando a percepção, a imaginação, a emoção, a sensibilidade e a reflexão
ao realizar e fluir produções artísticas.

Promover espaço de interação com materiais, instrumentos e procedimentos variados em


artes, experimentando-os e conhecendo-os de modo a utilizá-los nos trabalhos pessoais. Edificar uma
relação de autoconfiança com a produção artística pessoal e o conhecimento estético, respeitando a
própria produção e a dos colegas, no percurso de criação que abriga uma multiplicidade de
procedimentos e soluções.

As artes também comunicam e expressam volume, espaço, cor e luz na pintura, no desenho,
na escultura, na gravura, na arquitetura, nos brinquedos, nas dobraduras, nos bordados, etc.
Encontramo-las em toda a vida infantil cotidiana, ao rabiscar o papel ou desenhar na areia e nas
paredes, utilizar materiais da natureza, pintar o corpo ou os objetos, em tudo que serve para
expressar experiências sensíveis.

Sendo uma forma de linguagem, a arte justifica sua forte presença na Educação Infantil como
importante meio de expressão e comunicação humanas. Assim sendo, as salas de aula devem ser
“laboratórios” para as crianças, pois é o local propício para exploração, reflexão, ação e elaboração
dos verdadeiros sentidos de suas experiências.

Através das diversas manifestações artísticas, as pessoas podem se expressar de uma forma própria e
singular e superar as mais diversas barreiras da comunicação.
O período dos 2 aos 7 anos é de descoberta com relação a como atuar por meio de
representações, no sentido do uso de linguagens. A criança nessa faixa etária se encontra em fase de
pensamento concreto e faz largo uso de seus sentidos para enriquecer suas experiências. Enquanto
seres em processo de humanização, constroem-se como tal nas relações com a natureza, com seus
semelhantes, consigo mesmo e com sua cultura. Nessa fase, as atividades artísticas fornecerão ricas
oportunidades para o seu desenvolvimento, uma vez que põem ao seu alcance os mais diversos tipos
de material para manipulação.

O Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil (RCNEI) trata a arte como uma das
formas de linguagem e de contato com objetos de conhecimento importantes no desenvolvimento
das capacidades de expressão e comunicação das crianças.

Na Educação Infantil, não deve haver a preocupação com a formação de artistas que
dominam com autonomia a sintaxe das linguagens, mas, sim, em favorecer o acesso às linguagens
com o intuito da formação de leitores, usuários do simbolismo presente nas representações de arte.

“É na arte que o homem se ultrapassa definitivamente.”


(Simone Beauvoir)

*Paty Fonte é educadora especialista em Pedagogia de Projetos; Autora dos livros Pedagogia de Projetos – ano
letivo sem mesmice e Projetos Pedagógicos Dinâmicos: a paixão de educar e o desafio de inovar, publicados
pela Wak Editora; e idealizadora e diretora dos sites:

ATIVIDADE

1. Considerando essas informações, comente a afirmação abaixo, ela está correta ou errada?
Justifique sua resposta.

2. Para que a produção artística do aluno ganhe sentido e possa se enriquecer também pela reflexão
sobre a arte como objeto de conhecimento, os Parâmetros Curriculares Nacionais – Arte propõem
que:
“Além do conhecimento artístico como experiência estética direta da obra de arte,
o universo da arte contém também um outro tipo de conhecimento, gerado pela
necessidade de investigar o campo artístico como atividade humana.”

Para tanto, o referido documento delimita o fenômeno artístico não só como estrutura
formal, mas também, como produto das culturas e parte da história. Explique essa afirmativa com
suas próprias palavras e dê exemplos para ilustrar sua resposta.