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Ética, Sociedade e

Observatório Social do Brasil


2º semestre / 2018

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COLETÂNEA
FORMAÇÃO SOCIOCULTURAL E ÉTICA
Ensino Presencial (2º semestre)

EAD (MÓDULO 53)

Organizadoras
Cristina Herold Constantino
Débora Azevedo Malentachi

Colaboradores
Edson Dias dos Santos
Fabiana Sesmilo de Camargo Caetano
Leticia Matheucci Zambrana
Rebeca Sabrina Vaz Lencina

Direção Geral
Pró-Reitor Valdecir Antônio Simão

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Sumário

Apresentação........................................................................................................................................................ 04
Considerações Iniciais......................................................................................................................................... 05
Visão e benefícios da leitura................................................................................................................................ 06
Desfazendo crenças limitadoras.......................................................................................................................... 07
Textos selecionados............................................................................................................................................. 09
Crise da ética e sociedade brasileira....................................................................................................................... 09
As mudanças de paradigmas da sociedade nesse novo mundo digital.................................................................. 11
90% dos jovens consideram a sociedade brasileira pouco ou nada ética............................................................... 13
Como nossa sociedade mata a juventude – agora e no futuro............................................................................... 15
Direitos humanos – Sociedade de todos os homens............................................................................................... 17
Ano de valorização e defesa dos direitos humanos da pessoa idosa..................................................................... 20
Não me chame de negro, diga afrodescendente..................................................................................................... 21
Desmonte da política indigenista e militarização de abrigos para indígenas denunciados pela ONU.................... 23
O autista como sujeito de direitos............................................................................................................................ 26
Pais de autista lutam pelo direito de ter uma casa pintada à semelhança do quadro ‘A noite estrelada”............... 29
O que são minorias?................................................................................................................................................ 30
Declaração Universal dos Direitos Humanos........................................................................................................... 33
Consumo, logo existo............................................................................................................................................... 34
YouTubers fazem a cabeça dos jovens................................................................................................................... 35
Contra suicídios, a importância do apoio social e do cuidado com a saúde da mente........................................... 38
A jovem que está prevenindo suicídios ao colocar mensagens de esperança em ponte na Inglaterra.................. 43
A primeira infância e a construção de uma sociedade mais justa........................................................................... 45
Vídeo: O começo da vida......................................................................................................................................... 47
Filme e Documentário.............................................................................................................................................. 48
Textos Poéticos........................................................................................................................................................ 51
Músicas................................................................................................................................................................... 53
Tiras e Charges...................................................................................................................................................... 55
Considerações Finais............................................................................................................................................ 58

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Apresentação

A Formação Sociocultural e Ética (FSCE) compõe um dos Projetos de Ação da UniCesumar, cujo principal
objetivo é aperfeiçoar habilidades e estratégias de leitura fundamentais para seu desempenho pessoal,
acadêmico e profissional. Nesse sentido, esta disciplina corresponde à missão institucional, a qual consiste
em “Promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais
cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária”. Conforme slogan da
FSCE, “Quem sabe mais faz a diferença!”, o conhecimento adquirido por meio da leitura é a mola propulsora
capaz de formar e transformar sujeitos passivos em cidadãos ativos, preparados para fazer a diferença na
sociedade como um todo.

Na FSCE, você terá contato com vários assuntos e fatos que ocorrem na sociedade atual e que devem fazer
parte do repertório de conhecimentos de todos os que buscam compreender criticamente seu entorno social,
nacional e internacional. Em síntese, no intuito de atender ao objetivo desta disciplina, a FSCE está dividida
em cinco grandes eixos temáticos: Ética e Sociedade – Ética, Política e Economia – Ética Cultura e Arte –
Ética, Ciência e Tecnologia – Ética e Meio Ambiente, sendo que nos dois primeiros eixos estão incluídos
temas complementares e pertinentes propostos pelo Observatório Social do Brasil.

Este material, também chamado de Coletânea, é o principal instrumento de estudo da FSCE. Recebe o
nome de Coletânea porque reúne vários gêneros textuais criteriosamente selecionados para estimular sua
reflexão e análise pontuais. Textos retirados de diferentes fontes, com a finalidade de abordar recortes
temáticos relacionados aos conteúdos de cada eixo supracitado. Tem como principal objetivo ser um
material de apoio à sua formação geral, servindo-lhe de estímulo à leitura, interpretação e produção textual.
Uma Coletânea como esta é organizada a cada duas semanas, ou seja, a realização completa desta
disciplina ocorre no período de 10 semanas.

Cada Coletânea apresenta-se, inicialmente, com uma introdução, seguida por aspectos relacionados à
leitura, interpretação e/ou escrita, os quais antecedem a apresentação dos diversos textos referentes aos
respectivos eixos. A sequência de textos normalmente é finalizada com os gêneros: música, poesia ou frases
e charges, sendo finalmente concluída com breves considerações finais.

Você tem em suas mãos, portanto, uma compilação por meio da qual terá acesso a um conteúdo seleto de
textos basilares para sua reflexão, aprendizagem e construção de conhecimentos valiosos. Textos
compostos por fatos, notícias, ideias, argumentos, aspectos veiculados nos principais meios de
comunicação do país, links de acesso a entrevistas, depoimentos, vídeos relacionados ao eixo temático,
além de respaldos teóricos e práticos acerca da linguagem que poderão servir como suporte à sua vida em
todas as instâncias.

Também, importa lembrar que a organização deste e demais materiais da FSCE não pressupõe qualquer
tendência político-partidária e/ou apologia a qualquer grupo religioso em detrimento de outros, sendo que
estamos disponíveis ao recebimento de indicações de textos, sites, tanto quanto às sugestões de conteúdos
relacionados aos referidos eixos. Faça, portanto, da FSCE sua porta de entrada para a aquisição de novos
conhecimentos.

E lembre-se:
Ler é pensar!
Vista a camisa do conhecimento e seja MAIS!

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Considerações Iniciais

Primeiramente, queremos dizer que você é muito bem-vindo à disciplina de Formação Sociocultural e Ética
que inaugura o segundo semestre de 2018 com o eixo Ética, Sociedade e Observatório Social do Brasil.
Nada mais oportuno do que pararmos para refletir sobre a sociedade, como ela tem sido vista, ações que a
tem caracterizado, quais as possíveis causas e consequências dos principais fatos e acontecimentos que
refletem, hoje, a sociedade atual. Na verdade,
como de costume, o nosso intuito com este
material é promover a reflexão, levá-lo a uma
análise crítica, primeiramente, acerca das
informações trazidas, mas também acerca de você
mesmo, do seu papel como parte integrante e
responsável como pessoa, cidadão, acadêmico e
futuro profissional nesta sociedade.

Os fatos sociais nos têm mostrado que é


necessário um novo e diferente olhar, talvez, primeiramente, para nós mesmos como pessoa e parte de um
núcleo maior que somos. Talvez, questionando-nos acerca de quem somos nesta sociedade. Qual nosso
papel na sociedade? O que queremos desta sociedade? O que esperamos dela? O que esperamos de nós
como parte desta sociedade? E, talvez, qual o nosso compromisso em fazer diferente para fazermos a
diferença nesta sociedade?

Como de praxe, iniciamos com indicações sobre leitura as quais poderão ser de grande utilidade para a sua
vida acadêmica, seguidas de textos atuais selecionados especialmente para esta Coletânea, dando ênfase
à ética, globalização, direitos humanos (mulher, indigenismo, afrodescedência, terceira idade, autismo),
Tudo isso, com a expectativa de que este conhecimento seja transformado em reflexão e, quem sabe, até
em uma nova visão de mundo!

Esperamos contribuir para que este seja efetivamente um momento de reflexão e análise dos fatos e que
todas as inquietações lhe façam entender que você é o principal canal para a mudança de pensamento, de
intenções, de ações, a fim de que estes venham a ser sonhos possíveis, realizáveis por uma geração que
pensa, reflete e age, ainda que na contracultura de uma sociedade hoje posta como inativa e corrupta, mas
que tem o poder de transformar a realidade social em que reine a justiça, a esperança, o respeito e a ética.

Boa leitura!

Organizadoras

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Visão e benefícios da leitura

Nossa visão acerca das coisas influencia o


nosso comportamento e, por extensão, nosso
sucesso frente a elas. E a partir do momento
que temos consciência acerca dos seus
benefícios, maiores as chances de
desenvolvermos a visão certa.

Como está a sua visão sobre leitura?

Antes de dar o próximo passo, é preciso que


você se autoavalie enquanto leitor e que avalie
a sua visão acerca da leitura.

Por que a leitura é importante para você?

Você tem consciência dos benefícios que a leitura pode proporcionar a você?

Queremos ajudá-lo a desenvolver a sua visão acerca da leitura mostrando-lhe apenas três de seus
poderosos benefícios:

1. a leitura é a melhor fonte de conteúdo para a escrita: quanto mais leituras realizadas de modo crítico
e consciente, mais você terá O QUE dizer nos textos que produz. Lembre-se sempre: antes de se tornar um
bom produtor de textos, é preciso se tornar um ótimo leitor. E o mais importante não é a quantidade das
suas leituras, mas a qualidade! Leituras com qualidade são aquelas nas quais aplicamos técnicas e
estratégias adequadas para compreensão e interpretação de textos.

2. a leitura constitui-se como modelo para a produção escrita: além de lhe proporcionar conteúdo (o
que dizer) na produção escrita, a leitura lhe possibilita o conhecimento de COMO colocar no papel o que
você deseja dizer nos textos que produz. A partir da leitura você conhece diferentes autores, com estilos de
escrita peculiares, e você pode começar as suas produções imitando os autores de que mais gosta, com os
quais mais se identifica. Se queremos nos tornar grandes, imitamos os grandes!

3. a leitura abre as portas da superação pessoal e profissional: quanto mais você lê e atribui qualidade
às suas leituras, mais conhecimentos gerais terá e mais preparado estará para alcançar lugar de destaque
nos concursos e entrevistas de emprego. A prática da leitura consciente lhe dará capacidade para interpretar
qualquer texto, falar e escrever sobre quaisquer assuntos que lhe forem propostos nas provas. Além de tudo
isso, a leitura nos proporciona conteúdo para a vida.

Viu como são infinitas as possibilidades de aprendizagem e de transformação de vida a partir das leituras
que realizamos?

Consciente dos benefícios da leitura, faz-se necessário, ainda, desfazer algumas das crenças limitadoras
que podem podar o nosso crescimento enquanto leitores.

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Desfazendo crenças limitadoras

No próximo material da FSCE, trataremos sobre as estratégias de leitura fundamentais para a


compreensão e interpretação de textos. Entretanto, antes de estudarmos tais estratégias, é preciso desfazer
duas crenças que talvez sejam as pedras no meio do seu caminho, os empecilhos que podem travar os seus
estudos, o seu desempenho acadêmico e o seu crescimento enquanto leitor, impedindo que você
desenvolva as habilidades necessárias para o seu sucesso pessoal e profissional.

Se você tiver em mente alguma destas crenças limitadoras, comece agora mesmo a mudar seus
pensamentos para modificar o seu comportamento frente às leituras e experimentar uma transformação
digna de alguém disposto a enxergar além das superficialidades...

1. Não gosto de ler!

A leitura é um hábito que adquirimos desde a infância.


Alguns vivenciam a leitura em casa, outros apenas nas
carteiras escolares. Em algum momento na vida você já
gostou de ler, porque não era obrigado a fazer isso. Podia
ler o que mais gostava. Ou não podia, porque era
proibido. Mas, por ser proibido, você gostava ainda mais.
A leitura de gibis, por exemplo, foi proibida nas escolas
durante certo período de tempo, décadas atrás.

Se você tem essa crença limitadora, pense da seguinte


forma: “Como posso não gostar de algo que
simplesmente pode abrir horizontes inimagináveis para
mim?” Gostar de ler é um bom hábito. Não gostar é um
mau hábito. Decida acabar com o mau hábito e comece a
desenvolver o bom. E isto se faz com atitude, prática e
persistência.

Decida pelo que fará bem a você!

Comece lendo o que mais gosta, sobre os assuntos que


mais chamam a sua atenção. Leia tudo o que pode. Leia
com os olhos, com a razão e o coração. E não se
preocupe em entender tudo o que lê. Abaixe a ansiedade
para desbloquear seu poder de compreensão. Apenas
persista, pois, com a prática, a compreensão virá com
mais naturalidade.

2. Não entendo nada do que leio!

Como já declaramos acima, é preciso persistência. Ao aprender determinadas técnicas e estratégias de


leitura o texto monstruoso se transformará apenas no que ele é de fato: um texto cujos significados podem
ser inteligíveis, compreensíveis, construídos.

Quem nunca terminou de ler um texto e teve que admitir não fazer ideia do que acabou de ler que atire a
primeira pedra!

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Você é normal! Somos todos leitores em processo!

Cada texto tem suas respectivas características. Alguns são mais complexos que outros e, por isso, exigem
mais leituras. Uma leitura nunca será o suficiente para compreendermos e interpretarmos determinados
textos, sobretudo, cujos autores gostam de complicar a vida da gente. O estilo do autor também contribui,
ou não contribui em nada.

Então, em vez de ficar se vitimando por “achar” que não entende nada do que lê, corrija seu pensamento:
“Eu ainda não entendi este texto, porque estou cansado e com dificuldades para me concentrar, mas farei
uma leitura mais atenta em outro momento, quando eu estiver mais concentrado e descansado para
entendê-lo!”

Mas, professoras, o que fazer nos contextos de provas


acadêmicas, quando não tenho mais que uma hora para ler
e responder as questões propostas?

De fato, trata-se de um tipo de leitura a qual você não poderá


deixar para depois. Mas é exatamente para essas situações
que temos por objetivo prepará-lo com o conhecimento e as
ferramentas certas que farão com que você se sinta
altamente capacitado para se concentrar melhor nas leituras,
facilitando em grande escala a compreensão e interpretação
dos textos propostos, sejam quais forem seus níveis de
complexidade.

Portanto, se você pensa que não entende nada do que lê é


porque não está usando as técnicas e estratégias de leitura
fundamentais para derrubar por terra essa crença, que em
nada colabora com as suas chances de crescimento na vida e em seu desempenho na academia.

Pense nos benefícios da leitura, avalie suas crenças a respeito dela, pratique-a, aplique as estratégias que
irá aprender, abrace o conhecimento que ofertamos a você nesta disciplina e prepare-se para o SUCESSO!

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Textos Selecionados

O artigo que inaugura esta seção da Coletânea é, ao mesmo tempo, simples e profundo.
Simples, porque discorre com leveza sobre um assunto de grande peso: a questão ética na
sociedade brasileira. Profundo, na medida em que nos faz refletir não apenas a respeito da
crise ou do nível ético predominante nas diferentes esferas políticas que atuam na e sobre a
sociedade, mas, em especial, na proporção em que somos levados a nos avaliar e a nos
questionar enquanto cidadãos éticos altamente responsáveis e coparticipantes da construção
da sociedade que hoje temos e com a qual sonhamos. Parece-nos que, antes de tudo, ser ético
implica na atitude honesta de remover as traves dos próprios olhos, antes de apontar os ciscos
de olhos alheios. Qual o seu ponto de vista a esse respeito?

Crise da ética e sociedade brasileira

Tem se tornado um lugar comum entre nós a constatação de que vivemos uma crise da ética.

Acontecimentos recentes com denúncias de corrupção nos mais altos escalões do governo, do
legislativo e do meio empresarial vêm causando perplexidade pelo alcance e a dimensão de casos que,
se de um lado, sempre se suspeitou que ocorressem, por outro lado, nunca se pensou que tivessem
essa magnitude e que pudessem causar os prejuízos que
concretamente causaram.

Que desafios trazem para a sociedade brasileira as


consequências desses processos que se tornaram parte de
nosso dia? Que podemos fazer diante disso? A pergunta sempre
feita é: qual a saída? Um ponto positivo é certamente o aumento
da consciência ética do cidadão brasileiro, ou seja, a percepção
da importância de uma postura mais ética. Além disso, a certeza
da impunidade das elites, muito comum em nosso contexto, em
grande parte também caiu por terra. Mas, o que significa uma
postura mais ética?

Corrupção fere os critérios éticos básicos de honestidade e


respeito, de transparência e dignidade. Produz ineficiência,
causa dano à sociedade, prejudica a coletividade, significa uma ruptura com a cidadania. A corrupção
no serviço público viola um dos princípios mais básicos da ética na política, que remonta à “Alegoria da
Caverna” de Platão, a distinção entre o público e o privado. Alguém que exerce cargos públicos e que
faz negócios com o governo o faz no “interesse público”, qualquer desvio desse princípio produz falta
de credibilidade e perda de legitimidade e de autoridade dos que exercem cargos e funções públicas.

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Os atenienses condenavam à perda da cidadania, ao ostracismo, quem fosse culpado desses desvios.
Não os julgavam mais dignos de pertencer àquela comunidade.

Pessoas que exercem cargos públicos devem ser capazes de prestar contas à sociedade que os elegeu
ou a quem devem representar. É nesse sentido que tem sido diagnosticado que vivemos uma crise de
representatividade, que só pode ser superada na medida em que o eleitor seja mais consciente e tenha
uma noção mais clara do que significa um mandato político, exatamente como um mecanismo de
representação. O amadurecimento ético e político de uma sociedade exige isso para que a cidadania
possa ser plenamente exercida. Temos em muitos casos uma classe política isolada da sociedade, dos
cidadãos que deveria representar, de seus eleitores.

A filosofia, à qual pertence tradicionalmente a área da ética, nos ensina que uma sociedade não
sobrevive e muito menos se desenvolve sem uma consciência mais clara e um maior reconhecimento
dos valores que considera fundamentais. Valores consistem exatamente naquilo que a sociedade
valoriza, que tem como ideais. Justiça, solidariedade, honestidade, bem-estar são exemplos de valores,
admitidamente de caráter muito geral. Mas o caráter geral capta exatamente a ideia de que esses
valores são contextualizados, históricos e mudam de sociedade para sociedade e dentro de uma mesma
sociedade com o tempo.

Além disso, em uma sociedade complexa como temos contemporaneamente, diferentes grupos podem
ter diferentes valores, portanto, a aceitação da diversidade e o respeito mútuo devem ser centrais em
uma sociedade, permitindo a convivência, a inclusão, o pluralismo. Mas, valores não são
dados, precisam ser construídos, reconhecidos, assumidos, defendidos e, principalmente, postos em
prática. Não começamos éticos, a ética não é ponto de partida, e sim ponto de chegada. Se não
começamos éticos, vivemos crises, dificuldades e impasses, é preciso que enquanto coletividade
tenhamos ideais e lutemos para colocá-los em prática. A ética deve fornecer-nos, portanto, o que o
grande filósofo alemão Immanuel Kant denominou “ideais regulativos”, ou seja, um rumo, uma direção,
referências em termos das quais guiamos as nossas ações, pelas quais nos orientamos, mesmo que
não as tenhamos atingido.

Esse deve ser o sentido de “construção de valores”. Trata-se sempre de um processo e também de um
progresso em direção a fins, a ideais que reconhecemos como válidos e pelos quais lutamos. Esse é o
pressuposto para sairmos de um impasse em direção a uma real transformação na sociedade.
Mudanças duradouras não são feitas de imediato, nem sem debate e discussão, exigem
aprofundamento e perspectiva a longo prazo. Crises podem abrir esses caminhos difíceis, mas
inevitáveis em momentos como o que vivemos.

Uma das principais características dessa luta pela ética deve ser a preocupação com uma melhor
qualidade de vida, não só individual como coletiva, incluindo nossa comunidade e nosso meio ambiente.
Se vivemos uma crise da ética no meio político e empresarial, vemos também uma ampliação da
discussão sobre ética e a efetiva tomada de medidas que contribuem para esse aperfeiçoamento.

Mudanças recentes e posturas inovadoras em campos como Bioética, Ética Ambiental, Ética na
Pesquisa, Ética nos Meios de Comunicação, Ética e Igualdade de Gênero e Raça são exemplos, de que
em muitos aspectos estamos vivendo uma “virada” em direção a conquistas éticas. Embora estejamos
ainda muito distantes do que almejamos, esses são campos em que surgem novos valores, em que se
combatem preconceitos, em que se ampliam direitos e em que a sociedade brasileira efetivamente se
transformou e vem dando exemplos de que mudanças em um sentido positivo são possíveis. Temos
tido grandes avanços e a sociedade tem se beneficiado disso. Esses são importantes exemplos de boas
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práticas e de bons resultados que podem servir de modelo para a ética na política e nos negócios,
mostrando assim que podemos caminhar na direção de uma sociedade mais ética, desde que
efetivamente caminhemos enquanto coletividade.

*Danilo Marcondes, professor e coordenador do projeto Ética e Realidade Atual (ERA) do IAG – Escola de Negócios da PUC-
Rio

Disponível em: <https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/crise-da-etica-e-sociedade-brasileira/> Adaptado. Acesso em: 03 jul.


2018.

Além da questão ética, mas ainda - e sempre - respaldado nela, a sociedade se vê, cada vez
mais, diante de novos desafios que, inevitavelmente, alteram suas bases ou alicerces sobre os
quais seus paradigmas são construídos. O texto a seguir trata sobre a condição dessa
sociedade que, constantemente, precisa rever, tratar, avaliar, aperfeiçoar e modificar
determinados modelos-padrão, em virtude do constante avanço da tecnologia. De que modo
temos acompanhado, interpretado e internalizado essas transformações? Temos nos
preparado para contribuir e fazer parte disso tudo?

As mudanças de paradigmas da sociedade nesse novo mundo


digital

“Vivemos hoje em um mundo onde as velhas estruturas


agonizam, mas ainda não morreram, e as estruturas
emergentes ainda não se desenvolveram o bastante para
substituí-las completamente”, afirmou o sociólogo e
cientista político Sérgio Abranches na abertura do painel
intitulado “Perspectivas do Brasil e de ser brasileiro”,
realizado no 23º Encontro de Líderes do Mercado
Segurador, em Foz do Iguaçu, entre 1º e 3 de março de
2018.

E para debater o tema com Sérgio Abranches,


compuseram
a mesa o
presidente da Sérgio Abranches, sociólogo e cientista político
CNseg,
Marcio Coriolano; o vice-presidente da CNseg, Jayme
Garfinkel, e o economista Luiz Roberto Cunha.“E esse
mundo, sem estruturas sólidas, onde o passado serve, cada
vez menos, como referência para o futuro”, prosseguiu
Abranches, “gera um enorme desconforto, pois todo dia
topamos com coisas desconhecidas, levando ao fim dos
consensos, já que não é possível haver consenso sobre
coisas desconhecidas”. Segundo o sociólogo, a
globalização e a digitalização do mundo estão entre os
principais agentes dessas mudanças de paradigmas na
forma das pessoas entenderem o mundo, consumirem, se
Marcio Coriolano, presidente da CNseg relacionarem e até mesmo na forma de construírem suas

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expectativas. E com as instituições se transformando muito mais lentamente que a sociedade, esta já
não cabe nas velhas estruturas. “A mentalidade do mundo político ainda é analógica, enquanto a
sociedade já é digital”, disse.

E isso é uma questão que toca profundamente o mercado segurador, pelos grandes desafios que gera,
como lembrou o presidente da CNseg, visto que o seguro, apesar de lidar com a imprevisibilidade, se
baseia sempre em uma história passada. “Será que isso pode levar a uma redução da proteção das
pessoas?”, questionou Coriolano. “Sim. O seguro precisará se adaptar a uma era de menos capacidade
de proteção das pessoas”, respondeu Abranches. Como exemplo, citou o caso dos motoristas do
aplicativo Uber, que não contam com nenhum tipo de proteção. E a desproteção progressiva leva a
novas demandas e a novos conflitos, o que, segundo ele, são duas questões cruciais dessas
transformações.

Não bastasse isso, prosseguiu, a esquerda envelheceu


no mundo inteiro, deixando ainda mais sem proteção os
que mais dependem da estrutura. Não que Abranches
defenda um monopólio da esquerda, muito pelo contrário.
Para ele, o monopólio da esquerda levaria ao imobilismo,
enquanto o monopólio da direita levaria a um aumento da
desigualdade. Mas qual seria, afinal, o caminho para lidar
com toda essa disrupção? “Sendo disruptivo também”,
afirmou. Disruptivo até na educação, disse o cientista
político, respondendo a Jayme Garfinkel, que indagou se,
eventualmente, o atraso do Brasil na educação não
poderia servir para “nos dar um pouco mais de tempo”.
Jayme Garfinkel, vice-presidente da CNseg
“Quando um país se atrasa em relação ao progresso em
determinado campo, tem a oportunidade de dar um salto, sem, necessariamente, percorrer todos os
passos do pioneiro. Precisamos reformar a educação, não para ser melhor, mas para ser diferente”,
concluiu Abranches. O presidente da CNseg encerrou o Encontro, ressaltando que ele superou todas
as expectativas, tendo havido uma grande confluência entre todos os temas abordados nesses três dias.
A cobertura completa do evento pode ser conferida do Portal da CNseg e nos canais da Confederação
no YouTube, Facebook e LinkedIn. As apresentações dos palestrantes também estarão disponíveis no
site de eventos da CNseg.

Disponível em: < http://www.sindsegsc.org.br/sala-de-


imprensa/noticias/visualizar/index.php/as_mudancas_de_paradigmas_da_sociedade_nesse_novo_mundo_digital/20015/> Adaptado. Acesso
em: 04 jul. 2018.

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Inseridos, enfim, numa sociedade que se forma e se transforma dia a dia, colocamos em xeque
a sua natureza ética. Trazer essa discussão para o âmbito educacional é, sem dúvida,
importante. Entretanto, antes de, a grosso modo, ensinar ou emitir qualquer tipo de julgamento
baseado no senso comum acostumado a estigmatizar ou a criar rótulos, a partir do artigo a
seguir propomos a reflexão e uma leitura avaliativa mais cuidadosa dos fatos e das opiniões
emitidas, sobretudo, uma leitura capaz de enxergar nas entrelinhas dos fatos e das opiniões
alguns dos porquês, das causas ou das razões que, direta ou indiretamente, fazem da
sociedade o que ela é, parecer ser, ou pensamos que seja...

90% dos jovens consideram a sociedade brasileira pouco ou nada


ética
Estudo inédito serviu de subsídio para que o ETCO crie uma plataforma online que estimulará professores a discutir a ética na
sala de aula

Para o jovem, a sociedade brasileira não é ética. Esse é


o resultado de uma pesquisa inédita feita pelo Instituto
Brasileiro de Ética Concorrencial – ETCO, em parceria
com o Datafolha. O levantamento constatou que para
90% dos entrevistados, entre 14 e 24 anos, a sociedade
brasileira é pouco ou nada ética. Os números não
melhoram nem mesmo quando o alvo do questionamento
é o comportamento de pessoas próximas de seu
relacionamento. Os próprios familiares foram
considerados pouco ou nada éticos para 57% dos
entrevistados. A avaliação sobre os amigos é ainda pior: 74%. Em relação à própria conduta, 63% dos
jovens afirmam que buscam ser éticos na maioria das vezes em seu dia a dia. Apenas para 8% deles é
possível ser ético o tempo todo.

Quando confrontados com perguntas menos hipotéticas e mais objetivas, nem sempre mantiveram a
mesma firmeza de conduta. Por exemplo, mais de 50% deles concordam ou concordam totalmente que
ao comprar um produto é importante saber se a empresa paga impostos e respeita o meio ambiente.
No entanto, 52% compra produtos piratas por serem mais baratos – a justificativa é que não acreditam
estar fazendo mal a alguém.

Observou-se ainda uma descrença na possibilidade de ética da sociedade como um todo. Chama a
atenção que 56% concordem que não importa o que se faça, a sociedade sempre será antiética. Mais:
55% admitem que é impossível ser ético o tempo todo e 36% avaliam que, para ganhar dinheiro, nem
sempre é possível ser ético.

O Presidente Executivo do ETCO, Edson Vismona, avalia que a pesquisa mostra um cenário
preocupante em relação ao jovem e que ela deve ser utilizada para motivá-los a assumir uma postura
ética cada vez mais firme. “É verdade que jovens compram produtos pirateados em razão do preço,
porém é importante notar que 72% sabem que deixar de comprá-los tornaria o Brasil mais ético. Metade
desses jovens ouvidos tem consciência de atitudes que podem influenciar a sociedade positivamente,
como participar de atividades políticas e conhecer melhor os partidos. Basta fazê-los entender que a
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mudança no todo parte do indivíduo e que a sociedade só se torna ética verdadeiramente quando todos
contribuem para isso”.

A contradição entre o mundo ideal, ético, e o real, antiético, é intrínseca ao dia a dia dos jovens,
principalmente nesse momento em que enfrentamos uma aguda crise de representação e de
questionamentos sobre o comportamento de pessoas públicas. Desenvolver resistências às tentações,
entre o certo e o errado, passa por conhecer o comportamento dos semelhantes. É nesse ponto que a
pesquisa contribui para a conscientização dos futuros gestores do país”, afirma Mauro Paulino, diretor
do Datafolha.

Pesquisa exalta bombeiros e professores

A pesquisa encomendada pelo ETCO também questionou os jovens sobre a percepção de profissionais
éticos. O resultado apontou que bombeiros e professores são os profissionais com melhor imagem
perante esse público. Numa escala de 0 a 10, os bombeiros foram os profissionais mais bem avaliados
com uma nota 8,7, seguido pelos professores, que tiveram nota 8,5. “É positivo que o jovem enxergue
o professor dessa maneira porque ele é um dos exemplos de adulto mais próximos e é importante que
este profissional transmita credibilidade e um firme senso de moral e ética. O jovem está em formação
e seu comportamento mira muito nas pessoas mais próximas, portanto, é fundamental ter uma boa
referência em sala de aula”, avalia Vismona.

Por outro lado, os políticos são a classe mais mal avaliada, com nota 2,2, refletindo o desgaste de
imagem com acusações de corrupção por todo o País. Não à toa, uma das afirmações com maior nível
de concordância (51%) é de que a sociedade brasileira seria mais ética se as pessoas participassem
pessoalmente das atividades políticas.

Instituto irá incentivar discussão na sala de aula

Além da excelente avaliação dos professores e da constatação de que 21% dos jovens não sabem dizer
o que é ética, outro dado bastante relevante apontado pela pesquisa chamou a atenção do ETCO: para
87% dos jovens, conversar sobre o tema com familiares e amigos faria a sociedade brasileira se tornar
mais ética.

Para fomentar essa importante discussão, o ETCO desenvolveu uma plataforma online
(www.eticaparajovens.com.br) que servirá de apoio para que docentes comecem a discutir o tema em
sala de aula. A ferramenta foi lançada hoje, em evento realizado em parceria com a Secretaria de
Educação do Estado de São Paulo, e já está disponível para docentes de todo o País.

Acreditando que os professores e os jovens podem impulsionar uma transformação ética em seu entorno
e na sociedade brasileira, o site apresentará sugestões para ativar as reflexões e ações sobre ética na
escola. Ele contém sugestões de atividades para professores de Ensino Médio realizarem em sala de
aula, além de materiais e links para aprofundamento da discussão. O conteúdo poderá ser facilmente
adaptado para o Ensino Fundamental II.

As atividades do site não buscarão “ensinar” o que é ético e o que não é ético. Elas têm a intenção de
provocar a autorreflexão dos jovens sobre como formulam os seus próprios parâmetros éticos e as
razões pelas quais suas condutas estão – ou não estão – em consonância com esses parâmetros. “O
Brasil está passando por um momento inédito, com diversos casos de corrupção sendo revelados e
seus responsáveis, punidos. É possível que este seja o início de um ponto de inflexão para a ética no
14
Brasil. Para que isso ocorra, porém, será necessário questionar os parâmetros éticos da sociedade
brasileira, incluindo cada um de nós. Os professores serão importantes protagonistas neste processo
de transformação por serem vistos como profissionais éticos e por influenciarem milhões de estudantes
pelo País”, avalia Vismona.

Disponível em: <http://www.etco.org.br/etco-na-midia/90-dos-jovens-consideram-sociedade-brasileira-pouco-ou-nada-etica-aponta-datafolha-


em-estudo-para-o-etco/> Adaptado. Acesso em: 20 jul. 2018.

Prosseguindo nesta jornada de reflexões e constatações sobre ética e sociedade, deparamo-


nos com questões de extrema relevância e gravidade que tem atingido, sobretudo, os jovens,
colocando-os em situações de vulnerabilidade social. Tais situações, muitas vezes, denunciam
o preconceito predominante na sociedade e a falta de medidas socioeducativas que lhes
assegurem o suporte necessário para a qualidade da sua formação. A partir dessa situação,
cabe a pergunta: de que forma a família e a sociedade têm contribuído para promover uma
formação humana íntegra na vida de adolescentes e jovens, evitando que caiam na
conformação e manutenção de trajetórias infracionais?

Como nossa sociedade mata a juventude – agora e no futuro

Mais um relatório aponta em números uma situação há muito conhecida no Brasil: o país mata seus
jovens. Realizado no contexto da Resolução da ONU - Transformando Nosso Mundo: a Agenda 2030
para o Desenvolvimento Sustentável, o estudo foi elaborado pela Fundação Abrinq para analisar a
condição atual de crianças, adolescentes e jovens brasileiros, de forma a apoiar políticas que poderão
modificar a situação de marcada vulnerabilidade e violência na qual a maior parte desse grupo vive.

O estudo aponta que, de cada seis pessoas mortas em 2015, uma tinha até 19 anos de idade. Esse
número mais que dobrou entre 1990 e 2015 - de 5.000 para 10,9 mil mortes. Especificamente em relação
às mortes por arma de fogo, crianças e adolescentes representam cerca de 20,7% do total de vítimas.
Ou seja, em 2015, uma em cada cinco pessoas mortas em consequência de disparos de arma de fogo
tinha menos de 19 anos, e eram, em sua maioria, adolescentes acima dos 15 anos de idade.

O relatório traz outro dado conhecido: os atos infracionais cometidos por adolescentes e jovens, em sua
maioria, não são contra a vida. A maior parte deles é qualificada como roubo (44,4% das infrações),
seguida pelo tráfico de drogas (6.350 ocorrências em âmbito nacional, ou 24,2% das infrações). Isso
permitiria levantarmos a hipótese de que os atos infracionais cometidos por eles promoveriam o acesso,
ainda que frágil e temporário, ao modo que mundialmente conhecemos de pertencimento social: a
aquisição de bens materiais e a possibilidade de frequentar espaços sociais que aqueles com os quais
nos identificamos frequentam. Mesmo modo de viver, com diferentes formas de acesso.
15
Em entrevista por ocasião do lançamento do relatório, Heloisa Oliveira, administradora-executiva da
Fundação Abrinq, afirmou a importância de tomarmos os indicadores associados à condição de
vulnerabilidade em articulação, uma vez que os adolescentes que cometem atos infracionais (e,
poderíamos acrescentar, que acessam o sistema de Justiça) estão entre a população mais pobre e
afetada pela falta de acesso a direitos básicos – como saneamento básico e água potável. Se não é
determinante que aquele que sofre violações será, também, um violador de direitos, o que as
informações do relatório apontam, e as experiências de trabalho que temos feito no Instituto Sou da Paz
fazem notar, é que, para crianças e adolescentes, as violências das mais diferentes formas sofridas ao
longo da vida, a desigualdade social marcante e o não reconhecimento do valor de suas vidas impactam,
sim, na conformação e na manutenção de trajetórias infracionais.

Em relação às medidas socioeducativas, o relatório dá destaque a uma espécie de afunilamento no


tratamento oferecido aos jovens de diferentes classes sociais, raça e gênero. E aponta, também, que,
antes que se determine uma relação causal entre pobreza e criminalidade, há que se considerar renda
e raça como fatores que tornam ainda mais vulneráveis e estigmatizados determinados grupos de
pessoas. Ou seja: ser pobre e ser negro não leva à entrada do jovem no universo criminal, mas esses
fatores ampliam a condição de vulnerabilidade social. Tomados, com frequência, pelo sistema de Justiça
como indicadores de um “potencial criminal” que estaria mais acentuadamente nesses adolescentes do
que nos brancos e pertencentes à classe média alta, esses fatores, de acordo com o relatório, implicam
um acesso desigual à Justiça e a situações que promovem outras experiências de vida – mais saudáveis
para si e para suas comunidades.

Isso significa que uma rede de ações e determinados atores são mais fortemente direcionados a atuar
junto à população jovem, negra e pobre. Podemos citar como exemplo a abordagem policial cotidiana a
adolescentes pobres e negros e a aplicação preferencial de medidas socioeducativas de internação e
semiliberdade (as únicas que significam a privação da liberdade) a eles. A classificação de determinados
adolescentes como “suspeitos em potencial”, tão difundida na sociedade brasileira, se não leva à
execução do ato infracional, possui uma força simbólica que não permite outras experiências. Ela soma-
se, ainda, às condições estruturais que, isoladas, produzem condições de vulnerabilidade: fome, falta
de moradia adequada, não acesso à educação escolar e ao trabalho qualificado.

O Instituto Sou da Paz vem atuando há pelo menos dez anos com infância e juventude em situação
marcada de vulnerabilidade na cidade de São Paulo. Há três deles, atua diretamente com adolescentes
em cumprimento de medidas socioeducativas e com profissionais que os atendem. Os desafios que
testemunhamos para o efetivo cumprimento da medida socioeducativa são inúmeros – muitos deles
apontados pela Abrinq. Eles estão relacionados à responsabilização do adolescente, e, também, ao que
poderíamos descrever como seu desenvolvimento social.

Observamos que os adolescentes encontram dificuldades para transitar no bairro e fora dele. Assim não
conseguem ampliar seu repertório cultural e de experiências desvinculadas ao universo criminal. A
própria comunidade tem medo e não consegue se relacionar com o jovem que passou por medida
socioeducativa de internação e, em muitos casos, o cumprimento da medida é disputado com a
maternidade, a paternidade ou o emprego que precisam ser assumidos pelos adolescentes para
sustento do lar. É urgente fazer uso dos dados apresentados a fim de tornar ainda mais clara esta
fotografia sobre uma sociedade que, ao matar sua juventude, elimina as chances de uma vida digna
agora e no futuro. Devemos tomar os dados em articulação a fim de que se saiba que somos todos
afetados por essa dura realidade, que pode e deve ser alterada.

*Beatriz Saks, coordenadora de projetos da área de Prevenção da Violência do Instituto Sou da Paz.

Disponível em: <https://www.nexojornal.com.br/ensaio/2018/Como-nossa-sociedade-mata-a-juventude-%E2%80%93-agora-e-no-futuro>


Acesso em: 23 jul. 2018.

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Tratar sobre ética e sociedade implica, inevitavelmente, em considerarmos mais de perto a
grande questão-chave: os Direitos Humanos. Os textos a seguir apresentam recortes temáticos
variados que trazem informações pertinentes sobre este importante e complexo assunto,
remetendo-nos à diversidade do universo humano. Vamos, então, direcionar o foco para essa
diversidade e refletir sobre até que ponto os Direitos Humanos têm garantido às pessoas, no
mínimo, uma vida digna e de qualidade. Como, por exemplo, os direitos humanos têm sido
aplicados na vida dos idosos, dos indígenas, dos afrodescendentes, dos autistas? Diferentes
idades e histórias de vida. Variados contextos e diversas culturas. Situações singulares. Seja
como for, em suma, não importam as diferentes camadas sociais, sexo, idade, religião,
ideologia política, os Direitos Humanos são referentes a todos, independentemente das
inúmeras diferenças biológicas e culturais, visto que todos são humanos, todos possuem os
mesmos direitos e garantias, ou seja, a diferença não deve importar em discriminação, mas em
uma sociedade pluralista e inclusiva.

Direitos Humanos – sociedade de todos os homens


Um aspecto relacionado à conscientização dos cidadãos quanto a Direitos Humanos se interliga
totalmente ao princípio da dignidade humana, como valor supremo. E um pensador que de forma
esplêndida refletiu sobre a dignidade humana foi Kant, que ressaltou:

[...] “o ser humano e, de modo geral, todo ser racional,


existe como um fim em si mesmo, não simplesmente
como meio do qual esta ou aquela vontade possa servir-
se a seu latente [...] Os entes, cujo ser na verdade não
depende de nossa vontade, mas da natureza, quando
irracionais, tem unicamente um valor relativo, como
meios, e chamam-se por isso coisas; os entes racionais,
ao contrário, denominam-se pessoas, pois são
marcados, pela sua própria natureza, como fins em si
mesmos; ou seja, como algo que não pode servir
simplesmente de meio, que limita, em consequência,
nosso livre arbítrio”. (KANT apud COMPARATO, 2010,
p.33-34).

Assim, a dignidade humana coloca em pauta o valor inerente a todo homem, este que não possui um
preço, mas sim valor, que diz respeito à própria natureza humana, constituindo-se pessoa e não em
coisa, de forma alguma podendo ser meio para objetivos; o objetivo maior seria justamente o respeito e
proteção à pessoa humana, única, insubstituível.

“E a importância quanto a cidadãos conscientes da relevância dos Direitos Humanos irá caminhar na
lógica referente que todos os homens possuem direitos, prerrogativa de sua própria natureza, que não
pode desta forma haver homens destituídos de direitos, principalmente dos fundamentais. E é neste
sentido que Hannah Arendt defende a cidadania como direito básico, resultando na máxima de uma
sociedade plural em que todos os homens devem possuir: o direito a ter direitos!” (HANNAH apud
LAFER, 1988, p.162).

Conhecer os Direitos Humanos, e mais, lutar por eles têm que resultar em uma fase mais complexa,
que é justamente educar-se hodiernamente em Direitos Humanos, lembrar-se que vivemos em uma
comunidade pluralista e que sermos diferentes implica igualmente em diferenças alheias.

Quanto à diversidade, inerente a toda sociedade, Hannah Arendt, principalmente ligada à questão da
condição humana, possui argumentos sólidos contrários à ideia de homens iguais, sem diferenças, em
um âmbito social sem pluralidade, que não possui nenhuma lógica razoável, como ressalta:
17
[...] reflexão de Hannah Arendt tem como nota constante tanto o horror à unidade, que não capta a
diversidade e a pluralidade, quanto a contestação a um conceito monístico do homem, que só vê na
diversidade e na pluralidade epifenômenos do Ser. É por isso também que ela inovou substantivamente
o pensamento político ao fazer da natalidade a categoria central da política, explicativa e constitutiva da
liberdade: “O fato de que o homem é capaz de agir significa que se pode esperar dele o inesperado,
que ele é capaz de realizar o infinitamente improvável. E isto, por sua vez, só é possível porque cada
homem é singular, de sorte que, a cada nascimento, vem ao mundo algo singularmente novo”.
(HANNAH apud LAFER, 1988, p.181).

Neste mesmo sentido configura o pensamento de Fábio Konder Comparato:

“[...] a parte mais bela e importante de toda a História: a revelação de que todos os seres humanos,
apesar das inúmeras diferenças biológicas e culturais que os distinguem entre si, merecem igual
respeito, como únicos entes no mundo capazes de amar, descobrir a verdade e criar a beleza. É o
reconhecimento universal de que, em razão dessa radical igualdade, ninguém – nenhum indivíduo,
gênero, etnia, classe social, grupo religioso ou nação – pode afirmar-se superior aos demais.”
(COMPARATO, 2010, p. 13).

Desta forma, a educação em Direitos Humanos serviria justamente para reconhecermos que somos
seres iguais, independente das diferenças. Devendo resultar em um maior respeito em relação à
diversidade e não na exclusão de grupos transformando-os em minorias, afinal, somos todos humanos,
nem superiores e nem inferiores.

É neste sentido, quanto às minorias, que Norberto Bobbio aponta uma solução para o que seria uma
sociedade composta de diferentes, no entanto, com respeito a tais diferenças por meio da tolerância,
que ele conceitua: “[...] o conceito de tolerância é generalizado para o problema da convivência das
minorias étnicas, linguísticas, raciais, para os que são chamados geralmente de “diferentes”, como, por
exemplo, os homossexuais, os loucos ou os deficientes.” (BOBBIO, 2004, p.206).

Norberto Bobbio, para constituir uma sociedade, pluralista e inclusiva, apresenta a tolerância em dois
sentidos para tal conquista:

“Tolerância em sentido positivo se opõe a intolerância (religiosa, política, racial), ou seja, à indevida
exclusão do diferente. Tolerância em sentido negativo se opõe a firmeza nos princípios, ou seja, à justa
ou devida exclusão de tudo que pode causar dano ao indivíduo ou à sociedade.” (BOBBIO, 2004, p.213).

Em suma, somente por meio de uma educação pautada nos Direitos Humanos é que se pode obter uma
sociedade pluralista, fraterna, que faça jus à ideia de direitos ligados a todos os homens, na qual as
diferenças, sejam elas biológicas ou sociais, não desconstituem a igualdade da natureza humana.

Educar-se em direitos humanos

A educação dos cidadãos em Direitos Humanos ocorre pelo processo de cognição, isto é, onde a
transmissão de conhecimento pode ser um dos instrumentos hábeis para tal objetivo. E uma das
características de individualização do ser humano é sua capacidade racional, de pensar, questionar e
conhecer, na qual, deve resultar em soluções para uma sociedade mais humana.

E a informação, direito fundamental, por meio da educação em Direitos Humanos, além de contribuir
para uma cultura de cidadãos críticos quanto a seus direitos, é um instrumento para objetivar uma
cidadania mais ativa, afinal, conhecendo seus direitos poderão exercê-los, lutarem por sua efetivação e
denunciarem violações aos Direitos Humanos que não podem se perpetuar.

18
Assim, educar-se em Direitos Humanos seria se propor a conhecer os direitos e garantias fundamentais
inerente a todos os cidadãos, percebendo que os limites dos direitos estão nos direitos de outrem, bem
como reconhecendo que a diferença é intrínseca aos seres humanos.

É preciso, pois, não nos deixarmos ser seres supérfluos (descartáveis), como diria Celso Lafer (1988,
p.113) nas palavras de Hannah Arendt, necessário termos consciência da importância dos Direitos
Humanos, e principalmente lutarmos para sua consolidação, pois como ressalta Norberto Bobbio: “[...]
os direitos do homem, por mais fundamentais que sejam, são direitos históricos, ou seja, nascidos em
certas circunstâncias, caracterizadas por lutas [...]”. (BOBBIO, 2004, p.25).

Desta forma, se apresenta explícita a importância de documentos que ao longo do percorrer histórico
promulgam os Direitos Humanos, tais como: Declarações de Direitos da Revolução Francesa (1789);
Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948); Convenção Europeia dos Direitos Humanos (1950);
Pactos Internacionais de Direitos Humanos (1966); Convenção Americana de Direitos Humanos (1969),
etc. (COMPRATO, 2010).

Tais documentos devem ser valorizados, justamente pela tamanha importância de se fortalecerem os
direitos, se apresentando como fontes históricas para a educação em Direitos Humanos.

Seria o que ressalta Norberto Bobbio (1992, p.43), em sua obra a Era dos Direitos, que a grande questão
referente aos direitos fundamentais não é mais sobre seus fundamentos, mas justamente sobre a sua
efetivação, necessário que os direitos passem da teoria para o plano concreto. Desta forma, mais do
que ressaltar a importância dos Direitos Humanos, que também é notória no campo estatal interno dos
direitos fundamentais, necessário lutar pela sua real efetivação.

Assim, Bobbio enfatiza que quanto aos direitos humanos, mais do que tentar enquadrá-los em
fundamentos absolutos é justamente partir para o campo de sua efetivação, de sua proteção: “O
problema fundamental em relação aos direitos do homem, hoje, não é tanto de justificá-los, mas o de
protegê-los. Trata-se de um problema não filosófico, mas político.” (BOBBIO, 1992, p.43).

Mas para que os direitos fundamentais sejam efetivados, é necessário, justamente, educar-se em
Direitos Humanos, é preciso que os cidadãos reconheçam que todos são portadores dos mesmos
direitos e deveres, que é preciso respeitar para se exigir respeito, que de forma mais altruísta se
resumiria em: “cuidar do outro é cuidar de si mesmo”. Corroborando, tal educação não apenas neste
aspecto, mas de forma prática na melhoria de condição de vida das pessoas, com o uso de políticas
públicas que reduzam a violência, pobreza, falta de acesso à saúde, à educação etc.

Hannah Arendt, em Origens do totalitarismo, relata o Caso Dreyfus, oficial judeu francês, que foi acusado
(inocentemente) e condenado por espionagem em favor da Alemanha, em 1894. Dreyfus por ser judeu,
o que não era visto com bons olhos, ao contrário, havia um ódio aos judeus, o que acarretou em uma
maior dificuldade para a defesa do oficial. Entretanto, entre os defensores de Dreyfus estava
Clemenceau, que com égide nos Direitos Humanos, proclamou: “[...] a violação dos diretos de um
homem era a violação dos direitos de todos os homens [...]”. (ARENDT, 2012, p. 167).

Esta aclamação de que ‘a violação dos direitos de um homem é a violação dos direitos de todos os
homens’, pode se resumir na essência dos Direitos Humanos, da necessidade de se respeitar os direitos
e garantias fundamentais, e mais, de lutar por sua efetivação em todos os segmentos, visto que é
indissociável que proteger o direito do outro é uma forma de proteger e fazer valer seu próprio direito.

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Neste âmbito, o educar-se em direitos humanos está totalmente interligado ao princípio da dignidade
humana, que inclusive é um dos fundamentos da República Federativa do Brasil, que fortalece a égide
de um Estado que se preocupa com o bem comum de seus cidadãos e que está comprometido com a
justiça social, e principalmente, como guardião dos direitos fundamentais que são indispensáveis para
se falar em uma vida digna.

No Brasil, há inclusive um Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos, que visa justamente
consolidar uma sociedade constituída de cidadãos ativos, que pelo conhecimento haja a formação crítica
de uma cultura na égide dos direitos humanos, resultando em indivíduos que conheçam seus direitos e
garantias, lutem por sua efetivação e saibam realmente a importância dos Direitos Humanos.

Conforme o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (2013, p. 18-19) entre os objetivos
visados neste aspecto com a educação dos cidadãos se encontra: destacar os Direitos Humanos como
forma de estabelecer uma sociedade justa, equitativa e democrática, estabelecer a transversalidade da
educação em direitos humanos nas políticas públicas, consolidação do Estado Democrático de Direito,
entre outros objetivos como elaborar políticas educacionais para se constituir uma cultura referente aos
direitos humanos.

E é justamente na área da educação que se pode alcançar os objetivos traçados para consolidar
cidadãos pautados em princípios de Direitos Humanos, conforme preleciona o Plano Nacional de
Educação em Direitos Humanos: “[...] universo da educação o espaço-tempo privilegiado para formar e
consolidar os princípios, os valores e as atitudes capazes de transformar cada ser humano, no humano
que queremos ver respeitado em todas as dimensões da vida.” (2013, p.11).

Assim, a educação em direitos humanos se estabelece na perspectiva de uma sociedade mais pluralista
e inclusiva se constituindo em um espaço para todos os homens sem segregações em grupos de
maiorias e minorias, desta forma, que ao se referir em Direitos Humanos haja de forma explícita a ideia
de proclamação e proteção de direitos inerentes a todos os homens.

Artigo produzido por Regiane Garcia de Souza.

*Referências no site.

Acesso em: <https://jus.com.br/artigos/62464/educar-se-em-direitos-humanos-para-uma-perspectiva-pluralista-e-inclusiva> Acesso em: 25


jul. 2018.

Ano de valorização e defesa dos direitos humanos da pessoa idosa

O ano de 2018 será instituído como o Ano de Valorização e Defesa dos Direitos Humanos da Pessoa
Idosa. É o que prevê o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 11/2018, aprovado em Plenário em 22/03/2018.
O texto vai à sanção presidencial.
A escolha do ano de 2018 se deu em razão da Convenção Interamericana sobre a Proteção dos Direitos
Humanos dos Idosos, celebrada pela Organização dos Estados Americanos (OEA) em 2015. O Brasil
está atualmente em processo de ratificação dessa convenção. O acordo encontra-se em análise na
Câmara dos Deputados sob a forma do Projeto de Decreto Legislativo 863/2017.
O PLC estipula que, em celebração ao ano, haverá palestras, eventos, ações conjuntas da
administração pública para incentivar a valorização do idoso, além de divulgação da convenção. O

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objetivo não é criar data comemorativa no calendário nacional, mas estabelecer marco para estímulo de
ações pelos direitos dos idosos.

O PLC prevê palestras, eventos e ações da administração pública para valorizar o idoso. Objetivo não é criar data comemorativa nacional,
mas estabelecer marco para estímulo de ações pelos direitos dos idosos

O senador Paulo Paim (PT-RS) lembrou que em 2018 são comemorados os 70 anos da Declaração
Universal dos Direitos Humanos e os 15 anos da aprovação do Estatuto da Pessoa Idosa (Lei
10.741/2003). Ele comemorou o acordo firmado entre Executivo e Legislativo para aprovação do projeto.
- Fico feliz que, num momento de tanto conflito no mundo político do nosso país, eu tenha participado
de um grande acordo entre Legislativo e Executivo por um projeto tão importante e que será votado por
unanimidade – declarou.
Disponível em: <https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2018/04/10/2018-e-o-ano-de-valorizacao-e-defesa-dos-direitos-humanos-da-
pessoa-idosa> Acesso em: 25 jul. 2018.

Não me chame de negro, diga afrodescendente

Sem dúvida, os europeus, herdeiros de uma tradição filosófica, bem o compreenderam, pois
efetivamente assumiram que mediante a atribuição de uma linguagem discriminatória seria possível
institucionalizar, transmitir e manter o racismo.
Neste contexto a linguagem se constituiu, sem dúvida, como um elemento significativo no processo de
construção de uma sociedade hierarquizada, instaurando-se como elemento de fomento, legitimação e
institucionalização das desigualdades.
Deste modo o termo “negro/negra” foi empregado para denominar as pessoas africanas sequestradas
e escravizadas, assim como aos seus descendentes (afrodescendentes) nascidos em territórios
americanos. Não obstante, a dita denominação cumpriria uma clara e definida função social, a qual
seria: diferenciar a todo o indivíduo não-europeu, desqualificando-o e subordinando-o pela cor da sua
pele.

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Assim, o “negro” foi associado ao mutismo, à invisibilidade, à ignorância, à noite e, em consequência, à
obscuridade como lugar inóspito por natureza, desolado, desagradável e cheio de vícios, em efetiva
contraposição com o branco.

Portanto, não é casualidade que nas nossas linguagens cotidianas e representações iconográficas, “o
negro” se encontre estreitamente associado às tipificações degradantes vinculando-o ao mal, à
desgraça, à desdita, ao prejudicial: o mercado negro (contrabando, venda, distribuição ou intercâmbio
clandestino e ilegal de serviços e bens), a quinta-feira negra (colapso da Bolsa de Valores de Nova
York), humor negro (satirização de situações sociais obscuras, dolorosas, polêmicas), um futuro negro,
um gato negro (símbolo de má sorte), dinheiro negro (aquele proveniente de atividades ilícitas), magia
negra (bruxaria), entre outros; os quais são só uma mostra do caráter significativamente vilipendiado da
negritude.
Não obstante, o termo “negro”, por si só, não possui uma carga negativa ou degradante do sujeito social,
pelo contrário, seria no contexto acima descrito de onde o foram atribuídas significações negativas e
pejorativas sobre a negritude. Por isso, se faz necessária a rigorosa diferenciação entre os conteúdos
simbólicos, bem como a distinção eficaz e eficiente entre as designações do sistema racista, pois sem
dúvida: “negro” não será o mesmo que “negregado”.
Ser “negregado” constitui sem dúvida um ato de diferenciação violenta e excludente. No entanto, apesar
da ingerência, da penetração, e dos intentos de desarticulação e erradicação da cultura africana
autóctone por parte do europeu escravagista, o “negro” nas nossas sociedades latino-americanas e
caribenhas permitiu a construção de uma identidade fundamentada na experiência racializada comum
(a descendência africana, o sequestro e a mobilização forçada como seu consequente e ainda a vigente
discriminação através da ideologia racista).
Portanto, devemos ser cautelosos(as) ao considerarmos a supressão absoluta do termo “negro” e a sua
substituição inquestionável pelo termo afrodescendente, fazendo-se necessário refletir se nos
encontrarmos perante uma diferenciação libertadora ou uma ressignificação excludente.
Os esforços dos pensadores(as) e líderes dos movimentos afrodescendentes deverão estar orientados
para apresentar aos atores sociais a origem destes conteúdos, seus significados, os contextos nos quais
surgiram e se manifestaram, sua carga ideológica, a partir da qual tanto o sujeito historicamente oprimido
como o sujeito tradicionalmente opressor possam compreender a gênese da sua situação e condição
de classe.
Desse modo, a libertação do jugo colonizador que ainda nos oprime só será possível na medida em que
aos atores sociais sejam facilitadas as opções e ferramentas historicamente negadas permitindo que o
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sujeito se encontre capaz de abordar a sua situação social específica e diferenciada, para além de
estabelecer os critérios para a construção de sua história, pensamento e identidade desde a sua
experiência, contextos e significados que lhe são confortáveis e comuns.
Tentar impor a afrodescendência como identidade única e absoluta será um ato transgressor, similar à
dinâmica operativa do europeu escravagista e explorador, degenerando no aprofundamento da situação
de estranho social deste grupo já socialmente discriminado e excluído.
A afrodescendência deve apresentar-se como um convite, um chamado ao conhecimento, à
identificação e, em consequência, ao autorreconhecimento. Caso contrário, a dignificação da negritude
e da descendência africana poderá se converter na tirania da afrodescendência.
*Esther Pineda G. Texto traduzido por Alberto Castro. Publicado en Afropress, Agencia de Información Multiétnica. Brasil, 2011.
Disponível em: <http://www.epgconsultora.com.ve/traducciones/nao-chame-de-negro-diga-afrodescendente> Acesso em: 24 jul. 2018.

Desmonte da política indigenista e militarização de abrigos para


indígenas migrantes são denunciados na ONU

Manifestações de estudantes indígenas e quilombolas contra corte de bolsa permanência em Brasília.

Mais uma vez, as políticas anti-indígenas do governo brasileiro e as violações aos direitos destes povos
foram denunciadas na Organização das Nações Unidas (ONU). Em manifestação conjunta durante a
38ª sessão regular do Conselho de Direitos Humanos, Franciscans International e Cimi chamaram
atenção para a paralisação das demarcações de terras, para o sucateamento da Funai e para a
militarização dos abrigos para povos indígenas em situação de migração na Amazônia brasileira.

As denúncias foram feitas durante o Diálogo interativo agrupado com o Relator Especial sobre pobreza
extrema, Philip Alston, e a Relatora Especial sobre Deslocados Internos, Cecilia Jimenez-Damary, nesta
sexta (22), em Genebra, Suíça.

A declaração das organizações no Conselho de Direitos Humanos apontou que o Parecer 001/2017 da
AGU, chamado de Parecer Antidemarcação, “torna impraticável o processo de demarcação de terras

23
indígenas”. A afirmação, presente em constantes denúncias feitas pelos povos indígenas do Brasil, é
corroborada pelo Ministério Público Federal (MPF), para quem o Parecer da AGU é inconstitucional e
deve ser anulado.

Austeridade e desmonte

As organizações também criticaram a atual política de austeridade e desmonte do Estado, materializada


por meio da Emenda Constitucional 95. A medida congela os gastos não financeiros do Estado brasileiro
por 20 anos, priorizando a remuneração de especuladores do capital financeiro, que hoje consome cerca
de metade de toda a arrecadação do país.

As denúncias ecoam as declarações do próprio relator especial da ONU sobre extrema pobreza, que
recentemente criticou as chamadas “políticas de austeridade”, alinhadas com a perspectiva neoliberal
de diminuição da proteção estatal aos mais pobres e idealizadas pelo Fundo Monetário Internacional
(FMI).

“Se há pretensão de responder efetivamente nos anos futuros aos desafios de um mundo em que tanto
a globalização quanto as democracias liberais continuam a ser atacadas, o FMI precisará de uma
mentalidade diferente”, afirmou Philip Alston, para quem a Emenda Constitucional 95 é uma “medida
radical, carente de toda nuance e compaixão”.

O desmonte da política indigenista no Brasil sustenta as organizações, baseia-se nesta mesma diretriz
e traz graves consequências aos povos indígenas, especialmente aos que ainda lutam pela demarcação
de suas terras.

Mulheres Warao em Pacaraima (RR). Foto: Elaine Moreira

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Povos transfronteiriços

Outro tópico trazido à reunião do Conselho foi a situação dos povos indígenas que migraram da
Venezuela ao Brasil, concentrando-se especialmente no estado de Roraima, onde enfrentam
a militarização dos espaços em que estão sendo acolhidos.

A situação, que afeta cerca de 700 adultos, crianças e idosos dos povos Warao e E’ñepa, tem gerado
conflitos e já foi denunciada por um conjunto de organizações da sociedade civil, em maio.

“O Brasil não pode militarizar os espaços de recepção e coagir as famílias a se separarem, sob o
pretexto da Segurança Nacional, violando as leis da migração, o devido processo e a organização social
autóctone”, ressaltaram as organizações.

No caso dos povos indígenas, foi destacado que as medidas de acolhimento precisam ser consentidas,
por meio de mecanismos de consulta prévia, livre e informada, e levar em consideração as suas
especificidades socioculturais.

Mais uma vez, Brasil mascara os dados

O governo brasileiro reagiu às denúncias feitas no Conselho de Direitos Humanos da ONU. Em uma
réplica, defendeu a Emenda Constitucional 95 e disse que a Funai “permanece sólida e capaz de
continuar cumprindo sua missão constitucional de promover e proteger os direitos humanos
fundamentais” dos povos indígenas.

Em relação às demarcações, o Brasil afirmou que “462 terras indígenas demarcadas cobrem 13% do
território brasileiro, uma área maior que França, Alemanha, Bélgica, Luxemburgo e Holanda
combinados”.

Os dados apresentados pelo governo brasileiro, entretanto, deixam de fora o enorme passivo de
demarcações que existe atualmente no Brasil. São pelo menos 530 terras indígenas sem nenhuma
providência do Estado para proceder com sua demarcação e outras 300 estagnadas em alguma das
etapas do procedimento demarcatório, segundo o mais recente relatório de Violência contra os Povos
Indígenas no Brasil.

Além disso, em seus quase dois anos de governo, Temer segue como o presidente que menos
homologou terras indígenas: apenas uma, a Terra Indígena (TI) Baía dos Guató, no MT, em abril deste
ano.

“Trata-se de uma afirmação cínica do governo brasileiro, que cita terras já demarcadas –todas elas em
administrações anteriores ao governo Temer – e mascara o enorme passivo de demarcações,
paralisadas pelo Parecer da AGU e por uma Funai com orçamento congelado”, avalia o secretário
Executivo do Cimi, Cleber Buzatto. Para ele, o desmonte da política indigenista promovido pelo governo
Temer coloca centenas de comunidades indígenas em situação de vulnerabilidade, sob risco de
violência e conflitos.

O loteamento de cargos de direção da Funai para setores das bancadas ruralista e evangélica, inclusive
com denúncias de favorecimento de empresas, vem sendo denunciado por servidores e servidoras do
órgão indigenista.

25
Marcha durante o ATL 2018. Foto: Guilherme Cavalli/Cimi

Denúncias recorrentes

Em fevereiro deste ano, a violação dos direitos dos povos indígenas no Brasil já havia sido
denunciada no Conselho de Direitos Humanos da ONU pelo Cimi, que detém status consultivo na
organização internacional. Também naquela ocasião, o Brasil apresentou uma réplica às denúncias
apresentadas pela entidade, classificando-as como “alegações incompletas e enganosas”.
Ironicamente, a grosseira resposta da representação brasileira, que não permite tréplicas, veio na
mesma semana em que o Brasil foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos por
violar direitos indígenas, no caso Xukuru. “As declarações do Brasil na ONU não se sustentam quando
comparadas com a realidade dos territórios, das comunidades e do próprio órgão indigenista oficial.
Seguiremos denunciando internacionalmente a estratégia de dilapidação dos direitos indígenas no
Brasil”, garante o secretário executivo do Cimi.

Disponível em: <https://www.cimi.org.br/2018/06/desmonte-da-politica-indigenista-e-militarizacao-de-abrigos-para-indigenas-migrantes-sao-


denunciados-na-onu/> Adaptado. Acesso em: 24 jul. 2018.

O autista como sujeito de direitos


Segundo dados da Organização
Mundial da Saúde (OMS), uma em
cada 160 crianças tem diagnóstico de
Transtorno do Espectro Autista (TEA).
As pessoas com TEA encontram
diversas limitações nas atividades
diárias e na participação em
sociedade, motivo pelo qual sofrem
com a estigmatização e discriminação
e, muito comumente, privações em
questões de saúde, educação e
26
oportunidades de inserção social. Assim, os direitos da pessoa com autismo estão se consolidando de
forma significativa. A Lei 12.764/12, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa
com Transtorno do Espectro Autista, igualou os direitos da pessoa com TEA aos das pessoas com
deficiência. Dessa forma, as garantias previstas no Estatuto da Inclusão da Pessoa com Deficiência, Lei
13.146/15 – a Lei Brasileira de Inclusão –, também se aplica aos autistas.

Saúde

No âmbito da saúde, a criança com TEA têm direito ao diagnóstico precoce e ao atendimento
multiprofissional com médico, fonoaudiólogo, psicólogo, terapeuta ocupacional e medicamentos da lista
do SUS. Para ter acesso ao tratamento, o paciente deve ser encaminhado pelas Unidades de Saúde ou
pelos CAPS do seu município. Aos usuários dos planos de saúde é assegurado o tratamento com
terapias realizadas por profissionais da área da saúde, assim como é no SUS. Muitos contratos de
planos de saúde limitam o número anual de sessões de terapia, mas tais cláusulas são comumente
consideradas abusivas pelo Poder Judiciário, pois restringem o tratamento do paciente. Importante citar
que é proibida a recusa da contratação da pessoa com autismo pelos planos de saúde. Caso isso ocorra,
deve ser feita uma reclamação no site da ANS, que irá auxiliar na solução do caso.

Neste sentido, é comum surgirem dúvidas dos pais quanto ao dever de informar o diagnóstico do filho
ao contratar um novo plano de saúde. Quanto a isso, a lei é clara. A doença preexistente deve ser
relatada no momento da contratação. A omissão poderá ser considerada fraude, passível de rescisão
unilateral do contrato pela Operadora. Ao declarar o diagnóstico de autismo, o plano de saúde pode
exigir o cumprimento do período de carência ou cobertura parcial temporária pelo usuário.

Educação

No âmbito da educação, é direito do aluno com autismo a matrícula, preferencialmente, na rede regular
de ensino. É dever da escola regular adequar-se e efetivar a inclusão do aluno adaptando, dentre outras
coisas, materiais didáticos e provas. Isso no intuito de proporcionar a ele o mesmo conteúdo que os
direcionados aos demais alunos e, visando garantir igualdade de oportunidades, respeitar suas
condições, valorizar o seu potencial e promover progressos. Em casos analisados individualmente,
comprovada a necessidade, a escola pública ou privada deverá fornecer um acompanhante
especializado, sem custo extra para os pais. Para solicitar o acompanhante especializado, deve ser feito
o requerimento administrativo na escola, acompanhado de laudo médico, contendo o relato das
necessidades da criança. Em caso de recusa, a Secretaria de Educação deve ser informada.

A instituição de ensino deve tomar as medidas para preparar e capacitar os professores e


acompanhantes para o melhor desenvolvimento pedagógico e participação do aluno na escola. Neste
caso, é essencial a interlocução dos pais e terapeutas com a escola para aprimorar as adaptações e
permitir a efetiva inclusão para o melhor desenvolvimento do aluno.

Jornada de trabalho

No tocante à redução de jornada para os pais, houve um grande avanço na proteção e cuidado com os
autistas no final do ano de 2016. Trata-se da Lei 13.370/16. Nela, foi autorizada a redução da jornada
de trabalho sem necessidade de compensação ou redução de vencimentos para os funcionários
públicos federais pais de filhos com TEA. Tal mudança permite aos pais estarem presentes no
acompanhamento das necessidades e reabilitação diária dos filhos. Para solicitar tal benefício, o

27
funcionário deve fazer o requerimento administrativo ao órgão gestor, apresentando laudos médicos,
terapêuticos e exames para justificar a necessidade da redução da jornada. Caso seja negada ou o
percentual de redução seja inferior a 50%, cabe recurso judicial. Nas empresas privadas, até o momento,
não há lei que permita a redução.

Impostos

Além dos aspectos relatados acima, a isenção na compra de automóvel é também um benefício das
pessoas com diagnóstico de autismo, seja ela adulta ou criança. O pedido de isenção deve ser iniciado
com a impressão dos laudos e orientações nos sites da Receita Federal (IPI) e Receita Estadual (ICMS
e IPVA). Em seguida, deverão ser preenchidos e assinados por um médico, um psicólogo e o
representante de serviço médico vinculado ao SUS. O primeiro imposto a ser solicitado é o IPI. Após a
sua autorização, pede-se o ICMS, e então é feita a compra do veículo que vem com a isenção na nota
fiscal da fábrica. Após a entrega do carro, com o documento CRLV em mãos, é feito o pedido do IPVA.
E por fim, o veículo adquirido com o desconto em nome do autista precisa de autorização judicial para
a venda.

Transportes

Também foi incluído como direito da pessoa com TEA a aplicação da lei do Passe Livre - Lei 8.899/94 –
, a qual garante a gratuidade no transporte interestadual à pessoa com autismo que comprove renda de
até dois salários mínimos. Para solicitar essa isenção, deve comparecer ao CRAS - Centro de
Referência em Assistência Social do seu município. Em casos de passagem aérea para o autista que
precisa de auxílio durante viagem, seu acompanhante maior de 18 anos tem desconto médio de 80%
no bilhete. O pedido de desconto do acompanhante deve ser feito diretamente na empresa aérea
escolhida. O cliente deve imprimir e preencher o formulário MEDIF (encontrado em todos os sites das
companhias) e encaminhar o documento à empresa para análise da concessão do desconto.

INSS

A aposentadoria é um benefício apenas para quem contribui para o INSS. No caso da pessoa com TEA
que nunca tenha contribuído, existe um benefício assistencial, chamado BPC - Benefício de Prestação
Continuada, previsto na Lei 8.742/93, a Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS. O critério para a
concessão é a deficiência ser permanente e a renda mensal comprovada deve ser inferior a um quarto
de salário mínimo por pessoa da família. Para requerer o BPC, deve ser feita a inscrição no CadÚnico -
Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal e o agendamento da perícia no site do
INSS. Após a perícia, será realizada uma visita de assistente social. Caso seja negado o benefício, na
grande maioria por conta de a renda ser superior ao determinado em lei, cabe recorrer ao Poder
Judiciário, através do Juizado Especial Federal Previdenciário. Em alguns casos autoriza-se o benefício,
quando a renda familiar é somente pouco superior ao critério legal de um quarto de salário mínimo.
Diferente da aposentadoria, o BPC não gera pagamento de 13º salário, não se torna pensão para os
dependentes em caso de morte e não pode ser cumulado com outro benefício do INSS.

Curador

Por fim, é importante destacar a curatela que é a segurança jurídica do autista com mais de 18 anos. É
o ato do juiz que estende a responsabilidade dos pais para os cuidados com o filho que, ao atingir a
maioridade, não tem autonomia para gerir os atos da vida civil. Em alguns casos, a pessoa com autismo
não possui essa autodeterminação, especialmente para questões financeiras, decisões sobre sua
28
saúde, entre outras situações relevantes da vida cotidiana. Para situações como essa existe o instituto
da curatela, que autoriza os pais a tomar decisões pelo filho. Entretanto, esta só é concedida mediante
pedido judicial.

Estes são alguns dos mais relevantes aspectos acerca da proteção do direito dos autistas. Os direitos
aqui citados devem ser exigidos como um exercício de cidadania para superar “pré-conceitos” da
sociedade e, sobretudo, promover ao autista uma vida igualitária e inclusiva - respeitando suas
diferenças e necessidades individuais. Para a efetivação desses direitos, há órgãos de proteção tais
como o Ministério Público, a Defensoria Pública e os Conselhos Estaduais e Municipais dos Direitos da
Pessoa com Deficiência, que buscam assegurar o cumprimento das leis, dando efetividade à política
inclusiva dos autistas.

*Melissa Kanda e Renata Farah, advogadas especializadas em Direito Médico e à Saúde.

Disponível em: <https://www.gazetadopovo.com.br/justica/o-autista-como-sujeito-de-direitos-2kw2ka8srly9o9ye9t6fq7707> Adaptado. Acesso


em: 19 jul. 2018.

Pais lutam pelo direito de terem a casa pintada à semelhança do


quadro 'A Noite Estrelada' de Van Gogh para que filho autista
não se perca

Um casal da Flórida, nos Estados Unidos,


adotou uma solução original para evitar
que seu filho autista se perdesse ao voltar
para casa: contrataram um artista para
pintar toda a fachada do imóvel à
semelhança do quadro "A Noite
Estrelada", uma das obras mais famosas
do pintor holandês Vincent Van Gogh. O
filho, de 25 anos, tem fascinação por Van
Gogh. "Assim, se ele mencionar a casa de
Van Gogh, as pessoas podem ajudá-lo a
se localizar", afirmou a mãe Nancy
Nemhauser para a agência de notícias O casal Nancy Nembhauser e Lubomir Jastrzebski com o filho autista, do lado de fora
Reuters. da casa pintada segundo o quadro ‘A Noite Estrelada’, de Van Gogh.

Cidade pediu que a pintura fosse removida

A ideia, no entanto, gerou um problema. Em julho deste ano, a Prefeitura de Mount Dora, a cidade da
Florida onde fica a casa da família, afirmou que o mural violava o código de sinalização da cidade,
podendo distrair os motoristas. Pediram que a pintura fosse apagada e que o casal pagasse uma
indenização de US$ 10 mil (em torno de R$ 38 mil).

*Confira a matéria completa no site.

Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/geral-44911354> Adaptado. Acesso em: 23 jul. 2018.

29
Você já deve ter ouvido falar em “minorias”, mas sabe exatamente do que se trata? Após ler
este conteúdo, você compreenderá o que significa fazer parte de uma minoria, qual a
importância de dar voz às minorias em uma democracia e conhecerá algumas políticas
públicas voltadas às minorias no Brasil. E, logo de início, é importante esclarecermos: uma
minoria não está sempre em menor número na sociedade. Como assim? Então, por que é
chamada de minoria? Confira.

O que são minorias?


A palavra “minoria”, no sentido a que nos referimos aqui, não se atribui a um número menor de pessoas,
à sua quantidade, mas sim a uma situação de desvantagem social. Ou seja, apesar de muitas vezes
coincidir de um grupo minoritário ser realmente a menor parte da população, não é o fator numérico o
essencial para que uma população possa ser considerada uma minoria. São as relações de dominação
entre os diferentes subgrupos na sociedade e o que os grupos dominantes determinam como padrão
que delineiam o que se entende por minoria em cada lugar. Comportamentos discriminatórios e
preconceituosos também costumam afetar os grupos minoritários.

É importante frisar que não há consenso absoluto quanto ao conceito de minorias. Alguns teóricos
estreitam a definição, ao reduzir os tipos de características que podem definir uma minoria, por
exemplo. Outros afirmam que o termo não possui uma definição única e que sua intenção sempre
dependerá do autor que o está utilizando. Neste conteúdo, abordaremos o conceito de minorias mais
amplo, conforme a definição abaixo, do sociólogo Mendes Chaves:

“[A palavra minoria se refere a] um grupo de pessoas que de algum modo e em algum setor das relações
sociais se encontra numa situação de dependência ou desvantagem em relação a outro grupo,
“maioritário”, ambos integrando uma sociedade mais ampla. As minorias recebem quase sempre um
tratamento discriminatório por parte da maioria.”

Como reconhecer uma minoria?

As características podem variar para cada grupo minoritário, mas alguns elementos costumam ser
comuns às minorias, como:

 Vulnerabilidade: os grupos minoritários, em geral, não encontram amparo suficiente na


legislação vigente, ou, se o amparo legal existe, não é implementado de modo eficaz. Por isso,
é comum a luta desses grupos por terem sua voz mais escutada nos meios institucionais.
Exemplo: transgêneros.
 Identidade em formação: mesmo que exista há muito tempo e que tenha tradições sólidas e
estabelecidas, a minoria vive em um estado de ânimo de constante recomeço de sua
identificação social, por ter de se afirmar a todo o momento perante a sociedade e suas
instituições, reivindicando seus direitos. Exemplo: negros.
 Luta contra privilégios de grupos dominantes: Por serem grupos não-dominantes e, muitas
vezes, discriminados, as minorias lutam contra o padrão vigente estabelecido. Essa luta, na
atualidade, tem como grande marca a utilização das mídias, para expor a situação dessas
minorias e levar conhecimento para a população em geral. Exemplo: mulheres.
 Estratégias discursivas: As minorias organizadas, em geral, realizam ações públicas e
estratégias de discurso para aumentar a consciência coletiva quanto a seu estado de
30
vulnerabilidade na sociedade. Além das mídias já citadas, passeatas e manifestos também
podem são frequentemente utilizados. Exemplo: movimento LGBTQIA.

Exemplos de grupos minoritários

As minorias podem ser discriminadas por diversos motivos. Alguns exemplos são: étnicos, religiosos,
de gênero, de sexualidade, linguísticos, físicos e culturais. Em cada país ou região, diferentes
populações podem ser consideradas minoritárias, a depender dos grupos que dominam as instituições
do local, sendo que um mesmo grupo pode ser dominante em um lugar e minoritário em outro.

Os judeus, por exemplo, são o grupo hegemônico em Israel, mas podem ser considerados minoritários
em outros países, como nos que há predominância católica. Os curdos são considerados minoria na
Turquia, enquanto os descendentes de turcos são considerados um grupo minoritário na Alemanha. No
Brasil, podemos citar como exemplos de minorias mais conhecidas as populações negra, LGBTQIA,
de mulheres, indígenas e de deficientes.

Por que devemos proteger as minorias em uma democracia?

A fala comum de que a democracia é o governo da maioria nem sempre é ou deve ser verdade.
Os direitos humanos, como direitos fundamentais, devem ser considerados pela legislação de uma
nação e garantidos a todos os indivíduos. No caso das minorias, tal consideração é especialmente
importante, posto que se tratam de grupos já discriminados e tratados de modo desigual pela parte
maioritária.

Assim, é imprescindível que a democracia não considere somente o princípio da maioria, mas também
princípios de justiça social, concedendo espaços de fala para as minorias e realizando leis e políticas
públicas que atendam aos seus interesses e necessidades, mesmo que estes não correspondam aos
desejos da maior parte da população. Ao agir desse modo, o Estado colabora para a diminuição da
discriminação contra esses grupos minoritários e garante que toda sua população seja contemplada
com direitos fundamentais, como estabelecido na Constituição Brasileira, que será abordada em
seguida.

Como exemplo, pode-se citar o direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mesmo que a
maior parte da população de determinado país não concorde com esse tipo de união, o Estado pode
interceder em favor dessa minoria – no caso, a população LGBTQI – e conceder o direito, sem que tal
ato consista em uma violação da democracia.

Tratamento das minorias no âmbito internacional

Não só no âmbito nacional há preocupação com os direitos das minorias. Há uma variedade de Pactos,
Declarações e Convenções internacionais que tratam dos direitos desses grupos. Citaremos alguns
instrumentos da ONU (Organização das Nações Unidas) para ilustrar os instrumentos internacionais
existentes sobre o assunto:

 Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948: dispõe que “toda pessoa tem
capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção
de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra

31
natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição”, assim
estabelecendo a igualdade formal e os direitos fundamentais para todas as pessoas;
 Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio, de 1948: apesar de
não citar diretamente a proteção a grupos minoritários, entende-se que, historicamente, foram
eles os mais afetados por ações de extermínio e genocídio. Assim, a Convenção representou
um grande avanço na proteção dessas populações;
 Convenção da UNESCO para Eliminação da Discriminação na Educação, de 1960: dispõe
que os membros das minorias nacionais devem ter o direito de exercer as atividades educativas
que lhe sejam próprias, inclusive o uso ou ensino de sua própria língua, garantindo a preservação
de sua cultura;
 Declaração dos Direitos das Pessoas pertencentes a Minorias Nacionais ou Étnicas,
Religiosas e Linguísticas, de 1992: dispõe que “Pessoas pertencentes a minorias nacionais,
étnicas, religiosas e linguísticas têm o direito de desfrutar de sua própria cultura, de professar e
praticar sua própria religião, de fazer uso de seu idioma próprio, em ambientes privados ou
públicos, livremente e sem interferência de nenhuma forma de discriminação”, colaborando para
a garantia dos direitos de minorias étnicas, religiosas e linguísticas.

Minorias na legislação brasileira

A legislação brasileira raramente utiliza o termo “minorias” para caracterizar a situação de


vulnerabilidade de grupos minoritários no Brasil. Na Constituição Federal, por exemplo, o termo não
aparece em nenhum momento com esse significado. Entretanto, na própria Constituição e em outras leis
infraconstitucionais, são encontrados artigos que colaboram para que os direitos fundamentais das
minorias brasileiras, de modo geral, sejam assegurados. Citaremos alguns exemplos:

Constituição Federal de 1988

Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura
nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.
Parágrafo 1º: O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras,
e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional. […]
Art. 216: Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados
individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes
grupos formadores da sociedade brasileira.
Desse modo, a Constituição brasileira protege os direitos, principalmente, das minorias étnicas
existentes em seu território, garantindo seu apoio à cultura dessas populações.
Lei 2889/56

Essa lei, ao buscar prevenir o genocídio, colabora para a proteção das minorias, que, como já citado,
são as maiores vítimas desse crime. Ela estabelece punições para aquele que com intenção de destruir
no todo ou em parte, grupo nacional, étnico, racial ou religioso, como tal: a) Matar membros do grupo;
b) Causar lesão grave à integridade física ou mental de membros do grupo; c) Submeter
intencionalmente o grupo a condições de existência capazes de ocasionar-lhe a destruição física total
ou parcial ; d) Adotar medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo; e) Efetuar a
transferência forçada de crianças de um grupo para outro grupo.

32
Lei 7716/89

Essa lei estabelece punições para crimes resultantes de discriminação relacionada a raça, cor, etnia,
religião ou procedência nacional. Alguns dos crimes são: impedir acesso a serviços públicos, negar
contratação, impedir acesso a cargos públicos, deixar de atender cliente, impedir acesso a transportes
públicos, entre outros, por motivo de discriminação já citados. Como já comentado, as minorias são
alvos de discriminação e preconceito, portanto, ao buscar punir esses crimes, o Estado protege os
grupos minoritários.

Exemplos de políticas públicas para minorias no Brasil

Apesar de ainda termos um longo caminho em direção à efetivação dos direitos das minorias no Brasil,
algumas políticas públicas com esse propósito já foram realizadas no país, visando à proteção de grupos
minoritários específicos. Alguns exemplos são:

 As ações afirmativas para o acesso ao ensino superior, que possibilitam uma menor
desigualdade de oportunidades a negros, grupos étnicos e sociais minoritários;
 O Programa Nacional de Reforma Agrária, que, dentre outras ações, garantiu direitos mais
amplos às mulheres na titulação da terra, que passaram a ter preferência no recebimento dos
lotes;
 As ações afirmativas para maior participação feminina na política, estabelecendo, por exemplo,
a porcentagem mínima de 30% para candidaturas femininas em cada partido;
 As ações afirmativas que asseguram 20% dos cargos públicos a pessoas portadoras
de deficiência;
 Leis que propõem viabilizar o livre acesso de pessoas com deficiência a edificações e vias
públicas;
 As ações para reconhecimento da união entre casais homoafetivos, dentre elas: a Resolução
número 175/2013 da CNJ, que passou a permitir o casamento civil entre casais do mesmo sexo
e a aprovação recente, pela CCJ, do projeto de lei que reconhece sua união civil, garantindo
inclusive os direitos civis de sucessão ao companheiro. O projeto segue em trâmite
no Congresso;
 Entre outras.

Disponível em: <http://www.politize.com.br/o-que-sao-minorias/> Adaptado. Acesso em 04 jul.2018.

@BARRENECHEA69

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS

Confira:

http://www.onu.org.br/img/2014/09/DUDH.pdf

33
Consumir também é, ao menos deveria ser, um direito de todos. O artigo a seguir trata sobre o
estado de “retribalização” de quem faz uso - ou abuso - desse direito. O que define a nossa
personalidade? O que define e atribui sentido à nossa existência? Vale a pena pagar o preço
para ser aceito socialmente? Somos manipulados pela sociedade de consumo, a ponto de
criarmos demandas de nós mesmos, transformando-nos em mercadorias? Para pensar...

Consumo, Logo, Existo


A sociedade contemporânea, a qual
muitos definem como pós-moderna,
é uma sociedade caracterizada por
um discurso polissêmico. Dito de
outra forma, não há um sentido
próprio ao ser, tampouco à vida.
Desse modo, cabe ao indivíduo a
busca por aquilo que lhe defina e,
consequentemente, lhe sirva de
norte, dada a sua extrema
liberdade. Apesar de toda essa
liberdade, existe uma lei, a qual
todos ainda devem seguir, a saber,
a lei do mercado. O mercado, assim,
se apresenta como uma forma de
sentido à vida, moldando a
“personalidade” dos indivíduos e
construindo os seus valores.

Na sociedade de consumo as mercadorias não possuem apenas o valor de uso e de troca (visão
marxista), mas, sobretudo, o valor simbólico. Isto é, os objetos passam a determinar um referencial para
as pessoas. Essa ideia é proposta pelo francês Jean Baudrillard, o qual aduz que os objetos possuem
signos, os quais são impostos pelo sistema hegemônico. Ou seja, a sociedade por meio do sistema
hegemônico, como a mídia, determina o valor que os produtos possuem, como slogans do tipo: “Se não
é um Iphone, não é um Iphone”. Dessa forma, somos retribalizados segundo o que consumimos, já que
não é a minha personalidade que me define, mas sim, o que eu consumo.

É nesse ponto que o mercado age, associando o consumo de determinados produtos com vidas bem-
sucedidas e felizes. Ao passo que aqueles que não consomem, ou consomem produtos “chinfrins” são
tristes, infelizes e perdidos na vida. O mercado utiliza-se, portanto, do consumismo para definir aquilo
que devemos ser (e ninguém projeta uma vida infeliz).

As mercadorias, nesse contexto, são analisadas pelo signo que comunicam – como uma vida bem-
sucedida – deixando de considerar a sua utilidade. Sendo assim, pouco importa se preciso ou não de
determinado produto, essa relação está obsoleta, devo considerar o seu valor sígnico, ou seja, qual a
mensagem que possuo ao consumir tal produto.

Nesse contexto de extrema liberdade, ser livre é poder consumir o que se deseja. Todavia, aceitando o
“consumo, logo existo”, como brinde ganhamos a lei do mercado, e nela você não é apenas consumidor,
é também mercadoria. Sendo mercadorias, como qualquer outra, somos analisados pelos signos que
possuímos perante a sociedade. Assim, à luz de Zygmunt Bauman, buscamos pelo consumo aumentar
o nosso valor sígnico, pois: “Na sociedade de consumidores, todos nós somos consumidores de

34
mercadorias, e estas são destinadas ao consumo; uma vez que somos mercadorias, nos vemos
obrigados a criar uma demanda de nós mesmos”.

Essa demanda de nós mesmos, como dito, é construída pelo que consumismos, posto que, em uma
sociedade onde os valores são determinados por aquilo que se consome, faz-se necessário consumir
para possuir valor, inclusive, enquanto indivíduos socialmente e sexualmente atrativos para o mercado.
E não se esqueça de que há sempre outras oportunidades no mercado acenando com valores maiores.
Desse modo, quando não consumimos, sobretudo, os produtos com valores sígnicos relevantes,
ficamos fora do mercado. Em outras palavras, não somos socialmente aceitos. No entanto, não vejo
sentido em adequar-se ou ser “socialmente aceito” por um sistema que cria escravos de si mesmos.

A tentativa de dar sentido à vida por meio do consumo parece-me uma tentativa frustrante, dado que
não se conseguiu estabelecer um sentido à vida das pessoas. Pelo contrário, fortaleceu a lei do
mercado, e aumentou ainda mais o vazio deixado pela morte de Deus e/ou da razão na medida em que
a lei do mercado transforma cada vez mais as pessoas em mercadorias e sem pessoa humana de
verdade é impossível estabelecer um sentido para a vida.

É claro que há de se considerar a possibilidade de que a vida não possua sentido. Mas esse não é o
cerne da questão, mas a tentativa de dá-la por meio do consumo, uma vez que apenas somos
retribalizados, excluídos e tratados sem grandes diferenças em relação a uma barrinha de cereal (ser
fitness está na moda).

Por trás do culto da liberdade pregado pela modernidade líquida, existem inúmeras ditaduras, como
essa, a qual altera de forma substancial o pensar e o agir das pessoas, distorcendo a realidade e
construindo uma hiper-realidade caracterizada pela perda do referencial de identidade, atendendo a
uma imposição econômico-cultural.

Sendo assim, vivemos, produzimos e consumimos artificialidades. Mas se você é um consumista


assumido (é difícil) não se preocupe, estamos em tempos líquidos, ninguém dá muita bola para nada.
Apenas cuidado, pois como a lei que lhe rege é a lei do mercado, talvez possa amanhecer em uma
vitrine em dia de liquidação.

Disponível em: <http://genialmentelouco.blogspot.com/2015/11/homens-na-vitrine-sociedade-de-consumo.html> Adaptado. Acesso em: 24


jul. 2018.

Trataremos agora sobre outro tipo de consumo bastante em evidência na sociedade. O


consumo de um novo perfil de ídolos. O novo perfil de ídolo que desponta como o preferido
entre os jovens brasileiros está no YouTube. Não é preciso gostar das mesmas coisas ou ter
ideias parecidas para influenciá-los. Beleza física também não é importante. O ídolo das novas
gerações é espontâneo, autêntico, original, inteligente e bem-humorado, segundo pesquisa que
você poderá conferir logo abaixo.

YouTubers fazem a cabeça dos jovens


Não por acaso, metade das personalidades mais influentes entre os adolescentes brasileiros já são
youtubers, aponta uma pesquisa inédita realizada pela consultoria Provokers a pedido do Google e do
jornal Meio & Mensagem. Além dos youtubers, os jovens admiram atores, atrizes e apresentadores da
TV. Mas há uma diferença fundamental entre as duas mídias. Enquanto o poder de influência da TV
depende de qual atração está no ar, os youtubers possuem uma relação mais constante com os jovens,
gerando capacidades de engajamento e mobilização muito maiores.

Seja Kéfera Buchmann com seu canal “5incominutos”, seja Leon e Nilce com “Coisa de Nerd”, o que os
youtubers oferecem faz muito mais sentido para as novas gerações. Eles produzem conteúdo original e

35
divertido, respondem a comentários, interagem diariamente com a audiência, pedem sugestões de
temas para os próximos vídeos. Em resumo: saem do pedestal tradicionalmente reservado aos ídolos e
se colocam no mesmo nível dos jovens.

Por que os youtubers oferecem o que os jovens querem

Os atributos que os adolescentes mais valorizam nos seus ídolos são características típicas dos
youtubers.

Autenticidade

Ser autêntico é fundamental para se transformar em um ídolo para os jovens. E, a julgar pelos canais
mais populares do YouTube, também é algo comum entre os produtores de conteúdo do site. Do ponto
de vista dos jovens, ser autêntico significa “ser você mesmo”. Tome como exemplo Iberê Thenório, do
canal “Manual do Mundo”. Seja em um vídeo gravado no estúdio ou numa viagem à Disney, o youtuber
não muda: apresenta-se da mesma maneira descontraída que tanto agrada seus fãs.

Espontaneidade

Embora as transmissões dos youtubers tenham evoluído do posto de vista técnico, o conteúdo
permanece livre e fluido. É praticamente impossível imaginar um youtuber lendo um texto pré-produzido.
Kéfera, por exemplo, volta e meia liga a câmera e fala sobre determinado assunto, sem saber
exatamente qual será o roteiro daquele vídeo. Esse despojamento é marca dessa nova relação do jovem
com o ídolo.

Inteligência

Ninguém quer apenas um rostinho (ou corpinho) bonito. Não por acaso, o critério “sex appeal” figura
entre as últimas posições da pesquisa para transformar alguém em ídolo. Para os jovens, as
celebridades do vídeo têm de ser inteligentes e oferecer conteúdo relevante. Não à toa, quatro dos cinco
36
youtubers mais populares dos adolescentes abordam temas, digamos, cabeçudos em seus canais,
como o “Manual do Mundo”, o “Canal Nostalgia” e, é claro, o “Coisa de Nerd”

Originalidade

O YouTube permite aos produtores de conteúdo criar qualquer coisa. Não há regras sobre duração,
conteúdo (desde que não haja material ofensivo), formato, temática. Essa liberdade criativa favorece o
surgimento de personalidades e formatos inovadores e originais.

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Bom humor

Ser bem-humorado é fundamental para atrair a atenção das novas gerações. Apresentar-se de modo
leve e descontraído parece ser a chave para se aproximar dos jovens. Não é de se espantar que todos
os youtubers citados na pesquisa sejam, em maior ou menor grau, divertidos e façam vídeos com muito
humor, como Felipe Neto e Kéfera Buchmann. Divertido mesmo e muito eficaz é imaginar a sua marca
se beneficiando de todos esses atributos e conectando-se diretamente com jovens de todo o Brasil.
Conheça o recurso Google Preferred, solução que reserva para você os 5% dos canais mais vistos,
seguidos e compartilhados do YouTube. Divididos em doze categorias temáticas, esses canais são
continuamente reavaliados com base em watchtime, curtidas, compartilhamentos e frequência.

*Para realizar o levantamento, a consultoria Provokers percorreu São Paulo (capital e cidades do
interior), Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador e Recife em busca de jovens com idade entre 14 e 17
anos e que tivessem familiaridade com TV e internet.

Disponível em: < https://www.thinkwithgoogle.com/intl/pt-br/advertising-channels/v%C3%ADdeo/youtube-teens/> Adaptado. Acesso em: 24 jul.


2018.

Suicídio. Consideramos relevante incluir este tema nesta Coletânea, pois quando nos lançamos
na tarefa de tratar sobre ética e sociedade, não podemos fechar os olhos aos inúmeros
problemas que nela ocorrem, sendo este que agora apresentamos, infelizmente, um deles.
Ocorrências dessa natureza têm despertado a preocupação das pessoas e da sociedade como
um todo, em virtude do crescimento de casos registrados, exigindo de nós mais informações e
mais atenção, no intuito de buscarmos medidas de prevenção e de tratamento das causas que
acabam por provocar este ato extremo de atentado à própria vida.

Contra suicídios, a importância do apoio social e do cuidado com


a saúde da mente

Depressão e transtornos mentais estão fortemente associados ao suicídio; no Brasil, há mais de 11 mil casos por ano, segundo Ministério
da Saúde.

Nana Calimeris escritora, até hoje se vê diante de momentos em que fica mais retraída e isolada, suscetível
a sensações de grande desilusão - e a pensamentos de suicídio. Aos 43 anos, a escritora enfrenta a
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depressão e a ansiedade desde a adolescência, época em que começou a desenvolver "uma vontade muito
grande de morrer. Me sentia uma pessoa horrível. A sensação era a de que eu estava respirando o ar que
deveria ser de outro ser humano." Casos recentes de grande repercussão de suicídio em colégios e
universidades, bem como a morte de celebridades como o chef e apresentador Anthony Boudain e a
designer Kate Spade - ambos no auge de suas vidas profissionais -, evidenciam a importância em falar
sobre o tema e diminuir o estigma em torno da saúde mental.

Os números também são alarmantes: a cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio no mundo,
totalizando quase 800 mil mortes por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, segundo
o mais recente boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, são mais de 11 mil suicídios por ano, e
alguns especialistas temem que haja uma subnotificação de casos. Não é possível saber o que está por
trás de cada uma dessas histórias, uma vez que o suicídio é multicausal, ou seja, não há um único fator ou
culpado. Mas especialistas apontam que, em grande parte dos casos, há um histórico de transtornos
mentais, diagnosticados ou não: depressão, ansiedade, esquizofrenia, bipolaridade, borderline (de
comportamento impulsivo e compulsivo), entre outros. "Não é possível reduzir o suicídio a uma única causa,
mas a depressão causa uma disfunção dos neurotransmissores do cérebro. É parte de um conjunto de
fatores psicológicos, culturais, físicos e bioquímicos", diz à BBC News Brasil Daniel Martins de Barros,
psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (IPq-HC), em São Paulo.

Momentos de isolamento e crise grave requerem atenção médica imediata; é importante estar atento

Associados a essas doenças estão os chamados "Ds": além da depressão, há "o desespero, desamparo
de grupo social, desesperança, desemprego, divórcio e dependência química. Quanto mais 'Ds', maior é o
risco de suicídio", explica à BBC News Brasil o psiquiatra Fabio Gomes de Matos e Souza, coordenador do
Programa de Apoio à Vida (Pravida) da Universidade Federal do Ceará (UFC). Diante disso, dizem os
especialistas, é preciso sempre cuidar da saúde mental com o mesmo empenho que nos ensinaram a ter
com o restante do corpo.

Corpo saudável

E isso começa por "ter uma vida saudável mesmo: sono adequado, alimentação adequada, atividades
físicas e evitar o isolamento social", explica Daniel Barros. "Os exercícios físicos aumentam as substâncias
do prazer - a seratonina, a dopamina e a noradrenalina -, que ficam em níveis baixos em pessoas
deprimidas", agrega Souza, do Pravida. "Então as atividades físicas funcionam como um escudo protetor.
A meditação, a ioga, a natação e o exercício na academia ajudam o corpo a ter mecanismos fisiológicos de
combate à depressão."

Foi o que Nana Calimeris aprendeu ao longo da convivência com a doença: ela usa a ioga e a meditação
para ajudar a conter a ansiedade. "Aprendi a respirar e a lembrar que as crises de ansiedade são cíclicas
e passam", conta à BBC News Brasil. "Algumas crises são longas. Mas, com a respiração (da meditação),
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elas duram menos e eu consigo distinguir meus pensamentos. Isso traz a consciência de que a angústia
talvez seja fruto da minha imaginação. Tem hora que dá certo, tem hora que não dá."

O momento mais crítico da doença de Nana foi aos 28 anos, quando ela se viu prostrada na cama com
uma crise de depressão profunda. "Eu não via saída para lidar com aquela dor", conta. Nana tentou se
matar, ingerindo uma dose cavalar de medicamentos. Felizmente, sua mãe a viu desacordada e a levou ao
hospital. Hoje, ela não espera mais chegar ao fundo do poço: "Quando começo a ter ideias suicidas, a
sensação de que não tenho possibilidade de aceitação, ou quando me jogo na comida, vou na mesma hora
ao médico, porque sei que não estou legal". A partir daí, com a ajuda do psiquiatra, ela dosa os
medicamentos e os combina com terapia. "Nenhum deles resolve (o meu problema) separadamente."

Transtornos mentais alteram a química do cérebro e podem causar disfunção na liberação de neurotransmissores específicos

'Guardiões da vida'

Um apoio crucial para Nana vem do filho de 18 anos, que aprendeu a distinguir os momentos em que a
saúde da mãe não está bem. "Ele vê quando eu começo a me isolar, quando deixo de sair, e me alerta",
conta Nana. Da mesma forma, pessoas atentas a sinais de isolamento de quem está ao seu redor podem
ajudar na prevenção ao suicídio, explica Souza, do Pravida.

Ele tem ajudado na formação de "guardiões da vida" em escolas, instituições públicas e empresas
cearenses. "Trata-se de um grupo atento e treinado para identificar pessoas que estejam faltando, se
isolando, chorando. E que se perguntem: 'será que ela está deprimida? Vou falar com ela'", diz o psiquiatra.
"É preciso ter esses guardiões também dentro da família, que percebam quando é hora de conversar, de
levar (o parente) para uma avaliação médica, para que dê tempo de tratá-lo."

Os sinais a prestar mais atenção são, segundo Souza e Barros:

- Mudanças de comportamento e perda de interesse pelas coisas de que a pessoa gostava;


- Crises de choro, ideias pessimistas e de nulidade;
- Comportamentos compulsivos ao extremo;
- Pessoas que perderam alguém de que tenham grande dependência emocional;
- Pessoas que já tenham histórico familiar de depressão e suicídio.

Casos assim têm de ser "avaliados imediatamente", adverte Souza. Mas como distinguir tristezas
passageiras de casos de alta gravidade? "Na dúvida, considere aquela pessoa em perigo", opina o
psiquiatra. "Pode ser uma tristeza, pode não ser. É bom buscar uma avaliação de um especialista em saúde

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mental. É melhor ter certeza, porque não podemos arriscar aquilo que não podemos (nos dar ao luxo de)
perder."

'Guardiões da vida' em escolas, famílias e empresas podem ajudar a identificar pessoas que estejam vulneráveis à depressão

Rede de proteção social

Ao longo do tratamento, as redes de apoio social têm um papel fundamental para pessoas com doenças
mentais. "Tenho amigos que são imprescindíveis", relata Nana. "Fez toda a diferença para eu ter um amigo
virtual com quem eu falava por Skype em momentos difíceis. Ele me ouvia mesmo quando eu me repetia;
ele lia os textos que eu escrevia. São pequenas coisas que fazem muita diferença."

Nesses momentos, o que um amigo deve ou não dizer?

Para Nana, os amigos ajudam ao serem genuinamente presentes. "É querer saber de verdade como você
está, e não apenas querer ouvir um 'estou bem'. É dizer 'estou aqui'. Tenho um amigo que me traz uma
lembrancinha sempre que viaja, e é algo que me toca profundamente", diz. "O que não ajuda, nos momentos
de depressão, é dizer 'vamos sair, vamos tomar um sol'. Não adianta. A gente não falaria isso para alguém
doente de câncer, então não adianta falar para alguém doente de depressão."

A escritora e psicanalista Paula Fontenelle, autora de Suicídio: O Futuro Interrompido - Guia para
Sobreviventes, acha que devemos evitar meias palavras se estivermos preocupados com um amigo
deprimido. "Uma amiga me telefonou certa vez, e notei que ela estava ligando para se despedir de mim.
Perguntei sem rodeios se ela estava pensando em tirar a própria vida. Ela desatou a chorar e contou que
sim, que já havia planejado tudo", diz Fontenelle, que acabou conseguindo que a amiga buscasse
tratamento, no qual está até hoje. "É preciso ser direto e ouvir sem julgamento, porque não tem certo ou
errado nessas horas. O que a pessoa quer é acabar com a própria dor, não necessariamente morrer. E
como a dor é muito grande e muita gente não tem com quem conversar, se você abre a porta para um
diálogo, já está ajudando muito."

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Há tratamento para transtornos mentais e ele é capaz de salvar vidas, diz psiquiatra

Na juventude, drogas e excessos digitais

Mundialmente, o suicídio já é a segunda maior causa de mortes de jovens entre 15 e 29 anos. E, no Brasil,
pesquisas indicam que a morte autoinfligida de crianças de 10 a 14 anos aumentou 65% entre 2000 e 2015.
É preciso lembrar que o cérebro juvenil está exposto a um desequilíbrio no amadurecimento: o hipocampo
e a amígdala, regiões cerebrais responsáveis pelos sentimentos e pelo armazenamento de emoções,
amadurecem mais rapidamente que o córtex pré-frontal, responsável pela regulação emocional e de
impulsos. Essa disparidade dura até os 25 anos de idade. "Temos de ensinar isso aos mais jovens: o seu
cérebro ainda está sendo gestado", opina Souza, do Pravida. "Quanto mais saudável o cérebro, menos
vulnerável ele estará à depressão e ao suicídio. E por isso é tão importante evitar álcool e drogas. Há uma
percepção de que a maconha é inócua, mas ela favorece a depressão, a esquizofrenia e o suicídio."

Essa faixa etária enfrenta ainda outro desafio moderno: a excessiva valorização da vida digital em
detrimento das relações presenciais. "Existe um desequilíbrio grande e uma ausência de espaços para
desabafar e conversar, em vez de apenas olhar a 'revista digital' do Instagram, onde você não vê quem
está mal ou sofrendo, porque essas pessoas estão sozinhas em seus quartos", diz o psiquiatra.

Abuso de substâncias químicas é um fator de risco para o suicídio - mesmo a maconha, percebida como inócua, pode favorecer a
depressão e a esquizofrenia

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Proteção e diagnóstico

Por fim, Souza destaca o papel das políticas públicas de prevenção, algo que passa por diminuir o tabu em
torno das doenças mentais e aumentar a proteção em edifícios e espaços públicos e privados - por exemplo,
grades em pontes e estações de metrô, redes protetoras em varandas públicas ou ao redor de escadarias.
"Há quem diga, 'ah, mas quem quer se matar vai encontrar um modo'. Mas como o suicídio tem um
componente muito forte de impulsividade, a dificuldade de acesso já vai ter um impacto", opina Souza.

O Ministério da Saúde tem uma "agenda estratégica" de combate ao mal, com a meta de reduzir em 10%
a mortalidade por suicídio até 2020 por meio de "ampliação da vigilância, prevenção e atenção integral",
mas Souza opina que são necessárias campanhas de Saúde Pública mais amplas, a exemplo do que é
feito com doenças infecciosas. "O Brasil tem campanhas sistemáticas contra a Dengue, que matou 200
pessoas no ano passado. Pelo suicídio morreram quase 12 mil", compara.

Do ponto de vista clínico, ele defende um prontuário único para pacientes do SUS, que permitisse
acompanhar o histórico de saúde mental de pacientes e a dosagem de medicamentos receitados - evitando
algo comum, que é um paciente obter o mesmo medicamento tarja preta de vários médicos e acabar tendo
em mãos uma dose potencialmente mortal. E ele ressalta que é possível, sim, tratar a depressão e a
intenção suicida. "Não nos deixemos levar pelo 'não tem jeito'. Tem tratamento sim, e é eficaz", diz.

Nana Calimeris se diz um exemplo disso. Nos últimos anos ela passou a se dedicar à carreira de escritora,
e seu livro A Biblioteca de Alexandria tem como personagem principal uma jovem que convive com a
depressão. "E pensar que eu estava disposta a ir embora sem ter realizado esse sonho de ser escritora",
pondera. "Por isso acho que é preciso sempre falar em prevenção. As pessoas julgam: 'mas essa pessoa
tinha tudo; por que ela se matou?'. Vai ver que ela se matou porque não deu conta. O suicídio existe e
precisamos falar a respeito."

Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/geral-44502692> Acesso em: 20 jul. 2018. Adaptado.

A jovem que está prevenindo suicídios ao colocar mensagens


de esperança em ponte na Inglaterra
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Paige Hunter, de 18 anos, escreveu


mais de 40 bilhetes e os pregou à
ponte Wearmouth, na cidade de
Sunderland, no nordeste da
Inglaterra e, segundo a polícia local,
suas mensagens edificantes já
ajudou a salvar a vida de pelo
menos seis das pessoas que
estavam contemplando o suicídio.
Um dos recados diz: "Mesmo que
as coisas estejam difíceis, sua vida
importa; você é uma luz brilhante
Paige Hunter, de 18 anos, recebeu um prêmio da polícia local
em um mundo escuro, então,
aguente firme". A chefe de polícia do condado de Northumbria, Sarah Pitt, disse que essa é uma "forma
inovadora de chegar àqueles que se encontram em uma situação ruim".

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Pitt afirmou ser importante encorajar pessoas a se abrirem sobre seus problemas e acrescentou:
"Paige demonstrou uma incrível compreensão de que pessoas em estado de vulnerabilidade precisam
de apoio". "Para alguém tão jovem, Paige demonstrou maturidade, e acreditamos que o certo seria
agradecê-la pessoalmente. Ela deveria estar muito orgulhosa de si mesma", disse Pitt.

A estudante recebeu das mãos da policial Pitt um certificado que a parabeniza pelo seu esforço com
esse mesmo objetivo. O prêmio entregue a ela diz: "Em reconhecimento à sua ação positiva que está
ajudando a prevenir o suicídio. Suas mensagens de esperança colocadas na ponte Wearmouth não
só levam à reflexão, mas confortam aqueles que estão enfrentando dificuldades ou em desespero.
Parabéns".

'A chuva não dura para sempre' - Sua postagem no Facebook sobre a iniciativa, de 28 de junho de
2018, já foi compartilhado quase 3 mil vezes e tem o mesmo número de curtidas. Na publicação, Paige
disse: "Vi recentemente posts sobre pessoas colocando mensagens em pontes, então, decidi fazer
isso em um lugar que não é o mais legal para mim, a ponte Wearmouth, já tive muitas experiências
ruins e não tenho vergonha de falar disso. Espero que essas frases ajudem pessoas a não cometerem
suicídio e saberem que vale a pena viver".

Entre as mensagens escritas por ela, estão frases como "Seja forte, pode haver uma tempestade
agora, mas a chuva não dura para sempre", "Pare e respire, há opções melhores, e muitas pessoas
que te amam" e "Você tem o poder de dizer 'não é assim que minha história termina'". "Desde que
coloquei as mensagens, recebi comentários de muitas pessoas. Elas disseram que isso foi muito
inspirador", disse Paige. "É simplesmente incrível a reação a tudo isso. Não estava fazendo para
receber um prêmio, era só algo que eu queria fazer."

‘Você não está só' é uma das 40 mensagens de Paige Hunter na ponte Wearmouth

Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/geral-44920014> Adaptado. Acesso em: 18 jul. 2018.

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Concluímos esta seção da Coletânea com um artigo capaz de promover uma visão para além
das circunstâncias, mais leve, capaz de renovar a esperança e resgatar sonhos. Talvez você
até consiga ouvir uma voz ecoando revigorante logo na primeira frase. Na verdade, uma voz
que vem de dentro de você e que precisa que você a ouça dizendo exatamente isto: “se
mudarmos o começo da história, mudamos a história toda”. E esse começo pode ser agora.
Por que não? Reviva a sua infância, ressignifique os fatos que marcaram essa fase e faça da
sua história um marco positivo para a sociedade. E se você tem filhos, certamente olhará para
eles com diferentes olhos a partir desta leitura. Aproveite-a e seja feliz!

A primeira infância e a construção de uma sociedade mais justa


Documentário 'O Começo da Vida', de Estela Renner, investiga a importância dos primeiros anos de vida como a chave
para o futuro

Se mudarmos o começo da história, mudamos a história toda. Esta frase resume o filme O Começo da
Vida, documentário de Estela Renner que estreia nesta quinta-feira (5) nos cinemas. Com base nas
recentes constatações científicas de que os bebês se desenvolvem a partir da combinação entre a sua
carga genética e as relações com as pessoas que os rodeiam, o longa-metragem trata sobre vários
temas ligados à primeira infância: a importância do acesso aos direitos básicos, do afeto, das
brincadeiras, da quebra dos papéis de gênero, do incentivo à amamentação, a educação para a
solidariedade etc.

Estela Renner: ‘O que nos une é o que desejamos para nossos filhos e o que nos separa é a condição que o ambiente nos dá para
proporcionar isso a eles’

Estela Renner, que também dirigiu Criança a Alma do Negócio e Muito Além do Peso (disponíveis
gratuitamente na plataforma on-line VideoCamp), visitou famílias de diferentes culturas, etnias e
classes sociais no Brasil, na Argentina, nos Estados Unidos, no Canadá, na Índia, China, Itália, França
e no Quênia para mostrar a importância dos vínculos afetivos nos primeiros anos de vida das pessoas.

Apesar de ter estado em lugares geograficamente distantes, o que estávamos buscando é o que nos
une. E o amor que temos pelos nossos filhos e o que sonhamos para eles é um laço que nos costura
enquanto humanidade. Ouvimos desejos idênticos de pais e mães em relação a seus filhos, mesmo

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separados por continentes e classes sociais. Aliás, o que nos une é o que desejamos para nossos
filhos; e o que nos separa, é a condição que o ambiente nos dá para proporcionar ou não isso para
eles, declara a diretora. A partir de entrevistas com especialistas e famílias, o filme propõe uma
profunda reflexão sobre o futuro da humanidade. Gostaríamos que este filme fosse assistido e se
tornasse ferramenta de transformação social para lideranças políticas, para lideranças empresariais,
sociedade civil, amigos e amigas. Enfim, gostaríamos que os conceitos impressos no filme –
criatividade, afeto, empatia, direitos humanos, licença parental, parceria, a importância dos
relacionamentos com os outros, com a natureza, a beleza, ética e moral, a importância do brincar –
fizessem parte da formação de nossa sociedade, afirma Estela.

Elas são o futuro

Um dos temas presentes no longa é a


desigualdade social. Leah Ambwaya,
ativista pelos direitos das crianças e
presidenta da Fundação Terry Children, no
Quênia, afirma que a pobreza nega às
crianças muitos dos seus direitos. E Dr.
Jack Shonkoff, do Centro de
Desenvolvimento da Criança da
Universidade de Harvard, nos Estados
Unidos, vai além. No filme, ele declara que
não é possível ajudar as crianças sem
ajudar os adultos que cuidam
delas. Crianças não são ajudadas por
programas, mas por pessoas. As consequências de não darmos às crianças o que elas precisam
custam muito caro para a sociedade, enfatiza o professor.

Outro tema abordado são as quebras dos papéis da mulher e do homem na criação dos filhos. Dra.
Vera Iaconelli, psicanalista e diretora do Instituto Gerar, afirma que o mais importante é que a função
de cuidar não seja uma imposição. As crianças precisam ser cuidadas. Esta é uma função inegociável.
Quem vai fazer isso, negocia-se. Então, cada cultura vai dar um destino para isso. A nossa cultura
está caminhando para pais que ficam na função que antes era das mães. Não tem nenhum prejuízo
nisso. Se ela respeita o desejo de cada um, seja do pai ou da mãe, está ótimo, porque é isso que a
criança precisa: de pessoas que cuidem bem dela a partir de um certo desejo de fazer isso e não de
uma imposição.

Uma das mães entrevistadas aponta que a sociedade em geral não reconhece a importância da
presença da mãe e do pai nos primeiros anos de vida da criança. “As pessoas perguntam para mim:
‘Quando é que você volta a trabalhar?’ É como se eu estivesse sem fazer nada este tempo todo. Você
cuidar dos filhos, dedicar um tempo considerável da sua vida para cuidar dos seus filhos é considerado
nada. Cuidar dos seus filhos significa que você está cuidando de pessoas que vão ser futuros cidadãos:
o sujeito vai votar, o sujeito vai botar fogo no índio ou não vai botar fogo no índio… Você está formando
a humanidade e isso é nada, absolutamente nada para a sociedade”, declara.

O Começo da Vida também mostra o contraste entre o desenvolvimento de crianças que têm todo o
conforto e todos os direitos garantidos e o de crianças como Phula, uma menina indiana que cuida
sozinha dos irmãos em uma comunidade carente que mora em condições precárias em meio a obras
em construção.
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Vera Cordeiro, médica brasileira, fundadora da Fundação Saúde Criança, deixa uma pergunta para
reflexão: "esse mundo investe em satélite, em diversas áreas, para conhecer novos planetas e ir para
Marte, para a Lua, para Urano… A gente não vai investir na condição humana, na humanidade que
está nascendo? Como a gente pode pensar em um mundo de paz, de colaboração, de bem-
aventurança onde o começo da vida não é levado em conta?", questiona. Ao equilibrar entrevistas com
especialistas e depoimentos pessoais, Estela Renner consegue fazer de seu filme uma espécie de
chamada global por um futuro mais inclusivo e mais gentil com todos.

Disponível em: <https://www.redebrasilatual.com.br/entretenimento/2016/05/filme-aponta-os-primeiros-anos-de-vida-como-a-chave-para-o-


futuro-269.html> Acesso em: 25 jul. 2018.

O Começo da Vida - Trailer Oficial

ASSISTA: https://www.youtube.com/watch?v=K93pR1z9jz0

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Filme e Documentário

A História dos Direitos Humanos

A História dos Direitos Humanos é um drama


sobre a luta persistente e o avanço contínuo,
muitas vezes, contra grandes obstáculos.
Com os direitos humanos vêm: a paz e os
meios para se alcançar a liberdade. Portanto,
é importante compreender o assunto dos
direitos humanos dentro da sua estrutura
histórica, uma tradição que se estende há
mais de 2500 anos. Este impressionante curta
metragem define, de forma simples e
consistente, a história de um dos assuntos
mais mal-entendidos do mundo: os direitos
humanos.

Acesse o link: https://www.youtube.com/watch?v=kcA6Q-IPlKE

Mãos Talentosas
Baseado em uma história real sobre Dr. Ben Carson, O filme
conta a história do menino pobre que se tornou neurocirurgião
de fama mundial.

Dirigido por Thomas Carter e produzido pela Sony Pictures,


"Mãos talentosas – A história de Ben Carson" conta a trajetória
deste médico, que se tornou diretor do departamento de
Neurocirurgia Pediátrica do hospital Johns Hopkins, aos 33 anos
de idade.

O jovem Ben Carson não tinha muita chance. Menino pobre,


negro, filho de mãe separada e analfabeta, Ben era um aluno
com baixíssimo rendimento, que sofria preconceito por parte de
seus colegas e que se achava completamente incapaz de ser e
conseguir algo na vida.

A mãe – uma mulher cristã, analfabeta e divorciada (devido à bigamia do esposo com quem havia
se casado aos 13 anos) – decide empenhar todo o esforço para ver seus filhos terem um outro
destino.

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Sua mãe nunca perdeu a fé em seu filho. Ela insistiu para que ele seguisse as oportunidades que
ela nunca teve, ajudou-o a expandir sua imaginação, sua inteligência e, acima de tudo, sua crença
em si mesmo. Essa fé seria seu dom – a essência que o levaria a perseguir seu sonho de tornar-se
um dos mais importantes neurocirurgiões do mundo. Quando sua mãe é chamada à escola por um
desentendimento de Ben com outro aluno, o diretor mostra o Boletim de seu filho a ela, que se vê
preocupada com o baixo rendimento dele. Sem desanimar, ela tenta descobrir o que o atrapalha.

Primeiramente descobre que seu filho precisa de óculos de leitura. Seguido disto começa a cobrar
de seus filhos (Ben e seu irmão) que eles estudem e corram atrás do que desejam, em vez de só
ficarem sentados esperando que as coisas “caíam do céu”. Começa a incentivar Ben a descobrir
seu potencial. Ele começa a melhorar e ser reconhecido na escola. Cresce e entra em umas das
faculdades mais prestigiadas dos Estados Unidos.

A história desse médico adventista é realmente inspiradora, Ben Carson superou sua juventude
problemática, com uma carreira de sucesso. Entrou para a história da medicina ao tentar um novo
método em uma cirurgia de separação de gêmeos siameses.

Em 1987, o Dr. Carson alcançou renome mundial por seu desempenho na bem-sucedida separação
de dois gêmeos siameses, unidos pela parte posterior da cabeça, uma operação complexa e
delicada que exigiu cinco meses de preparativos e vinte e duas horas de cirurgia. Com um time de
mais de 70 profissionais, em uma cirurgia de 22 horas, Dr. Carson conseguiu realizar com sucesso
a operação, que serviu como base para outros casos.

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Ben nos mostra o que o apoio e a força de vontade podem fazer. Mesmo sendo discriminado várias
vezes em sua vida, ele, através do apoio de sua mãe, acredita em seu potencial e corre atrás do
seu sonho.

Sua história, profundamente humana, descreve o papel vital que a mãe, uma senhora de pouca
cultura, mas muito inteligente, desempenhou na metamorfose do filho, de menino de rua a um dos
mais respeitados neurocirurgiões do mundo.

Disponível em: <http://muitoalem2013.blogspot.com.br/2015/09/filme-maos-talentosas.html> Adaptado. Acesso em: 24 jul. 2018.

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Textos Poéticos

Toda a Sociedade Está dentro de Mim


Fernando Pessoa, in 'Reflexões Pessoais'

Fazer qualquer coisa ao contrário do que todos fazem é quase tão mau como fazer qualquer coisa porque todos a
fazem. Mostra uma igual preocupação com os outros, uma igual consulta da opinião deles - característica certa da
inferioridade absoluta. Abomino por isso a gente como Oscar Wilde e outros que se preocupam com seres imorais ou
infames, e com o impingir paradoxos e opiniões delirantes. Nenhum homem superior desce até dar à opinião alheia
tal importância que se preocupe em contradizê-la.
Para o homem superior não há outros. Ele é o outro de si próprio. Se quer imitar alguém, é a si próprio que procura
imitar. Se quer contradizer alguém, é a si mesmo que busca contradizer. Procura ferir-se, a si próprio, no que de mais
íntimo tem... faz partidas às suas próprias opiniões, tem longas conversas cheias de desprezo e com as sensações
que sente. Todo o homem que há sou Eu. Toda a sociedade está dentro de mim. Eu sou os meus melhores amigos e
os meus verdadeiros inimigos. O resto - o que está lá fora - desde as planícies e os montes até às gentes - tudo isso
não é senão paisagem...

Limitado mas Completo


Johann Wolfgang von Goethe, in "Máximas e Reflexões"

O indivíduo mais limitado pode ser completo, se se move dentro das fronteiras das suas capacidades e das suas
disposições pessoais. Pelo contrário, acontece que aquilo que noutros são qualidades incomparáveis, podem ser
obscurecidas, apagadas ou mesmo aniquiladas, se se desfaz aquele equilíbrio imprescindível. E este mal há-de
tornar-se ainda mais evidente nos tempos modernos; pois quem será capaz de satisfazer as exigências de um
presente que não para de crescer e que aliás cresce cada vez mais depressa?

O Paradoxo do Outro
Johann Wolfgang von Goethe, in 'Máximas e Reflexões'

Há uma grande diferença entre viver com alguém e viver em alguém. Pessoas há em quem somos capazes de viver
sem que consigamos viver com elas. E há os casos inversos. Só uma extrema pureza do amor e da amizade está em
condições de juntar as duas coisas.
O homem só pode viver com os que se lhe assemelham. E ao mesmo tempo não pode viver com eles, porque não
suporta que alguém se lhe assemelhe eternamente.
Quando duas pessoas estão inteiramente satisfeitas uma com a outra, podemos ter quase sempre a certeza de que
estão ambas enganadas.

São os Sentimentos que Conduzem as Sociedades, não as Ideias


Fernando Pessoa, in 'Notas Autobiográficas e de Autognose'

As sociedades são conduzidas por agitadores de sentimentos, não por agitadores de ideias. Nenhum filósofo fez
caminho senão porque serviu, em todo ou em parte, uma religião, uma política ou outro qualquer modo social do
sentimento. Se a obra de investigação, em matéria social, é, portanto, socialmente inútil, salvo como arte e no que
contiver de arte, mais vale empregar o que em nós haja de esforço em fazer arte, do que em fazer meia arte.
“Gritos à tomada de consciência”

Nada estanca o sangue que jorrou,


Com os açoites da chibata do feitor,
De que adianta saborear de uma falsa liberdade
Se ainda segrega-se pela cor da pele uma sociedade?
Quantos vinte de novembro temos que esperar,
Para essa consciência se formar?
Triste daqueles que acreditam que a liberdade pode ser cedida,
Pois ela é um bem que não se ganha, se conquista.
É sob as marcas do passado que perduraram até agora,
Que a afrodescendência construiu sua própria história,
Descendência que segue presente dentro de grande parte de nós,
Camuflada, amordaçada, estereotipada e com pouca voz…
Voz essa inibida pelo preconceito e pela discriminação,

Que ecoam disfarçadas pela democracia racial da exclusão,


Demonizando terreiros, destruindo quilombos, criminalizando favelas,
Alimentando a estrutura que desrespeita culturas e promove as guerras.
Anos se passaram e ainda parece normalidade,
Ver as diferenças transformando-se em desigualdades,
A quem deve-se reclamar o direito,
De sair pelas ruas e não ser considerado suspeito?
Até quando a cor da pele vai contar mais?
Até onde os pré-julgamentos definiram as manchetes dos jornais?
Quando houver consciência que respeite a existência do índio, do afro e do branco,
Entenderemos as diversas cores, religiões e etnias tupi-guaranis, europeias ou bantos…

Quanto resta para entender que aqueles cujo, o navio vindo da África separou,
O Atlântico trouxe para uma terra que a outros povos juntou?
Não se trata de apagar da memória,
Toda aquela longa trajetória…
Mas é ter consciência a todo momento,
E não só no vinte de novembro,
Que o tempo tornou os sobreviventes do tráfico negreiro,
Em mulheres e homens afro-brasileiras e afro-brasileiros….

Jefferson Duarte Brandão

Disponível em: <https://feab.wordpress.com/2012/11/22/reflexoes-de-uma-consciencia-afrodescendente/> Acesso em: 24 jul. 2018.


Músicas

Novo Dia
Ponto de Equilíbrio

Um dia, outro dia, lá vem mais um dia


Eu não posso adiar
Pois no dia a dia este é o meu caminho
Eu não quero desviar

De vez em quando, de vez em quando esqueço


De vez em quando, de vez em quando esqueço

A importância de lutar
vivendo sempre o amor
Agradecendo a este dia que brilha
Presente igual não há

Não há, não há, não há, não há


Não há terror para quem sabe amar
Não há, não há, não há, não há
Não há terror para quem conectar à força de Deus
É pra quem sabe amar
E se conectar com a força de Deus
É pra quem sabe amar
Para ser não é só parecer
Para ser muito mais do que só aparentar e aparecer
Vamos nos aceitar
Viver no bem estar
Vamos nos redimir
Nos equilibrar
Dá pra ser muito mais
Vamos ser
Dá pra ser muito mais
Vamos ser, vamos ser, vamos ser, vamos ser
Give thanks for this bright
Sunny day (humm)
Gift like this there is no other (Oh, yes)
There is no fear
In those who love Jah (Jah, Jah)
To be a sun of the Almighty is not just an outer appearance

Disponível em: <https://www.vagalume.com.br/ponto-de-equilibrio/novo-dia.html> Acesso em: 25 jul. 2018.

Direitos Iguais
Ponto De Equilíbrio

Direitos iguais e justiça para o povo tupi guarani


E todas as etnias remanescentes daqui
Direitos iguais e justiça para o povo tupi guarani
E todas as etnias remanescentes daqui
1500, O homem branco em pindorama chegou
Muita riqueza natural foi o que encontrou
Um clima quente, um belo dia e um povo que vivia em harmonia
Ticuna, caiagangue, guarani-kwoa, juruna, caetes, xavantes e tupinambá
Do Oiapoque ao Chuí, no Brasil, testemunhos do maior crime que se viu
Muito ódio, muita maldade, a coroa mandou pra cá a escória da humanidade
Muito sangue, muita matança, esvaindo com toda esperança
Com sentimento de justiça o índio ficou, se levantando bem mais forte contra o opressor
Agora isso é o que importa na sua vida, usando a lança pra curar sua ferida
Direitos iguais e justiça para o povo tupi guarani
E todas as etnias remanescentes daqui
Direitos iguais e justiça para o povo tupi guarani
E todas as etnias remanescentes daqui
Eu te pergunto se essa luta adiantou,
Vendo que índio ainda não tem o seu valor
O cangaceiro do fazendeiro foi o primeiro que atirou
Mas foi tanta injustiça que o índio sofreu, que até hoje ele não tem o que é seu
Ele chora e pede ajuda, mas até hoje inda não venceu
500 Anos se passaram e nada mudou
Agora querem exterminar de vez com o que restou
Não dão valor a uma cultura mais antiga, mas vão pagar cada centavo na saída
Direitos iguais e justiça para o povo tupi guarani
E todas as etnias remanescentes daqui
Direitos iguais e justiça para o povo tupi guarani
E todas as etnias remanescentes daqui

Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=strULCWBdK0> Acesso em: 25 jul. 2018.


Tiras e Charges

Disponível em: <http://sociologia.hi7.co/desigualdades-de-genero-no-mercado-de-trabalho-56bea357154d2.html> Acesso em: 07 out 2016.


Disponível em: <http://www.juniao.com.br/chargecartum/> Acesso em: 12 set 2016.

Disponível em: <http://foconoenem.com/igualdade-de-genero-em-debate-no-sec-xxi/> Acesso em: 07 out 2016.


Disponível em: <http://photos1.blogger.com/blogger/7946/2941/1600/mafaldapreconceito1.1.gif> Acesso em: 12 set 2016.

Disponível em: <http://www.juniao.com.br/chargecartum/> Acesso em: 12 set 2016.


Considerações Finais

Na sociedade do conhecimento, olhamos para o outro, em sua diversidade, e deparamo-nos com uma
sociedade ainda preconceituosa. Concomitantemente, olhamos para o porão das nossas mentes e lá
encontramos, quem sabe, pré-conceitos cujas raízes não sabemos ao certo nem como, nem de onde
surgiram... Ou até sabemos, mas não assumimos qualquer responsabilidade diante dos fatos... Entretanto,
queiramos ou não, a nossa corresponsabilidade na construção dessa sociedade que aí está é inevitável.

Nesse sentido, a proposta deste material não foi apenas informar, mas, principalmente, incitar reflexões e
motivar questionamentos, pois o que acontece no lado de fora é um reflexo do que acontece no lado de
dentro. O que acontece na sociedade é um reflexo do que fazemos nela e por ela. Se a construção de uma
sociedade justa e solidária não está no ritmo que deveria, se a ética tem sido ameaçada a se tornar peça
em extinção, qual a nossa parcela de responsabilidade nisso tudo? Temos atuado, por exemplo, como
fiscalizadores das ações e projetos que envolvem gastos dos recursos públicos pelos governantes, conforme
firmemente proposto pelo OSB?

Sem a observação e a leitura crítica dos fatos, é


muito mais fácil apenas criticar, e quase
impossível apontar soluções. Sem a reflexão e
introspecção é muito mais fácil enxergar apenas
o cisco que está no olho do outro, e simplesmente
não enxergar a trave que está em nossos olhos,
impedindo-nos de propor soluções, impedindo-
nos de contemplar o outro que está por traz dos
fatos... Nesse sentido, é sempre oportuno
questionar... Como está a sociedade? Se a sociedade está doente, como as pessoas precisam ser tratadas
para que a sociedade tenha chances de cura? O que pensamos e sentimos pelo outro? Como vemos e
tratamos os outros? Que importância tem para nós os dilemas enfrentados pelo outro? Que participação
temos na história do outro? Como nos vemos diante do próximo e qual a nossa percepção acerca da nossa
individualidade e a do outro, ambos inseridos na coletividade? Como vai a sensibilidade humana diante dos
direitos humanos ainda tão distantes de serem cumpridos em sua totalidade e de que modo estamos
contribuindo para a construção de uma sociedade menos preconceituosa, mais superabundante de vida e
de relações interpessoais saudáveis? Nesse sentido, concordamos com a confissão de Mário Quintana. A
arte de viver e conviver resume-se em desafios diários. Desafios que podem, acima de tudo, aproximar a
sociedade que temos da sociedade dos nossos sonhos...

Esperamos que você tenha se feito essas e outras perguntas... Afinal, a razão de ser desta disciplina é
despertar em você a busca por respostas e, acima de tudo, é despertar em você o seu melhor! Que a partir
desta e de outras leituras qualitativas você se torne uma pessoa mais apaixonada pela vida, pela ética, pela
construção de uma sociedade na qual impere a vontade de participar e de ser em detrimento do ter. Acredite!
Você é capaz disso e muito mais!

Sucesso!

Organizadoras