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Fichamento do terceiro texto de américa III

A postura do governo Kennedy será pragmática: para implementar a política de


reformas estruturais, criará a Aliança para o Progresso (Alpro) e, para prevenir novas
experiências inspiradas na revolução cubana, a política de treinamento e apare-
lhamento das forças repressivas latino-americanas será reforçada

Nessa ocasião, Kennedy apresenta um programa de dez pontos que sintetizam os


objetivos da Aliança para o Progresso. Entre os principais pontos do programa destaca-
se a implementação de um Plano Decenal de desenvolvimento, com destinação de uma
verba de 500 milhões de dólares para "combater o analfabetismo, para melhorar a
produtividade e o emprego da terra, para exterminar as doenças, para derrubar as
estruturas arcaicas do sistema tributário e de posse da terra e para fornecer
oportunidades educacionais" (Kennedy, Alliance for Progress Address to Latin
American Diplomais, in May, 1964, p.234). O programa também prometia apoio à
integração econômica, propondo a criação de uma área de livre comércio, programas de
emergência de alimentos para a paz e intercâmbio científico entre as universidades.

No período 1950-1973, o PIB per capita da América Latina cresce a uma média anual
de 3,8%.

há uma deterioração na distribuição da renda, acompanhada de aumento dos índices de


subemprego informal urbano

Kryzanek, um pesquisador próximo do establishment da política externa dos Estados


Unidos, atribui os parcos resultados da Alpro a duas limitações originárias do meio
ambiente cultural da região - crescimento demográfico e resistência à mudança

Com o aumento dos conflitos na América Latina crescem as preocupações dos Estados
Unidos com a segurança

Diferentemente do governo Kennedy, que atribuía maior peso aos recursos públicos nos
programas de ajuda, a nova orientação prioriza os investimentos privados. Em 1965 é
criado o Conselho para a América Latina (CLA), por iniciativa de David Rockefeller,
do Chase Manhattan Bank, que congrega mais de 200 empresas dos Estados Unidos,
responsáveis por 90% dos investimentos na América Latina. A vinculação entre os mais
altos executivos dessas empresas com setores-chaves do governo norte-americano,
transmitindo um conhecimento pormenorizado da situação na região, torna esse
organismo cada vez mais importante como instrumento de articulação entre os
interesses do setor privado, a política externa dos Estados Unidos e os aliados nesses
países
Na América Latina, a opção pela segurança política fortalece as saídas não
institucionais, e a visão do Pentágono e da CIA passa a ter um peso maior na
caracterização dos amigos e inimigos dos Estados Unidos

O capital dos Estados Unidos estava presente nas plantações de cana-de-açúcar, nas
usinas, nas refinarias de petróleo, no sistema telefônico e no de eletricidade. A
dependência da exportação de um produto, em relação a um único mercado, limitava
enormemente as opções do novo governo, preocupado em viabilizar uma saída
alternativa à difundida sentença de que "sem cota não há país", sem comprometer o
estado de "simpatia benevolente" característico das reações iniciais dentro dos Estados
Unidos ante a revolução

Certas medidas elementares e instrumentais foram tomadas entre 1959-1960 ou até


1962-1963. A "expropriação dos expropriadores" teria de começar, logicamente, pelos
aproveitadores do regime ou pelos agentes externos e internos do capitalismo
neocolonial: a recuperação dos bens malversados; a primeira e segunda reformas
agrárias; a nacionalização do capital estrangeiro; e a nacionalização geral da indústria.
Por aí se fez o confisco, sob várias formas, e se pôs nas mãos do governo revolucionário
uma considerável massa de riqueza ... Também se apelou, complementarmente, para
outras medidas diretas ou indiretas de fortalecimento econômico do governo
revolucionário, como, por exemplo: a contribuição voluntária de 4% do salário, com
que os trabalhadores colaboravam na constituição de fundos para a industrialização, o
fomento da produção açucareira, etc.; o congelamento dos salários, decidido pelas
organizações sindicais; o controle das importações, a monopolização estatal do
comércio exterior, a centralização da política cambial, etc; o racionamento, a instituição
do acopio, etc. No conjunto, o governo revolucionário preparava ou estimulava a
criação de uma base econô- mica para certas medidas de grande impacto ou para o
alargamento de sua intervenção na economia, ameaçada pela resistência empresarial ou
pela represália dos Estados Unidos. (Fernandes)

A política de retaliação, no entanto, começa a delinear-se claramente a partir de 1960,


no fim da administração Eisenhower, aprofundando-se ao longo das administrações
Kennedy e Johnson. Em razão desse contexto, as respostas do governo cubano serão na
linha do ataque aos interesses econômicos estrangeiros e nacionais que promovem o
boicote à revolução, amadurecendo, no decorrer do processo, uma visão mais radical
sobre as alternativas em direção a um desenvolvimento independente.

Em outubro de 1963, a segunda reforma agrária adjudica ao Estado todas as terras


superiores a 67 hectares, passando a controlar 60% da propriedade agrícola. As
cooperativas criadas na primeira reforma são transformadas em granjas do Estado.
Em 1968 são nacionalizados os setores comerciais urbanos que ainda permaneciam em
mãos privadas.

O golpe militar de 1964 no Brasil.

O que nos interessa ressaltar nesse caso é o significado do pronunciamento militar como
marco da instauração de um modelo político e econômico que teve ampla repercussão
na Amé- rica Latina, inaugurando uma nova modalidade de intervenção das Forças
Armadas na política, em que já não se limitam a interromper uma situação conjuntural
de crise convocando eleições no menor prazo de tempo possível, senão que se apresen-
tam para o conjunto da sociedade como agentes da fundação de uma nova ordem, sem
prazos de saída, apenas com objetivos a serem cumpridos.

Nesse sentido, a descrição do período pré-1964 se limitará a uma análise do modelo de


desenvolvimento adotado a partir dos anos 50, os problemas de governabilidade, com
crescentes dificuldades de convívio desse modelo com a estrutura política herdada do
varguismo, e a percepção da crise por parte do governo dos Estados Unidos.

Com o aprofundamento da industrialização, há uma crescente necessidade de


importação de tecnologia, bens de capital e insumos, que ultrapassa a capacidade de
financiamento originá- ria das exportações. As fontes externas de financiamento, por
meio de investimentos diretos e endividamento, tornam-se decisivas. Ao lado do capital
estatal, o capital estrangeiro, especialmente de origem norte-americano, será um
importante sustentáculo do crescimento industrial do Brasil.

O grande salto no crescimento do país se faz também com endividamento externo de


curto prazo, cujos efeitos serão sentidos no próximo governo, que recebe uma pesada
herança: dé- ficit no balanço de pagamentos de 410 milhões de dólares; dívida externa
de 3,8 bilhões de dólares, dos quais 600 milhões com vencimento em 1961; déficit
previsto de um terço da receita para o orçamento de 1961; e inflação superior a 30% ao
ano em 1959 e 1960, o dobro da média anual do período 1950-1958.

A nova tendência aponta para uma retomada da política desenvolvimentista, cujo


esboço aparece com o Plano Trienal (1963- 1965). O plano coloca como objetivos
simultâneos a estabilização com controle da inflação e do déficit público, e crescimento
a uma taxa de 7% ao ano. A sua aplicação efetiva se limita ao primeiro semestre de
1963, mostrando-se ineficaz no combate à inflação, que ultrapassa os 80% nesse ano.

A Política Externa Independente iniciada com Jânio Quadros adquire características


mais definidas. O governo Goulart assume uma postura solidária com as lutas
anticolonialistas na África, defende os princípios da autodeterminação e não-
intervenção em relação a Cuba, estabelece relações com os países socialistas e se
posiciona a favor do ingresso da República Popular da China nas Nações Unidas.
No segundo semestre de 1963, os Estados Unidos bloqueiam créditos externos que
possam ser destinados a financiar o balanço de pagamentos do país, autorizando a
embaixada a assinar acordos separados com governadores e prefeitos (ver Bandeira,
1989, cap.IV), o que significa na prática o financiamento de adversários políticos do
presidente. Os setores empresariais retiram o apoio ao plano trienal, passando a exercer
uma postura francamente oposicionista.

Em 31 de março é desfechado o golpe, com pouca resistência. Em 29 de julho,


memorando da CIA caracteriza o pronunciamento militar como vitória contra o
comunismo.

A invasão da República Dominicana

Rafael Trujillo é assassinado e seu irmão Hector Trujillo renuncia ao cargo. A família
Trujillo detinha grande parte das industrias da Republica Dominicana, assim como
detinha 45% dos empregos, sendo que o Estado empregava mais 15%, e esse estava nas
mais da família Trujillo então chegava à 60% o número de empregos concedidos pelos
Trujillos.

Depois que Trujillo renuncia Juan Bosch assume a presidência do país através de
eleições. Em 25 de setembro, Bosch é derrubado por um golpe de Estado com
participação dos setores conservadores derrotados nas eleições, aliados às Forças
Armadas e com o apoio de empresas norte-americanas com filiais no país. Então a
república Dominicana passa a ser governada por um Triunvirato composto por
empresários, que expropriam os bens da família Trujillo. Os EUA convocam uma
reunião da OEA e, nessa reunião fica decidido que os EUA iriam intervir na República
Dominicana, com a justificativa de impedir um avanço comunista na região. Assim foi
feito, e, depois disso, foram feitas eleições e o candidato Trujillista Balaguer venceu.