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APOSTILA DE

FUNDAMENTOS DE
PREVENÇÃO DE
INCÊNDIO

Elaboração:

Andrio Matheus Colomby das Neves

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ÍNDICE

Página

CAPITULO 1 Introdução à prevenção de incêndio 3

CAPITULO 2 Noções do Plano de Segurança Contra Incêndio 5

e Pânico

CAPITULO 3 Sistema de extintores, iluminação e sinalização 13

de emergência

CAPITULO 4 Alarmes e detecção de incêndio 24

CAPITULO 5 Saídas de emergência e Brigada de Incêndio 26

CAPITULO 6 Isolamento de Risco 30

CAPITULO 7 Central de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) 32

CAPITULO 8 Sistema de Hidrantes 35

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CAPITULO 1 – Introdução à prevenção de incêndio

O fogo é resultado de uma reação química denominada combustão.


Para que ocorra a combustão é necessária à presença simultânea de três
elementos: calor, combustível e oxigênio.
O calor tem por característica iniciar o fogo, seja resultado da ação da
luz solar, raios, curtos em redes elétricas ou mesmo por efeito de ações
humanas tais como velas acesas, fósforos, cigarros etc. O combustível pode
ser qualquer material orgânico que além de alimentar o fogo também o
propaga. Já o oxigênio é o elemento ativador do fogo, responsável por
fortalecer a combustão e dar vida às chamas, conforme destaca Brentano
(2004).
Segundo Gomes (2014), foram desenvolvidos diversos equipamentos,
técnicas e legislações buscando realizar o controle pleno do fogo em caso de
surto, evitando assim sua enorme capacidade de destruição de bens materiais
e também de vidas. Todavia, nem sempre é possível extinguir o fogo, e caso
ele se apresente fora de controle, temos então um incêndio.
Como consequência do incêndio, são produzidas diversas substâncias:
gases, chamas, calor, fumaça, substâncias essas altamente maléficas e
danosas à saúde humana podendo provocar inúmeras doenças e lesões.
Gomes (2014) aponta que as causas do incêndio podem ser variadas,
desde causas naturais como terremotos, vulcões, como também causas
acidentais com eletricidade ou causas criminosas, além disso, é importante
salientar que jamais existirão dois incêndios iguais, pois são diversos fatores
que influenciam o início e desenvolvimento de um incêndio, tais como
condições climáticas, forma geométrica e materiais envolvidos no local,
aberturas de ventilação existentes, etc.
A curva de evolução de incêndio demonstra que existe certo padrão no
desenvolvimento de um incêndio, como pode ser visualizado na figura 01
abaixo:

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Figura 1: Curva de evolução de incêndio (Fonte: Seito, 2008)

Conforme Seito (2008), na fase de pré-ignição temos um crescimento


lento, com duração entre 5 a 20 minutos, fase em que o sistema de detecção
de fumaça e alarme de incêndio tem grande importância no sucesso do
combate ao incêndio. Ao atingir aproximadamente 600ºC, os materiais
utilizados na construção civil começam a perder resistência (daí a importância
de um adequado dimensionamento do Tempo Requerido de Resistência ao
Fogo (TRFF)) e o ambiente fica tomado por fumaça e gases. Caso exista
líquidos combustíveis no ambiente eles irão contribuir para uma inflamação
generalizada denominada (flashover) e grandes labaredas tomarão conta do
ambiente. Uma vez que os hidrantes, mangotinhos e chuveiros automáticos
(sprinklers) consigam controlar o incêndio antes dessa fase, existirá grande
sucesso na extinção total, caso não consiga, então na terceira fase ocorrerá a
gradual diminuição da temperatura do ambiente e das chamas, com prováveis
perdas materiais e talvez humanas.
Uma vez visto algumas medidas que são de suma importância para o
combate ao incêndio durante sua evolução é possível fazer uma correlação
entre os elementos do sistema global de Segurança Contra Incêndio (SCI) e as
medidas de segurança contra incêndio.

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Elementos do Sistema
Medidas de Segurança Contra Incêndio
Global de SCI
Análise da arquitetura e de riscos; Plano de segurança Contra Incêndio e Pânico; Correta
execução e manutenção das instalações com riscos - elétrica, GLP, vasos sob pressão;
Preocupação contra início
Utilização de produtos certificados; Distanciamento seguro entre fontes de calor e
do incêndio
materiais combustíveis; Treinamento da população usuária (brigadistas, plano de
emergência)
Limitação do crescimento
Controle da carga de incêndio e Controle de materiais de acabamento e revestimento
do incêncio

Sistemas de combate certificados (extintores, hidrantes, mangotinhos, chuveiros


Extinção Inicial do Incêndio
automáticos, detecção e alarme de incêndio, comunicação e sinalização de emergência)

Limitação da propagação Compartimentação horizontal e vertical; controle da carga de incêndio e de materiais de


do incêndio acabamento e revestimento
Plano de emergência e abandono; Rotas de fuga; Sistemas de combate (detecção e
Evacuação segura do
alarme de incêndio, comunicação e sinalização de emergência, controle de fumaça,
edifício
controle de materiais de acabamento e revestimento)
Preocupação contra a
propagação do incêndio Distanciamento seguro entre edificações; Análise do painel radiante
entre edificações
Preocupação com o
Resistência ao fogo dos elementos estruturais
colapso estrutural
Rapidez, Eficiência e
Manutenção e testes do SCI; Rotas de fuga adequadas; Treinamento da população
Segurança nas operações
usuária; Acesso ao Corpo de Bombeiros; Sistemas de Combate
de combate e resgate

CAPITULO 2 – Noções do Plano de Segurança Contra Incêndio e Pânico

O Engenheiro Civil tem função importantíssima na elaboração do projeto


de prevenção contra incêndio e pânico, pois é o seu projeto que terá função
de proteger a vida dos ocupantes das edificações e áreas de risco em caso de
incêndio, dificultar a propagação do incêndio, reduzindo danos ao meio
ambiente e ao patrimônio através de um correto dimensionamento das medidas
de segurança e proteção.
Para a elaboração do projeto o Engenheiro Civil deve basear-se no
Código de Segurança Contra Incêndio e Pânico – CSCIP (2017) e nas Normas
de Procedimentos Técnicos (NPT’s) disponíveis na internet no site do Corpo de

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Bombeiros Paraná
(http://www.bombeiros.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=31
6) . Cada estado tem sua particularidade, com sua simbologia e diretrizes,
portanto o responsável pelo projeto técnico deverá sempre consultar as
legislações do estado onde elaborará o projeto.

Figura 2: NPT’s disponíveis para consulta

As exigências previstas no código se aplicam a todas as edificações e


áreas de risco, exceto para residências unifamiliares e residências
exclusivamente unifamiliares localizadas no pavimento superior de ocupação
mista com até dois pavimentos, e que possuam acessos independentes.
A forma que o CSCIP traz para definição das medidas de segurança é
através de tabelas, as quais constam diversos critérios. Recomenda-se a leitura
dos conceitos mais importantes que constam no CSCIP e que são de comum
utilização em projetos de Prevenção de Incêndio, tais como: altura da

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edificação, edificação existente, edificação nova, risco de incêndio, ocupação
principal, ocupação secundária, ocupação mista, etc.
Para encontrar as medidas de segurança existe um roteiro, o qual está
exemplificado abaixo.
Faz-se a classificação da edificação quanto à ocupação de acordo com a
Tabela 1 do CSCIP, da altura de acordo com a Tabela 2 e da carga de incêndio
de acordo com a Tabela 3 e da NPT 014. Feito isso, nas tabelas 5 e 6
encontramos as exigências para as edificações, vejamos um exemplo abaixo:

Exemplo 01:
Ocupação – D1 – Escritório
Altura – Térreo
Área Total – 900 m²
Carga de Incêndio – 700 MJ/m² - Risco Moderado.

Figura 3: Exigências para edificação do exemplo 01

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O Plano de Segurança Contra Incêndio e Pânico (PSCIP) refere-se à
forma de apresentação das medidas de segurança nas edificações e áreas de
risco. Além de incluir o projeto de prevenção, outros documentos também
compõe o PSCIP, que é dividido em quatro modelos.
 PSCIP – Propriamente dito, que é a forma de apresentação mais comum
do projeto, porém determinadas edificações devem apresentar suas
medidas de segurança conforme regras específicas, vejamos:
 PSCIP-IOT – aplicado para instalações e ocupações temporárias, tais
como circos, parques de diversão, feiras de exposições, feiras
agropecuárias, rodeios, shows artísticos.
 PSCIP-OTEP – aplicado para ocupações temporárias em edificação
permanente.
 PSS – Plano de Segurança Simplificado, aplicado para edificações
classificadas na tabela 5 do CSCIP. Este modelo de plano tem
simplificação dos documentos e não necessita de análise, entretanto as
regras que se aplicam, de forma geral, são as mesmas previstas no
PSCIP.

De forma resumida a composição do PSCIP deve ter a pasta padrão,


ofício de apresentação do PSCIP, procuração do proprietário quando este
transferir seu poder de signatário, ART, documentos complementares
(memorial de cálculo do sistema de hidrantes, memorial descritivo das medidas
de segurança), planta de risco, planta das medidas de segurança contra
incêndio e pânico, quadro de estatística da obra. As figuras abaixo demonstram
alguns modelos que deverão compor o PSCIP.

Figura 4: Pasta do PSCIP

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Figura 5: Ofício de apresentação

Figura 6: ART

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Figura 7: Quadro estatístico da obra

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Figura 8: Exemplo de Planta de Risco

Figura 9: Simbologia da Planta de Risco

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Figura 10: Exemplo de planta baixa

Figura 11: Exemplo de simbologia da planta baixa

Figura 12: Detalhes de prevenção de incêndio

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Figura 13: Esquema Isométrico – Rede de Hidrantes

Para obtenção do Certificado de Aprovação de Projeto, deve ser


protocolado junto ao CB/PMPR o PSCIP em no mínimo duas vias. No entanto,
durante as análises solicita-se apenas 1 via para as correções. Recolher a GR
para retirada da análise do PSCIP.
O Serviço de Prevenção Contra Incêndio e Pânico, tem o prazo máximo de
30 (trinta) dias para analisar o PSCIP, contados a partir de cada entrada. O
PSCIP deve ser analisado conforme ordem cronológica de entrada. A ordem do
item anterior pode ser alterada para o atendimento das ocupações ou
atividades temporárias ou interesse da administração pública, conforme cada
caso.
A NPT 001 – Parte 2 (Plano de Segurança Contra Incêndio e Pânico) e NPT
001 – Parte 5 (Plano de Segurança Simplificado) trazem as informações
completas como documentos necessários para apresentação dos projetos e
maiores explicações sobre todos os modelos de PSCIP.

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CAPITULO 3 – Sistema de extintores, iluminação e sinalização de
emergência

3.1 Sistema de Extintores

A NPT que abrange o assunto é a NPT 021 – Sistema de proteção por


extintores de incêndio.
A capacidade extintora é a medida do poder de extinção de fogo de um
extintor obtida em ensaios práticos normalizados pela ABNT. O grau da
capacidade extintora é localizada nos rótulos dos extintores de incêndio, em
que o numeral corresponde a um dos graus atribuídos a capacidade que o
agente possui de extinguir o fogo, a letra corresponde a classe de incêndio a
que o agente se destina, podendo ser classe A, B, C ou a combinação de duas,
por exemplo, BC, as figuras abaixo mostram alguns exemplos de extintores.
Existem ainda as classes de incêndio D e K, que por serem mais específicas,
não serão abordadas nesta presente apostila, para mais informações consultar
fontes externas.
A classe A é determinada por incêndios que acontecem em materiais
sólidos, os quais queimam em profundidade e extensão deixando resíduos.
Exemplos: papel, tecido, algodão, borracha, madeira etc. Para combater esse
tipo de incêndio é recomendável o emprego de extintores carregados com
água.
A classe B compreende os materiais líquidos inflamáveis, os quais
queimam na superfície e não deixam resíduos. Exemplos: óleo, gasolina, GLP,
tintas, etc. Para combater esse tipo de incêndio é recomendável o emprego de
extintores com carga pó BC ou ABC, extintores de gás carbônico (CO2) e ainda
extintores de espuma mecânica.
A classe C é determinada por incêndios que acontecem na presença de
energia elétrica, normalmente equipamentos elétricos energizados, como
computadores, máquinas elétricas, quadro de forças, transformadores,
computadores etc. Para esse tipo de incêndio são adequados os extintores
com carga pó.

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Figura 14: Tipos de extintores x classes de incêndio (Fonte Bucka)

CARGA PORTÁTIL SOBRERRODAS


Água 2-A 10-A
Espuma Mecânica 2-A:10-B 6-A:40-B
Dióxido de Carbono 5-B:C 10-B:C
Pó BC 20-B:C 80-B:C
Pó ABC 2-A:20-B:C 6-A:20-B:C
Halogenado 5-B:C -

REGRAS GERAIS:
- Os extintores devem ser instalados em locais de menor possibilidade de
bloqueio pelo fogo.

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- Deve ser instalado pelo menos 1 extintor de incêndio a no máximo 5
metros da entrada principal da edificação e das escadas dos demais
pavimentos.
- Os extintores de incêndio devem ser adequados à classe de incêndio
predominante dentro da área de risco a ser protegida, de forma que sejam
intercalados na proporção 2:1 (dois extintores para o risco predominante e um
para a proteção do risco secundário).
- Não instalar em vestíbulos, escadas ou antecâmaras.
- Por pavimento instalar no mínimo duas unidades extintoras (uma classe A
e outra B:C) ou duas de pó ABC.
- Edificações, mezaninos e pavimentos com área igual ou inferior a 100 m²
é permitido apenas 1 unidade extintora de pó ABC.

DISTÂNCIA MÁXIMA DE CAMINHAMENTO


Para a distância máxima de caminhamento deve ser considerado o real
caminho a ser percorrido pelo operador, e não traçar um raio no projeto sem
considerar os obstáculos. Caso um projeto não contenha um layout interno,
deve-se diminuir a distância em 30%.
RISCO DISTÂNCIA
LEVE 25 m
MODERADO 20 m
ELEVADO 15 m

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Figura 15: Locação corretas dos extintores (Fonte: Corpo de Bombeiros)

Figura 16: Extintor de incêndio – Carga Pó 20-B:C

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Figura 17: Capacidade extintora – 20-B:C

Figura 18: Extintor de incêndio – Carga Água 2-A

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Figura 19: Capacidade extintora – 2-A

Quando houver depósito de materiais, instalações de maquinário ou locais


destinados a estacionamentos de veículos deve existir uma sinalização
horizontal dos extintores, realizada através de um quadrado (1,00x1,00) m com
borda amarela com largura de 0,15 m e fundo vermelho (0,70x0,70) m
conforme figura 20 abaixo. A mesma regra se aplica aos hidrantes.

Figura 20: Sinalização de solo para extintores e hidrantes.

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3.1 Iluminação de emergência

A NPT que abrange o assunto é a NPT 018 – Iluminação de emergência.

Deve-se dimensionar o sistema de iluminação de emergência visando


atingir os seguintes objetivos:
- Identificar e sinalizar as saídas de emergência de forma a permitir a saída
rápida, fácil e segura dos ocupantes da edificação para um local seguro fora da
área de risco.
- Reconhecer os obstáculos no caminho;
- Permitir o controle visual das áreas abandonadas a fim de localizar
ocupantes que ainda estejam correndo riscos impedidas de se locomover.
- Iluminar os locais em que estejam locados os equipamentos de combate
ao incêndio de operação manual como os hidrantes ou extintores.
As luminárias de emergência mais usualmente empregadas em projetos
são as do tipo simples de 9 watts (variando de 3 e 5 lux de iluminância) e as
luminárias de emergência bloco autônomo duplo farolete, conforme figuras 21 e
22 abaixo.

Figura 21: Luminária de emergência simples Figura 22: Luminária de emergência


(Duplo farolete)

De modo geral, as luminárias de emergência devem ter distância


máxima de 15 metros entre dois pontos de iluminação e 7,5 m entre ponto de
iluminação e parede.

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Em locais planos o nível mínimo de iluminância deve ser 3 lux e em
desníveis (escadas, passagens com obstáculos), 5 lux.

Figura 23: Luminária de emergência instalada em local com desnível.

3.3 Sinalizações de emergência

A NPT que abrange o assunto é a NPT 020 – Sinalização de emergência


A sinalização de emergência tem como função reduzir orientar as ações
de combate e facilitar a localização das rotas de fugas e obstáculos, garantindo
assim um abandono seguro em caso de incêndio. A sinalização pode ser
dividida em básica e complementar. A básica representa o conjunto mínimo de
sinalização que uma edificação deve apresentar, construído por quatro
categorias, de acordo com sua função:

- Proibição: Visa a proibir e coibir ações capazes de conduzir ao início


do incêndio ou ao seu agravamento.
- Alerta: Visa a alertar para áreas e materiais com potencial de risco de
incêndio, explosão, choques elétricos e contaminação por produtos perigosos.

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- Orientação e salvamento: Visa a indicar as rotas de saída e as ações
necessárias para o seu acesso e uso.
- Equipamentos: Visa a indicar a localização e os tipos de
equipamentos de combate a incêndios e alarme disponíveis no local.

Figura 24: Categorias de sinalização de emergência. (Fonte: Corpo de Bombeiros do


Paraná)
REGRAS GERAIS:
De forma geral, as sinalizações devem estar instaladas a uma altura de
1,80m do piso acabado.
A sinalização de proibição deve estar distribuída em mais de um ponto
dentro da área de risco, de modo que pelo menos uma delas possa ser
claramente visível de qualquer posição dentro da área, distanciadas em no
máximo 15 m entre si.
A sinalização de alerta deve ser implantada próxima ao risco isolado ou
distribuída ao longo da área de risco generalizado, distanciadas entre si em, no
máximo, 15 m.
A sinalização de equipamentos deve ser instalada logo acima do
equipamento. Deve-se atentar para situações peculiares, como por exemplo,
quando o equipamento estiver instalado em um pilar, devem ser sinalizadas
todas as faces do pilar que estiverem voltadas para os corredores em
circulação.

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A sinalização de orientação e salvamento deve assinalar todas as
mudanças de direção, saídas, escadas e ser instalada segundo sua função. A
sinalização de saídas das portas deve ser localizada acima das portas, no
máximo a 10 cm da verga, ou diretamente na folha da porta. A sinalização de
orientação das rotas de fuga deve ser locada de modo que a distância de
percurso de qualquer ponto da rota de saída até a sinalização seja de no
máximo 15 m. Deve ser instalada também, de forma que na direção de saída
de qualquer ponto seja possível visualizar o ponto seguinte, respeitado o limite
máximo de 30 m. A identificação dos pavimentos no interior das escadas de
emergência deve estar sobre o patamar de acesso de cada pavimento, de tal
forma a ser visualizada em ambos os sentidos da escada (subida e descida).
É importante observar o Anexo A da NPT 020 que contém um quadro
com as dimensões das placas e a distância máxima de visibilidade alcançada
pela sinalização, obviamente, quanto maior a placa, maior a distância de
visibilidade.
A sinalização complementar tem é o conjunto de sinalização composto
por faixas de cor ou mensagens complementares à sinalização básica, tendo a
finalidade de através de um conjunto de faixas de cor, símbolos ou mensagens
escritas, complementar a sinalização básica com indicação continuada de rots
de saída, indicação de obstáculos, informação ao público das medidas
existentes na edificação, da capacidade de público, na demarcação de áreas,
na pintura da tubulação de hidrantes, etc.

Figura 25: Sinalização complementar. (Fonte: Corpo de Bombeiros do Paraná)

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CAPITULO 4 – Alarme e detecção de incêndio

A NPT que abrange o assunto é a NPT 019 – Sistema de detecção e


alarme de incêndio.
O sistema de detecção e alarme é uma combinação de dispositivos
projetados para detectar o fogo em seu estágio inicial dando a possibilidade do
abandono rápido e seguro dos ocupantes, podendo então iniciar as ações de
combate ao fogo. Basicamente o sistema de detecção e alarme é formado
pelos seguintes componentes: dispositivos de iniciação (detectores
automáticos e acionadores manuais), central supervisora de alarme (central de
alarme e painel de controle) e fonte de alimentação elétrica e infra estrutura.

Figura 26: Sistema de detecção e alarme. (Fonte: Corpo de Bombeiros do Paraná)

Existem também no mercado os sistemas inteligentes que possuem


funções adicionais, com a possibilidade de controlar e cadastrar os dispositivos
por andar e de forma independente através de um software específico.
Os dispositivos de iniciação podem ser os detectores de fumaça,
temperatura, chama, gás, etc.
A central de detecção e alarme e o painel repetidor devem ficar em local
onde haja vigilância humana e de fácil visualização. Deve-se também prever
um espaço livre mínimo de 1,00 m² em frente a central, destinado a sua
operação. A central deve acionar o alarme geral da edificação, devendo ser
audível em toda a edificação.

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Os acionadores manuais devem ser instalados em locais de maior
probabilidade de trânsito de pessoas em caso de emergência, tais como: nas
saídas de áreas de trabalho, lazer, corredores, halls, saídas de emergência
para o exterior. Preferencialmente, os acionadores manuais devem ser
localizados junto aos hidrantes, sendo que a distância máxima a ser percorrida
por uma pessoa, em qualquer ponto da área protegida até o acionador manual
mais próximo, não deve ser superior a 30 metros. A altura de instalação deve
estar entre 0,90 e 1,35 m do piso acabado. Em casos de edifícios com
múltiplos pavimentos, deverá ser previsto pelo menos um acionador manual em
cada pavimento, todavia, em edifícios residenciais com altura até 30 metros, o
sistema de alarme pode ser substituído pelo sistema de interfone, desde que
cada apartamento possua um ramal ligado à central que deve ficar em portaria
com vigilância humana 24 horas. Para as garagens que utilizarem o sistema de
interfones, devem possuir este devidamente sinalizado, devendo ter pelo
menos um aparelho de interfone que não deve estar localizado a mais de 5
metros do acesso à rota de fuga.
Os dispositivos de notificações são os componentes do sistema
previstos para chamar a atenção de todas as pessoas dentro de uma área de
risco. Os modelos de dispositivos disponíveis são:
- Avisador sonoro
- Avisador visual
- Avisador sonoro e visual.
É importante sempre levar em consideração a utilização e o nível de
ruído do ambiente de projeto, por exemplo, em casas de show, danceterias,
indústrias com elevada acústica, deve-se prever a instalação de avisadores
sonoros e visuais, que além de suprir a necessidade áudio visual, também
favorece os portadores de necessidades especiais.

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Figura 27: Acionadores manuais (Fonte: Corpo de Bombeiros do Paraná).

Figura 28: Avisador sonoro e visual

CAPITULO 5 – Saídas de Emergência e Brigada de Incêndio

5.1 Saídas de Emergência

A NPT que abrange o assunto é a NPT 011 – Saídas de emergência.

De acordo com a NPT 011 – os objetivos são estabelecer requisitos


mínimos para o dimensionamento das saídas de emergência de qualquer
edificação, a fim de assegurar o abandono da sua população com segurança.
Os componentes das saídas de emergência são:
- acessos;
- rotas de saídas horizontais, quando houver, e respectivas portas ou
espaço livre exterior nas edificações térreas;
- escadas ou rampas;
- descargas.

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O dimensionamento das saídas de emergência é feito em função da
população da edificação. A capacidade da unidade de passagem é o número
de pessoas que passa por esta unidade em um minuto, variando de acordo
com a ocupação da edificação. O anexo A da NPT 011 traz os valores
relacionados. Por exemplo, uma creche (Grupo E), tem os valores da
capacidade de unidade de passagem menores que de um banco (Grupo D),
visto que as crianças tem uma dificuldade de locomoção maior.
A população da edificação também é definida seguindo o Anexo A da
NPT 011. Para maior entendimento, vejamos o exemplo abaixo:

Exemplo 02:
Ocupação – F8 - Restaurante
Área Total – 380 m²

Consultando o Anexo A, nota-se que para as características citadas


acima, temos uma pessoa por 1,0 m² de área. Logo a população da edificação
será 380 pessoas. O próximo passo então seria dimensionar a largura das
saídas de emergência deste restaurante, através da fórmula:
N = P/C, em que:
N = Número de unidades de passagem, arredondado para número inteiro.
P = População dimensionada.
C = Capacidade da unidade de passagem.

Figura 29: Anexo A NPT 011

N = 380/100 = 3,8 = 4 unidades de passagem.

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Isso significa, que para 380 pessoas abandonarem o restaurante em caso de
surto, será necessário que se tenha 4 unidades de passagem. Mas qual a
largura dessas unidades de passagem?
Para obter esta resposta, basta consultar o item 5.5.4.2 da NPT 011.
No presente exemplo, o item “d” do item 5.5.4.2 da referida NPT, diz que
devemos ter 2,0 m, em duas folhas, valendo por quatro unidades de passagem,
ou seja, o restaurante deverá optar entre uma das três opções;
1) Uma porta de 2 metros de largura;
2) Duas portas de 1 metro de largura;
3) Uma porta com 0,80 metros e outra com 1,5 metros de largura.

Para acessos, descargas e escadas em geral, a largura mínima é


calculada multiplicando o número “N” pelo fator 0,55, resultando na largura em
metros das saídas, exemplo: N = 5. Largura mínima = 5*0,55 = 2,75 m,
obedecendo a largura mínima de 1,20 metros.
As portas das rotas de fugas e das salas com ocupação maior que 50
pessoas, que tenham comunicação com acessos e descargas, devem abrir no
sentido do fluxo.
Todavia, ainda existem vários casos específicos e generalidades, neste
caso, recomenda-se consultar a NPT 011 e estudar cada situação, como por
exemplo rampas, escadas, tipos de escadas, guarda-corpo e corrimão,
elevadores de emergência.

Exemplo 03: (Edifício comercial com duas ocupações e 5


pavimentos)
Ocupação – F11 – (Centro de Eventos – Último pavimento)
D1 – (Escritórios – 4 pavimentos)
Área Pavimento – 150 m²

Para F11, temos segundo o Anexo A da NPT 011, 2 pessoas para 1 m²,
logo população 300 pessoas no pavimento. C = 75 (Escada).
N = P/C = 300/75 = 4 UP.

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Para D1, 1 pessoa cada 7 m², resultando em 21 pessoas por pavimento.
C = 75 (Escada).
N = 21/75 = 0,28 = 1 UP.

Conforme a população do último pavimento (mais carregado), toda a


escada deverá atender (0,55*4 = 2,20 m), 2,20 metros, mesmo que os demais
pavimentos abaixo possuam uma população pequena. Caso o Centro de
Eventos estivesse no térreo, a escada poderia ter largura mínima de 1,20 m e
somente a porta de saída do térreo deveria ser dimensionada para atender as
300 pessoas.

Figura 30: Figuras de generalidades.

5.2 Brigada de Incêndio

A NPT que abrange o assunto é a NPT 017 – Brigada de Incêndio.


(Atualização em Dez/2017, agora são NPT 017 Parte 01 e NPT 017 Parte 02).

A brigada de incêndio consiste basicamente em determinar a


composição, organização, formação, treinamento e procedimentos gerais.
Existem dois tipos de brigadistas: o profissional que é o bombeiro civil, e o
comum que é um funcionário da empresa com treinamento previsto.

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A brigada de incêndio deve atuar na prevenção e no combate ao
princípio do incêndio e no abandono de área e primeiros socorros, até a
chegada do socorro especializado, momento em que a brigada poderá atuar no
apoio da equipe.
A brigada de incêndio é classificada como uma medida de segurança,
visto que o treinamento é uma medida de segurança. Para saber quando ela é
exigida, basta analisar o CSCIP como já mencionado anteriormente.
Conforme a NPT 017, tabela A.1 a composição da brigada (número de
brigadistas e o nível de treinamento) leva em conta a área dos pavimentos o
grau de risco e a ocupação da edificação.

CAPITULO 6 – Isolamento de risco

A NPT que abrange o assunto é a NPT 007 – Separação entre


edificação (Isolamento de riscos).
Para assegurar o isolamento de risco, a principal questão é definir qual a
distância ou proteção necessária entre as edificações para evitar a
propagação do incêndio. Caso duas edificações estejam isoladas entre si, as
medidas de segurança serão analisadas separadamente para cada edificação,
analogamente, se não há distância para estabelecer o isolamento de risco,
entende-se que as áreas das edificações somam-se como se a edificação
fosse única.
O tipo de propagação e o consequente tipo de isolamento a ser adotado
dependem do arranjo físico das edificações.

30
Figura 31: Tipos de propagação conforme arranjo físico
Conforme cada arranjo físico, devemos obter o isolamento de risco.

Figura 32: Tipos de isolamento de risco.

A NPT 007 traz as equações e os passos para o dimensionamento,


seguido de exemplos para melhor compreensão. Sugere-se também o estudo

31
de assuntos complementares como compartimentação horizontal e vertical,
contidos na NPT 009.

CAPITULO 7 – Central de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP)

A NPT que abrange o assunto é a NPT 028 – Manipulação,


armazenamento, comercialização e utilização de gás liquefeito de petróleo
(GLP).
A NPT 028 trata das bases de armazenamento, envasamento e
distribuição de GLP, armazenamento de recipientes de GLP (Revenda), central
de GLP e sistema de resfriamento.
Nesta apostila, traremos conceitos referentes a Central de GLP, visto
que é a parte mais comum nas edificações.

Figura 33: Central de GLP.

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Denomina-se Central de GLP, aquela que possui os recipientes
localizados em um ponto centralizado e distribui GLP através de tubulação
apropriada até os pontos de consumo.
A capacidade volumétrica da central e dos cilindros de GLP é de grande
importância, pois através destes dados é possível definir vários critérios:
- Afastamento mínimo em relação a edificação e os limites da propriedades;
- A proteção contra incêndio;
- A capacidade máxima da central permitida conforme sua localização.

Figura 34: Capacidade volumétrica

REGRAS GERAIS

- A central de GLP com recipientes com capacidade igual ou superior a 10


m³ deve ter proteção por resfriamento.
- Quando uma edificação possuir sistema de hidrantes, é obrigatória a
proteção da central de GLP por um dos hidrantes, desde que possua risco
incorporado (afastamento até 15 metros da edificação).
- A central de GLP deve ter proteção específica por extintores de acordo
com a figura 33 abaixo.

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Figura 35: Proteção por extintores.

- É proibida a instalação dos recipientes em locais confinados, tais como porão,


forro, garagem subterrânea, etc.
- Caso a central esteja localizada junto ao estacionamento de veículos, deverá
estar previsto em projeto a instalação de pilaretes, como forma de proporcionar
proteção mecânica, evitando o choque entre veículo e central.
- Na central é proibida a armazenagem de qualquer tipo de material, bem como
outra utilização diversa da instalação.
- Deverá ser colocada sinalização de proibição: “Perigo”, “Inflamável” e “Não
Fume”.

Figura 36: Sinalização de proibição na central de GLP.

Aspectos construtivos e demais generalidades podem ser obtidos


consultando a NPT 028.

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CAPITULO 8 – Sistema de Hidrantes.

A NPT que abrange o assunto é a NPT 022 – Sistemas de hidrantes e


de mangotinhos para combate a incêndio.
Existe 5 tipos de sistemas, cada um com suas características
particulares: vazões, diâmetros das mangueiras e esguichos, números de
expedições e reservatório.
A tabela 1 da NPT 022 traz os tipos de sistemas, conforme figura 35
abaixo.

Figura 37: Tipos de sistemas.


Os números de expedições referem-se à quantidade de válvulas em
cada ponto de hidrante, conforme demonstrado nas figuras abaixo. (Caso a
edificação seja atendida por apenas um hidrante, este deverá ter expedição
dupla).

Figura 38: Hidrante simples

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Figura 39: Hidrante duplo
Os hidrantes localizados na parte interna da edificação poderão ter no
máximo 30 metros de mangueira, sendo dois lances de 15 metros. Os
hidrantes localizados externamente a edificação poderão ter 60 metros de
mangueira, sendo 4 lances de 15 metros ou 3 lances de 20 metros.
Os hidrantes ainda podem ser simples, mas ter abrigo duplo para
guardar 4 lances de mangueira.
As vazões especificadas são as mínimas consideradas em cada um dos
hidrantes mais desfavoráveis em uso simultâneo, já a pressão mínima é
considerada na expedição do esguicho regulável.
Para definir qual sistema deve ser adotado na edificação, consulta-se a
tabela 2 da NPT 022, que é função da ocupação e da carga de incêndio. Feito
isso basta analisar a tabela 3 da mesma NPT e utilizar os componentes para
cada hidrante.
Caso a ocupação seja mista, deve-se dimensionar o sistema de
hidrantes para o maior risco, exceto exista uma compartimentação de riscos.
Vejamos o exemplo 04 abaixo:

Exemplo 04: (Edifício comercial)


Ocupação – D1 – Escritórios
Área – 2000 m²
Carga de incêndio – 700 MJ/m²

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Analisando a Tabela 2, o sistema a ser adotado é o tipo 3.
Analisando a Tabela 1, vê-se que a vazão mínima deverá ser 200 l/min.
Analisando a Tabela 3, determina-se os componentes do hidrante.

Figura 40: Sistema de hidrante.

O dispositivo de recalque pode ser do tipo coluna ou pode ser instalado


no passeio público, conforme imagens abaixo:

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Figura 41: Hidrante de recalque no passeio.

Figura 42: Hidrante de recalque tipo coluna.

Quando o dispositivo for do tipo coluna, deve ser instalado


preferencialmente na fachada principal da edificação. É proibida a instalação
do dispositivo de recalque em local que tenha circulação ou passagem de
veículos.

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Os hidrantes devem ser distribuídos de tal forma que qualquer ponto da
área a ser protegida, seja atendido por no mínimo um esguicho, considerando
o trajeto real da mangueira.
O volume mínimo da reserva técnica de incêndio (RTI), é definido de
acordo com a tabela 4 da NPT 022, a qual é função do tipo de sistema e da
área da edificação. A capacidade efetiva deve ser mantida permanente, ou
seja, jamais poderá ser utilizada para consumo. A RTI pode ser subdivida
desde que todas as unidades estejam ligadas diretamente à tubulação de
sucção da bomba de incêndio e a subdivisão mínima seja 3,0 m³.

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REFERENCIAS

BRENTANO, Telmo. Instalações hidráulicas de combate a incêndios nas


edificações: Hidrantes, mangotinhos e chuveiros automáticos. 5 ed. [S.L.]:
EDIPUCRS, 2015. 700 p.

BUCKA. Você sabe o que é capacidade extintora?. Disponível em:


<http://www.bucka.com.br/voce-sabe-o-que-e-capacidade-extintora/>. Acesso
em: 18 abr. 2017.

CORPO DE BOMBEIROS. Código de Segurança Contra Incêndio e Pânico –


CSCIP.

GOMES, Tais. Projeto de prevenção e combate à incêndio. Santa Maria,


2014.

CORPO DE BOMBEIROS. Normas de Procedimentos Técnicos – NPT’s .

SEITO, et al.. A segurança contra incêndio no brasil. 1 ed. São Paulo:


Projeto Editora, 2008. 484 p.

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