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Proteção

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Incêndios e Explosões
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A História do Fogo – Conceitos

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Esp. Leandro Monteiro de Araújo

Revisão Textual:
Prof. Me. Luciano Vieira Francisco
A História do Fogo – Conceitos

Nesta unidade, trabalharemos os seguintes tópicos:


• História – a Origem (Fogo);
• Brasil – Grandes Incêndios;
• Conceitos Básicos;
• Classes de Incêndio;

Fonte: Getty Images


• Métodos de Extinção;
• Prevenção, Proteção e Combate.

Objetivos
• Compreender a necessidade dos sistemas de proteção e combate a incêndio através
da história;
• Entender o que é o fogo e as suas vantagens e desvantagens;
• Compreender os tipos de incêndio e a sua forma de combate.

Caro Aluno(a)!

Normalmente, com a correria do dia a dia, não nos organizamos e deixamos para o úl-
timo momento o acesso ao estudo, o que implicará o não aprofundamento no material
trabalhado ou, ainda, a perda dos prazos para o lançamento das atividades solicitadas.

Assim, organize seus estudos de maneira que entrem na sua rotina. Por exemplo, você
poderá escolher um dia ao longo da semana ou um determinado horário todos ou alguns
dias e determinar como o seu “momento do estudo”.

No material de cada Unidade, há videoaulas e leituras indicadas, assim como sugestões


de materiais complementares, elementos didáticos que ampliarão sua interpretação e
auxiliarão o pleno entendimento dos temas abordados.

Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de
discussão, pois estes ajudarão a verificar o quanto você absorveu do conteúdo, além de
propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de
troca de ideias e aprendizagem.

Bons Estudos!
UNIDADE
A História do Fogo – Conceitos

Contextualização
A presente Unidade vem despertar a preocupação em observar o passado para evitar
os mesmos erros no futuro, apresentando, assim, um pouco da história de nossas tragé-
dias e os conceitos de proteção e combate a incêndio que devemos conhecer e observar.

Dessa forma, aproveite o conteúdo desta Unidade e todos os demais recursos dis-
poníveis ao aprofundamento teórico nesta área de conhecimento, que é a segurança
contra incêndio.

Bom estudo!

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História – a Origem (Fogo)
Desde os primórdios da humanidade, o fogo é uma das maiores descobertas já rea-
lizadas pelo ser humano; entretanto, é preciso saber controlá-lo para obter proveito de
seus benefícios. Se não houver o controle do fogo pelo ser humano, aparecerá o perigo
de vida e patrimonial.

Figura 1
Fonte: Getty Images

Ao longo de anos percebeu-se que o impacto da falta de controle do fogo pode


gerar grandes prejuízos patrimoniais e, principalmente, pessoais, onde a vida, que é o
elemento mais importante, deve sempre ser considerada na prevenção.

Após a Segunda Guerra Mundial, o fogo começou a ser encarado como Ciência, afinal,
envolve conhecimentos de Física, Química, comportamento humano, Engenharia etc.

Dessa forma, surgiu uma tendência internacional em exigir que todos os materiais,
componentes, sistemas construtivos, equipamentos e utensílios empregados nas edifi-
cações sejam testados e certificados, de modo a garantir o seu perfeito desempenho
durante um acidente, por exemplo, em função de falha no controle do fogo.

Brasil – Grandes Incêndios


Que existem duas maneiras de se aprender na vida? Ou com a história, ou fazendo história;
ou seja, escutando os nossos pais, ou “quebrando a cara”, “aprendendo algo na raça”.

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UNIDADE
A História do Fogo – Conceitos

Mesmo conhecendo a história de outros países, até meados da década de 1970, no


Brasil, o “incêndio” era uma preocupação exclusiva do Corpo de Bombeiros. Não havia
legislação específica e os códigos de obras/construção civil continham poucas informa-
ções que contribuíssem para a prevenção de incêndios.

Assim, revisaremos algumas das principais tragédias ocorridas no Brasil, que for-
çaram a criação de legislação, normas e instruções mais adequadas à proteção contra
incêndio no País.

Gran Circo Norte-Americano, Niterói, RJ


Devido à falta de medidas de proteção e combate a incêndio que atualmente são exi-
gidas mesmo em instalações provisórias, Niterói, RJ, presenciou uma grande tragédia
em 17 de dezembro de 1961, onde pessoas morreram queimadas e pisoteadas, além
daquelas que ficaram gravemente feridas. Entenderemos um pouco mais sobre as causas
dessa grande tragédia:
• Material da lona: o fogo tomou conta da lona em questão de minutos, pois não
havia nenhum tratamento para se evitar a propagação da chama;
• Saídas de emergência: o circo não contava com saídas de emergência dimensio-
nadas para atender à demanda do espetáculo. As opções existentes estavam blo-
queadas com grades, o que dificultou a evasão das inúmeras pessoas que estavam
no local;
• Brigada de incêndio: não existiam pessoas treinadas e preparadas para agir no
combate ao incêndio propriamente – em seu princípio –, assim como na orientação
e no auxílio para a evacuação do local.

Conheça um pouco mais sobre essa tragédia na reportagem.


Disponível em: https://youtu.be/6qA31lLpxhE.

Edifício Andraus, São Paulo


O incêndio no Edifício Andraus ocorreu em 24 de fevereiro de 1972, em São Paulo.
Foi o primeiro grande incêndio em prédios elevados na Capital paulista. Tratava-se de
uma edificação comercial e de serviços, com estrutura em concreto armado, fachada em
vidro e sem escada de segurança para os seus 31 andares.

Apesar das centenas de mortes, a tragédia apenas não foi maior porque muitas pes-
soas conseguiram ser resgatadas por meio do heliponto, na cobertura.

Após esse incêndio, a Prefeitura de São Paulo reformulou o Código de Obras e mui-
tos grupos de trabalho foram criados para elaborar ou reformular normas e instruções
de proteção e combate a incêndio. Vejamos algumas das causas dessa tragédia:

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• Fogo: o incêndio se iniciou por conta de uma sobrecarga no sistema elétrico no
segundo pavimento e consumiu os cartazes de publicidade das Casas Pirani, colo-
cados sobre a marquise do prédio;
• Manutenção elétrica: atualmente, a legislação obriga, quando da renovação do
Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), que seja emitido um atestado de
elétrica, ou seja, um checklist das condições das instalações elétricas, indicando a
sua adequação e ausência de riscos aparentes;
• Saídas de emergência: o edifício não possuía escada de segurança para a saída
em casos de emergência;
• Brigada de incêndio: não havia brigada de incêndio treinada, inclusive com simu-
lações realizadas;
• Estrutura do prédio: há aqui pontos positivos e negativos, pois ao mesmo tempo em
que a fachada de vidro facilitou a propagação do fogo nos andares – dado que não era
antichamas –, a estrutura de laje de cobertura do prédio contava com um heliponto,
o qual possibilitou o salvamento de muitas pessoas – resgatadas por helicópteros.

Conheça um pouco mais sobre essa tragédia pela reportagem.


Disponível em: https://goo.gl/BRKM2g.

Edifício Joelma, São Paulo


Em primeiro de fevereiro de 1974, São Paulo viu a segunda grande tragédia em edi-
fícios altos em menos de dois anos. Acredita-se que o incêndio tenha se iniciado a partir
de um curto-circuito em um aparelho de ar condicionado.

O Edifício Joelma foi construído em concreto armado e os seus 23 andares eram ocu-
pados por estacionamentos nos primeiros andares e escritórios nos demais pavimentos.

Os problemas de proteção contra incêndios do Edifício Joelma foram semelhantes


aos do Edifício Andraus, embora no Joelma a ausência de equipe de brigada para
orientar os ocupantes acabou levando à morte de muitos moradores na tentativa de se
salvarem indo à cobertura, pois nesse prédio não havia a mesma estrutura de heliponto
do Andraus.

Conheça um pouco mais sobre essa tragédia na reportagem.


Disponível em: https://goo.gl/2JTVgK.

Tais tragédias provocaram mudanças na legislação, nas corporações de bombeiros,


nos institutos de pesquisa e, principalmente, foi iniciado um processo de formação de
técnicos e pesquisadores preocupados com essa área de conhecimento.

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UNIDADE
A História do Fogo – Conceitos

A história nos mostra que não podemos parar no tempo e acreditar que os proce-
dimentos, as normas e instruções existentes sejam o suficiente para a preservação de
pessoas e do patrimônio quando se trata da proteção contra incêndio.

Observe que mesmo com uma legislação, com normas e instruções sobre os procedi-
mentos a serem seguidos no quesito proteção contra incêndio, ocorreram outros casos
emblemáticos, por exemplo:
• Na boate Kiss, em 27 de janeiro de 2013, na Cidade de Santa Maria, RS;
• No Museu da Língua Portuguesa, em 21 de dezembro de 2015, na Cidade
de São Paulo;
• No edifício irregularmente ocupado e chamado de Wilton Paes de Almeida, em 1º
de maio de 2018, na região do Largo do Paiçandu, em São Paulo;
• No Museu Nacional do Brasil, em 2 de setembro de 2018, no Rio de Janeiro.

Como podemos evitar a ocorrência de grandes tragédias com relação à proteção e combate
a incêndio no Brasil?

Conceitos Básicos
Fogo
Segundo a Instrução Técnica (IT) do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado
de São Paulo, fogo pode ser definido como um fenômeno físico-químico onde se tem
lugar uma reação de oxidação com a emissão de calor e luz.

Para que possa existir fogo, é necessária a combinação de quatro componentes bá-
sicos: combustível, calor, comburente – oxigênio – e reação em cadeia, assim como
apresentado esquematicamente na seguinte Figura:
VEL
COM
STÍ

BU

FOGO
BU

REN
COM

Reação em
TE

Cadeia
CALOR
Figura 2 – Tetraedro do fogo

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Combustível corresponde a todo elemento que queima e alimenta a combustão, po-
dendo ser encontrado nos estados sólido, líquido e gasoso.

Comburente é o elemento que alimenta a combustão, sendo o oxigênio o mais co-


nhecido. Existem gases que podem se comportar como comburente em outros meios de
combustível, tal como o hidrogênio no cloro etc.

Calor pode ser definido como uma forma de energia, sendo o elemento que inicia o
fogo e permite que se propague. Pode ser um material em alta temperatura, um curto-
-circuito, uma faísca etc.

Por fim, temos a reação em cadeia, que se trata da sequência que ocorre no incên-
dio. Um combustível, ao se aquecer, libera vapores combustíveis que, em contato com
uma fonte externa de calor, entram em combustão, esta que aquece ainda mais o com-
bustível, liberando mais vapores combustíveis, gerando, assim, maior combustão. Essa
reação em cadeia continuará até que não haja mais vapores combustíveis para serem
liberados do material combustível.

Temperatura
Todos os materiais combustíveis possuem três pontos de temperatura em caso de
incêndio. Esses pontos são classificados da menor temperatura para a maior, sendo o
primeiro o ponto de fulgor, o segundo o ponto de combustão e, por último, o ponto de
ignição – tais pontos de temperatura são importantes para o controle de um incêndio.

O ponto de fulgor é a temperatura mínima na qual os materiais liberam vapores com-


bustíveis que, ao entrarem em contato com uma fonte externa de calor, inflamam-se.
Nesse ponto de temperatura, as quantidades de vapores combustíveis são pequenas e as
chamas do fogo não se mantêm, apagando-se imediatamente.

O ponto de combustão é a temperatura mínima onde os vapores combustíveis libera-


dos são suficientes para manter o fogo aceso.

O ponto de ignição é a temperatura mínima na qual os vapores combustíveis libera-


dos se inflamam apenas com a presença do comburente – oxigênio –, sem a necessidade
de uma fonte externa de calor.

Entenderemos melhor a diferença entre ponto de fulgor e ponto de combustão com


um exemplo clássico:

Imagine você preparando o jantar e, para isso, resolve fritar um bife. É preciso to-
mar cuidado, pois manipulará o fogo! Ao iniciar o preparo da comida, coloca o óleo na
frigideira e o bife, porém, no meio desse preparo você se descuida, virando um pouco
a frigideira, de modo que repentinamente a chama toma conta da sua parte interna,
apagando-se rapidamente, mas logo em seguida voltando a se incendiar.

Isso ocorre porque o óleo como combustível líquido, ao se aquecer, começa a soltar
vapor que se inflama em contato com a fonte de calor, porém, não é possível manter a
chama que se apagou rapidamente–tal condição corresponde ao ponto de fulgor.

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UNIDADE
A História do Fogo – Conceitos

Ao prosseguir com a frigideira no fogão e com o calor gerado na primeira inflama-


ção, o combustível continua a soltar vapores que voltam a se inflamar e permanecem
por mais tempo – este é o ponto de combustão, quando os vapores liberados possuem
energia suficiente para manter a chama acesa.

Propagação
Na ocorrência de um incêndio, o calor e fogo podem se propagar de um local a outro
por meio de três formas distintas: condução, convecção e radiação.

Figura 3 – Propagação do fogo


Fonte: Ministério da Educação

• Condução: propagação por meio de um material sólido de uma região de tempe-


ratura mais alta para a região de temperatura mais baixa;
• Convecção: propagação por meio de um fluido líquido ou gás, entre dois corpos
submersos no fluido, ou entre um corpo e o fluido. O exemplo mais claro deste tipo
de propagação é em edifícios, quando a fumaça quente que sai do primeiro andar
em chamas atinge o quinto andar, iniciando o fogo também nesse pavimento;
• Radiação: propagação por meio de um gás ou do vácuo, na forma de energia
radiante como, por exemplo, o calor que vem de uma fogueira aquecendo, através
do ar, qualquer objeto mais próximo por radiação.

Classes de Incêndio
Podemos considerar basicamente o incêndio dividido em cinco classes principais:
fogo de classe A, B, C, D e K, conforme as características do material combustível.
Assim, a classe:
• A: representa os materiais que queimam em superfície e profundidade, tais como a
madeira, o papel, tecido, entre outros;
• B: corresponde aos materiais inflamáveis que queimam na superfície, tais como o
álcool, a gasolina, o querosene etc.;

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• C: representa os equipamentos elétricos e eletrônicos energizados, tais como os
computadores, as televisões, os motores, entre outros;
• D: metais combustíveis: corresponde aos materiais que requerem agentes extinto-
res específicos, tais como o pó de zinco, sódio, magnésio etc.;
• K: é uma designação específica para óleo e gordura em cozinhas.

A classe de fogo identifica o tipo correto de extintor a ser utilizado e/ou a forma adequada
de combate ao incêndio.

Métodos de Extinção
Se não for possível evitar o princípio de incêndio, como devemos agir para extingui-lo?
Qual deve ser a forma correta de extinção do incêndio?

Conhecendo o modo como o fogo surge, podemos entender melhor os métodos de


extinção do incêndio e o motivo pelo qual cada um deve ser utilizado. Assim, podemos
compreender as quatro formas básicas de extinção de incêndio, vejamos:
• Retirada do material: é o isolamento do material que está em combustão ou a
retirada dos materiais próximos para que não entrem em combustão;
• Resfriamento: significa diminuir a temperatura – calor – do combustível, elimi-
nando, assim, um dos componentes do fogo, o calor. Neste caso, o agente mais
comum utilizado ao resfriamento é a água que, em contato com o fogo ou a brasa,
retira o calor, resfriando o material;
• Abafamento: elimina o comburente – oxigênio – do local ou o reduz a uma con-
centração percentual menor ou igual a 15%, de modo a não alimentar mais o fogo
e eliminá-lo. Cobrir uma fogueira significa abafar, eliminando, assim, o oxigênio,
extinguindo o fogo. Pode-se abafar o fogo com o uso de materiais diversos, tais
como areia, terra, cobertor, vapor d’água, espuma, pó, gás especial etc.;
• Quebra da reação em cadeia: onde podemos utilizar agentes especiais para a ex-
tinção química do incêndio, quebrando, portanto, o tetraedro do fogo. Isso ocorre
porque quando certos agentes extintores são lançados no fogo e reagem com o ca-
lor, o oxigênio comburente deixa de reagir com os gases combustíveis. Essa reação
ocorre apenas quando há chamas visíveis.

No resfriamento, a redução da temperatura está ligada à quantidade e forma de aplicação


da água – jatos –, de modo a absorver mais calor que o incêndio seja capaz de produzir.
A temperatura em incêndio não reduzirá onde houver combustíveis com baixo ponto de
combustão – menos de 20ºC –, pois a água resfria até a temperatura ambiente, de modo
que o material continuará produzindo gases combustíveis.

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UNIDADE
A História do Fogo – Conceitos

Prevenção, Proteção e Combate


Você seria capaz de diferenciar o significado destes três termos: prevenção, proteção e
combate, utilizados na segurança contra incêndio?

Prevenção e proteção soam como sinônimos, porém, existem diferenças conceituais


que devem ser entendidas por todos que trabalham com segurança contra incêndio.

Prevenção tem como objetivo medidas de segurança de modo a evitar o incêndio pro-
priamente dito, agindo na separação do calor e combustível, dois componentes básicos
do tetraedro do fogo. Assim, podemos entender como medidas de prevenção aquelas
que ditam as regras de quantidade de armazenamento de combustíveis, distâncias entre
materiais combustíveis, a limitação das fontes de calor, realização de treinamentos de
pessoas para agir de forma segura etc.

Já proteção tem como objetivo medidas de segurança, de modo a evitar a propaga-


ção de um incêndio, ou seja, aquele que já iniciou e precisa de ações de proteção para
evitar que aumente e cause mais danos patrimoniais e pessoais. A proteção pode ser
dividida em dois tipos: passiva e ativa.

A proteção passiva é aquela que está incorporada à edificação e que não necessita
de nenhum tipo de acionamento para o seu funcionamento em situação de incêndio.
Podemos citar como exemplos de proteção passiva os tipos de materiais de acabamento
e revestimento, as rotas de fuga, compartimentações horizontais e verticais, o isolamento
de risco etc.

Pensando em proteção passiva, assista ao vídeo,“Proteção contra incêndio“ disponível em:


https://youtu.be/fC14u3O4Cz0; e questione-se sobre o tempo que o material deve re-
sistir ao fogo.

E então, chegou a alguma conclusão sobre o tempo de resistência ao fogo que a pro-
teção passiva deve atingir? Isto dependerá de alguns fatores: deve-se considerar o tipo
de ocupação, grau de risco, a carga de incêndio e as normas que devem ser seguidas ao
projeto da edificação.Com essas informações, pode-se verificar, nas respectivas instru-
ções técnicas ou normas, o tempo que o material deve resistir ao fogo.

A proteção ativa vem complementar a proteção passiva e o seu acionamento pode


ser automático ou manual. Podemos citar como exemplos de proteção ativa os sistemas
de detecção e alarme, de iluminação e sinalização de emergência, de controle de fumaça,
de extinção de incêndio etc.

Além da prevenção e proteção, precisamos pensar também no combate a incêndio.


E o que seria o combate a incêndio? Significa tudo aquilo que é necessário para extingui-lo,

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ou seja, sistemas manuais – tais como extintores e hidrantes –, sistemas fixos e
automáticos – tais como sprinklers –, sistemas fixos de Dióxido de Carbono (CO2),
corpo de bombeiros militar e civil, reservas de água, sistemas especiais de combate
a incêndio etc.

Embora possam utilizar dos mesmos sistemas, existe uma diferença entre proteção e comba-
te: proteção visa impedir a propagação do incêndio, enquanto combate objetiva extingui-lo.

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UNIDADE
A História do Fogo – Conceitos

Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Sites
Do Edifício Joelma a Boate Kiss: veja os incêndios que abalaram o país
Um pouco mais sobre a história dos grandes incêndios no Brasil.
https://goo.gl/o1sJQK
Classes de Incêndio e seus Extintores
https://goo.gl/VXZaiX
Adoção de medidas de proteção passiva é essencial para a preservação de vidas e patrimônio,
porém conceito ainda é pouco conhecido no país
Conheça um pouco mais sobre a proteção passiva neste artigo da Revista Emergência,
publicado em 2016.
https://goo.gl/id2q6Z

Leitura
A Segurança Contra Incêndio no Brasil
https://goo.gl/faUVK4

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Referências
SÃO PAULO (Estado). Decreto n.º 56.819, de 10 de março de 2011. Institui o re-
gulamento de segurança contra incêndio das edificações e áreas de riscos no Estado de
São Paulo e estabelece outras providências. São Paulo, 2011.

________. Corpo de Bombeiros da Polícia Militar. Instrução Técnica n.º 2/2018 –


conceitos básicos de proteção contra incêndio. São Paulo, 2018a.

________. Instrução Técnica n.º 3/2018 – terminologia de segurança contra incêndio.


São Paulo, 2018b.

SEITO, A. I. et al. A segurança contra incêndio no Brasil. São Paulo: Projeto


Editora, 2008.

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Proteção
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Incêndios e Explosões
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Combate ao Fogo – Parte 1

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Esp. Leandro Monteiro de Araújo

Revisão Textual:
Prof.ª Dr.ª Luciene Oliveira da Costa Granadeiro
Combate ao Fogo – Parte 1

Nesta unidade, trabalharemos os seguintes tópicos:


• Extintores;
• Hidrantes;
• Chuveiros Automáticos;
• Projeto.

Fonte: Getty Images


Objetivo
• Fornecer ao aluno o conteúdo teórico básico para o dimensionamento dos sistemas de
proteção contra incêndio por extintores, hidrantes e chuveiros automáticos.

Caro Aluno(a)!

Normalmente, com a correria do dia a dia, não nos organizamos e deixamos para o úl-
timo momento o acesso ao estudo, o que implicará o não aprofundamento no material
trabalhado ou, ainda, a perda dos prazos para o lançamento das atividades solicitadas.

Assim, organize seus estudos de maneira que entrem na sua rotina. Por exemplo, você
poderá escolher um dia ao longo da semana ou um determinado horário todos ou alguns
dias e determinar como o seu “momento do estudo”.

No material de cada Unidade, há videoaulas e leituras indicadas, assim como sugestões


de materiais complementares, elementos didáticos que ampliarão sua interpretação e
auxiliarão o pleno entendimento dos temas abordados.

Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de
discussão, pois estes ajudarão a verificar o quanto você absorveu do conteúdo, além de
propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de
troca de ideias e aprendizagem.

Bons Estudos!
UNIDADE
Combate ao Fogo – Parte 1

Contextualização
Esta unidade (Combate ao Fogo – Parte 1) vem apresentar ao aluno(a) os 3 tipos de
sistemas mais comuns em projetos contra incêndio. Desses, pelo menos um sempre será
encontrado em qualquer tipo de edificação.

Praticamente todos já ouviram falar nesses sistemas e/ou equipamentos. Mas como
definir qual desses 3 tipos de sistemas deve ser utilizado em uma edificação ou outra e
como projetá-los?

O Engenheiro de Segurança do Trabalho é um dos profissionais responsáveis por


definir qual tipo de sistema de combate ao fogo deve ser utilizado em cada tipo de
edificação, como deve ser projetado, instalado e utilizado para o combate a princípios
de incêndio.

Dessa forma, aproveite o conteúdo desta unidade e todos os demais recursos dis-
poníveis para o aprofundamento teórico nessa área de conhecimento que envolve a
segurança contra incêndio.

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Extintores
O extintor de incêndio, ou simplesmente extintor, é um equipamento de segurança
utilizado para extinguir ou controlar princípios de incêndios em casos de emergência.

De forma geral, trata-se de um cilindro


que pode ser carregado até o local do foco
do incêndio, contendo um agente extintor
sob pressão.

No Brasil, os extintores são normalizados


conforme norma ABNT NBR 12693 – Sis-
temas de proteção por extintor de incêndio.

Além da norma brasileira, devem-se ava-


liar as recomendações das legislações esta-
duais e normas técnicas do corpo de bom-
beiros para os sistemas de proteção contra Figura 1
incêndio por extintores em cada Estado. Fonte: Getty Images

A norma ABNT NBR 12693: Sistemas de proteção por extintor de incêndio não se
aplica à proteção de aeronaves, embarcações e veículos, nem a outras classes de
fogos que não sejam A, B e C.

O Estado de São Paulo através do Corpo de Bombeiros criou as Instruções Técni-


cas, mais conhecidas como Its. Nesse caso, falamos em especial da Instrução Técnica
21/2018 – Sistemas de proteção por extintores de incêndio –, que tem como referência
a ABNT NBR 12693.

Figura 2 – Instrução Técnica 21/2018 – Sistema de proteção por extintores de incêndio


Fonte: Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo

Assim como feito em São Paulo, os demais estados seguem essa tendência de facili-
tar o entendimento do “como implementar” as medidas de proteção contra incêndio nas

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UNIDADE
Combate ao Fogo – Parte 1

edificações, inclusive a forma de avaliação delas para permitir a emissão de licenças especí-
ficas. E, dessa forma, adotando instruções técnicas, como, por exemplo, o Estado do Pará,
que emitiu recentemente sua primeira edição das instruções técnicas – nesse caso, a instru-
ção técnica 03, que possui em sua parte I, o sistema de proteção por extintores de incêndio.

Figura 3 – Instrução Técnica 03/2019 – Controle de crescimento e supressão de incêndio


Fonte: Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo

Tipos
Segundo a NBR 12693, podemos dividir os extintores em dois tipos: portáteis
ou sobrerrodas.

Os extintores portáteis são aqueles que podem ser transportados manualmente e


possuem uma massa total de, no máximo, 20kg. Tais extintores são fabricados confor-
me ABNT NBR 15808 – Extintores de
incêndio portáteis.

Os extintores sobrerrodas, como o


próprio nome já diz, são equipamentos
montados sobre rodas e possuem uma
massa total de, no máximo, 250kg.
Tais extintores são fabricados conforme
ABNT NBR 15809 – Extintores de in-
cêndio sobre rodas.

Existem diversos fabricantes de extin-


tores que podem ser consultados para
esclarecimentos sobre a forma de cons- Figura 4 – Exemplo extintores portáteis
trução, capacidade etc. Fonte: Pixabay

Como exemplo, analise as informações apresentadas no catálogo de um extintor de incêndio,


disponível em: https://goo.gl/thLGQQ

Ambos os tipos de extintores são classificados em função da classe de incêndio (A, B


ou C) e em função de sua capacidade extintora.

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Todo extintor possui em seu corpo um rótulo de identificação que possui informações
básicas sobre classe de incêndio, instruções de uso, manutenção etc.

Como sabemos qual extintor utilizamos em cada ocasião? Para responder a essa
pergunta, precisamos responder a outras duas perguntas: Qual é a classe de incên-
dio? Qual é o tamanho do fogo (carga de incêndio)? Ao responder a essas duas per-
guntas, saberemos qual extintor devemos utilizar. Continue o estudo e entenderá
mais sobre o tamanho do fogo.

Capacidade
A capacidade extintora é uma das formas de medir o poder de extinção de fogo
de um extintor, e é obtida por meio de um ensaio normalizado, de acordo as normas
ABNT NBR 15808 (extintores de incêndio portáteis) e ABNT NBR 15809 (extintores
de incêndio sobre rodas).

Observe a figura a seguir que apresenta o tamanho dos engradados de madeira que
devem ser utilizados para determinar a capacidade extintora de cada extintor para fogo
classe A (1-A, 2-A, 4-A, 6-A, 10-A, 20-A ou 30-A). Quanto maior for o fogo do engra-
dado que o extintor conseguir extinguir, maior será a sua capacidade extintora, ou seja,
se o extintor em teste conseguir apagar o fogo do engradado de capacidade 6, significa
que o extintor tem capacidade 6-A e assim por diante.

Figura 5 – Determinação capacidade extintora de classe A


Fonte: Kidde/Divulgação

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UNIDADE
Combate ao Fogo – Parte 1

Para fogo classe B, segue o mesmo princípio do teste feito com os engradados de
madeira, porém, nesse caso, utilizam-se cubas quadradas, contendo líquido inflamável
(n-heptano) em tamanhos e volumes de líquidos para cada capacidade extintora a ser
testada, conforme apresentado na figura a seguir.

Já para fogo classe C, testa-se a condutividade elétrica durante o ensaio.

Figura 6 – Determinação capacidade extintora de classe B


Fonte: Kidde/Divulgação

Já sabemos o que é capacidade extintora e como ela é definida, porém, para o


dimensionamento de quantidade de extintores necessários em cada edificação é neces-
sário também entender o termo: “unidade extintora”. Tanto para extintores portáteis
quanto para extintores sobrerrodas, para se considerar cada um como uma unidade
extintora, segundo a ABNT NBR 12693, temos relacionado uma capacidade extintora
mínima que deve ser considerada. Veja nas tabelas a seguir qual seria a capacidade ex-
tintora mínima para se constituir uma unidade extintora.

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Tabela 1 – Extintor portátil - capacidade mínima de uma unidade extintora
Extintor portátil (máx. 20kg)
Agente extintor Capacidade extintora mínima
Água 2-A
Espuma mecânica 2-A: 10-B
Dióxido de Carbono (CO2) 5-B:C
Pó BC 20-B:C
Pó ABC 2-A:20-B:C
Halogenados 5-B:C
Fonte: O Autor, 2019. (ref. ABNT NBR12693)

Tabela 2 – Extintor sobre rodas - capacidade mínima de uma unidade extintora


Extintor sobre rodas (máx. 250kg)
Agente extintor Capacidade extintora mínima
Água 10-A
Espuma mecânica 6-A: 40-B
Dióxido de Carbono (CO2) 10-B:C
Pó BC 80-B:C
Pó ABC 6-A:80-B:C
Fonte: O Autor, 2019. (ref. ABNT NBR12693)

Para a utilização dos extintores sobrerrodas, é necessário avaliar se o mesmo pode


acessar a área a ser protegida sem impedimentos de portas, soleiras, degraus no
piso, materiais, equipamentos ou outras obstruções, não podendo, ainda, protege-
rem pavimentos diferentes de sua instalação.

Instalação e Sinalização
Os extintores devem ser instalados em função do risco da ocupação e da classe de
incêndio, obedecendo também à distância máxima a ser percorrida para cada risco con-
forme ABNT NB 12693. Por exemplo, não vamos utilizar um extintor de água quando
a classe de incêndio é C, ou seja, risco elétrico. Tão pouco, vamos utilizar um extintor de
capacidade extintora 2-A, quando em função do risco da ocupação, se exige a instalação
de um extintor com capacidade mínima de 4-A. Para melhor entender sobre a capacidade
extintora mínima em função do risco da ocupação, veja mais à frente a tabela sobre “ca-
pacidade extintora mínima e distância máxima a ser percorrida em cada classe de risco”.

Os extintores não podem estar obstruídos, pois, se estiverem obstruídos, quando da


sua utilização, podemos ter outro acidente além do incêndio propriamente, ou seja, não
devemos deixar lixos, plantas, arquivos etc. na frente de qualquer extintor. Além disso, os
mesmos devem estar visíveis e sinalizados conforme ABNT NBR 13434, que define os
critérios a serem considerados quanto à sinalização de segurança contra incêndio e pânico.

Os extintores portáteis devem estar a uma altura de, no máximo, 1,60m do piso e de,
no mínimo, 0,10m do piso, mesmo quando apoiado em suporte, conforme figura a seguir.

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UNIDADE
Combate ao Fogo – Parte 1

SINALIZAÇÃO
FOTOLUMINESCENTE

0,10m no Mínimo e 1,60m no Máximo


EXTINTOR DE
PAREDE

RÓTULO DO FABRICANTE

SUPORTE
0,10

DE PISO

PISO ACABADO

DETALHE FIXAÇÃO E SINALIZAÇÃO


DE EXTINTORES

Figura 7 – Detalhe instalação extintor portátil


Fonte: Adaptado de Getty Images

O sistema de proteção por extintores deve ser aplicado a todo tipo de edificação, con-
siderando no mínimo duas unidades extintoras por pavimento, sendo uma para incêndio
classe A e outra para incêndio classe B e C.
A classe de risco das edificações se divide em baixo, médio e alto, conforme apresen-
tado na tabela a seguir:
Tabela 3 – Classificação do grau de risco
Classe de Risco Carga de incêndio Volume de líquido Combustível
Baixo < 300 MJ/m2 < 3,6L
Médio 300 MJ/m2 a 1200 MJ/m2 3,6L a 18L
Alto 2 Acima de 18L
Acima de 1200 MJ/m
Fonte: O Autor, 2019. (ref. ABNT NBR12693)

A carga de incêndio pode ser encontrada no Anexo A da ABNT NBR 12693,


bem como nas legislações estaduais e instruções técnicas do corpo de bombeiros de
cada estado.

Tabela 4 – Cargas de incêndio específicas por ocupação


Carga de incêndio
Ocupação/uso Descrição
específica (q) MJ/m2
Alojamentos estudantis 300
Apartamentos 300
Residencial
Casas térreas ou sobrados 300
Pensionatos 300

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Carga de incêndio
Ocupação/uso Descrição
específica (q) MJ/m2
Hotéis 500
Motéis 500
Apart-hotéis 500
Alojamentos estudantis 300
Apartamentos 300
Serviços de hospedagem Casas térreas ou sobrados 300
Pensionatos 300
Hotéis 500
Motéis 500
Apart-hotéis 500
Alojamentos estudantis 300
Fonte: ABNT NBR 12693 – Anexo A

Para a distribuição dos extintores, deve-se avaliar a capacidade extintora mínima a


ser considerada, bem como a distância máxima a ser percorrida em metros, conforme
tabela a seguir. Além disso, deve-se considerar no mínimo um extintor a não mais de 5m
da porta de acesso da entrada principal da edificação ou do pavimento.

Tabela 5 – Capacidade extintora mínima e distância máxima a ser percorrida em cada classe de risco
Incêndio Classe A Incêndio Classe B
Classe de Risco Capac. Distância máx. a ser Distância máx. a ser
Capac. extintora mín.
extintora mín. percorrida (m) percorrida (m)
Baixo 2-A 25 20-B 15
Médio 3-A 20 40-B 15
Alto 4-A 15 80-B 15
Fonte: O Autor, 2019 (ref. ABNT NBR12693)

Dois extintores com carga d’água de capacidade extintora 2-A, quando instalados um ao
lado do outro podem ser utilizados em substituição a um extintor 4 – A.

A norma ABNT NBR 12693 define que os extintores para risco classe C devem ser
distribuídos com base na proteção do risco principal da edificação ou da área de risco, ou
seja, acompanhando-se a mesma distribuição dos riscos classe A ou B. Observe que nor-
malmente se encontram nas edificações extintores de Água e Pó químico ABC juntos,
para atender as classes de incêndio A, B e C e a exigência de no mínimo duas unidades
extintoras por pavimento recomendado pelo NBR.
Sempre que possível, também se deve instalar esses extintores de classe C próximos
a riscos especiais mantendo-se uma distância segura para o operador, tais como:
• casa de caldeira;
• casa de bombas;
• casa de força elétrica;
• casa máquinas;
• galeria de transmissão;

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UNIDADE
Combate ao Fogo – Parte 1

• incinerador;
• elevador (casa de máquinas);
• ponte rolante;
• escada rolante (casa de máquinas);
• quadro de redução para baixa tensão;
• transformadores;
• contêineres de telefonia;
• gases ou líquidos combustíveis ou inflamáveis; e
• outros riscos semelhantes.

ABNT NBR 12693 - ANEXO A – Carga de incêndio específica por ocupação – Cálculo para
tipo de risco. Disponível em: https://goo.gl/qd1bT5

Como utilizar um extintor portátil: https://youtu.be/n1oLX6XgjI4

Certificação, validade e garantia


Todos os extintores devem estar lacrados, com a pressão adequada e possuir selo de
conformidade do Inmetro.

O prazo de validade da carga e da garantia de funcionamento do extintor novo é


informado pelo fabricante do mesmo.

No caso de manutenção, o prazo de validade da carga e da garantia será dado pela em-
presa responsável pela manutenção, desde que a mesma seja certificada pelo Inmetro, o qual
emite uma quantidade de selos para cada empresa em função da sua capacidade de recarga.

A importância da manutenção do extintor: https://youtu.be/cix_PgOgZag

Hidrantes
O sistema de hidrantes é um sistema do tipo fixo, de proteção por abafamento e
resfriamento do incêndio. Na etapa inicial do incêndio o sistema por Hidrantes pode
ser manuseado pela equipe da brigada contra incêndio da edificação que é treinada e
habilitada para tal atuação.

Na segunda etapa o mesmo sistema será utilizado pelo Corpo de Bombeiros, que uti-
lizará a água do próprio reservatório da edificação, conhecido como reserva técnica de
incêndio (RTI), ou através de alimentação externa por meio do registro de recalque (RR).
O sistema de hidrantes é um sistema de proteção contra incêndio composto
por tubulação, conexões, válvulas, bombas, instrumentos, reservatório de água etc.

14
Trata-se de um sistema que necessita de um projeto hidráulico, elaborado por um pro-
fissional habilitado, com recolhimento de ART referente ao projeto.

Para a elaboração desse projeto, temos a ABNT NBR 13714: 2000 – Sistema de
hidrantes e de mangotinhos para combate a incêndio – e as legislações estaduais com
suas normas técnicas específicas.
De forma geral, no projeto desse sistema, devemos seguir as recomendações das le-
gislações estaduais e suas normas técnicas, que, por sua vez, seguem as recomendações
da norma brasileira NBR 13714.
As variáveis básicas de um sistema de proteção e combate contra incêndio por hi-
drantes são: pressão e vazão mínimas necessárias nos hidrantes mais desfavoráveis hi-
draulicamente e Reserva Técnica de Incêndio, entre outras.
Para entendermos como funciona o sistema de hidrantes e seu dimensionamento, va-
mos avaliar um estudo de caso de dimensionamento do sistema por 3 critérios de cálculo.

Componentes do sistema
O sistema de hidrantes possui diversos componentes que devem ser dimensionados e
selecionados conforme as recomendações de normas.

Vamos conhecer alguns dos principais componentes desse sistema hidráulico chama-
do de sistema de hidrantes.
• Reserva Técnica de Incêndio (RTI): Trata-se da reserva de água exclusiva para o
combate ao incêndio, dimensionado pelo engenheiro calculista hidráulico respon-
sável pelo projeto de combate contra incêndio;
• Hidrante: Trata-se do ponto de tomada de água com uma (simples) ou duas (duplo)
saídas, conectado a uma válvula globo 45º com adaptador, tampão, mangueiras de
incêndio, esguicho e chave storz;
• Mangotinho: Ponto de tomada de água onde há uma (simples) saída contendo vál-
vula de abertura rápida, adaptador (se necessário), mangueira semirrígida, esguicho
regulável e demais acessórios;
• Mangueira: As mangueiras de incêndio devem atender às condições da NBR
11861 - Mangueira de incêndio - Requisitos e métodos de ensaio. A depender do
tipo do sistema, utiliza-se mangueiras de DN 40mm ou DN 65mm;
• Esguicho: Dispositivo adaptado na extremidade da mangueira utilizado para dar forma,
direção e controle ao jato de água, podendo ser do tipo regulável ou jato compacto;
• Bomba principal: Trata-se de uma bomba hidráulica centrífuga utilizada exclusiva-
mente para recalcar água para os hidrantes, na pressão e vazão definida no projeto;
• Bomba de pressurização (Jockey): Trata-se de uma bomba hidráulica centrífuga
utilizada para manter pressurizado o sistema de hidrante dentro de uma faixa esta-
belecida em projeto.

Existem diversos outros componentes que podem ser utilizados dentro de um sistema de
hidrantes. Tais componentes são exigidos em função da necessidade do projeto hidráulico.

15
15
UNIDADE
Combate ao Fogo – Parte 1

Estudo de caso
Para o estudo de caso, será analisado o dimensionamento de um sistema de hidrantes
de um condomínio residencial de 10 andares, com reservatório inferior, dotado de bom-
ba de incêndio principal e bomba jóquei para manter a linha pressurizada.

A análise será feita por 2 critérios, sendo:


• 1º critério: NBR 13.714: 2000;
• 2º critério: CBPMSP - Instrução Técnica nº22/2011;

Figura 8 – Isométrico Hidrantes - Condomínio residencial - 10 andares


Fonte: Acervo do Conteudista

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Para todos os critérios, seguiremos a mesma sequência de estudo, a saber:
1. Volume mínimo para o reservatório de água de incêndio;
2. Vazão necessária para o sistema de hidrantes;
3. Diâmetro de tubulações;
4. Cálculo de perda de carga;
5. Altura manométrica.

• Solução 01 (NBR 13.714:2000)

1 – Volume mínimo para o Reservatório de Água de Incêndio

O volume mínimo da Reserva de Incêndio, conforme item 5.4 da NBR 13.714:200,


é: V = Q x t, onde:
• “Q” é a vazão e duas saídas do sistema aplicado, conforme a tabela 4.1.1 (Tabela
1 da NBR 13.714:200), em litros por minuto;
• “t” é o tempo de 60 min para sistemas dos tipos 1 e 2, e de 30 minutos para sis-
tema do tipo 3, conforme classificação da NBR 13.714:200; e
• “V” é o volume da reserva, em litros.

Conforme tabela D1 da NBR 13.714:200, temos a classificação quanto à Ocupa-


ção/uso, onde é definido o tipo de sistema que deve ser considerado – nesse caso, o
condomínio residencial se enquadra no Grupo A, com o sistema tipo 1.

Tabela 6 – tipos de sistemas


Mangueiras
Vazão
Tipo Esquicho Comprimento Saídas
Diâmetro (mm) L/min
máximo (m)
1 Regulável 25 ou 32 30 1 80 ou 100
Jato compacto
2 40 30 2 300
Ø16mm ou regulável
Jato compacto
3 65 30 2 900
Ø25mm ou regulável
Fonte: O Autor, 2019 (ref. ABNT NBR13714:2000 – tabela 1)

Para o sistema Tipo 1, temos uma vazão de 80 ou 100 L/min, entretanto, segundo
item D.7 do Anexo D da NBR 13.714:2000, pode-se opcionalmente considerar a edifi-
cação atendida por um sistema de hidrantes com mangueiras de DN 40 mm ao invés dos
mangotinhos. Nesse caso, é necessário considerar uma vazão mínima de 130 L/min no
esguicho mais desfavorável hidraulicamente e a reserva também deve levar em conta o
número de hidrantes em funcionamento conforme item D.7.c dessa mesma NBR.
Dessa forma, temos: V = Q x t = 130 x 4 x 60 = 31.200,00 litros, adotado V = 32m3.

2 – Vazão Necessária para o Sistema de Hidrantes

Como verificado no item 1, definimos a vazão mínima de 130 L/min para determi-
nação do volume da reserva de água de incêndio.

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UNIDADE
Combate ao Fogo – Parte 1

Assim, temos a vazão mínima de 130 L/min no esguicho mais desfavorável hidrauli-
camente, ou seja, 7,8m3/h.

Para o cálculo da vazão mínima necessária para o Sistema de Hidrantes, deve-


-se considerar o uso simultâneo de quatro hidrantes, conforme item D.7.c da NBR
13.714:2000.
Q = 4 x 7,8 = 31,2 m³/h

3 – Diâmetro de Tubulações

Tubulação de Sucção e Recalque, velocidade adotada: 3,0 m/s

Q  4 ⋅ A 
Como, A = e D=  , temos: D = 0,061 m;
v  p 
Adotado: DN 65 mm; Velocidade (DN65): v = 2,61 m/s

4 – Cálculo de Perda de Carga

Considerando o Isométrico apresentado, temos para os trechos abaixo os seguintes


comprimentos equivalentes:
Tabela 7 – Singularidades

Válvula de Retenção Pesada


Diâmetro interno em mm

Válvula de Retenção Leve


Válvula de pé com crivo
Cotovelo 90 Raio Médio
Cotovelo 90 Raio Longo

Cotovelo 90 Raio Curto


Diâmetro polegadas

Ampliação Gradua
Saída Canalização
Entrada de Borda

Redução Gradual
Curva 90 R/D 1,5

Vávla Borboleta
Entrada Normal

Válvula Ângulo
Válvula Gaveta
Curva 90 R/D 1

Válvula Globo
Cotovelo 45

Tê Lateral
Tê Direto
Curva 45

Trecho Leq
A B 2 1/2 59,0 2 1 2 1 8,90
B C 2 1/2 59,0 2 1 3,30
C D 2 1/2 59,0 6 7,80
D E 2 1/2 59,0 1 1,30
E F 2 1/2 59,0 1 1,30
F H1 2 1/2 59,0 1 1 2,30
F H2 2 1/2 59,0 1 4,30
E H3 2 1/2 59,0 1 4,30
D H4 2 1/2 59,0 1 4,30
Fonte: O Autor, 2019

Tabela 8 – Perda de carga na mangueira


Mangueira DN40
Comprimento 30 m
Coeficiente de Rugosidade 140
Diâmetro Interno 0,04 m
Vazão 0,00217 m3/s
Perda de Carga Unitária (J) 0,06526 m/m
Perda de Carga Total 2,58767 m
Fonte: O Autor, 2019

18
Tabela 9 – perda de carga no esguicho
Esguicho
Coeficiente de Correção da vazão 0,98 (adotado)
Diâmetro do esguicho 0,0254 m
Área 0,00051 m2
Vazão do Hidrante 0,00217 m3/s
Perda de Carga 0,03842 m
Fonte: O Autor, 2019

Utilizaremos a equação de Hazen-Williams para o cálculo da perda de carga total no


sistema, conforme abaixo.

Tabela 10 – Perda de carga total


CALCULO DA PERDA DE CARGA E ALTURA MONOMETRICA DO SISTEMA
Projeto: Sistema: Execução Data Nº documento
Condomínio Residencial –
Solução 1 (NBR 13.714/2000) Combate à Incêndio por Hidrantes LMA
Método Utilizado: Fórmula: Onde: Coeficiente C Perdas de Carga Adicionais:
FERRO FUNDIDO
Hazen-Williams J = 10,643 . Q1,85 . C-1,85 . D-4,87 J: Perda de Carga (m/m) m
Q: Vazão (m3/s) 100 m
D: Diâmetro (m) AÇO Mangueira DN40 2,59 m
Q: Coeficiente Adimensional 100 Esguicho 0,04 m
Diâmetro Perda
Trecho Vazão Vazão Velocidade Área Tubo DN L EQ L RETO L TOT hf
Interno Unitária J
m /h
3
m /s
3
m/s m2 pol m m/m m m m m

A B 31,2 0,009 3,2 0,0027 2 1/2 0,59 0,315 8,9 6,50 15,4 4,848
B C 31,2 0,009 3,2 0,0027 2 1/2 0,59 0,315 3,3 6,80 10,1 3,180
C D 31,2 0,009 3,2 0,0027 2 1/2 0,59 0,315 7,8 18,60 26,4 8,311
D E 23,4 0,007 2,4 0,0027 2 1/2 0,59 0,185 1,3 3,10 4,4 0,813
E F 15,6 0,004 1,6 0,0027 2 1/2 0,59 0,087 1,3 3,10 4,4 0,384
F H1 7,8 0,002 0,8 0,0027 2 1/2 0,59 0,024 2,3 4,60 6,9 0,167
F H2 7,8 0,002 0,8 0,0027 2 1/2 0,59 0,024 4,3 1,50 5,8 0,140
E H3 7,8 0,002 0,8 0,0027 2 1/2 0,59 0,024 4,3 1,50 5,8 0,140
D H4 7,8 0,002 0,8 0,0027 2 1/2 0,59 0,024 4,3 1,50 5,8 0,140
∆H Máxima total A-H = 20,3 m
Fonte: O Autor, 2019

5. – Altura Manométrica

Para a determinação da Altura Manométrica da bomba, levamos em conta o desnível


geométrico até o último piso atendido e as perdas de carga do sistema, conforme item 4.

Dessa forma, temos:

Hm = Hg + ∑∆H + Hn

Onde:
• Hg = Altura geométrica (diferença entre o último piso atendido por um hidrante e
a elevação de instalação da caixa d’água de incêndio);
• Hg = 31,2 m
• ∑∆H = Perda de carga total na tubulação até o esguicho (mca), considerando
tubo novo;

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UNIDADE
Combate ao Fogo – Parte 1

• ∑∆H = 20,3 (conforme tabela de perda de carga total)


• Hn = Pressão mínima necessária no esguicho, posicionado no último piso.
• Hn = 15 mca (Adotado).
• Hm = 66,5 mca

Sendo assim, considerando um acréscimo aproximado de 10% para eventuais ajustes


durante o detalhamento das tubulações, temos:

Hm = 74,00 mca (adotado)

• Solução 02 (CBPMSP – Instrução Técnica 22/2018)

Para se iniciar a avaliação do Sistema de Hidrantes conforme Instruções do Corpo de


Bombeiros do Estado de São Paulo, é necessário primeiramente classificar a edificação
conforme Decreto nº 56.819, de 10 de março de 2011.

Dessa forma, segundo Tabela 8 (Decreto 56.819- Tabela 1), classificamos a edifica-
ção como A-2 - Habitação Multifamiliar.

Tabela 11 – Classificação da Edificação quanto à Ocupação


Grupo Ocupação/Uso Descrição Descrição Exemplos
Casas térreas ou assombradas (isoladas e não
A-1 Habitação unifamiliar
isoladas) e condomínios horizontais.

A Residencial
A-2 Habitação multifamiliar Edifícios de apartamento em geral.
Pensionatos, internatos, alojamentos, mosteiros,
A-3 Habitação coletiva conventos, residências geriátricas. Capacidade
máxima de 16 leitos.
Fonte: Decreto nº 56.819 - Tabela 1

1 – Volume mínimo para o Reservatório de Água de Incêndio

Para o volume mínimo do Reservatório, consideramos as Tabelas 2 e 3 da IT-022 do


Corpo de Bombeiros de S.P.

Ocupação: A-2 (Habitação Multifamiliar); Área = 2400,00 m2

Segundo tabela 3 da IT-22, temos um R.T.I. de 8m3, considerando o sistema tipo 2.

Tabela 12 – Tipos de sistemas de proteção por hidrante ou mangotinho


Mangueiras de incêndio Vazão mínima
Pressão mínima
na válvula do
Esguicho Número de no hidrante mais
Tipo hidrante mais
regulável (DN) DN (mm) Comprimento (m) expedições desfavorável desfavorável
(mca)
(L/min)
1 25 25 30 simples 100 80
2 40 40 30 simples 150 30
3 40 40 30 simples 200 40
Fonte: Instrução Técnica 22/2018 - Tabela 2

20
Tabela 13 – Aplicabilidade dos tipos de sistemas e volume de reserva de incêndio mínima (m3)
CLASSIFICAÇÃO DAS EDIFICAÇÕES E ÁREAS DE RISCO
CONFORME TABELA 1 DO DECRETO ESTADUAL 56.819/11
D-1 (acima de 300 MJ/m2),
D-3 (acima de 300 MJ/m2),
D-4 (acima de 300 MJ/
Área das A-2, A-3, C-1, D-1 (até 300 MJ/m2),
m2), B-1, B-2, C-2 (acima C-2, (acima de 1000
edificações e áreas D-4 (até 300 MJ/m2), E-1, E2, E-3,
de 300 até 1000 MJ/m2), MJ/m2), I-2 (acima
E-4, E-5, E-6, F-1 (até 300 MJ/m2), G-5, I-3, J-4,
de risco C-3, F-1 (acima de 300 de 800 MJ/m2), J-3
F-2, F-3, F-4, F-8, G-1, G-2, G-3, L-2 e L-3
MJ/m ), F-5, F-6, F-7, F-9, (acima de 800 MJ/
2
G-4, H-1, H-2, H-3, H-5, H-6; I-1,
F-10, H-4, I-2 (acima de m ), L-1, M-1, M-5
2
J-1, J-2 e M-3
300 até 800 MJ/m2), J-2 e
J-3 (acima de 300 até 800
MJ/m2)
Tipo 1 Tipo 2 Tipo 3 Tipo 4 Tipo 4
Até 2.500 m2 RTI 5 m3 RTI 8 m3 RTI 12 m3 RTI 28 m3 RTI 32 m3
Acima de 2.500 m2 Tipo 1 Tipo 2 Tipo 3 Tipo Tipo 4
até 5.000 m2 RTI 8 m3 RTI 12 m3 RTI 18 m3 RTI 32 m3 RTI 48 m3
Fonte: Instrução Técnica 22/2018 - Tabela 3

2 – Vazão Necessária para o Sistema de Hidrantes

A vazão mínima segue a tabela 2 da IT-022 do Corpo de Bombeiros de S.P.

Para o sistema Tipo 2, considerar uma vazão mínima na válvula do hidrante mais
desfavorável de 150L/min, ou seja, 9m3/h.

Para tal dimensionamento, deve-se considerar o uso simultâneo de dois hidrantes,


conforme item 5.8.3 da IT-022.

Q = 2 x 9 = 18,0 m3/h

3 – Diâmetro de Tubulações

Tubulação de Sucção e Recalque

Velocidade adotada: 3,0 m/s

Q  4 ⋅ A 
Como, A = e D=  , temos: D = 0,046 m; Adotado: DN 65 mm
v  p 
Velocidade (DN65): v = 1,51 m/s

4 – Cálculo de Perda de Carga

Considerando o Isométrico e singularidades já apresentados, e a vazão a ser conside-


rada conforme IT-22, temos o novo cálculo de perdas de carga conforme a tabela seguir:

21
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UNIDADE
Combate ao Fogo – Parte 1

Tabela 14 – perda de carga total


CALCULO DA PERDA DE CARGA E ALTURA MONOMETRICA DO SISTEMA
Projeto: Sistema: Execução Data Nº documento
Condomínio Residencial –
Solução 2 (IT 22/2011) Combate à Incêndio por Hidrantes LMA
Método Utilizado: Fórmula: Onde: Coeficiente C Perdas de Carga Adicionais:
FERRO FUNDIDO
Hazen-Williams J = 10,643 . Q1,85 . C-1,85 . D-4,87 J: Perda de Carga (m/m) m
Q: Vazão (m3/s) 100 m
D: Diâmetro (m) AÇO m
C: Coeficiente Admisional 100 m
Diâmetro Perda
Trecho Vazão Vazão Velocidade Área Tubo DN L EQ L RETO L TOT hf
Interno Unitária J
m3/h m3/s m/s m2 pol. m m/m m m m m

A B 18,0 0,005 1,8 0,0027 2 1/2 0,59 0,114 8,9 6,50 15,4 1,752
B C 18,0 0,005 1,8 0,0027 2 1/2 0,59 0,114 3,3 6,80 10,1 1,149
C D 18,0 0,005 1,8 0,0027 2 1/2 0,59 0,114 7,8 18,60 26,4 3,004
D E 18,0 0,005 1,8 0,0027 2 1/2 0,59 0,114 1,3 3,10 4,4 0,501
E F 18,0 0,005 1,8 0,0027 2 1/2 0,59 0,114 1,3 3,10 4,4 0,501
F H1 9,0 0,003 0,9 0,0027 2 1/2 0,59 0,032 2,3 4,60 6,9 0,218
F H2 9,0 0,003 0,9 0,0027 2 1/2 0,59 0,032 4,3 1,50 5,8 0,183
∆H Máxima total A-H = 7,1 m
Fonte: O Autor, 2019

5 – Altura Manométrica

Para a determinação da Altura Manométrica da bomba, levamos em conta o desnível


geométrico até o último piso atendido e as perdas de carga do sistema, conforme item 4.

Dessa forma, temos:

Hm = Hg + ∑∆H + Hn

Onde:
• Hg = Altura geométrica (diferença entre o último piso atendido por um hidrante e
a elevação de instalação da caixa d’água de incêndio);
• Hg = 31,2 m
• ∑∆H = Perda de carga total na tubulação até o hidrante (mca), considerando
tubo novo;
• ∑∆H = 7,1 (conforme tabela de perda de carga total);
• Hn = Pressão mínima necessária no esguicho, posicionado no último piso;
• Hn = 30 mca (conforme tabela 2 da IT-22);
• Hm = 68,3 mca.

Sendo assim, considerando um acréscimo aproximado de 10% para eventuais ajustes


durante o detalhamento das tubulações, temos:

Hm = 75,00 mca (adotado)

22
Comparação
As diferenças encontradas nas soluções estudadas podem ser observadas na tabela 15
abaixo, onde são apresentadas de forma resumida os valores encontrados em cada solução.

Tabela 15 – Tabela de Comparação


NBR 13.417:2000 Instrução Técnica 22/2018
Classificação da Edificação Grupo A (residencial) A-2 (Habitação Multifamiliar)
Volume da Reserva de Incêndio (m )
3
32 8
Vazão unitária (m /h)
3
7,8 9
Vazão total do Sistema (m /h)
3
31,2 18
Perda de Carga no Sistema 20,3 7,1
Altura Manométrica da Bomba 74 75
Fonte: O Autor, 2019

Com base na tabela, observa-se que, embora a altura manométrica da bomba seja
praticamente a mesma, a vazão é 70% maior pela NBR e a reserva de incêndio é 4 vezes
maior pela NBR do que pela IT 22/2018 do CBPMSP.

Se no estudo de caso apresentado temos valores diferentes de vazão e reserva de incêndio


entre a NBR e norma técnica do CBPMSP, por que não se utilizam os valores da NBR nos
projetos que seguem para aprovação junto ao Corpo de Bombeiros de SP?

Chuveiros Automáticos
O sistema de chuveiros automáticos, também conhecido simplesmente como
sprinklers, é um sistema fixo, integrado à edificação que processa uma descarga
automática de água sobre um foco de incêndio, em uma densidade adequada para
controlá-lo ou extingui-lo.

Figura 9
Fonte: Getty Images

23
23
UNIDADE
Combate ao Fogo – Parte 1

O sistema realiza automaticamente 3 funções básicas:


• Detectar o fogo;
• Ativar o alarme sonoro e identificar o setor da edificação; e
• Controlar ou extinguir o fogo.

Para a elaboração do projeto desse sistema, seguimos as recomendações da ABNT


NBR 10897: 2014 – Sistemas de proteção contra incêndio por chuveiros automáticos
–, bem como as legislações estaduais com suas normas técnicas específicas.

Classificação do sistema
O sistema de chuveiros automáticos (sprinklers) possui basicamente 4 classificações,
a saber:
• Sistema de tubo molhado;
• Sistema de tubo seco;
• Sistema de ação dilúvio; e
• Sistema de ação prévia.

Sistema de tubo molhado


Esse sistema consiste em uma rede de tubulação fixa, contendo água sob pressão de
forma permanente, na qual estão instalados chuveiros automáticos em seus ramais.

O sistema é controlado, em sua entrada, por uma válvula de governo cuja função é
soar, automaticamente, um alarme quando da abertura de um ou mais chuveiros dispara-
dos pelo incêndio. Os chuveiros automáticos realizam, de forma simultânea, a detecção,
alarme e combate ao fogo.

Sistema de tubo molhado, disponível em: https://goo.gl/541Bb2

O funcionamento se dá, basicamente, da seguinte forma:


• O incêndio libera calor que sobe em direção ao teto pela convecção;
• Ao romper os chuveiros automáticos, ocorre a liberação da água. Com a queda de pres-
são no sistema, o conjunto de bombas que pressuriza a rede entra em funcionamento;

Entenda de forma simplificada o funcionamento do sistema de sprinkler de tubo molhado,


disponível em: https://youtu.be/AFHQA7EgJ4g

Sistema de tubo seco


O sistema de tubo seco consiste em uma rede de tubulação fixa, contendo, em seu
interior, ar comprimido ou nitrogênio sob pressão, à qual estão instalados chuveiros
automáticos em ramais.

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O sistema possui uma válvula que se abre quando da liberação do gás contido na
tubulação, pelo acionamento dos chuveiros automáticos. Dessa forma, a válvula permite
a admissão da água na rede da tubulação.

Esse tipo de sistema é destinado às regiões sujeitas a baixas temperaturas, onde o


congelamento da água na tubulação é uma possibilidade a ser considerada.

Sistema de tubo seco, disponível em: https://goo.gl/DPnSNw

Sistema de ação dilúvio


O sistema de ação dilúvio consiste em uma tubulação seca, na qual são instalados
chuveiros abertos (não possuem elementos termossensíveis) em seus ramais.

Esse sistema é monitorado por um sistema de detecção de incêndio na área de pro-


teção, interligado a uma válvula denominada dilúvio, instalada na entrada da rede de
tubulação. A água entra pela rede e é descarregada por todos os chuveiros abertos,
inundando toda a área.

Sistema de ação dilúvio, disponível em: https://goo.gl/xkWfVE

Sistema de ação prévia


O sistema de ação prévia é similar ao sistema de tubo seco, entretanto, acrescenta-se
a esse sistema, um sistema de detecção de incêndio muito sensível, que é interligado a
uma válvula especial instalada na entrada da rede de detectores, os quais cobrem toda a
área de operação.

Em princípio de incêndio, a válvula especial é aberta automaticamente, permitindo a


entrada de água na rede, que descarregará nos chuveiros ativados.

A ação prévia do sistema faz soar, simultânea e automaticamente, um alarme de in-


cêndio, antes da abertura de qualquer chuveiro automático.

Sistema de ação prévia, disponível em: https://goo.gl/Gk2Wyd

Projeto
O anexo A da Instrução Técnica nº23/2018 do Corpo de Bombeiros de SP, com
base na NBR 10897, apresenta um Passo a Passo em 15 etapas, para elaboração do
projeto de chuveiros automáticos, conforme descrito abaixo:
• Passo 1: Identificar a ocupação ou o risco a ser protegido;
• Passo 2: Determinar o tamanho da área de aplicação dos chuveiros automáticos;
• Passo 3: Determinar a densidade de projeto exigida;

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UNIDADE
Combate ao Fogo – Parte 1

• Passo 4: Estabelecer o número de chuveiros contidos na área de cálculo;


• Passo 5: Determinar o formato da área de cálculo;
• Passo 6: Calcular a vazão mínima exigida para o primeiro chuveiro;
• Passo 7: Calcular a pressão mínima exigida para o primeiro chuveiro;
• Passo 8: Calcular a perda de carga entre o primeiro e o segundo chuveiro;
• Passo 9: Calcular a vazão do segundo chuveiro;
• Passo 10: Repetir os Passos 8 e 9 para os chuveiros seguintes até que todos os
chuveiros do ramal estejam calculados;
• Passo 11: Se a área de cálculo se estender até o outro lado da subgeral, os Passos
6 até 9 são repetidos para o lado oposto. Os ramais que cruzam deverão ser balan-
ceados com a mais alta pressão de demanda;
• Passo 12: Calcular o fator K para a primeira subida, com fatores adicionais calcu-
lados para as linhas desiguais;
• Passo 13: Repetir os Passos 8 e 9 para as subidas (ao invés de chuveiros) até que
todas as subidas da área de cálculo tenham sido calculadas;
• Passo 14: Computar a perda de carga no ponto de abastecimento com as com-
pensações devido a desníveis geométricos, válvulas e acessórios e diferença de ma-
teriais da tubulação enterrada;
• Passo 15: Comparar a vazão calculada com o suprimento de água disponível.

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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Livros
Instalações hidráulicas de combate a incêndios nas edificações
Entenda sobre instalações hidráulicas de combate a incêndios através do livro: BRENTANO,
Telmo. Instalações hidráulicas de combate a incêndios nas edificações. 5. ed. atua-
lizada, 2016.

Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais


Conheça um pouco mais sobre cálculos hidráulicos através do livro: MACINTYRE, A. J.
Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1988.

Vídeos
Sistemas de Chuveiros Automáticos (Revisão da NBR 10.897/2014)
Entenda um pouco mais sobre a revisão da norma de chuveiros automáticos da ABNT
com a apresentação disponibilizada pela ABSpk no vídeo.
https://youtu.be/oxOYdzHzjQk

Leitura
Extintores
Conheça um guia rápido sobre extintores.
https://goo.gl/AzeKAr

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UNIDADE
Combate ao Fogo – Parte 1

Referências
ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (2013), NBR 12.693:
2013: Sistemas de proteção por extintor de incêndio.

ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (2018), NBR 13.434:


2018: Sinalização de segurança contra incêndio e pânico.

ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (2000), NBR 13.714:


2000: Sistemas de hidrantes e de mangotinhos para combate a incêndio.

ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (2017), NBR 15808:


2017: Extintores de incêndio portáteis.

ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (2017), NBR 15809:


2017: Extintores de incêndio sobre rodas.

AZEVEDO NETTO, J. M. Manual de Hidráulica. 8. ed. atualizada. São Paulo: Edgard


Blücher, 1998.

CORPO DE BOMBEIROS DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO, Ins-


trução Técnica nº 21/2018 - Sistema de proteção por extintores de incêndio.

CORPO DE BOMBEIROS DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO, Ins-


trução Técnica nº 22/2018 - Sistema de hidrantes e de mangotinhos para combate a
incêndio.

CORPO DE BOMBEIROS DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO,


Instrução Técnica nº 23/2018 - Sistema de chuveiros automáticos.

MACINTYRE, A. J. Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais. 2. ed. Rio de Ja-


neiro: Guanabara, 1988.

SEITO, A. I; GILL, A. A; PANNONI, F. D; ONO, R; SILVA, S. B; CARLO, U. D; SILVA,


V. P. A Segurança Contra Incêndio no Brasil. São Paulo: Projeto Editora: 2008.

TELLES, P. C. S.; BARROS, D. G. P. Tabelas e Gráficos para Projetos de Tubula-


ções. 6. ed. Rio de Janeiro: Interciência:1998.

28
Proteção
Inserir Título
Contra
Aqui
Inserir Título
Incêndios e Explosões
Aqui
Combate ao Fogo – Parte 2

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Esp. Leandro Monteiro de Araújo

Revisão Textual:
Prof.ª Dr.ª Selma Aparecida Cesarin
Combate ao Fogo – Parte 2

Nesta unidade, trabalharemos os seguintes tópicos:


• Detecção e Alarme de Incêndio;
• Projeto de Sistemas de Detecção e Alarme de Incêndio;
• Sistema de CO2 Alta Pressão;
• Sistema de CO2 Baixa Pressão.

Fonte: Getty Images


Objetivos
• Fornecer ao aluno o conteúdo teórico básico para a definição dos Sistemas de Detecção
e Alarme de Incêndio;
• Apresentar alguns Sistemas especiais utilizados para a extinção do incêndio em alguns
tipos de ocupações, visando à sobrevivência das pessoas e à preservação do patrimônio
em casos de emergência.

Caro Aluno(a)!

Normalmente, com a correria do dia a dia, não nos organizamos e deixamos para o úl-
timo momento o acesso ao estudo, o que implicará o não aprofundamento no material
trabalhado ou, ainda, a perda dos prazos para o lançamento das atividades solicitadas.

Assim, organize seus estudos de maneira que entrem na sua rotina. Por exemplo, você
poderá escolher um dia ao longo da semana ou um determinado horário todos ou alguns
dias e determinar como o seu “momento do estudo”.

No material de cada Unidade, há videoaulas e leituras indicadas, assim como sugestões


de materiais complementares, elementos didáticos que ampliarão sua interpretação e
auxiliarão o pleno entendimento dos temas abordados.

Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de
discussão, pois estes ajudarão a verificar o quanto você absorveu do conteúdo, além de
propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de
troca de ideias e aprendizagem.

Bons Estudos!
UNIDADE
Combate ao Fogo – Parte 2

Contextualização
A presente unidade (Combate ao Fogo – Parte 2) apresenta ao aluno(a) os Sistemas
de Detecção e Alarme de Incêndio e outros Sistemas Especiais de Combate contra In-
cêndio utilizados.

Para a garantia de sobrevivência e preservação do patrimônio e do meio ambiente


em caso de incêndio, é de fundamental importância que se tenha um bom Sistemas
de Detecção e Alarme de Incêndio, pois esse Sistema tem como objetivo identificar e
sinalizar o incêndio em sua fase inicial, de modo a permitir o abandono rápido e seguro
dos ocupantes de edificação e iniciar o combate ao incêndio, evitando, assim, perda de
vidas, prejuízo ao patrimônio e prejuízo ao meio ambiente.

A quase total destruição do Museu Nacional no Rio de Janeiro chocou o país e deixou
uma sensação de vazio em todos nós. As chamas se espalharam rapidamente pelo pré-
dio, destruindo um acervo histórico de quase 20 milhões de peças e artefatos.

Veja como ficou o Museu Nacional no Rio de Janeiro na reportagem disponível no link
a seguir: https://youtu.be/ZuOtEeLRRtc

Um trágico evento que nos leva a refletir sobre a importância do Sistemas de Detecção
e Alarme de Incêndio.

Dessa forma, aproveite o conteúdo desta Unidade e todos os demais recursos dis-
poníveis para o aprofundamento teórico nessa área de conhecimento da segurança
contra incêndio.

6
Detecção e Alarme de Incêndio
O Sistemas de Detecção e Alarme de Incêndio tem como objetivo identificar (de-
tecção) o fogo e sinalizar (alarme) aos ocupantes da edificação que há uma situação
de emergência, para que eles providenciem o abandono do prédio de forma rápida e
segura, além de permitir o acionamento dos Sistemas de Combate ao incêndio em seu
estágio inicial.

Figura 1
Fonte: GettyImages.com

Assim, esse sistema procura preservar a vida, o patrimônio e o meio ambiente.

O Sistemas de Detecção e Alarme de Incêndio é constituído basicamente por:


• Detectores automáticos de incêndio: componentes que detectam um possível in-
cêndio e enviam sinais à Central de detecção e alarme, para providências (Figura2);
• Acionadores manuais: têm a mesma função dos detectores automáticos, porém, de
forma manual, sendo acionados por qualquer pessoa que identifiquem um princípio
de incêndio (Figura 3);

Figura 2 – Detector automático de fumaça Figura 3 – Acionador manual


Fonte: CBPMSP 2018 Fonte: CBPMSP 2018

• Sinalização visual e sonora: componentes do Sistema que possui a função de si-


nalizar de forma visual e/ou sonora a ocorrência de um incêndio. Geralmente, são
acionados pela Central de alarme que recebem a informação dos detectores auto-
máticos ou dos acionadores manuais (Figura4);

7
7
UNIDADE
Combate ao Fogo – Parte 2

• Painel de Controle e/ou central de alarme: painel elétrico que alimenta os de-
mais componentes do Sistema, recebe as informações de detectores e acionadores
e envia sinais para o acionamento de Sistemas automáticos e/ou para sinalização
visual e sonora (Figura 5);

Figura 4 – Detalhe de sirene Figura 5 – Exemplo de Painel de Controle –


com sinalização visual e sonora Central de Alarme
Fonte: CBPMSP 2018 Fonte: CBPMSP 2018

• Fonte de alimentação: garante o funcionamento do Sistemas de Detecção e Alar-


me de Incêndio no caso de falha de energia elétrica, normalmente, instalada dentro
do Painel de Controle e/ou alarme;
• Infraestrutura elétrica, etc.

Os detectores automáticos de incêndio são conectados e alimentados pelo Painel de


Controle do sistema, que recebe a informação de atuação do detector de incêndio e sina-
liza de forma visual e/ou sonora, podendo até mesmo acionar algum Sistema automático
de Combate ao incêndio.

Existem basicamente 4 tipos de detectores de incêndio, a saber:


• Detectores térmicos: são acionados em função do aumento de temperatura do
ambiente; quando atingir certa temperatura, o detector é “setado” (Figura 6);
• Detectores de fumaça: são acionados pela fumaça presente no ambiente (Figura 7);
• Detectores de gás: são acionados pelo gás produzido por uma queima ou reação
de algum produto químico, como, por exemplo, detectores de hidrogênio instalados
em salas de baterias (Figura 8);
• Detectores de chama: são acionados pelas radiações emitidas pelas chamas
(Figura 9);

8
Figura 6 – Exemplo de Detector de Temperatura Figura 7 – Exemplo de detector de fumaça
Fonte: Divulgação Fonte: Divulgação

Figura 8 – Exemplo de detector de fumaça Figura 9 – Exemplo de Detector de Chama


Fonte: Divulgação Fonte: Divulgação

Após a detecção do incêndio por um ou mais tipos de detectores, o sinal enviado


ao Painel de Controle é processado e segue, conforme programação feita no Painel,
para o acionamento de alarmes e/ou acionamento de sistemas específicos de combate
ao incêndio no local de detecção, como, por exemplo: o acionamento do Sistema de
Proteção contra Incêndio por CO2 na Central de óleo lubrificante, além do aciona-
mento de outros dispositivos instalados na edificação, que permitem a evacuação com
segurança, como, por exemplo: a abertura e/ou fechamento de portas ou dampers,
acionamento dos elevadores no piso de descarga etc.

O Sistemas de Detecção e Alarme de Incêndio possui seus requisitos de projeto,


instalação e manutenção estabelecidos na ABNT NBR 17240.

Entretanto, para iniciar um Projeto desse Sistema, é necessário conhecer qual é


o objetivo dele, que pode ser estabelecido por gerenciamento de risco da Empresa,
necessidade do usuário (proprietário), requisitos das seguradoras e solicitações da au-
toridade local.

Tais objetivos podem ser divididos em 4 (quatro) categorias básicas:


• Proteção da vida: quando o objetivo do Sistema é garantir um aviso rápido sobre
a ocorrência de um princípio de incêndio de forma a permitir tempo suficiente para
o abandono da área de risco;

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UNIDADE
Combate ao Fogo – Parte 2

• Proteção da propriedade: quando o objetivo está relacionado ao aspecto econô-


mico, procurando minimizar os danos materiais à propriedade;
• Proteção empresarial: quando o objetivo está relacionado ao aspecto também
econômico, porém em longo prazo, pois visa a impedir que os danos materiais cau-
sem prejuízos aos negócios da Empresa, como perda das operações fundamentais,
processos da Empresa, mercadorias acabadas etc.;
• Proteção ao meio ambiente: quando o objetivo está relacionado à contaminação
do meio ambiente, quer seja pela emissão na atmosfera de produtos tóxicos e po-
luentes resultados da combustão do incêndio, quer seja pela contaminação da água
descartada usada no combate de um incêndio de grandes proporções.

Para todas as quatro categorias básicas apresentadas, o Sistemas de Detecção e


Alarme de Incêndio deve prever a sinalização com tempo necessário e suficiente para
o abandono de área e acionamento de Sistemas específicos manuais ou automáticos
para minimizar os danos causados pelo incêndio e garantir a preservação da vida, do
patrimônio e do meio ambiente.

Projeto de Sistemas de Detecção


e Alarme de Incêndio
Após conhecer o Sistemas de Detecção e Alarme de Incêndio, precisamos entender
como projetar esse Sistema.

O Projeto deve seguir o especificado na ABNT NBR 17240, além das instruções
técnicas específicas em cada estado.

Figura 10 – Norma Brasileira referente aos requisitos


dos Sistemas de Detecção e Alarme de Incêndio
Fonte: ABNT 17240

10
Figura 11 – Instrução Técnica 19/2018 –
Sistemas de Detecção e Alarme de Incêndio
Fonte: ABNT 17240

Figura 12 – Instrução Técnica 04/2019 – Meios de Avisos


de Incêndio Parte I – Detecção e Alarme de Incêndio
Fonte: IT04 CBMPA

Vamos conhecer um pouco sobre alguns pontos de atenção apresentados na NBR


17240, que são utilizados como referência também nas instruções técnicas de cada
estado, no que se refere ao projeto desse Sistema.

Assim, observemos cada componente.

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UNIDADE
Combate ao Fogo – Parte 2

Painel de Controle (Central de Alarme)


O Painel de Controle (Central de Alarme), deve atender a alguns requisitos relativos
ao Projeto de instalação.

Assim, destacamos parte desses requisitos apresentados pela NBR 17240, deven-
do-se observar os demais requisitos de Projeto, bem como recomendações quanto aos
aspectos construtivos desses painéis, quando da realização de um projeto e instalação
de Sistema de Detecção e Alarme de Incêndio:

5.3.1 A central deve ser localizada em áreas de fácil acesso, salas de


controle, salas de segurança ou bombeiros, portaria principal ou entra-
da de edifícios. A central deve ser monitorada, local ou remotamente,
24 h por dia, por operadores treinados.

5.3.2 Caso a central não esteja localizada junto à entrada da edifi-


cação, recomenda-se a instalação de um painel repetidor ou painel
sinóptico próximo da entrada da edificação.

(...)

5.3.6 Deve-se prever um espaço livre mínimo de 1 m2 em frente à


central, destinado à sua operação e manutenção preventiva e corretiva.
(ABNT NBR 17240:2010)

Painel repetidor: trata-se de um equipamento destinado a repetir os eventos sinaliza-


dos pela central de alarme.
Painel sinóptico: trata-se de um equipamento que apresenta de forma gráfica os even-
tos sinalizados pela Central de Alarme.

Detectores de Incêndio
Para a definição do tipo de detector a ser utilizado, bem como o local de instalação,
deve-se avaliar as características da instalação, a finalidade do Sistema de Detecção e
as possíveis características de um princípio de incêndio, considerando alguns parâme-
tros como:
• Aumento da temperatura;
• Produção de fumaça;
• Produção de chama;
• Materiais existentes nas áreas protegidas;
• Forma e altura do teto;
• Ventilação do ambiente;
• Temperaturas típica e máxima de aplicação, conforme requisitos técnicos
dos equipamentos.

12
Assim, veja como exemplo alguns pontos destacados para o projeto de instalação
dos detectores pontuais de fumaça, segundo a NBR 17240:
5.4.1.1 A máxima área de cobertura para um detector pontual de
fumaça, instalado em um ambiente livre e desobstruído, a uma altura
de até 8 m, em teto plano ou com vigas de até 0,20 m, e com até oito
trocas de ar por hora, é de 81 m2. Essa área pode ser considerada um
quadrado de 9 m de lado, inscrito em um círculo, cujo raio seja igual
a 6,30 m.

Para proteção de áreas retangulares, os retângulos correspondentes a


essas áreas devem estar contidos nesse círculo.

5.4.1.2 Os detectores pontuais de fumaça devem estar localizados no


teto, distantes no mínimo 0,15 m da parede lateral ou vigas. Em casos
justificados, os detectores podem ser instalados na parede lateral, a
uma distância entre 0,15 m e 0,30 m do teto, desde que garantido o
tempo de resposta do sistema.

(...)

5.4.1.4 Para proteção de áreas irregulares, o posicionamento dos


detectores pontuais de fumaça deve ser executado de forma que, par-
tindo-se dos detectores, qualquer ponto do teto não esteja à distância
superior a 6,30 m (ABNT NBR 17240:2010).

Figura 13 – Área máxima de cobertura


do detector pontual de fumaça
Fonte: ABNT 17240

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UNIDADE
Combate ao Fogo – Parte 2

Figura 14 – Cobertura do detector pontual


de fumaça em áreas retangulares
Fonte: ABNT 17240

Figura 15 – Afastamento mínimo (parede/teto) para


instalação de detectores pontuais de fumaça
Fonte: ABNT 17240

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Figura 16 – Distribuição de detectores
pontuais de fumaça em áreas irregulares
Fonte: ABNT 17240

Para as demais recomendações sobre o Projeto e Instalação dos Detectores Pontuais de Fu-
maça, bem como para os demais tipos de detectores e outros componentes do Sistema de
Detecção e Alarme de Incêndio, deve-se observar todas as recomendações da NBR 17240.

Segundo a NBR 17240, toda a Rede de eletrodutos de um Sistemas de Detecção e Alarme


de Incêndio deve ser dedicada, ou seja, exclusiva desse Sistema, devendo, também, ser
identificada com anéis de 2cm de largura mínima, na cor vermelha, a cada 3m no máximo,
sendo que todo eletroduto deve possuir no mínimo uma identificação.
Acesse: https://goo.gl/kwQUVk e https://goo.gl/hZfD5P

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UNIDADE
Combate ao Fogo – Parte 2

Sistema de CO2 Alta Pressão


Assim como discutido sobre a necessidade de avaliar os riscos existentes na edi-
ficação e entender a necessidade do tipo de proteção adequada para a definição do
Sistema de Detecção e Alarme de Incêndio, deve-se fazer a mesma coisa para a de-
terminação do Sistema mais adequado para o combate ao incêndio.

Figura 17
Fonte: GettyImages.com

Assim, quando a necessidade do Sistema de Proteção contra Incêndio deve ser em


função da garantia de integridade de equipamentos e sistemas de alto valor agregado
para o empresário, tais como CPDs, salas de controle, centrais telefônicas, salas-cofre,
arquivo de dados, laboratórios, bibliotecas, museus de arte, etc., temos de pensar num
agente extintor que não deixe resíduos e não seja corrosivo, mantendo o ambiente pro-
tegido após o seu uso.

Logo, surge o Sistema de Proteção contra Incêndio por CO2, utilizado em instalações
fixas e automáticas, sendo classificado em dois tipos básicos:
• Sistema de CO2 Alta Pressão: no qual o CO2 encontra-se contido a uma tempe-
ratura de 20ºC e com uma pressão de 60 bar;
• Sistema de CO2 Baixa Pressão: no qual o CO2 encontra-se resfriado a 20ºC e
com uma pressão de 20 bar.

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Com a necessidade de utilização de um Sistema fixo e automático por CO2, temos,
em 1929, elaborada nos Estados Unidos, a norma NFPA 12 (Standard on Carbon
Dioxide Extinguishing System), que fornece os requisitos mínimos necessários para
todos os projetos, instalações e manutenções de Sistemas de Dióxido de Carbono
(CO2). Apesar de antiga, essa norma é constantemente atualizada.

O Sistema de CO2 Alta Pressão é composto por baterias de cilindros de CO2 (prin-
cipal e reserva), tubulações, válvulas, difusores, rede de detecção, sinalização, alarme,
painel de comando e acessórios.

O sistema pode ser dividido em:


• Sistema de CO2 aplicação local: quando o risco protegido não está confinado
num espaço fechado;
• Sistema de CO2 inundação total: quando é possível confinar o risco dentro de um
volume definido, como dutos de cozinha, túnel de cabos, geradores, salas elétricas,
cubículos elétricos, depósito de combustíveis etc.

A principal deficiência do sistema de CO2 é que combate incêndios, retirando o


oxigênio do ambiente e, consequentemente, trazendo riscos de acidentes de asfixia em
pessoas que possam estar no local da descarga.

Assim, junto com a instalação de um Sistema de Combate por CO2, faz-se necessária
a garantia de funcionamento do Sistema de Detecção e Alarme de Incêndio.

Outra característica de um Sistema de CO2 Alta Pressão é a necessidade de recar-


ga quando de seu disparo, pois quando o Sistema é acionado, o CO2 é disparado até
esvaziar por completo os cilindros.

Sistema de CO2 Alta Pressão: https://goo.gl/ZuaaDA

Entenda um pouco mais sobre o funcionamento do Sistema de CO2 Alta Pressão no vídeo
disponível no link: https://goo.gl/WA5uVP

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UNIDADE
Combate ao Fogo – Parte 2

Sistema de CO2 Baixa Pressão


O Sistema de CO2 Baixa Pressão possui os mesmos princípios de funcionamento do
Sistema de CO2 Alta Pressão, com pequenas diferenças em suas formas peculiares de
armazenamento, manuseio, instalações etc.

A decisão entre utilizar o Sistema de Alta ou Baixa Pressão se dá em função da quan-


tidade necessária de agente extintor para combater o incêndio, sendo que o Sistema de
CO2 Baixa Pressão é utilizado quando há a necessidade de mais de 3.000 kg de CO2,
aproximadamente, e também quando há limitações no espaço de armazenamento.

O CO2 de Baixa Pressão é armazenado em estado líquido, em tanques de pressão exe-


cutados conforme padrões ASME e equipados com Sistemas de refrigeração próprios.

Uma particularidade do Sistema de CO2 Baixa Pressão é a possibilidade de controle


do disparo do agente extintor, pois é permitido interromper o disparo a qualquer mo-
mento, economizando, assim, o agente extintor que não precisa ser descarregado por
completo, dependendo da área de risco.

Sistema de CO2 Baixa Pressão: https://goo.gl/GDHLe1

Veja sobre a aplicação de Sistemas de CO2 de Baixa Pressão em: https://goo.gl/hZfD5P

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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Sites
Sistema de detecção e alarme de incêndios: um aliado na proteção de patrimônios históricos
e culturais brasileiros
https://goo.gl/4EvPoB
Detectores e alarmes de incêndio Sinal de alerta.
https://goo.gl/3TNsNF
Normativa sobre sistemas de extinción de dióxido de carbono NFPA 12-2018.
https://goo.gl/v5QFxT
Agentes Gasosos de Extinção de Incêndios
https://goo.gl/vpQ5Mf

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UNIDADE
Combate ao Fogo – Parte 2

Referências
ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 17240: 2010:
Sistemas de detecção e alarme de incêndio – Projeto, instalação, comissionamento e
manutenção de sistemas de detecção e alarme de incêndio – Requisitos. ABNT, 2017.

CORPO DE BOMBEIROS DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO.


Instrução Técnica nº 02/2018 – Conceitos básicos de segurança contra incêndio. São
Paulo: 2018.

CORPO DE BOMBEIROS DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO, Instru-


ção Técnica nº 19/2018 – Sistema de detecção e alarme de incêndio. São Paulo: 2018.

CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO PARÁ, Instrução Técnica nº 04/2019 – Meios


de aviso de incêndio – Parte I – Detecção e alarme de incêndio. Pará: 2019.

NFPA – NATIONAL FIRE PROTECTION ASSOCIATION. Standard on Carbon


Dioxide Extinguishing System. NFPA 12. Massachusetts: NFPA, 2018.

SEITO, Alexandre I. et al. A Segurança Contra Incêndio no Brasil. São Paulo: Pro-
jeto, 2008.

20
Proteção
Inserir Título
Contra
Aqui
Inserir Título
Incêndios e Explosões
Aqui
Ações contra Incêndio e a Proteção Passiva

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Esp. Leandro Monteiro de Araújo

Revisão Textual:
Prof. Me. Claudio Brites
Ações contra Incêndio
e a Proteção Passiva

Nesta unidade, trabalharemos os seguintes tópicos:


• Brigada de Incêndio;
• Plano de Emergência;
• Controle de Materiais de Acabamento
e Revestimento;
• Compartimentação;

Fonte: GettyImages
• Saídas de Emergência;
• Iluminação de Emergência;
• Sinalização de Emergência.

Objetivos
• Fornecer ao aluno o conteúdo teórico básico referente às ações contra incêndio através da
brigada de incêndio e do plano de emergência;
• Apresentar as proteções passivas existentes, tais como: compartimentação, controle de
materiais de acabamento, saídas de emergência, iluminação de emergência e sinalização
de emergência, visando sempre à sobrevivência das pessoas e à preservação do patrimô-
nio em casos de emergência.

Caro Aluno(a)!

Normalmente, com a correria do dia a dia, não nos organizamos e deixamos para o úl-
timo momento o acesso ao estudo, o que implicará o não aprofundamento no material
trabalhado ou, ainda, a perda dos prazos para o lançamento das atividades solicitadas.

Assim, organize seus estudos de maneira que entrem na sua rotina. Por exemplo, você
poderá escolher um dia ao longo da semana ou um determinado horário todos ou alguns
dias e determinar como o seu “momento do estudo”.

No material de cada Unidade, há videoaulas e leituras indicadas, assim como sugestões


de materiais complementares, elementos didáticos que ampliarão sua interpretação e
auxiliarão o pleno entendimento dos temas abordados.

Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de
discussão, pois estes ajudarão a verificar o quanto você absorveu do conteúdo, além de
propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de
troca de ideias e aprendizagem.

Bons Estudos!
UNIDADE
Ações contra Incêndio e a Proteção Passiva

Contextualização
A presente unidade (Ações contra Incêndio e a Proteção Passiva) vem apresentar
ao aluno(a) as ações contra incêndio através da brigada de incêndio e do plano de
emergência, além de apresentar as proteções passivas existentes, tais como: com-
partimentação, controle de materiais de acabamento, saídas de emergência, ilumina-
ção de emergência e sinalização de emergência.
Para a garantia de sobrevivência e preservação do patrimônio e meio ambiente em
um caso de incêndio, não adianta existir sistemas de combate contra incêndio se não
houver treinamento para sua utilização, se não houver pessoas treinadas e capacita-
das para agir em caso de emergência de incêndio.
Além disso, evitar a propagação do incêndio através de proteções passivas e faci-
litar a evacuação no caso de incêndio através das saídas de emergência, iluminação
e sinalização de emergência pode ser algo crucial no tempo para a sobrevivência e
resguardo do patrimônio.
Dessa forma, aproveite o conteúdo desta unidade e todos os demais recursos dis-
poníveis para o aprofundamento teórico nessa área de conhecimento da segurança
contra incêndio.

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Brigada de Incêndio
Segundo a NBR 14276 (ABNT, 2006), brigada de incêndio é
[...] um grupo de pessoas preferencialmente voluntárias ou indicadas,
treinadas e capacitadas para atuar na prevenção e no combate ao
princípio de incêndio, abandono de área e primeiros socorros, dentro
de uma área preestabelecida na planta.

Figura 1
Fonte: GettyImages

Para participar da equipe de brigada, os candidatos devem atender ao maior número


de critérios, conforme NBR 14276, a saber:
• permanecer na edificação durante seu turno de trabalho;
• possuir boa condição física e boa saúde;
• possuir bom conhecimento das instalações;
• ter mais de 18 anos;
• ser alfabetizado.

Para a formação da brigada, deve-se determinar a quantidade de brigadistas por turno,


conforme Anexo A da NBR 14276, ou Instruções técnicas estaduais, que levam em conta
a população fixa por turno, o grau de risco e os grupos/divisões de ocupação da edifica-
ção ou área de risco.

Após a definição do número de brigadistas, os mesmos devem participar de curso de


capacitação conforme o tipo de ocupação da edificação, atendendo ao conteúdo e carga
horária conforme definido nos anexos A e B da NBR 14276 e/ou instruções técnicas de
cada estado.

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UNIDADE
Ações contra Incêndio e a Proteção Passiva

Quadro 1 – Composição mínima da brigada e nível de treinamento

Grau População fixa por Pavimento Nível do Nível da


Grupo Divisão Descrição de Acima treinamento instalação
Risco Até 2 Até 4 Até 6 Até 8 Até 10 (Anexo B) (Tabela A.2)
de 10
Habitação
A-1 Baixo Isento Isento Isento
unifamiliar
A - Residêncial

Habitação 80% dos funcionários da edificação e recomenda-se


A-2 Baixo Básico Básico
multifamiliar 1 (um) brigadista para cada pavimento
Habitação
A-3 coletiva Baixo 1 2 3 4 4 (nota 5) Básico Básico
(nota 2)
Hotel e (nota 5)
B-1 Médio 1 2 3 4 4 Intermediário Intermediário
Assemelhado e (nota 6)
B - Serviço de
Hospegagem

Hotel
(nota 5)
B-2 residencial Médio 1 2 3 4 4 Intermediário Intermediário
e (nota 6)
(nota8)

C-1 Comércio Baixo 1 2 2 2 2 (nota 5) Básico Básico


C - Comercial

Médio 1 2 3 4 4 (nota 5) (nota 1) (nota 1)


C-2 Comércio
Alto 2 2 3 4 5 (nota 5) Intermediário Intermediário

Fonte: CBPMSP (2018), Instrução técnica n.º 17 – Brigada de Incêndio – Anexo A

Quadro 2 – Conteúdo programático do curso de brigada de incêndio


Módulo Assunto Objetivos parte teórica Objetivos parte prática
Objetivos do curso Conhecer os objetivos gerais do curso
01 Introdução
e o brigadista e comportamento do brigadista
Responsabilidade Conhecer os aspectos legais relacionados
02 Aspectos Legais
do brigadista a responsabilidade do brigadista
Conhecer a combustão, seus elementos,
Combustão, seus
funções, temperaturas do fogo (por
03 Teoria do fogo elementos e a reação
exemplo: ponto de fulgor, ignição e
em cadeia
combustão) e a reação em cadeia
Condução, convecção
04 Propagação do fogo Conhecer as formas de propagação do fogo
e irradiação
Classificação e Reconhecer as classes
05 Classes de incêndio Identificar as classes de incêndio
características de incêndio
Conhecer as técnicas de prevenção para
06 Prevenção de incêndio Técnicas de prevenção
avaliação dos riscos em potencial
Isolamento,
abafamento,
07 Métodos de extinção Conhecer os métodos e suas aplicações Aplicar os métodos
resfriamento e extinção
química
Água, Pós, CO2, espumas Conhecer os agentes, suas características
08 Agentes extintores Aplicar os agentes
e outros e aplicações
Conhecer os EPI necessários para proteção
09 EPI (equipamentos de
EPI da cabeça, dos olhos, do tronco, dos Utilizar os EPI corretamente
proteção individual)
membros superiores e inferiores do corpo
Fonte: CBPMSP (2018), Instrução técnica n.º 17 – Brigada de Incêndio – Anexo B

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O objetivo do curso de brigada de incêndio é o de proporcionar aos brigadistas
os conhecimentos básicos sobre prevenção, isolamento, extinção de princípios de
incêndio, abandono do local e noções de primeiros socorros. A reciclagem do treina-
mento deve ser feita no máximo em 12 meses ou quando houver alteração de 50%
dos membros da brigada.

Observar o determinado em cada legislação estadual com relação à necessidade de


instalações específicas para o treinamento prático do curso de brigada de incêndio.
Por exemplo, em São Paulo, a Instrução Técnica (IT) 17/2018 determina que para o trei-
namento básico não é necessário instalações específicas, podendo o mesmo ser aplicado
na edificação. A partir do nível intermediário, deve-se encaminhar para o treinamento
em locais com instalações específicas para o treinamento prático de brigada de incêndio.

Os brigadistas devem receber conforme sua função prevista no plano de emergência


da planta os EPIs adequados, conforme Norma Regulamentadora n.º 06 da Portaria
3214/78, e, no caso de emergência, atuar conforme o mesmo plano de emergência,
que deve estar de acordo com a NBR 15219.

Plano de Emergência
O plano de emergência contra incêndio deve ser elaborado para toda e qualquer
edificação, exceto para aquelas de ocupação unifamiliar, segundo a NBR 15219.

Figura 2
Fonte: GettyImages

Cada estado possui suas próprias legislações que impõem a obrigatoriedade ou


não da elaboração desse plano de emergência. Como exemplo, podemos citar que
em São Paulo o decreto estadual 63.911/2018 recomenda a elaboração do pla-
no de emergência para algumas edificações e áreas de riscos, e não para todas.
Entretanto, a Instrução Técnica n.º 16 item 2.2 indica como recomendado a aplica-
ção desse plano de emergência para todos os demais tipos de edificação.

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UNIDADE
Ações contra Incêndio e a Proteção Passiva

O objetivo do Plano de Emergência é estabelecer as responsabilidades e procedimentos


para organizações e indivíduos, a fim de desempenharem ações específicas, conforme o
local e o tempo em que venha a ocorrer uma emergência ou desastre.

Dessa forma, segundo a NBR 15219 (ABNT, 2005),


O plano de emergência contra incêndio deve ser elaborado por escrito
por profissional habilitado, levando-se em conta os seguintes aspectos:

Localização (por exemplo: urbana, rural, características da vizinhança,


distâncias de outras edificações e/ou riscos, distâncias da unidade do
Corpo de Bombeiros, existência de Plano de Auxílio Mútuo-PAM etc.);

Construção (por exemplo: alvenaria, concreto, metálica, madeira etc.);

Ocupação (por exemplo: industrial, comercial, residencial, escolar etc.);

População (por exemplo: fixa, flutuante, características, escolar etc.);

Características de funcionamento (horários e turnos de trabalho e os


dias e horários fora do expediente);

Pessoas portadores de deficiências;

Outros riscos específicos inerentes à atividade;

Recursos humanos (por exemplo: brigada de incêndio, bombeiros pro-


fissionais civis, grupos de apoio etc) e

Materiais existentes (por exemplo: extintores de incêndio, iluminação


de emergência, sinalização, saídas de emergência, sistema de hidrantes,
chuveiros automáticos, sistema de detecção e alarme de incêndio etc.).

Já temos o plano de emergência elaborado, e agora? Guardamos e apresentamos


quando da vistoria? Não, o plano de emergência não deve ser considerado apenas uma
mera formalidade de documento para atender à legislação, é muito importante a sua
divulgação e a conscientização dos funcionários sobre os procedimentos.

Assim, após a elaboração do plano de emergência, é necessária a sua implantação


através da divulgação do documento, treinamento dos envolvidos no plano, execução
de simulados de abandono e procedimentos básicos das emergências, conscientizando
assim todos os funcionários sobre a importância do preparo para a ação no caso de
uma emergência real.

Para a manutenção do plano de emergência, devem-se realizar reuniões mensais e


extraordinárias, se necessário, conforme recomenda a NBR 15219, para garantir que o
mesmo encontra-se ainda válido e funcional, devendo ainda passar por revisão completa
a cada 12 meses ou quando houver alteração significativa nos processos da empresa,
leiaute etc., ou se for constatada a possibilidade de melhoria do plano durante as reuniões.

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Para auxiliar a elaboração dos procedimentos de emergência no plano de emergência,
a NBR criou um fluxograma para auxiliar nessa atividade. A seguir, a Figura 3 apresenta
tal fluxograma.

Figura 3 – Fluxograma de procedimento de emergência contra incêndio


Fonte: NBR 15219

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UNIDADE
Ações contra Incêndio e a Proteção Passiva

Controle de Materiais de Acabamento


e Revestimento
O controle de materiais de acabamento e revestimento (CMAR) utilizado nas edifi-
cações tem como objetivo estabelecer os padrões mínimos para evitar a propagação
de incêndios e a geração de fumaça. Para tal, são avaliadas duas características básicas
desses materiais:
• Resistência ao fogo;
• Reação ao fogo.

Figura 4
Fonte: GettyImages

Os ensaios feitos para avaliar as características básicas indicadas são realizados con-
forme as normas nacionais e internacionais, classificando-os em Classes I a VI, conforme
apresentados nas figuras 3, 4 e 5.

Quadro 3 – Classificação dos materiais de revestimento de piso


EN ISO 11925-2
Classe/Método de Ensaio ISO 1182 NBR 8660 ASTM E 662
(exposição = 15 s)
Incombustível
ΔТ ≤ 30°C
I - - -
Δm ≤ 50%
t f ≤ 10s
A Combustível Fluxo Crítico ≥ 8,0 kW/m2 FS ≤ 150 mm em 20 s Dm ≤ 450
II
B Combustível Fluxo Crítico ≥ 8,0 kW/m 2
FS ≤ 150 mm em 20 s Dm > 450
A Combustível Fluxo Crítico ≥ 4,5 kW/m 2
FS ≤ 150 mm em 20 s Dm ≤ 450
III
B Combustível Fluxo Crítico ≥ 4,5 kW/m2 FS ≤ 150 mm em 20 s Dm > 450
A Combustível Fluxo Crítico ≥ 3,0 kW/m 2
FS ≤ 150 mm em 20 s Dm ≤ 450
IV
B Combustível Fluxo Crítico ≥ 3,0 kW/m2 FS ≤ 150 mm em 20 s Dm > 450
A Combustível Fluxo Crítico < 3,0 kW/m2 FS ≤ 150 mm em 20 s Dm ≤ 450
V
B Combustível Fluxo Crítico < 3,0 kW/m 2
FS ≤ 150 mm em 20 s Dm > 450

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VI Combustível - FS > 150 mm em 20 s -
Notas:
Fluxo Crítico - Fluxo de energia radiante necessário á manutenção da frente de chama no corpo de prova.
FS - Tempo em que a frente da chama leva para atingir a marca de 150mm indicada na face do material ensaiado.
Dm - Densidade ótica específica máxima corrigida.
ΔТ - Variação da temperatura no interior do forno.
Δm - Variação da massa do corpo de prova.
t f - Tempo de flamejamento do corpo de prova.

Fonte: CBPMSP (2018), Instrução Técnica n.º 10 – Anexo A

Quadro 4 – Classificação dos materiais exceto revestimento de piso


Classe/Método de Ensaio ISO 1182 NBR 9442 ASTM E 662
Incombustível
ΔТ ≤ 30°C
I - -
Δm ≤ 50%
t f ≤ 10s
A Combustível lp ≤ 25 Dm ≤ 450
II
B Combustível lp ≤ 25 Dm > 450
A Combustível 25 < lp ≤ 75 Dm ≤ 450
III
B Combustível 25 < lp ≤ 75 Dm > 450
A Combustível 75 < lp ≤ 150 Dm ≤ 450
IV
B Combustível 75 < lp ≤ 150 Dm > 450
A Combustível 150 < lp ≤ 400 Dm ≤ 450
V
B Combustível 150 < lp ≤ 400 Dm > 450
VI Combustível lp > 400 -

Notas:
lp - índice de propagação superficial de chama.
Dm - Densidade específica ótica máxima.
ΔТ - Variação da temperatura no interior do forno.
Δm - Variação da massa do corpo de prova.
t f - Tempo de flamejamento do corpo de prova.

Fonte: CBPMSP (2018), Instrução Técnica n.º 10 – Anexo A

Quadro 5 – Classificação dos materiais, exceto revestimento de piso. Classificação dos materiais
especiais que não podem ser caracterizados através da NBR 9442 exceto revestimentos de piso
EN ISO 11925-2
Classe/Método de Ensaio ISO 1182 EN 13823 (SBI)
(exposição = 30 s)
Incombustível
ΔТ ≤ 30°C
I - -
Δm ≤ 50%
t f ≤ 10s

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UNIDADE
Ações contra Incêndio e a Proteção Passiva

EN ISO 11925-2
Classe/Método de Ensaio ISO 1182 EN 13823 (SBI)
(exposição = 30 s)
FIGRA ≤ 120 W/s
LSF < canto do corpo de prova
A Combustível FS ≤ 150 mm em 60 s
THR600s ≤ 7,5 MJ
SMOGRA > 180 m2/s2 e TSP600s ≤ 200m2
II
FIGRA ≤ 120 W/s
LSF < canto do corpo de prova
B Combustível FS ≤ 150 mm em 60 s
THR600s ≤ 7,5 MJ
SMOGRA > 180 m2/s2 e TSP600s > 200 m2
FIGRA ≤ 250 W/s
LSF < canto do corpo de prova
A Combustível FS ≤ 150 mm em 60 s
THR600s ≤ 15 MJ
SMOGRA ≤ 180 m2/s2 e TSP600s ≤ 200 m2
III
FIGRA ≤ 250 W/s
LSF < canto do corpo de prova
B Combustível FS ≤ 150 mm em 60 s
THR600s ≤ 15 MJ
SMOGRA > 180 m2/s2 e TSP600s > 200 m2
FIGRA ≤ 750 W/s SMOGRA ≤ 180 m2/s2 e
A Combustível FS ≤ 150 mm em 60 s
TSP600s ≤ 200 m2
IV
FIGRA ≤ 750 W/s SMOGRA > 180 m2/s2 e
B Combustível FS ≤ 150 mm em 60 s
TSP600s > 200 m2
FIGRA > 750 W/s SMOGRA ≤ 180 m2/s2 e
A Combustível FS ≤ 150 mm em 20 s
TSP600s ≤ 200 m2
V
FIGRA > 750 W/s SMOGRA > 180 m2/s2 e
B Combustível FS ≤ 150 mm em 20 s
TSP600s > 200 m2
VI Combustível - FS > 150 mm em 20 s
Notas:
FIGRA - Índice da taxa de desenvolvimento de calor.
LFS - Propagação lateral da chama.
THR600s - Liberação total de calor do corpo de prova nos primeiros 600 s de exposição às chamas.
TSP600s - Produção total de fumaça do corpo de prova nos primeiros 600 s de exposição ás chamas.
SMOGRA - Taxa de desenvolvimento de fumaça, correspondendo ao máximo do quociente de produção de fumaça do corpo
de prova e o tempo de suas ocorrência.
FS - Tempo em que a frente da chama leva para atingir a marca de 150mm indicada na face do material ensaiado.
ΔТ - Variação da temperatura no interior do forno.
Δm - Variação da massa do corpo de prova.
t f - Tempo de flamejamento do corpo de prova.
Fonte: CBPMSP (2018), Instrução Técnica n.º 10 – Anexo A

• Materiais de Revestimento: todo material ou conjunto de materiais empregados


nas superfícies dos elementos construtivos das edificações, tanto nos ambientes in-
ternos como nos externos, com a finalidade de atribuir características estéticas, de
conforto, de durabilidade etc. Incluem-se como material de revestimento os pisos,
forros e as proteções térmicas dos elementos estruturais;
• Materiais de Acabamento: todo material ou conjunto de materiais utilizados como
arremates entre elementos construtivos (rodapés, mata-juntas, golas etc.).

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Segundo a Instrução Técnica n.º 10 – Controle de materiais de acabamento e re-
vestimento, os seguintes materiais são dispensados de avaliação:
10.1 Materiais como vidro, concreto, gesso, produtos cerâmicos, pe-
dra natural, alvenaria, metais e ligas metálicas, dentre outros, são con-
siderados incombustíveis.

10.2 Pisos de madeira maciça, na forma de tábuas ou tacos, mes-


mo que envernizados, estão dispensados da avaliação do CMAR
admitindo-se, genericamente, que se enquadrem na Classe II-A. [...]
(CBPMSP, 2018c)

Depois de conhecer os tipos de materiais e suas classes, podemos definir o tipo de


material a ser empregado em cada parte da edificação, conforme a sua ocupação/uso.

Quadro 6 – Classe dos materiais a serem utilizados considerando o


grupo/divisão da ocupação/uso em função da finalidade do material
Finalidade do Material
Piso Parede e Divisória Teto e forro Fachada
(Acabamento1/ (Acabamento2/ (Acabamento/ (Acabamento/
Revestimento) Revestimento) Revestimento) Revestimento)
A-35 e
Classe I, II-A,
Condomínios Classe I, II-A, III-A, ou IV-A8 Classe I, II-A ou III-A6
III-A, IV-A ou V-A7
Residenciais5
B, D, E, G, H,
Grupo/Divisão

I-1, J-14, J-2


Classe I, II-A,
C-1, F-1, F-2 Classe I, II-A, ou III-A9 Classe I, II-A
III-A, ou IV-A Classe I a II-B
F-3, F-4, F-6,
F-8, F-9, F-10
C-2, C-3, F-5,
F-7, F-11, I-2, Classe I, II-A,
Classe I, II-A Classe I, II-A
I-3, J-3, J-4 III-A, ou IV-A
L-1, M-23 e M-3
Fonte: CBPMSP (2018c), Instrução Técnica n.º 10 – Anexo A

Compartimentação
O que é compartimentação?

Compartimentação é o ato de separar, segregar, isolar, dividir as áreas de risco de


incêndio de modo a evitar a propagação do incêndio para as demais áreas da edifica-
ção, contendo assim o incêndio no seu local de origem.

A compartimentação pode ser horizontal e/ou vertical, sendo sua exigência definida
conforme a legislação estadual.

15
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UNIDADE
Ações contra Incêndio e a Proteção Passiva

Compartimentação Horizontal
A compartimentação horizontal, quando necessária segundo legislação estadual,
deve ter sua área máxima de compartimentação conforme indicado nas respectivas le-
gislações estaduais e instruções técnicas, em função da ocupação e altura da edificação.

A seguir, observe o Quadro 7 de área máxima de compartimentação, segundo IT


n.º 9 (CBPMSP, 2018b) de São Paulo.

Quadro 7 – Área máxima de compartimentação


GRUPO TIPO DE EDIFIC AÇÕES
TIPO I II III IV V VI
Edificação Edificação Edificação de Edificação de média Edificação Edificação
DENOMINAÇÃO
térrea baixa baixa-média altura altura mediamente alta alta
Um 6,00m < H ≤ 12,00m <H Acima de
ALTURA H ≤ 6,00m 23,00m<H≤30,00m
pavimento 12,00m ≤23,00m 30,00m
A-1, A-2, A-3 - - - - - -
B-1, B-2 - 5.000 4.000 3.000 2.000 1.500
C-1, C-2 5.000 3.000 2.000 2.000 1.500 1.500
C-3 5.000 2.500 1.500 1.000 2.000 2.000
D-1, D-2, D-3,
5.000 2.500 1.500 1.000 800 2.000
D-4
E-1, E-2, E-3,
- - - - - 2.000
E-4, E-5 e E-6
F-1, F-2, F-3,
- - - - - -
F-4, F-7 e F-9
F-5 e F-6 5.000 4.000 3.000 2.000 1.000 1.000
F-8 - - - 2.000 1.000 1.500
F-10 5.000 2.500 1.500 1.000 1.000 1.000
G-1, G-2, G3
- - - - - -
e G-5
G-4 10.000 5.000 3.000 2.000 1.000 1.000
H-1, H-2, H-4,
- - - - - -
H-5
H-3 - 5.000 3.000 2.000 1.500 1.000
H-6 5.000 2.500 1.500 1.000 800 2.000
I-1 - 10.000 5.000 3.000 1.500 2.000
I-2 - 10.000 5.000 3.000 2.000 2.000
I-3 7.500 5.000 3.000 2.000 1.500 1.5000
J-1 - - - - - -
J-2 10.000 5.000 3.000 1.500 2.000 1.500
J-3, J-4 4.000 3.000 2.000 2.500 1.500 1.000
M-2(1) 1.000 500 500 300 300 200
M-3 5.000 3.000 2.000 1.000 500 500
Fonte: CBPMSP (2018b), Instrução Técnica n.º 9 – Anexo B

16
Para que exista uma compartimentação horizontal, pode-se considerar os seguintes
tipos de elementos de separação:
• paredes corta-fogo;
• portas corta-fogo;
• vedadores corta-fogo;
• registros corta-fogo (dampers);
• selos corta-fogo;
• dispositivos automatizados de enrolar corta-fogo;
• afastamento horizontal entre aberturas.
As áreas de compartimentação horizontal devem ser separadas por
paredes de compartimentação que atendam aos tempos requeridos
de resistência ao fogo (TRRF), conforme IT 08 – Resistência ao fogo
dos elementos de construção, não podendo ser inferior a 60 minutos.

[...]. (CBPMSP, 2018b)

Figura 5 – Exemplo de compartimentação horizontal


Fonte: CBPMSP, 2018

17
17
UNIDADE
Ações contra Incêndio e a Proteção Passiva

Compartimentação Vertical
A compartimentação vertical, quando necessária segundo legislação estadual, deve
ter também a sua área máxima de compartimentação conforme indicado nas respectivas
legislações estaduais e instruções técnicas, em função da ocupação e altura da edificação.

Para que exista uma compartimentação horizontal, pode-se considerar os seguintes


tipos de elementos de separação:
• entrepisos corta-fogo;
• enclausuramento de escadas por meio de parede e portas corta-fogo de com-
partimentação;
• enclausuramento de poços de elevador e de monta-carga por meio de parede de
compartimentação;
• selos corta-fogo;
• registros corta-fogo (dampers);
• vedadores corta-fogo;
• elementos construtivos corta-fogo de separação vertical entre pavimentos consecutivos;
• selagem perimetral corta-fogo;
• dispositivos automatizados de enrolar corta-fogo.

Figura 6 – Exemplo de compartimentação vertical


Fonte: CBPMSP, 2018

18
• Elemento corta-fogo é aquele que apresenta, por um período determinado de
tempo, as seguintes propriedades: integridade mecânica a impactos (resistência);
impede a passagem das chamas e da fumaça (estanqueidade); e impede a passa-
gem de caloria (isolamento térmico);
• Elemento para-chamas é aquele que apresenta, por um período determinado, as
seguintes propriedades: integridade mecânica a impactos (resistência); e impede a
passagem das chamas e da fumaça (estanqueidade), não proporcionando isolamen-
to térmico.

Saídas de Emergência
As saídas de emergência compreendem todos os acessos, corredores, as rotas de
saídas, escadas, rampas, o elevador de emergência, ou seja, todo o trajeto de rota de
fuga no case de incêndio até um local seguro.

Figura 7
Fonte: GettyImages

O espaço livre a ser considerado nesse trajeto de rota de fuga deve ser calculado
para cada pavimento da edificação em função de sua população. Para o cálculo dessa
saída, devemos seguir o recomendado pela NBR 9077 e/ou legislações estaduais.

Segundo a NBR 9077, a largura mínima das saídas é de 1,10m, porém, essa deve
se atentar ao recomendado pelas legislações estaduais, que podem ser mais rigoro-
sas. Como exemplo, a Legislação de São Paulo que, segundo a Instrução Técnica
n.º 11/2018, recomenda como largura mínima das saídas de emergência para acessos,
escadas, rampas ou descargas, 1,2 m, para as ocupações em geral.

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19
UNIDADE
Ações contra Incêndio e a Proteção Passiva

Em função das ocorrências de acidentes, como o exemplo da Boate Kiss, as le-


gislações sofrem revisões periódicas, por exemplo, na IT 11/2014 (SP) foi incluído o
seguinte item:
5.4.3.4 Nas edificações do Grupo F, com capacidade acima de
300 pessoas, serão obrigatórias no mínimo duas saídas de emer-
gência, atendendo sempre as distâncias máximas a serem percor-
ridas. Deve haver, no mínimo, duas saídas com 10m entre elas. [...]
(CBPMSP, 2018d)

A inclusão desse item impediu a abertura de diversas novas casas de show que, em
função de sua localidade, não tinham como atender à distância de 10m entre duas saídas.

Em 2018, a IT 11 sofreu nova revisão e novo item foi incluído:


5.4.3.5 Nas edificações do Grupo F, quando exigidas duas saídas,
se não houver possibilidade de afastamento de 10 m entre as sa-
ídas, admite-se saída única no pavimento, ou mais de uma saída
com menos de 10 m entre elas, se atenderem a no mínimo, 1,5
vezes a largura mínima necessária ao escoamento da população.
[...] (CBPMSP, 2018d)

Com essa revisão, houve uma flexibilização no dimensionamento das saídas de


emergência, porém com a tentativa de garantir a sua efetividade de funcionamento
quando da inclusão de um coeficiente de segurança de 1,5 vezes.

Figura 8
Fonte: GettyImages

Além do dimensionamento das saídas de emergência, durante o projeto, é necessá-


rio avaliar toda a rota de fuga, ou seja, o caminho por onde se passa até chegar à saída
de emergência.

20
Assim, faz-se necessário avaliar o recomendado nas respectivas legislações estadu-
ais e instruções técnicas, principalmente no que diz respeito às distâncias máximas a
serem percorridas para atingir as portas de acesso às saídas das edificações e o acesso
às escadas ou às portas das escadas.

A seguir, o Quadro 8 traz exemplo das distâncias máximas permitidas para o di-
mensionamento das rotas de fuga, conforme Instrução Técnica n.º 11/2018 de São
Paulo, em função da ocupação da edificação.

Quadro 8 – Distâncias máximas a serem percorridas

Sem chuveiros automáticos Com chuveiros automáticos


Grupo/ Saida Única Mais de uma Saída Saída única Mais de uma saída
Divisão Sem Sem Sem Sem
Andar Com Com Com Com
de detecção detecção detecção detecção
detecção detecção detecção detecção
Ocupação automática automática automática automática
automática automática automática automática
de fumaça de fumaça de fumaça de fumaça
de fumaça de fumaça de fumaça de fumaça
(referência) (referência) (referência) (referência)
De saída da
edificação
45 m 55 m 55 m 65 m 60 m 70 m 80 m 95 m
(piso de
AeB descarga)
Demais
40 m 45 m 50 m 60 m 55 m 65 m 75 m 90 m
andares
De saída da
C, D, E, F, edificação
40 m 45 m 50 m 60 m 55 m 65 m 75 m 90 m
G-3, G-4, (piso de
G-5, H, L descarga)
eM Demais
30 m 35 m 40 m 45 m 45 m 55 m 65 m 75 m
andares
De saída da
edificação
80 m 95 m 120 m 140 m - - - -
(piso de
I-1 e J-1 descarga)
Demais
70 m 80 m 110 m 130 m - - - -
andares
De saída da
edificação
50 m 60 m 60 m 70 m 80 m 95 m 120 m 140 m
G-1,G-2 e (piso de
J-2 descarga)
Demais
45 m 55 m 55 m 65 m 70 m 80 m 110 m 130 m
andares
De saída da
edificação
40 m 45 m 50 m 60 m 60 m 70 m 100 m 120 m
I-2, I-3, J-3 (piso de
e J-4 descarga)
Demais
30 m 35 m 40 m 45 m 50 m 65 m 80 m 95 m
andares
Fonte: CBPMSP (2018d), Instrução Técnica n.º 11 – Anexo B

21
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UNIDADE
Ações contra Incêndio e a Proteção Passiva

Todo tipo de edificação que possui mais de um pavimento tem a necessidade de uti-
lizar as escadas como meio de escape (rota de fuga). Assim, é preciso saber qual tipo
de escada deve ser utilizada na edificação, sabendo que existem 3 tipos básicos:
• Escadas não enclausuradas ou escada comum (NE);
• Escadas enclausuradas protegidas (EP);
• Escadas enclausuradas à prova de fumaça (PF).

A seguir, exemplo dos tipos de escadas de emergência que devem ser consideradas
nas rotas de fuga conforme Instrução Técnica n.º 11/2018 de São Paulo, em função da
ocupação da edificação.

Quadro 9 – Tipos de escadas de emergência por ocupação


Dimensão
Altura (em metros) H≤6 6 < H≤ 12 12 < H≤30 Acima de 30
Ocupação
Tipo de escada Tipo de escada Tipo de escada Tipo de escada
Grupo Divisão
A-1 NE NE - -
A A-2 NE NE EP PF (1)
A-3 NE NE EP PF
B-1 NE EP EP PF
B EP PF
B-2 NE EP
C-1 NE NE EP PF
C C-2 NE NE PF PF
C-3 NE EP PF PF
D - NE NE EP PF
E-1 NE NE EP
PF
E-2 NE NE EP PF
E-3 NE NE EP PF
E PF
E-4 NE NE EP
E-5 NE NE EP PF
E-6 NE PF
NE EP
NE
F-1 NE EP
F-2 NE EP PF
PF PF
F-3 NE NE EP PF
F F-4 NE NE EP PF
F-5 NE NE EP PF
F-6 EP PF PF
NE PF
F-7 EP EP
NE
Fonte: CBPMSP (2018d), Instrução Técnica n.º 11 – Anexo C

Não são aceitas escadas com degraus em leque ou em espiral como escadas de segurança.

22
Iluminação de Emergência
A iluminação de emergência deve atender à NBR 10898 – iluminação de emergên-
cia, e às legislações estaduais através também de suas respectivas instruções técnicas,
sempre que for exigida a sua instalação.

Figura 9
Fonte: GettyImages

A Instrução Técnica 18 (CBPMSP, 2018g) de São Paulo, por exemplo, informa que
deve ser adotado o indicado na NBR 10898, naquilo que não contrariar o disposto na IT
18, ou seja, se não houver indicação na IT 18, deve-se seguir o indicado na NBR 10898.

Como o próprio nome diz, iluminação de emergência, esse sistema deve ser instalado
de forma geral pra garantir a evacuação e o resgate no caso de incêndio na edificação.

Deve-se avaliar o tipo de iluminação e as características indicadas nas respectivas


legislações estaduais. Como exemplo, a IT 18/2018 de São Paulo divide em dois tipos
as iluminações de emergência, a saber:
• Iluminação de emergência de aclaramento; e
• Iluminação de emergência de balizamento.

De modo geral, o que mais se utiliza é a iluminação de emergência de aclaramento,


que tem a função de garantir a saída segura de todas as pessoas do local em caso de
emergência, possuindo intensidade suficiente para tal.

Já a iluminação de emergência de balizamento é aquela com símbolos e/ou letras que


indicam a rota de saída que pode ser utilizada, normalmente instaladas acima das portas
de saída ou como sinalização de rota de fuga.

23
23
UNIDADE
Ações contra Incêndio e a Proteção Passiva

Durante a definição de localização das luminárias de emergência, deve-se observar


as distâncias máximas entre os pontos de iluminação, que não pode exceder 15 m, e a
distância entre o ponto de iluminação e a parede, que não deve exceder 7,5 m, segundo
a IT 18/2018 de São Paulo. Tal instrução permite outras distâncias de instalação, desde
que atenda aos parâmetros da NBR 10898.

Deve-se atentar ao nível mínimo de iluminamento para cada ambiente, onde, para locais
planos, como corredores e halls, deve ter um iluminamento mínimo de 3 lux e, para locais
com desnível, o mínimo de 5 lux, como escadas e passagens com obstáculos.

Sinalização de Emergência
A sinalização de emergência tem como objetivo reduzir o risco de incêndio através de:
• Alerta ao risco existente;
• Orientação para ações de combate contra incêndio;
• Localização de equipamentos de combate contra incêndio;
• Sinalização de rota de fuga para o abandono da edificação em caso de incêndio.

Figura 10
Fonte: GettyImages

A sinalização de emergência é classificada em sinalização básica e sinalização com-


plementar, onde:
A sinalização básica é o conjunto mínimo de sinalização que uma edi-
ficação deve apresentar, constituído por 4 categorias,

5.3.1.1 Proibição

Visa a proibir e coibir ações capazes de conduzir ao início do incêndio


ou ao seu agravamento.

24
5.3.1.2 Alerta

Visa a alertar para áreas e materiais com potencial de risco de incêndio,


explosão, choques elétricos e contaminação por produtos perigosos.

5.3.1.3 Orientação e salvamento

Visa a indicar as rotas de saída e as ações necessárias para o seu


acesso e uso.

5.3.1.4 Equipamentos

Visa a indicar a localização e os tipos de equipamentos de combate a


incêndios e alarme disponíveis no local.

[...]

A sinalização complementar é o conjunto de sinalização composto


por faixas de cor ou mensagens complementares à sinalização básica,
porém, das quais esta última não é dependente.

5.3.2.1 A sinalização complementar tem a finalidade de:

5.3.2.1.1 Complementar, através de um conjunto de faixas de cor,


símbolos ou mensagens escritas, a sinalização básica, nas seguin-
tes situações:

a. indicação continuada de rotas de saída, orientando o trajeto com-


pleto até uma saída de emergência;

b. indicação de obstáculos (pilares, arestas de paredes e vigas, des-


níveis de piso, fechamento de vãos com vidros ou outros materiais
translúcidos e transparentes) e riscos de utilização das rotas de saída;

c. mensagens específicas escritas que acompanham a sinalização básica,


onde for necessária a complementação da mensagem dada pelo símbolo;

d. Indicar as medidas de proteção contra incêndio existentes na edifi-


cação ou áreas de risco;

e. Indicar a lotação admitida em recintos destinados a reunião de público.

5.3.2.1.2 Informar circunstâncias específicas em uma edificação ou


áreas de risco, por meio de mensagens escritas;

5.3.2.1.3 Demarcar áreas visando definir um leiaute no piso, para


assegurar corredores de circulação destinados às rotas de saídas e
acesso a equipamentos de combate a incêndio e alarme, em locais
ocupados por estacionamento de veículos, depósitos de mercadorias
e máquinas ou equipamentos de áreas fabris;

5.3.2.1.4 Identificar sistemas hidráulicos fixos de combate a incêndio


por meio de pintura diferenciada, as tubulações e acessórios utilizados
para sistemas de hidrantes e chuveiros automáticos quando aparentes.
(CBPMSP, 2018h)

Em função de suas finalidades, a sinalização de emergência possui regras também


para a confecção de suas placas, onde as mesmas podem ser feitas em placas de mate-

25
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UNIDADE
Ações contra Incêndio e a Proteção Passiva

riais plásticos, chapas metálicas ou outros materiais semelhantes, desde que atendam às
seguintes principais características:
• resistência mecânica;
• não propagar chamas;
• resistir ao intemperismo;
• possuir elemento fotoluminescente para as cores brancas e amarelas.

Toda sinalização de emergência deve possuir marcação e rotulagem conforme a NBR


13434-3 de 2005, item 6, onde os elementos devem ser identificados de forma legível e
deve também possuir a identificação do fabricante, normalmente através do CNPJ.

As placas de sinalização também devem atender aos padrões geométricos e suas di-
mensões devem ser adequadas ao local de instalação. Veja no Quadro 9 as dimensões
em função da distância de instalação.

Quadro 10 – Forma geométrica e dimensões


Cota Distância máxima de visibilidade
Sinal Forma Geométrica
(mm) 4 6 8 10 12 14 16 18 20 24 28 30
Proibição

D 101 151 202 252 303 353 404 454 505 606 706 757
D
D
Alerta

L 136 204 272 340 408 476 544 612 680 816 951 1019
L
L

L
L

H
H
L
L

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D
D

L
Cota Distância máxima de visibilidade
Sinal Forma LGeométrica
(mm) 4 6 8 10 12 14 16 18 20 24 28 30
Orientação, salvamento e equipamentos

L 89 134 179 224 268 313 358 402 447 537 626 671

L
L

H
H
L H
63 95 126 158 190 221 253 285 316 379 443 474
L (L=2,0H)

Fonte: CBPMSP (2018h), Instrução Técnica n.º 20 – Anexo A

O texto das placas de sinalização também deve atender às dimensões adequadas ao lo-
cal de instalação. Veja no Quadro 11 as dimensões em função da distância de instalação.

Quadro 11 – Altura mínima das letras em função da distância de leitura


Altura mínima Distância de leitura com Altura mínima Distância de leitura com
(mm) maior impacto (m) (mm) maior impacto (m)
30 4 300 36
50 6 350 42
65 8 400 48
75 9 500 60
85 10 600 72
100 12 700 84
135 16 750 90
150 18 800 96
200 24 900 108
210 25 1000 120
225 27 1500 180
250 30 1500 180
Fonte: CBPMSP (2018h), Instrução Técnica n.º 20 – Anexo A

Para conhecer melhor toda a sinalização de emergência utilizada, veja o Anexo B da


Instrução Técnica n.º 20 (CBPMSP, 2018h). (consulta legislação em vigor) Disponível em:
https://goo.gl/uULzv5

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UNIDADE
Ações contra Incêndio e a Proteção Passiva

Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Sites
Anexo A e B da Instrução Técnica 17/2018 (CBPMSP)
https://goo.gl/uULzv5
Anexo B e C da Instrução Técnica 16/2018 (CBPMSP)
https://goo.gl/uULzv5

Vídeos
BOMBEIROS PMESP - Primeiros Socorros
Assista ao vídeo sobre os primeiros socorros elaborado pelo Corpo de Bombeiros
de São Paulo.
https://youtu.be/Z_0XT_6opiQ

Leitura
A proteção passiva em estrutura e escadas metálicas
https://goo.gl/h9FpFh

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Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 9077:2001:
Saídas de emergência em edifícios. 2001.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 15219:2005:


Plano de emergência contra incêndio – Requisitos. 2005.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 14276: 2006:


Brigada de incêndio – Requisitos. 2006.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 10898:2013:


Sistema de iluminação de emergência. 2013.

CORPO DE BOMBEIROS DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO


(CBPMSP). Instrução Técnica n.º 02/2018 – Conceitos básicos de segurança contra
incêndio. 2018a.

CORPO DE BOMBEIROS DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO


(CBPMSP). Instrução Técnica n.º 09/2018 – Compartimentação horizontal e compar-
timentação vertical. 2018b.

CORPO DE BOMBEIROS DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO


(CBPMSP). Instrução Técnica n.º 10/2018 – Controle de materiais de acabamento e
de revestimento. 2018c.

CORPO DE BOMBEIROS DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO


(CBPMSP). Instrução Técnica n.º 11/2018 – Saídas de emergência. 2018d.

CORPO DE BOMBEIROS DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO


(CBPMSP). Instrução Técnica n.º 16/2018 – Plano de Emergência. 2018e.

CORPO DE BOMBEIROS DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO


(CBPMSP). Instrução Técnica n.º 17/2018 – Brigada de incêndio. 2018f.

CORPO DE BOMBEIROS DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO


(CBPMSP). Instrução Técnica n.º 18/2018 – Iluminação de emergência. 2018g.

CORPO DE BOMBEIROS DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO


(CBPMSP). Instrução Técnica n.º 20/2018 – Sinalização de emergência. 2018h.

SEITO, Alexandre I.; GILL, Alfonso A.; PANNONI, Fabio D.; ONO, Rosaria; SILVA,
Silvio B.; CARLO, Ualfrido D.; SILVA, Valdir P. A Segurança Contra Incêndio no
Brasil. São Paulo: Projeto Editora, 2008.

29
29
Proteção
Inserir Título
Contra
Aqui
Inserir Título
Incêndios e Explosões
Aqui
Legislação e Normas de Proteção contra Incêndio

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Esp. Leandro Monteiro de Araújo

Revisão Textual:
Prof.ª Me. Sandra Regina Fonseca Moreira
Legislação e Normas de
Proteção contra Incêndio

Nesta unidade, trabalharemos os seguintes tópicos:


• Norma Regulamentadora NR23;
• Legislação Estadual.

Fonte: Getty Images


Objetivos
• Apresentar um conteúdo teórico básico referente à legislação e normas de proteção con-
tra incêndio;
• Definir os equipamentos e sistemas necessários a serem considerados nas edificações,
de modo a garantir a sobrevivência das pessoas e preservação do patrimônio em casos
de emergência.

Caro Aluno(a)!

Normalmente, com a correria do dia a dia, não nos organizamos e deixamos para o úl-
timo momento o acesso ao estudo, o que implicará o não aprofundamento no material
trabalhado ou, ainda, a perda dos prazos para o lançamento das atividades solicitadas.

Assim, organize seus estudos de maneira que entrem na sua rotina. Por exemplo, você
poderá escolher um dia ao longo da semana ou um determinado horário todos ou alguns
dias e determinar como o seu “momento do estudo”.

No material de cada Unidade, há videoaulas e leituras indicadas, assim como sugestões


de materiais complementares, elementos didáticos que ampliarão sua interpretação e
auxiliarão o pleno entendimento dos temas abordados.

Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de
discussão, pois estes ajudarão a verificar o quanto você absorveu do conteúdo, além de
propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de
troca de ideias e aprendizagem.

Bons Estudos!
UNIDADE
Legislação e Normas de Proteção contra Incêndio

Contextualização
A presente unidade (Legislação e Normas de Proteção contra Incêndio), vem apresen-
tar ao aluno(a) a regulamentação definida segundo as Legislações e Normas de proteção
contra incêndio nas edificações.

O que deve ser considerado como medida de proteção contra incêndio em um con-
domínio residencial? O que significa AVCB? Toda edificação deve possuir hidrantes?

Essas e outras questões serão esclarecidas nessa unidade. Conheceremos os motivos


pelos quais se adota uma medida de proteção contra incêndio em uma edificação, en-
quanto que em outra edificação similar, porém, com uma ocupação superior, existem
outras medidas de segurança contra incêndio.

Dessa forma, aproveite o conteúdo dessa unidade e todos os demais recursos dis-
poníveis para o aprofundamento teórico nessa área de conhecimento da segurança
contra incêndio.

6
Norma Regulamentadora NR23
As Normas Regulamentadoras (NR) são disposições complementares ao capítulo V
da CLT, consistindo em obrigações, direitos e deveres a serem cumpridos por empre-
gadores e trabalhadores com o objetivo de garantir trabalho seguro e sadio, prevenin-
do a ocorrência de doenças e acidentes de trabalho. A elaboração/revisão das NR é
realizada pelo Ministério do Trabalho, adotando o sistema tripartite paritário por meio
de grupos e comissões compostas por representantes do governo, de empregadores
e de empregados.

Dentre as diversas NRs, existe a NR 23, que trata especificamente da proteção


contra incêndio.

Embora seja a NR mais curta, por força de nossa disciplina de estudo (Proteção
contra Incêndio e Explosões), vamos considerá-la como sendo a NR de maior relevância.

Além da NR23 referenciar a legislação estadual para a aplicação das medidas de


proteção contra incêndio, ela destaca alguns itens importantes a serem observados no
quesito proteção contra incêndio, a saber:
• Saídas de emergência em todas as edificações;
• Sinalização de emergência em todas as saídas e rotas de fuga, através de placas ou
sinais luminosos;
• Saídas de emergência sempre liberadas durante jornada de trabalho;
• Saídas de emergência com dispositivo de travamento de fácil abertura;
• Treinamento a todos os trabalhadores.

Assim como as demais NRs, a NR23 está disponível para download no Ministério do Traba-
lho, em sua nova página referente à segurança do trabalho.
Disponível no endereço: https://goo.gl/YJJkZw.

Legislação Estadual
O que seria Legislação Estadual referente à proteção contra incêndio?

A Legislação Estadual de proteção contra incêndio vem para regulamentar o sistema


de segurança contra incêndios das edificações e áreas de riscos com base no estabeleci-
do na Constituição Federal e demais Leis.

Assim, o Excelentíssimo Senhor ex-Presidente da República, Michel Temer, sancio-


nou no dia 30 de março de 2017 a Lei nº 13.425, que estabelece diretrizes gerais sobre

7
7
UNIDADE
Legislação e Normas de Proteção contra Incêndio

medidas de prevenção e combate a incêndio e a desastres em estabelecimentos, edifica-


ções e áreas de reunião de público; alterando as Leis nos 8.078, de 11 de setembro de
1990, e 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil; dando outras providências.
Art. 1º Esta Lei:

I – estabelece diretrizes gerais e ações complementares sobre preven-


ção e combate a incêndio e a desastres em estabelecimentos, edifica-
ções e áreas de reunião de público, atendendo ao disposto no inciso
XX do art. 21, no inciso I, in fine, do art. 24, no § 5º, in fine, do
art. 144 e no caput do art. 182 da Constituição Federal; [...]

(LEI Nº 13.425, DE 30 DE MARÇO DE 2017)

Agora vamos entender um pouco mais sobre o que diz as legislações estaduais,
tomando como exemplo a legislação estadual de São Paulo.

Por se tratar de uma legislação estadual referente à segurança contra incêndio, o


meio mais fácil de consultar tal legislação e demais leis e normas referentes ao assunto
é por meio do Corpo de Bombeiros.

Em São Paulo, todas as informações estão acessíveis por meio digital, através do site do
corpo de bombeiros: https://goo.gl/uULzv5.

Abaixo um passo a passo para se obter a legislação estadual:


• 1º Passo: entrar no site do corpo de bombeiros do estado de São Paulo através do
link acima.

Figura 1 – Página principal do corpo de bombeiros de São Paulo


• 2º Passo: acessar no menu “SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO” o item Legis-
lação – consulta e clicar.

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Figura 2 – Consulta de legislação
• 3º Passo: selecionar a situação do documento a ser consultado, nesse caso, Legis-
lação em Vigor.

Figura 3 – Seleção de situação da legislação em vigor


• 4º Passo: selecionar a legislação a ser consultada, nesse caso, Decretos em Vigor.

Figura 4 – Seleção de documento (decreto, instruções, leis etc.)

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UNIDADE
Legislação e Normas de Proteção contra Incêndio

• 5º Passo: selecionar o documento a ser consultado, nesse caso, procurar pelo mais
atual disponível e clicar no botão Pesquisar.

Figura 5 – Seleção do documento


• 6º Passo: efetuar o download do documento pesquisado. Nesse caso, o Decreto
estadual que institui o regulamento de segurança contra incêndios das edificações e
áreas de risco no estado de São Paulo e dá providências correlatas.

Figura 6 – Pesquisa do documento e disponibilização para download

Para todos os demais estados, deve-se procurar junto ao Corpo de Bombeiros qual é
a legislação estadual pertinente ao assunto de segurança contra incêndio.

Em São Paulo, a legislação atual válida é o decreto nº 56.819 de 10 de março de


2011, porém já foi publicado o decreto nº 63.911 de 10 de dezembro de 2018, que pas-
sará a valer após 120 dias de sua publicação, ou seja, a partir de 10 de abril de 2019,
cujos objetivos estão descritos em seu artigo 2º:

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Artigo 2º – São objetivos deste Regulamento:

I – proteger, prioritariamente, a vida dos ocupantes das edificações e


áreas de risco, em caso de incêndios e emergências;

II – restringir o surgimento e dificultar a propagação de incêndios,


estimulando a utilização de materiais de baixa inflamabilidade e redu-
zindo a potencialidade de danos ao meio ambiente e ao patrimônio;

III – proporcionar, nas edificações e áreas de risco, os meios mínimos


necessários ao controle e extinção de incêndios;

IV – evitar o início e conter a propagação do incêndio, reduzindo da-


nos ao meio ambiente e ao patrimônio;

V – viabilizar as operações de atendimento de emergências;

VI – proporcionar a continuidade dos serviços nas edificações ou áre-


as de risco;

VII – distribuir competências para o fiel cumprimento das medidas de


segurança contra incêndios;

VIII – fomentar o desenvolvimento de uma cultura prevencionista de


segurança contra incêndios. [...] (Decreto nº 63.911/2018)

A confirmação do cumprimento desse decreto se dá através da licença do Corpo de


Bombeiros, que reconhece o cumprimento das medidas de segurança contra incêndio
da edificação através dos seguintes documentos:
• Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros – AVCB;
• Termo de Autorização para Adequação do Corpo de Bombeiros – TAACB;
• Certificado de Licença do Corpo de Bombeiros – CLCB.

Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros – AVCB: é o documento emitido pelo CBPMESP


certificando que, no ato da vistoria técnica, a edificação ou área de risco atende às exigên-
cias quanto às medidas de segurança contra incêndio.
Certificado de Licença do Corpo de Bombeiros – CLCB: é o documento emitido pelo
CBPMESP, após apresentação dos documentos comprobatórios, certificando que a edifica-
ção ou área de risco atende às exigências quanto às medidas de segurança contra incêndio.
Termo de Autorização para Adequação do Corpo de Bombeiros – TAACB: documento
emitido pelo CBPMESP certificando que, após aprovação de cronograma físico para ajus-
tamento das medidas de segurança contra incêndio, a edificação ou área de risco pode
manter as atividades por atender nível mínimo de segurança.

O decreto 63.911/2018 determina as medidas de segurança contra incêndio em edi-


ficações e áreas de risco em função da:
• Ocupação ou uso (residencial, comercial, industrial etc.);
• Altura;
• Carga de incêndio (baixa, média ou alta);

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UNIDADE
Legislação e Normas de Proteção contra Incêndio

• Área construída;
• Capacidade de lotação;
• Riscos especiais (GLP, produtos perigosos, fogos de artifício, vaso sob pressão etc.).

Tabela 1 – Tabela de classificação das edificações e áreas de risco quanto à ocupação


Grupo Ocupação/Uso Divisão Descrição Exemplos
Casas térreas ou assobradadas (isoladas e não isoladas) e
A-1 Habitação unifamiliar
condomínios horizontais.
A Residencial A-2 Habitação multifamiliar Edifícios de apartamentos em geral.
Pensionatos, internatos, alojamentos, mosteiros, conventos,
A-3 Habitação coletiva
residências geriátricas. Capacidade máxima de 16 leitos.
Hotéis, motéis, pensões, hospedarias, pousadas, albergues,
B-1 Hotel e assemelhado
Serviço de casas de cômodos, divisão A-3 com mais de 16 leitos.
B
Hospedagem Hotéis e assemelhados com cozinha própria nos apartamentos
B-2 Hotel residencial
(incluem-se apart-hotéis, flats, hotéis residenciais).
Comércio com baixa
C-1 Artigos de metal, louças, artigos hospitalares e outros.
carga de incêndio
Edifícios de lojas de departamentos, magazines, armarinhos,
C Comercial Comércio com média e
C-2 galerias comerciais, supermercados em geral, mercados
alta carga de incêncio
e outros.
C-3 Shopping centers Centro de compras em geral (Shopping centers).
Fonte: Decreto 63.911/2018

Tabela 2 – Tabela de classificação das edificações quanto à altura


Tipo Denominação Altura
I Edificação Térrea Um pavimento
II Edificação Baixa H ≤ 6,00 m
III Edificação de Baixa-Média Altura 6,00 m < H ≤ 12,00 m
IV Edificação de Média Altura 12,00 m < H ≤ 23,00 m
V Edificação Mediamente Alta 23,00 m < H ≤ 30,00 m
VI Edificação Alta Acima de 30,00 m
Fonte: Decreto 63.911/2018

Segundo o decreto estadual 63.911/2018, a altura da edificação pode ser definida


em função de duas finalidades: exigência das medidas de segurança contra incêndio ou
para a finalidade de saída de emergência.

Para a finalidade de definição das medidas de segurança contra incêndio a altura é a


medida, em metros, do piso mais baixo ocupado ao piso do último pavimento.

Já para a finalidade de saída de emergência, a altura é a medida, em metros, entre o


ponto que caracteriza a saída do nível de descarga ao piso do último pavimento, poden-
do ser ascendente ou descendente.

Tabela 3 – Tabela de classificação das edificações e áreas de risco quanto à carga de incêndio
Risco Carga de Incêndio MJ/M2
Baixo até 300 MJ/M2
Médio Entre 300 e 1.200 MJ/M2
Alto Acima de 1.200 MJ/M2
Fonte: Decreto 63.911/2018

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Para determinação da carga de incêndio, deve-se considerar o indicado na NBR
14432 – Exigências de resistência ao fogo de elementos construtivos de edificações –
Procedimento, ou instruções técnicas específicas. Para o caso de São Paulo, temos a
Instrução Técnica 14/2018 – Carga de incêndio nas edificações e áreas de risco, onde
encontramos, no Anexo A da IT 14/2018, a tabela de cargas de incêndio específicas
por ocupação.

Tabela 4 – Exemplo da tabela de carga de incêndio específica em função da ocupação


Ocupação/Uso Descrição Divisão Carga de incêndio (qfi) em MJ/M2
Alojamentos estudantis A-3 300
Apartamentos A-2 300
Residencial
Casas térreas ou sobrados A-1 300
Pensionatos A-3 300
Hotéis B-1 500
Serviços de
Motéis B-1 500
Hospedagem
Apart-hotéis B-2 500
Açougue C-1 40
Animais (“pet shop”) C-2 600
Antiguidades C-2 700
Aparelhos eletrodomésticos C-1 300
Aparelhos eletrônicos C-2 400
Armarinhos C-2 700
Armas C-1 300
Artigos de bijuteria, metal ou vidro C-1 300
Artigos de cera C-2 2100
Artigos de couro, borracha, esportivos C-2 800
Comercial varejista, Automóveis C-1 200
Loja
Ver item 5.2 Bebidas destiladas C-2 500
Brinquedos C-2 500
Calçados C-2 500
Couro, artigos de C-2 700
Drogarias (incluindo depósitos) C-2 1000
Esportes, artigos de C-2 800
Ferragens C-1 300
Floricultura C-1 80
Galeria de quadros C-1 200
Joalheria C-1 300
Livrarias C-2 1000
Fonte: Instrução Técnica 14/2018 – Anexo A

Para o caso de ocupações como depósitos, faz-se necessário conhecer o tipo de ma-
terial a ser armazenado e sua altura de armazenamento.

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UNIDADE
Legislação e Normas de Proteção contra Incêndio

Tabela 5 – Exemplo da tabela de carga de incêndio em função da altura de armazenamento (depósitos)


Carga de incêndio (qfi) em MJ/M2
Tipo de material Altura de armazenamento (em metro)
1 2 4 6 8 10
Açúcar 3780 7560 15120 22680 30240 37800
Açúcar, produtos de 360 720 1440 2160 2880 3600
Acumuladores/baterias 360 720 1440 2160 2880 3600
Adubos químicos 90 180 360 540 720 900
Alcatrão 1530 3060 6120 9180 12240 15300
Algodão 585 1170 2340 3510 4680 5850
Alimentação (alimentos industrializados) 1530 3060 6120 9180 12240 15300
Aparelhos eletroeletrônicos 180 360 720 1080 1440 1800
Aparelhos fotográficos 270 540 1080 1620 2160 2700
Bebidas alcoólicas 360 720 1440 2160 2880 3600
Borracha 12870 25740 51480 77220 102960 128700
Artigos de borracha 2250 4500 9000 13500 18000 22500
Brinquedos 360 720 1440 2160 2880 3600
Cabos elétricos 270 540 1080 1620 2160 2700
Cacau, produtos de 2610 5220 10440 15660 20880 26100
Café cru 1305 2610 5220 7830 10440 13050
Caixas de madeira 270 540 1080 1620 2160 2700
Calçado 180 360 720 1080 1440 1800
Fonte: Instrução Técnica 14/2018 – Anexo B

Ainda para as ocupações de depósitos, quando não encontrados na tabela do anexo


B da IT14/2018, ou na NBR 14432, pode-se utilizar os métodos de cálculo determinís-
tico, conforme preconiza a própria NBR 14432.

Nada melhor do que exemplos, não é mesmo? Assim, quais seriam as medidas de
proteção contra incêndio necessárias para os seguintes estabelecimentos?
• Caso 01: Condomínio residencial com área de 1200m2 e altura de 25m;
• Caso 02: Restaurante térreo com área de 900m2, lotação de 150 pessoas.

Caso 01: Condomínio residencial com área de 1200m2 e altura de 25m.


• 1º Passo: determinação da ocupação da edificação.

Tabela 6 – Tabela de classificação das edificações e áreas de risco quanto à ocupação


Grupo Ocupação/Uso Divisão Descrição Exemplos
Casas térreas ou assobradadas (isoladas e não isoladas) e
A-1 Habitação unifamiliar
condomínios horizontais.
A Residencial A-2 Habitação multifamiliar Edifícios de apartamentos em geral.
Pensionatos, internatos, alojamentos, mosteiros, conventos,
A-3 Habitação coletiva
residências geriátricas. Capacidade máxima de 16 leitos.
Fonte: Decreto 63.911/2018 – Tabela 1

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Segundo a tabela 1 do decreto 63.911/2018, considerando a ocupação/uso resi-
dencial e a descrição de habitação multifamiliar, temos a classificação de ocupação/uso
como sendo A-2.
• 2º Passo: determinação da altura da edificação.

Tabela 7 – Tabela de classificação das edificações quanto à altura


Tipo Denominação Altura
I Edificação Térrea Um pavimento
II Edificação Baixa H ≤ 6,00 m
III Edificação de Baixa-Média Altura 6,00 m < H ≤ 12,00 m
IV Edificação de Média Altura 12,00 m < H ≤ 23,00 m
V Edificação Mediamente Alta 23,00 m < H ≤ 30,00 m
VI Edificação Alta Acima de 30,00 m
Fonte: Decreto 63.911/2018 – Tabela 2

Segundo a tabela 2 do decreto 63.911/2018, considerando a altura de 25m, temos


a classificação de altura como sendo V (edificação mediamente alta).
• 3º Passo: determinação do risco da edificação.

Tabela 8 – Tabela de carga de incêndio específica em função da ocupação


Ocupação Descrição Divisão Carga de incêndio (qfi) em MJ/M2
Alojamentos estudantis A-3 300
Apartamentos A-2 300
Residencial
Casas térreas ou sobrados A-1 300
Pensionatos A-3 300
Fonte: Instrução Técnica 14/2018 – Anexo A

Segundo o anexo A da IT 14/2018, considerando a ocupação como sendo A-2,


temos uma carga de incêndio de: 300 MJ/m2, ou seja, Risco Baixo.
• 4º Passo: determinação das medidas de proteção contra incêndio, necessá-
rias na edificação.

Tabela 9 – Edificações do grupo A com área superior a 750 m2 ou altura superior a 12,00
GRUPO DE OCUPAÇÃO E USO GRUPO A – RESIDENCIAL
Divisão A-2, A-3 e Condomínios Residenciais
Classificação quanto à altura (em metros)
Medidas de Segurança contra Incêndio
Térrea H≤6 6 < H ≤ 12 12 < H ≤ 23 23 < H ≤ 30 Acima de 30
Acesso de Viatura na Edificação X X X X X X
Segurança Estrutural contra Incêndio X X X X X X
Compartimentação Vertical – – – X2 X2 X2
Controle de Materiais de Acabamento – – – X X X
Saídas de Emergência X X X X X X1
Brigada de Incêndio X X X X X X
Iluminação de Emergência X X X X X X
Alarme de Incêndio X3 X3 X3 X3 X3 X
Sinalização de Emergência X X X X X X
Extintores X X X X X X
Hidrante e Mangotinhos X X X X X X
Fonte: Decreto 63.911/2018 – Tabela 6A

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UNIDADE
Legislação e Normas de Proteção contra Incêndio

Segundo a tabela 6A do decreto 63.911/2018, considerando a ocupação como sen-


do A-2, com altura de 25m, temos as seguintes medidas de proteção contra incêndio
que devem ser consideradas:
• Acesso de viatura na edificação;
• Segurança estrutural contra incêndio;
• Compartimentação vertical;
• Controle de materiais de acabamento;
• Saídas de emergência;
• Brigada de incêndio;
• Iluminação de emergência;
• Alarme de Incêndio;
• Sinalização de emergência;
• Extintores;
• Hidrantes e mangotinhos.

Todas as medidas definidas devem ser projetadas conforme respectivas Normas Bra-
sileiras (NBRs) e/ou Instruções Técnicas do Corpo de Bombeiros de cada estado, que
definem as características específicas de cada sistema.

Para o caso da medida de proteção de alarme de incêndio, deve-se observar a nota 3,


que indica que esse sistema pode ser substituído pelo sistema de interfone, desde que cada
apartamento possua um ramal ligado à central, que deve ficar numa portaria com vigilân-
cia humana 24 horas, e que tenha uma fonte autônoma, com duração mínima de 60min.

Caso 02: Restaurante térreo com área de 900m2, lotação de 150 pessoas.
• 1º Passo: determinação da ocupação da edificação.

Tabela 10 – Tabela de classificação das edificações e áreas de risco quanto à ocupação


Grupo Ocupação/Uso Divisão Descrição Exemplos
Local onde há objeto de Museus, centro de documentos históricos, galerias de arte,
F-1
valor inestimável bibliotecas e assemelhados.
Igrejas , capelas, sinagogas, mesquitas, templos, cemitérios,
F-2 Local religioso e velório
crematórios, necrotérios, salas de funerais e assemelhados.
Arenas em geral, estádios, ginásios, piscinas, rodeios,
Centro esportivo
F-3 autódromos, sambódromos, pista de patinação e assemelhados.
e de exibição
Todos com arquibancadas.
Estação terminal Estações rodoferroviárias e marítimas, portos, metrô, aeroportos,
Local da F-4
de passageiro heliponto, estações de transbordo em geral e assemelhados.
F Reunião de
Teatros em geral, cinemas, óperas, auditórios de estúdios de rádio
Público F-5 Arte cênica e auditório
e televisão, auditórios em geral e assemelhados.
Boates, clubes em geral, salões de baile, restaurantes dançantes,
Clubes sociais
F-6 clubes sociais, bingo, bilhares, tiro ao alvo, boliche
e diversão
e assemelhados.
F-7 Construção provisória Circos e assemelhados.
Restaurantes, lanchonetes, bares, cafés, refeitórios, cantinas
F-8 Local para refeição
e assemelhados.
F-9 Recreação pública Jardim zoológico, parques recreativos e assemelhados.
Fonte: Decreto 63.911/2018 – Tabela 1

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Segundo a tabela 1 do decreto 63.911/2018, considerando a ocupação/uso local de
reunião de público e a descrição de local para refeição, temos a classificação de ocupa-
ção/uso como sendo F-8.
• 2º Passo: determinação da altura da edificação.

Tabela 11 – Tabela de classificação das edificações quanto à altura


Tipo Denominação Altura
I Edificação Térrea Um pavimento
II Edificação Baixa H ≤ 6,00 m
III Edificação de Baixa-Média Altura 6,00 m < H ≤ 12,00 m
IV Edificação de Média Altura 12,00 m <H ≤ 23,00 m
V Edificação Mediamente Alta 23,00 m <H ≤ 30,00 m
VI Edificação Alta Acima de 30,00 m
Fonte: Decreto 63.911/2018 – Tabela 2

Segundo a tabela 2 do decreto 63.911/2018, considerando a altura térrea, temos a


classificação de altura como sendo I (edificação térrea).
• 3º Passo: determinação do risco da edificação.

Tabela 12 – Tabela de carga de incêndio específica em função da ocupação


Bibliotecas F-1 2000
Cinemas, teatros e similares F-5 600
Circos e assemelhados F-7 500
Centros esportivos e de exibição F-3 150
Clubes sociais, boates e similares F-6 600
Locais de reunião Estações e terminais de passageiros F-4 200
de Público Exposições F-10 Adotar Anexo B ou C
Igrejas e templos F-2 200
Lan house, jogos eletrônicos F-6 450
Museus F-1 300
Padarias comerciais F-8 300
Restaurantes F-8 300
Fonte: Instrução Técnica 14/2018 – Anexo A

Segundo o anexo A da IT 14/2018, considerando a ocupação como sendo F-8, te-


mos uma carga de incêndio de: 300 MJ/m2, ou seja, Risco Baixo.
• 4º Passo: determinação das medidas de proteção contra incêndio, necessá-
rias na edificação.

Segundo a tabela 6F.3 do decreto 63.911/2018, considerando a ocupação como


sendo F-8, térrea, temos as seguintes medidas de proteção contra incêndio que devem
ser consideradas:
• Acesso de viatura na edificação;
• Segurança estrutural contra incêndio;
• Controle de materiais de acabamento;
• Saídas de emergência;
• Plano de Emergência;
• Brigada de incêndio;

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UNIDADE
Legislação e Normas de Proteção contra Incêndio

• Iluminação de emergência;
• Alarme de Incêndio;
• Sinalização de emergência;
• Extintores;
• Hidrantes e mangotinhos.

Todas as medidas definidas devem ser projetadas conforme respectivas Normas Bra-
sileiras (NBRs) e/ou Instruções Técnicas do Corpo de Bombeiros de cada estado, que
definem as características específicas de cada sistema.

Para o caso da medida de proteção plano de emergência, deve-se observar a nota 4,


que indica a obrigatoriedade desse sistema apenas para locais com público acima de
1.000 pessoas.

Tabela 13 – Edificações de Divisão F-5, F-6 e F-8 com área superior a 750 m2 ou altura superior a 12,00
GRUPO DE
GRUPO F – LOCAIS DE REUNIÃO DE PÚBLICO
OCUPAÇÃO E USO
Divisão F-5 (auditório...) e F-6 (clube social...) F-8 (restaurante...)
Medidas de Classificação quanto à altura (em metros) Classificação quanto à altura (em metros)
Segurança contra 6 < H 12 < H 23 < H Acima 6 < H 12 < H 23 < H Acima
Térrea H ≤ 6 Térrea H ≤ 6
Incêndio ≤ 12 ≤ 23 ≤ 30 de 30 ≤12 ≤23 ≤ 30 de 30
Acesso de Viatura
X X X X X X X X X X X X
na Edificação
Segurança Estrutural
X X X X X X X X X X X X
contra Incêndio
Compartimentação
X1 X1 X1 X1 X – – – – X1 X X
Horizontal (áreas)
Compartimentação
– – – X2 X2 X – – – X2 X2 X
Vertical
Controle de Materiais
X X X X X X X X X X X X
de Acabamento
Saídas de Emergência X X X X X X X X X X X X⁵
Plano de Emergência X⁴ X⁴ X⁴ X⁴ X⁴ X⁴ X⁴ X⁴ X⁴ X⁴ X⁴ X⁴
Brigada de Incêndio X X X X X X X X X X X X
Iluminação de
X X X X X X X X X X X X
Emergência
Detecção de Incêndio X3 X3 X3 X X X – – – X X X
Alarme de Incêncio X X X X X X X X X X X X
Sinalização de
X X X X X X X X X X X X
Emergência
Extintores X X X X X X X X X X X X
Hidrante e
X X X X X X X X X X X X
Mangotinhos
Chuveiros Automáticos – – – – – X – – – – – X
Controle de Fumaça – – – – – X⁶ – – – – – X⁶
Fonte: Decreto 63.911/2018 – Tabela 6F.3

Explore a legislação estadual do seu estado para atentar-se às suas aplicações quanto aos
tipos de edificações, exclusões de áreas para definição das medidas de proteção contra
incêndio, utilização de subsolo etc.

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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Leitura
Anexo C da Instrução Técnica 14/2018 (CBPMSP)
https://goo.gl/uULzv5
Anexo D da Instrução Técnica 14/2018 (CBPMSP)
https://goo.gl/uULzv5
Instrução Técnica 08/2018 segurança estrutural contra incêndio (CBPMSP)
https://goo.gl/uULzv5
Artigo sobre a Lei brasileira de prevenção e combate contra incêndio
https://goo.gl/rX2sNS

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UNIDADE
Legislação e Normas de Proteção contra Incêndio

Referências
ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (2001), NBR
14432: 2001: Exigências de resistência ao fogo de elementos construtivos de edifica-
ções – Procedimento.

BRASIL. NR 23 – Proteção Contra Incêndios. Portaria GM n.º 3.214, de 08 de junho


de 1978.

CORPO DE BOMBEIROS DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO,


Instrução Técnica nº 14/2018 – Carga de incêndio nas edificações e áreas de risco.

SÃO PAULO (Estado). Decreto nº 63.911, de 10 de dezembro de 2018. Institui o


Regulamento de Segurança contra Incêndio das edificações e áreas de riscos no Esta-
do de São Paulo e dá providencias correlatas.

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